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31 outubro 2008

Auto-Aprimoramento - Emmanuel

AUTO-APRIMORAMENTO

Tanto quanto sustentamos confidências menos felizes com os outros, alimentamos aqueles do mesmo gênero de nós para nós mesmos.

Como vencer os nossos conflitos interiores? De que modo eliminar as tendências menos construtivas que ainda nos caracterizam a individualidade? - indagamo-nos.

De que modo esparzir a luz se muitas vezes ainda nos afinamos com a sombra?

E perdemos tempo longo na introspecção sem proveito, da qual nos afastamos insatisfeitos ou tristes.

Ponderemos, entretanto que os doentes estivessem proibidos de trabalhar, segundo as possibilidades que lhes são próprias, e se os benefícios da escola fossem vedados aos ignorantes, não restaria à civilização outra alternativa que não a de se extinguir, deixando-se invadir pelos atributos da selva.

Felicitemo-nos pelo fato de já conhecer as nossas fraquezas e defini-las. Isso constitui um passo muito importante no Progresso Espiritual, porque, com isso, já não mais ignoramos onde e como atuar em auxílio da própria cura e burilamento.

Que somos espíritos endividados perante as Leis Divinas, em nos reportando a nós outros, os companheiros em evolução na Terra, não padece dúvida.

Urge, porém, saber como facear construtivamente as necessidades e problemas do mundo íntimo.

Reconhecemo-nos falhos, em nos referindo aos valores da alma, ante a Vida Superior, mas abstenhamo-nos de chorar inutilmente no beco da auto piedade. Ao invés disso, trabalhemos na edificação do bem de todos.

Cultura é a soma de lições infinitamente repetitivas no tempo.

Virtude é o resultado de experiências incomensuràvelmente recapituladas na vida.

Jesus, O Mestre dos Mestres, apresenta uma chave simples para que se lhe identifiquem os legítimos seguidores: “conhecê-los-eis pelos frutos”.

Observemos o que estamos realizando com o tesouro das horas e de que espécie são as nossas ações, a benefício dos semelhantes. E, procurando aceitar-nos como somos, sem subterfúgios ou escapatórias, evitemos estragar-nos com queixas e auto condenação, diligenciando buscar, isto sim, agir, servir e melhorar-nos sempre.

Em tudo o que sentirmos, pensarmos, falarmos ou fizermos, doemos aos outros o melhor de nós, porque Deus nos conhecerá pelos bons frutos que produzirmos.

Autor: Emmanuel (espírito)
Psicografia de Chico Xavier
Livro: Rumo Certo

30 outubro 2008

Delinquência, Perversidade e Violência - Joanna de Ângelis

DELINQÜÊNCIA, PERVERSIDADE E VIOLÊNCIA

A onda crescente de delinqüência que se espalha por toda a Terra assume proporções catastróficas, imprevisíveis, exigindo de todos os homens probos e lúcidos acuradas reflexões. Irrompendo, intempestivamente, faz-se avassaladora, em vigoroso testemunho de barbárie, qual se loucura de procedência pestilencial se abatesse sobre as mentes, em particular grassando na inexperiente juventude, em proporções inimagináveis, aflitivas.

Sociólogos, educadores, psicólogos e religiosos preocupados com a expressiva mole de delinqüentes de toda lavra, especialmente os perversos e violentos, aprofundam pesquisas, improvisam soluções, experimentam métodos mal elaborados, aderem aos impositivos da precipitação, oferecem sugestões que triunfam por um dia e sucumbem no imediato, tudo prosseguindo como antes, senão mais turbulento, mais inquietador.

Os milênios de cultura e civilização parece que em nada contribuíram a benefício do homem que, intoxicado pela violência generalizada, adotou filosofias esdrúxulas, em tormentosa busca de afirmações, mediante o vandalismo e a obscenidade, em fugas espetaculares para as origens.

Numa visão superficial das conseqüências calamitosas desse estados sócio-moral decorrentes, asseveram alguns observadores que a delinqüência, a perversidade e a violência fluem, abundantes, dos campos das guerras sujas e cruéis, engendradas pela necessidade da moderna tecnologia de libertar os países super-desenvolvidos do excesso de armamentos bélicos e dos equipamentos militares ultrapassados, gerando focos de conflitos a céu aberto entre povos em fases embrionárias de desenvolvimento ou subdesenvolvidos, martirizados e destroçados a expensas dos interesses econômicos alienígenas, dominadores, arbitrários, no entanto, transitórios...

Indubitavelmente, a Humanidade vê-se compelida a responder por esse pesado ônus, fruto do egoísmo de homens e governos impertinentes que fomentam as desgraças imediatas, geratrizes de males que tais...

O homem, condicionado à técnica da matança desenfreada e selvagem, atormentado pelo medo contínuo, submetido às demoradas contingências da insegurança, incerteza e angústia disso resultantes, adestrado para matar antes e examinar depois, a fim de a si mesmo poupar-se, obrigando-se a cruciais situações, ingerindo drogas para sustentar-se, açular sensações, aniquilar sentimentos, só muito dificilmente poderá reencontrar-se, mesmo que transladado dos campos de combate para as comunidades pacíficas e ordeiras.

A simples injunção de uma paz assinada longe do caos dos conflitos onde perecem vidas, ideais e dignidade, jamais conseguirá transformar de improviso um veterano num pacato cidadão.

Além desse fator odioso, com suas intercorrências, referem-se os estudiosos aos da injustiça social vigente entre as diversas classes humanas, de que padecem os proletários e os menos favorecidos sempre arrojados às posições subalternas ou nenhures, mal remunerados, ou sem salário algum, subnutridos, abandonados.

Atirados aos redutos sórdidos das favelas, guetos e malocas, vivendo expedientes, dependentes uns dos outros, em aventuras, urdem na mais penosa miséria econômica, da qual se derivam as condições mesológicas deploráveis - causas de enfermidades orgânicas e psíquicas de diagnose difícil quão ignorada; geradoras de ódios, brutalidade e sevícias, nos quais se desarticulam os padrões dos sentimentos substituídos por frieza emocional resultante de inditosa esquizofrenia paranóide - os desforços contra a sociedade indiferente que os relega a estágio primitivo, sub-humano.

Às vezes, sobrevivem alguns descendentes, vítimas inermes do meio ambiente, cujos hábitos e costumes arraigados jungem-se a viciações de erradicação difícil, quando não perturbante, de que não se conseguem libertar, estiolando-se mais tarde...

Todavia, devemos considerar, à margem das respeitáveis opiniões dos técnicos e especialistas no complexo problema, as condições morais das famílias abastadas - tendo-se em conta que a delinqüência flui, também, abundante e referta, assustadora e rude, em tais meios assinalados pela linhagem social e pela tradição - cujos exemplos, nem sempre salutares, substituem o cumprimento dos retos deveres pelo suborno ou os transferem para realização a servos e pedagogos remunerados, enquanto os pais se permitem desconsiderações recíprocas, desprezo a leis e costumes, impondo seus caprichos e desaires como normas aceitas, convenientes, sobre as quais estatuem as diretrizes do comportamento, agindo de maneira desprezível, apesar da aparência respeitável...

A leviandade de mestres e educadores imaturos, não habilitados moralmente para os relevantes misteres de preparação das mentes e caracteres em formação, contribui, igualmente, com larga quota de responsabilidade no capítulo da delinqüência juvenil, da agressividade e da violência vigentes, ameaçadoras, câncer perigoso a dizimar com crueldade o organismo social do Planeta.

Experiências em laboratórios com ratos hão demonstrado que a super- densidade de espécimes em área reduzida torna-os violentos, após atravessarem períodos de voracidade alimentar, de abuso sexual até a exaustão, fazendo-os, depois, perigosos e agressivos, indiferentes ás outras faculdades e interesses. Crêem os especialistas em demografia, que o problema é semelhante no homem que vive estrangulado nos congestionados centros urbanos, onde as cifras da delinqüência se fazem superlativas, cada dia ultrapassando as anteriores.

Destaquemos, aqui, a falência das implicações morais e da ética religiosa do passado, que depois da constrição proibitiva a todos os processos evolutivos viam-se ultrapassadas, sentindo necessidade de atualização para a sobrevivência, saltando do estágio primário da proibição pura e simples para o acumpliciamento e acomodação a pseudos valores novos, não comprovados pela qualidade de conteúdo. A permissividade total concedida por alguns receosos pastores, em caráter experimental, contribuiu para a morte do decoro e a vigência da licenciosidade que passou a vulgarizar a temática evangélica em desculpável servilismo das paixões dominantes...

O delinqüente, no entanto, padece, não raro, de distúrbios endógenos ou exógenos que o impelem ou predispõem à violência, que se desborda ante os demais contributos sociais, econômicos, mesológicos...

Sem qualquer dúvida, a desarmonia endócrina, resultante da exigência hereditária, as distonias psíquicas se fazem vigorosos impositivos para a alienação e a delinqüência. Muitos dramas psicológicos e recalques que procedem do próprio Espírito aturdido e infeliz espocam como complexos destrutivo da personalidade, expulsando-os para os porões do desajuste da emoção para a rebeldia sistemática a que se agarram, buscando sobreviver, não raro enlouquecendo pela falta de renovação e pela intoxicação dos fluidos e miasmas psíquicos que cultivam.

