Total de visualizações de página

30 abril 2008

Não Retardes o Bem - Momento Espírita

NÃO RETARDES O BEM

A dádiva tem força de lei, em todos os domínios da criação.

A flor dá naturalmente do seu perfume, e o animal, em sistema de compulsória, oferece cooperação ao homem, através do suor em que se consome.

A criatura generosa dá concurso fraterno, pelos recursos da caridade, sem esperar petição alguma, e o usurário desencarnado cede, constrangido pelos mecanismos da herança, todas as posses que acumulou.

Isso ocorre porque, no fundo, todos os bens da vida pertencem a
Deus, que no-los empresta visando ao nosso próprio enriquecimento.

*

Desenvolve, quanto possível, a tua capacidade de auxiliar, porquanto, no tamanho de teu sentimento, podes ser o amparo material, ainda que ligeiro, , no labor da beneficência; a palavra que esclarece e consola no combate da luz contra o assalto das trevas; a presença amiga que insuflas a esperança ou o braço acolhedor que sustenta o companheiro atormentado pela
exaustão.

Recorda, porém, que existe o momento perfeito de auxiliar, seja ele conhecido como sendo a ocasião da necessidade, a sugestão do trabalho, o propósito de ajudar ou o impulso da intuição.

Aproveita o ensejo de ser útil, com a inteligência de quem sabe que é preciso plantar hoje para colher amanhã.

Para isso, no entanto, é imperioso te desfaças de todas as exigências. Não temas farpas de censura, em torno de tua dádiva, e nem taxes a tua bondade com impostos de gratidão.

O amor não cobra pedágio seja a quem for que passe por ele recebendo serviço.

Ajuda com a alegria de quem se honra com a faculdade de acrescentar alegrias de que Deus dotou o Universo; sobretudo, não permitas que a oportunidade de auxiliar se deteriore em tuas mãos. A dádiva retardada tem gosto de recusa, tanto quanto a refeição inaproveitada fere o equilíbrio do paladar.

Auxilia quanto, como, onde e sempre que possas para o erguimento do bem comum. Não esperes que a desencarnação obrigue outros a distribuir aquilo que podes dar hoje, no amparo aos semelhantes, para a construção de tua própria felicidade, de vez que tudo aquilo que damos à vida, na pessoa do próximo, é justamente aquilo que a vida nos restitui.

Emmanuel (Chico Xavier)
De "Estude e viva",
de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira,
pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz

29 abril 2008

Agente da Providência

Agente da Providência 

A oração constitui um hábito da maior parte das pessoas.

Conscientes de sua fragilidade, elas buscam manter contato com o Ser Supremo.

Muitas pedem auxílio em questões materiais, como a conquista de um emprego ou a cura de uma enfermidade.

Outras rogam por forças em momentos difíceis.

Há quem busque junto ao Alto inspiração para bem conduzir sua existência, em um contexto de dignidade.

Também não falta quem se lembre de orar em agradecimento por dádivas recebidas.

Ou apenas como forma de entrar em contato com as esferas superiores da Espiritualidade.

O Evangelho relata diversas passagens nas quais o Cristo orou.

Jesus era puro e sábio e mesmo assim não desdenhou o recurso da oração.

Trata-se de um eloqüente sinal de que orar é imprescindível ao viver humano.

Ao compor a oração dominical, o Mestre salientou que o homem deve perdoar, a fim de ser perdoado.

Em outro momento, afirmou que o homem deve fazer ao próximo o que gostaria que ele lhe fizesse.

Conclui-se que sempre se deve estar disposto a dar o que se deseja receber, em termos de auxílio e compreensão.

O Espiritismo ensina que os Espíritos são agentes da Criação.

Eles encarnam com a finalidade de evoluir e amealhar conhecimentos e virtudes.

Assim, adquirem condições de fazer a parte que lhes cabe na obra da Criação.

Os Espíritos fazem parte da natureza.

A inteligência humana integra o Plano Divino.

Todo homem tem a missão de colaborar no aperfeiçoamento do mundo em que vive.

Os projetos da Divindade se realizam pela ação de Suas criaturas.

Minúsculos animais, ao atuarem de forma inconsciente, auxiliam na elaboração de arquipélagos.

A luta de incontáveis homens levou à supressão de práticas injustas, como a escravidão e a tortura.

Cientistas estão sempre a descobrir a cura de doenças que infelicitam a Humanidade.

As inovações tecnológicas, fruto do labor humano, tornam a vida mais fácil e interessante.

Assim, a Providência Divina manifesta-se por intermédio do homem.

Certamente, a tal não se circunscrevem os recursos divinos.

Mas o atuar humano insere-se na forma natural pela qual as bênçãos do Criador atingem a Terra.

A sua tarefa é tornar melhor o Mundo em que habita.

E sempre deve fazer ao próximo o que deseja que lhe façam.

A resposta a suas orações habitualmente não vem de forma retumbante e mística.

Ela, em regra, assume o contorno de pequenos acontecimentos que o auxiliam e esclarecem, pela atuação de terceiros.

Desse modo, você pode e deve ser a resposta à prece que seus semelhantes dirigem ao alto.

Preste atenção nas dificuldades dos homens que o rodeiam.

Muitos precisam de um conselho prudente e sensato, a fim de não cometerem desatinos.

Outros necessitam de uma palavra de compreensão, após errarem gravemente.

Alguns estão em vias de desistir, após alguma derrota, e carecem de incentivo e esperança.

Você tem tanto para dar!

Conte seus tesouros e alegre-se em reparti-los.

Deixe que o bem se manifeste por suas mãos.

Seja um agente da Providência.

Esta é a sua missão.

Ao realizá-la, você alcançará paz e plenitude.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita

28 abril 2008

Examina Teu Desejo - Emmanuel

EXAMINA TEU DESEJO

Mediunidade é instrumento vibrátil e cada criatura consciente pode sintonizá-lo com o objetivo que procura.

Médium, por essa razão, não será somente aquele que se desgasta no intercâmbio entre os vivos da Terra e os vivos da Espiritualidade.

Cada pessoa é instrumento vivo dessa ou daquela realização, segundo o tipo de luta a que se subordina.

“Acharás o que buscas” – ensina o Evangelho, e podemos acrescentar – “farás o que desejas”.

Assim sendo, se te relegas à maledicência, em breve te constituirás em veículo dos gênios infelizes que se dedicam à injúria e à crueldade.

Se te deténs na caça ao prazer dos sentidos, cedo te converterás no intérprete das inteligências magnetizadas pelos vícios de variada expressão.

Se te confias à pretensa superioridade, sob a embriaguez dos valores intelectuais mal aplicados, em pouco tempo te farás canal de insensatez e loucura.

Todavia, se te empenhas na boa vontade para com os semelhantes, imperceptivelmente terás o coração impelido pelos mensageiros do Eterno Bem ao serviço que possas desempenhar na construção da felicidade comum.

Observa o próprio e encontrarás a extensa multidão daqueles que te acompanham com propósitos escuros na retaguarda.

Eleva-te no aperfeiçoamento próprio e caminharás de espírito bafejado pelo concurso daqueles pioneiros da evolução que te precederam na jornada de luz, guiando-te as aspirações para as vitórias da alma.

Examina os teus desejos e vigia os próprios pensamentos, porque onde situares o coração aí a vida te aguardará com as asas do bem ou com as algemas do mal.

Psicografia de Francisco Cândido Xavier
do Livro Mediunidade e Sintonia.

27 abril 2008

Reino de Deus - Emmanuel

REINO DE DEUS

Se aspiramos conquistar o Reino de Deus, recordemos Jesus que no-lorevelou, conjungando "dizer" e "fazer".

Ensinou o Divino Mestre:

"Faze aos outros o que desejas que os outros te façam".
E viveu para os outros, sem nada exigir.

"Dá a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".
E, respeitando as autoridades constituídas no mundo, dedicou-se integralmente aos interesses do espírito.

"Quem se humilhar será exaltado".
E ninguém se apagou até hoje quanto Ele para que a Infinita Bondade se destacasse.

"Quem procura ser o maior seja o servo de todos".
E, nas mínimas circunstâncias, colocou-se invariavelmente no lugar de quem serve.

"Não saiba a tua mão esquerda o que dá a direita".
E ouvido algum jamais lhe escutou qualquer expressão de elogio a si mesmo.

"Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que lhe sai do coração".
E banqueteou-se com criaturas consideradas desprezíveis, acordando-lhes o sentimento para a realidade superior.

"Ao que te peça mil passos, caminha com ele dois mil".
E fez-se entre os homens inimitável modelo de tolerância.

"A quem te rogue a capa, cede também a túnica".
E deu-se constantemente ao próximo, consagrando-lhe a própria existência.

"Ama aos teus inimigos".
E suportou, em silêncio, as forças das trevas que o situaram em aparente derrota.

"Ora pelos que te perseguem e caluniam".
E aceitou a flagelação injusta, exorando perdão em favor dos próprios carrascos, no suplício da cruz.

Não precisas aguardar revelações estranhas e nem fenômenos espetaculares para surpreender as maravilhas do Reino de Deus.

Nem catástrofes cósmicas.

Nem convulsões da natureza.

Nem Terra fulminada.

Nem céus abertos.

Tudo pode alterar-se, a teus olhos, se tens a luz por dentro de ti.

E, além disso, a qualquer momento, a verdadeira vida pode trazer-te a Grande Mudança.

Nosso problema será sempre construir na própria alma a perfeição que reclamamos nos outros.

