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31 agosto 2008

Amor e Inteligência - Momento Espírita

AMOR E INTELIGÊNCIA

A religiosidade é inerente ao homem.

Sob as mais diversas formas e em todas as épocas, a Humanidade procurou relacionar-se com a Divindade.

Por muito tempo imperou a idéia de que Deus deveria ser temido.

O Criador era apresentado, por muitas tradições, como cioso e vingativo.

Jesus reformulou esse conceito, ao falar em um Pai amoroso e justo.

Convidado a indicar o maior mandamento da Lei Divina, Ele sentenciou:

Amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o Espírito.

E também amar ao próximo como a si mesmo.

É interessante anotar que, ao invés de um, o Cristo apresentou, de uma vez, dois mandamentos.

Um fala em amor a Deus e o outro em amor ao próximo.

Isso prova que tais comandos são entrelaçados.

O amor ao próximo complementa o amor a Deus e vice-versa.

Segundo o Mestre Nazareno, Deus deve ser amado com todo o coração, toda a alma e todo o Espírito.

Percebe-se ser esse amor algo muito intenso e profundo, que reclama a criatura por inteiro.

O sentimento por si só não basta.

Quando se quer enfatizar o aspecto emocional, fala-se em coração.

Mas à Divindade não se deve dar apenas o coração.

Todo o Espírito necessita estar empenhado nessa relação.

Segundo o dicionário, um dos significados de Espírito é o conjunto das faculdades intelectuais.

Cuida-se de uma acepção até certo ponto comum.

Muitas vezes se afirma que uma pessoa tem espírito.

Essa expressão indica que ela é inteligente, perspicaz, possui raciocínio rápido.

Conclui-se que o amor a Deus envolve razão, discernimento, intelecto.

O Espiritismo ensina que Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

Não se trata de uma personalidade, à semelhança dos homens, mas de uma Consciência Cósmica.

O apreço por uma personalidade humana, freqüentemente vaidosa, pode ser demonstrado por gestos exteriores.

Em relação à Consciência Cósmica, despida de características humanas, isso não se dá.

Como Deus é a Inteligência Suprema do Universo, o amor por Ele implica o esforço por desenvolver a própria inteligência.

Assim, a religiosidade é incompatível com o cultivo deliberado da ignorância.

Deus brindou Suas criaturas com dons maravilhosos, os quais precisam ser valorizados.

O dom que distingue os homens do restante da Criação é a sua intelectualidade desenvolvida, a sua razão.

O amor a Deus pressupõe respeitar o Mundo e os seres que Ele criou.

E também, logicamente, o esforço para entender esse Mundo e as leis que o regem.

Tudo no Universo é progresso e metamorfose.

Espécies animais e vegetais, as sociedades e as leis humanas, tudo se altera e aperfeiçoa.

O papel de cada homem é colaborar nesse processo de aprimoramento.

Para isso, necessita burilar seu intelecto.

Ao crescer em entendimento e compreensão, enche-se de admiração pela grandeza e pela sabedoria Divinas.

Mas o amor ao próximo complementa o amor a Deus.

As faculdades desenvolvidas pelo estudo e a observação devem ser utilizadas em benefício do semelhante.

Assim, para bem cumprir o mandamento do amor, procure desenvolver sua inteligência.

Estude uma língua, faça um curso, leia um livro, ilustre-se.

Encante-se com as maravilhas que o cercam.

E utilize seus talentos em favor do próximo.

Redação do Momento Espírita

www.momento.com.br

30 agosto 2008

Enquanto os Ventos Sopram - Momento Espírita

Enquanto os Ventos Sopram

Conta-se que, há muito tempo, um fazendeiro possuía muitas terras ao longo do litoral do Atlântico.

Horrorosas tempestades varriam aquela região extensa, fazendo estragos nas construções e nas plantações.

Por esse motivo, o rico fazendeiro estava, constantemente, a braços com o problema de falta de empregados. A maioria das pessoas estava pouco disposta a trabalhar naquela localidade.

As recusas eram muitas, a cada tentativa de conseguir novos auxiliares.

Finalmente, um homem baixo e magro, de meia-idade, se apresentou.

Você é um bom lavrador? Perguntou o fazendeiro.

Bom, respondeu o pequeno homem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram.

Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, o empregou.

O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer ao anoitecer.

O fazendeiro deu um suspiro de alívio, satisfeito com o trabalho do homem.

Então, numa noite, o vento uivou ruidosamente, anunciando que sua passagem pelas propriedades seria arrasadora.

O fazendeiro pulou da cama, agarrou um lampião e correu até o alojamento dos empregados.

O pequeno homem dormia serenamente. O patrão o sacudiu e gritou:

Levante depressa! Uma tempestade está chegando. Vá amarrar as coisas antes que sejam arrastadas.

O empregado se virou na cama e calmo, mas firme, disse:

Não, senhor. Eu não vou me levantar. Eu lhe falei: posso dormir enquanto os ventos sopram.

A resposta enfureceu o empregador. Não estivesse tão desesperado com a tempestade que se aproximava, ele despediria naquela hora o mau funcionário.

Apressou-se a sair para preparar, ele mesmo, o terreno para a tormenta sempre mais próxima.

Para seu assombro, ele descobriu que todos os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo.

As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos estavam nos viveiros e todas as portas muito bem trancadas.

As janelas estavam bem fechadas e seguras. Tudo estava amarrado. Nada poderia ser arrastado.

Então, o fazendeiro entendeu o que seu empregado quis dizer. Retornou ele mesmo para sua cama para também dormir, enquanto o vento soprava.

* * *

Se os ventos gélidos da morte lhe viessem, hoje, arrebatar um ser querido, você estaria preparado?

Se reveses financeiros, instabilidade econômica levassem seus bens de rompante, você estaria preparado?

A religião que professamos, a fé que abraçamos devem nos preparar o Espírito, a mente e o corpo para os momentos de solidão, pranto e dor.

Enquanto o dia sorri, faz sol em sua vida, fortifique-se, prepare-se de tal forma que, ao chegarem as tsunamis, soprarem os ventos e a borrasca lhe castigar, você continue firme, sereno.

Pense nisso e comece hoje a sua preparação.


Redação do Momento Espírita
com base em história de autoria desconhecida.

29 agosto 2008

Consciência Superior - Cenyra Pinto

Consciência Superior

Lembramos, quando crianças, a figura de nossas mães, ralhando com os filhos, admoestando-os.

Quanto amor nessas zangas e nas suas palmadas cheias de previdente carinho, onde se exaltava o desejo de nos preservar de males que nos pudessem prejudicar.

Diante dessas expressões maternas, nossa incompreensão infantil nos deixava amuados e até com raiva.

A vida nos substitui a figura querida da mãe, pela consciência que igualmente nos repete as mesmas advertências, quer nos chamando amoravelmente, quer nos deixando errar para sentirmos as conseqüências de nosso erro, de nossa desobediência!...

Continuamos amuados, revoltados, cheios de pessimismo contra a vida, contra a consciência amiga, que nos chama à razão.

Um dia, finalmente, paramos para ouvir-lhe a voz amiga e deixamos que em nós tudo se aquiete para que possamos entender sua mensagem maravilhosa.

Compreendemos que continuamos crianças, continuamos cegos e surdos à voz da razão. Sentimos o que nossas mães, no passado, sofreram, tanto como hoje sofre a nossa consciência.

A consciência é uma só. A Consciência Cósmica, na qual estamos mergulhados, é a Mãe Puríssima, é a grande conselheira, a amiga que não se separa de nós, apesar dos nossos desmandos.

Aquele que já é capaz de ouvi-la e obedecer aos seus conselhos não mais será punido, não sentirá as penas da vida, porque já compreende que a lei é perfeita.

Harmonizar-se com a lei, viver integralmente a vida, observando-lhe todos os movimentos, atentos a todos os detalhes, silenciando sempre que a consciência mais alta falar, é, já, ser senhor de si e não escravo, submetido à ação de inúmeras forças: é já caminhar com os próprios pés.

Esta conquista certamente não o isentará da dor, do sofrimento, pois ela está ligada a um passado de falhas, que terá de consertar.

Porém, fa-lo-á conscientemente, sabendo que não se trata de um castigo, mas sim de prêmio, pois, ao resgatarmos uma dívida tornamo-nos livres e já em condições de agirmos sem embaraço.

Começai hoje o vosso dia, confiantes nessa mãe amiga, que é a nossa consciência superior; e deixai que ela vos aconselhe e obedecei aos seus ensinamentos.

Calai-vos sempre que vossos sentimentos não estiverem em harmonia com a vossa consciência.

Não tomeis atitudes drásticas, não deixeis que os impulsos ainda desgovernados vos levem ao inferno do desequilíbrio.

Serenai-vos e, nesse estado, tudo, que falardes ou fizerdes, será o reflexo da vossa consciência superior.

Extraído do Livro "Vem!"
Cenyra Pinto

Editora Lachâtre

28 agosto 2008

Dessemelhança Espiritual - Kelvin Van Dine

Dessemelhança Espiritual

Imperioso estarmos dispostos em amar tudo, em amar todos. Irmãos de inclinações e pensamento contrários aos nossos repontarão por onde formos, de modo inevitável.

