Total de visualizações de página

31 maio 2014

O Sucesso Alheio nos Incomoda? - Wellington Balbo




O SUCESSO ALHEIO NOS INCOMODA?



Mariângela trabalhava no escritório de uma indústria têxtil há mais de dez anos.

Colaboradora dedicada, competente, esforçada,  talentosa, conhecia como ninguém os atalhos para a eficiência e eficácia.



Além de todos esses atributos, tinha bom relacionamento com colegas de profissão e clientes.



Não havia nada que desabonasse sua conduta.

Era sem duvida uma profissional exemplar.

Tantos anos de fidelidade e seu esforço foi premiado com a promoção para gerenciar o setor de vendas.

Exultou de alegria, afinal era o reconhecimento pelo seu trabalho, sentiria-se  plenamente feliz  se não fosse por um único motivo.

Sua promoção despertara nos colegas de escritório ciúme e inveja.

Eram piadas maldosas, insinuações maliciosas, alguns chegaram ao extremo  e restringiram o contato com Mariângela  apenas a frieza da formalidade profissional...

Por que o sucesso alheio por vezes nos incomoda?

Resposta é única – O Egoísmo.

Enceguecidos pelo egoísmo,  os colegas de Mariângela não conseguiram ver seu talento, esforço e dedicação.

Lamentavelmente por vezes  a ascensão do semelhante  nos desperta sentimentos daninhos que nos acabrunham e desanimam.

Mais cômodo julgar o colega um bajulador ou sortudo do que se propor a aprender com o exemplo que nos legou.

Quando a inveja nos assola  irracionalmente o ser  acabamos por entrar em  um  doloroso calabouço de mágoas.

Julgamo-nos injustiçados e sentimo-nos “coitadinhos”.

Cultivar esses sentimentos é deixar de acreditar em si mesmo!

Façamos o  melhor que podemos fazer onde quer que estejamos que certamente um dia também encontraremos nosso lugar ao sol.

A vida em sua infinita sabedoria  jamais deixa de premiar a dedicação!

Enquanto isso, aprendamos e batamos palmas para aqueles que vem conquistando seu espaço a custa de trabalho esforço e dedicação.



Wellington Balbo


30 maio 2014

Tédio - Blog Espiritismo na Rede


TÉDIO

Muitas pessoas estabelecem objetivos de vida, que passam a ser buscados com intensa determinação.

Limitam seus interesses na conquista de seus sonhos e quando os alcançam nem sempre encontram neles o sentido e o significado que esperavam.

A meta, que por tanto tempo representou a razão de viver, cede lugar ao tédio, empurrando os seres para os abismos da depressão ou dos vícios.

Por vezes, são pais que colocam na vida dos filhos os próprios sonhos.

Projetam no futuro de seus rebentos os desejos que eles próprios não puderam realizar.

No entanto, os filhos crescem e devem enfrentar as próprias lutas e dar curso às próprias vidas.

Por vezes a constatação dessa verdade causa nos pais, mais despreparados, amarga aflição.

Outros, ainda, anseiam por alcançar um patamar elevado na carreira para amealhar, assim, consideráveis recursos financeiros.

Porém, quando seus objetivos se realizam, sentem-se desestimulados.

Há aqueles que se esforçam para ter fama e destaque na sociedade e que, quando os alcançam, amargurados e vazios, entregam-se às drogas e aos abusos do sexo.

Inquietação e desequilíbrio costumam servir de base na busca por objetivos imediatos de prazer e de satisfação.

Tais metas são frutos do egoísmo que ainda move os seres, e quando alcançadas produzem tão-somente rápida e passageira satisfação.

Em pouco tempo a antiga e conhecida sensação de aborrecimento e de vazio volta a exercer forte influência no cotidiano.

Como se todo o esforço tivesse sido vão.

Como se toda a luta não tivesse valido a pena.

Nos lábios, a impressão de que alguma palavra ficou faltando.

Na boca, a permanente sensação de sede.

É a fome de realização plena.

É uma sensação de que, em sonho, tudo era mais belo e satisfatório.

É o tédio, terrível flagelo que consome existências.

Silencioso e ardiloso, penetra suavemente no comportamento, instalando-se na mente e no sentimento, depauperando e dominando os indivíduos.

Quando te percebas a um passo do tédio, assume nova postura e busca uma atividade que te preencha o tempo físico e mental de forma útil.

Nunca te consideres impossibilitado de trabalhar, de agir no bem e de produzir.

Considera o esforço dos artistas sem braços, sem pernas, que se revelaram excelentes pintores, escultores, desenhistas, ricos de inspiração e de alegria de viver.

Reflete sobre a vida de outros deficientes que se transformaram em mensageiros da renovação interior, tornando-se membros indispensáveis da economia moral e social no mundo.

O esforço que lhes foi exigido não lhes concedeu tempo para qualquer forma de tédio ou de desinteresse, entregando-se à lamentação ou ao desencanto.

Não cesses de edificar, nem te permitas contemplar a retaguarda do já feito.

Examina a perspectiva do quanto ainda necessitas realizar.

Aspira à conquista do infinito e nunca te sentirás entediado com os logros conseguidos.

Quem se basta com as aquisições meramente materiais ainda não alcançou a real maturidade, nem descobriu as prioritárias metas existenciais.

Aquele que anela pela alegria de viver, não apenas pelo que consiga deter nas mãos, jamais será vítima do tédio, porque estará sempre em ação, sentindo-se útil e pleno.


Equipe de Redação do Blog Espiritismo Na Rede , baseado no capítulo 13 do livro Diretrizes para o êxito, de Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.


29 maio 2014

Espíritas Doentes - Inácio Ferreira

 

ESPÍRITAS DOENTES

Não, não estamos desejando nos referir àqueles companheiros de Ideal que, por vezes, a ele tanto se doam que, com o passar do tempo, terminam por observar, em pleno campo de luta, o declínio das próprias forças do corpo que dignificam na existência...

Nem tampouco nos referimos àqueles outros irmãos que, compreendendo a necessidade da quitação de débitos adquiridos no pretérito, renascem com problemas orgânicos que, não raro, os limitam em suas atividades em prol da Causa a que se consagram.

Ao escrever sob o assunto-título que nos inspira este arrazoado, queremos nos reportar aos confrades que, em sua militância doutrinária, por falta de defesas espirituais contra o personalismo e a vaidade, terminam por adoecerem do espírito gravemente. E, de maneira lamentável, na atualidade, são muitos os que se encontram quase que completamente tomados por semelhante quadro patológico de tratamento complexo e difícil...

São eles os que se supõem investidos de uma missão divina e se permitem alucinar em plena tarefa, ensejando, de forma concomitante, a atuação dos espíritos inimigos da Doutrina, que, em essência, são os adversários do Cristo no serviço de espiritualização da Humanidade.

