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30 novembro 2012

Morte, Cremação de Cadáveres e Doação de Órgãos -




Morte, Cremação de Cadáveres e 
Doação de Órgãos
 Seminário

MORTE

1. Existe alguma diferença entre morte e desencarnação?

Morte física e desencarnação não ocorrem simultaneamente. A pessoa morre quando o corpo denso deixa de funcionar, admitindo-se hoje, para caracterização do óbito, o conceito de morte encefálica, chamada também de morte cerebral. A desencarnação é outra coisa: a alma desencarna quando se completa o desligamento, o que demanda algumas horas ou alguns dias.

Podemos valer-nos, assim, do vocábulo morte e do verbo morrer e seus derivados, como Kardec fartamente utilizou. (Ver o artigo "A morte na terminologia espírita", O Imortal de agosto/93, pág. 14).

Como nos diz André Luiz ("Estude e Viva, pág. 119): "Desencarnação é libertação da alma, morte é outra coisa. Morte constitui cessação da vida, apodrecimento, bolor".

Fixemos, assim, alguns conceitos, que serão fundamentais sobretudo quando tratarmos da extração de órgãos como coração, pulmão, fígado, rins e pâncreas, que, consoante o cardiologista Alfredo Inácio Fiorelli, coordenador da Central de Transplantes da Secretaria Estadual de Saúde de S. Paulo, devem ser retirados com o coração do doador ainda funcionando.

A morte encefálica, descrita pela primeira vez na França, na década de 50, significa que as estruturas vitais do encéfalo, necessárias para manter a consciência e a vida vegetativa, encontram-se lesadas irreversivelmente. Em outras palavras, o tronco cerebral não funciona, não existe mais a atividade cerebral, há total ausência de circulação sangüínea no cérebro e o eletroencefalograma mostrará o silêncio elétrico cerebral.

Não confundi-la com estado vegetativo, pois neste uma parte do cérebro ainda funciona, visto que a lesão terá atingido parte das células neurológicas, mas não as estruturas do encéfalo.

O Conselho Federal de Medicina estabeleceu, em 1991, através da Resolução no 1346, que a morte encefálica corresponde a um estado definitivo e irreversível de morte, podendo ser utilizada, sem qualquer dúvida, para a retirada de órgãos para transplantes.)

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2. A alma só deixa o corpo após a cessação completa da vida orgânica?

(Como regra geral tem-se que a separação da alma não se dá instantaneamente; ao contrário, ela se liberta gradualmente e não como um pássaro cativo que, de repente, ganhasse a liberdade. O ensinamento espírita é bem claro: rompidos os laços que a retinham ao corpo, a alma se liberta. (L.E., 155).)

Há, porém, uma curiosa e importante exceção a esse princípio, como se vê na questão no 156 d' O Livro dos Espíritos, em que Kardec indaga: "A separação definitiva da alma e do corpo pode ocorrer antes da cessação completa da vida orgânica?". Resposta: "Algumas vezes, na agonia, a alma já deixou o corpo e não há mais que a vida orgânica. O homem não tem mais consciência de si mesmo e, entretanto, lhe resta ainda um sopro de vida. O corpo é uma máquina que o coração movimenta; existe enquanto o coração faz circular o sangue nas veias, e para isso não necessita da alma".  (Veja a tal respeito o ensinamento contido no item 136-A do Livro dos Espíritos, onde se diz que a vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode animar um corpo sem vida.)

Quando Kardec obteve essa resposta não existia o conceito de morte cerebral. Ele se reportava então, com certeza, ao coma profundo, com alguma atividade cerebral ou à própria morte encefálica. Ora, se na agonia isso pode se dar, podemos deduzir com razoável dose de certeza que na morte encefálica o corpo é como "uma máquina que o coração movimento" e "para isso não necessita da alma".

André Luiz trata do tema no cap. XVI, Mecanismos da mente - Secção da medula, de "Evolução em Dois Mundos", em que nos diz:

"... depois de seccionada a medula de um paciente se observa, de imediato, a insensibilidade completa, o relaxamento muscular, a paralisia e a eliminação dos reflexos somáticos e viscerais, em todas as partes que recebem os nervos nascidos abaixo do ponto em que se verificou o prejuízo."

Acrescenta André que essa paralisia e insensibilidade procedem do desligamento das regiões do corpo espiritual, correspondentes nos tecidos orgânicos e no cérebro, qual se desse a retirada da força elétrica de determinado setor.

Conclui André: "Semelhante desligamento, porém, não se verifica de todo, o que acarretaria, quando em níveis altos, irreversivelmente, o processo liberatório da alma com a desencarnação".

Com essas palavras, André está afirmando que, havendo uma lesão irreversível numa região do sistema nervoso central, ocorrerá desligamento das regiões do corpo espiritual correspondentes à zona atingida do corpo físico, e se a região lesada corresponder a níveis mais altos, isto é, regiões mais próximas do cérebro, ocorrerá o processo liberatório da alma. Ora, se a lesão irreversível atingir o próprio encéfalo, que é o centro regulador da vida, o desprendimento da alma se fará de forma automática.)

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3. Como se processa o desprendimento da alma, uma vez morto o corpo?    A prece pode ser útil ao desprendimento da alma?

