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30 novembro 2009

No Evangelho Nascente - Irmão X

No Evangelho Nascente

Enquanto o Mestre ouvia alguns doentes na intimidade do lar de Simão Pedro, eis que um cavaleiro e duas damas se adiantam a consultá-lo.

Vinham de pontos diversos. Estranhos entre si. Contudo, partilhando a mesma expectativa, permutavam impressões dando-as a conhecer.

O rude pescador de Cafarnaum observava-os, atento.

As ciciantes palavras que trocavam eram realmente chocantes.

Supunham fosse Jesus um feiticeiro vulgar e buscavam-lhe os dons mágicos.

Eliakim, o recém-chegado, era um mercador de olhos astutos que proletava a obtenção de certa propriedade, pertencente a um dos tios que estava a morrer. Tratava-se de uma vinha fecunda, suscetível de aumentar-lhe os bens. Ambicionava-lhe a posse por baixo preço e não se resignaria a perdê-la. Ouvira tantas alusões a Jesus, que não vacilava em rogar-lhe a interferência. Na condição de mago eficiente, o Cristo, decerto, lhe facultaria a realização do negócio, sem maior sacrifício. Dea, a mulher mais idosa, trazia assunto mais grave. Pretendia vingar-se de antiga companheira que lhe transviara o marido. Via-se agoniada, infeliz. Preferia a morte à renúncia. Não perdoaria à impostora que lhe deixara o lar deserto. Vinha ao famoso Mestre, suplicar-lhe a intercessão de modo a matá-la. Recompensá-lo-ia dignamente desde que pudesse ver Efraim, o esposo, humilhado aos seus pés. Ruth, a mais nova, passou a expor o caso que a preocupava. Queria casar-se, mas Salatiel, o noivo, parecia esquivar-se. Mostrava-se desinteressado, frio. Esperava que Jesus lhe auxiliasse, infundindo ao homem amado mais intensa afetividade, de vez que o moço ganhava distância, pouco a pouco.

O apóstolo registrava um ou outro apontamento, agastadiço.

Ciente de que o Mestre atendia em sala próxima, demandou o interior e explicou-lhe a situação.

Os consulentes revelavam o maior desrespeito.

Eliakim era um negociante voraz e ambas as mulheres pareciam subjugadas por apetites inferiores.

Jesus meditou alguns instantes e, fixando o discípulo, solicitou, prestimoso:

- Pedro, as tarefas desta hora não me permitem serviços outros. Vai, porém, aos nossos hóspedes e socorre-os, ajudando-me a encontrar o caminho de melhor auxiliá-los.

O pescador voltou à presença dos forasteiros, dispondo-se a escutá-los, em nome do Salvador.

Quando lhes anotou os propósitos de viva voz, enrubesceu, indignado. Levantou-se, trêmulo, e gritou sob forte crise de cólera:

- Malditos! Fora daqui! O Mestre não aceita ladrões e mulheres relapsas!...

Cravando o olhar no comerciante, sentenciou:

- Vai roubar noutra parte! Que a vinha de teus parentes seja o inferno onde te cures da cupidez!

Aos ouvidos de Dea, bradou:

- Assassina! Não somos teus sequazes... Certamente foste abandonada pelo marido em razão das chagas de ódio que te consomem o coração!... Mata como quiseres e deixa-nos em paz.

Em seguida, concentrando a atenção sobre Ruth, que tremia de medo, o apóstolo ordenou:

- Saia daqui, amaldiçoada! A mulher que concorre à posse dos homens não passa de meretriz...

Amedrontados, os três abandonaram o recinto, precipitadamente.

Impulsivo, Simão cerrou com estrépido a porta sobre eles. Ao se voltar, porém, para trás, na atitude de quem triunfara no serviço que lhe coubera fazer, deu com Jesus, que o contemplava tristemente.

Reparando que os olhos do amigo celeste se represavam de lágrimas que não chegavam a cair, o aprendiz, como criança estouvada que se humilha à frente do amor paterno, tentou afagar-lhe as mãos e falou em voz modificada:

- Senhor, porventura não estarás satisfeito? Poderemos, acaso, usar tratamento diverso para com aqueles que nos desfiguram o serviço? Não percebestes que os três se encontram sob o império de espíritos Satânicos?

Jesus acariciou-lhe os ombros, de leve, e respondeu:

- Pedro, todos podem descobrir feridas, onde as feridas de destacam. Contudo, raros sabem remediá-las. Não te solicitei formulasses acusações. Para isso, o mundo está repleto de críticos e censores. Eliakim, efetivamente, traz consigo o gênio perverso da usura. Dea está sob a influência do monstro da vingança e Ruth sofre o assédio de vampiros da carne. Entretanto, notei que, ao ouvi-los, deste, por tua vez, guarida ao demônio da intolerância e da crueldade. Sombra por sombra, dá sempre um total de treva.

- Senhor, não me recomendaste, porém, socorrê-los?

- Sim – acentou Jesus, melancólico -, mas não te roguei desiludi-los ou desprezá-los. Pedi me ajudasse a encontrar o caminho do auxílio e, como sabes Pedro, eu não vim para curar os sãos...

Pesado silêncio invadiu a sala.

E porque o Mestre regressasse aos enfermos, com paciência e humildade, o discípulo mergulhou a cabeça entre as mãos e, olhando para dentro de si mesmo, começou a enxugar as próprias lágrimas.

Por: Irmão X
Do livro: Relatos da Vida
Psicografia Francisco Cândido Xavier

29 novembro 2009

Amarguras de um Santo - Irmão X

Amarguras de um Santo

Falava-se numa roda espiritual da melhor maneira de cultivar a prece, quando um amigo sentenciou:

- Uma herança perigosa dos espiritistas é a de transformar a memória de um companheiro desencarnado numa espécie de culto de falsa santidade. O bom trabalhador do Cristo não faz mais que cumprir um dever, e não é justo se lhe perturbe a serenidade espiritual com a repetição de cenas mundanas, perfeitamente idênticas, às cerimônias canônicas. Não raro, a morte arrebata do convívio terrestre um irmão consciencioso, dedicado, e imediatamente os amigos da Doutrina o transformam num tabu de fictícia inexpugnabilidade.

É verdade; - exclamou um dos presentes -, em todas as questões é justo perguntarmos qual foi o procedimento de Jesus; e, no caso da prece, não se vê, nos Evangelhos, um culto particular, a não ser a contínua comunhão entre o Cristo e o Pai que está nos Céus.

Um ex-padre católico, com o sorriso da bonança que sempre surge depois das grandes desilusões, acrescentou em tom amistoso:

- É razoável que os homens do mundo não interrompam as tradições afetuosas com aqueles que os precedem na jornada silenciosa do túmulo, conservando nas almas a mesma disposição de ternura e de agradecimento, na recordação dos que partiram. Entretanto, no capítulo das rogativas, das solicitações, dos empenhos, convém que toda criatura se dirija a Deus, ciente de que a sua vontade soberana é sempre justa e de que a sua inesgotável bondade se manifestará, de um ou de outro modo, através dos mensageiros que julgue conveniente aos fins colimados. Em minhas experiências nas esferas mais próximas do Planeta, sempre reconheci que os Espíritos mais homenageados na Terra são os que mais sofrem, em virtude da pouca prudência dos seus amigos. Aliás, neste particular, temos o exemplo doloroso dos santos. Sabemos que raros homens canonizados pela igreja humana chegaram, de fato, à montanha alcantilada e luminosa da Virtude. E essas pobres criaturas pagam caro, na Espiritualidade, o incenso perfumoso das gloríolas de um altar terrestre.

A palestra tomava um caráter dos mais interessantes, quando o mesmo amigo perguntou de repente, depois de uma pausa:

- Vocês conhecem a história de São Domingos González?

E enquanto os presentes se entreolhavam mudos, em intima interrogação, continuou:

- Domingos González era um padre insinuante, dotado de poderosa e aguçada inteligência. Sua carreira sacerdotal, dado o seu caráter flexível, foi um grande vôo para as posições mais importantes e elevadas. Dominava todos os companheiros pelo poder de sua palavra quente e persuasiva, cativava a atenção de todos os seus superiores pela: humildade exterior de que dava testemunho, embora a sua vida íntima estivesse cheia de penosos deslizes.

A verdade é que, lá pelos fins do século XV, era ele o Inquisidor-Geral de Aragão; mas, tal foi o seu método condenável de ação no elevado cargo que lhe fora conferido, que, por volta de 1485, os israelitas o assassinaram na catedral de Saragossa, em momento de sagradas celebrações.

O nosso biografado acordou, no além-túmulo, com as suas chagas dolorosas, dentro das terríveis realidades que lhe aguardavam o Espírito imprevidente; mas, os eclesiásticas concordaram em pleitear-lhe um lugar de destaque nos altares humanos e venceram a causa.

