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31 janeiro 2012

Espiritismo não é Igreja e Kardecismo não existe...


Espiritismo não é Igreja e Kardecismo não existe...

Partindo do princípio que o objetivo de todo jornalísta ético e sensato é o de informar bem, com coerência, honestidade, dignidade e imparcialidade, preocupando-se sempre com o indispensável conhecimento da causa que leva a reportar, venho apresentar-lhes uma contribuição em cima de um assunto que muitos profissionais do jornalismo, embora bem intencionados, terminam cometendo equívocos lamentáveis, por uma inexplicável ignorância que compromete os seus nomes bem como o dos veículos por onde vinculam as suas matérias ou reportagens.

Falo com respeito ao assunto Espiritismo, tema este que invariavelmente é visto apenas no campo religioso, o que na verdade não é, e sobretudo, o que é mais lamentável, sempre enfocado com afirmativas de conceitos absurdos, oriundos do "achismo" e também de uma cultura criada na cabeça das pessoas, pela intolerância e a desonestidade religiosa.

Não objetivo aqui defender crença ou fé nenhuma, porque não é isto que está em questão. Só quero mesmo prestar contribuição ao gigantesco segmento honesto do jornalismo acerca de uma coisa, como ela realmente é, para que ele esteja melhor informado, sem a menor pretensão de querer fazer com que nenhum profissional o aceite, concorde com os seus postulados e, muito menos, se converta.
Vamos aos assuntos:

Espiritismo não é igreja

Em princípio corrijam a conceituação inicial: Espiritismo não é simplesmente religião. Ele não veio ao mundo com objetivo nenhum de ser religião. Trata-se de uma doutrina filosófica, com base calcada na racionalidade, na lógica e na razão, apenas com conseqüências religiosas, haja vista que os seus adeptos ficam livres da submissão a qualquer religião, por não serem obrigados a coisa nenhuma e nem serem proibidos de nada. Há centros espíritas que se portam como se fossem igrejas, mas isto é produto da concepção equivocada dos seus dirigentes, que ainda sentem a necessidade da rezação, em que pese o Espiritismo ser algo muito acima disto.

Não existe "Kardecismo", existe "Espiritismo"

O jornalista equivocado costuma utilizar-se da expressão "kardecismo" , para identificar algo que ele imagina ser uma "ramificação" do Espiritismo, achando que Espiritismo é um "montão de coisas" que existe por aí, quando na realidade não é.
A palavra "Espiritismo" foi criada, ou inventada, como queiram, pelo senhor Allan Kardec, exclusivamente, para denominar a doutrina nova que foi trazida ao mundo, por iniciativa de Espíritos, e que tem os seus postulados próprios.
Portanto, qualquer crença ou prática religiosa que utiliza-se da denominação "Espiritismo", fora desta que se enquadre nos seus postulados, está utilizando-se indevidamente de uma denominação, mergulhando no campo da fraude. Daí a verdade que o nome disto que vocês chamam de "kardecismo", verdadeiramente é "Espiritismo".

Apenas para clarear o campo de conhecimento dos que ainda têm dúvidas, em achar que Candomblé, Cartomancia, Necromancia, Umbanda e outras práticas espiritualistas é Espiritismo, vai aqui uma pequena tabela, exemplificando algumas práticas de alguns segmentos, para apreciação daqueles que consideram relevante o uso da inteligência e do bom senso, a fim de um discernimento mais coerente e responsável.
Veja quem adota e quem não adota o quê.

Procedimento, prática ou ritual

1 - Uso de altares
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

2 - Uso de imagens
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

3 - Uso de velas
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

4 - Uso de incensos e defumações
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

5 - Vestimentas e paramentos especiais
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

6 - Obrigações aos seus praticantes
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

7 - Proibições aos seus praticantes
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

8 - Ajoelhar-se, sentar-se e levantar-se em seus cultos
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

9 - Bebidas alcoólicas em seus cultos
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

10 - Sacerdócio organizado
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

11 - Sacramentos
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

12 - Casamentos religioso e batizados
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

13 - Amuletos, patuás, escapulários e penduricalhos
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

14 - Hinos e cantarolas nos cultos
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

15 - Crença na existência de satanás
Umbanda - Sim
Catolicismo - Sim
Espiritismo - Não

Como pode, então, um profissional que tem a obrigação de estar bem informado, poder afirmar que Espiritismo e Umbanda são a mesma coisa? Não seria mais coerente dizer que tem mais semelhanças com o Catolicismo, embora não seja também a mesma coisa?

O espírita não tem a menor pretensão de diminuir ou desvalorizar o adepto da Umbanda que, por sua vez, tem também a sua denominação própria que é Umbanda, e não Espiritismo, apenas quer deixar claro que Espiritismo é Espiritismo e Umbanda é Umbanda, assim como Catolicismo é Catolicismo, Protestantismo é Protestantismo.

A afirmativa que alguns fazem, em dizer que tudo é a mesma coisa, com a diferença de que na Umbanda se reúnem negros e pobres e no tal "Kardecismo" se reúnem o que chamam de elites, é extremamente leviana, desonesta e irresponsável. O Espiritismo não faz qualquer discriminação de raças, cor ou padrão social, já que em seu movimento existem inúmeros negros, mulatos, brancos e de todas as etnias.

Allan Kardec não inventou o Espiritismo

Allan Kardec não inventou, ou criou, Espiritismo nenhum. A proposta veio de Espíritos, através de manifestações espontâneas, consideradas como fenômenos, na época, e ele, que nada tinha a ver com aquilo, foi convidado por alguns amigos para examinar e analisar os tais fenômenos, em suas casas, oportunidade em que foi convidado, pelos Espíritos, pela sua condição de pedagogo e educador criterioso, a organizar aqueles ensinamentos em livros e disponibilizar para a humanidade.
Ele foi tão honesto e consciente de que a obra não era de sua autoria, que evitou colocar o seu nome famoso na Europa antiga (Denizard Rivail) como autor dos livros e preferiu utilizar-se de um pseudônimo. É bom que se saiba que o tal professor Rivail era autor famoso de livros didáticos e que tudo o que aparecia com seu nome vendia muito, não apenas na França como em toda a Europa..

Atentem para o detalhe: Os Espíritos optaram por um pedagogo, um professor, e não por um padre, um religioso, o que nos convida a entender que o Espiritismo é escola e não igreja..
Sobre a reencarnação

Não é patrimônio exclusivo do Espiritismo e não foi inventada pelo Espiritismo, posto que é algo conhecido pela maior parte da humanidade, por milênios, muito antes do Espiritismo, que tem apenas 151 anos de idade.

O espírita, depois de estudar a reencarnação, não crê na reencarnação, ele passa a SABER a reencarnação, o que é diferente. Exemplificando: Você crê que a Lua existe ou você sabe que ela existe? Afinal, você pode vê-la e comprovar, inclusive cientificamente? É isto aí.

Portanto a afirmativa de que os espíritas crêem na reencarnação é infantil e sem sentido.

Sobre a mediunidade

Também não é patrimônio exclusivo e nem foi inventada pelo Espiritismo. É uma faculdade humana normal e independe de crença religiosa, já que a pessoa pode possuí-la, com maior ou menor intensidade, acredite ou não. O Espiritismo apenas se dispõe a estudá-la, educar e disciplinar as pessoas que a possuem, para que o seu uso possa ser benéfico a elas e aos outros, absolutamente dentro dos elementares padrões de moralidade. Segundo os postulados espíritas ela não deve ser comercializada, nunca, e deve ser utilizada gratuitamente; todavia é praticada comercialmente em alguns lugares do mundo, por pessoas que são médiuns, inclusive honestas, mas nada sabem sobre Espiritismo, numa comprovação de que ela existe fora do meio espírita.

Qualquer afirmativa do tipo que "alguém tem mediunidade e precisa desenvolver" é vinda de pessoas inconseqüentes, mesmo algumas que se auto rotulam espíritas, posto que o Espiritismo propõe que a faculdade deve ser educada e não desenvolvida.

Sobre o caráter do centro espírita

É um local que deve atuar como escola e não como igreja . A sua proposta é de estudos, sobretudo da matéria que trata da reforma íntima das pessoas, dando ciência do papel de cada um de nós na terra, da nossa razão de existir enquanto criaturas úteis ao nosso próximo, esclarecimento da nossa condição espiritual no presente e no futuro e, principalmente, a nossa conduta moral.

Recomenda a prática da Caridade, sim, mas de forma ampla no sentido de orientar e informar aos outros sobre os meios de libertações dos conflitos, das amarguras, das incompreensões e do sofrimento em si e não esse entendimento estreito de que Caridade se resume apenas a dar prato de sopa ou roupas usadas para pobres, para qualificar o doador como bonzinho.

Adota Jesus, sim, inclusive como o maior modelo e guia que temos para seguir, concebendo o seu Evangelho como a bula coerente a nos conduzir, e não como sendo ele o próprio Deus.

Enfim. O centro espírita é um local de estudo e não de rezação.

Sobre quem é reencarnação de quem

Recentemente vimos um jornalista afirmar, nas páginas da VEJA, que os espíritas juram que Fulano é reencarnação de Ciclano, o que se constitui em um absurdo. Em princípio espírita não adota jura nenhuma. Segundo, que não consta da atividade espírita a preocupação de quem é reencarnação de quem, uma vez que esta discussão é irrelevante, não tem razão nenhuma, não acrescenta absolutamente nada na proposta espírita para a criatura humana, em que pese alguns espíritas, apenas alguns, (nem todos entendem bem a proposta da doutrina) se ocuparem com esse tipo de discussão.

Falar em quem é ou talvez possa ser reencarnação de quem, é conversa amena de momentos de descontração de espíritas, apenas em nível de curiosidade ou especulação, jamais tema de estudo sério da casa espírita.

Ainda que possa existir, em alguns locais de estudos mais profundos e pesquisas espíritas, interesses em trabalhar as questões da reencarnação, os estudiosos apenas sugerem que fulano possa ser a reencarnação de alguém, mas nunca afirmam, apesar de evidências marcantes e inquestionáveis, quando a condução da pesquisa é séria e criteriosa.

