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31 outubro 2007

Pena de Morte - Momento Espírita

 
PENA DE MORTE


Entre os que advogam o estabelecimento da pena de morte em nosso país, há os que relacionam objetivos precisos para sua tese.

Entre eles, o que surge em primeiro plano é o de higienizar a sociedade.

Afirmam que a sociedade pode ser comparada a um organismo enfermo.

A fim de preservar a vida do corpo, opta-se pela amputação do membro doentio, evitando-se que a problemática se espalhe, semeando doença irreversível.

Sem nos esquecermos que, no organismo, determinados órgãos como coração e cérebro, por exemplo, não podem ser simplesmente descartados, pois lhe são indispensáveis, tratemos da questão saneamento da comunidade.

Basta que alonguemos o olhar para a rua e defrontaremos de imediato um vasto panorama a ser higienizado.

Falamos dos bolsões de miséria que desfilam pelas ruas. São crianças sujas acompanhando mães maltratadas, empurrando a vida de esquina a esquina, freqüentemente revolvendo lixo à cata de algo aproveitável para saciar a fome.

Velhos maltrapilhos movendo-se com lentidão e dificuldade entre a multidão apressada, estendendo a mão à caridade pública.

Deficientes de variadas condições, rastejando pelas calçadas, esfolando mãos e joelhos, rogando esmolas.

Ao longo das rodovias, barracos infectos cobertos precariamente com plásticos e latas. Visão que enfeia a paisagem de qualquer cidade.

Pode-se iniciar portanto higienizando as ruas, as calçadas, as rodovias, propiciando amparo à mãe sozinha, emprego que lhe garanta o mínimo de sustento aos filhos.

Podemos organizar um mutirão de corações devotados e modificar a paisagem, com pregos, madeiras, tijolos e disponibilizar condições mais humanas de habitação aos que padecem entre paredes quase a cair.

Podemos providenciar asilo e amparo ao idoso enfermo, ao deficiente carente.

E que dizer da paisagem tristonha dos que desconhecem as letras do alfabeto?

Basta olhar ao redor para descobrir o bando de almas infantis que deveriam estar freqüentando os bancos escolares e se encontram pelas ruas, a mendigar, a recolher papéis, a vender bugigangas somente para conseguir uns trocados.

Pobre infância, fanada em pleno desabrochar.

Iletrados crescerão e na escola das ruas aprenderão as lições duras da lei do mais forte, do mais esperto.

Urge higienizemos o panorama, propiciando a escola com alimentação adequada, encaminhamento e incentivo a pais e filhos para a freqüência.

Mostrar-lhes o valor da escola, a riqueza do saber.

Há, sim, muito ainda a higienizar.

Higienizar as comunidades carentes das tantas enfermidades que as dizimam, sem acesso ao medicamento, ao médico, aos exames clínicos e laboratoriais.

Se nosso intuito for melhorar a sociedade, desvencilhando-¬nos do que a torna agressiva, incômoda, há um largo programa de trabalho a desenvolver.

Não há necessidade de matar o semelhante, mesmo porque, investindo-se na educação, na alimentação, na ocupação útil, na saúde, diminuirá potencialmente o número daqueles que caminham a passos largos rumo à criminalidade.

É importante deter-lhes o passo antes que se precipitem nas vielas escuras do erro e das paixões grotescas.


* * *

Se acendermos a lâmpada do alfabeto na mente de um pequenino, ele poderá descobrir as riquezas do Universo e todas as coisas que nele existem.

Isto se chama caridade.


Redação do Momento Espírita, com base no verbete Alfabeto,
do livro Repositório de sabedoria, v.1
Pelo Espírito Joanna de Ângelis,
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

30 outubro 2007

Tu e Tua Casa - Emmanuel

Tu e Tua Casa

"E eles disseram: Crê no Senhor Jesus-Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa." - (ATOS, 16:31.)

Geralmente, encontramos discípulos novos do Evangelho que se sentem profundamente isolados no centro doméstico, no capítulo da crença religiosa.

Afirmam-se absolutamente sós, sob o ponto de vista da fé. E alguns, despercebidos de exame sério, tocam a salientar o endurecimento ou a indiferença dos corações que os cercam. Esse reporta-se à zombaria de que é vítima, aquele outro acusa familiares ausentes.

Tal incompreensão, todavia, demonstra que os princípios evangélicos lhes enfeitam a zona intelectual, sem lhes penetrarem o âmago do coração. Por que salientar os defeitos alheios, olvidando, por nossa vez, o bom trabalho de retificação que nos cabe, no plano da bondade oculta?

O conselho apostólico é profundamente expressivo.

No lar onde exista uma só pessoa que creia sinceramente em Jesus e se lhe adapte aos ensinamentos redentores, pavimentando o caminho pelos padrões do Mestre, aí permanecerá a suprema claridade para a elevação.

Não importa que os progenitores sejam descrentes, que os irmãos se demorem endurecidos, nem interessam a ironia, a discussão áspera ou a observação ingrata. O cristão, onde estiver, encontra-se no domicílio de suas convicções regenerativas, para servir a Jesus, aperfeiçoando e iluminando a si mesmo.

Basta uma estaca para sustentar muitos ramos. Uma pedra angular equilibra um edifício inteiro.

Não te esqueças, pois, de que se verdadeiramente aceitas o Cristo e a Ele te afeiçoas, serás conduzido para Deus, tu e tua casa.

Psicografia Francisco Cândido Xavier Da obra: Vinha de Luz
Lição 88
Ditado pelo Espírito Emmanuel Edição Internet baseada na
14a edição
(Download do livro em http://www.febnet.org.br)
Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1996

29 outubro 2007

Quanto Mais - Bezerra de Menezes

Quanto Mais

Abençoai sempre as vossas dificuldades e não as lastimeis, considerando que Deus nos concede sempre o melhor e o melhor tendes obtido constantemente com a possibilidade de serdes mais úteis.

Quanto mais auxiliardes aos outros, mais amplo auxílio recebereis da Vida Mais Alta.

Quanto mais tolerardes os contratempos do mundo, mais amparados sereis nas emergências da vida, em que permaneceis buscando paz e progresso, elevação e luz.

Quanto mais liberdade concederdes aos vossos entes amados, permitindo que eles vivam a existência que escolheram, mais livres estareis para obedecer a Jesus, construindo a vossa própria felicidade.

Quanto mais compreenderdes os que vos partilham os caminhos humanos, mais respeitados vos encontrareis de vez que, quanto mais doardes do que sois em benefício alheio, mais ampla cobertura de amparo do Senhor assegurará a tranqüilidade em vossos passos.

Continuemos buscando Jesus em todos os irmãos da Terra, mas especialmente naqueles que sofrem problemas e dificuldades maiores que os nossos obstáculos, socorrendo e servindo e sempre mais felizes nos encontraremos sob as bênçãos dele, nosso Mestre e Senhor.

Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Da obra: Caridade
Ditado pelo Espírito Bezerra de Menezes
Araras, SP: IDE. 1978

28 outubro 2007

Sexo e Edução - Carneiro de Campos

Sexo e Educação

Arrancado das masmorras, dos porões do obscurantismo, da ignorância para a praça pública da agressão e vulgaridade, o sexo continua a merecer, senão a exigir tratamento condigno por parte de educadores, psicólogos, religiosos, de todas as pessoas sensatas.

Ignoradas ou relegadas a plano secundário as funções da sua usança com responsabilidade no ministério procriativo, prossegue recebendo estardalhaço e escândalo, embora sob o disfarce de educação, em moldes provocativos e de escarnecimento.

A ausência de maturidade emocional em muitos daqueles que se encarregam de estuda-lo com objetivos de divulgação, quase sempre portando problemas de complexidade imensa, que os torna incapazes de formulações de elevado conteúdo , esses apressados educadores mais perturbam e açulam as mentes jovens do que as orientam para as finalidades superiores da vida.

De profundas e graves complexidades na sua aparelhagem fisiológica, com correspondentes vinculações psicológicas mais afetas ao campo da alma encarnada, o sexo é sempre resultado, numa vida, das experiências cultivadas nas existências anteriores.

Qualquer estudo das questões da sexualidade, portanto, para alcançar as legítimas finalidades, como contributo imprescindível para a paz do homem e o equilíbrio da comunidade, deverá ser feito mediante o exame da anterioridade da alma, sem o que, por mais se penetrem nas causas atuais dos seus distúrbios, defrontar-se-ão, em realidade, efeitos dos fatores reais que dormitam desde o pretérito espiritual, expressando-se nas caracterizações duvidosas em que ora sejam apreciadas.

Por isso que as várias gamas das suas manifestações fora da heterossexualidade não podem ser examinadas e concluídas perfunctoriamente, assim como os dramas da sexualidade no lar, de difícil compreensão imediata nas suas causalidades, jamais encontrarão soluções nos aberrantes comentários do sensacionalismo livresco ou do periodismo escabroso...

A ciência conhece, sem dúvida, grande parte dos mecanismos fisiológico, anatômicos e alguns resultantes emocionais das engrenagens sexuais, após significativas incursões e honestos trabalhos de investigação responsável.

Falta, no momento, uma filosofia ética sobre a correta utilização do sexo como normativa eficaz para o exercício das suas faculdades.

O homem controla o fogo e drena regiões pantanosas.

Engenhos hidrelétricos extraem dos cursos dágua, em barragens monumentais, força colossal que movimenta cidades gigantescas.

As leis de trânsito corrigem os abusos de condutores de veículos, e policiais, juristas, administradores hábeis conduzem a disciplina na comunidade, tentando evitar a criminalidade, a corrupção...

Espaçonaves engenhosas rasgam os espaços sob controles remotos, respondendo corretamente a programações extensas com que o homem penetra nos intrincados fenômenos do cosmo.

Hábitos de higiene confraternizam com técnicas de comportamento; criteriosas terapêuticas preventivas e medidas profiláticas contribuem eficazmente para o equilíbrio, para a felicidade humana...

