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31 maio 2013

Corrigindo Tentações - Miramez



CORRIGINDO TENTAÇÕES

Vamos começar a nossa página, com as sábias palavras de Jesus, firmadas no Evangelho, pela anotação de João: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo, porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo”. João, 12:47

Os gênios da palavra nunca corrigem o que ouvem dos outros, com respostas desconcertantes, nem com prévia intenção. Quem assim o faz está fora das leis do amor e não conseguira os frutos do entendimento que pretende com empáfia, envolva na vaidade. O sábio e o santo não precisam educar as pessoas com violência, pois as suas vidas na retidão bastam, sendo respostas para todos os que deturpam os pensamentos, palavras e atos; é a força poderosa do exemplo.

Quando não suportares os impulso negativo de corrigir as faltas alheias, troca as direções, fazendo-o contigo mesmo, e se já tens olhos para ver os teus próprios deslizes, vê se a disposição te ajuda. Quando intentas disciplinar os teus companheiros, vês os teus defeitos refletidos nos outros, como se fosse a tua imagem em um grande espelho, do que verdadeiramente és.

Estamos imprensados pela lei, e quem depressa a entende, depressa se liberta. Sê o governo de ti mesmo, selecionando pensamentos, para que eles se transformem em palavras, e estas em consolo e esperança para quem as ouve. É do nosso dever corrigir as nossas conversações, dando exemplos de fraternidade, de respeito, de amor e carinho para com todos os seres da criação, sem com isso deixarmos ir à frente os nossos pensamentos de pretensão. Façamos tudo por amor e com amor no coração.

O ministério do Cristo é bem diferente dos ministérios do mundo, pois os que foram chamados para o trabalho de falar das verdades e vivê-las dentro da programação de Jesus, têm caminho melhor. Antes de falar, façamos. Antes de fazer, sintamo-nos no lugar dos que nos ouvem, para que a nossa boca seja sábia, na sabedoria de Deus.

Poderemos ser luz de corrigenda por onde passarmos, desde que não violentemos os direitos alheios. Quem pode nos impedir de viver bem, de amar sem fronteiras dentro da dignidade universal, de distribuir alegria nas nossas comunicações com o próximo, de falar com fraternidade e viver esse ambiente primoroso dos anjos? Eis o princípio do trabalho da corrigenda; ele é poderosíssimo no silêncio do céu íntimo da alma. Aí a voz pode sair em todas as direções, porque ela já esta limpa das mazelas que a ignorância espreita.

Foge da atmosfera onde o assunto é a vida alheia. A maledicência produz um magnetismo corrosivo, que obscurece as ondas cerebrais e entorpece os centros de força. É certo que estás num mundo onde vibra a inferioridade com maior destaque, mas tu nasceste com defesas pessoais e com a proteção do Cristo, dependendo de ti, na escola da vida. Alista-te nos exercícios do aprimoramento e deixa-os invadir a tua alma, que o sol da verdade nascerá em teu coração.

Tudo o que fizeres para melhorar, no campo do entendimento evangélico terá ajuda pela lei de atração. Não fiques de braços cruzados; pega no arado sem distrair a tua visão ou falsificar a tua conversa.

Corrigir, com maior eficiência, do modo que entendemos, é introjetar todos os esforços no teu próprio mundo, instalar dentro dele todas as possibilidades de elevação. Trabalha constantemente, que o exterior se transformará com a tua mudança interna. Eis que a tua boca foi feita para que possas anunciar o que alcançaste de positivo, no intermundo de ti mesmo. Depois de formado e diplomado por dentro, com o Cristo interno, vem para fora, para conversar animadamente com todos. Aí as estrelas brilharão mais e o sol nos ofertará maior riqueza de raios, em nome d’Aquele que tudo fez por nós.

Livro Horizontes da Fala, cap. 32
Espírito Miramez 
Psicografia de João Nunes Maia


30 maio 2013

Pessoa Menos Sujeita a Obsessão - André Luiz

 

PESSOA MENOS SUJEITA A OBSESSÃO


A pessoa menos obsedável:

Não espera milagres de felicidade, inacessíveis aos outros, mas se regozija pelo fato de viver com a possibilidade de trabalhar.

Ama sem exigências, aceitando as criaturas queridas como são, sem pedir-lhes certificados de grandeza.
Suporta dificuldades e provações, percebendo-lhes o valor.

Não adota cinismo e nem preconceito em seus padrões de vivência, conservando o equilíbrio nas atitudes e decisões, dentro do qual sabe ser útil, com tranqüilidade de consciência.

Estuda para discernir e não age impulsivamente, subordinando emoções ao critério do raciocínio.

É firme sem fanatismo e flexível sem covardia.

Acolhe as críticas, buscando aproveitá-las.

Não interfere nos negócios alheios, centralizando o próprio interesse no exercício das obrigações que a vida lhe assinalou.

Aprende a entesourar valiosas experiências, à custa dos próprios erros.

Não cultiva hipersensibilidade neurótica e, em conseqüência, se desliga com a maior facilidade de quaisquer influências perturbadoras, entrando, de maneira espontânea, no grande entendimento dos seres e das cousas, dentro do qual se faz tolerante e compassiva, afetuosa e desinteressada de recompensas para melhor compreender ávida e desfrutar-lhe os infinitos bens.


Do livro “Paz e Renovação”
Espírito de André Luiz
Médium: Francisco Cândido Xavier


29 maio 2013

E depois? - Momento Espírita

 

E DEPOIS?

O ser humano é o único dotado de razão, por isso é chamado de racional.
Ser racional é raciocinar com sabedoria, é saber discernir, é pensar, utilizando o bom senso e a lógica antes de qualquer atitude.
Todavia, boa parte de nós não agimos com a sabedoria necessária para evitar problemas e dissabores perfeitamente evitáveis.
Costumeiramente, agimos antes e pensamos depois, tardiamente, quando percebemos que os resultados da nossa ação nos infelicitam.
Paulo, o Apóstolo, que tinha a lucidez da razão, adverte com sabedoria: Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.
Quis dizer com isso que tudo nos é permitido, mas que a razão nos deve orientar de que nem tudo nos convém.
Do ponto de vista físico, quando comemos ou bebemos algo que nos faz mal, não pensamos no depois, mas o depois é fatal.
Se nosso organismo é frágil a certos tipos de alimento, devemos pensar nas consequências antes de ingeri-los, mesmo que a nossa vontade diga o contrário.
Perguntemo-nos: E depois? Como será depois?
Lembremos da gaseificação, do mal estar e de outros distúrbios que advirão.
Se temos vontade de fazer uso de drogas, sejam elas socialmente aceitas ou não, pensemos antes no depois. Será que suportarei corajosamente as enfermidades decorrentes desses vícios? Ou será um preço muito alto por alguns momentos de satisfação?
Quando sentimos vontade de usar o cartão de crédito, pela facilidade que ele oferece, costumamos pensar no depois? Pensar em como vamos pagar a conta?
Quando recebemos o convite das propagandas para o consumo desenfreado, ponderamos racionalmente sobre a necessidade da aquisição, ou compramos antes para constatar, logo mais, que não necessitamos daquele objeto?
No campo da moral não é diferente. Quando surgir a vontade de gozar alguns momentos de prazer, pensemos: E depois?
Quais serão as conseqüências desse ato que desejo realizar? Será que as suportarei corajosamente, sem reclamar de Deus, nem jogar a responsabilidade sobre os outros?
Certo dia, conversando com um fiscal aposentado, ouvimo-lo falar a respeito do vazio que sentia na intimidade e da consciência marcada pelos atos inconsequentes que praticara durante a vida.
Buscou, na atividade profissional, tirar proveito de todas as situações. Arranjava tudo com algum jeitinho e muita propina, mas nunca havia pensado no depois.
E o depois chegou. A velhice o alcançou como alcança as pessoas honestas, mas a sua consciência trazia um peso descomunal, e uma sensação desconfortável lhe invadia a alma.
Não conseguia olhar nos olhos dos filhos e netos, sem pensar no quanto havia sido inescrupuloso. Sem pensar no tipo de sociedade que havia construído para legar aos seus afetos.
Dessa forma, antes de tomar qualquer atitude, questionemos a nós mesmos: E depois?
* * *
É melhor que resistamos por um momento e tenhamos paz interior, do que gozar um minuto e ter o resto da vida para se arrepender.
Redação do Momento Espírita