Além disso, os distúrbios orgânicos, as seqüelas de enfermidade várias, os traumatismos ocasionados por golpes e quedas são outra fonte de desarranjos do discernimento, ensejando a fácil eclosão da violência e da agressividade.

Pulula, ainda, nos complexos mecanismos da reencarnação em massa destes dias, o mergulho no corpo somático de Espíritos primários nos quadros da evolução, necessitados de progresso e ajuda para a própria ascensão, e que, não encontrando os estímulos superiores para o enobrecimento, são, antes, conduzidos à vivência das sensações grosseiras em que transitam, desbordando os impulsos agressivos e os instintos violentos com que esperam impor-se e usufruir mais fogosas cargas de gozos nas quais se exaurem e sucumbem. Aderem à filosofia chão de viver intensamente um dia, a lutarem e viverem todos os dias.

A simples preocupação dos interessados - e a questão nos diz respeito a todos nós -, não resolve, se medidas urgentes e práticas, mediante uma política educativa generalizada, não se fizerem impor antes da erupção de males maiores e das suas conseqüências em progressão, apavorantes.

Tem-se procurado reprimir a delinqüência sem se combaterem as causas fecundas da sua multiplicação. Muito fácil, parece, a tarefa repressiva; inútil, porém, quando se transforma em um fator a mais para a própria violência.

A terapêutica para tão urgente questão há de ser preventiva, exigindo dos adultos que se repletem de amor nas inexauríveis nascentes da Doutrina de Jesus, a fim de que, moralizando-se, possam educar as gerações novas, propiciando-lhes clima salutar de sobrevivência psíquica e realização humana.

A valorização da vida e o respeito pela vida conduzirão pais, mestres, educadores, religiosos e psicólogos a uma engrenagem de entendimento fraternal com objetivos harmônicos e metódicos - exemplos capazes de sensibilizar a alma infantil e conduzi-la com segurança às metas felizes que deve perseguir.

Por coerência, espiritualmente renovado e educado, o homem investirá contra a chaga vergonhosa da injustiça social, contra os torpes métodos que fomentam a miséria econômica e seus fâmulos, contra o inditoso e constritivo meio ambiente pernicioso, contra o orgulho, o egoísmo e a indiferença.

Os portadores de perturbação psíquica de qualquer procedência e violentos serão amados e atendidos por uma Medicina mais humana e mais interessada nos pacientes que preocupada em auferir lucros e homenagens com que muitos dos seus profissionais se envilecem, na tortuosa correria para a fama e o poder...

O homem iluminado interiormente pela flama cristã da certeza quanto à sobrevivência do Espírito ao túmulo e da sua antecedência ao berço, sabendo-se herdeiro de si mesmo, modifica-se e muda o meio onde vive, transformando a comunidade que deixa de a ele se impor para dele receber a contribuição expressiva, retificadora.

Os homens são, pois, os seus feitos.

A sociedade, são os homens que a constituem.

A vida humana resulta dos Espíritos que a compõem.

Com sabedoria incontestável, elucidou Jesus, o Incomparável Psicólogo, que prossegue vitorioso, não obstante os séculos transcorridos: "Busca, primeiro, o Reino de Deus e Sua Justiça e tudo mais te será acrescentado", demonstrando que, em o homem se voltando para a Pátria Espiritual - a verdadeira - e suas questões, de fundamental importância, os demais interesses serão resolvidos como efeito natural das aquisições maiores.

Nesse cometimento todos estamos engajados e ninguém se pode omitir, porquanto somos igualmente responsáveis pelas ocorrências da delinqüência, perversidade e violência - esses teimosos remanescentes da natureza animal do homem em luta consigo mesmo para insculpir o bem e libertar dos grilhões do primarismo terreno a sua natureza espiritual.

Toda contribuição de amor, como de paciência, toda dádiva de luz, como de saber são valiosa oferenda para o amanhã de paz e ventura que anelamos.

Texto extraído do Livro SOS Família,
espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de
Divaldo Pereira Franco

29 outubro 2008

Como Deus Tirou o Homem de Barro ou Pó da Terra - José Herculano Pires

 
COMO DEUS TIROU O HOMEM DO BARRO OU PÓ DA TERRA

Todos conhecemos a alegoria bíblica da formação do homem, mas nem todos sabemos que, para muita gente, essa alegoria representa uma verdade incontestável, uma realidade. Diz a tradução de Almeida, no cap. II do Gênesis, vers. 7: "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida: e o homem foi feito alma vivente". A mesma tradução, na edição revista e atualizada da Sociedade Bíblica do Brasil, corrige "narizes" para "narinas" e faz outras pequenas alterações. Na tradução de Figueiredo "o pó da terra" é substituído pelo "barro da terra". De qualquer maneira, o fato essencial é o mesmo em todas as versões bíblicas, ou seja: Deus formou o homem da terra e assoprou-lhe a vida nas narinas.

O Espiritismo não pode admitir que essa alegoria, aliás muito bela e expressiva, seja tomada ao pé da letra. Kardec admite, no Livro dos Espíritos, que Adão tenha realmente existido, como possível sobrevivente de um cataclismo na região citada pelo Bíblia. Mas adverte que é mais razoável considerá-lo como um mito ou uma alegoria, "personificando as primeiras idades do mundo". A espécie humana não começou por um só homem. Surgiu na Terra pelo encadeamento natural da evolução dos seres. Em A Gênese, Kardec estuda a posição do homem na escala animal e declara: "Por mais que isso possa ferir o seu orgulho, o homem deve resignar-se a ver no seu corpo material o último elo da animalidade na Terra".

Há contradição, neste ponto, entre a Bíblia e o Espiritismo? Kardec responde acertadamente que não. Porque o Espiritismo apenas explica a alegoria bíblica, dá-lhe a necessária interpretação, esclarece-nos quanto ao espírito da letra, em vez de escravizar-nos à "letra que mata". Os que, pelo contrário, se apegam à letra, acabam fazendo da Bíblia um livro absurdo, contraditório e inaceitável para as pessoas de discernimento. Os Espíritos esclarecem bem esta questão, como vemos na pergunta 47 de O Livro dos Espíritos.

Kardec pergunta: "A espécie humana estava entre os elementos orgânicos do globo terrestre"? E a resposta é a seguinte: "Sim, e veio a seu tempo, ; foi isso que deu motivo a dizer-se que o homem foi feito do limo da terra". Como se vê, por esta clara resposta, a obra de Deus não se assemelha aos grosseiros trabalhos humanos. Deus cria através de processos cósmicos ainda inacessíveis ao nosso entendimento. Os livros bíblicos não poderiam tratar da criação do homem senão de forma alegórica.

De "Visão Espírita da Bíblia",
de José Herculano Pires

28 outubro 2008

O Certo por Linhas Certas - Delmo Martins Ramos

O Certo por Linhas Certas
Autor: Delmo Martins Ramos

Ao olharmos o mundo em que vivemos, podemos observar que ainda existe muita dor e sofrimento, apesar da grande evolução intelectual do homem que proporciona grandes avanços tecnológicos à humanidade. São as guerras originadas pela prepotência e intolerância; fome e miséria, fruto da insensibilidade e do egoísmo; o preconceito, filho direto da ignorância.

Basta uma breve olhada ao nosso redor para verificarmos que estamos habitando um mundo em que existe ainda mais tristeza do que a alegria. Um mundo em que o mal ainda predomina as ações e que os interesses pessoais, na maioria das vezes escusa, é o móvel das ações de seus habitantes.

Poderíamos citar ainda os dramas pessoais vividos por quase todos que habitam o planeta.

Problemas de saúde, relacionamentos afetivos e familiares; dificuldades econômicas e profissionais; problemas emocionais e depressivos; enfim, toda uma gama de situações que causam ao ser humano preocupações e sofrimentos em maior ou menor escala.

Em nosso envolvimento com os problemas pessoais, nem sempre nos damos conta de que problemas piores que os nossos são comuns e temos por conta disso, na maioria das vezes, dificuldade em compreender esta situação atual do planeta e nossa participação neste contexto.

Paradoxalmente fica mais difícil ainda esta compreensão quando temos a crença na existência de um Ser criador, que aprendemos ser perfeito, justo e misericordioso.

Ora, se este Ser tem estes atributos, entre tantos outros, como entender que Ele nos criou para tanta dor e sofrimento? Se olharmos toda esta situação com a crença da existência única da vida na matéria, mesmo com a crença na eternidade da alma, fica então impossível o entendimento.

Ao alargarmos um pouco mais nosso entendimento através do conhecimento das leis divinas, principalmente da lei de causa e efeito, compreenderemos que todos os que habitamos este mundo temos a expiar débitos contraídos com a lei e necessitamos passar por provações para a consolidação dos conhecimentos espirituais que se traduzirão em nossas ações diárias.

Para que possamos passar por este processo expiatório e de provas, uma existência apenas na matéria é insuficiente, precisaremos portanto passar por inúmeras experiências neste aprendizado. Para tal Deus nos dá as ferramentas necessárias, isto é, Ele nos provê do que necessitamos para o enfrentamento destas dificuldades.

A fé na providência divina é que dá ao ser, que passa pelas dificuldades inerentes ao seu nível evolutivo, a serenidade para enfrentá-las e lhe possibilita tirar as lições necessárias para sua vida. Ao contrário, quando não há esta fé, o homem se desespera e termina por comprometer-se ainda mais perante a lei.

Diz o ditado popular que Deus escreve certo por linhas tortas, o que justificaria assim as dificuldades por que passa o ser humano nesta vida. Porém na verdade, Deus escreve certo por linhas também certas, já que Ele é perfeito. A tortuosidade da linha de nossa vida é por nós mesmos delineada no uso indevido do nosso livre arbítrio, que é a linha mestra de nossa caminhada evolutiva.

É necessário, portanto, que aproveitemos cada oportunidade que a vida nos dá para reformularmos nossa conduta buscando a melhoria interior objetivando a conquista da evolução espiritual para qual fomos criados.

As oportunidades são muitas e nos são disponibilizadas a todo instante, mesmo nos momentos das dores que nos atingem momentaneamente e, na verdade, é nestes momentos que as lições são mais contundentes.

27 outubro 2008

Papai - Scheilla

PAPAI

Papai, viga de segurança das crianças! A tua parte, na formação dos espíritos que reencarnam em tua casa, é valiosa. Não podes ignorar o teu dever ante os teus filhos.

O lar é uma escola, sob a orientação da espiritualidade maior. Em uma casa de família, não habitam somente as pessoas revestidas de carne. Não; como se enganam os que pensam dessa maneira! Ali se encontra outra família, e mais numerosa que a visível.

São espíritos, amigos e inimigos, que evoluem em grupos.

O pai é o comandante dessa nave grandiosa, que chamamos de lar, e é bom que se mantenha no seu posto, não desertando de seus deveres perante ele.

Jesus estabeleceu, na Terra, a força capaz de harmonizar os lares, quando, na casa de Simão Pedro, abriu o primeiro Culto do Evangelho, para solidificação da fraternidade entre os familiares, mostrando a todos as leis de Deus, capaz de educá-los, se respeitadas.

Já faz quase dois mil anos; já passaram quase vinte séculos, e o gesto do Cristo, somente agora, principia a ser entendido. Começam-se a abrir Cultos do Evangelho nos lares, e esse é o ambiente de predileção dos espíritos superiores.

O lar é a primeira célula da humanidade. Inicia, por ele, a educação e a disciplina, para que mais tarde tenhamos uma humanidade educada, e as nações entendendo o objetivo da descida do Cristo ao mundo, exemplificando o Amor, em todas as suas modalidades.

Um pai de família, por dever moral, não pode esquecer a personalidade de Jesus. Deve abrir o coração para esse reflexo divino. O pai personifica a porta, por onde os filhos devem passar com segurança. Ele é o Cristo do lar, tendo o Cristo de Deus como Caminho, Verdade e Vida.

Não podes esquecer, pois, da abnegação, na escola do lar. Da honra, em teus deveres, mesmo os mais inexpressivos. De amar a verdade, em todas as suas modalidades.

De esquecer ofensas, em todas as suas investidas. De ajudar a esposa, no que ela mais precisa de ti. Do carinho, e, por vezes, energia, em todas as frentes que o Amor indicar. De ensinar aos filhos, pela teoria e pelos exemplos. De amar a família, onde a fraternidade te convidar.

O pai de família deve ser o astro, que aconchega e ilumina toda a casa. A mãe, o coração; o pai, a inteligência; a mãe, o Amor; o pai, a caridade. A mãe, levando os filhos para Deus; o pai, mostrando as experiências necessárias do mundo. O pai, vigiando, no dever do trabalho; a mãe, orando, na aplicação dos recursos que os sustentam, no mundo das formas. Os dois juntos formam dois pólos de energias divina e humana, para que os companheiros que descerem na carne tenham condições de um aprendizado eficiente, para a eficiência da vida.

Os teus esforços, pai, não são perdidos. No amanhã, serás novamente filho, e deverás receber o que deres hoje: sementes de luz, a produzirem frutos de vida.

De "Chão de Rosas",
de João Nunes Maia,
pelo Espírito Scheilla

26 outubro 2008

Intimamente - Meimei

Intimamente

Enterneces-te com a história dos personagens infelizes nos romances que a televisão te apresenta.

Sensibilizas-te com a situação das vítimas do drama social em noticiários da imprensa.

Entretanto, anota por ti mesmo.

As atitudes das pessoas que te partilham o cotidiano, quase sempre, são duramente analisadas por teu senso de observação, enquanto que os teus gestos são anatomizados em profundidade pelas criaturas das quais dependes ou às quais te afeiçoas.

Isso nos induz a pedir-te misericórdia em casa e no grupo de trabalho a que te vinculas.

Aí, nesses redutos estreitos de ação é que se encontram os maridos-problemas e as esposas-enigmas, os filhos em rebeldia e os pais enceguecidos na intolerância, os parentes adversários e os companheiros antagônicos, junto dos quais, na Terra, somos examinados pela Vida, quanto aos valores espirituais que já tenhamos conquistado na escola da experiência.

A família e o núcleo de afinidades são os recursos da estrada evolutiva, em que todas as criaturas humanas são convocadas aos testes precisos cujos resultados lhes barram ou descerram as portas da Espiritualidade Superior.

Seja qual for a questão que te aflige o mundo interior, deixa que a compreensão te ampare as manifestações pessoais e auxilia aos que ainda não te podem auxiliar.

Nem sempre conseguirás beijar a mão que te fere, mas, em qualquer tempo, dispõe da possibilidade de oferecer-lhe a bênção da tolerância.

Paciência e amor são os medicamentos da alma, capazes de curar qualquer relacionamento enfermiço.

Desafetos e compromissos de existências passadas voltam a nós matematicamente, nas áreas da reencarnação para que lhes convertamos a aversão em simpatia e o débito em resgate.

Nunca te esqueças.

Ser-te-á sempre fácil ensinar o caminho da luz aos companheiros que desconheces, no entanto, na vida particular, cada coração é convidado a acender a luz do caminho, em si mesmo, a fim de que não sejamos viajores transviados na jornada da elevação.

Amigo, continua servindo e não temas.

Onde viste o lavrador que deitasse as sementes na terra e as visse germinar, no mesmo instante? O serviço que te confiei é aquele mesmo que o Pai me deu a fazer...

Nenhum gesto de bondade e nenhuma palavra de amor se perdem na construção do Reino do Bem Eterno.

Meimei
Livro: Palavras Do Coração

Psicografia: Francisco Cândido Xavier

25 outubro 2008

Os Passáros - Kahena

Os Pássaros

Natureza! Natureza, reino que acolhe também os pássaros que voam no seu seio divino, nadivindade da Criação!

Homens, irmãos em Cristo, observem os pássaros que não plantam, nem colhem e como vivem nutridos e se vestem da mais linda vestimenta fabricada pelos dedos de Deus, através dos meios que a natureza oferta!

Os pássaros são nossos irmãos, filhos do mesmo Deus. Se você tem em casa gaiolas que aprisionam esses inocentes volantes dos ares, solta-os; a liberdade pertence igualmente a eles. 

Se quer ajudá-los não os prenda; eles têm direito à vida com liberdade. Lembra-te dos ensinamentos do Evangelho, ao se referir: Não faças aos outros o que não queres para ti mesmo.

Sentir prazer em ter os pássaros presos é satisfazer os seus instintos do passado. Corrige esse estado d'alma e avança na luz de um novo dia, para que esse dia ilumine você, na seqüência do amor.

Quando violentamos os que aspiram à liberdade, estamos tornando maior a nossa prisão interna, pelas correntes da ignorância que adubam a violência. Pagaremos ceitil por ceitil, mesmo pela nossa ignorância.

Se temos alguns pássaros presos, soltemo-los, que a liberdade nos acompanhará, dando-nos tranqüilidade na consciência.

Acorda meu irmão, para a vida em Cristo, que nos ensina a libertar-nos ao conhecer a verdade. 

Ela liberta, mas cobra um preço do que se fez antes de conhecê-la. Observa as leis naturais, no livro sagrado da natureza: esse livro abre as páginas em todos os reinos da criação divina, para que os homens as leiam todas as vezes que violentarem os estatutos de Deus, pois receberão à altura dos seus instintos inferiores. E o amor os ajudará na compreensão do Evangelho que vibra em toda a vida.

Os pássaros são seus irmãos, com direitos que não podem ser violentados e alguns deveres que conhecem de perto e sabem cumprir, na regência da luz que nos orienta a todos. Eles sabem se comunicar uns com os outros na mais perfeita dinâmica de uma telepatia do seu próprio reino.

Estuda os pássaros, vê e sente-os cantando a canção da natureza em louvor a Deus mas, em plena liberdade, na qual as mãos do homem tocam pela força do egoísmo, alterando a tranqüilidade de vida livre.

A fauna e a flora se encontram em caminhos de decadência; a culpa é dos homens que se instruem, esquecendo-se de se educarem, esquecendo-se do amor que a tudo que a tudo dá vida, que abre o entendimento nos moldes do respeito a tudo que vive, como no caso dos pássaros que voam - dom recebido da Divindade Maior.

Deus sabe proteger Sua criação pelos meios que correspondem às suas necessidades. Se os homens desejam vida melhor, necessário se faz que criem leis protegendo todos os reinos da natureza, aplicando-as na vivência e assim procuram leis para lhes assegurar a existência.

A humanidade sofre por fazer sofrerem todos os seus irmãos, em muitas dimensões enquanto o egoísmo for o senhor dos corações, objetivando a educação dos sentimentos.

Meus irmãos, não percam de vista Jesus, esse Mestre incomparável, que sabe lhes ensinar os caminhos da perfeição espiritual, conduzindo-os a Deus para alcançarem a felicidade.

Se prendemos alguma coisa, estamos prendendo a nós mesmos; se violentamos os direitos alheios, os nossos não podem estar seguros; se nos alegramos com os sofrimentos do próximo, mesmo que sejam os pássaros esse próximo, a violência nos acompanhará depois do túmulo.

Tudo o que vive, vive pela benção de Deus. Por que mudar seu destino? Protejamos os pássaros
em todos os seus direitos de vida, que eles trabalharão todos os dias para a nossa paz, para a paz da Terra.

Não pensem que o amor deve ser oferecido somente ao reino dos homens e aos espíritos desencarnados, ou mesmo que ele exista somente entre os anjos. Não! O amor está em tudo: amem as pedras, que elas lhes corresponderão; as árvores, o ar, os animais, que tudo corresponderá ao seu amor, na dimensão em que ele chegar a esses viventes da eternidade. 

Essa é a lei de amor, na universalidade da vida.

Os pássaros são nossos companheiros pela eternidade afora. Respeitemo-los, que a vida nos sorrirá, pelos canais da natureza.

Transcrito do livro 'Canção da Natureza' 
de João Nunes Maia pelo espírito Kahena

24 outubro 2008

Trovoadas - Orson Peter Carrara

Trovoadas

O ciclo natural do tempo traz as diferentes condições climáticas com suas características essenciais. Surge a seca, a chuva, o vento, o frio e o calor, como também surgem as flores e os frutos em diferentes estações do ano. O próprio dia, em suas 24 horas, oferece-nos o tempo para o trabalho e o descanso, numa seqüência disciplinada que organiza a própria vida. As alterações que a perturbam ficam por nossa conta, mas isto já é assunto para outro artigo.

Na experiência individual, em comparação, também podemos dizer que vivemos estações distintas nos verdes anos da infância, nas primaveras da mocidade ou nos invernos da velhice. E ora experimentamos também as tempestades das enfermidades ou dificuldades outras (e olha que há desafios a enfrentar...) que nos ensinam a viver, como também, é preciso dizer, todos vivemos momentos de suavidade e paz que nos sustentam emocionalmente.

Ora, assim como as chuvas saneiam o ar, as trovoadas e tempestades da existência visam proporcionar-nos aprendizado. Se a vida passar a brancas nuvens, ficaremos sempre acomodados, indiferentes até. No entanto, a ocorrência de desafios convida-nos a pensar, raciocinar e procurar soluções para os diferentes estágios dessa extraordinária experiência que se chama Viver. Experiência que pede postura ativa, solidária e especialmente fraterna no relacionamento. Pede também iniciativa, responsabilidade e senso ético.

E é exatamente isto que ensina a Doutrina Espírita. Ao mesmo tempo que esclarece sobre nossa verdadeira natureza, origem e destinação (somos seres imortais, criados por Deus e destinados ao progresso e felicidade), demonstra com clareza sobre a solidariedade que liga todos os seres e convida para o aprimoramento moral. Estes ensinos abrem enorme perspectiva de ligação entre as criaturas humanas (no corpo físico ou fora dele como espíritos desencarnados), indica a conduta moral elevada como único caminho para a autêntica felicidade e mais: fortalece-nos para o necessário enfrentamento dos desafios que levam ao aprendizado.

Diante, pois, das diferentes trovoadas da existência, muita calma e confiança. Não estamos sós nem abandonados. Pertencemos à família universal, criada por Deus, que nomeou Jesus para nos conduzir. Por que o desespero e o medo?

Orson Peter Carrara

23 outubro 2008

Um Mal Chamado Impiedade - Orson Peter Carrara

Um Mal Chamado Impiedade

Um trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo chama a atenção, entre tantos outros, é óbvio. Transcrevo o final do trecho, que está identificado no final da própria transcrição parcial: “(...) Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade”. – O Espírito da Verdade, Paris 1860 – em O Evang. Seg. o Espiritismo (capítulo VI, item 5), na edição IDE, com tradução de Salvador Gentille.

Ora, segundo o dicionário, impiedade quer dizer crueldade, desumanidade, ausência de misericórdia. E o mais interessante é que o autor do convite dirige-se aos espíritas, especificamente, como se pode apreender do parágrafo em questão.

É que ainda somos um tanto cruéis com os equívocos, tombos, desacertos e dificuldades de nossos irmãos de ideal. Se alguém erra, por qualquer motivo, somos apressados na crítica, no julgamento precipitado e nem consideramos as décadas de acertos ou contingente de esforços daquele irmão que tanto lutou para, agora, num momento difícil, equivocar-se. Basta fazer um retrospecto de memória: quantas vezes deixamos de usar misericórdia diante dos equívocos alheios?

E o mais curioso: muitas vezes somos impiedosos conosco mesmo. Erramos com conhecimento de causa, reconhecemos o erro e entramos num processo de culpa de largas proporções. Ora, tanto num como noutro caso, é preciso o esforço da indulgência, da benevolência, do perdão, para que alcancemos o estágio de equilíbrio diante das situações conflitantes. Isto nos remete a outro trecho da mesma obra acima referida:

“(...) O mal-estar se torna geral. A quem responsabilizar, senão a vós mesmos, que procurais sem cessar destruir-vos uns aos outros? Não podeis ser felizes sem a mútua benevolência. E como a benevolência pode coexistir com o orgulho? O orgulho! Está aí a fonte de todos os vossos males. (...) Por que tendes em tão grande estima o que brilha e encanta os olhos em detrimento do que toca o coração? (...) Quando a consideração que se concede às pessoas é medida pelo peso do ouro que elas possuem , ou pelo nome que trazem, que interesse podem ter estas pessoas em se corrigirem de seus defeitos? (...). O trecho é de Adolfo, Bispo de Alger – Marmande, 1862 – e está em O Evangelho Segundo o Espiritismo (capítulo VII, item 12).

O trecho nos traz a palavra benevolência, que significa: disposição bondosa de promover a felicidade do outro, por generosidade. E apresenta um detalhe extraordinário: Não podeis ser felizes, sem a mútua benevolência! (que destacamos).

Eis o exercício que nos cabe prioritariamente nos dias atuais. Nós que dizemos amar, que lutamos pela expansão do pensamento espírita, estamos esquecidos do dever principal, entre nós mesmos. Por quê? Que direito detemos de julgar, interferir, impor? Que autoridade possuímos? Somos todos aprendizes, novatos e inexperientes.

Estas reflexões surgiram com o trecho colhido na Revista Espírita de março de 1867 (Edicel, tradução de Júlio Abreu Filho). Diz o texto assinado por Um Espírito e intitulado Solidariedade, em transcrição parcial: “(...) O homem não é um ser isolado, é um ser coletivo. O homem é solidário do homem. É em vão que procura o complemento do seu ser, isto é, a felicidade em si mesmo ou no que o rodeia isoladamente; não pode encontrá-lo senão no homem ou na humanidade. Então nada fazeis para ser pessoalmente feliz, tanto que a infelicidade de um membro da humanidade, de uma parte de vós mesmo, poderá vos afligir. (...)” E, mais adiante, essa conclusão notável: “(...) O Espiritismo bem compreendido é para a vida o que o trabalho material é para a vida do corpo. Ocupai-vos dele com este objetivo e ficai certos de que quando tiverdes feito, para o vosso melhoramento moral, a metade do que fazeis para melhorar a vossa existência material, tereis feito a humanidade dar um grande passo”.

Ora, as últimas linhas do trecho transcrito trazem a chave da questão: o aprimoramento moral redunda no respeito ao próximo que, por sua vez, traz a essência dos ensinos dos Evangelhos e elimina a crueldade, a indiferença, a impiedade, enfim, que tantos danos têm causado à tranqüilidade e progresso humanos.

Matéria originariamente publicada no jornal O Clarim,
edição de fevereiro de 2005.
Orson Peter Carrara

22 outubro 2008

Preço da Evolução - Orson Peter Carrara

Preço da Evolução

Não há mais dúvidas, através do conhecimento trazido pela Doutrina Espírita, de que estamos reencarnados para progredir. A finalidade da vida humana é mesmo promover o crescimento intelecto-moral dos espíritos vinculados ao planeta para que, de futuro, alcancem outros patamares evolutivos.

Ora, isto é extremamente abrangente. O próprio crescimento intelectual, apesar de galopante do ponto de vista coletivo, exige permanentes esforços individuais na aquisição da cultura, de habilidades, de experiências. A esfera profissional, o aprimoramento de qualquer área cultural e mesmo o amadurecimento interior (aqui incluídos o relacionamento familiar e social), especialmente no aspecto emocional e psicológico, está a solicitar a atenta observação intelectual daqueles que percebem os altos desígnios da vida humana.

Ocorre, porém, que atrelado a tudo isto, é imperiosa também a necessidade do progresso moral. Sim, a aquisição ou o desenvolvimento de virtudes, para dotar a experiência emocional e psicológica dos valores éticos e humanitários que dignificam nossa qualidade de filhos de Deus.

Nesta luta sem tréguas e difícil, porque exige esforço e participação pessoal, está incluída a conquista da liberdade. Sim, a liberdade responsável. A liberdade de agir, com consciência, de tomar decisões, de saber discernir entre o certo e o errado, de optar por caminhos equilibrados e coerentes, sem prejuízo do próximo – é importante que se destaque; enfim, de saber conduzir-se por si mesmo, sem que isto resulte em conseqüências danosas para si ou para qualquer pessoa.

Neste processo de independência intelecto-moral (que não é total nem exclusivo, pois somos interdependentes uns dos outros), iremos gradativamente assumindo nossa autêntica herança de seres espirituais. Sem deixar-se dominar pelo medo, por condução de terceiros (especialmente quando abusiva e exploradora), por inseguranças ou traumas.

E é exatamente por esta razão, a do amadurecimento que só a experiência vivida pode oferecer, que vivemos tantas atribulações e difíceis processos de relacionamento com outras pessoas e mesmo com nossas angústias interiores. É que estamos em caminho, estamos aprendendo. E todo aprendizado é tenso, lento, e muitas vezes difícil.

Natural que seja assim. Se não sabemos, temos que aprender. Para aprender, erramos (pois não sabíamos). Por sua vez, os erros trazem conseqüências que podem significar aflições, no entanto, propiciam experiência.

É o preço da evolução. Sairemos escolados deste processo, pois conquistaremos madureza intelectual, emocional, psicológica. Tendo aprendido no calor das experiências, saberemos tomar decisões sensatas, prudentes, sábias em muitos casos. Para evitar novos desastres, novas quedas.

O preço é este: esforço, interesse, constância, confiança, coragem. Coragem de prosseguir, isto sim. Porque, em última análise, a evolução individual não será feita pelos outros, mas pelo esforço de cada filho da Criação Divina, cuja felicidade e harmonia estão condicionados pelos méritos do próprio esforço pessoal.

Algum absurdo nisto? Não, apenas justiça!

Orson Peter Carrara

21 outubro 2008

Um Aviso na Noite - Momento Espírita


Um Aviso na Noite

Era o ano de 1908. Um navio de guerra inglês fazia um cruzeiro nos Mares do Sul. O comandante, encerrado em seu camarote, fazia cálculos algébricos, a giz, no quadro-negro.

Depois, sentou-se à mesa para passar ao papel todos os seus cálculos.

Quando se voltou, para ler a última anotação que fizera, viu aparecer uma mão que tomou da esponja e apagou o que estava no quadro.

Assombrado, viu aparecer o antebraço e depois, a pouco e pouco, como algo nebuloso se tornou visível: era um homem, uniformizado.

De imediato, ele reconheceu um dos seus antigos companheiros de escola, oficial da Marinha, como ele, e que não via desde alguns anos.

Notou que o oficial estava envelhecido. A figura tomou um pedaço de giz, escreveu uma latitude, uma longitude, e depois desapareceu.

Tão logo se dissipou o assombro que o tomara, o comandante chamou seus oficiais e lhes referiu o que acabava de presenciar.

Mostrou as indicações escritas no quadro-negro e que não eram os seus algarismos.

De comum acordo, anotaram data e hora. E todos, obedecendo a um mesmo sentimento, decidiram rumar, a todo vapor, para o ponto do oceano indicado no quadro.

Cinco dias depois chegaram ao local determinado, em pleno mar, a milhares de milhas de toda costa. E fora das rotas de navegação.

No dia seguinte, o sexto dia, avistaram ao longe alguma coisa que flutuava, como um ponto negro no horizonte claro.

Verificaram se tratar de uma jangada, feita de tábuas apenas reunidas.

Sem víveres, sem água, agonizavam ali três pessoas. Resgatadas, após 48 horas, puderam falar. Eram os únicos sobreviventes do naufrágio de um grande navio que se tinha incendiado e soçobrado em pouco tempo.

O oficial que aparecera no navio de guerra era o seu comandante.

O naufrágio ocorrera no ponto assinalado pelo fantasma e exatamente na hora que ele havia aparecido ao amigo.

Tudo estava anotado no diário de bordo do comandante do navio de guerra.

E se concluiu que, no exato momento em que estava a morrer nas chamas, o oficial, preocupado, com certeza, com a tripulação e demais passageiros, buscara socorro.

Encontrou no amigo a possibilidade de se manifestar e deixar o seu recado.

* * *

O fato não é único, nem tão insólito como pode parecer. Histórias de Espíritos que se manifestam na hora da morte a amigos e parentes, existem às centenas.

São chamados de fantasmas por muitos. O que ocorre é que a alma se exterioriza, se apresenta em sua forma fluídica, aparecendo à distância.

O grande motor em tudo isso é a vontade.

Ao contrário do que pretendem alguns, a alma é um ser real, independente dos órgãos físicos.

Por isso, pode exercer sua ação fora dos limites do corpo. Pode transmitir a outros seres seus pensamentos, suas sensações.

E mesmo, pode se desdobrar e aparecer em uma forma fluídica, se assim o deseja.

Pensemos nisso e concluamos outra vez pela grandeza dessa trindade que é o homem.

Criado por Deus, recebe um corpo de carne com o qual se movimenta no mundo. Dispõe de um corpo fluídico, forma original do corpo físico e de uma alma, o ser pensante e atuante.


Redação do Momento Espírita com base no cap. 12,
pt. 2, do livro No invisível, de Léon Denis, ed. Feb.

20 outubro 2008

Autoridade - Momento Espírita

Autoridade

O desejo de ocupar posições de destaque e relevância é bastante comum.

A vida dos poderosos do mundo costuma ser idealizada pelas multidões.

Eles aparecem ricamente trajados, em festas ou em situações de regalo e desfrute.

Quem leva uma vida modesta e obscura, não raro, almeja trocar de lugar com essas importantes figuras.

Muitos se inquietam e desgastam com sonhos de grandeza.

Quando comparam as suas vidas com as de alguns outros, ficam amargurados e tristes.

Chegam a se achar injustiçados pela Divindade, haja vista a escassez de suas posses.

Mas opulência e modicidade de recursos refletem apenas diferentes formas de aprendizado.

A vida modesta tem grande valor, se levada a efeito com dignidade e sem murmurações.

Ela viabiliza a correção de graves vícios espirituais, como vaidade e apego a bens materiais.

Não se trata de fazer apologia da miséria como estado ideal.

A miséria é uma chaga social que deve ser extirpada, mediante educação e oferta de oportunidades aos que a sofrem.

Mas entre a miséria e a opulência há uma miríade de situações intermediárias.

Nem todos podem ser ricos e poderosos ao mesmo tempo.

Por isso, as posições sociais e econômicas se alternam ao longo das encarnações.

Com respeito aos talentos e às inclinações de cada um, todos são chamados a viver as mais variadas situações.

O relevante é ser digno, operoso e solidário, qualquer que seja a própria realidade.

A vida dos poderosos, muitas vezes, nada tem de invejável.

Sob a aparência de brilho e abastança, jazem pesadas responsabilidades.

Elas são tão mais pesadas porque guardam o condão de influenciar a vida de incontáveis pessoas.

O detentor de autoridade, da espécie que seja, sempre terá de dar contas do uso que dela fez.

Ela nunca é conferida por Deus para satisfazer ao fútil prazer de mandar.

Não é direito e nem propriedade, mas uma importante e perigosa missão.

O poderoso tem almas a seu cargo e responderá pela boa ou má diretriz que der aos seus subordinados.

Após o término da tarefa, ele será confrontado com a própria consciência.

Analisará os recursos de que dispunha e o uso que deles fez.

Então, verificará se evitou todos os males que podia.

Pensará se fez todo o bem que lhe era possível.

Vislumbrará o resultado de sua influência junto a inúmeros que dele dependiam ou nele se espelharam.

Bem se vê que a autoridade não deve ser levianamente buscada.

Se a vida o projetou a posições de relevo, seja digno e faça o seu melhor, para não se arrepender amargamente.

Mas se a sua vida é modesta, não se amargure.

Tudo vem a seu tempo e é melhor ser digno no pouco do que indigno e desgraçado no muito.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no item
9 do cap. XVII de O evangelho segundo o espiritismo,
de Allan Kardec, ed. Feb.

19 outubro 2008

Não Exagere - Cenyra Pinto

NÃO EXAGERE

Não deixe nunca de agradecer os favores recebidos, mas não se exceda em palavras calorosas, que podem parecer lisonja ou pieguismo. Expresse sua gratidão sem exagero, com moderação.

Aquele que faz um favor ou uma caridade, um serviço necessário e oportuno, se o faz de coração, não espera nenhum gesto de agradecimento, porque já se sentiu gratificado no ato de servir.

Muitas vezes, com gestos e palavras de exagerada gratidão, poderemos, ao contrário, desagradar, por parecer falso o exagero.

Quando o bem provier de pessoasmenos amadurecidas no campo da fraternidade, o suposto benfeitor, por encontrar no benefício oportunidade de alcançar sua vaidade ou merecer consideração heróica, sentindo-se um grande benemérito, já renunciou aos valores que serão patrimônio do espírito, os que a ferrugem não corrói, e que falarão por nós na vida espiritual.

Os falsos benfeitores já receberam aquilo que desejavam, nada têm a esperar.
Destroem com a sua cegueira e imprevidência a generosidade de seu gesto.

Agradeça com naturalidade, com carinho, mas evite o exagero.
Não perca, no entanto, o ensejo de, um dia, surgindo oportunidade, retribuir discretamente, se possível, o benefício recebido.

Sabendo quando é bom ser servido nas horas difíceis, você aprendeu a lição definitiva no campo da solidariedade humana. Encontrou quem o aliviasse de uma dor moral, ou de uma necessidade material, em momento difícil, de horizontes aparentemente fechados.

Agora, permaneça atento aos que passarem por você trazendo problemas que não conseguiram solucionar, e que está ao seu alcance ajudar de algum modo.

Considere que é a sua vez de ir de encontro do irmão carente e levar-lhe sua palavra e apoio com generosidade, sem ostentação nem exagero de palavras ou gestos. Que "a sua mão esquerda não saiba o que a direita faz".

O meio mais agradável a Deus de sermos gratos é também nos colocarmos a seu serviço, servindo e amando sempre.

Assim, amigos, a vida nos será sempre um jardim florido, onde a chama de nosso Cristo interno, que se alteia a cada dia dando-nos o modelo divino, encontrará em nosso íntimo o aroma da serenidade, do equilíbrio, da fraternidade.

Fique atento para compreender.
Quem compreende, ama, porque vive ou sabe por experiência qual é o problema do próximo. Quem se conhece, conhece o semelhante.
E quem sabe, cala, saboreando em silêncio profundo e bom, onde só as vozes de Deus e de seus vanguardeiros da luz falam. E os seus ditos são saborosos, tão diferentes de nossas justificativas ou discurso.

Que haja paz.

De: "A Verdade e a Vida", de Cenyra Pinto

18 outubro 2008

Superstição - Orson Peter Carrara

Superstição

Imagine um gato preto, uma coruja no telhado, uma escada na calçada em seu caminho. Ou mesmo um galhinho de arruda atrás da orelha. Lembre-se ainda do levantar com o pé esquerdo, de entrar e sair de qualquer habitação pela mesma porta, ou do bater três vezes na madeira. Se quisermos avançar um pouco mais, ainda nos lembraremos da roupa branca na noite que altera o ano no calendário. Será possível ainda recordar a consulta diária ao horóscopo, o evitar ingerir certos líquidos ou alimentos em determinados dias do ano, e mesmo a vassoura atrás da porta ou a comigo ninguém pode. Meu Deus! Paremos por aqui!

Quanto absurdo junto! O próprio dicionário define a palavra superstição como sentimento religioso excessivo ou errôneo, crença errônea, temor absurdo de coisas imaginárias, entre outras bem claras definições. E como ainda temos coragem de manter essas idéias absurdas na cabeça numa época em que deve prevalecer o raciocínio diante de todas as situações?

Como imaginar que um simples gato preto ou a presença de uma inocente coruja no telhado possa significar males maiores? Como aceitar a idéia de que o pé que primeiro pisa no chão, de manhã, possa determinar as ocorrências do dia? E mais, como entender o absurdo de devemos sair pela mesma porta que entramos? E que tipo de influência a roupa branca pode causar na passagem de ano? Ou será mesmo que acreditamos que bater três vezes na madeira pode alterar o rumo das coisas? E tem algo a ver com a grandeza da vida o fato de ingerirmos certos alimentos em determinados dias, por imposição de medos imaginários?

Ora, convenhamos! Nossa felicidade ou nossa desdita estão determinadas pela postura e comportamento que adotamos. São as opções de vida que determinam os acontecimentos. Opções de caráter reto, digno, honesto, geram resultados de paz de consciência. Atos imorais geram aflições, intranqüilidade. Algum absurdo nisto?

São os pensamentos, a intenção e a vontade que atraem situações provocadoras de aflições ou sofrimentos. Pensando no mal, alimentando inveja e ciúme, rancor ou sentimento de vingança, atraímos exatamente essas ondas mentais que conviverão conosco e naturalmente facilitarão ocorrências desagradáveis. O inverso também é real: pensando no bem, nutrindo pensamentos de amor ao próximo, de confiança em Deus, estaremos sintonizados com o bem geral que governa o Universo, para desfrutar de paz e harmonia interior.

Gestos, roupas especiais, objetos materiais, acessórios místicos, atitudes impostas por padrões que escapam ao exame do raciocínio e da lógica, nenhuma influência possuem para nos proteger ou mudar o rumo dos acontecimentos. Estes são sim alterados pela nossa decisão e opção mental. Se achamos que o chamado “mal feito” vai nos atingir, estaremos entregues à prisão mental que nós mesmos criamos.

Já é hora de nos libertarmos de tais bobagens. Aprendamos a viver livres de superstições, tomando posse de nossa herança de filhos de Deus que devem buscar continuamente o próprio aperfeiçoamento, ao invés de nos prendermos a idéias impostas para criar medo e dependência. Esses condicionamentos só existem na mente de quem os aceita. E cada um de nós tem o dever de construir a sua e a felicidade alheia.
Afinal, vivemos para que? Satisfação egoística, medos condicionados ou felicidade construída dia-a-dia?

Autor: Orson Carrara

17 outubro 2008

O Teste - Emmanuel

O Teste
Reunião pública de 11/12/59
Questão nº 469

Lutando, disseste: «não posso mais».
E ajudaste os que te roubam a fortaleza.
Batido, clamaste: «reagirei».
E amparaste os que te induzem à violência.
Esquecido, gemeste: «estou sozinho».
E ajudaste os que te bloqueiam a confiança.
Caluniado, gritaste: «vingar-me-ei».
E amparaste os que te guiam à crueldade.
Ferido, bradaste: «quero justiça».
E ajudaste os que te furtam a tolerância.

*

Por isso mesmo, asseveras freqüentemente:
— Morro de angústia.
— Enjoei de viver.
— A fadiga me vence.
— Tudo perdido.
— Nada mais a fazer.
Tentando justificar-te, recorres à filosofia de ocasião e repetes rifões e chavões antigos:
— A dança obedece à música.
— Faço como me ensinam.
— Seja virtuoso quem puder ser.
— Amanhã virá quem bom me fará.
— Tarde demais.
— Fiz tudo.
— Depois eu faço.
— Lavei as mãos.

*

Recorda, porém, que toda dificuldade é teste renovador.
Todos somos tentados na imperfeição
Queixa é fuga.
Impaciência é perigo.
Censura é auxilio ao perseguidor.
Revolta é força que apressa o crime.
Ataque é óleo no fogo.
Desforço é golpe que apaga a luz.
Desespero é chave ao ladrão.
Maltratado, busca o bem.
Injuriado, fala o bem.
Contrariado, procura o bem.
Traído, renova o bem.
Assaltado, conserva o bem.
A única fórmula clara e segura de vencer, no teste contra as influências inferiores, será sempre, o que for, com quem for e seja onde for, esquecer o mal e fazer o bem.

Livro: Religião dos Espíritos
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Emmanuel
Capitulo 88

16 outubro 2008

Privações do Corpo e Provações da Alma - Cruz e Souza

Privações do Corpo e Provações da Alma

O homem, não raro, na horas difíceis, lança mão de recursos extremos e, por vezes, ilógicos, para diminuir o sofrimento próprio ou alheio, qual acontece nas provas desesperadoras, no sentido de suprimir agonias morais ou curar doenças insidiosas.

Daí nasce o contrasenso dos ofícios religiosos remunerados de que se alastram antigos e piedosos enganos, como sejam: a recitação mecânica de fórmulas cabalísticas;

os sacrifícios inúteis visando prioridade e concessões;
as promessas exdrúxulas;
os votos inoportunos;
as penitências estranhas;
os auto-castigos em que a vaidade leva o rótulo da fé; os jejuns e as mortificações a expressarem suicídios parciais;
o uso de amuletos;
o apego a talismãs;
o culto improdutivo do remorso sem qualquer esforço de corrigenda na restauração do caminho errado...

Contudo, ao espírita cristão compete despojar-se de semelhantes conceitos acerca do Criador e da Criação, cristalizados na mente humana através de numerosas reencarnações.

Para nós não mais existe a crença cega.

Em razão disso, não mais nos acomodamos à idéia do milagre como sendo prerrogativa em favor de alguém sem merecimento qualquer.

De igual modo, urge compreender os mecanismos das Leis Divinas, dispensando-se, ante os lances atormentados da existência terrestre, toda a atitude ilusória ou espetacular.

Omissão não resolve.

E em matéria de comportamento moral na renovação da vida, abstenção do serviço no bem de todos, é deserção vestida de alegações simplesmente acomodatícias, dentro da qual o crente não apenas foge das responsabilidades que lhe cabem, como também ainda exige presunçosamente que Deus se transforme em escravo de suas extravagâncias.

Situa-nos a Doutrina Espírita diante de nós mesmos.

Estamos espiritualmente hoje onde nos colocamos ontem.

Respiraremos amanhã no lugar para onde nos dirigimos.

Usemos a oração para compreender as nossas necessidades, solucionando-as à luz do trabalho sem o propósito de ilaquear os poderes divinos.

A Lei é equânime, justa, insubornável.

A criatura - gota igual às demais no oceano imenso da Humanidade Universal, - não é cliente de privilégios.

Eis porque, ao invés de procurar, espontaneamente, penitências improdutivas para nós, é imperioso buscar voluntariamente o auxílio eficiente aos semelhantes.

Espiritismo é sublime manancial de energia espiritual.

Haurindo forças, acatemos sem revolta aquilo que a Vida nos oferece, trazendo paz na consciência e entendimento no coração.

O mundo atual prescinde de quantos se transformam em ascetas e eremitas de qualquer condição.

Até a penalogia moderna procura imprimir utilidade às horas dos presidiários, valorizando-lhes a reeducação em colônias agrículas e em outras organizações coletivas, à busca de regeneração moral e social.

E a própria psiquiatria, presentemente, institui a laborterapia para que os enfermos da alma se recuperem, pela atividade edificante.

Para o espírita, portanto, a Vida e o Universo surgem ajustados à lógica e esclarecidos na verdade.

Apelemos para os recursos da prece, a fim de que sejamos sustentados em nosso próprios deveres, reconhecendo, porém, que Deus não é vendedor de graças ou doador de obséquios, em regime de exceção, e sim o Criador Incriado, perfeito em todos os seus atributos de justiça e de amor.

Autoria: André Luiz

15 outubro 2008

Momentos Felizes - Ana Lúcia Regina Schimidt Mello

MOMENTOS FELIZES

Os indivíduos, em geral, estão em busca da felicidade, e comumente a condicionam no "possuir" alguma coisa. Quando eu tiver um carro do ano... Depois que adquirir a casa própria... Se eu conseguir um emprego sólido... conquistando a pessoa amada... Quando isso e se aquilo... eu serei feliz, se esquecendo de observar as pequenas coisas à sua volta, que podem fazer toda a diferença. Se prendem no muito e não dão importância ao pouco, que na verdade é o que está muito mais presente em nossa vida, dando forma, construindo-a.

A vida, na verdade, constitui-se de momentos que vão se somando. Uns de felicidade e de tranqüilidade, outros de tristeza e de insegurança, e assim, encadeando uns momentos aos outros, constrói-se a história de cada um. As dificuldades surgem para que amadureçamos na procura da melhor solução, na lida com a situação. Cabe a cada um fazer com que os bons momentos prevaleçam, cultivando a paz e a alegria à sua volta e valorizando as coisas simples que estão em torno de si, que lhes pode proporcionar a paz e a alegria.

Nos dias de extremo calor, por exemplo, quanta satisfação pode haver em saborear um sorvete ao lado da família? Em sentar à sombra de uma árvore ao fim da tarde ao lado de amigos? Ao brincar na piscina junto de amigos e familiares? E sair para tomar um lanche quando chegar à noite? Ou simplesmente sentar no banco da praça para que as crianças fiquem ali a brincar? São muitos os pequenos prazeres que se tem no dia e que na maioria das vezes passam despercebidos.

Sabe-se que as dificuldades são inúmeras, que os problemas econômicos têm afetado quase que a totalidade das pessoas, que ainda existem as doenças, as divergências familiares e tanto outros dissabores, parecendo que tudo vai ruir e nada de bom restará. Entretanto, se observarmos mais detidamente, perceberemos que nem tudo são espinhos, que no meio da turbulência ainda poderão encontrar momentos felizes. Seja no carinho de um filho, no abraço apertado de seu companheiro, na força dos amigos e em tudo que Deus proporciona todos os dias a seus filhos: o novo dia que traz novas oportunidades, o funcionamento desta máquina maravilhosa que é o corpo humano e que permite estar em contato com o mundo que nos cerca e agir sobre ele, a inteligência que deve ser utilizada na superação dos problemas, na conquista do aperfeiçoamento pessoal e no progresso em geral; mundos maravilhosos para aqueles que persistem no bem, a própria imortalidade que abre todas as perspectivas para o futuro, e tudo mais o Pai Maior coloca à disposição de todos diariamente e que pode motivar grandes satisfações se reconhecidas e utilizadas adequadamente.

Aprendamos, pois, a enxergar as pequenas coisas, somando momentos de paz e tranqüilidade aos de alegria e bem-estar, não se apegando às picuinhas da vida, nem se importando com que não lhe faça bem. Vamos construir nossa felicidade a partir da superação dos problemas e dos momentos de grandes e pequenas alegrias, nunca nos esquecendo de sorrir.

Fonte: Jornal Boa Nova. Autora: Ana Lúcia Regina Schimidt Mello

14 outubro 2008

Materialismo pós-moderno - Delmo Martins Ramos

Materialismo pós-moderno
Escreve: Delmo Martins Ramos

O materialismo é uma doutrina filosófica que encara os fatos e acontecimentos do Universo como explicáveis em termos de matéria e movimento.

A concepção materialista abrange igualmente, os processos psíquicos, como o pensamento e os sentimentos, interpretando-os como resultado de causas inerentes ao sistema nervoso.

Para esta teoria, a única realidade concreta é a matéria em movimento, a qual, por sua riqueza, produz efeitos surpreendentes de ordem psíquica ou mental.

Surgiu no ano VI a.C. através dos filósofos gregos Tales de Mileto e Anaximandro.

Esta filosofia ficou por séculos restrita a uns poucos seguidores, tendo ressurgido em meados do século passado com o chamado materialismo dialético de Marx e Engels, quando popularizou-se e passou a ser oficialmente adotado pelo regime comunista em boa parte do mundo.

Com a queda do muro de Berlim e conseqüente derrocada do regime comunista, o materialismo prático foi praticamente extinto, restando uns poucos seguidores, não por convicção, mas por não terem encontrado uma outra vertente filosófica que os satisfaçam.

No entanto, ao analisarmos a situação da sociedade, verificamos que o materialismo ainda não está extinto, apenas se modificou em sua forma. Está ainda muito vivo no excessivo apego às coisas materiais e no consumismo exacerbado que impõe às pessoas.

O materialismo moderno é ainda mais pernicioso, pois age de forma sutil no indivíduo, que nem mesmo percebe ser seu prisioneiro.

Os que se dizem espiritualistas por freqüentar determinada religião, sem vivenciarem seusensinamentos morais; os que vão semanalmente aos templos, dedicando umas poucas horas semanais às coisas do Espírito; os que procuram as práticas espirituais apenas para estarem de bem com Deus, quando na verdade visam uma compensação financeira; enfim estes, entre tantos, são os materialistas modernos, não pela ignorante convicção dos de outrora,mas por puro interesse material.

O desaparecimento desta filosofia se dará de forma natural, pois, como nos diz Allan Kardec "a humanidade necessita crer no futuro e jamais se contentaria com o vazio que ele (o materialismo) deixa após si".

Para que isto aconteça é preciso o ser humano mudar o ponto de vista pelo qual encara a vida terrena. Deve conscientizar-se que a verdadeira vida é a espiritual (eterna) e que esta, que vivemos na matéria, é apenas transitória.

Ao compreendermos que a vida real é infinita, entenderemos que se deve encarar as presentes dificuldades com tranqüilidade, resultando numa calma de espírito que abrandará nossas amarguras.

Os sofrimentos morais, as dificuldades de relacionamento familiar e profissional, o desencanto da vida, a esperança perdida e outros tantos desequilíbrios, são os frutos deste materialismo que se apodera de nosso ser apesar de, teoricamente, nos acharmos espiritualistas.

O Espiritismo nos dá a amplitude de pensamento necessária para abrir-nos novos horizontes, substituindo esta visão estreita e mesquinha que concentra nossos objetivos na vida material e que nos transforma em materialistas pós-modernos.

Texto publicado no site em 11/09/98
NovaVoz - Grupo Espírita Bezerra de Menezes

São José do Rio Preto - SP

13 outubro 2008

Equilíbrio - Momento Espírita

Equilíbrio

Caridade é o amor em ação, aprendemos com o apóstolo Paulo. Contudo, em nome da caridade, por vezes, cometemos algumas falhas. Por isso, é sempre bom considerar:

que é muito bom dar pão ao faminto. No entanto, não devemos esquecer a família. Aqueles que se encontram sob nossa guarda, nos merecem toda a atenção e cuidados;

distribuir o agasalho, cobrindo corpos desnudos, é gesto cristão. Mas em nome dessa ação, não podemos complicar a própria vida, criando problemas para nós e para os nossos afetos;

é sinal de caridade socorrer o doente, providenciando-lhe o remédio, o médico, o hospital. Auxiliar aquele que tem dificuldades de tratar com a burocracia para conseguir um tratamento prolongado ou um internamento que se faz urgente. Entretanto, não podemos esquecer de tratar de nossa própria saúde, consultar o médico quando sintamos algo que nos desequilibra a organização física, submeter-nos a exames, tratamentos especializados, eventual cirurgia;

é excelente ajudar na instituição beneficente, doando horas a favor do próximo. No entanto, não podemos esquecer que a cada um de nós compete trabalhar para prover a própria subsistência e da família.

Quem não trabalha, se torna um peso que a sociedade deve arcar. A sociedade pode ser a parentela corporal, amigos ou instituições.

Se desejamos servir, lembremo-nos antes de tudo que a Divindade não nos pede a totalidade das horas, mas aquelas que possamos dispor e que são as do nosso descanso; do nosso lazer, sem prejuízo das que precisamos permanecer nas lidas profissionais, garantindo nosso sustento;

é importante direcionar recursos aos necessitados, colaborando com indivíduos ou instituições de beneficência.

O que não devemos esquecer é de saldar as próprias dívidas. Se assim não procedermos, estaremos prejudicando aos que trabalharam para nos ceder suas mercadorias ou seus serviços, e aguardam que cumpramos com nossos compromissos a fim de se sustentarem;

importante visitar o lar infeliz pela viuvez, pela orfandade ou pela miséria, sem esquecer de cuidar do próprio lar.

Dessa forma, amparemos o desorientado, mas conservemos a própria harmonia, não nos permitindo a perturbação por não conseguir resolver problemas alheios.

Colaboremos na assistência social, mas respeitemos os próprios compromissos familiares, afetivos, profissionais.

Façamos a caridade, mas não esqueçamos as próprias obrigações, quaisquer que elas sejam.

Lembremos que o bem é fator de equilíbrio entre o amor ao próximo e o amor a si mesmo.

* * *

Comecemos em nossa família a obra da fraternidade geral.

Organizemos a nossa família, confiantes, entregando-nos a Deus e trabalhemos no bem, com equilíbrio, porque, em última análise, de Deus tudo procede, como atento Pai que é de todos nós.

Redação do Momento Espírita com base na mensagem Fator de equilíbrio, pelo 
Espírito André Luiz, psicografia de Antonio Baduy Filho, em 11.04.1999,
no Sanatório José Dias Machado e no verbete Família do livro
Repositório de sabedoria,v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

12 outubro 2008

A Visão da Infância - Momento Espirita

A VISÃO DA INFÂNCIA

Diz-nos Cecília Meirelles: Se fosse preciso ainda uma vez recordar a diferença profunda que existe entre a infância e a idade adulta, eu convidaria o leitor a relembrar os lugares por onde passou, quando pequeno.

Então, comparar a impressão que lhe deixavam naquele tempo com a que lhe oferecem agora.

O ambiente em que se desenvolveu a nossa meninice foi visto por nós com olhos tão diversos daqueles que vêem depois as realidades do adulto, que geralmente sentimos uma enorme surpresa revendo esses lugares.

Achamo-los tão mudados... No entanto, não mudaram, eles. Mudamos nós.

As coisas... Nós as víamos de perto, com um interesse e uma atenção de que já não dispomos.

Nossos sentidos, donos ainda de raras sensações, analisavam cada espetáculo, linha por linha, percorrendo-os com verdadeiro deslumbramento.

E, nessa encantadora viagem do olhar iam tecendo uma história que foi a primeira legenda, escrita por nós sobre as vidas que encontramos.

Hoje, um inseto é para nós um inseto, apenas, com um lugar determinado na História Natural.

Esse mesmo inseto foi um motivo decorativo de infinita beleza nos nossos tempos de criança.

Conhecíamos com exatidão o desenho das suas asas, a cor que tomavam, com a luz, o movimento que tinham, a resistência que lhe era peculiar.

Como eram enormes as nossas bonecas e os nossos carros! Se algum deles tivéssemos conservado até hoje, haveríamos de o achar insignificante, e ficaríamos admirados do tamanho que lhe supúnhamos.

A eminente escritora brasileira termina então por questionar:

Com toda essa diferença de visão, como querer fazer que as crianças sintam o que sentimos?

Como forçá-las a compreender o nosso mundo com as proporções que lhe damos?

Como arrancá-las ao seu prodigioso cenário, tão diverso deste que em geral se lhe quer impor, como o único autêntico?

Muito há de se pensar sobre estas questões, certamente.

Preciso se faz refletir sobre como estamos tratando nossas crianças, e ainda mais: sobre como tratamos a criança que mora em cada um de nós.

Por que perdemos essa visão acurada ao longo do tempo? Será realmente uma mudança natural, necessária, inevitável?

Não seria possível conservar, como um grande tesouro que se guarda, pelo menos um pouco dessa sensibilidade infantil?

Nós, adultos, temos muito a aprender com as crianças.

Primeiramente entendendo seu mundo, sua visão da vida, sua interpretação dos fatos, evitando exigir-lhes compreensões que são nossas apenas.

Em segundo lugar, enamorando-nos de sua sensibilidade apurada, analisando-a com cuidado, e tomando-a como exemplo.

Passemos algumas férias dentro do coração de nossos filhos, procurando viver em seu mundo por alguns instantes, de quando em vez.

Será viagem inesquecível para ambos.

Para eles será prova de amor, de companheirismo. Para nós, escola moral enriquecedora.

Redação do Momento Espírita com base em texto do livro
Crônicas de educação, de Cecília Meirelles,
ed. Nova Fronteira.

11 outubro 2008

Após a Morte - Momento Espírita

APÓS A MORTE

A morte é um fenômeno biológico inevitável.

Os homens são Espíritos encarnados.

Eles estão na Terra, mas não são da Terra.

Permanecem aqui de forma transitória, a fim de que evoluam intelectual e moralmente.

Por falta de informações, ao longo do tempo surgiram variadas teorias sobre o estado dos Espíritos após a morte.

Concebeu-se a idéia de um céu de eleitos, em completo ócio e totalmente indiferentes ao tormento de quem não mereceu a salvação.

Como contraparte indispensável, surgiu o conceito de um inferno onde os infelizes pecadores seriam eternamente torturados.

De acordo com as concepções religiosas, inúmeras outras formulações teóricas foram feitas.

Entretanto, as descrições sempre foram bastante genéricas e um tanto fantasiosas.

Há evidentes incoerências em algumas descrições.

Por exemplo, pessoas bondosas merecem o céu, mas se tornam egoístas ao lá chegar, pouco se importando com o sofrimento de quem não teve a mesma dádiva.

Nessa linha, uma mãe amorosa e boa seria eternamente feliz, embora sabendo que seus filhos sofreriam para sempre.

Essa artificialidade gerou bastante descrença.

Conseqüentemente, persiste uma dúvida generalizada a respeito do que ocorre com o Espírito após a morte do corpo.

O Espiritismo lança luz sobre essa questão.

Ele não formula uma mera teoria, a partir de concepções filosóficas.

São os próprios Espíritos desencarnados que relatam sua situação.

A mediunidade bem empregada permite o intercâmbio com os integrantes do plano espiritual.

Por meio dela é possível verificar como eles vivem, se sofrem ou são felizes e a razão disso.

Não se trata de imaginar como está atualmente um Espírito que viveu na Terra de determinado modo.

Ele próprio descreve sua situação.

O livro O céu e o inferno compõe as obras básicas da Codificação Espírita.

Ele é rico de relatos feitos por Espíritos a respeito de como se sentem, da vida que levam, de sua felicidade ou infelicidade.

Desses relatos extrai-se que a morte não é um processo milagroso que converte homens em anjos.

Quem era bondoso na Terra persiste bondoso e solidário no plano espiritual.

Se amava o trabalho, permanece laborioso.

Já o homem mesquinho também assim se mantém.

Não há saltos na evolução.

A análise dessas descrições revela que a felicidade depende de como se viveu, do bem ou do mal que se fez.

Não há favores ou privilégios.

Cada qual é feliz ou infeliz de acordo com seu próprio mérito.

O homem caridoso é recebido pelos inúmeros seres a quem amparou enquanto na Terra.

Ele experimenta extremo júbilo ao sentir-se amado, ao saber que bem gastou seu tempo e seus talentos.

Já o criminoso vivencia grandes padecimentos.

Ele vê suas vítimas, revê mentalmente as maldades que cometeu e não há fuga ou desculpa possível.

O Espírito é feliz ou infeliz na exata proporção das virtudes que possui.

* * *

Ciente dessa realidade e de que você inevitavelmente morrerá, reflita sobre o modo como vive.

Para evitar construir sua casa sobre a areia, no dizer evangélico, dedique-se a amealhar virtudes e a fazer o bem.

Apenas isso garantirá sua felicidade, quando retornar ao seu verdadeiro lar.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita

10 outubro 2008

No Crediário da Vida - Emmanuel

NO CREDIÁRIO DA VIDA

Deixa que a compaixão te aclare os olhos e lubrifique os ouvidos, a fim de que possas ver e escutar em louvor do bem.

Quantas vezes geramos complicações e agravamos problemas, unicamente pelo fato de exigir dos outros aquilo de santo ou de heróico que ainda não conseguimos fazer!.

À frente das incompreensões ou perturbações do cotidiano, procuremos reagir como estimaríamos que os demais reagissem, se as dificuldades fossem nossas.

A Terra está repleta dos que censuram e acusam.

Amparemo-nos mutuamente.

Às vezes, pronuncias palavras menos felizes, nas horas de irritação ou desânimo, que apreciarias reaver a fim de inutilizá-las, se isso fosse possível, e agradeces a bondade do ouvinte que se dispõe a atirá-las no cesto do esquecimento. Por que não agir, de modo análogo, quanto registras o comentário de ordem negativa, partido de alguém, no clima do desespero?

Nos atos injustos, nas decisões impensadas ou nos erros que perpetramos, somos gratos à misericórdia daqueles que nos acolhem com brandura e entendimento, extinguindo no silêncio os resultados de nossas faltas involuntárias. Como não esposar norma idêntica, quando algum de nossos irmãos escorregava na sombra?

Programamos a necessidade do progresso da alma, afirmamos o impositivo de nosso próprio aperfeiçoamento... Iniciemos esse esforço meritório a favor de nós, reconhecendo que os outros carregam provações e fraquezas semelhantes às nossas, quando não sejam problemas e obstáculos muito mais aflitivos.

Admiremos nossos companheiros quando se aplicarem ao bem ou quando se harmonizarem com o bem: entretanto, sempre que resvalarem no mal, busquemos tratá-los na base do amor que declaramos cultivar com Jesus, de vez que todo investimento de tolerância que fizermos hoje, em benefício do próximo, no crediário da vida, ser-nos-á amanhã preciso depósito que poderemos sacar no socorro àqueles a quem mais amamos, ou mesmo em nosso auxílio.

De "Alma e coração",
de Francisco Cândido Xavier,
pelo espírito de Emmanuel