Todavia, quando se trata dos compromissos e das relevantes manifestações sexuais recorrem-se a tabus ou a atitudes do cinismo, sem a preocupação de um comportamento sério, grave, com vistas ao entendimento da questão, em clima de elevação, naturalidade, sublimação.

Inclusive no capítulo do sexo, Jesus foi excelente educador, orientando-o, embora veladamente, quanto à necessidade de o conduzir a fim de não ser por ele perturbado e mal dirigido, ao elucidar: "Onde estiver o tesouro aí se encontrará o coração".

O problema do sexo, em grande parte decorrente da educação, resulta, sem dúvida, da atitude mental que se mantém em relação a ele.

Colocando-se o pensamento exclusivamente nas suas necessidades reais ou falsas, estas assomarão em atividade perniciosa, geradora de alienações e promotora de suicídios.

Dirigido pela mente esclarecida, faz-se nobre instrumento da vida, produzindo equilíbrio emocional e paz, na programação para a que foi elaborado pela Divindade com os elevados misteres da perturbação da espécie.

Psicografado po Divaldo Pereira Franco
Da obra: Terapêutica de Emergência
Ditado pelo Espírito Carneiro de Campos

27 outubro 2007

No Mundo - Letícia

No Mundo

Contemplas, filho meu, com deslumbrada admiração, as fulgurantes expressões da inteligência culta, e reconheces, acanhado, que são modestos os teus conhecimentos.

Vês com reverencial atenção os celebrados detentores do poder político, e observas que estás longe de ostentar tão vastos cabedais de liderança.

Verificas, entusiasmado, a maravilhosa atuação dos grandes artistas, e percebes quão distanciado te encontras dos seus primores de genialidade.

Enlevam-te as demonstrações de glorioso poder de quantos se alçam em proeminência na sociedade humana, e admites que te inseres no rol dos inumeráveis anônimos da multidão.

Não sofras por isso, nem te imagines improdutivo ou inútil. Lembra-te de que o Divino Senhor não procurou, para o seu sublime apostolado, os sábios da Terra, os potentados do tempo, os ases das elites privilegiadas. Buscou os pescadores mais humildes do Lago, os corações mais simples e mais doces, as almas mais desprendidas e sinceras.

Foi a eles que enviou a disseminar os seus ensinos e anunciar as primícias do Reino de Seu Pai. E foi no solo dos seus nobres sentimentos que fincou os alicerces do seu Evangelho de Luz.

Basta-te seguir, no silêncio dos bons exemplos e na singeleza das palavras alentadoras e fraternas, as luminosas pegadas do Mestre, para que o Céu opere, através de ti, os mais sublimes milagres de graça e de amor.

A riqueza divina oculta-se no mundo, ainda envolto nas trevas da ostentação e do egoísmo, anestesiado pelas enganosas aparências do falso poder. Por isso, a bondade fecunda, que reanima e redime, ainda calça, na Terra, as sandálias da humildade e da pobreza, nos caminhos empedrados da desolação.

Psicografia de Hernani T. Sant'Anna.
Ditado pelo Espírito Letícia.

Página psicografada no Grupo Ismael,

da Federação Espírita Brasileira em 15-10-1992.

26 outubro 2007

Lembrança Úteis - André Luiz

Lembranças Úteis
  • Não viva pedindo orientação espiritual, indefinidamente. Se você já possui duas semanas de conhecimento cristão, sabe, à saciedade, a que fazer.
  • Não gaste suas energias, tentando consertar os outros de qualquer modo. Quando consertamos a nós mesmos, reconhecemos que o mundo está administrado pela Sabedoria Divina e que a obrigação de cooperar invariavelmente para o bem é nosso dever primordial.
  • Não acuse os Espíritos desencarnados sofredores, pelos seus fracassos na luta. Repare a ritmo da própria vida, examine a receita e a despesa, suas ações e reações, seus modos e atitudes, seus compromissos e determinações, e reconhecerá que você tem a situação que procura e colhe exatamente o que semeia.
  • Não recorra sistematicamente aos amigos espirituais, quanto a comezinhos deveres que lhe competem no caminho comum. Eles são igualmente ocupados, enfrentam problemas maiores que os seus, detêm responsabilidades mais graves e imediatas, e você, nas lutas vulgares da Terra, não teria coragem do pedir ao professor generoso e benevolente que desempenhasse funções de ama-seca.
  • Não espere a morte para solucionar as questões da vida, nem alegue enfermidade ou velhice para desistir de aprender, porque estamos excessivamente distantes do Céu. A sepultura não é uma cigana, cheia do promessas miraculosas, e sim uma porta mais larga do acesso a nossa própria consciência.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Da obra: Agenda Cristã.
Ditado pelo Espírito André Luiz. 3 edição.
Edição de Bolso - Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1999

25 outubro 2007

Presença de Jesus - Maria Dolores

PRESENÇA DE JESUS

Afirmas, muita vez, alma querida,
Em fervorosa prece:
-"Quero, Jesus, servir e cooperar contigo!...
Ah! Senhor, se eu pudesse!..."

Depois, declaras-te sem forças.
Pensa, entretanto, nisto:
Podes ser hoje mesmo, onde estiveres,
A sublime extensão da bondade do Cristo!...

Fita a sobra da mesa que te ampara:
Utilizando um pão, simples embora,
Consegues replantar as flores da alegria
Na penúria que chora.

Considera o montão de bens que atiras longe
Sem sentir, sem pensar, inconseqüentemente:
Descobrirás nas mãos o privilégio
De estender reconforto a muita gente.

Lembra a moeda, tida por singela:
Escorada na fé que te bendiz,
Transforma-se na xícara de leite
Que socorre e refaz a criança infeliz.

Detém-te nos minutos disponíveis:
Ao teu devotamento se farão
A visita, a bondade, o carinho e consolo
Para o enfermo largado à solidão.

Trazes contigo os dotes da brandura:
Ante os golpes do ódio explosivo e violento,
Guardas a faculdade de extinguir
O fogo da revolta e o fel do sofrimento.

Observa o tesouro da palavra:
Se envolvida de paz, a tua frase alcança
Todo aquele que cai na sombra da tristeza
Para erguer-se de novo ao toque da esperança.

Não te digas inútil, nem te omitas...
A trabalhar, servir, amparar, recompor,
Serás, alma querida, em qualquer parte,
A presença do Cristo em teu gesto de amor.

Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito de MARIA DOLORES

Mensagem extraída do livro "CORAÇÃO E VIDA" - Editora Ideal

24 outubro 2007

Consciência de Culpa - Joanna de Ângelis

CONSCIÊNCIA DE CULPA

A consciência de culpa atinge o mundo íntimo da criatura, na qualidade de um autêntico flagelo.

A partir do momento em que se instala, desequilibra as emoções e pode levar à loucura.

A consciência pesada evidencia uma certa imaturidade psicológica, pois denota que a pessoa agiu em descompasso com seus valores ou ideais, ou o fez sem refletir, em um rompante.

O indivíduo por vezes se permite comportamentos incorretos, que lhe agradam às sensações, para posteriormente se auto-punir, entregando-se a arrependimento estéril.

A ciência dos erros passados pune com rudeza o infrator, perante si próprio, mas não o corrige para o futuro.

O cumprimento de uma penitência, embora constitua evento doloroso, nada repara e por isso não traz a plenitude psicológica curativa promovida pelas ações positivas.

O que foi feito não mais pode ser impedido ou evitado.

Disparada uma flecha, ela segue seu rumo.

Se uma ação foi ruim, o importante é reparar os danos que causou.

Todo homem que se considera fraco, não desenvolvendo esforços para fortalecer-se, torna-se de fato débil de forças.

É um sinal de covardia e infantilidade justificar um erro com auto-flagelação, sem sanar as conseqüências, tornando a ele na primeira oportunidade, sob a alegação de fraqueza.

É nobre assumir o próprio equívoco, meditar serenamente sobre ele, arcar de forma corajosa com seus efeitos e repará-los do modo mais perfeito possível.

O difícil processo de reverter os resultados de um ato indigno tende a ser eficiente antídoto para novas experiências.

Tome-se o exemplo de uma mulher que voluntariamente faz um aborto.

Sua consciência pesa e ela pode desenvolver neuroses variadas, mantendo a mente focada no agir equivocado, a essa altura irremediável.

Mas essa mulher também pode, de modo muito mais proveitoso, dedicar as horas de seu tempo dispensando amor e cuidados a crianças órfãs.

Ela teve a desdita de rejeitar o filho que Deus, em sua infinita sabedoria, lhe confiou, mas nada a impede de adotar, por filhos do coração, os pequenos desamparados do mundo.

O tempo aplicado nessa tarefa é infinitamente mais útil do que se for perdido em lamentações.

Além de desempenhar, de certa forma, a missão materna que lhe estava destinada, o contato com a infância desvalida pode sensibilizá-la para as inefáveis bênçãos da maternidade.

Tudo isso tem o condão de funcionar como medida preventiva de novos desatinos.

Por outro lado, o remorso inativo e estéril, ao desequilibrar a personalidade abre as portas para os mais diversos equívocos, dos quais nada de bom resulta.

A partir do momento em que se elege como meta uma vida de paz, com a consciência tranqüila, há um preço a ser pago: a perseverança no dever.

Dignidade, harmonia, equilíbrio entre consciência e conduta não ocorrem ao acaso e nem se podem improvisar.

Tais virtudes devem ser conquistadas no dia-a-dia, mediante seu perseverante exercício.

Mas, em face de dificuldades para agir corretamente, por uma atitude viciosa encontrar-se muito arraigada, há sempre um derradeiro recurso: a oração.

Deus dispõe de infinito manancial de paz, sempre à disposição de suas criaturas, desde que estas o busquem com sinceridade e fervor.

O homem manifestando a firme intenção de resistir ao mal, a divindade por certo o fortalecerá no bem, pois foi o próprio Cristo quem afirmou: "pedi e obtereis".