28 maio 2013

Angústias Íntimas - Jorge Hessen




ANGÚSTIAS ÍNTIMAS


O sentimento de angústia insistente a muitos homens e mulheres, em qualquer faixa etária, os remete ao desinteresse de viver, ao medo do amanhã, ao desânimo em vista dos desafios do destino, enfim, a uma ausência de ânimo que recebeu da psiquiatria a sinistra terminologia: depressão. A rigor a depressão resulta da ausência de esperança e da incerteza em relação ao que está por vir.

Noutras nuanças prognósticas dessa patologia estão incrustados tristeza, ausência ou diminuição da vontade, exagerado sentimento de culpa, perda de projetos de vida, desejo de morte, redução da capacidade cognitiva, além de insônia ou mórbida e prostante sonolência.

Sintomas esses matrizes de fraqueza neuro-físico-mental, favorecendo a invasão oportunista da enfermidade, por carência da restauração da energia mantenedora da saúde, sobrevindo as asperezas da apatia como dispositivo abissal do qual para se desvencilhar requerem soberbos esforços de auto-educação. 

 A conduta mento-espiritual dos homens, quando cultiva os sentimentos da irritabilidade, do ódio, do ciúme, do rancor, impregna o organismo físico e o SNC (sistema nervoso central), com freqüências vibratórias infectadas que bloqueiam áreas por onde se espalha a energia vital, abrindo campo para a instalação dos múltiplos estados patológicos, em face da proliferação de agentes deletérios (microorganismos de origens psíquicas) degenerativos que se instalam. Por isso, a disciplina mental surge como pedra angular, sustentando o edifício das lutas rotineiras sob o influxo da resignação indispensável diante dos embates vitais ao nosso crescimento espiritual.

A causa da depressão está enraizada no perispírito e, a rigor, não tem matrizes no corpo físico. O conflito do enfermo remonta a causas passadas, provavelmente remotas, com reverberação no presente.

Os Benfeitores Espirituais explicam que nas mortes prematuras traumáticas (acidentes – suicídios) em pessoa com grande reserva de fluido vital, impõe fortes impressões e impactos vibratórios na complexa estrutura psicossomática, formando no espírito um clichê mental robusto do momento do trespasse.(desencarnação).

Na reencarnação subseqüente o amortecimento biológico do corpo físico, não é suficiente, para neutralizar os flashs dos derradeiros momentos da vida anterior. Essa distonia vibratória tenderia a reaparecer, guardando identidade cronológica entre as reencarnações. Os flashs impressionam os neurônios sensitivos do SNC (sistema nervoso central) e estes desencadeariam os sintomas psíquicos via neurotransmissores cerebrais.

As torturas sofridas durante longos períodos nas regiões de penumbra do além (umbral), poderiam criar raízes de tormentos no perispírito que, alcançando o cérebro físico na reencarnação seguinte, facultariam o surgimento das fobias múltiplas, depressão e tantas outras síndromes de angústias íntimas.

Cabe recordar que o processo terapêutico advém da força espiritual do prisioneiro da depressão, quando canalizada de maneira correta, sobre os alicerces da educação do pensamento e da disciplina salutar dos hábitos. É um embate sem tréguas, porém o esforço para levá-la a termo construirá bases morais sólidas, naquele que se predispõe a realizar.

Jesus, o Psicoterapeuta por excelência, nos enviou como legado um dos maiores tratados de psicologia da História: a Codificação Espírita, cujos preceitos traz à memória humana a certeza de que apesar dos açoites aparentemente destruidores do destino, o homem precisa conservar-se de pé, denodadamente, marchando, firme, ao encontro dos supremos objetivos da vida, arrostando os obstáculos como um instrumental necessário que Deus envia às suas criaturas. É um distúrbio associado à ocorrência da alteração de substâncias como a serotonina, noradrenalina. , interferona, e dopamina. Quando sua produção ou forma de produção se altera pode gerar a depressão e daí para o suicídio é uma porta escancarada.

O uso dos antidepressivos estabelece a harmonia química cerebral, melhorando o humor do paciente, no entanto, cuidam simplesmente do efeito, pois os medicamentos não curam a depressão em suas intrínsecas causas; apenas restabelecem o trânsito das mensagens neuroniais, melhorando o funcionamento neuroquímico do SNC (sistema nervoso central). Se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma. Isso porque com Jesus os reflexos do passado serão apenas estímulos para nos entregarmos à lida renovadora e profícua em prol das nossas existências porvindouras.


Jorge Hessen

27 maio 2013

Estudar Kardec para Discernimento Doutrinário - J.Herculano Pires




ESTUDAR KARDEC 
PARA DISCERNIMENTO DOUTRINÁRIO

Há muitas confusões, feitas intencionalmente ou não, entre o Espiritismo e numerosas formas de crendice popular, inclusive as formas de sincretismo religioso afro-brasileiro, hoje largamente difundidas. Adversários da doutrina espírita costumam fazer intencionalmente essas confusões, com o fim de afastar do Espiritismo as pessoas cultas. Por outro lado, alguns espíritas mal-orientados, que não conhecem a própria doutrina, colaboram nesse trabalho de confusão, admitindo como doutrinárias as mais estranhas manifestações mediúnicas e as mais evidentes mistificações. 


Alguns leitores se mostram justamente alarmados com a larga aceitação que vem tendo, em certos meios doutrinários, práticas de Umbanda e comunicações de Ramatis. E nos escrevem a respeito, pedindo uma palavra nossa sobre esses assuntos. Na verdade, já escreve­mos numerosas crônicas tratando da necessidade de vigilância nos meios espíritas, de maior e mais seguro conhecimento dos nossos princípios, e apontando os perigos decorrentes do entusiasmo fácil, da aceitação apressada de certas inovações. Mas, para atender às solicitações, voltaremos hoje ao assunto.

Kardec dizia, com muita razão, que os adeptos demasiado entusiastas são mais perigosos para a doutrina do que os próprios adversários. Porque estes, combatendo o que não conhecem, evidenciam a própria fraqueza e contribuem para o esclarecimento do povo, enquanto os adeptos de entusiasmo fácil comprometem a causa. O que estamos vendo hoje, no meio espírita brasileiro, não é mais do que a confirmação dessa assertiva do codificador. Espíritas demasiado entusiastas estão sempre prontos a receber qualquer “nova revelação” que lhes seja oferecida, e a divulgá-la sofregadamente, como verdades incontestáveis. Que diferença entre o equilíbrio e a ponderação de Kardec e essa afoiteza inútil e prejudicial!

