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31 julho 2010

Confiança Cega - Espírito Augusto

CONFIANÇA CEGA

"O orgulho tem posto a perder numerosos médiuns dotados das mais belas faculdades." - O Livro dos Médiuns, cap. 20 - 227.

No estudo da mediunidade é oportuno relacionar determinados comportamentos que podem comprometer o intercâmbio útil.

Empolgação sem discernimento;

Boa vontade sem estudo;

Exercício sem disciplina;

Instrumentalidade sem equilíbrio;

Força sem direção.

Quase sempre, atitudes como estas conduzem a resultados frustrantes por alimentarem a confiança cega nos comunicados que chegam de além-túmulo. Apesar do risco que isso representa, inúmeros companheiros se deixam levar pela irresponsabilidade, assumindo posturas inadequadas.

Recusam a crítica construtiva;

Isolam-se em suas teorias e práticas;

Duvidam da capacidade alheia;

Iludem-se quanto à auto-suficiência;

Trocam o esclarecimento pelo espetáculo;

Com isso, abrem as portas para entidades mistificadoras que passam a explorar-lhes o psiquismo.

Necessário compreender que esse tipo de comportamento frequentemente nasce da vaidade doentia, que aprofunda raízes do personalismo no solo da alma.

O orgulho exacerbado é uma chaga que desfigura o espírito. Nasce, muitas vezes, da falsa imagem que o indivíduo faz de si próprio, por desconhecer sua verdadeira realidade interior.

A prática mediúnica, porém, nos padrões espíritas, deve representar um curso de reeducação interior para o próprio médium.

A convivência com o plano extra-físico deve conduzi-lo a transformações de ordem moral.

A certeza sobre a imortalidade do espírito deve incentivá-lo à mudança de hábitos, principalmente os mentais.

A heterogeneidade evolutiva dos desencarnados deve despertar-lhe o discernimento.

O contato com as dores humanas, dos dois lados da vida, deve representar, ao mesmo tempo, uma advertência e um convite.

Praticada nestes moldes, a mediunidade representará, sobretudo, um saldo interior para a superação do ego, a fim de que o ser possa gravitar em níveis de consciência mais elevados.

Lembra que uma das principais metas do ser humano é a identificação plena com o amor cósmico, o que equivale a encontrar-se com as potencialidades divinas existentes em si mesmo.

Sem a predisposição para amar nessa esfera de compreensão, dificilmente produziremos resultados compensadores no intercâmbio mediúnico porque, distantes do amor que sabe discernir, continuaremos sujeitos ao orgulho que insiste em cegar, comprometendo nossos melhores propósitos no campo espiritual.

De "Mediunidade - Autoconhecimento",
de Clayton Levy,
pelo Espírito Augusto

30 julho 2010

Até Moisés - Irmão X

ATÉ MOISÉS

Quando Euclides Brandão desencarnou, aguardava imediato ingresso ao paraíso.

Vivera de Bíblia na mão, consultando textos diversos.

Declarava sempre que os dez mandamentos lhe controlavam a vida. Em pensamento, embora quisesse o mundo inteiro para si, reverenciava a Deus, não lhe prenunciava debalde o santo nome, observava o descanso dominical, honrava os pais, não matava, não adulterava, não furtava, não cobiçava, de publico, os bens do próximo, não obstante enredar as circunstâncias em seu favor, quanto lhe era possível, e não se entregava aos falsos testemunhos.

Por tudo isso, sentia-se Brandão com direitos líquidos no país da Morte.

Atingindo, porém, o limite, entre este mundo e o “outro”, em plena alfândega da espiritualidade, o nosso companheiro surpreendeu-se. Era atendido sem considerações especiais. Naquele vasto recinto de trabalho seletivo, via-se tratado como consulente vulgar numa agência de informações.

Chamado a esclarecimentos, travou-se entre ele e o funcionário da justiça divina interessante dialogo, depois das saudações espontâneas:

– Não há ordem, determinando minha transferência definitiva para o céu? – perguntou, confiadamente.

O interpelado, com jovial expressão, observou após inteirar-se, com pormenores, quanto à sua procedência:

– Não foi expedida qualquer resolução superior nesse sentido. O amigo era cristão?

– Sem dúvida – replicou Euclides, mordido no amor próprio – aceitei Jesus integralmente.

– Aceitou-o e seguiu-o?

– Perfeitamente. Lia-lhe o testamento dia e noite.

Lia-o e praticava-o?

– Com a máxima exatidão.

– Retirando, porém, os benefícios do Evangelho, aproveitava-se dele para renovar-se em Cristo, revelando-se melhor no aprendizado da sabedoria e da virtude?

Euclides respondeu afirmativamente. E porque se mostrasse um tanto melindrado com as interrogações, o fiscal da esfera superior recomendou-lhe enfileirar alguns dados autobiográficos, o mais sucintamente possível. Pretendia decifrar o enigma.

Encorajado, Brandão foi claro e breve.

– Eu – disse ele, demonstrando o gosto de exprimir-se invariavelmente na primeira pessoa – fui um homem justo na Terra. Sempre guardei cuidado em preservar esta característica de minha personalidade. Se recebia dos outros bondade e respeito, pagava com moedas iguais. Aos que me agradavam, aquinhoei com as vantagens suscetíveis de serem articuladas com a minha, influência. Tanto assim que deixei meus haveres a quantos me souberam conquistar simpatia. A todos, porem, que me fizeram mal, retribuí conforme propunham. Nunca tive inclinação para ajudar malfeitores, porque para eles não há suficientes grades no mundo. Quando molestado pelos maus, sabia conjugar o verbo corrigir e, se me incomodavam duramente, punia-os com aspereza. Corda e ferro não podem ser esquecidos na melhoria dos homens. Em sendo perseguido, jamais permiti que os amigos me tomassem dianteira na desforra. Não me calava ante qualquer desafio; por isso, se era convidado a contender, competia-me ganhar as demandas. Pisado pelos outros, dava o troco, de conformidade com as circunstâncias em que recebia as ofensas. Nunca perdi tempo, ensinando a delinqüentes e vagabundos o que não desejavam aprender, e, se às pessoas nobres tratei com generosidade, ofereci aos desonrados a repulsa que mereciam. Quando recebido a flores, improvisava um jardim aos que me favorecessem; mas, se era surpreendido com as pedradas, respondia com uma chuva de pedras.

Fez longa pausa e acentuou:

– Não suponha que exerci a justiça com facilidade. Ao homem de minha estirpe, que procura ser equilibrado e cristão, muito ingrata é a experiência terrestre.

Estampou engraçada expressão fisionômica e ajuntou:

– Segundo vê, minhas reclamações são oportunas. Se o paraíso não estiver aberto para mim, que andei de Bíblia nas mãos...

O funcionário celeste, bem humorado, interveio para esclarecer:

– O plano superior não lhe cerrará a passagem, conquanto, Brandão, a sua justiça não haja conhecido a misericórdia...

– Oh! mas nunca assumi compromissos sem consultar os sagrados textos!...

– Sim – disse o sábio interlocutor –, você chegou até Moisés. Voltará naturalmente ao corpo de carne, a fim de prosseguir o aprendizado com Jesus - Cristo.

E, sorridente, acrescentou:

– Seu curso está com um atraso de mil e novecentos anos...

Foi ao ouvir este esclarecimento que Euclides baixou a cabeça e calou-se, como quem se dispunha a refletir...

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Luz Acima
Médium: Francisco Cândido Xavier

29 julho 2010

Ajudemo-nos - Maria Augusta Bittencourt

AJUDEMO-NOS

O tempo é o advogado de todos. Fala sem palavras e exalta sem louros humanos. Confere a cada um, segundo as próprias obras, a alegria ou a dor, a libertação ou o cativeiro.

Jesus não nos conhece pelos títulos religiosos que possuímos no mundo, mas pelo nosso coração, pelo nosso caráter e pelos nossos sentimentos. Vale mais acumular dons de servir e lutar pelo bem, que guardar moedas ou títulos destinados ao esquecimento.