Progresso é altura e erguimento conta degraus. Adulto nenhum, em viagem aérea, exigirá que uma criança ao seu lado, consiga fitar a crosta do mundo em baixo com atitude mental semelhante à dele.

Um escritor e um analfabeto, conquanto respeitáveis pelas qualidades morais que entremostrem, não se afinarão, intimamente, guardando identidade de opiniões, em compulsando a gramática.

A dessemelhanças espiritual na subida evolutiva, surge  irrevogável.

Adversários gratuitos, na transitória competição dos pontos de vista constituem dificuldades e provas fatais.

Aceitando com naturalidade tal impositivo, apliquemos a lente da análise no âmago do próprio espírito e verificaremos que os perseguidores reais de nossa felicidade estão conosco, no íntimo do ser.

Ingratidão e diferença naqueles que amamos estão debitadas na  conta dos que a praticam.

Já o desespero que acalentamos em prejuízo próprio é o agente obsessivo que nos corrói a serenidade.

Injúria e golpe por parte dos que marcamos com a nossa estima são problemas deles. Mas o desalento de que nos deixamos possuir é o opositor que nos desgasta a saúde.

A mente reencarnacionista vê em cada escolho um lance de ascensão, em cada abismo um desafio à marcha.

Em toda ocorrência, imprimamos os moldes de tradução espírita da  vida.

Se o mal nos aborda, traduzamo-lo por ignorância.

Se a afronta nos procura, tomemo-la como sendo corretivo necessário.

Se a adversidade nos atravessa o roteiro, recebemo-la à guisa de lição libertadora.

Alijemos a carga dos temores, inquietações, animosidades e ressentimentos que irrefletidamente carregamos.

Empenhemo-nos em manter asserenada a consciência e reconheceremos que seguimos pelas trilhas do cotidiano ao lado de muitos companheiros que longe de nos hostilizarem, apenas manifestam maneiras de sentir, pensar, falar e agir diferentes daquelas que nos caracterizam.

Isso nos impelirá a observar e admitir compulsoriamente que os inimigos verdadeiros de nossa vida moram dentro de nós.

De "Técnica de viver", 
de Waldo Vieira,
 pelo Espírito de Kelvin Van Dine 

27 agosto 2008

Desgraças Terrenas - Joanna de Ângelis

DESGRAÇAS TERRENAS

Toda vez que uma desgraça se abate sobre um homem, a verdadeira desgraça para ele é não saber receber devidamente o infortúnio que lhe chega.

Desgraça, realmente, é o mal, o prejuízo, o dano que se pode praticar contra alguém e não o que se recebe ou se sofre.

O que muitas vezes tem aparência de desgraça - e isto quase sempre - é resgate intransferível e valioso que assoma à alfândega do devedor, cobrando-lhe os débitos livremente assumidos e aceitos. 

Das mais duras provações sempre resultam benefícios valiosos para o espírito imortal. Há  que considerar cada um a própria posição que mantém na vida terrena para  avaliar com acerto os acontecimentos que o visitam.

Quando somente se experimentam as emoções físicas e conceituamos os valores  imediatos, desgraças, em realidade, para tais, são os pequenos caprichos não  atendidos, as veleidades vaidosas não respeitadas, as ambições ridículas não  satisfeitas que assumem papel preponderante e se transformam em infelicidade legítimas, porquanto, ignorando propositadamente as realidades superiores,  esses descuidados se apegam às menores coisas e aos recursos de nenhuma monta, derrapando para a irritabilidade, as paixões, a loucura, o suicídio:  desgraças que levam o Espírito às províncias de amarguras inomináveis, a vencerem tempo sem limite em etapas de dor sem nome...

As desgraças que foram convencionadas como: perda de saúde, prejuízos financeiros, ausência de pessoas amadas, desemprego, acidentes, abandono por parte de queridos afetos, se constituem áspero testemunho que chega ao ser em jornada redentora, se transformam também em portal que transposto estoicamente descera a dádiva da felicidade permanente e enseja paz sem refrega de luta em atmosfera de harmonia interior.

Quando o infortúnio não resulta de imediato desatino ou leviandade à bênção da Vida à vida, facultando vitória próxima.

Nesse particular os Espíritos Superiores levam em alta consideração os sofrimentos humanos, as desgraças que abatem homens, família, povos e, pressurosos, em nome da Misericórdia Divina, acorrem a ajudar e socorrer esses padecentes, dando-lhes forças e coragem para permanecerem firmes e confiantes, buscando diminuir neles a intensidade da dor, e, noutras  circunstâncias, tendo em vista os novos méritos que resultam das conquistas individuais ou coletivas, desviando-as, atenuando-as, impedindo mesmo que se realize, pela constrição do sofrimento, a depuração espiritual, o que faculta capazes de anular o saldo devedor constritivo e perseverante, porque se a Justiça Divina é rigorosa e imutável, a Divina Misericórdia se consubstancia no amor, tendo-se em vista que Deus, nosso Pai Excelso, "é amor".

"Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados". Mateus: 5-4.
"De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou se o preferirem, promanam  de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na  vida presente; outras, fora desta vida".

Do livro "Florações Evangélicas", 
de Divaldo P. Franco - Joanna de Ângelis 

26 agosto 2008

Chegou a Hora? - Richard Simonetti

CHEGOU A HORA?

"Só peru morre na véspera!" - diz o adágio popular, fazendo referência ao fato de que ninguém desencarna antes que chegue seu dia.

Na realidade ocorre o contrário. Poucos cumprem integralmente o tempo que lhes foi concedido. Com raras exceções, o homem terrestre atravessa a existência pressionando a máquina física, a comprometer sua estabilidade.

Destruímos o corpo de fora para dentro com os vícios, a intemperança, a indisciplina... O álcool, o fumo, o tóxico, os excessos alimentares, tanto quanto a ausência de exercícios, de cuidados de higiene e de repouso adequado, minam a resistência orgânica ao longo dos anos, abreviando a vida física.

Destruímos o corpo de dentro para fora com o cultivo de pensamentos negativos, idéias infelizes, sentimentos desequilibrantes, envolvendo ciúme, inveja, pessimismo, ódio, rancor, revolta...

Há indivíduos tão habituados a reagira com irritação e agressividade, sempre que contrariados, que um dia "implodem" o coração em enfarte fulminante.

Outros "afogam" o sistema imunológico num dilúvio de mágoas e ressentimentos, depressões e angústias, favorecendo a evolução de tumores cancerígenos.

Tais circunstâncias fatalmente implicarão em problemas de adaptação, como ocorre com os suicidas.

Embora a situação dos que desencarnam prematuramente em virtude de intemperança mental e física, seja menos constrangedora, já que não pretendiam a morte, ainda assim responderão pelos prejuízos causados à máquina física, que repercutirão no perispírito, impondo-lhes penosas impressões.

Como sempre, tais desajustes refletir-se-ão no novo corpo, quando tornarem à experiência reencarnatória, originando deficiências e males variados que atuarão por indispensáveis recursos
de reajuste.

Não somos proprietários de nosso corpo. Usamo-lo em caráter precário, como alguém que alugasse um automóvel para longa viagem um programa a ser observado, incluindo roteiro, percurso, duração, manutenção.

Se abusamos dele, acelerando-o com indisciplinas e tensões, envenenando-o com vícios, esquecendo os lubrificantes do otimismo e do bom ânimo, fatalmente ver-nos-emos às voltas com graves problemas mecânicos.

Além de interromper a viagem, prejudicando o que fora planejado, seremos chamados a prestar contas dos danos provocados num veículo que não é nosso.

No futuro, em nova "viagem", provavelmente teremos um "calhambeque" com limitações variadas, a exigir maior soma de cuidados, impondo-nos benéficas disciplinas.

De "Quem tem medo da morte?",
de Richard Simonetti

25 agosto 2008

Serás Fiel - Emmanuel

SERÁS FIEL

Serás fiel à Doutrina de Cristo, que, em nome dos Benfeitores Espirituais, te acolheu com desvelos de mãe.
Guardar-lhes-ás os preceitos de amor e luz!

Dar-lhes-ás apoio, dedicação e vida!...

Quando escutares as palavras bem postas daqueles que te abram as trilhas da irresponsabilidade, invocando os direitos da falsa emancipação, sustentarás, junto dela, a tua lealdade aos compromissos assumidos.

Ainda mesmo quando se te falem, através das lideranças humanas, que podes conciliar indisciplina e sublimação, ser-lhes-ás fiel.
Honrá-la-ás com o teu pensamento e o teu serviço, tanto quanto dela recebes paz e renovação.

Caminharás materializando-lhe os princípios.
Onde estiveres, ser-lhe-ás a mensagem viva.
Com quem estiveres, transmitir-lhe-ás o ensinamento, especialmente em forma de exemplo.

Decerto, partilharás com ela a incompreensão e a perseguição de todos aqueles que, até mesmo em nome da ciência e da filosofia, aspiram a implantar na Terra o trânsito livre das paixões desgovernadas.

Entretanto, saberás sobrepor-te a todas as circunstâncias, alçando tão alto quanto possível a flama do ideal regenerativo e edificante, expondo a bandeira da luz contra o assédio da sombra, manejada pelos nossos irmãos que ainda se recusam a aceitar no Planeta o governo moral do Cristo de Deus.

A ignorância que o crucificou - a Ele Jesus - e armou os circos do martírio durante quase trezentos anos a quantos lhe proclamassem as boas-novas ainda é a mesma que hostiliza hoje a verdade, onde quer que a verdade se encontre.

Agasalhar-te-ás, por isso, na paz da consciência, abraçando as tarefas que o Alto te confiou, e não receberás a violência da crítica no testemunho das próprias obrigações, reconhecendo que os companheiros do Evangelho que não mais se resignem a ser criticados e apedrejados, maltratados e injuriados praticamente já se afastaram da senda que lhes competia trilhar.

Consciente de que o Senhor te chamou, acima de tudo, para compreender e servir, abençoarás os espinhos da cruz renovadora que te caiba, e toda vez que o Mestre te busque o testemunho de fidelidade à Verdade Imutável ou ao Bem Imperecível, que possas responder de alma tranqüila: "Pronto, Senhor, eu estou aqui".

Autor: Emmanuel (espírito)
Psicografia de Chico Xavier
Da obra: Plantão de Paz

24 agosto 2008

Comportamento e Vida - Manoel Philomeno de Miranda

COMPORTAMENTO E VIDA

O fatalismo biológico, estabelecido mediante as conquistas pessoais de cada indivíduo, não é definitivo em relação à data da sua morte.

A longevidade como a brevidade da existência corporal, embora façam parte do programa adrede estabelecido para cada homem, alteram-se para menos ou para mais, de acordo com o seu comportamento e do contributo que oferece à aparelhagem orgânica para a sua preservação ou desgaste.

Necessitando de um período de tempo em cada existência física para realizar a aprendizagem evolutiva em cujo curso está inscrito, o Espírito tem meios para abreviar-lhe ou ampliar-lhe o ciclo, mediante os recursos de que dispõe e são facultados a todos.

É óbvio que o estróina desperdiça maior quota de energias, impondo sobrecargas desnecessárias aos equipamentos fisiológicos, do que o indivíduo prudente.

As ocorrências que lhes sucedam têm as suas causas no comportamento que se permitem.

Igualmente, a forma de desencarnar, sem fugir ao impositivo do destino que é de construção pessoal, resulta das experiências que são vividas. O homem imprevidente e precipitado, desrespeitador dos códigos de lei estabelecidos, toma-se fácil presa de infaustos acontecimentos, que ele mesmo se propicia como efeito da conduta arbitrária a que se entrega.

Acidentes, homicídios, intoxicações, desastres de vários tipos que arrebatam vidas, resultam da imprevidência, da irresponsabilidade, do orgulho dos que lhes são vitimas, na maioria das vezes e no maior número de acontecimentos.

Devendo aplicar a inteligência e a bondade como norma de conduta habitual, grande parte das criaturas prefere a arrogância, a discussão acesa, o desrespeito ao dever, a negligência, tornando-se, afinal, vitimas de si mesmas, suicidas indiretas.

Nos autocídios de ação prolongada ou imediata, a responsabilidade é total daqueles que tomam a decisão infeliz e a levam a cabo, inspirados ou não por Entidades perversas com as quais sintonizam.

Derrapando em comportamentos pessimistas a que se aferram, a atitudes agressivas nas quais se comprazem, na fixação de idéias tormentosas em que se demoram, em ambições desenfreadas e rebeldia sistemática, a etapa final, infelizmente, não pode ser outra. Com o gesto que supõem de libertação, tombam, por largos anos de dor, em mais cruel processo de recuperação e desespero, para que aprendam disciplina e submissão contra as quais antes se rebelaram.

Depreende-se, portanto, que o comportamento do homem a todo instante contribui de maneira rigorosa para a programação da sua vida.

São de duas classes as causas que influem na sua existência, dentro do determinismo da evolução humana: as próximas, desta reencarnação, na qual se movimenta, e as remotas, que procedem das ações pretéritas. Estas últimas estabeleceram já os impositivos de reparação a que o indivíduo não pode fugir, amenizando-os ou vencendo-os através de atuais ações do rumor, que promovem quem as vitaliza e aquele a quem são dedicadas. As primeiras, no entanto, as da presente existência, vão gerando novos compromissos que, se negativos, podem ser atenuados de imediato por meio de atitudes opostas, e, se positivos, ampliados na sua aplicação.

O tabagismo, o alcoolismo, a toxicomania, a sexolatria, a glutonaria, entre outros fatores dissolventes e destrutivos, são de livre opção anual, não incursos no processo educativo de ninguém. Quem, a qualquer deles se vincula, padecer-lhe-á, inexoravelmente, o efeito prejudicial, não se podendo queixar ou aguardar solução de emergência.

O tabagismo responde por cárceres de várias procedências, na língua, na boca, na laringe, por inúmeras afecções e enfermidades respiratórias, destacando-se o terrível enfisema pulmonar. Todo aquele que se lhe submete à dependência viciosa, está incurso, espontaneamente, nessa fatalidade destruidora, que não estava no seu programa e foi colocada por imprevidência ou presunção.

O alcoolismo é gerador de distúrbios orgânicos e psíquicos de inomináveis conseqüências, gerando desgraças que, de forma nenhuma deveriam suceder. É ele o desencadeador da loucura, da depressão ou da agressividade, na área psíquica, sendo o responsável por distúrbios gástricos, renais e, principalmente, pela irreversível cirrose hepática. Seja através da aguardente popular ou do whisky elegante, a alcoolofilia dízima multidões que se lhe entregam espontaneamente.

A toxicomania desarticula as sutis engrenagens da mente e desagrega as moléculas do metabolismo orgânico, lesando vários órgãos e alucinando todos quantos se comprazem nas ilusões mórbidas que dizem viver, não obstante de breve duração. Iniciada a dependência que se fez espontânea, desdobrara-se à frente longos anos, numa e noutra reencarnação, para que sejam reparados todos os danos que poderiam ter sido evitados quase sem esforço.

A sexolatria gera distonias emocionais, por conduzir o indivíduo ao reduto das sensações primitivas, mantendo-os nas áreas do gozo insaciável, que o leva à exaustão, a terríveis frustrações na terceira idade, se a alcança, e a depressões sem conta pelo descalabro que desorganiza o corpo e perturba a mente. Além desses, são criados campos de dificuldade afetiva, de responsabilidade emocional com os parceiros utilizados, estabelecendo-se compromissos desditosos para o Ii1turo.

A glutoneria, além de deformar a organização física, é agente de males que sobrecarregam o corpo produzindo contínuas distinções gastrointestinais, dispepsias, acidez, ulcerações, alienando o homem que vive para comer, quando deveria, com equilíbrio, comer para viver.

São muitos os agentes dos infortúnios para o homem, que ele aceita no seu comportamento, afetando-lhe a vida.

Entretanto, através de outras atitudes e conduta poderia preserva-la, prolongá-la, dar-lhe beleza, propiciando-lhe harmonia e felicidade.

Além de atingir aquele que elege esta ou aquela maneira de agir, os resultados alcançam os descendentes que, através das heranças transmissíveis, conforme as suas necessidades evolutivas, as experimentarão.

O comportamento do Espírito, no corpo ou fora dele, é responsável pela vida, contribuindo de maneira eficaz na sua programática, igualmente interferindo na conduta do grupo em que se movimenta e onde atua, como dos descendentes que de alguma forma se lhe vinculam.

As ações corretas prolongam a existência do corpo e promovem o equilíbrio da mente, enquanto as atribuladas e agressivas produzem o inverno.

Nunca será demasiado repetir-se que, assim como o homem pensa e age, edificará a sua existência, vivendo-a de conformidade com o comportamento elegido.

Manoel Philomeno de Miranda (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco

23 agosto 2008

Caminhando com Jesus - Amélia

CAMINHANDO COM JESUS

Segues, com o passo acelerado, o caminho que traçaste para ti;

Destemido, olhas ao teu redor, como que desafiando os que intentam seguir-te;

Sempre cauteloso, desvias-te das armadilhas que pressentes em torno de ti;

Se, por acaso, te chamam, evitas parar a fim de não te atrasares.

Segues, assim, confiante, apressado e improdutivo.

Experimenta diminuir a marcha acelerada, e deixa desafogar o olhar; abandona a posição defensiva em que te colocas.

Ampara o irmão que sofre bem ao teu lado; sê para ele o abençoado bordão, ao qual ele poderá arrimar-se.

É meritória a tua pressa em alcançar os nobres objetivos a que te propuseste, mas, hoje, em que a luz do Evangelho já clareia o teu caminho, não podes mais, ou não deves mais, seguir sozinho.

Seguir, sim, naturalmente, mas seguir com Jesus, olhando para os que estão à margem da vida, para auxiliá-los. Muitos já passaram por ti e te ajudaram; faze o mesmo.