No tocante à Umbanda, já dissemos aqui, numerosas vezes, que se trata de uma forma de sincretismo religioso, ou seja, de mistura de religiões e cultos, com a qual o Espiritismo nada tem a ver. As formas de sincretismo religioso são, praticamente, as nebulosas sociais de que nascem as novas religiões. A Umbanda já superou a fase inicial de nebulosa, estando agora em plena fase de condensação. E por isso que ela se difunde com mais intensidade. Já se pode dizer que é uma nova religião, formada com elementos das crenças africanas e indígenas, misturados a crenças e formas de culto do catolicismo e do islamismo em franco desenvolvimento entre nós. O Espiritismo não participou da sua formação, embora os nossos sociólogos, em geral, exatamente por desconhecerem o Espiritismo, digam o contrário, pois confundem o mediunismo primitivo, de origem africana e indígena, com os princípios de uma doutrina moderna. Nós, espíritas, devemos respeitar na Umbanda uma religião nascente, mas não pode­mos admitir confusões entre as suas práticas sincréticas e as práticas espíritas. 

Quanto às mensagens de Ramatis, também já tivemos ocasião de declarar que se trata de mensagens mediúnicas a serem examinadas. De nossa parte, consideramo-las como mensagens confusas, dogmáticas, vazadas na linguagem típica dos espíritos pseudo-sábios, a que Kardec se refere na escala espírita de O Livro dos Espíritos. Cheias de afirmações absurdas, e até mesmo contraditórias, essas mensagens revelam uma fonte que devia ser encarada com menos entusiasmo e com mais cautela pelos espíritas. Em geral, nossos confrades se entusiasmam com “as novas revelações” aparentemente contidas nas mesmas, esquecendo-se de passá-las, como aconselhava Kardec, pelo crivo da razão. 

O que temos de aconselhar a todos, pelo menos a todos os que nos consultam a respeito, é mais leitura e mais estudo de Kardec, e menos atenção a espíritos que tudo sabem e a tudo respondem com tanta facilidade, usando sempre uma linguagem envolvente, em que nem todos sabem dividir a verdade do erro. “O Espiritismo”, dizia Cairbar Schutel, “é uma questão de bom-senso”. Procuremos andar de maneira sensata, na aceitação de mensagens mediúnicas.


Por José Herculano Pires

Do livro: O Mistério do Bem e do Mal


26 maio 2013

Espiritismo pode contribuir para os que apresentam Transtorno Bipolar - Luiz Antônio de Paiva

 


ESPIRITISMO PODE CONTRIBUIR PARA OS QUE APRESENTAM TRANSTORNO BIPOLAR

O transtorno bipolar é uma doença funcional do cérebro relacionada aos neurotransmissores cerebrais, que provoca oscilações imprevisíveis do humor, que vai da depressão aos estados mais elevados, chamados de hipomania ou mania.

Afetando em torno de 1% da população, distribuído igualmente entre homens e mulheres, o TB (transtorno bipolar) permanece como crônico em 1/3 dos acometidos, perdurando por toda vida. Surge geralmente na terceira década de vida e os sintomas depressivos predominam na maior parte do tempo.

Conquanto receba o nome de transtorno bipolar do humor, ele tem subespécies em que só se manifesta a mania ou a depressão ou estados mistos de mania e depressão, em que predomina a irritabilidade. Comumente, quando se apresenta com o predomínio dos sintomas depressivos é mal diagnosticado como depressão maior e tratado erroneamente com antidepressivos somente, o que piora o quadro.

Por isso, o diagnóstico deve ser feito por profissional qualificado, após exame clínico acurado e colhida história detalhada da enfermidade e sua evolução.

Sabe-se que o transtorno funcional dos neurotransmissores como noradrenalina, serotonina e dopamina desempenham papel fundamental na doença, e estudos mostram uma base genética também, pois incide mais freqüentemente em algumas famílias.

Conquanto existam os fatores predisponentes, há também as situações desencadeantes, geralmente associadas ao estresse ambiental ou uso e abuso de substâncias psicotrópicas, legais e ilegais.

Pelo que você pode observar, até agora analisamos apenas os fatores biológicos e ambientais, ficando uma lacuna nos aspectos psíquicos e espirituais. Há fatores intrapsíquicos, como a estrutura de personalidade, que joga como um fator de facilitação para a emersão do estado patológico. Aqui, de igual forma, torna-se impossível separar os fatores espirituais, cármicos, dos fatores psíquicos, pois ambos procedem de uma mesma fonte, qual seja, o espírito imortal.

Torna-se vital avaliarmos o papel que desempenha o cérebro e o corpo físico como um todo no processo da evolução espiritual. O cérebro e o sistema endócrino-humoral são um grande sistema cibernético ou computadorizado, de natureza analógica e não digital, isto é, responde às gradações de forma gradual e não pelo tudo ou nada. Isso faculta ao cérebro ser um meio modulador dos impulsos mentais advindos do espírito, atenuando-os ou potencializando-os, conforme as necessidades adaptativas ou educativas da interação espírito-matéria.

Assim sendo, as tendências patológicas agem como um alarme, fazendo o espírito automodular-se nas tendências e paixões. É a própria Lei de Causa e Efeito a serviço da educação, finalidade maior de sua existência no grande plano pedagógico de Deus.

À guisa de metáfora, seria como um mau motorista que, notório abusador dos recursos do veículo, desgastando-o prematuramente no descontrole da velocidade e nas frenagens, arriscando-se e levando riscos aos outros, recebesse como parte do seu processo reeducativo um veículo com deficiência nos freios, obrigando-o a restringir a velocidade e a utilizar marchas adequadas, de modo a lhe permitir o devido controle no direcionamento veicular.

Assim, podemos melhor compreender a injunção cármica dos transtornos mentais como um todo, que servem de recursos retificadores dos trânsfugas espirituais que, destarte, corrigem em si mesmos os desvios das paixões alucinantes, do suicídio direto e indireto, dos abusos da inteligência e de outras formas de viciação e alienação do espírito.

No âmbito do tratamento, embora a própria enfermidade seja em si mesma uma forma de cura da causa original do problema, a providência divina concedeu à medicina humana os meios paliativos e mesmo efetivos de controlar, digamos, o descontrole. No caso do transtorno bipolar temos uma imensa gama de substâncias chamadas de estabilizadores do humor que se utilizam no tratamento de crise e no de longo prazo dessa devastadora doença.

Sob o ponto de vista espiritual, strictu sensu, a reforma íntima, a vigilância e a oração, o propósito no bem, as ações beneficentes constituem-se na melhor profilaxia e tratamento. Não raro, os portadores de TB trazem um séquito de cobradores do passado que podem vir a ser soezes obsessores, complicando um quadro já em si complexo e difícil. O transtorno bipolar do humor parece ser um facilitador da manifestação de faculdades mediúnicas, o que junto às afinidades espirituais do passado e os seus compromissos, vulnerabilizam sobremaneira o enfermo, que se torna assim presa fácil de múltiplos fatores alienantes. É desnecessário dizer que a utilização da terapêutica espírita é de grande valia, se acompanhada do devido esforço regenerativo por parte do doente.


Dr. Luiz Antônio de Paiva é médico psiquiatra e vice-presidente da Associação Médico-Espírita de Goiás – matéria publicada na Folha Espírita em agosto de 2006.


