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31 maio 2011

Exaltando O Livro dos Médiuns - Vianna de Carvalho


Exaltando O Livro dos Médiuns


Allan Kardec, o missionário da Era Nova, havia anunciado na Revista Espírita de 1861, que entre os dias 05 a 10 de janeiro do novo ano, seria apresentado ao conhecimento público O Livro dos Médiuns, pelos editores Srs. Didier & Cia, o que viria concretizar-se, logo depois, no dia 15.

A obra monumental era aguardada com grande curiosidade e interesse, porquanto já vinha sendo anunciada desde algum tempo.

Em razão do êxito retumbante da publicação de O Livro dos Espíritos, quatro anos antes, o ilustre mestre preocupava-se com a complexidade da fenomenologia mediúnica, os seus desafios, as diferentes expressões da mediunidade, a interferência dos Espíritos frívolos e obsessores nas práticas espíritas e, para minimizar ou evitar as consequências, podendo ser algumas desastrosas, ele publicara anteriormente uma Instrução Prática, oferecendo um guia de segurança para as experimentações. Especialmente cuidava de oferecer um roteiro esclarecedor que servisse de segura diretriz de condutas experimentais para os médiuns.

Esgotando-se com grande rapidez, o nobre codificador reconheceu que uma nova edição da obra iria exigir um trabalho cuidadoso de aprimoramento e de lapidação, sendo necessária uma ampliação de conteúdos com novas observações resultantes dos estudos a que se afervorava, havendo conseguido fazê-lo na que estava sendo apresentada.

Teve o zelo de retirar algumas informações que já se encontravam em O Livro dos Espíritos, especializando o vocabulário e aprofundando as questões pertinentes aos médiuns, àqueles que se dedicam às experimentações e à imensa gama de fenômenos por ele observados.

Convencido da seriedade do Espiritismo, e depois da ampla divulgação da sua filosofia, tornava-se indispensável a contribuição de um tratado de alta magnitude com caráter científico para prevenir os incautos e bem conduzir os pesquisadores sérios.

Iniciando o notável livro pelas noções preliminares(*),depois da bem-cuidada introdução, recorreu às qualidades de educador para apresentar com lógica a palpitante questão “há Espíritos?”, e, através de uma análise bem realizada, demonstrar filosoficamente a existência da alma e a de Deus, conseqüência uma da outra, constituindo a base de todo o edifício, que é a própria Doutrina Espírita.

Bem se lhe entende essa preocupação, porquanto somente será possível a crença nos Espíritos e nas suas comunicações, acreditando-se nesses fundamentos essenciais, sem os quais nenhuma técnica ou demonstração poderá conduzir o observador à aceitação da fenomenologia probante da imortalidade.

A seguir, o sábio investigador que foi Kardec, penetrou o bisturi das suas análises nas questões do maravilhosio e do sobrenatural, demonstrando de maneira racional que para produzirem os movimentos e ruídos, o erguimento das mesas, por exemplo, os Espíritos necessitaram de instrumentos que lhes fornecessem os recursos para a sua execução, que são os médiuns. Dessa maneira, tornam-se fenômenos naturais, nada havendo, portanto, que se deva considerar como de natureza miraculosa, violentando as leis naturais.

De imediato, propôs os recursos, o método exigido na condição de ciência e de filosofia que é o Espiritismo, para que pudesse submeter-se a um estudo sério e persuadir-se de que ele não pode, como nenhuma outra ciência, ser aprendido a brincar.

Desnecessário informar-se que O Livro dos Médiuns tem os seus fundamentos em O Livro dos Espíritos, sendo, portanto, um desdobramento muito bem-elaborado de questões que são apresentadas em síntese e que se tornaram inevitáveis para mais graves elucubrações, o que então é cuidadosamente tratado na obra magistral.

A questão pertinente aos médiuns e aos experimentadores é fundamental, a fim de que ambos se equipem com os recursos valiosos para a boa condução dos fenômenos.

Prevenir, orientar e oferecer segurança aos incautos, assim como aos estudiosos sérios do Espiritismo, sempre foi a preocupação de Allan Kardec, por entender a grandiosidade da Doutrina que tem a ver com todos os ramos do conhecimento humano.

Dedicando grande parte à avaliação e às reflexões em torno das manifestações espíritas, classificou-as de físicas e inteligentes, detendo-se na sua imensa variedade, apresentando capítulos especiais referentes a cada uma delas, como nunca dantes se houvera feito.

Preocupado com o charlatanismo e a mistificação muito comuns entre as criaturas humanas, advertiu os leitores para terem cuidado com os médiuns interesseiros e desonestos, abordando os temas da suspensão e perda da mediunidade, que invariavelmente chocam os seus portadores e os seus acompanhantes...

Por outro lado, analisou os perigos da prática .mediúnica irresponsável, demonstrando que os períodos de curiosidade e de frivolidade estavam ultrapassados, havendo dado lugar à gravidade das revelações, confirmando a existência, a sobrevivência e a individualidade dos denominados mortos que retornam ou permanecem em contínuas comunicações com os chamados vivos.

Buscando libertar os curiosos do hábito de considerar os Espíritos e os seus fenômenos como prodigiosos, esclareceu quais as perguntas que aos primeiros se podem fazer, evitando que a irresponsabilidade e os interesses mesquinhos, em atraindo seres equivalentes, ensejem as mistificações e as perturbações a que dão lugar, quando não vigem a seriedade moral nem a elevação espiritual.

Percuciente pesquisador, honestamente declarou que o livro não era de sua lavra intelectual e que, ao colocar os nomes de alguns Espíritos nos textos publicados, tinha por meta assinalar-lhes a responsabilidade, mas que, embora essa ausência em outras páginas, quase todas eram de autoria dos mesmos, havendo sido o seu, o trabalho de selecionar as mensagens, de compará-las, de confrontar as ideias e os preceitos em busca da universalidade dos ensinos.

Os seus estudos resultavam da leitura do imenso volume de páginas que lhe eram enviadas de diferentes pontos da Europa, assim como das Américas, demonstrando não haver qualquer forma de contato entre os médiuns, o que lhes impedia a fraude...

Preocupou-se também em demonstrar a influência do meio, de igual maneira a influência do médium, cuidando das evocações, assim como das contradições.

Igualmente apresentou as considerações cabíveis nos estudos da mediunidade nos animais e nas crianças, libertando os curiosos das superstições em torno dos primeiros e apresentando os cuidados que se devem ter em relação aos fenômenos produzidos na infância, quando as suas reservas morais não são suficientes para o discernimento nem a conduta exigida pela faculdade correta.

Foi, no entanto, na análise em torno da saúde física, emocional e mental, que aprofundou as investigações no extraordinário capítulo da obsessão, conhecida em todos os períodos da História da Humanidade e confundida com a loucura e outros distúrbios de natureza psíquica e degenerativa.

Pensando na criação de novas células espíritas, publicou o Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas como um modelo que poderia ser adotado ou adaptado pelos novos Núcleos de acordo com os objetivos programados.

É compreensível que toda doutrina nova sofra o descalabro dos seus profitentes, em particular dos presunçosos que se consideram superiores aos demais e buscam sempre ser originais... Kardec demonstrou que o Espiritismo não corre esse perigo, por ser doutrina dos Espíritos elevados que, sempre vigilantes, cuidarão de escoimá-lo das interpretações falsas ou interesseiras, assim como de quaisquer apêndices que os astutos lhe desejem aplicar.

Também informou que os Espíritos são as almas dos homens que habitam a Terra, não lhes concedendo dons ou atributos adivinhatórios nem celestiais, esclarecendo que cada qual, após a morte, continua o mesmo, conduzindo os valores que o assinalavam antes do decesso tumular.

Selecionando diversas comunicações espirituais no tema sobre dissertações espíritas, apresentou aquelas que são autênticas e aqueloutras que não resistem a uma análise profunda, demonstrando a falsidade de algumas delas através da comparação entre o que produziram os escritores quando encarnados e o pobre conteúdo de que então se revestiam...

Teve o zelo de propor as condições exigíveis para uma reunião mediúnica séria, na qual se podem obter comunicações valiosas em razão do caráter moral dos seus membros.

Por fim, para facilitar o entendimento da linguagem dos Espíritos, assim como alguns dos verbetes por ele utilizados, colocou, na etapa final, um vocabulário espírita cuidadoso e oportuno.

Em trinta e dois capítulos enriquecidos de sabedoria, O Livro dos Médiuns é o mais completo tratado de estudos sobre a paranormalidade humana, jamais ultrapassado, e tão atual hoje como naquele já distante e memorável dia 15 de janeiro de 1861, quando foi apresentado em Paris.



Guia seguro e eficiente para o conhecimento da prática espírita e sua aplicação diária, é obra para ser estudada com seriedade e cada vez mais atualizada, relacionando-a com O Livro dos Espíritos, que a precedeu e é o alicerce vigoroso do Espiritismo.

Por ocasião da celebração do seu sesquicentenário de publicação, saudamos esse grandioso brado de alerta e de orientação dos Benfeitores da Humanidade, de que Allan Kardec fez-se o apóstolo, inscrevendo-o entre as obras marcantes e mais valiosas da cultura terrestre.


(*) As frases e palavras em itálico são da autoria de Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, ed. Feb.

Vianna de Carvalho Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 3 de janeiro de 2011, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

30 maio 2011

Pensamento - Martins Peralva


PENSAMENTO

“O pensamento é idioma universal e, compreendendo-se que o cérebro ativo é um centro de ondas em movimento constante, estamos sempre em correspondência com o objeto que nos prende a atenção.” – Emmanuel

A influência do pensamento na vida humana é indiscutível, criando reflexos negativos ou positivos, segundo o rumo que lhe dermos.

Pensamentos negativos conduzem à doença, ao desânimo.

Estabelecem sintonia com entidades menos felizes — sintonia que podem gerar obsessões angustiosas, caracterizando a “mediunidade torturada”.

Pensamentos elevados proporcionam saúde e bem-estar, curam enfermidades, mesmo graves, propiciam entusiasmo e alegria.

Favorecem a ligação com entidades superiores, ligação que pode ser o prelúdio de sublimes realizações mediúnicas.

*

Não cremos existam pessoas neutras, que jamais pensem no bem ou no mal.

Ideias e reflexos exigem a participação do pensamento.

*

Não há ninguém suficientemente bom que esteja isento de ideias infelizes.

Não há ninguém tão mau que não tenha impulsos de bondade.

*

O pensamento, a nosso ver, não para.

Jamais é estático.

É sempre dinâmico.

O pensamento de Deus mantém a Vida Universal. Os orbes, as galáxias, todos os seres. Parasse de atuar o pensamento de Deus, morreria o Universo, na desagregação cósmica.

A paralisação do pensamento humano seria a destruição do que é indestrutível, por sua natureza intrínseca — o Espírito.

*

O mundo exterior atua, sobre o campo mental humano, através de pensamentos emitidos pelos seres inteligentes.

Pela multidão que passa, indiferente a nós.

Pelos que estão próximos de nós.

Pelos que se acham à distância.

*

Os seres desencarnados comunicam-se conosco, intercambiam conosco, pelo pensamento, transmitindo-nos o júbilo das Boas Novas Celestiais ou o desencanto das regiões sombrias ligadas à Terra.

*

O pensamento de outrem produz felicidade ou infelicidade em nós, quanto o nosso nos irmãos de jornada.

O pensamento gera afinidades, segundo a natureza específica.

E a mediunidade, convém não esquecer, é, em todos os graus, um processo de afinidade.


Do livro “Mediunidade e Evolução”
De Martins Peralva


29 maio 2011

A Lei da Reencarnação - Irmão José


A LEI DA REENCARNAÇÃO

Ao passar deste mundo para o outro, o espírito conserva a inteligência que tinha aqui? — Sem dúvida, pois a inteligência nunca se perde. Mas ele pode não dispor dos mesmos meios para manifestá-la. Isso depende da sua superioridade e da idade do corpo que adquirir.

(“O Livro dos Espíritos”, questão 180).

Certas perguntas e respostas de O Livro dos Espíritos, a fim de serem mais bem assimiladas em seu conteúdo, necessitam de serem meditadas dentro do contexto em que foram formuladas.

A inteligência é patrimônio inalienável do espírito, que depende, para se manifestar, dos meios à sua disposição, notadamente de um instrumento físico mais ou menos adequado à sua livre expressão.

Um exímio violinista necessitará de instrumento à altura de sua habilidade, pois, caso contrário, sentir-se-á cerceado em sua capacidade de utilizá-lo.

Encarnando em mundos inferiores, é óbvio que o espírito, algo intelectualmente evolvido, quase sempre não disponha de um corpo compatível com seus anseios de raciocinar; muito embora possa ser portador de inteligência acima da média dos demais habitantes dos referidos orbes, ele não logrará avançar para além dos limites impostos pela sua condição cerebral...

Alguns espíritos, quando encarnam como vanguardeiros do progresso em meio a povos de natureza primitiva, conseguem, até certo ponto, sob o amparo de Entidades Superiores, impor-se à influência da matéria, interferindo, no que tange à genética, na constituição do corpo que irá ocupar. Outros, no entanto, ver-se-ão compelidos a expiar os deslizes cometidos no campo da inteligência em um corpo com reduzidos reflexos cerebrais, à feição de um doente cuja agressividade muitas vezes requer uma camisa-de-força que o contenha.

A Lei da Reencarnação, pois, em sua aplicabilidade, varia de espírito para espírito, de acordo com o seu grau de consciência e da evolução no mundo a que se destine.

A Reencarnação deste ou daquele espírito praticamente é possível em todas as Esferas, consideradas físicas e extrafísicas, consoante a disposição das partículas que compõem a matéria nas infinitas dimensões do Universo.

O termo reencarnação condicionou a mente humana à veste corpórea, como se o invólucro mais externo, no qual o espírito se apresenta nos demais mundos, tivesse sempre a mesma constituição do organismo físico, principalmente no que se refere à densidade.

Na resposta à questão acima aqui examinada por nós, os Espíritos condicionaram a atividade intelectual a ser exercida pelo espírito reencarnante, num outro mundo, à sua superioridade e à “idade do corpo que adquirir”! A colocação, bastante enfática, leva o estudioso da Doutrina a deduzir que, de fato, a Reencarnação não é menos Reencarnação porque, em certas circunstâncias, deixe de ocorrer segundo os estágios por ele conhecidos até o presente momento.

Em mundos de ordem hierárquica mais elevada, os espíritos candidatos à reencarnação não se ligam de imediato e tão estritamente ao corpo em sua fase embrionária, não estando, portanto, sujeitos à ação da amnésia temporária que acomete os homens, em sua generalidade.

Em relação às vidas anteriores, o esquecimento do passado será tanto mais profundo quanto menor a capacidade demonstrada pelo espírito de se impor ao corpo que venha a habitar, nas circunstâncias, também hereditárias, que lhe sejam adversas.

Seria interessante, para maior aproveitamento, os estudiosos confrontarem a pergunta acima com a de numero 183, do mesmo O Livro dos Espíritos: “Passando de um mundo para outro, o espírito para por nova infância? Resposta: “A infância é por toda parte uma transição necessária, mas não é sempre tão estúpida como entre vós”.

Página extraída do livro “Segundo O Livro dos Espíritos”, editora Didier
Carlos A. Baccelli /Irmão José

28 maio 2011

Renovando Atitudes - Hammed


Renovando Atitudes

Em todo o comportamento humano existe uma lógica, isto é, uma maneira particular de raciocinar sobre sua verdade, portanto, julgar, medir e sentenciar os outros, não se levando em conta suas realidades; mesmo sendo consideradas preconceituosas, neuróticas ou psicóticas, isso é não ter bom senso ou racionalidade, pois, na vida, somente é válido e possível o "autojulgamento".

Não obstante, cada ser humano descobre suas próprias formas de encarar a vida, pois cada um tende a usar suas oportunidades vivenciais, para tornar-se tudo aquilo que o leva a ser um "eu individualizado".

Devemos reavaliar nossas ideias retrógradas, que estreitam nossa personalidade e, a partir de então, julgar os indivíduos de forma não generalizada, apreciando suas singularidades, pois cada pessoa tem uma consciência própria e diversificada das outras tantas consciências Julgar uma ação é diferente de julgar a criatura. Posso julgar e considerar a prostituição moralmente errada, mas não posso não devo julgar a pessoa prostituída. Se, no entanto, usarmos da empatia, colocando-nos no lugar do outro, "sentindo e pensando com ele", em vez de "pensar a respeito dele", teremos o comportamento ideal frente aos atos e atitudes das pessoas.

Segundo Paulo de Tarso, "é indesculpável o homem, quem quer que seja, que se arvora em ser juiz. Porque, julgando os outros, ele condena a si mesmo, pois praticará as mesmas coisas, atraindo-as para si, com seu julgamento".

O "Apóstolo dos Gentios" manifesta-se claramente, evidenciando nessa afirmativa que todo comportamento julgador estará, na realidade, estabelecendo não somente uma sentença, ou um veredicto, mas, ao mesmo tempo, um juízo, um valor, um peso e uma medida de como julgaremos a nós mesmos.

Essencialmente, tudo aquilo que decretamos ou sentenciamos tornar-se-á nossa "real medida": de como iremos viver com nós mesmos e com os outros.

O ser humano é um verdadeiro campo magnético, atraindo pessoas e situações, as quais se sintonizam com seu mundo mental, ou mesmo antipatizam com sua maneira de ser. Desta forma, nossas afirmações prescreverão as águas por onde a embarcação de nossa vida deverá navegar.