Quem anda dizendo que é a reencarnação de reis, de rainhas e de personagens poderosas do passado não são os espíritas , são apenas alguns bobos que estão no Espiritismo sem consciência do seu papel..

Apologia ao sofrimento

Matérias de revistas e jornais, dentro deste equívoco que nos referimos, chegaram a afirmar, diversas vezes, que o Espiritismo ensina as pessoas a serem acomodadas em relação ao sofrimento e até chegarem a dizer que o sofrimento é bom.

Não condiz com o coerente ensinamento do Espiritismo. Se algum espírita chega a dizer isto, certamente é vítima do masoquismo e, provavelmente, deve praticar um ritual em sua casa, quando, talvez uma vez por semana, colocar a mão sobre uma mesa e dar uma martelada em seu dedo.

Sofrimento não é condição fundamental para a evolução de ninguém, embora entendemos que, ao passar por ele, muitas pessoas terminam acordando para a realidade da vida e mudando de conduta, sobretudo no campo do orgulho, do egoísmo e da presunção.

Mesa branca

Não existe espiritismo mesa branca, alto espiritismo, baixo espiritismo ou qualquer ramificação do Espiritismo, que é um só. O hábito de forrar mesas com toalhas de cor branca, na maioria dos centros espíritas, nada mais é que um hábito de alguns espíritas, de certa forma até equivocados também, uns talvez achando que a cor branca da toalha ou das roupas das pessoas tem algum significado virtuoso, quando na verdade não existe esta orientação no Espiritismo. Muito pelo contrário, seria preferível utilizar toalhas (por que tem sempre que ter toalhas nas mesas?) de outras cores, posto que tecidos em cor branca tem maior facilidade de sujar.

Portanto a citação de "espiritismo mesa branca" é mais uma expressão da ignorância popular, o que não se admite nos jornalistas.

Terapia de vidas passadas

Não é procedimento espírita, em que pese ser recomendável em alguns casos, porém em consultórios de profissionais especializados, geralmente psicólogos ou médicos. É fato, existe, é comprovado, tem resultados cientificamente respaldados, mas não é prática espírita.
Cromoterapia, piramidologia etc...

Se alguém usa uma dessas práticas no espaço físico de uma casa espírita, é por pura deliberação da direção da casa, que se considera livre para fazer o que quiser, até mesmo dar aulas de arte culinária, corte e costura, curso de inglês, informática ou o que quiser, que são atividades úteis, sem dúvidas. Mas não tem a ver diretamente com o Espiritismo.

Sucessor de Chico Xavier

Isto nunca existiu no Espiritismo, em que pese vários jornalistas terem colocado em matérias diversas, quando o Chico Xavier "morreu", e ainda repetem, talvez querendo estabelecer alguma comparação do Espiritismo (que vêem apenas como religião) com a Igreja Católica, que tem sucessores dos papas, quando morrem. Chico Xavier nunca foi uma espécie de papa, de cardeal ou de qualquer autoridade eclesiástica dentro do movimento espírita.

Divaldo Pereira Franco nunca foi sucessor do Chico, nunca teve essa pretensão, ninguém no movimento espírita fala nisto, que é coisa apenas de páginas de revistas desinformadas sobre o que verdadeiramente é o Espiritismo.

A sua relação com a Ciência

Faz parte da formação espírita a seguinte recomendação: "Se algum dia a Ciência comprovar que o Espiritismo está errado em algum ponto, cumpre aos espíritas abandonarem imediatamente o ponto equivocado e seguirem a orientação da Ciência" .

Mas isto não quer dizer que o que afirma determinadas criaturas, como o padre Quevedo, que se apresenta presunçosamente como cientista, deva ser entendido como Ciência, já que ele não é unanimidade e nem ao menos aceito pela maioria dos cientistas coisa nenhuma. Ele é padre, nada mais do que padre, com um tipo de postura que não aceita nem pela maioria do seio católico, quanto mais pelo científico.

Não é à pseudo-ciência ou a opiniões pessoais de um ou outro elemento, que se diz de Ciência, que o Espiritismo se submete, com esta recomendação, é a Ciência, como um todo, em descobertas inquestionáveis.

Até agora a Ciência não conseguiu apontar e muito menos comprovar erro em um ensinamento espírita, sequer.

Se alguém exige, por exemplo, querer provas por parte dos que afirmam que existe vida fora da Terra, por questão de bom senso deve ter também provas de que não existe. Será que tem?

Medicina e Espiritualidade

Alguns médicos, tradicionalmente, sempre afirmaram que os problemas de saúde das pessoas nada tem a ver com problemas espirituais, porque estes se resumem a crendices. Hoje existe um curso de "Medicina e Espiritualidade" , oficial, dentro da USP (Universidade de São Paulo), a maior Universidade do País, onde são estudados estes questionamentos que alguns continuam a dizer que são crendices. Em nível de informação, sugerimos que os jornalistas se interessem em reportar sobre este assunto, sem que vá aqui a menor intenção de querer converter ninguém. Não se trata de questão religiosa, trata-se de questão científica. Para melhor informação, as aulas deste curso podem ser vistas no site: www.redevisao.net . O telefone da Pineal Mind, onde são ministradas as aulas, é (11) 3209-5531 e o e-mail é faleconosco@uniespirito..com.br onde poderão ser obtidas maiores informações sobre o curso. Toda sexta-feira, às 19 horas, tem aula ao vivo, pelo site, numa webtv.

Diante de todo o exposto sugerimos que os grandes veículos de comunicação de massa, obviamente comprometidos com a credibilidade dos seus nomes, repassem estes esclarecimentos aos seus profissionais de jornalismo, não necessariamente para que eles sejam simpáticos à idéia espírita, já que ninguém é obrigado a aceitar coisa nenhuma, mas para, pelo menos, não comprometerem as suas honorabilidades dizendo mentiras, leviandades e até se expondo ao ridículo reportando sobre um assunto que não entendem.

"Quando não puder mais acreditar nos seus sonhos, acredite no seu coração"

Fonte: Rede Amigo Espírita

30 janeiro 2012

A Visão Espiríta da Epilepsia - Marco Tulio Michalick


A Visão Espiríta da Epilepsia

Na Bíblia, encontramos a passagem do “menino epiléptico”, narrada por Mateus (17: 14 a 19), na qual Jesus, “tendo ameaçado o demônio, fez com que ele saísse da criança, que foi curada no mesmo instante”. No livro A Gênese, Allan Kardec explica que a “imensa superioridade do Cristo lhe dava tal autoridade sobre os espíritos imperfeitos, chamados então de demônios, que lhe bastava ordenar que se retirassem para que não pudessem resistir a essa injunção”.

Para nós, espíritos em aprendizado, fazer uma desobsessão é mais complexo. Precisamos ter uma ajuda espiritual e muito carinho com nossos semelhantes, pois o verdugo de hoje foi vítima ontem. Para sabermos se o problema é um processo obsessivo ou carma, devemos analisar os tipos de reencarnação: expiação, provação e missão. A expiação é o resgate, por meio da dor, de erros cometidos em outras existências. Pela provação, temos provas voluntariamente solicitadas pelo espírito, as quais, se bem suportadas, resultarão em seu progresso espiritual. A missão é a realização de qualquer tarefa, de pequena ou grande relevância. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas.

A medicina descreve uma crise epiléptica como uma desordem cerebral, causada por descarga elétrica anormal, excessiva e transitória das células nervosas, decorrente de correntes elétricas que são fruto da movimentação iônica através da membrana celular. Existem diversos tipos de crises, como parciais, parciais e completas, generalizadas e tônico-clônicas.

Causas da epilepsia

As causas da epilepsia podem ser desde uma lesão na cabeça como um parto à fórceps. O uso abusivo de álcool e drogas, além de outras doenças neurológicas, também podem gerar a doença. Na maioria dos casos, entretanto, desconhece-se as causas que lhe dão origem.

Muitas vezes, o paciente tem as convulsões e os exames realizados dão resultados normais.

Divaldo Pereira Franco, no livro Grilhões Partidos, afirma que “mesmo nesses casos, temos que levar em conta os fatores cármicos incidentes para imporem ao devedor o precioso reajuste com as leis divinas, utilizando-se do recurso da enfermidade-resgate, expiação purgadora de elevado benefício para todos nós”.

Vale ressaltar que a medicina terrestre evoluiu, não só porque conta com a cirurgia, que é usada quando o resultado da medicação não foi satisfatório e o médico avalia as possibilidades de sucesso cirúrgico, mas por que os médicos têm se preocupado em adaptar o paciente à vida social e familiar, além da reabilitação aos estudos. Muitas vezes, envolvem vários profissionais de diversas áreas, como psicólogos, terapeutas etc., elucidando o paciente e sua família sobre a importância do uso dos remédios e o apoio dos pais nesta caminhada. Estes, inclusive, com receio das crises epilépticas, acabam dando uma superproteção ao filho, temendo que ele se machuque. Essa proteção é normal, mas deixa o epiléptico dependente dos genitores, tornando-o uma criança isolada e fechada.

Algumas pessoas, sem o devido estudo, alegam que a epilepsia é uma mediunidade que deve se desenvolver. Porém, conforme afirma Divaldo Pereira Franco em Grilhões Partidos, vale ressaltar que “não desconhecemos que toda enfermidade procede do espírito endividado, sendo a terapêutica espiritista de relevante valia. Porém, convém considerar que, antes de qualquer esforço externo, há que se predispor o paciente à renovação íntima intransferível, ao esclarecimento, à educação espiritual, a fim de que se conscientize das responsabilidades que lhe dizem respeito, dando início ao tratamento que melhor lhe convém, partindo de dentro para fora. Posteriormente e só então, far-se-á lícito que participe dos labores significativos do ministério mediúnico, na qualidade de observador, cooperador e instrumento, se for o caso”.

Existem processos perniciosos de obsessão que fazem lembrar um ataque epiléptico devido à igualdade da manifestação. Também com uma gravidade séria, ainda conforme as palavras de Divaldo, “ocorrência mais comum se dá quando o epiléptico sofre a carga obsessiva simultaneamente, graças aos gravames do passado, em que sua antiga vítima se investe da posição de cobrador, complicando-lhe a enfermidade, então com caráter misto”.