25 maio 2013

O Opróbio do "Diz-Que-Diz" - Jorge Hessen

 

O OPRÓBRIO DO “DIZ-QUE-DIZ”


Será que o veneno da língua [maledicência (1) aproxima as pessoas fuxiqueiras? Pesquisadores das universidades de Oklahoma e do Texas (EUA) afiançam que “amizades” mais duráveis partilham julgamentos negativos (intrigas) sobre coisas e pessoas em comum, por isso depreciam os outros ao redor. Há grupos de “amigos” que tendem acolher as mesmas coisas e as mesmas pessoas fofoqueiras e rejeitar as pessoas miradas pelo grupo. Se alguém conhece um conluiado que faz restrições idênticas (afinidade moral) sobre o comportamento de outrem, as chances de se “gostarem” são grandes.

Quando se fala mal de algo ou de alguém para um cúmplice e este concorda com o que é dito, ambos sentem-se “melhores” e “avigorados”, pois ambos legitimam aquele sentimento ruim, e faz com que “percebam” mais força, e ganhem uma imensa “autoconfiança” para o mal. O filósofo Platão admoestou: “Calarei os maldizentes continuando a viver bem; eis o melhor uso que podemos fazer da maledicência” (2).

O “diz-que-diz” é um componente incrustado e inflexível nas aglomerações sociais e nos ambientes profissionais. Quando um boato é maliciosamente produzido, apresenta em si cargas de perversidade, ausência de alteridade, falta de indulgência, vingança, “olho gordo”, “dor-de-cotovelo”. Uma vez impregnado, mais cedo ou mais tarde, atingirá aos ouvidos dos figurantes abrangidos, provocando irreparáveis consequências que podem tanger a tolas rupturas de velhas afeições e até a demissão por justa causa, destruição de casamentos e de lares, aparecimento de rancores ferrenhos, por vezes chegando a culminar em assassinato ou suicídio de pessoas emocionalmente frágeis.

Funesta e destrutiva é a palavra na boca de quem alista falhas do próximo; tóxico perigoso é a demonstração condenatória a escoar nos beiços de quem fuxica; barro podre, exalando enxofre, é a oscilação desafinada das cordas vocais de quem recrimina; braseiro tenebroso, escondendo a verdade, é a intriga destrutiva. “Ai do mundo por causa dos escândalos, porque é necessário que venham os escândalos, mas, ai daquele homem porque venham os escândalos.”. (3)

A maledicência é plantio improfícuo em solo apodrentado. Não há amparo se, por ensejo de ajuda, se ostentam as feridas de outrem à indiferença de quem ouve. Paulo de Tarso advertiu: “a sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios” (4)

Lutemos contra a maldição da fofoca supostamente inofensiva, mas que arrasa todos os confins por onde se propaga. As “palavras mal-intencionadas”, maledicentes têm, quase sempre, adicionadas à sua substância, uma dose peculiar de condimento, de estilo estritamente particular, cujo “cozinheiro-mor” é o próprio responsável pelo seu repasse adiante.

Quem se afirme espírita não pode esquecer que os críticos do comportamento alheio acabam, quase sempre, praticando as mesmas ações recriminadas. Deploramos o clima de comprovada invigilância admitida pelas aventuras do entusiasmo desapiedado dos caluniadores, com suas mentes doentias, sempre às voltas com a emissão ardente do fuxico generalizado. Confrades que ficam “felizes” ante as dificuldades e eventuais deslizes do próximo. Assestam a volúpia da fofoca, com acusações infames sobre fatos que ignoram, sempre em direção às aflições e lutas íntimas de pessoas que tentam se erguer de algum desacerto na caminhada.

Não é ficção! Há seres infaustos que se locupletam no mexerico exultante de verem alguém sofrendo uma prova mais difícil. Outros se valem do cansativo clichê “vamos orar por eles!”, para aguçar as substâncias de suas falsidades. Esquece-se de que o falatório induz à fascinação, secundando o desequilíbrio.

Aos fuxiqueiros contumazes e rabugentos críticos dos erros de conduta do próximo recomendamos uma reflexão de que na viagem de mil quilômetros, como dizia Chico Xavier, não nos podemos considerar vitoriosos senão depois de chegarmos à meta almejada, porque nos dez últimos metros, a ponte que nos liga ao ponto de segurança pode estar caída e não atingiremos o local para onde nos dirigimos.

Enfim, a palavra constrói ou destrói facilmente e, em segundos, estabelece, por vezes, resultados gravíssimos para séculos. Por essa razão, “o algodão do silêncio é um dos melhores recursos para asfixiar a maledicência e fazer calar acusações indébitas”. (5)

Referências Bibliográficas:

(1) O termo maledicência significa fuxico, mexerico, mordacidade; é o ato ou aptidão para falar mal dos outros, cuja intenção é denegrir, difamar.
(2) Platão , disponível em
http://pensador.uol.com.br/autor/platao/ acessado em 6/5/2013
(3) Mateus 18:7
(4) Rom. 3 :13
(5) Franco, Divaldo Pereira. Lampadário Espírita, ditado pelo Espírito Joana de Angelis, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1974

 Autor : Jorge Hessen


24 maio 2013

Reencarnação de Suicidas - Giselle Fachetti Machado

  

REENCARNAÇÃO DE SUICIDAS


O processo reencarnatório é sempre complexo e fruto de minucioso planejamento. Ao tomarmos conhecimento do nascimento de um novo habitante da superfície terrestre devemos ter a consciência do enorme esforç o engendrado não só no plano material, mas também no invisível, para que esse “milagre” seja uma realidade.

As crianças nos demonstram concretamente a confiança de Deus nos seres humanos. Elas são a prova da misericórdia Divina que nos resgata incansavelmente das trevas e suplícios em que nos afogamos repetida e propositadamente. 

E, essa mesma misericórdia é a fonte que nos ilumina com a luz morna do dia, que nos invade os olhos infantis curiosos, quando os abrimos pela primeira vez no mundo físico.

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Salmos 23:4

Apesar de um longo e penoso trânsito pela erraticidade os espíritos vítimas de si mesmos, geralmente, não têm condições de presidir a construção de um corpo físico saudável durante seu processo reencarnatório.

A disposição integral dos recursos intelectuais e físicos, amealhados preteritamente por aqueles filhos de Deus, pode ser necessária ao completo êxito de sua missão terrena. Por isso, a espiritualidade responsável por esses pacientes se empenha no tratamento das suas mazelas, através da medicina astral, mesmo quando são frutos da imprudência e do orgulho.

Assim, eles poderão chegar um pouco melhores à terra, e então, terão, por sua vez, a magnífica oportunidade de retribuir ao Criador tamanha benção, colaborando com seus contemporâneos em seu progresso como cidadãos.

Uma das causas mais freqüentes de debilidade e deformidade do corpo espiritual é a desagregação energética induzida pelo auto-extermínio. As lesões do corpo espiritual são ainda mais severas do que aquelas que desvitalizaram o corpo físico. Não atingem apenas o sistema mental do desencarnado, toda a complexa estrutura perispiritual é comprometida.

Sua delica da tessitura é impregnada pelas energias deletérias que causaram, primariamente, o auto-extermínio e por aquelas que se originaram dele. Os componentes unitários do tormento com que se deparam os suicidas são: Dores intensas, de teor moral e físico, acrescidas do desespero de se encontrar vivo após a morte, revolvidas com o cimento da culpa.

Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Mateus 25:30

E sentindo-se servos inúteis reconhecem a justiça de seu tormento imediatamente após o desenlace traumático do corpo físico. Entretanto, a falta de equilíbrio que os caracterizou em vida, os persegue no além túmulo. Crises subintrantes de arrependimento e desespero se sucedem, como se fossem continuar indefinidamente.