(De um modo geral, o Espírito continua ligado ao corpo enquanto são nele muito fortes as impressões da existência física. Indivíduos materialistas ficam retidos por mais tempo, até que a impregnação fluídica animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento. Essa demora no desprendimento é, no entanto, necessária, para que o desencarnante tenha menores dificuldades para ajustar-se às realidades espirituais.

O desprendimento começa pelas extremidades e vai-se completando na medida em que são desligados os laços fluídicos que prendem o Espírito ao corpo. No livro "Obreiros da Vida Eterna", cap. XIII, o instrutor Jerônimo informa que há três regiões orgânicas fundamentais que demandam extremo cuidado nos serviços de liberação da alma: o centro vegetativo, ligado ao ventre, como sede das manifestações fisiológicas; o centro emocional, zona dos sentimentos e desejos, sediado no tórax, e o centro mental, situado no cérebro. Essa foi a ordem em que ele atuou para facilitar o desprendimento de Dimas, descrito no referido livro.


A prece é muito útil no desprendimento do Espírito. Allan Kardec relata no livro "O Céu e o Inferno" o caso Augusto Michel, ocorrido em 1863, o qual pediu a um médium fosse até o cemitério orar no seu túmulo. O Espírito de Augusto Michel suplicou tanto, que o médium atendeu e, no próprio cemitério, ele comunicou-se agradecido, aliviado da constrição que antes o fazia preso ao corpo. Ao comentar o caso, Kardec indaga se o costume quase geral de orar ao pé dos defuntos não proviria da intuição inconsciente que se tem desse efeito.)

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4. A perturbação que se segue à morte é um acontecimento normal?

(Ernesto Bozzano, no seu livro "A Crise da Morte", após examinar 18 casos cientificamente documentados sobre as fases do fenômeno da morte, enumera em 12 pontos as suas conclusões. Dentre eles, destacamos os seguintes: a) todos afirmaram terem ignorado, durante algum tempo, que estavam mortos;  b) quase todos passaram por uma fase mais ou menos longa de "sono reparador"; c) os Espíritos dos mortos gravitam fatalmente e automaticamente para a esfera espiritual que lhes convém, por virtude da "lei de afinidade".

Léon Denis, em seu livro "Depois da Morte", explica que a separação da alma do corpo é seguida por um período de perturbação. Esse tempo é breve para o espírito justo e bom, que logo se separa com todos os esplendores da vida celeste, mas muito longo, às vezes durando anos inteiros, para as almas culpadas, impregnadas de fluidos grosseiros.

A perturbação que se segue ao momento da morte é tratada em minúcias nos itens 149 a 165 d' "O Livro dos Espíritos". O estado de perturbação é um fato natural em todos nós e varia de acordo com o grau de elevação moral do desencarnante (L.E., 163 e 164).)

CREMAÇÃO

1. A Igreja Católica admite a cremação de cadáveres humanos?

(A incineração dos cadáveres humanos remonta à antigüidade. Na Idade do Ferro já existiam as necrópoles de incineração, como os "campos de urnas" de Alpiarça, atribuídos à época céltica, e a necrópole de Alcácer do Sal, 300 anos a.C. A cremação constituía regra na Grécia primitiva e entre os romanos e ainda hoje é costume em várias regiões do globo, como a Índia e Portugal.
A Igreja, já nos primórdios do Cristianismo, proibia a cremação, e o Clero romano a condena até nos dias atuais, certamente por coerência com o dogma da ressurreição dos corpos, definido no 4o. Concílio de Latrão e confirmado no 11o. Concílio de Toledo, realizado em 675.

O Código de Direito Canônico estabelece no cânon 1240, 5o, estarem privados de sepultura eclesiástica os que mandarem, antes de morrer, cremar o seu corpo, além do que não farão jus a qualquer missa exequial e a nenhum outro ofício fúnebre.)

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2. Há vantagens na cremação de cadáveres?

(Foi em 1774 que se iniciou o movimento pró-cremação, iniciado pelo abade Scipion Piattoli, o qual se expandiu pela Suíça, Alemanha, Inglaterra, França etc. Na França, uma lei de 1886 consagra o direito à escolha pela sepultura ou pela cremação.

No campo econômico, a vantagem da incineração é evidente. As despesas de funeral seriam reduzidas enormemente. O espaço físico destinado aos cemitérios não seria necessário. Ao invés de mausoléus, uma urna pequena resolveria o problema.

No aspecto higiênico ou sanitário, a cremação é a solução ideal. Alguns cientistas opinam pela incineração obrigatória em casos de morte por moléstia contagiosa, como tifo, varíola, escarlatina (doença infecciosa aguda, caracterizada por febre, erupção de pequenos pontos vermelhos e descamação em largas placas) e outras. Nas epidemias, só o fogo pode ensejar um saneamento em regra.)

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3. Há desvantagens na cremação de cadáveres?

(No campo jurídico, apontam-se alguns argumentos contrários à cremação, pois, destruído o cadáver, a cremação impediria qualquer verificação post-mortem que se fizesse necessária.

