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12 outubro 2012

Vírus Destruidor - Joanna de Ângelis


VÍRUS DESTRUIDOR

A intriga é semelhante a um vírus destruidor que se multiplica rapidamente, aniquilando a organização de que se nutre.

Imiscui-se sutilmente e prolifera com volúpia, irradiando a sua morbidez devastadora.

Com facilidade transfere-se de uma para outra vítima, conseguindo gerar o ambiente pestífero que lhe é próprio.

O intrigante, por sua vez, é enfermo da alma, portando graves distúrbios emocionais e morais.

É invejoso, e transfere-se da conduta deplorável que lhe é característica para a das acusações perniciosas; é portador de complexo de inferioridade, mantendo sentimentos competitivos com os demais, e porque não possui os requisitos hábeis para vencer, oculta-se na intriga, mediante a qual denigre aquele de quem se faz opositor; é perverso, porque respira mágoas a respeito do seu próximo, que procura anular através das covardes assacadilhas...

Urde planos nefastos e mascara-se com sorrisos pérfidos com que engana as suas vítimas, enquanto as combate com ferocidade.

Sempre armados, a sua imaginação corrompe tudo quanto ouve e vê, adaptando à vérmina que traz no pensamento. Ninguém se livra da intriga insidiosa e cruel.

São célebres na História da Humanidade as intrigas palacianas...

Nas cortes, onde a frivolidade e o ócio predominavam, as intrigas no passado, assim como no presente, têm sido o alimento mantenedor dos parasitas morais que as constituem.

Quase todas as criaturas têm sido abaladas pela insídia da sua maldade, derrubando potentados e afastando pessoas nobres da execução dos seus elevados ideais.

Tronos são derruídos pela insídia da intriga; reis e potestades tombam nas malhas que as asfixiam.

A intrig é irmão gêmea da traição que se homizia no âmago dos Espíritos infelizes.

Todo grupamento social, político, acadêmico, popular, religioso, cultural ou de trabalho e de lazer, é vítima dos profissionais da intriga, neles integrados com os nefandos objetivos de os desagregar.

...E a intritga campeia a soldo da insegurança, da imaturidade psicológica das criaturas humanas.
O intrigante é instrumento dócil das Trevas que pretendem manter a sociedade na ignorância, no atraso moral, a fim de nutrir-se das emanações humanas que vampirizam.

Movimenta-se com facilidade porque é pusilânime, tornando-se hoje amigo daquele que no passado feriu, e assim, sucessivamente, em relação às pessoas que, no futuro, serão suas vítimas.
Alegra-se ao ver os distúrbios que provoca sem deixar-se trair, sorrindo de prazer ante as injunções penosas que a sua conduta reprochável dá lugar.

Encontra-se em toda parte, por constituir larga fatia da sociedade inditosa que se compraz na maledicência, nas observações distorcidas...

São necessários antídotos vigorosos para sanar essa epidemia ou muita água em forma de paciência e compaixão para apagar os incêndios morais que provoca.

A intriga é semelhante a cupim que destrói a fonte de onde retira o alimento, sem deixar vestígios externos, até o momento em que se desorganizam as estruturas nas quais se refugia.

*   *   *

Fecha os ouvidos à persuasiva palavra simulada do intrigante, que te escolhe para a catarse da própria desdita.

Não passes adiante a informação infeliz que ele te transmite com o objetivo de envenenar-te o que, invariavelmente, consegue.

Abafa a intriga que te chega ao conhecimento no poderoso algodão do silêncio e da dignidade.

Desarma-te, em relação ao teu irmão, adquire autoconfiança e autoconsciência, que te instrumentalizam para não aceitares a morbidez da intriga destruidora.

Mesmo no colégio galileu, a intriga e o ciúme campeavam, culminando na traição de Judas e em negação de Pedro em referência a Jesus, que sempre os amou.

Sê fiel ao teu ideal, mantendo lealdade com relação àqueles que constituem a tua família biológica, quanto a espiritual.

Não agasalhes informações nefastas, deixando-te contaminar pelo morbo sempre ativo da intriga.

Respeita a concha dos teus ouvidos, preservando-a da intriga e dignifica a tua voz não a propagando, dessa maneira deixando-a diluir-se no oceano da tua conduta moral.

Aqueles que se permitem criar embaraços ao seu próximo, acusando-os, indevidamente, tecendo as redes das informações malsãs,  vigiando-os de forma implacável, empurrando-os na direção do abismo do desânimo e do sofrimento, tornam-se responsáveis pelo mal que lhes venha acontecer.

São as mãos invisíveis que os asfixiam e as forças infelizes que os comprimem, derrubando-os pelo caminho da evolução.

Se alguém, por acaso, não corresponde à tua confiança, nem retribui o teu comportamento sadio, não te aflijas, porque o infeliz é ele que, ingrato, não é capaz de compreender a beleza nem o significado da amizade legítima.

Em qualquer circunstância, sê aquele que vive com elevação e honradez, a fim de que longos e saudáveis sejam os teus dias na viagem abençoada pela Terra.
Divulga o bem e canta a glória da afeição pura, entronizando na mente e na emoção, os valores da alegria defluente dos deveres retamente cumpridos.

Embora aceito pelos frívolos, o intrigante é detestado e temido por todos, que lhe conhecem o caráter e percebem que, de um para outro momento, poderão ser-lhes vítimas também.

O que fazem com os outros, certamente farão contigo, sem compaixão.

*   *   *

Jesus recomendou a vigilância e a oração como terapia preventiva e curadora, para uma existência digna e feliz.

Vigia as nascentes do coração para que nelas brote a água lustral do amor que se expande, enquanto orarás, arando com os tratores da caridade, os solos humanos que a vida te oferece.

Intriga, jamais!

Joanna de Angelis
Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnicada noite de 10 de setembro de 2012, no Centro Espírita Caminho da Redenção,em Salvador, Bahia.

11 outubro 2012

Fazendo Sol - Joanna de Ângelis


FAZENDO SOL

Além da cela em que te enclausuras, alimentando as vitórias dos  sofrimentos que crias entre sombras mentais, o trabalho socorrista espera  braços para acionarem a alavanca da oportunidade, em favor de outros mais  necessitados do que tu mesmo, que não podem parar nos degraus da lamentação.