Espírito de Hammed
Médium: Francisco do Espírito Santo Neto
Trecho extraído do livro Renovando Atitudes

27 maio 2011

Espiritismo, Instrumento de Libertação aos Jovens - Valentim Lorenzetti


ESPIRITISMO, INSTRUMENTO DE LIBERTAÇÃO AOS JOVENS

Já ouvimos muita gente dizer que a prática religiosa é coisa para pessoas idosas. Esta, talvez, seja uma afirmação de quem ainda tem da religião uma noção relacionada com ritual, dogmatismo, ou coisa parecida com estagnação.

Na realidade, religião não é nada disso: como ato de religar a criatura ao Criador, ela é totalmente dinâmica. Religião é busca incessante, progresso permanente, evolução constante, aperfeiçoamento sem limites rumo ao infinito.

Não se pode admitir religião estática ou limitante das potencialidades criadoras do ser humano. Pelo contrário, a religião deve despertar em todo indivíduo a centelha divina que há no íntimo de cada um de nós, a ponto de transformá-la em facho permanente de luz. É interior, de dentro para fora.

Não podemos iluminar uma criatura de fora para dentro. Deve projetar-se em favor de seu próximo, pois também não se entende iluminação espiritual sem fraternidade, sem colaborar para o progresso de nosso semelhante.

O Espiritismo, como religião, como Cristianismo redivivo, fornece ao homem o “combustível” para essa iluminação interior, para o conhecimento de si mesmo. A doutrina Espírita não se preocupa em dirigir o indivíduo, em dizer-lhe o que deve fazer hoje e amanhã, mas, tão somente, em lhe indicar "CAMINHOS DE LIBERTAÇÃO".

É, portanto, uma religião que vem perfeitamente ao encontro das aspirações dos jovens, e, também, dos velhos, já que o espírito é imortal: envelhece e perece apenas o corpo físico.

Dizemos que atente às aspirações dos jovens porque estes particularmente estão em busca de liberdade e com muita frequência caem escravizados sob algozes diversos, porque interpretaram mal o sentido da liberdade.

A liberdade não é "fazer tudo aquilo que a gente quer": é fazer tudo aquilo que realmente nos liberta interiormente.

Se fizermos tudo aquilo que queremos, normalmente nos estaremos escravizando a uma série de mitos: os mitos que representam aquilo que queremos fazer.

Entre esses mitos podemos incluir: o mito da independência precoce com relação à família, o mito da liberdade sem responsabilidade (desregramentos generalizados), o mito da alienação ("não vale a pena colaborar para a sociedade que aí está"), o mito do engajamento em ideologia que prega a violência.

Como mitos que são, não libertam ninguém e nem preparam ninguém para amanhã ser pregoeiro da liberdade. Como mitos que são, de aspectos exteriores, são todos escravizantes. Não atingem o espírito; não são revolucionários; são essencialmente reacionários. São paralisantes das faculdades espirituais,
tóxicos, anestesiantes, rotulados de libertadores do homem.

Busque o jovem o Espiritismo como instrumento de libertação interior e meio que lhe faculte condições para promoção da sociedade, e estará encontrando-se a si próprio.

Liberdade que esclarece e dá ao homem condições de andar sozinho e de dar a mão ao seu semelhante infeliz, procurando iluminá-lo também para que amanhã o necessitado de hoje seja, também ele, aquele que ajuda o próximo.

De “Caminhos de Libertação”
De Valentim Lorenzetti

26 maio 2011

Parentes Mortos - Emmanuel


PARENTES MORTOS

Não olvides que além da morte continua vivendo e lutando o espírito amado que partiu...
Tuas lágrimas são gotas de fel em sua taça de esperança.
Tuas aflições são espinhos a se lhe implantarem no coração.
Tua mágoa destrutiva é como neve de angústia a congelar-lhe os sonhos.
Tua tristeza é sombra a escurecer-lhe a nova senda.

Por mais que a separação te lacere a alma sensível , levanta-te e segue para a frente, honrando-lhe a confiança com a fiel execução das tarefas que o mundo te reservou.

Não vale a deserção do sofrimento, porque a fuga é sempre a dilatação do labirinto que nos arroja à invigilância, compelindo-nos a despender longo tempo na recuperação do rumo certo.
Recorda que a lei de renovação atinge a todos e auxilia quem te antecedeu na grande viagem com o valor de tua renuncia e com a fortaleza de tua fé, sem esmorecer no trabalho – nosso invariável caminho para o triunfo.
Converte a dor em lição e a saudade em consolo porque, de outros domínios vibratórios, as afeições inesquecíveis te acompanham os passos, regozijando-se com as outras tuas vitórias solitárias, portas adentro de teu mundo interior.
Todas as provas objetivam o aperfeiçoamento do aprendiz e, por enquanto, não passamos de meros aprendizes na Terra, amealhando o conhecimento e a virtude, em gradativa e laboriosa ascensão para a Vida Eterna.

Deus, a Suprema Sabedoria e a Suprema Bondade, não criaria a inteligência e o amor, a beleza e a vida, para arremessá-la às trevas.

Repara em torno dos teus próprios passos. A cada noite no mundo, segue-se o esplendor do alvorecer.
O inverno áspero é sucedido pela primavera estuante de renascimento e floração.
A lagarta, que hoje se arrasta no solo, amanhã librará em pleno espaço com asas multicores de borboleta.
Nada perece.
Tudo se transforma na direção do Infinito Bem.

Compreendendo, desta forma, a Verdade, entesourando-lhe as bênçãos, aprendamos a encontrar na morte o grande portal da vida e estaremos incorporando, em nosso próprio espírito, a luz inextinguível da Gloriosa Imortalidade.

Da obra "Paz e Libertação"
Pelo Espírito Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier

25 maio 2011

O Argumento Justo - Neio Lúcio


O ARGUMENTO JUSTO

À noite, em casa de Simão, transparecia um véu de tristeza na maioria dos semblantes.

Tadeu e André, atacados horas antes, nas margens do lago, por alguns malfeitores, viram-se constrangidos à reação apressada.

Não surgira conseqüência grave, mas sentiam-se ambos atormentados e irritadiços.

Quando Jesus começou a falar acerca da glória reservada aos bons, os dois discípulos deixaram transparecer, através do pranto discreto, a amargura que lhes dominava a alma e, não podendo conter-se, Tadeu clamou, aflito:

— Senhor, aspiro sinceramente a servir à Boa Nova; contudo, sou portador de um coração indisciplinado e ingrato. Ouço, contrito, as explanações do Evangelho; lá fora, porém, no trato com o mundo, não passo de um espírito renitente no mal. Lamento... lamento... mas como trabalhar em favor da Humanidade nestas condições?

Embargando-se-lhe a voz, adiantou-se André, alegando, choroso:

— Mestre, que será de mim? Ao seu lado, sou a ovelha obediente; entretanto, ao distanciar-me... basta uma palavra insignificante de incompreensão para desarmar-me. Reconheço-me incapaz de tolerar o insulto ou a pedrada. Será justo prosseguir, ensinando aos outros a prática do bem, imperfeito e mau qual me vejo?!...

Calando-se André, interferiu Pedro, considerando:

— Por minha vez, observo que não passo de mísero espírito endividado e inferior. Sou o pior de todos. Cada noite, ao me retirar para as orações habituais, espanto-me diante da coragem louca dentro da qual venho abraçando os atuais compromissos. Minha fragilidade é grande, meus débitos enormes. Como servir aos princípios sublimes do Novo Reino, se me encontro assim insuficiente e incompleto?

À palavra de Pedro, juntou-se a de Tiago, filho de Alfeu, que asseverou, abatido:

— Na intimidade de minha própria consciência, reparo quão longe me encontro da Boa Nova, verdadeiramente aplicada. Muita vez, depois de reconfortar-me ante as dissertações do Mestre, recolho-me ao quarto solitário, para sondar o abismo de minhas faltas. Há momentos em que pavorosas desilusões me tomam de improviso. Serei na realidade um discípulo sincero? Não estarei enganando o próximo? Tortura-me a incerteza... Quem sabe se não passo de reles mistificador? Outras vozes se fizeram ouvir no cenáculo, desalentadas e cheias de amargura.

Jesus, porém, após assinalar as opiniões ali enunciadas, entre o desânimo e o desapontamento, sorriu, tocado de bom-humor, e esclareceu:

— Em verdade, o paraíso que sonhamos ainda vem muito longe e não vejo aqui nenhum companheiro alado. A meu parecer, os anjos, na indumentária celeste, ainda não encontram domicílio no chão áspero e escuro em que pisamos. Somos aprendizes do bem, a caminho do Pai, e não devemos menoscabar a bendita oportunidade de crescer para Ele, no mesmo impulso da videira que se eleva para o céu, depois de nascer no obscuro seio da terra, alastrando-se compassiva, para transformar-se em vinho reconfortante, destinado à alegria de todos. Mas, se vocês se declaram fracos, devedores, endurecidos e maus e não são os primeiros a trabalhar para se fazerem fortes, redimidos, dedicados e bons em favor da obra geral de salvação, não me parece que os anjos devam descer da glória dos Cimos para substituir-nos no campo de lições da Terra.