No aspecto espiritual Léon Denis aponta uma desvantagem, pois que, em geral, a cremação provoca desprendimento mais rápido, mais brusco e violento da entidade desencarnante, sendo mesmo doloroso para a alma apegada à Terra. Determinados Espíritos permanecem algum tempo imantados ao corpo material após o transe da morte, como acontece principalmente com os suicidas.

O rompimento do cordão fluídico nem sempre se consuma num curto espaço de tempo. Nessas condições, o desencarnado é como se fosse um morto-vivo cuja percepção sensória, para sua desventura, continua presente e atuante. A cremação viria causar-lhe um angustiante trauma, o que seria "aumentar a aflição ao aflito".)

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4. Qual é a posição espírita sobre a cremação de cadáveres?

(Além da posição, já vista, de Léon Denis, o que existe são posições esparsas. Richard Simonetti entende que, embora o cadáver não transmita sensações ao Espírito, este experimentará obviamente "impressões extremamente desagradáveis" se no ato crematório a entidade estiver ainda ligada ao corpo.

Paul Bodier acha que "a incineração, tal como se pratica entre nós, é, com efeito, prematura demais". Talvez, por isso a inumação devesse ser o processo normal, só se cremando os cadáveres com sinais evidentes de putrefação.

Emmanuel esclarece, através de Chico Xavier, que "a cremação é legítima para todos aqueles que a desejam, desde que haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório". (Veja "Pinga-Fogo na TV Tupi-SP", realizado em 1971.)

Allan Kardec, ao que nos consta, não cuidou especificamente do assunto, o que equivale a dizer que a Doutrina Espírita não tem uma posição firmada sobre a cremação de cadáveres.)

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

1. Como o Espiritismo encara os transplantes de órgãos?


(O assunto não foi, evidentemente, tratado por Kardec, mas o Dr. Jorge Andréa, no seu livro "Psicologia Espírita", págs. 42 e 43, examinando o tema, assevera que não há nenhuma dúvida de que, nas condições atuais da vida em que nos encontramos, os transplantes devem ser utilizados. "A conquista da ciência é força cósmica positiva que não deve ser relegada a posição secundária por pieguismos religiosos. Por isso, chegará o dia em que poderemos avaliar até que ponto as influências espirituais se encontram nesses mecanismos, a fim de que as intervenções sejam coroadas de êxito e pleno entendimento".


Perguntaram a Chico Xavier se os Espíritos consideram os  transplantes de órgãos prática contrária às leis naturais. Chico respondeu ("Entrevistas"): "Não. Eles dizem que assim como nós aproveitamos uma peça de roupa que não tem utilidade para determinado amigo, e esse amigo, considerando a nossa penúria material, nos cede essa peça de roupa, é muito natural, aos nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com segurança e proveito".)

***

2. Todos podemos doar nossos órgãos ou há casos em que isso não se recomenda?


(E' claro que todos podemos. A extração de um órgão não produz reflexos traumatizantes no perispírito do doador. O que lesa o perispírito, que é nosso corpo espiritual, são as atitudes incorretas perpetradas pelo indivíduo, e não o que é feito a ele ou ao seu corpo por outras pessoas. Além disso, o doador desencarnado é, muitas vezes, beneficiado pelas preces e pelas vibrações de gratidão e carinho por parte do receptor e de sua família. A integridade, pois, do perispírito está intimamente relacionada com a vida que levamos e não com o tipo de morte que sofremos ou com a destinação de nossos despojos.


Há casos, no entanto, que a doação ou a extração de órgãos não se recomenda. No dia 6 de fevereiro de 1996, atendemos um Espírito em sofrimento, que recebera o coração de um jovem morto num acidente, o qual, sem haver compreendido que desencarnara, o atormentava no plano espiritual, reclamando o coração de volta. Curiosamente, o Espírito que recebera o órgão sabia estar desencarnado e lembrava até haver doado as córneas a outra pessoa.

Indagaram a Chico Xavier: "Chico, você acha que o espírita deve doar as suas córneas? Não haveria nesse caso repercussões para o lado do perispírito, uma vez que elas devem ser retiradas momentos após a desencarnação do indivíduo?". Respondeu o bondoso médium mineiro  ("Folha Espírita", nov/82, apud "Chico, de Francisco", pág. 84): "Sempre que a pessoa cultive desinteresse absoluto em tudo aquilo que ela cede para alguém, sem perguntar ao beneficiado o que fez da dádiva recebida, sem desejar qualquer remuneração, nem mesmo aquela que a pessoa humana habitualmente espera com o nome de compreensão, sem aguardar gratidão alguma, isto é, se a pessoa chegou a um ponto de evolução em que a noção de posse não mais a preocupa, esta criatura está em condições de dar, porque não vai afetar o perispírito em coisa alguma. No caso contrário, se a pessoa se sente prejudicada por isso ou por aquilo no curso da vida, ou tenha receio de perder utilidades que julga pertencer-lhe, esta criatura traz a mente vinculada ao apego a determinadas vantagens da existência e com certeza, após a morte do corpo, se inclinará para reclamações descabidas, gerando perturbação em seu próprio campo íntimo. Se a pessoa tiver qualquer apego à posse, inclusive dos objetos, das propriedades, dos afetos, ela não deve dar, porque ela se perturbará".)
Anos depois dessa resposta, registrou-se o caso Wladimir, o jovem suicida que foi aliviado em seus sofrimentos post-mortem graças às preces decorrentes da doação de córneas por ele feita, mostrando que, mesmo em mortes traumáticas como essa, a caridade da doação, quando praticada pelo próprio desencarnante, é largamente compensada pelas leis de Deus. (O caso Wladimir é narrado no livro “Quem tem medo da morte?”, de Richard Simonetti.)