Anulados em seu discernimento por absoluta falta de cultivo da virtude da humildade, passam a se crer na condição de luminares da Espiritualidade Superior encarnados na Terra, ou, então, medianeiros na posse de elevados mandatos que objetivam a reforma dos postulados de Allan Kardec, que, em seus Princípios básicos, sempre haverão de permanecer na vanguarda da Terceira Revelação.

De outras vezes, sem maiores pretensões, estabelecem conflitos que, se não se generalizam no Movimento, promovem inúmeras perturbações localizadas, influenciando dezenas e dezenas de espíritos invigilantes que, mentalmente, se lhes submetem aos preceitos de ordem pessoal, através dos quais extravasam as suas frustrações de mando e poder.

Criam eles tantos atalhos perigosos para os que, por si mesmos, não conseguem manter o foco no objetivo a ser alcançado, que se responsabilizam pela falta de aproveitamento real do tempo na encarnação dos grupos que passam a dominar, manipulando-os ao seu talante.

Repetimos: nos dias que correm, são muitos os espíritas adoecidos pela incontida ânsia de se revelarem mais do que efetivamente são, porque, para que realmente se tornassem grandes, não souberam se apequenar, aprendendo a servir ao lado daqueles que se engrandeceram nas últimas fileiras do testemunho a Jesus Cristo!...

Acautelemo-nos para que, assim adoecidos, eles não nos adoeçam, e para que, doentes por nossa vez, não nos transformemos em agentes do contágio da enfermidade que se generaliza em nossas fileiras, vitimando companheiros que, em outras circunstâncias, haveriam de ser de extremo valor para a Causa.

Poucas são as mentes e poucos são os corações que, diante da luz esplendorosa que o Espiritismo irradia, se encontram imunes ao deslumbramento que nos pode impedir a visão de nossas deficiências e imperfeições, na falsa impressão de que a claridade que se projeta em torno de nossos passos parte de nós mesmos, e não da inesgotável fonte de luz que ele representa em nossas vidas.

Se assim, porventura, detectamos em nós o menor traço da doença espiritual que têm comprometido a encarnação de tantos e tantos irmãos de fé espírita, ao ponto de eles se considerarem mais saudáveis que outros, peçamos a Jesus que nos auxilie na cura de tão grave mazela, nem que para isto necessitemos de experimentar qualquer abalo que, de inesperado, nos reduza à nossa própria insignificância.

Mil vezes cair, do que continuar caminhando equivocadamente, sem a bênção de uma pedra que nos intercepte os passos!...

Espírito de Ináco Ferreira
Médium: Carlos A.Bacelli

 

28 maio 2014

Aprendendo com os erros - Espírito Lúcius


APRENDENDO COM OS ERROS

O fato de existirem oportunistas em todas as religiões cristãs não transformou Jesus em uma mentira.

E se falarmos acerca do Divino Mestre, dentre as inúmeras coisas lindas que Ele fez, estão as inumeráveis curas físicas, sem que necessitasse de qualquer tipo de instrumento para atuar em favor dos mais desajustados ou perturbados na carne.

A mesma coisa acontece em todas as religiões da Terra, caminhos de aprendizagem ou de despertamento que nos educam a respeito das grandes possibilidades da alma, ao contato com as forças superiores do Espírito.

Quando o doente vitimado por qualquer enfermidade entende que a doença não é a manifestação da vontade do Criador, mas ao contrário, o reflexo das equivocadas experiências da ignorante criatura, ele, o doente, passa a compreender que foi do que já fez um dia que decorreram os efeitos nocivos no presente.

E se isso é assim, do que ele fizer hoje, decorrerão os dias melhores no futuro.

Desse jeito, as conseqüências suportadas são fatores positivos na conscientização dos deveres de agora, em relação aos frutos do amanhã.

Se não aprendêssemos com os nossos erros, jamais deixaríamos de realizá-los, uma vez que tudo o que nós procuramos fazer está ligado, diretamente, à sensação de bem-estar que todos buscamos.

Bem-estar no vício, no abuso do garfo, nos excessos do sexo, na volúpia da mentira, no prazer da usura, na satisfação propiciada pela vingança, na vitória com a destruição do adversário, na conquista do que pertence a outros, no sucesso dos empreendimentos egoísticos, na capacidade de iludir ou de ser cobiçado pela ilusão dos demais, no gosto bom de causarmos inveja em nossos vizinhos.

Tudo isso, em nosso mundo emocional, corresponde a boas sensações que produzem sofrimentos a nós ou a alguém.

E se isso não chegasse a nos fustigar em nós mesmos um dia certamente que continuaríamos, indefinidamente, a agir sempre da mesma maneira, pouco nos importando com esclarecimentos, com aulas de boa conduta, com conceitos de correção ou de conveniência.

Enquanto não recebêssemos em nós tudo o que fizemos os outros passarem, não nos conscientizaríamos de que aquele comportamento que adotamos era, realmente, inadequado.

E nesse campo, a Doutrina Espírita tem um grande legado de lições esclarecedoras a nos oferecer.

Quando nos ensina que Deus não deseja o nosso sofrimento, mas ao contrário, o nosso despertamento, nos anuncia a chegada da grande alvorada da Esperança.

Além do mais, nos fala de que tudo o que nos está acontecendo é a expressão da Justiça a entregar aos autores, aos semeadores, o exato teor daquilo que fizeram ou semearam, a fim de que avaliem o grau de insanidade, de loucura, de insensatez a que se permitiram chegar.

No entanto, a doutrina de Amor que o Espiritismo representa nos dá a idéia de que é a Misericórdia que governa a Justiça, ensinando que, quando o culpado dá sinais verdadeiros de arrependimento, quando seus esforços pessoais demonstram a modificação de seus rumos, quando as atitudes perversas de outrem dão lugar a atos generosos de reparação, de reconstrução dos erros cometidos, os piores efeitos do mal praticado outrora podem ser atenuados a fim de que o interessado repare o equívoco pelo trabalho no Bem e não pela lágrima de desespero.

Que coisa mais bela do que essa pode existir, na qual a Bondade prefere ver o filho equivocado trabalhando do que vê-lo cair sob o peso de chicotes, envolvido pelas grades do sofrimento vingativo?

Livro:- Esculpindo o Próprio Destino - Cap. 24
Espírito Lúcius
André Luiz Ruiz

27 maio 2014

Ilusão - Hammed


ILUSÃO


As ilusões que criamos servem-nos, de certa forma, de defesas contra nossas realidades amargas. Embora possam, por um lado, nos poupar das dores momentaneamente, por outro, nos tornam prisioneiros da irrealidade. Para possuir uma mente sã, é preciso que tenhamos a capacidade de aceitação da realidade, jamais fugindo dela.

Muitos de nós conservamos a ilusão de que a posse material proporciona a felicidade; de que o poder e a fama garantem o amor; de que a força bruta protege de uma possível agressão; e de que a prática sexual dá uma integral gratificação na vida. Quase sempre, desenvolvemos essas ilusões na infância com nossos pais, professores, outros parentes, como sendo reais ensinamentos, quando, em verdade, não passam de crenças distorcidas de indivíduos que tinham o dinheiro e o sexo como divindades supremas.

Mesmo quando crescidos e maduros, sentimos medo de abandoná-las. Não será fácil renunciarmos a essas ilusões, se não nos conscientizarmos de que a alegria e o sofrimento não estão nos fatos e nas coisas da vida, mas sim na forma como a mente os percebe. Enquanto usarmos nossa mente, sem que ela esteja ligada a nossos sentidos mais profundos, ficaremos agarrados a esses valores ilusórios.

Às vezes, na denominada educação ou norma social, assimilamos as ilusões dos outros como sendo realidades. Aprendemos, desde a mais tenra idade, que certas emoções são ruins, enquanto outras são boas. Importa considerar, no entanto, que as emoções são amorais e que senti-las é muito diferente do agir com base nelas, eis quando passam a ser uma questão moral/social.

“Os costumes sociais não obrigam muitas vezes o homem a enveredar por um caminho de preferência a outro (…) O que se chama respeito humano não constitui óbice ao exercício do livre-arbítrio (…) São os homens e não Deus quem faz os costumes sociais. Se eles a estes se submetem, é porque lhes convêm. Tal submissão, portanto, representa um ato de livre-arbítrio (..)”.

Colocar restrições às emoções é como querer segurar as ondas do mar, enquanto colocar restrições ao comportamento humano é perfeitamente possível e válido. São os comportamentos adequados que promovem o bem-estar dos grupos sociais e, inquestionavelmente, são necessários à harmonia da comunidade.

As emoções são simplesmente emoções. É importantíssimo aprendermos a perdoar e sermos compreensivos, desde que façamos isso agindo por livre escolha, não por medo ou por autonegação emocional. Na maioria dos casos, damos a outra face, não por uma capacidade de livre expressão e consciência, mas usando falsas atitudes de compreensão e espontaneidade.

Para que nossos atos e comportamentos sejam verdadeiros, as emoções devem ser percebidas como são e totalmente reconhecidas pela nossa personalidade, a fim de que nossa expressão seja natural, fácil e apropriada às situações.

Identificar uma emoção é diferente de suportá-la. Na identificação, nós a reconhecemos e, a partir daí, agimos ou não; suportar a emoção significa ignorá-la ou simplesmente tentar eliminá-la.

Censurar as emoções é ilusão; seria o mesmo que censurar a própria Natureza. Habitualmente, os pais costumam repreender o filho dizendo que não deveria ter raiva ou medo. Por certo, condenam as crianças por essas emoções e as obrigam a escondê-las, porém eles não conseguem extirpá-las. Ao punirem seus filhos, por estes expressarem suas emoções naturais, talvez não estejam usando o melhor método educativo. Não seria melhor ensinar-lhes os códigos do bom comportamento social, deixando que seu modo de ser flua com naturalidade e equilíbrio, sem anular a personalidade ou torná-los submissos?

Todos os seres humanos nascem com reações emocionais. Encontramos nos bebês emoções de raiva, quando estão impedidos de andar, pegar, brincar, ou seja, movimentar-se livremente. Verificamos também emoções de medo, quando ficam sem apoio, quando se sentem abandonados ou diante de barulhos fortes.

Na infância, se as emoções forem impedidas de se manifestar, irão ocasionar sérios danos no desenvolvimento psicoemocional do adulto, constituindo-se-lhe um obstáculo para atingir a auto-segurança.

A raiva ou o medo são emoções que proporcionam um certo “estado de alerta”, que nos mantêm despertos. Sem eles, ficamos impotentes e não conseguimos proteger nossa integridade física nem a psicológica das ameaças que enfrentamos na vida. São eles que nos orientam para a defesa ou para a fuga em situações de risco.

Obviamente, não estamos fazendo alusão às emoções patológicas e irracionais, mas àquelas que, naturais, são essenciais ao crescimento e desenvolvimento dos seres humanos.

Nossos sentidos são tudo o que temos para perceber os recados da vida; contê-los seria o mesmo que destruir o elo com nossa intimidade.

Não sentir é viver em constante ilusão, distanciado do verdadeiro significado da vida. A repressão das emoções inibe o ritmo e a pulsação interna, limita a vitalidade e reduz a percepção. Quando reprimimos uma emoção, por certo estaremos reprimindo muitas outras. Ao reprimirmos nossas emoções básicas (medo e raiva), certamente estaremos reprimindo também as emoções da afetividade. Infelizmente, não conseguiremos lidar com as dificuldades e encontrar soluções, se perdermos o contato com as leis da Natureza, aliás criadas por Deus e que nos regem a todos. É mais produtivo para a evolução das almas acreditar naquilo que se sente do que nas palavras que se ouvem.

Livro As Dores da Alma, item Ilusão, Espírito Hammed – psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto

26 maio 2014

Palavras de Amor Paternal - Bezerra de Menezes


PALAVRAS DE AMOR PATERNAL

Amigos.

O Senhor nos abençoe.

Hoje é uma grande noite no lar e na família. E somos parte do conjunto que formastes no tempo, em honra de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Com os nossos votos de trabalho e paz, coragem e alegria, a todo vós, com que nos reunimos habitualmente, desejamos que esses fatores da felicidade vos caracterizem a existência em todos os vossos dias. Mas não nos prendemos unicamente aos votos referidos. É nosso propósito agradecer-vos toda a cooperação que nos proporcionastes, no transcurso de 1988, através das atividades em que expressais a vossa fidelidade aos compromissos assumidos.

Agradecemos o amor que doastes aos irmãos em dificuldade ou penúria;

A tolerância com que soubestes desculpar as nossas falhas, na condição de imperfeitos amigos espirituais;

A assiduidade no desempenho de nossas tarefas, nas quais vos fizestes nossos professores de dedicação aos ensinos que Jesus nos legou;

A cortesia e o devotamento ao bem, com que ouvistes duras observações daqueles que nos procuram ainda inconscientes das realidades que nos felicitam;

As palavras de bom ânimo com que levantastes tantos companheiros caídos em desesperação, ante as provas que os aguardavam na experiência física;

Os impulsos generosos com que atendestes ao apelo dos necessitados de todas as procedências;

A resignação que infundistes em muitos de nossos irmãos, ansiosos na expectativa de receber os comunicados de entes queridos, que não nos foi possível abordar, irmãos esses que passaram a escutar com respeito às referências edificantes, alusivas à nossa Doutrina de Paz e Amor;

A compreensão com que registrastes as queixas e reclamações, injúrias e exigências de amigos encarcerados nas grades da inconformação;

A esperança que acendestes no escuro de corações desolados e infelizes;

A reorientação fraternal com que vos conduzistes no esclarecimento aos companheiros enganados por ilusões que os situavam na fantasia;

O trabalho constante com que vos decidistes a traduzir os ensinamentos do Divino Mestre, socorrendo aos últimos das filas humanas, amparando os desvalidos e agasalhando os nus;

O entendimento com que suportastes críticas e acusações gratuitas, entregando os obstáculos do mundo à Divina Providência;

O espírito de fraternidade com que dialogastes, construtivamente, com os amigos distanciados do Bem, suportando com serenidade os agravos e as agressões.

O silêncio que adotastes à frente do mal, cientes de que a Infinita Bondade do Senhor transforma sem alarde e sem alarme os desgostos e amarguras, com que fostes tantas vezes defrontados nos caminhos da fé;

E por todas as vossas qualidades nobres e esforços de auto-aperfeiçoamento, ensinando-nos a amar e a esperar, a abençoar e a elevar, convertendo-vos, involuntariamente, em orientadores para nós outros, os vossos companheiros desencarnados e, por todas as bênçãos de trabalho e paciência, com as quais nos enriqueceis de confiança e alegria, eis-me aqui o menor de vossos servidores, a fim de repetir-vos:

Muito obrigado e que Deus nos abençoe!

Pelo Espírito Bezerra de Menezes 
Do livro: Confia e Serve 
Médium: Francisco Cândido Xavier 

Mensagem recebida pelo Médium Francisco Cândido Xavier, na reunião pública realizada no Grupo Espírita da Prece, na noite de 31 de dezembro de 1988, em Uberaba, Minas.

25 maio 2014

Animismo - Blog Espiritismo na Rede

 

ANIMISMO

Alinhando apontamentos sobre a mediunidade, não será licito esquecer algumas considerações em torno do animismo ou conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação.

Temos aqui muitas ocorrências que podem repontar nos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos ou de efeitos intelectuais, com a própria inteligência encarnada comandando manifestações ou. delas participando com diligência, numa demonstração que o corpo espiritual pode efetivamente desdobrar-se e atuar com os seus recursos e implementos característicos, como consciência pensante e organizadora, fora do carro físico.

A verificação de semelhantes acontecimentos criou entre os opositores da Doutrina Espírita as teorias de negação, porquanto, admitida a possibilidade de o próprio Espírito encarnado poder atuar fora do traje fisiológico, apressaram-se os cépticos inveterados a afirmar que todos os sucessos medianímicos se reduzem à influência de uma força nervosa que efetua, fora do corpo carnal, determinadas ações mecânicas e plásticas, configurando, ainda, alucinações de variada espécie.

Todavia, os estardalhaços e pavores levantados por esses argumentos indébitos, arredando para longe o otimismo e a esperança de tantas criaturas que começam confiantemente a iniciação nos serviços da mediunidade, não apresentam qualquer significado substancial, porque é forçoso ponderar que os Espíritos desencarnados e encarnados não se filiam a raças antagônicas que se devam reencontrar em condições miraculosas.

SEMELHANÇAS DAS CRIATURAS
- Somos necessariamente impelidos a reconhecer que, se os vivos da Terra e os vivos do Além respirassem climas evolutivos fundamentalmente diversos, a comunicação entre eles resultaria de todo impossível, pela impraticabilidade do ajuste mental.

Seres em desenvolvimento para a vida eterna, uns e outros guardam consigo, seja no plano extra-físico, preparando o retomo ao campo terrestre, ou no plano físico, em direção à esfera espiritual, faculdades adquiridas no vasto caminho da experiência, as quais lhes servirão de recursos à percepção no ambiente próximo.

Tem cada Espirito, em vias de reencarnação, todos os meios de que já se muniu para continuar no circulo dos encarnados o trabalho de aperfeiçoamento que lhe é próprio, conservando-os potencialmente no feto, tanto quanto possui o Espírito encarnado toada as possibilidades que já entesourou em si mesmo para prosseguir em suas atividades no Plano Espiritual, depois da morte.

Assinalada essa observação, é fácil anotar que a criatura na Terra partilha, assim, até certo ponto, dos sentidos que caracterizam a criatura desencarnada, nas esferas imediatas à experiência humana, conseguindo, às vezes, desenfaixar-se do corpo denso e proceder como a Inteligência desenleada do indumento carnal ou, ainda, obedecer aos ditames dos Espíritos desencarnados, como agente mais ou menos fiel de seus desejos.

Encontramos, nessa base, a elucidação clara de muitos dos fenômenos do faquirismo vulgar, em que o Espirito encarnado, ao desdobrar-se, pode provocar, em relativo estado de consciência, certa classe de fenômenos físicos, enquanto o corpo carnal se demora na letargia comum.

OBSESSÃO E ANIMISMO - Muitas vezes, conforme as circunstâncias, qual ocorre no fenômeno hipnótico isolado, pode cair a mente nos estados anômalos de sentido inferior, dominada por forças retrógradas que a imobilizam, temporariamente, em atitudes estranhas ou indesejáveis.

Nesse aspecto, surpreendemos multiformes processos de obsessão, nos quais Inteligências desencarnadas de grande poder senhoreiam vítimas inabilitadas à defensiva, detendo-as, por tempo indeterminado, em certos tipos de recordação, segundo as dívidas cármicas a que se acham presas.

Frequentemente, pessoas encarnadas, nessa modalidade de provação regeneradora, são encontráveis nas reuniões mediúnicas, mergulhadas no mais complexos estados emotivos, quais se personificassem entidades outras, quando, na realidade, expõem a si mesmas,- a emergirem da subconsciência nos trajes mentais em que se externavam noutras épocas, sob o fascínio constante dos desencarnados que as subjugam.

ANIMISMO E HIPNOSE - Imaginemos um sensitivo a quem o magnetizador intencionalmente fizesse recuar até esse ou aquele marco do pretérito, pela deliberada regressão da memória, e o deixasse nessa posição durante semanas, meses ou anos a fio, e teremos exata compreensão dos casos mediúnicos em que a tese do animismo é chamada para a explicação necessária. O «sujet», nessa experiência, declarar-se-ia como sendo a personalidade invocada pelo hipnotizador, entrando em conflito com a realidade objetiva, mas não deixaria, por isso, de ser ele mesmo sob controle da idéia que o domina.

Nas ocorrências várias da alienação mental, encontramos fenômenos assim tipificados, reclamando larga dose de paciência e carinho, porquanto as vítimas desses processos de fixação não podem ser categorizadas à conta de mistificadores inconscientes, pois representam, de fato, os agentes desencarnados a elas jungidos por teias fluídicas de significativa expressão, tal qual acontece ao sensitivo comum, mentalmente modificado, na hipnose de longo curso, em que demonstra a influência do magnetizador.

DESOBSESSÀO E ANIMISMO - Nenhuma justificativa existe para qualquer recusa no trato generoso de personalidades medianímicas provisoriamente estacionadas em semelhantes provações, de vez que são, em si próprias, Espíritos sofredores ou conturbados quanto quaisquer outros que se manifestem, exigindo esclarecimento e socorro.

O amparo espontâneo e o auxílio genuinamente fraterno lhes reajustarão as ondas mentais, concurso esse que se estenderá, inevitável, aos companheiros do pretérito que lhes assediem o pensamento, operando a reconstituição de caminhos retos para os sensitivos corporificados na Terra, tão importantes e tão nobres em sua estrutura quanto aqueles que os doutrinadores encarnados se propõem traçar para os amigos desencarnados menos felizes.

Aliás, é preciso destacar que o esforço da escola, seja ela o recinto consagrado à instrução primária ou a instituto corretivo, funciona como recurso renovador da mente, equilibrando-lhe as oscilações para níveis superiores.

Não há novidade alguma no impositivo da acolhida magnânima aos obsessos dessa natureza, hipnotizados por forças que os comandam espiritualmente, a distância.

ANIMISMO E CRIMINALIDADE - Os manicômios e as penitenciárias estão repletos de irmãos nossos obsidiados que, alcançando o ponto específico de suas recapitulações do pretérito culposo, à falta de providências reeducativas, nada mais puderam fazer que recair na loucura ou no crime, porque, em verdade, a alienação e a delinqüência, na maioria das vezes, expressam a queda mental do Espírito em reminiscências de lutas pregressas, à semelhança do aluno que, voltando à lição, com recursos deficitários, incorre lamentàvelmente nos mesmos erros.

O ressurgimento de certas situações e a volta de marcadas criaturas ao nosso campo de atividade, do ponto de vista da reencarnação, funcionam em nossa vida íntima como reflexos condicionado, comprovando-nos a capacidade de superação de nossa inferioridade, antigamente positivada.

Se estivermos desarmados de elementos morais suscetíveis de alterar-nos a onda mental para a assimilação de recursos superiores, quase sempre tornamos à mesma perturbação e à mesma crueldade que nos assinalaram as experiências passadas.

Nesse fenômeno reside a maior percentagem das causas de insânia e criminalidade em todos os setores da civilização terrestre, porquanto é ai, nas chamadas predisposições mórbidas, que se rearticulam velhos conflitos, arrasando os melhores propósitos da alma que descure de si mesma.

Convenhamos, pois, que a tarefa espírita é chamada de maneira particular, a contribuir no aperfeiçoamento dos impulsos mentais, favorecendo a solução de todos os problemas suscitados pelo animismo. Através dela, são eles endereçados à esfera iluminativa da educação e do amor, para que os sensitivos, estagnados nessa classe de acontecimento, sejam devidamente amparados nos desajustes de que se vejam portadores, impedindo-se--lhes o mergulho nas sombras da perturbação e recuperando-se-lhes a atividade para a sementeira da luz.


Redação do Blog Espiritismo Na Rede baseado na obra  Mecanismos da Mediunidade - F C Xavier - Waldo Vieira- André Luiz


24 maio 2014

Escravos da Mágoa - Orson Peter Carrara


ESCRAVOS DA MÁGOA

A única maneira de curarmos nossas mágoas e feridas morais é através do perdão. É a forma de nos ligarmos uns aos outros de forma completa. Sem ele permanecemos agarrados, presos, escravos de lembranças que só fazem sofrer. Aliás, a mágoa é um sentimento inútil. Ela destrói a felicidade, a paz interior. E, por falar em paz interior, se pudéssemos elaborar uma lista de itens que levassem à conquista da paz interior, um deles seria a perda do interesse de julgar pessoas e interpretar ações alheias.

Que capacidade possuímos nós para julgar procedimentos, interpretar comportamentos? Cada pessoa é, por si só, um universo. Não conhecemos exatamente as motivações, as razões que levaram a determinados comportamentos e atitudes, pois cada um possui a própria história.

Muitas vezes nos consideramos ofendidos, magoados, desprezados, humilhados, mas a pessoa que julgamos nos ofendeu, humilhou, desprezou, não está pensando nisso, nem sofrendo pela questão que tanto nos atormenta. Na maioria das ocasiões, não agiu com intenção de ferir ou maltratar. Em muitas outras, se nos maltratou, era porque vivia um momento infeliz... E, se agiu com maldade ou má intenção, o problema é da própria pessoa e não nosso. Quem se magoa, destrói as próprias defesas orgânicas, abre enorme espaço para instalação e desenvolvimento de doenças, além do próprio tormento interior que passa a viver.

Considerando que todos cometemos equívocos, em menor ou maior grau e intensidade, que estamos sujeitos a erros e quedas, e que não há ninguém perfeito no mundo, temos o dever mútuo de compreender e entender os comportamentos, sabedores que já somos que cada um vive seu momento e está no estágio que conseguiu alcançar.

Quando não perdoamos, tornamo-nos escravos da mágoa.

Todavia, consideremos: somos seres humanos. Seres humanos sentem raiva, ficam magoados, é verdade e natural. A virtude está na superação desses sentimentos.

Tais considerações foram inspiradas no livro Os Segredos da Vida, excelente obra da Editora Sextante, dos autores Elisabeth Kubler-Ross e David Kesser, em seu 13º capítulo, que aborda exatamente a lição do perdão.

Desejamos sugerir aos leitores a citada obra, face ao extraordinário cunho psicológico de seu conteúdo, que pode ajudar muita gente a vencer a insegurança, o medo, as perdas, os prejuízos da culpa e outros importantes itens dos conflitos de relacionamentos.

Deixo de transcrever trechos ou parágrafos, por impeditivo constante da própria obra, mas não deixo de recomendar aos leitores. São lições que muito vão contribuir para a construção da paz interior. Em destaque, após o 14º capítulo, a Última Lição é texto imperdível que traz uma mulher de 43 anos. Médica, bonita, saudável, excelente nível de vida, primorosa família, mas infeliz. Um vazio interior a martirizava. Mas deixo ao leitor descobrir, por si só, com a leitura da obra, os desdobramentos desse caso tão comum em nossos dias. 

Autoria de Orson Peter Carrara


23 maio 2014

Como os Espíritos veem o sexo - Davilson Silva


 COMO OS ESPÍRITOS VEEM O SEXO

Encerrada a palestra em uma instituição espírita, algumas das pessoas simpáticas, fraternas, que prestigiaram o evento, logo se aproximaram para falar comigo.

 A Família é o Alicerce da Humanidade foi o tema por mim discorrido, em fins dos anos 90 do século anterior, a convite da USE Distrital Jabaquara (órgão da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo). Antes que alguém falasse comigo, um rapaz junto a uma linda moça, mais que depressa, pediu-me que eu o atendesse reservadamente, cochichando esta pergunta: “Como os Espíritos veem o ato sexual? Certas posições sexuais seriam imorais?”

Ah, os jovens de hoje em dia! Confesso que me surpreendeu a pergunta clara e sem subterfúgios. Muitos têm escrito, comentado sobre, no entender de alguns, embaraçoso assunto. Espíritas e não espiritas, os próprios Espíritos da Codificação e Mentores, tais como: Emmanuel, André Luiz, Joanna de Ângelis, dissertaram acerca desse ponto. Com base nos esclarecimentos de suas obras, competentes tribunos deram força, brilho à importância da sexualidade.

Esse objeto suscita realmente observação sob diversos ângulos. Tabus, preconceitos, superstições fazem parte do aspecto, da análise dos fatos. Ao se falar em prazer sexual, muitos pensam logo em algo execrável. Grupos religiosos ultraconservadores viram no sexo algo impuro, um ato meramente animalizado que lhes representa uma das pedras no sapato. Esse tópico tem sido alvo de exame de estudiosos, especialistas em psicanálise, em sociologia.

Sexo! Matéria merecedora de considerações moderadas com o propósito de não desagradar, ferir. O nível espiritual, ou moral, de cada pessoa, tem a ver com o que sente, com o que pensa; para uns, sexo é sinônimo de imoralidade, para outros não. O sexo já motivou degenerescência em períodos obscuros da história da nossa Civilização.

O Espírito Joanna de Ângelis opinou sobre o caso e referiu-se a prejuízos autorizados pela própria tolerância do caráter humano. Joanna considera fundamental o sexo para o “milagre procriativo”, um dos mais importantes fatores integrantes da índole humana, segundo ela, “graças aos ingredientes estimuláveis ou desarmonizadores do equilíbrio, de que se faz responsável”. O sexo passou nas civilizações antigas a campo de intenso sensualismo, disse a veneranda Entidade, cujos excessos chegaram a motivar a queda de alguns Impérios. (1)

Pecado mortal

Monarcas e imperadores andavam de mão comum com os “prepostos” de Jesus Cristo. Inspirados por Cristo, ou segundo eles, Deus, e sob anuência conservadora dos soberanos, sacerdotes viam no sexo uma influência perniciosa, um meio de queda para o Inferno, portanto “pecado mortal”, “conduta abominável”, tais os conceitos daquele obtuso período. Em 1985, um papa declarou “pecaminosos” os “prazeres da carne” mesmo entre os cônjuges católicos.

Apesar desse equívoco, de ações radicais, o sentido de moral da organização religiosa não deixou de se constituir em freio ao despudor. A Igreja influiu em quase todas as atividades, especialmente na problemática sexual desde o Império Romano. Naquele tempo, qualquer mulher podia pertencer a qualquer homem e vice-versa e eram comuns filhos bastardos, produto dos festins licenciosos em residências.

Não havia efetivamente laços de família, daí, o clero valer-se de medidas enérgicas, cruéis. A igreja, a se expandir cada vez mais, determinara aplicar a violência como único recurso de conter orgias regadas a vinho. O tempo passou, passaram os costumes, os lares também, assim como a transmissão de conhecimentos, o processo de desenvolução da capacidade física, intelectual e moral do ser humano.

Tudo mudou em tese, né? Com o aparecimento da civilização consumista, ou sistema em favor do consumo exagerado, o comportamento humano com relação à libido tem se expandido em espaços significativos da chamada mídia digital. O consumismo de bens materiais parece ter tornado mais forte a libertinagem e, com isso, intensificado antigas perturbações e distúrbios psíquicos.

Programas televisivos de auditório, principalmente a Internet, têm vulgarizado o erótico-pornográfico por conta de suposta liberdade. Crianças, adolescentes vivem debaixo de verdadeiro bombardeio de imagens ou de situações incitantes da libido, haja vista a média de iniciação de mocinhas, que é de 15 anos, e as doenças ginecológicas das quais padecem. De há muito vem aumentando o número de meninas grávidas, um problema sociocultural tanto das grandes cidades quanto das cidades onde não há shoppings nem cinemas, nem outros meios de entretenimento.

Há esse desequilíbrio, segundo Joanna, porque cada pessoa traz consigo traços peculiares referentes a conflitos íntimos obscuros, psicológicos profundos. A criatura humana não deixa de possuir qualidades adquiridas nas suas tentativas palingenésicas, e, em substância, querendo aceitar ou não, o Espírito encarnado é como se expõe à vista; ninguém muda de um dia para o outro, nem a morte zera tudo. Atitudes e respostas, numa existência, marcarão no futuro o modo de ser da Alma na índole humana masculina ou feminina consoante imperativos da Lei de Causa e Efeito.

Comentou a respeito do sexo outro sábio da Espiritualidade, o Espírito Emmanuel:

Desarrazoado subtrair-lhe as manifestações aos seres humanos, a pretexto de elevação compulsória, de vez que as sugestões da erótica se entranham na estrutura da alma, ao mesmo tempo que seria absurdo deslocá-lo de sua posição venerável, a fim de arremessá-lo ao campo da aventura menos digna, com a desculpa de se lhe garantir a libertação. (2)

O deleite sexual foi-nos outorgado por Deus para a felicidade e harmonia universais; mas, até entenderem o verdadeiro significado da força de atração física e suas implicações, ainda vai levar muito tempo. Fazer sexo é tão importante quanto o ato de respirar, de ingerir alimentos e, sob outro ponto de vista, um meio de transferência de energia indispensável ao vigor físico-mental mútua e simultaneamente.

Os Espíritos veem no sexo algo respeitável, a exigir educação e controle, sem nunca descurar da higiene a fim de impedir doenças. Os Amigos Espirituais não o reconhecem como um ato “impuro”, “animalizado” conforme o conceito pseudomoralista. Foram essas palavras a resposta dada ao moço junto à sua companheira (eram noivos).

Quanto à outra pergunta, “certas posições sexuais seriam imorais”, Deus, os bons Espíritos não estão preocupados com certas condutas eróticas. Aquilo que for posto em prática entre quatro paredes por um casal será da inteira responsabilidade de cada um. A conduta humana apresentar-se-á de acordo com o nível evolutivo da pessoa, mas quem desrespeitar, causar constrangimento, infortúnio a uma parceira, ou parceiro, arcará com as consequências da causa e efeito; lembremo-nos daquela antiga lei: “Ame o próximo como a si mesmo”...

Concluindo

Nega a sabedoria e misericórdia divina quem nega à criatura humana o direito do ato sexual que não se limita exclusivamente à procriação. Muito embora a mídia insista de modo sutil ou direto, afirmando que sexo é tudo, cego e ledo engano! Não, sexo não significa tudo! Tampouco “troca de casais” e todo tipo de libertinagem não mantêm um relacionamento sincero, sadio, estável. Pode-se dispensar o sexo sem compromisso de voto eclesiástico de castidade. Sim, é possível, e exemplos nunca faltaram quanto a alguém se sentir feliz, realizado, ao sublimar a energia sexual, canalizando-a em favor do próximo, dos mais próximos, de todos.

O progresso da criatura humana sofrerá prejuízo, se ela imediatamente não empenhar-se em sua espiritualidade. Sem reforma íntima, não há equilíbrio biopsíquico. O Espírito que anima o corpo de um homem pode animar o de uma mulher, assim como o Espírito que anima o corpo de uma mulher pode animar o de um homem em futura existência. Sendo assim, evitemos fazer comentários mordazes sobre toda dificuldade e problema de alguém — não temos suficiente certeza do tamanho da prova afetiva que nos aguarda numa ou noutra configuração própria. O clímax do ato sexual, impelido por mútua tendência afetiva com sentimento de apreço, será sempre oportuno e saudável.
Davilson Silva


Notas bibliográficas:

(1) FRANCO, Divaldo P. Estudos Espíritas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 3. ed. Federação Espírita Brasileira (FEB), 1982. Capítulo 20, p. 152.
(2) XAVIER, Francisco C. Vida e sexo. Pelo Espírito Emmanuel. 10. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1988. Capítulo 1ọ, p. 10.

22 maio 2014

Trabalhar não é sofre - Cláudio Bueno da Silva

 

TRABALHAR NÃO É SOFRER

Ouve-se com frequência: “Toda profissão é honrosa, não há por que sentir-se humilhado com as tarefas simples”.

 Embora este pensamento seja verdadeiro, normalmente ele é aplicado aos outros, nunca a quem fala. As palavras ditas nem sempre são sinceras. No campo profissional grande parte das pessoas não se submete a trabalho humilde, segundo a opinião de que não é condizente com a sua posição.

 Fora da área profissional não é diferente para a maioria que, pelo mesmo e outros motivos, não gosta de cumprir pequenas tarefas que lhe dizem respeito, menos ainda as que não dizem. Porém, num mundo como o nosso onde as situações podem mudar a qualquer tempo e sem aviso, a ocupação singela é um fato que pode se oferecer a qualquer pessoa, de inesperado. Neste caso o humilde acatará as atribuições naturalmente, com a sensação de cumprir um dever, o orgulhoso sofrerá descontente.

Em linhas gerais, o conceito de trabalho que permeia a sociedade moderna está estritamente associado à permuta, à troca: trabalho por dinheiro. Fora das relações contratuais de trabalho, documentadas ou verbais, muitos não se sentem obrigados a nada. Já a visão do Espiritismo sobre a questão é bem outra e ultrapassa esses estreitos limites. “Toda ocupação útil é trabalho”, disseram os Espíritos a Allan Kardec (1). Com esse conceito abrangente, não só a atividade material conta, mas toda e qualquer ação da inteligência que vise ao bem comum, ao progresso individual e coletivo. Segundo o Espiritismo, o trabalho é meio de desenvolvimento material e espiritual.

Com esse entendimento – ainda estranho para a humanidade – o trabalho braçal ou intelectual, remunerado ou voluntário, passa a ter um sentido diferente, um caráter especial, compreendido também como instrumento de aprendizado e elevação, não somente de manutenção, e não só voltado para as necessidades imediatas do homem. O trabalho, na conceituação espírita, além de provedor da subsistência do corpo, é acumulador de experiências para a formação do patrimônio do Espírito.

O trabalho na Terra tem caráter compulsório, o homem precisa trabalhar para viver, consequência da sua natureza corpórea. Mas as convenções e os interesses humanos desvirtuam seu real significado, transformando-o num peso social, numa coisa tormentosa de que as pessoas se desincumbem com aborrecimento. Enquanto nos mundos mais adiantados a ociosidade parece ser um suplício, na Terra é tida como benefício, como faz lembrar a questão 678, de “O Livro dos Espíritos”. “Trabalhar não é sofrer, mas progredir, desenvolver-se, conquistar a felicidade”, afirma Herculano Pires em nota de rodapé ao capítulo “Lei do trabalho”, do mesmo livro.

Seguindo esse raciocínio, por menores aptidões que uma pessoa possa ter, jamais lhe faltará ocupação, seja para o seu sustento, seja na colaboração em prol da ordem, do progresso e da justiça social. Diante de tantos benefícios que Deus concede ao homem e das condições que cria para que ele aprimore sua inteligência, não se justifica que o indivíduo negligencie sua participação no desenvolvimento da vida ou mesmo se desculpe com não ter o que fazer. Deus é generoso e a natureza, pródiga.

O conceito espiritualizado de trabalho que o Espiritismo formula leva o homem à conquista de valores definitivos que o aproximam de condições bem mais felizes do que quaisquer cargos ou posições humanas possam oferecer.

Cláudio Bueno da Silva
(1) Questão 675 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec, LAKE Editora
 
 

21 maio 2014

Auto Cura Interior - Victor Rebelo

AUTO CURA INTERIOR

Quando falamos em tratamento espiritual, temos que levar em conta não apenas a cura do corpo físico, mas, sobretudo, a cura da alma.

Os ensinamentos de certas doutrinas espiritualistas têm como objetivo despertar a consciência humana para seus potenciais divinos.

Os distúrbios emocionais e psíquicos, conforme nos ensinam, causam desequilíbrios energéticos que acabam desestruturando a harmonia celular, culminado, assim, nas doenças comumente diagnosticadas pelos médicos...

Portanto, devemos entender que a proposta maior de um método psicoenergético, em nossa atual conjuntura, não é a de substituir o hospital.

Isso seria, até mesmo, contra a legislação brasileira.

O objetivo maior é fornecer subsídios para que a criatura humana encontre condições para efetuar o seu amadurecimento e equilíbrio espiritual, o que trará, como consequência, o bem- estar e a saúde física.

De acordo com muitas doutrinas, existe uma força imensurável, que está além do inconsciente coletivo da humanidade, uma força universal, que coordena e impulsiona tudo o que é manifesto – espírito e energia, em seus diversos planos – para a harmonia.

É uma lei transcendental que existe e sempre existiu e todo aquele que "foge" do seu campo sofre o "choque" de forças contrárias, que têm como objetivo redirecioná-lo ao equilíbrio necessário para a manutenção da harmonia do Todo.

Tudo no universo é interdependente, nada está só.

Nesta interdependência, forças influenciam-se mutuamente, desde planetas e galáxias inteiras até as menores partículas subatômicas.

Nesta constante transformação, o caos (trevas) é constantemente transformado pela ordem (luz).

Matéria é energia em estado condensado; energia é matéria em estado radiante.

Percebemos, então, que toda energia/matéria no universo tem a mesma origem, o mesmo princípio.

Na maioria das vezes, a doença não é uma causa, é uma consequência proveniente das energias desequilibradas que circulam por nossos organismos (Mental, Astral e Físico).

O controle das energias é feito através dos
pensamentos e dos sentimentos, portanto, possuímos energias que nos causam doenças porque, mental e emocionalmente, já estamos desequilibrados.

Em Nos Domínios da Mediunidade, o espírito André Luiz explica que "assim como o corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, também o organismo perispiritual absorve elementos que lhe degradam, com reflexos sobre as células materiais".

Os métodos para alcançar a saúde integral (corpo e espírito) são vários, mas as causas e efeitos dela são o mesmo:- - Paz, Amor e Harmonia!

Artigo escrito por Victor Rebelo
Fonte:- "Revista Cristã do Espiritismo"

20 maio 2014

Enfermos da Alma - Joanna de Ângelis


ENFERMOS DA ALMA

Suas opiniões primam pela contundência.

Dizem-se sinceros, expondo o que pensam, conforme pensam, com violência.

Creem-se possuidores do conhecimento integral.

Combatem os demais com acrimônia.

Desejam reformar o mundo, embora tenham dificuldade em melhorar-se.

Primam-se pelas colocações pessoais, não facultando que outros disponham do mesmo direito.

Aceitos, fazem-se gentis.

Não admitidos, tornam-se agressivos, ferrenhos adversários.

Defendem a liberdade do comportamento franco. Em relação, porém, ao que gostam de expor, não de ouvir.

Evitam examinar o com que não estão de acordo, porque receiam o contágio da realidade, que lhes contraria os “pontos de vista”.

Anatematizam com facilidade, mesmo quando não conhecem, satisfatoriamente, o com que discordam.

Extrovertidos ou silenciosos, não abdicam dos seus conceitos, mesmo que a evidência seja diversa.

Extenuam os que lhes padecem a algaravia com o excesso de argumentação. Palavras vigorosas e conteúdo frágil.

Tornam-se extremistas e pressupõem que o Sol apenas brilha para eles.

Estão enfermos da alma, esses irmãos impetuosos.

Ignoram que, mesmo a verdade, deve ser lecionada com equilíbrio.

Atitude excessiva em qualquer cometimento expressa desajuste.

A gema preciosa arrojada com cólera, fere, provocando reação compatível de ira em quem lhe sofre o golpe.

Afirmam não necessitar de ajuda, porque são carentes dela.

Recusam-se a humildade por preferirem o autodeslumbramento em que se alucinam.

-x-

Respeita-os sem os temer.

Sê leal para contigo mesmo e gentil para com eles.

Apesar de os deveres considerar, expressa a sã doutrina, não os valorizando o quanto se atribuem.

Dá testemunho do Cristo em tuas palavras e obras, quando e onde estejas, sem te impressionares com o verbalismo fluente e vazio de que se fazem portadores.

As cigarras cantam e nada realizam, enquanto zumbem as abelhas e produzem abundância, tornando-se úteis e necessárias à vida.

Desobriga-te dos teus compromissos de esclarecer consciências e confortar corações sem alarde, porém, sem timidez.

Quando se faz o que se pode, sempre se faz o melhor e o máximo.

Assim agindo, estarás, sem dar-te conta, ajudando os irmãos enfermos da alma, que encontrarão em teu verbo e ação, a psicoterapia e o estímulo para lograrem a cura de que necessitam e não o percebem.

De “Oferenda”
De Divaldo P. Franco
Pelo Espírito Joanna de Ângelis


19 maio 2014

Tempo de Descarte - Momento Espírita

 

TEMPO DE DESCARTE

Nossos dias parecem feitos de momentos instantâneos. As coisas se transformam, as necessidades se sucedem e se modificam, fazendo com que tudo pareça volátil e fugaz.

Por vezes, nos parece que a própria vida é nada mais do que uma leve impressão e que nada vale um grande investimento, pois não há o que sobreviva ao descarte e a se tornar obsoleto.

Talvez por isso alguns de nós imaginamos que nossos relacionamentos também são descartáveis e fugazes, nesses dias em que vivemos.

Acabamos aceitando a ideia infeliz de que qualquer esforço de investimento nas pessoas parece algo inútil, uma verdadeira perda de tempo, pois logo essas serão, ou poderão ser substituídas.

Logo, é natural que nossos relacionamentos não suportem as primeiras rusgas, não sobrevivam aos primeiros embates, não ultrapassem os primeiros enfrentamentos.

Os investimentos da paciência, da consideração, do carinho, perdem sentido, nesse insistente descarte de tudo e de todos.

A amizade logo se desfaz, o relacionamento não cria raízes, os laços não se apertam e os nós se desfazem ao menor esforço.

Tudo isso porque esquecemos de que, muito embora o mundo esteja veloz, a comunicação seja instantânea, e a tecnologia se renove rapidamente, nossa mente e nosso coração são os mesmos de sempre.

Nossas necessidades emocionais em nada mudaram com a tecnologia.

A construção de nossos sentimentos ainda se faz gradual e lentamente, como a cem, quinhentos ou mil anos atrás.

Aprender a amar, cultivar uma amizade, aprender a querer bem, tudo se faz em velocidades medievais, poderíamos dizer.

Nada disso mudou no século XXI. O mundo externo se transformou por completo. Nossas necessidades e capacidades de amar são as mesmas.

Assim, cada vez mais se torna importante que resgatemos o tempo a dedicar aos nossos amores.

Nenhum casamento se fortalecerá sem o investimento de ambos.

Porém, se entre nossas prioridades não há tempo e investimento suficiente para que a vida seja compartilhada, natural que a relação feneça.

Se em nossos dias não há prioridade e tempo para os amigos, como manter as amizades?

Ninguém pode esquecer que a amizade se consolida lentamente, como quem cozinha no fogo brando, através da conversa solta e fraterna, da visita despretensiosa que estreita laços, ou do telefonema sem hora marcada mas que aconchega o ouvido.

Serão esses investimentos lentos, graduais, que serão efetivos, pois que criarão raízes profundas no coração.

Somente dessa forma nossos laços conseguirão vencer o tempo e a distância, a ponto de nos acompanhar para além desta vida, pois que permanecerão no coração.

O mais, o que efetivamente é descartável ou volátil, isso ficará, se perderá no tempo, ganhará esquecimento.
Entretanto, que nunca aquilo que pertença ao coração ganhe a falsa impressão de também ser descartável.

Porque, um dia, ao se perder tudo, inevitável fator da vida, permanecerá em nós somente aquilo que agasalharmos na mente e no coração.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita