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30 setembro 2007

Enquanto Brilham as Estrelas - Alexandre Aksakof

Enquanto Brilham as Estrelas

A reencarnação é bênção do Senhor aos seus tutelados, como oportunidade sublime para o progresso do Espírito.

Chamados ao serviço de evangelização das massas, quando a Voz portentosa do Mestre conclama ainda: - "Ide e prega!"; beneficiados pelas luzes do Consolador que redime e ampara, os veros discípulos do Cristianismo Redivivo lutam por oferecer-se em holocausto de amor por sua própria redenção e evolução de seus irmãos.

As claridades sempiternas que descem sobre a carne, alentando os homens no carreiro difícil das provas, erguem-no também para as Plagas da Verdade, onde será ouvida a Voz do Alto, ensinando o roteiro dos tesouros imperecíveis para as pátrias do Infinito.

Reencarnação com sofrimentos, lutas, renúncias é sinônimo perfeito de elevação espiritual, fazendo crescer a alma para o nosso Criador e Pai, na conquista dos tesouros imperecíveis.

Convocados às lides evangélico-doutrinárias, os tutelados de Ismael, investidos na Terra de novas obrigações e responsabilidades, desvelam-se por levar avante o programa redentor.

Quantos passaram pelo Santuário de Luz deixaram sua marca mantida para sempre nos arquivos espirituais.

Quantos doaram de si mesmos no cumprimento de deveres santos e não desprezaram a oportunidade sagrada permanecem em atividade no Plano Maior, na tarefa de assistência fraterna de orientação e amparo invulgar aos colaboradores que ficaram.

Alijados da carne densa, justapõem-se ao Grupo, irmanados no elevado ideal da Casa - "Deus, Cristo, Caridade" -, cujo significado envolto em eternos resplendores, um dia, será conhecido da Humanidade.

Enquanto brilham as estrelas à Luz divina, em benefício dos que se consagram ao labor de levantar no orbe terrestre o estandarte da redenção, mister se torna que aqueles que se integraram nas fileiras mais altas conservem em seus corações a fé e a confiança plena nos destinos desta Casa, desta Pátria, desta Terra, deste Orbe.

Convida-os o Senhor, num toque de amor suave e luminoso, ao congraçamento fraterno.

Brilham as estrelas na Casa de Ismael, iluminando o Brasil com a luz do Cristo de Deus.

Brilham os tarefeiros da Alta Cúpula, irradiando coragem, paz e amor.

Brilhará para sempre, em eternos resplendores, o lema: "Deus, Cristo, Caridade".

Assim compreendendo, façamos brilhar a nossa luz na consagração do divino serviço.

Ditado por Alexandre Aksakof
Mensagem recebida no “Grupo Ismael”, na Federação Espírita Brasileira,
no Rio de Janeiro-RJ, na noite de 3 de agosto de 1978.
REFORMADOR, JANEIRO, 1980
Transcrição de Mônica V. T. Trajano

29 setembro 2007

Balizas Delimitadoras - Joanna de Ângelis

BALIZAS DELIMITADORAS

Quando a amizade unir as criaturas com desinteresse, as paixões desgastantes cederão lugar ao júbilo espontâneo.

Quando a solidariedade mantiver os homens, sinceramente, interessados no bem, a guerra abandonará os povos e a paz dominará os corações.

Quando o amor lubrificar os sentimentos humanos, o ódio deixará de ser ferrugem destruidora nas engrenagens da vida.

Quando a caridade tomar sobre os ombros as dores dos indivíduos, então se estabelecerá, na Terra, "o reino de Deus".

Quando os seres sencientes se derem conta que, somente através da própria transformação moral para melhor, a existência física tem sentido, desaparecerão a loucura e o suicídio dos quadros sociais e morais do planeta.

O homem tem como destinação evolutiva uma libertação das sombras teimosas que lhe impedem a clara visão do processo santificante.

A aquisição da consciência faculta-lhe compreender os valores que escravizam e aqueloutros que emulam à felicidade.

Diante dos conflitos decorrentes, com sabedoria ele elege os fatores positivos e entrega-se a incorporá-los a sua vivência, desse modo avançando sem tropeço para lograr o objetivo à frente.

Enquanto esta decisão não seja tomada, os altibaixos emocionais constituem-lhe a áspera prova, que terá de vencer mediante a dedicação integral.

Indecisão é fraqueza moral a soldo da irresponsabilidade.

Definir rumo, vencer distância, avançar com estoicismo, eis as formas de adquirir os títulos de enobrecimento, para cuja finalidade se encontra o homem reencarnado no planeta.

"Granjeia amigos com as riquezas da injustiça" - propôs Jesus.

Sê companheiro do necessitado que renteia contigo, repartindo com ele pão, paz e iluminação.

Ama, indiscriminadamente, irradiando este nobre sentimento que concede elevação ao ser.

Torna-te as mãos da caridade em ação e estarás contribuindo para o mundo melhor de amanhã, cujas balizas devem ser colocadas desde hoje, na condição de marcos delimitadores do que eras ontem, do que és hoje e do que serás amanhã.

Ditado por Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P. Franco
Livro: Momentos de Felicidade

28 setembro 2007

Prosseguindo na Luta - Bezerra de Menezes

PROSSEGUINDO NA LUTA

Filhos da alma:

Que o Senhor nos abençoe!

A criatura terrestre destes dias, guindada pela ciência e pela tecnologia a patamares elevados do conhecimento, ainda estorcega nas aflições do seu processo evolutivo.

As comunidades relevantes logradas até este momento não conseguiram equacionar o problema da criatura em si mesma.

Avolumam-se os conflitos entre as nações apesar do esforço do abnegados missionários na área política e de diplomacia internacionais. Cresce o conflito entre grupos sociais, nada obstante o empenho de dedicados seareiros do Bem, tornando-se pontes para o entendimento entre grupos litigantes.

O espectro da fome vigia as nações tecnológica e economicamente menos aquinhoadas, ameaçando de extermínio larga fatia da população terrestre, não se considerando os milhões de indivíduos que, sobrevivendo à calamidade, permanecerão com seqüelas inamovíveis.

A violência urbana, por todos conhecida, atinge níveis do sacrifício dos legisladores abençoados pelo Mundo Espiritual Superior, cada dia faz-se mais agressiva hedionda, sem arrolarmos os prejuízos dos fatores pretéritos que q desencadearam através dos impositivos restritivos à liberdade individual e das massas.

Não podemos negar que este é o grande momento de transição do Mundo de Provas e de Expiações para o mundo de regeneração.

Trava-se em todos os segmentos da sociedade, nos mais diferenciados níveis do comportamento físico, mental e emocional, a grande batalha.

O espiritismo veio para estes momentos, oferecendo os nobres instrumentos de amor, da concórdia, do perdão, da compaixão.

Iluminou o conhecimento terrestre, com as diretrizes próprias para o encaminhamento seguro na direção da verdade.

Ensejou à filosofia uma visão mais equânime e otimista a respeito da vida na Terra.

Facultou a religião o desalgemar das criaturas humanas, arrebentando os elos rigorosos dos seus dogmas e da sua intolerância, a fim de que viceje a fraternidade que deve viger entre as criaturas.

Cabe a todos nós, aos espíritas encarnados e aos Espíritos - espíritas, a tarefa de ampliar as balizas do Reino de Deus entre as criaturas da Terra.

Divulgar o Espiritismo por todos meios e modos dignos ao alcance, é tarefa prioritária.

A dor é colossal neste momento no mundo terrestre... E o Consolador distende-lhe as mãos generosas para enxugar as lágrimas e os suores de todos aqueles que sofrem, mas sobretudo, para eliminar as causas do sofrimento, erradicando-as pos definitivo...E essa tarefa cabe á educação. Criando nas mentes novas o pensamento perfeitamente consentâneo com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus - Cristo, retirando as anfractuosidades teológicas e dogmáticas com que o revestiram, produzindo arestas lamentáveis geradoras de atritos e de perturbações.

Não é possível mais postergar o momento da iluminação da consciência. E o sofrimento que decorre da abnegação e do sacrifício que nos deve constituir estímulos são os meios únicos e eficazes para que seja demonstrada a excelência dos paradigmas e dos postulados da Codificação Espírita.

As criaturas humanas estão decepcionadas com as propostas feitas pelo utopismo que governa algumas mentes desavisadas. Mulheres e homens honestos encontram-se sem rumo, cansados de palavras ardentes e propostas entusiastas, mas vazia de conteúdo e de significação.

O Espiritismo, meus filhos, é a resposta do Céu aos apelos mudos ou não formulados mentalmente sequer, de todas as criaturas terrestres.

Estais honrados com a benção do conhecimento libertador. Estais investidos da tarefa de ressuscitar a palavra da Boa Nova, amortalhada pela indiferença ou sob o utilitarismo apressado dos que exploram as massas inconscientes, conduzindo-as para o seu sítio de exploração e de ignorância.

Vós recebestes o chamado do Senhor para preparar a terra, a fim de que a inseminação da verdade faça-se de imediato.

Unidos, amando-vos uns aos outros, mesmo quando discrepando em determinadas colocações de como fazer ou como realizar, levai adiante o propósito de servir ao mestre antes que o interesse de cada qual servir-se a si mesmo.

Já não há tempo para adiarmos a proposta de renovação do planeta.

Conhecendo as vossas dificuldades pessoais, sabemos das vossas lutas íntimas e identificamos os desafios que se vos apresentam amiúde, testando-vos as resistências morais.

Não desfaleçais! Os homens e as mulheres, a serviço do bem com Jesus, são assuas cartas vivas à Humanidade, a fim de que todas as criaturas leiam nas suas condutas o conteúdo restaurado do Evangelho, as colocações seguras dos Imortais e catalogadas pelo insigne mensageiro Allan Kardec.

Uma nova mentalidade, uma mentalidade nova vem surgindo nos arraiais do Movimento Espírita. Cada lutador compreende a necessidade de mais integrar-se na atividade doutrinária, a fim de que, com mais rapidez se processe a Era de Renovação Social e Moral preconizada pelo preclaro mestre de Lyon.

Não nos faltam instrumentos próprios para o êxito, a fim de que areis as terras do coração humano, para que desbraveis as províncias das almas terrestres, porfiando nessa ação, sem temerdes, sem deterdes o passo e sem retrocederdes.

Estais acompanhando Jesus que, à frente, continua dizendo: “Vinde pois a mim, vós todos que estais cansados e aflitos, conduzindo o vosso fardo e sob as vossas aflições, comigo esse fardo é leve e essas aflições são consoladas, porque eu vos ofereço a vida plena de paz e felicidade.”

Avancemos pois, filhos da alma!

Corações em festa, embora as lágrimas nos olhos; passo firme, inobstante os joelhos desconjuntados, Espírito, não obstante o peso das necessidades.

O Senhor, que nos ama, é nossa força e garantia de êxito.

Nunca vos faltarão os recursos próprios, que vindes recebendo e que recebereis até o final e depois da jornada cumprida, para que desempenheis a missão que vos diz respeito hoje e quando a tivestes em épocas passadas e falhastes...

Já não há tempo para enganos.

A decisão tomada precede a ação da vitória, e com o amor no sentimento, o conhecimento na mente, tereis a sabedoria de permanecer fiéis até o fim.

Que o Senhor de Benções vos abençoe, amados filhos da alma.

São os votos dos vossos amigos espirituais que aqui estão convosco e do servidor humilíssimo e paternal de Bezerra

Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da Reunião do Conselho Federativo Nacional, em 21 de novembro de 2004, na Federação Espírita Brasileira, em Brasília, DF

27 setembro 2007

A Morte Não Existe - Léon Denis

A MORTE NÃO EXISTE

A morte é uma simples mudança de estado, a destruição de uma forma frágil que já não proporciona à vida as condições necessárias ao seu funcionamento e à sua evolução. Para além da campa, abre-se uma nova fase de existência. O Espírito, debaixo da sua forma fluídica, imponderável, prepara-se para novas reencarnações; acha no seu estado mental os frutos da existência que findou.

Por toda parte se encontra a vida. A Natureza inteira mostra-nos, no seu maravilhoso panorama, a renovação perpétua de todas as coisas. Em parte alguma há a morte, como, em geral, é considerada entre nós; em parte alguma há o aniquilamento; nenhum ente pode perecer no seu princípio de vida, na sua unidade consciente. O Universo transborda de vida física e psíquica. Por toda parte o imenso formigar dos seres, a elaboração de almas que, quando escapam às demoradas e obscuras preparações da matéria, é para prosseguirem, nas etapas da luz, a sua ascensão magnífica.

A vida do homem é como o Sol das regiões polares durante o estio. Desce devagar, baixa, vai enfraquecendo, parece desaparecer um instante por baixo do horizonte. É o fim, na aparência; mas, logo depois, torna a elevar-se, para novamente descrever a sua órbita imensa no céu.

A morte é apenas um eclipse momentâneo na grande revolução das nossas existências; mas, basta esse instante para revelar-nos o sentido grave e profundo da vida. A própria morte pode ter também a sua nobreza, a sua grandeza. Não devemos temê-la, mas, antes, nos esforçar por embelezá-la, preparando-se cada um constantemente para ela, pela pesquisa e conquista da beleza moral, a beleza do Espírito que molda o corpo e o orna com um reflexo augusto na hora das separações supremas. A maneira por que cada qual sabe morrer é já, por si mesma, uma indicação do que para cada um de nós será a vida do Espaço.

Há como uma luz fria e pura em redor da almofada de certos leitos de morte. Rostos, até aí insignificantes, parecem aureolados por claridades do Além. Um silêncio imponente faz-se em volta daqueles que deixaram a Terra. Os vivos, testemunhas da morte, sentem grandes e austeros pensamentos desprenderem-se do fundo banal das suas impressões habituais, dando alguma beleza à sua vida interior. O ódio e as más paixões não resistem a esse espetáculo. Ante o corpo de um inimigo, abranda toda a animosidade, esvai-se todo o desejo de vingança. Junto de um esquife, o perdão parece mais fácil, mais imperioso o dever.

Toda morte é um parto, um renascimento; é a manifestação de uma vida até aí latente em nós, vida invisível da Terra, que vai reunir-se à vida invisível do Espaço. Depois de certo tempo de perturbação, tornamos a encontrar-nos, além do túmulo, na plenitude das nossas faculdades e da nossa consciência, junto dos seres amados que compartilharam as horas tristes ou alegres da nossa existência terrestre. A tumba apenas encerra pó. Elevemos mais alto os nossos pensamentos e as nossas recordações, se quisermos achar de novo o rastro das almas que nos foram caras.

Não peçais às pedras do sepulcro o segredo da vida. Os ossos e as cinzas que lá jazem nada são, ficai sabendo. As almas que os animaram deixaram esses lugares, revivem em formas mais sutis, mais apuradas. Do seio do invisível, onde lhes chegam as vossas orações e as comovem, elas vos seguem com a vista, vos respondem e vos sorriem. A Revelação Espírita ensinar-vos-á a comunicar com elas, a unir os vossos sentimentos num mesmo amor, numa esperança inefável.

Muitas vezes, os seres que chorais e que ides procurar no cemitério estão ao vosso lado. Vêm velar por vós aqueles que foram o amparo da vossa juventude, que vos embalaram nos braços, os amigos, companheiros das vossas alegrias e das vossas dores, bem como todas as formas, todos os meigos fantasmas dos seres que encontrastes no vosso caminho, os quais participaram da vossa existência e levaram consigo alguma coisa de vós mesmos, da vossa alma e do vosso coração. Ao redor de vós flutua a multidão dos homens que se sumiram na morte, multidão confusa, que revive, vos chama e mostra o caminho que tendes de percorrer.

Ó morte, ó serena majestade! Tu, de quem fazem um espantalho, és para o pensador simplesmente um momento de descanso, a transição entre dois atos do destino, dos quais um acaba e o outro se prepara. Quando a minha pobre alma, errante há tantos séculos através dos mundos, depois de muitas lutas, vicissitudes e decepções, depois de muitas ilusões desfeitas e esperanças adiadas, for repousar de novo no teu seio, será com alegria que saudará a aurora da vida fluídica; será com ebriedade que se elevará do pó terrestre, através dos espaços insondáveis, em direção àqueles a quem estremeceu neste mundo e que a esperam.

Para a maior parte dos homens, a morte continua a ser o grande mistério, o sombrio problema que ninguém ousa olhar de frente. Para nós, ela é a hora bendita em que o corpo cansado volve à grande Natureza para deixar à Psique, sua prisioneira, livre passagem para a Pátria Eterna.

Essa pátria é a Imensidade radiosa, cheia de sóis e de esferas. Junto deles, como há de parecer raquítica a nossa pobre Terra” O Infinito envolve-a por todos os lados. O infinito na extensão e o infinito na duração, eis o que se nos depara, quer se trate da alma, quer se trate do Universo.

Assim como cada uma das nossas existências tem o seu termo e há de desaparecer, para dar lugar a outra vida, assim também cada um dos mundos semeados no Espaço tem de morrer, para dar lugar a outros mundos mais perfeitos.

Dia virá em que a vida humana se extinguirá no Globo esfriado. A Terra, vasta necrópole, rolará, soturna, na amplidão silenciosa.

Hão de elevar-se ruínas imponentes nos lugares onde existiram Roma, Paris, Constantinopla, cadáveres de capitais, últimos vestígios das raças extintas, livros gigantescos de pedra que nenhum olhar carnal voltará a ler. Mas, a Humanidade terá desaparecido da Terra somente para prosseguir, em esferas mais bem dotadas, a carreira de sua ascensão. A vaga do progresso terá impelido todas as almas terrestres para planetas mais bem preparados para a vida. É provável que civilizações prodigiosas floresçam a esse tempo em Saturno e Júpiter; ali se hão de expandir humanidades renascidas numa glória incomparável. Lá é o lugar futuro dos seres humanos, o seu novo campo de ação, os sítios abençoados onde lhes será dado continuarem a amar e trabalhar para o seu aperfeiçoamento.

No meio dos seus trabalhos, a triste lembrança da Terra virá talvez perseguir ainda esses Espíritos; mas, das alturas atingidas, a memória das dores sofridas, das provas suportadas, será apenas um estimulante para se elevarem a maiores alturas.

Em vão a evocação do passado, lhes fará surgir à vista os espectros de carne, os tristes despojos que jazem nas sepulturas terrestres. A voz da sabedoria dir-lhes-á: “Que importa as sombras que se foram! Nada perece. Todo ser se transforma e se esclarece sobre os degraus que conduzem de esfera em esfera, de sol em sol, até Deus”. Espírito imorredouro, lembra-te disto: “A morte não existe”.

Autoria: Léon Denis
Livro: O Problema do Ser, do Destino e da Dor

26 setembro 2007

No Burilamento Íntimo - Emmanuel

No Burilamento Íntimo

Suspiramos por burilamento pessoal; entretanto, para atingi-lo, urge não esquecer as disciplinas que lhe antecedem a formação.

À vista disso, recordemos que a essência da educação reside nas diretrizes de vida superior que adotamos para nós mesmos. Daí, o impositivo de cultivar-se o hábito:

De ser fiel ao desempenho dos próprios deveres;

de fazer o melhor que pudermos, no setor de ação em que a vida nos situe;

de auxiliar a outrem, sem expectativa de recompensa;

de aperfeiçoar as palavras que nos escapem da boca;

de desculpar incondicionalmente quaisquer ofensas;

de buscar a ''boa parte'' das situações e das pessoas, olvidando tudo o que tome a feição de calamidade ou de sombra;

de procurar o bem com a disposição de realizá-lo;

de nunca desesperar;

de que os outros, sejam quais forem, são nossos irmãos e filhos de Deus, constituindo conosco a família da Humanidade.

Para isso, é forçoso lembrar, sobretudo, que a alavanca da sustentação dos hábitos enobrecedores está em nós e somente vale se manejada por nós.

Ditado por Emmanuel
No livro 'Ceifa de Luz'

Psicografia de Francisco Cândido Xavier

25 setembro 2007

Melindre ou Agressividade - Momento Espírita

MELINDRE OU AGRESSIVIDADE?

Melindre tem várias definições. Pode ser definido como amabilidade, delicadeza no trato, recato, pudor.

No entanto, é quase certo que ao ser utilizado pelas pessoas, o conceito que expressa é de facilidade de se magoar, de se ofender, suscetibilidade.

Nesse sentido, tem sido comum a sua invocação, nas relações humanas. As menores atitudes de um funcionário, de um amigo recebem a adjetivação imediata.

Por isso, amizades se diluem, desentendimentos acontecem, duplicando mágoas de um e de outro lado.

Nas várias facetas do trabalho voluntário, melindre tem sido utilizado para justificar defecções, traições, desajustes e quebra moral de contratos de voluntariado.

Que ele existe, é verdade. Mas que as pessoas se dão, por vezes, um valor maior do que verdadeiramente possuem e aguardam tratamento especial, também é verdade.

No entanto, um outro lado da questão se apresenta e tem sido esquecido, quase sempre.

Se melindre é a manifestação do orgulho ferido, não menos verdade que medra, entre as criaturas, muita falta de tato, delicadeza e gentileza.

Em nome de uma falsa caridade, de expressar a verdade, amigos e companheiros de trabalho se permitem lançar ao rosto do outro tudo que pensam.

E não medem palavras nas suas expressões. É como se tomassem de pedras e as jogassem, sem piedade.

E o que esperam é que o outro aceite tudo. Quando o agredido se insurge, quando toma uma atitude, quando fala de respeito, é tomado como aquele que se melindra.

Contudo, em nenhum momento o agressor, aquele que foi indelicado e feroz, se desculpa. Não, ele está certo. O outro é que é portador de muito orgulho.

Nesse diapasão, vidas honradas de trabalho têm sido literalmente jogadas no lixo. Servidores de anos têm tido seus esforços depreciados, como se fossem coisa alguma.

E o que critica maldosamente, o que aponta os erros mínimos é o herói, a pessoa correta.

Refaçamos os passos enquanto é tempo. Antes de destruirmos valores afetivos preciosos. Antes de atacarmos instituições centenárias com folha irrepreensível de dedicação e serviço à comunidade.

Examinemos quantas vezes a culpa nos compete. Quantas vezes teremos sido nós os provocadores do afastamento de pessoas de nosso convívio.

Ou da instituição a que prestamos serviço. Da nossa família, da nossa esfera de amizades.

Recordamos que, certa vez, em reunião de trabalho, um voluntário interrompeu de forma agressiva a fala do coordenador.

Reclamou e reclamou, ferindo e humilhando-o frente aos demais.

O ferido se calou, dolorido. Depois de alguns dias, procurou o agressor em particular. A sós com ele, expressou a sua mágoa, com o sincero objetivo de modificar a emoção ferida e apaziguar seu mundo íntimo.

O interlocutor, em vez de reconhecer a indelicadeza, reverteu a situação e deu o diagnóstico impiedoso: não houvera agressão de sua parte. O outro é que se melindrara.

Pensemos nisso. Será que a constatação quase diária de melindre nos outros não se tornou uma válvula de escape para nós?

Uma desculpa para a nossa rispidez cotidiana, o nosso relaxamento no trato com o semelhante?

***

Quem se melindra, deve trabalhar para se tornar menos suscetível.

Mas quem provoca o melindre não pode se esquecer da lei de caridade, da afabilidade e da doçura preconizados por Jesus: Bem-aventurados os mansos e pacíficos.

Redação do Momento Espírita com base em fato narrado no artigo O problema do melindre, de André Marcílio Carvalho de Azevedo, da Revista Presença Espírita nº 261, ed. Leal.

24 setembro 2007

Sinal de Perigo - André Luiz

SINAL DE PERIGO

Habitue-se a considerar o ressentimento por sinal de perigo que se deve claramente evitar.

  • Se a razão para queixa é algum problema doméstico, anote em silêncio a maneira pela qual poderá você cooperar, na rearmonização do grupo familiar e auxilie para que o ponto nevrálgico seja extinto.
  • Ante uma criatura de quem recebeu ou esteja recebendo ofensa ou dificuldade, medite no valor de que essa mesma pessoa se reveste para os outros e esqueça qualquer motivo de mágoa que lhe tenha chegado ao coração.
  • Nos desajustes de opinião ou comportamento, admita nos outros a mesma liberdade de pensar que a vida lhe implantou na cabeça.
  • Aquilo que muitas vezes tomamos por indiferença ou desconsideração naqueles que nos cercam é cansaço ou doença neles e não hostilidade contra nós.
  • Fracassos, de qualquer modo, são sempre convites a que partamos para tarefas novas e melhores, compelindo-nos a sair da insegurança.
  • Dedicações incompreendidas são cursos de burilamento íntimo em que podemos aprender a amar sem o culto do egoísmo no qual "sermos amados" costuma ser a nossa preocupação.
  • Perdoe quaisquer golpes com que a vida lhe esteja ministrando aulas de experiência e recorde que você está no rio de bênçãos em que Deus lhe situou a bênção da vida.
  • O trabalho, especialmente quando se expresse no serviço aos outros, é o preservativo que nunca falha contra qualquer perigo no campo do espírito.
Ressentimento é sempre indução à enfermidade e desequilíbrio; diante de problemas e obstáculos com que sejamos defrontados, nos caminhos do tempo, recorramos à prece e a oração nos renovará por dentro, transfigurando a sombra em presença de luz.

Ditado por André Luiz
Livro: Respostas da Vida, 39,
Psiografia de Franciso Cândido Xavier
IDEAL

23 setembro 2007

Decálogo para Estudos Evangélicos - AndréLuiz

DECÁLOGO PARA ESTUDOS EVANGÉLICOS

1. Peça a inspiração divina e escolha o tema evangélico destinado aos estudos e comentários da noite.
A prece de abertura pode ser espontânea ou seja, uma emissão breve e sincera de palavras nascidas do coração e do entendimento, e que vão servir de indicador ao Plano Espiritual das necessidades pessoais ou gerais, naquele momento. A partir da prece inicial e averiguados os pensamentos e disposições dos componentes do evangelho, será selecionado um tema específico pela Espiritualidade, para ser lido pela pessoa encarregada, e após comentado por todos.
Se houver a preferência por uma prece pronta, como o "Pai Nosso", por exemplo, não há inconveniente nenhum, bastando que cada palavra seja verdadeiramente pensada e sentida, em sua essência, qual diálogo real com Deus.

2. Não fuja ao espírito do texto lido.
Às vezes o tema escolhido parece não vir de encontro ao que se esperava... Por exemplo: alguém no grupo, ou a própria pessoa que promove o evangelho, está passando por aflições no campo afetivo e o tema recai sobre bens materiais, ou vice-versa. Há um certo desapontamento e a sensação de que o canal de comunicação com o Plano Espiritual está bloqueado, ou que o problema não está recebendo a devida consideração... No entanto, é importante que o tema escolhido pelos benfeitores espirituais seja debatido com todo o entusiasmo e concentração possíveis, na certeza de que o problema que se esperava ver solucionado será avaliada com muito carinho pelos mentores do grupo no momento oportuno.

3. Fale com naturalidade.

Não há a menor necessidade de se alterar o modo de falar ou de se expressar, simplesmente porque o momento é solene. Adotar atitudes estranhas ou empolar o linguajar podem causar impressão contrária à desejada. Por exemplo, se você habitualmente se refere a si mesmo como "eu", ou seja, na primeira pessoa do singular, não passe, de repente, a se referir a si como "nós". Espontaneidade, eis a palavra-chave de uma reunião de estudos agradável e produtiva. O momento exige respeito, educação e sobriedade... mas não máscaras. Seja sempre você mesmo e incentive o grupo a conservar a autenticidade, igualmente.

4. Não critique, a fim de que a sua palavra possa construir para o bem.
É quase impossível, nos dias atuais, não criticar-se algo. Critica-se o governo, os políticos, o sistema financeiro, a polícia, os esportistas, a mídia, as pessoas, o tempo... Sempre existe algo ou alguém em especial que está fazendo alguma que nos desagrada imensamente. No entanto, surge o evangelho em nossa vida justamente para que encontremos um entendimento maior para com o mundo em que vivemos, que conquistemos paciência, tolerância, compreensão, amor e misericórdia para com tudo e com todos...
Quando criticamos, expondo o mal de outrem, estamos na verdade perdendo tempo precioso que poderia ser empregado na busca de valores morais mais elevados e mais justos em nosso próprio benefício, de vez que também somos passíveis de errar neste ou naquele setor da vida.
Jesus salientava sempre que não se encontrava entre os homens para julgar, mas sim para salvar... E salvar significa não ignorar o problema, mas sim anotar-lhe o teor e buscar uma solução digna à sua erradicação.
Portanto, natural que se exponha algo que julguemos errado - sempre de acordo com o texto selecionado -, mas é importante que se busque soluções individuais para o problema, visto que mundo melhora sempre quando nós nos tornamos melhores.

5. Não pronuncie palavras reprováveis ou inoportunas, suscetíveis de criar imagens mentais de tristeza, ironia, revolta ou desconfiança.
Espiritismo é a doutrina da fé raciocinada e nela não cabem palavras quais sorte, azar, desgraça, acaso, pecado, culpa, castigo e etc.
Comentários sobre tragédias, crimes e catástrofes também devem ser evitados, por desnecessários ao momento.
Somos todos viajores no vale da experiência humana e quanto mais esclarecidos quanto aos enigmas existenciais, menos devemos valorizar-lhe os mecanismos inferiores de ação.
Importante também salientar que, havendo jovens à mesa, a linguagem deverá ser leve e compreensível, porém jamais mesclada com as gírias e os palavrões tão em voga e utilizados com desenvoltura pela sociedade atual.
É perfeitamente possível estar-se de acordo com a época sem contudo sorver-lhe as inclinações e os vícios.
Outro motivo para acautelar-se contra palavras ou conceitos reprováveis ou inoportunos, será a lembrança de que, provavelmente, se encontrarão no ambiente espíritos desencarnados trazidos pelos Espíritos Benfeitores, e que nem sempre estarão, em relação a nós, em posição de entendimento e harmonia, paz ou boa vontade.

6. Não faça leitura, em voz alta, além de cinco minutos, para não cansar os ouvintes.
Nem sempre aquilo que nos toca o coração, toca o coração do nosso próximo... Por isso, não é necessário que se leia o texto escolhido na íntegra, visto serem alguns deles, quais os encontrados nos livros da Codificação, bastante longos e por isso mesmo cansativos para uma reunião singela de estudos. Basta ler-se a introdução e depois fazer-se um breve resumo do assunto, passando-se em seguida à explanação.

7. Converse ajudando aos companheiros, usando caridade e compreensão.
Um diálogo sereno, assentado sobre legítima orientação cristã, pode produzir resultados surpreendentes visto que se estará sendo conduzido pela Espiritualidade presente e que, conhecendo as dificuldades e os questionamentos íntimos de cada um, buscará ministrar, através dos próprios participantes, as respostas adequadas.

8. Não faça comparações, a fim de que seu verbo não venha ferir alguém.

Comparações serão sempre desnecessárias, notadamente no ambiente doméstico. Recordemo-nos sempre de que cada pessoa é alguém com atitudes e reações absolutamente singulares, e portanto sempre diferenciadas, mesmo no seio de família homogênea.
Converse esclarecendo e auxiliando, referindo-se a cada um com o apreço merecido.

9. Guarde tolerância e ponderação.

Em reuniões de estudo evangélico, e não obstante a elevação do momento, podem surgir palavras ou colocações impróprias, por parte de algum dos participantes.
Importante que se guarde tolerância e ponderação nesta hora, porque a tolerância adoça o coração e a ponderação suaviza o verbo.
Toda contenda deve ser evitada para que o choque de opiniões não desestabilize a reunião que deve sempre ser produtiva, em todos os sentidos.

10. Não retenha indefinidamente a palavra; outros companheiros precisam falar na sementeira do Bem.
Grande alegria se apossa de nossa alma quando, em clima de harmonia e elevação, nos sentimos em contato com os nossos amigos do Mais Alto... Sentimo-nos capazes de falar horas incontáveis, tamanha a torrente de idéias luminosas que nos invadem o entendimento.
Porém, para quem ouve, esses momentos podem se transformar em desconforto imenso se o palestrante se alonga em excesso, esquecendo-se de dar a palavra aos demais.
Importante que se transforme a reunião, sempre, em verdadeiro diálogo fraterno, na certeza de que somos todos portadores de informes proveitosos ao ambiente que nos acolhe.

Mensagem recebida por Chico Xavier em 21 de março de 1952,
no Centro Espírita Luiz Gonzaga, Pedro Leopoldo, MG.
Comentários ditados por André Luiz em reunião do IDEAL André,
Curitiba, PR.,
e recebidos por Lori Marli dos Santos,em 07 de julho de 2002.

22 setembro 2007

Testamento Natural - André Luiz

TESTAMENTO NATURAL

Por muito aspire o homem ao isolamento pertencerá ela à coletividade que lhe plasmou o berço, da qual recebe influência e sobre a qual exerce influência a seu modo.

Alguém pode, sem dúvida, retirar-se da atividade cotidiana com o pretexto de garantir-se contra os erros do mundo, mas enquanto respira no mundo, ainda que não o deseje, prossegue consumindo os recursos dele para viver.

Qualquer pessoa, dessa forma, deixa ao desencarnar, a herança que lhe é própria.

No que se refere às posses materiais, há no mundo testamentos privados, públicos, conjuntivos, nuncupativos, entretanto, as leis divinas escrituram igualmente aqueles de que as leis humanas não cogitam, os testamentos naturais que o espírito reencarnado lega aos seus contemporâneos através dos exemplos.

Aliás, é preciso recordar que não se sabe, a rigor, de nenhum testamento dos miliardários do passado que ficasse no respeito e na memória do povo, enquanto que determinados gestos de criaturas desconsideradas em seu tempo são religiosamente guardados na lembrança comum.

Apesar do caráter semilendário que lhes marcam as personalidades, vale anotar que ninguém sabe para onde teriam ido os tesouros de Creso, o rei, ao passo que as fábulas de Esopo, o escravo, são relidas até hoje, com encantamento e interesse, quase trinta séculos depois de ideadas.

A terra que mudou de dono várias vezes não é conhecida pelos inventários que lhe assinalaram a partilha e sim pelas searas que produz.

Ninguém pode esquecer, notadamente o espírita, que, pela morte do corpo, toda criatura deixa a herança do que fez na coletividade em que viveu, herança que, em algumas circunstâncias, se expressa por amargas obsessões e débitos constringentes para o futuro.

Viva cada uma, de tal maneira que os dias porvindouros lhe bendigam a passagem. Queira ou não queira, cada criatura reencarnada, nasceu entre dois corações que se encontram por sua vez ligados à certa família - família que é célula da comunidade. Cada um de nós responde, mecanicamente, pelo que fez à Humanidade na pessoa dos outros.

Melhoremos tudo aquilo que possamos melhorar em nós e fora de nós. Nosso testamento fica sempre, e sempre que o mal lhe orienta os caracteres é imperioso recomeçar o trabalho a fim de corrigi-lo.

Ninguém procure sonegar a realidade, dizendo que os homens são como as areias da praia, uniformes e impessoais, agitados pelo vento do destino.

A comunidade existe sempre e a pessoa humana é uma consciência atuante dentro dela. Até Jesus obedeceu a semelhante dispositivo da vida. Espírito identificado com o Universo, quando no mundo, nasceu na Palestina e na Palestina teve a pátria de onde nos legou o Evangelho por Testamento Divino.

Ditado por André Luiz
Do livro "Opinião Espírita", 49
Psicografado por Francisco Cândido Xavier/Waldo Vieira

21 setembro 2007

Hábito Nocivo - Momento Espírita

O HÁBITO NOCIVO

Hábito é o que incorporamos ao nosso dia a dia. É nossa maneira usual de ser. É o que realizamos de forma mecânica.

Atitudes que assumimos e realizamos, sem nos darmos conta.

Vejamos: quantas vezes já nos aconteceu de chegar em casa e colocar as chaves sobre algum lugar?

Tão mecanicamente é executada a ação que, ao precisar das chaves, algum tempo depois, não conseguimos recordar onde as deixamos.

Saímos de casa, apagamos as luzes, passamos a chave na porta. Depois de andarmos algumas quadras, nos questionamos se fechamos ou não a casa.

E precisamos retornar para ter a certeza, a fim de que não permaneçamos o restante do dia em desassossego.

Muitas outras coisas fazemos de forma automática.

Tomamos café, regamos as plantas, alimentamos o gato, sem pensar.

Ao lado dessas questões, outros hábitos temos não muito saudáveis. E, por incorporados à nossa forma de ser, não nos apercebemos o quão danosos são.

É comum se observar, antes de uma palestra ou conferência, um grande burburinho pelo salão.

Natural, num primeiro momento, pelo reencontro com amigos, cumprimentos, saudações, sorrisos, torna-se desagradável quando uma música se faz presente, e não modificamos nossa postura.

Alguém toca ao piano delicada melodia, ou dedilha um violão, ou canta e nós prosseguimos a falar, como se nada estivesse acontecendo.

A impressão que se têm é que chegamos ao local programados para ouvir a palestra. E tudo o mais que antes aconteça, não tomamos conhecimento, não registramos.

Mau hábito, que caracteriza, inclusive, grande indelicadeza de nossa parte, desde que o artista que vai se apresentar naquele momento, merece, ao menos, que permaneçamos em silêncio, para ouvir a sua arte.

E não menos grave é quando, concluída a palestra que nos propusemos ouvir, de imediato, nos erguemos e saímos com ruído.

Não aguardamos a real conclusão do evento para um lembrete final que se fará, um agradecimento ao orador, uma advertência útil.

E o mesmo se repete nos cinemas quando, acabado o filme, nos erguemos e vamos saindo, esquecidos de que muitos apreciam ver todos os créditos.

O que não lhes é permitido porque em nos levantando, obstruímos a sua visão da tela.

É essa mesma atitude que nos permite observar a miséria perambulando pelas ruas, sem que nos atinja. Habituamo-nos de tal sorte às cenas que nos tornamos insensíveis.

Habituamo-nos a ver a corrupção triunfar, que já não desejamos fazer coisa alguma para a debelar.

Hábitos... Hábito de ver a mentira adquirir forma, volume e não emitirmos movimento algum no sentido de esclarecer a verdade, de defender o caluniado.

Hábito de receber a bênção da chuva, os raios do sol, as carícias do vento, sem nenhuma gratidão. Como se o Universo inteiro nos devesse o favor de servir.

Hábito de não ouvir quem nos fala da sua dor, da sua dificuldade. Hábito de não pensar senão em si mesmo.

É hora de parar para pensar e buscar refazer atitudes.

Reflitamos que o bom da vida é viver. E para viver intensamente é preciso se sentir tudo que se faz, tudo que nos chega.

É preciso olhar em torno, estar presente, agir, tomar atitudes pensadas, atentas.

Desta forma, alteremos o rumo.

Aprendamos a observar o dia, a olhar as pessoas nos olhos, a perceber o que acontece ao nosso redor.

Moldemos hábitos de gentileza, de delicadeza, de gratidão.

Vivamos mais conscientes. Aprendamos a sentir prazer nas pequenas coisas como andar, correr, comer, molhar-se na chuva ou aquecer-se ao sol.

Aprendamos a olhar para as estrelas, a nos extasiar com a noite enluarada, a vibrar com a música, o perfume, as pessoas.

Abandonemos hábitos nocivos e nos tornemos mais felizes, desde agora.

Redação do Momento Espírita
Site: www.momento.com.br

19 setembro 2007

Alienação Mental - Emmanuel

ALIENAÇÃO MENTAL

Enquanto o vício se nos reflete no corpo, os abusos da consciência se nos estampam na alma, segundo a modalidade de nossos desregramentos.

É assim que atravessam as cinzas da morte, em perigoso desequilíbrio da mente, quantos se consagraram no mundo à crueldade e à injustiça, furtando a segurança e a felicidade dos outros.

Fazedores de guerra que depravaram a confiança do povo com peçonhento apetite de sangue e ouro, legisladores despóticos que perverteram a autoridade, magnatas do comércio que segregaram o pão, agravando a penúria do próximo, profissionais do direito que buscaram torturar a verdade em proveito do crime, expoentes da usura que trancafiaram a riqueza coletiva necessária ao progresso, artistas que venderam a sensibilidade e a cultura, degradando os sentimentos da multidão, e homens e mulheres que trocaram o templo do lar pelas aventuras da deserção, acabando no suicídio ou na delinqüência, encarceram-se nos vórtices da loucura, penetrando, depois, na vida espiritual como fantasmas de arrependimento e remorso, arrastando consigo as telas horripilantes da culpa em que se lhes agregam os pensamentos.

E a única terapêutica de semelhantes doentes é a volta aos berços de sombra em que, através da reencarnação redentora, ressurgem no vaso físico — cela preciosa de tratamento —, na condição de crianças-problemas em dolorosas perturbações.

Todos vós, desse modo, que recebestes no lar anjos tristes, no eclipse da razão, conchegai-os com paciência e ternura, porquanto são, quase sempre, laços enfermos de nosso próprio passado, inteligências que decerto auxiliamos irrefletidamente a perder e que, hoje, retornam à concha de nossos braços, esmolando entendimento e carinho, para que se refaçam, na clausura da inibição e da idiotia, para a bênção da liberdade e para a glória da luz.

Ditado por Emmanuel
Livro: Religião dos Espíritos, 5,
Psicografia de Francisco Cândido Xavier, FEB
Reunião pública de 23/1/59
Questão nº 373

18 setembro 2007

Não Há Maior Abismo que o Silêncio - Momento Espírita

NÃO HÁ MAIOR ABISMO QUE O SILÊNCIO

Entre pais e filhos não há maior abismo que o silêncio.

O silêncio da indiferença, do esquecimento, da mágoa...

Silêncios que tem início na infância, talvez até antes do nascimento, quando os pais não consideram que ali, no ventre da mãe, já existe um ser.

Embora aquele novo corpo físico ainda esteja em elaboração, ligado a ele, desde a concepção, já está o Espírito reencarnante.

Assim, toda vida psíquica e comportamental da mãe, e também do pai, terá muita influência sobre o feto.

A alma que regressa não está consciente, mas sente se é querida ou não, se há equilíbrio no lar ou não, se realmente terá um “lar” ou não...

Desta forma, é importante conversar, desde esses primeiros momentos, com o bebê que irá nascer.

Dizer a ele que é amado; que os pais irão preparar um lar onde reinará o carinho, a compreensão; que estão cientes da missão que estão recebendo e vão se esforçar para serem bem sucedidos.

Os carinhos na barriga, os beijos suaves, as canções de ninar jamais serão esquecidos pelo Espírito, que cada dia se sentirá mais seguro em voltar ao palco terrestre.

Os estímulos que podemos produzir por vezes são tão fortes, que presenciaremos vários casos em que há resposta.

O bebê se mexe, chuta, dá cambalhotas, como se quisesse dizer alguma coisa.

Estudos mostram que, depois de nascida, a criança reconhece sons, música e vozes ouvidos no período da gestação.

Assim, podemos entender que no útero materno não há silêncio, há vida.

Vida que começou na concepção, e talvez até antes, se considerarmos o planejamento reencarnatório, o encontro com os futuros pais no mundo espiritual, os planos, os sonhos...

Não há espaço para o silêncio na família.

O hábito do diálogo, o hábito de se envolver com a vida do outro, da empatia, começa na gestação.

Os pais podem iniciar o processo educacional do seu filho ainda no ventre, de modo desajustado ou feliz, pelos tipos e vida íntima que escolham.

Pelos hábitos sociais e alimentares que adotem, enfim, pelas descargas de vida ou de morte que façam incidir sobre o seu filhinho.

Conscientes da missão grandiosa que estão recebendo do Criador, os bons pais aproveitarão o período da gestação para darem boas-vindas ao Espírito que volta.

Sendo um amor do passado, um opositor ou mesmo um estranho naquele núcleo, merece receber os cuidados necessários para que tenha em sua nova vida, todos os recursos para crescer.

Em sua bagagem vem muitos planos, muitas dificuldades, mas certamente a vontade de vencer, de acertar e de amar.

Procura amigos que o acolham, que o apóiem em seu novo tentame, e que estejam sempre presentes em sua vida.

É isso que nos faz filhos e depois pais, que nos une em família, e que propicia que aprendamos a amar, primeiro poucos, para depois amarmos toda a Humanidade.

No amor, não há lugar para o silêncio...

* * *

“Bons pais conversam. Pais brilhantes dialogam.”

O eminente estudioso Augusto Cury, em uma de suas mais conhecidas obras, afirma que “entre conversar e dialogar há um grande vale.”

“Conversar é falar sobre o mundo que nos cerca, dialogar é falar sobre o mundo que somos.”

Outro especialista na área, Gardner, explica:

“Dialogar é contar experiências, é segredar o que está oculto no coração, é penetrar além da cortina dos comportamentos, é desenvolver inteligência interpessoal.”

Redação do Momento Espírita
com citações do

Livro: Pais Brilhantes, Professores Fascinantes,
Autoria:Augusto Cury, ed. Sextante, 2003.

17 setembro 2007

Carma - André Luiz

CARMA

O «carma», expressão vulgarizada entre os hindus, que em sânscrito quer dizer «ação», a rigor, designa «causa e efeito», de vez que toda ação ou movimento deriva de causa ou impulsos anteriores.

Para nós expressará a conta de cada um, englobando os créditos e os débitos que, em particular, nos digam respeito. Por isso mesmo, há conta dessa natureza, não apenas catalogando e definindo individualidades, mas também povos e raças, estados e instituições.

Para melhor entender o “carma” ou «conta do destino criada por nós mesmos», convém lembrar que o Governo da Vida possui igualmente o seu sistema de contabilidade, a se lhe expressar no mecanismo de justiça inalienável.

Se no circulo das atividades terrenas qualquer organização precisa estabelecer um regime de contas para basear as tarefas que lhe falem à responsabilidade, a Casa de Deus, que é todo o Universo, não viveria igualmente sem ordem.

A administração Divina, por isso mesmo, dispõe de sábios departamentos para relacionar, conservar, comandar e engrandecer a Vida Cósmica, tudo pautando sob a magnanimidade do mais amplo amor e da mais criteriosa justiça.

Nas sublimadas regiõescelestes de cada orbe entregue à inteligência e à razão, ao trabalho e ao progresso dos filhos de Deus, fulguram os gênios angélicos, encarregados do rendimento e da beleza, do aprimoramento e da ascensão da Obra Excelsa, com ministérios apropriados à concessão de empréstimos e moratórias créditos especiais e recursos extraordinários a todos os Espíritos encarnados ou desencarnados, que os mereçam, em função dos serviços referentes ao Bem Eterno e, nas regiões atormentadas como esta, varridas por ciclones de dor regenerativa, temos os poderes competentes para promover a cobrança e a fiscalização, o reajustamento e a recuperação de quantos se fazem devedores complicados ante a Divina Justiça, poderes que têm a função de purificar os caminhos evolutivos e circunscrever as manifestações do mal.

As religiões na Terra, por esse motivo, procederam acertadamente, localizando o Céu nas esferas superiores e situando o Inferno nas zonas inferiores, porquanto, nas primeiras, encontramos a crescente glorificação do Universo e, nas segundas, a purgação e a regeneração indispensáveis à vida, para que a vida se acrisole e se eleve ao fulgor dos cimos.

Ministro Sânzio
Livro: Ação e Reação, cap. 7
Ditado por André Luiz

16 setembro 2007

Alergia e Obsessão - Dr. Francisco de Menezes Dias da Cruz

ALERGIA E OBSESSÃO

Quem se consagra aos trabalhos de socorro espiritual há de convir, por certo, em que a obsessão é um processo alérgico, interessando o equilíbrio da mente.

Sabemos que a palavra «alergia» foi criada, neste século, pelo médico vienense Von Pirquet, significando a reação modificada nas ocorrências da hipersensibilidade humana.

Semelhante alteração pode ser provocada no campo orgânico pelos agentes mais diversos, quais sejam os alimentos, a poeira doméstica, os polens das plantas, os parasitos da pele, do intestino e do ar, tanto quanto as bactérias que se multiplicam em núcleos infecciosos.

As drogas largamente usadas, quando em associação com fatores protéicos, podem suscitar igualmente a constituição de alérgenos alarmantes.

Como vemos, os elementos dessa ordem são exógenos ou endógenos, isto é, procedem do meio externo ou interno, em nos reportando ao mundo complexo do organismo.

A medicina moderna, analisando a engrenagem do fenômeno, admite que a ação do anticorpo sobre o antígeno, na intimidade da célula, liberta uma substância semelhante à histamina, vulgarmente chamada substância «H», que agindo sobre os vasos capilares, sobre as fibras e sobre o sangue, atua desastrosamente, ocasionando variados desequilíbrios, a se expressarem, de modo particular, na dermatite atípica, na dermatite de contacto, na coriza espasmódica, na asma, no edema, na urticária, na enxaqueca e na alergia sérica, digestiva, nervosa ou cardiovascular.

Evitando, porém, qualquer preciosismo da técnica científica e relegando à medicina habitual o dever de assegurar os processos imunológicos da integridade física, recordemos que as radiações mentais, que podemos classificar por agentes «R», na maioria das vezes se apresentam, na base de formação da substância «H», desempenhando importante papel em quase todas as perturbações neuropsíquicas e usando o cérebro como órgão de choque.

Todos os nossos pensamentos definidos por vibrações, palavras ou atos, arrojam de nós raios específicos.

Assim sendo, é indispensável curar de nossas próprias atitudes, na autodefesa e no amparo aos semelhantes, porquanto a cólera e a irritação, a leviandade e a maledicência, a crueldade e a calúnia, a irreflexão e a brutalidade, a tristeza e o desânimo, produzem elevada percentagem de agentes «R», de natureza destrutiva, em nós e em torno de nós, exógenos e endógenos, suscetíveis de fixar-nos, por tempo indeterminado, em deploráveis labirintos da desarmonia mental.

Em muitas ocasiões, nossa conduta pode ser a nossa enfermidade, tanto quanto o nosso comportamento pode representar a nossa restauração e a nossa cura.

Para sanar a obsessão nos outros ou em nós mesmos, é preciso cogitar dos agentes «R» que estamos emitindo.

O pensamento é força que determina, estabelece, transforma, edifica, destrói e reconstrói.
Nele, ao influxo divino, reside a gênese de toda a Criação.

Respeitemos, assim, a dieta do Evangelho, procurando erguer um santuário de princípios morais respeitáveis para as nossas manifestações de cada dia.

E, garantindo-nos contra a alergia e a obsessão de qualquer procedência, atendamos ao sábio conselho de Paulo, o grande convertido, quando adverte aos cristãos da Igreja de Filipos:

— «Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é nobre, tudo o que é puro, tudo o que é santo, seja, em cada hora da vida, a luz dos vossos pensamentos. »

Livro: Instruções Psicofônica
Psicografia de Francisco Cândido Xavier - 15 de julho de 1954 -
Ditado pelo Doutor Francisco de Menezes Dias da Cruz,
médico e trabalhador espírita, desencarnado em 1937
Presidente da Federação Espírita Brasileira no período de 1889 a 1895

15 setembro 2007

Enfermidade - Emmanuel

ENFERMIDADE

Ninguém poderá dizer que toda enfermidade, a rigor, esteja vinculada aos processos de elaboração da vida mental, mas todos podemos garantir que os processos de elaboração da vida mental guardam positiva influenciação sobre todas as doenças.

Há moléstias que têm, sem dúvida, função preponderante nos serviços de purificação do espírito, surgindo com a criatura no berço ou seguindo-a, por anos a fio, na direção do túmulo.

As inibições congeniais, as mutilações imprevistas e as enfermidades dificilmente curáveis catalogam-se, indiscutivelmente, na tabela das provações necessárias, como certos medicamentos imprescindíveis figuram na ficha de socorro ao doente; contudo, os sintomas patológicos na experiência comum, em maioria esmagadora, decorrem dos reflexos infelizes da mente sobre o veículo de nossas manifestações, operando desajustes nos implementos que o compõem.

Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a martelada forte sobre a engrenagem de máquina sensível, e toda aflição amimalhada é como ferrugem destruidora, prejudicando-lhe o funcionamento.

Sabe hoje a medicina que toda tensão mental acarreta distúrbios de importância no corpo físico.

Estabelecido o conflito espiritual, quase sempre as glândulas salivares paralisam as suas secreções, e o estômago, entrando em espasmo, nega-se à produção de ácido clorídrico, provocando perturbações digestivas a se expressarem na chamada colite mucosa. Atingido esse fenômeno primário que, muita vez, abre a porta a temíveis calamidades orgânicas, os desajustamentos gastrintestinais repetidos acabam arruinando os processos da nutrição que interessam o estímulo nervoso, determinando variados sintomas, desde a mais leve irritação da membrana gástrica até a loucura de abordagem complexa.

O pensamento sombrio adoece o corpo são e agrava os males do corpo enfermo.

Se não é aconselhável envenenar o aparelho fisiológico pela ingestão de substâncias que o aprisionem ao vício, é imperioso evitar os desregramentos da alma que lhe impõem desequilíbrios aviltantes, quais sejam aqueles hauridos nas decepções e nos dissabores que adotamos por flagelo constante do campo íntimo.

Cultivar melindres e desgostos, irritação e mágoa é o mesmo que semear espinheiros magnéticos e adubá-los no solo emotivo de nossa existência, é intoxicar, por conta própria, a tessitura da vestimenta corpórea, estragando os centros de nossa vida profunda e arrasando, conseqüentemente, sangue e nervos, glândulas e vísceras do corpo que a Divina Providência nos concede entre os homens, com vistas ao desenvolvimento de nossas faculdades para a Vida Eterna.

Guardemos, assim, compreensão e paciência, bondade infatigável e tolerância construtiva em todos os passos da senda, porque somente ao preço de nossa incessante renovação mental para o bem, com o apoio do estudo nobre e do serviço constante, é que superaremos o domínio da enfermidade, aproveitando os dons do Senhor e evitando os reflexos letais que se fazem acompanhar do suicídio indireto.

Ditado por Emmanuel
Livro:Pensamento e Vida
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

14 setembro 2007

Nos Serviços de Cura - Bezerra de Menezes

NOS SERVIÇOS DE CURA

NÃO basta rogar ajuda para si.
É indispensável o auxílio aos outros.

NÃO vale a revelação de humildade na indefinida repetição dos pedidos de socorro.
É preciso não reincidirmos nas faltas.

NÃO há grande mérito em solicitarmos perdão diariamente.
É necessário desculparmos com sinceridade as ofensas alheias.

NÃO há segurança definitiva para nós se apenas fazemos luz na residência dos vizinhos.
É imprescindível acendê-la no próprio coração.

NÃO nos sintamos garantidos pela certeza de ensinarmos o bem a outrem.
É imperioso cultivá-lo por nossa vez.

NÃO é serviço completo a ministração da verdade construtiva ao próximo.
Preparemos o coração para ouvi-la de outros lábios, com referência às nossas próprias necessidades, sem irritação e sem revolta.

NÃO é integral a medicação para as vísceras enfermas.
É indispensável que não haja ódio e desespero no coração.

NÃO adianta o auxílio do Plano Superior, quando o homem não se preocupa em retê-lo.
Antes de tudo, é preciso purificar o vaso humano para que se não perca a essência divina.

NÃO basta suplicar a intercessão dos bons.
Convençamo-nos de que a nossa renovação para o bem, com Jesus, é sagrado impositivo da vida.

NÃO basta restaurar simplesmente o corpo físico.
É inadiável o dever de buscarmos a cura espiritual para a vida eterna.

Ditado por Bezerra de Menezes
Livro: Taça de Luz - FEESP
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

13 setembro 2007

Reencarnação e Libertação - Momento Espírita

REENCARNAÇÃO E LIBERTAÇÃO

A idéia da reencarnação começa a tomar corpo no imaginário popular.

Embora nem sempre de forma muito própria, as pessoas falam e raciocinam sobre ela.

São comuns os comentários de projetos para futuras existências.

Também se questiona a respeito do que já se viveu e dos reflexos dos atos do pretérito na vida atual.

Tem-se especial fascínio pelo tema do reencontro de almas.

O Espiritismo fornece um roteiro de raciocínio lógico e claro para todas essas questões.

Quando devidamente estudado, ele auxilia a perder ilusões e a encarar a realidade com coragem e otimismo.

Na concepção espírita, a reencarnação insere-se no âmbito das Leis Divinas.

Pouco importa gostar-se ou não dela.

Trata-se de uma realidade que não pode ser burlada.

À semelhança da lei da gravitação universal, ela espraia seus efeitos de forma obrigatória.

Nenhum ser humano logra levitar apenas por espírito de rebeldia à lei de gravitação.

Da mesma forma, Espírito algum deixa de evoluir mediante infinitas encarnações.

Tentar escapar disso é como se dedicar a impedir o amanhecer: algo simplesmente impossível.

As reencarnações se sucedem enquanto forem necessárias ao aprimoramento do Espírito.

A vida física comporta muito de dores e decepções.

É impossível fazer projetos de perene felicidade em um corpo fatalmente destinado à destruição.

Essa peculiaridade chama a atenção dos homens para o que realmente interessa.

Eles devem perceber que sua passagem pela Terra é transitória.

O planeta Terra, em termos de Universo, é pouco mais do que o jardim de infância.

Educandários mais sofisticados aguardam os que aprendem as lições iniciais.

Para que o Espírito não se acomode no princípio das lições, ele é sempre instigado a prosseguir.

Por muitos séculos, a sensibilidade evolui com vagar.

Mas chega um momento em que o espetáculo da violência e da crueldade já produz excessivo impacto no mundo íntimo da criatura.

As notícias sobre corrupção causam grande tristeza.

A exploração do sexo em comerciais e filmes enseja constrangimento.

Se você sente apenas enfado com o que segue encantando as massas, eis um excelente sinal.

Ele certamente significa que sua sensibilidade foi trabalhada o suficiente no curso dos séculos.

Você já não mais consegue ter paz enquanto a sua volta campeiam tragédias e crimes.

À semelhança de um fruto maduro, seu processo evolutivo sazonou.

Felicite-se por isso e tome as providências necessárias à sua definitiva libertação dos círculos inferiores da vida.

Tenha em mente que o egoísmo é o vício que mais fortemente ata o Espírito à matéria.

Para vencê-lo, esforce-se em agir desinteressadamente.

Incorpore em sua vida o hábito de fazer o bem sem se preocupar em auferir quaisquer vantagens.

Aprenda a sacrificar seus interesses à justiça.

Encontre alegria em servir, em auxiliar e em compreender.

Quando surgir alguma dúvida sobre o comportamento correto, recorde as palavras sublimes de Jesus.

E sempre trate o próximo como você gostaria de ser tratado, se estivesse no lugar dele.

Em suma, aproveite ao máximo a sua presente encarnação.

Ela é o seu passaporte para a libertação e a felicidade.

Redação do Momento Espírita
Site: www.momento.com.br

12 setembro 2007

Esmola - Emmanuel

ESMOLA

"Daí antes esmola do que tiverdes." - Jesus. (LUCAS, 11:41.)

A palavra do Senhor está sempre estruturada em luminosa beleza que não podemos perder de vista.

No capítulo da esmola, a recomendação do Mestre, dentro da narrativa de Lucas, merece apontamentos especiais.

"Daí antes esmola do que tiverdes."

Dar o que temos é diferente de dar o que detemos.

A caridade é sublime em todos os aspectos sob os quais se nos revele e em circunstância alguma devemos esquecer a abnegação admirável daqueles que distribuem pão e agasalho, remédio e socorro para o corpo, aprendendo a solidariedade e ensinando-a.

É justo, porém, salientar que a fortuna ou a autoridade são bens que detemos provisoriamente na marcha comum e que, nos fundamentos substanciais da vida, não nos pertencem.

O Dono de todo o poder e de toda a riqueza no Universo é Deus, nosso Criador e Pai, que empresta recursos aos homens, segundo os méritos ou as necessidades de cada um.

Não olvidemos, assim, as doações de nossa esfera íntima e perguntemos a nós mesmos:

  • Que temos de nós próprios para dar?
  • Que espécie de emoção estamos comunicando aos outros?
  • Que reações provocamos no próximo?
  • Que distribuímos com os nossos companheiros de luta diária?
  • Qual é o estoque de nossos sentimentos?
  • Que tipo de vibrações espalhamos?

Para difundir a bondade, ninguém precisa cultivar riso estridente ou sorrisos baratos, mas, para não darmos pedras de indiferença aos corações famintos de pão da fraternidade, é indispensável amealhar em nosso espírito as reservas da boa compreensão, emitindo o tesouro de amizade e entendimento que o Mestre nos confiou em serviço ao bem de quantos nos odeiam, perto ou longe.

É sempre reduzida a caridade que alimenta o estômago, mas que não esquece a ofensa, que não se dispõe a servir diretamente ou que não acende luz para a ignorância.

O aviso do Instrutor Divino nas anotações de Lucas significa: - daí esmola de vossa vida íntima, ajudai por vós mesmos, espalhai alegria e bom ânimo, oportunidade de crescimento e elevação com os vossos semelhantes, sede irmãos dedicados ao próximo, porque, em verdade, o amor que se irradia em bênçãos de felicidade e trabalho, paz e confiança, é sempre a dádiva maior de todas.

Ditado por Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
Livro "Fonte Viva" - 1956
Federação Espírita Brasileira

11 setembro 2007

A Convivência Perfeita - Richard Simonetti

A convivência Perfeita
Richard Simonetti


Mário Vicente era vidrado na idéia de famílias espirituais, que se sobrepõem às precárias ligações consangüíneas.

- Pois é - dizia, entusiasmado, a um confrade espírita - os espíritos tendem a formar grupos afins nos caminhos da vida.

- Reencarnam juntos?

- Sim, sempre que possível compondo lares ajustados e harmônicos, "um por todos e todos por um".

- Você vive com sua família espiritual?

Mário Vicente esboçou um sorriso triste:

- Quem me dera! Lá em casa nosso relacionamento funciona na base de "cada um por si e Deus por todos". Estamos longe de um entendimento razoável. É muita discussão, muita briga... Somos velhos adversários amarrados pelo sangue a fim de nos reconciliarmos.

- Recebeu alguma revelação?

- Não...nem seria preciso! Basta observar nossos conflitos.

- A barra é pesada?

- Bem... não é tanto assim. Gosto muito de minha mulher. Até pensei, durante os primeiros tempos, fosse uma alma gêmea. Ela é dedicada ao lar, mãe prestimosa. Ocorre que é um tanto voluntariosa e, não raro agressiva. Faz tempestade em copo d'água. Considero a Ernestina meu teste de paciência. Nossos "santos" estranham-se freqüentemente.

- E os filhos?

- Adoro todos eles, mas são Espíritos imaturos que dão trabalho e não raro desgostos. Imagine que Pedro, o mais velho, envolveu-se com drogas! Júnior, o do meio, "aborrecente" típico, vive a me questionar; Jussara é delicada e sensível mas puxou o gênio da mãe. Se contrariada, sai de perto! Um horror!

- São seus credores. Cobram prejuízos que você lhes causou em vidas anteriores...

- Certamente! Estou consciente desse compromisso. Tento fazer o melhor, sustentando a estabilidade do lar. Às vezes perco o controle. Envergonho-me das brigas em que me envolvo... convenhamos, porém, que ninguém é de ferro...

Mário Vicente suspirou, emocionado:

- Sinto falta de um relacionamento familiar sustenta do por legítima afinidade. Todos olhando na mesma direção, empenhados em cultivar a paz, o trabalho do bem, a amizade, a compreensão... Seria o paraíso! Vejo-me como um retardatário, preso a compromissos decorrentes de besteiras que andei cometendo purgando meus débitos. Certamente aprontei muito!

- Espera alcançar a família espiritual?

- Claro! Hei de cumprir minhas obrigações, fazendo o melhor, a fim de merecer um retorno ao convívio de meus queridos, em estágios mais altos... Tenho convicção de que uma companheira muito amada espera por meu sucesso nas provações humanas para nos reunirmos.

Animado por seus sonhos Mário Vicente esforçava-se para superar as dificuldades de relacionamento junto à esposa e filhos. Tolerava suas impertinências. Fazia de tudo para ajudá-lo. Exercitava carinho e compreensão.

O atendimento dos compromissos junto à família humana haveria de lhe proporcionar o sonhado reencontro com a família espiritual.

Passaram-se os anos.

Os filhos casaram, vieram netos, ampliou-se o grupo familiar, sucederam-se os problemas mas nosso herói até que conseguiu sair-se relativamente bem, acumulando méritos.

Ao completar setenta e dois anos regressou à Pátria Espiritual.

Espírita esclarecido, não teve dificuldade para reconhecer-se fora do seu escafandro de carne, amparado por generosos benfeitores.

Após os primeiros tempos, já adaptado à nova situação procurou dedicado orientador da instituição socorrista que o abrigara. Foi logo pedindo, inspirado pelo ideal que acalentava:

- Estimaria, se possível, receber notícias de minha família espiritual...

- Seus familiares estão bem, nas lutas de sempre, sofrendo e aprendendo, como todos os homens.

- Estão reencarnados? Pensei que os encontraria aqui!

- Você conviveu com eles até alguns meses atrás. Não sabe que continuam na Terra?

-Não me refiro à família humana. Anseio abraçar os entes queridos de priscas eras, e sobretudo, a amada perdida nas brumas do passado...

O mentor sorriu:

- Falou bonito, mas está equivocado, meu amigo. Sua família espiritual é aquela que lhe marcou a experiência na Terra.

Reformador - Março de 1997

10 setembro 2007

Visão Correta do Espiritismo - Nazareno Tourinho

 
VISÃO CORRETA DO ESPIRITISMO

É inegável que o Espiritismo, essencialmente, como fato natural, como lei da vida, é de todos os tempos, encontra-se ainda que de modo difuso ou velado no alicerce de todas as crenças imortalistas, razão por que deve ser concebido não como uma seita particular e sim como elemento capaz de fortalecer as diversas religiões e abrir caminho para que elas se encontrem com as várias ciências, levando o homem a cumprir de maneira integral seu destino neste mundo, através do desenvolvimento tanto das potencialidades sentimentais quanto intelectivas.

Assim sendo, nada impede que um católico, um teosofista, um amante da umbanda ou do esoterismo seja também espírita, em face do caráter universalista, cósmico, do Espiritismo, e quem quiser defender esta posição certamente descobrirá algumas frases de Allan Kardec para se apoiar. Contudo, somente será espírita em parte, e não de modo completo, pois é igualmente indiscutível que a verdadeira Doutrina Espírita está no ensino que os Espíritos deram (¿O Livro dos Espíritos¿, introdução, item XVII), e tal ensino é suficientemente claro quando estabelece os fundamentos de uma filosofia racional (idem, Prolegômenos) que incompatibiliza a teoria e prática do Espiritismo com tudo aquilo que tem sabor místico e é destituído de conteúdo lógico. Daí porque ninguém pode ser fiel à causa espírita se deixar de agir com bom senso.

Não basta tirarmos carteirinha no Clube da Pureza Doutrinária para servirmos com proficiência ao Espiritismo. Importa termos a sua visão correta e o bom senso indica que, para isso, o primeiro cuidado é não sermos radicais. Na história de todos os movimentos que hão surgido para alargar os horizontes mentais do ser humano sempre foram as concepções extremistas que estragaram tudo... São elas as fontes geradoras da ortodoxia e toda ortodoxia é fechadura dogmática trancando as janelas da livre análise, sem a qual torna-se impossível o progresso.

Acontece que tanto há uma ortodoxia excessivamente conservadora, vocacionada para sustentar o tradicionalismo, quanto há uma ortodoxia exageradamente renovadora, que nada respeita, nem mesmo os valores fundamentais e imprescindíveis à identidade de um pensamento filosófico. A primeira produz por imobilismo a fé cega e a segunda vai tão longe que destrói qualquer fé, ainda que nascida do conhecimento bem construído. Ê lamentável, mas ainda não aprendemos uma grande lição da Antiguidade clássica: virtude está no meio...

Com o devido apreço aos que lutam por fixar o Espiritismo unicamente no plano científico ou exclusivamente na esfera religiosa, e ainda com a justa consideração àqueles que de sejam conservá-lo em sua feição primitiva ou modernizá-lo por completo, ousamos afirmar que a providência básica para termos uma ótica senão perfeita, pelo menos razoável, do Espiritismo, consiste em abandonarmos a presunção de sabedoria infusa e estudarmos com inteligente humildade obra de Kardec, onde são limpidamente expostos os princípios inquestionáveis de nossa Doutrina e os pontos sobre o quais ela própria recomenda reflexão, pesquisa e debate para amadurecimento das idéias.

O mal é que, ao invés de examinarmos sem premeditação os livros do mestre lionês, recorremos a eles com o deliberado ânimo de catar argumentos esparsos alimentadores de nossas tendências ideológicas, sem admitir que, como as demais pessoas, estamos sujeitos a limitações perceptivas.

Ora, como todos nos situamos em graus de evolução diferenciados, cada um vê o Espiritismo de uma forma distinta, resultando daí as insanáveis divergências opiniáticas Se sabemos administrá-las, cultivando-as com equilíbrio e moderação, ainda dá para convivermos em regime de trabalho solidariedade e tolerância, consoante a divisa, ou lema, da Codificação. Se caímos no radicalismo, terminamos sendo nocivos e não úteis ao ideal comum. É o que parece, salvo melhor juízo...


Nazareno Tourinho
Reformador nº 2000 - Novembro/1995

09 setembro 2007

A Auto-Obsessão - Suely Caldas Schubert

 
A AUTO-OBSESSÃO

"O homem não raramente é o obsessor de si mesmo", é o que assevera o Codificador.

Tal coisa, porém, bem poucos admitem. A grande maioria prefere lançar toda a culpa de seus tormentos e aflições aos Espíritos, livrando-se, segundo julgam, de maiores responsabilidades.

Kardec vai mais longe e explica: "Alguns estados doentios e certas aberrações que se lançam à conta de uma causa oculta, derivam do Espírito do próprio indivíduo."

Tais pessoas estão ao nosso redor. São doentes da alma. Percorrem os consultórios médicos em busca do diagnóstico impossível para a medicina terrena. São obsessores de si mesmos, vivendo um passado do qual não conseguem fugir. No porão de suas recordações estão vivos os fantasmas de suas vítimas, ou se reencontram com os a quem se acumpliciaram e que, quase sempre, os requisitam para a manutenção do conúbio degradante de outrora.

Esses, os auto-obsidiados graves e que se apresentam também subjugados por obsessões lamentáveis. São os inimigos, as vítimas ou os comparsas a lhes baterem às portas da alma.

Mas existem também aqueles que portam auto-obsessão sutil, mais difícil de ser detectada. É, no entanto, moléstia que está grassando em larga escala atualmente.

Um médico espírita disse-nos, certa vez, que é incalculável o número de pessoas que comparecem aos consultórios, queixando-se dos mais diversos males - para os quais não existem medicamentos eficazes - e que são tipicamente portadores de auto-obsessão.

São cultivadores de "moléstias fantasmas". Vivem voltados para si mesmos, preocupando-se em excesso com a própria saúde (ou se descuidando dela), descobrindo sintomas, dramatizando as ocorrências mais corriqueiras do dia-a-dia, sofrendo por antecipação situações que jamais chegarão a se realizar, flagelando-se com o ciúme, a inveja, o egoísmo, o orgulho, o despotismo e transformando-se em doentes imaginários, vítimas de si próprios, atormentados por si mesmos.

Esse estado mental abre campo para os desencarnados menos felizes, que dele se aproveitam para se aproximarem, instalando-se, aí sim, o desequilíbrio por obsessão.

De "Obsessão/Desobsessão -Profilaxia e Terapêutica Espíritas"
Autoria: Suely Caldas Schubert

 

08 setembro 2007

Dias Difíceis - Momento Espírita

DIAS DIFÍCEIS

Há dias que parecem não ter sido feitos para ti.
Amontoam-se tantas dificuldades, inúmeras frustrações e incontáveis aborrecimentos, que chegas a pensar que conduzes o globo do mundo sobre os ombros dilacerados.

Desde cedo, ao te ergueres do leito, pela manhã, encontras a indisposição moral do companheiro ou da companheira, que te arremessa todos os espinhos que o mau humor conseguiu acumular ao longo da noite.

Sentes o travo do fel despejado em tua alma, mas crês que tudo se modificará nos momentos seguintes.

Sais à rua, para atender a esse ou àquele compromisso cotidiano, e te defrontas com a agrestia de muitos que manejam veículos nas vias públicas e que os convertem em armas contra os outros...

Constatas o azedume do funcionário ou do balconista que te atende mal, ou vês o cinismo de negociantes que anseiam por te entregar produtos de má qualidade a preços exorbitantes, supondo-te imbecil.

Mesmo assim, admites que, logo, tudo se alterará, melhorando as situações em torno.

Encontraste com familiares ou pessoas amigas que te derramam sobre a mente todo o quadro dos problemas e tragédias que vivenciam, numa enxurrada de tormentos, perturbando a tua harmonia ainda frágil, embora não te permitam desabafar as tuas angústias, teus dramas ou tuas mágoas represadas na alma.

Em tais circunstâncias, pensas que deves aguardar que essas pessoas se resolvam com a vida até um novo encontro.

São esses os dias em que as palavras que dizes recebem interpretação negativa, o carinho que ofereces é mal visto, tua simpatia parece mero interesse, tuas reservas são vistas como soberba ou má vontade.

Se falas, desagradas... Se calas, desagradas.

Em dias assim, ainda quando te esforces por entender tudo e a todos, sofres muito e a costumeira tendência, nessas ocasiões, é a da vitimação automática, quando se passa a desenvolver sentimentos de auto-piedade.

No entanto, esses dias infelizes pedem-nos vigilância e prece fervorosa, para que não nos percamos nesses cipoais de pensamentos, de sentimentos e de atitudes perturbadores.

São dias de avaliação, de testes impostos pelas leis que regem a vida terrena, desejosas de que te observes e verifiques tuas ações e reações à frente das mais diversas situações da existência.

Quando perceberes que muita coisa a tua volta passa a emitir um som desarmônico aos teus ouvidos; se notares que escolhendo direito ou esquerdo não escapas da crítica ácida, o teu dever será o de te ajustares ao bom senso.

Instrui-te com as situações e acumula o aprendizado das horas, passando a observar bem melhor as circunstâncias que te cercam, para que melhor entendas, para que, enfim, evoluas.

Não te esqueças de que ouvimos a voz do mestre nazareno, há dois milênios, a dizer-nos: no mundo só tereis aflições...

Conhecedores dessa realidade, abrindo a alma para compreender que a cada dia basta o seu mal, tratarás de te recompor, caso tenhas-te deixado ferir por tantos petardos, quando o ideal teria sido agir como o bambuzal diante da ventania: curvar-se, deixar passar o vendaval, a fim de te reergueres com tranqüilidade, passado o momento difícil.

Há, de fato, dias difíceis, duros, caracterizando o teu estádio de provações indispensáveis ao teu processo de evolução.

A ti, porém, caberá erguer a fronte buscando o rumo das estrelas formosas, que ao longe brilham, e agradecer a Deus por poderes afrontar tantos e difíceis desafios, mantendo-te firme, mesmo assim.

Nos dias difíceis da tua existência, procura não te entregares ao pessimismo, nem ao lodo do derrotismo, evitando alimentar todo e qualquer sentimento de culpa, que te inspirariam o abandono dos teus compromissos, o que seria teu gesto mais infeliz.

Põe-te de pé, perante quaisquer obstáculos, e sê fiel aos teus labores, aos deveres de aprender, servir e crescer, que te trouxeram novamente ao mundo terrestre.

Se lograres a superação suspirada, nesses dias sombrios para ti, terás vencido mais um embate no rol dos muitos combates que compõem a pauta da guerra em que a terra se encontra engolfada.

Confia na ação e no poder da luz, que o cristo representa, e segue com entusiasmo para a conquista de ti mesmo, guardando-te em equilíbrio, seja qual for ou como for cada um dos teus dias.

Equipe de Redação do Momento Espírita.
Adaptação de mensagem do Espírito Camilo
Psicografada pelo médium J. Raul
Teixeira,
em 30.12.2002,
na Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói-RJ.
Site: www.momento.com.br

07 setembro 2007

Pedaço do Céu - Momento Espírita

PEDAÇO DO CÉU

Às vezes você se sente deslocado no planeta que habita, como se o Criador o tivesse jogado a esmo, e você caiu em local inóspito e infeliz...

Olha ao redor e tem a sensação de que todos estão bem encaixados, como engrenagens vivas nessa imensa máquina chamada sociedade..., menos você.

Parece até que as pessoas não o vêem, não o ouvem, e sente-se como um fantasma que se move, sem rumo e sem alegria.

E pensa que seria tão bom se você pudesse fazer parte das alegrias de todos, das conquistas alheias, das belezas da natureza que o cerca.

Seria ainda melhor se todos percebessem seus talentos, seus esforços, suas pequenas vitórias, e o amparassem nos seus dias de tristezas...

Sente que pode estar no mundo errado, no momento errado, com as pessoas erradas, e talvez fosse mais feliz se alterasse a rota, trocasse de posição com outra pessoa, fosse outro ser qualquer...

Você olha o céu e analisa os pássaros, na sua trajetória maravilhosa, a planar ao vento com o sol a brilhar sobre suas penas...

É delicioso ser pássaro, pensa você.

Volve os olhos ao mar e analisa os peixes, com suas cores diversas, tamanhos variados e pensa na maravilha que é nadar no recife entre os corais, na água tépida...

Seria tão bom ser peixe..., pensa você.

Observa árvores gigantescas, arbustos, plantas, flores e frutos à disposição dos seres selvagens.
E pensa que não seria nada mau ser um tigre a desfrutar da liberdade, a correr leve e solto, sem peias, sem amarras...

Volta seu olhar para o seio da terra e vê seres que cavam tocas profundas, bem feitas e, embora ache escuro, observa os seres que lá habitam e medita que não seria nada ruim habitar as entranhas da terra...

Volve seu olhar a todos esses seres que habitam o planeta e analisa prós e contras, e percebe cada um com um pedacinho do céu.

E assim é a vida de cada um de nós: diferente, formando habilidades múltiplas, desenvolvendo aptidões diversas, com prós e contras.

Mas, assim como o pássaro não pode nadar, o peixe habitar a selva nem o tigre voar, cada um tem um pedacinho do céu em suas vidas.

Saiba verificar qual é o seu pedaço do céu. Não ambicione o céu alheio.

É possível que você não esteja preparado para vivenciar a realidade alheia.

Talvez lhe falte envergadura. Talvez lhe sobre possibilidades.

E não há nada pior do que estar no lugar errado, na hora errada.

Conscientize-se de que você tem o pedaço do céu que merece e que tem a capacidade de desfrutar.

De que adiantaria o pôr-do-sol mais esplendoroso para quem não pode enxergar?

Viva o seu momento, na certeza de que a vida futura lhe reserva experiências diferentes, mestres diferentes e, sobretudo, o pedaço do céu que lhe pertence...

Pense nisso!

Este é o seu momento de crescer, de produzir, de colaborar com o Criador exatamente onde ele o colocou.

Seja feliz no seu pedacinho do céu, que é único e é seu!

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em mensagem do Espírito Stephano, psicografada por Marie-Chantal Dufour Eisenbach, na Sociedade Espírita Renovação, no dia 23/05/2005.