***


Sobre problema de rejeição, ver:

  • estudo publicado na revista "New England Journal of Medicine", a respeito de doação entre cônjuges, apud SEI, pág. 2, de 3 de fevereiro de 1996;

  • estudo feito em Juiz de Fora, pág. 3, item II, que arrola 4 possíveis causas.    


Astolfo O. de Oliveira Filho


29 novembro 2012

Carta aos Pais - Raul Teixeira


CARTA AOS PAIS

 
Meu irmão.

Evocamos as homenagens que lhe são tributadas, pela nobre missão que o Senhor da Vida lhe concedeu, na condição de pai na Terra, venho ao encontro de seu coração, a fim de que possamos, juntos, refletir acerca de alguns elementos que muitas vezes, são deixados lado, por variados motivos.

Você sabe que ser pai no mundo é honrosa oportunidade com que Deus brinda o homem, com que abençoa a masculinidade, homenageando a sua função co-criadora, ao lado da mulher que se fez mãe pelos vínculos carnais.

Assim, meu irmão-pai, torna-se necessária a sua atenção para os episódios mais estridentes que acontecem nos momentos que passam, na conjuntura social.

Ouve-se falar dos tormentos dos vícios, do tóxico em particular, solapando as energias jovens, começando a destroçar a criança, ainda nas primeiras experiências infantis, enleando até mesmo os seus filhos na volúpia viciosa, e tantas vezes você não se interessa e , por isso , nada vê.

É verdade que você se encontra preocupado com a manutenção doméstica. É valido que você se torne o eixo em torno do qual giram preocupações. É compreensível que esteja cansado, ao voltar dos sucessos cotidianos da profissão.

Porém papai, não deponha sobre os ombros da companheira-mãe a responsabilidade de, sozinha, conduzir o lar, educar a prole, acompanhar os passos dos pequenos e dos mocinhos, fazendo-se presente onde se torne preciso. Você pode e necessita, meu amigo, na condição de genitor, participar desse luminoso esforço, que é o de conduzir ao Criador as almas que lhe foram apresentadas na função de filhos.

Quantas vezes você tem mirado nos olhos dos seus filhos para sentir-lhes as realidades intimas, pelas “janelas da alma”?

Quantas vezes você tem renunciado a um lazer para que esteja com eles, nos compromissos escolares em que se faça importante a sua pessoa, numa ou noutra atividade social, a fim de que se sintam apoiados por sua presença a dar-lhes segurança?

Quantas vezes você tem dialogado com seus filhos, ouvindo-lhes as opiniões sobre a vida, as pessoas, os fatos cooperando no esclarecimento de equívocos e fazendo recolocações devidas, auxiliando-os a caminhar pelas vias do discernimento?

Quantas vezes visitou, você mesmo, os ambientes, os redutos, nos quais vivem e se agitam seus filhos, a fim de conhecer onde estão comumente, com quem estão e o que fazem, demonstrando interesse pelo acerto deles na vida?

Quantas vezes chamou-lhes a atenção, com carinho e energia, ao vê-los bandear-se para caminhos obscuros, induzidos pela propaganda tendenciosa do mal ou pelas opiniões de quem se lhe apresenta como liderança da moda?

Quantas vezes você conseguiu conversar, sem gritar; orientar, sem imposição descabida; corrigir, sem agressão, para que eles adquirissem o senso do equilíbrio das proporções e da tranqüila disciplina? 

Pense, meu irmão, pense seriamente, desarmado emocionalmente, para verificar se não terá tido ou se não tem participação nos equívocos em que os filhos se lançam por ignorância ou desamparo, por falta de sua assistência...

Se, muito bem, que você ama seus filhos. Entretanto , o amor, sendo a virtude por excelência, deve ser vigilante e perspicaz, para que , em seu nome, a insensatez e assombra não se estabeleçam.

Hoje, quando tantos filhos sofrem a carência da presença dos pais, Vigie-se para não trocar por presentes matérias a atenção que lhes deve, de modo a conquistá-los. Ainda que tenha coisas para dar, de-as, mas oferte-se a eles. Sorria com eles, corra com eles, ajude-os em pequenos serviços, em singelos deveres escolares. Ouça-lhes as historias simples do dia-a-dia, vividas com colegas e amigos. Dê valor às suas dificuldades, sem exageros prejudiciais, contudo. Pergunte-lhes, ao tornando-se, assim, amigo-confidente, para que seja aceito como conselho.

Mas, não se olvide de que todas as suas orientações, palavras e ensinos se esboroarão, ruirão por terra, se você apenas quiser ensinar, sem que viva, nobremente, os ensinos que ministra.