Eles passam pela vida entre soluços e provações, a que desde cedo  se encontram vinculados.

Dirás, no entanto, que eles já se acostumaram e que as dores que  te laceram são insuportáveis.

Ignoras, certamente, a dor de uma mãe viúva e enferma sustentando  em braços fracos o filho misérrimo e esfaimado; não sabes o desgosto  profundo que experimenta um pai envelhecido que a tirania dos filhos jovens  atirou à sarjeta e ao abandono; desconheces o sinal da orfandade, desde as  primeiras horas nas ruas do desconforto, em forma de complexos e recalques  malsinantes; desconheces os punhais invisíveis das dores morais que  despedaçam o coração e mil outros angustiantes golpes com que o pretérito  culposo pune no presente os infratores da Lei...

Ameniza tuas provações ajudando outros sob a dolorosa cruz de  provações sem nome.

Há fome de amor perto do teu leito de queixas.

Levanta-te da inércia a que te vinculas impensadamente e aciona a  máquina da beneficência.

 -o-

A palavra de acolhimento fraternal que endereças a alguém é raio  de sol na direção da vida.

A reprimenda que silencias se converte em reservas de piedade a  teu próprio favor.

Todos somos imperfeitos em luta titânica pela ascensão aos páramos  da luz.

Quantos bens se demoram encurralados em tuas mãos e quantas  oportunidades te passam improdutivas?!

Acompanha a viagem da semente em transformações incessantes até  uma nova semente.

Segue a jornada de uma moeda perdida na ociosidade do teu cofre e  consigna os bens que pode espalhar quando dirigida pelos poderes da  caridade.

Aplica o minuto do repouso indébito e desnecessário, edificando  algo bom em alguém ou para alguém, e as noites do desassossego fulgirão com  os lampejos das estrelas do teu esforço clareando caminhos.

 Muitas dores são filhas da ociosidade.

 Diversos males descendem da ignorância dos males reais.

 Múltiplas enfermidades desenvolvem-se na madre da inutilidade.

 Vidas vazias são colunas belas e decoradas sem base nem utilidade,  dispensáveis e frágeis.

 A auto piedade pode ser comparada à hera constringente que  despedaça a frincha em que se apóia...

Lá fora, além da cela do teu isolacionismo, está fazendo sol e  Jesus, hoje como outrora, esquecido de si mesmo e das ingratidões dos homens  e do mundo está recolhendo corações para a lavoura do amor.

Deixa-te inundar da poderosa mensagem da luz e vencerás as sombras  do pessimismo e da nostalgia que te vencem desapiedadamente, fazendo-te  entender, porque para quem ama sempre “está fazendo sol.”

De “Dimensões da Verdade”
De Divaldo P. Franco
Pelo Espírito Joanna de  Ângelis

10 outubro 2012

Ideoplastia - Gabriel Delanne


IDEOPLASTIA

O vocábulo “ideoplastia” foi criado pelo Dr. Durand de Gros, em 1860, para designar os principais caracteres da sugestibilidade. Mais tarde, em 1864, o Dr. Ochorowicz o empregou para designar os efeitos da sugestão e da auto sugestão, quando ela faculta a realização fisiológica de uma idéia, como se dá nos casos da estigmatização. 

Finalmente, o professor Richet o propôs, quando das duas experiências com as senhoritas Linda Gazera e Eva C. . . (1912, 1914), cujas experiências demonstraram, de feição nítida e incontestável, a realidade da materialização de semblantes humanos, que eram, por sua vez, reproduções objetivadas e plásticas de retratos e desenhos vistos pelos médiuns. Claro é que, desses fatos, dever-se-ia logicamente inferir que a matéria viva exteriorizada é plasmada pela idéia. 

E aí está a exata significação do termo “Ideoplastia” aplicado aos fenômenos de materialização mediúnica. 

O Espiritismo não inventou nada. Todos os seus ensinos, repousam nos conhecimentos que adquiriu na comunicação com os Espíritos, e é para seus adeptos inigualável alegria ver como cada ponto da doutrina se confirma, à medida que se vai estendendo o inquérito, começado há meio século. 

Cada passo à frente, dado pela investigação independente, conduz fatalmente para nós. 

Outrora, era a negação total, obstinada, absoluta das manifestações espíritas, sob todas as suas formas, desde os simples movimentos de mesa e escrita automática até os transportes e as materializações. Em nossos dias, só os tardígrados, os ignorantes, é que contestam, ainda, a realidade dos fatos. 

Em virtude da lei do progresso que dá a toda alma a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, como, despojar-se do que tem de mau, conforme o esforço e a vontade próprios, temos que o futuro é franco a todas as criaturas. Deus não repudia nenhum de seus filhos, antes recebe-os em Seu seio à medida que atingem a perfeição, deixando a cada qual o mérito das suas obras. 

O Espiritismo, tendo por objetivo o estudo de um dos elementos constitutivos do Universo, toca forçosamente na maior parte das ciências; só podia, portanto, vir depois da elaboração delas; nasceu pela força mesma das coisas, pela impossibilidade de tudo se explicar com o auxílio apenas das leis da matéria.a 

Com a reencarnação desaparecem os preconceitos das raças e de castas pois o mesmo espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escrava, homem ou mulher. 

O amor, profundo como o mar, infinito como o céu, abraça todas as escrituras. Deus é o seu foco. Assim como o Sol se projeta, sem exclusões, sobre todas as coisas e reaquece a natureza inteira, assim também o amor divino vivifica todas as almas; seus raios, penetrando através das trevas do nosso egoísmo, vão iluminar com trêmulos clarões os recônditos de cada coração humano. Todos os seres se criaram para amar. 

As partículas da sua moral, os germes do bem que em si repousaram, fecundados pelo foco supremo se expandirão algum dia, florescerão até que todos sejam reunidos numa única comunhão do amor, numa só fraternidade universal. Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinam a concórdia, a paz, a fraternidade.

Será ele que deitará por terra as barreiras que separam os povos, que fará caiam os preconceitos de casta e se calem os antagonistas de seitas, ensinando os homens a se considerarem irmãos que tem por dever auxiliarem-se mutuamente e não destinados a viver à custa uns dos outros. 