Não nos esqueçamos de que o Evangelho vem preparar no mundo o reino do bem que Jesus anunciou e o próprio Jesus foi suficientemente claro, asseverandoque o Reino de Deus está dentro de nós.

Emmanuel
Do Livro: Neste Instante
Psicografia Chico Xavier

26 abril 2008

O Tratamento das Doenças e o Espiritismo - Emmanuelç

O tratamento das doenças e o espiritismo...

1 - O Espiritismo pode contribuir para o tratamento das doenças?
Emmanuel - A doutrina Espírita, expressando o Cristianismo Redivivo, não apenas descortina os panoramas radiantes da imortalidade, ante o grande futuro, mas é igualmente luz para o homem, a clarear-lhe o caminho; desse modo, desempenha função específica no tratamento das doenças que fustigam a Humanidade, por ensinar a medicina da alma, em bases no amor construtivo e reedificante.
Nas trilhas da experiência terrestre, realmente, a cada trecho, surpreendemos desequilíbrios, a se exprimirem por enfermidades individuais ou coletivas.

2 - Existe uma patologia da alma?
Emmanuel - Mágoas, ressentimentos, desesperos, atritos e irritações entretecem crises do pensamento, estabelecendo lesões mentais que culminam em processos patológicos, no corpo e na alma, quando não se convertem, de pronto, em pábulo da loucura ou em sombra da morte.

3 - Por que acontece assim?
Emmanuel - Isso acontece porque milhões de criaturas, repostas no lar, recapitulam amargosas e graves experiências, junto àqueles que atormentaram outrora ou que outrora lhes foram implacáveis verdugos; metamorfoseados em companheiros que, às vezes, trazem o nome de pais e figuram-se adversários intransigentes; responderam por filhos e mais se assemelham a duros algozes dos corações afetuosos que lhes deram o tesouro do berço; carregam a certidão de esposos e parecem forçados, em algemas duplas na pedreira do sofrimento; fazem-se conhecidos por titulares da parentela e exibem-se, à feição de carrascos tranqüilos.

4 - Como classificar o reduto doméstico, onde se reúnem sob os mesmos interesses e sob o mesmo sangue os inimigos de existências passadas?
Emmanuel - Do ponto de vista mental,os adversários do pretérito, reencarnados no presente, expandem entre si tamanha carga vibratória de crueldade e rebeldia, que transfiguram o ninho familiar em furna, minado por miríades de raios destrutivos de azedume e aversão.

5 - Qual o papel dos princípios espíritas diante dos conflitos familiares?
Emmanuel - Diante dos conflitos familiares, surgem os princípios espíritas por medicação providencial.

6 - Qual o ponto fundamental do socorro espírita nos males de origem doméstica?
Emmanuel - Claramente, na educação individual e, evidenciando a reencarnação, destaca o impositivo da tolerância mútua, por terapêutica espiritual imediata, a fim de que os pontos nevrálgicos do indivíduo ou do grupo sejam definitivamente sanados.

7 - Como classificam a Doutrina Espírita as pessoas difíceis da convivência ou da consangüinidade?
Emmanuel - A Doutrina Espírita, proclamando o entendimento fraterno por medida inalienável, perante os ajustes precisos, cataloga os irmãos transviados na ficha dos enfermos carecentes de compaixão e socorro.

8 - Como funcionam os ensinamentos espíritas na cura dos males que infelicitam as criaturas humanas?
Emmanuel - Os ensinamentos espíritas, despertando a mente para a necessidade do trabalho e do estudo espontâneo, preparam a criatura em qualquer situação, para a obra do aperfeiçoamento próprio e desvelando a continuidade da vida, para lá da morte, patenteiam ao raciocínio de cada um que a individualidade não encontrará, além-túmulo, qualquer prerrogativa e sim a felicidade ou o infortúnio que construiu para si mesma, através daquilo que fez aos semelhantes.

9 - A caridade pode auxiliar nas curas dos males humanos?
Emmanuel - Fácil verificar, assim, que a Doutrina Espírita encerra a filosofia do pensamento reto, por agente preservativo da saúde moral, e consubstancia a religião natural do bem, cujas manifestações definem a caridade por terapêutica de alívio e correção de todos os males que afligem a existência.

10 - Em que fórmulas essenciais se baseiam a terapêutica espírita?
Emmanuel - Com os ensinamentos espíritas aprendemos que os atos de bondade, ainda os mais apagados e pequeninos, são plantações de alegrias eternas e que o perdão incondicional das ofensas é a fórmula santificante para supressão da dor e renovação do destino.

11 - Quais são os medicamentos do espírito?
Emmanuel - Nas atividades espíritas, colhemos do magnetismo sublimados benefícios imediatos, seja no clima do passe, sob o influxo da oração, ou no culto sistemático do Evangelho no lar, por intermédio dos quais, benfeitores e amigos desencarnados nos reequilibram as forças, através da inspiração elevada, apaziguando-nos os pensamentos, ou se valem de recursos mediúnicos esparsos no ambiente, a fim de nos propiciarem socorro à alma aflita ou às energias exaustas.

Se abraçastes, pois, a Doutrina Espírita, perlustra-lhes os ensinos e compreenderás que a humildade e a benevolência, o serviço e a abnegação, a paciência e a esperança, a solidariedade e o otimismo são medicamentos do Espírito, transformando lutas em lições e dificuldades em bênçãos, porque no fundo de cada esclarecimento e de cada mensagem consoladora, que te fluem da inspiração, ouvirás a palavra do Cristo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Emmanuel
Do livro “Leis Do Amor”,
Francisco Cândido Xavier E Waldo Vieira

25 abril 2008

Imposição das Mãos - Joanna de Ângelis

Imposição de Mãos

Quando nos identificamos com o pensamento do Cristo e nos impregnamos da mensagem de que Ele se fez Messias, sempre temos algo que dar em Seu nome, àqueles que se nos cercam em aflição.

Dentre os recursos valiosos de que podemos dispor em benefício do nosso próximo, destaca-se a imposição das mãos em socorro à saúde alquebrada ou das forças em deperecimento. A recuperação de pacientes, portadores de diversas enfermidades, estava incluída na pauta de tarefas libertadoras de Jesus.


De acordo com a Gênese do mal de que cada necessitado se fazia portador, Ele aplicava o concurso terapêutico, restabelecendo o equilíbrio e favorecendo a paz.

"Impondo as mãos" generosas, cegos e surdos, mudos e feridos renovavam-se, tornando ao estado de bem-estar anterior. Estimuladas pela força invisível que Ele transmitia, as células se refaziam, restaurando o organismo em carência.

Com o seu auxílio, os alienados mentais eram trazidos de volta à lucidez e os obsidiados recobravam a ordem psíquica em face dos espíritos atormentadores que os maltratavam, os deixarem.

Extáticos e catalépticos obedeciam-lhe à voz, quando chamados de retorno.
Esse ministério, porém, que decorre do amor, Ele nos facultou realizar, para que demos prosseguimento ao Seu trabalho entre os homens sofredores do mundo.

Certamente que não nos encontramos em condições de conseguir os efeitos e êxitos que Ele produziu. Sem embargo, interessados na paz e na renovação do próximo, é-nos lícito oferecer as possibilidades de que dispomos, na certeza de que os nossos tentames não serão em vão.

Jesus conhecia o passado daqueles que O buscavam, favorecendo-os de acordo com o merecimento de cada um. Outrossim, doando misericórdia de acréscimo, mediante a qual os beneficiados poderiam conquistar valores para o futuro, repartindo os bens de alegria, estrada afora, em festa de corações renovados.


Colocando-se o cristão novo, às disposição do bem, pode e deve "impor as mãos" nos companheiros desfalecidos na luta, nos que tombaram, nos que se encontram aturdidos por obsessões tenazes ou desalinhados mentalmente...

Ampliando o campo de terapia espiritual, podemos aplicar sobre a água os fluidos curadores que revitalizarão os campos vibratórios desajustados naqueles que a sorverem, confiantes e resolutos à ação salutar da própria transformação interior.

Tal concurso, propiciado pela caridade fraternal, não só beneficia os padecentes em provas e expiações redentoras, como ajuda àqueles que se aprestam ao labor, em razão destes filtrarem as energias benéficas que promanam da Espiritualidade através dos mentores desencarnados e que são canalizadas na direção daqueles necessitados.

É compreensível que se não devam aguardar resultados imediatos, nem efeitos retumbantes, considerando-se a distância de evolução que medeia entre nós e o Senhor, máxime na luta de ascensão e reparação dos erros conforme nos encontramos.

Ninguém se prenda, nesse ministério, a fórmulas sacramentais ou a formas estereotipadas, que distraem a mente que se deve fixar no objetivo do bem e não na maneira de expressá-lo.

Toda técnica é valiosa, quando a essência superior é preservada. Assim, se distende o passe socorrista com atitude mental enobrecida, procurando amparar o irmão agoniado que te pede socorro.

Não procures motivos para escusar-te.
Abre-te ao amor e o amor te atenderá, embora reconheças as próprias limitações e dificuldades, em cujo campo te movimentas.

Dentre muitos que buscavam Jesus, para o toque curador, destacamos a força de confiança expressa no apelo a que se refere Marcos, no capítulo cinco, versículo vinte e três do Evangelho: "E rogava-Lhe muito, dizendo: - Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponha as mãos para que sare e viva.

Faze, portanto, a "imposição das mãos", com o amor e a "fé que remove montanhas", em benefício do teu próximo, conforme gostarás que ele faça contigo, quando for a tua vez de necessidade.