Reflita, pai querido, que seus rebentos lhe conduzirão a mensagem de vida aonde quer que forem, impregnados que estarão por tudo quanto lhes houver oferecido.

Não se esqueça, ainda, papai, que você não está a sós, com sua companheira, para o conduzimento dos filhos. Contam vocês com a assistência e com a participação dos nobres Emissários do Bem, que se fizerem seus Anjos Quardiães, e que têm interesse em recambiá-los a Deus, valendo-se da sua disposição de pai e mãe na Terra.

Não diga que se torna difícil a lide, por lhe faltar o burilamento da cultura escolar. Para orientarmo-nos pelo bem, pelo caminho correto, junto aos nossos afetos, não temos necessidade de diploma, mas, sim, de bom senso e maturidade, aliados a uma profunda confiança em Deus.

Repito-lhe que os Espíritos Avalistas da sua família acompanharão as suas lutas e dificuldades, limitações e empenhos , suprindo onde seja necessário, a fim que você consiga avançar , cooperando com o Criador de modo efetivo, e mais afetivo, alcandorando-se com os seus educadores bem formados.

Ao abraçá-los por sua coragem e por seu amor, junto aos filhos amados, auguramos-lhes verdadeiros progressos, na marcha para a real felicidade, após a sua missão devidamente atendida.

Vereda Familiar 
José Raul Teixeira

28 novembro 2012

Consciência e Dever - Joanna de Ângelis



CONSCIÊNCIA E DEVER


Em razão dos projetos fantasistas que se propõe, a criatura Humana estabelece, normalmente , sua escala de valores prioritários, longe da realidade espiritual.

Os impositivos imediatos prevalecem nos seus conteúdos eleitos como aqueles que devem ser conquistados, fixando as bases do seu comportamento na busca dessas realizações.

Embora reconheça a impermanência da vida física e de tudo quanto lhe diz respeito, agarra-se à transitoriedade dos acontecimentos e fenômenos , buscando eterni-zá-los , no tempo que se transfere e nos espaços emocionais que se consomem, em razão das transformações inevitáveis do corpo somático.

Como conseqüência , esvai-se na luta constante pela preservação do perecível, assim como no afã de manter-se em nova buscas, esquecendo-se da realização plena , que decorre da sua consciência lúcida constatando a conquista de si mesma.

Por atavismo , acredita que a preservação da espécie e a necessidade de manter os provimentos necessários para tal fim , constituem os objetivos da existência na terra.

E sem mais amplas reflexões , automaticamente , entrega-se à conquista de coisas e valores amoedados , de projeção social e gozo pessoal.

As suas áreas de movimentação emocional são restritas , o que gera, com o tempo e a repetição , as graves neuroses que propelem às fugas espetaculares , aos conflitos , aos sofrimentos mais acerbos...

O ser humano é aquilo que pensa , que de si mesmo elabora, construindo , mediante o pensamento, a realidade da qual não logra evadir-se.

As sus aspirações íntimas , com o tempo , concretizam-se e surpreendem-no, ás vezes quando já não as acalenta, pois que há um período para semear e outro que corresponde à colheita.

O êxito de um empreendimento depende, por certo , do empenho que alguém se aplica para a sua execução . Todavia, o projeto, a programação e o método de trabalho são indispensáveis para o tentame e a realização.

A idéia , pura e simples , necessita de indumentária para ser expressa, e a forma como se apresenta responde pelas conquistas que produz.

Assim , as palavras enunciadas não podem ser silenciadas , prosseguindo na sua marcha. O que realizam, torna-se patrimônio daquele que as endereçou.

A consciência lúcida mantém-se vigilante, a fim de não gerar conflitos e sofrimentos para si mesma através dos conceitos infelizes emitidos e das ações perniciosas praticadas.

Conhecendo os deveres que lhe dizem respeito, amadurece as responsabilidades, porquanto se utiliza das ocasiões propiciatórias para desenvolver mais os potenciais que lhe jazem inatos, ampliando a área de percepção.

A consciência do dever não é resultado dos arquétipos mitológicos, e sim, das conquistas morais que promovem a criatura, libertando-a dos instintos agressivos , da libido , das paixões asselvajadas. Pode-se medir o estágio de evolução do ser pela sua consciência de dever.

A ausência dela indica-lhe o primarismo, mesmo que haja realizado conquistas intelectuais, enquanto que a sua mani#estação revela todo o processo de armazenamento de valores ético-morais. Faze da tua existência terrestre um patrimônio de eternas bênçãos.

A morigeração , a equanimidade, o dever lúcido, marcharão contigo, proporcionando-te estímulo e mais conquistas, sem que o cansaço o tédio e a amargura encontrem pouso em teus sentimentos e disposições.

Cada dificuldade e problema se te revelarão desafios, e se por acaso malograres, toma a atitude de Santo Agostinho, conforme declara em bela comunicação em O Livro dos Espíritos, nos comentários à questão 919 : - Fazei o que eu fazia, quando vivi na terra : ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma.


Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco 
Livro: Momentos de Consciência

27 novembro 2012

Consciência e Discernimento - Joanna de Ângelis


CONSCIÊNCIA E DISCERNIMENTO 

Na antigüidade clássica os gregos elucidavam que o homem é um animal racional e que para alcançar o pleno desenvolvimento deve utilizar-se da razão.