Ditado por Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P. Franco
Livro:Momentos de Saúde

23 outubro 2007

Crueldade - Momento Espírita

CRUELDADE

Pelos caminhos do mundo, quem deixou de se deparar com a crueldade? O tempo passa, mudam os governantes, caem os impérios e o ser humano permanece com a crueldade a lhe assinalar a trajetória.

Na aurora da humanidade, imperava a barbárie. Os povos primitivos, sem maturidade moral, resolviam as questões tendo a violência como base.

Naquela época remota, as coisas eram arrancadas à força, os homens indiferentes às mortes e as torturas, uma constante aceitação pelo grupo social. Valiam todos os meios para fazer prevalecer a própria vontade.

Aos poucos, o conceito de crueldade foi se modificando. O que antes era aceito como fenômeno natural, passou a ser considerado como inaceitável.

Para nós, brasileiros, há um momento recente de nossa História que nos permite observar como evoluiu o conceito de crueldade. É o caso da escravidão dos povos africanos.

Se nos detivermos a analisar a vida cotidiana no século 19, concluiremos com horror que a escravidão era não apenas aceita socialmente, como a crueldade no trato com os escravos perfeitamente tolerada.

Protegida pelas leis e pelas conveniências sociais, a crueldade que vitimava os escravos se tornara prática do cotidiano.

Castigos físicos, açoites, mutilações, assassinatos, venda de crianças – toda essa série de práticas tenebrosas acontecia à luz do dia. E raras eram as vozes que vinham em socorro dos oprimidos.

Hoje, todas essas práticas horrorizam a maioria das pessoas. Mas ainda há os que as praticam.

Quem não ouviu falar das torturas a prisioneiros de guerra em pleno século XXI? E as discriminações? E as vítimas de tráfico e exploração de mulheres, trabalhadores e crianças?

Para o ser humano, cujo senso moral ainda está em aperfeiçoamento, basta surgir uma oportunidade para que os velhos maus instintos apareçam.

Então concluímos que a pressão social e o refinamento dos costumes empurrou a crueldade para os subterrâneos. Reduziu muito, mas ainda não a fez desaparecer inteiramente.

E é por isso que ainda vemos as lamentáveis cenas de violência nas ruas: assaltos, homicídios, torturas, espancamentos. Tudo para se obter poder, riquezas, bens materiais.

Também é comum ver nos dias atuais a crueldade que se esconde dentro dos lares, com mulheres e crianças feridas física e emocionalmente.

A crueldade humana atinge até mesmo outras espécies. Animais são espancados até a morte, muitas vezes por simples prazer.

Perante esse cenário de desesperança, o que podemos fazer?

A resposta foi dada há dois milênios, por Jesus Cristo: “Amar”. Que é o amor senão a força que substitui as armas, pondo flores em seu lugar?

Certamente não estamos falando do amor romântico, mas do amor incondicional. Aquele que os gregos chamavam de ágape.

É um amor tão pleno que atinge a tudo o que foi criado por Deus. Pessoas, estrelas, árvores, oceanos.

Mas para alcançar esse estado, é preciso – antes de tudo – disciplina. Disciplina? Sim, disciplina para conter os impulsos do egoísmo.

Quem ama verdadeiramente, busca antes alegrar a vida do outro com gestos de afetividade e de concessão.

Na longa trajetória humana, aos poucos vamos aprendendo a amar. Inicialmente, amamos poucos: família, amigos. Depois vamos ampliando o círculo.

Até que um dia, plenos de gratidão a Deus, olharemos para todas as Suas criaturas com tanta ternura que nosso coração transbordará de alegria.

Nesse dia, seremos incapazes de atos de crueldade. Nesse dia, então, haverá pleno amor em nós.

Redação do Momento Espírita
www.momento.com.br | suporte@momento.com.br

22 outubro 2007

Deficiente - Mário Quintana

DEFICIENTE
Autoria de Mário Quintana*

"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome,
de miséria. E só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um
amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois

"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.

*Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Nasceu em Alegrete na noite de 30 de julho de 1906
e faleceu em Porto Alegre,
em 5 de maio de 1994.

21 outubro 2007

Tarefa Espírita - Emmanuel

TAREFA ESPÍRITA

Todas as obras efetuadas realmente, em nome do Cristo, na Terra, excetuada a nossa humana participação, que habitualmente lhes desfigura a santidade e a beleza, são grandes e respeitáveis.

Sublimes foram todas as vidas asfixiadas no martírio e no sangue para que as sementes do Evangelho Redentor alcançassem a Humanidade e abençoado tem sido todo o esforço sincero na preservação dos tesouros da Boa Nova, seja ele realizado nas sombras do claustro ou no ambiente libertário e reformista da praça pública.

Todos os cooperadores fiéis de Jesus refletem-Lhe a Soberana Grandeza, merecendo, por isso, a nossa veneração.

A tarefa, porém, dos espíritas na atualidade, segundo cremos, dentro da condição de herdeiros de Sua Luz, reveste-se de considerável importância, de vez que, exumaram do tempo o Evangelho simples e puro, a despertar-lhes o coração para novo tipo de luta.

Não apenas o testemunho confessional que lhes revele o modo de sentir ou de crer...

Não somente o culto exterior, quase sempre inútil, mas, por vezes, repleto de sugestões valiosas...

Não apenas a oratória que defina os méritos de Senhor e Lhe proclame os dons Excelsos...

Não somente a arte, emoldurando-Lhe as manifestações para uso dos outros...

Não apenas o trabalho intelectual que esclarece a mente e prepara a convicção...

Mas, sobretudo, a propaganda de Jesus nas próprias vidas, para que a leitura da exemplificação convença e tranqüilize, liberte e renove a eira do mundo...

Para isso, a palavra, a fé, o entusiasmo e a monumentalização da beneficência humana são convocados, mas, acima de tudo, a esse material, é imprescindível oferecer ao Senhor, na pessoa dos semelhantes, o próprio coração em forma de amor puro e serviço incessante, sem desânimo e sem desespero, na certeza de que todos somos ovelhas do Divino Pastor, que somente nos pede submissão, em favor da própria felicidade, no grande caminho de retorno à Glória Celestial.

Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier
Ditado por EMMANUEL

Mensagem extraída do livro "A VERDADE RESPONDE"
Editora Ideal

20 outubro 2007

Perdão das Ofensas - Simeão

PERDÃO DAS OFENSAS
Simeão. (Bordéus, 1862.)

Quantas vezes perdoarei a meu irmão? Perdoar-lhe-eis, não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes. Aí tendes um dos ensinos de Jesus que mais vos devem percutir a inteligência e mais alto falar ao coração. Confrontai essas palavras de misericórdia com a oração tão simples, tão resumida e tão grande em suas aspirações, que ensinou a seus discípulos, e o mesmo pensamento se vos deparará sempre. Ele, o justo por excelência, responde a Pedro: perdoarás, mas ilimitadamente; perdoarás cada ofensa tantas vezes quantas ela te for feita; ensinarás a teus irmãos esse esquecimento de si mesmo, que torna uma criatura invulnerável ao ataque, aos maus procedimentos e às injúrias; serás brando e humilde de coração, sem medir a tua mansuetude; farás, enfim, o que desejas que o Pai celestial por ti faça. Não está ele a te perdoar freqüentemente? Conta porventura as vezes que o seu perdão desce a te apagar as faltas?

Prestai, pois, ouvidos a essa resposta de Jesus e, como Pedro, aplicai-a a vós mesmos. Perdoai, usai de indulgência, sede caridosos, generosos, pródigos até do vosso amor. Dai, que o Senhor vos restituirá; perdoai, que o Senhor vos perdoará; abaixai-vos, que o Senhor vos elevará; humilhai-vos, que o Senhor fará vos assenteis à sua direita.

Ide, meus bem-amados, estudai e comentai estas palavras que vos dirijo da parte dAquele que, do alto dos esplendores celestes, vos tem sempre sob as suas vistas e prossegue com amor na tarefa ingrata a que deu começo, faz dezoito séculos. Perdoai aos vossos irmãos, como precisais que se vos perdoe. Se seus atos pessoalmente vos prejudicaram, mais um motivo aí tendes para serdes indulgentes, porquanto o mérito do perdão é proporcionado à gravidade do mal. Nenhum merecimento teríeis em relevar os agravos dos vossos irmãos, desde que não passassem de simples arranhões.

Espíritas, jamais vos esqueçais de que, tanto por palavras, como por atos, o perdão das injúrias não deve ser um termo vão. Pois que vos dizeis espíritas, sede-o. Olvidai o mal que vos hajam feito e não penseis senão numa coisa: no bem que podeis fazer. Aquele que enveredou por esse caminho não tem que se afastar daí, ainda que por pensamento, uma vez que sois responsáveis pelos vossos pensamentos, os quais todos Deus conhece. Cuidai, portanto, de os expungir de todo sentimento de rancor. Deus sabe o que demora no fundo do coração de cada um de seus filhos. Feliz, pois, daquele que pode todas as noites adormecer, dizendo: Nada tenho contra o meu próximo.

Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo. 112a edição.
Capítulo X, Item 14.
Autor: Allan Kardec
Editora: FEB - Federação Espírita Brasileira

19 outubro 2007

O Brasil e a sua Missão Histórica de“Coração do Mundo e Pátria do Evangelho” - Bezerra de Menezes

O Brasil e a sua Missão Histórica de
“Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”

Meus filhos:

Prossegue o Brasil na sua missão histórica de “Pátria do Evangelho” colocada no “Coração do Mundo”.

Nem a tempestade de pessimismo que avassala, nem a vaga de dúvida que açoita os corações da nacionalidade brasileira impedirão que se consume o vaticínio da Espiritualidade quanto ao seu destino espiritual. Apesar dos graves problemas que nos comprometem em relação ao porvir – não obstante o cepticismo que desgoverna as mentes em relação aos dias do amanhã – o Brasil será pulsante coração espiritual da Humanidade, encravado na palavra libertadora de Jesus, que fulge no Evangelho restaurado pelos Benfeitores da Humanidade.

