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31 agosto 2009

O Céu e o Inferno - Deisi Bianchini

O Céu e o Inferno

Em entrevista realizada via internet, no canal IRC# Espiritismo, Deise Bianchini nos fala sobre o céu e o inferno segundo a concepção da doutrina espírita.

Como fazer para garantir o “céu” dentro de nós?

Deise Bianchini – Tanto o céu como o inferno são estados de espírito em que nos colocamos quando ainda encarnados. Podemos usufruir desse céu maravilhoso que tantos esperam após a morte. Caridade, humildade e amor são os caminhos que nos levam ao Pai e que trazem seu mundo para dentro de nós.

Como são os espíritos que tendem a deter a marcha das coisas?

Deise Bianchini – São espíritos ainda atrasados moralmente, que se comprazem com o sofrimento dos outros, não estão preocupados com sua evolução ou ainda não aprenderam que isso ocorrerá. Procuram nos prejudicar por todos os meios e influências. Ainda não têm conhecimento do amor ou do perdão. Levam a vida procurando vingança. Quando a Terra também evoluir, esses não se encontrarão mais entre nós, mas com certeza chegarão lá também, pois chances não faltam.

De que forma espíritos elevados como Jesus sentem nossos sofrimentos e angústias? Isso não atrapalha sua felicidade?

Deise Bianchini – É como acontece com nossos filhos. Quando esperneiam para tomar vacina ou choram diante do dentista e seu aparelho, nós não os furtamos a essas visitas, pois sabemos que esses sofrimentos são momentâneos e que só lhes farão bem. Os bons espíritos que nos acompanham também se penalizam de nós, mas sabem que só assim poderemos crescer, andando com nossas próprias pernas e tendo nossos méritos a cada vitória alcançada. Eles nos mostram o caminho e nos amparam.

Se a Terra está evoluindo, os espíritos ditos maus não deverão ir para um outro mundo de igual progresso da Terra atual?

Deise Bianchini – Não gosto muito desse termo “mau”. Sempre procuro utilizar infelizes ou pouco esclarecidos. Procuro entender que a maldade não é inerente a eles, mas um estado em que se encontram. Portanto, se apesar de todas as chances de aprendizado ainda estão teimosos e se mantendo no mesmo estágio evolutivo, deverão reencarnar em mundos inferiores, onde estarão aptos a recomeçar e enfrentar todas as dificuldades que se apresentarem.

As regiões umbralinas podem ser consideradas como uma espécie de purgatório?

Deise Bianchini – O Livro dos Espíritos nos coloca que o purgatório não é um lugar determinado, mas o estado dos espíritos imperfeitos que estão em expiação. Quase sempre é sobre a Terra mesmo. Normalmente, na literatura, o Umbral é colocado como um local de extremo sofrimento, mas nunca ouvi ou li comentários de expiação ali.

Reencarnar em mundos inferiores não seria uma espécie de regressão para o espírito?

Deise Bianchini – Não, pois o espírito não regride. Ele conserva o aprendizado, mas deve aliar o aprendizado moral a tudo que aprendeu. Ele pode estacionar, mas nunca regredir. Mesmo em mundos inferiores, o espírito conserva sua condição hominal e, portanto, não ocorrem quaisquer regressões. Por mundos inferiores podemos também entender aqueles mais tecnologicamente primitivos, onde as dificuldades de manutenção da vida corpórea encontram-se muito maiores, devido à pouca ciência.

Você não acha que a duração dos sofrimentos humanos será eterna, uma vez que sempre existem novas criaturas ignorantes sendo criadas e que, por isso, podem se inclinar ao mal?

Deise Bianchini – O sofrimento só será eterno enquanto o homem não aprender a lei do amor. Não aprendemos apenas pela dor e sempre teremos os missionários a nos acompanhar e nos auxiliar em nossa evolução. Com certeza podem se inclinar ao mal, mas como saber? Nascemos simples e ignorantes, depois acumulamos nossas experiências. Espero sinceramente que não precise ser assim.

Não trazemos alguma bagagem de outras encarnações?

Deise Bianchini – Sim, nós trazemos a bagagem dos conhecimentos adquiridos. Essas lembranças estão temporariamente escondidas, mas agem sobre nós como uma intuição e influenciam nessa vida sim. Temos tanta facilidade para determinadas coisas e para outras não. São os aprendizados que já realizamos que estão retornando a nós, de uma forma inconsciente.

De que maneira uma vida anterior de duras expiações pode influenciar nossa atual encarnação?

Deise Bianchini – Nada ocorre sem uma causa, tudo é um aprendizado em nossas vidas ou débitos que estão sendo quitados. Uma dura vida anterior com certeza elevou nosso aprendizado moral e agora podemos colher seus frutos, terminar o que apenas começamos a quitar.

Existe o mal que os espíritos praticam contra terceiros, mas existe um outro mal que é praticado contra eles mesmos, que é o caso do vício ou, por exemplo, o materialismo do egoísta. Existe uma diferenciação para esses dois tipos de males praticados ou, independentemente dos males cometidos, todos carregam a mesma pena?

Deise Bianchini – Não, nem todos carregam a mesma pena. “Muito será pedido a quem muito foi dado”. Aquele que tiver consciência de suas atitudes e, mesmo assim, proceder no erro será muito mais culpado que o ignorante que praticar o mesmo ato. Isso vale para tudo, para nós mesmos, com os vícios, ou em relação aos outros.


Entrevista realizada pelo canal IRC#Espiritismo e publicada na edição 14 da Revista Cristã de Espiritismo

30 agosto 2009

Premonição - uma realidade - Érika Silveira

Premonição - uma realidade

Existem importantes observações na literatura espírita sobre os sonhos premonitórios. É fundamental conhecê-las para que se possa construir uma base sólida e clara sobre o assunto.

Tanto nas obras da codificação como em outras complementares, ressalta-se o discernimento que devemos ter em suas diferentes manifestações. Vejamos algumas dessas citações com o objetivo de compreender melhor os seus significados, sem nos prender em más interpretações.

Codificação Espírita

A pergunta 404 de O Livro dos Espíritos diz: Que se deve pensar das significações atribuídas aos sonhos?

“Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de buena-dicha, pois fora absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens que para o Espírito têm realidade, porém que, freqüentemente, nenhuma relação guardam com o que se passa na vida corporal. São também, como atrás dissemos, um pressentimento do futuro, permitido por Deus, ou a visão do que no momento ocorre em outro lugar a que a alma se transporta”.

Prossegue ainda na pergunta 405: Acontece com freqüência verem-se em sonho coisas que parecem pressentimento, que, afinal, não se confirma. A que se deve atribuir isto? “Pode suceder que tais pressentimentos venham a confirmar-se apenas para o Espírito. Quer dizer que este viu aquilo que desejava, foi ao seu encontro. É preciso não esquecer que, durante o sono, a alma está mais ou menos sob influência da matéria e que, por conseguinte, nunca se liberta completamente de suas idéias terrenas, donde resulta que as preocupações do estado de vigília podem dar ao que se vê a aparência do que se deseja, ou do que se teme. A isto é que, em verdade, cabe chamar-se efeito da imaginação. Sempre que uma idéia nos preocupa fortemente, tudo o que vemos se nos mostra ligado a essa idéia”.

A Gênese, também se refere ao tema. Relata que José, pai de Jesus, foi advertido por um anjo em sonhos para que fugisse para o Egito com o menino. O capítulo XV da obra faz uma reflexão sobre as advertências que podem ser feitas por intermédio dos sonhos e que fazem parte dos livros sagrados de todas as religiões. Salienta ainda que o fenômeno nada tem de anormal, já que durante o sono o espírito se desliga dos laços da matéria para entrar momentaneamente na vida espiritual, porém adverte que nem sempre se pode deduzir que os sonhos são avisos ou tenham significado específico.

Outras Obras

Além das obras de Allan Kardec, há citações sobre o tema em outros livros de cunho espírita. O livro Recordações da Mediunidade – da médium Yvonne A. Pereira, orientado pelo espírito de Bezerra de Menezes, diz: “Existem vários processos pelos quais o homem poderá ser informado de um ou outro acontecimento futuro importante da sua vida. Comumente, se ele fez jus a essa advertência, ou lembrete, pois isso implica certo mérito, ou ainda certo desenvolvimento psíquico, de quem o recebe, é um amigo do Além, um parente, o seu Espírito familiar ou o próprio Guardião Maior que lhe comunicam o fato a realizar-se, preparando-o para o evento, que geralmente é grave, doloroso, fazendo-se sempre em linguagem encenada, ou figurada, como de uso no Invisível, e daí o que chamais “avisos pelo sonho”, ou seja, sonhos premonitórios...

O estudo da lei de causa e efeito é matemática, infalível, concreta, para a observação das entidades espirituais de ordem elevada, e, assim sendo, ele se comunicará com o seu pupilo terreno através da intuição, do pressentimento, da premonição, do sonho etc. O estudo da matemática de causa e efeito é mesmo indispensável, como que obrigatório, às entidades prepostas à carreira transcendente de guardiães, ou guias espirituais. Estudo profundo, científico, que se ampliará até prever o futuro remoto da própria Humanidade e dos acontecimentos a se realizarem no globo terráqueo, como hecatombes físicas ou morais, guerras, fatos célebres etc., daí então advindo a possibilidade das profecias quando o sensitivo, altamente dotado de poderes supranormais, comportar o peso da transmissão fiel aos seus contemporâneos.”

Encarar com naturalidade

O livro Conduta Espírita, ditado por André Luiz ressalta algumas observações a respeito da postura que se deve assumir diante dos sonhos e suas revelações: “Encarar com naturalidade os sonhos que possam surgir durante o descanso físico, sem preocupar-se aflitivamente com quaisquer fatos ou idéias que se reportem a eles. Há mais sonhos na vigília que no sono natural.

Extrair sempre os objetivos edificantes desse ou daquele painel entrevisto em sonho. Em tudo há sempre uma lição. Repudiar as interpretações supersticiosas que pretendam correlacionar os sonhos com jogos de azar e acontecimentos mundanos, gastando preciosos recursos e oportunidades da existência em preocupação viciosa e fútil. Objetivos elevados, tempo aproveitado. Acautelar-se quanto às comunicações intre vivos, no sonho vulgar, pois, conquanto o fenômeno seja real, a sua autenticidade é bastante rara. O Espírito encarnado é tanto mais livre no corpo denso, quanto mais escravo se mostre aos deveres que a vida lhe preceitua.