A conquista da razão, no entanto , dá-se mediante o esforço desenvolvido pelo uso da mente, por um método ordenador. A mente pode tornar-se o céu ou o inferno de cada criatura, conforme o direcionamento que dê ao seu pensamento.

O cultivo das idéias que se derivam das paixões , induz a distúrbios que alienam e brutalizam, dificultando o predomínio do discernimento.

O discernimento resulta do exercício da arte de pensar , que deve crescer de forma adequada, favorecendo o homem com a percepção do ser e do não-ser , do correto e do errado, do justo e do abominável.

Duas proposições surgem como metodologia correta para o desenvolvimento da razão , para o uso do discernimento: pensar sempre e o que se deve pensar. 

No primeiro caso, educação através do pensar constante, já que a sua função desenvolve os próprios centros pelos quais se manifesta, dilatando a capacidade para fazê-lo sempre. Indispensável lutar contra a preguiça mental, geradora da desatenção, da sonolência, da dificuldade de concentrar-se. 

Eleger o tipo de pensamento a cultivar , constitui passo de alta importância para que o discernimento manifeste a consciência, na eleição dos códigos de comportamento que se incorporarão à existência... Diz-se que ninguém vive sem pensar, e a afirmação é equivocada. Todos os que transitam nas faixas primárias da evolução pensam pouco ou quase nada. 

Vítimas dos impulsos da sua natureza animal, deixam-se arrastar pelas tendências e instintos até o momento compulsório em que lhes luz a razão, propelindo-os ao exame dos acontecimentos e da conduta. 

Outros , que já alcançaram essa fase, por falta de hábito de pensar , deixam-se anestesiar e acomodam-se aos fatos e fenômenos existenciais, sem os estímulos inteligentes para galgarem patamares mais elevados. 

O discernimento propicia ao ser pensante o amadurecimento psicológico e por extensão , de natureza afetiva. Descobre, então , a própria importância no grupo social, no qual se movimenta , empenhando-se para dar conta dos deveres que lhe cumpre desenvolver. 

Alarga-se-lhe o horizonte da compreensão humana e o amor abrangente por tudo e todos assoma-lhe e predomina nos seus sentimentos, responsável pela conduta saudável, promotora da felicidade. 

Essa consciência que discerne, faculta a intuição da transcendência da vida, ampliando as possibilidades de desenvolvimento intelecto-moral, que se direcionam ao infinito da perfeição relativa. 

Desse modo, a conquista do discernimento e da consciência brinda a criatura humana com a plenitude, que espera e tem sido decantada pelos mártires e apóstolos , pelos santos e sábios de todos os tempos , de todas as culturas , de todas as épocas. 

Passando pela fieira das reencarnações , o espírito desenvolve os conteúdos superiores que nele jazem em germe e , ao contato com as experiências da razão faculta as condições para que se desenvolvam, dignificando o seu possuidor e promovendo-o à realização plenificadora, meta dos renascimentos, objetivo para o qual todos fomos criados. 

ALLAN KARDEC reflexiona sobre o assunto , conforme a questão de número 189, que se encontra em O Livro dos Espíritos , a saber : 

Desde o início da sua formação , goza o espírito da plenitude de suas faculdades ? Não , pois que para o espírito como para o homem , também há infância. Em sua origem , a vida do espírito é apenas instintiva. Ele mal tem consciência de si mesmo e de seus atos . A inteligência só pouco a pouco se desenvolve. O desenvolvimento da inteligência e do sentimento dá origem à consciência, ao discernimento.

Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco
Livro: Momentos de Consciência

26 novembro 2012

Escusas - Joanna de Ângelis


ESCUSAS


Permanece fiel ao trabalho a que te vinculas, servidor do Bem, sem qualquer enfado ou desânimo.

Dizes ser amigo de Jesus, que nunca deixou de auxiliar-te. Nada obstante, à medida que o tempo transcorre, vens neglicenciando os compromissos com as atividades socorristas a que te vinculas.

Sabes quando és útil no conjunto fraternal da Instituição em que te movimentas e que te necessita.

Apesar disso, vens fugindo à cooperação com os teus irmãos lutadores, tão cansados quanto tu mesmo, arrimando-te em escusas injustificáveis.

Sensível à crítica, olvidas-te de compreender que o mundo ainda não é o Paraíso, no qual os seres angélicos entoam hinos de louvor ao Pai Celestial. Permanece, porém, como escola de bênçãos, na qual a incompreensão e o desar dão-se as mãos, para a geração de dificuldades. Ademais, quando se está a serviço de Jesus, surgem empecilhos de todos os lados, tentando impedir o avanço autoiluminativo.

Procurando distanciar-te da realização coletiva edificante, alegas que sofres perseguição e apupo, sem a lucidez necessária para a prática da compaixão e da misericórdia. Aquele que te é inamistoso encontra-se gravemente enfermo e o desconhece...

Noutras vezes, aludes aos problemas e desafios familiares que te exigem a presença e olvidas o grupo espiritual com o qual te comprometeste antes da reencarnação.

Em algumas situações, apóias-te em enfermidades reais ou imaginárias para permaneceres no lar, quando o hospital espírita é o lugar adequado para conseguires a recuperação da saúde.

Tem cuidado, amigo de Jesus!
Se todos os Seus cooperadores detiverem-se em escusas, o deserto tomará conta da seara, ora rica de dádivas e de promessas de frutos...

Ao agasalhares ressentimentos e omitir-te na obra do Senhor, forças do Mal acercam-se de ti e lentamente inoculam nos teus pensamentos ideias falsas trabalhadas com habilidade, empurrando-te para as áreas sem defesa da inutilidade.

É certo que preferes a cultura, a projeção, o reconhecimento das demais pessoas. E, ao recebê-los, ficas sem mérito ante a Consciência Cósmica, porque já foste galardoado pela retribuição da vida aos teus pequenos e diletantes esforços.

Tem cuidado e volve à luta, ao lado dos teus amigos e sofredores, não deixando o arado enferrujar-se, abandonado ao sabor das intempéries.

Mantém a lembrança de que Jesus jamais se escusava. Por mais difícil fosse a situação, Ele a enfrentava com amor e delicadeza.

Veio ensinar a cooperação fraternal, a vivência da solidariedade, caminhos únicos para tornar melhor o mundo.

Se aqueles que são dotados de bons sentimentos se evadem da ação do Bem, alegando as dificuldades, que se poderá esperar dos demais, aqueles que não dispõem do conhecimento superior, das resistências morais, dos sentimentos de compaixão?

Há muito cristão-espírita fascinado pelos conteúdos intelectuais do Espiritismo, permanecendo nos seus confortáveis gabinetes e bibliotecas, pesquisando e escrevendo para os outros, propondo diretrizes e seguros roteiros de trabalho, de caridade...

Suas mãos, porém, permanecem vazias de feitos.
As belas teorias necessitam de ser vivenciadas por aqueles que as formulam, a fim de merecerem consideração e apoio dos que lhes tomam conhecimento.

A vinha do mestre ainda se encontra na face desafiadora da erradicação das plantas inúteis e más, a fim de ser preparado o solo para a ensementação do amor através do esforço hercúleo dos desbravadores do terreno,

Tudo quanto Jesus falou, Ele o praticou.
A Sua não é uma mensagem apenas de palavras, pois que todas elas estão respaldadas pelo Seu exemplo de abnegação e de entrega total.

A Sabedoria Máxima que o mundo conhece jamais se escusou ante as tarefas humildes, até humilhantes, que Ele transformou em vivência dignificadora como jamais alguém o conseguiria...

Lavar os pés dos Seus discípulos representou a sublime demonstração do que se fez servo de todos, sendo, no entanto, o Excelso Senhor do planeta terrestre.

Se te sentes cansado ante o impacto dos acontecimentos perversos e afligentes, recorda que com Ele tudo se torna fardo leve, de fácil condução.

Se perdeste o encantamento em relação aos companheiros com os quais convives, retempera o ânimo na fraternidade e reestimula-te, doando-te um pouco mais.

Na escusa em que ocultas os motivos reais do paulatino abandono dos teus compromissos, aguardas o tempo para te eximires por completo de tudo, negando a tua cooperação.

As ilusões de hoje e os comportamentos estranhos também passam, surgindo o despertar da consciência, em seu lugar, quando a situação tornar-se perigosa, agravada pela tua distância dEle.

O que fazes é bom e útil.
Defende o teu direito de prosseguir realizando-o da mesma forma que resguardas os valores para a existência cômoda.

Não te preocupes com os julgamentos que venham a fazer sobre ti, mantendo-te fiel ao Seu suave jugo.

Refaze o caminho e deixa-te de escusas, voltando ao trabalho enquanto é dia de luz.

O que faças, a conduta que te permitas, tornar-te-á amigo devotado ou distraído dAquele que deu a própria existência por amor a ti.

O Espiritismo é o teu salvo-conduto para uso correto na atual conjuntura reencarnacionista.

Tu que o conheces, que o ensinas, pratica-o até o sacrifício, recordando a recomendação de Jesus, a respeito da fidelidade ao Amor até o fim...

Amigo do Bem, não deixes que o vazio existencial que te atormenta seja preenchido pelo egoísmo e pelas ambições terrestres de breve curso.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia, no dia 23 de abril de 2012
 

25 novembro 2012

Você e a Reencarnação - Ernest O’Brien


VOCÊ E A REENCARNAÇÃO

A reencarnação é o retorno da alma à Terra, repetidas vezes, no corpo humano. Somente essa doutrina explica a aparentes injustiças da vida. É a verdade eterna.

Na sucessão dos nascimentos, o homem adquire experiência e conhecimento acerca de si mesmo e do seu destino. Pela reencarnação aprende-se que “o homem colhe aquilo que semeia”.

Toda vida é eterna. A lei da justiça é infalível. Não há um pensamento, uma palavra ou uma ação que não tenha o seu eco. Para possuir, dê. Você tem de saber disso. O homem cria as causas e a lei cármica ajusta os efeitos. Você tem liberdade de escolher entre o bem e o mal.

Portanto, o melhor esforço está no aperfeiçoamento próprio. É isso que importa, afinal de contas? A instrução é o tesouro da alma. Mas, que aproveita ao homem possuir um tesouro e não usá-lo em boas ações?

O desenvolvimento da nossa acuidade espiritual faz brilhar a luz dentro de nós. Não basta ao homem espiritualizar-se. Ele deve aplicar e demonstrar a sua espiritualização. Viver é dar.

Deus enviou-nos, a cada um de nós, para ser um trabalhador do Seu Reino. O fruto da cultura é semeado em obras para a generosidade de Deus no mundo. De outro lado, o conhecimento é como a semente; a que cai no coração aberto, produz o fruto da perfeição.

Se a nossa fé em Deus for suprema, Deus retribui na mesma medida.

A justiça o exige e, assim, o entendemos. Destinamo-nos à felicidade aqui ou além se, acima de tudo, proporcionarmos felicidade ao nosso semelhante.

Essa é a lei de causa e efeito – renascimento.

De que serve o conhecimento inativo?

Dê amor à Humanidade e Você receberá amor, em todas as suas manifestações.

Todo ser humano é rodeado de oportunidades sem fim e de infinitas possibilidades. A lei cármica retribui a você do modo como você a recebe.

Procure conhecer-se e praticar as boas ações sempre.

Experimente.

Ernest O’Brien
(Nova Iorque, N.I., E.U.A, 14, Julho, 1965.)
Mensagens Recebidas em Língua Inglesa, tradução de Hermínio Corrêa de Miranda
Do livro "Entre Irmãos de Outras Terras", Emmanuel,  
Médiuns: Francisco C. Xavier e Waldo Vieira

24 novembro 2012

O Inferno e os Demônios - Léon Denis


O INFERNO E OS DEMÔNIOS

Baseando-se nos casos de obsessão, nas manifestações ruidosas dos Espíritos frívolos e zombeteiros, a Igreja entendeu dever atribuir aos demônios todos os fenômenos espíritas e condená-los como inúteis ou perigosos.

Antes de refutar essa interpretação, convém lembrar que o Catolicismo acolheu do mesmo modo todas as grandes descobertas, todos os progressos consideráveis que assinalam os fastos da História. Raras são as conquistas científicas que não foram julgadas como obras diabólicas. Era, pois, de esperar que fossem repelidas pelo poder sacerdotal as instruções dos Espíritos que o vinham aluir.

O mundo invisível, já o dissemos, é um véu espesso que cobre a Humanidade. Os Espíritos são apenas almas, mais ou menos perfeitas, entes humanos desencarnados, e nossas relações com eles devem ser reguladas com tanta reserva e prudência quanto na convivência com os nossos semelhantes.

Ver no Espiritismo somente manifestações de Espíritos inferiores equivale a notar na Humanidade unicamente o mal. O ensino dos Espíritos elevados tem aclarado o caminho da vida, resolvido os obscuros problemas do futuro, fortificado a fé vacilante, restabelecido a justiça sobre bases inabaláveis. Graças a eles, uma multidão de incrédulos e de ateus tem sido levada a crer em Deus e na imortalidade: homens ignorantes e viciosos são atraídos, aos milhares, para o bem e para a verdade.

Será isso obra do demônio? Seria Satanás, se, com efeito, existisse, tão cego que trabalhasse contra os seus próprios interesses?

É necessária alguma perspicácia para distinguir a natureza dos Espíritos e conhecer, em nossas relações com eles, a parte que se deve conservar ou rejeitar. Jesus disse: “conhece-se a árvore pelo seu fruto”. A linguagem e as instruções dos Espíritos elevados são sempre impregnadas de dignidade, de sabedoria e de caridade; visam ao progresso moral do homem e desprendem-se de tudo que é material. As comunicações dos Espíritos atrasados pecam pelas qualidades contrárias; abundam em contradições e tratam, geralmente, de assuntos vulgares, sem alcance moral. Os Espíritos levianos ou inferiores entregam-se, de preferência, às manifestações físicas.

O Espiritismo traz à Humanidade um ensino proporcional às suas necessidades intelectuais; vem restabelecer em sua primitiva pureza, explicar, completar a doutrina do Evangelho; arrancá-la ao Espírito de especulação, aos interesses de classes, restituir-lhe sua verdadeira missão e sua influência sobre as almas; por isso ele é visto com espanto por todos aqueles a quem vai perturbar o sossego e enfraquecer a autoridade.

Com o correr dos tempos, a doutrina do Cristo tem sido alterada e, hoje, apenas exerce uma ação enfraquecida, insuficiente, sobre os costumes e caracteres. Agora, o Espiritismo vem tomar e prosseguir a tarefa confiada ao Cristianismo. É aos Espíritos que cabe, de então em diante, a missão de restabelecer todas as coisas, de penetrar nos meios mais humildes, como nos mais esclarecidos, e de, em legiões inumeráveis, trabalhar para a regeneração das sociedades humanas. A teoria dos demônios e do inferno eterno não mais pode ser admitida por nenhum homem sensato. Satanás é, simplesmente, um mito. Criatura alguma é votada eternamente ao mal.

Texto retirado do livro “Depois da Morte” - Léon Denis