O remédio, antes de tudo, se dirige ao doente, o ensino ao ignorante...

De outro modo, penso, a Boa Nova de Salvação se perderia por inadequada e inútil...

As lágrimas dos discípulos transformaram-se em intenso rubor, a irradiar-se da fisionomia de todos, e uma oração sentida do Amigo Divino imprimiu ponto final ao assunto.

Pelo Espírito Neio Lúcio
Do Livro: Jesus no Lar
Médium: Francisco Cândido Xavier

24 maio 2011

A Primeira Pessoa do Plural - Richard Simonetti


A PRIMEIRA PESSOA DO PLURAL

"Há pessoas que, do fato de os animais ao cabo de certo tempo abandonarem suas crias, deduzem não serem os laços de família, entre os homens, mais do que resultado dos costumes sociais e não efeito de uma lei da Natureza. Que devemos pensar a esse respeito?"

"Diverso dos animais é o destino do homem. Porque, então, querem identificá-lo com estes? Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas; há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis porque os segundos constituem uma lei da Natureza. Quis Deus que, por essa forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos."

Questão nº 774 (Da Lei de Sociedade) - O Livro dos Espíritos

Em 1932, Aldous Huxley, conhecido escritor inglês, lançava seu mais famoso livro: "O Admirável Mundo Novo", uma visão pessimista do futuro da Humanidade, em que imaginava uma sociedade onde a família estaria abolida. Isso deveria ocorrer até o final deste século.

Nessa "admirável" loucura a mulher não mais daria à luz. Os filhos nasceriam em incubadeiras altamente sofisticadas, madres artificiais. Ninguém teria pai nem mãe. Seria considerado subversão falar-se do assunto. Exercitar-se-ia o sexo sem compromisso, heterogeneamente. Cada indivíduo cuidaria da própria vida, sem deveres com ninguém a não ser com o Estado.

A partir dos anos cinquenta, com o rompimento de tabus relacionados com o sexo e o advento do amor livre, muita gente imaginou que estivéssemos a caminho de uma sociedade dessa natureza.

No entanto mais de três décadas passaram e, embora o casamento seja muito questionado, a família está longe de extinguir-se e jamais o será, porquanto o acasalamento e a prole, a união entre o homem e a mulher com responsabilidades recíprocas no cuidado dos filhos, é uma instituição divina que se faz sentir nos indivíduos como uma necessidade básica, muito menos subordinada a modismos sociais e muito mais como decorrência dos desígnios de Deus.

A constituição da família obedece a uma lei natural. Com ela habilitamo-nos a desbravar os domínios do Amor, onde residem as aspirações mais ardentes da criatura humana. Referimo-nos não ao exacerbamento do impulso sexual, na paixão avassaladora, mas ao amor de verdade, que é o sentimento profundo de comunhão envolvendo os componentes da célula familiar, cujo exemplo mais eloquente e nobre exprime-se na solicitude materna, como ressalta Coelho Neto na poesia inesquecível:

"Ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração; ser mãe é ter no alheio lábio que suga o pedestal do seio onde a Vida, onde o amor, cantando vibra.

Ser mãe é ser um anjo que libra sobre um berço dormido, é ser anseio, é ser temeridade, é ser receio, é ser força que os males equilibra.

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho, espelho em que se mira afortunada, luz que lhe põe nos olhos novo brilho.

Ser mãe é andar chorando num sorriso, ser mãe ter um mundo e não ter nada, Ser mãe é padecer num paraíso."

Estes versos exprimem com fidelidade o que é o amor sublime que brota espontâneo na mulher que concebe, luz divina depositada em seu coração, transformando-a em colaboradora do Céu a iluminar os caminhos de filhos de Deus sob seus cuidados.

Por isso a família jamais desaparecerá, sejam quais forem as novidades inventadas pelo homem e as fantasias inspiradas no decantado amor livre, que não passa de mero exercício de sexo irresponsável. Qual a mãe que se sente com liberdade plena de fazer o que lhe aprouver, sem considerar a prole? Amor é compromisso, é dedicação, é esforço, é trabalho em favor do ser amado.

Uma das características marcantes do homem, no estágio evolutivo em que nos encontramos, é o egoísmo, a tendência de pensarmos muito em nós mesmos. No lar damos os primeiros passos a caminho da fraternidade. Na interdependência existente entre os membros da família, envolvendo pais e filhos, marido e mulher, irmãos e irmãs, opera-se um fenômeno prodigioso: aprendemos a conjugar o verbo de nossa ação não mais na primeira pessoa do singular (eu); usamos a primeira do plural (nós).

Temos no lar uma microssociedade onde exercitamos a vocação de conviver e participar. É significativo que pessoas com problemas de relacionamento social, que cometem desatinos, que se revelam incapazes de respeitar o próximo, de sensibilizar-se com os sofrimentos alheios, geralmente vêm de famílias desajustadas, onde escasseavam afetividade, carinho, compreensão, solicitude...

Em mundos mais evoluídos, a família amplia-se além das fronteiras do sangue, abrangendo imensas comunidades, o que é natural: somos todos filhos de Deus.

Na Terra, adiantam-se numa abençoada vanguarda de renovação aqueles que, não obstante o cuidado da família consanguínea, ampliam sua capacidade de amar com o esforço em favor do semelhante. Cuidam de enfermos, auxiliam necessitados, consolam aflitos, vinculam-se a obras assistenciais, integrando-se verdadeiramente na vida social, onde se destacam não pela riqueza ou pela cultura, mas pelo empenho de trabalho em favor do bem comum, exercitando amor como o fazem as mães.

E, como ocorre com as mães, estes abnegados vanguardeiros, estagiam, intimamente, no paraíso, ainda que transitando pelos espinhos da Terra.

De "A Constituição Divina"
De Richard Simonetti

23 maio 2011

Rogativa de Esperança - Bezerra de Menezes


ROGATIVA DE ESPERANÇA

No momento grave que todos vivemos, renteando com a dor e ante o deslumbramento das Ciências avançadas, voltamos para o Teu Evangelho de vida eterna, buscando as soluções.

Desafiando as inteligências, os problemas intrincados do comportamento surgem ameaçadores, parecendo levar de roldão a cultura, a ética e a civilização. Não obstante, confiados na Tua promessa de que ficarias conosco até o fim, permanecemos na inteireza do ideal espírita, trabalhando, otimistas, por um mundo melhor.

Enfrentando as complexidades da hora de transição do planeta, abrimo-nos ao amor iluminado pelo conhecimento espírita, na certeza de que este amor é depositário dos recursos que solucionarão todas as dificuldades.

Utiliza-te de nossa fragilidade, que é tudo de quanto dispomos para oferecer-Te, trabalhada, entretanto, com o material da fé racional e do sentimento esclarecido com que edificaremos o mundo melhor de amanhã.

Viajores fracassados que somos desde os séculos passados, reunimos, na atualidade, os frutos amargos da sementeira ancestral, numa colheita de aflição e de provas. Todavia, encontramos, também, as estrelas luminosas que fulguram nesta noite, apontando-nos o rumo, que são os Teus mensageiros, ora corporificados nas artes, na ciência, na filosofia, na abnegação e na fé, para servirem de pilotis sobre os quais será erguido o templo da fraternidade universal.

Jesus, porque não desdenhaste a cruz, embora vivesses no sólido dos astros, ensina-nos mansidão e candura, no madeiro das nossas próprias faltas, antecipando a madrugada libertadora da nossa ascensão com as asas da sabedoria e do conhecimento na direção do Teu amor.

Abençoa, não somente os equivocados, mas também os que comprometem as consciências e destroem as esperanças.

Apiada-Te dos caídos, todavia compadece-Te, igualmente, dos que derrubam os outros e passam, aparentemente, incólumes.

Socorre os infelizes, sem embargo distende a Tua misericórdia sobre os infelicitadores, porque todos eles, os que corrompem e infelicitam hoje, não fugirão da consciência ultrajada, retornando ao carreiro das aflições purificadoras...

Por fim, faze de nós exemplos da Tua mensagem, nesta obra de fé espírita, nesta antemanhã de uma humanidade mais feliz, para que despertemos além das sombras, sem dor e sem amarguras...

Bezerra de Menezes (espírito)
Psicofonia de Divaldo Franco

Transcrita e publicada no livro Compromissos Iluminativos.

22 maio 2011

Esclarecimento do Culpado - Marcelo Ribeiro


ESCLARECIMENTOS DO CULPADO

Se você soubesse como eu me encontrava, no momento da agressão, certamente que me não quereria mal, nem pensaria em revide.

O agressor, em verdade, é mais infeliz, porquanto transfere do seu mundo íntimo agitado toda a perturbação de que se sente possuído e não se pode conter.

Se você pudesse saber, realmente, como eu me sentia, vencido pela ira que se fez, a seu turno, meu demorado algoz, com segurança me daria um crédito de confiança, desculpando-me.

Se você pudesse imaginar como eu me encontro neste momento!...

Eu o agredi, é verdade, e reconheço meu erro.

Se você revida, mesmo que mentalmente, o mal que lhe fiz, apiado-me, porque você erra, também, infelicitando-se.

Considere que o cego, ignorando a luz, não pode avaliar o que perde. Todavia, transita magoado e infeliz quando não se clareia por dentro.

A minha situação é mais grave, porquanto, embora vendo, preferi não enxergar...

A vítima é sempre simpática; o agressor faz-se detestável.

O perseguido inspira simpatia; o algoz estimula a aversão.

Quem sofre, gera em torno de si, afetividade; ao passo que o promotor dos sofrimentos, faz-se odiado.

Jesus sensibilizou a História e a Humanidade, todavia, os Seus algozes, ainda hoje são o símbolo da hediondez e da malquerença.

Se você lograsse compreender as injunções negativas daquela momento, bendiria não haver sido o agressor, antes, porém, a vítima.

Ajude-me, na tarefa de soerguimento que ora empreendo, você que se encontra em melhores condições do que eu.

Se você puder, permaneça na posição pacífica, na de vítima, tudo envidando para jamais tornar-se algoz ou agressor de quem quer que seja.

Assim lhe digo, porque conheço o travo da amargura de sofrer e fingir que tendo razão no mal que lhe fiz, havê-lo feito muito bem...

Dê-me sua mão, e erga-me, amigo, necessitado como estou de seu auxílio.

Marcelo Ribeiro (Espírito)
De “Terapêutica de emergência”

De Divaldo P. Franco – Diversos Espíritos

21 maio 2011

O Testemunho - Irmão X


O TESTEMUNHO

Um santo homem repousava, junto a velho poço, em Cesaréia, quando se aproximaram dele alguns jovens aprendizes do Evangelho, rogando-lhe esclarecimentos sobre o testemunho a que se referem todos os orientadores da virtude cristã, na preparação espiritual.

O ancião fez um gesto de bênção e falou sem preâmbulos :

– Um devotado judeu convertido à Boa Nova resolveu transportar a palavra do Senhor para certa comunidade rural da antiga Fenícia, onde residia, no intuito de guiar corações amigos, das trevas para a luz.

Inflamado de entusiasmo, saiu de Jerusalém para a nova pátria que adotara, após recolher os ensinamentos do Messias, através dos apóstolos, em ambiente familiar.

Mente modificada e coração refeito, passou a ensinar as verdades novas, sem perder o calor da fé, ante a gelada indiferença de velhos companheiros de luta.

Ninguém queria saber de perdoar inimigos ou auxiliá-los e muito menos de lançar mão dos próprios haveres, em favor da fraternidade e, por isto, o pobre doutrinador foi insultado e apedrejado em praça pública.

Decorrido longo tempo de esforço inútil, deliberou transferir-se para aldeia próspera, situada às margens do Eufrates, onde contava com diversos amigos, e pôs-se a caminho, sem vacilar.

Seguia estrada fora, de pensamento voltado para o céu todo azul e ouro, agradecendo ao Mestre a bênção das flores e das brisas que lhe adocicava a marcha, quando, a certa altura de zona pantanosa, surpreendeu ardiloso crocodilo que, sorrateiro e voraz, rastejava ao seu encontro.

Compreendeu a extensão do perigo e tentou evitá-lo.

Recuou, instintivamente; todavia, dois temíveis animais da mesma espécie buscavam atacá-la pela retaguarda.

Sabia que, não longe, existia pequena cabana a que poderia abrigar-se e deu-se pressa em alcançá-la; atingindo-a, porém, reparou, surpreendido, que a choça fora incendiada por anônimo delinqüente.

Procurou a margem de grande canal próximo, onde pequena ponte lhe proporcionaria passagem para outro lado da região; entretanto, a ponte rústica fora arrebatada por inundações recentes.

Há esse tempo, outros crocodilos se haviam agregado aos três primeiros e o viajor, apavorado, no intuito de preservar-se, encaminhou-se para uma cova antiga não muito distante; contudo, ao abordá-la, notou que enorme serpente lhe ocupava o fundo, apresentando-lhe agressiva cabeça.

Atordoado, dirigiu-se para duas árvores aparentemente vigorosas e tentou escapar, através de uma delas, mas, em poucos segundos, o vegetal tombou fragorosamente, restituindo-o ao chão; escalou a segunda e repetiu-se a experiência. As raízes haviam sido destruídas por vermes invasores.

Lembrou-se o convertido de certo montículo de pedras e, concluindo que algo devia possuir para defender-se convenientemente, correu a buscá-lo; no entanto, somente encontrou sinais de trabalhadores que, sem dúvida, as teriam transportado para alguma construção das adjacências

Ávido, buscou algum elemento para a defensiva natural; todavia, o terreno fora lavado por chuvas copiosas e não viu sequer a mais leve acha de lenha.

Desacorçoado, subiu pequena eminência, com a intenção de despejar-se em algum vale, mas, alcançando o topo, descortinou simplesmente o abismo e compreendeu que o abismo significava a morte.

Então, aquele homem que tanto se torturara, fitou o céu, ajoelhou-se e, ante as feras que se aproximavam, clamou, confiante:

– Mestre, cumpram-se no escravo os desígnios do Senhor!

Nesse ponto da experiência, o discípulo, espantado, lobrigou tênue neblina, da qual, numa reduzida fração de minuto, emergiu o próprio Jesus, radiante e belo, que lhe disse, bondoso:

– Não temas! Estou aqui. A minha graça te basta.

Forte ventania soprou, célere, e os ferozes sáurios recuaram assombrados.

O narrador fez demorada pausa e concluiu :

– Todos os seguidores do Senhor encontrarão adversários na senda de purificação... Quanto mais adiantado o curso em que se encontram, maior é o número de testemunhos e de lições, porque as dificuldades, obstáculos, perseguições e incompreensões são sempre feras simbólicas. Há discípulos que encontram um crocodilo por ano, outros recebem um crocodilo mensal ou semanal e muitos existem que são defrontados por uma romaria de crocodilos de hora em hora, dependendo as experiências do avanço levado a efeito... Nesses momentos preciosos e importantes, contudo, não vale qualquer recurso à proteção das forças exteriores, porque, na escola divina da ascensão, cada aprendiz deverá encontrar o socorro, a resposta ou a solução, dentro de si mesmo.

E antes que os jovens formulassem as novas indagações que lhes assomavam à boca, o velhinho ergueu-se, arrimou-se a humilde bordão, despediu-se e seguiu para a frente...

Pelo Espírito Imão X
Do livro: Pontos e Contos
Médium: Francisco Cândido Xavier

20 maio 2011

Dívida - Maria Nunes


DÍVIDA

O credor segura-se no caráter, para satisfazer sua violência. - (Miramez)

O credor, quando ganancioso, busca o devedor onde ele estiver, dá escândalo e, quando não é atendido, fala de moral sem contudo se lembrar que deve ser o primeiro a viver a moral que prega.

Todos temos dívidas com a economia divina; o suprimento maior nos fornece com abundância e sempre nos esquecemos de receber com parcimônia, sem esperdiçar os bens de Deus, a nós entregues por misericórdia.

Todos temos talentos, uns acordados, outros em processo de despertamento e outros em estado de sono, por despertar. Compete a nós outros saber usar nossos valores; esse é o recurso divino que cabe a todos nós doar e não emprestar nem vender, por não serem vendáveis, já que não somos donos deles; tudo pertence a Deus.

A violência, o orgulho e o egoísmo nascem da ignorância. Somente o amor é fruto da vida imortal, porque quanto mais damos, mais recebemos da própria vida. Se passarmos a compreender a vida de Jesus, a observação nos falará do Seu desprendimento, sendo que Ele tinha tudo o que quisesse ao Seu dispor, por ser consciente de que somente Deus é dono de todas as coisas, Mas, Deus nunca deixa Seus filhos sem o necessário para viver, nos dois planos de vida.

Se alguém lhe deve, meu irmão, ore por ele; não use de subterfúgios, querendo mostrar vida impoluta, para receber de quem lhe deve. Dê o que puder distribuir a quem precisa, sem participar da usura, cambiando juros para a sua bolsa.

O egoísmo nos inspira para não ensinarmos aos nossos companheiros, para que eles fiquem ignorantes e não tenham igualdade no saber conosco.
Devemos ser instrumentos com Jesus, deixando fluir pelos nossos canais mediúnicos o saber que aprendemos com outros. Se alguém nos ensinou sem exigir tanto de nós, por que não fazer o mesmo?

O desprendimento divino, que deve ser assegurado na nossa vida; contudo devemos compreender que desprendimento não é desperdício; é equilíbrio em tudo, por assim dizer, é o amor comandando o coração.

Quem ainda manifesta nos seus passos a violência, está sendo dominado pelo orgulho, que petrifica a própria consciência. Esqueça, se alguém lhe deve; procure pagar aos que você deve, sem angústia, com agradecimento a quem lhe socorreu nos momentos difíceis.

Somente limpamos a consciência e o coração da revolta e da tristeza quando aceitamos a vida como Deus nos deu, obedecendo às leis naturais, na naturalidade da criação.

De “SABEDORIA — A lei de Deus no pensamento dos homens
De João Nunes Maia

Pelo espírito Maria Nunes

19 maio 2011

A Água Fluída - Emmanuel


A ÁGUA FLUÍDA

Reflexão em torno dos benefícios da oração e da água fluidificada:-

E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria por ser meu discípulo, em verdade vos digo que, de modo algum, perderá o seu galardão”. Jesus (Mateus, 10:42)

Meu amigo, quando Jesus se referiu à benção do copo de água fria, em seu nome, não apenas se reportava à compaixão rotineira que sacia a sede comum.

Detinha-se o Mestre no exame de valores espirituais mais profundos.

A água é dos corpos o mais simples e receptivo da terra. É como que a base pura, em que a medicação do Céu pode ser impressa, através de recursos substanciais de assistência ao corpo e à alma, embora em processo invisível aos olhos mortais.

A prece intercessória e o pensamento de bondade representam irradiações de nossas melhores energias.

A criatura que ora ou medita exterioriza poderes, emanações e fluidos que, por enquanto, escapam à análise da inteligência vulgar e a linfa potável recebe a influência, de modo claro, condensando linhas de força magnética e princípios elétricos, que aliviam e sustentam, ajudam e curam.

A fonte que procede do coração da Terra e a rogativa que flui no imo d’alma, quando se unem na difusão do bem, operam milagres.

O Espírito que se eleva na direção do céu é antena viva, captando potências da natureza superior, podendo distribuí-las em benefício de todos os que lhe seguem a marcha.

Ninguém existe órfão de semelhante amparo. Para auxiliar a outrem e a si mesmo, bastam a boa vontade e a confiança positiva.

Reconheçamos, pois, que o Mestre, quando se referiu à água simples, doada em nome da sua memória, reportava-se ao valor real da providência, em benefício da carne e do espírito, sempre que estacionem através de zonas enfermiças. Se desejas, portanto, o concurso dos Amigos Espirituais, na solução de teus problemas orgânicos ou dos problemas de saúde e equilíbrio dos companheiros, coloca o teu recipiente de água cristalina, à frente de tuas orações, espera e confia. O orvalho do Plano Divino magnetizará o liquido, com raios de amor, em forma de bênção, e estarás, então, consagrando o sublime ensinamento do copo de água pura, abençoado nos Céus.

Do livro "Segue-me!..."
Pelo Espírito Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier

18 maio 2011

Santa Água - Benedito Rodrigues de Abreu


SANTA ÁGUA

Recordemos as virtudes de Santa Água!...
Água da chuva que fertiliza o solo,
Água do mar que gera a vida,
Água do rio que sustenta a cidade,
Água da fonte que mitiga a sede,
Água do orvalho que consola a secura,
Água da cachoeira que move a turbina,
Água do poço que alivia o deserto,
Água do banho que garante o equilíbrio,

Água do esgoto que assegura a higiene,
Água do lago que retrata as constelações,
Água que veicula o medicamento,
Água que é carícia, leite, seiva e pão, nutrindo o homem e a natureza,
Água do suor que alimenta o trabalho,
Água das lágrimas que é purificação e glória do espírito...
Santa Água é a filha mais dócil da matéria tangível,
Alongando os braços líquidos para afagar o mundo...
Água que lava,
Água que fecunda,
Água que estende o progresso,
Água que corre, simples, como sangue do Globo!...

Água que recolhe os eflúvios dos anjos
Em benefício das criaturas...
Se a dor vos bate à porta,
Se a aflição vos domina,
Trazei Santa Água ao vaso claro e limpo,
Orando junto dela...
E o rocio do Alto,
Em grânulos sutis,
Descerá das estrelas
A exaltar-lhe, sublime,
A beleza e a humildade...

E, sorvida por nós,
Santa Água conosco
Será saúde e paz,
Alegria e conforto,
Bálsamo milagroso
De bondade e esperança,
A impelir-nos à frente,
Na viagem divina
Da Terra para o Céu...

Do livro "Instruções Psicofônicas"
Benedito Rodrigues de Abreu,
Médium: Francisco Cândido Xavier

17 maio 2011

Diante de Cristo - Alexandre Melo Morais


DIANTE DO CRISTO

Com imensa alegria fomos visitados, na noite de 8 de dezembro de 1955, por novo mensageiro da Espiritualidade Superior. Esse mensageiro foi o Dr. Alexandre Melo Morais (Espírito) que, controlando as possibilidades mediúnicas, pronunciou a brilhante alocução que prazerosamente reproduzimos neste capítulo.

Diante do Cristo encontra-se o homem à frente da luz do mundo.

Antes dele, embora a ciência de Hermes, a filosofia de Sócrates e a religião de Buda, que lhe foram excelsos mensageiros, a vida no mundo era a absoluta dominação da conquista.

Tenebrosa noite envolvendo o sentimento, rios de sangue afogando a celebração...

Ei-lo, no entanto, que se manifesta no trono da humildade, convidando as Nações à glória da sabedoria e do amor..

Seu programa divino, a espelhar-se no Evangelho que lhe reúne as boas-novas da salvação, preconiza a fraternidade ao invés do egoísmo, a renúncia edificante em vez da posse inútil, o perdão em lugar da vingança, o trabalho com a supressão da inércia, a liberdade, com

o olvido da escravidão, e o auxílio à felicidade dos outros, como garantia da própria felicidade.

Defendendo-lhe o código de luz, de Tibério a Diocleciano, milhares e milhares de criaturas sofrem a flagelação e a morte no decurso de quase trezentos anos.

Além disso, desde a conversão de Constantino, em 312, até a morte de Isaac II, em 1204, do ocidente ao oriente todas as gerações de príncipes e guerreiros senhorearam a casta dos sacerdotes, oprimindo as lições do Senhor.

E desde a perseguição ordenada por Inocêncio III contra os albigenses, em 1209, até a Revolução Francesa, a casta dos sacerdotes, através de todos os processos da imposição inquisitorial, senhoreou as gerações de príncipes e guerreiros, deturpando os ensinamentos do Divino Enviado.

Durante quinze séculos sucessivos, os religiosos e os políticos, com justas exceções, empenharam-se ao dogmatismo e à violência, à crueldade e à devassidão, à vindita e ao banditismo coroado.

Eis, porém, que, na atualidade, com a evolução do Direito, acalentado ao sol dos princípios cristãos, culminando na extinção do cativeiro organizado, no seio de todos os povos cultos da Terra, temos no Espiritismo o Cristianismo renascente, concitando-nos, de novo, ao reinado do amor e da sabedoria.

Qual aconteceu ao próprio Evangelho, a Doutrina que o revive nasce sem guerras de sangue e lágrimas. . .

A fonte da Verdade e do Bem sulca o terreno moral do mundo, ao alcance de ignorantes e sábios, felizes e infelizes, justos e injustos.

Até ontem, à face da aventura política dominando tribunais e escolas, casernas e santuários, era de todo impraticável a experiência cristã na vida individual.

Hoje, entretanto, com o avanço da idéia religiosa que nos cabe preservar nobre e livre, pela dignificação e excelência de nossa conduta, conseguimos empreender o nosso reencontro com Jesus, elegendo-o Mestre incomparável de nossos destinos, podendo reverenciá-Lo cada dia em nosso próprio espírito, repetindo a antiga saudação dos primeiros seguidores da Boa-Nova – “Salve Cristo!” - não mais com o objetivo de empunhar, de imediato, a palma do martírio e da morte, mas, a fim de viver e servir com, o nosso Mestre e Senhor para a eternidade...

Pelo Espírito Alexandre Melo Morais
Do livro: Vozes do Grande Além
Médium: Francisco Cândido Xavier

16 maio 2011

Verdigo e Vítima - Irmão X


VERDUGO E VÍTIMA

O rio transbordava.

Aqui e ali, na crista espumosa da corrente pesada, boiavam animais mortos os deslizavam toras e ramarias.

Vazantes em torno davam expansão ao crescente lençol de massa barrenta.

Famílias inteiras abandonavam casebres, sob a chuva, carregando aves espantadiças, quando não estivessem puxando algum cavalo magro.

Quirino, o jovem barqueiro, que vinte e seis anos de sol no sertão haviam enrijado de todo, ruminava plano sinistro.

Não longe, em casinhola fortificada, vivia Licurgo, conhecido usurário das redondezas.

Todos o sabiam proprietário de pequena fortuna a que montava guarda, vigilante.

Ninguém, no entanto, poderia avaliar-lhe a extensão, porque, sozinho, envelhecera e, sozinho, atendia às próprias necessidades.

- “O velho – dizia Quirino de si para consigo – será atingido na certa. É a primeira vez que surge uma cheia como esta. Agarrado aos próprios haveres, será levado de roldão... E se as águas devem acabar com tudo, por que não me beneficiar? O homem já passou dos setenta... Morrerá a qualquer hora. Se não for hoje, será amanhã, depois de amanhã... E o dinheiro guardado? Não poderia servir para mim, que estou moço e com pleno direito ao futuro?...”

O aguaceiro caia sempre, na tarde fria.

O rapaz, hesitante, bateu à porta da choupana molhada.

- “Seu” Licurgo! “Seu” Licurgo!

E, ante o rosto assombrado do velhinho que assomara à janela, informou:

- Se o senhor não quer morrer, não demore. Mais um pouco de tempo e as águas chegarão. Todos os vizinhos já se foram...

- Não, não... – resmungou o proprietário -, moro aqui há muitos anos. Tenho confiança em Deus e no rio... Não sairei.

- Venho fazer-lhe um favor...

- Agradeço, mas não sairei.

Tomado de criminoso impulso, o barqueiro empurrou a porta mal fechada e avançou sobre o velho, que procurou em vão reagir.

- Não me mate, assassino!

A voz rouquenha, contudo, silenciou nos dedos robustos do jovem.

Quirino largou para um lado o corpo amolecido, como traste inútil, arrebatou pequeno molho de chaves do grande cinto e, em seguida, varejou todos os escaninhos...

Gavetas abertas mostravam cédulas mofadas, moedas antigas e diamantes, sobretudo diamantes.

Enceguecido de ambição, o moço recolhe quanto acha.

A noite chuvosa descera completa...

Quirino toma os despojos da vítima num cobertor e, em minutos breves, o cadáver mergulha no rio.

Logo após, volta à casa despovoada, recompõe o ambiente e afasta-se, enfim, carregando a fortuna.

Passado algum tempo, o homicida não vê que uma sombra se lhe esgueira à retaguarda.

É o Espírito de Licurgo, que acompanha o tesouro.

Pressionado pelo remorso, o barqueiro abandona a região e instala-se em grande cidade, com pequena casa comercial, e casa-se, procurando esquecer o próprio arrependimento, mas recebe o velho Licurgo, reencarnado, por seu primeiro filho...

Ave que torna, em chaga, ao brando ninho,

Ouço divina música na sala,

É a sua voz celeste que me embala,

Motes do lar que tornam de mansinho.

Ergo-me agora... O corpo é o pelourinho

De que me desvencilho por beijá-la...

“Mãe! Minha Mãe!...” – suspiro, erguendo a fala,

A soluçar de júbilo e carinho

Tomo-lhe os braços em que me acrisolo

E durmo novamente no seu colo

Para acordar no berço de outra vida.

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: ‘’Luz no Lar’’
Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos.

15 maio 2011

Amor aos Inimigos - Raul Teixeira


Amor aos Inimigos

Aprendestes o que foi dito: Amareis os vossos amigos e odiareis os vossos inimigos. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, que vos caluniam. Este foi o ensinamento deixado por Jesus.

O Mestre Nazareno, em Sua passagem pela Terra, tratou de regulamentar para nossa mentalidade várias dessas virtudes que, para Sua época, eram plenamente incompatíveis com o caráter geral da sociedade.

Era de praxe, à época de Jesus Cristo, devotar um ódio irracional aos inimigos. Aqueles que mereciam as atenções, os cuidados, o carinho eram tão somente os amigos.

Esse regime social, esse modo de viver, naturalmente se constituía em geratriz de muitos problemas para as vidas, para as almas, para o futuro.

Então, Jesus Cristo tratou de atualizar o ensinamento, fazendo com que a sociedade refletisse a respeito dos malefícios de se devotar ódio àqueles supostamente nossos inimigos.

Ele levanta o aprendizado ancestral: Aprendestes o que foi dito... Relegava isso ao passado. Eu, porém, vos digo, agora no presente: Amai, orai.

Jesus Cristo foi o grande reformulador desses costumes sociais que relacionavam as pessoas entre si.

É tão importante perceber que, na lucidez do Mestre Nazareno, Ele não estaria, de nenhuma forma, determinando que deveríamos ter pelos nossos inimigos, por aqueles a quem não dedicamos nenhuma confiança, por aqueles que não gostam de nós, a mesma ternura, a mesma consideração, o mesmo aconchego que devotamos a um irmão, a um amigo, a uma pessoa do nosso coração.

Nada obstante, o fato de não termos como abrir a alma para os inimigos não significa que deveremos dedicar-lhes o mal. Significa que vamos desejar para eles todas as coisas boas.

O nosso pensamento em direção a eles serão pensamentos de fraternidade a fim de que, nessa luta cotidiana pelo equilíbrio, tenhamos a certeza de que, ainda que nos deparemos com vários inimigos, opositores, antagonistas nossos, a nossa postura, principalmente para quem se apoia nas lições de Jesus Cristo, será a postura fraternal: Aprendestes o que foi dito. Eu, porém, vos digo...

O Espiritismo nos apresenta Jesus Cristo como o Modelo e Guia da Humanidade, o maior Espírito, diga-se de passagem, que o mundo já recebeu para servir-lhe de Modelo e Guia.

Graças a isso, aqueles que queremos pautar a própria conduta pelos ensinamentos de Jesus Cristo deveremos estar atentos para essa questão.

Amar os inimigos não significa trazê-los para nossa mesa de imediato, abrir-lhes o nosso coração de uma vez, mas vamos colocando as coisas nos seus devidos lugares.

Seremos capazes de reconhecer, por exemplo, que os nossos inimigos têm virtudes. Eles podem não se compatibilizar bem conosco. Poderemos não estar compatíveis com eles, com seus hábitos, com sua maneira de ser, mas não teremos como negar as peculiaridades positivas, as virtudes daqueles que, neste momento, se apresentam como nossos inimigos.

Daí, quando Jesus propõe amar os inimigos é com essa extensão do amor antagonista do ódio, do desamor.

Quando Ele propõe orarmos por aqueles que nos sejam perseguidores, caluniadores, é exatamente para que saiamos da sintonia do perseguidor, do caluniador, do malfeitor.

Se empreendermos um debate mental com eles, uma agressividade psíquica com eles, nos atrelamos, passamos a nos vincular aos seus maus hábitos, àquilo que eles estejam realizando de negativo e não teremos qualquer autoridade moral de fugir das consequências dessa tragédia interior.

* * *

O cultivo do ódio é, fundamentalmente, desastroso para o odiento.

É muito comum observarmos, na vida social, aquelas criaturas malignas, para quem se deseja o mal, como elas sempre estão mais gordas, mais bonitas, mais poderosas, mais ricas, enquanto que o odiento se depaupera, se aniquila, se aturde e se frustra porque seus ideais de prejudicar o outro não encontram eco nas Leis de Deus.

Ninguém precisa odiar alguém para que esse alguém responda por seus atos diante das Divinas Leis.

Quando desenvolvemos, no âmago do ser, essas energias do ódio, da malquerença, nos assemelhamos a uma criatura que estivesse carregando lixo no seu próprio coração.

Imaginemos alguém carregando lixo no seu coração. Seria como um lençol freático, como uma fonte de água pura conspurcada pelo lixo, pela poluição, por tudo aquilo que prejudica a qualidade da linfa.

Alguém que carregue ódio em seu coração será fatalmente alguém doente e portador de doença tal que será capaz de levá-lo à morte moral.

O desespero que assoma a criatura odienta não tem tamanho. Quanto mais o objeto de seu ódio cresce, se desenvolve, conquista vitórias, mais o odiento se aturde, se sente infelicitado.

Quando Jesus propôs amar aos inimigos era uma medida de salubridade, era uma medida de saúde para o próprio odiento sair da faixa do ódio que vincula a energias muito negativas, muito baixas da existência.

Amai os vossos inimigos é uma lição medicamentosa porque ninguém conseguirá ser feliz em sua intimidade, carregando detritos no próprio ser, carregando detritos no próprio coração.

A partir disto, embora saibamos da importância de dedicar pensamentos bons aos nossos inimigos, o que não significa concordar com seus atos ruins, com sua forma de viver desajustada, faz com que nos vacinemos, vale repetir isto, contra mazelas mais graves que nos aturdem.

Em toda parte ouvimos falar de baciloses, de viroses, micro-organismos que vão devastando o organismo humano, o nosso organismo animal.

Mas, como é que esses micróbios sobrevivem em nosso corpo realizando toda essa sorte de tragédias morais, físicas?

Tudo isso ocorre porque o portador do bacilo, da bactéria ou do vírus carrega um tipo de energia, desenvolve um tipo de fluido profundamente nutriente para esses micro-organismos, para essas microvidas.

Por isso, é comum encontrarmos as pessoas que têm a saúde fragilizada, quando se aborrecem, quando se irritam, quando passam a odiar, piorarem o seu quadro patológico.

É a própria criatura desligada do amor, do bem, da harmonia que faculta a esses micróbios a possibilidade de desenvolver-se em sua intimidade.