Sei bem que o progresso só se faz por degraus, que é necessário tempo para que a opinião pública se acostume às novidades; assim, é sem impaciência que espero a vinda de novos médiuns, com os quais se poderão continuar esses notáveis descobrimentos. 

Desde que os fenômenos são reais e que se verificam já um tanto por toda a parte, é certo que se reproduzirão, e então triunfaremos porque a verdade acaba sempre por impor-se. 

Ninguém nasce destinado ao mal, porque semelhante disposição derrogaria os fundamentos do Bem Eterno sobre os quais se levanta a Obra de Deus. 

O espírito renascente no berço terrestre traz consigo a provação expiatória a que deve ser conduzido ou a tarefa redentora que ele próprio escolheu, de conformidade com os débitos contraídos. 

A alma ou Espírito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. 

O seu estado feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou impureza. 

Não há uma única imperfeição da alma que não importe funestas e inevitáveis conseqüências, como não há uma só qualidade boa que não seja fonte de um gozo. 

Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se o não for em uma existência, se-lo-á na seguinte ou seguintes, porque todas as existências são solidárias entre si. 

Aquele que se quita numa existência não terá necessidade de pagar segunda vez. 

Os reflexos mentais, segundo a sua natureza, favorecem-nos a estagnação ou nos impulsionam a jornada para a frente, porque cada criatura humana vive no céu ou no inferno que edificou para si mesma, nas reentrâncias do coração e da consciência, independentemente do corpo físico, porque, observando a vida em sua essência de eternidade gloriosa, a morte vale apenas como transição entre dois tipos da mesma experiência, no “hoje imperecível”. 

Quão raros na Terra se capacitam de que trazemos conosco os sinais de nossos pensamentos, de nossas atividades e de nossas obras, e o túmulo nada mais faz que o banho revelador das imagens que escondemos do mundo, sob as vestes da carne!. . . 

O espiritismo fornece a chave das relações existentes entre a alma e o corpo, e prova que há reação incessante de um sobre ou outro; desta forma, abre para a ciência uma estrada nova; apontando a verdadeira causa de certas afecções, fornece-lhe os meios de combate-las. 

Quando levar em conta a ação do elemento espiritual na economia, a ciência errará menos. Os espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. 

Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação senão no Espiritismo. 

A responsabilidade das faltas é toda pessoal, ninguém sofre por alheios erros, salvo se a eles deu origem, quer provocando-os pelo exemplo, quer não os impedindo quando poderia fazê-lo. Não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra ensejo de o praticar. Basta que se esteja em relações com outros homens para que se tenha ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência que não ofereça, a quem não se ache cego pelo egoísmo, oportunidade de praticá-lo. Porque, fazer o bem não consiste, para o homem, apenas em ser caridoso, mas em ser útil, na medida do possível, todas as vezes que o seu concurso venha a ser necessário. 

O túmulo é o ponto de reunião de todos os homens. Aí terminam inelutavelmente todas as distinções humanas. Em vão tenta o rico perpetuar a sua memória, mandando erigir faustosos monumentos. O tempo os destruirá, como lhe consumirá o corpo. 

Assim o quer a Natureza. Menos perecível do que o seu túmulo será a lembrança de suas ações boas e más. 

A pompa dos funerais não o limpará das suas torpezas, nem o fará subir um degrau que seja na hierarquia espiritual. 

Uma vez que o perispírito organiza a matéria, e como esta ressuscita das formas desaparecidas, parece lógico concluir que ele conserva traços desse pretérito, porque a hereditariedade, como veremos, é impotente para fazer-nos compreender o que se passa; parece legítimo supor, portanto, que o próprio perispírito evolveu através de estádios inferiores, antes de chegar ao ponto mais elevado da evolução. Se a reencarnação é uma verdade, bastante lógico é que as lembranças referentes a uma vida anterior se revelem, como já o disse muitas vezes, mais freqüentemente entre as crianças, visto que o perispírito, antes da puberdade, possui ainda um movimento vibratório que, em certas circunstâncias especiais, pode adquirir bastante intensidade, para fazer renascer recordações da existência anterior. 

Melhor ainda: as crianças prodígio provam-nos, com evidência irresistível, que a inteligência é independente do organismo que a serve, e isto porque as mais altas formas da atividade intelectual se mostram entre aqueles cuja idade não atingiu a maturidade plena. 

É esta uma das melhores objeções que se podem opor à teoria materialista. Porque o perispírito é indestrutível, conservamos, depois da morte, a integralidade de todas as nossas aquisições terrestres, e a memória acorda, então, completa, nos seres suficientemente evolvidos, por maneira que podemos abraçar o panorama de nossa passada existência. 

Vê-se, indiscutivelmente, das pesquisas feitas a meio século, pelos sábios mais notáveis do mundo inteiro, que existe no homem um princípio transcendental, desconhecido dos quadros da fisiologia oficial, porque nos é revelado com faculdades que o tornam muitas vezes independente das condições de espaço e de tempo, que regem o mundo material. 

Tudo evoluciona, tanto as nações como os indivíduos, assim os mundos como as nebulosas. 

Tudo parte do simples para chegar ao composto; da homogeneidade primitiva vai-se à prodigiosa complexidade da Natureza atual, realizada por leis que só pedem tempo para produzir todos os seus efeitos.