Em breve tempo, a memória de Domingos transformava-se no culto de um santo. Mas, aí,agravaram-se, no plano invisível, os tormentos daquela alma desventurada. Envergonhado e oprimido, o ex padre influente do mundo sentia-se qual mendigo faminto e coberto de pústulas.. Nós, porém, sabemos que as recordações pesadas do Planeta são como forças invencíveis que nos prendem à superfície da Terra, e o infeliz companheiro foi obrigado a comparecer, embora invisível aos olhos mortais, a todas as cerimônias religiosas que se verificaram na instituição de seu culto. Domingos González, assombrado com as acusações da própria consciência, assistiu a todas as solenidades da sua canonização, sentindo-se o mais desgraçado dos seres. As pompas de acontecimento eram como espadas intangíveis que lhe atravessassem, de lado a lado, o coração vencido e sofredor. Os cânticos de glorificação terrena ecoavam-lhe no intimo como soluços- da sombra e da- amargura.

E, desde essa hora, intensificaram-se-lhe os padecimentos.

Sua angústia agravou-se, primeiramente em virtude da nova posição do círculo familiar. Os que lhe eram afins pelo sangue entenderam que não mais deviam o tributo comum de trabalho e realização ao mundo. Como parentes de um santo, não mais quiseram trabalhar. E essa atitude se estendeu aos seus mais antigos companheiros de comunidade. Os poucos valores da agremiação religiosa, a que pertencera, desapareceram. Seus colegas de esforço estacionaram voluntariamente na preguiça criminosa e no hábito das homenagens sucessivas. O grupo havia produzido um santo: devia ser o bastante para garantia de uma posição definitiva no Céu.

O Espírito infeliz contemplava semelhante situação, banhado em lágrimas expiatórias. E o seu martírio continuou.

Sabemos que um apelo da Terra é recebido em nosso meio, tão logo seja expedido por um coração que se debata nas lutas redentoras do mundo. Se o serviço postal do orbe pode estar sujeito aos erros de administração, ou à má-vontade de um estafeta, desviando do seu destino uma mensagem, no plano espiritual não se verificam semelhantes perturbações. A solicitação justa ou injusta dos homens vem ter conosco pelos fios do pensamento, na divina claridade do magnetismo universal. E Domingos começou a receber os pedidos mais imprudentes dos seus numerosos devotos.

A alma desventurada ficou absolutamente presa à Terra e, de instante a instante, era obrigada a atender aos apelos mais extravagantes e mais absurdos.

Se um criminoso desejava fugir à ação da justiça no mundo, valia-se de Domingos, invocando-lhe a memória, entre receios e rogativas. As mães desassisadas, que não cogitaram da educação dos filhos, em pequeninos, lhe rogavam de joelhos a correção tardia desses filhos transviados em maus caminhos. Os velhacos lhe faziam promessas, a fim de realizarem um bom negócio. As moças casadouras lhe imploravam a aliança do noivo rebelde e arredio. Os sacerdotes pediam-lhe a atenção dos superiores. E, finalmente, todos os sofredores sem consciência lhe suplicavam o afastamento da cruz de provações que lhes era indispensável.

Chumbado ao mundo, Domingos, durante mais de um século, perambulou pelas casas dos devotos, pelas estradas desertas, pelos círculos de negócios, pelos covis dos bandidos.

Seu aspecto fazia pena.

Foi quando, então, dirigiu a Jesus a súplica mais fervorosa de sua vida espiritual, implorando que lhe permitisse voltar à Terra, a fim de esconder no esquecimento da carne as suas enormes desditas. Queria fugir do plano invisível, detestava o título de santo, aborrecia todas as homenagens, atormentava-o o altar do mundo. Suas lágrimas eram amargas e comovedoras, e o Senhor, como sempre, não lhe faltou com a bondade infinita.

Assim como um grupo de amigos influentes procura colocação para o homem desempregado e aflito no mundo, alguns companheiros dedicados vieram oferecer ao pobre Espírito sofredor uma reencarnação como escravo, no Brasil.

Domingos González ficou radiante. Chorou de júbilo, de agradecimento a Jesus e, em breve tempo, tomava a vestimenta escura dos cativos, sentindo-se ditoso e confortado, cheio de alegria e reconhecimento.

O nosso amigo fizera uma pausa na sua narrativa. Estávamos, porém, altamente interessados e eu perguntei:

- E o santo está hoje nos planos mais elevados da Espiritualidade? Seria extremamente curiosa a palavra direta de sua desilusão e de sua experiência valiosa...

- Não, ainda não - replicou o narrador, com ar discreto. - Domingos tem vivido sucessivamente no Brasil e ainda hoje, continua, aí, a esforçar-se pela sua redenção espiritual, guardando instintivamente o mais terrível receio de chegar às esferas invisíveis com o título de santidade.

Mas, as obrigações comuns dispersaram o grupo em palestra e, dentro de pouco tempo, estava eu novamente só, com o meu trabalho e com a. minha meditação. E nesse dia, impressionado com a história daquela amarga experiência, não pude retirar da imaginação aquele santo que trocara os incensos do altar pela atmosfera nauseante de uma senzala do cativeiro.

Por: Irmão X
Do livro: Reportagens do Além Túmulo,
Médium: Francisco Cândido Xavier

28 novembro 2009

Ano Novo - Irmão X

Ano Novo

Quando o desvelado orientador chegou ao Planeta, encaminhando o aprendiz à experiência nova, o lar estava em festa, na celebração do Ano Novo.

Músicas alegres embalavam a casa, flores festivas enfeitavam a mesa lauta. Riam-se os jovens e as crianças, enquanto os velhos bebiam vinhos de júbilo.

O devotado amigo abraçou o tutelado e falou:

- Nova existência, meu filho, é qual Ano Novo. Enche-se o coração das esperanças mais belas. Troca-se o passado pelo presente. Rejubila-se a alma na oportunidade bendita. Promessas divinas florescem no coração.

O tempo é o tesouro infinito que o Criador concede às criaturas. Não esqueças, todavia, que a concessão de um tesouro é titulo de confiança e toda confiança traduz responsabilidade. Tanto prejudica a obra de Deus o avarento que restringe a circulação dos valores, como o perdulário que os dissipa, olvidando obrigações sagradas.

O tempo, desse modo, é benfeitor carinhoso e credor imparcial simultaneamente. Na terra a maioria dos homens não chegou ainda a compreendê-lo.

Os ignorantes perdem-no.
Os loucos matam-no.
Os maus envenenam-no.
Os indiferentes zombam dele.
Os vaidosos confundem-no.
Os velhacos enganam-no.
Os criminosos perturbam-no.
Riem-se dele os pândegos.
Os mentirosos ridicularizam-no.
Os tolos esquecem-no.
Os ociosos combatem-no.
Os tiranos abusam dele.
Os irônicos menosprezam-no.
Os arbitrários dominam-no.
Os revoltados acusam-no.
Aproveitam-no os trabalhadores fiéis.

O tempo, contudo, meu filho, pertence ao Senhor e ninguém pode subverter a ordem de Deus.

É por isso que, ao fim da existência, cada um recebe conforme usou o divino patrimônio.

Vale-te, pois, da oportunidade nova, sem olvidares o dever, convicto de que ninguém falará ou agirá no mundo, em vão.

O homem precipita-se. O tempo espera. O primeiro experimenta. O segundo determina.

Se atingires a alegria de recomeçar, alcançarás, igualmente, o dia de acertar.

Lembra-te de que o tempo ensinará aos ignorantes.
Anulará os loucos.
Envenenará os maus.
Zombará dos indiferentes.
Confundirá os vaidosos.
Esclarecerá os velhacos.
Perturbará os criminosos.
Surpreenderá os pândegos.
Ridiculizará os mentirosos.
Corrigirá os tolos.
Combaterá os ociosos.
Ferirá os tiranos.
Menosprezará os irônicos.
Prenderá os arbitrários.
Acusará os revoltados.
Compensará os trabalhadores fieis.

Calou-se o venerável ancião.

Havia risos à mesa doméstica expectativa no candidato à reencarnação, sorrisos paternais no velhinho experiente.

O sábio abraçou novamente o discípulo e despediu-se rematando:

- Não te esqueças de que o tempo é generoso nas concessões e justo nas contas. Vai, porém, meu filho, e não temas.

Nesse instante, à maneira do homem, cheio de esperanças, que penetra o Ano Novo, o aprendiz reingressou na onda do nascimento.

Por: Irmão X
Do livro: Pontos e Contos,
Médium: Francisco Cândido Xavier

27 novembro 2009

Altruísmo - Momento Espírita

Altruísmo

Luiz Moreau Gottschalk, um célebre pianista e compositor, visitando certa vez a cidade de Kingston, na Jamaica, entrou em um templo exatamente no momento em que se realizava um culto.

O pastor falava a respeito da caridade. Pintava com imagens fortes o estado a que tinham ficado reduzidas algumas famílias de uns pobres náufragos perdidos, naqueles dias, durante uma grande tempestade no mar.

O ministro usava toda a sua eloquência para comover o auditório, pedindo contribuições para remediar tanta desgraça.

Eram crianças órfãs, sem alimento. Eram viúvas, sem abrigo. Eram mães idosas, sem ninguém mais que olhasse por elas.

Comovido, o compositor acercou-se de um órgão, num dos ângulos do templo, sentou-se e deixou correr as mãos sobre o teclado.

Uma melodia de sabor religioso, tênue, triste, apaixonada, que parecia um coro sublime, começou a envolver a assembléia.

A suavidade da composição era tal que não impedia que todos continuassem a ouvir a voz do pregador que, dominado pela inspiração da música, ardorosamente foi tecendo imagens, evocando Jesus e a necessidade de amar o próximo.

Finalmente, ele concluiu a sua fala, fascinado, como todos os circunstantes, pelas deliciosas harmonias que saíam do órgão.

A música foi se perdendo em notas divinas e terminou. Então, o próprio pianista tomou seu chapéu, nele depositou algumas moedas, percorreu todos os bancos, recebendo dos presentes valiosos donativos.

Quando chegou ao último banco, no fundo do templo, viu uma senhora muito idosa, alquebrada pelos anos, que trazia o rosto sulcado por lágrimas.

Seria mãe de um dos náufragos? Uma viúva?
Sem pestanejar, ele esvaziou o chapéu no colo da senhora e desapareceu, porta afora.

* * *

Onde anda a miséria? Por vezes, empreendemos campanhas a favor de necessitados a respeito dos quais ouvimos falar e que se encontram distantes de nós.

Muito justo e meritório. No entanto é importante dar uma olhada ao nosso redor.

Existem pessoas muito necessitadas, mas que sofrem caladas, constrangidas de expor as suas dificuldades. Por isso mesmo, ensina o evangelho que o verdadeiro homem de bem é aquele que vai ao encontro da necessidade, sem esperar que a miséria lhe bata à porta.

Para isso, é preciso ter sensibilidade e voltar os olhos para os palcos do sofrimento.

Mesmo porque existem criaturas que, por sua própria condição, sequer podem estender mãos para pedir, pois os braços estão paralisados.

Há os que não podem erguer a voz para suplicar, porque a tem afogada na garganta, pelas lágrimas da dor que nunca cessa.
Há os que desejariam alcançar alguém que os auxiliasse, entretanto, as pernas lhes impedem andar.

* * *

A obra do bem em favor de todos precisa de muitos braços e não exige títulos universitários ou recursos financeiros.

Aguarda, simplesmente, a vontade em ação, um coração que sente, uma mente que idealiza, braços fortes que ajam, desde agora, antes que a fome se transforme em enfermidade e a carência em miséria extrema.

Redação do Momento Espírita com base no artigo Altruísmo de um grande músico, publicado no boletim semanal Luz do evangelho, de 10.03.2001

26 novembro 2009

Disciplinar Educando - José Francisco Costa Rebouças

Disciplinar Educando
José Francisco Costa Rebouças

É bastante comum nos dias de hoje, o comentário de pais, professores e, da sociedade em geral sobre o comportamento indisciplinado de crianças e jovens de todas as faixas etárias; palavrões, brigas, desrespeito aos mais velhos, desleixo, indiferença, preguiça, teimosia, iniciação sexual precoce, gravidez na adolescência, fumo, bebida, pichações, etc., entre outros tantos exemplos que podem ser citados, que caracterizam esse comportamento inadequado que infesta nossa sociedade em todas as suas camadas, não sendo privilégio de negro, branco, rico, pobre, sexo feminino ou masculino.

Infelizmente, olhando o problema de forma neutra e raciocinada, chegaremos à triste conclusão de que nós pais somos os grandes responsáveis pelo comportamento equivocado de nossas crianças e jovens, pois eles são tão somente o reflexo de uma sociedade desordeira que ajudamos a construir, investindo tudo na formação intelectual dos nossos filhos e esquecendo-nos de que eles são antes de tudo filhos de Deus, seres eternos, trazendo consigo tendências e aptidões, que devem ser lapidadas por todos nós responsáveis perante Deus pela sua educação e aprimoramento.

A formação moral, é normalmente relegada a segundo plano ou transferida para a escola, como se a escola tivesse a capacidade de substituir o papel de nós pais, na formação moral de nossos filhos, para que tivéssemos mais tempo para a busca desenfreada de aquisições da posse de bens materiais para nosso deleite.

Há, ainda, a situação das crianças filhas de pais separados, que empurram um para o outro a responsabilidade da educação dos filhos, e que por razões diversas nem sempre conseguem atender convenientemente as carências das crianças, e ainda colaboram para esse comportamento rebelde, pois se tratam em muitos casos de forma desrespeitosa na frete dos próprios filhos, com brigas infindáveis, ódios, disputas judiciais, desejo de vingança, atitudes tais que nada de positivo acrescentam na formação de um comportamento educado, como deveria ser.

Por conta dessa atitude irresponsável, a televisão assumiu na atualidade o papel de companheira e educadora de muitas de nossas crianças e jovens, que passam mais tempo assistindo a programas sem nenhum conteúdo moral e quase sempre recheados de pornografia e violências, do que em sala de aula ou com atividades úteis à formação de seu caráter como membro ativo da nossa sociedade.

Considerando essa variedade de fatores, que até certo ponto explicam os problemas apresentados por nossas crianças e jovens, não podemos esquecer também que eles são Espíritos reencarnados, trazendo tendências e aptidões desenvolvidas em vidas passadas e que os mesmos possuem afetos e desafetos no mundo espiritual, influenciando-lhes direta ou indiretamente o comportamento e como em regra geral somos devedores da Lei maior, essa influência é na maioria das vezes prejudicial, perniciosa, negativa.

Foi por essa razão que Deus, a Inteligência Suprema, entregou-nos esses espíritos em forma de criancinhas indefesas, prontas para que pudéssemos amoldá-las sob nossos cuidados desde cedo, para que cresçam e se desenvolvam de forma equilibrada, não somente no aspecto físico do pequenino ser, mais e principalmente no aspecto moral, espiritual, que é na verdade do que mais carece, motivo pelo qual aqui está de volta.

Por isso é que se faz imprescindível procurarmos desenvolver a disciplina no aspecto Preventivo, que é aquela trabalhada pelos pais desde a gestação, manifestando o sincero desejo de receber o futuro filho, acariciando-o desde sua concepção quando ainda na barriga de sua futura mãe, envolvendo-o em vibrações de amor e paz, estendendo-se por todas as fases do desenvolvimento biopsicossocial da criança.

À medida em que o pequenino ser vai crescendo, faz-se mister que os pais comecem a estimular em seu filho a disciplina externa que é necessária para estruturar a interna pois que a criança entregue a sí mesma dificilmente se disciplina, a presença e o exercício da autoridade paterna e materna é indispensável na construção da sua autonomia, destacando-se nessa fase a colocação de limites, de regras a serem respeitadas.

É agindo desde cedo no cuidado com a educação de nossos filhos, que evitaremos mais tarde o recurso duro da disciplina no seu sentido Punitivo, que é aquela aplicada nos presídios, nos lares onde os pais corrigem com violência seus filhos, nos países onde o crime é punido com outro crime (pena de morte, etc...), e que, inevitavelmente não promove, nem remove as causas da indisciplina.

O homem deve se espelhar no exemplo que nos dá a mãe natureza que possui uma disciplina sem a qual os mares invadiriam as regiões continentais, os continentes gelados se derreteriam, as cadeias alimentares entrariam em desequilíbrio, os planetas colidiriam uns com os outros e que o não seguimento das lições que recebemos por obra da vida incessante, nos leva a incorrer num grave erro de associar disciplina a surras e agressões, o que não é recomendado, pois esse tipo de postura já é violência e não disciplina.

Como bem descreveu a respeito dessa forma de disciplinar Pedro de Camargo no livro O Mestre na Educação, "Para bem agirmos em prol do saneamento, precisamos partir do seguinte princípio: o crime não é o criminoso, o vício não é o viciado, o pecado não é o pecador, o doente não é a doença. Assim como se combatem as enfermidades e não os enfermos, assim também se deve combater o crime, o vício, e o pecado, e não o criminoso, o viciado e o pecador".

Theobaldo Miranda Santos no livro Noções de filosofia da Educação, afirma: "os castigos ministrados com raiva até acentuam a revolta da criança. É necessário que ela perceba na correção de que é objeto o propósito de seu aperfeiçoamento".

A verdadeira disciplina a ser desenvolvida por nós pais há de ser um dia aquela que leve com amor e carinho os nossos rebentos a Reparar, o mal que hajam praticados de maneira a corrigir o que errou, consertar o que quebrou, repor o que retirou, desculpar-se com quem ofendeu, fazendo sempre a ação contrária e correta a que foi considerada uma indisciplina, conscientizado do seu erro, e buscando de maneira adequada a extinção da ação negativa.

Esta é a única forma que entendemos como capaz de ir até as causas reais da indisciplina, que se localizam no Espírito Imortal que Allan Kardec, diz que residem no instinto de conservação exagerado e no desconhecimento do passado e do futuro do Espírito, só esse conhecimento pode minimizar a crença na superioridade individual, o orgulho e o egoísmo, que conduzimos em nosso cerne.

É com a disciplina reparadora que a criança conseguirá ser um adulto realizado, nas palavras de Joanna de Angelis, libertando-se de sentimentos de culpa, da censura social, estruturando sua disciplina interna e utilizando seu livre-arbítrio sempre para o bem, para o positivo.

Allan Kardec, diz-nos em O Céu e o Inferno, "Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; mas só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa".

Finalizando, queremos enfatizar a necessidade urgente de investirmos cada vez mais na educação do espírito imortal, se pretendemos fazer da terra um mundo feliz, habitado por homens inteligentes e bons regidos pela disciplina da paz e do amor. Agindo assim, estejamos certos de que contribuiremos de maneira positiva para uma sociedade mais justa e equilibrada, solidificada nas ações nobres do respeito, do trabalho e da justiça, contribuindo para a saúde psíquica da nossa juventude e por conseqüência da nossa sociedade e por fim do nosso planeta.

25 novembro 2009

Viver Agora - Joanna de Ângelis

Viver Agora

Este é o teu momento de viver intensamente a realidade da vida.

Desnecessário recordar que, agora, o teu momento presente é relevante para a aquisição dos bens inestimáveis para o Espírito eterno.

Há muito desperdício de tempo, que se aplica nas considerações do passado como em torno das ansiedades do futuro.

A tomada de consciência é um trabalho de atualidade, de valorização das horas, de realização constante.

A vida é para ser vivida agora.

Postergar experiências, significa prejuízo em crescimento na economia da vida.

Antecipar ocorrências, representa precipitação de fatos que, talvez, não sucederão, conforme agora, tomam curso.

As emoções canalizadas em relação ao passado ou ao futuro dissipam ou gastam a energia vital, que deve ser utilizada na ação do momento.

Se vives recordando o passado ou ansiando pelo futuro, perdes a contribuição do presente, praticamente nada reservando para hoje.

O momento atual é a vida, que resulta das atividades pretéritas e elabora o programa do porvir.

Encoraja-te a viver hoje, sentindo cada instante e valorizando-o mediante a consciência das bênçãos que se encontram à tua disposição.

A vida é um sublime dom de Deus.

Naturalmente, quando recebes um presente de alguém, sentes o desejo irrefreável de agradecer, de louvar, de bendizer.

Desse modo, agradece a Deus, o sublime legado, que é a tua vida, por Ele concedido.

Vive, jubilosamente, hoje, sejam quais forem as circunstâncias em que se te apresente a existência.

Se o instante é de aflição, resigna-te, agindo corretamente, e estarás produzindo para o futuro que te chegará com paz.

Se o momento é de gozo, recorda-te dos padecentes à tua volta e reparte alegria, ampliando o círculo de ventura.

Quem despertou para a superior finalidade da vida, vive-a, a cada momento, vivendo-a principalmente agora.

Por: Joanna de Ângelis
Do livro: Alegria de Viver,
Médium: Divaldo Pereira Franco

24 novembro 2009

Convencer Indivíduos? - Orson Peter Carrara

Convencer Indivíduos?
Por: Orson Peter Carrara

Não, absolutamente! A Doutrina Espírita não está no mundo para convencer ou converter pessoas. Ela é para todos, mas nem todos conseguem ainda compreender-lhe os fundamentos e objetivos. Aliás, um de seus códigos é o respeito às crenças alheias e à liberdade de opção filosófica ou religiosa de cada pessoa.

Adeptos desavisados poderão querer convencer à força, por interesses variados, alguma pessoa considerada importante socialmente ou simplesmente a título de provar que “estamos com a verdade”. Ora, são práticas ingênuas estas.

O Espiritismo não pretende monopolizar a verdade, pois entende que as variadas interpretações religiosas contêm em seus fundamentos parcelas e contribuições importantes para conduzir a criatura humana até Deus e na compreensão da finalidade de viver.
Coloca-se, isso sim, à disposição para quem quiser conhecê-la. E oferece liberdade de aceitar ou não seus princípios, cuja aceitação é fruto de amadurecimento do raciocínio e da reflexão continuada de seus ensinos.

Na Revista Espírita de fevereiro de 1865 (edição EDICEL, tradução de Júlio Abreu Filho), Allan Kardec teceu valiosos comentários sobre a questão, reunindo diversas respostas recebidas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Com o título Obras-Primas por via mediúnica, ponderou o Codificador, após bem elaborada argumentação sobre aquilo que vem dos espíritos:

“(...) Os Espíritos buscam convencer as massas, e não este ou aquele indivíduo, porque a opinião das massas faz lei, enquanto que os indivíduos são unidades perdidas na multidão. Eis porque dão pouco valor aos obstinados que os querem levar à força. Sabem muito bem que mais cedo ou mais tarde terão de curvar-se ante a força da opinião. Os Espíritos não se submetem aos caprichos de ninguém; para convencer empregam os meios que querem, conforme os indivíduos e as circunstâncias. (...)”

O leitor perceberá que o verbo “convencer”, aqui empregado por Kardec, não tem a mesma conotação daquele empregado como título e mesmo nas primeiras linhas da presente matéria. Aqui, o sentido é do “espalhar” das revelações, colocando-as à disposição de todos, como anteriormente comentado. E o fazem mesmo de forma generalizada, fazendo chegar seus ensinos a toda parte, por diferentes médiuns e por diferentes meios, provando realmente a universalidade do ensino básico da imortalidade e da comunicabilidade dos próprios espíritos.

E, ponderando na seqüência do texto... “(...) Mas não percais o vosso tempo com os cegos que não querem ver (...)”, indaga se isso não seria faltar à caridade? E aí vem a exuberante colocação: “(...) Não, pois para estes será apenas um retardo. Enquanto perdeis o tempo com eles, negligenciais dar consolações a uma porção de gente necessitada e que aceitaria com alegria o pão da vida que lhes oferecêsseis. (...)”. Belíssima colocação, sem dúvida, digna de nossa mais alta atenção! Sem tentar convencer, mas vivendo na prática o amor ao semelhante.

23 novembro 2009

Código Divino - Bezerra de Menezes

Código Divino

Outrora, os mártires sofreram nos circos para doar ao mundo a Bênção da Revelação.

Através de fogueiras e sacrifícios, traçaram um roteiro de luz para o mundo paganizado.

Em seguida, quando as trevas da Idade Média consagravam a autocracia do poder, os cristãos livres experimentaram a perseguição, a morte e o anátema para restaurarem a senda luminosa, conferindo à Terra as Luzes da Verdade.

Hoje, porém, meus amigos, os seguidores do Mestre Divino, irmanados em torno da cruz redentora, foram chamados à doação da Fraternidade às criaturas.

Amparados pela evolução dos códigos que se tocaram das claridades sublimes da Boa Nova, através dos séculos, desfrutam de liberdade relativa pra concretizarem a divina missão de que foram cometidos.

Antigamente, dolorosa renunciação era exigida aos companheiros do Mestre Nazareno, de fora para dentro; agora, no entanto, é a luta renovadora do santuário íntimo para o mundo externo.

Não é o circo do martírio que esse abre na praça pública, nem a fogueira dos autos-de-fé, instalada dentro de povos livres e robustos em nome das confissões religiosas. Atualidade reclama corações consagrados ao Senhor na esfera de si mesmos.

A fraternidades constituir-nós-á abençoado clima de trabalho e realização, dentro do Espiritismo Evangélico, ou permaneceremos na mesma expectação inoperante do princípio quando o material divino da Revelação e da Verdade não encontrava acesso em nossos espíritos irredimidos.

Formemos não somente grupos de indagação intelectual ou de crítica nem sempre construtiva, mas, sobretudo, ergamos um templo interior à bondade, porque sem espírito de amor todas as nossas obras falham na base, ameaçadas pela vaga incessante que caracteriza o campo falível das formas transitórias.

“Amemo-nos uns aos outros,” segundo a palavra do Mestre que nos reúne, sem desarmonia, sem discussões ruinosas, sem desinteligências destrutivas, sem perda de tempo nos comentários vagos e inoportunos, amparando-nos, reciprocamente, pelo trabalho, pela tolerância salvadora, pela fé viva e imperecível.

Se nos encontramos realmente empenhados no Espiritismo que melhora e regenera, que eclarece e redime, que salva e ilumina, sob a égide de Jesus, recordemos a palavra do Código Divino, para vive-las na acústica de nossa alma, seguindo o Senhor em Sua exemplificação de sacrifício, de solidariedade e de amor: “- Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”; “ninguém irá até o Pai senão por Mim”.

Do livro: Doutrina e Aplicação,
Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

22 novembro 2009

Condições de Liberdade - Irmão Saulo

CONDIÇÕES DA LIBERDADE
Irmão Saulo

O princípio da liberdade é um anseio natural do homem e constitui o fundamento de todas as realizações duradouras.
Sabemos que o homem é, na Terra, entre os seres visíveis que a povoam, o único realmente dotado de livre arbítrio. Mas a liberdade é condicionada pela responsabilidade, sendo que a responsabilidade, por sua vez, não pode existir sem liberdade.
Estamos diante do que poderíamos chamar a dialética da autonomia. Da interação de liberdade e responsabilidade surge a síntese da independência, tanto em plano individual como no coletivo.

A questão 825 de O Livro dos Espíritos é a seguinte:
"Pergunta: Há posições no mundo em que o homem possa gabar-se de gozar de liberdade absoluta? Resposta: Não, porque vós todos necessitais uns dos outros, assim os pequenos como os grandes". Esse problema foi amplamente analisado por Kardec no estudo "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", publicado em Obras Póstumas. Ali encontramos esta proposição: "Do ponto de vista do bem social a fraternidade figura em primeira linha, é a base. Sem ela não poderá haver igualdade nem liberdade verdadeiras. A igualdade decorre da fraternidade e a liberdade é uma conseqüência das duas".

Temos assim duas condições sociais para a liberdade, que são os princípios de igualdade e fraternidade, e uma condição moral que é a fraternidade. A essas condições Emmanuel propõe os corolários da obediência e do serviço. Sem obediência às leis divinas, que nos mandam servir ao próximo por amor, não há liberdade. Por outro lado, a liberdade absoluta não existe, é apenas um sofisma. Vivemos no relativo e não no absoluto.

Mas o que são as leis divinas? Um código de moral escrito?
Para o Espiritismo as leis divinas são as próprias leis naturais, criadas por Deus. Existem desde os planos inferiores da Natureza. Os sofistas modernos pedem a liberdade dos instintos animais do homem, mas o Espiritismo nos adverte da existência dos extintos espirituais que constituem as exigências da consciência. E entre esses acentua a presença da lei de adoração que nos impulsiona a todos em direção a Deus.

De: "Na era do Espírito", de Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires - Espíritos Diversos

21 novembro 2009

Quando Choro Meu País - Momento Espírita

Quando Choro Meu País

Quando olho meu Brasil, tão vasto em território e tão pobre em amor dos seus filhos;

Quando o vejo tão rico de sol, vida e luz e tantos dos seus filhos vivendo em condições precárias, onde lhes falecem o direito à saúde do corpo e da alma, pois que carecem investimentos governamentais específicos;

Quando contemplo as manhãs brilhantes, gritando esperança, e observo os interesses de poucos sobrepujando o bem-estar de toda uma nação;

Quando me dou conta de que o país é pleno de riquezas minerais, vegetais, hídricas, que são depreciadas;

Quando percebo que há filhos de extraordinários dotes intelectuais, artísticos, do coração, nesta terra, e os vejo abandonarem estas fronteiras para conseguirem seu lugar ao sol em distantes terras, eu choro.

Choro por saber que este país poderia ser o Eldorado dos milhões de seres que aqui vivem.

Lamento ver criaturas esfarrapadas, quando poderiam estar vestindo a camisa do país, no verdadeiro sentido;

Lamento ouvir queixumes, críticas e desaires a respeito de uma terra tão promissora e generosa.

Nesse dia de dores, coloco o hino pátrio para ouvir, bem alto. E penso como seria bom se ele fosse mais ouvido, mais cantado, mais pensado, mais vivido.

E, enquanto os versos musicais se sucedem, enaltecendo a pátria-mãe gentil, seus dotes físicos, a riqueza sem par destas matas, penso que é tempo de nós, brasileiros, despertarmos.

É hora de sacudir a poeira do comodismo e lutar por um país mais justo, onde seus filhos vivam em plenitude.

Onde seus filhos nasçam, com a certeza de que a mãe gentil lhes dará abrigo ao corpo, alimento ao Espírito.

Um país onde se privilegie a instrução, não como algo demagógico, para ser acionado em momentos de estratégia política, mas sim com o objetivo de ilustrar as mentes privilegiadas que somos todos, na qualidade de Espíritos imortais.

Um país onde se possa ostentar não somente as valiosas medalhas conquistadas no atletismo, no esporte, mas igualmente se coloque no peito dos que o servem com dedicação, as medalhas de ouro da gratidão.

Um país onde Ordem e Progresso não sejam somente uma legenda na bandeira.

Mas, sobretudo, uma meta gravada no coração de cada filho seu, nascido em sua terra ou adotado de distantes paragens.

Tudo isso não é utopia.

É possível no hoje e no agora. Será suficiente que cada um de nós ponha em prática sua condição de cidadão consciente dos seus deveres, de forma prioritária.

Estudar, trabalhar, mostrando que filho desta terra, legítimo herdeiro das suas riquezas, somente é aquele que a dignifica com inteligência e suor.

* * *

Amemos nosso país, investindo na cultura, no bem, na justiça.

Orgulhemo-nos do verde da esperança, do amarelo que traduz a intelectualidade, do azul da harmonia e do branco da paz.

Nesse dia, ufanemo-nos, cantando:

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Ó, pátria amada

Idolatrada...

És tu, Brasil.

Redação do Momento Espírita

20 novembro 2009

Educação Infantil - André Luiz Almenteiro Rodrigues Rabello

Educação Infantil

Uma das mais relevantes questões dos dias contemporâneos, a educação da criança sempre mereceu de inúmeros profissionais tanto da área pedagógica como do campo da psicologia infantil uma atenção especial. Inúmeros especialistas têm doado as suas melhores forças no intuito de idealizar uma filosofia educacional que possa atender de forma plena a todas as necessidades emocionais do ser em formação da personalidade e propiciar-lhe o sustentamento intelecto-moral, para que possa tornar-se um cidadão pleno, consciente de seus direitos e de seus deveres para com a sociedade.

Inúmeras obras e tratados já foram escritos, nunca em nenhuma época se realizaram tantos congressos, simpósios e encontros para discutir a educação infantil em suas várias facetas. Porém, nota-se que, a cada dia que passa, todos os preceitos para uma educação saudável são destruídos pelos conceitos de um hedonismo exacerbado que hoje predomina em a sociedade.

A filosofia hedonista foi pela primeira vez idealizada por Aristipo de Cirene, discípulo de Sócrates, no século V antes de cristo. A palavra hedonismo se deriva da palavra grega hedone, que significa prazer. Então, o hedonismo se caracteriza por uma filosofia de vida cujo objetivo primacial seria a busca do prazer individual pelo ser humano.

Porém, apenas o conceito genérico do hedonismo não é suficiente para explicá-lo de forma completa. Isso ocorre porque o significado de prazer pode ser desdobrado de diversas formas.

O que é prazer, afinal? Genericamente, pode-se dizer que tudo aquilo que é bom dá prazer. Mas será que é só isso?

Na sociedade atual podemos perceber que o prazer que é sempre buscado é o prazer imediato, aquele que não necessita de nenhum esforço para ser conseguido, que satisfaz de forma rápida. Seria o prazer sexual, o prazer de ter sempre aquilo que se deseja sempre, o prazer do estômago abarrotado, o prazer do repouso longo, o prazer do vício. Então, pela teoria hedonista, a problemática humana estaria resolvida no sentido de doar-se de forma integral a esses prazeres, encarcerando-se os homens na jaula das sensações.

Porém, o que vemos é que essa forma de vida não trouxe ao homem a felicidade que a filosofia hedonista pregava. Os prazeres aos quais se entrega geralmente têm duração curta e, quando se exaurem, criam-se anseios por atingir um patamar mais elevado desse prazer. Com isso, há uma entrega total e irrestrita a sensação que causa prazer, só que essa busca se revela nula, pois não se consegue atingir a felicidade almejada, pois esses prazeres apenas criam vontade de sentir algo mais que aquele prazer não pode dar. Com isso, o homem cai em comportamentos depressivos e neurotizantes que lhes destrói a vida e todas as aspirações de progresso, já que busca algo que não existe.

É como se fosse a sede da água do mar. Pode-se bebê-la em abundância, porém, como está repleta de cloreto de sódio, quanto mais se consome, mais sede ela causa, pois a pessoa que a bebe não consegue atingir o seu objetivo, que é saciar a sua sede. A permanecer nesse ato, apenas aumentará a sede, o que lhe fará beber mais da água salgada e sentir mais sede. E seu martírio jamais cessará.

Então, onde está a felicidade proporcionada pelo prazer que o hedonismo prega ? Simples. O prazer não se resume apenas as manifestações fisiológicas, efêmeras que não plenificam. O prazer se encontra na emoção profunda do ser. A emoção que alguém sente ao ler o lindo Soneto da Fidelidade, do grande Vinícius de Morais.A sensação de tranqüilidade quando ouvimos A linda Moonlight sonate, de Beethoven. A boa sensação de ler uma obra de Machado de Assis. E o prazer sentido em ajudar alguém, em ver alguém que gostamos muito galgando os degraus altos do sucesso, o prazer de ver alguém que amamos chegar perto de nós. E quantos outros poderíamos citar !

Esses prazeres são o motivo da vida, é por eles que devemos procurar sempre e não o prazer da sensação que proporciona minutos de felicidade mas períodos longos de amargura, nesta vida e na outra.

Agora é justo que os leitores perguntem o que isso tem a ver com a educação infantil.

Tudo a ver. Sabemos que no período da infância o espírito está iniciando o trabalho de reencarnação e por isso possui o cérebro muito sensível, guardando nele as impressões que lhe são incutidas pelos pais e pela sociedade. Por isso, quando vemos que os projetos educacionais estão voltados para preparar o ser para viver no mundo alucinante das sensações desordenadas, é óbvio que se aposse de todos os pais interessados na felicidade dos filhos uma preocupação natural.

Vemos que a criança só é educada para entender o seu corpo de forma superficial e para encaixar-se na sociedade como um elemento a mais, sem consciência do que pode lhe fazer mal ou bem, sem saber que valores preservar e quais aqueles que devem ser abandonados. Com isso, quando adolescente, não sabe administrar as mudanças que se operam em sua psicologia e, aturdidas pela irrupção vulcânica dos conteúdos liberados pelo inconsciente, se atordoa e, não raro , se entrega ao culto do prazer alucinante, pois não tem estrutura para aspirar algo mais sublime, por não ter conhecimento sobre os intricados mecanismos que lhe regem a maquinaria orgânica.

Com isso, vemos que e filosofia educacional hodierna precisa ser modificada. Para isso precisamos de um conjunto de idéias que nos auxilie a educar os pequeninos visando a felicidade plena destes.

Nesse momento surge a doutrina espírita para nos ajudar, e dizer-nos, que devemos enxergar o educando de forma integral, não apenas o corpo físico, mas também como realidade espiritual. Deve-se ensiná-la, desde pequena, os ensinamentos do evangelho, o maior código moral que a humanidade tomou conhecimento até hoje. Daí a necessidade da evangelização infantil, como meio de propiciar a criança bases sólidas de comportamento e uma visão otimista da realidade. E, com o auxílio dos pais, que devem exemplificar para os filhos como se deve viver de acordo com que ensina o evangelho, chegará a adolescência sabendo que direcionamento deve empregar a sua vida, saberá o que veio fazer na terra, aceitar os problemas e, como foi educada em bases de amor, não precisará recorrer ao tabagismo, ao álcool, às drogas, ao sexo desvairado para encontrar felicidade. Pelo contrário, canalizará suas energias para as expressões celestiais da vida, pois saberá conquistar a verdadeira felicidade, perseverando sempre, lutando para domar as más inclinações e progredir sempre.

Portanto, é papel dos pais, dos evangelizadores e de todos os profissionais da área infantil ensinar as nossas crianças o caminho da ventura, impedindo que ela caia nos abismos da ilusão e que, quando adulta, possa caminhar com segurança rumo a Jesus.

André Luiz Almenteiro Rodrigues Rabello
Membro do Grupo Espírita André Luiz,
no Rio de Janeiro

19 novembro 2009

Driblando a Dor - Momento Espírita

Driblando a Dor

Mais de uma vez me recordo. Na infância, quando eu reclamava de alguma dor e como se costuma dizer fazia corpo mole para não cumprir alguma tarefa, escutava a história outra vez.

Certa vez, a dor veio visitar a Terra. Vestiu-se de forma adequada e chegou a uma casa pobre. Havia crianças, uma mulher cansada de tantos afazeres e um homem marcado pelas horas de trabalho exaustivo.

A dor gostou do lugar e se aninhou no dedão do pé direito daquele pai de família. Naquele dia, quase noite, ele se recolheu e nem deu muita atenção para a tal da dor porque o cansaço era maior do que ela.

Mal despertou a madrugada o homem acordou, pulou da cama e começou a se preparar para sair.

Não desejando despertar as crianças e a esposa, ele se ergueu no escuro e logo bateu o dedão num brinquedo esquecido no chão.

Ai, disse ele baixinho. Ui, que dor!
Acariciou o dedo dolorido com a mão calosa e enfiou o pé no calçado. A dor lhe deu uma espetada. Afinal, ela não estava gostando nada de ficar ali, apertada.

O homem, responsável, saiu mancando. O dedo latejava. Ele sentiu a dor diminuir um pouco quando tirou o pé do calçado, no trajeto que fez de ônibus.

Contudo, logo mais chegou ao destino. Calçou o sapato e andou.

Assim foi o dia inteiro. A dor reclamando, o homem sentindo mas dizendo: Eu preciso continuar. Não posso perder este emprego. Meus filhos dependem de mim.

E tudo acontecia. Ora o dedão topava na quina de um móvel, ora o sapato apertava mais, ora...
A noite surpreendeu o homem na labuta, suando, trabalhando. A dor já não aguentava mais.

E, quando ao ir para casa, o dedão topou numa pedra do caminho, foi o fim. A dor ficou muito zangada e disse: Vou embora. Este homem não sabe me tratar bem.

E lá se foi. Perto dali, ela encontrou uma casa muito bonita, confortável e entrou.
Um homem estava largado no sofá da sala, assistindo televisão. A dor gostou de tudo que viu e se instalou no dedão do pé.

Ai, gritou ele. Que coisa esquisita. Que dor terrível!
Já providenciou uma almofada para acomodar o pé. Ao recolher-se para dormir, enfaixou o local e no dia seguinte, fez repouso.
E no outro, e no outro.
A dor adorou aquele tratamento vip e tomou uma resolução: Não saio mais daqui!

* * *

Quando a história terminava, eu já sabia que teria que dar conta das minhas responsabilidades.
Era a forma de minha mãe me ensinar que eu devia ser forte; que pequenas dores deviam ser suportadas e de forma alguma serem motivo para não se cumprir as obrigações.

Essa atitude serviu para me tornar alguém com maior capacidade de suportar reveses e dificuldades. Quando tudo parecia conspirar contra mim e eu tinha vontade de desistir, lembrava da história da dor. E retomava a luta.

* * *

A dor física é sempre sinal de que algo não está bem no organismo. O bom senso nos diz que se deve procurar auxílio médico para a adequada verificação do que seja, antes que o mal avance.

No entanto, pequenos incômodos levam algumas pessoas, por vezes, a logo optarem por ausências na atividade profissional e descumprimento de suas obrigações.
São desculpas, fugas com vistas a se furtar ao dever.
Pensemos nisso e não nos permitamos entregar por pequenas coisas.

Afinal, quem aprende a bem administrar pequenas questões físicas angaria fortaleza moral para eventuais dificuldades orgânicas graves que possa vir a ter e, mesmo, fortalecimento para as dores morais que tenha que enfrentar.

Pensemos nisso.

18 novembro 2009

Sobre a Literatura Medíunica - Marcus De Mário

SOBRE A LITERATURA MEDIÚNICA
Marcus De Mario*

Com a divulgação e aceitação cada vez maior do Espiritismo, a literatura espírita conheceu vertiginoso crescimento, contando-se aos milhares os livros espíritas que estão à disposição em distribuidoras e livrarias, não apenas espíritas, mas igualmente no mercado livreiro em geral.

Várias editoras não espíritas abriram selos específicos para publicação de obras espíritas e, nessa verdadeira explosão literária, proliferam como campeões de venda os livros de origem mediúnica, notadamente romances e narrativas sobre o mundo espiritual.

Entretanto, será tudo verdadeira literatura espírita? Como explicar a eclosão pandêmica da mediunidade literária? Estudar esse tema é de máxima importância, pois quando alguém se interessa por um livro por ele tratar do Espiritismo, mas sem nada conhecer do assunto, poderá ter um mal começo no estudo e compreensão da doutrina, caso o livro em questão ofereça conceitos que não se coadunem com os princípios espíritas encontrados nas obras da Codifica ção, ou seja, os livros assinados por Allan Kardec.

É extremamente preocupante verificar que muitas editoras têm no movimento espírita apenas um nicho de mercado, de onde podem retirar lucros, mas sem nenhuma preocupação de ordem doutrinária. Há tempos os batemos pela necessidade das editoras que publicam livros espíritas terem um Conselho Doutrinário, formado pelo menos por cinco espíritas reconhecidamente sérios e detentores de maior conhecimento do Espiritismo, para que analisem com critério os originais.

E vamos mais longe: que os membros do Conselho Doutrinário não se conheçam, ou que residam distantes, evitando-se assim trocarem informações, para que suas análises sejam imparciais.

A editora, desse modo, assumiria compromisso com a doutrina espírita, mesmo que não se declare de fato espírita, e falamos aqui do compromisso de respeitar os fundamentos do Espiritismo, evitando publicar obras que possam deturpar a doutrina e confundir adeptos e simpatizantes.

Igualmente nos preocupa a criação de editoras por parte de centros espíritas, ou mesmo de um médium, pois elas tendem a endeusar a mediunidade e publicar tudo quanto um ou dois médiuns produzem. É um erro grave, pois Allan Kardec alerta para que tenhamos dois critérios de análise antes de qualquer divulgação: o crivo da razão e da lógica, e a concordância universal do ensino dos espíritos. Desde que a editora só publique livros de um único autor ou médium, temos grande
risco de erros doutrinários. É o que temos assistido. Algumas editoras e médiuns se defendem das críticas literárias e doutrinárias alegando que os espíritos estão fazendo novas revelações.

Sem a concordância universal do ensino dos espíritos, ou seja, sem que outros espíritos, através de diferentes médiuns, em locais variados e espontaneamente, tenham falado a mesma coisa, só podemos tomar a nova revelação como idéia pessoal do espírito. Não pode ser divulgada sem a sanção desse critério, ainda mais quando se choca frontalmente com os princípios espíritas consagrados e exaustivamente estudados.

Temos também de compreender que nem todo médium que psicografa uma mensagem é, necessariamente, um médium literário, apto a receber romances, contos, narrativas, poesias. O médium literário é um médium especial e, por isso mesmo, não encontramos um médium desses em cada esquina, ou em cada centro espírita.

Uma boa leitura de O Livro dos Médiuns será suficiciente para esclarecer essa questão, onde compreendemos que boa parte da produção mediúnica é exercício (que se joga fora) e de interesse particular (para o próprio médium, familiares, pessoas que o procuram ou para o grupo ao qual pertence).

O próprio Allan Kardec afirma ter aprovado para publicação apenas dez por cento de todas as mensagens que recebia, provindas das mais variadas fontes. E ele não pode ser acusado de rigor excessivo, pois era considerado o bom senso encarnado. Critérios existem para serem aplicados sem parcialidade, independente do médium, do autor espiritual, do grupo espírita, e era justamente o que o c odificador fazia. Façamos o mesmo.

Por outro lado, os dirigentes dos centros espíritas possuem umaresponsabilidade adicional, a de aplicarem os critérios acima citados na livraria, pois é cômodo adquirir para revenda o que está sendo publicado e divulgado, mas a comodidade pode acarretar irresponsabilidade.

É dever dos dirigentes espíritas igualmente submeter a análise literária e doutrinária os livros publicados pelas editoras. O que vale para editores vale também para distribuidores e livreiros.

Como existe o livre arbítrio e tudo pode ser escrtito e publicado em nome do Espiritismo, e não temos como coibir isso, pois de tudo pode se abusar, compete ao movimento espírita o dever e o direito de submeter a análise e rejeitar tudo quanto seja contrário aos princípios da doutrina espírita.

Como as análises variam de pessoa a pessoa, de grupo a grupo, poderemos encontrar o livro que procuramos nas mais diversas fontes, mas teremos, pelo menos nos centros espíritas, a garantia de que estamos comprando livros que passaram por criteriosa análise, conforme preceitua a codificação.

Longe de nós considerar que esse sistema seja infalível, mas tornará cada vez mais raro a exposição de maus livros, sejam eles de autores encarnados ou desencarnados.

Como assevera o espírito Erasto, em O Livro dos Médiuns, melhor rejeitar nove verdades do que aceitar uma única mentira. É o compromisso doutrinário que médiuns, escritores, críticos, editoras, distribuidoras e centros espíritas devem assumir, pois sabemos, voltando à questão do livro mediúnico, que entre os espíritos os há de graus bem diferentes, do mais ignorante ao mais sábio, e que, portanto, nem tudo pode ser aceito.

*Marcus De Mario é educador, escritor e expositor da doutrina espírita, colaborando no Centro Espírita Humildade e Amor, assim como na Rádio Rio de Janeiro, onde produz e apresenta o programa "Destaque na Imprensa Espírita".

17 novembro 2009

Não Temas - Joanna de Ângellis

NÃO TEMAS

A tarefa, pela sua magnitude, parece-te impossível de ser conduzida pelas tuas fracas forças.

O compromisso, porque grave, faz-te crer improvável levá-lo com êxito, mediante o necessário equilíbrio.

O labor, considerando a sua extensão, produz-te receio.

O desafio, pelas responsabilidades que impõe, causa-te preocupação.

Não temas, porém.

Quanto te diga respeito, faze com a melhor doação de ti mesmo.

*

Se pretender remover a montanha, inicia o trabalho retirando as primeira pedras.

Não lograrás o pico sem transpores o obstáculo inicial.

Conjeturando, apenas, no como realizar o dever, deter-te-ás na meditação.

Pensa, planeja, mas atua.

Se outros fracassaram, o problema é deles. Esta, porém, é a tua vez, de que darás conta.

Sem a ação, ser-te-á difícil saber dos resultados.

*

A seara em festa é o prêmio ao trabalho de preparação do solo.

A catedral suntuosa cresceu de pedra em pedra, após a escavação da base.

A escultura monumental resultou do primeiro golpe e dos que o sucederam.

Estás fadado ao triunfo.

Responsabilidade constitui estímulo ao êxito. Receio, porém, é prejuízo na economia moral da vida.

Dinamiza as tuas forças ao império da vontade bem dirigida e conseguirás, facilmente, realizar os cometimentos em pauta.

O equilíbrio de que necessitas resultará do exercício e da vivência da ação enobrecedora, que empreendes.

*

Embora a convivência diária com o Mestre, acompanhando-Lhe as realizações transcendentais, ao vê-Lo andando sobre o mar, os discípulos recearam. Compassivo e tranquilo, no entanto, acalmou-os Jesus, dizendo-lhes: "Não temais! Sou eu."

Em qualquer labor com Cristo, não temas nunca. Ele estará sempre contigo.

Joanna de Ângelis
Cintra, Portugal, 13.08.80
De: "Roteiro de Libertação",
de Divaldo P. Franco, ditado por diversos Espíritos

16 novembro 2009

Oração no Templo da Caridade - Bezerra de Menezes

ORAÇÃO NO TEMPLO DA CARIDADE

Senhor!

No templo que nos concedeste para a sustentação dos nossos ideais de fé, permite que Te possamos corresponder aos objetivos sagrados, dedicando-nos com fervor e abnegação.

Honrados pelo Teu convite a engrossar as fileiras dos que trabalham contigo, multiplica em nossas mãos as sementes luminosas da caridade, a fim de que os nossos celeiros não permaneçam vazios de claridade.

Colocados na Terra que merecemos, diante dos obstáculos a transpor e das dificuldades a vencer, faculta-nos a resistência contra as paixões que vivem dentro de nós, de modo a podermos transferir das baixadas em que nos encontramos as aspirações maiores, içando-as ao planalto que anelamos atingir.

Não é esta, Jesus, a primeira vez que Te juramos fidelidade, para logo depois negarmos o compromissos assumido...

Antes, prometemos-Te abnegação total e a apostasia fez-nos recuar da tarefa encetada, que deixamos entregue ao escalracho da incompreensão, ao abandono... Hoje, por compreendermos melhor a destinação que nos é reservada, com a alma túmida de emoções superiores, aprestamo-nos ao labor com que nos honras, não obstante os liames com os compromissos negativos que mantemos com a retaguarda...

Ensina-nos outra vez a servir e a amar, ampliando-nos o horizonte do atendimento, a fim de que a estreiteza da nossa visão não se aperte nos antolhos da nossa mesquinhez egoística.

Benfeitor de todos nós, sustenta-nos na fragilidade sistemática e renova-nos na noite em que nos debatemos, pontilhando-a com nossa luz meridiana que flui do Alto através da Consoladora Doutrina dos Imortais, em que nos engajamos agora, desencarnados e encarnados, constituindo o rebanho de que Te fazes o Bom Pastor!

Ante a nossa impossibilidade de servir-Te, mais e melhor, deixa-nos doar-Te a nossa inutilidade por ser tudo quanto temos.

Suplicamos-Te, também, que, enquanto aljofrem lágrimas na Terra, não nos seja lícito auferir o prêmio de ser feliz, que não merecemos.

Oxalá que as nossas mãos se ergam a serviço do alimento das criancinhas em carência, do irmão em agrura, do próximo em enfermidade, do ser enregelado, da criatura desnuda, concedendo a cada um a baga de amor, que é uma estrela nascente, na noite sombria e dominadora que a todos atemoriza...

Jesus, apiada-Te de nós, no templo que nos facultas para reacender e manter a chama da fé viva!

Torna-nos digno de aqui estar, louvando-Te e amando-Te através do amor aos nossos irmãos da retaguarda.

Bezerra de Menezes
De "Sementes da Vida Eterna",
de Divaldo Pereira Franco - Diversos Espíritos

15 novembro 2009

A Ação da Prece - João Démetro Loricchio

A Ação da Prece

Não resta dúvida de que, como nos ensinou a mediunidade de nosso saudoso Chico, a enxada que não trabalha enferruja. Não resta dúvida, tampouco, que, em um país como o Brasil, em que a Doutrina Espírita está tão bem divulgada, onde existem tantas Casas Espíritas e tantas obras de caridade, onde há tantos desencantados e doentes do corpo e da alma, não faltam oportunidades de auxílio aos necessitados, encarnados e desencarnados. Só não se envolve em atividades mediúnicas em nosso país quem não quer, é mal informado ou desconhece o fator mediúnico em nossas vidas, a mediunidade como ela realmente é.

Entretanto, situação bem diversa se dá em certos países ditos “de primeiro mundo”. Minha experiência em websites espiritualistas estrangeiros deu-me a oportunidade de travar contato com inúmeros médiuns perturbados habitando em países onde a mediunidade deles é incompreendida e as oportunidades de auxílio que abundam no Brasil simplesmente inexistem. Em tais países desenvolvidos não existe pobreza material, a religião existente é dogmática e estagnada e ensinamentos esotéricos desencontrados são misturados de modo comercial e confuso, em um quadro de desamparo e desalento para tais médiuns sofredores, isolados em seus conflitos e simplesmente dados como loucos ou perturbados.

Como a Justiça Divina é perfeita, não há como supor que alguém reencarne com mediunidade em tal situação sem ter como utilizá-la com bom proveito. Desse modo, parece-me evidente que a mediunidade possa ser exercida qualitativamente a contento e em intensidade satisfatória não só em atividades tradicionalmente entendidas como mediúnicas, mas, também e, até mesmo principalmente, nas simples atividades do dia-a-dia.

Logo, um abraço amoroso pode ser uma atividade mediúnica inconsciente. Por que razão um Espírito bom não aproveitaria tal oportunidade para beneficiar a pessoa abraçada, utilizando-se do agente do abraço como médium? Uma prece, um pensamento carinhoso, um aperto de mão, um olhar compassivo, são tantas as formas naturais de passe que podemos dar no dia-a-dia, com o concurso de nossos mentores e guias, em um inequívoco uso de nossa mediunidade. Quando a mãe passa a mão suavemente no cabelo de seu querido filho ou filha, não poderá ela estar usando sua mediunidade e dando um passe, apesar de inconsciente de tal fato?

Não estou sendo meramente teórico em minhas considerações. Observo e sinto em meu dia-a-dia que estou utilizando minha mediunidade a todo o instante. Sim, é verdade, conheço a Doutrina Espírita e isso me permite estar consciente do que faço. No entanto, que diferença faz? Um médium inconsciente pode ser muito eficiente como agente de cura em um abraço dado em uma pessoa doente na casa deste último. Basta, para tanto, que, ao dar esse abraço, ele esteja em sintonia com os bons Espíritos e que encha seu coração de amor pela pessoa a quem abraça.

Concluindo minhas observações, quero dizer que é nessa linha que sempre procurei orientar os médiuns perturbados que escreviam nos websites espiritualistas estrangeiros que freqüentava. Dizia a eles que se esforçassem por ser pessoas melhores, um dia após o outro. Que aprendessem a olhar para todos à sua volta como irmãos e irmãs. Que, se lhes fosse difícil perdoar a quem os ofendesse, que, pelo menos, por eles não alimentassem rancor, procurando esquecer as ofensas recebidas; que orassem por todos à sua volta; que valorizassem os apertos de mão, os abraços, os olhares, e projetassem amor em tais comportamentos, de outra forma constituídos de simples formalidades sociais. Dizia, finalmente, que procurassem aquele parente ou conhecido velho e doente e os visitassem, conversassem com ele, lhe trouxessem alento com sua simples presença.

É isso que queria dizer. Costumo ler muitas vezes orientações de como usar a mediunidade que se aplicam somente no Brasil ou, no máximo, em alguns poucos lugares do planeta. Gostaria que os irmãos e irmãs explorassem mais outras situações, mesmo porque, nada nos garante que venhamos a ter nossa próxima reencarnação neste querido País. Que tal, então, começarmos desde agora a praticar?

O Movimento Espírita pode estar muito mais amplo e divulgado no Brasil que em outras partes do mundo, mas a Doutrina Espírita é para toda a humanidade, neste planeta e em outros mais. É mister, portanto, que saibamos praticar os ensinamentos do Mestre, explicados com tanta clareza pelo Espiritismo, estejamos onde estejamos, quer conheçamos a Codificação de forma explícita, pela sua leitura e estudo na vida atual, quer de forma intuitiva, pelas lembranças de estudos sérios que tenhamos feito nas vidas que passaram.

Por: João Démetro Loricchio - RIE

14 novembro 2009

Vida a Dois (Casal Perfeito) - Jamiro dos Santos Filho

Vida a Dois (Casal Perfeito)

É possível encontrar na Terra um casal perfeito?

Um par feliz , em que cada um, com as suas possibilidades , complete o outro sem exigências , sem ferir e magoar?

Podemos dizer que um casamento perfeito pressupõe a união de duas pessoas perfeitas. Porém, isso é impossível aqui em nosso mundo , ainda tão atrasado espiritualmente . No entanto, não obstante os defeitos que ainda predominam em nossa sociedade, sabemos de casais que vivem muito bem e gozam de uma relativa felicidade , já que a felicidade total só conheceremos em outro Mundo , conforme nos disse o Cristo.

Esses casais felizes são pessoas comuns que lutam com dificuldades profissionais , familiares , e até mesmo íntimas ,porém, possuem o firme propósito de alcançarem a paz junto ao cônjuge e com as pessoas que os rodeiam.

Então, é possível encontrar a harmonia no casamento ?
Sim. É possível .

Pelo menos alguns itens importantes para o êxito da união conjugal foram destacados , nas páginas deste volume despretensioso.

Acrescentemos ainda que o começo de tudo é nos conscientizarmos de que , assim como eliminamos o amor, também o cultivamos .

Devemos empreender esforços rumo a essa plantação que será cultivada dentro de nos, em nosso coração, todos os dias, com carinho e atenção, respeito e tolerância.

A harmonia conjugal é obra de compreensão e respeito mútuo.

O casal feliz é aquele que encontra tempo par amar.

As horas divididas a dois somam muito, na estabilidade emocional de ambos.

Os cônjuges que não têm tempo um par o outro viverão em mundos diferentes , particulares , e quase nada realizarão juntos.

Quando isso ocorre , depois de alguns anos serão dois estranhos que vivem sob o mesmo teto, unidos apenas por um papel, sem que se amem verdadeiramente.

Matrimônio feliz é aquele que tem por base o amor e a amizade sincera.

Outro fator importante para a felicidade conjugal é a cumplicidade .

Esse sentimento deverá alcançar todas as situações da vida .

Isto significa gostar do jeito do outro, admirar suas realizações , vibrar com seus afetos , perdoar seus erros , empenhar-se em seus projetos , sofrer com as suas dores , repartir as derrotas , enfim , serem unidos de verdade. Quando o casal se une de verdade , as vitórias acontecem mais facilmente . E mesmo que haja derrotas, as lágrimas derramadas serão motivos para leva-los a encarar a oportunidade sem culpas e acusações.

Casamento não é constituído por adversários , mas se isso ocorrer , a melhor forma de recuperar a união é tornar o outro nosso amigo parceiro.

Não devemos , no casamento , lutar a fim de impor somente a nossa vontade ,para satisfação do nosso ego.

Ao contrário de vencer, é preferível e os dois saiam vencedores.

Precisamos , também, descobrir a alegria de doar e não somente receber.

E se nos casamos é para fazer o outro feliz , também.

Casal feliz é aquele que se doa mutuamente .

Enfim, podemos enumerar vários outros ingredientes ,para que obtenhamos a felicidade conjugal, mas certamente com amor acharemos nossos próprios caminhos e conseguiremos êxito em nossa convivência.

Basicamente saibamos que, informados de todas essas virtudes , nada obteremos sem que elas sejam colocadas em prática , incansavelmente , até os últimos dias de nossa convivência a dois.

Devemos acreditar , sempre , que poderemos ser felizes.

É com essa finalidade que aqui estamos .

E seremos , se assim o quisermos.

Por: Jamiro dos Santos Filho