Joanna de Ângelis
Psicografia Divaldo P. Franco

24 abril 2008

A Ponte - Joanna de Ângelis

A PONTE

Ei-los na retaguarda. Não puderam acompanhar o ritmo que a renovação impunha.

Enquanto os Sábios Mensageiros, à maneira de narradores de histórias, falavam das construções celestes, eles se detinham extasiados. Compraziam-se na expectativa de fáceis triunfos, antevendo-se coroados de êxitos nas lutas do caminho comum, sem qualquer esforço nobre.

Supunham que o Espiritismo fosse apenas uma Doutrina Consoladora, cujo mister se resumisse na coleta de náufragos morais e mendigos, para os alentar, enxugando-lhes as lágrimas sem qualquer compromisso de os estimular para o trabalho e o sacrifício.

Esqueceram-se de que a morte física não é o fim.

Olvidaram que além do sepulcro não há repouso nem paraíso, senão para quem converteu a própria paz em paz para os outros e dirigiu a felicidade pessoal para a felicidade de todos.

A morte não apresenta soluções definitivas para problemas que a reencarnação não solveu.

A Terra, por isso mesmo, é o grande campo de realizações, aguardando a dedicação dos lidadores da esperança, do bem e da verdade.

ninguém a deixará livremente, mantendo compromissos com a retaguarda.

Os que ficaram atrás, preferiram o céu fantasioso da ilusão.

Fizeram-se apologistas do heroísmo de mão beijada e pretendem a glória de um trabalho apanagiado por padrinhos terrenos, passageiros detentores do prestígio social e político.

Deixaram à margem os problemas gigantes que defrontarão mais tarde, complicados e insolváveis.

Tentaram o recuo à hora do avanço e se detiveram a distância.

Não os incrimines nem os lamentes.

São almas fracas, incapazes de uma resistência maior.

A vida, a grande mestra, com mãos de mãe devotada e gentil, conduzí-los-á de retorno à realidade, da qual ninguém foge impunemente.

Segue adiante, porém.

Esquece a fantasia das narrativas atraentes e enfrenta o campo que se desdobra convidativo.

Aqui, concede a benção de uma fonte e o deserto se converterá em jardim.

Ali, remove o charco, e o pântano se transformará em horta dadivosa.

Acolá, afasta as pedras, e a estrada surgirá oferecendo fácil acesso.

E faze o bem em toda a parte, com as mãos e o coração, orando e esclarecendo, a fim de que o trabalho da verdade fulgure em teus braços como estrelas luminescentes em forma de mãos.


E, ligado aos Espíritos da Luz, construirás, com o suor e o esforço incessante, enquanto na carne, a ponte sobre o abismo, pela qual atravessarás, em breve, formoso e deslumbrado, em busca dos amores felizes que te aguardam, jubilosos, “do outro lado”.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Página recebida pelo médium Divaldo P. Franco,
na noite de 21-6-61, em Salvador - Bahia

23 abril 2008

Obstinação Cristã - Joanna de Ângelis

OBSTINAÇÃO CRISTÃ

A tua obstinação pelo ideal do bem surpreende a muitos, que a consideram loucura.

Os amigos têm dificuldade de compreender-te, supondo ser o teu esforço uma busca sub-reptícia de promoção pessoal ou perseguição a interesses de procedência mundana.

Censuram-te a firmeza, que lhes parece fanatismo, e assacam calúnias contra ti esperando esmorecer-te o ânimo.

São também crentes nos postulados que te arrebatam, mas os têm como um suporte para determinadas ocasiões, um compromisso que, às vezes, se as circunstâncias são pouco favoráveis, pode ser postergado como secundário.

Não se interessam para que o próximo conheça o que a eles faz felizes, quiçá, porque ainda não se identificaram, realmente, com o conteúdo da fé.

Vivem no mundo, nos mesmos padrões profanos, distraídos, periodicamente chamados à razão pela dor, que olvidam logo passa o problema afligente.

São simpáticos quando necessitam e soberbos quando procurados.

Hábeis no falar e no agir, transitam livremente nas diversas áreas, nas quais se acomodam, sem definição.

Dizem-se liberais, tolerantes.

A fé, porém, é um compromisso para com a vida.

Muitos crentes, no entanto, vivem uma fé sem compromisso.

Como tens consciência de que ressurgirás do túmulo conforme és, acautela-te, desde já, mantendo coerência entre o que crês e o que fazes, o que pretendes e o que encontrarás.

A morte é uma desveladora de realidades, em cujo umbral se acabam as ilusões, ressurgindo a vida em plenitude.

Vive hoje, portanto, conforme anelas prosseguir depois.

A imprevidência gasta agora, para lamentar mais tarde, enquanto a sabedoria aplica hoje, para o rendimento no futuro.

Afatiga-te, sem queixas, na ação do bem, ao tempo em que outros se exaurem no transitório jogo da imediata satisfação.

Sempre te faz bem, o bem que fazes.

O que atiras fora te faltará, mas o que aplicas se multiplicará.

O cristão vale pelos investimentos de amor e abnegação de que se utiliza.

Como o tempo inevitavelmente passa, ele te coroará de paz ou arrependimento, de acordo com o uso que dele faças.

Torna-te, desse modo, um realizador incansável.

Quando procurado, ajuda, orienta, sem enfado, e, quando não sejas solicitado, esparze o esclarecimento como semeador que atira pólen e sementes por onde passa e onde se encontra, consciente dos resultados abençoados que advirão mais tarde.

Não te imponhas, porém, transpondo a linha do equilíbrio que estabelece o respeito às demais criaturas e suas crenças. Todavia, por motivo nenhum, se te faças omisso.

Canta com o verbo e o coração, a mente e a ação, o teu hino cristão de amor e luz, tornando-te ouvido, assim despertando os que jazem no letargo da acomodação ou anestesiados pelos vapores tóxicos da ignorância.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P. Franco
Livro Seara do Bem

22 abril 2008

Inteligência e Amor - Joanna de Ângelis

INTELIGÊNCIA E AMOR

Instrumentos de incrível precisão singram os espaços infinitos...

Técnicas avançadas são postas a serviço da inteligência para atenderem aos vôos da imaginação exaltada...

Cálculos incomparáveis ampliam os horizontes da Matemática a fim de atenderem às exigências da indagação hodierna.

E o homem, ávido de novos rumos, avança para fora da órbita do domicílio em que se encontra engastado, na Terra, procurando soluções que, no entanto, se encontram nele mesmo, se se dispuser a mergulhar nos labirintos da alma para decifrar os enigmas que o afligem.

Todavia, a inteligência, aplicada na elucidação dos inquietantes quesitos da vida, tem-se divorciado do sentimento para prejuízo do homem mesmo, que se atormenta, cada dia e a toda hora, vítima da própria irresponsabilidade.

É que a chama do intelecto não prescinde do óleo do coração, para arder com a potência necessária à produção de luz e calor, suficientes para manterem o lume de felicidade.

E quando aquele se desenvolve sem o combustível deste, incêndio voraz irrompe na máquina da ordem tudo devorando, tudo destruindo, ou, por falta dos elementos combustíveis, a paralisia tudo condena ao aniquilamento.

Por isso, se a Astronáutica intenta colocar o homem no satélite da Terra ou nos planetas vizinhos, projéteis balísticos são testados, diariamente, em franca ameaça à civilização que os fabrica.

Enquanto belonaves aéreas cruzam os espaços, encurtando as distâncias em nome do conforto e da pressa, radares ultra-sensíveis comandam teleguiados que podem destruí-los quando utilizados com outras finalidades.

Cidades flutuantes que competem em conforto e luxo com as grandes Metrópoles de terra, edificadas para o ócio e o gozo, cruzam os mares acondicionando prazer e fortuna; no entanto, sonares ativos favorecem torpedos que as desmoronam, tudo transformando em ferro retorcido e ruína que as águas sepultam...

... E a carreira armamentista se processa em termos indescritíveis...

Quando o coração se converte ao bem, a inteligência se desdobra em serviço nobre e enovador.

Há dois mil anos já, as mãos de Jesus, atendendo ao impositivo da sua mente excelsa, semeou as estrelas da caridade - filhas do amor - nos céus escuros das consciências, como um sol gentil a adornar de luz o firmamento...

É imperativo consorciar mente e sentimento nas esferas do trabalho, para que a vida se converta, no Orbe, em estância de harmonia e paz.

Para tanto se faz imprescindível que cada cristão atenda ao programa que lhe compete.

A sociedade tem início na família, e esta começa no indivíduo.

Se o cristão em atividade não dispõe de bastante serenidade para atender às questiúnculas que o surpreendem, com o tirocínio que dele se espera, não está preparado para participar da família ampliada...

Se ingere altas doses de cólera e verte volumosa quantidade de desacato, não pode contribuir para um mundo melhor, uma sociedade mais feliz.

Se reage ao invés de agir, é peça desajustada na máquina do progresso.

A mensagem cristã atualizada pelo Espiritismo é roteiro pacificador, diretriz equilibrante, via de segurança...

Imperiosa ordem, disciplina, obediência às instruções da Boa Nova para resultados salutares, eficientes.

Quem não se domina, é incapaz de dirigir...

Quem não sabe obedecer, não dispõe de valor para orientar...

Por essa razão é necessário harmonizar lucidez da mente com emoção sentimental, para o real equilíbrio.

A paz do mundo é serva da paz do lar, e esta é escrava da paz do homem...

A grande máquina depende de humildes parafusos ou pequeninos minérios que as ajustam.