Gabriel Delanne
Anuário Espírita - 1965

09 outubro 2012

Viajor - Emmanuel



VIAJOR

Caro amigo,
Perguntas quem somos.
Por enquanto, sabemos unicamente que, em cada um de nós, a vida encontra um viajor, seguindo para a Imortalidade.
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Espíritos encarnados e desencarnados, já que nos achamos no regime de estágios evolutivos de uma existência para outra existência, através dos princípios da reencarnação, é justo considerar-nos na condição de viajantes, sempre prontos para nascer ou renascer, segundo as nossas necessidades ou conforme as determinações das leis que nos regem.
*
Atendendo aos imperativos do burilamento espiritual, cada viajor permanece no veículo mais adequado às tarefas que deve desempenhar, com a obrigação de se aperfeiçoar e aperfeiçoar a vida de que se rodeia, em atividade constante.
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As residências ou carros de viagem variam para todos.
Palácios, mansões, casas grandes ou pequenas, apartamentos maiores ou menores, pardieiros, refúgios, choupanas ou esconderijos...
Cada qual de nós se encontra no lugar de que necessita.
*
E solicitas normas para a tranquilidade, qual se pudéssemos formulá-las, à frente das multidões de criaturas heterogêneas, já que nem todas se localizam no mesmo grau de evolução.
*
Ainda assim, ser-nos-á possível, alinhar alguns tópicos essenciais de nossas próprias disciplinas, na Vida Espiritual, que te ofertamos, não ao modo de mandamentos pretensiosos, mas por lembretes fraternos, para que não nos esqueçamos das nossas atitudes de urgência, de maneira a ganharmos tempo na viagem, atenuando problemas e conflitos que, porventura venham à tona de nosso relacionamento comum.
*
Cultiva a fé em Deus para que não te falte a consciência tranqüila.
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Age servindo sempre.
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Lembra-te de que outros farão a ti mesmo, aquilo que aos outros te decidas a fazer.
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Espalha o bem quanto puderes e como puderes, respeitando a integridade da própria consciência.
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Não cobres tributos de gratidão.
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Abstém-te de destacar os defeitos do próximo, reconhecendo que todos nós os espíritos ainda vinculados à evolução gradativa na Terra, temos ainda o lado escuro do próprio ser por iluminar.
*
Foge de guardar ressentimento, a fim de que o ódio não se te faça veneno no coração.
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Esquece as ofensas incondicionalmente, na certeza de que as agressões pertencem aos agressores.
*
Se erraste, apressa-te a corrigir-te.
*
Na hipótese de haveres ferido a alguém, solicita desculpa, buscando reparar essa ou aquela falta cometida.
*
Tolera os companheiros na condição evolutiva em que se vejam, para que não lhes sufoques os impulsos de melhoria e elevação.
*
Não suprimas a esperança, onde a esperança esteja crescendo, ainda quando a verdade te fustigue a vida íntima, porque a Providência Divina dispõe de poder para transformar todos os fracassos humanos em novos recursos de trabalho e transformação, em favor de todos os nossos irmãos, ainda mesmo os mais infelizes.
*
Nas horas de crise, mantém a própria serenidade, sem supor que as tuas provações sejam maiores do que as dos outros, a fim de que o sofrimento educativo não se te transforme em prejuízo ou perturbação.
*
Sê fiel aos compromissos assumidos para que os companheiros de experiência e caminho se te sustentem fiéis.
*
Conserva a felicidade de ser útil e trabalha, tanto quanto puderes, realizando o melhor ao teu alcance, mesmo quando te suponhas sem necessidade de trabalhar.
*
Aceita os semelhantes teus quais são, sem reclamar-lhes exibições de grandeza, para que a vida mais facilmente lhes consiga doar o crescimento justo com a maturidade necessária.
*
Nestas diretrizes, seguiremos tranquilos, estradas adiante, conquanto as imperfeições de que ainda sejamos portadores, porque a vida se encarregará de trazer-nos as lições indispensáveis para que nos descartemos das arestas e das impropriedades de hoje, a fim de sermos as criaturas melhores de amanhã. 

Emmanuel 
Médium: Chico Xavier 
Obra: Viajor

08 outubro 2012

Que Fizeste na Vida - Léon Denis


QUE FIZESTE NA VIDA

Olhai os pássaros de nosso país durante os meses de inverno, quando o céu está sombrio, quando a terra está coberta com um branco manto de neve, agarrados uns aos outros, na borda de um telhado, eles se aquecem mutuamente, em silêncio. A necessidade os une. Contudo, nos belos dias, com o sol resplandecendo e a provisão abundante, eles piam quanto podem, perseguem-se, batem-se e se machucam. Assim é o homem. Dócil, afetuoso para com seus semelhantes nos dias de tristeza, a posse dos bens materiais muitas vezes o torna esquecido e insensível.


Uma condição modesta faz mais bem ao espírito desejoso de progredir, de adquirir as virtudes necessárias para seu progresso moral. Longe do turbilhão dos prazeres fugazes, ele julgará melhor a vida, dará à matéria o que é necessário para a conservação de seus órgãos, porém evitará cair em hábitos perniciosos, tornar-se presa das inúmeras necessidades factícias que são o flagelo da humanidade. Ele será sóbrio e laborioso, contentando-se com pouco, apegando-se aos prazeres da inteligência e às alegrias do coração.

Fortificado assim contra os assaltos da matéria, o sábio, sob a pura luz da Razão, verá resplandecer seu destino. Esclarecido quanto ao objetivo da vida e ao porquê das coisas, ficará firme e resignado diante da dor, que ele aproveitará para sua depuração e seu progresso. Enfrentará a provação com coragem, sabendo que ela é salutar, que ela é o choque que rasga nossas almas e que só por este rasgão se derrama tudo quanto de fel e de amargura há em nós.

E se os homens se riem dele, se ele é vítima da intriga e da injustiça, ele aprenderá a suportar pacientemente seus males, lançando seus olhares para vós; oh! nossos irmãos mais velhos, para Sócrates bebendo a cicuta, para Jesus crucificado e para Joana na fogueira. Haverá consolação no pensamento que os maiores, os mais virtuosos e os mais dignos sofreram e morreram pela humanidade.

Após uma existência bem preenchida, chegará a hora solene e é com calma, sem desgostos que virá a morte, a morte que os homens cercam com um sinistro aparato, a morte, espantalho dos poderosos e dos sensuais e que, para o pensador austero, é a libertação, a hora da transformação, a porta que se abre para o império luminoso dos espíritos.

Esse pórtico das regiões extraterrestres será penetrado com serenidade se a consciência, separada da sombra da matéria, erguer-se como um juiz, representante de Deus, perguntando: “Que fizeste da vida?” e ele responder: “Lutei, sofri, amei! Ensinei o Bem, a Verdade e a Justiça; dei a meus irmãos o exemplo do correto e da doçura; aliviei as dores dos que sofrem e consolei os que choram. Agora, que o Eterno me julgue, pois estou em suas mãos!”