Bem aventurado é o trabalhador que, na hora do crepúsculo, se sente ainda com o tesouro do serviço. As estrelas brilham para ele com renovado fulgor e o Pai de Infinita Bondade lhe renova as energias para o trabalho a fazer.

Que encontremos em tudo e sobretudo a felicidade de trabalhar para o bem, sem repouso.

O Céu nos fortalecerá para que não desfaleçamos na marcha.

Louvemos os padecimentos que nos surpreendem a caminhada, porque não possuímos mais competentes instrutores para guiar-nos ao cume da divina ressurreição.

Desculpemos a existência pelos golpes que nos oferece.Pensemos que os nossos dias mais felizes são aqueles da mágoa e do sofrimento, que muitas vezes nos perseguem na Terra.

Viver confiando em Deus, ainda mesmo que as provações se multipliquem, significa tudo na base do êxito espiritual.

A oração é o remédio milagroso que o doente recebe em silêncio. A vida é infinita e o dia se renova constantemente, sob o hálito divino do Criador.

A morte é a grande niveladora no mundo e precisamos, em muitos casos, esperar por ela, a fim de que certos problemas sejam desvendados.

A meditação e a prece serão sempre lugares benditos de reencontros com a inspiração divina.

As dificuldades são luzes, quando aproveitamos o seu concurso para o bem.

Ajudemo-nos, ajudando aos outros, na tarefa da nossa própria libertação. É indispensável admitir a necessidade do nosso testemunho no sacrifício, para nos abeirarmos na verdade e suportá-la.

Precisamos crer no poder do trabalho e da boa vontade, os sublimes orientadores da alma, no roteiro que o Mestre nos traçou.

Pelo Espírito Maria Augusta Bittencourt
Do livro: Cartas do Coração
Médium: Francisco Cândido Xavier

28 julho 2010

Com Jesus e por Jesus - Emmanuel

COM JESUS E POR JESUS

Prefácio do livro Fonte Viva, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

Na introdução de "O Livro do Espíritos", recolhemos de Allan Kardec esta afirmação expressiva:

"As comunicações entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo estão na ordem natural das coisas e não constituem fato sobrenatural, tanto que de tais comunicações se acham vestígios entre todos os povos e em todas as épocas. Hoje se generalizaram e tornaram patentes a todos."

No item VIII das páginas de conclusão do mesmo livro, o Codificador assevera com segurança:

"Jesus veio mostrar aos homens o caminho do verdadeiro bem. Por que, tendo-o enviado para fazer lembrar sua lei que estava esquecida, não havia Deus de enviar hoje os Espíritos, a fim de a lembrarem novamente aos homens, e com maior precisão, quando eles a olvidam para tudo sacrificar ao orgulho e à cobiça?"

E sabemos que, de permeio, o grande livro que lançou os fundamentos do Espiritismo trata, dentre valiosos assuntos, das leis de adoração, trabalho, sociedade, progresso, igualdade, liberdade, justiça, amor, caridade e perfeição moral, bem como das esperanças e das consolações.

Reportamo-nos a tais referências para recordar que o fenômeno espírita sempre esteve presente no mundo, em todos os lances evolutivos da Humanidade, e que Allan Kardec, desde o início do ministério a que se consagrou, imprimiu à sua obra o cariz religioso de que não podia ela ausentar-se , tendo até acentuado que o Espiritismo é forte porque assenta sobre os fundamentos mesmos da Religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras.

Aceitamos, perfeitamente, as bases científicas em que repousa a Doutrina Espírita, as quais nos ensejam adquirir a "fé raciocinada capaz de encarar a razão face a face", contudo, sobre semelhantes alicerces, vemo-la, ainda e sempre, em sua condição de Cristianismo restaurado, aperfeiçoando almas e renovando a vida na Terra, para a vitória do Infinito Bem, sob a égide do Cristo, nosso Divino Mestre e Senhor.

O apóstolo da Codificação não desconhecia o elevado mandato relativamente aos princípios que compilava, e, por isso mesmo, desde a primeira hora, preocupou-se com os impositivos morais de que a Nova Revelação se reveste, tendo salientado que as conseqüências do Espiritismo se resumem em melhorar o homem e, por conseguinte, torna-lo menos infeliz, pela prática da mais pura moral evangélica.

Sabemos que a retorta não sublima o caráter e que a discussão filosófica nada tem que ver com caridade e justiça. Com todo o nosso respeito, pois, pela filosofia que indaga e pela ciência que esclarece, reconheceremos sempre no Espiritismo o Evangelho do Senhor, redivivo e atuante, para instalar com Jesus a Religião Cósmica do Amor Universal e da Divina Sabedoria sobre a Terra.

Espíritos desencarnados aos milhões e em todos os graus de inteligência enxameiam o mundo, requisitando, tanto quanto os encarnados, o concurso da educação.

Não podemos, por isso, acompanhar os que fazem de nossa Redentora Doutrina mera tribuna discutidora ou simples caçada a demonstrações de sobrevivência, apenas para a realização de torneios literários ou para longos cavacos de gabinete e anedotas de salão, sem qualquer conseqüência espiritual para o caminho que lhes é próprio.

Estudemos, assim, as lições do Divino Mestre e aprendamo-las na prática de cada dia.

A morte a todos nos reunirá para a compreensão da verdadeira vida... E, sabendo que a justiça definir-nos-á segundo as nossas obras, abracemos a Codificação Kardequiana, prosseguindo para a frente, com Jesus e por Jesus.

De "FONTE VIVA"
Médium: Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel

27 julho 2010

Maio - Humberto de Campos

MAIO

As comemorações terrestres, muitas vezes, tem no espaço o seu eco suave e doce.

Os mortos, freqüentemente, se reúnem aos vivos, nas suas lágrimas ou nas suas glorificações.

Quando as luzes e os perfumes de maio banham os dois hemisférios, onde se agita a cristandade, com as suas várias famílias evangélicas, as preces da Terra misturam-se com as vibrações do Céu, em homenagem à Mãe do Salvador, no trono de sua virtude e de sua glória.

Se o planeta da lágrima se povoa de orações e de flores, há roseiras estranhas, florindo nas estradas prodigiosas do Paraíso, nos altares iluminados de outra natureza, e Maria, sob o docel de suas graças divinas, sorri piedosamente para os deserdados do mundo e para os infelizes dos espaços, derramando sobre os seus corações as flores preciosas de sua consolação.

Na Terra, as suas bênçãos desabotoam a palma da esperança, no ânimo dos tristes e dos abatidos; no Além, as vibrações do seu amor confortam o coração dos desesperados, entornando sobre eles o cântaro de mel da sua infinita misericórdia.

Foi assim que a voz de Jeziel, anjo mensageiro da sua piedade, nos acordou: -- "Hoje, disse-nos com a sua palavra tocada de suave magnetismo, o Paraíso abre suas portas douradas para receber todas as súplicas, vindas da Terra longínqua...

Dos altares terrestres e dos corações que se desfazem nas ânsias cristãs, no planeta das sombras, eleva-se uma onda de amor, em volutas divinas e a Rosa de Nazaré estende aos sofredores o seu manto divino, constelado de todas as virtudes...

Celina já partiu para as vastidões escuras do planeta das lágrimas, afim de repartir as bênçãos carinhosas da Mãe de Jesus com todos aqueles que têm pago ao Céu os mais largos tributos, em prantos e rogativas, nos caminhos espinhosos das penas terrestres.

Mas, a Senhora dos Anjos não vos poderia esquecer e mandou-me anotar as solicitações dos vossos Espíritos, afim de que as vossas esperanças alcançassem guarida no seu coração maternal." E cada entidade expôs ao anjo piedoso de Maria as suas expectativas angustiosas.

Antigos afortunados do mundo pediam para os seus descendentes na Terra o necessário esclarecimento espiritual; outros imploravam um bálsamo que lhes aliviasse o coração amargurado, ferido nos espinhos dos enganos terrestres.

Não foram poucos os que lembraram seus antigos sonhos e suas paixões nefastas, sepultadas no planeta como negros resíduos de florestas incendiadas, suplicando da Senhora dos Anjos a esmola do conforto do seu amor.