Jesus, falando às multidões, utilizou-se das imagens humildes e conhecidas do povaréu; nas sinagogas selecionou expressões compatíveis com o conhecimento dos interlocutores que o inquiriram; diante, no entanto, da empáfia e parvolice, elegeu o silêncio e o trabalho como respostas serenas, inconfundíveis, amando, porém, indistintamente.

E o Espiritismo, que no-Lo traz de volta na atualidade, se fala a elevada linguagem da Filosofia e da Ciência, atendendo às imperiosas questões do momento, também repete a singela linguagem que é roteiro para todas as épocas:

"Fazei a outrem o que desejardes que outrem vos faça", exaltando o amor ao lado das conquistas valiosas da inteligência.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Livro:Dimensões da Verdade
Psicografia:Divaldo Franco

21 abril 2008

Mediunidade - Bezerra de Menezes

MEDIUNIDADE
Carta do espírito Bezerra de Menezes a uma Médium Espírita

Minha irmã, que a Paz do Senhor nos felicite os corações.

Mediunidade com Jesus é serviço aos semelhantes.

Desenvolver esse recurso é, sobretudo, aprender a servir.

Aqui, alguém fala em nome dos Espíritos desencarnados; ali, um companheiro aplica energias curadoras; além, um cooperador ensina o roteiro da verdade; acolá, outrem enxuga as lágrimas do próximo, semeando consolações. Contudo, é o mesmo poder que opera em todos. É a divina inspiração do Cristo, dinamizada através de mil modos diferentes por reerguer-nos da condição de inferioridade ou de sofrimento ao título de herdeiros do Eterno Pai.


E nessa movimentação bendita de socorro e esclarecimento, não se reclama o título convencional do mundo qualquer que seja, porque a mediunidade cristã, em si, não colide com nenhuma posição social. Constituindo fonte do Céu a derramar benefícios na Terra, por intermédio dos corações de boa vontade.

Em razão disso, antes de qualquer sondagem das forças psíquicas, no sentido de se lhes apreciar o desdobramento, vale mais a consagração do trabalhador à caridade legítima, em cujo exercício todas as realizações sublimes da alma podem ser encontradas.

Quem desejar a verdadeira felicidade, há de improvisar felicidade dos outros; quem procure a consolação, para encontrá-la, deverá reconfortar os mais desditosos da humana experiência.

Dar e receber.

Ajudar para ser amparado.

Esclarecer para conquistar a sabedoria e devotar-se ao bem do próximo para alcançar a divindade do amor.

Eis a lei que impera, igualmente, no campo mediúnico, sem cuja observação, o colaborador da Nova Revelação não atravessa os pórticos das rudimentares noções de vida eterna.

Espírito algum construíra a escada de ascensão sem atenção às determinações do auxílio mútuo.

Nesse terreno, portanto, há muito que fazer nos círculos da Doutrina Cristã rediviva, porque não basta ser médium para honrar-se alguém com as bênçãos da luz, tanto quanto não vale possuir uma charrua perfeita, sem a sua aplicação no esforço da sementeira.

A tarefa pede fortaleza no serviço, com ternura no sentimento.

Sem um raciocínio amadurecido para superar a desaprovação provisória da ignorância e da incompreensão e sem as fibras harmônicas do carinho fraterno para socorrê-las, com espírito de solidariedade real, é quase impraticável a jornada para a frente.

Os golpes da sombra martelam o trabalho iluminativo da mente por todos os flancos e imprescindível se torna ao instrumento humano das verdades divinas armar-se convenientemente na fé e na boa vontade incessante, a fim de satisfazer aos imperativos do ministério a que foi convocado.

Age, assim, com isenção de ânimo, sem desalento e sem inquietação, em teu apostolado de curar.

Estende as tuas mãos sobre os doentes que te busquem o concurso de irmã dos infortunados, convicta de que o Senhor é o Manancial de todas as bênçãos.

O lavrador semeia, mas é a bondade Divina que faz desabrochar a flor e preparar-se o fruto. É indispensável marchar de alma erguida para o Alto,vigiando, apesar das serpes e dos espinhos que povoam o chão.

Diversos amigos se revelam interessados em luta tarefa de fraternidade e luz e não seria justo que a hesitação te paralisasse os impulsos mais nobres, tão somente porque a opinião do mundo te não entende os propósitos, nem os objetivos da esfera espiritual, de maneira imediata.

Não importa que o templo seja humilde e que os mensageiros compareçam na túnica se extrema simplicidade.

O Mestre Divino ensinava a verdade à frente de um lago e costumava ministrar os dons celestiais sob um teto emprestado; além disso; encontrou os companheiros mais abnegados e fiéis entre pescadores anônimos, integrados na vida singela da natureza.

Não te apoquentes, minha irmã, e segue sem serenidade.

Claro está que ainda não temos seguidores leais do Senhor sem a cruz do sacrifício.

A mediunidade é um madeiro de espinhos dilacerantes, mas com o avanço da subida, calvário acima, os acúleos se transformaram em flores e os braços da cruz se convertem em asas de luz para a alma livre na eternidade.

Não desprezes a tua oportunidade de servir e prossegue de esperança robusta.

A carne é uma estrada breve.

Aproveitamo-la sempre que possível na sublime sementeira da caridade perfeita.

Em suma, ser médium no roteiro cristão é dar de si mesmo em nome do Mestre. E foi Ele que nos descerrou a realidade de que somente alcançam a vida verdadeira àqueles que sabem perder a existência em favor de todos os que se constituem seus tutelados e filhos de
Deus na Terra.

Segue, pois para diante, amando e servindo.

Não nos deve preocupar a ausência de alheia compreensão. Antes de cogitarmos do problema de sermos amados, busquemos amar, conforme o Amigo Celeste nos ensinou.

Que Ele nos proteja, nos fortifique e abençoe.

Pelo Espírito Bezerra de Menezes
Livro "Cartas do Coração"
Psicografia de Francisco C. Xavier

20 abril 2008

Mensagem do Livro : Apelos Cristãos - Bezerra de Menezes


I
Irmãos Devotados, amigos espirituais então cooperando na Vida Maior em benefício de nossa paz!

Confiemos nas Bênçãos Divina.

II
Prossigamos no caminho da elevação, buscando sempre a bênção e o amparo de Jesus. Os Benfeitores da Vida Maior cooperarão em favor de todos nós.

III
Amigos espirituais de sempre auxiliam-nos na manutenção das forças de nossa fé para o êxito nos testes de calma e serenidade, paciência e compreensão a que tenhamos sido chamados.

Com fé viva em Deus e em nós mesmos, sigamos adiante, hoje e sempre.

IV
Abençoemos e amemos sempre! Diversos Amigos do Plano Maior tem fortalecido as nossas energias para a superação das dificuldades no capitulo da compreensão integral da nossa necessidade de aceitação das experiências indispensáveis da vida.

Todos os nossos pensamentos de paz e esperança alcançam os entes queridos à distância, e estejamos na certeza de que não há semente de amor sem germinação no solo do tempo. Que o Senhor nos fortaleça e dirija.

V
Nossos irmãos em provação prosseguem com a assistência de vários amigos no estudo e na solução de vários problemas de suas lutas redentoras.

VI
Cada noite, consagremos um trecho do tempo às nossas preces particulares, sempre que possível à mesma hora, porquanto, assim, receberemos mais amplo auxílio espiritual à renovação das próprias forças.

O caminho é, por vezes, escuro e pedregoso, mas Jesus vence as trevas e os obstáculos, orientando-nos na jornada.

Guardemos os nossos sentimentos na confiança segura em Deus.

VII
Confiemos na bênção do Senhor que nos sustenta na travessia das provas necessárias.

Estamos, nós, os amigos do outro plano da Vida, a postos, e confiamos no amparo de Jesus, em benefício de todos.

Que o Senhor nos sustente e fortaleça!

VIII
Quando possível, simplifique as preocupações e ajude-se através da serenidade que lhe facultará a sustentação do refazimento físico.

Cada noite, faça o culto rápido da oração e medite os nossos princípios espíritas. Receberá nessas ocasiões a cooperação mais direta dos Benfeitores que lhe assistem os passos.

IX
Nossos queridos companheiros da esfera física prosseguem sob o amparo espiritual de que necessitam, dentro de todas as possibilidades espirituais de auxílio ao nosso alcance.

Do livro Apelos Cristãos.
Espírito Bezerra de Menezes.

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

19 abril 2008

Salvação - Momento Espírita

Salvação

A idéia de salvação há muito ocupa o pensamento da Humanidade.

Contudo, o conceito permanece indefinido.

Afinal, em que consiste exatamente a salvação?

Será um processo mágico que transmuda de repente um ser egoísta e falho em um anjo de amor e misericórdia?

Os homens sempre têm buscado gurus e salvadores.

Não no sentido de um mestre cujos exemplos devam ser imitados e os ensinamentos, seguidos.

Mas sim como alguém que faça o trabalho duro.

Há um certo gosto pelo maravilhoso, por soluções fáceis e rápidas.

Conforme algumas concepções, basta crer em um Ser Superior para ser salvo ou redimido.

Pela obra e graça de um terceiro, os problemas da criatura somem e ela se transporta a um mundo ideal.

Aí, então, tudo é descanso e ócio.

As fissuras morais desaparecem e não há mais dúvidas ou desafios.

A rigor, nem se tem mais o mesmo ser, mas outro totalmente diferente, sem qualquer vínculo com o primeiro.

Há quem confira a alguns ritos o poder de provocar essa surpreendente transformação.

Entretanto, no âmbito cristão, não é possível olvidar o princípio evangélico que diz:

A cada um segundo suas obras.