Homem, meu irmão, tem fé em teu destino, porque ele é grande. Confia nas amplas perspectivas porque ele põe em teu pensamento a energia necessária para enfrentar os ventos e as tempestades do mundo. Caminha, valente lutador, sobe a encosta que conduz a esses cimos que se chamam Virtude, Dever e Sacrifício. Não pares no caminho para colher as florezinhas do campo, para brincar com os calhaus dourados. Para frente, sempre adiante.
Olha nos esplêndidos céus esses astros brilhantes, esses sóis incontáveis que carregam em suas evoluções prodigiosas, brilhantes cortejos de planetas. Quantos séculos acumulados foram precisos para formá-los e quantos séculos serão precisos para dissolvê-los.
Pois bem, chegará um dia em que todos esses sóis serão extintos, ou esses mundos gigantescos desaparecerão para dar lugar a novos globos e a outras famílias de astros emergindo das profundezas. Nada o que vês hoje existirá. O vento dos espaços terá varrido para sempre a poeira desses mundos, porém tu viverás sempre, prosseguindo tua marcha eterna no seio de uma criação renovada incessantemente. Que serão então, para tua alma depurada e engrandecida, as sombras e os cuidados do presente? Acidentes fugazes de nossa caminhada que só deixarão, no fundo de nossa memória, lembranças tristes e doces. 
Diante dos horizontes infinitos da imortalidade, os males do passado e as provas sofridas serão qual uma nuvem fugidia no meio de um céu sereno.

Considera, portanto, no seu justo valor, as coisas da Terra. Não as desdenhes porque, sem dúvida, elas são necessárias ao teu progresso, e tua obra é contribuir para o seu aperfeiçoamento, melhorando a ti mesmo, mas que tua alma não se agarre exclusivamente a eles e que busque, antes de tudo, os ensinamentos nelas contidos.
Graças a eles compreenderás que o objetivo da vida não é o gozo, nem a felicidade, porém o desenvolvimento por meio do trabalho, do estudo e do cumprimento do dever, dessa alma, dessa personalidade que encontrarás além do túmulo, tal como a tenhas feito, tu mesmo, no curso dessa existência terrestre.

Por Léon Deni
Do Livro:  O Progresso

07 outubro 2012

Reforma Íntima - Consiciência de Si - Ermance Dufaux




REFORMA ÍNTIMA - CONSCIÊNCIA DE SI 

Reforma íntima não deve ser entendida apenas como contenção de impulsos inferiores. Muito além disso, torna-se urgente analisá-la como o compromisso de trabalhar pelo desenvolvimento dos lídimos valores humanos na intimidade. Circunscrevê-la a regimes de disciplina pela vigência e pela vontade poderá instituir a cultura do martírio e da tormenta como quesitos indispensáveis ao seu dinamismo.

Contenção é aglutinação de forças de defesa contra a rotina mental dos reflexos do mal em nós, todavia, somente a edificação da personalidade cristã, pródigas de qualidades morais nobres, permitirá a paz interior e o serviço de libertação definitiva para além-muros da morte corporal. Por essa razão entre os seguidores da mensagem espírita, urge difundir noções mais lúcidas sobre o nível de comprometimento a que devem se afeiçoar todos os seus aprendizes. Apenas evitar o mal não basta, imperioso fazer todo o bem ao nosso alcance. A reforma de profundidade exige devoção integral aos deveres da espiritualização, onde quer que estejamos, criando condições para vivências íntimas que assegurem comoções afetivas revitalizadoras e modificadoras a rumos mais vastos na ação e na reação: é a criação de condicionamentos novos e elevados.

Assim como o corpo não extirpa partes adoecidas, mas procura harmonizá-las ao todo, a alma procede seu crescimento dentro princípio de “reaproveitamento” de todas as experiências infelizes.

Quem busca o aprimoramento de si mesmo tem como primeiro desafio o encontro consigo. A ausência de ideias claras sobre nós próprios constitui pesados ônus a ser superado, o qual tem levado corações sinceros e bem intencionados a dolorosos conflitos mentais com a melhora individual, instaurando um doloroso processo de martírio a si mesmo.

Não existe reforma íntima sem dores, razão pela qual será oportuno discernir quais são as dores do crescimento e quais são as dores que decorrem de nossa incapacidade de lidar com as forças ignoradas da vida subjetiva em nós mesmos. A distinção entre ambas tornará nosso programa de melhoria pessoal um tanto mais eficaz e menos doloroso.

Fala-se muito do homem velho e quase nada sobre como consolidar o homem novo. Dominados pelo mau hábito de destacar suas doenças espirituais, criou-se um sistema neurótico de supervalorização das imperfeições morais que tem conduzido muitos espíritas à condição de autênticos “hipocondríacos da alma”.

Conter o mal é parte do processo transformador, construir o bem é a etapa nova que nos aguarda.

Bem além de controle, educação.

Acima de disciplina com inclinações, desenvolvimentos de qualidades inatas.

Maturidade pode ser definida pela capacidade individual de ouvir a consciência em detrimento dos apelos do ego. Quanto mais fizermos isso, mais seremos maduros e libertos. A saúde é estar em contato pleno com a consciência e a doença é a escravidão ao ego. Reformar-se é tomar consciência do “si mesmo”, da “perfeição latente” a qual nos destinamos. Em outras palavras, estamos enaltecendo o ato da autoeducação.

Foi o notável Jung que afirmou: “até onde podemos discernir, o único propósito da existência humana é acender uma luz na escuridão do mero ser”.

Imperioso que acendamos essa luz, a luz que promana da autocrítica, sem a qual não nos educaremos.

E como exercer um juízo crítico honesto sem conhecimento das artimanhas da velha personalidade que geramos?

Senso crítico é, portanto, um dos pilares essenciais para a formação da autoconsciência, o qual nos permitirá desvendar as trilhas em direção aos tesouros divinos incrustados em pleno coração dessa selva de imperfeições, que trazemos dos evos.

Ermance Dufaux
Médium: Wanderley Soares de Oliveira
Livro: Reforma Íntima Sem Martírio

06 outubro 2012

Realização Interior - Joanna de Ângelis


REALIZAÇÃO INTERIOR

Enquanto o homem não se convencer de que lhe é necessário conquistar as paisagens íntimas, suas realizações externas deixá-lo-ão em desencanto, sob frustrações que se sucederão, tantas vezes quantas sejam as glórias alcançadas no mundo de fora. 

À semelhança de uma semente, na qual dormem incontáveis recursos, que surgem a partir da germinação, cabe ao ser humano desatar os valores que lhe dormem inatos, facultando-se as condições de desenvolvimento, graças às quais logrará sua plenitude. 

Muitas vezes, as dificuldades que o desafiam são fatores propiciatórios para o desabrochar dos elementos adormecidos, e para que sua destinação gloriosa seja alcançada. 

O homem de bem, que reúne os valores expressivos da honra e da ação edificante, faz-se caracterizar pelo esforço, pelo empenho que desenvolve, realizando o programa essencial da vida que é sua iluminação íntima. 

Somente essa identificação com o si profundo facultar-lhe-á a tranqüilidade, meta próxima a ser conseguida. Partindo dela, novas etapas surgirão, convidativas, ensejando o crescimento moral e intelectual proporcionador da felicidade real. 

Todas as conquistas externas - moedas, projeção social, objetos raros, moradia, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos - não obstante úteis para a comodidade, a automação e sintonia com o mundo, bem como com a sociedade, não podem acompanhar o ser, quando lhe ocorre a fatalidade biológica da morte. 

Cada qual desencarna com os recursos morais e intelectiv os que amealhou, liberando-se ou não dos grilhões emocionais que o prendem às quinquilharias a que atribui valor. 

Na luta pela aquisição das coisas, as batalhas se tornam renhidas, graças à competição, às angustiantes expectativas das disputas, nas quais o crime assume papel preponderante, com resultados quase sempre funestos. 

Na grande transição, tudo aquilo que constituiu motivo de luta insana perde o significado, passando a afligir mais do que antes.. 

Não te descures da auto-iluminação. 

 Se buscas a consolidação da estrutura sócio-econômica pessoal e familiar, vai mais longe, e intenta a conquista dos tesouros íntimos. 

 Exercita as virtudes que possuis em germe, dando-lhes oportunidade de se agigantarem, arrastando outros corações. 

Recorda-te, a cada instante, da brevidade do corpo físico e reivindica o treino para a morte, mantendo-te em serenidade, reflexão e ação iluminativa. 

 Vida interior é conquista possível, e está ao teu alcance. Logra-a, quanto antes, e sentirás a imensa alegria da plenificação. 

Joanna De Ângelis
Obra: Momentos Enriquecedores
Médium: Divaldo Pereira Franco
 

05 outubro 2012

Em Agonia - Joanna de Ângelis


EM AGONIA


"A certeza de um próximo futuro mais ditoso o sustenta e anima e, longe de se queixar, agradece ao Céu as dores que o fazem avançar. Contrariamente, para aquele que apenas vê a vida corpórea, interminável lhe parece esta e a dor o oprime com todo o seu peso." O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO Capítulo 5º - Item 13. 

Onde vás, onde te encontres, defrontarás a agonia. 

Anseias pela paz, buscas segurança, no entanto és surpreendido a cada instante pelo esboroar dos teus sonhos. 

Programas elaborados por anos-a-fio, quando postos em execução, não resistem aos testes mais humildes, e aflições sem nome te povoam a casa mental, arruinando a esperança que anelavas. 

Aspirações agasalhadas nas mãos da ternura se ensombram de augúrios pessimistas, quando supõe chegado o momento de corporificá-las. 

Aqui surpreendes o erro como língua de fogo purificador cremando a iniquidade do pretérito. Ali defrontas a ofensa transformada em chaga viva, reparando a loucura ultriz de ontem. 

Além encontras a desdita aguardando, qual lição necessária, a bênção reparadora. E concluis, ao fim, que a soma dos dias apresenta mais inquietação do que serenidade. 

Ê que todos somos espíritos endividados com as Leis Divinas em processos renovadores, pelo cadinho das reencarnações sucessivas Enquanto o espírito jornadeia na Terra, em programas disciplinantes, não pode prever a experiência com que o amanhã lhe cobrará o tributo da evolução. 

Quantos, porém, possam atravessar as dificuldades com ô coração dorido mas alçado ao amor, embora opresso, avançam na direção da liberdade. Não te revoltes com as rudes provações. 

O que hoje te falta significa desperdício de ontem. 

O de que tens necessidade, malbarataste. 

A limitação que te oprime, corrige-te o excesso mal aplicado. 

O que te detém, detinhas. 

Alonga os olhos na direção dos horizontes infinitos e agradece a Deus a agonia que experimentas, mas em cuja trilha haurirás paz. 

Reúne as forças da coragem e liga-te de todo o coração aos heróis silenciosos que sofrem e trabalham infatigavelmente, seguindo com eles em busca da verdadeira vida, porquanto ninguém há, na Terra, abastado ou mendigo, que desfrute de paz integral, felicidade plena ou desgraça total, no atual estado evolutivo. 

Apesar das dores que assinalas e das aflições que te aprimoram, as Excelsas Mãos estão modelando em teu íntimo, para mais tarde, a lira sublime que tangirás em harmoniosas vibrações, passado o estágio na abençoada escola terrena de agonias.

Joanna De Ângelis 
Obra: Espírito e Vida
Médium: Divaldo Pereira Franco

04 outubro 2012

Espinhos na Jornada Cristã - Joanna de Ângelis


ESPINHOS NA JORNADA CRISTÃ

O pântano silencioso, às vezes, com águas tranquilas, guarda, na sua intimidade, a vaza fétida e venenosa. 

A roseira que esplende de belas flores perfumadas, cobre as suas hastes com espinhos pontiagudos. 

Na aparência, a água destilada e o ácido sulfúrico têm a mesma apresentação. 

As plantas carnívoras atraem as suas vítimas exalando suave e doce perfume... 

O Sol, que aquece a vida e a mantém, é portador, também, dos raios infravermelhos e ultravioletas que danificam o organismo. Sorrisos de amabilidade também ocultam infames traições e crueldades. 