Não se confunda missão histórica do País com a competição lamentável, em relação às megalópoles do mundo, que triunfam sobre as lágrimas das nações vencidas e escravizadas pela política financeira e econômica internacional.

Não se pretenda colocar o Brasil no comando intelectual do Orbe terrestre, através de celebrações privilegiadas que se encarreguem de deflagrar as guerras de aniquilamento da vida física.

Não se tenham em mente a construção de um povo, que se celebrize pelos triunfos do mundo exterior, caracterizando-se como primeiro no concerto das nações.

Consideremos a advertência de Jesus, quando se reporta que “os primeiros serão os últimos e estes serão os primeiros”.

Sem dúvida, o cinturão da miséria sócio-econômica que envolve as grandes cidades brasileiras alarma a consciência nacional. A disputa pela venda de armas, que vem colocando o País na cabeceira da fila dos exportadores da morte, inquieta-nos. Inegável a nossa preocupação ante a onda crescente de violência e de agressividade urbana...

Sem dúvida, os fatores do desrespeito à consciência nacional e a maneira incorreta com que atuam alguns homens nas posições relevantes e representativas do País fazem que o vejamos, momentaneamente, em uma situação de derrocada irreversível.

Tenha-se, porém, em mente que vivemos uma hora de enfermidades graves em toda a Terra, na qual, o vírus da descrença gera as doenças do sofrimento individual e coletivo, chamando o homem a novas reflexões.

A História se repete!...

As grandes nações do passado, que escravizaram o mundo mediterrâneo, não se eximiram à derrocada das suas edificações, ao fracasso dos seus propósitos e programas; assírios e babilônios ficaram reduzidos a pó; egípcios e persas guardam, nos monumentos açoitados pelos ventos ardentes do deserto, as marcas da falência pomposa, das glórias de um dia; a Hélade, de circunferência em torno das suas ilhas, legou, à posteridade, o momento de ilusório poder, porém, milênios de fracassos bélicos e desgraças políticas.

As maravilhas da Humanidade reduziram-se a escombros: o Colosso de Rodes foi derrubado por um terremoto; o Túmulo de Mausolo arrebentou-se, passados os dias de Artemísia; o Santuário de Zeus, em Olímpia, e a estátua colossal foram reduzidos a poeira; os jardins suspensos de Semíramis arrebentaram-se e ficaram cobertos da sedimentação dos evos e das camadas de areia sucessivas da história. Assim, aconteceu com outros tantos monumentos que assinalaram uma época, porém foram fogos-fátuos de um dia ou névoa que a ardência da sucessão dos séculos se encarregou de demitizar e de transformar. Mas, o Herói Silencioso da Cruz, de braços abertos, transformou o instrumento de flagício em asas para a libertação de todas as criaturas, e a luz fulgurou no topo da cruz converteu-se em perene madrugada para a Humanidade de todos os tempos.

O Brasil recebeu das Suas mãos, através de Ismael, a missão de implantar no seu solo virgem de carmas coletivos, com pequenas exceções, a cruz da libertação das consciências de onde o amor alçará o vôo para abraçar as nações cansadas de guerras, os povos trucidados pela violência desencadeada contra os seus irmãos, os corações vencidos nas pelejas e lutas da dominação argentaria, as mentes cansadas de perquirir e de negar, apontando o rumo novo do amor para re restaurem no coração a esperança e a coragem para a luta de redenção.

Permaneçam confiantes, os espíritas do Brasil, na missão espiritual da “Pátria do Cruzeiro”, silenciando a vaga do pessimismo que grassa e não colocando o combustível da descrença, nem das informações malsãs, nas labaredas crepitantes deste fim de século prenunciador de uma madrugada de bênçãos que teremos ensejo de perlustrar.

Jesus, meus filhos, confia em nós e espera que cumpramos com o nosso dever de divulgá-lO, custe-nos o contributo do sofrimento silencioso e das noites indormidas em relação à dificuldade para preservar a pureza dos nossos ideais, ante as licenças morais perturbadoras que nos chegam, sutis e agressivas, conspirando contra nossos propósitos superiores.

Divulgá-lo, vivo e atuante, no espírito da Codificação Espírita, é compromisso impostergável, que cada um de nós deve realizar com perfeita consciência de dever, sem nos deixarmos perturbar pelos hábeis sofistas da negação e pelas arengas pseudo-intelectuais dos aranzéis apresentados pela ociosidade dourada e pela inutilidade aplaudida.

Em Jesus temos “o ser mais perfeito que Deus nos ofereceu para servir-nos de modelo e guia”; o meio para alcançar o Pai, Amorável e Bom; o exemplo de quem, renunciando-se a si mesmo, preferiu o madeiro de humilhação à convivência agradável com a insensatez; de quem, vindo para viver o amor, fê-lo de tal forma que toda a ingratidão de quase vinte séculos não lhe pôde modificar a pulcridade dos sentimentos e a excelsitude da mensagem. Ser espírita é ser cristão, viver religiosamente o Cristo de Deus em toda a intensidade do compromisso, caindo e levantando, desconjuntando os joelhos e retificando os passos, remendando as carnes dilaceradas e prosseguindo fiel em favor de si mesmo e da Era do Espírito Imortal.

Chamados para essa luta que começa no país da consciência e se exterioriza na indimensionalidade geográfica, além das fronteiras do lar, do grupo social, da Pátria, em direção do mundo, lutais para serdes escolhidos. Perseverai para receberdes a eleição de servidores fiéis que perderam tudo, menos a honra de servir; que padeceram, imolados na cruz invisível da renúncia, que vos erguerá aos páramos da plenitude.

Jesus, meus filhos – que prossegue crucificado pela ingratidão de muitos homens – é livre em nossos corações, caminha pelos nossos pés, afaga com nossas mãos, fala em nossas palavras gentis e só vê beleza pelos nossos olhos fulgurantes como estrelas luminíferas no silêncio da noite.

Levai esta bandeira luminosa: “Deus, Cristo e Caridade” insculpida em vossos sentimentos e trabalhai pela Era Melhor, que já se avizinha, divulgando o Espiritismo Libertador onde quer que vos encontreis, sem o fanatismo dissolvente, mas, sem a covardia conivente, que teme desvelar a verdade para não ficar mal colocada no grupo social da ilusão.

Agora, quando se abrem as portas para apresentar a mensagem do Cristo e de Kardec ao mundo, e logo mais, preparai-vos para que ela seja vista em vossa conduta, para que seja sentida em vossas realizações e para que seja experimentada nas Casas que momentaneamente administrais, mas que são dirigidas pelo Senhor de nossas vidas, através de vós, de todos nós.

O Brasil prossegue, meus filhos, com a sua missão histórica de “Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, mesmo que a descrença habitual, o cinismo rotulado de ironia, o sorriso em gargalhada estrídula e zombeteira tentem diminuir, em nome de ideologias materialistas travestidas de espiritualismo e destrutivas em nome da solidariedade.

Que nos abençoe Jesus, o Amigo de ontem – que já era antes de nós -, o Benfeitor de hoje – que permanece conosco -, e o Guia para amanhã – que nos convida a tomar do Seu fardo e receber o Seu jugo, únicos a nos darem a plenitude e a paz.

Muita paz, meus filhos!

São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra de Menezes

Revista Reformador - Nº 2053 - Abril de 2000

18 outubro 2007

A Hora da Decisão - Asdrúbal

A Hora da Decisão

A humanidade, que há dois mil anos negou a presença de Jesus, continua a recusar as luzes do espírito que brilham na mensagem preciosa do Consolador.

As lutas crescem. O ser humano busca algo, sem, contudo, querer aprofundar-se na intimidade das coisas, permanecendo, por isso, na terrível seqüência dos erros.

Cabe aos espíritas, nesta hora grave, fortalecerem-se no amor, atando-se uns aos outros pelos liames da fraternidade, a fim de enfrentarem as borrascas que desabam, violentas.

Jesus continua na Terra, consolando os aflitos, enxugando as lágrimas e ensinando aos homens o seu credo de amor...

Se a fé parece reduzir-se diante das falsas imposições da ciência pretensiosa, que pensa haver atingido o porque das coisas, Jesus a tudo assiste, guardando o seu amor, por igual, para todos.

Atravessamos a era das provetas e dos anticoncepcionais, como se a humanidade houvesse decretado a própria divinização, na ânsia de controlar e gerar a vida. Jesus, porém, a tudo presencia e, pacificamente, aceita a vontade dos homens; mas, embora exemplificando os princípios da não-violência, vai processando os reajustes necessários e inadiáveis.

Eis por que esta é a hora dos espíritas.

Se a atmosfera assim densa recobre a Terra de nuvens pesadas, tornando opressa a respiração dos homens, a Doutrina Espírita é a força que eclode para vencer todas as indecisões.

Aos espíritas, rogamos mantenham-se de pé, portando o Evangelho no coração!

A prática da virtude seja a vossa arma.

Agi de acordo com os princípios da não-violência do Mestre.

A hora do “basta” já se aproxima e ela soará, não para punir, mas para unificar os corações. Aguardai o porvir na confiança e na coragem, restaurando as vossas almas ao calor do estudo e da prece redentora. O momento que passa há de ser, também, o da vitória sobre a turbulência e sobre a descrença, e o da decisão dos homens pelo Reino de Jesus.

Ditado por Asdrúbal
Psicográfia recebida pela médium Dinorah Burgos,
em 23-4-1971,
na Seção-Brasília da Federação Espírita Brasileira,
no Distrito Federal
Brasil Espírita - Agosto de 1971

17 outubro 2007

Serenidade e Acomodação - Momento Espírita

SERENIDADE E ACOMODAÇÃO

Você já observou que um dos maiores inimigos do homem é a acomodação? Irmã da indiferença, aparentada com a preguiça, a acomodação é como uma doença que aos poucos paralisa as iniciativas humanas.

A acomodação vai contra o ritmo da vida. Sim, porque aqui na Terra tudo nos convida ao trabalho. A ação move a roda do progresso e é responsável pelos avanços humanos.

Sem trabalho, o homem se afasta de seu grupo social. Sem agir, ele se torna praticamente invisível aos outros. E assim foge ao contato que pode enriquecer sua experiência de vida.

Você já notou como há gente acomodada no Mundo? Pessoas que, à primeira dificuldade, simplesmente desistem. Outras há que sequer começam qualquer coisa que dê trabalho dobrado. São vítimas da preguiça.

É óbvio que essa acomodação não se restringe apenas ao trabalho. Quem é acomodado, leva isso para todos os demais aspectos da vida.

Assim, o acomodado não busca se aperfeiçoar ou se aprimorar. Pior: geralmente, costuma reclamar que não é valorizado. Esquece que não é valorizado porque está parado no tempo.

A atitude do acomodado é muito diferente da atitude de uma pessoa que enfrenta os acontecimentos da vida com serenidade. Vamos ver qual a diferença?

Sereno é aquele que, diante de uma situação adversa analisa todas as variáveis: verifica onde errou, como pode corrigir e pesa os prós e os contras.

Em geral, a pessoa realmente serena não se deixa perturbar pelas dificuldades, mas busca soluções.

O acomodado é bem diferente. Ele diz simplesmente: “Deus quis assim e eu não vou contra Ele”. E cruza os braços!

Ora, é indiscutível que tudo o que acontece é porque Deus permite. Também não se trata de ser contra a vontade divina. No entanto, as dificuldades chegam para que aprendamos a lidar com elas.

Ou seja: toda situação difícil traz uma lição. Mas esse aprendizado é longo e tem várias fases.

Depois de observar quais lições aprendemos com determinados episódios, o passo seguinte é verificar se podemos minimizar os efeitos negativos.

A diferença entre uma pessoa tranqüila e uma pessoa acomodada é que a segunda não aproveita a lição de forma completa.

Ela pára no meio do caminho. Quando algo aparentemente ruim acontece, chora, se lamenta e fica por isso mesmo.

Algumas vezes até permanece calma, mas não reflete, nem toma qualquer atitude para que no futuro não mais seja atingida por situações semelhantes.

Em verdade, o acomodado tem preguiça de pensar no que fará daí por diante. Para ele é mais fácil varrer as dificuldades para debaixo do tapete do esquecimento.

E esse conformismo paralisa a criatura, faz com que ela se torne apática, sem iniciativa.

Por isso, vale a pena observar os nossos atos perante a vida. Que estamos fazendo com as lições que Deus nos permite vivenciar?

Será que estamos aproveitando para mudar hábitos negativos? Para modificar a maneira de ver as coisas?

Não esqueça de que cada momento vivido é um instante único em nossa trajetória. Cada lágrima ou sorriso carrega consigo um mundo de ricas experiências que devemos aproveitar.

Pense nisso!
Redação do Momento Espírita
Site: www.momento.com.br

16 outubro 2007

A Linguagem dos Espíritos - Bezerra de Menezes

A Linguagem dos Espíritos

Os meios que os espíritos encontram para se comunicar são os pensamentos. Vejam vocês o problema da obsessão, da possessão...

O espírito não fala, no entanto localiza o seu perseguido. Ele localiza a criatura que tem débito para com ele através da erraticidade e o encontra. O encontra como? Pela força do pensamento.

O pensamento é a linguagem dos espíritos, a linguagem da alma. No momento em que estamos pensando, estamos gritando na erraticidade, em formas que se deliciam diante da visão daqueles que nos observam. Por isso, o ser encarnado é tão vulnerável, porque ele tem uma vida exterior, as vezes, incompatível com a sua vida interior.

Fala uma coisa e faz outra. Age de uma forma e, na verdade, é outra pessoa.

E instala, exatamente pelos pensamentos, a maior fonte de elevação de degradação do ser humano.

Podemos colocar em contato com os espíritos altamente superiores e deles receber orientações, porque possuímos aquelas micro ondas em nossas almas, que dispensam qualquer ligação, tal qual na Terra, também, se dispensa a ligação elétrica, tal o potencial das micro ondas.

Se estamos com o pensamento superior, se estamos agindo de forma sublimada, podemos atingir com a força do pensamento, altíssimas esferas e delas receber intuição, orientações e proteção.

Mas também podemos descer às enormidades das trevas e lá buscar aqueles degenerados da alma, com quem ontem nos comprazíamos em manter convívio e que, hoje, pela invigilância do pensamento, os despertamos do passado para a convivência do presente.

Por essa razão, devemos educar nossa mente, devemos pensar com responsabilidade, porque aquilo que pensamos é o que somos, não aquilo que falamos, porque a astúcia também ensina a falar certo.

Existem espíritos altamente trevosos que manipulam até mesmo o que há de mais puro e melhor nas criaturas, para retê-las. Portanto, devemos saber como agimos, como pensamos e, termos cuidado, muito cuidado, com a nossa mente.

Espírito Bezerra de Menezes
Psicofonia de Shyrlene S. Campos

15 outubro 2007

Depois da Morte - Léon Denis

DEPOIS DA MORTE

O homem é um ser complexo. Nele se combinam três elementos para formar uma unidade viva, a saber:

O corpo, envoltório material temporário, que abandonamos na morte como vestuário usado;

O perispírito, invólucro fluídico permanente, invisível aos nossos sentidos naturais, que acompanha a alma em sua evolução infinita, e com ela se melhora e purifica;

A alma, princípio inteligente, centro da força, foco da consciência e da personalidade.

A alma, desprendida do corpo material e revestida do seu invólucro sutil, constitui o Espírito, ser fluídico, de forma humana, liberto das necessidades terrestres, invisível e impalpável em seu estado normal. O Espírito não é mais que um homem desencarnado. Todos tornaremos a ser Espíritos. A morte restitui-nos à vida do espaço.

Que se passa no momento da morte?

Como se desprende o Espírito da sua prisão material?

Que impressões, que sensações o esperam nessa ocasião temerosa?

É isso o que interessa a todos conhecer, porque todos cumprem essa jornada. A vida foge-nos a todo instante: nenhum de nós escapará a morte.

Deixando sua residência corpórea, o Espírito purificado pela dor e pelo sofrimento, vê sua existência passada recuar, afastar-se pouco a pouco com seus amargores e ilusões; depois, dissipar-se como as brumas que a aurora encontra estendidas sobre o solo e que a claridade do dia faz desaparecer. O Espírito acha-se, então, como que suspenso entre duas sensações: a das coisas materiais que se apagam e a da vida nova que se lhe desenha à frente. Entrevê essa vida como através de um véu, cheia de encanto misterioso, temida e desejada ao mesmo tempo. Após, expande-se a luz, não mais a luz solar que nos é conhecida, porém uma luz espiritual, radiante, por toda parte disseminada.

Pouco a pouco o inunda, penetra-o, e, com ela, um tanto de vigor, de remoçamento e de serenidade. O Espírito mergulha nesse banho reparador. Aí se despoja de suas incertezas e de seus temores. Depois, seu olhar destaca-se da Terra, dos seres lacrimosos que cercam seu leito mortuário, e dirige-se para as alturas. Divisa os céus imensos e outros seres amados, amigos de outrora, mais jovens, mais vivos, mais belos que vêm recebê-lo, guiá-lo no seio dos espaços. Com eles caminha e sobe às regiões etéreas que seu grau de depuração permite atingir. Cessa, então, sua perturbação, despertam faculdades novas, começa o seu destino feliz.

A entrada em uma vida nova traz impressões tão variadas quanto o permite a posição moral dos Espíritos.

Extraído do livro “Depois da Morte” de Léon Denis.

14 outubro 2007

Sacerdote Católico Que Eu Fui - Emmanuel

"SACERDOTE CATÓLICO QUE EU FUI"

Eis o que nos diz Emmanuel sobre sua morte:

“Minha agonia não foi prolongada, apesar da moléstia física que me prostrou o organismo combalido na luta, por muitos dias; sacerdote católico que fui em minha derradeira existência, tive a felicidade de conservar integérrimos os meus sentimentos de fé, até o supremo minuto.

A princípio experimentei a paralisia parcial dos meus órgãos, que se sentiam avassalados por uma onda de frio, e os meus padecimentos corporais localizavam-se em diversos pontos orgânicos, recrudescendo assustadoramente.

Afigurava-se-me que todas as glândulas, mormente, as sudoríferas trabalhavam com excesso para eliminar algo de intoxicante e destruidor que se apossava dos meus centros de força; minha vontade dominadora enviava as suas últimas mensagens ao sistema nervoso e a fé, nesses martirizantes segundos, constituiu para mim uma alavanca prodigiosa de amparo e controle.

Sentia que todas as minhas vísceras, todos os meus nervos desenvolviam uma atividade exortante para que se não apagasse a derradeira centelha de vida que os mantinha coesos, evitando assim a fuga de minh’alma.

Notei porém que uma nuvem esbranquiçada ia-se formando ao meu lado, justaposta ao meu corpo e quando orava fervorosamente via aumentar-se com fragmentos da mesma matéria fluídica que me era desconhecida e que se me afigurava composta de infinitésimos átomos luminosos, distendendo-se aqueles fragmentos fantásticos que os meus olhos divisavam estupefatos, sem poder articular mais um vocábulo sentindo a glote coberta de intumescências, experimentei-me na posse de uma visão e audição extraordinárias, como se me encontrasse dentro de outra vida, perdurando este estado com intermitências; senti, porém, que se passava em mim algo de super ordinário.

Uma sensação intraduzível de sofrimento me subjugava, todavia, simultaneamente, afigurava-se-me que muitas mãos pousavam sobre a minha epiderme como se me submetessem a operações mesméricas.”