No livro O Consolador, o Espírito Emmanuel, mediante a psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, trata do tema.

Segundo ele, a salvação da alma deve ser entendida como auto-iluminação, a caminho das mais elevadas realizações.

Ou seja, o próprio ser se ilumina.

Não se trata de mero aproveitamento do esforço de terceiro.

Emmanuel afirma que o Evangelho é o roteiro para a ascensão de todos os Espíritos.

Da vivência do Evangelho decorre a luz espiritual.

Conclui-se que a salvação é o resultado de um trabalhoso processo de auto-iluminação.

O candidato deve esforçar-se em seguir os exemplos e os ensinamentos do Cristo.

Necessita abandonar tendências inferiores e vícios.

Romper com velhos hábitos e assumir o compromisso de ser melhor a cada dia.

Cessar com maledicência, pornografia, preguiça, desonestidade e tudo o mais que seja incompatível com o título de cristão.

A salvação é um compromisso que o homem assume com sua consciência.

É uma questão de maturidade, de assumir a responsabilidade pela própria existência imortal.

Não há milagres e nem solução fácil.

Um não faz o trabalho árduo pelo outro.

A redenção é o resultado de muito esforço e disciplina.

O ser surge redimido quando está pronto para a vivência da mais pura fraternidade.

Quando realmente internalizou a idéia de que deve tratar o próximo como gostaria de ser tratado.

Quando não mais se permite baixezas e deslealdades.

Quando a dor do próximo toca fundo em seu coração.

Ao redimir-se, o Espírito se liberta do mal.

Por entender as dificuldades alheias, perdoa com facilidade e não permite que o mal do mundo o contamine.

Por saber o quão difícil e trabalhoso é purificar-se, torna-se indulgente com as imperfeições alheias.

E faz todo o bem possível, pois sente intensa compaixão pelos semelhantes.

Tal estado d'alma liberta o Espírito dos círculos do sofrimento e o habilita a vivências sublimes em mundos depurados.

Esse é o significado da salvação.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base na questão 225,
do livro O consolador, do Espírito Emmanuel,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
www.momento.com.br

18 abril 2008

Em Honra do Ideal - Joanna de Ângelis

EM HONRA DO IDEAL

Estás convocado para a construção de um mundo melhor. Desse modo, penetrarás no mundo a que realmente aspiras.

Exulta, entusiasmado, e não te detenhas.
Afasta o verbo da crítica destruidora e defende a concha dos teus ouvidos contra as acusações injustas.

Não te deixes atingir pela perseguição gratuita. Só os desocupados dispõem de tempo para a inutilidade das defesas inoperantes.

Observa a vida dos heróis e dos desbravadores. Todos passaram incompreendidos e desrespeitados.

O riso de uns poucos arraigados ao ceticismo e a ignorância de muitos parvos explodiram muitas vezes, em gargalhadas com que procuravam humilhá-los.

A mordacidade, porém, foi vencida pelo vero ideal que eles defenderam e as gerações futuras o confirmaram.

Cinco séculos antes de Jesus Cristo, Aristarco de Samos, já pregava o Sistema Heliocêntrico. No entanto, não faz muito, Galileu foi constrangido a negar tal verdade.

Quando Eratóstenes, com instrumentos rudimentares e primitivos calculou a circunferência da Terra em 39.690 quilômetros, foi considerado louco. A Ciência contemporânea, dispondo dos mais perfeitos aparelhos, mediu essa mesma circunferência, que é de 40.075 quilômetros...

Hiparco afirma que o ano solar era de 365 dias e 1/4, menos 4 minutos e 48 segundos. Foi ridicularizado. Comprovou-se recentemente um engano... mas de apenas seis minutos.

Pregando a doutrina do amor universal, Jesus, a sós, foi crucificado e relegado ao escárnio dos séculos. Todavia, a Humanidade do futuro se encarregaria de recuperá-lo para a felicidade dos tempos.

Sai a campo. Respeita o tempo, usando-o com propriedade.
Valoriza as pequenas coisas positivas.
Desenvolve as qualidades de serviço pessoal.

E não estaciones ante o pessimismo dos derrotistas ou a falsa superioridade dos triunfadores da ilusão.

A tua fé te fala da excelência do dever cristão. Não podes temer.
Sempre surgirão acusadores pelo caminho e dificuldades repontarão freqüentes pela estrada.
Integra-te no objetivo a conquistar e não pares.
Vozes aparentemente credenciadas te acusarão.
Zombarão do teu caráter.
Zurzirão sobre a tua conduta.
Não lhes dês caso.

Embora adereçados e guardados em tecidos custosos, com tênue verniz social, são o que são.
Muitos cães usam coleiras preciosas engastadas de gemas caras, mas continuam cães.
Incitado, embora dormisse num palácio e comesse em salvas de prata, não foi além de cavalo.
Artifícios não modificam realidades.
Calçados de salto alto não adicionam altura real ao corpo reduzido.
Uma baia de cristal e ouro não altera a qualidade da ração para os animais.

Em razão disso, liga-te ao bem legítimo, mesmo que vertas lágrimas de
sangue...

Difunde a verdade, estimula a ordem, elabora o serviço nobre, conclama ao dever, desculpa a ignorância, ama sempre e insiste nos postulados do Cristianismo puro.

Há muito solo a desbravar e muito trabalho a desenvolver em favor do futuro.
Sorri e desculpa, fazendo o melhor dos teus melhores esforços, e prossegue sempre.

E se porventura não atingires o clímax dos teus desejos em forma de contemplação dos triunfos almejados, por tombares nas refregas rudes e necessárias, outros continuarão o teu trabalho, permitindo-te contemplar da Esfera Melhor, aureolado de bênçãos, as tarefas ontem interrompidas a se desdobrarem abençoadas por outros corações que seguem resolutos e gratos ao teu heroísmo anônimo.

De "Messe de Amor",
de Divaldo Pereira Franco,

pelo Espírito Joanna de Ângelis

17 abril 2008

Diante das Adversidades da Vida - Momento Espírita

Diante das Adversidades da Vida

Recuperar-se de um tombo não é uma tarefa das mais fáceis, devemos concordar.

Não são todos que conseguem colocar em prática o refrão popular: Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, criado na música de Paulo Vanzolini.

Muitas vezes, quando caímos, por qualquer motivo, como seja o fim de um relacionamento; a perda de um emprego; um acidente, ou até mesmo a pressão do dia a dia, tendemos a ficar estatelados no chão.

Como continuar? Como seguir adiante? Vale a pena todo esforço novamente?

Felizmente existem pessoas que conseguem contornar tudo isso com maior facilidade.

Mesmo quando tudo parece conspirar negativamente, elas vão em frente, com um sorriso no rosto e dispostas a enfrentar o que for preciso.

Intrigados em descobrir o que levava algumas pessoas a enfrentar tão bem esses contratempos da vida, especialistas em comportamento humano passaram a estudar os traços desses sobreviventes.

Os primeiros chegaram a concluir que se tratava de uma invulnerabilidade inata, algo como um verdadeiro dom com o qual as pessoas já nasciam.

Porém, parece que isso não respondia tudo, e há pouco mais de uma década começou-se a investigar o termo invulnerabilidade.

Este parecia sugerir que as pessoas seriam 100% imunes a qualquer tipo de adversidade – o que não seria a realidade.

Embora sejam pessoas que passem pelos problemas com maior facilidade, isso não quer dizer que saiam dessas experiências totalmente ilesas.

Os estudiosos passaram a buscar um termo mais adequado, e foi então que emprestaram uma terminologia da física: resiliência.

Resiliência é uma propriedade de alguns materiais, que mostra sua capacidade em retornar ao seu estado original, após sofrer grande pressão.

Assim seriam as pessoas com alto grau de resiliência: teriam capacidade de encarar as adversidades como oportunidade de mostrar e aprimorar sua competência, seu entusiasmo.

Tais pessoas encontram também soluções criativas e determinadas para se levantar do chão.

Neste instante você poderá estar imaginando qual o seu grau de resiliência, certo?

Cabe destacar aqui que ser resiliente não é ser indiferente, insensível.

Não se trata de sentir ou não sentir, mas sim de como atravessar as experiências.

Seria uma habilidade, que todos podemos adquirir, de suportar o sofrimento, extraindo dele tudo que tem para nos ensinar. Aí está a chave de tudo.

Léon Denis afirma com propriedade, que se, nas horas de provação, soubéssemos observar o trabalho interno, a ação misteriosa da dor em nós, compreenderíamos melhor sua obra sublime de educação e aperfeiçoamento.

* * *

A razão da dor humana procede da proteção divina.

Os povos são famílias de Deus que, à maneira de grandes rebanhos, são chamados ao aprisco do Alto.

A Terra é o caminho. A luta que ensina e edifica é a marcha.

O sofrimento é sempre o aguilhão que desperta as ovelhas distraídas à margem da senda verdadeira.

Redação do Momento Espírita com base em artigo publicado na revista Vida simples, de Janeiro de 2008; no cap. XXVI do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, ed. Feb e no cap. 31 do livro Jesus no lar, do Espírito Néio Lúcio, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.

www.momento.com.br

16 abril 2008

Liberdade e Evangelho - Vianna de Carvalho

LIBERDADE E EVANGELHO

Em nome da hegemonia política, Esparta esmagou Atenas, em guerras sangrentas, depois de vencer Tebas, Mantinéia, Megalópolis, senhoreando-se das demais ilhas gregas, plantando seus marcos de triunfo nas terras conquistadas.

Enquanto toda a Hélade chora a dor dos filhos, Esparta canta um hino de triunfo e liberdade nas ruas engalanadas.

Em regozijo à sua eleição como povo escolhido, Israel trucida os filisteus e todos os povos nômades de sua fronteira, em lutas lamentáveis e demoradas e, clamando por liberdade, insurge-se posteriormente contra o romano dominador que lhe arrebata o cetro.

E em todos os tempos, enquanto os dominadores exaltam a liberdade, os dominados clamam por ela.

Testemunhando seu amor a Jesus, Pedro, o Eremita, inicia a pregação das Cruzadas, na Europa, para libertar o túmulo vazio do Mestre, na Ásia, desencadeando a série de guerras desnecessárias que enlutaram tantas nações.

Foi igualmente em nome da liberdade que a França desencadeou a terrível hecatombe que ensangüentou a Europa no último quartel do século XVIII.

E até hoje o panorama continua o mesmo. A prepotência estabeleceu as diretrizes da dominação e, em nome dos direitos humanos, a força sobrepõe-se à fraqueza, na posição de protetora e - como não dizer? - também de algoz.

No Evangelho de Jesus, anunciado há vinte séculos, a liberdade atinge seu mais nobre lugar. Através da revolução pacífica da moral e dos costumes, o Cristo é o protótipo do homem livre.
Diante de Pilatos, escarnecido e humilhado, permanece digno e nobre. Atado ao poste do suplício, alça-se a Deus e comunga com Ele.

Pregado à cruz entre apupos e zombarias, mantém o padrão elevado da liberdade, perdoando aos próprios algozes.

Assinado, volta do túmulo em esplendorosa manhã, caminhando livremente ao lado dos companheiros atônitos e receosos.

O Evangelho é a grande lição de liberdade que o mundo conhece.
Durante dezesseis séculos fez-se dele peia e açoite, sem se conseguir destruí-lo, entretanto.

A História fala-nos de santos e mártires que experimentaram punições cruéis e atrozes suplícios, vivendo na liberdade gloriosa da fé cristã, embora presos e martirizados até a morte. É que o Mestre expressara, na sua eloqüência sábia, que liberdade é condição de alma isenta de paixões.

Por isso, alentou os discípulos, indagando: "Que medo podem fazer aqueles que matam apenas o corpo e nada podem fazer à alma?"
Liberdade não é, portanto, estado de movimentação para o corpo, mas condição de alma no corpo.
***
Acreditava-se, antes, que o Evangelho era uma cadeia a jungir o crente ao carro do dever, proibindo-o tudo, tudo condenando. Graças, porém, à Revelação Espírita, o Evangelho passa a ser encarado na sua legítima situação de dínamo poderoso, capaz de transformar homens tíbios em gigantes, dando energia para a vitória sobre todos os males. Porque o Evangelho é mensagem de luz e esclarecimento, e o homem, beneficiado pelo conhecimento evangélico, opera o auto-descobrimento que o felicita e liberta.

Evangelho - caminho da liberdade rumo à perfeição.
Liberdade - mensagem do Evangelho trazida por Jesus ao presídio humano.

Do livro "À Luz do Espiritismo",
de Divaldo P. Franco - Vianna de Carvalho

15 abril 2008

Misericórdia - Emmanuel

MISERICÓRDIA
  • Não aguardes a queda espetacular do próximo, nos despenhadeiros do crime ou do sofrimento, para exercer o dom da misericórdia que o Senhor cultivou em nossa fé. Mais vale o amparo previdente na preservação do equilíbrio, que o remédio de efeito problemático no reajuste.
  • Não desperdices teus minutos, na expectação inoperante, exclamando à frente dos problemas difíceis:
- Amanhã farei alguma coisa.
- Depois, tentarei realizar.
- Um dia chegará...
- Quando a oportunidade surgir...
  • Ataca, hoje mesmo, o serviço da fraternidade, para que a compaixão não seja em teu espírito um ornamento inútil.
  • Sê misericordioso para com os que te cercam.
  • Inicia a obra da benemerência, em tua própria casa, distribuindo algumas palavras de incentivo com quem te comunga o cálice de luta. Ajuda aos mentores de teu caminho com algum sorriso de compreensão, restaura a coragem na alma da esposa, restabelece o bom ânimo do companheiro, auxilia os irmãos, usando a chave milagrosa do carinho, e não te esqueças do apoio que os corações juvenis reclamam de tua boa vontade e de tua experiência que o Cristo enriqueceu. Há mil meios de praticar a misericórdia a cada dia.
  • Não olvides o silêncio para a calúnia, a bondade para com todos, a gentileza incessante, a frase amiga que reconforta, a roupa que se fez inútil para o corpo, suscetível de ser aproveitada pelo irmão mais necessitado, o pão dividido, a prece em comum, a conversação edificante, o gesto espontâneo de solidariedade... Ninguém é tão pobre que não possa dar alguma coisa aos semelhantes, e aquele que se compadece e ajuda cede ao próximo algo de si mesmo.
  • Não te detenhas, portanto.
  • Não admitas que a incerteza ou o temor de imobilizem o passo.
  • Vale-te das horas e auxilia sempre, sem ostentação de virtude, sem reclamação, sem alarde, e a vida entesourará as tuas migalhas de amor, delas formando a tua riqueza imperecível na bem-aventurança espiritual.
De "Instrumentos do Tempo",
de Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito Emmanuel

14 abril 2008

Vivendo em Plenitude - Momento Espírita

Vivendo em Plenitude

No dia que morre, enquanto o sol puxa a sua colcha de nuvens para se cobrir, aconchegando-se no poente, permita-se um tempo para refletir.

O que você fez hoje o deixou feliz?

Você pode ter acrescentado uma soma considerável ao seu saldo bancário, pode ter celebrado contratos importantes, que lhe garantam retorno financeiro por largo tempo.

Você pode ter recebido honrarias, prêmios por sua capacidade intelectual. Pode ter sido laureado pelo projeto bem sucedido.

Você pode ter dado muitos autógrafos no livro que acabou de lançar, ter recebido aplausos vibrantes e demorados pelo show musical em que se esmerou.

Sim, tudo isso são ganhos. E você deve estar feliz com o balanço que lhe dá conta de que a coluna positiva supera a negativa.

Mas, você está verdadeiramente feliz? Dentro de você, sente que utilizou o melhor possível esse dia que adormece, encobrindo-se nas dobras da noite?

Pense um pouco: além dos abraços dos que são pagos para servi-lo, acompanhá-lo;

dos que desejam posar para fotos ao seu lado, a fim de se verem projetados na escala social;

além dos que o buscam porque você goza de sucesso, alguém que o ama verdadeiramente o abraçou?

Isto é, depois de todo o trabalho, do gozo das glórias do Mundo, dos aplausos, quando as luzes do palco se apagam, deixando ar de solidão, o que tem você de verdadeiramente seu?

Você tem um lar para voltar? Alguém que o ame? Um filho que o espera para pular em seu pescoço e gritar: Papai!?

Você tem um esposo que a ama e espera que as horas seguintes possam ser somente de vocês dois?

Você tem pais idosos que lhe aguardam, ansiosos, a chegada em casa?

Você tem um animal doméstico para afagar?

Um cão que, desde a esquina, identifica o ruído do seu carro e o aguarda no portão?

Que pula, late, abana o rabo, demonstrando a sua alegria por ter você como seu dono?

E, mais importante do que isso: você usufrui integralmente cada uma dessas oportunidades?

Ou chega em casa, se joga no sofá, não quer falar com ninguém porque está cansado?

Não faça isso!

Aproveite a sua vida em totalidade. Ame, demonstre carinho, beije, diga como foi difícil ficar tantas horas longe do aconchego familiar.

Pergunte pelas crianças, sorria, jogue-se no chão e brinque com elas.

Esforce-se por entender o linguajar de seus filhos adolescentes, agradeça a mensagem que lhe mandaram para o celular, mesmo que você não tenha entendido tudo.

Dedique algum tempo a eles, pergunte daquelas abreviaturas que você não consegue identificar o que sejam, quando recebe os torpedos.

Saia com sua esposa para dançar. Ou coloque um CD com músicas românticas e dance, na sala de casa, de rosto colado.

Olhe para ela. Os anos passaram, vieram os filhos, mas ela continua bonita. Diga isso a ela, para que ela saiba. E retribua o elogio.

E, se você não tem pais, cônjuge, filhos, irmãos, se vive só, ainda assim curta o que tem.

Ouça música, leia um bom livro, assista um filme. Telefone para um amigo. Escreva a outro solitário.

Viva!

E, quando o sono for se aproximando, convidando-o ao repouso físico, não se entregue a ele, antes de orar a Deus, em gratidão pelas horas vividas.

Agradeça a sua vida. A maravilhosa vida que você tem.

Agradeça por sua capacidade de amar. E pelo amor que tem.

Redação do Momento Espírita
www.momento.com.br

13 abril 2008

Atitude Cristã - Momento Espírita

Atitude Cristã

A imensa maioria das pessoas sabe que Jesus sintetizou na prática do amor todos os deveres dos homens.

Ele afirmou que no amor a Deus e ao próximo estão contidas todas as Leis Divinas.

Assim, quem se afirma cristão, para ser coerente com sua fé, necessita amar a Deus e ao próximo.

Relativamente ao amor ao próximo, há um complicador, pois ele simboliza o conjunto das criaturas humanas.

Não se trata apenas da namorada, do irmão ou do amigo querido, mas de todo ser humano, incluindo os inimigos.

Mesmo os corruptos e os criminosos estão incluídos no conceito de próximo, de semelhante.