Não cogites sobre atrasos, nem desperdices oportunidades. Os que caminham praticando o Bem, nunca se atrasam. Ao contrário, toda ação boa, praticada, gera, sem dúvida nenhuma, progresso evolutivo.

Almejas a reforma moral, assim como desejas alcançar a paz na Vida espiritual; pois, então, inicia pela ação construtiva do amor ao próximo.

A vida, construída em torno do amor, da caridade e da fé, é progresso ascensional na caminhada.
Os que andam apressados e indiferentes às necessidades do próximo, atrasam os planos de Deus para com eles.

Os que encontram Jesus e O amam, empreendem, de imediato, a modificação dos hábitos; aprendem a servir e anseiam auxiliar os sofredores.

A construção dessa nova perspectiva, dessa nova visão, deve ser a meta de todo cristão. Almejar apenas a reta de chegada é esquecer de caminhar, firme e constantemente.

Se temes as armadilhas do caminho, protege-se delas pela sólida aplicação do Evangelho. Divulga o que aprendeste, auxilia os que te estendem as mãos, e verás que Jesus, o divino peregrino, te acompanhará.

Confia n' Ele e segue sereno.

Mensagem do Espírito Amélia,
psicografado por Vera Cohim,

no Lar Espírita

Chico Xavier

22 agosto 2008

As Duas Mãos - João da Silva Carvalho Neto

AS DUAS MÃOS
Autor: João da Silva Carvalho Neto

Existem erros de toda a natureza que marcam a caminhada do ser humano no rumo da perfeição.

Em todos os movimentos religiosos diversas opções eleitas como verdades absolutas tiveram a marca do personalismo que as relativizaram às imperfeições do caminho.

Assim, dogmas foram criados, rituais consagrados e preconceitos expostos à aceitação popular. O Espiritismo não poderia se eximir dessas interferências.

A propagada orientação de Jesus de que "não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita" (Mt VI, 1-4) foi indevidamente utilizada como sustentação do princípio de que não devemos falar do bem que o Espiritismo traz à humanidade.

Durante muitas décadas vivemos uma era "romântica" do Espiritismo onde a doutrina era mais vivenciada no exercício da caridade material, do pão, do agasalho e do remédio, do que de iluminar os caminhos do mundo.

Diziam-nos que, como o Espiritismo tinha tanta qualidade em sua mensagem, ele não precisaria ser propagado.

Claro que não condenamos o auxílio a quem tem fome, a quem sente frio ou a quem está doente, principalmente em um mundo como o nosso, com tantas injustiças sociais. É o dever do verdadeiro cristão.

Mas opor-se à divulgação do Espiritismo sob o argumento de exacerbar a vaidade, é fazer um desfavor à causa espírita.

O não ver a mão esquerda o que faz a direita é uma equação adequada às vivências pessoais de cada um de nós, já que a demonstração do bem que se fez é produto de um sentimento de orgulho que se manifesta na vaidade.

Orgulhar-se do bem que se fez é imaginar-se causa, superior a Deus, desse bem. É não reconhecer-se como coadjuvante e não protagonista desse ato.

Se não fôssemos um de nós seria outro, já que se o bem praticado era do merecimento do beneficiado, ele teria que acontecer com a nossa participação ou à nossa revelia.

Se o fizemos apenas aproveitamos a oportunidade de crescer no bem, sendo, talvez, mais beneficiados do que o que, como tal, aparece aos olhos do mundo.

Então essa questão está resolvida para nós espíritas. A proposta é a de fazer o bem sem ostentação... no âmbito pessoal!

Entretanto, no mesmo Evangelho de Mateus, no capítulo VIII, versículo 1 a 4, Jesus após curar um leproso pede que ele não o diga a ninguém.

Obviamente seguindo a sua própria orientação, conforme reflexionamos acima. Mas termina, o Mestre da Galiléia, recomendando que ele fosse se mostrar ao sacerdote, e deixasse sua oferta conforme recomendou Moisés, "para servir de testemunho a eles".

Jesus sugere aí o dever de se anunciar o bem para que ele sirva de testemunho a outros. Em uma época onde a violência, a sensualidade e a imoralidade vem ganhando espaço nos meios de comunicação, temos que perguntar: Onde estão os espíritas, onde estão os brandos e pacíficos, os equilibrados em suas funções genésicas, os justos, que não se posicionam com a sua opção de vida?

Estão tão silenciosos que o mundo pouco os conhece. Como afirmam os Espíritos o bem ainda é tímido enquanto o mal continua ousado.

A nível coletivo, institucional, não podemos mais fugir ao imperativo da divulgação doutrinária e de todo o bem que o Movimento Espírita realiza em suas atividades de assistência material e espiritual.

Os preconceitos do ontem não têm respaldo nas definições de Jesus e devem ser substituídos pela ousadia que a gravidade da hora presente exige de todos.

Nosso movimento organizado precisa continuar a fazer, com a mão direita, todo o bem que marca a história do Espiritismo na Terra, mas permitir que a mão esquerda também faça a sua parte: DIVULGUE!

21 agosto 2008

Contigo Mesmo - Hammed

CONTIGO MESMO

"... O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo; termina no limite que não gostaríeis de ver ultrapassado em relação a vós mesmos..." (Cap. XVII, item 7.)

Como decifrar o dever? De que maneira observar o dever íntimo impresso na consciência, diante de tantos deveres sociais, profissionais e afetivos que muitas vezes nos impõem caminhos divergentes?

Efetivamente, nasceste e cresceste apenas para seres único no mundo. Em lugar algum existe alguém igual a tua maneira de ser; portanto, não podes perder de vista essa verdade, para encontrares o dever que te compete diante da vida.

Teu primordial compromisso é contigo mesmo, e tua tarefa mais importante na Terra, para a qual és o único preparado, é desenvolver tua individualidade no transcorrer de tua longa jornada evolutiva.

A preocupação com os deveres alheios provoca teu distanciamento das próprias responsabilidades, pois não concretizas teus ideais nem deixas que os outros cumpram com suas funções.

Não nos referimos aqui à ajuda real, que é sempre importante, mas à intromissão nas competências do próximo, impedindo-o de adquirir autonomia e vida própria.
Assumir deveres dos outros é sabotar os relacionamentos que poderiam ser prósperos e duradouros.

Por não compreenderes bem teu interior, é que te comparas aos outros, esquecendo-te de que nenhum de nós está predestinado a receber, ao mesmo tempo, os mesmos ensinamentos e a fazer as mesmas coisas, pois existem inúmeras formas de viver e de evoluir.

Lembra-te de que deves importar-te somente com a tua maneira de ser.

Não podemos nos esquecer de que aquele que se compara com os outros acaba se sentindo elevado ou rebaixado. Nunca se dá o devido valor e nunca se conhece verdadeiramente.

Teus empenhos íntimos deverão ser voltados apenas para tua pessoa, e nunca deverás tentar acomodar pontos de vista diversos, porque, além de te perderes, não ajustarás os limites onde começa a ameaça à tua felicidade, ou à felicidade do teu próximo.

Muitos acreditam que seus deveres são corrigir e reprimir as atitudes alheias.
Vivem em constantes flutuações existenciais por não saberem esperar o fluxo da vida agir naturalmente.

Asseveram sempre que suas obrigações são em "nome da salvação" e, dessa forma, controlam as coisas ou as forçam acontecer, quando e como querem.

Dizem: -"Fazemos isso porque só estamos tentando ajudar". Forçam eventos, escrevem roteiros, fazem o que for necessário para garantir que os atores e as cenas tenham o desempenho e o desenlace que determinaram e acreditam, insistentemente, que seu dever é salvar almas, não percebendo que só podem salvar a si próprios.

Nosso dever é redescobrir o que é verdadeiro para nós e não esconder nossos sentimentos de qualquer pessoa ou de nós mesmos, mas sim ter liberdade e segurança em nossas relações pessoais, para decidirmos seguir na direção que escolhemos.


Não "devemos" ser o que nossos pais ou a sociedade querem nos impor ou definir como melhor. Precisamos compreender que nossos objetivos e finalidades de vida têm valor unicamente para nós; os dos outros, particularmente para eles.

Obrigação pode ser conceituada como sendo o que deveríamos fazer para agradar as pessoas, ou para nos enquadrar no que elas esperam de nós; já o dever é um processo de auscultar a nós mesmos, descortinando nossa estrada interior, para, logo após, materializá-la num processo lento e constante.

Ao decifrarmos nosso real dever, uma sensação de auto-realização toma conta de nossa atmosfera espiritual, e passamos a apreciar os verdadeiros e fundamentais valores da vida, associados a um prazer inexplicável.
Lembremo-nos da afirmação do espírito Lázaro em "O Evangelho Segundo o Espiritismo": "O dever é a obrigação moral, diante de si mesmo primeiro, e dos outros em seguida.(cap. XVII, item 7)

De "Renovando atitudes",
de Francisco do Espírito Santo Neto,
pelo Espírito Hammed

20 agosto 2008

Conserva-te em Harmonia - Joanna de Ângelis

CONSERVA-TE EM HARMONIA

Vês esboroarem-se as antigas construções dominadoras, ao sopro do vendaval que varre a Terra.