Não se prender demasiadamente aos sonhos de que recorde ou às narrativas oníricas de que se faça ouvinte, para não descer ao terreno baldio da extravagância. A lógica e o bom senso devem presidir a todo raciocínio.

Preparar um sono tranqüilo pela consciência pacificada nas boas obras, acendendo a luz da oração, antes de entregar-se ao repouso normal. A inércia do corpo não é calma para o Espírito aprisionado à tensão. Admitir os diversos tipos de sonhos, sabendo, porém, que a grande maioria deles se originam de reflexos psicológicos ou de transformações relativas ao próprio campo orgânico. O Espírito encarnado e o corpo que o serve respiram em regime de reciprocidade no reino das vibrações”.

O importante colaborador da doutrina espírita, Leon Denis, na obra No Invisível faz relevantes comentários sobre os sonhos premonitórios no capítulo XIII que reproduzimos alguns trechos para melhor entendimento: “Os sonhos em suas variadas formas, têm uma causa única: a emancipação da alma. Esta se desprende do corpo carnal durante o sono e se transporta a um plano mais ou menos elevado do Universo, onde percebe, com o auxílio de seus sentidos próprios, os seres e as coisas desse plano.

Algumas vezes, quando suficientemente purificada, a alma, conduzida por Espíritos angélicos, chega em seus transportes alcançar as esferas divinas, o mundo em que se geram as causas. Aí paira, sobranceira ao tempo, e vê desdobrarem-se o passado e o futuro. Se acaso comunica ao invólucro humano um reflexo das sensações colhidas, poderão estas constituir o que se denomina sonhos proféticos.

Nos casos importantes, quando o cérebro vibra com demasiada lentidão para que possa registrar as impressões intensas ou sutis percebidas pelo Espírito, e este quer conservar, ao despertar, a lembrança das instruções que recebeu, cria então, pela ação da vontade, quadros, cenas figurativas das imagens fluídicas, adaptadas à capacidade vibratória do cérebro material, sobre o qual, por um efeito sugestivo, as projeta energicamente. E, conforme a necessidade, se é inábil para isso, recorrerá ao auxílio dos Espíritos mais adiantados, e assim revestirá o sonho uma forma alegórica”.

29 agosto 2009

Companhia do Amor - (Dois Espíritos) Wagner Borges

Companhia do Amor

Entrevista com dois espíritos da Companhia do Amor,
que falam sobre vida e espiritualidade.

Como vocês estão hoje?

Resposta: A morte não mata nada!
Do lado de cá é fácil de compreender isso, mas, aí, do lado de vocês, é muito difícil, devido aos condicionamentos e limites do plano físico. Principalmente para quem só vê o corpo físico e acha que é tudo. Quem se acostuma a tocar no corpo e a valorizar só o que é da carne, padecerá de sérios problemas depois, quando frente a frente com a realidade extrafísica.

Muitos espíritos vagam apegados ao plano denso e aos seus despojos físicos, por causa da hipnose sensorial a que se deixaram levar durante a vida. Repetiram, muitas vezes, para si mesmos e para os outros, que nada mais havia além da matéria. Então, após o desenlace final da carne, se viram num meio espiritual e sem o corpo físico. E isso fez com que vários deles surtassem! Ficaram perdidos em si mesmos. Eram tontos dentro do corpo e, agora, também estavam tontos fora dele.

Quem só vê o corpo, perde a alma! E depois grita, quando o corpo se vai... Sem saber o que fazer e como viver.

E isso não tem a ver com o próprio nível de maturidade espiritual da pessoa?

Resposta: Sim, e cada um é responsável pelo que busca na vida. Cada Ser é o que é! E o seu corpo espiritual revela tudo o que está dentro dele mesmo, pelas energias e sua irradiação. Por seus pensamentos e sentimentos, revelam-se a luz ou as trevas, que carrega em seu perímetro vital. O espírito só leva para fora do corpo o que ele é, nem mais nem menos. Não é a morte que muda o seu grau de maturidade. Ela só o joga para fora do físico, nada mais. O que muda a consciência são as experiências vivenciadas e assimiladas adequadamente. Aliás, é para isso que os espíritos reencarnam, justamente para vivenciar as experiências necessárias ao seu aprimoramento consciencial.

Contudo, muitos espíritos se encontram apegados, mesmo tendo passado por várias experiências e sabendo que eles não são o corpo. O caso deles não é questão de falta de informação, muito pelo contrário. Trata-se de teimosia crônica! Sabiam das coisas, mas fingiam não saber. Podiam ir para cima, mas fizeram questão de chafurdar na lama. Não são ignorantes, são tontos! Alguns até conheciam o lado espiritual das coisas, mas se entupiam de emoções, a tal ponto que acreditavam nelas fortemente, cristalizando, assim, os pensamentos e sentimentos em ilusões variadas. São tontos, sim! E muitos deles até mesmo zombavam dos amigos e entes queridos que se envolviam em estudos de temas espirituais.

Meu rapaz, o mundo está cheio de tontos. E o Astral também! Sorte que o Papai do Céu é generoso e paciente, e sempre envia espíritos de luz para soltar esse pessoal das peias da ilusão além da carne. Mas, alguns espíritos são turrões demais e, com isso, evidenciam, além do corpo, que o problema estava neles mesmos. E, se nem a morte deu jeito em sua teimosia, só mesmo o Dr. Carma, auxiliado pelo Dr. Tempo e pela Dona Dor é que resolverão o caso deles.
Pelas sábias leis de causa e efeito, e da reencarnação, “o cabeça dura de hoje será o cabeça mole de amanhã”. Ah, isso é certo!

Fazer preces ajuda esse pessoal apegado?

Resposta: Se prece ajudasse a eliminar teimosia e arrogância, não haveria nenhum fanático religioso na Terra. As preces ajudam a quem quer melhorar. Quem não quer, está fechado em si mesmo e inacessível à Luz. Teimosia cria crostas energéticas na pessoa. E arrogância torna o seu coração impermeável ao bom senso e às coisas da Luz. Dentro do corpo, ou fora dele, não importa! Cada um é o que é. Teimoso e tonto aqui, teimoso e tonto além...
E, em contrapartida, generoso e lúcido aqui, generoso e lúcido além...
Prece é sintonia. E prece de agradecimento é linda! E fica mais linda ainda, quando se ora pelo bem de todos os seres, incondicionalmente.

- Como fazer para apaziguar as emoções e sentir-se em paz?

Resposta: Você não espera que tenhamos uma resposta padrão para isso, não é?
A palavra chave aí se chama “equilíbrio”. Tudo o que leva o Ser aos seus extremos, rouba-lhe a paz de espírito. Tudo o que prejudicar aos outros, drenará a luz do seu coração. Tudo o que aproximá-lo das trevas e do esquecimento de si mesmo, fatalmente o levará de encontro com o vazio consciencial e a dor, seja ela física ou psíquica.

Então, que cada um procure fazer o melhor possível, de acordo com a Luz e o bem comum. A tarefa de conhecer-se a si mesmo não é fácil, mas é portentosa. E lindo é o coração que brilha por bons propósitos. E isso não vem da carne, mas do valor do espírito.

E, para não perder a oportunidade, vale lembrar que o perdão enche o Ser de luz. Perdoar é lindo, mas, desde que com o coração e de forma incondicional.
Quem perdoa, cresce muito!

- E as saídas do corpo? Vocês podem passar alguns toques sobre esse tema?

Respostas: Claro. É uma de nossas especialidades. Isso hoje, porque, quando dentro da carne, igual à maioria, nada sabíamos sobre isso. Já do “Lado de Cá”, observamos que essa capacidade do Ser estava subdesenvolvida e, por isso, nos aprofundamos nisso, como espíritos livres buscando planos acima, no infinito do Papai do Céu...

Hoje, até ajudamos a alguns estudantes e praticantes dessa temática em seus bordejos extrafísicos, principalmente durante o sono diário. Mas não damos trela para egoístas e tontos. Só nos aproximamos daqueles que querem algo melhor de si mesmos; e damos uma forcinha invisível, mas eficaz. E, assim procedendo, também melhoramos a nós mesmos, incutindo em nosso subconsciente a noção das saídas do corpo. Posteriormente, essas sementes plantadas em nós mesmos, darão frutos. E aí, eventualmente, no caso de reencarnarmos à frente, de acordo com a necessidade, também realizaremos saídas do corpo, e melhoraremos com isso. Ao ajudarmos o vôo extrafísico de alguns de vocês, para tarefas de melhoria e sintonia elevada, nós também nos desenvolvemos.

E, diga-se de passagem, passar o tempo todo dentro do corpo intoxica o espírito, que passa a pensar e a agir como se fosse só da Terra. As saídas do corpo são o recreio do prisioneiro... E devolvem um pouco de sua liberdade perdida, além de fazê-lo pensar no infinito da vida.

Como dica prática, sugerimos aos interessados nessa temática importante que deitem o corpo no leito de forma agradável, não só para dormir. Que mantenham na mente, enquanto caem no sono, algum pensamento-gatilho, que seja referente à saída do corpo. Algo do tipo, “eu até durmo, mas também vôo por aí...” – Ou algo assim, “meu corpo é legal, mas eu sou mais!” – Ou até mesmo uma afirmação mental mais técnica, tipo assim, “eu vou sair do meu corpo, eu posso!”
A concentração de luz suave no chacra frontal favorece bastante a lucidez fora do corpo. Mas, embora seja mais difícil de fazer, a concentração de luz suave na base da nuca é mais eficaz para isso. Deslizar o foco da consciência para essa região muda o padrão energético e força a mente a tirar o foco da atenção dos cinco sentidos físicos. Isso favorece o despertar das percepções mais agudas do corpo espiritual. E também melhora o grau de lucidez e memória da pessoa.

Também existem pontos energéticos próximos dos joelhos (em suas laterais, e logo abaixo) que soltam o corpo espiritual. Muitos espíritos guias tiram seus protegidos do corpo mexendo nesses pontos. Mas fica difícil explicar isso só numa conversa.

Quem sabe você não desenvolve um trabalho em cima disso? Fica aí uma sugestão para o seu trabalho. Observe mais em si mesmo. E observe, também, os ensinamentos dos sábios chineses sobre os pontos energéticos do fígado e da parte alta do meio das costas. Pesquise por aí... E depois escreva algo a respeito. Essa dica é muito séria. É um caminho para você seguir com convicção. Pegue firme, rapaz!

- Algum toque final? Algum recado consciencial?

Resposta: Sim, temos algo a mais a dizer. Não é nada demais. Aliás, nem somos sábios para dizer algo que revele os segredos da consciência. Somos apenas pessoas bem vivas, interessadas em passar alguma coisa sadia para a Terra. Faz parte do nosso show! E o Papai do Céu nos autoriza a fazer isso. Então, memorize algumas coisas que fazem bem:

- Viver é muito importante! Portanto, que cada um valorize o que aprende na vida.
- Não é possível esquecer-se do próprio espírito. E que não haja engano: tudo passa!
- Não existem doutores em consciência! Todos são aprendizes da vida.
- O egoísmo detona a boa vontade. E o orgulho rebaixa o coração.
- O corpo é instrumento de trabalho. Cabe ao espírito dar-lhe uma boa direção.
- A inteligência não é contra o amor. Pelo contrário, é a ignorância que é o vilão.
- O amor não bloqueia a inteligência. Pelo contrário, ilumina a mesma.
- Há um gosto amargo na boca de quem odeia.
- A festa da vida sempre continua, pois ninguém morre!
- Amor não se compra; sexo, sim. Mas tem tonto que confunde um com o outro.
- Dentro ou fora do corpo, cada um é o que é. E o Papai do Céu conhece a todos.
- Quem faz o bem, bate um bolão. E quem perdoa, também!
- Há duas frases de que, quem é orgulhoso, tem ojeriza. São elas: “Eu errei!”, e “Por favor, me desculpe!”
- Quem presta atenção na vida alheia, acaba tropeçando nos próprios erros.
- Na hora da morte, por causa do medo, muitos céticos rezam mais do que beatos.
- Amor. Paz. Luz. Lucidez. Que não sejam apenas palavras, mas atitudes práticas.
- Alegria não se compra; risadas falsas, sim. E quem é tonto, nem se toca disso!
- Na vida, tudo muda. Tudo passa! Menos o amor do Papai do Céu, que é perene.

P.S.:
Esses escritos são a transcrição de um papo extrafísico com dois espíritos da Companhia do Amor – A Turma dos Poetas em Flor. Conversei com ambos durante uma experiência fora do corpo e guardei na memória os seus toques. Depois, enquanto eu transcrevia o papo, eles novamente apareceram e encheram meu lar de alegria. Inclusive, um deles foi um humorista conhecido da TV brasileira.
Esclareço, ainda, que o objetivo de escritos assim é passar toques conscienciais sadios. É apenas isso. Os caras não são mestres e nem se arrogam grau algum de sabedoria. E eu, muito menos. Se esses escritos forem úteis para a reflexão sadia de alguém, ótimo.
O resto é com o Grande Arquiteto Do Universo, que conhece a todos e move os corações. Ele é o cara!

Paz e Luz.

São Paulo, 27 de abril de 2009.
***

A Companhia do Amor é um grupo de cronistas, poetas e escritores brasileiros desencarnados que me passam textos e mensagens espirituais há vários anos. Em sua grande maioria, são poetas e muito bem humorados. Segundo eles, os seus escritos são para mostrar que os espíritos não são nuvenzinhas ou luzinhas piscando em um plano espiritual inefável. Eles querem mostrar que continuam sendo pessoas comuns, apenas vivendo em outros planos, sem carregar o corpo denso. Querem que as pessoas encarnadas saibam que não existe apenas vida após a morte, mas, também, muita alegria e amor.
Os seus textos são simples e diretos, buscando o coração do leitor.

Wagner Borges
Revista Cristã de Espiritismo

28 agosto 2009

Desdobramento - René Artur de Barros Monteiro

Desdobramento

Projeção astral - Fenômeno anímico que permite ao espírito libertar-se do corpo parcialmente e estar em outros lugares


Dezessete de maio de 1953, entre 13h e 14h, em frente ao Cassino lnterlaken, Suíça. Joaquim da Silva Gomes, juntamente com sua esposa, Maria Estela Barbosa Gomes, deixavam-se fotografar pela filha Terezinha. Dias depois, chegando em Portugal, revelaram o filme e esta foto os surpreendeu profundamente: ao lado do casal, com toda nitidez, aparecia o Dr. Otávio Bandeira de Lima Coutinho, grande amigo da família, que deveria estar em sua residência, no Recife!

Na suposição de que o amigo tivesse desencarnado, Joaquim enviou a foto a uma das filhas do Dr. Otávio. Este de pronto remeteu uma carta bem humorada ao amigo, identificando-se na foto e reconhecendo inclusive o terno, a gravata e o alfinete como seus, pois estavam bem visíveis. Esclareceu que, na data e no horário em que foi batida a foto, adormecera numa cadeira de balanço na varanda de sua residência. Disse não se recordar de nada que se relacionasse com a foto, a não ser que pensara muito nos amigos distantes antes de adormecer.

Este é um caso típico de desdobramento ou bilocação (projeção astral), narrado pelo Anuário Espírita – 1983. É o fenômeno pelo qual o espírito de pessoa mediunizada, ou em estado de sonolência ou mesmo de sono, transporta-se de um lugar para outro com aparência de realidade ou com tangibilidade real.

Desdobrado do corpo, o espírito sente-se liberto

Segundo Kardec, o espírito aproveita-se com satisfação da oportunidade de escapar da prisão corporal sempre que pode. É um dos mais curiosos e ricos fenômenos anímicos, em que o ser se move livremente, pensa melhor, decide com maior conhecimento, mantém intenso intercâmbio com encarnados e desencarnados, segundo seus interesses e afinidades.

É freqüente ocorrer com todas as pessoas, porém nem todas conseguem se lembrar, após o regresso ao corpo físico, do que fizeram durante o tempo em que estiveram parcialmente libertadas deste. Geralmente atribuem tudo a um sonho comum, ou seja, aquele resultante de suas disposições físicas ou psicológicas.

Diz Hermínio Miranda que “é nesse estado que o espírito consegue entrar na posse de algumas de suas faculdades superiores, pelo acesso aos arquivos da sua memória integral. Daí lembrar-se de encarnações passadas e até mesmo, em situações especiais, afastar a densa cortina que encobre o futuro”.

Por sua vez, Martins Peralva, ao analisar as situações em que pode ocorrer essa libertação espiritual, chama a atenção para a existência, nos trabalhos mediúnicos, do chamado médium de desdobramento, ou seja, “aquele cujo espírito tem a propriedade ou faculdade de desprender-se do corpo, geralmente em reuniões”. Desprende-se e excursiona por vários lugares na Terra ou no Espaço, a fim de colaborar nos serviços, consolando ou curando.

No caso de um médium de desdobramento desejar aprimorar a sua faculdade e aumentar os seus recursos, diz o autor que há condições de ordem moral das quais não pode prescindir: vida pura, aspirações elevadas, potência mental, cultivo da prece e exercício constante.

A respeito desse tipo de médium, diz André Luiz: “considerável número de pessoas, principalmente as que se adestram para esse fim (desdobramento), efetuam incursões nos planos do espírito, transformando-se, muitas vezes, em preciosos instrumentos dos benfeitores da espiritualidade, como oficiais de ligação entre a esfera física e a esfera extrafisica”.

Um depoimento de Hermínio Miranda confirma exatamente essa atividade mediúnica. Diz o autor, referindo-se a uma personagem do seu livro Diversidade dos Carismas: “É comum observar-se em Regina o trabalho mediúnico específico e bem caracterizado em desdobramento. Em várias oportunidades, em vez do espírito manifestante ser trazido ao grupo, ela é que vai ao encontro dele, o que dá conhecimento antecipado ao dirigente dos trabalhos. Desprende-se e é levada pelos amigos espirituais”.

Segundo desdobramento

Mas as pesquisas revelam que não se trata de um fenômeno restrito aos seres que ainda estão na carne. Experiências realizadas por Albert de Rochas informam que poderá ocorrer um segundo desdobramento, a partir do perispírito já desdobrado do corpo físico, quando se separa daquele a essência espiritual.

Este fenômeno é ratificado por André Luiz em Nosso Lar, quando o autor desencarnado visitou, conscientemente, o espírito de sua mãe, habitante de plano superior ao seu, após desdobrar-se de seu corpo perispiritual que ficara em repouso numa das unidades da instituição à qual fora escolhido.

Toda obra de caridade da espiritualidade, inclusive as que podem se realizar durante um desdobramento, lembram-nos os versículos da Surata do Socorro, no Alcorão:

“1. Quando te chegar o socorro de Deus e o triunfo; 2. E vires entrar a gente, em massa, na religião de Deus; 3. Celebra, então, os louvores de teu Senhor e implora o Seu perdão, porque Ele é remissório”.
René Artur de Barros Monteiro Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 10

27 agosto 2009

Terra, Intercessão de Umbral e Céu - Sanat Khum Maat

Terra, Intercessão de Umbral e Céu

Vivemos na Terra num corpo denso e lento. Perdemos a maior parte do tempo em tranporte, alimentação, higiene e saúde e o resto é utilizado para sobrevivência. Já que não temos como nos livrar destas coisas por enquanto, podemos qualificá-las mais para viver melhor.

Você pode fazer de sua alimentação um hábito positivo ou negativo, assim como da higiene, saúde e o trabalho também. isto faz a diferença entre ser feliz ou não. Há pessoas que não sabem cuidar do corpo mesmo estando dentro dele, que dirá da alma.

Se as pessoas nãor espeitam nem um objeto que vêem (o corpo), como vão respeitar algo que não vêem? Comor espeitar os bons hábitos e até seus irmão encarnados? Como vão valorizar a ética e sequer a cosmoética?

Apesar do desenvolvimento cerebral da espécie humana ter evoluído muito, a sua moral não a acompanhou. O homem tem o conhecimento e a técnica, mas não possui a sabedoria, a moral, a ética e a cosmoética que são o mais fundamental para a felicidade e evolução humanas. alguns seres evoluídos têm reencarnado discretamente neste planeta a fim de propiciar o desenvolvimento orgânico nervoso avançado nos humanos e deixado descendentes para que estas novas mutações genéticas se perpetuem.

Outros seres igualmente evoluídos tem reencarnado a fim de trazerem a sabedoria em forma de amor e moral através dos milênios. O homem tem todos os recursos, os equipos e ferramentas para ser feliz e se realizar como um todo. Mas o egoísmo de muitos que só percebem a matéria lançam a maioria das massas num sofrimento de privações materiais insanas.

Não importa se é karma, pois afinal tudo é karma. O fato é que o amor poderia diluir todo karma planetário em 24 horas se houvesse um perdão irrestrito e incondicional em todos os seres humanos simultaneamente.