Surge então a dúvida: não é possível distinguir entre pessoas queridas e completamente desconhecidas?

Para cumprir a Lei de amor é necessário sentir carinho por quem rouba meu carro ou me machuca?

No âmbito da legislação humana, sabe-se que uma lei não pode impor deveres muito artificiais.

Se uma determinação for muito difícil de ser cumprida, nunca será eficaz.

Por exemplo, um limite de velocidade de 5 km por hora jamais será respeitado.

Esse limite é muito artificial e impossível de ser cumprido.

Não importa a sanção que se aplique, as pessoas o burlarão tanto quanto possível.

Certamente Deus não é menos sábio do que o legislador humano.

A amizade é uma questão de afinidade de almas, somente possível entre iguais.

O afeto costuma originar-se de similitude de valores e de gostos.

Não é possível gostar do mesmo modo de um amigo e de um cruel criminoso.

Então, amar, no contexto das Leis Divinas, não implica necessariamente sentir afeto e externar ternura.

Em relação a desconhecidos ou desafetos, o amor é principalmente uma questão de atitude, de respeito.

O cumprimento da lei de amor pressupõe que o homem se coloque mentalmente no lugar do próximo.

E imagine como gostaria de ser tratado, se estivesse no lugar dele.

Identificado esse desejo, ele deve agir desse modo.

Amar o próximo é tratá-lo como eu gostaria de ser tratado se fosse ele.

Como sempre quero o melhor para mim, tenho o dever de dar ao próximo o melhor tratamento possível.

Talvez eu ainda não consiga gostar dele.

Mas sempre devo tratá-lo com correção e generosidade.

Trata-se do amor como uma atitude.

Não é necessário ser santo para amar os inimigos e os malfeitores.

Basta ter o firme propósito de viver como cristão.

O amor é uma proposta de vida, um compromisso com a própria consciência.

No fundo é algo simples e com profundo potencial transformador da sociedade.

Se cada homem adotar o hábito de imaginar-se no lugar do outro antes de agir ou falar, certamente o padrão de relacionamento humano melhorará muito.

Não importa se o próximo é mesquinho, viciado ou corrupto.

Não se trata de gostar ou não, mas de agir corretamente.

Isso não implica um viver irreal, no qual não se tome cuidado com os indivíduos perigosos.

É preciso ser manso como as pombas e prudente como as serpentes, conforme o dizer de Jesus.

É necessário perceber o mal onde ele existe, para viabilizar a defesa.

Mas não valorizar o mal na pessoa do próximo e nem desprezá-lo por suas falhas.

Ajudá-lo a recuperar-se, sempre tendo em mente o próprio desejo de auxílio, caso o corrupto ou o viciado fosse eu.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita
www.momento.com.br

12 abril 2008

Fuga e Realidade - Joanna de Ângelis

FUGA E REALIDADE

Graças ao processo da individualização do ser, superando as etapas primárias, na fase animal, o predomínio do ego desempenhou papel de primordial importância, trabalhando-o para vencer o meio hostil e os demais espécimes, usando a inteligência e o raciocínio como forças que o tornavam superior, deixando os remanescentes da falsa condição de dominador do meio ambiente e de tudo quanto o cerca.

Como conseqüência, passou a acreditar que também poderia dominar o corpo, estabelecendo suas metas sem lembrar-se da transitoriedade e da fragilidade da maquinaria orgânica.

Impossibilitado de governá-lo, quanto gostaria, já que o organismo tem as suas próprias leis, que independem da consciência, como a respiração, a circulação, a digestão, a assimilação e outras, esses fenômenos ferem-lhe o egotismo e levam-no, não raro, a estados depressivos perturbadores.

A mente, encarregada de proceder ao comando, experimenta então um choque com os equipamentos que direciona, em razão de ser metafísica, enquanto esses são de estrutura física, portanto, ponderáveis.

Ante a impossibilidade de exercer o seu predomínio total sobre o corpo, o ego estabelece mecanismos patológicos inconscientes de depressão, desejando extinguir aquilo que o impede de governar soberano.

Trata-se de uma forma de autopunição, porquanto, dessa maneira, se realiza
interiormente. Como, porém, a mente não depende do corpo, quando esse sobrevive à patologia autodestrutiva, o ego esmaece e abrem-se perspectivas de ampliação dos sentimentos, como altruísmo, fraternidade, interesse pelos demais.

O egoísmo é invejoso, porque aspirando tudo para si, lamenta o prejuízo de não conseguir quanto gostaria de deter, e por isso, inveja o corpo que não se lhe submete, preferindo matá-lo, na insânia em que se debate.

Lutar pela sobrevivência é tarefa específica da mente, entre outras, com objetivo essencial de tudo empenhar por consegui-lo. Por isso, logra superar as injunções egoísticas e ampliar o sentido e o significado da vida.

O ser humano está fadado à glória solar, acima das vicissitudes, às quais se encontra submetido momentaneamente, como resultado do seu processo evolutivo, que o domina em couraças, de que se libertará, a pouco e pouco, utilizando-se dos recursos bioenergéticos e outros que as modernas ciências da alma lhe colocam ao alcance, ajudando-o no crescimento interior e na conquista do super-ego.

Do livro "Amor, Imbatível Amor",
de Divaldo P. Franco
Joanna de Ângelis

11 abril 2008

Observa o Hoje - Lancellin

OBSERVA O HOJE

Não te preocupes muito com o ontem, nem tampouco com o amanhã.
O que passou nos serve, de vez em quando, para uma avaliação dos nossos deveres nos certames futuros, sem que a nossa visão ou a nossa sensibilidade se atrofie em falsas apreensões.

Trabalha no hoje, analisa a tua própria personalidade e vê o que nela tens a consertar, na seqüência que as leis da serenidade nos ensinam, para que não haja violência em qualquer sentido.

Hoje é o campo, não só de observação, mas de execução, de aprimoramento das nossas qualidades e o engenho deste trabalho se manifesta pela nossa vontade.

Já que aceitamos o progresso e a evolução de tudo o que nos cerca, por que permanecermos estacionados em regime de conservação em relação à nossa moral?

Será que a razão não participa do homem quando se trata de regras de religião, regras essas que obedecem ao tempo e ao próprio empuxo do mesmo progresso?

As leis são as mesmas em todas as dimensões da vida. Elas acompanham a escala de aperfeiçoamento com perfeita justiça.

A imparcialidade é, pois, o maior sintoma da perfeição.

Não queiras viver o hoje obedecendo as regras humanas do ontem e não intentes colocar em teus passos as conjecturas de conceitos de um futuro distante.

Muitos entram em desequilíbrio por quererem viver o presente sob a influência do passado ou então passar os dias de hoje viajando em carros invisíveis do futuro.

Certamente que somos influenciados pela conduta que tivemos. No entanto, o agora serve para limparmos estas mazelas, sem lhes darmos maior atenção.

Com a modificação dos nossos sentimentos, identificamos os tempos do terceiro milênio que se aproxima como a era da renovação das criaturas que anseiam pela felicidade.

Estamos trabalhando em uma época para acordar os que dormem, ajudando-os a pensar e a falar, a conhecer a verdade, para que essa verdade os torne livres das pesadas algemas da incompreensão.

Estamos entrando na época de luz, onde nunca mais se poderá esconder a Sabedoria. Ela se apresenta por si mesma, sob a égide do Grande Mestre da fraternidade cósmica, com a mensagem do Amor para todas as criaturas.

Concentra-te no que deves fazer agora e faze-o bem, primeiramente a ti mesmo, sem que o egoísmo invada o teu coração.

Investe, com todas as tuas forças, para a conquista dos bens imperecíveis que devem ser entregues aos sentimentos, sem que o orgulho interrompa os teus esforços.

Depois de preparado para o grande empenho de servir, faze-o sem constrangimento em todos os lados em que fores convocado para ajudar.

Nesta hora, alimenta o desprendimento e evoca as forças do Amor, para que o Perdão entre em evidência, fazendo a transformação devida: morre o homem velho e nasce o novo homem, forjado pelos cromossomos divinos para o futuro.

Assim, estarás em condições de ajudar, por amor e sem exigência, as futuras gerações.

Faze alguma coisa, hoje mesmo, por ti próprio, sem pensar no que vais receber amanhã. A natureza cuida disso e te entregará tudo o que for teu, pela lei da justiça palpitante em todo o Universo, regendo a integração do espaço cósmico.

De "Cirurgia moral", de João Nunes Maia,
pelo espírito Lancellin

10 abril 2008

Refugia-te na Paz - Emmanuel

REFUGIA-TE EM PAZ

"Havia muitos que iam e vinham e não tinham tempo para comer." - (MARCOS, 6:31.)

O convite do Mestre, para que os discípulos procurem lugar à parte, a fim de repousarem a mente e o coração na prece, é cada vez mais oportuno.

Todas as estradas terrestres estão cheias dos que vão e vêm, atormentados pelos interesses imediatistas, sem encontrarem tempo para a recepção de alimento espiritual. Inúmeras pessoas atravessam a senda, famintas de ouro, e voltam carregadas de desilusões. Outras muitas correm às aventuras, sedentas de novidade emocional, e regressam com o tédio destruidor.

Nunca houve no mundo tantos templos de pedra, como agora, para as manifestações de religiosidade, e jamais apareceu tamanho volume de desencanto nas almas.

A legislação trabalhista vem reduzindo a atividade das mãos como nunca; no entanto, em tempo algum surgiram preocupações tão angustiosas como na atualidade.

