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31 dezembro 2007

Servicinhos - Emmanuel

SERVICINHOS

"Antes sede uns para com os outros benignos." - Paulo. (EFÉSIOS, 4:32.)

Grande massa de aprendizes queixa-se, por vezes, da ausência de grandes oportunidades nos serviços do mundo.

Aqui, é alguém desgostoso por não haver obtido um cargo de alta relevância; além, é um irmão inquieto porque ainda não conseguiu situar o nome na grande imprensa.

A maioria anda esquecida do valor dos pequenos trabalhos que se traduzem, habitualmente, num gesto de boas maneiras, num sorriso fraterno e consolador...
Um copo de água pura, o silêncio ante o mal que não comporta esclarecimentos imediatos, um livro santificante que se dá com amor, uma sentença carinhosa, o transporte de um fardo pequenino, a sugestão do bem, a tolerância em face de uma conversação fastidiosa, os favores gratuitos de alguns vinténs, a dádiva espontânea ainda que humilde, a gentileza natural, constituem serviços de grande valor que raras pessoas tomam à justa consideração.

Que importa a cegueira de quem recebe? que poderá significar a malevolência das criaturas ingratas, diante do impulso afetivo dos bons corações?

Quantas vezes, em outro tempo, fomos igualmente cegos e perversos para com o Cristo, que nos tem dispensado todos os obséquios, grandes e pequenos?
Não te mortifiques pela obtenção do ensejo de aparecer nos cartazes enormes do mundo.

Isso pode traduzir muita dificuldade e perturbação para teu espírito, agora ou depois.
Sê benevolente para com aqueles que te rodeiam.

Não menosprezes os servicinhos úteis.
Neles repousa o bem-estar do caminho diário para quantos se congregam na experiência humana.

Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Do livro: Vinha de luz
Ditado pelo Espírito Emmanuel

30 dezembro 2007

Suicidas - Emmanuel

SUICIDAS

Não condenes as vítimas da loucura e do sofrimento que se retiram do mundo pelas portas do suicídio.

Ninguém lhes viu talvez a luta insana. E não sabes até que ponto sorveram o veneno da angústia na taça de fel!

Faze silêncio, diante dos que caíram no paroxismo da desesperação e da dor.

Na batalha do mundo, quantos despem o manto da carne, roídos no âmago da alma pelas chagas de aflitivas desilusões!... Quantos procuram fugir ao nevoeiro do vale, arrojando-se às trevas do despenhadeiro cruel!...

E, pedindo a paz do Senhor para os que descem à sombra da rendição antes do triunfo, ora também pelos que armam as garras da treva contra si próprios no pelourinho da maldade e da calúnia:

Pelos que perturbam o caminho alheiro, aniquilando a própria existência;

Pelos que rendem culto à perversidade, consumindo-se na ilusão de que destroem o próximo;

Pelos que se afogam no charco da viciação;

Pelos que se entregam à inércia e pelos que perseguem e chicoteiam os semelhantes, cavando para si mesmos o túmulo de lodo em que há de perecer!

Saibamos utilizar dificuldades na sublimação de nosso futuro.

A Terra é um santuário de regeneração e de esperança para quantos lhe abraçam as lições com ânimo forte, conscientes da misericórdia em que se fundamenta a Divina Justiça.

Dores, aflições, provas e desencantos representam o material educativo do templo em que nos asilamos, à procura de fortaleza moral e de créditos imprescindíveis à continuidade de nossa viagem para Deus.

Não te confies ao cansaço ou ao desalento, na solução dos problemas que te afligem a marcha.

Renova-te na excelsitude do Sol que te acompanha, cada manhã, prometendo-te, cada noite, o esplendor de um outro dia, que raiará sempre mais belo.

Caminha para diante, regozija-te com o sofrimento que te ajusta as contas e abençoa os obstáculos que te fazem mais experiente e mais nobre!...

E unido à tarefa que o Senhor te confiou, qualquer que ela seja, aprendendo e servindo, amando e lutando na construção do Bem Infinito, encontrarás, mesmo na Terra, o manancial da Vida Abundante que te alimentará o coração na conquista da Vida Imperecível.

DO LIVRO: ESCRÍNIO DE LUZ
PSICOGRAFIA DE FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL

29 dezembro 2007

Nunca Desfalecer - Emmanuel

NUNCA DESFALECER

...Orar sempre e nunca desfalecer.. - (LUCAS, 18:1.)

Não permitas que os problemas externos, inclusive os do próprio corpo, te inabilitem para o serviço da tua iluminação.

Enquanto te encontras no plano de exercício, qual a crosta da Terra, sempre serás defrontado pela dificuldade e pela dor.

A lição dada é caminho para novas lições.

Atrás do enigma resolvido, outros enigmas aparecem.

Outra não pode ser a função da escola, senão ensinar, exercitar e aperfeiçoar.

Enche-te, pois, de calma e bom ânimo, em todas as situações.

Foste colocado entre obstáculos mil de natureza estranha, para que, vencendo inibições fora de ti, aprendas a superar as tuas limitações.

Enquanto a comunidade terrestre não se adaptar à nova luz, respirarás cercado de lágrimas inquietantes, de gestos impensados e de sentimentos escuros.

Dispõe-te a desculpar e auxiliar sempre, a fim de que não percas a gloriosa oportunidade de crescimento espiritual.

Lembra-te de todas as aflições que rodearam o espírito cristão, no mundo, desde a vinda do Senhor.

Onde está o Sinédrio que condenou o Amigo Celeste à morte?

Onde os romanos vaidosos e dominadores?

Onde os verdugos da Boa Nova nascente?

Onde os guerreiros que fizeram correr, em torno do Evangelho, rios escuros de sangue e suor?

Onde os príncipes astutos que combateram e negociaram, em nome do Renovador Crucificado?

Onde as trevas da Idade Média?

Onde os políticos e inquisidores de todos os matizes, que feriram em nome do Excelso Benfeitor?

Arrojados pelo tempo aos despenhadeiros de cinza, fortaleceram e consolidaram o pedestal de luz, em que a figura do Cristo resplandece, cada vez mais gloriosa, no governo dos séculos.

Centraliza-te no esforço de ajudar no bem comum, seguindo com a tua cruz, ao encontro da ressurreição divina.

Nas surpresas constrangedoras da marcha, recorda que, antes de tudo, importa orar sempre, trabalhando, servindo, aprendendo, amando, e nunca desfalecer.

Psicografado por Francisco Cândido Xavier
Do livro: Fonte Viva
Ditado pelo Espírito Emmanuel

28 dezembro 2007

No Reino Interior - Emmanuel

NO REINO INTERIOR

"Sigamos, pois, as coisas que contribuem para a paz e para a edificação de uns para com os outros." - Paulo. (ROMANOS, 14:19.)

Não podemos esperar, por enquanto, que o Evangelho de Jesus obtenha vitória imediata no espírito dos povos.

A influência dele é manifesta no mundo, em todas as coletividades; entretanto, em nos referindo às massas humanas, somos compelidos a verificar que toda transformação é vagarosa e difícil.

Não acontece o mesmo, porém, na esfera particular do discípulo.

Cada espírito possui o seu reino de sentimentos e raciocínios, ações e reações, possibilidades e tendências, pensamentos e criações.

Nesse plano, o ensino evangélico pode exteriorizar-se em obras imediatas.

Bastará que o aprendiz se afeiçoe ao Mestre.

Enquanto o trabalhador espia questões do mundo externo, o serviço estará perturbado.

De igual maneira, se o discípulo não atende às diretrizes que servem à paz edificante, no lugar onde permanece, e se não aproveita os recursos em mão para concretizar a verdadeira fraternidade, seu reino interno estará dividido e atormentado, sob a tormenta forte.

Não nos entreguemos, portanto, ao desequilíbrio de forças em homenagens ao mal, através de comentários alusivos à deficiência de muitos dos nossos irmãos, cujo barco ainda não aportou à praia do justo entendimento.

O caminho é infinito e o Pai vela por todos.

Auxiliemos e edifiquemos.

Se és discípulo do Senhor, aproveita a oportunidade na construção do bem.

Semeando paz, colherás harmonia; santificando as horas com o Cristo, jamais conhecerás o desamparo.

Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Do livro: Vinha de luz.
Ditado pelo Espírito Emmanuel

27 dezembro 2007

Palavras aos Espíritas - Emmanuel

PALAVRA AOS ESPÍRITAS

REUNIÃO PÚBLICA DE 17-04-59 - QUESTÃO 798.

Espiritismo revivendo o Cristianismo - eis a nossa responsabilidade.

Como outrora Jesus revelou a Verdade em amor, no seio das religiões bárbaras de há dois mil anos, usando a própria vida como espelho do ensinamento de que se fizera veículo, cabe agora ao Espiritismo confirmar-lhe o ministério divino, transfigurando-lhe as lições em serviço de aprimoramento da Humanidade.

Espíritas!

Lembremos-nos de que templos numerosos, há muitos séculos, falam d'Ele, efetuando porfiosa corrida ao poder humano, olvidando-lhe a abnegação e a humildade.

E porque não puderam acomodar-se aos imperativos do Evangelho, fascinados que se achavam pela posse da autoridade e do ouro, erigiram pedestais de intolerância para si mesmo.

Todavia, a intolerância é a matriz do fratricídio, e o fratricídio é a guerra de conquista em ação. E a lei da guerra de conquista é o império da rapina e do assalto, da insolência e do ódio, da violência e da crueldade, proscrevendo a honra e aniquilando a cultura, remunerando a astúcia e laureando o crime, acendendo fogueiras e semeando ruínas em rajadas de sangue e destruição.

Somos, assim, chamados à tarefa da restauração e da paz, sem que essa restauração signifique retorno aos mesmos erros e sem que essa paz traduza a inércia dos pântanos.

É imprescindível estudar educando, e trabalhar construindo.