Não dispõem de recursos íntimos para atenuarem esse estado de dentro para fora. A prece é impronunciável para eles, sem que entendam o porquê dessa afasia seletiva. É, na realidade, a autopunição que se segue à culpa demolidora.

Querem, e cultivam a dor por ilusão da purificação. Assim o fizeram por milênios e, assim, se conduzem quase que reflexamente.

Interromper esse processo depende de uma fagulha de esperança em seus corações petrificados. Fagulha insignificante, mas perceptível aos benfeitores do além, que nesse momento crítico, de olhar hesitante e frágil voltado para os céus, os acodem e recolhem às instituições caridosas do invisível.

Esse é apenas o primeiro passo em direção á reencarnação libertadora e reconstrutora. Muitos serão necessários.

Os abnegados servidores do cristo que os acolheram, oferecem a eles os medicamentos espirituais mais avançados. Todos eles repletos de um principio ativo que se habituaram a negligenciar em suas numerosas existências físicas pregressas.

É o amor temperado com energias de diferentes ordens, mas também sublimes e retificadoras em sua essência.

Os amigos encarnados atuam expressivamente nesse processo, fornecendo a matéria mais densa para que os cirurgiões do espaço refaçam a delicada anatomia do corpo astral  desses pobres desvalidos.

Suturas, drenagens, condutoplastias, inúmeros procedimentos são executados para a melhor recuperação possível de pacientes tão especiais.

Uma vez que se encontrem anatomicamente recuperados (relativamente) serão guiados aos estudos. Não é um processo rápido. A formação de que necessitam é longa, didática e transformadora.

Nas aterradoras crises de confiança são restabelecidos pela doação de energia salutar dos seus colegas em melhores condições.

Começam a se doar uns aos outros, aos próximos bem próximos. Em um momento socorrem e no seguinte são socorridos. Estão ainda em uma montanha russa íntima. No seu ápice acumulam forças para enfrentarem os vales.

Aos poucos estudam suas existências anteriores e os motivos que os levaram ao desespero. Isso é oferecido a eles de uma forma tal que possam se distanciar o suficiente para que entendam e relembrem da dor, sem serem cegados e confundidos por ela.

Com esse método podem identificar mecanismos de defesa impróprios e padrões de comportamento com tendência à recorrência.

Quando conseguem elaborar, ou melhor, metabolizar seu passado são transferidos às escolas gerais. Necessitam do convívio com todos os outros espíritos. Nesta fase já podem ajudar necessitados de outros matizes.

Trabalham em funções diversas, sempre iniciando pelas mais simples. São felizes por terem a oportunidade de realizar pequenas obras. Não são cobrados para erigirem grandes monumentos, pois para muitos deles o orgulho e o poder foram a passarela condutora à derrocada.

Décadas eles despendem nessas escolas, e o tempo todo, são ajudados, escorados, impulsionados pelo amor dos benfeitores espirituais. Muitos  são pais, mães, filhos de outras épocas.

A maioria, entretanto, são os seus inimigos do passado, já refeitos dos vícios morais mais limitantes, que hoje agradecem a possibilidade de resgatarem seus débitos cármicos no trabalho junto aos, transitoriamente, mais frágeis.

Ao mesmo tempo em que se recuperam auxiliam no progresso de seus educadores.

O treinamento prossegue, posteriormente, em frentes de trabalho mais densas e perigosas, verdadeiros testes de fidelidade em relação aos exércitos do Cristo. Aprendem a amar o diferente, o ignorante e o demente. Vêem nestes irmãos o reflexo de seu passado recente.

A última fase preparatória para a reencarnação dos antigos suicidas é a elaboração do projeto reencarnatório. Por mais que tenham obtido algum grau de recuperação da anatomia de seu corpo espiritual, as lesões que a essa estrutura foram impostas pela auto-agressão ainda serão máculas indeléveis no plano espiritual.

Mesmo que sejam imperceptíveis aos olhos dos próprios portadores elas carrearão, necessariamente, ao corpo físico as mensagens de alerta de um passado que não deve ser revivido.

Serão limitações congênitas de graus variáveis, doenças crônicas severas com crises intermitentes e curtos períodos de acalmia. Insuficiências orgânicas diversas e possivelmente múltiplas.

Essas doenças graves os açoitarão, na vida física, relembrando-os dos compromissos assumidos e, também, cumprindo o papel de verdadeiros exaustores biológicos na drenagem das energias perniciosas e densas de uma qualidade tal que apenas podem ser expurgadas no trânsito pela matéria.

O amor vivido em sua plenitude os livrará das dores inúteis. Aquelas necessárias foram discutidas durante a sua preparação pré-encarnatória e devem ser vividas resignadamente, mesmo quando extremamente dolorosas. A luta pela vida é o exercício diário necessário para que desenvolvam os meios de evitarem novas quedas.

Os amigos espirituais os acompanharão em toda a sua existência física, oferecerão o suporte e consolo diante das suas fraquezas. E a cada obstáculo que venham a superar, mais fortes se encontrarão.

Não mais suicidas serão, mas, ex-suicidas, dispostos ao trabalho retificador em prol do seu próprio progresso. Serão, também, luzes nos rodapés dos longos e tortuosos corredores da existência infeliz de seus semelhantes, daqueles ainda cegos à luz redentora do Cristo.


Giselle Fachetti Machado



23 maio 2013

De Quem é a Mediunidade? - Wilson Focassio

 

DE QUEM É A MEDIUNIDADE?


Muitas pessoas portadoras de mediunidade se encontram em dúvida sobre a necessidade ou não de desenvolver essa aptidão.

A mediunidade poderá ser comparada a um rio perdido na planície, como explica E.Armond. Se ele continuar solto, sem destino, poderá causar enchentes e provocar distúrbios ao meio ambiente.      
Entretanto, se prudentemente alargamos suas margens, desviarmos seu trajeto fazendo-o tão somente correr no seu leito, ele ficará forte e poderá, agora, organizado, gerar energia, fazer irrigação, em fim, ser útil à coletividade. Assim é a mediunidade. Uma força que está dentro do médium que poderá ser desenvolvida ao “deus dará”, porém por prudência, seria melhor que organizássemos esse desenvolvimento, pois só assim poderias ter certeza que seria uma faculdade responsável. 

Muitas pessoas possuem essa aptidão já em fase adiantada de desenvolvimento e procuram se afastar dos locais onde devem usar essa aptidão exatamente porque temem que indo uma primeira vez, não podem deixar de ir jamais. Vale lembrar que a mediunidade não é um atributo das doutrinas, ou seja, nenhuma doutrina é dona da mediunidade. 

Ela é de propriedade do médium, das pessoas que a porta, pois foi a própria pessoa que antes de encarnar pediu essa faculdade a fim de lhe auxiliar no progresso nesta atual encarnação. Qualquer religião poderá fazer uso da mediunidade como um excelente acessório de desenvolvimento do ser humano.

As pessoas mal informadas acham que a mediunidade pertence à doutrina Espírita. Na realidade o espiritismo aproveita as pessoas que tem essa aptidão a fim de elaborar um trabalho social de intercâmbio com o Plano Espiritual, com a finalidade de dar um consolo a quem estiver necessitado. 

A Igreja Católica vale lembrar, até o ano 325 d.C. praticava a mediunidade, pois essa era a orientação dos seguidores do Cristo. Depois do concílio de Nicea, no citado ano, a cúpula da igreja resolveu não se utilizar mais dessa excelente ferramenta de trabalho, e passou a nortear os passos dos seus fiéis sob outra ótica religiosa. 