As máquinas da civilização moderna limitaram espantosamente o esforço humano, todavia, as aflições culminam, presentemente, em guerras de arrasamento científico.

Avançou a técnica da produção econômica em todos os setores, selecionando o algodão e o trigo por intensificar-lhes as colheitas, mas, para os olhos que contemplam a paisagem mundial, jamais se verificou entre os encarnados tamanha escassez de pão e vestuário.

Aprimoraram-se as teorias sociais de solidariedade e nunca houve tamanha discórdia.

Como acontecia nos tempos da permanência de Jesus no apostolado, maioria dos homens permanece no vaivém dos caminhos, entre a procura desorientada e o achado falso, entre a mocidade leviana e a velhice desiludida, entre a saúde menosprezada e a moléstia sem proveito, entre a encarnação perdida e a desencarnação em desespero.

Ó meu amigo, se adotaste efetivamente o aprendizado com o Divino Mestre, retira-te a um lugar à parte, e cultiva os interesses de tua alma.

É possível que não encontres o jardim exterior que facilite a meditação, nem algum pedaço de natureza física onde repouses do cansaço material, todavia, penetra o santuário, dentro de ti mesmo.

Há muitos sentimentos que te animam há séculos, imitando, em teu íntimo, o fluxo e o refluxo da multidão.

Passam apressados de teu coração ao cérebro e voltam do cérebro ao coração, sempre os mesmos, incapacitados de acesso à luz espiritual.

São os princípios fantasistas de paz e justiça, de amor e felicidade que o plano da carne te impôs.

Em certas circunstâncias da experiência transitória, podem ser úteis, entretanto, não vivas exclusivamente ao lado deles. Exerceriam sobre ti o cativeiro infernal.

Refugia-te no templo à parte, dentro de tua alma, porque, somente aí encontrarás as verdadeiras noções da paz e da justiça, do amor e da felicidade reais, a que o Senhor te destinou.

De "Fonte Viva",
de Francisco Cândido Xavier,

pelo espírito Emmanuel

09 abril 2008

Doentes e Doenças - Irmão X

DOENTES E DOENÇAS

O respeito aos doentes é dever inatacável, mas vale descrever a ligeira experiência para a nossa própria orientação.

Penetráramos o nosocômio, acompanhando um assistente espiritual que ingressava no serviço pela primeira vez, e, por isso mesmo, era, ali, tão adventício em matéria de enfermagem, quanto eu próprio.

Atender a quatro irmãos encarnados sofredores, o nosso encargo inicial nas tarefas do magnetismo curativo. Designá-los-emos por números.

Em arejado aposento, abeiramo-nos deles, depois de curta oração.

O amigo de número um arfava em constrangedora dispnéia, suplicando em voz baixa:
- Valei-me, Senhor!... Ai Jesus!... Ai Jesus!... Socorrei-me! Ó Divino
Salvador!... Curai-me e já não desejarei no mundo outra coisa senão servir-vos!...

O segundo implorava, sob as dores abdominais em que se contorcia:
- Ó meu Deus, meu Deus!... Tende misericórdia de mim!... Concedei-me a saúde e procurarei exclusivamente a vossa vontade...

Aproximamo-nos do terceiro, que, mal agüentando tremenda cólica renal em recidiva, tartamudeava ao impacto de pesado suor:
- Piedade, Jesus!... Salvai-me!... Tenho mulher e quatro filhos... Salvai-me e prometo ser-vos fiel até a morte!...

Por fim, clamava o de número quatro, carregando severa crise de artrite reumatóide:
- Jesus! Jesus!... Ó Divino Médico!... Atendei-me!... Amparai-me!... Dai-me a saúde, Senhor, e dar-vos-ei a vida!...

Nosso orientador enterneceu-se. Comovia-nos, deveras, ouvir tão carinhosas referências a Deus e ao Cristo, tantos apelos com inflexão de confiança e ternura.

Sensibilizados, pusemo-nos em ação.
O chefe esmerou-se.
Exímio conhecedor de ondas e fluidos, consertou vísceras aqui, sanou disfunções ali, renovou células mais além e o resultado não se fez esperar.

Recuperação quase integral para todos. Entramos em prece, agradecendo ao Senhor a possibilidade de veicular-lhe as bênçãos.

No dia imediato, quando voltamos ao hospital, pela manhã, o quadro era diverso.
Melhorados com segurança, os doentes já nem se lembravam do nome de Jesus.

O enfermo de número um se reportava, exasperado, ao irmão que faltara ao compromisso de visitá-lo na véspera:
- Aquele malandro pagará!... Já estou suficientemente forte para desancá-lo... Não veio como prometeu, porque me deve dinheiro e naturalmente ficará satisfeito em saber-me esquecido e morto...

O segundo esbravejava:
- Ora essa!... porque me vieram perguntar se eu queria orações? Já estou farto de rezar... Quero alta hoje!... Hoje mesmo!... E se a situação em casa não estiver segundo penso, vai haver barulho grosso!

O terceiro reclamava:
- Quem falou aqui em religião? Não quero saber disso... Chamem o médico...
E gritando para a enfermeira que assomara à porta:
- Moça, se minha mulher telefonar, diga que sarei e que não estou...

O doente de número quatro vociferava para a jovem que trouxera o lanche matinal:
Saia de minha frente com seu café requentado, antes que eu lhe dê com este bule na cara!...

Atônitos, diante da mudança havida, recorremos à prece, e o supervisor espiritual da instituição veio até nós, diligenciando consolar-nos e socorrer-nos.

Após ouvir a exposição do mentor que se responsabilizara pelas bênçãos recebidas, esclareceu, bem humorado:
- Sim, vocês cometeram pequeno engano. Nossos irmãos ainda não se acham habilitados para o retorno à saúde, com o êxito desejável. Imprescindível baixar a taxa das melhoras efetuadas...

E, sem qualquer delonga, o superior podou energias aqui, diminuiu recursos ali, interferiu em determinados centros orgânicos mais além, e, com grande surpresa para o nosso grupo socorrista, os irmãos enfermos, com ligeiras alterações para a melhoria, foram restituídos ao estado anterior, para que não lhes viesse a ocorrer coisa pior.

De "Estante da vida", de Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito Irmão X

08 abril 2008

Integra-te no Todo - Huberto Rohden

INTEGRA-TE NO TODO

Há em toda pessoa o irresistível desejo ou instinto de ser "importante" - e isto não é sintoma mórbido, porquanto cada pessoa é imensamente importante, segundo os planos do Criador.

Cada personalidade é única, original, inédita - nunca existiu ser igual nem jamais virá a existir um ser igual a este Ego, que sou eu, que és tu, que é ele, ela...

O erro não está no desejo de ser "importante" - o erro está no modo como muitas pessoas procuram ser importantes.

Há três possibilidades de ser importante:
- pelo isolamento;
- pela oposição;
- pela integração.
O Eu sem nós é apatia.
O Eu contra o Nós é antipatia.
O Eu com o Nós é simpatia.

Só no terceiro caso é que surge verdadeira grandeza, importância e felicidade - mas é tão difícil compreender tamanha verdade.

Há em toda pessoa um anseio latente, potencial, de se integrar num Todo maior do que o indivíduo, um Todo que dê ao indivíduo a sua última razão-de-ser, o sentido real da sua existência e atividade.

Sexo e amor, a necessidade de estima e reconhecimento, a ânsia de glória e poder, o impulso de adquirir valores materiais, intelectuais, espirituais - tudo isto são outras tantas expressões parciais, mais ou menos inconscientes, desse profundo e vasto substrato do nosso Eu, que sente obscuramente a sua parcialidade a bradar pela totalidade.

É também esta a razão porque "o amor é o vínculo da perfeição", porque amor diz integração, universalidade, totalidade - ao passo que desamor ou egoísmo é visceralmente contrário a tudo isto.

Sendo que Deus é a Totalidade Absoluta, tanto mais divino é um homem quanto mais alto o seu grau de totalidade e universalidade, isto é, de amor.

Não incluir, ou até excluir do seu amor um único ser, é falta de totalidade e universalidade, falta de "divindade".

Felicidade, beatitude e profunda e sólida só é encontrada nesse caminho de integração da parte no todo, do indivíduo no Universal, do relativo no Absoluto, da criatura no Criador.

É esta a voz do Cosmos, e felicidade não é senão sintonização do pequeno indivíduo com o grande Todo.

"Ser igual a Deus" é a linguagem bíblica para exprimir esse anseio de todos os seres. "Como o veado anseia pelas torrentes de água, assim anseia minha alma por ti, Senhor"...

Sendo que em Deus tudo está, dele tudo vem, é lógico que a ele tudo volte.
É o eterno e universal teo-tropismo dos efeitos pela Causa.

A princípio, parece ao inexperiente, ao semi-experiente, que essa integração seja uma renúncia à liberdade - e de fato, o principiante anseia por essa integração no Todo a fim de se sentir seguro: sacrifica a liberdade pela segurança, como ele diz; prefere sentir-se seguro sem liberdade a ser livre sem segurança.

Mais tarde, porém, o iniciando ou iniciado descobre que liberdade não é contrária à segurança, mas que a única segurança real e indestrutível está na liberdade - naturalmente, numa liberdade incomparavelmente mais elevada do que aquela que ele conhecia a princípio.

O verdadeiro místico é um homem seguramente livre e livremente seguro, porque totalmente integrado no Todo.

E, como liberdade e segurança é felicidade, esse homem nunca mais poderá apostatar dessa vasta integração, que é a Vida Eterna e a Eterna Felicidade...

De "Imperativos da vida", de Huberto Rohden