Independentemente do fato do epiléptico estar sob um processo obsessivo ou não, é importante a freqüência ao centro espírita para a reforma íntima e para receber aplicação de passes, que é uma transfusão de energias físio-psíquicas. Porém, mesmo com o tratamento espiritual, o epiléptico deve manter controle com a medicina terrestre, com a aplicação de anticonvulsivos, pois cada caso é um caso.

Reforma íntima

Pode-se fazer um tratamento de desobsessão e o inimigo do passado ser doutrinado, mas a dívida persistirá enquanto não for regularizada, como explica Divaldo no livro. “Considerando-se que o devedor se dispõe à renovação, com real propósito de reajustamento íntimo, modificando as paisagens mentais a esforço de leitura salutar, oração e reflexão com trabalho edificante em favor do próximo e de si mesmo, mudam-se-lhe os quadros provacionais e providências relevantes são tomadas pelos mensageiros encarregados de sua reencarnação, alterando-lhe a ficha cármica.

Como vê, o homem é o que lhe compraz, o que cultiva”, descreve.

Gostaria de terminar dizendo para as pessoas que têm epilepsia e seus familiares que jamais desanimem, em momento algum, sobretudo nos momentos mais difíceis, onde a doença parece incontrolável. Os pais são o alicerce para o filho epiléptico e este só poderá obter a cura total ou parcial com o apoio dos familiares e muita fé em Deus.

Ao terminar de ler esta matéria, não se preocupe em ficar remoendo na mente sobre os atos que poderia ter feito no pretérito que lhe fizessem voltar com essa enfermidade. Cuide de sua reforma íntima e espiritual, para que, posteriormente, venha a trabalhar em prol dos mais necessitados. Dessa forma, além de se ajudar a evoluir espiritualmente, ajudará também muitas pessoas que virão ao seu socorro.

Escrito por Marco Tulio Michalick
Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo

29 janeiro 2012

Obsessão Desconhecida - Humberto de Campos


OBSESSÃO DESCONHECIDA

Os pais de Isolina Faria aproximaram-se do grupo espiritista, ansiosos de curar a filha.

Desde muito, vivia a jovem sob o império de singulares manifestações. Olhos cerrados a denunciar profunda insensibilidade na expressão fisionômica, gestos rudes, Isolina contorcia-se estranhamente e dava guarida a uma entidade ignorante e sofredora, que a tornava possessa. O Espírito perturbado, que parecia ter-se-lhe agarrado, prorrompia então em blasfêmias, lágrimas, soluços. Lastimava-se, praguejava, acusando pessoas e envenenando circunstâncias, qual louco que força alguma conseguia deter. Esgotados os recursos comuns, a família deliberou apelar para o Espiritismo, antes de qualquer providência para interná-la no manicômio. Vizinhos e amigos não poupavam definições. Aquilo deveria ser obsessão cruel. Tanta gente não se havia curado, em trabalhos da consoladora doutrina dos Espíritos? Por que não tentar as melhoras de Isolina mediante esses recursos? Quando o chefe da casa se inclinou à decisão, o generoso Nolasco Borges, velho c onhecido de infância, prontificou-se aos serviços iniciais.

– Sossegue, meu amigo – esclareceu ao companheiro inquieto –, em nossas reuniões a doente encontrará as melhoras precisas. Hoje mesmo começaremos os trabalhos de doutrinação da infeliz e, a breve tempo, Isolina será restituída à saúde e à alegria a que sua mocidade tem direito.

De fato, na noite imediata, pequena caravana, Nolasco à frente, penetrava o modesto salão dos Pachecos, onde se efetuavam sessões íntimas.

O velho Araújo, doutrinador carinhoso e esclarecido, organizou a reduzida assembléia, cônscio da responsabilidade que lhe cabia.

Logo após a oração de abertura, a moça doente caía em contorções estranhas. Palidíssima, boca espumejante, gritava dolorosamente, reproduzindo emoções da entidade desconhecida. – Oh! meu irmão – exortava Araújo bondosamente –, por que violentas desta maneira uma pobre criança, necessitada de equilíbrio para atender aos próprios deveres? Por quem és, meu amigo, esquece o mal e ouve a lição de Jesus. Estamos aqui votados à prática do bem.

Somos imperfeitos, inferiores. Tateamos nas sombras da ignorância e não te desejamos impor ensinamentos. Sabemos que a obra de redenção final pertence ao Mestre Divino; entretanto, creio que podemos advertir teu coração, pois aqueles que caíram como nós outros, neste mundo, estão habilitados a comentar os próprios males e evitar que outros incidam nos mesmos erros. Por vezes, poderá parecer que somos excessivamente ousados, tentando estabelecer normas aos que vivem em esfera indevassável aos nossos olhos; contudo, este esforço obedece ao amor fraternal que Jesus abençoa. Volta, amigo! Abandona a tarefa ingrata de subjugarão desta jovem, que deve enriquecer-se com as experiências da vida terrestre. Solicitamos tua boa-vontade, por amor de Deus!...

A voz do amoroso doutrinador silenciara-se ligeiramente. Araújo, emotivo e bondoso, enxugava os olhos úmidos, enquanto a reduzida assistência permanecia sob enorme impressão. O Espírito ignorante demonstrava aflição. A palavra do doutrinador tocara-o profundamente, mas, como se estivesse preso a inflexíveis algemas, soluçava mais fortemente e bradava:

– Ai de mim! Não posso!... Não posso!...

– Não podes? – tornava Araújo, dedicado – quando temos vontade, Jesus nos confere o poder. Anima-te. Por que perseverar no sofrimento do mal, quando o bem nos oferta alegrias eternas? Levantemo-nos para Deus, edificando-nos na própria fraqueza. Se guardas reminiscências amargas, esconde-as de ti, desfaze-te do vinagre acumulado no coração. Se foste ofendido, perdoa! Se as feridas te reclamam vingança, aplica-lhes o bálsamo do amor que sabe viver da esperança em Cristo.

O corpo frágil da jovem contorcia-se violentamente, ao passo que o sofredor murmurava em pranto:

– Sou infame, desventurado! Não posso... não posso...

As reuniões de esclarecimento prosseguiam sem alteração. Duas vezes por semana, agrupavam-se os companheiros, repetindo-se as mesmas cenas.

Araújo não podia ser mais paciente. Ensinava bondosamente, como quem sabe corrigir amando. A entidade perturbadora, porém, não correspondia ao esforço senão com gritos, protestos e soluços de causar dó.

Decorridos alguns meses, a pequena assembléia começou a impacientar-se. Tão logo se manifestava o infeliz, formavam-se pensamentos contrários à simpatia fraternal. Na opinião da maioria, aquele Espírito requisitava punições e conselhos ásperos. Isolina era tida como vitima infortunada nas mãos de audacioso algoz da esfera invisível. Admirava-se a paciência do dedicado orientador das sessões, que punha em jogo todos os recursos afetivos.

Nolasco, porém, a certa altura da tarefa, não se conteve, e, depois de tumultuosa reunião, interpelou Araújo amigavelmente:

– Não julga você necessário e conveniente punir esse perseguidor implacável? Creio tratar-se de perverso bandido das trevas.

O velho doutrinador percebeu as dúvidas que pairavam no ambiente geral e acrescentou:

– Há muito, venho lidando por compreender que cada coisa permanece no lugar que lhe é próprio. Em nossa apreciarão fragmentária, o perturbador de Isolina é um Espírito diabólico; entretanto, é imprescindível não esquecer que as nossas definições são incompletas. Há oito meses trabalhamos para lhe levantar as energias, sem resultados satisfatórios. À primeira vista, estamos fracassados no serviço de socorro espiritual; mas, como firmar nosso ponto de vista neste sentido, se desconhecemos as causas profundas?

Nolasco e os demais companheiros respeitaram-lhe o parecer, mantendo-se em silêncio expressivo.

– Esgotadas nossas possibilidades de compreensão – prosseguiu o amorável velhinho –, não será justo apelar para o Plano Superior? Nós que desejamos socorrer, precisamos igualmente ser socorridos. Peçamos a Melânio, amoroso guia de nossos trabalhos, que se pronuncie. É possível que a sua bondade fraterna nos conceda a chave do enigma.

Ninguém discordou da criteriosa sugestão.

Na noite seguinte, a reunião em casa dos Pachecos foi mais íntima. Acorreu Melânio gentilmente e, depois de recomendar a cessação temporária dos trabalhos de doutrinação, prometeu chamar o obsessor a esclarecimentos. Examinaria o caso com atenção, a fim de tentar providências justas. Em seguida, voltaria a notificar os irmãos relativamente às tarefas que se impunham.

Dias decorreram antes que o emissário regressasse com as instruções espirituais. Após três semanas de expectativa, em sessão comum do agrupamento, eis que Melânio se manifesta, e, depois das carinhosas saudações usuais, discorre, bondosamente, com surpresa geral:

– Quanto ao caso da irmã Isolina Faria, devo esclarecer preliminarmente que os aprendizes da Terra conhecem a obsessão somente em sentido unilateral. O infeliz perturbador, que atende pelo nome de Juliano Portela, de sua última existência terrena, não foi encontrado facilmente. Precisei reunir-me a companheiros da Espiritualidade, a fim de chamá-lo a explicações diretas. Tendes, nas vossas sessões, a presença do enfermo encarnado, ao passo que, nas nossas, examinamos os doentes invisíveis a vós outros. Entreguei-me à solução do assunto, com a maior boa-vontade; entretanto, o perturbador de Isolina queixa-se amargamente do assedio que experimenta, na esfera em que se encontra. Declara-se perseguido, atormentado por ela. Não tem paz, nem rumo certo. A mente da jovem, com o seu grande poder magnético, requisita-o em toda parte. O pobrezinho não consegue progredir, nem furtar-se ao ambiente de inquietação a que ela o sujeita. Se ao voss o olhar permanece a nossa amiga assediada, à nossa vista surge o infortunado Juliano em terrível desespero do coração, como quem se sente prisioneiro de garras inflexíveis.

Diante do que observamos, o verdadeiro obsessor é a médium obstinada. A vigorosa potencialidade magnética de Isolina é a gaiola, e Juliano o pássaro cativo. É preciso restabelecer o equilíbrio da verdadeira situação. Tanto existem perseguidores na esfera invisível, quanto nos círculos de vossa atividade comum. Aclarai o próprio espírito, amigos meus. Expulsemos a sombra de nossa região interior. Desencarnados e encarnados não significamos duas grandes raças diferentes e irreconciliáveis. Todos somos semelhantes na vida eterna, com as mesmas possibilidades, deveres e obrigações. Nos dramas pungentes dos obsidiados, lembrai que, se na justiça humana não ocorrem processos absolutamente iguais nos detalhes, no resgate divino cada situação apresenta característicos diferentes. Guardai o brilho do cristal e refletireis a luz na sua pureza ; retende o mel do bem e as abelhas da sabedoria cercar-vos-ão as pétalas interiores!...

Melânio calara-se enquanto a assembléia chorava comovida. O bondoso Araújo agradeceu com lágrimas de alegria:

– Obrigado, meu irmão!

O mensageiro orou ainda, emocionadamente, e declarou ao despedir-se:

– Em vista do que observamos, queridos companheiros não bastará espantar as moscas do mal. É indispensável, antes de tudo, curar as feridas da imperfeição.

Pelo Espírito Humberto de Campos
Do livro: Reportagens e Além Túmulo
Médium: Francisco Cândido Xavier

28 janeiro 2012

O Comportamento - Scheilla


O COMPORTAMENTO

Se estamos falando aos jovens, não devemos esquecer-nos de dizer alguma coisa sobre o seu comportamento mais diretamente, pois, a educação abre inúmeros caminhos, ampliando a compreensão e valorizando a conduta.

Esforça-te para não mentir, principalmente dentro do lar. A mentira tirar-te-á a confiança de teus pais, irmãos e parentes. O que vale um moço que não merece a confiança dos que o cercam?

Esmera-te no cumprimento dos teus deveres, em tua casa e na escola, pois, esses gestos conferir-te-ão uma amizade mais profunda dos teus parentes e de todos os que te observam.

Empenha-te em seres justo, porque a justiça, na vida de quem está iniciando nova carreira na Terra, é baliza de luz, a iluminar-te a vida.

Cuida-te em seres honesto, em todos os acontecimentos, nas palavras e nos atos. A honestidade é força poderosa para a formação do teu caráter, dignificando a tua vida. O valor de uma criatura começa na honestidade.

Robustece-te no trabalho. Todos temos deveres, ante o Criador, de realizar alguma coisa; não sejas dos que dormem. O labor foi o primeiro gesto de Deus, fazendo-se a luz.

Diante dessas coisas que mencionamos, as outras aparecerão, como por encanto, em tua cabeça, aflorando em tua vida, e aí é que o Amor se tornará uma flor, em teu coração, acostumado a proceder bem. Tornar-te-ás condicionado, na divina operação do Bem e da Caridade, em teu mundo interno, onde o sol nascerá, fazendo compreender que Cristo está em nós, pelo poder de Deus.

Comporta-te bem, meu filho, onde estiveres, e em quaisquer circunstâncias, que os frutos dessa vivência acompanhar-te-ão, para sempre, saciando-te a alma, com o clima de vida e de esperança.

Nós estamos te falando tudo isso, porque desejamos que compreendas a verdade das vidas sucessivas, coluna mestra que nos mostra a justiça de Deus. A Doutrina Espírita tem a função de fazer o inventário da morte, porque a morte já morreu, e transformou-se em vida. Os teus pertences são a vida.

Não esqueças a gentileza para com os professores que te cercam.
Eles têm o gume cristão de ensinar, com amor, para que surja, em teu caminho o halo da vida, que floresce para a luz de Deus.

A boa conduta do homem torná-lo-á imune a muitas enfermidades.
No futuro, a Ciência vai comprovar essa verdade, preocupando-se mais com as mudanças dos pensamentos das criaturas e com o comportamento de cada ser, do que, mesmo, com os remédios. Quando precisar de um medicamento, o homem usará, primeiramente, a palavra educada e instruída, predispondo o necessitado para a harmonia mental e o bem estar físico.

Começa a mudar, hoje. As transformações, aparentemente, geram guerras. Mas, se persistires, a Terra transmutar-se-á em Chão de Rosas, para a tua paz.

De “Chão de Rosas”
De João Nunes Maia
Pelo Espírito Scheilla

27 janeiro 2012

Esperança - Maria Nunes


ESPERANÇA

No coração do crente nunca se apaga de todo a esperança; o coração do incrédulo é um negro abismo, em cujo fundo mora o demônio do desespero. (J. M. de Macedo)

A esperança é filha da fé, distribui alegria e dá paz aos que creem; as religiões são fonte deste ambiente agradável.

O incrédulo é motivado pelas forças negativas, onde tudo é escuridão, senão abismo. Eis o valor da fé: ilumina os caminhos das criaturas, mostrando Deus e Cristo por onde passa. Da falta de esperança no coração da criatura passa a surgir o desespero diante de pequenos problemas. Confie, meu filho, naquele que criou todas as coisas, e que é Pai de todas as criaturas. Ele nunca dá pedra a quem tem fome. Se você tem uma religião, aprofunde-se na sua substância, tirando dela o que ela pode lhe oferecer em fé, para que a esperança lhe garanta a própria vida, porque onde há esperança, irradia-se a alegria.

Diz o escrito acima registrado que "no coração do crente nunca se apaga de todo a esperança." Crer em Deus é, pois, o fator principal da vida da alma. Partindo daí, as leis vão ficando mais fáceis de serem observadas e a fé cresce nos sentimentos, destampando o clima de amor, de sorte a embelezar a vida.

Assinalamos, com alegria, que precisamos confiar, acima de tudo, em Deus, sentindo a Sua harmonia em tudo o que tocamos, em tudo o que observamos, em tudo o que pensamos, falamos e vivemos.

E adianta o tópico, "o coração do incrédulo é um abismo." De fato, à observação comum, notar-se-á que o homem incrédulo vive sofrendo no abismo da dúvida, revoltado com a vida, cheio de egoísmo e inspirado pelo orgulho, monstros que devoram os princípios da felicidade. Temos todos uma luta a vencer: é expulsar esses monstros de dentro de nós, deixando ambiente para o amor e a caridade.

E remata o escritor, no mesmo tópico "em cujo fundo mora o demônio do desespero."

De fato, a alma que ainda não sentiu "clima espiritual" acaba no desespero, principalmente quando chega a dor e a velhice. O espírita já conhecedor de certas verdades da vida deve alimentar, cada vez mais, a esperança em seu coração, de maneira que esse coração em Cristo possa refrescar a consciência e mostrar que existe a felicidade.

Vamos confiar em Deus, confiando igualmente nos guias espirituais, que nos inspiram sempre, fazendo-nos sentir e passar a viver o amor, porque desta maneira encontramos o que existe dentro de nós, que por vezes procuramos fora, o céu.

Uma parte de toda essa harmonia o Senhor colocou em nossas mãos, para que despertássemos com os nossos próprios recursos.

De "SABEDORIA (A Lei de Deus no Pensamento dos Homens)"
De João Nunes Maia
Pelo Espírito Maria Nunes

26 janeiro 2012

Evangelização da Criança - Bezerra de Menezes


EVANGELIZAÇÃO DA CRIANÇA

(Perguntas elaboradas pelo Depto. de Evangelização da Criança de Juiz de Fora. Respostas fornecidas pelo Dr. Bezerra de Menezes, através do médium Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, na noite de 10 de novembro de 1964.)

Pergunta - Qual é o valor espiritual de uma Escola Espírita de Evangelização (E.E.E.) em instituição espírita?

Resposta - "Filhos, Jesus nos abençoe. Vinculemos propósitos e tarefas às raízes kardequianas que nos presidem esforços e manifestações. Da importância de uma Escola Espírita de Evangelização para crianças falaram, positivamente, os instrutores de Allan Kardec, em lhes respondendo à questão 383, de "O Livro dos Espíritos", quando assim se expressaram, em torno do estado de infância: "Encarnado, com o objetivo de se aperfeiçoar, o espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educação". Meditemos no assunto que foi objeto da melhor atenção do Codificador, nas primeiras horas da Doutrina Espírita.

Pergunta - Que diz da existência, no lar, de E.E.E.? E da administração de aulas para crianças, num Centro Espírita, no Posto mediúnico? (A existência de um grupo espírita para fins mediúnicos, num lar, sabemos prejudicar a atmosfera psíquica.)

Resposta - "Consideramos que o culto do Evangelho em casa pode funcionar em apoio da Escola Espírita de Evangelização, sob amparo e supervisão dos pais que, a rigor, são os primeiros orientadores dos filhinhos. Somos de opinião que o recinto de evangelização pública, num templo espírita, é sempre o lugar mais adequado à evangelização da criança, porquanto semelhante cenáculo do pão espiritual guarda consigo a natureza da escola."

Pergunta - O Espiritismo e a ciência se completam reciprocamente (Kardec, Gênese, página 20).

"É preciso psicologizar a educação: (Pestalozzi)."

Temos nos esforçado para estudar e transmitir aos orientadores (professores de E.E.E.) noções de Psicologia, Pedagogia e Didática. Perguntamos: para o nosso caso, devemos considerar estes estudos como indispensáveis? Úteis? Desnecessários? Prejudiciais?

Resposta - "Admitimos com a lógica que esses estudos são indispensáveis a quantos esposaram de maneira específica o trabalho do ensino, e positivamente úteis a nós todos, os espíritos desencarnados e encarnados, entregues ao serviço de educação de nós mesmos, a fim de que possamos mais profundamente auxiliar e educar".

Pergunta - A Psicologia autoriza sejam adotadas histórias de animais, vegetais e coisas inanimadas que 'falam', etc., para a faixa de idade chamada fase da fantasia (até os 6 anos, aproximadamente). Perguntamos: a) Nas E.E.E., o emprego deste recurso psicológico é perfeitamente justo? b) ou nas E.E.E., embora características psicológicas justifiquem, este recurso deve ser evitado?