A calúnia, a perversidade, a perseguição, nem sempre se apresentam com as características que lhes são peculiares, mantendo-se ocultas nos disfarces da hipocrisia e da desfaçatez. 

É natural, portanto, que, na estrada sublime do Evangelho, estejam escondidos espinhos que dificultam a marcha do viajor dedicado e tomado pelas emoções superiores. 

São eles que testificam os valores de que o mesmo se encontra revestido, pois que, se o seu devotamento não é autêntico, logo foge do compromisso, queixando-se de dificuldades e de sofrimentos. 

Quando alguém elege o serviço de Jesus na Terra, pode ter a certeza de que a incompreensão o segue empós, a inveja o atinge com as setas da calúnia e da deslealdade, justificando-se de mil maneiras, a fim de ocultar a face inferior que lhe é peculiar. 

Todos aqueles que foram fiéis ao Mestre, ao longo dos séculos, padeceram as injunções penosas do caminho elegido para o acompanhar. 

Não apenas, porém, os servidores da Verdade, mas todos os indivíduos que se destacam na comunidade pelos valores de nobreza e de dedicação à causa do Bem e do progresso das demais criaturas, são convidados ao pagamento pela glória de servir. 

A sua caminhada é sempre marcada por dores inconcebíveis, por competições infames e por injunções inacreditáveis, especialmente no meio de quantos deveriam comportar-se de maneira diferente. 

Sucede que a Terra é ainda o mundo de provações e ninguém consegue avançar no rumo soberano da Grande Luz sem vencer a sombra exterior, após haver superado a própria sombra interior. 

Por essa razão é reduzido o número de pessoas dedicadas à construção da harmonia e da fraternidade, sendo muito mais frequentes e expressivas aquelas que aderem ao comodismo, à indiferença, à acusação indébita, à infâmia, defendendo a sua área de dominação. 

Quando se trata de uma revolução positiva e idealista, há uma recusa quase generalizada, por parte daqueles que se encontram satisfeitos consigo, com suas alegrias fisiológicas e interesses egotistas. 

As ideias novas e progressistas incomodam e, além disso, os invejosos que não são capazes de superar os paladinos dos movimentos renovadores atacam-nos ferozmente, porque gostariam de estar no seu lugar, sem o conseguir. 

* * * 

Sempre encontrarás espinhos sob a areia fina da estrada ou pedrouços no terreno a conquistar. Desde que te candidates ao serviço do Mestre Jesus, não podes anelar por aquilo que Ele rejeitou, embora sendo o Eleito de Deus. 

Toda a Sua vida esteve sob acusações falsas, perseguições mesquinhas, injunções más, forjadas pelos inimigos da Humanidade, que dEle somente se beneficiaram sem qualquer contribuição favorável. 

Nunca esperes retribuição pelo que faças de dignificante e honorável. 

Que te bastem as satisfações e prazeres da ação desempenhada e não os efeitos a que deem lugar. A tarefa do semeador é distribuir as bênçãos de que se faz instrumento e seguir adiante. 

Quanto possível, deves erradicar a erva má que lhes ameace o desenvolvimento; quando na condição de plântulas frágeis, resguardá-las das intempéries e dos inimigos naturais, sem preocupar-te contigo. 

Igualmente, não guardes qualquer ressentimento em relação àqueles que se divertem com os teus sofrimentos, que se comprazem com as tuas aflições na seara. 

Eles também não passarão incólumes, pois que a vereda é a mesma para todos. Mesmo agora, com sorrisos e esgares, aparentando felicidade, encontram-se enfermos, sofridos, necessitados... 

Todos aqueles que se apresentam como privilegiados de hoje serão chamados aos testemunhos amanhã. 

Quem hoje sofre, avança para as cumeadas da interação com o Pai, através do devotamento e da sinceridade dos seus atos. Desse modo, quanto mais diatribes te atirem, maior convicção, segurança adquires em torno da excelência do trabalho ao qual te afervoras. 

Teme, porém, quando facilidades e aplausos te acompanharem no serviço. São muito perigosos, porquanto constituem retribuição pelo que foi realizado, ou apenas simulações e hipocrisias, e isso equivale a um tipo de pagamento à vaidade e à presunção. 

Desde que trabalhas sob o comando do Mestre, a Ele cabem as bênçãos do futuro da tua cooperação, e a ti a alegria de estares ao Seu lado. 

Todos aqueles que O acompanharam, com exceção do discípulo amado, provaram os rudes testemunhos, inclusive, o holocausto da própria vida. 

Que esperas, por tua vez ?! Resta-te, somente, servir mais e melhor, consciente de que o teu grão de mostarda é também valioso no conjunto da semeadura de luz. 

Alegra-te, pois, quando caluniado, vilipendiado, sem razão atual, porquanto, estarás expungindo, o que representa uma verdadeira dádiva dos Céus. 

Enquanto alguns estão se comprometendo, tu caminhas te redimindo, pouco te importando com a maneira pela qual isso acontece. Tem, pois, compaixão dos teus adversários e sê-lhes amigo desconhecido e maltratado.

São poucos os seres humanos que desejam tornar-se amigos, servir durante a caminhada, que lhes é rica de carências, pródiga de diversões e escassa de abnegação. 

* * * 

Onde estejas, com quem te encontres, nunca deixes de assinalar a tua presença com a ternura, a misericórdia, a alegria de amar e de servir. 

As pegadas mais fortes são aquelas transformadas em luzes que brilham apontando o rumo de segurança. Caso tenhas coragem, após sofreres os acúleos da estrada, retira-os, a fim de beneficiares todos aqueles que venham depois de ti. 

Que a tua dor não seja por eles experimentada, nem os teus suores de sofrimentos íntimos derramem-se pelas faces dos futuros divulgadores do Infinito Amor. 

Joanna de Ângelis 
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 7 de junho de 2012, em Helsinque, Finlândia. 

03 outubro 2012

3 de Outubro - Aniversário de Allan Kardec


Mensagem aos Pais - Emmanuel




MENSAGEM AOS PAIS

"E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor." - Paulo (Efésios, 6:4.) 

Assumir compromissos na paternidade e na maternidade constitui engrandecimento do espírito, sempre que o homem e a mulher lhes compreendam o caráter divino.

Infelizmente, o Planeta ainda apresenta enorme percentagem de criaturas mal avisadas relativamente a esses sublimes atributos. Grande número de homens e mulheres procura prazeres envenenados nesse particular. 

Os que se localizam, contudo, na perseguição à fantasia ruinosa, vivem ainda longe das verdadeiras noções de humanidade e devem ser colocados à margem de qualquer apreciação. 

 Urge reconhecer, aliás, que o Evangelho não fala aos embriões da espiritualidade, mas às inteligências e corações que já se mostram suscetíveis de receber-lhe o concurso. 

Os pais do mundo, admitidos às assembléias de Jesus, precisam compreender a complexidade e grandeza do trabalho que lhes assiste. É natural que se interessem pelo mundo, pelos acontecimentos vulgares, todavia, é imprescindível não perder de vista que o lar é o mundo essencial, onde se deve atender aos desígnios divinos, no tocante aos serviços mais importantes que lhes foram conferidos. 

Os filhos são as obras preciosas que o Senhor lhes confia às mãos, solicitando-lhes cooperação amorosa e eficiente. Receber encargos desse teor é alcançar nobres títulos de confiança. 

Por isso, criar os filhinhos e aperfeiçoá-los não é serviço tão fácil. 

 A maioria dos pais humanos vivem desviados, através de vários modos, seja nos excessos de ternura ou na demasia de exigência, mas à luz do Evangelho caminharão todos no rumo da era nova, compreendendo que, se para ser pai ou mãe são necessários profundos dotes de amor, à frente dessas qualidades deve brilhar o divino dom do equilíbrio. 

Emmanuel
Do livro "Vinha de Luz"
Médium: Francisco C. Xavier

02 outubro 2012

Buscando a Felicidade - Emmanuel


  BUSCANDO A FELICIDADE

A felicidade que pode realmente não existir na Terra, enquanto a Terra padecer a dolorosa influenciação de um só gemido de sofrimento, pode existir na alma humana, quando a criatura compreender que a felicidade verdadeira é sempre aquela que conseguimos criar para a felicidade do próximo.

 O primeiro passo, porém, para a aquisição de semelhante riqueza é o nosso entendimento das leis que nos regem, para que o egoísmo e a ambição não nos assaltem a vida. 

 O negociante que armazena toneladas de arroz, com o propósito de lucro fácil, não poderá ingeri-lo, senão na quantidade de alguns gramas por refeição. 

O dono da fábrica de tecidos, interessado em reter o agasalho devido a milhões, não vestirá senão um costume exclusivo para resguardar-se contra a intempérie. 

E o proprietário de extensas vilas, que delibera locupletar-se com o suor dos próprios irmãos, não poderá habitar senão uma casa só e ocupar, dentro dela, um só aposento para o seu próprio repouso. 

Tudo na existência está subordinado a princípios que não podemos desrespeitar sem dano para nós mesmos, e, por esse motivo, a felicidade pura e simples é aquela que sabe retirar da vida os seus dons preciosos sem qualquer insulto ao direito ou à necessidade dos semelhantes.

Assim, pois, tudo aquilo que amontoamos, no mundo, em torno de nós, a pretexto de desfrutar privilégios e favores com prejuízo dos outros, redunda sempre em perigosa ilusão a envenenar-nos o espírito. Felicidade é como qualquer recurso que só adquire valor quando em circulação em benefício de todos. 

Em razão disso, saibamos dar do que somos e a distribuir daquilo que retemos, em favor dos que nos partilham a marcha, porque somente a felicidade que se divide é aquela que realmente se multiplica para ser nossa alegria e nossa luz, aqui e além, hoje e sempre. 

Emmanuel
Do livro Inspiração"
Médium: Francisco Cândido Xavier

01 outubro 2012

Diante da Posse - Emmanuel


DIANTE DA POSSE

 Recorda o grande minuto do berço para que te convenças, sem alarme, de que toda posse pertence a Deus. 

-o- 

Integralmente jungido à necessidade, atingiste o mundo em completa nudez, esmolando a proteção maternal, através de vagidos que te denunciavam a carência de tudo. Reconhecerás, desse modo, que a vida se te desenrola nas mil concessões do Pai Celestial cada dia. 

-o- 

Do chão que te sustenta à estrela que te adelgaça a treva noturna, tudo é Deus em teus passos, conferindo-te equilíbrio e respiração, ideia e movimento, em regime de administração, de vez que o Amor Infinito nos empresta dos os bens do mundo para que Lhe estendamos a grandeza, ao sol desse mesmo amor que é patrimônio de todas as criaturas. Observarás então que o Todo-Misericordioso te concede o ouro terrestre para que ajudes a evolução, tanto quanto te reveste com a influência política ou com a cultura da inteligência, a fim de que te convertas em coluna valiosa do progresso e da educação. 

 -o- 

Não olvides que todos, por algum tempo, detemos recursos e vantagens que significam talentos entregues às nossas mãos pelo Suprimento Divino. 

 -o- 

Nossa família é santuário de afetos para que nos entrosemos com a família maior a expressar-se na Humanidade inteira; nossa profissão é título de trabalho com que nos cabe servir à comunidade em bases de sacrifício próprio; nossa fé representa lâmpada viva com que nos compete a obrigação de clarear os caminhos alheios e nossa bolsa não é mais que repositório de possibilidades que, a rigor, estacionam em nossa marcha para que se transformem no pão e na alegria de todos os que nos cercam. 

-o- 

Acautela-te ante a transitoriedade em que toda a existência humana se levanta e desdobra, a fim de que amanhã não te aconteça acordar nos braços da morte, com a loucura de quem, debalde, intenta reter disponibilidades e bênçãos de que a fronteira de cinza é o justo limite. 

 -o- 

 “Não servirás a dois senhores” — ensinou-nos o Cristo de Deus. Jamais nos esqueçamos de que o Supremo Senhor é realmente Deus, Nosso Pai, e que, fora dos interesses d’Ele, que constituem felicidade e luz para todos, estaremos jugulados pela tirania do mentiroso senhor que é nosso “eu”. 

Emmanuel 
De “Seguindo Juntos” 
De Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos