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30 junho 2021

A força que existe em nós - Adriana Machado


A FORÇA QUE EXISTE EM NÓS

A Humanidade não tem conhecimento do poder que o pensamento possuiu.

Por isso, em razão de não darmos o devido valor ao seu potencial, construímos tantas doenças em nós. Pelo pensamento equivocado, trazemos para nós o desconforto, as tristezas, as angústias, as insatisfações que provocam o desequilíbrio orgânico que causam as doenças físicas.

Nós somos filhos do Pai Criador e temos em nós o Seu DNA que nos dá a capacidade de construirmos o que quisermos no nosso mundo interior e ao redor de nós.

Então, imaginem o que fazemos quando estamos fixados em algo que nos é danoso? Podemos criar e ter que vivenciar nossas criações em razão de não termos prestado a atenção devida aos nossos desejos.

Quando os nossos sonhos não são alcançados, devemos buscar entender o que está acontecendo. Será que não é a vida nos dando sinal que aquilo, por melhor que pareça, não nos seria útil e positivo? Será que não somos nós mesmos, em nossa essência, nos dizendo que se conquistarmos tal meta, nos perderíamos indubitavelmente em nossas mazelas seculares?

Por isso, precisamos ter cuidado com o que desejamos, almejamos e pensamos sobre o que seria a nossa mais pura alegria, porque tudo isso tem força construtiva e, ao agirmos para alcançá-la, estaremos formatando as pontes até os nossos objetivos bons ou não tão bons.

Em razão de nosso livre arbítrio e pela necessidade de aprendizado que cada um de nós possuiu, somos respeitados para que atinjamos alguns de nossos sonhos menos danosos, para que o nosso caminhar se faça e o melhor entendimento seja alcançado. Sendo assim, a responsabilidade de vivenciarmos os resultados destas conquistas é toda nossa.

Portanto, é importante analisarmos até que ponto devemos insistir em atingir algo que escorrega pelos nossos dedos toda vez que tentamos agarrá-lo.

Entendam que não estou aqui dizendo que não devemos ser persistentes. Estou dizendo que é possível para nós termos a percepção do "até que ponto" devemos agir e "até que ponto" devemos transformar esses sonhos em outros, pois a própria vida nos dará parâmetros de nossa capacidade para abraçarmos as consequências de nossas conquistas.

Aí está o nosso lado positivo para o enfrentamento das experiências da vida. Sermos maleáveis ao bom entendimento do que seria o melhor para nós também demonstra o quanto estamos amadurecendo diante de nossos próprios valores.

Lembremos que, se o pensamento é força, podemos agir para atingirmos aquilo que muito almejamos, mas, sempre atribuindo ao Pai a condução de nossas metas porque Ele sabe o que é importante para o nosso viver.

Assim, após os nossos melhores esforços, se não atingirmos a sua concretização, teremos a certeza de que "não era para ser". Mais fortalecidos nos sentiremos porque teremos a sensação do livramento de circunstâncias menos favoráveis a nós e porque nada nos foi tirado, mas sim evitado.

Para vivermos em harmonia e paz, precisamos cultivar os pensamentos positivos para que não intoxiquemos o nosso templo físico com os vícios inerentes às nossas paixões.

Assim, não poluiremos o nosso mundo com incertezas que enfraquecerão quem somos, que enfraquecerão a nossa fé em Deus.

Os tesouros da alma não se resumem naquilo que nos satisfaz o prazer momentâneo da carne, mas sim os que nos elevarão à paz, à felicidade mais pura.

Sejamos positivos sempre porque estaremos, assim, construindo a nossa própria felicidade.

29 junho 2021

Tédio no Lar - Emmanuel


TÉDIO NO LAR

Uma vez que os Espíritos simpáticos são induzidos a unir-se, como é que, entre os encarnados, frequentemente só de um lado há afeição e que o mais sincero amor se vê acolhido com indiferença e, até, com repulsão? Como é, além disso, que a mais viva afeição de dois seres pode mudar-se em antipatia e mesmo em ódio?

Não compreendes então que isso constitui uma punição, se bem que passageira? Depois, quantos não são os que acreditam amar perdidamente, porque apenas julgam pelas aparências, e que, obrigados a viver com as pessoas amadas, não tardam a reconhecer que só experimentaram um encantamento material.

Não basta uma pessoa estar enamorada de outra que lhe agrada e em quem supõe belas qualidades. Vivendo realmente com ela é que poderá apreciá-la.

Tanto assim que, em muitas uniões, que a princípio parecem destinadas a nunca ser simpáticas, acabam os que as constituíram, depois de se haverem estudado bem e de bem se conhecerem, por votar-se, reciprocamente, duradouro e terno amor, porque assente na estima! Cumpre não se esqueça de que é o Espírito quem ama e não o corpo, de sorte que, dissipada a ilusão material, o Espírito vê a realidade.

“Duas espécies há de afeição: a do corpo e a da alma, acontecendo com frequência tomar-se uma pela outra. Quando pura e simpática, a afeição da alma é duradoura; efêmera a do corpo. Daí vem que, muitas vezes, os que julgavam amar-se com eterno amor passam a odiar-se, desde que a ilusão se desfaça”.

Seja qual seja o motivo em que o tédio se fundamente, recorram os companheiros imanizados em mútua associação no lar ao apoio recíproco mais profundo e mais intensivo. Com isso, estarão em justa defesa da harmonia íntima, sem castigarem o próprio corpo. E reeducar-se-ão, sem hostilizar os que, porventura, lhes demonstrem afeto, mas acolhendo-os, não mais na condição de cúmplices das aventuras deprimentes, a que se renderam outrora, e sim por irmãos queridos, com quem podemos fundir-nos, em espírito, no mais alto amor espiritual.

Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Vida e Sexo - 13

28 junho 2021

Corpo Somático - Joanna de Ângelis


 CORPO SOMÁTICO

CONCEITO

Genericamente, corpo é toda e qualquer quantidade de matéria, limitada, que impressiona os sentidos físicos, expressando-se em volume, peso...

Aglutinação de moléculas - orgânicas ou inorgânicas - que modelam formas animadas ou não, ao impulso de princípios vitais, anímicos e espirituais. Estágio físico por onde transita o elemento anímico na longa jornada em que colima a perfeição, na qualidade de espírito puro...

O corpo humano, em razão de mutações, transformações, adaptações, condicionamentos filogenéticos e mesológicos, serve de domicílio temporário ao espírito que, através dele, adquire experiências, aprimora aquisições, repara erros, sublima aspirações.

Alto empréstimo divino, é o instrumento da evolução espiritual na Terra, cujas condições próprias para as suas necessidades fazem que a pouco e pouco abandone as construções grosseiras e se sutilize, conseguindo plasmar futuros contornos e funções futuras, mediante o comportamento a que vai se submetendo no suceder dos tempos.

Por enquanto, serve também de laboratório de experiências pelas quais os Construtores da Vida, há milénios, vêm desenvolvendo possibilidades superiores para culminarem em conjunto ainda mais aprimorado e sadio.

Formado por trilhões e trilhões de células de variada constituição, apresenta-se como o mais fantástico equipamento de que o homem tem notícia, graças à perfeição dos seus múltiplos órgãos e engrenagens, alguns dos quais, auto-suficientes, como o aparelho circulatório, que elabora até mesmo o de que se faz preciso para o seu funcionamento e produtividade.

Atendido por notáveis complexos elétricos e eletrônicos, é capaz de se auto-reparar, dispondo dos mais perfeitos arquivos de microfotografia, nos centros da memória, que, se pudessem ser equiparados a uma construção com as atuais técnicas de miniaturização com que se elaboram os computadores, esses departamentos mnemónicos ocupariam uma área de aproximadamente 160.000 quilómetros cúbicos, tão-somente para os bilhões de informações de uma única reencarnação... Ele pode, no entanto, mediante o perispírito que lhe vitaliza muitas evocações, reter e traduzir programações referentes a incontáveis jornadas pretéritas do Espírito em ascensão para Deus.

Aparelhado para as diversas atividades que se lhe fazem mister, dispõe do quanto lhe é imprescindível para as transformações e renovações que o mantêm com equipagem em funcionamento harmônico.

Qualquer ultraje que sofra se lhe imprime por processos muito sutis, incorporando-o aos tecidos constitutivos da sua eficiência em gravames e ofensas que o transtornam, como cobrador honesto junto ao condutor leviano que o dirige em regime inadiável de urgência...

A sua valorização através das aspirações nobres vitaliza-o e equilibra-o com imperceptíveis melhoramentos que o mantêm e sustentam.

No conjunto endocrínico, por exemplo, sincroniza os mais perfeitos sistemas de elaboração de hormônios de que se tem conhecimento.

O cérebro - ainda por desbravar - só paulatinamente vai sendo utilizado, dispondo de áreas ainda não acionadas, que são reservas formidandas para o futuro do homem...