Resposta - "Cremos que os orientadores espíritas das Escolas Espíritas de Evangelização devem efetuar rigorosa triagem nos recursos mentais que serão administrados à criança, suprimindo quaisquer apontamentos tendentes a acalentar fanatismo ou superstição no ânimo infantil. Nesse aspecto do assunto, as ficções compreensíveis e naturais na chamada fase da fantasia exigem a seleção necessária, entendendo-se que é sempre aconselhável fornecer a realidade ao espírito da criança, na dose adequada às circunstâncias. Não podemos esquecer que é necessário preparar os pais e mães, mentores e servidores de amanhã para a fé raciocinada que a Doutrina Espírita preconiza".

Pergunta - Estamos com o objetivo de, nas E.E.E., programar atividades de trabalho compatíveis para crianças de até 11, 12 anos, mas estamos achando difícil. Será conveniente insistir? Haverá meios de se contornar as dificuldades psicológicas?

Resposta - "Estudo e trabalho são apoios indispensáveis à educação e que todos nós, criaturas em evolução e regeneração, precisamos receber, desde cedo".

Pergunta - Há certas histórias muito bem engendradas e atraentes, portadoras de belas mensagens educativas, mas que, em certos trechos do enredo, ou mesmo no desfecho ("A galinha ruiva", por exemplo), são absurdos ou anticristãos. Podem ser ministradas "ipsis literis", embora se expliquem os erros depois? Podem ser ministradas desde que se acrescentem fórmulas cristãs, respeitando-lhes o enredo? Podem ser ministradas se o enredo ou desfecho for adaptado?

Resposta - "Em matéria de alimento espiritual, é nosso dever sustentar a limpeza dos recursos em serviço. Na refeição comum, determinado prato serve e não serve. Os orientadores espíritas dispõem fartamente de provisões edificantes para a instrução dos pequeninos, sem necessidade de recorrer a elementos outros, incompatíveis com a obra de elevação que abraçaram".

Pergunta - Será que uma E.E.E. de uma entidade espírita corre o risco de prejudicar demais a formação do caráter das crianças, se os orientadores deixarem de observar para consigo mesmos certos requisitos como: cumprimento de horários, preparação criteriosa das aulas, assiduidade etc.?

Resposta - "Perfeitamente. A primeira cartilha da criança, na escola da vida, é o exemplo dos adultos que a cercam".

Transcrita da Revista "O Médium", janeiro de 1965, Juiz de Fora - MG.
Fonte: "O Espírita Mineiro", números 111/112, abril/maio de 1965.

25 janeiro 2012

Em Família - Emmanuel


EM FAMÍLIA

A família consanguínea é a lavoura de luz da alma, dentro da qual triunfam somente aqueles que se revestem de paciência, renúncia e boa vontade.

De quando a quando, o amor nos congrega, em pleno campo da vida, regenerando-nos a sementeira do destino.

Geralmente, não se reúnem a nós os companheiros que já demandaram à esfera superior, dignamente areolados por vencedores, e sim afeiçoados menos estimáveis de outras épocas, para restaurarmos o tecido da fraternidade, indispensável ao agasalho de nossa alma, na jornada para os cimos da vida.

Muitas vezes, na condição de pais e filhos, cônjuges ou parentes, não passamos de devedores em resgate de antigos compromissos.

Se és pai, não abandones teus filhos aos processos evolutivos da natureza animal, qual se fora menos digno de atenção que a hortaliça da tua casa.

A criança é um "trato de terra espiritual " que devolverá o que aprende, invariavelmente, de acordo com a sementeira recebida.

Se és filho, não desprezes teus pais, relegando-os ao esquecimento e subestimando-lhes os corações, como se estivessem em desacordo com os teus ideais de elevação e nobreza, porque também, um dia, precisarás da alheia compreensão para que se te aperfeiçoe na individualidade a região presentemente menos burilada e menos atendida.

A criatura no acaso da existência é o espelho do teu próprio futuro na Terra.

Aprende a usar a bondade, em doses intensivas, ajustando-a ao entendimento e à vigilância para que a tua experiência em família não desapareça no tempo, sem proveito para o caminho a trilhar.

Quem não auxilia a alguns, não se acha habilitado ao socorro de muitos.

Quem não tolera o pequeno desgosto doméstico, sabendo sacrificar-se com espontaneidade e alegria, a benefício do companheiro de tarefa ou de lar, debalde se erguerá por salvador de criaturas e situações que ele mesmo desconhece.

Cultiva o trabalho constante, o silêncio oportuno, a generosidade sadia e conquistarás o respeito dos outros, sem o qual ninguém consegue ausentar-se do mundo em paz consigo mesmo.

Se não praticas no grupo familiar ou no esforço isolado a comunhão com Jesus, não te demores a buscar-lhe a vizinhança. a inspiração e a diretriz.

Não percas o tesouro das horas em reclamações improfícuas ou destrutivas.

Procura entender e auxiliar a todos em casa, para que todos em casa te entendam e auxiliem na luta cotidiana, tanto quanto lhe seja possível.

O lar é o porto de onde a alma se retira para o mar alto do mundo, e quem não transporta no coração o lastro da experiência dificilmente escapará ao naufrágio parcial ou total.

Procura a paz com os outros ou a sós.

Recorda que todo dia é dia de começar.

Emmanuel

Do livro “Família”
De Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos

24 janeiro 2012

Obsessão - O que é, e como trata-la - Marcos Paterra



Obsessão - O que é, e como trata-la.


Na doutrina ouvimos muito o termo “Obsessão”, e por conta disso por vezes rotulamos de obsidiados algumas pessoas com problemas, mas devemos levar atentar de que “obsessão”, segundo Allan Kardec, é o nome para o assédio extra físico que uma pessoa pode vir a sofrer. Para Kardec, estamos sempre rodeados e sendo intuídos por espíritos. Estes, de forma geral, podem ser classificados como “bons”, “maus” ou “neutros”. O termo obsessão é utilizado apenas para a influência do segundo caso, ou seja, dos “maus” espíritos.

“Pululam em torno da Terra os maus Espíritos, em consequência da inferioridade moral de seus habitantes. A ação malfazeja desses Espíritos é parte integrante dos flagelos com que a Humanidade se vê a braços neste mundo. A obsessão, que é um dos eleitos de semelhante ação, como as enfermidades e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como provação ou expiação e aceita com esse caráter.”[1]

Normalmente se atribui o “rotulo” de obsidiado, àqueles que aparentam estar fora de si, os vulgarmente chamados de “loucos”, devemos separar a loucura patológica causada por lesões cerebrais das causadas por obsessões.

“Quem vê um louco vê um obsidiado, tanto que até hoje se tem confundido um com o outro. O mesmo olhar desvairado, a mesma apatia fisionômica, ora a excitação até a fúria, ora a prostração até ao indiferentismo, sempre a incoerência das ideias. Se um tem momentos lúcidos, o outro igualmente os tem; se um pode cair no idiotismo, o outro também.” [2]

O CID 10, item F.44.3 - define estado de transe e possessão como a perda, transitória da identidade com manutenção de consciência do meio ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença. Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença.

"Não confundamos a loucura patológica com a obsessão; esta não provém de lesão alguma cerebral, mas da subjugação que Espíritos malévolos exercem sobre certos indivíduos, e que, muitas vezes, têm as aparências da loucura propriamente dita.” [3]

Sobre essa ótica, devemos levar em conta que mesmo os chamados “Loucos”, sofreram ou sofrem de obsessões, Bezerra de Menezes comenta :

“Convém, porém, observar que, embora a loucura por obsessão não dependa de lesão cerebral, pode esta lesão vir a dar-se, por causa da obsessão.

Não é causa; mas pode vir a ser efeito.

A ação fluídica do obsessor sobre o cérebro, se não for removida a tempo, dará necessariamente em resultado o sofrimento orgânico daquela víscera, tanto mais profundo, quanto mais tempo estiver sob a influência deletéria daqueles fluidos”

Mais adiante complementa: “[...] a obsessão desprezada determina lesão orgânica do cérebro, donde a coexistência das duas causas da perturbação mental. ”[4]

Muitos podem perguntar o que teriam feito essas pessoas para sofrerem influencias de maus espíritos, e a resposta quem nos dá é J. Herculano Pires :

“Se voltassem os olhos para o passado, veriam que a História da Humanidade é suficiente para justificar todas as formas de obsessão e vampirismo que campeiam no planeta, desde as nações mais bárbaras às mais civilizadas.” [5]

Sobre esse aspecto Divaldo Franco em sua obra “Nos Bastidores da Obsessão” ditado pelo espírito de Manuel Philomeno de Miranda completa :

“As causas da obsessão variam, de acordo com o caráter do Espírito. É, às vezes, uma vingança que este toma de um indivíduo de quem guarda queixas do tempo de outra existência. Muitas vezes, também, não há mais do que desejo de fazer mal: o Espírito, como sofre, entende de fazer que os outros sofram; encontra uma espécie de gozo em os atormentar, em os vexar, e a impaciência que por isso a vítima demonstra mais o exacerba, porque esse é o objetivo que colima, ao passo que a paciência o leva a cansar-se [...]”. [6]

O tratamento das vitimas de obsessão é longo e exige determinação tanto do paciente quanto dos médiuns que o tratam, sobre esse prisma voltamos a nos embasar no livro “ Nos Bastidores da Obsessão”:

“A obsessão, sob qualquer modalidade que se apresente, é enfermidade de longo curso, exigindo terapia especializada de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir apressadamente.

Os tratamentos da obsessão, por conseguinte, são complexos, impondo alta dose de renúncia e abnegação àqueles que se oferecem e se dedicam a tal mister[...]” [7]

Finalizando devemos levar em conta a “ auto obsessão”, onde somos a causa de nosso desiquilíbrio mental.

A auto- obsessão é às viciações milenares que embrutecem o espírito, ora se deixa influenciar por impulsos primários, como a inveja, o egoísmo, a luxúria e o ciúme, ora se entrega a injustificáveis explosões coléricas, motivadas pelo cultivo prolongado da irritabilidade e da impaciência.

“A prece é um meio eficaz para curar a obsessão?

R: A prece é um poderoso socorro para todos os casos, mas sabei que não é suficiente murmurar algumas palavras para obter o que se deseja. Deus assiste aos que agem, e não aos que se limitam a pedir. Cumpre, portanto, que o obsedado faça, de seu lado, o que for necessário para destruir em si mesmo a causa que atrai os maus Espíritos.” [8]


Publicado em Janeiro de 2012 pela RIE


[1] Allan Kardec, “A Gênese”, 14ª edição da FEB, capítulo 14. “Obsessões e Possessões”. ( Nota do Autor espiritual.)

[2] Trecho retirado do Cap. “Obsessão” do livro : “Loucura sob novo prisma” obra de Bezerra de Menezes

[3] Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos” .

[4] Trechos retirados do Cap. “Obsessão” do livro : “Loucura sob novo prisma” obra de Bezerra de Menezes.

[5] Trecho retirado do livro “Vampirismo” Cap. VIII- “Autovampirismo” de J. Herculano Pires; Ed. Paidéia, São Paulo/SP.

[6] Trecho retirado do livro “Nos Bastidores da Obsessão” Cap. “Examinando a Obsessão” obra de Divaldo Franco.

[7] Trecho retirado do livro “Nos Bastidores da Obsessão” Cap. “Examinando a Obsessão” obra de Divaldo Franco.

[8] Questão 479 do Livro dos Espíritos- Allan Kardec.



é articulista e membro do movimento espírita paraibano, colaborador de diversos sites e jornais espíritas. marcos.paterra@gmail.com

23 janeiro 2012

Entre Lidadores Juvenis - Emmanuel


ENTRE LIDADORES JUVENIS

Meus jovens amigos.

À nossa frente, estende-se o campo imenso do mundo, conclamando-nos à obra de aperfeiçoamento, em todas as direções.

*

E nós todos, que fomos agraciados pela bênção do Evangelho, conquistando valiosas oportunidades de trabalho, solicitamos ao Divino Mestre nos ensine a servir, segundo os Seus desígnios.

*

Que Ele nos auxilie a colocar: —

a luz divina no pensamento;

o amor fraterno nas ações de cada dia;

o ideal do bem no coração;

a caridade nas palavras;

o raciocínio edificante no cérebro;

o esforço ativo nas mãos;

a bondade nos gestos;

a grandeza espiritual nas afeições;

a elevação nas atitudes;

a sobriedade nos desejos;

o entendimento amigo no olhar;

o auxílio irmão nos pareceres;

a firmeza na fé;

o desinteresse na cooperação;

e a pureza nos sentimentos.

*

Inspirados nos exemplos sublimes de todos os abnegados servidores do Infinito Bem, consagremo-nos, de alma e coração, à sementeira e à seara da Vida Eterna, seguindo adiante, no roteiro da Verdade e da Luz, devotados à melhoria de nós mesmos, a fim de que possamos estar em Cristo, tanto quanto desejamos esteja o Cristo em nós.

Emmanuel

De “Mentores e Seareiros”
De Francisco Cândido Xavier – Autores diversos

22 janeiro 2012

O Endereço de Deus - Richard Simonetti


O ENDEREÇO DE DEUS

Imaginemos que um gênio das Mil e uma Noites lhe concedesse a satisfação de três desejos, amigo leitor.

O que você pediria?

Certamente o conhecimento da Doutrina Espírita, luz abençoada de Deus em nosso caminho, inspirar-lhe-ia nobre roteiro de realizações.

Mas o homem comum, de visão limitada pela ignorância dos valores espirituais, coração sintonizado com o imediatismo terrestre, certamente optaria por riqueza, saúde, fama, poder, prazer, bem-estar...

Geralmente as pessoas almejam uma existência sem sobressaltos, nem problemas, com tanta “sombra e água fresca” quanto possível, pois, afinal “ninguém é de ferro”...

No entanto, se nos concedessem a mesma possibilidade de escolha nos tempos em que vagávamos pelo Continente Espiritual, às vésperas da presente existência, certamente seria diferente.

***

Conversei, certa feita, com um companheiro espírita, desses que chegam cheios de boas intenções e logo se afastam, dispensando explicações.

— Então, meu caro, por onde anda? Algum problema em nossa casa ou com você e a esposa? Ambos sumiram sem aviso...

— Não, Richard, não houve nada de grave. Estamos muito bem.
Talvez seja esse o problema... Como sabe, quando nos casamos, a vida era difícil. Eu ainda estudava. Ganhava o sustento em emprego precário, ajudado pela esposa que vendia roupas. Logo vieram dois filhos, o primeiro com problemas de saúde. Orçamento apertado, tudo controlado. Nada de gastos supérfluos, passeis, festas ou badalações...

— Lembro bem... Economizavam até o passe de ônibus! Era uma boa caminhada até o Centro...

— Isso mesmo! Não obstante as dificuldades ou até por causa delas, encontrávamos tempo e inspiração para o cultivo dos valores espirituais. Orávamos em família, participávamos dos serviços assistenciais no fim de semana, comparecíamos às reuniões doutrinárias. Nossa vida tinha um sentido, um ideal a ser concretizado... Isso tudo nos dava muita força e abençoada tranquilidade.

Suspirou fundo e concluiu, melancólico:

— Depois as coisas melhoraram. Comecei a ganhar dinheiro num promissor empreendimento comercial, meu filho superou os problemas de saúde, mudamos para um bairro de classe abastada. Multiplicaram-se compromissos profissionais e sociais. Atividade intensa, sem espaço para as orações em família, o culto, a atividade espiritual... Prosperamos materialmente, mas, tanto eu quanto minha esposa sentimos que algo precioso, de valor inestimável, ficou perdido...

— Talvez um sentido para a existência, um objetivo...

Meu amigo suspirou:

— Exatamente! Ficou um vazio... Lembro uma expressão popular que define o assunto: Éramos felizes e não sabíamos!

Lamentavelmente, não obstante o desabafo, meu amigo ainda não encontrou tempo para retomar os ideais negligenciados.

***

Quando o caminho é fácil, esquecemos a bússola do discernimento.

Acabamos nos desviando dos roteiros celestes que, bem sabemos, estão perfeitamente delineados nas lições de Jesus, reverenciado por Kardec no comentário à questão número 625 de O Livro dos Espíritos:

Para o homem, Jesus constitui o tipo de perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra.

Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o espírito divino o animava.

Mas estejamos certos de que Jesus não se esquece de nós, permitindo que venham dores, lutas e dificuldades em nosso caminho.

Abençoado propósito inspira o Mestre Supremo:

Evitar que esqueçamos o endereço de Deus.


De “O destino em suas mãos”
De Richard Simonetti

21 janeiro 2012

Doenças Fantasmas - André Luiz


Doenças Fantasmas

Somos defrontados com frequência por aflitivo problema cuja solução reside em nós.

A ele debitamos longas fileiras de irmãos nossos que não apenas infelicitam o lar onde são chamados à sustentação do equilíbrio, mas igualmente enxameiam nos consultórios médicos e nas casas de saúde, tomando o lugar de necessitados autênticos.

Referimo-nos às criaturas menos vigilantes, sempre inclinadas ao exagero de quaisquer sintomas ou impressões e que se tornam doentes imaginários, vítimas que se fazem de si mesmas nos domínios das moléstias-fantasmas.

Experimentam, às vezes, leve intoxicação, superável sem maiores esforços, e, dramatizando em demasia pequeninos desajustes orgânicos, encharcam-se de drogas, respeitáveis quando necessárias, mas que funcionam a maneira de cargas elétricas inoportunas, sempre que impropriamente aplicadas.

Atingido esse ponto, semelhantes devotos da fantasia e do medo destrutivo caem fisicamente em processos de desgastes, cujas consequência ninguém pode prever, ou entram, modo imperceptíveis para eles, nas calamidades sutis da obsessão oculta, pelas quais desencarnados menos felizes lhes dilapidam as forças.

Depois disso, instalada a alteração do corpo ou da mente, é natural que o desequilíbrio real apareça e se consolide, trazendo até mesmo a desencarnação precoce, em agravo de responsabilidade daqueles que se entibiam diante da vida, sem coragem para trabalhar, sofrer e lutar.

Precatemo-nos contra esse perigo absolutamente dispensável.

Se uma dor aparece, auscultemos nossa conduta, verificando se não demos causa à benéfica advertência da Natureza.

Se surge a depressão nervosa, examinemos o teor das emoções a que estejamos entregando as energias do pensamento, de modo a saber se o cansaço não se resume a um aviso salutar da própria alma,para que venhamos a clarear a existência e o rumo.

Antes de lançar qualquer pedido angustiado de socorro, aprendamos a socorrer-nos através da auto-análise, criteriosa e consciente.

Ainda que não seja por nós, façamos isso pelos outros, aqueles outros que nos amam e que perdem, inconsequentemente, recurso e tempo valiosos, sofrendo em vão com a leviandade e a fraqueza de que fornecemos testemunhos.

Nós que nos esmeramos no trabalho desobssessivo, em Doutrina Espírita, consagremos a possível atenção a esse assunto, combatendo as doenças-fantasmas que são capazes de transformar-nos em focos de padecimentos injustificáveis a que nos conduzimos por fatores lamentáveis de auto-obsessão.

Espírito:André Luiz
Médium: Francisco Cândido Xavier

20 janeiro 2012

Pais - Emmanuel


PAIS

“E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.” – Paulo. (EFÉSIOS, 6:4.)

Assumir compromissos na paternidade e na maternidade constitui engrandecimento do espírito, sempre que o homem e a mulher lhes compreendam o caráter divino.

Infelizmente, o Planeta ainda apresenta enorme percentagem de criaturas mal-avisadas relativamente a esses sublimes atributos.

Grande número de homens e mulheres procura prazeres envenenados nesse particular. Os que se localizam, contudo, na perseguição à fantasia ruinosa, vivem ainda longe das verdadeiras noções de humanidade e devem ser colocados à margem de qualquer apreciação.

Urge reconhecer, aliás, que o Evangelho não fala aos embriões da espiritualidade, mas às inteligências e corações que já se mostram suscetíveis de receber-lhe o concurso.

Os pais do mundo, admitidos às assembleias de Jesus, precisam compreender a complexidade e grandeza do trabalho que lhes assiste. É natural que se interessem pelo mundo, pelos acontecimentos vulgares, todavia, é imprescindível não perder de vista que o lar é o mundo essencial, onde se deve atender aos desígnios divinos, no tocante aos serviços mais importantes que lhes foram conferidos. Os filhos são as obras preciosas que o Senhor lhes confia às mãos, solicitando-lhes cooperação amorosa e eficiente.

Receber encargos desse teor é alcançar nobres títulos de confiança. Por isso, criar os filhinhos e aperfeiçoá-los não é serviço tão fácil.

A maioria dos pais humanos vivem desviados, através de vários modos, seja nos excessos de ternura ou na demasia de exigência, mas à luz do Evangelho caminharão todos no rumo da era nova, compreendendo que, se para ser pai ou mãe são necessários profundos dotes de amor, à frente dessas qualidades deve brilhar o divino dom do equilíbrio.

De “Vinha de Luz”
De Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel

19 janeiro 2012

O Primeiro Capítulo - Irmão X


O PRIMEIRO CAPÍTULO

Allan Kardec, o respeitável professor Denizard Rivail, já havia organizado extensa porção das páginas reveladoras que lhe constituiriam O Livro dos Espíritos.

Devotado observador, aliara inteligência e carinho, método e bom senso na formação da primeira obra que lançaria os fundamentos da Doutrina Espírita.

Não desconhecia que a sobrevivência da alma era tema empolgante no século. Entretanto, apontamentos e experimentações, em torno do assunto, alinhavam-se desordenados e nebulosos. Os fenômenos do intercâmbio pareciam ameaçados pela hipertrofia de espetaculosidade.

Saindo de humilde vilarejo da América do Norte, a comunicação com os Espíritos desencarnados atingira os mais cultos ambientes da Europa, originando infrutífero sensacionalismo. Era necessário surgisse alguém com bastante coragem para extrair do labirinto a linha básica da filosofia consoladora que os fatos consubstanciavam, irrefutáveis e abundantes.

Advertido por amigos da Espiritualidade de que a ele se atribuía, em nome do Senhor, a elevada missão de codificar os princípios espíritas, destinados à mais ampla reforma religiosa, pusera mãos ao trabalho, sem cogitar de sacrifícios. E adotando o sistema de perguntas e respostas, conseguira vasta colheita de esclarecimento e de luz.

Guardava consigo preciosas anotações acerca da constituição geral do Universo, surpreendentes informes sobre a vida de além-túmulo e belas asserções definindo as leis morais que orientam a Humanidade.

O material esparso equivalia quase que praticamente ao livro pronto. Contudo, era preciso estabelecer um ponto de partida. O primeiro compêndio do Espiritismo, endereçado ao presente e ao futuro, não podia prescindir de sólidos alicerces.

E, debruçado sobre a mesa de trabalho, em nevada noite do inverno de 1856, o Codificador interrogava a si mesmo: - Por onde começar? Pelas conclusões científicas ou pelas indagações filosóficas? Seria justo des­ligar a Doutrina, que vinha consagrar o antigo ensinamento do Cristo, de todo e qualquer apoio da fé, na construção das bases que lhe diziam respeito?

O conhecimento humano! ... - pensava ele - não se modificava o conhecimento humano todos os dias?. As ilações filosófico-científicas não eram as mesmas em todos os séculos ... E valeria escravizar o Espiritismo à exaltação do cérebro, em prejuízo do sentimento?

Atormentado, viu mentalmente os homens de seu tempo e de sua pátria, extraviados na sombra do materialismo demolidor ...

A grande revolução que pretendera entronizar os direitos do Homem ainda estava presente no ar que ele respirava. Desde 2 de dezembro de 1851, o governo de Luís Napoleão, que retomava as . linhas do Império, permitia prisões em massa, com deliberada perseguição aos elementos de todas as classes sociais que não aplaudissem os planos do poder. Muitos membros da Assembleia haviam sofrido banimento e mais de vinte mil franceses jaziam deportados, muitos deles sem qualquer razão justa. Homens dignos eram enviados a regiões inóspitas, quando não eram confiados, no cárcere, à morte lenta.

O pensamento do missionário foi mais longe ...

Recordou-se de Voltaire e Rousseau, admiráveis condutores da inteligência, mas também precursores da ironia e do terror. Lembrou Condorcet, o filósofo e matemático, envenenando-se para escapar à guilhotina, e Marat, o médico e publicista, assassinado num banho de sangue, quando instigava a matança e a destruição.

Valeria a cultura da inteligência, só por si, quando, a par dos bens que espalhava, podia desmandar-se em sarcasmo arrasador e loucura furiosa?

Com o respeito que ele consagrava incondicionalmente à Ciência e à Filosofia, Kardec orou com todo o coração, suplicando a inspiração do Alto. Erguia-se-lhe a prece comovente, quando raios de amor lhe envolveram o espírito inquieto e ele ouviu, na acústica da própria alma, vigoroso apelo íntimo: - "Não menosprezes a fé!. .. Não comeces a obra redentora sem a Bênção Divina!..”

E o Codificador, nimbado de luz, com a emotividade jubilosa de quem por fim encontrara solução a terrível problema, longamente sofrido, consagrou o primeiro capítulo de O Livro dos Espíritos à existência de Deus.


Pelo Espírito Irmão X

Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier

Fonte: Reformador de abril de 1957. Edição do 1º Centenário da Codificação do Espiritismo. p. 25(95).

18 janeiro 2012

Encolerizas-te - Camilo


ENCOLERIZAS-TE?

Irrupção aturdente que, à semelhança de lavas vulcânicas, procede do teu âmago, a cólera converte-se em substância fatal.

Aos poucos, se não te reeducas, essas lavas, em se derramando de ti sobre ti mesmo, conseguem, pouco a pouco, corroer a tua expressão de equilíbrio em processo de construção vagarosa em tua alma.

Por que te encolerizas pelas avenidas ou pelos guetos terrestres?

Encolerizas-te, por certo, ao veres-te contestado por alguém que supões te seja inferior. Quem é essa pessoa para opor-se a mim?

Encolerizas-te, possivelmente, quando, atalhado por alguém que sabes te seja superior em qualquer ângulo dos caminhos. Por que essa pessoa destrata-me ou me desmerece desse modo?

Encolerizas-te quando não consegues alcançar os objetivos que traçaste, positivos ou negativos. Por que tudo sai errado comigo?

Encolerizas-te se a condução que esperas não vem ou vem com a lotação completa e não pára para levar-te. Ora, estou há tanto tempo esperando e ela passa direto...

Encolerizas-te ante a administração mal desenvolvida; perante a política que não te atende; diante de pessoas que não te aceitam.
Encolerizas-te pelo tempo ruim no fim de semana; pela visita indesejada que te impede fazer outro programa; pelo balconista desatento que te atende mal.

Doença soez, morbo desagregador, a cólera se nutre na vala fétida do orgulho, fazendo-te admitir que és ou que deves ser alguém intocável, embora saibas estar num orbe de provações e de expiações, desde as mais simples às mais inabordáveis, por sua gravidade.

Detém-te para meditar, porque te estarás matando, engendrando suicídio infeliz por desfalcar as tuas energias vitais, deixando-te espiritualmente depauperado.

Cada vez que te encolerizas, te assemelhas a uma pessoa em processo de loucura, incontrolável, indomável, vexaminosa.

Cada vez que te encolerizas, ao te recompores já não te assentarás, psiquicamente, onde estavas antes da alucinação. Ao te acalmares estarás mais desgastado, e, aos poucos, de crise em crise, perturbar-te-ás de morte. Um infarto, um acidente vascular, uma apoplexia, muitas vezes têm raízes nos acessos coléricos que não corrigiste a tempo.

Renova-te. Faze esforço por te reeducares. Somente o tempo nobremente aproveitado conseguirá conferir-te galardão de emancipação espiritual, com o exercício da calma, da indulgência, do perdão, a fim de que sejas feliz.

Fonte: “Revelações da Luz”
De J. Raul Teixeira
Pelo Espírito Camilo

17 janeiro 2012

Enfermidade da Alma - Cenyra Pinto


ENFERMIDADE DA ALMA

É muito comum classificarmos as pessoas através de seus defeitos morais. Não me refiro a delinquentes nem a criminosos puníveis pelas leis humanas. Refiro-me a falhas morais, como orgulho, egoísmo, invejas, calúnia, hipocrisia, ciúmes e outros tantos valores negativos, capazes de aniquilar uma criatura, assim classificada, às vezes um tanto injustamente, o que pode leva-la a sofrimentos cruéis e até ao suicídio. Tudo isto porque rotulamos essas falhas morais como defeitos, e assim nos digladiamos, acusando-nos mutuamente.

Nenhuma falha moral deve servir de motivo, quando as percebermos nos outros, ou quando já somos capazes de reconhece-las em nós, para nos referirmos a elas como se fossem uma pecha, mas sim como doença, como enfermidade da alma.

Assim tomando como norma aquela máxima do Cristo: “Eu não vim para os sãos e sim para os doentes”, ao invés de nos odiarmos uns aos outros por causa das nossas deformações morais, arraigadas de vidas e vidas passadas, deveríamos procurar nos compreender e nos ajudar mutuamente. “Quem se julgar isento de pecado, atire a primeira pedra”, também disse Jesus.

Se nos conscientizarmos de que a Terra não é apenas uma escola, mas principalmente um hospital, onde todos nós estamos recolhidos, convivendo com nossas chagas, tratando de nossos males, do mesmo modo como nos compadecemos de qualquer enfermo, mostrando solicitude (quando somos solícitos), e procurando ajudar, do mesmo modo deveríamos ver-nos uns aos outros como pacientes do mesmo hospital, com enfermidades diferentes, precisando todos auxiliar-nos mutuamente.

Somos todos carentes de amor, de compreensão. Por trás de um grande ódio, de uma explosão de maldade, há uma criança chamando por ‘mamãe’, tal a sua insegurança. Não há maior prova de covardia do que a dos supostos valentes que enfrentam, afrontam e fazem questão de serem considerados destemidos.

É o medo de se defrontarem consigo mesmos que os leva a agredir outros, por não terem coragem de se verem como são. Enfim, tudo isso que classificamos de defeitos, de fraqueza ou baixeza de caráter, são apenas enfermidades da alma. Se tentarmos alcançar essa realidade, não teremos mais motivos para lançarmos impropérios uns contra os outros; compreenderemos que, na realidade, todos nós desejamos acertar e nos libertar das enfermidades das nossas almas, e que só através da paciência, tolerância, compreensão, e envolvidos no sacrossanto bálsamo do amor, conseguiremos a cura total, e, livres das enfermidades da alma, desfrutaremos da verdadeira paz.