Posições convencionais, erros deploráveis e malígnas ilusões foram amargamente recordados e, esperando a vez de anunciar o meu desejo, pus-me a analisar as aspirações mais sagradas do meu espírito, depois de sutilmente arrebatado, pela morte, às suas atividades do mundo.

Assim como um estudioso de matemática pode dissecar todas as coisas físicas, compreendendo que a linha é uma reunião de pontos acumulados e que a superfície é a multiplicação dessas mesmas linhas, o Espírito desencarnado, na sua acuidade perceptiva, pode ser o geômetra de suas próprias emoções, operando a análise de si mesmo, autopsiando os corpos dos tempos idos, fazendo-os ressurgir, um a um, na sua milagrosa imaginação.

Lembrei, assim, a paisagem pobre e triste da minha aldeia natal.

E vi novamente Miritiba, com as suas ruas arenosas e semi-destruídas, guardando no litoral maranhense as antigas tradições dos guerrilheiros balaios, o lar humilde e farto da minha primeira infância, o gênio festivo de meu pai e a figura bondosa e severa de minha mãe...

Em seguida, revi os quadros de amargura e de orfandade, vividos na Parnaíba distante.

E depois...

Era o meu veleiro, rudemente, jogado no oceano largo, onde, com os remos da minha coragem, procurava enfrentar, inutilmente, a maré solta das lágrimas, até que um dia, desesperado na ilha dos meus sofrimentos, e cansado de afrontar, como Ajax, a cólera dos deuses, submergi-me involuntariamente, na grande noite, para despertar no outro lado da vida.

No espírito humano, existem abismos insondáveis de sombra e luz, de misérias obscuras e sublimes glorificações.

Num minuto, pode o pensamento rememorar muitos séculos, com o seu cortejo maravilhoso de trevas miseráveis e de luminsosas purificações.

Chegada a minha vez, supliquei ao anjo solícito: "Jeziel, sobre a superfície da Terra longínqua e escura, onde quase todos os corações se perdem nos desfiladeiros do ateísmo, da impenitência, e da impiedade, tenho os filhos bem-amados da minha carne e do meu espírito; mas esses têm, diante do porvir, o banquete risonho da esperança e da mocidade; ensinei-lhes a buscar no mundo o contentamento sadio do trabalho, em afirmações de estudo e de perseverança, dentro das leis da consciência retilínea.

Porém, numa nesga pequenina da Terra há um coração dilacerado, como o da Mãe de todas as mães terrestres, trespassado de divinas angústias, desde a Manjedoura até o Calvário...

É para minha mãe, que peço todas as tuas graças...

A mão nobre e forte, que me conduziu à lição proveitosa da vida humana, acena-me do mundo, enregelada de saudade, ansiosa do beijo do filho que ela criou, com todos os sacrifícios do seu corpo e com todos os martírios do seu coração...

É para ela, Jeziel, que desejo leves a bênção maternal da Rainha dos Céus, numa profusão de lírios de esperança santificadora...

Dá ao seu Espírito valoroso, que nunca teve as suas ânsias de ventura realizadas no orbe do exílio, a vibração da paz de que gozam os redimidos nas dores austeras e ignoradas...

Todas as bênçãos de Maria sejam depostas na sua fronte, que os cabelos brancos aureolaram, numa epopéia de sacrifícios desconhecidos e de heroísmos santificantes...

Despetala sobre o seu coração fervoroso e agradecido todas as flores que hoje desabrocham no Paraíso e que, no obscuro recanto da Terra onde o seu Espírito aguarda o alvará da liberdade suprema, possa minha mãe sentir, nos seus olhos nublados de lágrimas, o orvalho das lágrimas do seu filho, redivivo e reconfortado na alegria e na esperança."

E foi assim que a alma piedosa de minha mãe, nas dores com que vai penetrando a ante-câmara da imortalidade, recebeu, neste mês de maio, o coração saudoso e amigo do seu filho.

Pelo Espírito Humberto de Campos
Do livro: Novas Mensagens
Médium: Divaldo Pereira Franco

26 julho 2010

Bens Materiais - Joanna de Ângelis

BENS MATERIAIS

A riqueza, sob qualquer aspecto considerada, é bênção que Deus concede ao homem para sua felicidade e que lhe compete bem utilizar, multiplicando-a em dons de misericórdia e progresso a benefício do próximo.

Torná-la oásis reduzido para o próprio prazer, em pleno deserto de recursos onde medram a dor e a miséria de todo porte, é fraqueza moral que se converte em algema de demorada escravidão.

Todas as concessões da Vida rendem juros conforme a direção e aplicação que se lhes deem...

Os bens materiais ensejam o progresso e devem fomentá-lo, porquanto a própria evolução humana impõe necessidades que os homens primitivos desconheciam.

A exigências da higiene e do conforto, da preservação da saúde e das experiências de evolução, facultam a aplicação de valores que, simultaneamente, organizam o sistema de crescimento e desenvolvimento do indivíduo como do grupo onde vive.

Não cabe, porém, a ninguém o direito de usufruir seja o que for, em detrimento das possibilidades do próximo.

Criminosa a exploração que exaure as forças naturais e entenebrece o caráter humano.

Desse modo, a direção que o homem dá aos recursos materiais, mediante a aplicação egoísta ou a utilização benéfica, faz que tal se transforme em liberdade ou grilhão, dita ou desgraça.

Administradores, que todos somos, transitoriamente, dos haveres, enquanto na vilegiatura carnal, seremos convocados a contas para relatórios, apresentando o que fizemos das concessões divinas que passaram pelas nossas mãos.

O dinheiro, a propriedade, a posição social relevante, a saúde, a inteligência, a mobilidade, a lucidez são bens que o espírito recebe como empréstimo divino para edificar-se e construir a ventura.

Qualquer emprego malsão engendra escassez e limitação que se transformam em aflição e desespero.

O mordomo infiel dos bens retorna à Terra na sujeição escravizadora, que lhe cobra o desperdício ou a usura de se fez vítima inerme.

Multiplica pelo trabalho e pela ação benéfica todos os bens de que disponhas: do corpo, da mente, do espírito.

Aquinhoado com os valores perecíveis que dormem ou se movimentam nas tuas mãos, recorda os filhos da agonia ao teu lado, nas tábuas da miséria e do abandono...

Um dia, sem que o queiras, deixarás todas as coisas e valores, ante o impositivo da desencarnação, seguindo contigo, apenas, os valores morais legítimos, decorrentes dos bens materiais que converteste em esperança, alegria, progresso e paz, qual semeador de estrelas que, após transitar por um caminho de sombras, conseguiu transformá-lo numa via-láctea de brilhantes celestes.

De "Leis morais da vida",
de Divaldo Pereira Franco,
pelo Espírito Joanna de Ângelis

25 julho 2010

Sê Compassivo - Caibar Schutel

SÊ COMPASSIVO

Cap. XIII - item 17 - ESE

Sem compaixão não há caridade.

As lágrimas vertidas ao calor vívido da piedade corroem as densas cadeias da provação.

Desterremos de nós a insensibilidade crua diante das telas de angústia que se desenrolam em nossa estrada.

A piedade é a simpatia espontânea e desinteressada que se antepõe à antipatia gratuita ou despeitosa. Ela deve induzir-nos à prática do socorro moral e material, junto daqueles que no-la despertam, sem o que se torna infrutífera.

Quando o sofrimento alheio não nos sensibiliza, a Orientação Divina estatui venhamos a experimentá-lo igualmente para avaliar a dor do próximo e nos predispormos a ampará-lo.

Só a piedade consoladora traz alegria ao espírito, criando elevação e valor. Fujamos à compaixão aparente que se manifesta em lágrimas de crocodilo, gestos e exclamações pomposas, nos cenários artificiais do fingimento.

Mede-se a comiseração pelo devotamento e solicitude fraternais que promove. Deve-se-lhe o despovoamento gradativo das zonas de purgação moral da Espiritualidade.