Não vos afasteis do Cristo de Deus, sob pena de converterdes o fenômeno em fator de vossa própria servidão às cidadelas da sombra, nem algemeis os punhos mentais ao cientificismo pretensioso.

Mantende o cérebro e o coração em sincronia de movimentos, mas não vos esqueçais de que o Divino Mestre superou a aridez do raciocínio com a água viva do sentimento, a fim de que o mundo moral do homem não se transforme em pavoroso deserto.

Aprendamos do Cristo a mansidão vigilante.

Herdemos do Cristo a esperança operosa.

Imitemos do Cristo a caridade intemerata.

Tenhamos do Cristo o exemplo resoluto.

Saibamos preservar e defender a pureza e a simplicidade de nossos princípios.

Não basta a fé para vencer. É preciso que a fidelidade aos compromissos assumidos se nos instale por chama inextinguível na própria alma.

Nem conflitos estéreis.

Nem fanatismo dogmático.

Nem tronos de ouro.

Nem exotismos.

Nem perturbação fantasiada de grandeza intelectual.

Nem bajulação às conveniências do mundo.

Nem mensagens de terror.

Nem vaticínios mirabolantes.

Acima de tudo, cultuemos as bases codificadas pro Allan Karde, sob a chancela do Senhor, assinalando-nos as vidas renovadas, no rumo do Bem Eterno.

O Espiritismo, desdobrando o Cristianismo, é claro como o Sol.

Não nos percamos em labirinto desnecessários, porquanto ao espírita não se permite a expectação da miopia mental.

Sigamos, pois, à frente, destemerosos e otimistas, seguros no dever e leais à própria consciência, na certeza de que o nome de Nosso Senhor Jesus-Cristo está empenhado em nossas mãos.

EXTRAÍDO DO LIVRO: RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS,
DITADO PELO ESPÍRITO DE EMMANUEL,
PSICOGRAFADO PELO MÉDIUM FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.

26 dezembro 2007

Por Que Choras - Fabiano de Cristo

POR QUE CHORAS?

Se a vida te convida ao exercício da renúncia, por que choras, sem reconhecer a bênção da lição e do refazimento?

Se o companheiro não te interpreta ajustadamente os propósitos, por que choras, sem nele reconheceres o irmão carente de ajuste e reajuste que o destino te deu para edificar?

Se os choques familiares te levam a repensar sobre as tuas convicções nascentes, por que choras, perdendo de recolher o estímulo para que reveles o crescimento de tua convicção?

Se o trabalho te fere e te angustia, com as suas exigências de disciplina sempre renovada, por que choras se devias interpretá-lo como as leis de Deus em teu beneficio?

Se te comparecem os filhos com ingratidão e exigência despropositadas, por que choras, se são as tuas vítimas que retomam à porta de teu coração, rogando-te por paciência e reeducação?

Se a criatura enferma, o homem faminto, o delinqüente contumaz, a velhinha esclerosada te rogam a toda hora, por que choras, aspirando por campos novos e vida mais ampla, se todos eles são uma singela parcela do Senhor da Vida que te levam a garimpar na lama de tua alma, para que descubras o ouro na bateia da caridade redentora?

Por que choras por ti, quando seria edificante que chorasse por todos aqueles que, de tanto multiplicar os próprios sofrimentos, hoje se sentem incapazes de verdadeiramente derramar as lágrimas da resignação que levam a alma e fecundam as sementes da própria alma, traçando as sendas redentoras?

Não chores por ti, para que não te afogues na dor - fantasia, no sofrimento fictício, na ansiedade que consome e extingue os dons da verdadeira vida.

Se lágrimas tens, converta-as em gotas de suor, a banhar-te as faces nas tarefas do próprio bem e só, então poderás seguir com a cruz de teu passado em busca de um futuro de luz.

PÁGINA INSPIRADA POR FABIANO DE CRISTO

25 dezembro 2007

Porque é Natal - Ivan de Albuquerque

 
PORQUE É NATAL

Senhor,

A Tua voz é o som perfeito que me embala o ser, e que me faz ouvir o murmúrio tranqüilizante dos astros.

O Teu olhar é como o brilho solar, que me aquece a alma fria, marcada pelo desalento e pela desesperança, nessa dura marcha para a elevação.

As Tuas mãos representam para mim o divino apoio, amparo que me impede de tombar, fragilizado como estou, nos rumos em que me vejo, ante a necessidade de subir.

As Tuas pegadas indicam-me as trilhas por onde devo me orientar nessa ausência de bússola moral com o entorpecimento da ética, quando desejo ir ao encontro de Deus.

As Tuas instruções, Jesus Nazareno, mapeiam para mim o território da paz, ensejando-me clareza para que saiba onde me encontro e como estou, para que não me perca nessa ingente procura dos campos de amor e das fontes de paz.

Os Teus silêncios falam-me bem alto a respeito de tudo o que devo aprender e operar nos recônditos de minh´alma, aprendendo tanto a falar quanto a calar, sempre atuando na construção do mundo rico de fraternidade que almejamos.

Agora, quando me ponho a meditar sobre tudo isso, meu Senhor, desejo exalçar o Teu nome, por toda a minha omissão dos milênios afora, embora a Tua paciente e dúlcida presença junto a mim.

Já é Natal na Terra, Jesus!

E porque é o Teu Natal, busco em Tua luz desfazer as minhas sombras; procuro em Tua assistência superar minhas variadas necessidades; quero no Teu exemplo de trabalho atender os meus deveres.

Porque é o Teu Natal, anseio por achar na Tua força a coragem de superar os meus limites; desejo ver na Tua entrega total a Deus o reforço para minha fidelidade ao bem e, na Tua auto-doação à vida, anelo tornar-me um servidor; no culto do dever que Te trouxe ao mundo, quero honrar o meu trabalho.

No Teu Natal, que esparge claros jorros de amor sobre o planeta, quero abrigar-Te no imo do meu coração convertido numa lapa bem simples, para que possas nascer em mim, crescer em mim e atuar por mim.

E, na magia do Natal, vibro para que minhas ações permitam que o Teu formoso Reino logo mais possa alojar-se aqui, no mundo, e que cheio de júbilo n´alma eu possa dizer que Te amo, que Te busco e que Te quero seguir, apesar da simplicidade dos meus gestos e do pouco que tenho para dar-Te, meu doce Amigo, meu Senhor.

Psicografia de Ivan de Albuquerque
Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 24.9.2007, na Sociedade Espírita Fraternidade, em Niterói-RJ


24 dezembro 2007

A Renovação Planetária - Ricardo Viana

A RENOVAÇÃO PLANETÁRIA

Chegamos a um momento da humanidade em que os valores morais e éticos gritam por socorro, a necessidade de um despertar de consciência nunca foi tão imperiosa como nesse momento.

O Brasil, como terra de culturas e crenças diversas, encontra-se numa espécie de confusão ideológica. Como uma verdadeira separação entre o “joio e o trigo”, vemos hoje avolumar-se uma grande quantidade de violência, insensatez, vícios em geral e muita falta de espiritualidade. Em contra partida, encontramos também um volume cada vez maior de pessoas buscando uma religião, atuando em serviços voluntários, meditando e preocupando-se com o seu país e com o mundo.

As menções sobre uma época de transformação são ditas desde as mais remotas religiões e seus profetas, passando por Jesus e mais recentemente na própria doutrina espírita. Muitos a consideram como o período do fim do mundo, para outros é uma grande oportunidade de vencer seus próprios obstáculos e conquistar algo que conscientemente não se sabe, mas sente que o momento é único.

Jesus preconiza uma época em que povos se levantarão contra povos, fome e pestes se alastrariam, mas não seria ainda o fim - segundo Jesus - o fim estaria próximo apenas quando a “Boa Nova” fosse ensinada para todos os povos. João através do Apocalipse nos revela uma espécie de luta entre o bem e o mau, na qual o vencedor ganhará a “Nova Jerusalém”. Os maias antigos, com o seu calendário lunar profetizam uma época de escuridão que será substituída por uma “Era de Ouro” a partir de 2012 da nossa época. Outros povos como os egípcios, sumérios e as antigas ordens esotéricas, fazem menções sobre uma época de transformações e renovação planetária.

A idéia de fim do mundo ficou marcada devido ao conceito errado envolvendo o “inferno” e a pouca compreensão da vida futura. O homem ainda presume que a matéria é o fator principal do universo e a idéia de mudanças climáticas e geológicas dá uma dimensão de sofrimento inimaginável.

Na parte final do apocalipse, João vê Jesus e seus anjos vindo juntamente com a “Nova Jerusalém” para a felicidade dos que venceram a grande batalha narrada no seu texto.

Muitos “cristãos” acreditam que a Nova Jerusalém estaria no Reino dos Céus e os vencedores seriam retirados desta terra, mas muitos esquecem que João estava em espírito, ou seja, estava fora de seu corpo, viu tudo por outro Plano. Além do mais, o próprio nome “Nova Jerusalém” pressupõe uma Jerusalém (Planeta) renovada.

Renovação Planetária

Se não fosse assim, como justificar a promessa de Jesus no sermão do monte em que os pacíficos herdariam a terra e por que após a boa nova estar difundida para todos, o mundo acabaria?

A doutrina espírita, através da Gênese, codificada por Kardec, dentre tantas outras fontes, nos dá a noção exata do período que estamos passando.

Kardec nos diz no capítulo XVIII: “...Esse duplo progresso se cumpre de duas maneiras: uma lenta, gradual e insensível; a outra por mudanças mais bruscas, a cada uma das quais se opera um movimento ascensional mais rápido, que marca, por caracteres nítidos, os períodos progressivos da Humanidade. Esses movimentos, subordinados nos detalhes ao livre-arbítrio dos homens, são de alguma sorte fatais em seu conjunto, porque estão submetidos a leis, como aquelas que se operam na germinação, no crescimento e na maturidade das plantas; é por isso que o movimento progressivo, algumas vezes, é parcial, quer dizer, limitado a uma raça ou a uma nação, de outras vezes geral. O progresso da Humanidade se efetua, pois, em virtude de uma lei; ora, como todas as leis da Natureza são obra eterna da sabedoria e da presciência divina, tudo o que é efeito dessas leis é o resultado da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Quando, pois, a Humanidade está madura para vencer um degrau, pode-se dizer que os tempos marcados por Deus são chegados...”.

De forma acertada Kardec relaciona e compara a atual fase de transformação do Planeta que está subordinada a leis, ao processo de germinação e progresso de uma planta, ou seja, o amadurecimento da Humanidade. Talvez por isso Jesus afirma que o fim chegaria precedido pelo conhecimento da “Boa Nova” por todos os povos.

A Nova Ordem Social

Ele continua dizendo: “...A fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social; mas não há fraternidade real, sólida e efetiva, se ela não se apóia sobre uma base inabalável; esta base é a FÉ...”. Continua: “...Para que os homens sejam felizes sobre a Terra, é necessário que ela não seja povoada senão por bons Espíritos, encarnados e desencarnados... Tendo chegado esse tempo, uma grande imigração se cumprirá entre aqueles que a habitam; aqueles que fazem o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não toca, não sendo mais dignos da Terra transformada, dela serão excluídos, porque lhe trariam de novo a perturbação... Eles irão expiar o seu endurecimento, uns nos mundos inferiores, os outros entre raças terrestres atrasadas... Serão substituídos por Espíritos melhores, que farão reinar, entre eles, a justiça, a paz, a fraternidade... A Terra não deve ser transformada por um cataclismo que aniquilaria subitamente uma geração, a atual desaparecerá gradualmente, e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas...” A afirmação de Jesus, de que os mansos herdarão a Terra se justifica nessa passagem do livro da Gênese. Kardec nos explica como o processo de renovação ocorrerá, de forma natural e gradual, como alias, já está acontecendo.

Kardec termina o capítulo com a seguinte advertência: “Os incrédulos rirão dessas coisas, e a tratarão por quimeras; mas digam o que disserem, eles não escaparão à lei comum; cairão a seu turno, como os outros, e, então, o que será deles? Eles dizem: Nada! Mas viverão a despeito de si mesmos, e serão, um dia, forçados a abrir os olhos.”

Escrito por Ricardo Viana
Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, ed. 23

23 dezembro 2007

Influência Oculta - José Antonio Ferreira da Silva

Influência Oculta

Nessa minha vida de espírita eu escuto de tudo. Escuto comentários que às vezes dá vontade de rir e outros que dão vontade de chorar. Meu Deus, quanta ignorância a respeito da vida e das leis espirituais.

Nesses comentários, o que eu realmente vejo são as pessoas fugindo de assumir a responsabilidade sobre suas vidas, de encarar a realidade e o pior, culpando os outros pelos seus desencontros e suas decepções. Um dos bodes expiatórios mais populares são os espíritos. Coitados deles! São responsabilizados por tudo; da dor nas costas à queda de cabelo, é mole? Mas é verdade gente! Ninguém quer encarar a realidade de que são elas próprias que constroem o próprio destino.

Nas minhas viagens para realizar palestras e no meu programa de rádio eu costumo escutar coisas do tipo: “meu marido bebe por que tem um espírito que faz ele beber”; “meu marido não deixa a outra mulher por que ela botou um encosto nele” e ainda “um espírito entrou em mim e eu quebrei tudo lá em casa”. E, pasmem, na maioria das vezes elas são espíritas e justificam todas essas asneiras usando a questão 459 de O Livro dos Espíritos, quando Allan Kardec pergunta: “Os espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?” Respondem os espíritos: “Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito freqüentemente são eles que vos dirigem.”. Elas não estudam com profundidade o Espiritismo e nem refletem coisas básicas do tipo: como se processa essas influências? Que leis regem essas influências? E até onde vão essas influências?

Mas a espiritualidade não nos deixa dúvidas. Quem realmente estuda, aprende que as influências espirituais são regidas pela lei de sintonia e afinidade, que somos nós, com as nossas atitudes mentais e comportamentais que atraímos os espíritos evoluídos ou os atrasados para junto de nós, e que como tudo na vida, isso tem conseqüências e às quais não poderemos fugir. Pois como diz o espírito Joanna de Ângelis, no seu livro Plenitude: “Somente há obsessão e sofrimento, por que se elegem os comportamentos doentios em detrimentos daqueles outros positivos”. Não são eles que nos trazem os vícios e as paixões, mas somos nós que, com os nossos vícios e paixões, atraímos as companhias espirituais desequilibradas. Temos livre-arbítrio e ninguém, seja espírito encanado ou desencarnado, conseguirá nos influenciar a fazermos uma coisa a qual não queiramos. Culpar os espíritos pelas nossas falhas é fugirmos de encarar a realidade e a necessidade de dirigirmos a nossa própria existência.

O próprio Allan Kardec nos chamou atenção em O Livro dos Médiuns a “evitar atribuir à ação direta dos espíritos todas as nossas contrariedades, que, em geral, são conseqüências da nossa própria incúria ou imprevidência”. Você continuará sempre sendo o que você faça de você. A influência espiritual existe e existirá de acordo com o que você é, e não determinando o que você será. Portanto, não culpe os espíritos pela bebida, pela traição e pelos desequilíbrios que, na maioria das vezes, eles são meros coadjuvantes e você a estrela principal, pois é você quem escolhe os pensamentos, quem escolhe as atitudes e quem desencadeia os fatos.

Reflita antes de culpar os espíritos, porque se você for investigar a origem e a causa das obsessões, as encontrará em você mesmo. É você quem abre a fresta e dá espaço a influência negativa ou quem eleva o pensamento e sintoniza com a espiritualidade maior agindo sempre da melhor maneira possível. É hora de mudarmos a postura e entendermos as verdades básicas da vida. Você está onde você se põe. Só quando assumirmos o compromisso de cuidarmos de nós mesmos é que conseguiremos viver a felicidade que tantos sonhamos. Felicidade que não é privilegio, nem dádiva. Felicidade é conquista de quem escolheu ser feliz.

Escrito por José Antonio Ferreira da Silva
www.rcespiritismo.com.br

22 dezembro 2007

Céu e Inferno - Deise Bianchini

Céu e Inferno

Em entrevista realizada via internet, no canal IRC-Espiritismo, Deise Bianchini falou sobre o céu e o inferno segundo a concepção da doutrina espírita.

Como fazer para garantir o “céu” dentro de nós?

Deise Bianchini – Tanto o céu como o inferno são estados de espírito em que nos colocamos quando ainda encarnados. Podemos usufruir desse céu maravilhoso que tantos esperam após a morte. Caridade, humildade e amor são os caminhos que nos levam ao Pai e que trazem seu mundo para dentro de nós.

Como são os espíritos que tendem a deter a marcha das coisas?

Deise Bianchini – São espíritos ainda atrasados moralmente, que se comprazem com o sofrimento dos outros, não estão preocupados com sua evolução ou ainda não aprenderam que isso ocorrerá. Procuram nos prejudicar por todos os meios e influências. Ainda não têm conhecimento do amor ou do perdão. Levam a vida procurando vingança. Quando a Terra também evoluir, esses não se encontrarão mais entre nós, mas com certeza chegarão lá também, pois chances não faltam.

De que forma espíritos elevados como Jesus sentem nossos sofrimentos e angústias? Isso não atrapalha sua felicidade?
Deise Bianchini – É como acontece com nossos filhos. Quando esperneiam para tomar vacina ou choram diante do dentista e seu aparelho, nós não os furtamos a essas visitas, pois sabemos que esses sofrimentos são momentâneos e que só lhes farão bem. Os bons espíritos que nos acompanham também se penalizam de nós, mas sabem que só assim poderemos crescer, andando com nossas próprias pernas e tendo nossos méritos a cada vitória alcançada. Eles nos mostram o caminho e nos amparam.

Se a Terra está evoluindo, os espíritos ditos maus não deverão ir para um outro mundo de igual progresso da Terra atual?
Deise Bianchini – Não gosto muito desse termo “mau”. Sempre procuro utilizar infelizes ou pouco esclarecidos. Procuro entender que a maldade não é inerente a eles, mas um estado em que se encontram. Portanto, se apesar de todas as chances de aprendizado ainda estão teimosos e se mantendo no mesmo estágio evolutivo, deverão reencarnar em mundos inferiores, onde estarão aptos a recomeçar e enfrentar todas as dificuldades que se apresentarem.

As regiões umbralinas podem ser consideradas como uma espécie de purgatório?

Deise Bianchini – O Livro dos Espíritos nos coloca que o purgatório não é um lugar determinado, mas o estado dos espíritos imperfeitos que estão em expiação. Quase sempre é sobre a Terra mesmo. Normalmente, na literatura, o Umbral é colocado como um local de extremo sofrimento, mas nunca ouvi ou li comentários de expiação ali.

Reencarnar em mundos inferiores não seria uma espécie de regressão para o espírito?

Deise Bianchini – Não, pois o espírito não regride. Ele conserva o aprendizado, mas deve aliar o aprendizado moral a tudo que aprendeu. Ele pode estacionar, mas nunca regredir. Mesmo em mundos inferiores, o espírito conserva sua condição hominal e, portanto, não ocorrem quaisquer regressões. Por mundos inferiores podemos também entender aqueles mais tecnologicamente primitivos, onde as dificuldades de manutenção da vida corpórea encontram-se muito maiores, devido à pouca ciência.

Você não acha que a duração dos sofrimentos humanos será eterna, uma vez que sempre existem novas criaturas ignorantes sendo criadas e que, por isso, podem se inclinar ao mal?