Que assim seja.

De “Conversa com a Vida”
De Cenyra Pinto

16 janeiro 2012

O Furto - Rodolfo Caligaris


O FURTO

Furto é toda apropriação de bens pertencentes a outrem, sem o consentimento dele, assim como qualquer procedimento contrário à justiça, que manda se dê a cada um o que é seu ou aquilo a que tem direito.

Vê-se, pelo conceito supra, ser o furto um vício universal que pouquíssimos terão vencido inteiramente.

Às vezes, tomas outros nomes, mas é pura questão de eufemismo.

A História nos informa, por exemplo, que quase todos os grandes e pequenos Impérios da Terra foram construídos por meio de guerras de conquista e anexações de países indefesos, cuja soberania e integridade foram desrespeitadas.

Ora, que são as guerras de conquista e as anexações senão latrocínio em grande escala?

E os chamados povos “atrasados”, porque não conseguem sair da miséria em que vivem? Quase sempre, porque grupos financeiros poderosíssimos, através de concessões, monopólios e privilégios obtidos pela astúcia, pelo suborno ou pela violência, lhes exaurem todos os recursos econômicos indispensáveis a um processo desenvolvimentista.

A ação nefasta desses grupos não é, efetivamente, uma espoliação desumana e cruel?

Na esfera da administração pública de toda parte empregam-se, não raro, expedientes para ganhar dinheiro (por influência ou com o abuso em certos cargos ou funções), que outra qualificação não podem receber senão a de gatunagem mesmo. São as “bolas”, comissões ou propinas exigidas para o acobertamento de irregularidades e tramitação rápida de determinados papéis, a preferência em negócios lucrativos, o empenho para que sejam feita tais ou quais nomeações et. Etc.

Constituem furtos, igualmente, as falsificações e as manobras ardilosas em geral, como adicionar água ao leite, ao vinho ou a outras bebidas; misturar cereais e outros gêneros alimentícios de segunda ou terceira escolha com os de primeira, impingindo-os aos preços destes; orçar obras ou peças com materiais de boa qualidade, executando-os depois com artigos inferiores; fabricar produtos farmacêuticos com a utilização de drogas essenciais em dose menor que a anunciada na bula; negociar imitações como se fossem objetos genuínos, e assim por diante.

É rapinagem, também, a falta de exatidão no peso ou nas medidas de mercadorias, bem assim os artifícios que se empreguem para aumentá-los
fraudulentamente.

Capitulam-se ainda como roubo a falta de pagamento daquilo que se deve e a impontualidade na cobertura dos compromissos assumidos, práticas essas que implicam retenção indevida de capital alheio. Excetuam-se, é claro, os casos de força maior.

Além dos mencionados acima, o furto pode revestir-se de inúmeros outros aspectos que, embora não caracterizados nos códigos penais terrenos, nem por isso deixam de ser condenáveis aos olhos de Deus.

Furta o funcionário que, valendo-se de meios indignos, “cava” para si uma promoção ou vantagem que, por direito, caberia a outro.

Furta o empregador que, auferindo grandes lucros, paga salários de fome, muito aquém da retribuição equitativa, aos que o servem com dedicação, fazendo-se os principais fautores da prosperidade de suas empresas.

Por outro lado, furta o empregado que não dá, a quem lhe contrata os serviços, toda a produção de que é capaz, ou usando de artimanhas, se prevalece de preceito legais para ganhar sem trabalhar.

O estudante que, por preguiça, não cuida de seus deveres, furta os pais, que tanto se sacrificam para mantê-los na escola e, se recorre à “cola” nos dias de prova, furta também aos colegas honestos a classificação melhor a que eles fazem jus.

Esforcemo-nos, todos, por corrigir-nos desse grave defeito, lembrando-nos sempre de que é transgressão ao 8º mandamento, que diz “não furtarás”.

De “Páginas de Espiritismo Cristão”
De Rodolfo Calligaris

15 janeiro 2012

Afetividade Conflitiva - Joanna de Ângelis


Afetividade Conflitiva

A busca da afetividade constitui-se em uma necessidade de intercâmbio e de relacionamento entre as criaturas humanas ainda imaturas. Acreditam, aqueles que assim procedem, que somente através de outrem é possível experimentar a afeição, recebendo-a e doando-a. Como decorrência, as pessoas que se sentem solitárias, atormentam-se na incessante inquietação de que somente sentirão segurança e paz, quando encontrem outrem que se lhe constitua suporte afetivo. Nesse conceito, encontra-se um grande equívoco, qual seja esperar de outra pessoa a emoção que lhe constitua completude, significando autorrealização.

Um solitário, quando se apóia em outro indivíduo, que também tem necessidade afetiva, forma uma dupla de buscadores a sós, esperando aquilo que não sabem ou não desejam oferecer. É claro que esse relacionamento está fadado ao desastre, à separação, em face de se encontrarem ambos distantes um do outro emocionalmente, cada qual pensando em si mesmo, apesar da proximidade física.

Faz-se imprescindível desenvolver a capacidade de amar, porque o amor também é aprendido. Ele se encontra ínsito no ser como decorrência da afeição divina, no entanto, não poucas vezes adormecido ou não identificado, que deve ser trabalhado mediante experiências de fraternidade, de respeito e de amizade.

Partindo-se de pequenas conquistas emocionais e de júbilos de significado singelo, desenvolve-se mediante a arte de servir e de ajudar, criando liames que se estreitam e se ampliam no sentimento. Estreitam-se, pelo fato de se aprender união com outrem e ampliam-se mediante a capacidade de entendimento dos limites do outro, sem exigências descabidas nem largas ao instinto perturbador de posse, nas suas tentativas de submissão alheia...

Resultante de muitos conflitos que aturdem o equilíbrio emocional, esses indivíduos insatisfeitos, que se acostumaram às bengalas e às fugas psicológicas, pensam que através da afetividade que recebam lograrão o preenchimento do vazio existencial, como se fosse uma fórmula miraculosa para lhe solucionar as inquietações.

Os conflitos devem ser enfrentados nos seus respectivos campos de expressão e nunca mediante o mascaramento das suas exigências, transferindo-se de apresentação. Os fatores psicológicos geradores dessas embaraçosas situações são muito complexos e necessitam de terapêuticas cuidadosas, de modo que possam ser diluídos com equilíbrio, cedendo lugar a emoções harmônicas propiciadoras de bem-estar.

A afetividade desempenha importante labor, qual seja o desenvolver da faculdade de amar com lucidez, ampliando o entendimento em torno dos significados existenciais que se convertem em motivações para o crescimento intelecto-moral.

Quando se busca o amor, possivelmente não será encontrando em pessoas, lugares ou situações que pareçam propiciatórias. É indispensável descobri-lo em si mesmo, de modo a ampliá-lo no rumo das demais pessoas.

Qual uma chama débil que se agiganta estimulada por combustível próprio, o amor é vitalizado pelo sentimento de generosidade e nunca de egoísmo que espera sempre o benefício antes de proporcionar alegria a outrem.

A predominância do egoísmo tolda-lhe a visão saudável do sentimento de afetividade e impõe-lhe exigências descabidas que, invariavelmente, o tornam vítima das circunstâncias. Em tal condição, sentindo a impossibilidade de amar ou de ser amado, procura, aflito, despertar o sentimento de compaixão, apoiando-se na piedade injustificada.

Se experimentas solidão no teu dia-a-dia, faze uma análise cuidadosa da tua conduta em relação ao teu próximo, procurando entender o porquê da situação. Sê sincero contigo mesmo, realizando um exame de consciência a respeito da maneira como te comportas com os amigos, com aqueles que se te acercam e tentam convivência fraternal contigo.

Se és do tipo que espera perfeição nos outros, é natural que estejas sempre decepcionado, ao constatares as dificuldades alheias, olvidando porém que também és assim. Se esperas que os outros sejam generosos e fiéis no relacionamento para contigo, estuda as tuas reações e comportamentos diante deles.

A bênção da vida é o ensejo edificante de refazimento de experiências e de conquistas de patamares mais elevados, algumas vezes com sacrifício... Não te atormentes, portanto, se escasseiam nas paisagens dos teus sentimentos as compensações do afeto e da amizade.

Observa em derredor e verás outros corações em carência, à tua semelhança, que necessitam de oportunidade afetiva, de bondade fraternal. Exercita com eles o intercâmbio fraterno, sem exigências, não lhes transferindo as inseguranças e fragilidades que te sejam habituais.

É muito fácil desenvolver o sentimento de solidariedade, de companheirismo, bastando que ofereças com naturalidade aquilo que gostarias de receber. A princípio, apresenta-se um tanto embaraçoso ou desconcertante, mas o poder da bondade é tão grande, que logo se fazem superados os aparentes obstáculos e, à semelhança de débil planta que rompe o solo grosseiro atraída pela luz, desenvolve-se e torna-se produtiva conforme a sua espécie...

Observa com cuidado e verás a multidão aturdida, agressiva, estremunhada, que te parece antipática e infeliz. Em realidade, é constituída de pessoas como tu mesmo, fugindo para lugar nenhum, sem coragem para o autoenfrentamento.

Contribui, jovialmente, quanto e como possas, para atenuar algum infortúnio ou diminuir qualquer tipo de sofrimento que registres. Esse comportamento te facultará muito bem e, quanto menos esperes, estarás enriquecido pela afetividade que doas e pela alegria em fazê-lo.

Ninguém pode viver com alegria sem experienciar a afetividade. A afetividade é mensagem de amor de Deus, estimulando as vidas ao crescimento e à sublimação. A afetividade deve ser distendida a todos os seres, aos vegetais, animais, seres humanos, ampliando-a por toda a Natureza.

Quando se ama, instalam-se a beleza e a alegria de viver. A saúde integral, sem dúvida, é defluente da harmonia do sentimento pelo amor com as conquistas culturais que levam à realização pessoal, trabalhando pelo equilíbrio e funcionamento existencial.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no dia 17 de novembro de 2008, na cidade do Porto em Portugal