Deixa-te enternecer ante os painéis comovedores das crises de pranto, vezes e vezes temperadas em sangue e suor; contudo, não te detenhas aí: busca dirimi-las.

Perlustra as vielas ínvias da necessidade e beneficia as almas que se agitam em desespero, dentro da jaula do próprio corpo.

Tem dó, não apenas dos quadros gritantes de falência íntima, mas também dos padecimentos mascarados de silêncio e de orgulho, ingenuidade e inexperiência.

Inunda de amor os corações mantidos sob o vácuo do tédio.

Protege a infância desvalida, pois os pequenos viajores da carne carecem de guias.

Favorece com a moeda e abençoa com a palavra os pedintes andrajosos somente acariciados pelos cães que vagueiam nas ruas.

E na certeza de que a piedade sincera jamais expressa covardia a derruir o bem, nem ridículo a excitar o riso alheio, acatemo-la como força de renovação das almas e luz interior da Verdadeira Vida, eternizada por Deus.

Sê compassivo.

Psicografia Cairbar Schutel
Médium: Waldo Vieira

24 julho 2010

Palavras de um Filho que Não Nasceu - Momento Espírita

Palavras de um Filho que Não Nasceu

Minha mãe, por que a senhora não me deixou nascer? Eu queria tanto, mãezinha!

Lutei, trabalhei, pedi a Deus e consegui autorização para renascer. E a senhora comprometeu-se comigo. Comigo e com Deus.

Como fiquei alegre, no dia em que a senhora, em espírito, ao lado de papai, concordou em receber-me na intimidade do seu lar.

Eu desejava um novo corpo. Planejava um futuro de luz. Na verdade, minha vida estaria marcada por provas e testemunhos redentores.

Mas eu preparei-me, confiante no seu amor! E, no momento em que eu mais necessitei, a senhora me assassinou!

Por que, mãezinha? Por quê?

Quando a senhora me sentiu no santuário de seu ventre, mudou de conduta, de comportamento. E começou a me torturar. Seus pensamentos de revolta, que ninguém ouvia, retumbavam em meus ouvidos, como gritos lancinantes, que me afligiam muito.

Os cigarros que a senhora fumava, muitas vezes, me intoxicavam. Seu nervosismo, fruto da sua insatisfação, eram para mim verdadeiras chibatadas.

Quando decidiu me abortar, aconteceu uma coisa interessante: a senhora querendo me expulsar de seu ventre e eu, lutando, para nele permanecer.

Por que a senhora fechou os ouvidos à voz da consciência que lhe pedia compaixão e serenidade?

Por que anestesiou os sentimentos, a ponto de se esquecer que eu trazia um universo de bênçãos e alegrias para você?

Seria o filho obediente e amoroso. Trazia recursos que lhe facilitariam a existência, nos últimos anos de sua presença na Terra.

Mas a senhora não quis. E veja a conseqüência: eu, atormentado por não renascer. A senhora, doente, triste, intranqüila. Sua mente, atormentada pela aflição e os seus sonhos, povoados de pesadelos.

Por que mãezinha, a senhora não me deixou nascer?

"Ainda é cedo", pensava. "Quero gozar a vida, passear, divertir-me, viajar. Filhos, só depois."

Mas filho algum chega em momento inadequado. As leis da vida são sábias, e ninguém nasce por acaso.

Mas, pelo muito amor que lhe tenho, estou pedindo a Deus misericórdia em seu favor. Peço a Deus que a senhora alcance a bênção do reequilíbrio, a fim de que, num futuro próximo, estejamos juntos. Eu, em seu ventre, e a senhora, como sempre, em meu coração.

Eu, me alimentando na fonte de sua vitalidade e a senhora fortalecendo-se, na gratidão de meus mais puros sentimentos.

Mãezinha, por favor, não repita seu ato premeditado, refletido.

Quando sentir, de novo, alguém batendo às portas do seu coração, sou eu, o filho renegado, que voltou para viver e ajudá-la a ser feliz.

Mãezinha, não se esqueça de mim. Não me abandone. Não me expulse. Não me mate de novo. Preciso renascer.

* * *

O filho que te chega e solicita abrigo ao teu sentimento é sempre uma bênção de Deus.

Pode ser o portador de grandes problemas do passado, desejando retornar para os acertos no hoje. Pode ser alguém que te feriu e deseja retornar a fim de, nos multiplicados afagos de carinho, solicitar-te perdão.

Pode ser o amor que tanto esperas, retornando ao teu regaço, para amenizar a grande carência da tua afetividade.

Antes de optar pela morte de quem se aninhou em teu ventre, futura mamãe, pensa bem. É teu filho e de ti espera proteção, amparo, vida!

Redação do Momento Espírita, a partir de mensagem recebida no Grupo Espírita Fabiano, Rio de Janeiro/RJ, inserida em revista publicada pela Livraria e Editora Recanto, de Brasília/DF.

23 julho 2010

A Evolução do Comendador - Hilário Silva

A EVOLUÇÃO DO COMENDADOR

Jorge Sales, o denodado orientador da instituição espírita, encontrava-se no habitual entendimento com Anatólio, o mentor desencarnado, através do médium.

As tarefas da noite haviam praticamente chegado ao fim, mas Jorge sentia-se necessitado de instrução e por isso dilatava a palestra, ao pé dos amigos, a constituírem o círculo de oração.

— Os obsidiados crescem de número — dizia Sales, preocupado —, e precisamos antepor providências...

— Sim — concordava o amigo espiritual —, é necessário estender o clima da serenidade e do trabalho, do entendimento e da prece...

E a conversação avançou:

— São lutas morais por toda parte... Jovens mal saídos da infância caem perturbados, de momento para outro... Velhinhos, na derradeira quadra da existência, enlouquecem de súbito... Tem havido suicídios, crimes...

O benfeitor consolava, pelo médium falante:

— Sim, meu amigo, toda paciência é pouca a fim de vencermos com segurança... Saibamos servir a todos, com muita compreensão da fraternidade...

— Tudo indica estarmos aqui sob a influência do velho comendador Antônio Paulo da Silveira Neves, que foi fazendeiro na região e está desencarnado há oitenta anos. Silveira Neves foi homem terrível... Consultei documentos na municipalidade e tenho ouvido pessoas da zona, cujos ascendentes lhe comungaram a intimidade... Possuía escravos em legião e, entre eles, era conhecido por flagelo de todos... Sustentava capatazes ferozes e comandava, ele próprio, o sofrimento dos cativos, que, às vezes eram chicoteados até a morte... Não só isso. Colocava os sitiantes daqui uns contra os outros, provocando assassínios e ódios que até hoje persistem... Estou certo de que essa teia de obsessões e vinganças nasce da atração do velho comendador... Ele deve ser a causa inicial de tudo...

— Muito ponderada a sua palavra...

— O irmão conhece o infeliz?

— Sim, conheço...

— Tenho o máximo interesse em evocá-lo...

— Não acho prudente.

— Ora! São muitos os Espíritos rebeldes evidentemente vinculados a ele... Topo vários, a cada semana... Uns se declaram vítimas do comendador, muitos acusam o comendador e outros ainda prometem que não haverá mudança aqui, enquanto não liquidarem o comendador... Tenho assentado que, apesar de haver transcorrido muito tempo, é indispensável nos disponhamos a doutrinar esse Espírito. Sem esse contacto, ao que julgo, será muito difícil a modificação para melhor, de que estamos necessitados...

— Entendo o que diz — tornou Anatólio —, mas não faça a evocação. Seria de todo inoportuna...

— Mas escute, meu amigo! Eu também pareço sofrer a influência dessa poderosa entidade... As referências ao comendador desabam sobre mim como choques elétricos. Só em ouvir-lhe o nome, sinto-me mal... Imagine que já fui orar por ele, no próprio túmulo em que lhe sepultaram o corpo, tão impressionado vivo eu... Creio que se orássemos, chamando-o ao aparelho mediúnico...

— Mas não convém...

— Insistiria, no entanto... Um entendimento direto, entre esse Espírito perseguidor e nós, talvez desse bom resultado...

— A medida é desaconselhável.

— Será que Silveira Neves desencarnado está em plano superior, embora as atrocidades que cometeu?

— Ainda não... O ex-comendador vive em luta consigo mesmo...

— Então? Trazê-lo ao esclarecimento seria caridade...

— Isso, entretanto não deve ser tentado.

— Meu amigo, por que a recusa, se o Espírito dele está em provas, segundo a sua própria informação?

— Apesar de tudo — replicou o benfeitor —, a evocação não deve ser praticada...

O interlocutor, porém, não obstante respeitoso, perguntou semi-exasperado:

— Mas por quê?

Vendo que o instrutor silenciava, discreto, repetiu:

— Diga! Diga, por quê?!...

Foi aí que Anatólio mudou o tom de voz e falou muito sereno:

— Jorge, meu amigo, a evocação não deve ser feita porque o ex-comendador Antônio Paulo da Silveira Neves é você mesmo... reencarnado.

Pelo Espírito Hilário Silva
Do livro: Almas em Desfile
Médium: Francisco Cândido Xavier

22 julho 2010

A Bondade Tem Seus Métodos - Humberto Nascimento

A Bondade Tem Seus Métodos


Por que me chamas bom?
Bom, só Deus (Jesus em Mc 10.17-22)

Passei a manhã pensando em como desenvolver um texto que falasse sobre a bondade divina, até que soou a campainha da casa.

Era um garoto de nove anos que, de tão mirrado, passaria sem levantar suspeitas por baixo da roleta dos ônibus - aqui, em São Paulo, crianças de até cinco anos passam dessa forma, sem precisar pagar passagem.

-Tem latinha? Garrafa de refrigerante?

A pergunta direta - vinda de quem não tem tempo a perder ou já cansou de ouvir “não” durante muito tempo - foi respondida com um abano positivo de cabeça. Fui buscar duas, de cerveja, que na noite anterior tinha consumido, assistindo a um jogo de futebol, pela televisão.

Entreguei ao garoto e já estava me virando para voltar a pensar sobre “bondade”, quando ele pediu também um copo com água. Só então me dei conta de que ali, na minha frente, estava alguém que tinha problemas muito mais urgentes para resolver do que escrever um texto: tinha sede, por exemplo. O calor beirava os trinta e tantos graus e se já me deixava “quase desidratado” dentro de casa, imagine para uma criança que andava na rua, sob o sol!

Trouxe a água e algumas frutas e por um pouco de tempo ficamos conversando. Soube que mora com a mãe e os irmãos, porque o pai foi embora. Que não estuda, porque ainda não encontrou vaga nas escolas da região. E que catar latas foi a maneira que conseguiu para ajudar a família, já que é o mais velho, o “homem da casa”, como disse.

O relógio andou poucos minutos. Ele agradeceu as frutas e a água, e disse que precisava ir, porque “tinha muita rua pra andar”.

Enquanto observava aquela criança subindo a ladeira, puxando seu carrinho de mão, cheio de latas, não conseguia deixar de imaginar que futuro teriam ele e seus irmãos, vivendo numa situação de miséria. Morreriam jovens? Seriam catadores de latas até que não pudessem mais andar? Acabariam no crime?

Me lembrei da parábola e de todos os “talentos” que recebera para que eu também ajudasse a construir um mundo melhor.

E só aí percebi que o encontro daquela manhã era fruto da bondade suprema, usando um menino como “instrumento” para me perguntar onde enterrei muitos dos recursos recebidos.

O garoto desapareceu no horizonte. Entrei.

Mas, como sou esquecido,talvez amanhã a Providência precise tocar novamente a campainha.

Humberto Nascimento
Editor de conteúdo da revista digital Opinião Espírita

21 julho 2010

A Música da Fala - Miramez

A MÚSICA DA FALA

Quem não gosta de uma boa música? Pois a fala é música popular universal, onde todos os reinos da natureza participam dentro da sua dimensão própria de vida. O homem já domina a palavra com maior fulgor. Ele é, por assim dizer, o seu próprio compositor, repentista por natureza.

Quem fala com esmero, dirige uma orquestração na harmonia com a vida, que pulsa em toda a criação. O Cristo, quando falava, enchia a atmosfera de sons harmoniosos, de sorte a pacificar as coisas, os homens e o próprio ambiente. Curava com o seu canto divino, fazendo, com isso, os órgãos dos enfermos superarem os desequilíbrios, transmutando os elementos de variadas qualidades, naqueles de rápida restauração biológica, ensinando a vida em harmonia com o universo.

Conversar é fenômeno prodigioso, e conversar certo é ciência superior dentro da Superioridade Maior, no concerto do amor. Tudo é música na vida. Se pudesses ouvir a sinfonia de um átomo, com a sua corte de elétrons e as escalas de tons e semitons no seu núcleo, pelos elementos que o compõem, ficarias, e até o próprio Beethoven, estarrecido... E os sóis e as estrelas? E as galáxias e acúmulos? E o Todo Universal, que canta e toca pelas mãos e pela boca de Deus?

A locução aprimorada dignifica a vida, e a vida dignificada ilumina a alma. Exercita a sós, no teu aposento, se possível fechado, uma boa leitura em voz branda; procure fazê-la com o rosto iluminado pela satisfação, sem esqueceres de vigiar constantemente, para que o instinto da tristeza não te assalte, ocupando o lugar da alegria. Essa rejeição da natureza é muito comum no principiante, mas se persistires, com pouco tempo dominarás a tua fala. Desses simples esforços, adquirirás muitos prêmios, cuja valia não tem preço. Um deles é a saúde. A alegria é tonificador biológico, por excelência.

Há pessoas que tem tons de voz considerados intoleráveis pela maioria dos ouvintes e, dentre elas, poucas reconhecem que a música das suas palavras não está agradando. São chamadas de enjoadas e falta nelas um reparo. As pessoas que realmente quiserem aprimorar sua conversa, e ainda não descobriram se a sua fala agrada, devem ouvir aquelas que não gostam delas. Somente estas têm a coragem de identificá-las, pois as que as amam superam o mal-estar pelo amor e não as condenam.

Quem conversa demasiadamente está sujeito a ser um péssimo músico da dicção. As pessoas que falam sem freio na língua, tomando todo o tempo que poderia servir para dois conversarem animadamente, é o doente que, por vezes, recusa o remédio; mesmo que alguém já lhe tenha falado da tempestade promovida pela sua boca, recusa parar com a ventania. Gosta de falar de auto-análise; no entanto, se esquece de colocá-la em prática consigo mesmo. Conversar demais é um abuso do dom e das forças que gastas, e o pior é que muito gente foge de teu encontro, por já saberem que somente têm que escutar.

É bom que aprendas a melodia da palavra com respeito aos outros, que têm o mesmo dom que tu. Sabes por que tens ouvidos? Para ouvir, também. Mesmo que fales muito bem e somente coisas agradáveis, sê metódico no dizer. Também não é preciso desdobrar o versículo vinte e dois de Jó: "Aceita, peço-te, a instrução que proferes, e põe as suas palavras no teu coração".

Conversar demais é um abuso do dom e das forças que gastas.

De "Horizontes da fala",
de João Nunes Maia,
pelo Espírito Miramez

20 julho 2010

A Mensagem da Compaixão - Neio Lúcio

A MENSAGEM DA COMPAIXÃO

Dentro da noite clara, a assembleia familiar em casa de Pedro centralizara-se no exame das dificuldades no trato com as pessoas.

Como estender os valores da Boa Nova? Como instalar o mesmo dom e a mesma bênção em mentalidades diversas entre si?

Findo o longo debate fraternal, em que Jesus se mantivera em pesado silêncio, João perguntou-lhe, preocupado:

- Senhor, que fazer diante da calúnia que nos dilacera o coração?

- Tem piedade do caluniador e trabalha no bem de todos - respondeu o Celeste Mentor, sorrindo -, porque o amor desfaz as trevas do mal e o serviço destrói a ideia desrespeitosa

Mestre - ajuntou Tiago, filho de Zebedeu -, e como agir perante aquele que nos ataca, brutalmente?