Deise Bianchini – O sofrimento só será eterno enquanto o homem não aprender a lei do amor. Não aprendemos apenas pela dor e sempre teremos os missionários a nos acompanhar e nos auxiliar em nossa evolução. Com certeza podem se inclinar ao mal, mas como saber? Nascemos simples e ignorantes, depois acumulamos nossas experiências. Espero sinceramente que não precise ser assim.

Não trazemos alguma bagagem de outras encarnações?

Deise Bianchini – Sim, nós trazemos a bagagem dos conhecimentos adquiridos. Essas lembranças estão temporariamente escondidas, mas agem sobre nós como uma intuição e influenciam nessa vida sim. Temos tanta facilidade para determinadas coisas e para outras não. São os aprendizados que já realizamos que estão retornando a nós, de uma forma inconsciente.

De que maneira uma vida anterior de duras expiações pode influenciar nossa atual encarnação?

Deise Bianchini – Nada ocorre sem uma causa, tudo é um aprendizado em nossas vidas ou débitos que estão sendo quitados. Uma dura vida anterior com certeza elevou nosso aprendizado moral e agora podemos colher seus frutos, terminar o que apenas começamos a quitar.

Existe o mal que os espíritos praticam contra terceiros, mas existe um outro mal que é praticado contra eles mesmos, que é o caso do vício ou, por exemplo, o materialismo do egoísta. Existe uma diferenciação para esses dois tipos de males praticados ou, independentemente dos males cometidos, todos carregam a mesma pena?
Deise Bianchini – Não, nem todos carregam a mesma pena. “Muito será pedido a quem muito foi dado”. Aquele que tiver consciência de suas atitudes e, mesmo assim, proceder no erro será muito mais culpado que o ignorante que praticar o mesmo ato. Isso vale para tudo, para nós mesmos, com os vícios, ou em relação aos outros.

Escrito por Deise Bianchini
Entrevista publicada na Revista Cristã de Espiritismo, edição 14

21 dezembro 2007

Desenvolvimento Mediúnico - Edvaldo Kulcheski

 
DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO

Embora em diferentes graus e tipos, todos nós temos a mediunidade e, por esse motivo, todos somos médiuns. Essa faculdade é inerente ao homem, não constituindo um privilégio exclusivo. Porém, entendemos comumente como médium todo aquele que sente a influência dos espíritos de forma ostensiva...

Reparemos que, ao nosso redor, há ignorância, miséria, lágrimas, feridas, dores e erros. Pois bem, é por meio dos médiuns que os espíritos nos instruem, suavizam a miséria, enxugam as lágrimas, cicatrizam as feridas, mitigam as dores e corrigem os erros. A mediunidade, quando equilibrada, faz com que nós, habitantes da Terra, trabalhemos juntos na construção do reino de Deus.

Mediunidade infantil

Geralmente, o processo de desenvolvimento da mediunidade é cíclico, ou seja, ocorre por meio de etapas sucessivas em forma de espiral. O primeiro ciclo vai de zero aos 12 anos de idade, período no qual as crianças possuem a mediunidade à flor da pele, por assim dizer, mas com o resguardo da influência benéfica e controladora dos espíritos protetores, chamados por algumas religiões de “anjos da guarda”.

Nessa fase infantil, as manifestações mediúnicas são mais de caráter anímico. A criança projeta sua alma nas coisas e nos seres que a rodeiam, recebe as intuições orientadoras de seus protetores, às vezes observa e denuncia a presença de espíritos e, não raro, transmite avisos e recados destes aos familiares de maneira positiva e indireta. Quando passam dos sete ou oito anos, as crianças se integram melhor ao condicionamento da vida terrena, desligando-se progressivamente das relações espirituais e dando mais importância às relações humanas.

No entanto, não é aconselhável o exercício da mediunidade em crianças, uma vez que o organismo delas, débil e em formação, pode sofrer fortes abalos. Além disso, a imaginação está em intensa atividade e pode haver uma grande excitação, sem contar que elas não possuem discernimento suficiente para lidar com os espíritos.

Às vezes, as manifestações mediúnicas apresentadas pela criança são causadas pelas perturbações existentes no ambiente do lar. Neste caso, o mais recomendável é atendê-la com passes, para eliminar as manifestações, e orientar o comportamento dos familiares adultos, para que as tensões espirituais não reflitam mais nela.

Agora, se a manifestação mediúnica for espontânea e equilibrada, deve-se aceitar os fenômenos com naturalidade, mas sem estimulá-los nem tampouco querer colocar a criança em um verdadeiro trabalho mediúnico. Convém que ela seja encaminhada para a evangelização e o conhecimento doutrinário adequados à sua idade, a fim de que, no futuro, ela esteja devidamente preparada para entender sua faculdade e empregá-la bem.

Manifestações mais intensas

O segundo ciclo de desenvolvimento da mediunidade começa geralmente na adolescência, a partir de 12 ou 13 anos de idade. Como dissemos, no primeiro ciclo, só se deve intervir no processo mediúnico com preces e passes, para abrandar as excitações naturais da criança. Já na adolescência, o corpo amadureceu o suficiente para que as manifestações mediúnicas se tornem mais intensas e positivas. Então, é tempo de encaminhá-la com informações mais precisas sobre a questão da mediunidade.

Diante disso, não se deve tentar o desenvolvimento da mediunidade em sessões. O passe, a prece e as reuniões de estudo doutrinário são os meios de auxiliar o processo sem forçá-lo, dando ao adolescente a orientação necessária. A adolescência é a hora das atividades lúdicas, dos jogos e esportes, do estudo e aquisição dos conhecimentos em geral, de uma integração mais completa na realidade terrena. Portanto, não se deve forçar os adolescentes, mas estimulá-los no tocante aos ensinamentos espirituais, abrindo suas mentes para o contato mais profundo e constante com a vida no mundo. Os exemplos dos familiares influem mais em suas opções do que os ensinamentos e as exortações orais.

Já o terceiro ciclo ocorre geralmente na passagem da adolescência para a juventude, entre 18 e 25 anos de idade, tempo dos estudos sérios. No entanto, se a mediunidade não se definiu devidamente até esta fase, não devem haver preocupações, uma vez que existem processos nos quais sua verdadeira eclosão leva até cerca de 30 anos para ocorrer.

Potencialidade e educação

Na verdade, a potencialidade mediúnica nunca permanecerá letárgica. Ela se atualiza com mais freqüência do que supomos, passando de potência a ato em diversos momentos da vida, através de pressentimentos, previsões de acontecimentos simples, como o encontro de um amigo há muito ausente, percepções extra-sensoriais que atribuímos à imaginação ou à lembrança e assim por diante.

Portanto, os problemas mediúnicos consistem apenas e tão-somente na disciplinação das relações espírito-corpo, que chamamos de “educação mediúnica”. À medida que o médium aprende, como espírito, a controlar sua liberdade e selecionar suas relações espirituais, sua mediunidade se aprimora e se torna cada vez mais segura.

O bom médium é aquele que mantém o seu equilíbrio psicofísico e procede na vida de modo a criar para si mesmo um ambiente espiritual de moralidade, amor e respeito pelo próximo. A dificuldade maior está em se fazer o médium compreender que, para tanto, ele não precisa se tornar santo, mas apenas um homem de bem. Deve ser espontâneo, natural, uma criatura normal, que não tem motivos para se julgar superior aos outros. Quando não orientada para os caminhos do bom senso, a mediunidade pode turvar a vida e ser instrumento de perturbação geral, porém, em harmonia, pode fazer grandes coisas.

A educação mediúnica pode começar no simples modo de falar aos outros, transmitindo bastante brandura, alegria, amor e caridade em todos os atos da vida. O desabrochamento de uma faculdade mediúnica e seu constante aprimoramento necessita, dentre outras coisas, de educação, esforço, disciplina e aquisição de valores morais e espirituais, a fim de se evitar ciladas, enganos, perigos e dissabores que podem ser gerados pela invigilância, pela indisciplina e pelo despreparo.

É importante que o médium não procure na mediunidade um objetivo de simples curiosidade, diversão ou interesse particular, mas que a encare como coisa sagrada que deve ser utilizada para o bem de seu semelhante, sustentada na elevação moral e no estudo sério e edificante. Na primeira fase do desenvolvimento, o médium deve evitar qualquer pretensão vaidosa no sentido de se supor capaz de grandes feitos mediúnicos.

Aquele que se educa espiritualmente e amadurece seu dom através do esforço, do estudo e da disciplina moral passa a ser assistido pelos bons espíritos, que o preservam das ciladas do mundo invisível. Os bons médiuns são raros por falta de uma educação e um adestramento seguro. A faculdade mediúnica é delicada e necessita de acuradas precauções, perseverantes cuidados, método, aspirações nobres e da conquista de uma cobertura espiritual de caráter elevado. O ambiente da prática mediúnica deve ser seguro, organizado e sério, para evitar o perigo de um falso desenvolvimento em que predominam as viciações, bem como os condicionamentos, o automatismo, as falsas concepções do que sejam os espíritos guias, as mistificações e a obsessão.


Escrito por Edvaldo Kulcheski
Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, Edição 19

20 dezembro 2007

Cegueira - Espírito Carlos

CEGUEIRA

A ignorância é a causa de todos os males que apoquentam a humanidade, e a teimosia por vezes nasce dela.

Já que o amor, na sua expressão verdadeira, ainda não atingiu o coração da humanidade, sejamos mais ou menos sábios, amando com mais acerto aqueles que se aproximam de nós.

Não desdenhes a sua família, retratando o que se passa dentro de tua casa aos companheiros, que podem zombar dos teus infortúnios. Procura revelar habilidade, fazendo o que estiver ao teu alcance para harmonizar o teu lar. A tua família viaja no mesmo barco, contigo; se esqueceres os cuidados correspondentes à segurança, afogar-te-ás, com ela.

Já que a fraternidade entre os seres é de escassez indescritível, abramos os nossos olhos, pelo menos, para o grupo a que pertencemos. Que os pobres não combatam os pobres, para que a pobreza não seja sinônimo de ignorância; que os ricos não oprimam os ricos, para que a riqueza não seja assentada na usura. Que as raças selecionadas pela natureza, que entre si diferem por costumes e/ou cores, não criem problemas no próprio grupo étnico, para não enfraquecer a idéia de igualdade e universalidade, que unifica, pelo amor.

Da união de idéias nobres, surge sempre a vitória do bem.

Se és muito amigo de alguém, é porque ambos alimentais idênticos sentimentos.

Não permitas que a tua vaidade te leve ao combate sistemático dos teus companheiros. Se não respeitas quem te gosta, onde irás descansar?

As pedras se acumulam, formando montanhas: as árvores, florestas; os pássaros, bandos; os peixes, cardumes. Os homens se organizam em sociedades, e os Anjos em falanges.

E cada divisão se mantém coesa pelas leis do amor, e se nutre pela assimilação de forças idênticas.

É contra-senso o semelhante destruir o outro.

O egoísmo é grande cegueira, pois nada é propriedade nossa, tudo pertence a Deus. Somente recebemos na seqüência do que a vida nos permite para viver.

O combate aos nossos semelhantes é fora da lei espiritual, criada por DEUS. Ele sabe o que fez, o que está fazendo e o que vai fazer, ainda que Seus objetivos permaneçam alheios às nossas acanhadas idéias.

Pretender ensinar à inteligência Divina, é o mesmo que almejar produzir gotas de chuva em lugar abundantemente molhado.

Se ainda não aprendeste a conservar as estradas por onde devem os outros passar, cuida do caminho por que transitas todos os dias.

Até que o tempo possa te abrir os olhos, mostrando-te que tudo que fizeres pelo bem estar alheio, reverter-se-á a teu crédito, estimula mãos para operarem em teu favor.

Pelo Espírito: CARLOS
Psicografia: JOÃO NUNES MAIA
Do livro: TUAS MÃOS


19 dezembro 2007

Inversão - Espírito Carlos

I N V E R S Ã O

A complexidade do ser humano, de certo modo, ultrapassa alguns dos mais apurados raciocínios. Aproveitando o versículo em pauta, é bom que se note que muitos ricos sentem felicidade em dizer que são pobres, e pobres, grande prazer em falar que são ricos.

Conforme a intensidade das idéias, vivemos o que realmente pensamos.

Tanto a riqueza quanto a pobreza são ilusões necessárias, astros volantes que passam nos céus, de todas as vidas, consertando destinos e modificando conceitos dos que viajam com eles.

Quem gosta de dizer que fez isso ou aquilo na vida; que o que tem foi ganho com toda a honestidade, sem que ninguém o ajudasse, sempre afirmando que aquele que nada possui se esqueceu de trabalhar... coloque as suas opiniões de molho: louvor em boca própria é desmerecimento na própria conduta.

O que fazes de bom, não sejas tu o anunciador, para que a tua fala não seja desprevenida de modéstia, nem falsificada pela vaidade.

A inversão tem seu valor, no lugar adequado...

E muitas delas precisam que esteja presente o Silêncio!...

Quem teme que o bem que faz fique escondido desconhece as leis de Deus. Nem o bem, nem o mal de que nos fizermos instrumento permanecem ocultos.

Tudo que fazemos fala por si mesmo, atingindo desde os ouvidos humanos até as pulsações do éter.

Não há dúvidas que o nosso pensamento deve estar positivo, em tudo quanto a nossa missão nos impuser. Contudo, a experiência nos mostra, com clareza, que as mãos têm de ficar ocupadas.

Se não fazes nada, e diante dos outros fazes tudo, nas linhas da teoria, praticas inversão perigosa!... Se fazes tudo, e negas o concurso que o testemunho te convida a dar, para que os outros também façam alguma coisa, não deixes de falar um pouco no valor do trabalho, sem esquecer a decência.

Não devemos nos apegar nem às riquezas nem à pobreza, em se referindo às coisas materiais.

Devemos, sim, procurar trilhar os caminhos que nos levam à verdade, para que abreviemos o momento em que possamos quebrar os grilhões que nos prendem, e suspendermos as mãos, livres, para os céus.

Pelo Espírito CARLOS
Psicografia: JOÃO NUNES MAIA
Do livro: TUAS MÃOS

18 dezembro 2007

Ante as Decepções - Momento Espírita

ANTE AS DECEPÇÕES

Não somos poucos os que nos tornamos pessoas amargas, indiferentes ou frias, por causa de decepções que afirmamos ter sofrido aqui ou ali, envolvendo outras pessoas.

A decepção foi com o amigo a quem recorremos num momento de necessidade e não encontramos o apoio esperado. Foi com o companheiro de trabalho que nos constituía modelo, parecia perfeito e o surpreendemos em um deslize.

Tais decepções devem nos remeter a exames melhores das situações.

Decepcionarmo-nos com pessoas que estão no Mundo, sofrendo as nossas mesmas carências e tormentos não é muito real.

Primeiro, porque elas não nos pediram para assinar contrato ou compromissos de infalibilidade para conosco.

Segundo, porque o simples fato de elas transitarem na Terra, ao nosso lado, é o suficiente para que não as coloquemos em lugares de especial destaque, pois todas têm seu ponto frágil e até mesmo seus pontos sombrios.

A nossa decepção, em realidade, é conosco mesmo, pois que nos equivocamos em nossa avaliação, por precipitação ou por análise superficial.

Não menos errada a decepção que afirmamos ter com a própria religião, com a doutrina de fé cristã que está a espalhar, em toda parte, os ensinamentos deixados por Jesus Cristo para os seres de boa vontade.

O que acontece é que costumamos confundir as doutrinas que ensinam o bem, o nobre, o bom com os doutrinadores que, embora falem das virtudes que devemos perseguir, conduzem as próprias existências em oposição ao que pregam.

Como vemos, a decepção não é com as mensagens da Boa Nova, mas exatamente com os que conduzem a mensagem. Nesse ponto não nos esqueçamos de fazer o que ensinou Jesus: comparar os frutos com as qualidades das árvores donde eles procedem, de modo a não nos deixarmos iludir.

Avaliemos, desta forma, as nossas queixas contra pessoas e situações e veremos que temos sido os grandes responsáveis pelas desilusões do caminho.

Nós mesmos é que criamos as ondas que nos decepcionam e magoam.

Cabe-nos amadurecer gradualmente nos estudos e na prática do bem, aprendendo a examinar cada coisa, cada situação, analisar a nós mesmos com atenção, a fim de crescermos para a grande luz, sem nos decepcionarmos com nada ou com ninguém.

Precisamos aprender a compreender cada indivíduo no nível em que se situa, não exigindo dele mais do que possa dar e apresentar, exatamente como não podemos pedir à roseira que produza violetas, que não tenha espinhos e que não despetale suas flores na violência dos ventos.

* * *

Para que avancemos em nossa caminhada evolutiva, imponhamo-nos uma conduta de maturidade, de indulgência e de benevolência para com os demais.

Disponhamo-nos a brilhar, sob a proteção de Deus, avançando sempre, não nos detendo na retaguarda a examinar mágoas e depressões, que se apresentam na estrada como pedras e obstáculos, calhaus e detritos.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 28 do livro Revelações da luz, pelo Espírito Camilo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.

17 dezembro 2007

O Grupo - Emmanuel

O GRUPO

Não olvides que somos partes de vasto grupo de almas, como pontos integrantes de um círculo.

Além da família consangüínea temos a equipe espiritual a que nos imanizamos pelos mais fortes laços do coração.
Ninguém odeia sem haver amado profundamente e ninguém experimenta aminosidade sem haver conhecido antes a bênção da simpatia.

Por isso mesmo, os desafetos constituem também forças de nosso conjunto, que não podemos eliminar de pronto e ainda por essa razão que o santuário doméstico ou a oficina de trabalho são sempre preciosos educandários em que sombras e luzes se misturam para nós com acúleos e flores.

Aprendamos com Jesus a usar a química do amor, na intimidade do pensamento, praticando, cada dia, pequeninos exercícios de tolerância, se nos propomos efetivamente a atingir a fraternidade que nos arrojará aos luminosos cimos da vida.

Reconheçamos que todos os obstáculos são medidas de nossa fé e que todas as dores são oportunidades de engrandecimento individual e, fortalecendo o carinho onde já existia a confiança e exaltando a plantação da bondade onde ainda repontem os espinheiros da aversão, saibamos viver o amor que o Cristo nos ensinou, na certeza de que nossos mínimos atos de renunciação e ternura, de entendimento e gentileza, de auxílio e generosidade, representam decisivo esforço espiritual, não apenas em nossa elevação, mas, também, no erguimento salvador de nosso grupo inteiro.
Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito de EMMANUEL
Mensagem extraída do livro "PÁGINAS DE FÉ" - Editora Ideal

16 dezembro 2007

No Cristianismo Renascente - Emmanuel

NO CRISTIANISMO RENASCENTE

Meus amigos, muita paz.

Todos os comentários alusivos à evangelização constituem escasso material expositivo da verdade, à vista das angustiosas transições que o Planeta atravessa. Realmente, o progresso da inteligência atinge culminâncias. Todavia, o sentimento do mundo permanece enregelado. Urge dilatarmos os setores do bem vivido e do amor aplicado com o Cristo, a fim de atendermos aos compromissos assumidos em época remota. O Espiritismo, pois, não consiste num sistema de pura indagação científica para que a filosofia se enriqueça de novos sofismas. Necessário compreendamos em sua fonte não só o manancial de suprimentos às convicções substanciais com relação à sobrevivência. Nosso intercâmbio pecaria na base se estivéssemos circunstritos ao campo de mera demonstração da realidade espiritual através dos jogos do raciocínio. Reduziríamos a doutrina que nos felicita a simples ministério de informações, sem programas redentores para a vida superior.

É por isto que jamais nos cansaremos no apelo ao nosso entendimento para que a Terceira Revelação represente para nós todos a gloriosa escola de reajustamento mundial no Cristianismo Redivivo.

Somos nós mesmos os atores do milenário drama evolutivo. De século a século, revezamo-nos no trabalho retificador, intentando o empreendimento da salvação final.Inventamos mil sistemas científicos, filosóficos e religiosos para definir equações dos enigmas do destino e do ser; e, embora nossos conclaves políticos e acadêmicos a se repetirem anualmente através das eras, rematamos sempre as iniciativas das dolorosas e sangrentas aventuras da guerra. Dominam-nos ainda, considerando coletivamente o problema, o ódio e o orgulho, a discórdia e a vaidade, com o seu velho cortejo de misérias, que permutam a máscara, de civilização em civilização.

Em verdade, porém, se temos sido tolerados pela Clemência Divina, no curso do tempo, é imperativo reconhecer que as leis universais não foram criadas inutilmente. Vivemos, em razão disso, torturante período de refazimento e restauração, dentro do qual nossos sentimentos são convocados automaticamente à percepção e aplicação do Cristianismo, nos mais comezinhos atos da experiência humana, obrigação essa que somos compelidos a cumprir, se não quisermos sossobrar nas tragédias. Em outras zonas da Terra, o Espiritismo ainda não conseguiu alcançar suas finalidades e objetivos. A curiosidade que é sempre benéfica quando se alia ao trabalho e ao respeito, mas que é sempre ociosa e perdulária quando não se submete aos impositivos do serviço nobre, converte-nos o movimento renovador em puro domínio de consulta indesejável a plano invisível, como se trouxéssemos a detestável tarefa de suprimir as experiências e lições aos aprendizes. A especulação é a única atividade que aí prevalece, eliminando-nos precioso ensejo de cooperação para o reajustamento que o Planeta reclama. Amargurosas surpresas, contudo, aguardam invariavelmente os companheiros que estimam a contemplação do fenômeno sem adesão ao esforço reconstrutivo. Nós, entretanto, tivemos a ventura de ambientar o Evangelho renascente, exumando-o das cinzas a que foi votado pelo sectarismo e fazendo reviver as manifestações abençoadas do Mestre Divino, quando a redenção vinha da humildade sofredora das catacumbas. Como outrora, o mundo se encontra num dos períodos mais críticos de sua evolução político-religiosa.

Antigamente, o patriciado romano se sentia suficientemente forte para frontar a tormenta, mas, no fundo, não conseguiu forrar-se às conseqüências funestas do espírito odioso de dominação indébita. E hoje, enquanto poderosas nações da Terra presumem exercer funções de hegemonia, eis que a renovação compulsória do mundo exige o devotamento daqueles que se ligam a Deus através do caráter enobrecido pela fé e pela virtude. Com semelhante enunciação, não desejamos, de modo algum, invadir a seara de vossas ações no campo evolutivo.

Não fomos, vós e nós outros, convocados à mordomia dos bens que se transferem de mão em mão, no tesouro perecível da Terra. Recebemos o ministério da luz espiritual e não podemos esquecer que, se milhões de irmãos nossos podem recorrer à palavra "direito" nos círculos do mundo, a nós todos cabe com Jesus o "dever", simplesmente o dever, de servir em seu nome sem exigências. Estejamos, pois, atentos às obrigações que nos foram deferidas. Iniciemos, cada dia, novo trabalho de evangelização em nós mesmos, estendendo esta atividade aos que nos cercam.

A Doutrina abre-nos gloriosas portas de colaboração fraternal. Perdendo na esfera da posse transitória, ganharemos sempre nas possibilidades de conquistar a luz imperecível. Não duvideis. Movimentos enormes da discórdia humana se processam instante a instante, enquanto as armas descansam ensarilhadas. A guerra, com a sua corte de aflições e de angústias, não cedeu ainda um centímetro de terreno ao edifício da paz verdadeira, porquanto o ódio e a crueldade permanecem instalados no coração humano. Não esperemos o êxtase da Nova Aurora, mantendo-nos no círculo estreito da crença inoperante. Se o Senhor nos conferiu olhos para o deslumbramento e ouvidos para a harmonia, deu-nos igualmente coração para sentir, mãos para agir, mente para descortinar, obedecer e orientar. A obra da Criação Terrestre foi edificada, mas ainda não terminou. Milhões de missionários do progresso humano em si laboram ativamente nos campos diversos em que se subdivide a prosperidade do conhecimento. Nós outros, contudo, fomos conduzidos ao santuário para a preservação da luz divina. Mantenhamos, pois, novas lâmpadas acesas e acima da perquirição coloquemos a consciência. A hora é significativa e impõe tremenda luta. Só os filhos da renúncia poderão atender, tanto quanto é preciso, à expectativa da esfera superior.

Não convertamos nosso esforço, todavia, em coro de lágrimas. Entendamos a gravidade do minuto, entretanto, elevemos o coração ao sol da confiança em Cristo. Sejamos fiéis trabalhadores de sua causa na Terra. Traços que sois de intercâmbio entre os dois planos, não vos prendais excessivamente ao vale escuro que nos prende os pés. Fixai a mente nos círculos sublimes onde se localizam as fontes que vos suprem de energia.

E, irmanados uns aos outros, no mesmo labor santificante, marcharemos para a frente, identificados n´Aquele que ainda e sempre repete para nossos ouvidos frágeis - "eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim".

Fonte:
Matéria extraída da obra "Cartas do Coração" - Edição LAKE
Psicografado pelo médium Chico Xavier
Ditado pelo espírito de Emmanuel.

15 dezembro 2007

A Dificuldade do Intercâmbio - Correio Fraterno

1
A DIFICULDADE DO INTERCÂMBIO

Irmão Jacob, autor do livro "Voltei", quando encarnado foi um dos mais lídimos espiritistas brasileiros. Ele sempre pensou que depois de morto poderia comunicar-se mediunicamente com grande facilmente. Enganou-se redondamente.

Depois de percorrer vários centros espíritas, com esperança de mandar para a Terra o seu "correio", foi parar em Pedro Leopoldo, onde morava o extraordinário médium Francisco Cândido Xavier. Todavia, ali, também nada acontecia ao sabor das pessoas. Tudo era organizado e programado.

Ele, então, pediu a colaboração do superior da casa. O Guia espiritual tocou-lhe os ombros, paternalmente, e acentuou, esquivando-se: "Meu bom amigo, é justo esperar um pouco mais. Não temos aqui um serviço de mero registro".

Jacob espantou-se e refutou, egoisticamente: "Mas como André Luiz que não fora espiritista chegou aqui escrevendo o noticiário do outro mundo ?"

Emmanuel pacientemente respondeu-lhe: "Não julgue que André Luiz haja alcançado a iniciação de improviso. Sofreu muito nas esferas purificadoras e freqüentou-nos a tarefa durante 700 dias consecutivos, afinando-se com a instrumentação indireta de muitos benfeitores nossos que respiram em esferas mais elevadas.

Não é pequeno o número dos desencarnados que imaginam que é só agir como ele fazia aqui na Terra para comunicar-se com alguém. Emmanuel revela pela pena de Chico Xavier que a coisa não é bem assim, exigindo treinamento, preparo, dedicação, merecimento e, que leva tempo.

Fonte: Matéria extraída do Jornal Correio Fraterno
Grupo Ideal Espírita André Luiz

14 dezembro 2007

O Culto do Evangelho no Lar

O CULTO DO EVANGELHO NO LAR

Conceito:

Reunião familiar semanal que a Doutrina Espírita recomenda para as seguintes finalidades:

1 - Estudar e Praticar o Evangelho de Jesus e, ao mesmo tempo proteger os lares contra influências espirituais negativas;

2 - Beneficiar pessoas necessitadas mediante preces e vibrações espirituais.

Procedimento Sugerido:

1 - Escolher dia e hora da semana em que se possa contar com a presença de todos ou da maioria dos familiares. Observar rigorosamente essa escolha, para assegurar a assistência dos benfeitores espirituais;

2 - Designar um dos presentes para dirigir a reunião, podendo ser feito um rodízio, caso prefiram;

3 - Abrir a reunião com uma prece simples e espontânea, dirigida a Deus, que poderá ser proferida pelo dirigente da reunião ou por qualquer outro participante por ele indicado;

4 - Ler um pequeno trecho de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" ou, na sua falta, do próprio "Novo Testamento", buscando neste os ensinamentos de cunho moral;

5 - Comentar o trecho com palavras simples e compreensíveis, visualizando sempre a aplicação dos ensinamentos de Jesus na conduta pessoal e na vida diária. Facultar a todos os presentes a participação nos comentários com objetividade e clareza, evitando-se, porém, debates e discussões acaloradas;

6 - Em seguida efetuar vibrações (emissões de pensamento) de fraternidade e de amor, conforme as sugestões seguintes:

=> Pelo bem universal e pela paz entre os homens;
=> Pela difusão do Evangelho no mundo;
=> Para auxílio a enfermos, encarcerados, descrentes e suicidas;
=> Para ajudar aos trabalhadores de Jesus, que se decidam à prática do Bem e ao esclarecimento público das verdades espirituais;
=> Pela fraternidade entre os homens, sem distinção de crenças ou de condições sociais.

7 - Encerrar com uma prece de louvor e de agradecimento a Deus pela oportunidade de aprendizado e oração.

Observações Importantes:

1 - Os lares cristãos são refúgios sagrados para os membros da comunidade, e a prática do "Evangelho no Lar" é um recurso de extraordinária importância de que se utiliza o plano Espiritual Superior, para sustentar os trabalhos de evangelização da humanidade e de proteção da família;

2 - Por sua importância realizadora esse trabalho é especialmente visado pelos espíritos inferiores, que sempre interferem para impedir sua expansão, exigindo perseverança e fé para sua continuidade e preservação;

3 - Poderão ser feitas vibrações para os casos justos e graves que atinjam a sociedade, a nação e a humanidade como, por exemplo: desastres, catástrofes, etc;

4 - Não se deve permitir, em hipótese alguma, que a reunião se transforme em trabalho mediúnico ou de debates sobre assuntos doutrinários diferentes;

5 - Evitar comentários e críticas ofensivas a pessoas ou a religiões, bem como conversas edificantes, antes ou depois da reunião;

6 - Uma reunião não deve ultrapassar os sessenta minutos, podendo ser utilizada música suave e adequada, para melhor realização da preparação e do encerramento.

Grupo de Ideal Espírita André Luiz
http://www.editoraideal.com.br/

13 dezembro 2007

Doutrina Espírita ou Espiritismo - O que é?

DOUTRINA ESPÍRITA OU ESPIRITISMO - O QUE É?

É o conjunto de princípios e leis, revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas obras de Allan Kardec que constituem a Codificação Espírita: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.

"O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal".

Allan Kardec (O que é o Espiritismo? -Preâmbulo)

"O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança".

Allan Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo - cap. VI - 4).

O QUE REVELA

Revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida.

Revela, ainda, o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.

SUA ABRANGÊNCIA

Trazendo conceitos novos sobre o homem e tudo o que o cerca, o Espiritismo toca em todas as áreas do conhecimento, das atividades e do comportamento humanos, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.

Pode e deve ser estudado, analisado e praticado em todos os aspectos fundamentais da vida, tais como: científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional, social.

SEUS ENSINOS FUNDAMENTAIS

Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. É eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.

O Universo é criação de Deus. Abrange todos os seres racionais e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais.

Além do mundo corporal, habitação dos Espíritos encarnados, que são os homens, existe o mundo espiritual, habitação dos Espíritos desencarnados.

No Universo há outros mundos habitados, com seres de diferentes graus de evolução: iguais, mais evoluídos e menos evoluídos que os homens.

Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o seu autor. Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais.

O homem é um Espírito encarnado em um corpo material. O perispírito é o corpo semimaterial que une o Espírito ao corpo material.

Os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo.

Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade.

Os Espíritos preservam sua individualidade, antes, durante e depois de cada encarnação.

Os Espíritos reencarnam quantas vezes forem necessárias ao seu próprio aprimoramento.

Os Espíritos evoluem sempre. Em suas múltiplas existências corpóreas podem estacionar, mas nunca regridem. A rapidez do seu progresso intelectual e moral depende dos esforços que façam para chegar à perfeição.

Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado: Espíritos Puros, que atingiram a perfeição máxima; Bons Espíritos, nos quais o desejo do bem é o que predomina; Espíritos Imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas paixões inferiores.

As relações dos Espíritos com os homens são constantes e sempre existiram. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, sustentam-nos nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os imperfeitos nos induzem ao erro.

Jesus é o guia e modelo para toda a Humanidade. E a Doutrina que ensinou e exemplificou é a expressão mais pura da Lei de Deus.

A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura de todos os homens, e a sua prática é a solução para todos os problemas humanos e o objetivo a ser atingido pela Humanidade.

O homem tem o livre-arbítrio para agir, mas responde pelas conseqüências de suas ações.

A vida futura reserva aos homens pena e gozos compatíveis com o procedimento de respeito ou não à Lei de Deus.

A prece é um ato de adoração a Deus. Está na lei natural e é o resultado de um sentimento inato no homem, assim como é inata a idéia da existência do Criador.

A prece torna melhor o homem. Aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. É este um socorro que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade.

PRÁTICA ESPÍRITA

Toda a prática espírita é gratuita, como orienta o princípio moral do Evangelho: "Daí de graça o que de graça recebestes".

A prática espírita é realizada com simplicidade, sem nenhum culto exterior, dentro do princípio cristão de que Deus deve ser adorado em espírito e verdade.

O Espiritismo não tem sacerdotes e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais ou quaisquer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior.

O Espiritismo não impõe os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-lo a submeterem os seus ensinos ao crivo da razão, antes de aceitá-los.

A mediunidade, que permite a comunicação dos Espíritos com os homens, é uma faculdade que muitas pessoas trazem consigo ao nascer, independentemente da religião ou da diretriz doutrinária de vida que adotem.

Prática mediúnica espírita só é exercida com base nos princípios da Doutrina Espírita e dentro da moral cristã.

O Espiritismo respeita todas as religiões e doutrinas, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre todos os povos e entre todos os homens, independentemente de sua raça, cor, nacionalidade, crença, nível cultural ou social. Reconhece, ainda, que "o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza".

"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei".

"Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade".

O estudo das obras de Allan Kardec é fundamental para o correto conhecimento da Doutrina Espírita.

Fonte: Campanha de Divulgação do Espiritismo
Promovida pela Federação Espírita Brasileira
e pelo Conselho Espírita Internacional

http://www.editoraideal.com.br

12 dezembro 2007

O Maior Mandamento - Emmanuel

O MAIOR MANDAMENTO

"Ama a Deus, com toda a tua alma, com todo o teu coração e com todo o teu entendimento! — eis o maior mandamento", proclamou o Senhor.

Entretanto, perguntarás, como amarei a Deus que se encontra longe de mim?

Cala, porém, as tuas indagações e recorda que, se os pais e as mães do mundo vibram na experiência dos filhos, se o artista está invisível em suas obras, também Deus permanece em suas criaturas.

Lembra que, se deves esperar por Deus onde te encontras, Deus igualmente espera por ti em todos os ângulos do caminho.

Ele é o Todo em que nos movemos e existimos.

Escuta a Lei Sublime do Bem e vê-Lo-ás sofrendo no irmão enfermo, esperando por tuas mãos; necessitado, no coração ignorante que te pede um raio de luz; aflito, na criancinha sem lar que te estende os braços súplices, rogando abrigo e consolação; ansioso, no companheiro agonizante que te implora a bênção de uma prece que o acalente para a viagem enorme; inquieto, no coração das mães que te pedem proteção para os filhinhos infelizes e expectante, nas páginas vivas da Natureza, aguardando a tua piedade para as árvores despejadas, para as fontes poluídas, para as
aves sem ninho ou para os animais desamparados e doentes.

Amemos ao próximo com toda a alma e com todo o coração e estaremos amando ao Senhor com as forças
mais nobres de nossa vida.

Compreende e auxilia sempre...

Serve e passa...

Quem se faz útil, auxilia a construção do Reino Divino na Terra e quem realmente ama a Deus, sacrifica-se pelo próximo, fazendo a vida aperfeiçoar-se e brilhar.

Pelo Espírito: EMMANUEL
Psicografia: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Do livro: ALMA E LUZ

11 dezembro 2007

Um Minuto de Cólera - Emmanuel

UM MINUTO DE CÓLERA

Um minuto de cólera pode ser uma invocação às forças tenebrosas do crime, operando a ruptura de largas e abençoadas tarefas que vínhamos efetuando na sementeira do sacrifício.

Por esse momento impensado, muitas vezes, esposamos escuros compromissos, descendo da harmonia à perturbação e vagueando dos labirintos da prova por tempo indeterminado à procura da necessária reconciliação com a vida em nós mesmos.

Pela brecha da irritação, caímos sem perceber nos mais baixos padrões vibratórios, arremessando, infelizes e incontroláveis, os raios da destruição e da morte que, partindo de nós para os outros, volvem dos outros para nós, em forma de angústia e miséria, perseguição e sofrimento.

Em muitos lances da luta evolutiva, semelhante minuto é o fator de longa expiação, na qual, no corpo de carne ou fora dele, somos fantasmas da aflição, exibindo na alma desorientada e enfermiça as chagas da loucura, acorrentados às conseqüências de nossos erros a reagirem sobre nós, à feição de arrasadora tormenta.

Se te dispões, desse modo, à jornada com Jesus em busca da própria sublimação, aprende a dominar os próprios impulsos e elege a serenidade por clima de cada hora.

Ama e serve, perdoa e auxilia sempre, recordando que cada semente deve germinar no instante próprio e que cada fruto amadurece na ocasião adequada.

Toda violência é explosão de energia, cujos resultados ninguém pode prever.

Guardemos o ensinamento do Cristo no coração, para que o Cristo nos sustente as almas na luta salvadora em que nos cabe atingir a redenção, dia a dia.

Livro: Semeador em Tempos Novos
Pelo Espírito: Emmanuel
Psicografia: Francisco Cândido Xavier

10 dezembro 2007

Uma Hora Virá - Emmanuel

UMA HORA VIRÁ

Uma hora virá em que a senda terrestre se te revelará sob nova expressão.

Hora em que te despedirás de todos os patrimônios que desfrutaste no mundo...

Em que compreenderás na Terra a escola que te serviu generosamente...

Em que verás no corpo a armadura bendita a garantir-te o aprendizado...

Em que reconhecerás no ouro e na posse valiosos empréstimos do Divino Poder que detiveste a título precário...

Hora em que desejarias ter sido a melhor das criaturas para que a simpatia dos outros te acalente a alma inquieta...

Em que todos os nobres ideais não cumpridos surgirão a teus olhos, perguntando: -"por que nos esqueceste?..."

Em que a luz da memória te fará lembrar dia por dia, devolvendo-te a plantação do caminho percorrido em forma de colheita...

Hora em que o pensamento, por mais célere, não recuperará os minutos perdidos, em que as mãos, por mais diligentes, não conseguirão retroceder para realizar a tarefa menosprezada e em que a língua, por mais culta, não conseguirá recuar para refazer as palavras irrefletidas...

O aprendiz chega ao dia da aferição de aproveitamento, o operário atinge a ocasião em que será julgado pela obra feita...

Alcançarás, igualmente, a hora inevitável em que cessará tua presença visível entre os homens para que a Terra te julgue.

Vive, assim, de acordo com a simplicidade do amor e com os ditames da verdade, plasmando o bem por onde transites, sem olvidar os tesouros do tempo, de vez que o mal em nosso espírito, ainda mesmo quando estejamos libertos da algema física pela graça da morte, será sempre o inferno que não nos permitirá viver o Céu nos Céus.

Livro: Semeador em Tempos Novos
Pelo Espírito: Emmanuel
Psicografia: Francisco Cândido Xavier

09 dezembro 2007

Na Perenigração Cristã - Emmanuel

NA PEREGRINAÇÃO CRISTÃ

Se aceitastes o Evangelho por abençoado roteiro de aperfeiçoamento, não te esqueças da representação que nos cabe em toda parte.

A fé nos confere consolação, mas, nos reveste de responsabilidade a que não podemos fugir.

Somos embaixadores de Jesus onde estivermos, se a Luz d‘Ele é o clarão que nos descortina o futuro.

Não te esqueças de semelhante realidade para que a tua experiência religiosa não se reduza a simples adoração improdutiva.

A estrada permanece descerrada a nós todos.

Cada dia é nova revelação para que exerçamos a sublime investidura.

Se o Senhor desceu até nós, partilhando-nos a senda obscura e viciosa, a fim de que nos lenvantássemos, aprendamos também a representá-Lo nas regiões inferiores à nossa posição no conhecimento.

Onde fores defrontado pela calúnia, sê a palavra amiga do esclarecimento benéfico.

Se o mal te visita, improvisa o bem com a tua capacidade de ajuizar as situações, de planos mais altos.

Se a tristeza e o desânimo te procuram, acende a lanterna da coragem e resiste ao sopro frio do desalento, prosseguindo no trabalho que a vida te confiou.

Se a infantilidade te busca, não a abandones, porque o cristão sincero é o bom educador que tudo aperfeiçoa para a vitória do Infinito Bem.

Se a leviandade vem ao teu encontro, auxilia o companheiro de jornada, orientando-lhe o pensamento para o justo equilíbrio em que a nossa fé se inspira e vive sempre.

Se a treva tenta envolver-te, faze a claridade do otimismo, com as bençãos do amor que auxiliam em todos os instantes.

Mas, se o embaixador humano é obrigado a longo curso de compreensão e tolerância, na ciência do tato e da gentileza, para não falhar em seus compromissos, não creias que o emissário do Cristo deva agir sem os princípios da serenidade e do bom ânimo.

Colaboremos e auxiliemos, sem alardear notas de superioridade perturbadora.

Quanto mais clara a nossa luz, mais alta a nossa dívida para com as sombras. Quanto mais sublime as nossas noções do bem, mais imperiosos os nossos deveres de socorro às vítimas do mal.

O mensageiro do Cristo é o braço do Evangelho.

Se nos propomos ao serviço do Divino Mestre, descortinemos a Ele o nosso coração, a fim de que os seus desígnios imperem sobre o nosso roteiro e para que a nossa vida seja uma luz brilhante para quantos caminham conosco, sob o nevoeiro do mundo.

Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier
pelo Espírito de EMMANUEL
Mensagem extraída do livro "ALVORADA DO REINO"
Editora Ideal

08 dezembro 2007

Sexo e Vida - Dr. Alberto de Almeida

Sexo e Vida

Em O Livro dos Espíritos lê-se na pergunta 200: “Os Espíritos têm sexo?” Respondem os imortais: “Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos”.

A energia sexual é inerente ao ser espiritual, se estruturando com o passar do tempo na longa viagem evolutiva do princípio anímico. Desde “o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo”, o potencial sexual vem se desenvol­vendo pelos reinos da Natureza Cósmica.

Desse modo, está no mineral desde a intimidade do átomo nas forças de interação atômica, até a força gravitacional sus­tentando os sistemas planetários na composição da harmonia das galáxias.

No vegetal, essa força se apresenta mais expressiva median­te a polarização sexual, quando o princípio germinativo é per­mutado através do vento, dos insetos etc.

Avançando para o reino animal, a sexualidade ganha novas dimensões, exteriorizando-se na sua feição instintual com os caracteres morfológicos e funcionais que consagram o macho e a fêmea.

Já no homem, a estruturação da energia criadora alcança nova amplitude ao se manifestar, de vez que ela deve estar conectada à razão, às emoções e à moral, a fim de atingir suas finalidades sublimes.

Portanto, a energia sexual incorpora novos atributos à me­dida que jornadeia da atração-mineral para a sensibilidade-vegetal, e desta ao instinto-animal, a fim de desaguar no senti­mento-hominal.

A energia sexual no ser humano
No espírito encarnado, portanto, as forças sexuais se mos­tram bem complexas nas suas funções

a) A reprodução: através dela, o sexo assegura a perpetua­ção da espécie, a estruturação do corpo físico, a constituição da família, a viabilização da Lei da Reencarnação.

b) A permuta de energias entre os parceiros da comunhão sexual, seja física ou espiritual.

Pela troca energética entre o casal, a sexualidade assume manifestação mais refinada, pois que ela se exterioriza de for­ma sutil como alimento magnético de sustentação das almas que se enlaçam num relacionamento sexual baseado na confi­ança e na fidelidade, no amor e no discernimento.

É nessa circunstância que se compreende a responsa­bili­dade recíproca daqueles que assumem um compromisso afetivo, tendo em vista a presença do circuito de forças fluídicas que se estabelece, quer a comunhão afetiva alcance a dimen­são física, quer se limite apenas à esfera psíquica, tal como su­cede nas relações amorosas em que, por algum motivo, não há o sexo propriamente dito.

Possível, portanto, se torna compreender a precariedade das relações estritamente genitais, posto que se assenta somente no corpo físico, deixando um grande vazio para as almas, a despeito de atingirem o orgasmo; sentem o prazer biológico, porém não experimentam o êxtase do amor, manifesto na complementação magnética plenificadora dos seres.

Fácil também é perceber o desperdício das energias de vida pela masturbação; os prejuízos da prostituição, dos encontros promíscuos, do sexo sem respeito.

c) A canalização da energia criadora para obras beneméritas do conhecimento e da estesia, da assistência social e do amor, na ampliação e concretização do progresso da humanidade.

Quando, por qualquer motivo, a energia sexual não dispõe da possibilidade de expressão pela via genitálica, ainda assim ela não se extingue, nem desaparece.

Esse potencial criador pode ser bloqueado pela castração indevida e gerar distúrbios de diferentes matizes para o ser, todavia, se canalizado adequadamente, é fator de saúde inte­gral, incrementando a evolução do espírito. Por isso, a alma que vive em abstenção sexual pela castidade com equilíbrio, pode e deve sublimar a sua energia procriadora para outras modalidades de expressão criativa, através da sua orientação para as ações no campo da cultura e da arte, da intelectualidade e do sentimento, da filantropia e da caridade, contribuindo para a expansão do bem, do belo e do bom na Terra.

A energia sexual jamais poderá ser aniquilada, seja por im­posição religiosa, seja por trauma psicológico, podendo, con­tudo, ser transmutada agenciando as grandes construções do espírito na escalada da evolução sem fim.

A Doutrina Espírita apresenta a sexualidade despida da conotação religiosa dogmática que consagrou o sexo pecami­noso, sujo, proibido e demoníaco; todavia também não legiti­ma a postura da sociedade contemporânea que forjou o sexo objeto de consumo, libertino, vulgar.

A perspectiva espiritista é da energia criadora, que necessita estar balizada pela razão e sentimento, pelo respeito e entendi­mento, pela fidelidade e amor, a fim de engendrar a plenitude e a paz. Um sexo para a vida, e não uma vida para o sexo.

A visão espírita
Emmanuel sintetiza com sabedoria o pensamento espírita:

“Não proibição, mas educação.

Não abstinência imposta, mas emprego digno com devido respeito aos outros e a si mesmo.

Não indisciplina, mas controle.

Não impulso livre, mas responsabilidade.

Fora disso é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra de sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos meca­nismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um.”

O Espiritismo resgata a visão crística da sexualidade bem definida no célebre encontro com uma mulher:

“...disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na Lei nos mandou Moisés que tais mu­lheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?

Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes dis­se: Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra.
...Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor.

Então lhe disse Jesus: Nem eu tão pouco te condeno: vai, e não peques mais.”

A proposta espírita é a da compreensão amorosa e educativa do ser humano. Nem apedrejamento, nem conivência culposa; nem julgamento arbitrário, nem a omissão da indiferença.

Só o amor desvelado por Jesus é suficientemente forte para controlar e direcionar o impulso sexual, na edificação da felicidade permanente.

Cristo ao indagar, por três vezes, se Pedro o amava, nos permitiu refletir simbolicamente sobre o amadurecimento do nosso potencial afetivo-sexual.

Sexo e evolução
Didaticamente situaríamos em três níveis esse crescimento:

a) o primeiro traduz um amor infantil, caracterizado pelo apego, desejo e posse; é a paixão egóica; o sexo é instintivo, egoísta, “para mim”.

b) o segundo revela um amor adulto, que experimenta o carinho, a solidarização; o ego está bem estruturado; o sexo é sentimento, partilha, “comigo”.

c) o terceiro descortina um amor sábio, expressando desapego, renúncia, sacrifício; há a transcendência do ego; o sexo é sublimação, doação, “a partir de mim”.

Daí precisarmos amar um pouco mais a cada dia, pra lograrmos cristificar nossa sexualidade.

Escrito por Dr. Alberto de Almeida
Artigo publicado na edição 07 da Revista Cristã de Espiritismo.