É oportuno salientar que uma ambulância poderá ser útil se colocada a serviço do bem, nos hospitais no transporte a doentes, entretanto, se ela ficar jogada à margem da estrada, certamente ficará a mercê de ferrugem e de ladrões. Existem dois tipos de mediunidade: Mediunidade tarefa e mediunidade natural, esta conquistada.
     
O homem do futuro, aquele que habitará a Terra quando esta for elevada da categoria de REGENERADA, será um médium por excelência. Todos serão médiuns no futuro. A conquista da mediunidade é algo demorada, pois demanda muito desenvolvimento psíquico e, principalmente moral.     

Por isso a mediunidade natural é mais difícil e é rara por estes momentos. Já a mediunidade tarefa é mais comum, pois ela nos é ofertada pelo Plano Espiritual para que possamos, através do bom senso, mais rapidamente liquidarmos nossos débitos das vidas passadas e, quiçá os deslizes desta própria encarnação. 

Essa mediunidade, tarefa, por ser “emprestada” não só nos será tirada, como também nos será cobrado o seu bom uso enquanto esteve sob nosso domínio. Portanto, lembramos aos senhores médiuns que, antes de encarnar essa aptidão foi pelos senhores solicitada ao Plano Espiritual para que com maior rapidez e segurança pudessem estabelecer a tomada de seu próprio crescimento. 

As restrições que o nosso cérebro sofre enquanto estamos encarnados não nos permite lembrarmos daquilo que é tratado em outro plano de vida. Em vista de tal esquecimento, o jovem que chega a maturidade, ou seja, quando chega o momento de usar tal ferramenta, vê-se cercado pelos compromissos da vida material e coloca sua aptidão mediúnica de lado. 

O simples esquecimento não o liberta do compromisso, por isso sempre será prudente que as pessoas que possuem uma sensibilidade mais aguçada procurem saber se possuem ou não a faculdade mediúnica. 

A mediunidade é uma coisa muito simples, não exigindo maiores preocupações aos seus portadores, porém, assim como o rio é simples, há der se dar atenção para ela, pois se assim não for, através do sofrimento a cobrança certamente virá.      Para encerrar este comentário, enfatizam-se outras doutrinas praticam a mediunidade e que ela não é um atributo exclusivo da Doutrina Espírita.

A mediunidade pertence a quem a porta e não a uma doutrina.

Wilson Focassio


22 maio 2013

Legalizar o Aborto? - Jorge Hessen

 

LEGALIZAR O ABORTO?

 

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) afirmou hoje 21/03/2013 que considera inaceitável mulher [pobre] morrer em aborto realizado sob condições inseguras. Por isso defende liberação do aborto [assassinato de bebês] até 12ª semana. Garantiu que vai encaminhar, ainda em março, junto à comissão especial que discute a reforma no Código Penal no Senado, uma proposta com o posicionamento favorável à legalização do aborto até o 3º mês de gestação.


O atual presidente do CFM deve desconhecer que o Brasil é o campeão mundial de prática do aborto. Esta situação fez surgir no país médicos ferrenhamente favoráveis à legalização do “homicídio de neném”, torná-lo simplificado, acessível, higiênico, juridicamente correto. O CFM defende, entre outras questões, o direito da mulher sobre o seu próprio corpo para trucidar um ser indefeso no útero.


Evocam, por meio de indefensáveis calões, as péssimas condições em que são realizados os abortos clandestinos. Contudo, ninguém se engane que o aborto oficial vá substituir o aborto criminoso. Ao contrário, irá aumentar. “Ele continuará a ser feito por meio subterrâneo e não controlado, pois a clandestinidade é cúmplice do anonimato e não exige explicações.” (1) “É inadmissível que pequeníssima parcela da população brasileira, constituída por alguns intelectuais, políticos e profissionais dos meios de comunicação e embebida de princípios materialistas e relativistas, venha a exercer tamanha influência na legislação brasileira, em oposição à vontade e às concepções da maioria do povo e contrariando a própria Carta Magna de 1988.” (2)


Outro ponto é: legalizando-se o aborto, estariam todos os obstetras disponíveis à prática abortiva? Seria possível, no âmbito da ética médica, conciliar uma medicina que cura com uma medicina que assassina? “Pessoalmente, entendo que o homem não tem o direito de tirar a vida de ninguém, seja pela pena de morte, seja pelo aborto, seja pela eutanásia.” (3) 

Chico Xavier recrimina: “se anos passados houvesse a legalização do aborto, e se aquela que foi a minha querida mãe entrasse na aceitação de semelhante legalidade, legalidade profundamente ilegal, eu não teria tido a minha atual existência, em que estou aprendendo a conhecer minha própria natureza e a combater meus defeitos, e a receber o amparo de tantos amigos, que qual você, como todos aqui, nos ouvem e me auxiliam tanto”. (4)


Importa reconhecer que o primeiro dos direitos naturais do homem é o direito de viver. O primeiro dever é defender e proteger o seu primeiro direito: a vida. Chico ainda adverte “admitimos seja suficiente breve meditação, em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões.” (5) 

À luz da reencarnação, realmente, o filho que não é aceito no lar, pela gravidez interrompida, penetrará um dia em nossa casa, na condição de alguém de conduta antissocial.


Aquele que expulsamos do nosso abrigo reaparecerá porque ele não pode ser punido pela nossa irresponsabilidade, mas seremos justiçados na nossa irreflexão, através das leis soberanas da vida. O médium Divaldo Franco assevera que “aquele filho que nós expulsamos, pela interrupção no corpo, voltará até nós, quiçá, em um corpo estranho, gerado em um ato de sexualidade irresponsável. Por uma concepção de natureza inditosa, volverá até nós, na condição de deserdado, não raro, como um delinquente.” (6)


O aborto praticado sob quaisquer justificativas, mesmo diante de regulamentos humanos, é um crime ante os estatutos de Deus. Por isso Chico Xavier ressalta “os pais que cooperam nos delitos do aborto, tanto quanto os ginecologistas que o favorecem, vêm a sofrer os resultados da crueldade que praticam”. (7)


Registre-se que, se não há legislação humana que identifique de imediato o ignóbil infanticídio, nos redutos familiares ou na bruma da noite, e aos que mergulham na torpeza do aborto, “os olhos divinos de Nosso Pai contemplam do Céu, chamando, em silêncio, às provas do reajuste, a fim de que se expurgue da consciência a falta indesculpável que perpetram.” (8)


Outra discussão que também se levanta é a legitimidade, ou não, do aborto, quando a gravidez é consequente a um ato de violência física. No caso de estupro, quando a mulher não se sinta com estrutura psicológica para criar o filho, a Lei deveria facilitar e estimular a adoção da criança nascida, ao invés de promover a sua morte legal. “O Espiritismo, considerando o lado transcendente das situações humanas, estimula a mãe a levar adiante a gravidez e até mesmo a criação daquele filho, superando o trauma do estupro, porque aquele Espírito reencarnante , terá possivelmente um compromisso passado com a genitora.” (9)


Lembrando também que “O governo deveria ter departamentos especializados de amparo material e psicológico a todas as gestantes, em especial, às que carregam a pesada prova do estupro.” (10) 