Mais adiante, dando-nos a entender que, no Além, a alma atravessa uma fase durante a qual espíritos protetores, no sentido talvez de lhe evitar um choque, a preparam, habilmente, para a revelação da sua morte terrena, diz-nos Emmanuel:

“Adormeci numa noite sem visões e sem sonhos; passada, porém, uma fração de tempo que não me é possível precisar, acordei-me sobre um leito alvíssimo como se fora obrigado a repousar em uma cama higiênica de hospital; rajadas de ar puro sutilíssimo inundavam o meu aposento, onde eu experimentava um inexprimível bem-estar. Curado? Como se operara o milagre? Sentia-me restabelecido, com a minha saúde integral, com serenidade invejável aliada a uma ótima disposição para a vida e para a atividade.

Onde estariam os meus familiares que não se abeiravam do meu leito para me felicitar pela obtenção de tão preciosa dádiva divina? Chamei-os nominalmente, empolgado pelo júbilo que fazia vibrar todas as fibras de minh’alma. Eis que se me apresentou alguém, trajado como se fosse um médico vulgar e aconselhou-me repouso absoluto e absoluta serenidade de ânimo.

Inquiri-o sobre os seus miraculosos processos de tratamento; todavia o interpelado, alçando a destra para o Alto, respondeu com paciência e brandura: - “Tende calma. Não estais sendo tratado segundo a nosologia clássica”.

Prescreveu-me conselhos morais e salutares advertências. Aí permaneci ainda por algum tempo e tive oportunidade de notar, com admiração justificável, a atuação da minha vontade sobre todos os elementos que me cercavam; recordo-me firmemente do meu crucifixo de prata pendido constantemente sobre a minha cabeceira e eis que no local de minha preferência, atendendo ao meu desejo veemente, apareceu-me esse objeto de estima.

Tomei-o admirado em minhas mãos, apalpando-lhe os contornos e inquirindo se não era vítima de um fenômeno alucinatório e, como inúmeros fatos semelhantes ocorreram, eles me obrigavam a meditar sobre a influência do meu pensamento nos fluidos e matérias circunstantes.

Pouco a pouco, entidades zelosas e protetoras encaminharam-me para o conhecimento do meu próprio “eu” no “post-mortem”, até que cheguei a compreender essa transformação da existência corporal como uma bênção divina.

Pude então gozar de afetos ilibados que jamais deixara sob o pó do esquecimento, revendo seres bem amados e almas queridas”.

A mensagem de que tiramos esses trechos tem a data de 15 de maio de 1934, recebida por Chico Xavier, à noite, em sua casa, antes de entrar no período de seu repouso normal.

A reportagem foi feita pelo jornalista Clementino de Alencar em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, especialmente para o jornal “O Globo”, editado na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, e publicada na edição de 4 de junho de 1934. Trata-se de um documento histórico dos primeiros tempos da missão mediúnica do médium Chico Xavier, transcrito do livro “Notáveis Reportagens com Chico Xavier”, 1ªedição em dezembro/2002 – Instituto de Difusão Espírita – IDE, Caixa Postal, 110 – 13602-970 – Araras SP – SITE www,ide.org.br – E-mail: vendas@ide.org.br ou info@ide.org.br

Luz do Evangelho. 1ª de Agosto de 2003

13 outubro 2007

Inimizades - Joanna de Ângelis

INIMIZADES

Herança preponderante em a natureza humana,que procede do primarismo ancestral, a inimizade é expressão inferior que ergastula a sua vitima à selvageria da qual se deveria libertar.

A conquista da paz e do amor, que leva à saúde integral, faz-se lentamente, através da superação dos impulsos violentos dos instintos dominadores, que insistem em permanecer.

A inimizade é o fenômeno perturbador que instala cizânia e turbulência onde medra e em quem se instala.

Irradia-se como um morbo pestífero, contaminando todos quantos a enfrentam, porque se utiliza da mentira a da calúnia para dominar as mentes e envenenar os corações.

Apóia-se em argumentos doentios quanto falsos, pretendendo defender falsamente a dignidade que se lhe apresenta ferida e exige reparação do que considera como ofensa, desconsideração ou afronta...

Essa conduta é filha predileta do egoísmo, que se expressa como prepotência ou jactância que o orgulho intoxica.

À medida, porém, que o Espírito se liberta das injunções penosas dos atavismos primários, a inimizade cede passo à tolerância e à compreensão das ocorrências que afetam todas criaturas.

Em passo relativamente próximo, a cultura hedonista, extravagante e perversa utilizava-se do duelo para reparar aparentes ou reais danos morais, afrontar adversários legítimos ou pressupostos, transferindo os ódios para futuro espiritual, infelizmente programando renascimento dolorosos, obsessões cruéis até o momento em que o amor em forma de perdão venha libertar os atormentados litigantes.

Um inimigo desencarnado é mais perturbador e virulento do que mergulhado no corpo físico.

Hoje, no entanto, é quase igual a conduta humana em relação aos inimigos.

O progresso moral dos povos eliminou esse tipo de homicídio legal em nome da honra.

No entanto, o processo de evolução individual não conseguiu modificar as paisagens íntimas das criaturas, nas quais o duelo mental permanece hediondo, engendrando combates e vinganças terríveis, em nome da alucinação de que se fazem vítimas.

As inimizades, geradas pelos embates e incompreensões do inter-relacionamento pessoal, ou resultante das antipatias que medram insensatamente, devem ser enfrentadas mediante

Reflexões de paz através de orações em favor daqueles cujas vibrações de rancor buscam encontrar campo mental e emocional naqueles contra os quais são direcionadas.

Inimigos repontam, inevitavelmente, em todo lugar, confirmando o estágio de evolução do planeta terrestre, que ainda hospeda incontáveis Espíritos em fase de desenvolvimento evolutivo inferior.

Encontram-se abençoados certamente pela oportunidade para crescer e libertar-se das faixas constritoras do primitivismo no qual estorcegam..

Comprazem-se, no entanto, em perseguir, em malsinar, em descarregar as energias mórbidas naqueles com os quais antipatizam.

Não são necessariamente vítimas solicitando reparação, cobrando dívidas espirituais, mas criaturas estúrdias, invejosas, que necessitam de compaixão e de fraternidade, nunca de revide ou combate.

Implicam com facilidade e voltam-se contra as demais com ferocidade estranha e insistente, que lhes constitui estímulo e motivação para continuarem a viver...

Não sabem caminhar ao lado, preferindo estar contra, ao invés de cooperando, dificultando o acesso ao progresso.

Insistem em permanecer na conjuntura perturbadora, que lhes parece fazer bem, embora os danos morais profundos, fechando os sentimentos e a razão a qualquer possibilidade de mudança de conduta.

Desde que não as podes evitar, porquanto sempre as defrontarás pelo caminho de ascensão,

não lhes sintonizes com os pensamentos deletérios, nem lhes dês ocasião de debater, explicando-te ou procurando parlamentar fraternalmente.

Nada que justifique a inimizade sob o ponto de vista moral e racional.

Trata-se de uma quase irracionalidade.

Segue, porém, adiante, sem te fixares nesses irmãos infelizes da retaguarda espiritual. Nunca revides por palavras, atos ou sequer pensamentos.

Eles necessitam de socorro e da terapia da misericórdia que dimana do amor.

Tenta entendê-los e não lhes comentes a enfermidade espiritual, ampliando o campo de ação perturbadora.

Faze silêncio em torno das suas agressões e não dês maior importância aos ultrajes que te dirigem.

O tempo, esse grande educador, e as Soberanas Leis despertá-los-ão conforme a ti mesmo aconteceu.

Aprende com eles paciência e humildade.

Fazendo-se teus algozes, constituirão teus mestres, porque te ensinarão bondade sob perseguições e amor em situações penosas.

O diamante que brilha experimentou o buril e o cinzel que lhe retiram a ganga, oferecendo-lhe beleza e majestade.

Jesus, o Amigo por excelência, não obstante a dedicação total à Humanidade, não passou incólume entre esses pobres e infelizes membros da comunidade humana.

Uns odiaram-nO por inveja; outros o detestaram pela impossibilidade de fazerem o que Ele realizava; mais outros, vitimados pelo despeito e amargurados pela própria pequenez perseguiram-nO; todos, no entanto, porque se não amavam a si mesmos, soberbos e egoístas, por detectarem a grandeza dEle e a inferioridade pessoal.

Urdiram tramas hediondas, disseminaram calúnias, perseguiram-nO, crucificaram-nO, e Ele, não obstante, retornou para erguê-los do paul moral onde se encontravam na direção do Reino, em gloriosa ascensão reparadora.

Faze o mesmo. Mas se te faltarem os valores hábeis para esse cometimento libertador, perdoa-os e segue em paz, não sendo inimigo de ninguém, embora haja aqueles que preferiram ser teus inimigos.

Ditado por Joanna de Ângelis
Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco,
na reunião mediúnica da noite de 26 de junho de 2000,
no
Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador,
Bahia
A Luz de Damasco – Outubro de 2000

12 outubro 2007

Dia das Crianças - Lauro Kisielewicz

DIA DAS CRIANÇAS

Você criança, que vive a correr, é
a promessa que vai acontecer.

É a Esperança do que poderíamos ser,
é a inocência que deveríamos ter.

Você criança de qualquer idade, vivendo
entre o sonho e a realidade, espargem
pelas ruas da cidade, suas lições
de Amor e de Simplicidade!

Criança que brinca, corre, pula e grita.
Mostra para o mundo como se deve
viver cada momento, como quem
acredita em um mundo melhor
que ainda vai haver!

Você é como uma raio de luz a iluminar
nossos caminhos, assemelhando-se
ao Menino Jesus, encanta-nos
com todo teu Carinho!

Você é a criança que um dia vai crescer,
a promessa que um dia, vai se realizar,
a Esperança para a humanidade se
entender, a realidade que o nosso
adulto precisa ver e também
aprender a ser...

Feliz dia das Crianças!

Lauro Kisielewicz

imagens - SpicyProfile.com

As Asas da Libertação - Joanna de Ângelis

AS ASAS DA LIBERTAÇÃO

Se pretendes mergulhar nos fluidos superiores da Vida, desvendando os complexos mecanismos da existência, ora e medita.

A prece levar-te-á ao norte seguro e a meditação fixar-te-á no centro das aspirações superiores, harmonizando-te.

Se desejas permanecer em paz integral, consolidando as conquistas espirituais, renuncia e esquece todo o mal.

A renúncia ensinar-te-á libertação das coisas e das conjunturas afligentes e o esquecimento de qualquer mal ser-te-á o pilotis para a libertação plena.

Se planejas integração no bem, ampliando a visão do amor, trabalha e serve ao próximo.

O trabalho enriquecer-te-á de valores inquestionáveis e o serviço da caridade ao próximo, proporcionar-te-á oportunidade de iluminação pessoal com doação de felicidade aos outros.

Se queres a consciência tranqüila no teu processo de busca e de redenção, persevera e acompanha os que sofrem, não os deixando a sós.

A perseverança no bem dar-te-á generosidade natural e a companhia ao lado dos infelizes far-te-á sábio pelas técnicas de amor que aprenderás a utilizar para o êxito no ministério.

As duas primeiras linhas do comportamento podem ser a tua vertical de silencioso crescimento para Deus, na luta íntima, sem testemunhas, muitas vezes chorando e sofrendo, como se o solo da alma fosse rasgado para que se fixasse a trave em que te apóias e amparas.

As duas atitudes outras são a linha horizontal da tua vivência espiritual e fraterna com as criaturas humanas do teu caminho.

Já não é a busca em estrangulamento das paixões, mas a doação em sorrisos de alegria, distribuindo estímulos e coragem em nome do amor que reflete o Grande Amor.

Uma cruz a tua vida!

Nela, de braços abertos, tu te encontras.

Já não há dor, nem aflição.

Lentamente verás transformar-se a trave horizontal em asas de luz, e, livre, ascenderás na direção do Sublime Crucificado, que a todos nos aguarda em confiança de paz.

Ditado por Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P. Franco - Otimismo

11 outubro 2007

Advertência Preciosa - Lima

ADVERTÊNCIA PRECIOSA

A fase terminal de nossas tarefas, na noite de 12 de agosto de 1954, trouxe-nos à presença antigo companheiro de lides espíritas em Belo Horizonte, que passaremos a nomear simplesmente por Irmão Lima, já que o respeito fraternal nos impede identificá-lo plenamente.
Lima, que era pai de família exemplar, desfrutava excelente posição social e, por muitos anos, exerceu os dons mediúnicos de que era portador em ambientes íntimos. Em 1949, como que minado por invencível esgotamento, suicidou-se sem razões plausíveis, trazendo, com isso, dolorosa surpresa a todos os seus amigos. Na noite a que nos referimos, naturalmente trazido por Amigos Espirituais, utilizou-se das faculdades psicofônicas do médium e ofertou-nos o relato de sua história comovente, que constitui para nós todos uma advertência preciosa.

Venho da escura região dos mortos-vivos, à maneira de muitos vivos-mortos que se agitam na Terra. O Espiritismo foi minha grande oportunidade. Fui médium. Doutrinei. Contribuí para que os irmãos sofredores e transviados recebessem uma luz para o caminho.

Recolhi as instruções dos mestres da sabedoria e tentei acomodar-me com as verdades que são hoje o vosso mais alto patrimônio espiritual.

Fui consolado e consolei.

Doentes, enfraquecidos, desesperados, tristes, fracassados, desanimados, derrotados da sorte, muitas vezes se reuniam junto de nós e junto de mim...

Através da oração, colaborei para que se lhes efetivasse o reerguimento.

Mas, no círculo de minhas atividades, a dúvida era como que um nevoeiro a entontecer-me o espírito e, pouco a pouco, deixei-me enredar nas malhas de velhos inimigos a me acenarem do pretérito que guarda sobre o nosso presente uma atuação demasiado poderosa para que lhe possamos entender, de pronto, a evidência...

E esses adversários sutilmente me impuseram à lembrança o passado que se desenovelou, dentro de mim, fustigando-me os germes de boa-vontade e fé, assim como a ventania forte castiga a erva tenra.

Enquanto a vida foi árdua, sob provações aflitivas, o trabalho era meu refúgio. No entanto, à medida que o tempo funcionava como calmante celeste sobre as minhas feridas, adoçando-me as penas, o repouso conquistado como que se infiltrou em minha vida por venenoso anestésico, através do qual as forças perturbadoras me alcançaram o mundo íntimo.

E, desse modo, a idéia da autodestruição avassalou-me o pensamento. Relutei muito, até que, em dado instante, minha fraqueza transformou-se em derrota.

Dizer o que foi o suicídio para um aprendiz da fé que abraçamos, ou relacionar o tormento de um espírito consciente da própria responsabilidade é tarefa que escapa aos meus recursos.

Sei somente que, desprezando o meu corpo de carne, senti-me sozinho e desventurado.

Perambulei nas sombras de mim mesmo, qual se estivera amarrado a madeiro de fogo, lambido pelas chamas do remorso.

Após muito tempo de agoniada contrição, percebi que o alívio celeste me visitava. Senti-me mais sereno, mais lúcido...

Desde então, porém, estou na condição daquele rico da parábola evangélica, porque muitos dos encarnados e desencarnados que recebiam junto de mim as migalhas que nos sobravam à mesa surgem agora, ante a minha visão, vitoriosos e felizes, enquanto me sinto queimar na labareda invisível do arrependimento, ouvindo a própria consciência a execrar-me, gritando:

-Resigna-te ao sofrimento expiatório! Quando te regalavas no banquete da luz, os lázaros da sombra, hoje triunfantes, apenas conheceram amarguras e lágrimas!...

Imponho-me, assim, o dever de clamar a todos os companheiros quanto aos impositivos do serviço constante.

A ação infatigável no bem é semelhante à luz do Sol, a refletir-se no espelho de nossa mente e a projetar-se de nós sobre a estrada alheia. Contudo, no descanso além do necessário, nossa vida interior passa a retratar as imagens obscuras de nossas existências passadas, de que se aproveitam antigos desafetos, arruinando-nos os propósitos de regeneração.

Comunicando-me convosco, associo-me às vossas preces.

Sou o vosso Irmão Lima, companheiro de jornada, médium que, por vários anos, guardou nas mãos o archote da verdade, sem saber iluminar a si próprio.

Creio que um mendigo ulcerado e faminto à vossa porta não vos inspiraria maior compaixão.

Cortei o fio de minha responsabilidade...

Amigos generosos estendem-me aqui os braços, no entanto, vejo-me na posição do sentenciado que condena a si mesmo, porquanto a minha consciência não consegue perdoar-se.

Sinto-me intimado ao retorno...

A experiência carnal compele-me à volta.

Antes, porém, da provação necessária, visito, quanto possível, os ambientes familiares de nossa fé, buscando mostrar aos irmãos espiritistas que a nossa mesa de fraternidade e oração simboliza o altar do amor universal de Jesus-Cristo.

Temos conosco aquele cenáculo simples, em que o Senhor se reuniu aos companheiros de sublime apostolado...

De todas as religiões, o espiritismo é a mais bela, por facultar-nos a prece pura e livre, em torno desse lenho sagrado, como sacerdotes de nós mesmos, à procura da inspiração divina que jamais é negada aos corações humildes, que aceitam a dor e a luta por elementos básicos da própria redenção.

Estou suplicando ao Senhor me conceda, oportunamente, a graça de reencarnar-me num bordel. Isso por haver desdenhado o lar que era meu templo...

Indispensável que eu sofre, para redimir-me, diante de mim mesmo.

Não mereço agora o sorriso e os braços abertos de nossos benfeitores, perante o libelo de meu próprio juízo.

Cabia-me aproveitar o tesouro da amizade, enquanto o dia era claro e quando o corpo carnal - enxada divina - estava jungido a minha existência como instrumento capaz de operar-me a renovação.

Ah! meus amigos, que as minhas lágrimas a todos sirvam de exemplo!...

Sou o trabalhador que abandonou o campo antes da hora justa... O tormento da deserção dói muito mais que o martírio da derrota.

Devo regressar...Reentrarei pela porta da angústia.

Serei enjeitado, porque enjeitei...

Serei desprezado, por haver desprezado sem consideração...

E,mais tarde, encadear-me-ei, de novo, aos velhos adversários. Sem a forja da tentação, não chegaremos ao reajuste.

Rogo, pois, a Deus para que o trabalho não se afaste de minhas mãos e para que a aflição não me abandone... Que a carência de tudo seja socorro espiritual em meu benefício e, se for necessário, que a lepra me cubra e proteja para que eu possa finalmente vencer.

Não me olvideis nas vibrações de amizade e que Jesus nos abençoe.

Ditado por Lima
Psicografia de Chico Xavier
Livro Instruções Psicofônicas

10 outubro 2007

Milagres em Todo Lugar - Momento Espírita

MILAGRES EM TODO LUGAR

“Não há palavra capaz de dizer, quanto eu me sinto em paz perante Deus e a morte.

Escuto e vejo Deus em todos os objetos, embora de Deus mesmo eu não entenda nem um pouquinho...


Ora, quem acha que um milagre é alguma coisa demais?


Por mim, de nada sei que não sejam milagres...

Cada momento de luz ou de treva é para mim um milagre, milagre cada polegada cúbica de espaço.

Cada metro quadrado de superfície da terra está cheio de milagres, e cada pedaço do seu interior está apinhado deles.


O mar é para mim um milagre sem fim: os peixes nadando, as pedras, o movimento das ondas, os navios que vão com homens dentro.”


Walt Whitman, autor destes versos, confessa que não entende Deus, mas O sente profundamente nas coisas da vida.

Neste poema, intitulado “Milagres”, ele vai descrevendo detalhada e apaixonadamente, tudo que lhe mostra com clareza a presença desses milagres.

Por vezes são coisas tão simples, como sentar à mesa e fazer uma refeição com sua mãe, ou sentar debaixo de uma árvore com alguém que ama, ou ainda observar os animais se alimentando no campo.

O poema é uma descrição de dezenas de imagens, situações e fatos, que ele considera como milagres.

Uma narração arrebatadora de alguém que consegue, simplesmente, perceber as belezas da vida.

Um encontro de uma alma com a riqueza do singelo.

Contemplação enlevada do que para muitos já passa despercebido, sem ser notado...

Onde foi parar nossa sensibilidade para essas coisas? Onde foi parar nosso encantamento com a vida?

Por que não enxergamos mais os milagres que cintilam no véu da noite, e que são cores sob o astro rei do dia?

Uma série de anúncios de televisão mostrou algo muito interessante. Em um deles, mostrava muitas pessoas fechadas num escritório, trabalhando.

Uma delas então, começava ir, de sala em sala, dizendo algo como “Venham ver! É incrível!”

A notícia se espalhou e todos começaram a sair correndo de seus postos de trabalho para irem em direção a uma grande janela que havia no prédio.

Quando finalmente todos chegaram lá, estavam anestesiados e encantados com a imagem: era um pôr-do-sol. E diziam: “Nossa, um pôr-do-sol, que lindo! Inacreditável!”

Possivelmente, há tanto tempo não viam o sol se pôr, que haviam esquecido quanto era belo.

Acostumamos com muitas coisas e deixamos de perceber o quanto são grandiosas.

Acostumamo-nos com as pessoas, e esquecemos de dizer o quanto são importantes para nós.

Acostumamos com tudo que temos, e nem temos mais tempo de agradecer...

Precisamos voltar a nos surpreender com a vida, com as pessoas, conosco mesmo.

Quantos “milagres” acontecendo neste exato instante?

Quanto mais pudermos identificá-los e senti-los, mais próximos poderemos estar deste estado d´alma que pode afirmar:

“Não há palavra capaz de dizer quanto eu me sinto em paz perante Deus e a morte.
Ora, quem acha que um milagre é alguma coisa demais? Por mim, de nada sei que não sejam milagres...”

Redação do Momento Espírita com base no poema “Milagres”
de Walt Whitman, do livro Folhas de Relva, ed. Brasiliense, 1983.

Site www.momento.com.br

09 outubro 2007

O Poder da Prece - Edvaldo Kulcheski

 
O PODER DA PRECE

A prece é uma manifestação da alma em busca da Presença Divina ou de seus prepostos. Ela deve ser despida de todo e qualquer formalismo. É uma conversa com Deus ou seus prepostos.

Devemos nos despojar da ignorância e da perturbação que o mal engendra em nós e aos poucos iremos descobrindo que, pela prece, conseguiremos muita coisa em nosso benefício espiritual e dos nossos semelhantes e acionaremos com naturalidade o mecanismo do auxílio que ela nos propicia.

Por depender fundamentalmente da sinceridade e da elevação com que é feita, devemos encarar a prece como manifestação espontânea e pura da alma, e não apenas como um repetir formal de termos alinhados convencionalmente, de peditório interminável ou de fórmula mágica para afastar o sofrimento e o problema que nos atinge.

Através da prece sincera e verdadeira abrimos as comportas da nossa alma, emitindo potentes irradiações dos pensamentos aliadas às irradiações dos sentimentos, que são dirigidas através da nossa vontade em direção ao Alto.

As irradiações do nosso pensamento e sentimento são propagadas pelo fluido universal, indo atingir seres (encarnados ou não) ou planos de energia, formando-se entre nós e eles uma corrente fluídica. Durante o processo da prece concentramos energia positiva a nossa volta.

Como disse, a prece é “uma conversa com Deus” ou com seus prepostos. Tudo numa conversa deve nascer espontaneamente, segundo as necessidades e finalidades da mesma, e não uma repetição de termos que no mais das vezes são ininteligíveis para quem os profere.

Não há posturas nem fórmulas especiais para a oração, pois ela é uma ação espiritual. A forma de nada vale, o que prevalece é o conteúdo; a atitude é eminentemente espiritual, íntima. Atitude convencional, posição externa e ritual são vestes dispensáveis ao ato de orar. A prece não precisa ter nada de convencional.

Devemos orar com humildade: Temos de reconhecer nossa necessidade e estarmos receptivos. Na parábola do Fariseu e do Publicano (Lucas, 18 vs 10-14), o primeiro orava com orgulho, achando-se muito correto e melhor que os outros, enquanto que o publicano se reconhecia errado e pedia misericórdia; o fariseu continuou como estava; o publicano recebeu o amparo pedido.

Devemos orar sem ressentimentos: Não devemos estar em clima de mágoas ou desejo de vingança. Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e se tiverdes algum ressentimento contra alguém ou te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta. (Mateus, 5, 23-24).

Devemos orar com simplicidade: Não há necessidade de ostentação, exterioridades (gestos e posições especiais). E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e, fechada a porta, ora a teu Pai em secreto. (Mateus, 6 vs.5-8).

Devemos orar sem exageros: Não há necessidade de verbosidade excessiva. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais. (Mateus, 6 vs. 5-8).

Como resultado da oração, temos uma extensa variedade de efeitos, sempre benéficos, tais como, o exame melhor e de um ponto de vista superior do assunto que nos preocupa, permitindo vermos novos ângulos e encontrarmos solução para eles ou, ao menos, motivos de aceitação ou superação. Captação de pensamentos e energias reconfortantes, fortalecedoras e a atração de bons espíritos, que nos ajudarão de todas as maneiras possíveis, até mesmo intervindo na solução dos problemas, se as leis divinas permitirem.

Por tudo isso, o que, antes de orarmos, parecia insolúvel ou insuportável, depois de orarmos encontramos a solução ou, ao menos, se torna suportável, porque ficamos mais esclarecidos a respeito ou mais fortalecidos para enfrentar e vencer.

Todos esses benefícios que obtemos para nós com a prece podemos proporcionar a outras pessoas quando oramos por elas. Podemos orar, também, pelos desencarnados. Os espíritos, como os encarnados, gostam de ser lembrados nas vibrações benéficas da prece. “Os espíritos sofredores, ao serem lembrados, sentem-se menos abandonados e infelizes; as preces lhes aliviam os sofrimentos e os orientam para o arrependimento e a recuperação espiritual” (O Céu e o Inferno, de Allan Kardec).

Mas, adianta orar quando a pessoa não se ajuda? É sempre um alívio, mas devemos ajudar em pensamentos, em palavras e em ações.

Ajudar em pensamento é orar pela pessoa. Uma prece já os alivia. Mentalizar a pessoa que queremos ajudar, imaginando-a “à imagem e semelhança de Deus”. Essa emissão de energia positiva através da oração vai minando as energias negativas. Com o passar dos dias poderemos notar a diferença. Quando a pessoa estiver mais receptiva é porque está começando a estabelecer sintonia. Em muitos casos a própria pessoa vai pedir para ser ajudada, e aí é a hora de conversar, pois agora ela irá nos ouvir.

Ajudar em ação é estender a mão caridosa de forma incondicional. É não lhe ter ódio, nem rancor, nem desejo de vingança. É não criar qualquer obstáculo à reconciliação.

Os tipos de prece

A prece, sendo uma manifestação inteligente dos sentimentos da criatura humana, pode ser catalogada em vários tipos. Assim, basicamente, há prece de pedido, de reconhecimento e de louvor.

A prece de pedido é a que a criatura faz solicitando alguma coisa. Pedir é recorrer ao Pai Todo-Poderoso em busca de luz, equilíbrio, forças, paciência, discernimento e coragem para lutar contra as forças do mal. Quando o pedido for de interesse próprio ou intercessório, mais do que pedir o afastamento do sofrimento, do problema ou da dor, devemos solicitar condições e forças para superá-los e com eles aprender alguma coisa. Às vezes, o remédio é o sofrimento, e só porque ele é amargo não vamos deixar de nos beneficiar com ele. Porém, na maioria das vezes, pedimos o que não se deve.

A prece de reconhecimento é feita com vistas a agradecermos as inúmeras bênçãos de que somos alvos e que nem sempre sabemos reconhecer. A vida, a saúde, a família, os amigos, o trabalho, enfim, tudo o que nos cerca e deixamos de observar e dar o devido valor porque nos preocupamos somente com problemas materiais.

A prece de louvor é o reconhecimento e exaltação de Deus em tudo o que Ele criou. É enaltecer os desígnios de Deus sobre todas as coisas, aceitando-O como Ser Supremo. É a nossa aceitação e alegria por tudo o que nos rodeia e que está tão bem feito, tão justo, tão equilibrado.

No início das reuniões espíritas ou umbandistas se faz uma prece com para que o ambiente espiritual se torne favorável e as pessoas adquiram padrão vibratório que as torne em condições de receber os fluídos preparados pela espiritualidade.

Para isso, temos que fazer com que as vibrações de todos os presentes se elevem e se eqüalizem a um nível de muito equilíbrio. Os espíritos certamente fazem a parte deles e nós encarnados temos um papel muito importante nesta etapa.

Os presentes mais harmonizados que tiveram um dia mais tranqüilo devem dividir suas energias salutares com os presentes que estejam com suas energias debilitadas, porque tiveram um dia conturbado e desgastante. Desta forma, todos entram em sintonia com os espíritos elevados presentes para ajudar. No término das reuniões se faz uma prece com vistas a agradecer todo o auxílio espiritual recebido durante a reunião.

Por Edvaldo Kulcheski Artigo publicado na edição 45
da Revista Cristã de Espiritismo