- Um homem que se conduz pela violência - acentuou o Cristo, bondoso -, deve estar louco ou envenenado. Auxiliemo-lo a refazer-se.

- Senhor - aduziu Judas, mostrando os olhos esfogueados -, e quando o homem que nos ofende se reveste de autoridade respeitável, qual seja a dum príncipe ou dum sacerdote, com todas as aparências do ordenador consciente e normal?

- A serpente pode ocultar-se num ramo de flores e há vermes que se habituam nos frutos de bela apresentação. O homem de elevada categoria que se revele violento e cruel é enfermo, ainda assim. Compadece-te dele, porque dorme num pesadelo de escuras ilusões, do qual será constrangido a despertar, um dia. Ampara-o como puderes e marcha em teu caminho, agindo na felicidade comum.

- Mestre, e quando a nossa casa é atormentada por um crime? como procederei diante daquele que me atraiçoa a confiança, que me desonra o nome ou me ensanguenta o lar?

- Apieda-te do delinquente de qualquer classe - elucidou Jesus - e não desejes violar a Lei que o próximo desrespeitou, porque o perseguidor e o criminoso de todas as situações carrega consigo abrasadora fogueira. Uma falta não resgata outra falta e o sangue não lava sangue. Perdoa e ajuda. O tempo está encarregado de retribuir a cada criatura, de acordo com o seu esforço.

- Mestre - atalhou Bartolomeu -, que fazer do juiz que nos condena com parcialidade?

- Tem compaixão dele e continua cooperando no bem de todos os que te cercam. Há sempre um juiz mais alto, analisando aqueles que censuram ou amaldiçoam e, além de um horizonte, outros horizontes se desdobram, mais dilatados e luminosos.

- Senhor - indagou Tadeu -, como proceder diante da mulher que amamos, quando se entrega às quedas morais.

Jesus fitou-o, com brandura, e inquiriu, por sua vez:

-Os sofrimentos íntimos que a dilaceram, dia e noite, não constituirão, por si só, aflitiva punição?

Fez-se balsâmico silêncio no circulo doméstico e, logo ao perceber que os aprendizes haviam cessado as interrogações, o Senhor concluiu:

- Se pretendemos banir os males do mundo, cultivemos o amor que se compadece no serviço que constrói para a felicidade de todos. Ninguém se engane. As horas são inflexíveis instrumentos da Lei que distribui a cada um, segundo as suas obras. Ninguém procure sanar um crime, praticando outros crimes, porque o tempo tudo transforma na Terra, operando com as labaredas do sofrimento ou com o gelo da morte.

De "Jesus no Lar",
de Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito Neio Lúcio

19 julho 2010

A Fé em Breves Considerações - Marcelo Ribeiro

A FÉ EM BREVES CONSIDERAÇÕES

Essa coragem, esse ardor que o impele a realizar alguma coisa e a algo fazer, expressa o estágio primeiro da fé natural.

Sem o seu contributo, o homem se resumiria, nas ações que empreende, a simples máquina de impulsos primitivos.

Canalizando-a, mediante esforço racional bem dirigido, através da reflexão e do exercício mental, nos rumos do bem geral, da elevação pessoal, da mudança de atitude vibratória - eis presente a fé religiosa.

A fé religiosa que se deriva dos complexos mecanismos da meditação consciente, em função do conhecimento das leis que regem a vida, é dos mais altos atributos que o espírito conquista, no empreendimento superior da existência terrena.

Graças à fé religiosa mudam-se as paisagens morais da Terra para o homem que crê, alterando nele a visão e desdobrando-lhe o alcance em torno das lídimas realidades que lhe compete perseguir e conquistar...

A fé, desse modo, faz-se dínamo gerador de poderosas energias, mediante as quais se estabelecem contatos transcendentes nas augustas fontes da vida, donde fluem e para onde refluem as forças que "removem as montanhas" de dificuldades, que a insensatez fez levantar no curso dos caminhos percorridos pelos pés levianos nos dias do passado.

"Tudo é possível àquele que crê", porque o homem assim armado de confiança sabe investir sem tergiversações - e fá-lo muito bem -, todos os valores e recursos de que pode dispor na programática que traça a bem de si mesmo.

Não teme, porque sabe superar os receios, graças ao archote da confiança que espanca todas as sombras.

Não se afadiga na precipitação, por conhecer que há o tempo da sementeira como o há da colheita.

Nunca descoroçoa, já que tudo coloca na vida superior, acima das injunções imediatistas e das ilusórias aquisições.

A fé soluciona quaisquer enigmas, senão no primeiro momento, ao ensejo próprio, já que o impele à procura das causas donde procedem as complexidades, dando salutar direção ao pensamento.

Resolve os intricados meandros das conjunturas da vida física e da social, solucionando, também, as interrogações perturbadoras da mente encarnada, desde que a ascensão aos cimos sublimes tem início na conquista dos primeiros degraus que conduzem aos acumes desafiadores.

A fé é essencial para o êxito de qualquer empresa.

Para a redenção e sublimação do espírito que sente necessidade de vida e de liberdade, transforma-se no fator preponderante, na razão indispensável, desde que, sem ela, ou sob conflitos, ou no báratro da descrença, o malogro é o fanal do nauta desavisado ou incoerente que veleja no corpo físico ou fora dele, nos rumos da Imortalidade...

A fé, portanto, religiosa e lúcida, pode ser comparada a alta bênção, que, todavia, cada um pode e deve alcançar, se quiser...

De "Terapêutica de Emergência",
de Divaldo Pereira Franco,
pelo Espírito Marcelo Ribeiro

18 julho 2010

Culpa, Caridade e Livre Arbítrio - Emmanuel

CULPA, CARIDADE E LIVRE ARBÍTRIO

A culpa é descida, mas a caridade é soerguimento.

*

Pelo erro do mal, enreda-se o homem no labirinto da dor.

Pelo esforço do bem, liberta-se para a vitória a que se destina.

*

Enganando-se nas teias da ilusão em que transita na Terra, arroja-se a alma a fundos despenhadeiros de sombra; todavia, descerrando os próprios olhos à verdade e buscando-a pelo plantio do amor, acende nova luz em si mesma, estruturando novos caminhos.

*

Subsiste a expiação, enquanto perdura o prejuízo às leis que nos regem e abrem-se vastos horizontes de paz ao Espírito que luta em si mesmo, tão logo se consagre ao trabalho do próprio aperfeiçoamento.

*

Recordemo-nos de que no estágio evolutivo em que nos achamos ninguém existe sem débitos a resgatar.

*

Todos temos peregrinado na senda escura do remorso, após haver desencadeado sobre nós mesmos a longa série de causas aflitivas a que, imprevidentes, nos imantamos.

*

Não passamos, por agora, de almas em reajuste, na oficina das provas, após o desastre de nossas deliberações infelizes.

*

A culpa, por enquanto, é um fantasma interior que nos persegue em todos os ângulos do mundo, sob as mais variadas formas.

*

Da defecção diante do Cristo, todos partilhamos em nossas experiências, mas pela caridade bem vivida, que dá de si sem pensar em si, que se sacrifica e ampara, que tudo suporta, entende, auxilia e espera, poderemos levar o tecido sutil de nossa alma, recuperando-nos as forças para aprendermos a servir sempre.

Para isso, porém, é preciso saibamos usar a vontade.

Somos senhores na resolução e escravos nas consequências.

*

Compreendamo-nos, mutuamente, e amemo-nos, mobilizando o nosso livre arbítrio na criação do futuro melhor.

*

Todos trazemos na intimidade do próprio ser a nossa dor, a nossa aflição, a nossa prova ou o nosso problema...

E estendendo braços fraternos, uns aos outros, perceberemos que só o amor bem dividido pode multiplicar a felicidade.

*

Não nos detenhamos na culpa.

*

Usemos a caridade recíproca, e, com a liberdade relativa de que dispomos ser-nos-á então possível edificar, com Jesus, o nosso iluminado Amanhã.

De "Nós",
de Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito Emmanuel

17 julho 2010

Doações Espirituais - André Luiz

DOAÇÕES ESPIRITUAIS

Feliz daquele que destaca uma parcela do que possui, a benefício dos semelhantes!

Bem-aventurado aquele que dá de si próprio!

Através de todos os filtros do bem, o amor é sempre o mesmo, mas, enquanto as dádivas materiais, invariavelmente benditas, suprimem as exigências exteriores, as doações de espírito interferem no íntimo, dissipando as trevas que se acumulam no reino da alma.

Dolorosa a tortura da fome, terrível a calamidade moral.

Divide o teu pão com as vítimas da penúria, mas estende fraternas mãos aos que vagueiam mendigando o esclarecimento e o consolo que desconhecem. Não precisas procurá-los, de vez que te cercam em todos os ângulos do caminho .... São amigos e por vezes te ferem com supostas atitudes de crueldade, quando apenas te esmolam conforto, comunicando-te, em forma de intemperança mental, as chamas de sofrimento que lhes calcinam os corações; categorizam-se por adversários e criam-te problemas, não por serem perversos, mas porque lhes faltam ainda as luzes do entendimento; aparecem por pessoas entediadas, que dispõem de todas as vantagens humanas para serem felizes, mas a quem falta uma voz verdadeiramente amiga, capaz de induzi-las a descobrir a tranqüilidade e a alegria, através da sementeira das boas obras; surgem na figura de criaturas consideradas indesejáveis e viciosas, cujo desequilíbrio nada mais é que a expectativa frustrada do amparo afetivo que suplicaram em vão!...

Para atender aos que carecem de apoio físico, é preciso bondade; no entanto, para arrimar os que sofrem necessidades da alma, é preciso bondade com madureza.

Se já percebes que nem todos estamos no mesmo degrau evolutivo, auxilia com a tua palavra ou com o teu silêncio, ou com o teu gesto ou com a tua decisão no plantio da união e da concórdia, da esperança e do otimismo, no terreno em que vives!...

Compreender e compreender para a sustentação da lavoura do bem que se cobrirá de frutos para a felicidade geral.

Não te digas em solidão para fazer tanto... Refletindo em nossos deveres, antes as doações espirituais, lembremo-nos de Jesus. Nos dias de fome da turba inquieta, reunia-se o Divino mestre com os amigos para beneficiar a milhares; entretanto, na hora do extremo sacrifício, quando lhe cabia socorrer as vítimas da ignorância e do ódio, da violência e do fanatismo, ele sozinho fez o donativo de si mesmo, em favor de milhões.

Pelo Espírito André Luiz
Do livro: Estude e Viva
Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

16 julho 2010

O Bom Médium - Manoel Philomeno de Miranda

O BOM MÉDIUM

Inerente a todos os seres humanos, a faculdade mediúnica expressa-se de maneira variada, conforme a estrutura evolutiva, os recursos morais, as conquistas espirituais de cada indivíduo.

Incipiente em uns e ostensiva noutros, pode ser considerada com a peculiaridade psíquica que permite a comunicação dos homens com os Espíritos, mediante cujo contributo inúmeras interrogações e enigmas encontram respostas e elucidações claras para o entendimento dos reais mecanismos da existência física na Terra.

Distúrbios psíquicos inexplicáveis, desequilíbrios orgânicos injustificáveis, transtornos comportamentais e dificuldades nos relacionamentos sociais e afetivos, malquerenças e aflições íntimas destituídas de significado, exaltação e desdobramentos da personalidade, algumas alucinações visuais e auditivas, na mediunidade encontram seu campo de expansão, refletindo os dramas espirituais do ser, que procedem das experiências anteriores à atual existência física, alguns transformados em fenômenos obsessivos profundamente perturbadores.

Mal compreendida por largo tempo através da História, foi envolta em mitos e cercada de superstições, que nada têm a ver com a sua realidade.

Sendo uma percepção da alma encarnada cujo conteúdo as células orgânicas decodificam, não significa manifestação de angelitude ou de santificação, como também não representa punição imposta por Deus, a fim de alcançar os calcetas e endividados perante as Soberanas Leis.

Existente igualmente no ser espiritual, é uma faculdade do Espírito que, através dos delicados equipamentos sutis do seu perispírito, faculta o intercâmbio entre os desencarnados de diferentes esferas da Erraticidade.

Dessa maneira, não se trata de um calvário de padecimentos intérminos em cujo curso a tristeza e o sofrimento dão-se as mãos, como pretendem alguns portadores de comportamento masoquista, mas também não é característica de superioridade moral, que distingue o seu possuidor em relação às demais pessoas.

Pode ser considerada como a moderna escada de Jacó, que permite a ascensão espiritual daquele que se lhe dedica com abnegação e devotamento.

Semelhante às demais faculdades do ser humano, exige cuidados especiais, quais aqueles que se dispensam à inteligência, à memória, às aptidões artísticas e culturais...

O conhecimento do seu mecanismo torna-se indispensável para que seja exercida com seriedade, ao lado de cuidados outros que se lhe fazem essenciais, quais sejam, a identificação da lei dos fluidos, a aplicação dos dispositivos morais para o aperfeiçoamento incessante, a disciplina dos equipamentos nervosos, as disposições superiores para o bem, o nobre e o edificante.

Neutra, sob o ponto de vista ético-moral, qual ocorre com as demais faculdades, é direcionada pelo seu portador, que se encarrega de orientá-la conforme as próprias aspirações, perseguindo os objetivos elevados, que são a meta essencial da reencarnação.

À medida que o médium introjeta reflexões em torno do seu conteúdo valioso, mais se lhe dilatam as possibilidades, que, disciplinadas, facultam ensejo para a produção de resultados compatíveis com o direcionamento que se lhe aplique.

A observação cuidadosa dos sintomas através dos quais se expressa, favorece a perfeita identificação daqueles que se comunicam e podem contribuir em favor do progresso moral do medianeiro.

O hábito do silêncio interior e da quietação emocional faculta-lhe a captação das ondas que permitem o intercâmbio equilibrado, ampliando-lhe a área de serviços espirituais.

Concessão divina para a Humanidade, é a ponte que traz de volta aqueles que abandonaram o corpo físico ou que dele foram expulsos, sem que deixassem a vida, comprovando-lhes a imortalidade em triunfo.

Ante a impossibilidade de ser alcançada a perfeição mediúnica, face à condição predominante de mundo de provações que caracteriza o planeta terrestre e tipifica os seus habitantes por enquanto, cada servidor deve lutar para adquirir a qualidade de bom médium, isto é, aquele que comunica com facilidade, que se faz instrumento dócil aos Espíritos que o utilizam sob a orientação do seu Mentor.

Nunca se acreditando imaculado, sabe que pode ser vítima da mistificação dos zombeteiros e maus, não a temendo, mas trabalhando por sutilizar as suas percepções psíquicas e emocionais, e elevando-se moralmente para atingir patamares mais enobrecidos nas faixas da evolução.

A facilidade com que os desencarnados o utilizam, especialmente por estar disponível sempre que necessário, propicia-lhe maior sensibilidade e o credencia ao apoio dos Guias da Humanidade, que o cercam de carinho e o inspiram para a ascensão contínua.

Consciente dos próprios limites e das infinitas possibilidades da Vida, reconhece o quanto necessita de transformar-se interiormente para melhor, a fim de ser enganado menos vezes e jamais enganar aos outros, pelo menos conscientemente.

A disciplina e o equilíbrio moral, os pensamentos e as ações honoráveis, o salutar hábito da oração e da meditação, precatam-no das investiduras dos maus e perversos que pululam em toda parte, preservando-lhe os sutis equipamentos mediúnicos dos choques de baixo teor vibratório que lhes são inerentes, ajudando-o, assim, a manter contato com esses infelizes, quando necessário, porém, sob o controle dos Guias que os conduzem, jamais ao paladar e apetite da loucura que os avassala.

O bom médium é simples e sem as complexidades do agrado da ignorância, do egoísmo e da presunção, cujas conquistas são internas e que irradia os valores morais de dentro para fora, qual antena que possui os requisitos próprios para a captação das ondas que serão transformadas em imagens sonoras, visuais ou portadoras de força motriz para muitas finalidades.

Quando esteja açodado pelas conjunturas difíceis ou afligido pelas provações iluminativas, que fazem parte do seu processo de evolução, nunca deve desanimar, nem esperar fruir de privilégios, que os não possui, seguindo fiel e tranqüilo no desempenho da tarefa que lhe diz respeito, preservando a alegria de viver, servir e amar.

O trabalho edificante será sempre o seu apoio de segurança, que o fortalecerá em todos os momentos da existência física, nunca se refugiando na inoperância, que é geradora de mil males que sempre perturbam.

Porque identifica as próprias deficiências, não se jacta da faculdade que possui, reconhecendo que ela pode ser bloqueada ou retirada, empenhando-se para torná-la uma ferramenta de luz a serviço do Amor em todos os instantes.

Os bons médiuns, que escasseiam, em razão da momentânea inferioridade humana, são os instrumentos hábeis para contribuírem em favor do Mundo Novo de amanhã, quando a mediunidade, melhor compreendida e mais bem exercida, se tornará uma conquista valiosa do espírito humano credenciado para a felicidade que já estará desfrutando.

Autor: Manoel Philomeno de Miranda (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco

15 julho 2010

O Quadro-Negro - Emmanuel

O QUADRO-NEGRO

"Mas tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar aquela hora, vos lembreis de que já vo-lo tinha dito. " - Jesus. (JOÃO, 16:4.)

Referia-se Jesus aos próprios testemunhos, entretanto, podemos igualmente aplicar-lhe os divinos conceitos a nós mesmos, desencarnados e encarnados.
Cada discípulo terá sua hora de revelações do aproveitamento individual.
As escolas primárias não dispensam o habitual quadro-negro, destinado às demonstrações isoladas do aluno.
À frente do professor consciencioso, o aprendiz mostrará quanto lucrou, sem os recursos do plágio afetuoso, entre companheiros.

Sobre a zona escura, o giz claro definirá, fielmente, a posição firme ou insegura do estudante.

E não será isto mesmo o que se repete na escola vasta do mundo? O homem, nas lutas vulgares, poderá socorrer-se, indefinidamente, dos bons amigos.

O Pai permite semelhantes contactos para que as oportunidades de aprender se lhe tornem irrestritas; no entanto, lá vem "aquela hora" em que a criatura deve tomar o giz alvo e puro das realizações espirituais, colocando-se junto ao quadro-negro das provas edificantes.

Alguns aprendizes fracassam porque não sabem multiplicar os bens, nem dividi-los.
Ignoram como subtrair a luz das trevas, somam os conflitos e formam equações de ódio e vingança.

Esquecem-se de que Jesus salientou o amor, por máxima glória, em todas as situações do apostolado evangélico e que, mesmo na cruz, depois de receber os fatores da injúria, da perseguição, da ironia e do desprezo, somou-os na tábua do coração, extraindo a divina equação de serenidade, entendimento e perdão.

Oh! vós, que ides ao quadro-negro das atividades terrestres, abandonai o giz escuro da desesperação! escrevei em caracteres de luz o que aprendestes do Mestre Divino! Revela o próprio valor! Lembrai-vos que instrutores benevolentes e sábios vos inspiram as mãos! Abençoai o quadro-negro que vos pede o giz de suor e lágrimas, porque junto dele podereis conquistar o curso maior!

Do livro “Vinha de Luz”
Emmanuel
Francisco Cândido Xavier

14 julho 2010

A Felicidade - Amélia

A FELICIDADE

Francisco de Assis gostava muito de conversar com os frades menores e naqueles sublimes momentos, eram colocados belos e proveitosos ensinamentos. Quem não conhece a passagem em que frei Leão pergunta ao pobrezinho de Assis, em que consiste a verdadeira alegria? Após inúmeras considerações, ele mostrou o valor do esquecimento de nós mesmos; que a verdadeira alegria consiste em, por amor ao Cristo, enfrentarmos injúrias, injustiças, calúnias; que a cruz da tribulação nos pertence e devemos carregá-la com dignidade e fé.

De certa feita, uma jovem, sonhando com a felicidade, orou a Jesus pedindo para conversar com Francisco e, assim, um dia, o sonho se realizou.

Muito emocionada, nem sabia por onde começar. Francisco aproximou-se e disse:

- Irmã, queres me acompanhar num passeio?

- Como não, Pai Francisco, é o que mais desejo!

E assim os dois ganharam estrada. Quando varavam a cidade, vários garotos, chamando o pobrezinho de Assis de louco, atiraram-lhe pedras que,
quando o alcançavam, não o atingiam porque ele,
carinhosamente, as chamava de irmãs. Foram até o
Vale dos Leprosos, onde os dois banharam alguns
doentes e os alimentaram.

- Pai Francisco. . . - murmurou a irmã.

- Mas o que é mesmo que desejas, irmã?

Ela respondeu:

- Ser feliz. Procuro saber do senhor o que é a
felicidade.

- Mas a irmã cuidou tão bem dos doentes...

Notei que não relutaste em tratá-los ou banhá-los.

- Ah, Pai Francisco, desde pequena venho doando amor. Não encontro dificuldade em abraçar e beijar as pessoas, sejam pobres, feias, bonitas ou ricas. Sinto tanta felicidade nessa doação que às vezes até esqueço de mim mesma.

Francisco nada dizia. Dali saindo, encontraram uma pobre mulher que carregava uma criança nua que Francisco abraçou, não titubeando em cortar um pedaço da sua roupa para dá-la à mãe que tentava proteger o filho. Deslumbrada diante daquele gesto, a mulher olhou o pobrezinho de Assis, que agora tinha as pernas de fora. Sorrindo, ele lhe falou:

- Minha roupa era muito comprida, agora me vejo mais livre, posso caminhar melhor.
Assim os dois andaram muito, prestando ajuda aos que precisavam. Já noite, Francisco se dirigiu para o morro Alvene, refugiando-se em uma gruta, onde uma cama de pedra lhe recebeu o corpo magro, chagado. A mulher, vendo-o ofegante, perguntou:

- Está sentindo alguma coisa, Pai Francisco?

Ele sacudiu a cabeça, dizendo:

- Sim, sinto-me imensamente feliz. Agora, filha, fala-me das tuas tristezas.

- Pai, todos me julgam forte e em mim se apóiam mas eu gostaria que alguma vez alguém de mim se lembrasse. Tento fazer os outros felizes, mas sinto-me só e abandonada.

Francisco, que ouvia o lamento da mulher, quando esta terminou, disse-lhe:

- Procuras a felicidade, mas há felicidade maior que a de se doar a todos os que de ti se aproximam? A irmã até hoje só serviu, e felizes os que servem.

- Mas, Pai Francisco, e os meus sonhos?

- Continua sonhando, para que outros tenham felizes realidades.

Levantou-se, abraçou a sua ovelhinha e foi descendo o morro. A irmã o chamou:

- Pai Francisco, eu amo você!

Ele respondeu:

- É nisto que consiste a felicidade. Feliz daquele que já aprendeu a amar.

E continuou descendo. Ela, mais uma vez o chamou.

- Pai Francisco, eu amo você!

- Feliz aquele que não se envergonha de dizer ao seu próximo o quanto o ama.

E mais uma vez a mulher falou:

- Pai Francisco, eu adoro você!

- A felicidade está no amor e felizes são todos aqueles que sabem amar.

Francisco desapareceu, mas ali, no alto do morro, a mulher, sozinha, olhou para o céu, divisando uma estrela longínqua, que apesar de solitária, irradiava muita luz. E murmurou:

- Oh, sonho ! O que é você diante desta noite escura que me cerca?

Seus olhos orvalharam-se de lágrimas, mas logo a alegria invadiu seu coração, pois no céu resplandeceram milhares de estrelas, que se juntaram ao seu sonho por uma Terra repleta de felicidade.

Do livro "Corações Amigos"
de Irene Machado - Espírito Amélia