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31 março 2017

Visitas espirituais entre vivos - Antônio Carlos Navarro

 
VISITAS ESPIRITUAIS ENTRE VIVOS


Há alguns anos, conversando com uma senhora de nossas relações de amizade, ouvimos o seu relato acerca das inúmeras vezes em que ela via, pela vidência mediúnica, o seu marido, em espírito, visitando o lar enquanto se encontrava a quilômetros em viagem profissional.

As visões aconteciam durante as madrugadas, quando acordada ela via o espírito do marido circulando pela casa, porém sem travar conversação, e sem ele ter consciência do fato quando questionado a respeito.

A Doutrina Espírita explica, detalhadamente, a ocorrência, já que é um acontecimento muito comum entre os encarnados, como nos ensinam os Espíritos Superiores:

O Espírito encarnado permanece espontaneamente no corpo?

– É como perguntar se o prisioneiro se alegra com a prisão. O Espírito encarnado aspira sem cessar à libertação, e quanto mais o corpo for grosseiro, mais deseja desembaraçar-se dele. (1)

Durante o sono, a alma repousa como o corpo?

– Não, o Espírito nunca fica inativo. Durante o sono, os laços que o prendem ao corpo se relaxam e, como o corpo não precisa do Espírito, ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com outros Espíritos. (2)

Mas é no capítulo oito da segunda parte de O Livro dos Espíritos, sob o título “Da Emancipação da Alma”, que encontramos as explicações detalhadas sobre o assunto. (3)

Na oportunidade Allan Kardec questiona a Espiritualidade Superior se é caso de “dupla existência simultânea: a do corpo, que nos dá a vida de relação exterior, e a da alma, que nos dá a vida de relação oculta”, obtendo como resposta que “no estado de liberdade, a vida do corpo cede lugar à vida da alma. Porém, não são, propriamente falando, duas existências; são, antes, duas fases da mesma existência, uma vez que o homem não vive duplamente”.

Esclarecem os Espíritos que “duas pessoas que se conhecem podem se visitar durante o sono, e muitas outras que acreditam não se conhecerem também se reúnem e conversam. Podeis ter, sem dúvida, amigos num outro país. O fato de ir se encontrar, durante o sono, com amigos, parentes, conhecidos, pessoas que podem ser úteis, é tão frequente que o fazeis todas as noites”, e a “utilidade dessas visitas noturnas, uma vez que não fica lembrança de nada, é muito comum disso ficar uma intuição, ao despertar, e é frequentemente a origem de certas ideias que surgem espontaneamente”.

Sobre a possibilidade do homem poder provocar essas visitas espirituais por sua vontade dizendo ao dormir: “esta noite quero me encontrar em Espírito com tal pessoa, falar com ela e dizer-lhe alguma coisa”, o esclarecimento que se segue é que “o homem dorme, o Espírito se liberta e o que o homem tinha programado, o Espírito está bem longe de seguir, porque os desejos e vontades do homem nem sempre são os mesmos do Espírito, quando desligado da matéria. Isso acontece com os homens espiritualmente bastante elevados. Há os que passam de outra forma essa sua existência espiritual: entregam-se às suas paixões ou permanecem na inatividade. Pode acontecer que, considerando a razão da visita, o Espírito vá mesmo visitar as pessoas que deseja; mas a simples vontade do homem, acordado, não é razão para que o faça”.

Outra possibilidade que se apresenta é que vários “espíritos encarnados podem se reunir” porque “os laços de amizade, antigos ou novos, fazem com que se reúnam, frequentemente, diversos Espíritos, felizes de estarem juntos”.

A questão se volta para a necessidade de dominarmos nossas paixões e vícios, trabalhando para eliminá-los, e também de revermos quais são nossos interesses, mundanos ou espirituais, para podermos aproveitar ao máximo as oportunidades dos momentos de liberdade que o nosso espírito tem durante o sono físico, preparando-nos, paulatinamente, para o retorno definitivo à Pátria Maior, que é de onde viemos e mais uma vez para onde retornaremos após o término desta vida física.

Pensemos nisso.



Antônio Carlos Navarro

Referências Bibliográficas:

(1) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 400;
(2) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 401;
(3) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, itens 413 a 418.

30 março 2017

Você é especial - Momento Espírita



VOCÊ É ESPECIAL


Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo.

Só você pode evitar que ela vá à falência. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.

É importante que você sempre se lembre de que ser feliz não é ter um céu sem tempestades, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem decepções.

Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza.

Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos.

Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de você.

É ter maturidade para falar: Eu errei.

É ter ousadia para dizer: Perdoe-me.

É ter sensibilidade para confessar: Eu preciso de você.

Ser feliz é ter a capacidade de dizer: Eu amo você.

Desejo que a vida seja um canteiro de oportunidades para você...

Que nas suas primaveras você seja amante da alegria.

Que nos seus invernos seja amigo da sabedoria.

E, quando você errar o caminho, recomece tudo de novo.

Pois assim você será cada vez mais apaixonado pela vida.

E descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.

Aproveitar as perdas para refinar a paciência, as falhas para esculpir a serenidade.

Usar a dor para lapidar o prazer e os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Jamais desista de si mesmo.

Jamais desista das pessoas que você ama.

Jamais desista de ser feliz pois a vida é um espetáculo imperdível.

Porque você, você é especial!

* * *

Pessoas especiais sabem dividir seu tempo com os outros.

São honestas nas atitudes, são sinceras e compassivas e sabem que o amor é parte de tudo.

Pessoas especiais têm coragem de se doar aos outros, sem nenhum interesse oculto.

Não têm medo de ser vulneráveis, acreditam que são únicas e gostam de ser quem são.

Pessoas especiais se importam com a felicidade dos outros e os ajudam a conquistá-la.

Pessoas especiais são aquelas que realmente tornam a vida mais bela e mais feliz.


Redação do Momento Espírita, com base em mensagem de autoria de Paulo Medeiros, disponível no site http://www.indg.com.br/info/artigos/artigos.asp?22, do INDG- Instituto de Desenvolvimento Gerencial. Disponível no livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep.

29 março 2017

Os dons da "Bruxaria" (Mediunidade) - Jorge Hessen



OS DONS DA “BRUXARIA” (MEDIUNIDADE!)


Uma menina de seis anos, que sofria de albinismo, foi encontrada morta e com seus membros cortados no Burundi , na África. Eis aí um caso de assassinato, segundo autoridade policial local, motivado por rituais de feitiçaria. Acredita-se que os órgãos das pessoas com essa desordem genética são usados para fazer poções mágicas, a fim de garantir a juventude, a riqueza e o poder às pessoas que nela creem. Estamos diante da condição, extremamente, primitiva do ser humano que cultua tais crenças.

Anja Ringgren Lovén, ativista dinamarquesa, foi a responsável por salvar Hope, um garotinho africano da Nigéria de dois anos que foi abandonado pela família sob o estigma de ser a encarnação de um “bruxo” (médium!). Depois de passar oito meses morando na rua, Hope foi resgatado por Ringgren e, aos poucos, recuperou-se de um avançado estado de desnutrição. A dinamarquesa fez um magnífico serviço de socorro, sem dúvida, mas analisemos a questão pelo ponto de vista do sortilégio tão temido por diversas família africanas.

Na Idade Média, eram santos e santas, quando se afinavam à cartilha religiosa da época, ou então, feiticeiros e bruxas, recomendados à fogueira ou à forca, quando não se ajustavam aos preconceitos do tempo em que nasceram. O Papa João XXII, em 1326, autorizou a perseguição às bruxas sob o disfarce de heresia. O Concílio de Basileia (1431-1449) apelava à supressão de todos os males que pareciam arruinar a Igreja. Em 1484 o Papa Inocêncio VIII promulgou a bula Summis desiderantes affectibus, confirmando a existência da bruxaria. No mesmo ano foi lançado o livro Malleus Maleficarum, pelos inquisidores Heinrich Kraemer e James Sprenger. Com 28 edições, esse volumoso manual se tornou uma espécie de bíblia da caça às bruxas. Contudo, Benedict Capzov, um fanático luterano, foi responsável pela morte de aproximadamente 20.000 “bruxas”, apoiando-se na “lei” do Êxodo (22,18); “Não deixarás viver a feiticeira”.

No Brasil, no mês de outubro de 1890, foi promulgado o Código Penal da República, que, maliciosamente, associa a prática do Espiritismo aos rituais de magia e adivinhações. O texto dizia o seguinte, no Artigo 157: “É crime praticar o Espiritismo, a magia e seus sortilégios, usar de talismãs e cartomancia (…), inculcar curas de moléstias (…) e subjugar a credulidade pública. Pena: prisão celular de 1 a 6 meses e multa de 100 a 500 $;. Os espíritas reclamaram com Campos Sales, Ministro da Justiça da época, mas nada adiantou. O relator do Código, João Batista Pinheiro, limitou-se a dizer que o texto se referia à prática do “baixo” Espiritismo, como se existissem dois Espiritismos.

Na verdade, os republicanos utilizaram os espíritas como bodes expiatórios para diminuir a oposição católica ao novo regime, causada pelo desatrelamento entre a Igreja e o Estado. Como consequência do Código, vários companheiros foram presos em 1891, no Rio de Janeiro. Preocupado com possíveis focos de resistência ao regime, o Governo autorizou a polícia a invadir reuniões e residências à procura de opositores. Para evitar confusões, muitos centros decidiram fechar, temporariamente.

Paulo de Tarso escreveu aos coríntios, “Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados. Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor senão pelo Espírito Santo.

Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, a fé; e a outro, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os Espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.” [1]

Atualmente há médiuns tidos como (“bruxos”!) de todos os matizes, em largas expressões, a saber: psicógrafos, clarividentes, clariaudientes, curadores, poliglotas, psicofônicos, materializadores, intuitivos etc. Paulo de Tarso foi admirável médium de clarividência e clariaudiência, às portas de Damasco, ao ensejo de seu encontro pessoal com Jesus. Todavia, não podemos esquecer que os subjugados – os doentes mentais e os obsedados de todos os graus – que enxameavam a estrada dos tempos apostólicos, eram também médiuns (“bruxos”!).


Jorge Hessen

Referência:

[1] I Cor., 12:1 a 11

28 março 2017

Sobre a importância do Autoperdão (Encontro com Divaldo) - Joanna de Ângelis



SOBRE A IMPORTÂNCIA DO AUTOPERDÃO


"Já que é impossível voltar atrás para poder apagar o que fizemos, avancemos fazendo agora todo o bem possível, que um dia colheremos."

Toda vez em que a culpa não emerge de maneira consciente, são liberados conflitos que a mascaram, levando a inquietações e sofrimentos sem aparente causa.

Todas as criaturas cometem erros de maior ou menor gravidade, alguns dos quais são arquivados no inconsciente, antes mesmo de passarem por uma análise de profundidade em tomo dos males produzidos, seja de referência à própria pessoa ou a outrem.

Cedo ou tarde, ressumam de maneira inquietadora, produzindo mal-estar, inquietação, insatisfação pessoal, em caminho de transtorno de conduta.

A culpa é sempre responsável por vários processos neuróticos, que deve ser enfrentada com serenidade e altivez.

Ninguém se pode considerar irretocável enquanto no processo da evolução.

Mesmo aquele que segue retamente o caminho do bem está sujeito a alternância de conduta, tendo em vista os desafios que se apresentam e o estado emocional do momento.

Há períodos em que o bem-estar a tudo enfrenta com alegria e naturalidade, enquanto que, noutras ocasiões, os mesmos incidentes produzem distúrbios e reações imprevisíveis.

Todos podem errar, e isso acontece amiúde, tendo o dever de perdoar-se, não permanecendo no equívoco, ao tempo em que se esforcem para reparar o mal que fizeram.

Muitos males são ao próprio indivíduo feitos, produzindo remorso, vergonha, ressentimento, sem que haja coragem para revivê-los e liberar-se dos seus efeitos danosos.

Uma reflexão em tomo da humanidade de que cada qual é possuidor, permitir-lhe-á entender que existem razões que o levam a reagir, quando deveria agir, a revidar, quando seria melhor desculpar, a fazer o mal, quando lhe cumpriria fazer o bem...

A terapia moral pelo autoperdão impõe-se como indispensável para a recuperação do equilíbrio emocional e o respeito por si mesmo. Torna-se essencial, portanto, uma reavaliação da ocorrência, num exame sincero e honesto em torno do acontecimento, diluindo-o racionalmente e predispondo-se a dar-se uma nova oportunidade, de forma que supere a culpa e mantenha-se em estado de paz interior.

O autoperdão é essencial para uma existência emocional tranquila.

Todos têm o dever de perdoar-se, buscando não reincidir no mesmo compromisso negativo, desamarrando-se dos cipós constringentes do remorso.

Seja qual for a gravidade do ato infeliz, é possível repará-lo quando se está disposto a fazê-lo, recobrando o bom humor e a alegria de viver.

Em face do autoperdão, da necessidade de paz interior inadiável, surge o desafio do perdão ao próximo, àquele que se tem transformado em algoz, em adversário contínuo da paz.

Uma postura psicológica ajuda de maneira eficaz e rápida o processo do perdão, que consiste na análise do ato, tendo em vista que o outro, o perseguidor, está enfermo, que ele é infeliz, que a sua peçonha caracteriza-lhe o estado de inferioridade.

Mediante este enfoque surge um sentimento de compaixão que se desenvolve, diminuindo a reação emocional da revolta ou do ódio, ou da necessidade de revide, descendo ao mesmo nível em que ele se encontra.

O célebre cientista norte-americano Booker T. Washington, que sofreu perseguições inomináveis pelo fato de ser negro, e que muito ofereceu à cultura e à agricultura do seu país, asseverou com nobreza: Não permita que alguém o rebaixe tanto a ponto de você vir a odiá-lo.

Desejava dizer que ninguém deve aceitar a ojeriza de outrem, o seu ódio e o seu desdém a ponto de sintonizar na mesma faixa de inferioridade.

Permanecer acima da ofensa, não deixar-se atingir pela agressão moral, constituem o antídoto para o ódio de fácil irrupção.

Sem dúvida, existem os invejosos, que se comprazem em denegrir aquele a quem consideram rival, por não poderem ultrapassá-lo; também enxameiam os odientos, que não se permitem acompanhar a ascensão do próximo, optando por criar-lhes todos os embaraços possíveis; são numerosos os poltrões que detestam os lidadores, porque pensam que os colocam em postura inferior e se movimentam para dificultar-lhes a marcha ascensional; são incontáveis aqueles que perderam o respeito por si mesmos e auto-realizam-se agredindo os lidadores do dever e da ordem, a fim de nivelá-los em sua faixa moral inferior...

Deixa que a compaixão tome os teus sentimentos e envolve-os na lã da misericórdia, quanto gostarias que assim fizessem contigo, caso ainda te detivesses na situação em que eles estagiam.Perceberás que um sentimento de compreensão, embora não de conivência com o seu erro, tomará conta de ti, impulsionando-te a seguir adiante, sem que te perturbes.

Sob o acicate desses infelizes, aos quais tens o dever de compreender e de perdoar, porque não sabem o que fazem, ignorando que a si mesmos se prejudicam, seguirás confiante e invencível no rumo da montanha do progresso.

Ninguém escapa, na Terra, aos processos de sofrimento infligido por outrem, em face do estágio espiritual que se vive no planeta e da população que o habita ainda ser constituída por Espíritos em fases iniciais de crescimento intelecto-moral.

Não te detenhas, porque não encontres compreensão, nem porque os teus passos tenham que enfrentar armadilhas e abismos que saberás vencer, caso não te permitas compartilhar das mesmas atitudes dos maus.

Chegarás ao termo da jornada vitoriosamente, e isso é o que importa.

O eminente sábio da Grécia, Sólon, costumava dizer que nada pior do que o castigo do tempo, referindo-se às ocorrências inesperadas e inevitáveis da sucessão dos dias. Nunca se sabe o que irá acontecer logo mais e como se agirá.

Dessa forma, faze sempre todo o bem, ajuda-te com a compaixão e o amor, alçando-te a paisagens mais nobres do que aquelas por onde deambulas por enquanto.

Perdoa-te, portanto, perdoando, também, ao teu próximo, seja qual for o crime que haja cometido contra ti.

O problema será sempre de quem erra, jamais da vítima, que se depura e se enobrece.

Pilatos e Jesus defrontaram-se em níveis morais diferentes. A astúcia e a soberba num, a sua glória mentirosa e a sua fatuidade desmedida. A humildade real, a grandeza moral e a sabedoria profunda no outro, que era superior ao biltre representante do poder terreno de César. Covarde e pusilânime, Pilatos não lhe viu culpa, mas não o liberou, porque estava embriagado de ilusão sensorial, lavando as mãos, em tomo da Sua vida, porém, não se liberando da responsabilidade na consciência. Estóico e consciente Jesus aceitou a imposição arbitrária e infame, deixando-se erguer numa cruz de madeira tosca, a fim de perdoar a todos e amá-los uma vez mais, convidando-os à felicidade.

Perdoa, pois, e autoperdoa-te!


Joanna de Ângelis


Página psicOgrafada pelo médium Divaldo P. Franco, na sessão da noite de 4 de janeiro de 2005, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

27 março 2017

O pesadelo numa visão espírita - Morel Felipe Wilkon



O PESADELO NUMA VISÃO ESPÍRITA


O que são os pesadelos?

Pesadelos são experiências oníricas, experiências que acontecem durante o sono, que se caracterizam pelo medo. Pode haver outras sensações ou emoções desagradáveis envolvidas, mas a principal característica é o medo.

Para analisar o pesadelo, temos que analisar o sonho.

O que são os sonhos para o espiritismo?

De acordo com a classificação de Allan Kardec, os sonhos podem ser comuns, reflexivos ou espíritas. Sonhos comuns são a continuação de nossas disposições físicas ou psicológicas. Por exemplo, quando você vai dormir com fome e sonha com comida, ou quando você tem uma entrevista de emprego no dia seguinte e sonha com a entrevista. Sonhos reflexivos são fragmentos de lembranças, dessa e de outras existências. São lembranças, são imagens e emoções que vêm à tona quando dormimos. E os sonhos espíritas, que são a atividade real do espírito durante o período de sono físico.

Os pesadelos seguem essa classificação. O pesadelo comum, então, é a continuação das nossas disposições físicas e psicológicas.

Um exemplo de disposição física: você comeu demais, está com azia, está se sentindo péssimo. Quando você dorme, você entra em outros níveis de consciência. E num caso assim, de forte indisposição física, você fica num nível de consciência que o aproxima muito do mal-estar que você está sentindo. Toda a sua atenção, toda a atenção desse seu nível de consciência mais baixo está voltado para o seu processo digestivo, você se confunde com o seu processo digestivo.

Um exemplo de disposição psicológica: você passou por uma péssima experiência durante o dia. Uma experiência trágica, algo que você viu, ou que você ficou sabendo – alguma coisa muito forte que lhe marcou muito. Quando você dorme você permanece ligado a esse acontecimento num outro nível de consciência. E como você não tem controle sobre esse nível de consciência, já que você não está lúcido, você cria uma história, cria um enredo sem pé nem cabeça envolvendo aquele acontecimento trágico.

O pesadelo reflexivo talvez seja o mais comum. Pesadelos reflexivos são fragmentos de lembranças, de imagens de fortes emoções experimentadas por você nesta ou em outras existências, e que estão arquivadas em seu subconsciente. André Luiz define o subconsciente como “o porão da individualidade”. Está tudo guardado lá. Todos nós já vivemos situações muito dolorosas, muito assustadoras, situações muito marcantes em nossa trajetória espiritual. Às vezes essas emoções são tão fortes que ultrapassam a barreira da reencarnação. É só nós nos desligarmos um pouco do corpo físico e nós lembramos essas situações. Nós podemos não lembrar dessas situações, por terem acontecido há muito tempo, ou mesmo por terem ocorrido em reencarnações passadas. Então não é o nosso cérebro físico que lembra. Nós nos desligamos do corpo físico por ocasião do sono e as lembranças vêm à tona a partir do nosso cérebro astral. Esses pesadelos geralmente são recorrentes, são repetições de cenas, sempre a mesma situação que se repete. Essa situação também pode ter ocorrido no astral, enquanto estávamos desencarnados. Alguns de nós passaram por situações muito aflitivas no astral, e essas experiências permanecem vivas dentro de nós.

E por fim o pesadelo espírita, ou a experiência real do espírito durante o período de sono físico. Também acontece de nós nos metermos em confusão no plano astral enquanto o nosso corpo físico repousa. Todos nós temos nossas ligações no plano astral. E assim como nós temos os nossos afetos, nós temos também os nossos desafetos – e se nós nos encontramos com esses desafetos no astral nós podemos viver situações que, quando despertamos, lembramos como pesadelos.

Uma coisa é certa: quase sempre nós experimentaremos, durante o sono, o resumo do que nós experimentamos intimamente durante o dia. Se nós cultivamos bons pensamentos, bons sentimentos, se nós vivemos num estado de confiança e paz interior, não há espaço para pesadelo.


Para quem tem pesadelos recorrentes eu recomendo duas coisas:

Em primeiro lugar, buscar tratamento espiritual. Em segundo lugar, desenvolver a capacidade de ficar lúcido durante o sono. Eu falei um pouco sobre isso no meu vídeo Experiências fora do corpo.
 
E indico sempre, para quem quer desenvolver essa capacidade de lucidez – aprendendo até mesmo a sair, a projetar-se do corpo físico com lucidez – recomendo o trabalho do Wagner Borges e do Saulo Calderon. É claro que para isso você vai ter que perder o medo. E o único modo de perder o medo é fazer aquilo que dá medo.
O medo é o seu pior inimigo

Mas o principal, sempre, é o estado de equilíbrio íntimo. Se controlamos os nossos pensamentos e sentimentos, se somos gratos a Deus, à Vida, ao mundo, às pessoas, enfim; se desenvolvemos o sentimento de gratidão, e se fazemos algo em benefício do próximo, naturalmente nós nos protegemos e essas situações são superadas.


Morel Felipe Wilkon


26 março 2017

O Vale dos Arrependidos - Hugo Lapa,


O VALE DOS ARREPENDIDOS


Um espírito estava prestes a nascer no mundo material. Um anjo que o estava instruindo decidiu conduzi-lo a um vale no submundo do plano espiritual onde dezenas de milhares de espíritos se mantinham presos. Muitos não sabem, mas as almas que vivem nos mundos espirituais sempre se ligam uns aos outros pela afinidade de suas vibrações e de sua natureza.

O espírito e o anjo chegaram a um vale desconhecido de muitos, conhecido como o “Vale dos espíritos arrependidos”, para onde vão as almas daqueles que viveram vidas superficiais, cometeram erros e não aproveitaram a sua encarnação. Ambos foram conversando com alguns desses espíritos. Um deles disse:

“Desperdicei minha vida com a bebida, a boemia, bares, futebol, churrascos e com falsos amigos. Todos eram meus “amigos” quando eu estava bem, bebia e contava muitas piadas nos botecos da vida, mas depois que contraí uma doença, todos se afastaram. No leito de morte vi que desperdicei minha vida com frivolidades e depois que cheguei ao plano espiritual tive uma forte sensação de tempo perdido…”

Outro espírito de uma mulher, ainda chorosa, nos disse:

“Sim, desperdicei minha encarnação tentando ajudar meu filho a ser alguém na vida. Eu não percebi que fazia isso porque me sentia carente e sozinha. No fundo queria que ele ficasse comigo e não desejava sua liberdade e independência. Eu era dependente dele e por isso achava que o estava ajudando, mas só o prejudiquei. Eu o mimei muito e depois ele não conseguia ser independente. No meu leito de morte ele nem apareceu. Eu vivia também para outras pessoas e elas nunca me deram nenhum valor. Podia ter feito tantas coisas na vida, estudado, trabalhado, me dedicado a vida espiritual, mas perdi toda uma encarnação vivendo em função de outras pessoas.”

Uma outra alma, que parecia muito triste, disse:

“Sim, eu desperdicei minha vida mergulhando no trabalho e vivendo apenas para conquistar bens materiais. Meu objetivo na vida eram os melhores cargos, os melhores salários, ganhar mais e mais dinheiro, status e uma posição de destaque. Vaidade das vaidades, tudo isso era apenas vaidade, como diz Salomão na Bíblia. Perdi 70 anos da minha vida com bobagens, futilidades e remoendo coisas supérfluas. Como gostaria de ter uma outra chance e cuidar mais de mim mesmo, ajudar outras pessoas, amar mais, dar valor as coisas simples da vida, me ligar no espírito eterno que sou, ter vivido mais a vida espiritual, e não as ilusões do mundo material. Aqui no plano do espírito, nada podemos trazer da matéria.” 

Uma alma que parecia um pouco agitada e até irada dizia:

“Aquele líder religioso me enganou! Ele me prometeu um paraíso no céu se eu desse o dízimo, se seguisse os dogmas da religião, se eu fosse casto e reto, e estou aqui, nesse vale sombrio, amargando todas as consequências de um vazio interior pela total perda de tempo. Gostaria de voltar a vida e mudar de postura, não acreditar cegamente em líderes religiosos, ter fé apenas em Deus, amar e não cultivar dogmas ou verdades prontas e acabadas. Poderia ter exercido a verdadeira espiritualidade, mas perdi tempo, muito tempo e fui um hipócrita. Não praticava o que eu mesmo pregava. Mas pensando bem, no fundo ninguém me enganou, eu mesmo que me deixei enganar, pois acreditar em dogmas e no fundamentalismo era algo muito mais cômodo do que me desenvolver espiritualmente e me tornar uma pessoa melhor, mais humilde e mais amorosa.” 

Outros espíritos diziam:

“Eu desperdicei minha vida com sexualidade descontrolada”; “Já eu desperdicei minha vida com intelecto agudo e muito conhecimento teórico, mas sem prática e sem experiência direta”; “Eu fiz algo muito comum: desperdicei minha vida me julgando sempre superior a outras pessoas, e não compreendi que esse sentimento de superioridade nada mais era do que uma forma de abafar a imensa insegurança e inferioridade que eu sentia.”

E assim, muitos relatos nos foram passados pelos espíritos presos ao “Vale dos Arrependidos”, almas que desperdiçaram a oportunidade que Deus lhes deu de evoluir espiritualmente se detendo em questões banais, transitórias e sem nenhuma importância para a verdadeira vida, que é a vida do espírito imortal que somos.

Você, que ainda está encarnado e vivendo a sua vida, não faça como esses espíritos, que jogaram suas vidas fora levando existências superficiais, sem alma, sem profundidade, sem se perguntarem quem são e o que estão fazendo aqui. Almas que vivem apenas pelo corpo e pelas aparências do mundo, e não pelo espírito e pela verdade. Você tem tempo de mudar, não desperdice essa sagrada oportunidade de desenvolvimento espiritual que Deus te deu… que é a vida.


Autor: Hugo Lapa

25 março 2017

Desfazendo confusões a respeito do "carma" - Rita Foelker



DESFAZENDO CONFUSÕES A RESPEITO DO "CARMA"


"Carma" é um termo muito usado e muito pouco compreendido. A palavra carma não pertence propriamente à terminologia da Doutrina Espírita. Sua origem é o sânscrito, um antigo idioma da Índia.

Nas filosofias hindus, carma é definido como conjunto das ações de uma pessoa e suas conseqüências.

Alguns companheiros espiritualistas e espíritas importaram este termo vindo de tão longe e passaram a utilizá-lo. No meio espírita, por exemplo, ele viria substituir a expressão "conseqüências da lei de causa e efeito".

Mas de maneira geral, o carma só é entendido em seu aspecto negativo, o que é um grande equívoco.

Conforme podemos observar na definição acima, o carma não se restringe às conseqüências negativas de nossas ações, porém ao conjunto de nossas ações (positivas e negativas) e suas conseqüências (positivas e negativas).

Uma segunda confusão envolve o emprego desta palavra. É quando se diz que tudo o que acontece a uma determinada pessoa é devido ao "carma".

Isto é um engano, nem tudo o que se passa conosco neste planeta é fruto do cumprimento da lei de causa e efeito, e nem tudo é fatídico e imutável como geralmente se pensa.

Que nos diz o Espiritismo a este respeito? Dentro da concepção espírita de vida, podemos afirmar que as condições atuais de nossa existência na Terra são definidas basicamente por três fatores:

1- A escolha, pelo próprio Espírito, antes de encarnar, do corpo ao qual se unirá e do estilo de vida que terá aqui na Terra, a qual incluiu elementos que definem, de forma bastante genérica as provas que vai enfrentar (O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Questões 334 e 335). Esta escolha poderá ser mais ou menos condicionada pela necessidade de reparação de suas faltas havendo, inclusive, certos casos em que a encarnação num determinado corpo poderá ser imposta por Deus (idem. Questão 337);

2- As escolhas feitas na existência atual e seus desdobramentos (O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Cap. V, Itens 4 e 5);

3- Os resultados de nossas ações do passado remoto, em cumprimento da lei de causa e efeito, fazendo com que colhamos, agora, frutos do amor ou do egoísmo plantados em outra encarnação (O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Questão 921; O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. Cap. V, Itens 6 e seguintes).

O determinismo dos acontecimentos, portanto, não existe de maneira absoluta. Ele existe, devemos admitir, nas escolhas de que falamos no item 1, quando se trata de provas de natureza física (ex.: grupo familiar, enfermidades congênitas).

Quanto às provas morais, o Espírito conserva o livro-arbítrio, sendo possível ceder ou resistir às tentações e, mesmo, modificar no presente resoluções tomadas no Mundo Espiritual, antes de encarnar.

Em relação ao item 3, aos fatos que resultam de coisas que fizemos por ato de livre vontade, não há como fugir de suas conseqüências, sejam boas ou ruins. Mesmo que a nossa vontade nos desvie momentaneamente, cedo ou tarde, nossa própria consciência nos levará a responder por eles.

A fatalidade, neste caso, existe somente quanto à responsabilidade em si, à qual não pode o homem subtrair-se de modo algum, mesmo que séculos e distâncias o separem do ato causador. Mas não há fatalidade quanto à ocasião, nem quanto ao modo como se efetuará a reparação do mal a que se deu causa.


Por: Rita Foelker

24 março 2017

Sejamos perseverantes - Waldenir Aparecido Cuin


SEJAMOS PERSEVERANTES


“Velho ou moço, com saúde do corpo ou sem ela, recorda que é necessário movimentar o dom que recebeste do Senhor, para avançares na direção da Grande Luz”. (Emmanuel, no Livro “Fonte Viva”, item 130, psicografia de Francisco Cândido Xavier.)

Nosso renascimento na Terra, para mais uma encarnação, traz sempre em seu bojo o firme propósito de nos proporcionar novas e valiosas oportunidades de crescimento espiritual, pois que a existência no planeta é transitória, passageira, enquanto que a vida definitiva está fora do corpo físico.

Dessa forma, imprescindível se torna que aproveitemos bem o tempo em que aqui permanecermos, utilizando todas as chances e oportunidades para realmente avançarmos no campo do amadurecimento íntimo, liquidando com os defeitos que ainda nos causam tantos dissabores e conquistando virtudes que possam nos assegurar melhores posições na vida.

Na verdade, pensando no bem-estar futuro, não importa em que condições estamos, mas sim o que estamos fazendo com os recursos que possuímos.

Se contamos com boa saúde mental, façamos o devido uso da inteligência para ajudar aqueles que a vida colocou do nosso lado e que porventura não dispõem de maiores dotes intelectuais.

Se administramos, aproveitemos nossas funções diretivas para promover a justiça e distribuir oportunidades a todos os que seguem os nossos passos.

Se lecionamos, façamos das nossas aulas um ambiente seguro de ensinamentos, contribuindo para a formação de uma sociedade mais justa, humana e esclarecida.

Se somos patrões, observemos os nossos empregados como colaboradores indispensáveis da nossa empresa, ajudando-nos a atingir os objetivos a que nos propomos.

Se somos empregados, sirvamos à empresa que nos acolhe, entendendo-a como a fonte de recursos que nos permite atender nossas obrigações materiais.

Se o lar está sob nosso comando e direção, sejamos o sustentáculo fiel da família, no oferecimento de ações que proporcionem a todos as chances de se organizarem para a vida de forma digna.

Dentro do quadro social em que nos encontramos, não importa se gozamos de boa saúde ou mesmo se vivemos com escassez de recursos físicos, mas sim o esforço que fazemos para que cumpramos com os nossos deveres.

Às vezes a vida nos cria determinados limites e impõe certas restrições para que aprendamos a superar dificuldades e a enxergar mais longe, trabalhando em ambientes de grandes desafios.

Observemos, então, os talentos com que já contamos e saiamos a trabalhar com eles para fazê-los multiplicar. Para a Providência divina o medo e o receio não servem de desculpas. Devemos encontrar sempre muitas razões para servir e cooperar para a formação de um mundo melhor.

Sejamos crianças, moços, adultos ou idosos, sempre haveremos de encontrar um jeito de contribuir para a construção da sociedade dos nossos sonhos. Não esperemos pelos outros, realizemos a parte que nos é devida e, paulatinamente, o mundo se transformará para melhor.

Por: Waldenir Aparecido Cuin


23 março 2017

Feminismo e Espiritismo - Joanna de Ângelis


FEMINISMO E ESPIRITISMO


A ânsia de liberdade encontra-se ínsita no ser humano, por constituir-se uma das leis da vida.

O espírito é livre, sopra onde quer, conforme acentuou Jesus, no Seu diálogo com Nicodemos, o célebre doutor da lei, não podendo alcançar a meta da evolução a que está destinado, se se encontra sob coarctação de qualquer natureza.

A Lei de liberdade de pensamento, de palavra e de ação, é conferida ao ser humano que, da maneira como a utilize, será responsabilizado pela própria consciência que reflete o Divino Pensamento.

Como é natural, o anseio da busca dos mesmos direitos que ao homem sempre foram concedidos, ou pelo menos da sua equiparação sempre repontou através da História, quando algumas mulheres impossibilitadas de lograr o triunfo anelado, conseguiram-no através da maternidade, da beleza, da sedução sexual, da astúcia, da inteligência, da santidade, como ocorreu com Dalila, Judite, a rainha de Sabá, Cleópatra, Maria de Nazaré, Teodósia, Teodora, santa Teresa d’Ávila e as pioneiras nas ciências, na filosofia, nas artes, nas religiões…

Elas e muitas outras abriram o espaço para o respeito de que são credoras todas as mulheres, encontrando maio ressonância, em face do desenvolvimento cultural do século passado, no movimento denominado Feminismo.

A ideia feliz, iniciada por verdadeiras heroínas, que foram imoladas umas, outras execradas e perseguidas, encontrou vultos de alta magnitude, que reuniram a inteligência ao sentimento demonstrando que a fragilidade orgânica, de forma alguma tem a ver com a ausência de valores administrativos, de conhecimentos gerais, de especificidade tecnológica… Missionárias, que lutaram contra a intolerância, destacaram-se em diversos períodos históricos afirmando que a biologia não é fatalidade na definição da capacidade mental e cultural, quebrando as primeiras cadeias da intolerância.

Por fim, na segunda metade do século passado, quando da superação de muitos dos preconceitos ancestrais em várias áreas do comportamento humano, o que sempre gerou dificuldades nos relacionamentos e graves conflitos psicológicos, ergueu-se a bandeira dos direitos da mulher, abruptamente, enfrentando as antiquadas discriminações, torpes no seu conteúdo e cruéis na sua aplicação, exigindo leis e oportunidades justas para todos os cidadãos.

Como é compreensível, a rebelião sexual foi o estopim que produziu o grande impacto social, em relação às mulheres insatisfeitas e infelizes, graças aos impositivos da ignorância e da perversidade, após os relatórios de Hitt, demonstrando quanto a mulher era objeto de erotismo, das aberrações masculinas, desrespeitada nos seus sentimentos, sem o menor direito às sensações da afetividade e do conúbio físico, ao mesmo tempo desvelando os inúmeros conflitos masculinos disfarçados no machismo vergonhoso.

Espíritos em processo de crescimento, ambos os sexos experimentam equivalentes dificuldades e tormentos na maneira de expressar-se, como decorrência das experiências transatas, infelizes umas, perturbadoras outras, malsucedidas muitas…

A represa das emoções começou a romper-se e personagens atormentadas, utilizando-se da oportunidade, passaram a comandar o novo Movimento, sem dar-se conta da intolerância e do ressentimento mal contido, desafiando os cânones ancestrais e os conceitos de então, desbordando em exagerados comportamentos, que nada têm a ver com a dignidade, o equilíbrio e os direitos femininos.

Logo surgiram as oportunistas, que carregavam transtornos vários, perturbações emocionais necessitadas de terapia especializada, para exigir novas regras, algumas aberrantes, de maneira a impor-se, numa aparente vitória contra a correnteza.

Lentamente, como sempre ocorre, do exagero surgiram os reais propósitos de valorização da mulher, abrindo-se-lhe as portas de acesso a trabalhos e atividades antes reservados somente aos homens, nos quais foram demonstrados os valores e as habilidades elevados do sexo feminino, competindo em qualidade com o masculino.

Certamente ainda se vivencia um período de afirmação, no qual a contribuição psicológica por intermédio de terapias especializadas e de valorização dos sentimentos antes desconsiderados, em detrimento dos absurdos contributos da força e da imposição machista, torna-se indispensável.

Como prejuízos iniciais, em um movimento de tal significado, no qual são necessárias as adaptações psicológicas, em face dos traumas de curso demorado através dos tempos, houve a irrupção da liberdade que se vem fazendo libertina, com olvido dos reais compromissos, substituídos pelos vícios masculinos, que a mulher parecia invejar. O tabagismo, o alcoolismo, hoje em expressão mais volumosa, em alguns países, entre as mulheres, o sexo licencioso e vulgar, dando surgimento a novos conflitos desgastantes e perturbadores que decorrem do prazer sem emoção, do gozo sem amor, do tédio, após a vivência do anelado que não preenche o vazio existencial.

A depressão, a síndrome do pânico e outros conflitos substituem os anteriores da timidez, do medo, da discriminação, a estes, muitas vezes, somando, demonstrando que algo não está funcionando como seria de desejar.

Ocorre que a mulher é essencialmente mãe, em face da sua constituição biológica e psicológica, forte e frágil na estrutura emocional, vigorosa e meiga por imposição evolutiva, não se devendo furtar ao ministério da procriação.

A necessidade, porém, de autoafirmação, de autoconfiança, de demonstração da personalidade, numa espécie de desforço que dormia no inconsciente, tem levado muitas mulheres a opor-se terminantemente à maternidade, justificando a necessidade de triunfar o trabalho, na profissão, no mundo dos negócios, como se uma opção eliminasse ou impedisse a outra…

Por outro lado, desejando a maternidade, delega a outros a função educativa dos filhos, fugindo à responsabilidade do lar, ao qual retorna cansada, ansiosa, quando não estressada ou amargurada…

Todo exagero sempre gera consequências lamentáveis, e, no caso em tela, a negação da maternidade, como a maternidade irresponsável respondem por danos emocionais e sociais cujos efeitos, a pouco e pouco, vêm sendo apresentados na sociedade, em forma de drogadição juvenil, criminalidade entre jovens, violência e abuso de toda ordem, orfandade de pais vivos…

Os homens, pelo mau hábito de considerar a sua suposta superioridade, sempre delegaram à mulher o provimento moral da família, a sustentação emocional do lar e dos filhos, ficando ao largo das responsabilidades dessa natureza. Muitas vezes, igualmente, fecundou a mulher e abandonou-a, empurrando-a para a prostituição ou o desespero, olvidando-se totalmente da família…

Como efeito psicológico do ressentimento feminino mal contido por séculos sucessivos, aveio a reação, mediante a qual a mulher, procurando evadir-se da responsabilidade maternal, ou não desejando filhos, que sempre se apresentam como obstáculos ou impedimentos à sua ascensão no mundo das disputas financeiras e sociais, sente-se liberada do compromisso.

Essa interpretação equivocada e infeliz, defluente do feminismo exagerado, tem produzido danos emocionais muito graves nos sentimentos da mulher, frustrando-a e deixando-a em solidão destrutiva.

Cabe seja revista a situação do feminismo de revide, porque a organização genésica da mulher estruturalmente não está capacitada para as experiências múltiplas do sexo sem amor, sem responsabilidade, conforme sempre foi imposta àquelas que têm sido empurradas para os prostíbulos de perversão e de indignidade humana, como escravas das paixões asselvajadas de psicopatas aturdidos sedentos de gozo animalizado…

O direito à liberdade de ação, de deliberação e escolha no lar e na sociedade é conquista que a mulher adquiriu e que não pode ser confundida com arrogância nem procedimentos de confrontos, nos quais os conflitos interiores predominam em fugas inúteis que surgem como soluções apressadas, e que não resolvem o grave problema dos relacionamentos humanos, sejam nas parcerias afetivas ou noutras quaisquer.


Por: Joanna de Ângelis
Psicografia: Divaldo Franco 


22 março 2017

Poliamor, o que diz o Espiritismo - Wellington Balbo



POLIAMOR, O QUE DIZ O ESPIRITISMO


Conversava com um amigo ainda pouco e falávamos sobre a questão do poliamor que anda em voga. O poliamor é quando você mantém relacionamento íntimo com duas ou mais pessoas de modo consensual, transparente, ético e não monogâmico.

Os defensores da ideia dizem que o poliamor não é apenas um relacionamento aberto, que permite a um parceiro envolver-se sexualmente com outra pessoa fora do quadrado da relação, mas, sim, algo mais amplo e que abrange ligações emocionais mais fortes e duradouras com duas ou mais pessoas.

Há muitos países em que os indivíduos já adotam o poliamor, tais como: Estados Unidos, Reino Unido e, também, o Brasil. Aliás, em nossas terras já há até jurisprudência que reconhece o poliamor como relação amorosa. Diante de tanta diversidade de costumes que são estabelecidos pelas pessoas cabe a todos exercitarem a reflexão.

Seria o poliamor um avanço na marcha da humanidade? Vejamos: Suponha-se que estabelecer relações duradouras e emocionais mais fortes faça o indivíduo desenvolver pelas pessoas que estão naquela relação poliamorosa, que pode ser composta por duas ou três pessoas, uma cidade, um estado ou um país inteiro, o amor denominado pelos gregos de Ágape. Ou seja, o amor incondicional, que se entrega, que tudo faz, tudo suporta e trabalha incessantemente pela felicidade de todos os membros.

Caso desenvolver o amor Ágape por essas pessoas, e tão somente ele seja designado como o poliamor há de entender que, quanto mais gente houver nas minhas relações, melhor. Significa que minha capacidade de amar, doar-se, servir é estupenda e engloba uma infinidade de pessoas.

Suponha-se, todavia, que estabelecer relações duradouras e emocionais mais fortes faça o indivíduo exercitar o seu amor mais erótico, sensual, o amor que os gregos denominam de Eros. Soa poético. Todos se amam e relacionam-se na mais absoluta paz e harmonia.

Cabeças boas, nada de cíume, cobranças ou coisas do gênero. Se a Patrícia estiver de mal humor hoje, ou de TPM, eu busco a Clara. Mas caso a Clara esteja com o Maurício, ai não tem jeito, terei que ficar sozinho mesmo ou, então, buscar outro alguém para colocar nessas relações poliamorosas.

E o Espiritismo, tratou do poliamor? Não com esse nome, mas tratou do tema poligamia e monogamia.

Então, o que dizem os Espíritos acerca deste tema? Eles conversam com Kardec sobre isso nas questões 700 e 701 de O livro dos Espíritos. Informam que a monogamia marca um progresso na marcha da humanidade.

Na poligamia há apenas sensualidade, ou como dizem os gregos, o amor Eros. O que não é um mal. O amor Eros, ou seja, o desejo é natural existir em nós. Todavia, dizem os Espíritos que aquele que sabe limitar seus desejos poupa-se de muitas decepções desta vida. Logo, lícito desejar, mas importante, para meu próprio equilíbrio limitar os meus desejos, inclusive no campo sexual e de quantidade de parceiros.

Mas na monogamia, na construção de uma família e no cumprimento do dever de respeitar, inclusive o corpo do cônjuge, pois pode-se, a partir de relações sexuais contrair e espalhar doenças, está o grande sabor de amar alguém, amor aqui no sentido Eros, no sentido de erótico. É na monogamia que se encontra a possibilidade de refrear os institntos primitivos que propunham ao homem a cópula indiscriminada e realizada com todos, sem distinção.

Mas, então, e o poliamor? Pois sim, o poliamor se exercitado no sentido de amor Ágape e monogâmico, que serve, colabora e tudo faz pela felicidade de todos vale para o ditado: quanto mais, melhor. Enfim, quanto mais gente, melhor.

Mas o amor Eros, o amor desejo, este é recomendável guardar apenas para uma pessoa, ou seja, um amor monogâmico, como ensinam os Espíritos.

Por: Welligton Balbo

21 março 2017

Gêmeos Siameses em uma visão Espírita - Márcia Pocciulo

   

OS SIAMESES EM UMA VISÃO ESPÍRITA


Os gêmeos siameses, assim chamados popularmente, são gêmeos idênticos que nascem ligados por um segmento físico, compartilhando alguns órgãos. A medicina oficial os denomina “gêmeos xifópagos”, porque os primeiros casos estudados no passado foram de gêmeos ligados pelo tórax, onde se situa o xifóide, um apêndice do osso esterno, que faz as ligações entre as costelas. Atualmente, embora se estudem casos de ligações com compartilhamento dos mais variados órgãos, ainda permanece essa nomenclatura.

Normalmente, no processo de fecundação que dá origem a gêmeos idênticos, dois Espíritos se ligam ao óvulo materno, atraindo o espermatozóide mais propício para fecundá-lo. O óvulo assim fecundado (zigoto), sob a influência de dois campos energéticos distintos, tende a se bipartir durante a embriogênese e as duas células distintas assim formadas, prosseguirão se multiplicando, originando dois organismos geneticamente idênticos em sua origem, embora pertencentes a indivíduos diferentes (são os chamados gêmeos univitelinos).

No caso dos gêmeos xifópagos ou siameses, que também são gêmeos univitelinos, a separação em duas células distintas no início da embriogênese não ocorre, de modo que os gêmeos permanecem unidos durante toda a gestação, originando uma ligação física em determinado ponto de seus organismos, que perdurará até o nascimento. Essa ligação pode ser pouco ou muito profunda, originando, consequentemente, o compartilhamento de parte de alguns órgãos ou até o de um único órgão vital, como o coração ou o cérebro, nos casos mais graves. Dependendo da gravidade do caso ou da região do planeta onde nasçam (com poucos ou muitos recursos médicos), essas crianças podem ter pouco tempo de vida ou pode-se tentar separá-las. Há casos em que a separação não é possível e, então, os gêmeos são obrigados a conviver ligados um ao outro, aprendendo a solidariedade, a tolerância e o respeito mútuos.

O Espiritismo traz-nos elucidações muito importantes sobre os gêmeos siameses. Tudo começa com um processo obsessivo longo e profundo, em que as duas partes envolvidas não conseguem se perdoar e retroalimentam-se mentalmente com o ódio e o desejo de vingança. Com o passar do tempo, o intercâmbio doentio de energias patológicas faz com que desenvolvam uma espécie de campo simbiótico de compartilhamento de emoções, sentimentos e pensamentos, que não possibilita aos técnicos responsáveis por suas reencarnações separá-los satisfatoriamente, sem o comprometimento de suas mentes e de seus perispíritos.

Sendo o perispírito o Modelo Organizador Biológico do corpo físico por ocasião da reencarnação de qualquer pessoa, nesse caso específico teremos a dificuldade de separação de seus perispíritos dando origem a corpos ligados também no plano físico (gêmeos siameses).

A reencarnação surge para esses Espíritos, inimigos pertinazes do passado, como uma oportunidade abençoada de reajuste perispiritual e mental, de perdão, de tolerância e de solidariedade, através da convivência íntima e inevitável na maioria dos casos, mesmo com os avanços da atualidade. Em geral, os pais que recebem por filhos os Espíritos nessas condições, foram no passado os copartícipes do processo, pessoas que estimularam o início ou o agravamento do ódio entre eles, e que na atual encarnação são abençoados pela oportunidade de semear a reconciliação entre eles e de obter o seu próprio perdão.

A compreensão espiritual do processo pode confortar e melhor orientar as famílias que passam pela problemática de ter gêmeos siameses em sua composição, através da evangelização, dos passes e das preces.

No futuro, que acreditamos esteja próximo, a Ciência Médica também passará por grandes mudanças em seus paradigmas e, consequentemente, em seus métodos de tratamento e profilaxia, quando então, não apenas os corpos, mas também as almas dos homens serão tratadas, em busca da cura real.

Os gêmeos siameses, assim chamados popularmente, são gêmeos idênticos que nascem ligados por um segmento físico, compartilhando alguns órgãos. A medicina oficial os denomina “gêmeos xifópagos”, porque os primeiros casos estudados no passado foram de gêmeos ligados pelo tórax, onde se situa o xifóide, um apêndice do osso esterno, que faz as ligações entre as costelas. Atualmente, embora se estudem casos de ligações com compartilhamento dos mais variados órgãos, ainda permanece essa nomenclatura.

Normalmente, no processo de fecundação que dá origem a gêmeos idênticos, dois Espíritos se ligam ao óvulo materno, atraindo o espermatozóide mais propício para fecundá-lo. O óvulo assim fecundado (zigoto), sob a influência de dois campos energéticos distintos, tende a se bipartir durante a embriogênese e as duas células distintas assim formadas, prosseguirão se multiplicando, originando dois organismos geneticamente idênticos em sua origem, embora pertencentes a indivíduos diferentes (são os chamados gêmeos univitelinos).

No caso dos gêmeos xifópagos ou siameses, que também são gêmeos univitelinos, a separação em duas células distintas no início da embriogênese não ocorre, de modo que os gêmeos permanecem unidos durante toda a gestação, originando uma ligação física em determinado ponto de seus organismos, que perdurará até o nascimento. Essa ligação pode ser pouco ou muito profunda, originando, consequentemente, o compartilhamento de parte de alguns órgãos ou até o de um único órgão vital, como o coração ou o cérebro, nos casos mais graves. Dependendo da gravidade do caso ou da região do planeta onde nasçam (com poucos ou muitos recursos médicos), essas crianças podem ter pouco tempo de vida ou pode-se tentar separá-las. Há casos em que a separação não é possível e, então, os gêmeos são obrigados a conviver ligados um ao outro, aprendendo a solidariedade, a tolerância e o respeito mútuos.

O Espiritismo traz-nos elucidações muito importantes sobre os gêmeos siameses. Tudo começa com um processo obsessivo longo e profundo, em que as duas partes envolvidas não conseguem se perdoar e retroalimentam-se mentalmente com o ódio e o desejo de vingança. Com o passar do tempo, o intercâmbio doentio de energias patológicas faz com que desenvolvam uma espécie de campo simbiótico de compartilhamento de emoções, sentimentos e pensamentos, que não possibilita aos técnicos responsáveis por suas reencarnações separá-los satisfatoriamente, sem o comprometimento de suas mentes e de seus perispíritos.

Sendo o perispírito o Modelo Organizador Biológico do corpo físico por ocasião da reencarnação de qualquer pessoa, nesse caso específico teremos a dificuldade de separação de seus perispíritos dando origem a corpos ligados também no plano físico (gêmeos siameses).

A reencarnação surge para esses Espíritos, inimigos pertinazes do passado, como uma oportunidade abençoada de reajuste perispiritual e mental, de perdão, de tolerância e de solidariedade, através da convivência íntima e inevitável na maioria dos casos, mesmo com os avanços da atualidade. Em geral, os pais que recebem por filhos os Espíritos nessas condições, foram no passado os copartícipes do processo, pessoas que estimularam o início ou o agravamento do ódio entre eles, e que na atual encarnação são abençoados pela oportunidade de semear a reconciliação entre eles e de obter o seu próprio perdão.

A compreensão espiritual do processo pode confortar e melhor orientar as famílias que passam pela problemática de ter gêmeos siameses em sua composição, através da evangelização, dos passes e das preces.

No futuro, que acreditamos esteja próximo, a Ciência Médica também passará por grandes mudanças em seus paradigmas e, consequentemente, em seus métodos de tratamento e profilaxia, quando então, não apenas os corpos, mas também as almas dos homens serão tratadas, em busca da cura real.


Por: Márcia Pocciulo
Fonte: Verdade e Luz, edição n. 301, Fevereiro de 2011


20 março 2017

O “amor a si” , o “auto perdão” e o “próximo” como alvo - Jorge Hessen



O "AMOR A SI", O "AUTO PERDÃO" E O "PRÓXIMO" COMO ALVO

Estabeleceu Jesus a síntese da Lei: “amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos”. [1] O resumo da Norma indicada pelo Mestre é das mais admiráveis terapias pessoais. Somos todos importantes. Somos criaturas únicas no Universo que buscamos a felicidade através do aprendizado do amar a nós mesmos, ao próximo e a Deus.

Contudo, de que forma amar a nós mesmos? Naturalmente a proposta de Jesus é um imperativo que não deve ser confundido com o egoísmo ou o egocentrismo. Quando escolhemos aprender, para o aprimoramento intelectual, estamos nos auto amando. Quando compreendemos as nossas imperfeições temporárias, nos esforçando para corrigir os erros, estamos amando a nós mesmos. “O auto amor proporciona uma visão mais clara de quem se é, do que se deseja e do que não se deseja para si”. [2]

Quando escolhemos perdoar e extinguir o peso de uma mágoa, estamos amando a nós mesmos. O asseio mental e a estabilização emocional têm procedências brilhantes naquele que consegue praticar e receber o perdão. Todos somos convocados a praticar o perdão no ambiente doméstico, profissional, religioso; enfim na convivência social.

Afinal de contas, perdoar significa absolver, indultar, desculpar, anistiar. O prefixo “per” quer dizer “total” e “doar” significa dar inteiramente, ou seja, um empenho de autodoação plena. Portanto, perdoar-nos resulta no pleno amor a nós mesmos. Para nos libertarmos, tanto da culpa quanto da desculpa, necessitamos cultivar o auto amor, a autoconsciência, o arrependimento e o aprendizado para as reparações imprescindíveis. É verdade! O auto perdão não é uma simples revogação da consciência de culpa, mas um procedimento de auto-exame consciencioso de nós mesmos, o que requer arrependimento e reparação.

Somente cultivando o auto amor é que crescemos espiritualmente. Por isso não podemos ficar sob o guante do ingênuo pesar. Quem ama a si mesmo (como recomendou Jesus) preenche a vida de alegria e paz. Todavia, uma das causas de auto-agressão vem da procura frenética de perfeição irrestrita, como se todos devêssemos ser deuses ou deusas de um momento para o outro.

Quando esperamos perfeição em tudo e confrontamos o lado “primário” de nossa natureza humana, nos sentiremos fatalmente diminuídos e envolvidos por uma aura de fracasso. A baixa autoestima nasce quando não nos aceitamos como somos. Somente a auto aceitação nos leva a sentir plena segurança ante os fatos e ocorrências do cotidiano.

Nossas reações perante a vida não acontecem em função tão somente dos episódios exteriores, mas sobretudo de como percebemos e julgamos interiormente esses mesmos acontecimentos. A forma de refletirmos e nos comportarmos em face das nossas reações perante os outros, avaliando-os como bons ou maus, é talhada por um mecanismo de autocensura que se encontra alojado em nossos níveis de consciência mais profundos. Este juiz íntimo foi cultivado sobre bases de valores e de princípios que empilhamos através dos tempos recuados sob reencarnações inumeráveis.

Todos nos equivocamos tendo o dever de perdoar-nos, porém não permaneçamos no erro. É imprescindível, buscarmos não reincidir no mesmo endividamento moral, libertando-nos das algemas constringentes do remorso, até mesmo porque “o remorso é um lampejo de Deus sobre o complexo de culpa que se expressa por enfermidade da consciência”.[3] Podemos experimentar culpa e condenação, perdão e liberdade, de acordo com os nossos valores, crenças, princípios e normas vigentes. Apreendemos assim que para alcançar o auto perdão é imperioso que reexaminemos nossas convicções profundas sobre a natureza do nosso próprio EU.

Todos cometemos desacertos de maior ou menor agravamento, alguns dos quais, como vimos, são arquivados nos porões do inconsciente. Cedo ou tarde ressurgem devastadores, causando mal-estar, ansiedade, insatisfação pessoal, em caminho de transtorno de conduta.

A terapia moral pelo auto perdão impõe-se como indispensável para a recuperação do equilíbrio emocional e o respeito por nós mesmos. Seja qual for a gravidade do ato infeliz, é possível repará-lo quando se está disposto a fazê-lo, recobrando o otimismo, a alegria de viver, amando a Deus e ao próximo, perdoando-nos e amando-nos verdadeiramente.


Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com


Referências bibliográficas:

[1] Mt. 22:34

[2] FRANCO, Divaldo Pereira. Amor, imbatível amor, ditado pelo espírito de Joanna de Ângelis, Bahia: ed. Leal, 2005, cap. 13

[3] XAVIER, Francisco Cândido. Pronto Socorro, ditado pelo espirito Emmanuel SP: Ed CEU 1980