Preciosas redes de capilares, microscópicos, colocados nas junções das artérias e das veias são deslumbrantes implementos de integração perfeita, realizando a sustentação das células, ajudando a eliminação dos tóxicos e sustentando os diversos departamentos vitais com o oxigénio salutar. Não obstante a sua insignificância aparente, são peças porosas que facultam ao oxigénio penetrá-los num sentido, enquanto por outro eliminam os produtos colaterais nitrogenados do metabolismo proteínico, culminando pelo preciosismo com que deixa passar uma substância aquosa que renova o banho líquido de que se nutrem as células, graças ao qual sobrevivem e se multiplicam...

Os departamentos dos sentidos, em câmaras excepcionais, recebem, traduzem e respondem todas as mensagens que lhes chegam, com a velocidade do pensamento, catalogando e descrevendo informações novas com que enriquece o patrimônio das suas aquisições. Mesmo quando, conscientemente, a memória não procede aos registros ou os sentidos parecem não os captar, a maquinaria sublime os anota e transfere para o subconsciente, que os armazena em depósitos especiais, dotados da capacidade de trazê-los de volta, oportunamente, ao celeiro da consciência atual sob estímulos próprios... Preservá-lo é mais do que dever - significa elevado compromisso de que ninguém se liberará levianamente ante a própria e a Consciência Cósmica, que tudo rege e conduz com suprema sabedoria e perfeição.

HISTÓRICO

Modernos biólogos e geneticistas fascinados com as conquistas do engenho atual, diante do corpo, sugerem, precipitados uns, levianos outros, alterações singulares e sonham com as possibilidades de poderem intervir, a golpe de audácia, na sua estrutura, interferindo no processo genético, por meios artificiais, em busca de resultados surpreendentes... Interpretando erradamente o conceito do Cristo de que somos deuses, pretende o homem, que crê, brincar de divindade, ele que, brincando, fomenta a guerra, a destruição, o egoísmo, por ainda não saber, sequer, brincar como homem. Os não crentes se refugiam na negação e propõem aventuras.

Difícil uma análise histórica, em síntese sobre o homem, um exame da sua organização somática pelos milénios incontáveis, desde as formas primárias em que a vida se manifestou no Orbe quando os "fascículos de luz" da Divindade começaram a adensar-se nas manifestações iniciais da matéria viva...

O naturalista honesto, no entanto, fixado à complexa documentação paleontológica, embriológica, como a da Anatomia Comparada, apresenta o lémure como o mais velho espécime conhecido, dentre os símios, do qual surgiu o platirrino, e, posteriormente, o catarrino que, em se bifurcando, deu origem ao antropopiteco, o erectus, que serviu de tronco ao ramo de que nasce o homem.

Antes, porém, distintas raças serviram de moldes ascendentes para a formação paulatina da organização do Homo sapiens. Foram elas as de Grimaldi (demonstrada através de dois esqueletos negróides, que foram descobertos na Riviera Italiana, próximo a Grimaldi); as do Cro-Magnon (quando encontraram os ossos de quatro homens, dolicocéfalos, com expressiva estatura, que teriam habitado grande parte da Europa. Esse achado ocorreu no ano de 1868, na Dordonha, próximo a Eyzies, na França); e as de Chancelade (consideradas como do período Magdaleniano, que teria dado origem aos esquimós).

Não obstante os antropólogos divergirem entre si, apresentando novos grupos e subgrupos em que sustentam as teorias esposadas, são aquelas as melhormente aceitas pela generalidade dos estudiosos do assunto.

Em 1950 Mayr sugeriu uma nova classificação para os hominídeos fósseis, simplificando, assim, as anteriores num único Homo, que se distribuiu em 3 classes: transvaalensis, erectus e sapiens, facultando novas pesquisas e valiosas anotações corroboradoras.

De Lineu, a Cuvier, a Blumenbach, as classificações se estereotiparam, cabendo ao sábio de Gõttingen, baseado na Antropologia Física, poder oferecer maior contribuição ao pensamento moderno, especialmente através dos estudos craniológicos, a que empregou seus melhores esforços...

Simultaneamente, desde os primórdios do pensamento filosófico, o problema da evolução mereceu as mais expressivas contribuições. Com Heráclito, firmou-se o conceito dialético do Mundo, inspirado na filosofia grega, que tudo reduzia a incessantes transformações, mediante as quais as espécies vivas eram mutáveis. Lucrécio, ao apresentar o seu De Natura Rerum descreveu poeticamente a Natureza e se tornou o precursor legítimo do Darwinismo, por meio da "seleção natural" e da "luta pela vida". Mais tarde, Buffon afirmou os princípios evolucionistas em oposição ao fiocismo criacionista, facultando a Lamarck estabelecer a teoria dos seres vivos, donde se originou o Transformismo. Darwin, porém, culminou as pesquisas, já iniciadas, tornando-se o grande sistematizador e legítimo expositor da "concepção transformista da Natureza''.

Hegel, simultaneamente, estabeleceu uma dialética concorde com tais princípios, em bases idealistas, cabendo a Spencer uma visão mais ampla da evolução, que definiu como sendo "Uma integração da matéria e uma dissipação concomitante do movimento, durante a qual a matéria passa de uma homogeneidade indefinida e incoerente a uma heterogeneidade definida e coerente, sofrendo, ao mesmo tempo, o movimento mantido e uma transformação paralela".

O pensamento hegeliano sustentou a teoria do materialismo dialético, então vigente. Logo depois, a teoria mutacionista propôs conceitos por meio dos quais as mutações, que seriam rápidas transformações, se fariam transmitir por hereditariedade, nunca, porém, provocadas pela ação mesológica, assim podendo facilitar, promover ou impedir as mesmas mutações, fazendo surgir, então, novos caracteres e ensejando a "seleção natural" darwiniana, na qual alguns caracteres sobreviveriam, enquanto outros desapareceriam. Os favoráveis à sobrevivência da espécie seriam, então, mantidos pela hereditariedade...

Indubitavelmente que os conceitos evolucionistas não podem hoje ser negados, graças à monumental comprovação da Ciência atual, nos vários campos em que se expressa.

Merece examinar, porém, que ao princípio espiritual, nas sucessivas reencarnações, se deve a transmissão às formas mais grosseiras, das necessidades psíquicas, que impõem o surgimento de órgãos e caracteres novos a se transmitirem por hereditariedade e se fixarem, prosseguindo o processus evolutivo incessantemente.

A princípio, o Espírito se encontrava em atrasada expressão, utilizando-se da forma símio em transição para fixar-lhe implementos novos, desde que a função precede o órgão e aquela procede do Espírito, que modela as formas próprias, de que precisa para crescer e produzir experiências não conhecidas.

À medida que as formas se aprimoravam, Espíritos mais bem credenciados impuseram-lhe atributos outros que constituíram, através dos milénios múltiplos e sucessivos, o corpo que hoje ainda serve de temporária morada para as edificações das futuras formas, com que a Humanidade progredirá no porvir, sob condições mais felizes, seguras e harmônicas.

Ao Espírito, que é o ser, se devem as exteriorizações somáticas que constituem o não ser.

CONCLUSÃO

Vasilhame sublime, é o corpo humano o depositário das esperanças e o veículo de bênçãos, que não pode ser desconsiderado levianamente.

Seja cárcere sombrio - na limitação em que retém o Espírito déspota, que dele se vale para a expiação; seja conjunto harmónico de formas - na distinção de traços com que faculta o aproveitamento das oportunidades; seja grabato de meditação - nas constrições paralíticas em que impõe profundas reflexões morais; seja cela de alucinação - nos desvarios da mente ultrajada; seja celeiro de sabedoria - no qual se edificam os monumentos da Cultura, da Arte, do Pensamento, da Ciência, da Fé, do Amor -, é sempre o santuário de recolhimento que o Excelso Criador nos concede, a fim de galgarmos os degraus da escada ascensional, desde as baixadas primeiras aos esplendores espirituais que nos estão destinados. Amá-lo, preservá-lo e utilizá-lo com nobreza é a tarefa que nos cabe desempenhar incessantemente, sem cansaço, para o próprio bem.

ESTUDO E MEDITAÇÃO

"O homem surgiu em muitos pontos do globo?"
"Sim e em épocas várias, o que também constitui uma das causas da diversidade das raças. Depois, dispersando-se os homens por climas diversos e aliando-se os de uma aos de outras raças, novos tipos se formaram"

a) Estas diferenças constituem espécies distintas?
"Certamente que não; todos são da mesma família. Porventura as múltiplas variedades de um mesmo fruto são motivo para que elas deixem de formar uma só espécie?".

(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 53).

"Admitida essa hipótese, pode dizer-se que, sob a influência e por efeito da atividade intelectual do seu novo habitante, o envoltório se modificou, embelezou-se nas particularidades, conservando a forma geral do conjunto. Melhorados, os corpos, pela procriação, se reproduziram nas mesmas condições, como sucede com as árvores de enxerto. Deram origem a uma espécie nova, que pouco a pouco se afastou do tipo primitivo, à proporção que o Espírito progrediu. O Espírito macaco, que não foi aniquilado, continuou a procriar, para seu uso, corpos de macaco, do mesmo modo que o fruto da árvore silvestre reproduz árvores dessa espécie, e o Espírito humano procriou corpos de homem, variantes do primeiro molde em que ele se meteu. O tronco se bifurcou: produziu um ramo, que por sua vez se tornou tronco".

(A Génese, Allan Kardec, cap. XI, item 16.).

Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Estudos Espíritas - 5


27 junho 2021

Fé racional - Guaraci Silveira


FÉ RACIONAL

Queremos encontrar meios que nos leve de fato a um perfeito relacionamento com o nosso Criador. A fé é um instrumento que nos interliga a Ele. Mas, há que encontrarmos um caminho válido e, de preferência sem intermediários.

Jesus nos aconselhou entrarmos no silêncio dos nossos quartos e orarmos, buscando essa interligação. Immanuel Kant, filósofo do Século XVIII, nos indica: “a liberdade da vontade, a imortalidade da alma e a existência de Deus”. Três fatores de grande importância para que alcancemos uma melhor identificação com a fé raciocinada, ínsita no Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIX. Emmanuel nos diz que: “Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer eu creio, mas afirmar eu sei, com todos os valores da razão, tocados pela luz do sentimento. ”.”

Importante sempre nos lembrarmos de que estamos num extraordinário ciclo evolutivo. Saídos de Deus, encontramo-nos nos primeiros processos de aprendizagem para que um dia possamos adentrar os planos superiores da Criação. Para tanto, dúvidas, dogmas e fanatismos não corroboram com a busca pertinaz e inteligente de uma ligação permanente com o Pai e Criador. Quando Kant propõe a liberdade da vontade ele nos indica que a razão tem como corolário a vontade. Leon Denis nos informa que a vontade é a maior potência da alma. Com ela buscamos os fundamentos da vida como a imortalidade da alma, também proposto por Kant. Ora, sendo imortais, todos os nossos atos devem ser direcionados para a busca de uma melhor adequação a essa imortalidade. Não vale fazer para ver no que dá. É necessário racionalizar nossos desejos transformando-os em vontade equilibrada e saudável. A existência de Deus “... Só pode encontrar-se na razão”, como nos diz Paulo Figueiredo em seu livro: Revolução Espírita. Os que ficam para trás, um dia terão que entender e seguir, pois não vale a estagnação. Tudo é progresso como nos informa o Livro dos Espíritos, Q. 781.

É necessário buscarmos a fé racional. Somente ela nos permitirá resolver grandes questões que jazem em nossos arquivos do inconsciente. Quantas vezes esses arquivos nos perturbam não nos deixando ver a realidade, enxergar o belo, aprimorando-se para o bom. Naquele passado histórico quando alguém propunha e todos faziam sem os devidos questionamentos não fomos eficazes e tampouco felizes. A liberdade de pensar é apanágio para a liberdade de crescer em paz para Deus. Houve um tempo em que as chamas crepitaram em praças públicas na tentativa de calar os defensores dessa liberdade. Agora estamos num outro momento em que o pensar significa agir e o bom pensar é, portanto, a ação ideal que consolida a liberdade para agir de forma correta porque refletida.

Immanuel Kant define a liberdade de pensamento como “fundamental para o estabelecimento da religião natural, ao permitir o exercício da fé racional”. Eis aí um bom caminho. A Doutrina Espírita é toda pautada nesta fé racional porque ela propõe um debate aberto sobre tudo o que já consideramos como verdade. Partindo dos axiomas que são premissas consideradas necessariamente evidentes e verdadeiras, caminhamos para a abertura de novas evidências, pois assim Allan Kardec agiu e nos indica a fazer. É um andar consciente, perscrutativo, consolidado na certeza de que o Universo é uma mansão a ser explorada de forma tranquila e elegante.

Deus não pune, não é vingativo e nem raivoso. É justo e dá a cada um segundo suas obras. Todo o caminhar de Jesus na face do mundo foi uma demonstração de total confiança em si e no Pai. Esta deve ser a lição para o nosso agir. Jesus é o Mestre, que sejamos, pois, seus leais discípulos.

Guaraci Silveira
Fonte:
Instituto Benificente Chico Xavier  
 
 
Bibliografia:

Livro Revolução Espírita de Paulo Figueiredo 3.4

O Livro dos Espíritos – Leis Morais – Lei do Progresso

Livro O Consolador Pergunta 354

Livro: O Problema do Ser do Destino e da Dor – Terceira Parte - XX

Evangelho de Mateus 16:27


26 junho 2021

A Flor e o Espinho - Richard Simonetti


A FLOR E O ESPINHO

Medições precisas demonstram que a Terra tem perto de quatro bilhões e quinhentos milhões de anos. Imaginemos a história de nosso planeta contada num livro de quinhentas páginas. O ser humano surgiria na derradeira linha da última página. A última letra da palavra final conteria toda a Civilização Ocidental.

Segundo Darwin, a evolução dos seres vivos se processa por seleção natural. Indivíduos de uma mesma espécie conseguem adaptar-se a determinada situação, a partir de sutis modificações em sua estrutura, dando origem a mutações que resultam em novas espécies. Processo lento. Demanda milhões de anos.

A Doutrina Espírita admite a seleção natural, mas com reparo fundamental: Nada é aleatório. Há um planejamento feito por Espíritos Superiores, prepostos divinos.

Nosso corpo físico, que causa espanto aos cientistas por sua perfeição, levou milhões de anos para ser aprimorado pelos técnicos espirituais, que trabalham na intimidade das células, direcionando as mutações. Tudo isso implica em organização, marcada por uma hierarquia.

No topo a figura extraordinária de Jesus, que segundo informa Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, não foi simplesmente o fundador de uma religião. Muito mais que isso – é nosso governador!

Alunos do educandário terrestre, temos recebido a visita de muitos professores, cultos e sensíveis, que periodicamente nos trazem algo de seus conhecimentos, de suas virtudes. Sócrates, Platão, Aristóteles, Confúcio, Buda, Lao-tsé, Moisés, Isaías e Francisco de Assis, são alguns deles.

E houve a revelação maior, tão grandiosa, tão transcendente, que o próprio governador decidiu trazê-la pessoalmente. Foi assim que Jesus aportou no planeta com a divina revelação do Amor.

A palavra amor, embora empregada e decantada hoje mais do que nunca, está repleta de conotações infelizes que a desgastam.

Muitos confundem amor com sexo, ignorando a lição elementar de que o sexo é apenas parte do amor e não a mais importante.

Há os que fazem do amor um exercício de exclusivismo, sufocando o ser amado com exigências descabidas.

Há os que amam como quem aprecia um doce. Gostam dele porque satisfaz o paladar… Assim, cansam-se logo de amar, porque estão saciados ou empolgados por novos sabores.

Há os que fazem do amor um exercício de egoísmo a dois, pretendendo construir um céu particular. Dane-se o resto.

O amor é muito mais que isso! Em sua grandeza essencial, o amor é um exercício de fraternidade e solidariedade entre os homens, inspirando a derrubada das barreiras de nacionalidade, raça e crença, para que sejamos na Terra uma grande família.

Foi para nos transmitir essa revelação gloriosa, esse tipo de amor, que Jesus esteve entre nós, não desdenhando lutas e sacrifícios.

Na questão 625, de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta:

Qual o modelo supremo que Deus ofereceu ao Homem para lhe servir de guia e modelo?

Responde o mentor espiritual que o assiste: Jesus.

E comenta o codificador: Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é expressão mais pura da Lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito divino o animava.

Adeptos de qualquer doutrina religiosa vinculada ao Cristianismo, abençoados os que aceitam Jesus por Mestre, que colocam em prática as suas lições e observam seus exemplos.

Estes vivem sempre bem, felizes, e animados, mesmo em meio às dores e atribulações humanas, porque, como diz Carmem Cinira, psicografia de Francisco Cândido Xavier (Parnaso de Além-Túmulo):

… com o mundo uma flor tem mil espinhos,
Mas com Jesus, um espinho tem mil flores.


Richard Simonetti
Fonte:
Agenda Brasil


25 junho 2021

Por que temos medo da morte? - Luís Jorge Lira Neto


POR QUE TEMOS MEDO DA MORTE?


Nasci, logo comecei a morrer.
Como recém-nato, me aproximo da morte.
No bem-viver, o temor de morrer.
Ao fim, segui com a morte.

O temor da morte permeia a existência de todo sobrevivente. Medo da finitude? Receio da extinção? Incertezas sobre o futuro? Crise existencial? Muitos questionamentos surgem diante dessa certeza do fim da vida material, inspirando o mestre das palavras, Shakespeare, que sintetizou esse temor numa frase: “Ser ou não ser, eis a questão”, induzindo à dicotomia entre o existir ou não existir, ou de viver ou morrer, característico do pensamento humano. Assim se pensa a vida, essa unicidade do existir que leva a temer a morte, juntamente com a força instintiva de sobrevivência, que tanto nos une ao mundo animal.

Povos de todas as épocas têm-se defrontado com esse fenômeno natural, desenvolvendo ao longo do tempo sistemas de convivência e sobrevivência, surgido assim, no espaço cultural, os mitos, ritos, espaços e palavras sagradas, traduzidos em religiosidade. Manter contato com o sobrenatural é a forma de desmitificar a morte e com ela se vai o temor, transformando os simples mortais em seres superiores, deuses, semideuses e heróis. À frente dessa realidade da imortalidade, surgem as religiões, institucionalizadas, com seus séquitos e cânones sagrados, dominando o espaço cultural, outrora de livre manifestação, em clausuras que de tempos em tempos tem-se suas rupturas, pois estruturas que primem o livre-arbítrio levam a convulsões.

A morte e os pensadores

No campo filosófico o tema morte é suporte para o próprio exercício de filosofar. Vejam Sócrates, que definiu a filosofia como "preparação para a morte": Sem a morte, seria mesmo difícil filosofar. Vários filósofos citaram célebres frases sobre a morte. Epicuro: "A morte é uma quimera: porque enquanto eu existo, ela não existe; e quando ela existe, eu já não existo"; Michel de Montaigne: "Meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade"; Arthur Schopenhauer: “A morte é a musa da filosofia"; Sören Kierkegaard: “O morrer à própria morte significa viver"; Friedrich Nietzsche: "Tudo perece, tudo, portanto, merece perecer!"; Martin Heidegger: “O ser do homem é um ser que caminha para a morte", PAUL SATRE: A morte é “nadificação de todas as minhas possibilidades, nadificação essa que já não mais faz parte de minhas possibilidades”. Da visão filosófica otimista, na qual o ser continua numa vida futura, ao niilismo em que a morte é a extinção do indivíduo, a morte é algo definido como essencial ao ser.

A morte não é o fim

Para fazer contraposição a isso, surge na França do século 19 o espiritismo, doutrina elaborada pelo francês Allan Kardec e os espíritos, que tem por finalidade o estudo da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal. A publicação de O livro dos espíritos, em 1857, marcou o início da doutrina espírita classificada como uma filosofia espiritualista. Com várias outras obras publicadas, destacamos O céu e o inferno ou A justiça divina segundo o espiritismo, de 1865. Este livro é composto em duas partes, a primeira é um exame comparado das doutrinas sobre o processo da morte, a vida espiritual e a segunda tem exemplos da situação real dos Espíritos durante e depois da morte. Portanto, um duplo estudo comparativo, um conceitual entre as doutrinas pagãs, cristãs de matriz católica e o espiritismo, o outro vivencial, tomando como base as entrevistas com os Espíritos, seguindo a classificação da Escala Espírita.

Kardec inseriu nesse livro um texto sobre temor da morte no capítulo II da 1ª parte, subdividido em dois assuntos: “Causas do temor da morte” e “Por que os espíritas não temem a morte”, que passamos a analisá-los.

Causas do temor da morte

O autor, ao abordar as causas do temor da morte, parte da premissa (Kardec, 2002, p.33) que “o homem, em qualquer situação social, desde o estado de selvageria, tem o pressentimento inato do futuro. Sua intuição lhe diz que a morte não é a última fase da existência e que aqueles que choramos não estão perdidos para sempre”, propondo que é inato na humanidade o sentimento do futuro pós-morte, sendo uma crença intuitiva em que a morte não é o último termo da existência. No entanto, observou que entre os que acreditam na imortalidade da alma, tantos ainda se apegam às coisas terrenas e sentem o temor pela morte. Em busca de uma resposta plausível, Kardec a encontra nessa assertiva (Kardec, 2002, p.33): “A preocupação com a morte é determinada pela sabedoria da Providência e uma consequência do instinto de conservação comum a todos os seres vivos.” Assim, o temor da morte é efeito da Providência Divina e uma consequência do instinto de conservação, e complementa: “É necessária, enquanto o homem não estiver esclarecido a respeito da vida futura”.

As dúvidas sobre a vida futura

Com isso, é possível perceber duas constatações: a primeira é que esse temor decorre da noção insuficiente sobre as condições da vida futura, a segunda é que o temor surge da necessidade de viver e do receio de que a destruição do corpo seja a destruição total da individualidade. E conclui que é preciso conhecer o mundo espiritual tanto quanto possível através do pensamento, para ter uma ideia mais assertiva possível deste. Mas, pondera que é providencial não o apresentar sob uma perspectiva muito positiva, pois o levaria a negligenciar o presente.

A argumentação continua com a apresentação de quatro causas para a existência do temor da morte.

A primeira trata do aspecto sobre o qual se apresenta a vida futura, que não satisfaz às exigências racionais de “homens de reflexão”, verdades absolutas e princípios que subvertem a lógica, e aos dados positivos da ciência, que só poderiam resultar em incredulidade para alguns e em crença duvidosa para muitos. A segunda, liga-se ao quadro horrendo da vida futura apresentado pela religião, principalmente as denominações judaico-cristãs, com condenados em torturas infindáveis, almas aguardando orações dos humanos para se libertarem e, para os eleitos, um gozo eterno de beatitude contemplativa. A terceira, diz respeito às cerimônias nos funerais, que mais aterrorizam, infundem desespero e desesperança. Tudo concorre para inspirar o pavor da morte em lugar de despertar a esperança.

Por último, a imposição de barreiras insuperáveis de relacionamento e de comunicação das pessoas com seus entes queridos que já morreram, colocando entre os mortos e os vivos uma distância imensa, que faz considerar a separação como definitiva e eterna. Por isso, nos leva a preferir uma vida de sofrimento, com as pessoas que amamos, do que viver num céu isolado do convívio delas.

Por que o espírita não teme a morte

O segundo assunto do capítulo demonstra a percepção dos que assimilam a mensagem do espiritismo sobre a vida futura e, portanto, não se preocupam com a morte do corpo físico. Kardec parte do fato de que a doutrina espírita muda completamente a forma de ver o futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese e torna-se uma realidade, ou seja, os princípios espíritas no porvir transformam a incerteza no futuro pós-morte em certeza da continuidade da vida. Modifica um sistema arraigado em crenças de desesperança em um sistema de observação da vida espiritual.

A realidade espiritual

O autor, aqui também, faz duas constatações: de início que a situação das almas após a morte não se explica por meio de um sistema de crenças, mas pelo resultado da observação, que permite conhecer a realidade do mundo espiritual, e que esse conhecimento lhe traz confiança baseada (KARDEC, 2002, p.45) “nos fatos que testemunharam e na concordância com a lógica, com a justiça e a bondade de Deus e com as aspirações mais profundas do homem”, concluindo que o temor da morte para o espírita perde a razão de ser, porque ele não tem dúvida sobre o futuro. Então encara a morte com tranquilidade, aguarda-a como uma libertação.

Mundo corpóreo e espiritual: perpétuas relações de apoio 

Kardec extrai dessas informações duas causas que levam o espírita a não temer a morte. Primeiro que ele aprendeu que a alma não é uma abstração, tem um corpo que a faz um ser definido, uma forma concreta, seres viventes, que estão à nossa volta e, segundo, que o mundo corpóreo e o espiritual identificam-se em perpétuas relações de apoio mútuo.

O espiritismo detém um conhecimento que mitiga medos e fobias, que consola pelo conhecimento e sentimento. Dele pode-se absorver a confiança e atitude altruísta diante das calamidades e problemas humanos, convictos pelas informações que demonstram a justiça e bondade divina a nos cercar de garantias de uma vida futura de paz e harmonia.

O espiritismo venceu a morte!

Oh morte! donde estás?

Agora cala-te diante dos fatos irrefutáveis.

Transformastes em liberdade,

porque conhecemos a Verdade!

Luís Jorge Lira Neto*
Fonte: Correio Fraterno

*Escritor, pesquisador e colaborador da Associação Espírita Casa dos Humildes, no Recife, e da Associação Brasileira dos Divulgadores do Espiritismo.

Referência:

KARDEC, Allan. O céu e o inferno ou A justiça divina segundo o espiritismo. Tradução J. Herculano Pires e João Teixeira de Paula. 10. ed. São Paulo: Lake, 2002.

24 junho 2021

Em Defesa da Vida - Hipocrisia e Verdade - Marcus De Mario

 
EM DEFESA DA VIDA - HIPOCRISIA OU VERDADE

Afirma Jesus, nosso Mestre, que existem muitos lobos em pele de ovelha, assim como muitos túmulos pintados de branco por fora, mas cheios de podridão por dentro. São referências feitas pelo Guia e Modelo da humanidade com relação a nós, seres humanos, capazes de falar uma coisa e pensar outra, de dissimular compreensão e paz à frente dos outros e nos bastidores tomar atitudes totalmente contrárias. Somos capazes de fingir amizade, quando na verdade odiamos a pessoa, e isso fazemos apenas a benefício de vantagens pessoais. Tudo isso revela o quanto vivemos na hipocrisia, parecendo ser o que não somos.

O hipócrita, por dominar a arte da simulação, pode enganar os mais ingênuos, mas com o tempo acaba se traindo, colocando às claras suas reais intenções, pois não consegue dissimular por muito tempo, ainda mais quando seus verdadeiros objetivos estão satisfeitos. Precisamos nos prevenir quanto aos enganadores da boa fé, que vestem a capa de profetas quando não o são.

A hipocrisia é incompatível com a verdade. A hipocrisia revela o ser moralmente inferior que ainda somos. A hipocrisia é a negação das lições do Evangelho, que nos levam à fraternidade, solidariedade, ética, respeito, compreensão, tolerância, enfim, a todas as virtudes que honram o caráter das pessoas de bem.

Muitos males sociais têm por motivo a hipocrisia. Quantas dissidências, tumultos, crises, guerras poderiam ser evitadas se as pessoas fossem menos hipócritas e mais verdadeiras, sabendo dialogar e renunciar a interesses pessoais nem sempre legítimos.

Disse Jesus que nosso falar deve ser sim, sim; não, não, ou seja, devemos nos posicionar favoravelmente quando for o caso, e contrariamente quando for necessário, fazendo sempre prevalecer a verdade e os interesses coletivos, evitando assim qualquer atitude dissimulada, pois nada pior do que depois, nos bastidores, trabalhar de forma contrária.

Marcus De Mario
Fonte:
Correio Espírita


23 junho 2021

Vícios na Visão Espírita e Dificuldades em Deixá-los - Fernanda Oliveira

 
VÍCIOS NA VISÃO ESPÍRITA E DIFICULDADE EM DEIXÁ-LOS

Vício, segundo o dicionário Michaelis Online, é defeito físico ou moral, imperfeição grave de uma pessoa ou coisa; disposição natural ou tendência para praticar o mal; qualquer ação ou comportamento nocivo motivado por essa tendência; qualquer costume condenável ou prejudicial; costume ou habito permanente de fazer algo; mania; dependência de uma ou mais de uma droga estupefaciente ou de bebida alcoólica, levando a um consumo geralmente incontrolável.

A maioria de nós, de uma forma ou outra, cultivamos ás vezes de forma inconsciente ou não, algum tipo de vício em menor ou maior grau. Vícios demonstram situações e conflitos psicológicos, que levam a busca de algum tipo de fuga que possa amenizar a dor de viver, a perplexidade ou negação da vida, medos e inseguranças.

São desajustes de ordem emocional da nossa natureza imperfeita que objetiva o imediatismo material antes do espiritual. Evidenciam a nossa posição mental inferior que nos leva a hábitos e vontades negativas.

As ilusões do mundo impedem a visão da realidade, e muitos não suportam a realidade e preferem fugir através dos vícios, buscando entorpecer os sentidos para que não tenham que enfrentar a si mesmos. Geralmente os vícios são materiais, como comida, sexo, drogas, trabalho em excesso, etc.

Quando não fazemos nada e descansamos muito, machucamos o corpo, praticamos muita atividade física, consumismo...

O individuo perde o equilíbrio e ilude-se supondo que felicidade é o prazer proporcionado pelo hábito prejudicial praticado. A pergunta 712 de O Livro Dos Espíritos questiona: ”Com que objetivo Deus pôs um atrativo nos gozos dos bens materiais? “Para incitar o homem ao cumprimento de sua missão e, também, para experimentá-lo, através da tentação.” a) Qual o objetivo dessa tentação? “Desenvolver sua razão, que deve preservá-lo dos excessos.” Se comemos demais, usamos drogas ou bebidas alcoólicas, fumamos ou machucamos nosso corpo de qualquer outro modo, estaremos danificando nosso corpo físico que é nosso principal instrumento e estaremos agindo em desarmonia com as leis divinas.

Segundo André Luiz, em Nosso Lar, certos comportamentos criam uma espécie de glomérulo negro, que ataca o aparelho físico do espírito por meio do perispírito; podendo causar a animalização do espírito devido aos miasmas adquiridos pelos pensamentos e pelas companhias espirituais que o uso de alucinógenos e de vícios criam.

Segundo esclarecimento da questão 714 de O Livro Dos Espíritos: “O homem que procura, nos excessos de todos os gêneros, um refinamento de gozos coloca-se abaixo do animal, pois este sabe parar, quando satisfeita a sua necessidade. Abdica da razão que Deus lhe deu como guia e, quanto maiores forem os seus excessos, maior preponderância ele dá à sua natureza animal sobre sua natureza espiritual. As doenças, as enfermidades, a própria morte, que são consequência do abuso, são, ao mesmo tempo, a punição à transgressão da lei de Deus”.

O corpo humano funciona como uma esponja que suga o que vai para o espírito. O corpo físico expressa o que vai nos nossos pensamentos, atitudes, no nosso interior e coração.

Cada um vive no campo de sua sementeira. A influência dos nossos pensamentos é de grande significação. Os vícios são resultado de um comportamento desequilibrado da mente. Todo mal por nós praticado expressa, de algum modo, lesão em nossa consciência e toda lesão determina distúrbio ou mutilação no organismo que exterioriza o modo de ser. Temos uma boa noção do que faz mal e do que faz bem ao nosso organismo. Quando cometemos excessos ou utilizamos e abusamos de substâncias prejudiciais acabamos criando necessidades que não são reais. Por meio dos pensamentos, os obsessores encontram os vícios compatíveis com as afinidades trazidas de sua encarnação passada. A compulsão passa a satisfazer o vício do espírito obsessor, não mais apenas do encarnado. Através dos nossos pensamentos emocionais, intelectuais e morais atraímos espíritos afins, que penetram no nosso pensamento e nos influenciam, quando estamos na mesma faixa vibratória nos conectamos ao espírito desencarnado sofrendo o processo de obsessão; sendo coagido por automatismos vibratórios e entrando em sintonia com aqueles pensamentos, esses espíritos exercem uma influencia sutil e eficiente e nos inspiram.

Nós espíritas somos pessoas como todas as outras pessoas; somos repletos de defeitos, ignorâncias, desconhecimentos e também portadores de virtudes. Conhecer a si mesmo é básico, saber onde a vida dá certo, encontrar a si e onde se realiza, devemos buscar estar plenos com uma vida que faz sentido. O objetivo maior da reencarnação é a capacidade que o ser possui de discernir e de fazer escolhas válidas para o seu próprio progresso. Dotado do livre arbítrio, ou seja, da liberdade de escolha, é o espírito o construtor de seu próprio destino.

Nossas ações sejam boas ou más ficam nos arquivos do inconsciente. Somos sempre autores de nossos sofrimentos ou da nossa felicidade e paz. Quando maltratamos nosso corpo físico ele morre antes do prazo que seria adequado a nossa encarnação e assim deixamos de ter a chance de aprender conceitos valiosos para o nosso desenvolvimento moral e espiritual. Não existe na Terra indivíduos que não passaram pelo caminho do erro para acertar, da sombra para enxergar a luz e da dor para apreciar o amor.

A doutrina espírita é um manual de educação integral oferecido a humanidade para a sua formação moral e espiritual na escola da Terra, com finalidade de promover o ser humano com fé racionada e ativa. A cura é a restauração biológica que reorienta o espírito, é como perder o caminho, a direção e depois retornar para a rota. Dentro de cada um está a sua cura para todos os males. Não existe mudança nos efeitos se não mudarmos as causas. O objetivo maior da reencarnação é a capacidade que o ser possui de discernir e de fazer escolhas válidas para o seu próprio progresso.


Vamos caminhando com escolhas conscientes, buscando o nosso equilíbrio, vigiando nossos pensamentos e atitudes na seara do bem. 
 
Fernanda Oliveira
Fonte:
Blog Letra Espírita


Referências:

1- KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

2- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 7ª edição. São Paulo. Ed. Lake, 2003.

3- KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo: noções elementares do mundo invisível, pelas manifestações dos Espíritos. Rio de Janeiro. Ed. FEB, 2005.

4- NETO, Alexandre Caldíni. A vida na visão do Espiritismo. 1ª edição. Ed. Sextant, 2017.

4- SCHUBERT, Suely. Transtornos Mentais. Ed. InterVidas, 2012.

6- XAVIER, Chico. Nosso Lar. Rio de Janeiro. Ed. FEB, 2014

22 junho 2021

O Triunfo Real - Joanna de Ângelis

 
O TRIUNFO REAL

No mundo físico todas as coisas, assim como acontecimentos, procedem das necessidades impostas pela matéria ou adquiridos como necessidades que se tornam indispensáveis nas injunções carnais.

A ética estabelece os postulados indispensáveis a um resultado opimo, mediante o qual muitas criaturas se acreditam abençoadas ou desditosas.

As questões de relacionamento interpessoal lentamente avultam e passam à primazia, enquanto o Espírito permanece numa situação secundária. Para conquistá-las são indispensáveis o discernimento entre a essência e o instrumento.

Porque visíveis e ricos de alternativas semelhantes, com o tempo surgem como fundamentais os impositivos externos.

À medida que se consegue a identificação entre o corpo e a alma torna-se essencial que o sopro vital mereça cuidados especiais, como o corpo impõe o oxigênio como fator básico para a vida.

Logo se adquire o saudável comportamento, surge a beleza da estética, que é uma ferramenta essencial para a conquista do talento e da harmonia

Com esses dois dispositivos filosóficos o ser empenha-se no esforço de abrilhantar a conduta mediante o propósito de autorrealização e, concomitantemente, o desenho da harmonia, que é a estética auxiliando-o a manter-se em contínua vigilância, a fim de que o exterior reflita com facilidade o interior.

Através dos milênios de evolução antropológica, armas especiais são utilizadas para que se transforme pedra bruta, o metal liquefeito e o barro pegajoso em incomparáveis artefatos que falam das gloriosas conquistas morais da criatura e que se transformam em indispensáveis ferramentas para o êxito.

Quando te detenhas na plenitude da conquista dos valores, não olhes apenas para o piso difícil ou lamentável, mas principalmente para selecionares os acidentes que podem empurrar na direção correta.

A ética é qual uma luz gloriosa brilhando na escuridão da ignorância.

Exige esforços e humildade, a fim de ser verdadeira, e não a sombra do orgulho mal oculto na astúcia ou nos labirintos do ego.

Essa conquista não para quando aparentemente lograda porque sempre se pode aprimorar o comportamento social e moral, baseando-se nas próprias Leis da Natureza.

O ser humano tem-nas como exemplo de ordem e de grandeza transcendente, servindo-lhe de base para a sua própria maneira de encarar a existência e de estar em perfeita sintonia com ela.

Pensa-se, não poucas vezes, num sentido ético, quando sendo uma conduta aprendida mediante teorias repetidas como valiosas para uma boa aceitação na sociedade. Antes trata-se de uma conquista moral pela seleção do que realmente é saudável e faz bem em relação a outras tantas que produzem prazer, mas desconectam o ser do sentido essencial do existir.

O primeiro direito que tem o ser é viver, e bem viver, não apenas viver bem acumulando coisas e situações que são descritas como necessárias para a felicidade.

Vale a pena refletir-se no ditado popular no qual o indivíduo feliz não tinha uma camisa, mas era sobretudo educado.

Eis a chave do princípio ético: educar-se a fim de enfrentar todas as ocorrências com o mesmo estado de ânimo e de prazer.

Quando te vires através dos óculos da autocompaixão ou do vitimismo, liberta-te do pieguismo e amadurece os teus sentimentos, de modo que se transformem num poliedro de aperfeiçoamento.

O bem sempre se adorna de paciência e amor, a fim de que tudo se transforme e possua a transparência de permitir que a luz atravesse os espaços e todo ele se transforme num sol de encantamento.

Não percas a oportunidade de igualar-te a quem te busque nos desvios do sofrimento, retirando as arestas e unindo-te mentalmente ao amor universal que paira em toda parte falando sobre a Glória de Deus.

Quando o Espírito desperta para a luz interior e segue-lhe a trajetória é banhado pelas dúlcidas vibrações da paz.

Somente existe a paz real e o triunfo legítimo quando o ser essencial tenha o mesmo conteúdo do vasilhame que o retém e o esparze.

Um longo período de adaptação e aprimoramento para saber valorizar quais as qualidades legítimas.

O processo de evolução do ser está presente em tudo: da imperfeição à ordem e, do belo ao necessitado de harmonia.

. Essa prerrogativa faz que compreendas que a união do Espírito com a matéria tem um significado mais profundo, além do conceito convencional; é o exato mecanismo para alçar-se da lama grosseira ao sublime instrumento de elevação.

Não te detenhas ante o equívoco e o desalinho e ninguém te sirva de modelo e guia, porque essas esplendorosas qualidades estão apenas em Jesus.

Surgem pessoas portadoras de brilho exterior que despertam interesse e parecem realmente felizes e completas. Exibem alegria e são aparentes exemplos de contentamento e de superioridade ante as vicissitudes do caminho. No entanto, quando urge manter o equilíbrio, demonstrar o valor moral ante os insucessos ou desagrados, desabam no trono da ilusão que erguem a fim de chamar a atenção.

Reserva-te a bênção do equilíbrio em qualquer situação existencial, sabendo que tudo são experiências no sentido do crescimento da vida e superação da ignorância.

Sendo aluno do Universo, sempre estás em aprendizagem e é fascinante poder enfrentar desafios que robustecem a coragem e vitalizam os recursos colocados a serviço do crescimento para Deus.

Os Espíritos nobres, quando reencarnados ou não, fazem-se identificar pela grandeza dos sentimentos e do carinho para com a Humanidade em todos os seus aspectos e quanto menos parecem mais são grandiosos onde se encontram.

São esses que demonstram a grandeza da vitória real, aquela que nunca muda de lugar e nem de características.

Quando pensares em triunfo recorda-te do Homem de Nazaré que, para demonstrar a glória da Imortalidade, não temeu o julgamento arbitrário, a cruz de infâmia e a morte.

No terceiro dia de expectativas, acima das desconfianças e perseguições de todo lado, voltou em triunfo ao nosso convívio para ficar sempre conosco.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, em 4 de novembro de 2020, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

21 junho 2021

Por que o riso incomoda muitos espíritas? - Marcelo Henrique Pereira


POR QUE O RISO INCOMODA MUITOS ESPÍRITAS?

Incomoda ou não incomoda? Eis, aí, o dilema…

Haverá um segmento que, ao ler o título deste artigo, terá cólicas e franzirá a testa em desaprovação. E dirão: – Como pode uma doutrina consoladora se posicionar contra o riso?

E, de outro lado, testemunhas de fatos ou tendo experimentado, na própria pele, a intransigência para com o riso em “ambientes” espíritas, irão balançar a cabeça afirmativamente.

E você, como se posiciona?

Inicialmente devemos estabelecer uma diferença de sorrir e rir. No primeiro caso, os sorrisos são comuns em qualquer agrupamento humano, sobretudo em face dos reencontros possíveis, semanalmente na instituição que se frequente, seja ela educacional, cultural, assistencial, filosófica ou religiosa.

O sorriso é até uma espécie de cumprimento, que pode ou não desencadear a aproximação física, o toque, o abraço, o aperto de mão e algumas expressões verbais, meio que chavão, como o “tudo bem?”.

Já o riso…

Este parece ser talhado para o ostracismo e o combate. Alguns mais ortodoxos, inclusive, irão dizer: – Num ambiente de prece, atendimento e consolo, certas extravagâncias não têm espaço! Enquanto outro, lá do fundo, se não fala, pensa: – Mas que pessoa(s) escandalosa(s)! Não sabe(m) nem se conter e rir “baixo”!?

Obviamente, em geral, o riso contagia. Parece espargir alegria aos circunstantes. E promove a leveza (insustentável) do ser, como disse Kundera. E é insustentável porque logo virão os dissabores existenciais, as provas, as expiações, as dificuldades…

Que seja, então, o riso, eterno enquanto dure, parafraseando um de nossos poetas maiores, Vinícius…

As heranças culturais religiosas parecem figurar como dolorosos entraves para a liberdade (ou a leveza do cronista), ancorados na falsa premissa de que “os sacrifícios agradam a Deus”. Se o Criador, pela própria definição religiosa, maravilhou-se com a sua obra e estabeleceu como “destino” do homem a sua própria felicidade, como fincar os pés em uma embarcação que só enfrenta tormentas? Não me parece lógico… E, no fundo, não é mesmo.

Relembremos a obra magistral de Umberto Eco, na forma de livro que virou filme e encantou milhões de pessoas mundo afora, com um maduro Sean Connery (1930-2020) magistralmente interpretando um monge. Ele chega a um mosteiro para um conclave que discute se a Igreja deveria ou não doar parte de suas riquezas, mas que se converte em investigador de alguns crimes que lá ocorrem. O personagem tem como nome William de Baskerville.

Numa das cenas mais apaixonantes do filme, um dos abades, cego, é interrogado por Baskerville, buscando subsídios para decifrar os crimes. O clérigo, então, questiona o investigador: – O que você realmente deseja?

William, de pronto, responde: – Eu quero o livro grego, aquele que, segundo você, nunca foi escrito. Um livro que trata apenas de comédia, que você odeia, tanto quanto o riso.

E prossegue: – É provavelmente a única cópia preservada de um livro de poesia de Aristóteles. Mas… Existem muitos livros que tratam de comédia. Por que este livro é precisamente tão perigoso?

O abade retruca: – Porque é de Aristóteles e vai fazer rir!

Baskerville devolve com outra questão: – O que é perturbador no fato de os homens poderem rir?

Eis que o abade sentencia, encerrando o interrogatório: – O riso mata o medo! E, sem medo, não pode haver fé! Pois quem não teme o diabo não precisa mais de Deus!

O medo soterra o riso, amaldiçoado desde sempre, pelas prescrições da religião. O medo sepulta a espontaneidade, visto que há convenções religiosas que precisam ser respeitadas. O medo invalida a criatividade, posto que os padrões estabelecidos são mais confortáveis aos que dirigem, diminuindo o esforço de lidar com o novo. O medo impõe caras tristes, semblantes fechados, posturas genuflexas, cabeças baixas, como que a suportar o peso do mundo sobre seus ombros.

Este é o nosso diabo moderno espírita, que engessa as pessoas e afasta tanta gente das instituições espíritas: a conformação a padrões estabelecidos, a subserviência a cânones impostos por certas personalidades, e a ideia “doutrinária” de que, por ser, este, um plano de expiações e provas, as criaturas devem concentrar todos os esforços em melhorarem-se. Em sendo esta tarefa dura, difícil, tenaz – dizem eles – não há espaço para gracejos e gargalhadas.

Que pena!

Fico imaginando aqueles onze homens e uma mulher, simples, do povo, de formações e profissões diferentes, condicionadas à sisudez da posição de crentes tementes a Deus. Cenário impossível… Mesmo diante das adversidades daquele povo, havia festejos e a presença na “Casa do Pai”, como tradicionalmente simboliza o templo, era motivo de regozijo e alegria. Como conceber um Pesach (Páscoa) sem cantos e danças, sem risos e gargalhadas, sem emotividade e satisfação?

Ou, então, como imaginar Rivail e Amélie sem receber convidados em seu modesto apartamento, sem frequentar os animados salões de Paris, sem se reunir festivamente com seus colegas de profissão, academia, trabalho, vizinhança? Que pobreza teria sido uma vida assim! Que inútil, igualmente!

Yeshua e Kardec foram, inegavelmente, homens à frente do seu tempo e almas muito mais maduras que a imensa maioria de seus patrícios. Por isso, sabiam o inestimável valor do riso, como o próprio festejo da existência, em mais uma jornada de aprendizado.

Fico por aqui com meus sorrisos, diante da expectativa em relação a você, que irá ler este meu artigo. E, quem sabe, logo, logo, pelos caminhos da vida, possamos nos encontrar e gargalhar, lembrando da necessidade de romper com certos paradigmas que nos foram impostos, quase sempre, por quem adotou a ideia do “pecado” – materializado na tese de eventual desrespeito ao “templo” espírita e aos Espíritos Superiores que ali comparecem para ministrar lições e atender aos enfermos – porque ainda não conseguiram se libertar dos atavismos culturais-religiosos de suas sucessivas existências.

Rio eu, ri você, rimos todos nós! Porque a mensagem espiritualizada é aquela que nos dá prazer e que transforma nosso semblante para o formato risonho, que cativa e reverbera…

Marcelo Henrique Pereira
Fonte: Portal Casa Espírita Nova Era

20 junho 2021

Grávidas Angustiadas - Orson Peter Carrara

 
GRÁVIDAS ANGUSTIADAS

É comum nos depararmos com mulheres angustiadas pela gravidez, especialmente as mais jovens, quando resultantes de situações inesperadas e muitas vezes agressivas quando das violências sexuais. Por outro lado, ocorrem muitas situações também de pressões familiares (dos pais ou cônjuges) para o aborto, em razão de fatores variados.

Se você se encontra em situação parecida, na angústia e na dúvida, sofrendo inclusive a tentação do equívoco do aborto, quero te sugerir ler o capítulo IV – Aventura de Mulher, constante do livro Ave, Cristo! (Emmanuel, edição FEB).

Ali está um caso de tentativa de aborto, frustrada por uma situação que vai te surpreender. Não deixe de ler. Vai te fortalecer e te indicar caminhos de que é preciso preservar a vida, por razões que nos escapam, além do próprio dever de respeitar a vida.

O aborto provocado, muito diferente do espontâneo, não é simplesmente apenas um crime como previsto nas leis humanas. Vai além, pois gera desdobramentos no tempo que não temos como dimensionar, além das consequências quase imediatas em muitos casos. Vai além porque é igualmente agressão não apenas a um ser vivente, mas a toda uma história de conexão entre gestante e feto, que continua…

Deixo a você ler a indicação para aproveitar-se das orientações ali contidas, num episódio não tão comum, mas diretamente ligado às angústias de uma gestante que pensa ou tenta se livrar da vida que leva em seu ventre, como acontece a tantas mulheres. Você encontra o livro em PDF na net.

Orson Peter Carraro
Fonte:
Kardec Rio Preto


19 junho 2021

Simpatia - Emmanuel

 
SIMPATIA

LE> Questão nº 931 - Por que são mais numerosas, na sociedade, as classes sofredoras do que as felizes? “Nenhuma é perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições. O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas por ser a Terra lugar de expiação. Quando a houver transformado em morada do bem e de Espíritos bons, o homem deixará de ser infeliz aí, e ela lhe será o paraíso terrestre.”

* * *

Compadece-te de quem se aproxima.

Não te encarceres nas aparências.

Há risadas que disfarçam soluços.

Muita veste custosa esconde feridas.

O legislador que te parece feliz muita vez gemerá em desespero silencioso.

O administrador que passa, indiferente, carrega na cabeça tão esfogueantes problemas que deixou de saudar-te.

O expositor de ensinamentos sublimes que se te afigura a cavaleiro das vicissitudes humanas caminhará, talvez, cada dia, atormentado de tentações.

O titulado que respira sob o apreço público, pela elevação cultural e profissional a que se guindou, em muitas ocasiões transporta consigo amargas experiências.

O comerciante que supões regalado, na mesa opípara, guarda provavelmente o estômago ulceroso, com extrema dificuldade para comer.

O artista que presumes campeão do prazer, porque trabalha sorrindo, quase sempre possui no coração um vaso de lágrimas.

A mulher que julgas vaidosa, porque anda adornada, em muitas circunstâncias chora por dentro, crucificada no martírio doméstico.

A pessoa que acreditas insensata, por revelar-se autoritária ou pretensiosa, na maioria das vezes é simples caso de obsessão.

A sociedade é filtro gigantesco do espírito. Cada consciência permanece no crivo que lhe é necessário.

Atende à fome do corpo, mas não desprezes a fome da alma.

Alivia aqueles que exibem chagas à mostra; no entanto, ampara também os que trazem chagas ocultas.

Toda criatura pede auxílio e entendimento.

E ninguém há que não seja digno de socorro e compreensão.

Cede, assim, aos outros a simpatia que advogas em favor de ti mesmo.

Todos sabemos que a Terra é ainda estação de lutas expiatórias, mas será de futuro o domicílio do Eterno Bem.

Contudo, estejamos certos de que o bem de todos começa sempre no esforço construtivo de cada um.

Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Fonte: Religião dos Espíritos - 89

18 junho 2021

Adversidades na vida de um médium - Adriana Machado


ADVERSIDADES NA VIDA DE UM MÉDIUM

Uma grande quantidade de pessoas, que vê um médium trabalhando e que admira o seu trabalho, acha que ele é um santo. Se não é para tanto, por vezes, elas acreditam que este médium é desprovido de vícios ou que, no mínimo, os seus vícios não são tão mundanos quanto os delas.

Sinto informar para os mais desavisados que aqueles que hoje estão na função de médiuns são seres normais como qualquer outro ou até mais devedores. Não são aqueles que falam que mais precisam se escutar?

Talvez, o que faz os médiuns na tarefa se diferenciarem dos outros “seres normais” é que eles, por receberem muitas informações da espiritualidade, estudarem bastante e buscarem aprimoramento interior, tentam se portar com mais responsabilidade, buscando uma coerência entre as suas crenças, suas ações e comportamentos.

De qualquer forma, por sermos médiuns, e tentarmos levar a nossa vida mais reta (frisa-se, tentarmos), não somos isentos das necessárias experiências que nos elevarão em nossa escala evolutiva. Muito antes pelo contrário, somos testados todos os dias para vermos por nós mesmos se estamos compreendendo os ensinamentos que saem de nossas bocas, que escutamos a cada reunião.

Ouço a espiritualidade falar o tempo inteiro que, somente os doentes procuram os hospitais e somente os que necessitam vão a um Centro espírita e... nele trabalham. Não há dúvida, portanto, que somos necessitados ajudando necessitados a se levantarem... junto conosco.

Por incrível que pareça, percebo que alguns espíritas não gostam que falemos assim, porque poderia parecer que não temos condições de ajudar os outros, mas eu, ao contrário, nos vejo como aquele ser que, por passar pelas mesmas dores do outro, tem condição de entendê-lo e não julgá-lo, de entendê-lo e consolá-lo.

Ouvimos muitas vezes que somente quem passa pela mesma experiência de quem está sofrendo poderá compreender a sua dor. Então, esses somos nós, nos espelhando no outro e compreendendo que podemos, ou melhor, devemos agir com eles como gostaríamos de ser acolhidos.

Também temos vivências tristes, temos experiências dolorosas, caímos e nos levantamos para cairmos de novo e levantarmos de novo, mas, está em nós a vontade sincera de, através do intercâmbio com o mundo espiritual, nos doarmos para que os seus lindos ensinamentos cheguem aos que ainda não podem escutá-los e trazer-lhes a paz e o consolo que sentimos quando nesta conexão.

Se os “seres normais” passam mal por circunstâncias ou energias desarmonizadoras, nós também. Lutamos incessantemente para o nosso reequilíbrio, porque não somos isentos dos desequilíbrios interiores que nos assolam e que estamos, por ideal, lutando para compreendê-los e superá-los.

Não é fácil para um médium ter que lidar com as suas próprias carências e dificuldades, imagine então quando tem que lidar com os julgamentos alheios e idolatrias sem fundamento que os outros, por ignorância, fazem dele.

Se vocês conhecem um médium que vocês têm apreço, façam um favor para ele: vejam-no como um ser humano, cheio de imperfeições, mas que tem um objetivo sincero de superar a si mesmo e ajudar ao próximo do jeitinho que ele é capaz de fazer. Nada mais.


17 junho 2021

Escravagismo visceral - Marcelo Teixeira


ESCRAVAGISMO VISCERAL

A 21ª edição do programa “Big Brother Brasil” (BBB – TV Globo, 2021) levou ao ar, em uma das competições, uma cena que bem evidencia o título deste artigo. Os participantes selecionados para uma das diversas provas tinham de abrir portas de armários de cozinha. Quem abrisse a porta correta, ganhava um prêmio e escapava do temido paredão. Por mais de uma vez, o apresentador do programa teve de chamar a atenção de um dos competidores. Motivo: ele não fechava as portas que escolhera abrir. Ao ser advertido pela terceira vez, o rapaz – um galalau de corpo sarado, 26 anos –, disse, de forma sorridente e despretensiosa, que tinha esse hábito em casa. Trocando em miúdos: no dia a dia, ele abre o armário para pegar, por exemplo, uma lata de leite em pó e não o fecha. Isso quer dizer que o armário fica com uma porta aberta e quem quiser que a feche. Em geral, a empregada ou, na ausência dela, aquela serviçal popularmente conhecida como mãe. Ele é o barão; a genitora, avó ou similar é a escrava, que sai arrumando a desordem por ele deixada.

Já falei sobre a escravidão arraigada na alma do brasileiro em outros artigos. Mas sempre me vejo no dever de voltar ao assunto, pois, em minha mode
sta opinião, ele é algo que nos infelicita como nação e impede saltos qualitativos em áreas como educação, mercado de trabalho, direitos sociais, vivência cotidiana etc.

Utilizo a palavra visceral para dar título e corpo a estas linhas. Ela significa algo profundamente entranhado, difícil de ser dissipado, como se estivesse colado às nossas vísceras. Assim é a escravidão que ainda nos assola. Está tão enraizada em nosso modus operandi que não nos damos conta de como reproduzimos esse comportamento cotidianamente. Está presente tanto em fatos mais graves como nos mais triviais.

O exemplo do BBB é trivial. Assim como é o hábito que muitos empresários e empresárias (sejam de pequeno, médio ou grande porte) possuem de colocar o funcionário da empresa para fazer serviços particulares. Exemplo: ir à joalheria levar para consertar o fecho do colar da patroa ou ao plano de saúde pegar autorização para a realização da ultrassonografia do patrão. Já vi muito disso. E, é claro, esse funcionário nada recebe por esse serviço extra para o qual não foi contratado. E há também aquelas outras trivialidades, como pedir para o empregado trabalhar além do expediente e não pagar hora extra. E ai dele ou dela se reclamar. O patrão dirá que ele pode sair caso não esteja satisfeito e que há outros tantos milhares de candidatos para ocupar o lugar vago. Uma espécie de senhor de engenho ameaçando o escravo com o tronco do desemprego.

Há, entretanto, os casos graves. Bem mais graves, aliás. É terrivelmente comum jovens negros serem assassinados pela polícia simplesmente por serem negros. O tom da pele já os transforma em suspeitos ou, pior, réus. Não à toa, o percentual de homens negros encarcerados é superior ao dos brancos. Triste realidade de um país em que o preconceito racial e social ainda permanece entranhado nas vísceras. Há também fatos que causam profunda revolta. Em junho de 2020, o menino Miguel Otávio, de 8 anos, negro e filho de Mirtes de Souza, empregada doméstica, caiu do alto de um prédio de luxo no Recife. A mãe dele havia saído para passear com o cachorro da patroa – Sari Corte Real. Será que isso fazia parte das atribuições da mãe do menino ou a patroa não queria ir à rua para não se expor ao coronavírus? Ela, esposa do prefeito de uma cidade da região, temia se contaminar, tudo leva a crer. Mas a empregada, pelo visto, podia estar exposta. Afinal, a vida dos subalternos vale menos que a dos patrões, ainda mais se os primeiros forem negros. Há outro agravante: a empregada e seu filho eram para estar em casa, seguindo as orientações sanitárias de isolamento social. Se ela foi trabalhar é porque a madame não a liberou. E levou o menino junto porque as creches estavam fechadas, cumprindo o estabelecido.

Como Miguel sentiu falta da mãe e começou a chorar e reclamar, a dona do imóvel, para se livrar do incômodo, permitiu que ele saísse. Ato contínuo, Miguel Otávio entrou no elevador, e ela mesma se encarregou de apertar os botões dos andares para que o garoto a deixasse em paz. Depois, voltou para o apartamento e não se importou mais com o destino da criança. Miguel desceu num andar mais alto, escalou uma grade, caiu e veio a óbito.

Segundo a historiadora Luciana da Cruz Brito, professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em matéria publicada, na ocasião, no site da BBC News, no Brasil “temos o princípio de que algumas pessoas são mais humanas que outras”. Por isso, empregados não têm o direito de se proteger da Covid19, já que devem servir aos patrões. Funcionários de lojas e congêneres têm de ir trabalhar e se expor ao vírus apinhados em ônibus e trens, os filhos dos empregados não merecem o cuidado e a proteção que os filhos dos patrões e por aí vai. Tudo isso e muito mais, resquício de um tempo escravagista que durou oficialmente quatro séculos mais que ainda ecoa nas nossas relações sociais.

Em “O Livro dos Espíritos”, na questão 684, Allan Kardec pergunta o que se deve pensar dos que abusam da autoridade para impor excesso de trabalho aos inferiores. O plano espiritual responde que tal atitude é uma das piores que pode haver. Afinal, dizem os amigos espirituais, quem impõe tarefas excessivas a seus subordinados é responsável por tal, já que está transgredindo a lei de Deus.

Ninguém, portanto, é obrigado a trabalhar além das forças e das funções, principalmente em tempos difíceis como estes pelo qual passamos. Mas como o brasileiro adora fazer o próximo de boy de luxo, mucama, moleque de recados e afins, temos uma escravidão perpetuada que muito nos deprecia como nação. E isso vale tanto para as questões complexas como para as triviais.

Na mesma obra, na questão 830, Kardec pergunta: “Quando a escravidão faz parte dos costumes de um povo, são censuráveis os que dela aproveitam, embora só o façam conformando-se com um uso que lhes parece natural?”

Antes de comentar a resposta, convém analisar a pergunta à luz dos fatos que marcam a nossa História. Oficialmente, a escravidão foi abolida em 13 de maio de 1888. Mas os exemplos citados neste artigo, assim como milhares de outros, evidenciam que ela ainda faz parte dos costumes do povo brasileiro. Por isso, muitos ainda se aproveitam dela, como se fosse natural enxergarmos pessoas negras ou subalternas como inferiores ou possuidoras de menos direitos. A escravidão, reitero, ainda pauta a forma como nos relacionamos, infelizmente.

A resposta à pergunta 830 diz que “a responsabilidade do mal é relativa aos meios de que o homem disponha para compreendê-lo”. Isso significa que, quanto mais avançamos, mais devemos ter olhos de ver que toda essa estrutura social pautada na exploração da mão-de-obra alheia precisa começar a ruir. Trata-se de um longo trabalho que envolve justiça social, políticas públicas de inclusão, revisão da grade curricular a fim de que a escola forme cidadãos com consciência de classe e politicamente participativos etc.

A 830 diz ainda que, pelo fato de a escravidão ter se introduzido nos costumes de um povo, é comum que as pessoas dela se utilizassem como se fosse algo normal. Contudo, à medida que a sociedade progride (Sim, ela progride!) e as pessoas vão se tornando mais esclarecidas – inclusive pelas luzes do Cristianismo – não há mais desculpas para que os homens se tratem como desiguais, já que os outrora senhores e escravos são iguais perante Deus. E nada como a reencarnação – que põe abaixo as divisões de raça, credo religioso, orientação sexual e classe social –, para nos mostrar o quanto é urgente o Brasil deixar para trás o visceral ranço escravagista.

Até quando teremos de insistir no assunto para que todos percebam que não se avança como sociedade enquanto não derrubamos gradativamente certos alicerces para construirmos outros? Até quando o espírita fingirá não perceber que é impossível construir um mundo regenerado tendo como base pilares erguidos num mundo de provas e expiações? E até quando esse mesmo espírita continuará crendo que a doutrina espírita só existe para tratar de assuntos das nuvens para cima?


Bibliografia:

1. COSTA, Camilla – Caso Miguel: morte de menino no Recife mostra ‘como supremacia branca funciona no Brasil’, diz historiadora. Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52932110

2. KARDEC, Allan – O livro dos espíritos, 60ª edição, 1984, Federação Espírita Brasileira (FEB), Brasília, DF.