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29 fevereiro 2012

Após o Desencarne, a Reencarnação - André Luiz


Após o Desencarne, a Reencarnação

Irmãos, continuemos hoje em nosso comentário acerca do bom ânimo. Não me creiam separado de vocês por virtudes que não possuo. A palavra fácil e bem-posta é, muita vez, dever espinhoso em nossa boca, constrangendo-nos à reflexão e à disciplina. Também sou aqui um companheiro à espera da volta. A prisão redentora da carne acena-nos ao regresso. É que o propósito da vida trabalha em nós e conosco, através de todos os meios, para guiar-nos à perfeição. Cerceando-lhe os impulsos, agimos em sentido contrário à Lei, criando aflição e sofrimento em nós mesmos.

No plano físico, muitos de nós supúnhamos que a morte seria ponto final aos nossos problemas, enquanto outros muitos se acreditavam privilegiados da Infinita Bondade, por haverem abraçado atitudes de superfície, nos templos religiosos. A viagem ao sepulcro, no entanto, ensinou-nos uma lição grande e nova – a de que nos achamos indissoluvelmente ligados às nossas próprias obras. Nossos atos tecem asas de libertação ou algemas de cativeiro, para a nossa vitória ou nossa perda. A ninguém devemos o destino senão a nós próprios. Entretanto, se é verdade que nos vemos hoje sob as ruínas de nossas realizações deploráveis, não estamos sem esperança. Se a sabedoria de nosso Pai Celeste não prescinde da justiça para evidenciar-se, essa mesma justiça não se revela sem amor. Se somos vítimas de nós mesmos, somos igualmente beneficiários da Tolerância Divina, que nos descerra os santuários da vida para que saibamos expiar e solver, restaurar e ressarcir.

Na retaguarda, aniquilávamos o tempo, instilando nos outros sentimentos e pensamentos que não desejávamos para nós, quando não estabelecíamos pela crueldade e pelo orgulho vasta sementeira de ódio e perseguição. Com semelhantes atitudes, porém, levantamos em nosso prejuízo a desarmonia e o sofrimento, que nos sitiam a existência, quais inexoráveis fantasmas. O pretérito fala em nós com gritos de credor exigente, amontoando sobre as nossas cabeças os frutos amargos da plantação que fizemos… Daí, os desajustes e enfermidades que nos assaltam a mente, desarticulando-nos os veículos de manifestação. Admitíamos que a transição do sepulcro fosse lavagem miraculosa, liberando-nos o Espírito, mas ressuscitamos no corpo sutil de agora com os males que alimentamos em nosso ser. Nossas ligações com a retaguarda, por essa razão, continuam vivas. Laços de afetividade mal dirigida e cadeias de aversão aprisionam-nos, ainda, a companheiros encarnados e desencarnados, muitos deles em desequilíbrios mais graves e constringentes que os nossos.

Nutrindo propósitos de regeneração e melhoria, somos hoje criaturas despertando entre o Inferno e a Terra, que se afinam tão estranhadamente um com o outro, como nós e nossos feitos. Achamo-nos imbuídos do sonho de renovação e paz, aspirando à imersão na Vida Superior, entretanto, quem poderia adquirir respeitabilidade sem quitar-se com a Lei? Ninguém avança para frente sem pagar as dívidas que contraiu. Como trilhar o caminho dos anjos de pés amarrados ao carreiro dos homens, que nos acusam as faltas, compelindo-nos a memória ao mergulho nas sombras?

Em derredor do nosso pouso de trabalho e esperança, alongam-se flagelos infernais… Quantas almas petrificadas na rebelião e na indisciplina aí se desmandam no aviltamento de si mesmas? O céu representa uma conquista sem ser uma imposição. A Lei Divina, alicerçada na justiça indefectível, funciona com igualdade para todos. Por esse motivo, nossa consciência reflete a treva ou a luz de nossas criações individuais. A luz, aclarando-nos a visão, descortina-nos a estrada. A treva, enceguecendo-nos agrilhoa-nos ao cárcere de nossos erros. O espírito em harmonia com os Desígnios Superiores descortina o horizonte próximo e caminha corajoso e sereno, para diante, a fim de superá-lo; no entanto, aquele que abusa da vontade e da razão, quebrando a corrente das bênçãos divinas, modela a sombra em torno de si mesmo, insulando-se em pesadelos aflitivos, incapaz de seguir à frente. Definindo, assim, a posição que nos é peculiar, somos almas entre a luz das aspirações sublimes e o nevoeiro dos débitos escabrosos, para quem a reencarnação, como recomeço de aprendizado, é concessão da Bondade Excelsa que nos cabe aproveitar, no resgate imprescindível.

Em verdade, por muito tempo ainda sofreremos os efeitos das ligações com os nossos cúmplices e associados de intemperança e desregramento, mas, dispondo de novas oportunidades de trabalho no campo físico, é possível refazer o destino, solvendo escuros compromissos, e, sobretudo, promovendo novas sementeiras de afeição e dignidade, esclarecimento e ascensão. Sujeitando-nos às disposições das leis que prevalecem na esfera carnal, teremos a felicidade de reencontrar velhos inimigos, sob o véu de temporário esquecimento, facilitando-se-nos, assim, a reaproximação preciosa. Dependerá, desse modo, de nós mesmos, convertê-los em amigos e companheiros, de vez que, padecendo-lhes a incompreensão e a antipatia, com humildade e amor, sublimaremos nossos sentimentos e pensamentos, plasmando novos valores de vida eterna em nossas almas.

Somos espíritos endividados, com a obrigação de dar de tudo, em favor da nossa renovação. Comecemos a articular idéias redentoras e edificantes, desde agora, favorecendo a reconstrução do nosso futuro. Disponhamo-nos a desculpar os que nos ofenderam, com o sincero propósito de rogar perdão às nossas vítimas. Cultivando a oração com serviço ao próximo, reconheçamos na dificuldade o gênio bom que nos auxilia, a desafiar-nos ao maior esforço. Reunindo todas as possibilidades ao nosso alcance, espalhemos, nas províncias de treva e dor que nos rodeiam, o socorro da prece e o concurso do braço fraternal, preparando o regresso ao campo de luta – o plano carnal -, em que o Senhor, pela bênção de um corpo novo nos ajudará a esquecer o mal e replantar o bem. Para nós, herdeiros de longo passado culposo, a esfera das formas físicas simboliza a porta de sáida do inferno que criamos. Superando nossas qualidades de espírito, a fim de que, em nos elevando, possamos estender mãos amigas aos que jazem na lama do infortúnio.

Nós que temos errado nas sombras, atormentados viajores do sofrimento, nós que conhecemos o deserto de gelo e do suplício do fogo na alma opressa, poderíamos, acaso, encontrar maior felicidade que a de subir alguns degraus no Céu, para descer com segurança, aos infernos, de modo a salvar aqueles que mais amamos, perdidos hoje quais nos achávamos ontem, nas furnas da miséria e da morte? Supliquemos ao Senhor nos conceda forças para a vitória – vitória que nascerá em nós para a grande compreensão. Somente assim, ao preço de sacrifício no reajuste, conseguiremos o passaporte libertador!

Ação e Reação, Cap. 2, André Luiz – Chico Xavier

28 fevereiro 2012

Perda de Pessoas Amadas e Mortes Prematuras - Sansom



 PERDA DE PESSOAS AMADAS E AS MORTES PREMATURA
Quando a morte vem até vossas famílias, levando, sem critério algum, os jovens antes dos velhos, muitas vezes dizeis: “Deus não é justo, porquanto sacrifica o que é forte e cheio de vida para conservar aqueles que viveram muitos anos plenos de decepções; leva aqueles que são úteis e deixa os que não servem para mais nada; parte o coração de uma mãe privando-a da inocente criatura que fazia toda a sua alegria.”
Humanos, é nisso que tendes necessidade de vos elevar acima do terra-a-terra da vida, para compreender que o bem muitas vezes está lá onde se acredita ver o mal, a Sábia Previdência onde se crê ver a cega fatalidade do destino. Por que avaliar a Justiça Divina pelo valor da vossa? Podeis pensar que o Mestre dos mundos queira, por um simples capricho, vos fazer sofrer penas cruéis? Nada se faz sem uma finalidade inteligente e, seja lá o que for, cada fato tem a sua razão de ser. Se procurásseis investigar minuciosamente todas as dores que vos atingem, nelas sempre iríeis encontrar a razão Divina, a razão regeneradora, e vossos insignificantes interesses teriam uma importância tão menor que vós os colocaríeis em último plano.
Acreditai em minhas palavras, a morte é preferível mesmo numa encarnação de 20 anos a esses desregramentos vergonhosos que angustiam as famílias honradas, destroem o coração de uma mãe e fazem embranquecer, antes do tempo, os cabelos dos pais. A morte prematura muitas vezes é um benefício que Deus concede àquele que desencarna e que assim fica resguardado das misérias que a vida apresenta, ou das tentações que poderiam causar a sua perdição. Aquele que morre na flor da idade não é vítima da fatalidade, Deus simplesmente julga que lhe é útil não permanecer mais tempo sobre a Terra.
É uma grande infelicidade, dizeis, que uma vida tão cheia de esperanças seja interrompida tão cedo. De quais esperanças quereis falar? Das esperanças da Terra, onde aquele que desencarnou poderia brilhar, fazer sua carreira e sua fortuna? Sempre essa visão estreita que não se pode elevar acima da matéria. Sabeis, por acaso, qual teria sido a sorte dessa visão tão plena de esperanças segundo a vossa avaliação? Quem vos garante que ela não seria carregada de amarguras? Então, considerais como nada as esperanças da vida futura, preferindo as da vida passageira que levais na Terra? Pensais que vale mais ter um lugar entre os homens do que entre os espíritos bem-aventurados?
Alegrai-vos em vez de chorar, quando Deus resolve retirar um de seus filhos desse vale de misérias. Não é egoísmo desejar que ele fique na Terra para sofrer convosco? Ah! Essa dor se concebe naquele que não tem fé, e que vê na morte uma separação eterna mas vós, espíritas, sabeis que a alma vive melhor desembaraçada de seu invólucro corporal; mães, vós sabeis que vossos filhos bem-amados estão perto de vós, sim, eles estão bem perto; seus corpos fluídicos vos cercam, seus pensamentos vos protegem, vossa lembrança os enche de alegrias, mas também as vossas dores sem razão os afligem, porque elas denotam falta de fé e porque são uma revolta contra a vontade de Deus.
Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações do vosso coração, chamando esses entes bem amados, e se pedirdes a Deus que os abençoe, sentireis em vós consolações poderosas, dessas que secam as lágrimas ,e aspirações superiores que vos mostrarão o futuro prometido pelo soberano Mestre.
Sansom, antigo membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863 O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, item 21- Allan Kardec

27 fevereiro 2012

Não Há Mortes Iguais - Manoel Philomeno de Miranda


NÃO HÁ MORTES IGUAIS

Não há mortes iguais. Tendo-se em conta as conquistas morais de cada pessoa, os requisitos espirituais que a cada qual tipificam, os apegos ou não à matéria, as fixações e jogos de interesse, as dependências físicas e mentais, a desencarnação varia de um a outro homem, que experimenta perturbação correspondente, em tempo, ao estado íntimo em que se situa.

Morrer nem sempre significa libertar-se. A morte é orgânica, mas a libertação é de natureza espiritual.

Por isso, essa turbação espiritual pode demorar breves minutos, nos Espíritos nobres, como decorrência da grande cirurgia e até séculos, nos mais embrutecidos, que se não dão conta do que lhes sucede…

Nas desencarnações violentas, o período de intensidade de desajuste espiritual correpondem à responsabilidade que envolveu o processo fatal.

Acidentes de que se não têm uma culpa atual, passado o brusco choque, sempre tornam de menor duração o período perturbador do que ocorrendo em situações de intemperança moral, quando o descomedido passa a ser incurso na condição de suicida indireto.

O mesmo sucede nos casos de homicídio, em que a culpa ou não de quem tomba responde pelos efeitos, em aflições, que prossegue experimentando.

Já os suicidas, pela gravidade do gesto de rebeldia contra os Divinos Códigos, carpem, sofrem por anos a fio a desdita, enfrentando, em estado lastimável e complicado, o problema de que pretendem fugir, não raro experimentando a perseguição de impiedosos adversários que reencontram no além-túmulo, que os submetem a processos cruciais de lapidação em dores morais e físicas, em face da destruição do organismo que fora equipado para mais largo período, na Terra…

Livro Nas Fronteiras da Loucura, Cap. 10
Manoel Philomeno de Miranda – Divaldo Franco

26 fevereiro 2012

A Arte da Despedida - Joanna de Ângelis


A Arte da Despedida


Cada instante que passa, ensina-te a arte de dizer até breve.

A espera dourada de um acontecimento faz-se a saudade cinzenta, logo depois, quando já passou.

A expectativa de um momento, torna-se, apenas, recordação, mais tarde.

A transitoriedade do mundo é feita de pedaços de amanhã, atados a retalhos de ontem.

O hoje permanente é constituído pela soma das experiências que somente um posicionamento equilibrado em relação à vida sabe conduzir com eficiência.

Em razão disso, a flor exuberante de agora, logo mais se encontrará murcha e sem vida, assim como o corpo jovem e belo com o tempo se converte em aparelhagem gasta e alterada.

O hálito que vivifica a realidade terrestre, quando a deixa, proporciona a legítima feição do mundo físico, com o qual todos se devem acostumar, aprendendo a libertar-se, a crescer, a evoluir.

O desapego aos atavismos que levam a considerar os bens como segurança de vida, têm, no teu mapa de deveres, regime de urgência.

A tranquilidade, na sua trajetória evolutiva, merece consideração especial.

A ação dignificante, em razão disso, impõem-se-te como recurso de elevação, favorecendo-te com os tesouros da alegria e da saúde ideal.

O afeto, sem prisão emocional, torna-se-te conquista de base, a fim de que o irradies em todas as direções, lançando o pródromos da família universal feliz para o futuro.

A renúncia deve assinalar-te o comportamento, de modo a seres livre nos compromissos, bem como na seleção dos objetivos superiores.

A indulgência deverá marcar-te os passos, de forma que deixes pegadas de misericórdia em toda a parte por onde transites.

A sucessão dos acontecimentos, na voragem de tudo passar, em tempo e lugar, é a grande lição que deves aprender, fixando-te nos ideais e aspirações da vida eterna, que te espera à frente da marcha, coroando-te de júbilos.

Tudo se esfuma, é certo, na Terra, porém, jamais haverá despedida em definitivo.

Por enquanto, adapta-te, sem sofrimento, à arte de dizer “até logo”, por considerar que, em verdade, no processo da evolução, nunca dirá adeus.


Livro Responsabilidade, Cap. 16, Joanna de Ângelis – Divaldo Franco

25 fevereiro 2012

Dor e Coragem - Bezerra de Menezes


Dor e Coragem

Na Terra todos temos inimigos. Todos, sem exceção. Até Jesus os teve. Mas isso não é importante. Importante é não ser inimigo de ninguém, tendo dentro da alma a dúlcida presença do incomparável Rabi, compreendendo que o nosso sentido psicológico é o de amar indefinidamente.

Estamos no processo da reencarnação para sublimar os sentimentos. Por necessidade da própria vida, a dor faz parte da jornada que nos levará ao triunfo.

É inevitável que experimentemos lágrimas e aflições. Mas elas constituem refrigério para os momentos de desafio. Filhos da alma, filhos do coração!

O Mestre Divino necessita de nós na razão direta em que necessitamos dEle. Não permitamos que se nos aloje no sentimento a presença famigerada da vingança ou dos seus áulicos: o ressentimento, o desejo de desforçar-se, as heranças macabras do egoísmo, da presunção, do narcisismo. Todos somos frágeis. Todos atravessamos os picos da glória mas, também, os abismos da dor.

Mantenhamo-nos vinculados a Jesus. Ele disse que o Seu fardo é leve, o Seu jugo é suave. Como nos julga Jesus? Julga-nos através da misericórdia e da compaixão.

...E o Seu fardo é o esforço que devemos empreender para encontrar a plenitude.

Ide de retorno a vossos lares e levai no recôndito dos vossos corações a palavra libertadora do amor. Nunca revidar mal por mal. A qualquer ofensa, o perdão. A qualquer desafio, a dedicação fraternal. O Mestre espera que contribuamos em favor do mundo melhor, com um sorriso gentil, uma palavra amiga, um aperto de mão.

Há tanta dor no mundo, tanta balbúrdia para esconder a dor, tanta violência gerando a dor, que é resultado das dores íntimas.

Eis que Eu vos mando como ovelhas mansas ao meio de lobos rapaces, disse Jesus. Mas virá um dia, completamos nós outros, que a ovelha e o lobo beberão a mesma água do córrego, juntos, sem agressividade.

Nos dias em que o amor enflorescer no coração da Humanidade, então, não haverá abismo, nem sofrimento, nem ignorância, porque a paz que vem do conhecimento da Verdade tomará conta de nossas vidas e a plenitude nos estabelecerá o Reino dos Céus.

Que o Senhor vos abençoe , filhas e filhos do coração, são os votos do servidor humílimo e paternal, em nome dos Espíritos-espíritas que aqui estão participando deste encontro de fraternidade.

Muita paz, meus filhos, são os votos do velho amigo,

Bezerra

Psicofonia de Divaldo Pereira Franco, em 25 de setembro de 2011, na Creche Amélia Rodrigues, em Santo André – SP.

24 fevereiro 2012

Tatuagens, Piercings e Outros Adereços Sob o Ponto de Vista Espírita - Jose Hessen


'TATUAGENS, PIERCINGS E OUTROS ADEREÇOS
SOB O PONTO DE VISTA ESPÍRITA'

Alguém nos questionou se se usar uma tatuagem na pele teria influência sobre o perispírito. Há dirigentes de casas espíritas advertindo que todas as pessoas que fizeram ou pensam em gravar tatuagens ou usar piercings, automaticamente estarão em processo de obsessão. Alguns cristãos baseiam-se nas Antigas Escrituras, onde encontramos advertência aos israelitas de “que não deveriam marcar o corpo, fazer cicatrizes com açoites como autoflagelo, por nenhum motivo.”.(1)

Conhecemos líderes espíritas convictos de que pessoas que tatuam o corpo inteiro ou o enchem de piercings são espíritos primários que ainda carregam lembranças intensas de experiências pretéritas, sobretudo dos tempos dos bárbaros, quando belicosos e cruéis serviam-se dessas marcas na pele para se impor ante os adversários.

Positivamente não identificamos pontos de caráter prático no uso de tatuagens, especialmente se a lesão imposta ao próprio corpo for por mero capricho. Isso sim, refletirá invariavelmente no perispírito, já que, sendo o corpo físico (templo da alma) um consentimento divino para nossas provas e expiações, devemos mantê-lo dignamente protegido e saudável. Entretanto, será que o uso de piercings e tatuagens sobrepujam qualidades morais? Quem pode penetrar na intimidade do semelhante e saber o que aí ocorre?

Sob a percepção histórica, a tatuagem é uma técnica ancestral que se esvai na memória cultural das civilizações. Antigamente eram aplicadas para marcar o corpo de um escravo com o símbolo do proprietário. Gravavam-se os corpos das prostitutas com o emblema de um reino, governo ou estado. Servia também para estigmatizar o corpo da mulher adúltera. Ainda hoje é tradição o seu uso no corpo de príncipes de tribos beduínas, africanas e das ilhas do pacífico.

Presentemente, servem para marcar o corpo de membros de gangues, grupos de atletas esportistas (surfe, motociclismo), "beatniks" (movimento sociocultural nos anos 50 e princípios dos anos 60 que subscreveram um estilo de vida antimaterialista, na sequência da 2.ª Guerra Mundial.), hippies, roqueiros e alastrados principalmente entre jovens comuns dos dias de hoje.

Os que se tatuam devem procurar identificar seus motivos íntimos. Recordemos que o corpo é o templo do Espírito e não nos pertence, portanto, é importante preservá-lo contra agressões que possam mutilar a sua composição natural. Há os que usam vários brincos, piercings e outros adereços. Haveria a mutilação espiritual por causa desses apetrechos? Talvez sim, provavelmente não! O certo é que o perispírito é efetivamente lesado pela defecção moral, desequilíbrio emocional que leva a suicídios diretos e indiretos; vícios físicos e mentais, rancores, pessimismos, ambição, vaidade desmesurada, luxúria.

Esfola-se o corpo espiritual todas as vezes que se prejudica o semelhante através da maledicência, da agressividade, da violência de todos os níveis, da perfídia. Destarte, analisado por esse prisma, os adereços afetam menos o corpo perispirítico. Principalmente porque na atualidade muitos desses adornos que ferem o corpo físico podem ser revertidos, já na atual encanação, e naturalmente não repercutirá no tecido perispiritual.

André Luiz elucida que o perispírito não é reflexo do corpo físico; este é que reflete a alma. “As lesões do corpo físico só terão, pois, repercussão no corpo espiritual se houver fixação mental do indivíduo diante do acontecido ou se o ato praticado estiver em desacordo com as leis que regem a vida.”.(2) As tatuagens e as pequenas mutilações que alguns indivíduos elaboram como forma de demonstrar amor a exemplo de alguém que grava o nome do pai ou da mãe no corpo de modo discreto não trariam, logicamente, os mesmos efeitos que ocorreriam com aqueles que se tatuam de modo resoluto, movimentados por anseios mais grosseiros.

Curiosamente, muitas pessoas, retornando ao plano espiritual, podem optar pelo uso dos adornos aqui discutidos. Segundo o autor do livro Nosso Lar, “os desencarnados podem, sob o ponto de vista fluídico, moldar mentalmente e de maneira automática, no mundo dos Espíritos, roupas e objetos de uso e gosto pessoal. Destarte, é perfeitamente possível, embora lamentemos, que um ser no além-túmulo permaneça condicionado aos vícios, modismos e tantas outras coisas frívolas da sociedade terrena.”.(3)

No que concerne às tatuagens especificamente, por ser um tipo de insígnia permanente, pode, sem dúvida, ocasionar conflitos mentais. A começar na atual encarnação, quando chega a ocasião em que o tatuado se arrepende, após ter mudado de idéia, em relação à finalidade da tatuagem. Concebamos que seja o apelido, sobrenome, o desenho ou algum emblema de alguma pessoa que já não estima, não ama ou qualquer outra silueta que já não aceita em seu corpo. Então, o que era um mero enfeite, culmina cansando a estética e torna-se um problema particular de complexa solução.

Então, por que a pessoa se permite tatuar? Nas culturas primitivas se usavam tatuagens com finalidades mágicas, para evocar a interferência de divindades, para o bem ou o mal. Hoje é, para muitos indivíduos, uma espécie de ritual de passagem, envolvendo a integração num grupo. Pode ser também de identificação. Pela tatuagem a pessoa está dizendo algo de si mesma.

Nas estruturas dos códigos espíritas não há espaços para proibições. Não obstante, a Doutrina dos Espíritos oferece-nos subsídios para ponderação a fim de que decidamos racionalmente sobre o que, como, quando, onde fazer ou deixar de fazer (livre-arbítrio). Evidentemente que não é o uso de tatuagens que retratará a índole e o caráter de alguém. Todavia, não podemos perder de vista que alguns modelos de tatuagens, com pretextos sinistros, podem ser classificados (sem anátemas) como censuráveis e inadequados para um cristão de qualquer linhagem.

Nesse contexto, é importante compreender a pessoa de forma integral. As características anunciadas no corpo são resultados de seus estados mentais, reflexos das experiências culturais, aprendizados e interpretação de mundo. Como dissemos, o Espiritismo não proíbe nada e fornece-nos as explicações para os fenômenos psíquicos. Assim sendo, as recomendações doutrinárias não combatem, porém conscientizam! Não são indiferentes aos dramas existenciais e demonstram como edificar e marchar no mais acautelado caminho.

Dissemos que o uso piercings e outros adereços e da própria tatuagem por si só não caracteriza alguém com ou sem moralidade. Investiguemos porém as causas dessas atitudes. Quais sãos os anseios, os sonhos, as crenças dos que cobrem seus corpos com tais marcas? Tatuagens, piercings, são estágios transitórios. Importa alcançar, porém, se tais indivíduos estão mutilados psíquica, emocional e espiritualmente. O que os conduz muitas vezes a despedaçar a barreira da ponderação e do juízo? Por que atentam contra si submetendo-se a dores e sofrimentos incompreensíveis? Para uns o motivo é o modismo. Outros, todavia, ainda se acham atrelados a costumes de outras existências físicas e trafegam do mundo inconsciente para o consciente, derivando na transfiguração do corpo biológico.

Perante questões controversas, as mensagens kardecianas buscam na intimidade do ser o seu real problema. Convidam-nos ao autoconhecimento e ao estágio do auto-aprimoramento. Sugere-nos sensatez, autoestima, altivez, comedimento e a busca incessante de Deus, o Exclusivo Ente, que facultara-nos completar de contentamento e paz de consciência.


Referência bibliográfica:

(1) Levítico 19.28; Deuteronômio 14.1-2.
(2) Xavier, Francisco Cândido e Vieira , Waldo. Evolução em dois mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 1959
(3) Xavier, Francisco Cândido. Nosso Lar, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1955

23 fevereiro 2012

Sem Vacilações - Vianna de Carvalho


SEM VACILAÇÕES


Ante a volúpia com que os aficionados do niilismo moderno proclamam a morte da fé, do conhecimento religioso e a desnecessidade da comunhão espiritual entre a criatura e o Criador, já que para eles todo o Universo resulta de leis mecânicas e inconscientes, aglutinadas e desarticuladas por fluxos e refluxos da casualidade, a que atribuem recursos divinatórios que tomam à própria Divindade, convém recordar o exemplo multissecular, ocorrido com São Jerônimo, e que pode servir para sensatas e oportunas reflexões.

Recolhido à intimidade da sua cela, no monastério em Belém, o monge concluíra a tradução das Escrituras para o Latim e se encontrava traçando os Comentários adicionais, quando foi informado de que Alarico I, rei dos Visigodos, invadira Roma, saqueando-a depois de haver assolado o Oriente, e prosseguia investindo cruel contra o mundo cristão, deixando após a passagem das suas hordas a destruição, a morte, e reduzindo cidades inteiras a amontoados de ruínas e cinzas...

Era, então, o ano de 410 da era cristã.

Desanimado, acreditando desnecessário o seu imenso esforço e nobre trabalho, Jerônimo escreveu: "Que fica, se Roma passa?! "

Logo depois, Alarico morreu em Cosença e ficaram as trevas de uma noite intérmina de 700 anos de amarguras, inquietudes, desaires...

Embora a dolorosa desilusão do pai da Vulgata Latina, a Humanidade se soergueu da Idade Média e os Descobrimentos alargaram os limites da Terra, iluminados pelo Conhecimento que, com as suas luzes, acendeu as claras antemanhãs dos séculos porvindouros.

Epidemias lamentáveis que ameaçaram não poucas vezes a Civilização foram expulsas e vencidas; a ignorância paulatinamente tem sido rechaçada; a criminalidade não encontra amparo legal nos diversos países; "o direito divino dos reis" não mais foi considerado; "os direitos do homem" se impuseram; a criança e a mulher passaram a ser respeitadas e os animais hoje encontram defensores em toda a parte: a guerra é repelida com estoicidade e o mundo respira esperança em todas as frentes, anunciando-se um período de paz que não tardará... Organismos Internacionais estudam e defendem as liberdades dos povos minoritários, estabelecendo acordos de entendimento e justiça: fiscalizam os crimes de genocídio e outros, e buscam impedi-los; interferem contra o tráfico de entorpecentes e de criaturas humanas, e cuidam de fazer-se respeitar...

Os direitos do chamado "terceiro mundo" são examinados em igualdade de condições, e, embora os nimbos borrascosos que eriçam as cristas das águas encapeladas dos oceanos da Civilização, aqueles direitos exigem respeito, convocando, quando necessário, a opinião mundial que se sensibiliza e arregimenta valores em ação socorrista, através de Órgãos específicos, tais a ONU, a UNESCO, a Cruz Vermelha Internacional, ou por meio de tratados que enobrecem o gênero humano, qual o de Genebra que cuida dos prisioneiros de guerra...

... Indubitavelmente muitos crimes são ainda cometidos contra a Humanidade, à luz do beneplácito de governos desalmados, ou à socapa, nas sombras de hediondos conciliábulos.

Há, sem dúvida, muita anarquia, muita libertinagem e ondas de pavor crescem ameaçadoras, em todos os quadrantes...

O homem, no entanto, continua libertando-se do instinto para levantar-se na inteligência e alcançar a angelitude.

A princípio vagarosamente, depois com mais celeridade, podem observar-se os resultados do investimento "homem" e as belas conquistas do "respeito pela Vida".

Esse mesmo homem já foi além da Terra. conheceu a constituição do seu satélite e estabelece no momento a ponte para outros e audaciosos vôos por todo o Sistema Solar.

As matemáticas puras e aplicadas, a Física, a Química, a Biologia, as Ciências Psíquicas, a Cirurgia e a Cibernética assinalam recordes e todos os conhecimentos sofreram graves revoluções nos conceitos passados ante o impacto desbravador das conquistas recentes.

Todos eles, no entanto, ao invés de negarem Deus e matarem a fé, mais os atestam, por abrirem perspectivas então mais grandiosas, exigindo imediata revisão filosófica, porque reduzindo todas as manifestações no campo da forma a ondas, vibrações, mentes e energia.

O espírito humano recebe embate cada hora mais violento, enquanto o homem prossegue intimorato e sonhador no rumo do Infinito e da Eternidade.

Fita as noites estreladas com interrogações não menos pungentes do que as fazia seus antepassados primitivos, na alvorada dos tempos, e diante da morte formula inquietantes quesitos que lhe nublam o semblante de angústia e de amargas frustrações.

"Uma religião científica" - proclamam sociólogos, psicólogos, cientistas.
"Uma religião da ciência, uma religião da filosofia, uma religião da razão" - afirmam com ênfase os novos partidários do Conhecimento, a fim de atender-lhes a sede científica de investigação.

Conferindo, porém, os resultados tíbios a que chegaram os partidários da "religião da Humanidade" ou Filosofia Positivista, elaborada por Augusto Comte, que não resistiu à revolução tecnológica, somos convidados a considerar a Religião Espírita que há mais de cem anos estabelece as pontes de luz entre ciência e fé, razão e fé, técnica e fé.

O Espiritismo tem fundos vínculos com todos os ramos do Conhecimento, por tratar da "origem, destino dos Espíritos e as relações existentes entre o Mundo Espiritual e o Mundo Corporal", como bem o definiu Allan Kardec, assinalando que "se prende a todos os ramos da Filosofia, da Metafísica, da Psicologia e da Moral".

Elucida a velha problemática da Filosofia e clarifica muitas das afirmações claudicantes da Antropologia, da Paleontologia, da Eugenia, da Embriogenia e, "caminhando ao lado da Ciência no campo da matéria, admite todas as verdades que a Ciência comprova; mas, não se detém onde esta última pára: prossegue nas suas pesquisas pelo campo da Espiritualidade."

Longe de se constituir num corpo de Doutrina estática, parasitária, reveste-se de conceitos dinâmicos e progressistas, evoluindo com o próprio Conhecimento, assentando as bases das suas afirmações nos pontos capitais e irreversíveis: Deus, imortalidade, comunicabilidade dos Espíritos, reencarnação e pluralidade dos mundos habitados, podendo enfrentar sofismas, "modernismos" e descobertas, pois que "avançando com o progresso jamais será ultrapassado (o Espiritismo) porque, se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro acerca de um ponto, ele se modificará nesse ponto, se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará", como esclareceu com profundo senso racional o incomparável Codificador, ficando o verdadeiro espírita com o fato científico, sem qualquer dano para a convicção, assentada igualmente em f atos confirmados também pela Ciência.

Por tais razões, não diremos, ante as dimensões do momento científico, que a fé passará, e não concordamos com os apressados pessimistas dos dias modernos que assim o crêem ou fazem crer. Antes, pelo contrário, a palavra de Jesus, clara e forte, roteiro da maioria das Nações da Terra, hoje se avulta e se afirma, graças à comunicabilidade dos Espíritos que a confirmam em todo lugar, inspirando a sociedade hodierna a avançar, proclamando, ao mesmo tempo, a Era venturosa da Humanidade feliz que logo advirá.

Vianna de Carvalho (espírito), psicografia de Divaldo Franco na noite de 19/01/1970, no Centro Espírita Caminho da Redenção, Salvador/Ba.

22 fevereiro 2012

Meditações - Vinícius



MEDITAÇÕES


Tem melhor noção do valor de certos bens quem deles está privado.

É fácil demonstrar a realidade desta assertiva. Quem mais estima a saúde, senão o doente? Quem melhor sente o mérito da liberdade, senão o encarcerado? Quem sabe aquilatar tão bem a valia da moeda, senão o pobre?

Pela mesma regra, o marido exemplar não é reconhecido nem compreendido pela esposa que o possui; assim como a melhor companheira, carinhosa, meiga e amorável, passa, com esses excelentes predicados, inteiramente despercebida, ao lado do marido que teve a ventura de desposá-la.

Os pais que tudo renunciam pelos filhos não são, geralmente, correspondidos pela prole, na sua dedicação e nos seus sacrifícios. Os filhos dedicados e respeitosos que procuram facilitar a tarefa árdua dos pais, a seu turno, não encontram a devida correspondência por parte dos genitores.

Tal é a vida humana: uma tessitura de paradoxos.

É natural, no entanto, que seja assim, por isso que o nosso planeta é mundo de reajustamento.

Nos atos, atitudes e gestos de amor, os mais simples, modestos e insignificantes, reflete-se sempre a imagem divina manifestação de sua lei soberana.

Deus, Vida e Amor são três expressões de uma única idéia verdadeira.

A vida sem o amor carece de significação. O Amor e a Vida sem Deus, têm algo de monstruoso. Dá a impressão de termos diante de nós um corpo decapitado.


***

Se indagarmos o motivo por que Deus criou o Universo com todos os seus prodígios e maravilhas, chegaremos à conclusão de que, como Pai, tudo fez para os seus filhos.

“Deus é Amor”. Não há amor sem objeto. Nós somos o objeto do Infinito Amor. Destarte, os sóis inumeráveis que brilham no azul do firmamento; os mundos, sem conta, suspensos na imensidade, girando em suas respectivas órbitas; as leis que regem a fantástica mecânica celeste, e aquelas que operam e regulam a evolução de todos os seres; o infinito no espaço e a eternidade no tempo, como patrimônio inalienáveis; a consciência do bem e do belo, do justo e do verdadeiro, a faculdade de evolver com as forças próprias, percebendo e sentindo o desabrochar de novos poderes que se incorporam e se fundem em nossa individualidade; a nobreza e a satisfação de sermos os arquitetos imortais do nosso destino, sob os olhares vigilantes e protetores de um Criador, que é todo justiça e misericórdia, - tais são, em ligeira e rápida síntese, as riquezas e os tesouros divinos que nos pertencem, por isso que nos foram legados pelo Pai Nosso, que está nos céus.


Fonte: “Na Escola do Mestre”
De Vinícius (Pedro de Camargo)

21 fevereiro 2012

Semeia e Semeia - Joanna de Ângelis


SEMEIA E SEMEIA

Ei-los, em esfuziante alegria, permutando sorrisos num festival de juventude, que lhes parece não ter fim. Folgazões, transitam de cidade em cidade espairecendo, caçando prazeres, renovando emoções. Quase esvoaçantes, coloridos, recordam bandos de aves arrulhando nas florestas da vida.

Embriagados pelo licor da frivolidade passam gárrulos e ligeiros, sem pousos certos, alongando-se pelas estradas vastas das férias intermináveis.

Ao lado deles trabalham aqueloutros que os invejam e lhes exploram a loucura, quais formigas diligentes que acumulam para si, ceifando a plantação alheia, receosas da escassez hibernal. São gentis a preço de ouro e vendem cortesia, detestando-os quase, em silêncio, reprochando-lhes o comportamento leviano, sentindo-se magoados por não poderem fazer o mesmo.

Aqueles vêm para cá buscando o sol e estes saem daqui procurando as temperaturas brandas. Uns sobem as montanhas e outros as descem, agitados, todos, a buscarem nada.

Perderam a paz íntima e não sabem, talvez não desejem saber.

Anestesiam-se com a ilusão e fogem da realidade, enlouquecendo paulatina, irreversivelmente.

***

Dizes que conheces as nascentes da água lustral do bem e da harmonia. Gostaria de ofertá-las, a cântaros cheios, ou abrindo, com as mãos da ternura, sulcos profundos por onde jorrassem filetes a se transformarem em rios de abundância a benefício de todos.

Eles, porém, os sorridentes e os corteses que defrontas, recusam a tua oferenda.

Falas sobre o amor e zombam.

Cantas a verdade e promovem balbúrdia.

Emocionas-te ante a dor e os irritas.

Apresentas Jesus e desertam, ansiosos, tentando novas expressões de fuga, desinteressados e belicosos contra ti.

Não te entristeças ante os panoramas sombrios do momento. Logo mais, na estação própria, haverá luz e cor, reverdecendo a paisagem cinza, florindo-a, perfumando-a.

Possivelmente, já transitaste em rotas semelhantes e por essa razão sentes o amargor tisnar teus lábios, vendo-os e ouvindo-os, sabendo que este ludíbrio não dura indefinidamente. Eles despertarão sim, como já despertaste para outra realidade que agora te abrasa a vida e dá-te forças para avançar.

***

Hoje, todos estes estão fugindo de si mesmos. Ontem, porém, quando estavas com eles, fugias também, conduzindo as armas da guerra e do crime, que alguns já têm nas mãos e que outros irão tomá-las com avidez.

Considera, então, o quanto macerou ao imensurável Rabi, vê-los, assim, sanguinários e irresponsáveis, tendo-O ao lado sem O desejarem, ouvindo-O sem O quererem entender... Longa para o Mestre foi a via dolorosa, enquanto com eles e com nós todos, até hoje, que ainda não O sabemos amar nem servi-Lo.

Afeiçoa-te, por tua vez, à lavoura do amor e semeia, conquanto escasseiem ouvidos abertos e mentes acessíveis à semente de luz.

O Colégio Galileu reuniu apenas doze, ao chamado de Jesus, e não obstante a deserção de um discípulo equivocado, outro foi eleito para o seu lugar, ao tempo em que a palavra de vida eterna se espalhava como pólen fecundo penetrando, desde então, milhões de vidas que se felicitaram com a Verdade, alargando as avenidas da esperança para a Humanidade inteira.

Assim, semeia e semeia.

Joanna de Ângelis
De "Sol de Esperança"
De Divaldo P. Franco - Diversos Espíritos

20 fevereiro 2012

Esforço Pessoal - Joanna de Ângelis



ESFORÇO PESSOAL

As grandes conquistas da Humanidade têm começo no esforço pessoal de cada um.

Disciplinando-se e vencendo-se a si mesmo, o homem consegue agigantar-se, logrando resultados expressivos e valiosos.

Estas realizações, no entanto, têm início nele próprio.

*

E possível que não consigas descobrir novas terras, a fim de te tornares célebre. Todavia, poderás desvelar-te interiormente para o bem, fazendo-te elemento precioso no contexto social onde vives.

*

Certamente, não lograrás solucionar o problema da fome na Terra. Não obstante, poderás atender a algum esfaimado que defrontes, auxiliando a diminuir o problema geral.

*

Não terás como evitar os fenômenos sísmicos desastrosos que, periodicamente, abalam o planeta. Assim mesmo, dispões de recursos para que a onda de acidentes morais não dizime vidas preciosas ao teu lado.

De fato, não terás como impedir as enfermidades que ceifam as multidões que lhes tombam, inermes, ao contágio avassalador. Apesar disso, tens condições de oferecer as terapias preventivas do otimismo, da coragem e da esperança.

*

Diante das ameaças de guerra, das lutas e do terrorismo existentes que matam e mutilam milhões de homens, te sentes sem recursos para fazê-los cessar, mudando-lhes o rumo para a paz. Entretanto, a tua conduta pacífica e os teus esforços de amor serão instrumentos para gerar alegria e tranqüilidade onde estejas e entre aqueles com os quais compartes as tuas horas.

*

A violência urbana e a criminalidade reinantes não serão detidas ao preço dos teus mais sinceros desejos e tentativas honestas. Sem embargo, a tarefa de educação que desempenhes, modesta que seja, influenciará alguém em desalinho, evitando-lhe a queda no abismo da agressividade.

*

As sucessivas ondas de alienação mental e suicídios, que aparvalham a sociedade, não cessarão de imediato sob a ação da tua vontade. Muito embora, a tua paciência e bondade, a tua palavra de fé e de luz, conseguirão apaziguar aquele que as receba. oferecendo-lhe reajuste e renovação.

Naturalmente, o teu empenho máximo não alterará o rumo das Leis de gravitação universal. Mas, se o desejares, contribuirás para o teu e o equilíbrio do teu próximo, em torno do Sol de Primeira Grandeza que é Jesus.

*

Os problemas globais merecem respeito. Mas, os individuais, que se somam, produzindo volume, são factíveis de solução.

A inundação resulta da gota de água.

A avalanche se dá ante o deslocamento de pequenas partículas que se desarticulam.

A epidemia surge num vírus que venceu a imunização orgânica.

Desta forma, faze a tua parte, mínima que seja, e o mundo melhorar-se-á.

A sociedade, qual ocorre com o indivíduo. é o resultado de si mesma.

Reajustando-se o homem, melhora-se a comunidade.

E, partindo do teu empenho pessoal, para ser mais feliz, ampliando a área de bem-estar para outros, o mundo se fará mais ditoso e o mal baterá em retirada.

* * *

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Coragem
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis
Salvador, BA: LEAL, 1988

19 fevereiro 2012

Domínio da Ira - Joanna de Ângelis


Domínio da Ira

Tão comuns se te fazem a irritabilidade e o reproche, que estás perdendo o equilíbrio, o discernimento sobre o limite das tuas forças.

Habituas-te à reprimenda e à contrariedade de tal forma, que perdes o controle da emoção, deixando de lado os requisitos da urbanidade e do respeito ao próximo.

Freqüentemente deixas-te arrastar pela insidiosa violência, que se te vai instalando no comportamento, passando de um estado de paz ao de guerra por motivo de somenos importância.

Sem te dares conta, perdes o contato do amor e passas a ser temido, por extensão detestado.

A irascibilidade gera doenças graves, responsáveis por distonias físicas e mentais de largo alcance.

Da ira ao ódio o passo é breve, momentâneo, e o recuo difícil.

Tem tento, e faze uma revisão dos teus atos, tornando-te mais comedido e pacificado.

*

Ouve quem te fala, sem idéia preconcebida.

Desarma a emoção, a fim de agires com imparcialidade.

A idéia preconceituosa abre espaço mental à irascibilidade.

É necessário combater com ações mentais contínuas, as reações que te assomam entorpecendo-te a lucidez e fazendo-te um tresvariado.

A reflexão e o reconhecimento dos próprios erros são recursos valiosos para combater a irritação sistemática.

Tem a coragem de reconhecer que erras, que te comprometes, não te voltando contra os outros como efeito normal do teu insucesso.

*

A ira cega, enlouquece.

Provocando uma vasoconstrição violenta no sistema circulatório, leva à apoplexia, ao enfarto, à morte.

*

Um momento de irritação, e fica destruída uma excelente Obra.

O trabalho de um período demorado reduz-se a cinzas, qual ocorre com a faísca de fogo atingindo material de fácil combustão.

A ira separa os indivíduos e fomenta lutas desditosas.

*

Estanca o passo e retrocede na viagem do desequilíbrio.

Recorre à oração.

Evita as pessoas maledicentes, queixosas, venenosas. Elas se te fazem estímulo constante à irritabilidade, ao armamento emocional contra os outros.

*

A tua vida é preciosa, e deves colocar todas as tuas forças a serviço do amor.

Desde que és forte, investe na bondade, na paciência e no perdão, que são degraus de ascensão.

Para baixo é fácil, sem esforço, o processo de queda.

A sublimação, a subida espiritual, são o desafio para os teus valores morais.

Aplica-os com sabedoria e fruirás de paz, aureolado pela simpatia que envolve e felicita a todos.

Ademais, a ira é porta de acesso à obsessão, à interferência perniciosa dos Espíritos maus, enquanto o amor; a doçura e o perdão são liames de ligação com Deus, plenificando o homem.

* * *

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Felicidade
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis
Salvador, BA: LEAL, 1990

18 fevereiro 2012

Autoconscientização - Joanna de Ângelis


Autoconscientização

Os dias atuais, caracterizados pelos conflitos psicológicos, em face do tumulto que domina o pensamento da sociedade e as ambições de cada indivíduo, exigem profundas reflexões, a fim de que a harmonia permaneça nos sentimentos humanos e na conduta pessoal em relação a si mesmo.

As admiráveis conquistas da Psicologia profunda, contribuindo para a solução dos muitos distúrbios que se apresentam perturbadores, convidam à meditação em torno da realidade que se é, para que sejam superados os condicionamentos em que se encontra, de forma a situar-se com equilíbrio ante os desafios e as injunções, não raro, penosos, que se apresentam em toda parte exigindo decisões inadiáveis.

Atordoando-se ante o volume das atividades que defronta, o indivíduo percebe-se desequipado de valores que lhe facultem uma boa administração das injunções em que se encontra, não sabendo o rumo que deve seguir.

Convidado, porém, à auto-reflexão, à autoconscientização mediante as quais poderá descobrir a sua realidade essencial, recusa-se por automatismo, receando penetrar-se em profundidade, em razão do atavismo castrador a que se submete.

A sombra que o condiciona ao aceito e determinado ameaça-o de sofrimento, caso busque iluminar o seu lado escuro, permitindo-lhe a autoidentificação que se encarregará de libertá-lo das aflições e conflitos de comportamento, que são heranças ancestrais nele prevalecentes.

Vitimado pelo jogo das paixões sensoriais, anula a própria alma que discerne, e procura não se deixar vencer pelos desejos infrenes que o arrastam ao jogo ilusório do prazer desmedido.

Apresentando-se incapaz, no entanto, de lutar pela libertação interior, permite-se arrastar mais facilmente pelo tumulto dos jogos da sensualidade, naufragando nas aspirações de enobrecimento e de cultura, de beleza e de espiritualidade, temendo perder a oportunidade que a todos é oferecida de desfrutar as facilidades e permissões morais que constituem a ordem do dia.

A estrutura psicológica do ser humano é trabalhada por mecanismos muito delicados, sofrendo os golpes violentos da ignorância, do prazer brutalizado, dos vícios inveterados. Não suportando a alta carga de tensões que esses impositivos lhe exigem, libera conflitos e temores primitivos que estão adormecidos, desequilibrando as emoções, cujos equipamentos sutis geram distonias e depressões.

O desvario do sexo, que se tornou objeto de mercado, transformando homens e mulheres em coisas de fácil aquisição, é também instrumento de projeção social, de conquista econômica, de exaltação do ego, despertando nas mentes imaturas psicologicamente ânsias malcontidas de desejos absurdos, nele centralizando todas as aspirações, por considerá-lo indispensável ao triunfo no círculo em que se movimenta.

Incompleto, por não saber integrar os seus conteúdos psicológicos da anima à sua masculinidade e do animus à sua feminilidade, conseguindo a realização da obra-prima que lhe deve constituir meta, o ser humano deixa-se arrastar pelas imposições de um em detrimento do outro, afligindo-se sem saber por qual motivo.

Procura, então, agônico e insatisfeito, recuperação na variedade dos prazeres, identificando-se mais confuso, a um passo de transtorno sempre mais grave, qual ocorre a todo instante no organismo social e nos relacionamentos inter-pessoais.

A sombra governa-o, e ele se recusa à luz da libertação.

*

O Apóstolo Paulo afirmou: Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse eu faço. (Romanos, 7-19.)

Nesse auto-reconhecimento, o nobre servidor do Evangelho de Jesus denunciava a existência do seu lado escuro, impulsionando-o a atitudes que reprovava e não conseguia impedir-se de praticar. Mediante, porém, esforço perseverante e autoconscientização da própria fragilidade psicológica, o arauto da Era Nova conseguiu atingir a culminância do seu apostolado, quando proclamou: (...) E vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim... (Gálatas, 2:20.)

Somente através da coragem para encontrar a consciência mediante uma análise tranqüila das possibilidades de que dispõe é que a criatura humana logrará liberar-se da situação conflitiva que a domina, facultando-se selecionar os valores reais daqueles ilusórios aos quais se atribui significados, mas que sempre deixam frustração e vazio existencial.

A experiência física tem objetivos bem delineados que se apresentam acima da vacuidade dos interesses imediatistas que dominam na moderna sociedade consumista. Esse seu consumismo exterior resulta dos obscuros conflitos internos que projetam para fora e para outrem sua imagem de inquietação, transferindo-a do eu profundo, como necessidade de agitação para fugir de si mesmo.

Sucede que, nessa ansiosa projeção, o ser se torna consumido pelos demais, e por sua vez, destituído dos sentimentos profundos de amor, procura consumir os outros, utilizando dos seus recursos e qualidades reais ou imaginárias para saciar a sede de prazer em que se aturde, e seguir adiante.

Não saciado, porque essas experiências somente mais afligem, surge a necessidade das extravagâncias, pelas libações alcoólicas, pelo uso de substâncias químicas alucinantes, pelas aberrações sexuais intituladas de variedades para o prazer, pela agressividade, pela violência, ou pela queda nos abismos da depressão, da loucura, do suicídio...

A única alternativa disponível, portanto, para o ser humano de hoje, qual ocorreu com o de ontem, é o mergulho interior, a autodescoberta, a conscientização da sua realidade de Espírito imortal em viagem transitória pelo corpo, a fim de adquirir novas realizações, reparando males anteriores e conseguindo harmonia íntima, para que possa desfrutar de todas as concessões que se lhe encontram à disposição, premiando-o pelo esforço de autoconquista e autolibertação.

Naturalmente que, ao ser ativado o mecanismo de identificação do ser real, o hábito da fuga dos compromissos superiores induz à projeção, para poupar-se à dor, o que constitui um grande erro, porquanto o sofrimento se tornará ainda mais penoso.

É óbvio que somente a claridade vence as sombras, e a autoconscientização é o foco de luz direcionado à escuridão que predomina no comportamento psicológico do ser humano.

*

Jesus asseverou com propriedade ser a luz do mundo, porque a Humanidade se encontrava em profunda escuridão, qual ocorre nos dias presentes.

A Sua é a mensagem de responsabilidade pessoal perante a vida, e de serviço constante em favor de si mesmo e da coletividade.

Trazendo aos homens e mulheres o Seu exemplo de amor e de abnegação, não se propôs carregar o fardo do mundo, a fim de liberá-los de suas responsabilidades, mas ensinou a todos como conduzirem os seus problemas e angústias, solucionando-os com o amor a Deus, a si mesmos e ao próximo, por ser esse sentimento de amor a perene luz de libertação de toda a sombra existente no mundo íntimo e na sociedade em geral.



Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis

Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, no dia 11 de julho de 2000, em Paramirim, Bahia. Extraído da Revista Reformador, Junho de 2001.

17 fevereiro 2012

Correta Visão da Vida - Joanna de Ângelis


Correta Visão da Vida

Quando a criatura se resolve por diluir o véu da ignorância, que encobre a realidade da vida espiritual, começa a libertar-se da mais grave cegueira, que é a propiciada pela vontade.

Cegos não são apenas aqueles que deixaram de enxergar; senão todos quantos se recusam a ver, sendo piores os que fogem das evidências a fim de permanecerem na escuridão.

A vida, por sua própria gênese, é de origem metafísica, possuindo as raízes poderosamente fincadas no mundo transcendental, que é o causal. Expressando-se na condensação da energia, que se apresenta em forma objetiva, não perde o seu caráter espiritual; elo contrário, vitaliza-se por seu intermédio.

Quando a consciência acorda e as interrogações surgem, aguardando respostas, as contingências do prazer fugaz e sem sentido cedem lugar a necessidades legítimas, que são as responsáveis pela estruturação do ser profundo, portanto, imortal.

Simultaneamente, os valores éticos se alteram, surgindo novos conceitos e aspirações em favor dos bens duradouros, que são indestrutíveis, e passíveis de incessantes transformações para melhor, na criatura.

Desperta-se-lhe então a responsabilidade, e a visão otimista do progresso assenhoreia-se de sua mente, estimulando-a a crescer sem cessar. A sensibilidade se lhe aprimora e seu campo de emoções alarga-se, enriquecendo-se de sentimentos nobres, que superam as antigas manifestações inferiores, tais o azedume, a raiva, o ressentimento, a amargura, a insatisfação...

Porque suas metas são mediatas, a confiança aumenta em torno da Divindade e as realizações fazem-se primorosas, conquistando sabedoria e amor, de que se exorna a fim de sentir-se feliz.

*

Quando a criatura se encontra com a realidade espiritual, toda uma revolução se lhe opera no mundo interior.

Dulcifica-se o seu modo de ser e torna-se afável.

Tranqüiliza-se ante quaisquer acontecimentos, mesmo os mais desgastantes, porque sabe das causalidades que elucidam todos os efeitos.

Nunca desanima, porque suas realizações não aguardam apoio ou recompensas imediatas.

Identifica no serviço do bem os instrumentos para conseguir a perfeita afinidade com o amor, e doa-se.

Na meditação em torno dos desafios existenciais ilumina-se, crescendo interiormente, sem perigo de retrocesso ou parada.

Descobre no século os motivos próprios para a evolução e enfrenta-os com alegria, dando-se conta que viver, no mundo, é aprender sempre, utilizando com propriedade cada minuto e acontecimento do cotidiano.

Usa as bênçãos da vida, porém, não abusa, de cada experiência retirando lições que incorpora às aquisições permanentes.

Acalma as ansiedades do sentimento, por compreender que tudo tem seu momento próprio para acontece; e somente sucede aquilo que se encontra incurso no processo da evolução.

Aprende a silenciar, eliminando palavras excessivas na conversação, e, logrando equilíbrio mental, produz o silêncio mais importante.

Solidário em todas as circunstâncias, não se precipita, nem recua.

Conquista a paz e torna-se irmão de todos.

*

Quando a criatura compreende que se encontra na Terra em trânsito, realizando um programa que se estenderá além do corpo, na vida espiritual, realiza o auto-encontro, e, mesmo quando experimenta o fenômeno da morte, defronta a vida sem sofrer qualquer perturbação ou surpresa, mergulhando na Amorosa Consciência Cósmica.

*

Certamente, pensando em tal realidade, propôs Jesus. - Busca primeiro o Reino de Deus e Sua justiça, e tudo mais te será acrescentado.

Despertar para a vida é imperativo de urgência, que não podes desconsiderar.

* * *

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos Enriquecedores.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Salvador, BA: LEAL, 1994

16 fevereiro 2012

A Arte dos Elogios - Momento Espírita


A ARTE DOS ELOGIOS

A baixa autoestima é vista como uma espécie de carência de vitaminas emocionais para as crianças e adultos.

Preocupados com o desenvolvimento dos seus filhos e com suas conquistas, alguns pais exageram na hora dos elogios.

Criança viciada em elogios se torna problema na escola. Ela sempre ficará na dependência da aprovação verbal dos professores.

Adulada em excesso e sem motivo, a criança cresce esperando o mesmo de todas as pessoas.

Hoje, ela espera o afago verbal dos pais, dos professores. Amanhã será do chefe, da namorada ou do namorado para se sentir bem.

É que o excesso de elogios, e nem sempre verdadeiros, gera insegurança e não autoestima.

O educador, escritor e pai de cinco filhos, Paul Kropp, de Toronto, estabeleceu alguns itens que acredita importantes para aumentar a autoconfiança dos nossos filhos, sem correr o risco de sermos demasiadamente generosos em elogios, sejam eles merecidos ou não:

1. Inclua seu filho no que você estiver fazendo. E lembre-se de que nem tudo precisa ser perfeito no trabalho dele.

Deixe a criança experimentar, agir, auxiliar. Pequenas tarefas falam de responsabilidade e amadurecimento.

2. Não apresente ao seu filho obstáculos grandes demais. A dificuldade das tarefas atribuídas às crianças deve ir aumentando aos poucos.

3. Não corra para ajudar o seu filho. Dê a ele a chance de experimentar a frustração. A frustração faz parte do mundo real e a criança deve aprender, desde cedo, a lidar com ela.

4. Certifique-se de que ele tenha desafios fora de casa: grupos de excursão, equipes de natação, aulas de música.

5. Elogie os resultados finais com sensatez. Quando descobrir nos olhos de seu filho que ele está satisfeito com algo que fez, não seja severo na crítica.
Finalmente, para ajudar a criança a desenvolver uma noção real de seu valor: Preste atenção ao que seu filho faz ou diz - você não precisa concordar, mas tem de ouvir.

Encontre tempo suficiente para desenvolverem projetos juntos, sem perder de vistas as habilidades da criança.

Lembre-se de que não são os falsos elogios que constroem a identidade de seu filho, mas sim a atividade e o sucesso.

Os elogios, por si mesmos, não levam os filhos a crescer e buscar novos desafios. E para aquele que sabe o que quer, não serão uma ou duas críticas que o irão abater.
Por tudo isso os pais, que conhecem seus filhos, devem usar de bom senso. Elogios e críticas bem dosadas, aliadas ao tempo e esforço pessoal, possibilitam a autoconfiança e a consciência do próprio valor.

O falso elogio enche a criança de expectativas irreais. A falta deles acaba por desvalorizá-la e deprimir.

Quando a criança precisa de um elogio para elevar a sua autoestima, terá dificuldades para aprimorar o seu caráter porque estará sempre na dependência do que os outros pensam. Estará buscando aprovação e não aprimoramento.

Incentivar é permitir a possibilidade da experiência, do erro e do acerto. Eis o caminho ideal para a correta formação do caráter dos nossos filhos.


Redação do Momento Espírita, com base no artigo Seu filho é viciado em elogios?, da revista Seleções Readers Digest, de maio de 2000. Do site:http://www.momento.com.br/

15 fevereiro 2012

A Vinda de Jesus - Emmanuel


A VINDA DE JESUS

A manjedoura assinalava o ponto inicial da lição salvadora do Cristo, como a dizer que a humildade representa a chave de todas as virtudes.

Começava a era definitiva da maioridade espiritual da Humanidade terrestre, de vez que Jesus, com a sua exemplificação divina, entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações.

Debalde os escritores materialistas de todos os tempos vulgarizaram o grande acontecimento, ironizando os altos fenômenos mediúnicos que o precederam. As figuras de Simeão, Ana, Isabel, João Batista, José, bem como a personalidade sublimada de Maria, têm sido muitas vezes objeto de observações injustas e maliciosas; mas a realidade é que somente com o concurso daqueles mensageiros da Boa Nova, portadores da contribuição de fervor, crença e vida, poderia Jesus lançar na Terra os fundamentos da verdade inabalável.

Muitos séculos depois da sua exemplificação incompreendida, há quem o veja entre os essênios, aprendendo as suas doutrinas, antes do seu messianismo de amor e de redenção. As próprias esferas mais próximas da Terra, que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendizado dos espíritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem as opiniões contraditórias da Humanidade, a respeito do Salvador de todas as criaturas.

O Mestre, porém, não obstante a elevada cultura das escolas essênias, não necessitou da sua contribuição. Desde os seus primeiros dias na Terra, mostrou-se tal qual era, com a superioridade que o planeta lhe conheceu desde os tempos longínquos do princípio.

Do seu divino apostolado nada nos compete dizer em acréscimo das tradições que a cultura evangélica apresentou em todos os séculos posteriores à sua vinda à Terra, reafirmando, todavia, que a sua lição de amor e de humildade foi única em todos os tempos da Humanidade.

Dele asseveraram os profetas de Israel, muito antes da manjedoura e do Calvário: - “Levantar-se-á de um solo árido, onde não haverá graça nem beleza. Carregado de opróbrios e desprezado dos homens, todos lhe voltarão o rosto. Coberto de ignomínias, não merecerá consideração. É que Ele carregará o fardo pesado de nossas culpas e de nossos sofrimentos, tomando sobre si todas as nossas dores. Presumireis na sua figura um homem vergando ao peso da cólera de Deus, mas serão os nossos pecados que o cobrirão de chagas sanguinolentas e as suas feridas hão de ser a nossa redenção. Somos um imenso rebanho desgarrado, mas, para nos reunir no caminho de Deus, Ele sofrerá o peso das nossas iniquidades. Humilhado e ferido, não soltará o mais leve queixume, deixando-se conduzir como um cordeiro ao sacrifício. O seu túmulo passará como o de um malvado e a sua morte como a de um ímpio.

Mas, desde o momento em que oferecer a sua vida, verá nascer uma posteridade e os interesses de Deus hão de prosperar nas suas mãos.”

Emmanuel
Livro: Antologia Mediúnica do Natal
Francisco Cândido Xavier, por Espíritos Diversos
FEB – Federação Espírita Brasileira


14 fevereiro 2012

Psicologia da Gratidão - Joanna de Ângelis



PSICOLOGIA DA GRATIDÃO


A gratidão significa reconhecimento agradável por tudo quanto se recebe ou lhe é concedido.

A ciência da gratidão surge como a mais elevada expressão do amadurecimento psicológico do indivíduo, que o propele à vivência do sentimento enobrecido. Desse modo, é necessário ao indivíduo abrir espaço para as emoções afim de que o amor se manifeste em forma de bondade e de gentileza para com os outros, caracterizando o desenvolvimento ético-moral. O amor assinala-se, nessa fase, através do anseio de servir, de contriubuir, de gratular...

Nessa fase, a da gratulação, o significado existencial torna-se relevante, proporcionando a mudança do comportamento egoísta e ensaiando as primeiras manifestações de gentileza, de altruísmo. Portanto, o despertamento para a gratidão inicia-se por uma forma de louvor a tudo e a todos e, assim, a psicologia da gratidão deve ser vivenciada em todos os momentos da existência corporal, pois, sendo filha do amadurecimento psicológico, enriquece de paz e de alegria todo aquele que a cultiva.

Feitas tais considerações, frisa-se que a gratidão é um dos sentimentos mais profundos e significativos, porque não se limita apenas ao ato da recompensa habitual; é mais grandioso ainda, porque traz satisfação e tem caráter psicoterapêutico.

Por conseguinte, todo aquele que é grato, que compreende o significado da gratidão real, goza de saúde espiritual, física, emocional e psíquica, porque sente alegria de viver, compartilha de todas as coisas, é membro atuante na organização social, é criativo e jubiloso.

Sendo assim, quando o Espírito alcança o objetivo do seu significado imortal e entende-o com discernimento lúcido, abençoa tudo e todos, agradecendo-lhes a oportunidade por fazer parte do seu conglomerado. A gratidão deve ser um estado interior que se agiganta e mimetiza com as dádivas da alegria e da paz. Por essa razão, aquele que agradece com um sorriso, uma palavra ou uma oração, com o bem que esparze, é sempre feliz, vivendo pleno.

A busca, portanto, da autorrealização é alcançada a partir do momento em que a gratidão exerce o seu predomínio no self sem nenhuma sombra perturbadora, constituindo-se numa bênção de Deus.

Agradecer o bem que se frui assim como o mal que não aconteceu e, particularmente, quando suceda, fazer o mesmo, tendo em vista que somente ocorre o que é necessário para o processo de crescimento espiritual, conforme programado pela lei de causa e efeito.


Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco
Livro: Psicologia da Gratidão

13 fevereiro 2012

Biografia de Batuíra - Paulo Alves Godoy


BIOGRAFIA DE BATUÍRA

Antônio Gonçalves da Silva (Batuíra).

Nascido em 19 de março de 1839, em Portugal, na Freguesia de Águas Santas, hoje integrada no Conselho da Maia.

Completada a sua instrução primária, veio para o Brasil, com apenas onze anos de idade, aportando no Rio de Janeiro, a 03 de janeiro de 1850.
Devido a ser um moço muito ativo, correndo daqui para acolá, a gente da rua o apelidara "o batuíra", o nome que se dava à narceja, ave pernalta, muito ligeira, de vôo rápido, que freqüentava os charcos na várzea formada, no atual Parque D. Pedro II, na cidade de São Paulo, pelos transbordamentos do rio Tamanduateí. Desde então o cognome "Batuíra" foi incorporado ao seu nome.
Batuíra desempenhou uma série de atividades que não cabe registrar nesta concisa biografia, entretanto, podemos afirmar que defendeu calorosamente a idéia da abolição da escravatura no Brasil, quer seja abrigando escravos em sua casa e conseguindo-lhes a carta de alforria, ou fundando um jornal a fim de colaborar na campanha encetada pelos grandes abolicionistas Luiz Gama, José do Patrocínio, Raul Pompéia, Paulo Ney, Antônio Bento, Rui Barbosa e tantos outros grandes paladinos das idéias liberais.

Homem de costumes simples, alimentando-se apenas de hortaliças, legumes e frutas, plantava no quintal de sua casa tudo aquilo de que necessitava para o seu sustento. Com as economias, adquiriu os então desvalorizados terrenos do Lavapés, em São Paulo, edificando ali boa residência e, ao lado dela, uma rua particular com pequenas casas que alugava a pessoas necessitadas. O tempo contribuiu para que tudo ali se valorizasse, propiciando a Batuíra apreciáveis recursos financeiros. A rua particular levaria, posteriormente, nome de Rua espírita, a qual existe até hoje.

Tomando conhecimento das altamente consoladoras verdades do Espiritismo, integrou-se resolutamente nessa causa, procurando pautar seus atos nos moldes dos preceitos evangélicos. Identificou-se de tal maneira com os postulados espíritas e evangélicos que, ao contrário do "moço rico" da narrativa evangélica, como que procurando dar uma demonstração eloqüente da sua comunhão com os preceitos legados por Jesus Cristo, desprendeu-se de tudo quanto tinha e pôs-se a seguir as suas pegadas. Distribuiu o seu tesouro na Terra, para entrar de posse daquele outro tesouro dos Céus.

Tornou-se um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil e fundou o "Grupo Espírita Verdade e Luz", onde, no dia 6 de abril de 1890, diante de enorme assembléia, dava início a uma série de explanações sobre "O Evangelho Segundo o Espiritismo".

Nessa oportunidade deixara de circular a única publicação espírita da época, intitulada "Espiritualismo Experimental" redigida desde setembro de 1886, por Santos Cruz Junior. Sentindo a lacuna deixada por essa interrupção, Batuíra adquiriu uma pequena tipografia, a que denominou "Tipografia Espírita", iniciando a 20 de maio de 1890, a publicação de um quinzenário de quatro páginas com o nome "Verdade e Luz", posteriormente transformado em revista e do qual foi o diretor- responsável até a data de sua desencarnação. A tiragem desse periódico era das mais elevadas, pois de 02 ou 03 mil exemplares, conseguiu chegar até 15 mil, quantidade fabulosa para aquela época, quando nem os jornais diários ultrapassavam a casa dos 03 mil exemplares. Nessa tarefa gloriosa e ingente, Batuíra despendeu sua velhice. Era de vê-lo, trôpego, de grandes óculos, debruçado nos cavaletes da pequena tipografia, catando, com os dedos trêmulos, letras no fundo dos caixotins.

Para a manutenção dessa publicação, Batuíra despendeu somas respeitáveis, já que as assinaturas somavam quantia irrisória. Por volta de 1902 foi levado a vender uma série de casas situadas na Rua Espírita e na Rua dos Lavapés, a fim de equilibrar suas finanças.

Não era apenas esse periódico que pesava nas finanças de Batuíra. Espírito animado de grande bondade, coração aberto a todas as desventuras, dividia também com os necessitados o fruto de suas economias. Na sua casa a caridade se manifestava em tudo: jamais o socorro foi negado a alguém, jamais uma pessoa saiu dali sem ser devidamente amparada, havendo mesmo muitas afirmativas de que "um bando de aleijados vivia com ele". Quem ali chegasse, tinha cama, mesa e um cobertor.

Certa vez um desses homens que viviam sob o seu amparo, furtou-lhe um relógio de ouro e corrente do mesmo metal. Houve uma denúncia e ameaças de prisão. A esposa de Batuíra lamentou- se, dizendo: "é o único objeto bom que lhe resta". Batuíra, porém, impediu que se tomasse qualquer medida, afirmando: "Deixai-o, quem sabe precisa mais do que eu".

Batuíra casou-se em primeiras núpcias com Da. Brandina Maria de Jesus, de quem teve um filho, Joaquim Gonçalves Batuíra, que veio a desencarnar depois de homem feito e casado. Em segundas núpcias, casou-se com Da. Maria das Dores Coutinho e Silva; desse casamento teve um filho, que desencarnou repentinamente com doze anos de idade. Posteriormente adotou uma criança retardada mental e paralítica, a qual conviveu em sua companhia desde 1888.

Figura bastante popular na cidade de São Paulo, Batuíra tornou-se querido de todos, tendo vários órgãos da imprensa leiga registrado a sua desencarnação e apologiado a sua figura exponencial de homem caridoso e dedicado aos sofredores. Desencarnou em 22 de janeiro de 1909 em São Paulo.

Fonte: Grandes Vultos do Espiritismo
De Paulo Alves Godoy - Edições FEESP

12 fevereiro 2012

Identidade com Jesus - Joanna de Ângelis


Identidade com Jesus

A identificação é uma das qualidades psicológicas responsáveis pela definição do ser humano, ao lado de outras significativas, tais como: a personalidade, o conhecimento e a consciência.

Em razão do seu impositivo, é possível qualificar-se o indivíduo face à sua afinidade emocional e comportamental com as ideias e os anseios íntimos cultivados.

Graças às aspirações internas mantidas, surgem as sintonias que povoam os grupos, aglutinando-os em sociedades ou núcleos que formam a humanidade.

Quando são enobrecedoras, favorecem o progresso moral e social da pessoa e, em consequência, da grei, aprimorando a cultura, a ciência e as artes, a tecnologia e o humanitarismo, que fomentam o ajuste e a harmonia global. Todavia, se resultam das paixões dissolventes, formam os guetos da criminalidade, as forças da violência, as gangues da insânia e das alucinações coletivas, as tribos da drogadição, resvalando para os abismos do horror que respondem pelas lutas sangrentas e perversas.

As propostas filosóficas e o conhecimento nos mais diversos ramos do saber, atraem os seres humanos às suas fileiras e os classificam, tornando-se conhecidos pelos modismos e conduta, não raro extravagantes e agressivos.

Periodicamente surgem como desafios ao status quo, chamando a atenção pela maneira exibicionista através da qual projetam a imagem prepotente que escraviza sua vítima...

Têm efêmera duração, porque os seus líderes, vencidos pelas angústias que os envenenam e que não têm coragem de enfrentar, fogem da realidade para as fantasias que se lhes transformam em pesadelos hediondos, insuportáveis...

De igual maneira, ocorrem esses fenômenos na fé religiosa, sob outros aspectos, porém, com os mesmos efeitos psicológicos, nas diferentes definições em que se ajustam.

O Cristianismo, por exemplo, não constitui exceção no seu extraordinário mapa de expansão terrena.

Desde quando Lucas, o futuro apóstolo do Evangelho, fascinado por Jesus Cristo, no glorioso período da pregação paulina, sugeriu que os Seus discípulos fossem chamados de cristãos, que a identificação inscreveu-os na História como os conquistadores do mundo espiritual.

A princípio, à força ciclópica da abnegação e do amor que os animava escreveu, no holocausto da própria existência, a mais desafiadora página de dedicação ao próximo e a Deus de que se tem notícias, e o martirológio tornou-se o sublime recurso de expansão da mensagem libertadora, que passou a dominar praticamente o mundo conhecido de então.

Todavia, conforme escreveu Santo Eusébio, cristão primitivo do século IV, à medida que as facilidades e as disputas humanas substituíram os testemunhos e os sacrifícios dos mártires, a floração sublime da fé emurcheceu e quase feneceu...

Mais tarde, a denominação passou a inspirar suspeitas, pavores e mesmo ódios, pela alucinação e fanatismo que tomaram conta daqueles que, dessa maneira, identificavam-se.

Uma noite terrível, inevitavelmente, abateu-se sobre a sociedade debilmente iluminada, de quando em quando, pelos apóstolos da verdade que renasceram com a missão de sustentá-la nos estertores em que se encontrava.

Quase nada permaneceu das apoteóticas mensagens de amor e de compaixão ensinadas e vividas por Jesus, obrigando a caridade a ocultar-se, envergonhada, nos mantos da divina misericórdia...

...Veio o Consolador e, novamente, o formoso brilho do Evangelho como um sol especial passou a iluminar as vidas e a aquecer o frio das almas.

Lentamente, porém, à medida que se vem popularizando, a vulgaridade e a insensatez humanas tomam conta das suas fileiras, tentando empanar-lhe as sublimes claridades.
* * *
Nesse báratro que domina a sociedade hodierna que estorcega nos sofrimentos inenarráveis e atemoriza-se ante as ameaças perversas de outros males sem conta, a identidade cristã perdeu quase completamente o seu significado inicial.

Negocia-se, mente-se, guerreia-se, infelicita-se, em nome de Jesus. Firmam-se tratados e decretos citando as Suas palavras, enquanto o ser humano prossegue abandonado à própria sorte...

Não poucos cristãos novos, por sua vez, que bebem na fonte lustral do Evangelho desvelado pelo Espiritismo, a água pura e cristalina do dever, do amor e da caridade, descuidam-se da conduta crística, aquela de ser irmão dos sofredores, de seguir mil passos a mais ao lado daquele que lhe solicita a companhia por apenas mil; de dar o manto a quem necessita somente da capa; de despir-se da ostentação, do orgulho e do egoísmo para servir, ao invés de ser servido pela mensagem que se expande pelo mundo.

O campeonato da vaidade ao lado das disputas pelos favores de César e as glórias de Pirro desequilibra incontáveis valorosos servidores que se comprometeram em não mais repetir os erros clamorosos do passado.

Iniciam o ministério do amor dominados pelo entusiasmo da ingenuidade e do encantamento, para trasladar-se para as volúpias do prazer e das compensações imediatas.

Sexo, poder, luxo e distinções sociais fascinam-nos e intoxicam-nos no festival da ilusão.

Soberbos uns e irreverentes outros, passeiam a incoerência da conduta em relação à fé nas paisagens humanas, dando a impressão de que a enfermidade, a velhice e a desencarnação jamais os alcançarão...

Abraçando as imposturas terrestres disputam-lhe a aceitação, afadigando-se pela conquista das posturas artificiais, cultivando as técnicas da comunicação exterior, esquecidos da irradiação do bem-estar, da harmonia e da alegria de viver que os deveriam impregnar.

O exterior é-lhes mais importante do que o interior.

Apresentam-se como novos sepulcros do ensinamento evangélico, bem cuidados por fora e por dentro a imundície...

Cuida da tua identidade crística.

Mantém-te simples e sem atavios.

Cultiva a bondade e faze-te útil.

Sorri e ama, auxiliando sempre.

Não importa que não sejas conhecido ou afamado, lutando porém para seres iluminado.

Apresenta Jesus e oculta-te, recorda-O e esquece as tuas ambições enganosas, fazendo que todos aqueles que se te acerquem, vejam-nO em ti.

Vinculado a Jesus, seja a tua identidade dEle.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no dia 25 de junho de 2011, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

11 fevereiro 2012

Auditórios Sofisticados - Vianna de Carvalho


Auditórios Sofisticados

Em todos os tempos, os oradores mais hábeis, sempre que convidados a discursar nos auditórios que se celebrizaram por aqueles que ali passaram, tiveram a preocupação de dar à sua palavra os tons insuperáveis da sabedoria, em formulações cultas, que produzissem impactos e admiração inicial nos seus ouvintes.

Apelavam para as técnicas do discurso, citando personagens célebres e suas palavras, em tonalidades harmoniosas unidas à gesticulação bem estudada, de forma que pudessem produzir o desejado anelo da simpatia geral.

Era sempre muito grande a preocupação com o estilo e a forma, sem olvido, naturalmente, do conteúdo.

Nada obstante esses cuidados, quando as ideias não lhes eram conhecidas ou não lhes despertavam o interesse imediato, os presentes desviavam a atenção demonstrando enfado ou desprezo pelo orador e sua mensagem.

O caso típico desse comportamento encontra-se na apresentação do Apóstolo Paulo, no Areópago, em Atenas.

A presunção e a falsa cultura que predominavam entre os intelectuais gregos, distantes dos postulados éticos de muitos dos seus nobres ancestrais, apesar de leve condescendência para com o expositor mal vestido, deixaram de aceitar-lhe as informações, logo ele aprofundou-se ao tema, revelando a grandeza da personalidade de Jesus.

Empanturrados de hedonismo uns e do cinismo filosófico outros, não dispunham de espaço mental para novas formulações em torno da vida e dos objetivos essenciais.

O tédio e a futilidade dominavam-lhes o comportamento, reservando a inteligência para os sofismas, silogismos e debates intermináveis quão inúteis, em que se exibiam, cada qual pretendendo ser mais hábil e profundo conhecedor do que o outro.

Perderam, pela vã filosofia, extraordinária oportunidade de travar contato com o Nazareno, que desprezavam, porque Ele ressuscitara, o que lhes parecia mitológico, absurdo, insensato...

Antes havia sido Estêvão que, obrigado a defender-se das acrimoniosas e injustas acusações a respeito do seu ministério na Casa do Caminho, viu-se agredido fisicamente por Saulo, o arrogante doutor da Lei, que lhe não participava das ideias, porque aferrado ao judaísmo decadente.

Entre apupos e vociferações de toda ordem, o jovem cristão enfrentou os tiranos sem disfarçar a nobreza dos postulados que abraçava, abordando com lógica irretorquível as lições libertadoras de Jesus, por aquele mesmo sodalício condenado à morte pouco antes, porque se não submetera às suas tricas objurgatórias.

A simplicidade e profundeza dos conceitos emitidos irritavam os opositores que, incapazes de debater no campo das ideias, apelavam para a desordem e a força, em vãs tentativas de intimidar o apóstolo preparado para o martírio.

Ainda hoje, encontram-se, no mundo, os grandiosos auditórios onde desfilam as vaidades e multiplicam-se os déspotas disfarçados de portadores do conhecimento e formadores de opiniões.

Normalmente, asfixiados pelo soez materialismo ou o daninho fanatismo religioso, consideram-se os únicos pensadores capazes de traçar comportamentos culturais para os demais, situando-se acima daqueles que não compartem as suas opiniões e aureolando-se dos louros da vitória em simulacro de parceiros das musas e dos deuses do Olimpo da cultura.

Parecem impassíveis às propostas de desenvolvimento intelecto-moral fora das suas escolas de pensamento e de fé, combatendo com acrimônia tudo e todos que se proponham a melhorar a situação espiritual da sociedade.

Suas tribunas e cátedras estão sempre reservadas aos pares, àqueles que são portadores dos títulos lisonjeiros que se permutam na disputa do estrelado magnífico da exaltação do ego.

Não que sejam escassos aqueles outros, que, igualmente portadores dos louvores dos centros de cultura e de ciência, estão abertos a novas reflexões e análises do que ignoram, abraçando os resultados defluentes da investigação, que se permitem afanosamente, de imediato, transmitidas aos demais.

São esses os verdadeiros estóicos da abnegação e da coragem que mantêm acesa a claridade do conhecimento livre, que se reconhecem como aprendizes da Vida, sempre crescendo no rumo da plenitude intelectual, sem a perda dos elevados compromissos éticos indispensáveis à existência enobrecida.

Diante dos paradoxos de tal natureza, torna-se imprescindível a todo aquele que divulga as incomparáveis lições em torno da imortalidade da alma, não temer a presunção e o fastio da falsa e dourada cultura, usando cátedras, tribunas ou os singelos recintos de edificação espiritual, qual o fizeram, a princípio Estêvão na Casa do Caminho e Paulo nas diversas situações, inclusive na Domus Áurea, em Roma, diante da truculência de Nero, cirurgiando os tumores malignos da hipocrisia e da promiscuidade, enquanto aplicava o mercúrio cromo para a cura desses males, em forma da mensagem de Jesus.

Provavelmente, os untuosos dominadores mundanos rejeitarão a partitura musical da inolvidável Palavra, mas nunca se olvidarão desses momentos sinfônicos em que a escutaram apesar dos ouvidos entorpecidos pela mentira e a mente atribulada pelos interesses subalternos.

Nunca preocupar-se em demasia, portanto, todo aquele que se dispõe elucidar a ignorância e disseminar a verdade em nome de Jesus, especialmente através do Espiritismo, com os cultores da inteligência trabalhada pelo academicismo tradicional, mais preocupada em dar brilho ao conhecimento, colocando os seus iluminados distantes das necessidades humanas, que alguns se recusam a atender.

As tribunas clássicas dos debates culturais vêm sendo corroídas pelo tempo, que lhe tem imposto novos comportamentos, enquanto os exemplos daqueles, que usam a palavra na construção e manutenção da ética da solidariedade e do amor, permanecem solucionando os graves problemas que afligem a sociedade.

A palavra espírita é simples e desataviada, tendo como escopo conduzir as mentes e os sentimentos às esferas da harmonia, mediante a razão e o discernimento, porque totalmente livre de adereços e dependências do status quo.

É destinada a todos os indivíduos que se encontram na Terra, sejam eles intelectuais ou modestos cultivadores do solo, administradores poderosos ou mendigos, exemplos de saúde ou enfermos, possuidores de riquezas materiais ou despojados de todos os bens, qual ocorreu com os ensinamentos de Jesus, que foram direcionados para todos os biótipos humanos. Entretanto, não será oferecida aos discutidores inveterados, aos que se encontram empanturrados de presunção e se acreditam bem situados nos acolchoados da inutilidade.

Verberando o erro e orientando a conduta saudável, a Mensagem deve chegar aos ouvidos das necessidades como brisa perfumada em plena primavera, que impregna e nunca mais desaparece.

Em qualquer lugar, portanto, seja a nobre sala das conferências, o modesto recinto da Casa Espírita, o santuário da Natureza, o confortável areópago das grandes cidades, o contato com o transeunte, o verbo eloquente e abençoado poderá atender aos transeuntes carnais, para os quais os Espíritos nobres elaboraram, com Allan Kardec, a Codificação.

Vianna de Carvalho

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no dia 10 de junho de 2011, no G-19, em Zurique, Suíça.