Acompanhas a decadência dos valores éticos de alta magnitude, sob o terremoto da alucinação que es estabelece.

Assistes a volúpia do prazer descabido, em nome dos novos rumos que a sociedade se impõe.
Observas a delinqüência em crescendo, sem aparente próxima solução em pauta.
São tantos os abusos e tais aberrações, que te percebes estranho no contexto social hodierno, sentindo-te deslocado no lar, no trabalho, onde te apresentas.

Como efeito, a depressão te ameaça, o medo te assusta, os conflitos teperturbam.
Indagas, aturdido:- "Como será o futuro? Que conduta deverei assumir nestas graves circunstâncias?''

Tem calma! Harmoniza-te com o bem e aguarda.
Banhado pela fé, nada te deve perturbar.
Sustentado pela ação da caridade, que distribuas, não te desesperes.
A tua tarefa de crescimento para Deus, realizá-la-ás.

*
Joana de Cusa demonstrou sua fé, no momento do martírio, permanecendo tranqüila até o fim.
João Huss, igualmente na fogueira, compadecendo-se dos sicários que o escarneciam.
Joanna D' Arc, entre as labaredas, manteve-se harmonizada e perdoou seus algozes.
Giordano Bruno, também imolado pelo mesmo processo, ficou sereno.
Sempre houve períodos de loucura na Terra.
De quando em quando, a transição da humanidade faculta a eclosão das paixões dissolventes e alucinadas.

*

Estes são dias graves. Conduza-te com robustez, apoiado no Evangelho de Jesus, seguindo confiante.

Não te aturda a balbúrdia dos enfermos-sorridentes, dos embriagados-jubilosos, dos intoxicados-zombeteiros.

Foste conduzido a esta situação, a fim de contribuíres para a melhoria das criaturas.
O médico é útil quando surge a enfermidade, ou antes, gerando condições que possam evitar o mal. Quando já instalada a doença, a terapia corresponderá ao seu grau de gravidade.

O mestre faz-se valioso diante da ignorância do aprendiz.
O cristão é fortaleza de segurança e apoio em favor dos que necessitam de ajuda.

*

Jesus sempre esteve a braços com homens e situações, de certo modo, semelhantes a estes que enfrentas.

Foi nesse clima que Ele demonstrou a Sua grandeza, permanecendo em harmonia com os objetivos a que se entregou, sem perturbar-se, nem tergiversar em momento algum.

Assim, conserva-te em harmonia.

Do livro "Desperte e seja feliz", 
de Divaldo Pereira Franco, 
pelo Espírito Joanna de Ângelis

19 agosto 2008

A Família em Primeiro Lugar - Momento Espírita

A Família em Primeiro Lugar

O administrador Stephen Kanitz, colunista da revista Veja, escreveu em edição de fevereiro de 2002 mais ou menos o seguinte:

Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu.

O encontro foi na própria empresa. Ele não tinha tempo para almoçar com a família em casa, nem com os amigos num restaurante. Os amigos tinham de ir até ele.

Seus olhos estavam estranhos. Achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo. “Bobagem minha”, pensei. Homens não choram, especialmente na frente dos outros.

Mas, durante a sobremesa, ele começou a chorar copiosamente. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado. Supus que ele tivesse se lembrado dos impostos pagos no dia.

“Minha filha vai se casar amanhã”, disse sem jeito, “e só agora a ficha caiu. Percebo que mal a conheci.

Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha. Dediquei todo o tempo à minha empresa e me esqueci de me dedicar à família.”

Voltei para casa arrasado. Por meses, me lembrava dessa cena e sonhava com ela. Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim.

Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição tão aceita por aí. Normalmente, a grande discussão é como conciliar família e trabalho. Será que dá?

O cinema americano vive mostrando o clichê do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo para a peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho.

Ele se atrasou justamente porque tentou conciliar trabalho e família. Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada.

Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo. Teria levado pessoalmente a criança ao evento.

Teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo.

A questão é justamente essa. Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de conciliar família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar quem você coloca em primeiro lugar.

Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. Implica menos dinheiro, fama e projeção social.

Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena:

“Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar.”

Qual o verdadeiro sucesso de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho e tempo para ouvi-lo no dia-a-dia?

De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar durante a sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha?

* * *

O lar constitui o cadinho redentor das almas. Merece nosso investimento em recursos de afeto, compreensão e boa vontade, a fim de dilatar os laços da estima.

Os que compõem o lar são os marcos vivos das primeiras grandes responsabilidades do Espírito encarnado.

Assim, acima de todas as contingências de cada dia, compete-nos ser o cônjuge generoso e o melhor pai, o filho dedicado e o companheiro benevolente.

Afinal, na família consangüínea, temos o teste permanente de nossas relações com toda a Humanidade.


Redação do Momento Espírita, baseado no artigo de Stephen Kanitz,
revista Veja, seção Ponto de vista,
de 20 de fevereiro de 2002 e no cap. 19 do livro Conduta espírita,
do Espírito André Luiz, psicografia de
Waldo Vieira, ed. Feb

18 agosto 2008

Espiritismo e Vida - Bezerra de Menezes

ESPIRITISMO E VIDA

O Espiritismo, meus irmãos, é a luz que verte do Alto na grande noite da. Humanidade, para nos apontar o caminho na escuridão.

O Espiritismo, é Jesus de volta, que nos vem convidar a reflexões muito profundas a respeito do que somos - Espíritos imortais - de como estamos - corpos transitórios - e para onde vamos - na direção da pátria, conscientizando-nos que a lei que deve viger em todas as nossas atitudes é a lei de amor. Este amor, porém, que é lei natural e está em todo o Universo, porque é a lei do equilíbrio.

Quando, realmente, nos deixarmos penetrar pela proposta de Jesus, quando legitimamente nos permitirmos mimetizar pelo Seu dúlcido olhar, feito de misericórdia e de compaixão, uma nova conduta se estabelecerá em nossas vidas, e aprenderemos, por fim, a seguir com equilíbrio pela estrada libertadora. O Espiritismo, anunciado pelo Mestre, chega na hora predita para atender o rebanho aturdido que, tresmalhado, aguarda o cajado do Bom Pastor.

Ele veio, meus filhos, e convocou-nos a uma nova ordem de pensamento e de conduta. A Sua voz, de quebrada em quebrada, chegou até estes dias, para que tivéssemos um roteiro de segurança, para não mais incidirmos ou reincidirmos nos delitos a que nos vinculamos.

Da primeira vez, iludidos, fascinados, atormentados, deformamos-Lhe os ensinamentos, adaptando-os aos nossos interesses escusos. Mas Ele não cessou de nos enviar embaixadores encarregados de recordar-nos Seu amor inefável até quando Allan Kardec nos trouxe desvelado, o Evangelho para vestir nossa alma com a luz mirífica das estrelas.

Tenhamos cuidado com a prática espírita!
O Consolador não se deterá, mesmo que os homens coloquem pelos caminhos impedimentos à sua marcha, dificuldades ao processo evolutivo, porque Cristo vela!

O Espiritismo, meus filhos, é doutrina dos Espíritos para os homens.
Espíritos, por sua vez reencarnados, comprometidos com a instalação na Terra do reino do amor, da justiça e da caridade.

Tende tento!

Meditai profundamente na palavra de ordem e de razão que deflui do Evangelho vivo e, se por certo, estais sendo chamados para o rebanho, esforçai-vos para atender ao convite, e lutai até o sacrifício para serdes escolhidos.

Recebeis farta messe de luz; distribuí-a pelo mundo estróina.
Sois aquinhoados com o conhecimento libertador; passai-o adiante através da voz eloqüente dos vossos atos e pela palavra austera dos vossos sentimentos.

Jesus espera! Como nós confiamos nEle e Lhe pedimos apoio, Ele confia em nós, e nos pede fidelidade.
Os Espíritos amigos, vossos anjos guardiães e companheiros de jornada, aqui estamos para sustentar-vos nos testemunhos, para dar-vos força, para que possais vencer com idealismo, de maneira estóica.

Não adieis o momento de ajudar, não procrastineis a hora de servir e, integrados na falange do bem, cantai, cantai ao Senhor, mesmo que lágrimas escorram pelos vossos olhos e dores macerem vossos corações.

Cantai um hino de júbilo e de liberdade, demonstrando que na cruz os braços estão abertos para afagar, dando testemunho que pode aquilatar o valor de quem ama.

Que o Senhor de bênçãos vos abençoe, e que a paz prossiga convosco, suavizando vossas lutas e dores! São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,

Autor: Bezerra de Menezes (espírito)
Psicofonia de Divaldo Franco

17 agosto 2008

Consciência - Maria Nunes

CONSCIÊNCIA

Há somente duas coisas que me incutem respeito: o céu estrelado sobre mim, e a consciência moral dentro de mim. (Kant)

A análise profunda nos faz vibrar no respeito diante da criação universal, quando, mesmo em parte, a contemplamos. 

O céu estrelado, de certo modo nos convida à meditação sobre assuntos transcendentais e, se a consciência já deu sinal de alguma maturidade, é justo afirmarmos que deparamos com Deus, por toda a expressão que a vida cósmica desenrola no infinito.

E esse Deus que os sentidos começam a perceber exteriormente passa a ser a força interna que nos move e nos dá vida. Esse é o maior fenômeno da existência da alma, como ocorreu com o apóstolo Paulo, no caminho de Damasco: vendo e ouvindo Jesus, o Cristo nasceu em seu coração, ficando eternamente com ele.

É lícito suportar todos os embates dos caminhos para chegar a esse ponto, pois, quando o alcançamos, nunca mais seremos escravos da ignorância, iniciando-nos na escola da verdade, a qual nos torna, aos poucos, mais livres, nos indicando a Felicidade.

Quanto à consciência moral, é ela a maior força da vida, a dominar as forças menores, no complexo espiritual do ser. 

Fala-se demasiadamente em moral nos bastidores da Terra, todavia, os iniciados no Evangelho de todas as religiões duvidam de muito preceitos "mastigados" e impostos pelos que se dizem preceptores.

A moral humana e a espiritual estão, na verdade, programadas nas sutilezas das páginas do Evangelho; porém, é de justiça que cada um assimile seus deveres de acordo com a sua posição na escala evolutiva, que cada criatura use a sua própria filtragem consciencial, acendendo as luzes do coração, pela energia da inteligência, e caminhe com os seus próprios pés.

A falta de moral na vida da alma cria estigmas por onde a drenagem da mente faz escorrer o ácido invisível da depressão psicológica, oriunda de impactos emocionais, que haverá de ser corrigida pela consciência do amor.

Alivia-se-nos a tensão mental, quando somos chamados pela maturidade espiritual à auto-disciplina. Eis que chegou a hora da maioridade, ou se essa fala esclarecer mais, da identidade da alma, de sorte poder ela entrar, por sua conta própria e por sua própria decisão, na universidade educativa de todos os seus impulsos, apresentando-se como aluna das primeiras horas, no alvorecer do dia.

É nesta conversa e no entendimento desse assunto que chegaremos à conclusão de que o céu estrelado poderá brilhar igualmente dentro de nós, em plena consonância com as leis morais, que escolhemos e que temos necessidade de vivê-las.

De "Sabedoria - a lei de Deus no pensamento dos homens", 
de João NunesMaia,
pelo Espírito Maria Nunes

16 agosto 2008

Conforme a Vida, a Morte - João Cléofas

CONFORME A VIDA, A MORTE

Cada desencarnação se dá conforme a atividade do Espírito enquanto na indumentária fisiológica.

O despertar, conseqüentemente, será consentâneo às atividades encetadas e aos ideais abraçados.

Quem cultivou o pessimismo demorado, arraigando-se nas trevas da negação, abraçado às expressões nadaístas, desperta em estado de amnésia total, vagueando como autômato ou se demora hibernado em si mesmo, sem se dar conta do transpasse que o conduziu ao Mundo Espiritual.

O Espírito que se vinculou, no entanto, às expressões dignificantes e idealistas, transita pelo portal do túmulo na condição de alguém que abandonou as algemas da ingratidão em que jazia sem direito à liberdade, no rumo, agora, de horizontes de insuperável beleza e ventura.

O cultivador do ódio, intoxicado pelos venenos letais da ira, permanece com os centros da memória bloqueados pelos vapores que o tornaram inditoso e de que somente a longo prazo consegue desencharcar-se.

Sensualistas e gozadores, apaniguados do crime ou da insensatez, permanecem estreitamente vinculados às reminiscências pretéritas, sem se darem conta da realidade legítima da região nova por onde transitam.

Simultaneamente, os que acalentaram a certeza da sobrevivência e se predispuseram ao vôo às regiões da luz, despojam-se da indumentária carnal com a gratidão pelo fardo que os facultou ascender no rumo da liberdade.

A consciência é sempre a mesma, seja no mergulho da névoa carnal ou se encontre desatrelada dos implementos orgânicos.

Tal hábito, qual vida.
Perfeitamente compreensível o estado amnésico apresentado por um sem número de habitantes da Esfera Espiritual, que jazem atados à ignorância do seu próprio estado, transitando entre amolentados e dormintes, inermes e atoleimados...

Alguns, em face do desabrochar das lembranças, se confundirão pela dificuldade de manipularem os depósitos e arquivos da memória.

Outros se perturbarão quanto a detalhes, datas, nomes, - mesmo os nossos doentes queridos - à semelhança de toxicômanos ou viciados que, não obstante

consigam formar um plano de raciocínio, não encontram as palavras próprias para vestirem as idéias.

A morte de maneira nenhuma produz magia. É uma cirurgia cujo mister arranca as vísceras físicas, mas não extirpa as sensações que aquelas impõem ao perispírito e, este, a seu turno, ao Espírito que viveu exclusiva e unicamente para os gozos da sensação.

Assim considerando, é imperioso que cada um se predisponha e se prepare, mediante o exercício natural diário e freqüente, para o vôo da desencarnação.

Da mesma forma que, em buscando o leito, à hora própria do repouso físico, cada um, conforme as suas aptidões, inclinações e valores, adormece, assim despertará no dia seguinte com aqueles títulos com os quais repousou, do que decorrerá encontrar-se, então, feliz, desventurado ou exaurido, consoante as disposições mentais que lhe são habituais.

Dormir é pré-morrer. Morrer, porém, é voar através de um sono
especial para o despertar no Mundo da Verdade conforme se adormeceu...

João Cleófas
De "Sementes de vida eterna",
de Divaldo Pereira Franco - Diversos

15 agosto 2008

Perdoar - Joanna de Ângelis

PERDOAR

Sim, deves perdoar! Perdoar e esquecer a ofensa que te colheu de surpresa, quase dilacerando a tua paz. Afinal, o teu opositor não desejou ferir-te realmente, e, se o fez com essa intenção, perdoa ainda, perdoa-o com maior dose de compaixão e amor.

Ele deve estar enfermo, credor, portanto, da misericórdia do perdão.
Ante a tua aflição, talvez ele sorria. A insanidade se apresenta em face múltipla e uma delas é a impiedade, outra o sarcasmo, podendo revestir-se de aspectos muito diversos.

Se ele agiu, cruciado pela ira, assacando as armas da calúnia e da agressão, foi vitimado por cilada infeliz da qual poderá sair desequilibrado ou comprometido organicamente. Possivelmente, não irá perceber esse problema, senão mais tarde.

Quando te ofendeu deliberadamente, conduzindo o teu nome e o teu caráter ao descrédito, em verdade se desacreditou ele mesmo.
Continuas o que és e não o que ele disse a teu respeito.

Conquanto justifique manter a animosidade contra tua pessoa, evitando a reaproximação, alimenta miasmas que lhe fazem mal e se abebera da alienação com indisfarçável presunção.

Perdoa, portanto, seja o que for e a quem for.
O perdão beneficia aquele que perdoa, por propiciar-lhe paz espiritual, equilíbrio emocional e lucidez mental.

Felizes são os que possuem a fortuna do perdão para a distender largamente, sem parcimônia.
O perdoado é alguém em débito; o que perdoou é espírito em lucro.

Se revidas o mal és igual ao ofensor; se perdoas, estás em melhor condição; mas se perdoas e amas aquele que te maltratou, avanças em marcha invejável pela rota do bem.

Todo agressor sofre em si mesmo. É um espírito envenenado, espargindo o tóxico que o vitima. Não desças a ele senão para o ajudar.

Há tanto tempo não experimentavas aflição ou problema - graças à fé clara e nobre que esflora em tua alma - que te desacostumaste ao convívio do sofrimento. Por isso, estás considerando em demasia o petardo com que te atingiram, valorizando a ferida que podes de imediato cicatrizar.

Pelo que se passa contigo, medita e compreenderás o que ocorre com ele, o teu ofensor.
O que te é Inusitado, nele é habitual.
Se não te permitires a ira ou a rebeldia - perdoarás!

A mão que, em afagando a tua, crava nela espinhos e urze que carrega, está ferida ou se ferirá simultaneamente. Não lhe retribuas a atitude, usando estiletes de violência para não aprofundares as lacerações.
O regato singelo, que tem o curso impedido por calhaus e os não pode afastar, contorna-os ou para, a fim de ultrapassá-los e seguir adiante.
A natureza violentada pela tormenta responde ao ultraje reverdescendo tudo e logo multiplicando flores e grãos.
E o pântano infeliz, na sua desolação, quando se adorna de luar, parece receber o perdão da paisagem e a benéfica esperança da oportunidade de ser drenado brevemente, transformando-se em jardim.

Que é o "Consolador", que hoje nos conforta e esclarece, conduzindo uma plêiade de Embaixadores dos Céus para a Terra, em missão de misericórdia e amor, senão o perdão de Deus aos nossos erros, por intercessão de Jesus?!

Perdoa, sim, e intercede ao Senhor por aquele que te ofende, olvidando todo o mal que ele supõe ter-te feito ou que supões que ele te fez, e, se o conseguires, ama-o, assim mesmo como ele é.

"Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes". Mateus: 18-22.
"A misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacifico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas". O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. X - Item 4.

Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco. 
Da obra: Florações Evangélicas

14 agosto 2008

Agora é Teu Momento - Cenyra Pinto

AGORA É O TEU MOMENTO

Não te detenhas no passado.
Não pares, contemplativo, visualizando o futuro.
Hoje, agora, é o teu momento, o que te deve interessar.

O produto do ontem, sem que te apercebas nem te esforces para tal, está presente para se incorporar no agora, como preparação para o daqui a pouco.

Vive bem este momento presente. Absorve as gotas preciosas que a vida faz  destilar para ti.
Não percas uma só dessas gotas.

Vive normalmente, mas desejoso de adquirir o alimento espiritual que te fará mais forte, mais
compreensivo, para que possas amar muito e indistintamente. Este deve ser o teu propósito.

Apaga da memória os quadros que te pareceram desagradáveis, reconhecendo que, na realidade, esses quadros não foram mais que o esboço para uma obra de arte que figurará no
museu da espiritualidade.

Banha-te a cada momento nas águas cristalinas do amor divino. Não permitas que a lama dos
pensamentos negativos conspurque a beleza que existe em tudo, quando se têm "olhos de ver e
ouvidos de ouvir".

Não esperes encontrar a perfeição na face da Terra e, sobretudo, não te julgues em nada superior a qualquer de teus irmãos de jornada terrena, ainda que eles sejam uns depravados.

Cristo jamais se afastou dos pecadores. Ele, todo pureza, perdoou a mulher adúltera, dirigiu palavras sábias e profundas à mulher samaritana e, quando censurado por seus discípulos, respondia: "Não vim para os sãos e sim para os doentes".

Ele, maior de todos, tornava-se pequeno e humilde e não se recusava a nenhum convite daqueles que sabia seus perseguidores.

Não são nossas palavras nem nossos atos aparentes que pesarão na balança da eternidade, mas
nosso verdadeiro ser, aquilo que somos por dentro. Os atos e palavras podem sair camuflados.
A mistificação pode ser tão perfeita que consigamos reunir em torno de nós uma onde de admiradores, mas se dentro de nós não há sinceridade, não há amor,se embora  inconscientemente empanamos a verdade pela vaidade de nos apresentarmos bem paramentados de palavras e atos, então não adianta perder tempo em enganar os outros, porque os mais enganados seremos nós mesmos.

Vive a tua vida procurando perceber nos teus atos e palavras o que de real contêm, e quando descobrires que o teu comportamento não condiz com tuas aspirações espirituais, não te entregues ao remorso que retarda a caminhada; ora, expõe ao Pai que está em ti a dificuldade que ainda tens de te externares sem artifícios e Ele te enviará reforços; estarás, assim, equipado para tentar novamente as experiências até então mal sucedidas.

Aquele que consegue alcançar um degrau mais alto na espiritualidade não mais aceita prosélitos e ensina que cada um deve viver por si as suas próprias experiências, que não podemos servir de modelo para ninguém nem estamos à altura de termos seguidores.

Só Jesus é o mestre, e aquele que o segue, cumprindo o "amai-vos uns aos outros", esse pode viver independentemente, vendo no universo a sua pátria e em cada semelhante um irmão.

Faze isto agora. Liberta-te do sentimentalismo que nos faz sofrer tanto e espalha sofrimento ao
nosso redor.

Não te prendas a nada e a ninguém, e ama a todos e a tudo.

Agora é o teu momento.

De "Eu sou o caminho", de Cenyra Pinto

13 agosto 2008

A Vocação Para o Casamento - Rodolfo Calligaris

A VOCAÇÃO PARA O CASAMENTO

Indubitavelmente, a felicidade é a aspiração primeira do ser humano. Ninguém jamais deixou de procurá-la, sonhando tê-la como nume tutelar de sua existência.

Alguns esperam consegui-la cedendo à inclinação que os impele para a dignidade sacerdotal ou religiosa, mantendo-se, castamente, no celibato. Mas são poucos. Constituem a exceção.

A esmagadora maioria espera encontrá-la mesmo é no casamento. Natural que seja assim, pois é propósito da sabedoria divina que o homem e a mulher, sendo um, complemento do outro, se unam intimamente para alcançarem a plenitude da vida.

Tal o sentido das Escrituras, quando preceituam: "Deixará o homem o seu pai e a sua mãe, unir-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne." (Gên., 2:24).

***
Sabendo-se, como se sabe, que a felicidade conjugal depende de que marido e mulher fusionem harmoniosamente suas personalidades, tornando-se como que uma só pessoa, parece evidente que, naquela uniões em que o coração não intervenha será bem mais difícil possam eles estabelecer uma base estável e sadia que lhes permita enfrentarem, juntos, as vicissitudes da existência sem conflitos.

Desde, porém, que ambos estejam dispostos a envidar todos os esforços necessários à colimação desse objetivo, será possível que o consigam.

Não se tem visto tantos casais, sinceramente enamorados um do outro, que começaram a união conjugal às mil maravilhas e depois vieram a separar-se por insanável desentendimento?
Em contraposição, não se conhece, também, inúmeros matrimônios inconseqüentes que, malgrado os prognósticos desfavoráveis, acabaram dando certo, sendo muito bem sucedidos?

A razão é que cada casamento será, sempre, qual os esposos o façam.
"A natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado." (Allan Kardec, "O Livro dos Espíritos", q. 938).

***

"O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se encontra entre todos os povos, se bem que em condições diversas. Abolir o casamento seria regredir à infância da Humanidade e colocar o homem abaixo mesmo de certos animais que dão o exemplo de uniões constantes." (Allan Kardec, "O Livro dos Espíritos", q. 696).

***

"Não te esqueças de que casar-se é tarefa para todos os dias, porquanto somente da comunhão espiritual gradativa e profunda é que surgirá a integração dos cônjuges na vida permutada, de coração para coração, na qual o casamento se lança sempre para o Mais Alto, em plenitude de amor eterno." (Francisco Cândido Xavier, Emmanuel, "Na Era do Espírito", cap. 11).

De "A vida em família", de Rodolfo Calligaris

12 agosto 2008

Decisão e Vontade - Emmanuel

DECISÃO E VONTADE

Incerteza parece coisa de pouca monta, mas é assunto de importância fundamental no caminho de cada um.

As criaturas entram na instabilidade moral, habituam-se a ela, e passam ao domínio das fôrças negativas sem perceber.
Dizem-se confiantes pela manhã e acabam indecisas à noite.
Freqüentemente rogam em prece:
- Senhor! Eis-me diante de tua vontade!...
Mostra-me o que devo fazer!...
E quando o Senhor lhes revela, através das circunstâncias, o quadro de serviço a expressar-se, conforme as necessidades a que se ajustam, exclamam em desconsôlo:
- Quem sou eu para realizar semelhante tarefa?
Não tenho fôrças.
Ai de mim que sou inútil!...
Sabem que é preciso servir para se renovarem, mas paradoxalmente esperam renovar-se sem servir.
Dispõem de verbo fácil e muitas vêzes se proclamam inabilitadas para falar auxiliando a alguém nas construções do Espírito.
Possuem dedos ágeis, quais filtros inteligentes engastados nas mãos; entretanto, costumam asseverar-se inseguras na execução das boas obras.
Ouvem preleções edificantes ou mergulham-se na assimilação de livros nobres, prometendo heroísmo para o dia seguinte, mas, passada a emoção, volvem à estaca zero, à maneira de viajante que desiste de avançar nos primeiros passos de qualquer jornada.
Louvam na rua o equilíbrio e a serenidade e, às vêzes, dentro de casa, disputam campeonatos de irritação.
O dever jaz à frente, a oportunidade de elevação surge brilhando, os recursos enfileiram-se para o êxito e realizações chamam urgentes, mas preferem a fuga da obrigação sob o pretexto de que é preciso cautela para evitar o mal, quando o bem francamente lhes bate à porta.

Trabalho, ação, aprendizado, melhoria!...
Não te ponhas à espera dêles sob a imaginária incapacidade de procurá-los, à vista de imperfeições e defeitos que te marcaram ontem.
Realização pede apoio da fé.
Mãos à obra.
Tudo o que serve para corrigir, elevar, educar e construir, nasce primeiramente no esfôrço da vontade unida à decisão.

Emmanuel (espírito)
Psicografia de Chico Xavier

11 agosto 2008

Oração e Atenção - Emmanuel

ORAÇÃO E ATENÇÃO

Oraste, pediste. Desfaze-te, porém, de quaisquer inquietações e asserena- te para recolher as respostas da Divina Providência. Desnecessário aguardar demonstrações espetaculosas para que te certifiques quanto às indicações do Alto.

Qual ocorre ao Sol que não precisa descer ao campo para atender ao talo de erva que lhe roga calor, de vez que lhe basta, para isso, a mobilização dos próprios raios, Deus conta com milhões de mensageiros que Lhe executam os Excelsos Desígnios. Ora e pede. Em seguida, presta atenção. Algo virá por alguém ou por intermédio de alguma coisa, doando-te, na essência, as informações ou os avisos que solicites.

Em muitas circunstâncias, a advertência ou o conselho, a frase orientadora ou a palavra de bênção te alcançarão a alma, no verbo de um amigo, na página de um livro, numa nota singela de imprensa e até mesmo num simples cartaz que te cruze o caminho. Mais que isso. As respostas do Senhor, às tuas necessidades e petições, muitas vezes te buscam através dos próprios sentimentos a te subirem do coração ao cérebro ou dos próprios raciocínios e a descerem do cérebro ao coração. Deus responde sempre seja pelas vozes da estrada, pela pregação ou pelo esclarecimento da tua casa de fé, no diálogo com a pessoa que se te afigura providencial para a troca de confidências, nas palavras escritas, nas mensagens inarticuladas da natureza, nas emoções que te desabrocham da alma ou nas idéias imprevistas que te fulgem no pensamento, a te convidarem o espírito para a observância do Bem Eterno.

O próprio Jesus, o Mensageiro Divino por excelência, guiou-nos à procura do Amor Supremo, quando nos ensinou a suplicar: "Pai Nosso, que estás no Céus, santificado seja o Teu nome, venha a nós o Teu reino, seja feita Tua vontade, assim na Terra como nos Céus... E, dando ênfase ao problema da atenção, recomendou-nos escolher um lugar íntimo para o serviço da prece, enquanto Ele mesmo demandava a solidão para comungar com a Infinita Sabedoria. Recordemos o Divino Mestre e estejamos convencidos de que Deus nos atende constantemente; imprescindível, entretanto, fazer silêncio no mundo de nós mesmos, esquecendo exigências e desejos, não só para ouvirmos as respostas de Deus, mas também a fim de aceitá-las, reconhecendo que as respostas do Alto são sempre em nosso favor, conquanto, às vezes, de momento e em nossa visão limitada, pareçam contra nós.

Emmanuel (espírito)
Psicografia de Chico Xavier

10 agosto 2008

A Harmonia das Diferenças - Octávio Caúmo Serrano

A HARMONIA DAS DIFERENÇAS

Preferimos conviver com os afins. Todavia, é no relacionamento com os que não pensam como nós que adquirimos novas e importantes experiências.

Toda coisa tem o oposto. A morte tem a vida, a noite tem o dia, o claro o escuro, o grande o pequeno, o alto o baixo ...

É comum procurarmos a harmonia das situações e dos agrupamentos, na semelhança entre as partes. Todavia, a igualdade pode criar choques.

É preciso haver diferenças. Mas que se complementem sem criar dissensões.
Imaginemos uma casa onde os dois gastam irresponsavelmente.
Em curto prazo, o lar vai a bancarrota. Mas se os dois forem avaros, faltará até o indispensável e eles serão irritadiços e ansiosos. Um terá de ser mais arrojado e o outro comedido, prudente.

Irão completar-se.
O mesmo se daria se ambos fossem excessivamente risonhos, brincalhões, irreverentes. Nunca seriam levados a sério. Mas se fossem sisudos, mal-humorados, rechaçariam os que tentassem aproximar-se.

Este pequeno esboço serve de intróito para analisarmos uma sociedade, um grupo, uma entidade.
Toda pessoa tem sua própria habilidade. Observemos uma orquestra.

Cada músico toca um instrumento. No entanto, a melodia embeleza-se pela combinação de todos eles. Um conjunto vocal tem diversas vozes, que se fundem numa só, em harmonia. Um time de futebol tem os que fazem os gols e um que trata de evitá-los.

A grande empresa, por exemplo, começa pela presidência e assessores diretos, mas não dispensa os auxiliares de escalões menores e nem mesmo o trabalho dos mensageiros, os office-boys, encarregados da correspondência. Eles são, muitas vezes, a apresentação da companhia. Um funcionário educado, bem composto, eficiente, levará boa imagem da firma onde trabalha, junto à clientela, fornecedores e bancos.

Dá-se o mesmo nas sociedades culturais, recreativas, filantrópicas, religiosas. E, neste caso, analisemos o Centro Espírita.

Um agrupamento onde se divulga o Espiritismo tem diferentes tipos de colaboradores. Ali encontramos a equipe diretora da casa, muitas vezes fundadora do Centro, os passistas, os palestrantes, os orientadores, os assistentes sociais, os faxineiros.

Não podemos esperar que todos tenham as mesmas idéias. São espíritos em variados degraus de entendimento, espíritas há mais ou menos tempo, culturas diferentes e convicções que não coincidem. Uns mais amoráveis, outros mais racionais. Este se encanta com o fenômeno, aquele valoriza a mensagem. Há os que preferem a religião e os que destacam a ciência espírita.

O fato de não darmos atenção a esse aspecto pode criar dificuldades de relacionamento entre os participantes da mesma casa espírita ou, em âmbito maior, do próprio movimento espírita.

Desejamos que haja perfeita sintonia e qualquer deslize é considerado irreverência, desobediência, indisciplina, o que nem sempre é verdade.

Ninguém muda de um dia para outro apenas por tornar-se adepto do Espiritismo.Sem dúvida, há que haver afinidade quanto ao ideal e objetivos.

Todos, sem exceção, devem praticar a caridade em favor do semelhante. Mas cada um na sua habilidade própria.

Encontramos irmãos com grande cabedal doutrinário que são péssimos orientadores. Para ajudar, é preciso respeitar a capacidade do outro.

Ninguém pretenda resolver as dificuldades alheias b aseado no próprio conhecimento, na sua coragem e disposição diante de problemas. Jamais aconselhar com frases como: "se eu fosse você"; "se isso fosse comigo", porque nem você é o outro, nem o problema é seu.

A maioria dos dependentes deseja ver-se livre do vício, mas não consegue.
Para aquele que já venceu alguma imperfeição, ou que nunca fez uso das químicas nocivas e alienantes, parece fácil vencer o mal. Mas é difícil; extremamente difícil.

Observemos os passes. Quantos trabalhadores que se dedicam a essa tarefa, mesmo sem grande conhecimento doutrinário, têm bom sentimento e desejo de servir.

Quando impõem as mãos, jorra luz do seu coração, pela facilidade de sintonia com os Espíritos Benfeitores.
Mas se convidados a fazer uma simples prece, alegarão dificuldades em comunicar-se.

Quantos são eficientes orientadores, porque, mesmo sem a vidência ou a audiência, são ouvintes pacientes que deixam a pessoa falar para descarregar as mágoas.

Não têm pressa em resolver tudo, preferindo entregar o irmão aos Espíritos e às palestras, que explicam, pouco a pouco, os meandros da vida e como a pessoa pode ajudar a si mesma, ampliando a fé e ganhando entendimento.

Sabe que só quando chegar o tempo certo e nascer o merecimento é que a melhora começara a processar-se. A imperfeição é uma doença que leva tempo para ser curada. É preciso que doa para que a compreensão chegue.

Poupar excessivamente alguém é como atrofiar-lhe a vida. O passe, terapêutica de emergência, é socorro provisório, até que a própria pessoa aprenda a cuidar-se, modificando sua maneira de viver.

Palestrantes há que têm grandes conhecimentos doutrinários, mas falam de forma rebuscada e metafórica, atêm-se ao cientismo criando barreiras que impossibilitam a compreensão.

Demonstram sabedoria mas não atingem os que esperam palavras simples e de fácil assimilação. Falam mas não comunicam.

Vimos, portanto, que num agrupamento espírita há de tudo e todo tipo de participante. Um vaidoso, outro humilde. Um culto, outro menos instruído. Um jovem afoito, outro maduro e prudente. Um com receitas para salvar a humanidade, outro que contenta-se em ajudar um ou dois, colocando-se entre os necessitados.

A igualdade que deve haver no Centro Espírita é que todos se preocupem em estudar o Espiritismo e conhecer objetivamente, sem dogmas ou figurações, o Evangelho de Jesus. Todos devem ser educados e gentis com cada pessoa que visite a casa em busca de orientação e socorro.

Todos se devem mútuo respeito, aceitando os defeitos e as fraquezas do companheiro de ideal.
Temos de ajudar, sem impor, orientar, sem agredir, aconselhar, sem exigir.

Isso não significa que o tarefeiro rebelde, nocivo ao agrupamento, renitente, de coração endurecido, não possa e não deva ser afastado, em benefício dos demais e dele próprio. Se tememos os obsessores desencarnados, temos de nos cuidar contra os encarnados que, muitas vezes, tumultuam os trabalhos mais do que "fantasmas".

Concluindo: As diferenças não são problemas. As diferenças podem compor harmonioso conjunto; o que cria problemas são os radicalismos, quando exigimos dos outros o que nem sempre podem dar. Além disso, convém lembrar que não somos perfeitos, nem modelo para ninguém. Temos ainda, todos, muito a ser corrigido em nós mesmos.

No Centro Espírita, igualmente como em qualquer lugar, a paciência segue sendo a maior virtude para que os homens se entendam e se complementem na lei do amor.

Revista Internacional do Espiritismo - Nov 99A
Octávio Caúmo Serrano