A Terra brilharia das trevas para a luz tão rápido como se liga um interruptor. Mas os egoístas multibilionários não acreditam que seriam mais felizes se repartissem o pão.

Por outro lado, os que se chafurdam nas misérias humanas, teimam no orgulho mesquinho, com dificuldades de se arrepender sinceramente e se perdoarem consciencialmente. A culpa é desculpa para não trabalhar.

O egoísmo e o orgulho são as piores misérias humanas. Enquanto o perdão e a humildade não permearem nossos corações e mentes, teremos uma vida atribulada, cheia de violências, preocupações e com futuro incerto.

É muito fácil esperar um salvador ou algum ET místico, que venha modificar o mundo "para mim", já que não quero modificar a mim mesmo. A preguiça, o comodismo e o orgulho apenas embassam a visão consciencial de seus portadores.

É difícil assumir a responsabilidade da reforma íntima e sentir-se tolo perante os "espertos" que a todos traem, pensando nas vantagens terrenas, que os lançam nos poços de lodo.

Não queremos ser "passados para trás" nesta vida competitiva que nos torna tão infelizes. É duro assumir a responsabilidades de que tudo só depende de nós e nenhum salvador irá aportar por aqui fazendo milagres e movendo montanhas, pois Eles já nos visitaram e ninguém percebeu.

Agora cabe a nós movermos as montanhas de nossos corações a abrir os mares de nossas mentes e fim de merecermos um mundo de paz.

Sanat Khum Maat (espírito)
Recebido mediunicamente por Dalton Roque
Revista Crista de Espiritismo

26 agosto 2009

Amparadores Extrafísicos - Wagner Borges

Amparadores Extrafísicos

Se os objetivos da pessoa são sadios, os amparadores se farão presentes, tentando ajudá-la invisivelmente de alguma maneira.
Em relação aos amparadores extrafísicos, as pessoas assumem as posturas mais variadas: há aquelas que são fanáticas por "guias espirituais" e não são capazes de fazer algo sozinhas. Se não sentem a presença do amigo extrafísico junto de si, perdem a confiança e se desestruturam perante as tarefas espirituais que lhes foram confiadas.

Essas pessoas se esquecem de dois fatores importantes:

Primeiro, que o amparador tem o corpo espiritual bem sutil e, por isso, embora esteja presente no ambiente, sua presença pode ser imperceptível para o encarnado.

Segundo: assim como o amparador é um espírito, a pessoa encarnada também é, e traz dentro de si um potencial anímico e espiritual maravilhoso.

Por outro lado, há pessoas que não admitem a influência de seres extrafísicos em suas atividades. Abominam o auxílio extrafísico e renegam qualquer contato espiritual. Esquecem-se de que na atividade espiritual não há "trabalho solo", pois o próprio termo "espiritual" é derivado de espírito.

Baseado na experiência de muitos anos no estudo da projeção consciente, bem como da mediunidade e das várias capacidades parapsíquicas do ser humano, posso afirmar ao amigo leitor o seguinte: Não há trabalho solitário na caminhada espiritual, pois os espíritos estão presentes em todas as atividades humanas, principalmente as que tenham conotação espiritual.

Se os objetivos da pessoa são sadios, os amparadores se farão presentes, tentando ajudá-la invisivelmente de alguma maneira. Porém, se seus objetivos são de baixo nível, os obsessores extrafísicos estarão em seu encalço, atraídos pelas energias densas de seus anseios inferiores.

Muitas pessoas pensam que a influência dos amparadores espirituais é maior nos fenômenos mediúnicos. No entanto, isso não corresponde à realidade. A influência deles é muito maior nas experiências fora do corpo. Isso pode ser explicado da seguinte maneira: a mediunidade é um fenômeno intracorpóreo, onde o ser extrafísico se manifesta do plano extrafísico para o plano físico, por intermédio de uma pessoa encarnada sensível à sua influência – ou seja, um médium.

A projeção da consciência é um fenômeno extracorpóreo, onde o espírito encarnado se projeta para fora do seu corpo físico, isto é, manifesta-se extracorporeamente do plano físico para o plano extrafísico.

Obviamente que isso evidencia o seguinte: os espíritos vivem no plano extrafísico (onde o projetor se manifesta), pois é seu habitat; é onde se manifestam após o descarte (morte, desencarnação) do seu corpo denso. Pois é justamente aí que o projetor consciente vai se manifestar durante o sono de seu corpo físico, isto é, no meio dos espíritos!

Mesmo que o projetor não os perceba, devido às suas energias demasiado sutis, eles estão lá, observando e conduzindo-o sutilmente. Praticamente não há "projeção solo", já que de planos sutis os amparadores estarão monitorando o projetor por onde quer que ele se manifeste.

Baseado nisso, muita gente pode achar que ao sair do corpo vai dar de frente com uma multidão de espíritos. Contudo, a realidade não é essa. Se a projeção ocorre no meio-ambiente terrestre, a possibilidade do projetor se encontrar com espíritos é muito relativa. Por exemplo, se o projetor se encontra projetado na rua em que mora, durante a madrugada, é bem provável que não veja ninguém na rua, seja encarnado ou desencarnado. Obviamente que isso não é regra geral, pois a projeção varia de projetor para projetor e de experiência para experiência. Mas, na maioria das vezes é assim que acontece.

Se o projetor se encontra projetado em algum ambiente onde haja aglomeração de pessoas, é muito provável que veja junto a elas várias entidades extrafísicas.

Se são amparadores ou obsessores, isso depende da situação, do ambiente, das pessoas e das energias ali presentes. Naturalmente que até isto é também relativo. Mas, qualquer projetor veterano ou qualquer clarividente ou médium experiente sabe, por experiência própria, que onde há pessoas, há espíritos.

Se o projetor se encontra projetado no plano extrafísico, é praticamente certo que veja ou sinta a presença de seres espirituais.

Se estiver no plano extrafísico atrasado, verá espíritos sofredores, de aspecto grosseiro e desagradável. Por outro lado, se estiver projetado em ambientes extrafísicos sutis, verá espíritos luminosos, amparadores de consciência, que lhe trarão conhecimentos e energias maravilhosas.

Os aspirantes a projetores conscientes devem ter em mente o seguinte: há uma grande diferença entre trabalhar "sob os amparadores" (isto é, calçado na competência deles e não na própria), e trabalhar "com os amparadores" (isto é, buscando a autonomia espiritual, mas trabalhando em equipe com eles, funcionando em conjunto na direção de objetivos sadios).

Recado ao projetor extrafísico e estudante sadio do tema: Tendo tudo isto em vista e visando uma melhor integração espiritual com os amparadores, pois eles podem ajudá-lo, não só no desenvolvimento de suas experiências extracorpóreas, mas também em seu crescimento humano e espiritual como um todo, observe três posturas suas em relação ao trabalho com eles:

Humildade: não seja um projetor rebelde como vários projetores que conheço. Os amparadores nunca irão lhe sugerir alguma ação extrafísica que não esteja baseada no bom senso e na Cosmoética. Siga sua intuição, pois ela é o principal canal por onde eles lhe enviarão as instruções. Em outras vezes, eles se comunicarão pela telepatia. Em muitas ocasiões, você se sentirá conduzido sutilmente até ambientes e situações (físicas ou extrafísicas) programadas por eles.

Lembre-se, não seja dependente deles, busque sua autonomia espiritual. Você não é um garoto de recados espiritual ou uma "marionete espiritual" manipulado por seres invisíveis e inatingíveis. Porém, ser autônomo não significa ser rebelde e insensato.

Em se tratando de projeção consciente, os amparadores são os "craques do assunto". Por isso, seja modesto e preste muita atenção em seus ensinamentos. No momento eles vivem livres das travas de um corpo denso e por isso têm uma percepção mais abrangente das situações do que quem está encarnado. Eles têm visão larga em todos os sentidos e podem orientá-lo sempre para o melhor.

Respeito: tenha grande respeito por esses espíritos que sutilmente lhe ajudam. Eles merecem, pois se deslocam dos maravilhosos ambientes sutis do plano extrafísico para o denso ambiente terrestre com a finalidade de lhe ajudar a crescer.

Consideração: não crie mitos na sua relação com os amparadores. Eles não são anjos, semideuses ou potestades cósmicas. São somente seus amigos fiéis, companheiros de jornadas astrais (e também físicas). Estão sempre buscando o melhor para seu crescimento consciencial. Tanto que, em algumas projeções, eles lhe chamarão a atenção para suas falhas, da mesma forma que um professor admoesta seu aluno. Podem ser chamados apropriadamente de "professores da consciência". Tenha a maior consideração por eles: são seus reais guias de Viagem Espiritual.

25 agosto 2009

O Livre-Arbítrio

O Livre-Arbítrio

Pare e pense: de vez em quando, é necessário dar uma pausa no conteúdo da própria vida e analisar o que está acontecendo.
Ao pararmos para refletir, colocando-nos como espectadores da própria história, assistimos as cenas que a vida construiu conosco. Muitas destas passagens nos fazem reviver alegrias e emoções de um tempo memorável, mas nem só de boas lembranças é feito o passado. Existem outras cenas nas quais os momentos difíceis e dolorosos também passam diante de nossos olhos e, mesmo depois de muito tempo, ainda podemos sentir o gosto amargo daquele sofrimento ou dor.

Independentemente da história pessoal de cada um, devemos lembrar que somos nós quem construímos nossa própria história, que somos o personagem principal no teatro da vida. Cada ser é a principal célula criadora de seu próprio destino. O roteiro da vida não está completamente escrito, pois, além daquelas tarefas previamente estabelecidas pelo plano espiritual superior, que visam o resgate de nossos erros do passado, existem algumas lacunas à espera de serem preenchidas de acordo com as escolhas que nos permitimos fazer.

Então, se há uma parcela de tempo destinada à recuperação de laços partidos em função de atitudes cometidas anteriormente, uma outra parcela de tempo nos é reservada para que, com o calor de nossas mãos e palavras, possamos construir obras de luz que permitirão auxiliar a todos que estejam próximos de nós, além de contribuirmos com nossa lapidação íntima, rumo a um estágio mais avançado em espírito. A história de vida é escrita pelo indivíduo, portanto, somos os co-produtores de nossa própria peça. Mas além de construirmos nossa própria história, participamos simultaneamente nas peças de outros companheiros, como coadjuvantes.

Ser o próprio redator e personagem principal nos leva a concluir que somos responsáveis diretos por cada ato e cada cena de que participamos. Caso olhemos para trás e recordemos de fatos que nos entristecem ou envergonham, devemos lembrar que cada uma das atitudes que foram tomadas eram equivalentes ao grau de compreensão e percepção que tínhamos na época.

Hoje, após várias experiências, aprendemos quais os caminhos que nos machucam e quais nos conduzem à paz e à felicidade. Entretanto, existem muitos outros trajetos que ainda não descobrimos e que trilharemos muito em breve. Diante de tudo isso, se temos consciência de que somos nós quem dirigimos e protagonizamos a própria história, é nosso dever torná-la repleta de vitórias, conquistas e alegrias, assim como eliminar as passagens dramáticas e as experiências dolorosas.

Mudando o destino

De modo geral, todos os infortúnios, desavenças, doenças e até mesmo desgraças nascem de pontos insignificantes, que, muitas vezes, são alimentados no inconsciente por anos a fio, aspectos estes identificados como sentimento de culpa, remorso, raiva, mágoa, ódio etc. Se cortamos a quota de abastecimento e nos recusamos a ver essas desarmonias crescerem, elas desaparecem de forma natural. Para isso, basta apenas que modifiquemos a postura e o comportamento íntimo.

Porém, não é fácil a tarefa de mudar velhos hábitos de agir, sentir e pensar. Isto exige disciplina, amor, dedicação, perdão e boa vontade. A dificuldade acontece porque os velhos padrões se aderem às profundezas da personalidade, como se criassem raízes. Assim, quando desejamos modificá-los, é como se estivéssemos ferindo nossa própria pele. Mudar é como se tornar um outro indivíduo, perder a identidade que conhecemos.

Ninguém consegue percorrer uma légua em uma passada só. Para chegarmos ao nosso objetivo, devemos buscar encurtar a distância da chegada a cada passo, renovando forças e nos alimentando com coragem para podermos ganhar mais e mais metros. A luta deve ser diária para não sucumbirmos frente ao desânimo, pois aquele que duvida das próprias forças vacila e cai na frustração.

Toda mudança deve ser realizada aos poucos. Os hábitos são a somatória de várias e várias repetições. Para eliminar os velhos hábitos, é preciso se associar ao tempo, pois somente ele é capaz de assegurar a colheita do que um dia foi a semeadura. O hábito só pode ser extraído da personalidade ao ser substituído por outros novos, já que não existe possibilidade de vazios na vida.

Então, se tudo começa no pensamento, é necessário que, antes de qualquer atitude, as idéias sejam bem objetivas. Primeiro se muda a mente, sem pressa, mas com firmeza, pois só ela pode comandar o processo. Corremos sério risco de fracassar caso deixemos o entusiasmo momentâneo guiar nossas decisões. Ele não é o pilar no qual podemos erguer nossas realizações. O alicerce principal está no pensamento, no objetivo a ser alcançado, enfim, na certeza do que se quer obter. A força de vontade, a dedicação e a motivação devem funcionar como elementos de sustentação, como se fossem os tijolos e o cimento da construção íntima, que, juntos, ajudarão a erguer a fortaleza de nossos sonhos.

Poder de transformação

O homem tem o poder de transformar as diretrizes de seu caminho quando acorda para a realidade de suas tarefas. Desde que mude sua mente, ele acabará com as conseqüências de um passado equivocado. Um dos objetivos da existência é a modificação dos hábitos prejudiciais e, desde que esse processo aconteça, não há mais necessidade da dor e do sofrimento. Tudo é mudança de mentalidade e de perspectiva, nada está condicionado a uma lei inexorável.

Assumir o trabalho que nos cabe é um fato do qual não se pode fugir, a responsabilidade é parte integrante de qualquer ser. Quem se esquiva ou tem medo de agir não se dispõe a viver integralmente a página da vida que acaba de virar em branco. Ninguém acelera o tempo, pode apenas adiantar ou retardar seu tempo interior. As etapas seguirão seu curso, sem que ninguém possa detê-las. Então, vale a pena ficar de braços cruzados diante de tantas possibilidades?

Quanto mais lúcido for nosso poder de gerar acontecimentos, mais poderemos manipular o próprio caminho. É por isso que devemos cultivar todas as oportunidades de aprimoramento. Quanto mais seguirmos os impulsos e gostos intuitivos, aqueles ditados pelo coração, mais desenvolveremos os dons inatos, “porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mateus 6:21).

Esforcemo-nos para garantir o aprendizado gradativo ao qual cada etapa nos conduz, lembrando que olhos distraídos não captam a paisagem. É preciso enxergar o que passa despercebido para os outros, tirar conclusões, ordenar e juntar fatos e idéias, tirar sábias lições de tudo que se passa ao redor. Entretanto, isso tudo dá trabalho, exige um comportamento e uma visão menos acomodada, trabalho de ver e pensar. Circunscrita às próprias limitações, a mente se corrompe e deteriora como água parada. É por isso que a existência apresenta desafios, pois, sem eles, perderíamos a flexibilidade.

Portanto, é indispensável pensar. Se construimos nosso destino diariamente por meio dessa mesma força mental, também podemos transformá-lo. Quando alguém toma consciência de que forja todos os fatos que lhe acontecem com o espírito, passa a prestar mais atenção aos seus atos e pensamentos.

Aqueles que estão acostumados às idéias de fatalidade questionam-se sobre a possibilidade de mudança. Enfraquecidos e desorientados, não crêem no poder de mudar seus destinos. Porém, alterando o panorama das idéias, lidando apenas com energias sutis, eles comprovarão sua infinita força. Tanto os grandes feitos como as pequenas mudanças de rumo se fazem com discernimento, ação e tempo. Mas é sempre bom lembrar: aquele que não se predispõe aos serviços pequenos não conseguirá realizar os mais altos projetos. Está naquelas tarefas mais humildes a chance de exercermos a responsabilidade e a força de vontade.

Mudar o panorama das idéias é reescrever o próprio roteiro da vida. A mente é capaz de grandes realizações caso saibamos trabalhar com nossas disposições mentais e emocionais. O pensamento constrói o destino do ser humano e nunca é tarde para analisarmos e revermos nossa postura. Somente assim seremos capazes de transformar o aspecto de nossa história e alcançar a vitória tão desejada. A conquista do equilíbrio interior e a superação dos próprios limites dependem de nós.

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 16

24 agosto 2009

Suicídio - Altivo Pamphiro

Suicídio

Entenda quais são as causas e conseqüências do suicídio, de acordo com a doutrina espírita.

Falar sobre os suicidas nos dá o ensejo de pensarmos no trabalho de renovação espiritual que está ao alcance e na obrigação de todos nós.

Acredito que todos devemos ajudar ao próximo, principalmente quando vemos nosso irmão se aproximar de uma situação desgastante, desigual e potencialmente suicida. É nossa obrigação! Embora não devamos ser inconvenientes, nem por isso devemos deixar de falar todas as vezes que vejamos a dor do próximo.

O suicida é, antes de tudo, um solitário. Descobrir um meio de chegarmos à criatura solitária pode ser um útil e benévolo exercício de caridade em favor do próximo. Utilizemos os recursos ao alcance de nossas mãos para auxiliar o suicida ou ao potencialmente suicida, pois isto será uma boa atitude e, certamente, nossos guias espirituais nos ajudarão. Quanto ao suicídio propriamente dito, lutemos contra todas as formas de depressão, fuga e falta de fé.

A seguir, entrevista com o palestrante espírita Alivo Pamphiro,
publicada em 2002 .


O suicida deve ser considerado como um corajoso ou um covarde? Por quê?

Altivo Pamphiro – Todos os espíritos de bem informam que o suicida é, antes de tudo, um egoísta, que pensa somente em suas dores, ignorando as dores que irá causar em seus entes queridos. Não se pode generalizar e chamá-los de corajosos ou covardes, porque, na realidade, antes de tudo, eles estão preocupados com suas próprias idéias. Há, entretanto, os casos de loucura, nos quais o suicida, em um estado de demência, não pode avaliar o crime que está cometendo. É atribuído ao espírito Emmanuel a informação de que Getúlio Vargas, ex-presidente do Brasil, ao se matar, não foi considerado como um suicida, uma vez que evitou uma guerra civil com sua morte. Desse modo, vemos que a Lei de Deus prevê considerações que nem sempre estão ao nosso alcance.

Quais os fatores espirituais que podem levar uma pessoa a desejar não mais viver?

Altivo Pamphiro – Principalmente a sociedade. O espírito, quando não tem mais motivo para lutar, pode se desesperar e entrar em uma depressão que o leva a pensar no suicídio. Há cerca de dez anos, na Suécia, houve uma pesquisa entre médicos e paramédicos sobre se algum deles teve o desejo de se suicidar algum dia. A informação, impressionante aliás, foi de que todos os médicos e paramédicos que habitualmente se dirigiam para os países pobres, oferecendo seus serviços durante as férias, jamais pensavam em suicídio. Vê-se que o trabalho é realmente um grande antídoto para a atitude suicida.

Para onde vão realmente os espíritos dos suicidas? Há alguma regra geral para quem comete este ato ou os motivos que o levaram a cometê-lo podem amenizar essa pena, se assim podemos chamar?

Altivo Pamphiro – A médium Yvonne Pereira, em seu portentoso livro Memórias de um Suicida, fala do “Vale dos Suicidas”. Entretanto, temos notícia de outros suicidas que não foram para o referido vale porque não constituíam um perigo para os encarnados. Segundo a médium, vão para o “Vale dos Suicidas” aqueles espíritos capazes de influenciar os encarnados. Eles, então, são segregados para não terem como influir nos homens.

Em média, quanto tempo o espírito de um suicida fica vagando pelas regiões umbralinas?

Altivo Pamphiro – Não há previsão para esse tempo. Dizem os espíritos condutores que o espírito fica vagando enquanto não consegue harmonizar sua mente e entender o apoio que está sendo dado a ele. Portanto, isso varia de espírito para espírito.

Será que todos nós, em alguns instantes, não somos suicidas, se assim podemos definir tal nomenclatura, quando estamos em algum estado “negativo”, como chateados, deprimidos, aflitos, inseguros, envergonhados, irados etc., e agimos contra a lei?

Altivo Pamphiro – Digamos que o suicida é aquele que, além de não conseguir superar esses estados mórbidos, procura fugir das realidades do mundo em que vive. Podemos também, como você está falando, ser considerados como suicidas potenciais todas as vezes que entramos nesse estado de morbidez psíquica. De alguma forma, somos suicidas quando desgastamos desnecessariamente o corpo ou desistimos de viver.

Quando algumas seitas fanáticas levam seus seguidores a suicídios coletivos, quem possuirá maior dosagem de culpa? Se alguém for obrigado a se matar, como ter que se jogar de um lugar, por exemplo, ele é culpado?

Altivo Pamphiro – Quando os seguidores de uma seita se suicidam, eles não têm culpa pelo ato, mas sim por terem se deixado envolver pelas ordens absurdas que lhes foram dadas. A culpa do suicídio propriamente dito caberá aos seus diretores, que os induziram. Quanto aos que são obrigados a se matar, estes não se suicidam, são assassinados.

Mas ao afirmar que seguidores de determinadas religiões ou seitas, quando se suicidam, não têm culpa, não se está tirando deles o livre-arbítrio em detrimento da fé cega?

Altivo Pamphiro – Quando pessoas abdicam de pensar e se deixam conduzir pela determinação de outros, eles realmente estão errados, mas devemos levar em conta aqueles que não são capazes de discernir. Nesse caso, o livre-arbítrio deles está realmente prejudicado.

Grandes personagens bíblicos possuiam tanto amor pelo povo que colocaram sua própria vida à disposição em troca da libertação dos outros. Esse sentimento “suicida” é antes uma virtude e não um erro, certo? Como disse Martin Luther King, “aquele que não possui uma causa pela qual se disponha a morrer por ela, este não merece a vida que possui”. Qual a sua opinião sobre esse tipo de “intenção suicida”?

Altivo Pamphiro – Nenhum desses grandes líderes, na verdade, tinha essa “intenção suicida”. Eles tinham a coragem da fé, que poderia chegar até o fato de saberem que correriam risco de vida todas as vezes que falassem suas verdades. Os líderes religiosos enfrentam principalmente a desordem moral e aqueles que se comprazem nela. Luther King enfrentou toda uma classe social em defesa dos negros. Estes homens, poderosos em si mesmos, sabiam que agrediriam ao status-quo vigente e, com toda certeza, a sociedade agredida responderia com sua linguagem de violência. Tenho certeza de que estes homens, ao enfrentarem esta sociedade, sabiam que a resposta que elas dariam seria a violência. Por isso digo que, na verdade, eles tinham a coragem da fé.

Se uma pessoa bebe e é atropelada ou bate o carro, ela cometeu um suicidio? Quanto ao suicídio lento por desgaste desnecessário do próprio corpo, há diferenças entre os que o fazem com álcool, drogas, fumo, comidas excessivamente gordurosas ou mesmo com um simples refrigerante?

Altivo Pamphiro – O fato das pessoas ignorarem que o álcool e o tabaco podem levar à morte não as eximem do sofrimento oriundo desses agentes químicos. O suicídio, nesse caso, seria indireto, mas nem por isso deixa de ser um desgaste desnecessário e inoportuno, que cedo ou tarde causará um sofrimento para os que abusarem assim de seu corpo. Tudo na vida depende da intenção. Se você também usa o excesso de gordura pensando que isso não lhe fará mal, você estará menos comprometido, mas nem por isso deixará de sofrer os efeitos de seus atos. Quanto ao que sofre um desastre e morre em conseqüência da bebida ou do tóxico, ele sofrerá por ver que cortou o fio de sua vida antes da hora. Não será um suicida clássico, mas sim um suicida indireto, que certamente terá de dar contas deste seu ato.

E no caso de pessoas que participam de esportes perigosos e acabam por desencarnar, como foi o caso de Ayrton Senna, seria suicídio? Que culpa tem quem participa de esportes como alpinismo, paraquedismo, automobilismo etc.?

Altivo Pamphiro – Os espíritos que têm conhecimento das limitações a que estão sujeitos e, mesmo assim, obrigam seu corpo a participar dessas atividades são chamados de suicidas em potencial. Quando ocorre a desencarnação de um deles, o espírito será punido pelo fato de conscientemente agir contra a segurança de seu corpo.

Que tipo de culpa teria alguém que se matasse por não ter seu amor correspondido? E aquela que não lhe correspondia?

Altivo Pamphiro – Quem se mata por amor, segundo a médium Yvonne Pereira, tem em seu benefício o sentimento com que agiu. Não foi uma fuga propriamente dita, mas sim uma falta de resistência moral. A pessoa que não correspondeu ao amor nada tem a ver com a morte do outro se não estimulou um amor que jamais seria correspondido.

Diante dos problemas de nossa sociedade contemporânea, o que dizer especificamente a respeito de suicídio para os jovens usuários de drogas?

Altivo Pamphiro – Estes antecipam suas partidas para o mundo dos espíritos e as informações que se recebe acerca do estado deles são as mais tristes possíveis. Na verdade, são suicidas.

Hoje em dia, ter relações sexuais sem o uso de preservativos pode ser considerado como atitude potencialmente suicida?

Altivo Pamphiro – Pode sim, caso se busque um parceiro ou parceira e você veja nele apenas o prazer, sem se dar conta dos prejuízos que podem acarretar tal relação.

Pode se fazer alguma coisa para auxiliar os suicidas ou a eles não se pode ajudar de forma alguma? Haverá alguma esperança para os espíritos suicidas e seus familiares?

Altivo Pamphiro – Sabemos que a prece é de grande auxílio para os suicidas, pois quando oramos por alguém, usamos nossa boa vontade, nosso sentimento de compreensão para com o próximo. Todas as vezes que pensarmos com tranqüilidade em favor de uma pessoa, estaremos sugerindo que alguém pensa nela com carinho, com estímulo e boa vontade. Outra forma de auxiliar é vibrar para que ela se encontre, sugerindo pensamentos de estímulo e de paz.

Entrevista realizada pelo canal IRC-Espiritismo e
publicada na Revista Cristã de Espiritismo, ed. 14

23 agosto 2009

Espírito "Obsessor" no Bar - Victor Rebelo

Espírito "Obsessor" no Bar

Para quem gosta de estudar temas como Viagem Astral e obsessão, vou contar uma experiência que aconteceu comigo.


Anos atrás, quando eu era mais jovem, costumava ir a um bar noturno para ouvir o pessoal tocar blues e rock. Fiz amizade com os músicos e comecei aprender a tocar gaita e cantar blues. Foi uma forma de diversão e expressão artística que vivenciei por poucos meses, mas com bastante intensidade durante essa época da minha vida. Quase todas as noites, de tanto tentar cantar e tocar blues, ao fechar os olhos, deitado em minha cama, começava a escutar melodias maravilhosas. Foi uma época legal, de muita criatividade, mas também de alguns desequilíbrios. Infelizmente, naquele ambiente, o excesso de emanações alcoólicas, de fumaça de cigarro, além da presença, nos “bastidores”, de certas drogas, demonstrava que a atmosfera psico-espiritual era bastante perturbadora. Isso não significa que o rock, o blues ou o barzinho, tão freqüentado por jovens, sejam sinônimos de desequilíbrio. Mas naquele caso, era.

Certa noite, já de madrugada, me vi projetado fora do corpo na porta do bar e logo percebi o que estava ocorrendo. Próximo à entrada havia um grupo de espíritos, alguns desencarnados e outros temporariamente projetados fora do corpo, como eu. Fui me aproximando e, então, vi um espírito, com a aparência de uns vinte e cinco anos, que me chamou a atenção. Ele tinha barba e óculos. Talvez inspirado por algum dos meus amparadores espirituais, cheguei perto dele. Quando ele me viu, fui logo reclamando: - Você é um espírito obsessor! Está me perturbando!

Ele continuou na dele, sem dizer nada, apenas me encarando. Então continuei:

- Por que você faz isso? Por que está fazendo a turma beber até “encher a cara”?

Para meu espanto, ele me respondeu com a maior naturalidade:

- Pare de ser hipócrita! Não sou eu que faço o pessoal beber e fumar! Eles bebem e fumam porque querem, eu apenas “curto” junto... dou uma forcinha!

Foi aí que “caiu a ficha” e percebi o quanto eu estava sendo infantil. É claro que todos somos responsáveis pelos nossos atos, não podemos responsabilizar os outros por isso. Temos que parar com esse “papo” de espírito obsessor. Então perguntei:

- E como você faz isso?

- É simples! Quando alguém fuma, por exemplo, chego bem pertinho da pessoa, quase abraçando-a, e aspiro a fumaça ao mesmo tempo.

Enquanto explicava, foi demonstrando. A impressão que tive, quando ele aspirou a fumaça, é que o perispírito dele se justapôs ao de um jovem que tragava um cigarro naquele momento, quase que “colando” nele.

Após esta curta conversa, voltei ao corpo físico e despertei. Rememorei bem o que ocorreu para não esquecer mais e, após uma prece de agradecimento pela lição recebida, adormeci.

Dias após este fato, parei de frequentar este bar. Ele mudou muito, não está como antes, mas a lição que aprendi me marcou profundamente.

Quantas vezes, numa atitude imatura, culpamos os outros pelos nossos fracassos? Quantos de nós não criamos obsessores imaginários para os responsabilizarmos por nossos vícios? Quando se fala em obsessor, logo vem à mente a imagem de um ser diabólico, malvado. Aquele espírito, que não era exatamente um obsessor, mas um co-participante dos desequilíbrios alheios, era muito inteligente e culto. Um artista e intelectual, só que desencarnado. Precisamos nos libertar dos preconceitos e perceber que um espírito só pode nos induzir com sucesso a fazermos algo se dermos abertura mental, ou seja, se o “mal” já existe dentro de nós. Só assim amadureceremos e assumiremos a direção do barco da nossa vida, não permitindo que ele se afunde nos momentos de tempestade.

Por: Victor Rebelo
Texto publicado na Revista Cristã de Espiritismo,
edição 56

22 agosto 2009

O Outro Lado - Joanna de Ângelis

O OUTRO LADO

Há quem diga que, não reagir a uma agressão ou a qualquer outro ultraje sofrido, é um ato de covardia moral.

Crê-se mesmo que, por falta de reação a muitos males que dominam os arraiais terrenos, estes proliferam assustadoramente.

Os partidários, porém, da força, equivocam-se, na observância e conclusão do problema.

Não reagir, de forma alguma significa concordar ou apoiar o que merece, sem dúvida, correção.

O método eficaz para mudar as paisagens infelizes do momento, porém, é outro, evitando-se, pela brutalidade, o desencadear de mais danosas consequências.

Assim, a legítima atitude, deve ser a da educação pelo exemplo, capaz de transformar o agressor imprudente.

Conveniente não se confundir a ação educativa com a reação selvagem, que nivela os antagonistas que caíram na situação desagradável.

Demonstrar a paz íntima diante do tumulto e vivê-la sob a injunção penosa é forma de engrandecê-la.

Quem raciocina com acerto e sabe avaliar o significado do bem, não reage, não agride, não investe contra; todavia, atua com equilíbrio, educa com segurança, compreende a falha alheia, e a desculpa...

Quando um contendor não revida, desaparece o motivo de prosseguimento da disputa.

Está demonstrado, pela crescente onda de conflitos e malquerenças, que o revide somente piora a situação, enfurecendo mais os antagonistas.

*

Se descobres no ofensor, o teu irmão doente, terás paciência.

Se consideras o teu agressor alguém que se desequilibrou, porque é vitima de vários males que o infelicitam, compreendê-lo-ás.

Se examinas o ataque que alguém te faz, sem dar-lhe valor, o mesmo perderá o significado.

Assim, pensarás em socorrer o enfermo, reequilibrar o desvairado, ensejando-lhes renovação e propondo-lhes educarem-se para conquistar a paz que lhes falta.

Diante de uma dificuldade, tens uma forma de solucioná-la, enquanto o teu próximo tem outra.

A vida possui duas faces: a boa e a má.

"Se alguém te bater numa face, disse Jesus, apresenta-lhe a outra."

Uma é a face da violência, do orgulho ferido, da vaidade mesquinha, do medo. A outra é a da paz, da confiança no bem, da vitória do amor, da dignidade.

Faz-se preciso, para contrabalançar a penosa situação de belicosidade entre os homens, que alguém apresente o outro lado do comportamento, que jaz oculto, mas que eleva e dignifica a criatura.

Todos já conhecem o lado brutal, que a maioria das pessoas ufana em ostentar a qualquer momento. Por isso, podem ser temidas, mas nunca, sequer, respeitadas ou amadas.

Jamais te recuses a apresentar o teu outro lado, a face melhor da tua vida, desarmando o mal e sensibilizando o adversário mediante a onda de amor que lhe dirijas.

Age, portanto, com o lado bom do teu comportamento, auxiliando a instalação do bem na Terra.

*

Jesus jamais revidava mal por mal.

Acossado sempre pelos urdidores da impiedade, manteve-Se, apresentando o outro lado dos problemas pela óptica da paz, e, quando levado às atitudes enérgicas, buscou educar a todos, orientando-os para a renovação.

Face a tal atitude, Seus exemplos não foram inúteis e a Sua doutrina permanece como o outro lado, no duelo que se trava entre o bem e o mal, que é o lado de Deus.

Joanna de Ângelis
Viseu, Portugal, 07.10.1983
De "Seara do Bem",
de Divaldo P. Franco - Diversos Espíritos

21 agosto 2009

Cristianismo, Espiritismo e Mediunidade - Rogério Coelho

Cristianismo, Espiritismo e Mediunidade
Rogério Coelho

"Procuremos, acima de tudo, em favor de nós mesmos, o privilégio de aprender e o lugar de servir". - Emmanuel.

Jesus consolidou no Monte Tabor, juntamente com Elias e Moisés, sob os olhares perplexos de três discípulos, a Era do Espírito, na qual a mediunidade tem papel preponderante... De fato, nas primeiras e singelas comunidades cristãs, o intercâmbio entre encarnados e desencarnados se fazia intenso e proveitoso para ambos os lados.
Na falta de "O Livro dos Médiuns" que só chegaria neste Orbe quase dois milênios depois da vinda de Jesus, os cristãos primitivos recebiam orientações precisas de Paulo de Tarso, que, certa vez, escreveu aos coríntios, antecipando-se àquela excelente obra básica do Espiritismo: (I Cor., 12:1 a 11.)
"Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados. Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor senão pelo Espírito Santo.
Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, a fé; e a outro, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os Espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas...
No entanto, o mesmo poder espiritual realiza todas essas coisas, repartindo os seus recursos particularmente a cada um, como julgue necessário".
Sem, embargo, conhecendo, o superlativo potencial da labilidade humana, Jesus previu o que os pretensos líderes religiosos fariam com a mediunidade. Por isso Ele prometeu o advento do "Consolador" [Espiritismo] para mais tarde. Ele sabia que as fogueiras e torturas da nada "Santa Inquisição" tentariam silenciar as vozes dos Céus.
Mas, como dizia o sábio fariseu Gamaliel: (Atos, 5:35 a 40.)
"O que é obra dos homens se desfará, mas nada pode desfazer o que é obra de Deus".
Já dizia Kardec: "Contra a vontade de Deus não poderá prevalecer a má vontade dos homens".
E a mediunidade permaneceu como ponte viva entre os dois mundos.
É fácil comprovar a ressonância dos ecos mediúnicos do Tabor nos arraiais espiritistas, afinal "O Livro dos Espíritos" foi todo composto com as vozes dos Imortais.
Os dons mediúnicos são preciosíssimas oportunidades de serviço, e o único privilégio que sancionam é o de servir e aprender.
Portanto, são injustificáveis as atitudes de endeusamento de médiuns e mais ainda o envaidecimento dos que são portadores dos dons mediúnicos.
Parafraseando Paulo de Tarso, diz Emmanuel:
(...) Cada médium é mobilizado na obra do bem, conforme as possibilidades de que dispõe: esse orienta, outro esclarece; esse fala, outro escreve; esse ora, outro alivia...
E aduz, com sabedoria, o nobre Mentor de Francisco C. Xavier:
De toda ocorrência, observa o préstimo.
Certos de que o pensamento é onda viva que nos coloca em sintonia com os múltiplos reinos do Universo, busquemos a inspiração do bem para o trabalho do bem que nos compete, conscientes de que as maravilhas mediúnicas, sem atividade no bem de todos, podem ser admiráveis motivos a preciosas conversações entre os esbanjadores da palavra, mas, no fundo, são sempre o exclusivismo de alguém, sem utilidade para ninguém.
Recurso psíquico sem função no bem é igual à inteligência isolada ou ao dinheiro morto: excelentes aglutinantes da vaidade e da sovinice!...
Em mediunidade, portanto, não te dês à preocupação de admirar ou provocar admiração. Procuremos, acima de tudo, em favor de nós mesmos, o privilégio de aprender e o lugar de servir".

Publicado no Boletim do Grupo de Estudos Avançados Espíritas Nr. 379, de 11 de janeiro de 2000

20 agosto 2009

Horizonte da Mente - Miramez

HORIZONTES DA MENTE

Os astros endócrinos, nos céus da forma física, têm profundas ligações com os centros de força desenvolvidos no corpo espiritual, de alta função divina e terrena, pois eles são como duplicatas das sete glândulas de maior responsabilidade no corpo. E a mente representa o comandante, o chefe no topo da cruz humana, pousada como pássaro celestial no maior computador do mundo, o cérebro, distribuindo ordens, analisando conceitos ampliando e estimulando a química orgânica, encorajando altos interesses pelo progresso e por meios ainda desconhecidos da Terra, eternizando as leis de Deus nos escaninhos do próprio ser. A disfunção do mundo glandular provocará em vós inúmeras enfermidades, que a medicina, até hoje, procura debelar com poucos resultados; e estes, quase sempre nas pautas da transitoriedade.

A ciência do futuro, no que diz respeito à saúde do corpo físico, estará marcada por uma radical transformação de conceitos, de ética profissional e de diretrizes, no tocante aos métodos para os tratamentos.

Surge um novo sol na psiquiatria, com uma profusão de remodelações, tendo na mente a responsável direta por todas as enfermidades, o germe de todos os desequilíbrios do vaso físico. O problema fundamental, em primeiro plano, vai ser educar e, depois, instruir os indivíduos sobre como usar a faculdade de pensar, a maior força de todos os planos da existência.

Por isso, colocamos o Cristo como sol das nossas vidas. Encontraremos no Evangelho os métodos mais simples e os meios mais fáceis, preceitos que nos levarão à verdadeira saúde do corpo e da alma.

Vamos condicionar a nossa mente a bons pensamentos, para que estes tomem formas e levem a vitalidade a todo o organismo, sem queima do divino que nos liberta, revigorando todas as nossas atitudes no bem.

Pensar e falar sempre na saúde.

Pensar e comentar assuntos de alegria pura.

As boas maneiras, a decência, a cordialidade, o equilíbrio das emoções , tudo isto são toques de compensação funcional do corpo, que nascem na mente, passam pelos centros de força, ganhando amplitude nas glândulas que fornecem vitalidade hormonal a todos os departamentos somáticos.

A felicidade se inicia no pensamento. O trabalho é teu. Começa e serás ajudado por Deus.

Miramez (espírito)
Psicografia de João Nunes Maia
Livro: Horizontes da Mente

19 agosto 2009

O Minuto - AndréLuiz

O MINUTO

A conduta indica a orientação espiritual da criatura.

Surge o ideal realizado, consoante o esforço de cada um.

Amplia-se o ensino, conforme a aplicação do estudante.

Eternidade não significa inércia, mas dinamismo incessante.

O caminho é infinito.

Quem estabelece a rota da viagem é o viajor.

Continua, pois, em marcha perseverante, gastando sensatamente o tesouro dos dias.

Em sessenta segundos, a lágrima pode transformar-se em sorriso, a revolta em resignação e o ódio em amor.

Nessa mínima parcela da hora, liberta-se o espírito do corpo humano, a flor desabrocha, o fruto maduro cai da árvore e a semente inicia a germinação da energia latente.

Analisa o que fazes de tão valiosa partícula do tempo.

Num só momento, o coração escolhe roteiro para o caminho.

Com o Evangelho na consciência, o lazer é tão-somente renovação de serviço sem mudança de rumo.

Não desprezes o tempo, em circunstância alguma, pois quem espera a felicidade se esmera em construí-la.

A hora perdida é lapso irreparável.

Dominar o relógio é coordenar os sucessos da vida.

Nos domínios do tempo, controlamos a hora ou somos ignorados por ela.

Por isso, quanto mais a alma se eleva em conhecimento, mais governa os próprios horários.

Lembra-te de que as edificações mais expressivas são formadas por agentes minúsculos e de que o século existe em função dos minutos.

Não faz melhor quem faz mais depressa, mas sim quem faz com segurança e disciplina, articulando ordenadamente os próprios instantes.

Observa os celeiros de auxílio de que dispões a não hesites.

Distribui os frutos da inteligência.

Colabora nas tarefas edificantes.

Estende a solidariedade a benefício de todos.

Fortalece o ânimo dos companheiros.

Não te canses de ajudar para que se efetue o melhor.

O manancial do bem não tem fundo.

A paz coroa o serviço.

E quem realmente aproveita o minuto constrói caminho reto para a conquista da vitória na Divina Imortalidade.

De "Sol nas Almas",
de Waldo Vieira,
pelo Espírito de André Luiz

18 agosto 2009

A Lição do Mestre - Eros

A Lição do Mestre

Quando sua figura imponente apareceu, uma emoção dulcíssima percorreu a multidão atenciosa.

Os olhos tranquilos derramando claridade de luar e a postura nobre, aureolada de suave luz, compunham o conjunto harmônico que lhe dava a transcendência superior.

Abrindo a boca em resposta às mudas interrogações da massa, Ele elucidou:

"Não sois o que suportais. O vosso fardo de ansiedades e de dores não significa a vossa realidade. Na impermanência de todas as coisas e acontecimentos, sois vida da Vida e realidade da Realidade.

"Nas passageiras demonstrações das ocorrências dolorosas, avançai na busca de vós próprios. O vento dos fenômenos sacode-vos, porém, causas que sois deles todos, basta-vos alterar o rumo dos passos e se modificarão as vossas expressões.

Olhai em derredor e constatareis que passais pelas águas do rio do tempo, e, enquanto ele permanece o mesmo no seu curso, diferente se vos apresenta o peregrinar.

"Dizei: eu não sou isto, estes amargos efeitos, e erguei-vos para reencetar a marcha.

"Quem deseja alcançar o Meio-Dia, viaja com o Sol do amanhecer e segue além."

Silenciando por um momento, a fim de que o povo lhe assimilasse a lição, ante a brisa branda que ciciava no arvoredo, Ele voltou a falar:

"Viajai para dentro do ser e examinai com as lentes da meditação os vossos sentimentos. Renascestes para o triunfo que vos aguarda. Não estanqueis o passo, demorando-vos no pódio das vitórias ilusórias.

"Vencedor é aquele que supera as más inclinações e doma as cruéis paixões.

"Tudo vos chama para o mundo de enganos ledos. Buscai Deus, a certeza única de todas as certezas.

"Quando vos tornardes cinzas remanescentes do corpo, então evolareis em espírito e recuperareis a vossa plenitude que ireis instalando desde já no imo.

"Vós sois luz, oculta em vasilhame grosseiro que necessita de purificação. Reflexionai, buscando o vosso fanal, e afirma desde agora: Eu sou vitória, eu sou saúde, eu sou paz."

Ao silenciar, pairava sobre todos os ouvintes uma doce esperança de felicidade.

De "Paz íntima",
de Divaldo Pereira Franco,
pelo Espírito Eros

17 agosto 2009

Sofrimentos Voluntários - Raul Teixeira

Sofrimentos Voluntários

Há de fato pessoas muito estranhas neste mundo.

Há pessoas que gostam de ser infelizes. Elas fazem de tudo para sofrer.

Se fôssemos olhar psicologicamente, essas criaturas seriam classificadas, algumas, como hipocondríacas, aquelas que têm mania de doença. Elas têm tudo. Se alguém falar que está sentindo uma coisa, elas estão sentindo também; se alguém disser que teve tal doença, elas tiveram também e se alguém falar que o grau de sua doença foi maior, o delas foi superior. Hipocondríacas.

Percebemos que há criaturas assim. Mas, há outras que, formalmente, gostam de sofrer. Elas vão sempre em busca de alguma situação que as leve a dores, a lágrimas, a frustrações. Afirmam serem conduzidas por uma má estrela. Dizem que têm uma má estrela.

Elas são, de si mesmas, pessoas negativas, de autoestima baixa, e porque elas têm uma autoestima baixa, trabalham as energias em torno de si para que as coisas ruins que elas querem, lhes ocorram. Quanta gente que gosta de sofrer! Sofrimentos voluntários, diríamos.

Às vezes, encontramos pessoas que estão se preparando para um determinado concurso e elas dizem assim: Eu vou fazer, mas sei que eu não vou passar.

Elas já estabeleceram sobre as energias cósmicas o que é que elas querem, e elas farão de tudo para provar a sua tese: Eu sei que eu não vou passar. Vou fazer por fazer. E, quando sai o resultado em que foram reprovadas, dizem vitoriosas: Não disse que eu não iria passar? Claro que isto é uma doença psicológica.

Há outras criaturas, uma moça, por exemplo, que está procurando um namorado, está querendo alguém para se relacionar. Aí lhe aparece um rapaz bonito, um Adônis, alguém acima da média e ela será capaz de dizer: É muita areia pro meu caminhão. Eu não mereço.

Vejamos que coisa paranóica. A própria criatura que diz estar buscando uma situação agradável, gosta da situação desagradável.

Encontramos muita gente que, nas diversas situações da vida, em vários momentos da existência, têm para consigo esse autodesamor, ou essa autoestima baixa, ou essa baixa autoestima.

Como é que ela quer que a sua estrela seja boa, se ela faz de tudo para atrair a má estrela?

Verificamos quanta gente gosta de sofrer no mundo, como se o sofrimento fizesse com que elas fossem observadas, acalentadas.

Há criaturas que gostam de se lamuriar, de chorar as tragédias consigo ou de criar tragédias para si. Estão enormes de gordas e dizem que não comem nada, até o momento em que a gente as vê comendo.

Elas dormem a noite inteira, dormem muito e estão sempre se queixando de insônia, como se desejassem que alguém se penalizasse delas. São sofrimentos autoimpostos. As criaturas são doentes psicologicamente, espiritualmente desajustadas.

Devemos evitar esse tipo de comportamento porque, de maneira alguma, vamos sensibilizar as pessoas, vamos conseguir afastar as pessoas do nosso convívio.

Imaginemos alguém que se nos aproxime para se queixar o tempo todo das tragédias da vida, da luta da vida, das dores da vida, das mortes na vida, quando todos sofremos as mesmas coisas e continuamos trabalhando, continuamos com nosso sorriso, continuamos servindo à vida e continuamos a caminhar.

Os sofrimentos voluntários só têm sentido para Deus, para os olhos da Divindade, quando se destinam a socorrer alguém, a salvar alguém numa situação difícil.

Imaginemos alguém que resolva sair a braços dentro d’água, para impedir que outro se afogue, alguém que entre num casario em chamas para retirar quem ali esteja, um animal que ali esteja, colocando em risco a sua própria vida. Este é um sofrimento voluntário, um sacrifício voluntário que tem utilidade.

Mas, fora disto, quando nos defrontarmos com o nosso espelho, cheios de caras e bocas, cheios de lamentação, como se Deus não tivesse Seu olhar voltado para nós, como se as Leis Divinas não nos envolvessem no amor do Criador, certamente teremos que corrigir a nossa postura.

Esse sofrimento autoimposto é pernicioso para nós.

* * *

Esse tipo de criatura que se impõe sofrimentos para ser coitada, se deprecia porque a vida foi feita para que pudéssemos nos alegrar, ser felizes.

Disse-nos Jesus que a cada dia já basta o seu mal, a cada dia já bastam suas lutas. Não temos que inventar coisas para sofrer.

Quantas são as pessoas que começam a desconfiar de outras?

Fulano não é meu amigo. Beltrana deve estar falando de mim e, em cima dessas desconfianças, armam um castelo de desgraças e de sofrimentos, até descobrir que não é verdade, que ninguém está falando delas, que ninguém tem nada contra elas e que as pessoas gostam delas.

É esse autodesgostar que faz com que se imagine que as outras pessoas não estejam gostando de nós.

Por outro lado, quem é que disse que as pessoas têm obrigação de gostar da gente, se nós não nos sentimos obrigados a gostar de todo mundo?

Não somos obrigados a gostar de ninguém. Por que todo mundo tem que ser unânime em gostar da gente?

Na medida em que vamos amadurecendo nossa visão de mundo, nossa visão no mundo vamos entendendo que há espaço para que a gente seja feliz, sem buscar sofrimentos voluntários.

Quando alguém começa usar drogas, seja o cigarro, seja o alcoólico, seja o que for, está procurando sofrimentos.

Não são poucas as pessoas que são amputadas, sofrem cirurgias cruéis, por causa do tabagismo. Pouca gente sabe que o tabagismo leva muita gente a amputações, a enfisemas pulmonares, a doenças cardiovasculares, pelo prazer patológico de puxar fumaça e pô-la para fora.

Quantas lesões neurológicas são detectadas pela medicina por causa do alcoolismo. Quantos distúrbios neurológicos, quantos distúrbios sociais, separações, mortes, homicídios e suicídios, orfandade, viuvez, por causa do alcoolismo.

Os indivíduos que pegam um carro, tomam a direção de um veículo alcoolizadas: que desgosto elas têm pela vida, que desamor elas têm por si mesmas e pelos outros, que desconsideração.

Tudo isto são sofrimentos que a pessoa se impõe sem nenhuma necessidade. Bastaria um pouco de respeito a si mesma, bastaria um pouco de autoamor, de autoestima um pouco mais elevada, para que verificasse a importância de não tomar um veículo, depois de haver bebido algum alcoólico. Já não seria de boa orientação se alcoolizar e, ainda depois disso, tomar um veículo...

Allan Kardec perguntou aos Imortais em O livro dos Espíritos, sobre a condição do alcoolizado que cometesse um desatino, se ele teria culpa, já que estava alcoolizado.

E os Espíritos respondem ao Codificador que tem culpa dupla. Primeiro, porque se alcoolizou, isso é contra as leis da natureza. Depois, porque alcoolizado, cometeu o delito.

É por isto que não temos que buscar sofrimentos para nós.

De repente, alguém vai a um banquete, a um jantar e come além da cota, sabendo que não pode, conhecendo o funcionamento do seu fígado, do seu estômago, dos seus rins e, no outro dia, a criatura está lesionada, por causa daquilo que comeu na véspera. Não podia perder a oportunidade de se empanturrar, de comer em excesso, de comer em demasia. Mas, com que prazer, se no dia seguinte estará doente?

Essas são as complicações da mente humana, os paradoxos humanos, principalmente na vida daqueles que buscam sofrimentos voluntários.

Há aqueles que resolvem fazer jejuns intermináveis.

Há aqueles que se tornam anoréxicos e acabam morrendo por inanição.

Jovens ou não, preservemos nossas vidas. Deixemos para que a vida nos imponha qualquer tipo de sofrimento que esteja na nossa pauta de necessidades. Quanto ao mais, busquemos o melhor para a vida, amando-nos, amando e sendo felizes.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 150, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em abril de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 03 de maio de 2009.