 Por isso é perfeitamente lógico que o aborto em decorrência de estupro não deva ser autorizado, porque o ser concebido não pode ser punido por fatos não queridos que determinaram sua vida.Outra questão defendida pelos abortistas é o aborto “terapêutico”. Se o aborto, em tempos idos, era usado a pretexto de terapia, devia-se à falta de conhecimentos médicos. Recordo que numa aula inaugural do Dr. João Batista de Oliveira e Costa Júnior aos alunos de Direito da USP em 1965 (intitulada “Por que ainda o aborto terapêutico?”) diz que o aborto “não é o único meio, ao contrário, é o pior meio, ou melhor, não é meio algum para se salvar a vida da gestante”, Divaldo Franco reflete sobre o assunto com o seguinte comentário: “o aborto, mesmo terapêutico, é imoral, segundo o conhecimento médico, (…) por que interromper o processo reparador que a vida impõe ao espírito que se reencarna com deficiência? Será justo impedi-lo de evoluir, por egoísmo da gestante?”  (11)


O médium baiano recorda, ainda, “é torturante para a mãe que carrega no ventre um ser que não viverá, mas trata-se de um sofrimento programado pelas Soberanas Leis da Vida”. (12) 

E mais “segundo benfeitores espirituais, a Terra vem recebendo verdadeiras legiões de espíritos sofredores e primários, que se encontravam retidos em regiões especiais e agora estão tendo a oportunidade de optar pelo bem de si mesmos”. (13) 

 Se os tribunais do mundo condenam, em sua maioria, a prática do aborto, “as Leis Divinas, por seu turno, atuam inflexivelmente sobre os que alucinadamente o provocam. Fixam essas leis no tribunal das próprias consciências culpadas, tenebrosos processos de resgate que podem conduzir ao câncer e à loucura, agora ou mais tarde. (…)”. (14)


Se a futura mãe corre riscos de vida, o aborto tem outra conotação conforme consta na questão 359 de O Livro dos Espíritos, onde os mentores que orientavam Kardec advertem que só é admissível o aborto induzido quando há grave risco de vida para a gestante. (15)  

Oportuno acrescentar, com a evolução da Medicina, dificilmente se configura, hoje, uma situação dessa natureza. Óbvio que não lançamos os anátemas da condenação impiedosa àqueles que estão perdidos no corredor escuro do erro já cometido, até para que não caiam na vala profunda do desalento. Expressamos ideias cujo escopo é iluminá-los com o archote do esclarecimento para que enxerguem mais adiante, a opção do Trabalho e do Amor, sobretudo nas adoções de filhos rejeitados que atualmente amontoam nos orfanatos.


“É preciso também saber que a lei de causa e efeito não é uma estrada de mão única. É uma lei que admite reparações; que oferece oportunidades ilimitadas para que todos possam expiar seus enganos.”(16) Errar é aprender, destarte, ao invés de se fixarem no remorso, precisam aproveitar a experiência como uma boa oportunidade para discernimento futuro.

 

Jorge Hessen 


Referências Bibliográficas:
 
(1) Aborto – breves reflexões sobre o direito de viver Genival Veloso de França

(2) Manifesto Espírita sobre o Aborto Federação Espírita Brasileira Manifesto aprovado na reunião do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 98

(3) Pena de Morte para o Nascituro Ives Gandra da Silva Martins Professor emérito das Universidades Mackenzie e Paulista e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Presidente da Academia Internacional de Direito e Economia e do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo Vice-presidente da PROVIDA FAMÍLIA, in O Estado de São Paulo 19 de setembro de 1997.

(4) Disponível em http://www.editoraideal.com.br/chico/perguntas-21.htm, acessado em 15 de março de 2006

(5) Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel. 14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001.

(6) Cf. Divaldo Franco em entrevista para Revista Espírita Allan Kardec, disponível em acessado em 10/03/2006

(7) Xavier, Francisco Cândido. Leis de Amor, ditado pelo Espírito Emmanuel, SP: Ed FEESP, 1963.

(8) Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel. 14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001.

(9) Cf. Manifesto Espírita sobre o Aborto Federação Espírita Brasileira Manifesto aprovado na reunião do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 98

(11) O jornal Folha Espírita, edição de janeiro de 2005.
(12) Idem

(13) Idem

(14) Peralva, Martins.O Pensamento de Emmanuel.Cap. I Rio de Janeiro: Editora FEB, 1978

(15) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. RJ: Ed FEB, 2003, perg. 359.

(16) De Lima, Cleunice Orlandi. A Quem Já Abortou – artigo – disponível em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/aborto/a-quem-ja-abortou.html

 

21 maio 2013

Cizânias e Dissidências - Rogério Coelho



CIZÂNIAS E DISSIDÊNCIAS

“Vim separar de seu pai o filho, de sua mãe a filha, de sua sogra a nora; e o homem terá por inimigos os de sua própria casa”. - Jesus. (Mt.; 10:35.36.)

           
Como toda escola de pensamento, o Espiritismo tem seus adeptos e contraditores, isto é, criaturas que o acoroçoam e outras que tem por inimigas...


          Adversários e adeptos se dividem em várias modalidades, conforme podemos compreender pelas explicações oferecidas por Allan Kardec na Codificação Espírita. Incompreensões existem não somente por parte dos inimigos do Espiritismo, mas também por parte dos adeptos, haja vista as tricas que nada deixam a dever às maquinações farisaicas do tempo de Jesus, e que pululam no movimento espírita, corporificadas pela saraivada de anátemas mútuos lançados indiscriminadamente em todas as direções...


          Jesus foi e ainda é o Grande Incompreendido pelos que se consideram cristãos, vez que não obstante, sendo Sua a Lei de amor, na verdade, paradoxalmente, a cizânia é que é praticada em larga escala.


          As incompreensões, as rixas partidárias, as ciumeiras, as invejas, fazem parte do acervo da limitada individualidade humana, e é por isso que todas as criaturas que viveram à frente de seu tempo, como “pontas de lanças”, sofreram as conseqüências danosas por suas idéias revolucionárias e pagaram alto preço pelo atrevimento de tentar acordar a Humanidade do ancilosante marasmo em que se locupleta.


          Evidentemente o Espiritismo não se encontra infenso a essa particularidade antropológica, aliás, prevista por Jesus no versículo em epígrafe.


          No livro “Libertação”, através da mediunidade de Francisco C. Xavier, André Luiz narra a lenda egípcia do peixinho vermelho, que por ter dito uma visão mais abrangente da realidade em que vivia junto com os seus companheiros, foi expulso do tanque, da mesma forma que foi expulso do templo aquele cego de nascença que Jesus curou, porque ostentava uma realidade insofismável que os fariseus, do alto pedestal do orgulho em que se colocavam, não puderam contemplar e muito menos admitir.


          Sócrates, que viveu milênios à frente de seu tempo foi obrigado a beber cicuta; e assim sempre aconteceu com os Espíritos de vanguarda que aqui aportaram para fazer com que a Humanidade avançasse na senda do progresso.


          Allan Kardec tem sido o grande incompreendido tanto pelos não espíritas quanto pelos espíritas propriamente ditos. E, em conseqüência, o Espiritismo também não tem tido melhor sorte...


          Herculano Pires, atento a essas questões, oferece-nos uma explicação lógica e clara para a existência das cizânias e dissidências. Segundo esse grande escritor espírita este estado de coisas se deve ao fato de que o Espiritismo é uma doutrina do futuro, e como tal, não foi ainda devidamente assimilada pelas criaturas; daí as incompreensões que campeiam por todos os lados e até mesmo a explicação do absurdo dos absurdos que é a incompreensível e antecipadamente malograda tentativa de “atualização de Kardec” perpetrada por alguns “entendidos” (!?)  Segundo Herculano Pires[1], “(...) Mais de um século após o advento da Codificação do Espiritismo, reina ainda grande incompreensão a respeito da Doutrina Espírita, de sua própria natureza e de sua finalidade. A Codificação, entretanto, foi elaborada em linguagem clara, precisa, acessível a todos. À lucidez natural do espírito francês, Kardec juntava a sua vocação e a sua experiência pedagógicas, além da compreensão invulgar de tratar com matéria sumamente complexa.


          Vemo-lo afirmar, a cada passo, que desejava escrever de maneira a não deixar margem a interpretações, ou seja, para divergências interpretativas.


          Qual o motivo, então, por que os próprios adeptos do Espiritismo, ainda hoje, divergem, no tocante a questões doutrinárias de importância? E qual o motivo por que os não-espíritas continuam a tratar o Espiritismo com a maior incompreensão? Note-se que não nos referimos aos adversários, pois estes têm a sua razão, mas aos “não-espíritas”. Parece-nos que a explicação, para os dois casos, é a mesma. O Espiritismo é uma doutrina do futuro. À maneira do Cristianismo, abre caminho no mundo, enfrentando a incompreensão de adeptos e não-adeptos.


          Em primeiro lugar, há o problema da posição da doutrina: Uns a encaram como sistematização de velhas superstições; outros, como tentativa frustrada de elaboração científica; outros, como ciência infusa, não organizada; outros ainda, como esboço impreciso de filosofia religiosa; outros, como mais uma seita, entre as muitas seitas religiosas do mundo. Para a maioria dos adeptos e não-adeptos, o Espiritismo se apresenta como simples “crença”, espécie de religião e superstição, ao mesmo tempo, eivada de resíduos mágicos.


          Ao contrário de tudo isso, porém, o Espiritismo, segundo a definição de Kardec e dos seus principais continuadores, constitui a última fase do processo do conhecimento. Última não no sentido de fase final, mas da que o homem pôde atingir até agora, na sua lenta evolução através do tempo. É evidente que se trata do conhecimento em sentido geral, não limitado a um determinado aspecto, não especializado... Nesse sentido geral, o Espiritismo aparece como uma síntese dos esforços humanos para compreensão do mundo e da Vida. Justifica-se, assim, que haja dificuldade para a sua compreensão, apesar da clareza da estrutura doutrinária da Codificação. De um lado, o povo não pode abarcá-lo na sua totalidade, contentando-se com o seu aspecto religioso; de outro, os especialistas não admitem a sua natureza sintética; e de outro, ainda os preconceitos culturais levantam numerosas objeções aos seus princípios”.


          Como então identificar os Verdadeiros Espíritas? Em qual setor encontra-se o verdadeiro sentido do Espiritismo? Quem, afinal está com a razão e caminhando na direção certa? Para responder a estas indagações, só mesmo recorrendo à Codificação Espírita[2], onde o Espírito de Verdade desenhou o perfil e a performance do Espírita Cristão, isto é, dos Verdadeiros OBREIROS DO SENHOR.


          Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!” Mas, ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão!   Clamarão: “Graça! graça!” O Senhor, porém, lhes dirá: “Como implorais graças, vós que não tivestes piedade dos vossos irmãos e que vos negastes a estender-lhes as mãos, que esmagastes o fraco, em vez de o amparardes? Como suplicais graças, vós que buscastes a vossa recompensa nos gozos da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebestes a vossa recompensa, tal qual a quisestes. Nada mais vos cabe pedir; as recompensas celestes são para os que não tenham buscado as recompensas da Terra.”


          Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. Cumprir-se-ão estas palavras: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no reino dos céus.” Segundo Fénelon[3], (...) As criaturas que se acham imbuídas dos verdadeiros princípios do Espiritismo vêem unicamente irmãos em todos os espíritas, e não rivais. Os que se mostrassem ciosos de outros grupos provariam existir-lhes no íntimo uma segunda intenção, ou o sentimento do amor próprio, e que não os guia o amor da verdade. Afirmo que, se essas pessoas se achassem entre vós, logo semeariam no vosso grupo a discórdia e a desunião. O verdadeiro Espiritismo tem por divisa benevolência e caridade.  Não admite qualquer rivalidade, a não ser a do bem que todos podem fazer. Todos os grupos que inscreverem essa divisa em suas bandeiras estenderão uns aos outros as mãos, como bons vizinhos, que não são menos amigos pelo fato de não habitarem a mesma casa.


          Os que pretendam que os seus guias são Espíritos melhores que os dos outros deverão prová-lo, mostrando melhores sentimentos. Haja, pois, luta entre eles, mas luta de grandeza d`alma, de abnegação, de bondade e de humildade. O que atirar pedra a outro provará, por esse simples fato, que se acha influenciado por maus Espíritos. A natureza dos sentimentos recíprocos que dois homens manifestem é a pedra de toque para se conhecer a natureza dos Espíritos que os assistem”.


          Em uníssono com Fénelon, S. Vicente de Paulo acrescenta[4]: O Espiritismo deve ser uma égide contra o espírito de discórdia e de dissensão; mas, esse espírito, desde todos os tempos, vem brandindo o seu facho sobre os humanos, porque cioso ele é da ventura que a paz e a união proporcionam.


          Espíritas! Bem pode ele, portanto, penetrar nas vossas assembléias e, não duvideis, procurará semear entre vós a desafeição. Impotente, porém, será contra os que tenham a animá-los o sentimento da verdadeira caridade. Estai, pois, em guarda e vigiai incessantemente à porta do vosso coração, como à das vossas reuniões, para que o inimigo não a penetre. Se forem vãos os vossos esforços contra o de fora, sempre de vós dependerá impedir-lhe o acesso em vossa alma. Se dissensões entre vós se produzirem, só por maus Espíritos poderão ser suscitadas.


          Mostrem-se, por conseguinte, mais pacientes, mais dignos e mais conciliadores aqueles que no mais alto grau se achem penetrados dos sentimentos dos deveres que lhes impõe a urbanidade, tanto quanto o vero Espiritismo. Pode dar-se que, às vezes, os bons Espíritos permitam essas lutas, para facultarem, assim aos bons, como aos maus sentimentos, ensejo de se revelarem, a fim de separar-se o trigo do joio.


          Eles, porém, estarão sempre do lado onde houver mais humildade e verdadeira caridade”.


               Em inspirada peroração completa Dufêtre[5]:"Espiritismo! Doutrina consoladora e bendita! felizes dos que te conhecem e tiram proveito dos salutares ensinamentos dos Espíritos do Senhor! Para esses, iluminado está o caminho, ao longo do qual podem ler estas palavras que lhes indicam o meio de chegarem ao termo da jornada: caridade prática, caridade do coração, caridade para com o próximo, como para si mesmo; numa palavra: caridade para com todos e amor a Deus acima de todas as coisas, porque o amor a Deus resume todos os deveres e porque impossível é amar realmente a Deus, sem praticar a caridade, da qual fez ele uma lei para todas as criaturas”.



[1] - Herculano Pires “O Espírito e o Tempo”- Edicel – 3ª edição.
[2] - Kardec, A. “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Capítulo XX, item 5
[3] - Kardec, A. “O Livro dos Médiuns” – 2ª parte - Capítulo XXXI, tomo XXII, § 2º e 3º.
[4] - Kardec, A. “O Livro dos Médiuns” – 2ª parte - Capítulo XXXI, tomo XXVI,
[5] - Kardec, A. “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Capítulo X, item 18, § 2º.



Rogério Coelho