Então, a forma salutar de nos autovacinar contra essas tragédias exteriores, é o cultivo do amor, o que levou muitos pensadores, muitos médicos a defender a tese de que quem ama não adoece.

Aquelas criaturas capazes de amar desenvolvem em si uma ligação tão grande com as fontes da saúde que não adoecem mais.

Na dificuldade, apelemos para Jesus, o Médico das almas, e lembremo-nos do saudoso médium brasileiro Francisco Cândido Xavier, quando estabeleceu numa pergunta que lhe foi feita sobre o seu estado de saúde: Eu sou um doente são.

Ele estava resgatando recursos, problemas de outras existências, estava resgatando erros do seu passado, mas não estava contraindo novos erros na atualidade. Então, ele era um doente são, amando os inimigos e orando por todos os seus caluniadores.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 207, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

14 maio 2011

Débitos e Créditos - Raul Teixeira


Débitos e Créditos

O empresário Gordon Gould teve ensejo de expressar-se dizendo que, para ele, uma das coisas mais importantes desses tempos do mundo é a contabilidade de débitos e créditos. E ele alinhava uma série de razões para justificar o seu entendimento.

Vale lembrar que essa contabilidade de débitos e créditos nasceu no Século XV, mais propriamente em 1494 e foi criada por um monge franciscano chamado Luca Pacioli.

Esse monge franciscano criou essa metodologia exatamente para auxiliar aos mercadores, aos comerciantes, negociantes de Veneza que precisavam gerenciar suas economias crescentes.

Precisavam administrar seu dinheiro de uma forma eficiente e encontraram, no trabalho do monge franciscano Luca Pacioli, um elemento importantíssimo para que eles pudessem analisar perdas, ganhos, no bojo das suas realizações.

A partir daí, a Humanidade tem experimentado muito sucesso ao fazer uso dessa contabilidade: débito - crédito.

Isso entrou de tal modo na vida das comunidades do mundo inteiro que hoje faz parte dos cursos de contabilidade, de economia, de administração e usamos essa maneira de pensar, essa metodologia de lidar com valores, no nosso cotidiano.

Falamos em outros contextos a respeito de débito e crédito, em termos morais: Você tem débito comigo. Eu tenho crédito com você. Você tem créditos para comigo. Eu tenho débitos para com você.

A partir disso, a ideia de Luca Pacioli espalhou-se pelo mundo e é tão importante verificarmos que todos nós, de uma maneira ou de outra, teremos o nosso tempo de prestar contas do que estamos fazendo da nossa existência.

Não foi à toa que Jesus Cristo, um dia, exprimiu-Se dizendo que o administrador daria conta da sua administração.

Quando pensamos em administração, não é apenas a administração de negócios, de dinheiro mas, nesse sentido amplo, é a administração de nossa vida e, se não sabemos bem administrá-la, certamente contrairemos débitos.

Se conseguirmos bem administrar nossa vida, teremos os créditos decorrentes de nosso juízo, de nossa boa ação, da grandeza que criamos com a nossa vida na Terra.

Por isso é que nos cabe refletir, nos cabe pensar nessa dinâmica da vida de todos nós e de cada um em particular, que nos remete sempre a fazer esse balanço, entre os créditos que a Divindade nos confiou e os débitos que contraímos, face ao mau uso ou ao desuso desses créditos Divinos.

É por isso que percebemos que cada vez que usamos mal, por exemplo, o crédito da palavra, usamos mal o nosso falar, adquirimos débitos para o futuro.

Cada vez que utilizamos mal o crédito da visão, criamos problemas para o nosso amanhã.

O crédito dos nossos pés, da nossa inteligência, das oportunidades sociais, tudo isto vai fazendo parte dos elementos de que dispomos na Terra para viver da melhor maneira.

Você sabe quantas bênçãos a vida lhe ofereceu e lhe oferece? A família, os amigos, o trabalho, a saúde, as oportunidades variadas e não se justifica que, diante de tantas oportunidades, façamos mau uso. Nada obstante, muitas vezes, em nome da nossa loucura, da nossa inconsciência, acabamos por usar mal os créditos que a Divindade nos confiou e teremos que acertar isso um dia.

* * *

É importantíssimo, nesse capítulo de débitos e créditos, na contabilidade criada por Pacioli, verificarmos que, um dia, o Codificador Espírita Allan Kardec perguntou aos Bons Espíritos a respeito do que poderíamos fazer para superarmos as tentações do mal e para realizarmos com proveito a nossa jornada terrestre.

Os Nobres Guias da Humanidade responderam que um velho sábio da Antiguidade já nos houvera dito: Conhece-te a ti mesmo.

Allan Kardec voltou à carga e perguntou: Entendi o sentido desse autoconhecimento. O problema está exatamente em como fazê-lo. Como poderemos realizar isto?

O Espírito Santo Agostinho respondeu: Fazei como eu fazia quando estava no mundo. Ao final de cada dia, fazia o levantamento de como eu houvera vivido, aquilo que realizara em prejuízo do próximo, em meu próprio prejuízo. Aquilo que eu tivesse feito em contraposição às Leis Divinas.

Fazia uma tomada de débitos e créditos, dizemos nós e, graças a isso, ficamos com uma fórmula, digamos assim, para realizar esse esforço pelo autoconhecimento.

Não é fácil porque quase sempre nos ocultamos de nós mesmos ou, pelo menos, tentamos fazê-lo. Ao nos ocultar de nós mesmos, vamos dando desculpas que nada desculpam para os nossos atos: Eu fiz porque Fulano me provocou, eu deixei de fazer porque Beltrano não me ajudou.

Vamos sempre empurrando para longe, jogando para fora de nós as responsabilidades que são nossas.

Na medida em que queremos nos conhecer de fato, assumimos nossas falhas e nossos acertos. Aquilo que erramos, colocamos no prato simbólico de uma balança e aquilo que acertamos colocamos no outro prato da balança.

A partir daí, teremos o estabelecimento do peso entre débito e crédito, o que nos sobrará.

Quando estamos fazendo esforços por nos conhecer, não nos envergonhamos dos erros que ainda cometemos e nem queremos fugir dos acertos que empreendemos.

Há coisas maravilhosas que já fazemos. Para que esconder isso de nós? Para que fingir que não fazemos? Mas, ainda há muita sombra nas nossas atitudes e por que tentar ocultar isso de nós?

Se carregarmos uma mazela, uma ferida e negarmos que a conduzimos, quando é que vamos tratá-la?

O mais especial é quando assumimos que levamos uma chaga aberta porque então muitos se apresentarão para ajudar nesse processo do tratamento.

Cada qual de nós diante da vida carrega as coisas boas que já fez, as coisas felizes que faz, seus créditos. O bom uso daquilo que Deus nos deu, o bom uso daquilo que Deus nos dá são créditos mas, muitas vezes, fugimos do bom tom, nos perdemos nesses labirintos de equívocos e carregamos débitos.

Não há nenhum motivo para desesperação, não há nenhum motivo para que nos percamos desfigurados de remorsos, desejando morrer. O tempo de agora é o tempo da oportunidade. Desejaremos viver para corrigir o que ficou mal pintado em nossa tela.

É o tempo de acertar, corrigindo o passo que não tenha sido bem dado em nossa vida e, graças a isso, trabalharemos no sentido de que a contabilidade Divina possa reconhecer nossos créditos e justificar os nossos débitos com as coisas boas que fazemos.

Foi o Apóstolo Simão Pedro que fechou de forma notável esse ensinamento ao nos dizer que o amor cobre multidões de pecados.

Todos nós na Terra somos Espíritos nessa faixa de provações, de expiações, com necessidades de aprender, de pagar dívidas mas com a grande oportunidade de desenvolver em nós o amor sob todos os aspectos consideráveis, porque somente o amor cobre multidões de pecados.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 203, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

13 maio 2011

A Edução - Raul Teixeira


A Educação

Incontestavelmente, a educação é fundamental para a nossa vida no mundo.

Quase sempre nos referimos à educação de uma maneira muito subjetiva, como se educação fosse algo por demais transcendente.

Nada obstante, temos que nos dar conta de que podemos distribuir a educação em vários compartimentos.

Tudo aquilo que represente uma modificação nos nossos hábitos, nas nossas posturas, na nossa cultura, tudo aquilo que nos renova de alguma maneira, chamamos de educação.

Educar, sem dúvida, é a arte de moldar o caráter, de forjar o caráter, de construí-lo. E, dessa maneira, educação tem mil faces.

Podemos nos dizer pessoas educadas, quando sabemos conversar, deixarmos que o outro fale, esperarmos a nossa vez, sem interditar, sem interromper, sem gritar, sem esbravejar, sem desejar que a nossa palavra seja a última e definitiva. Isto representará uma educação dialogal. Sabemos dialogar.

Diálogo será sempre conversa de dois ou mais.

Poderemos ter a educação linguística quando conseguimos falar na nossa língua sem cometer desatinos linguísticos, sem incidirmos em tantas falhas que enfeiem o nosso idioma.

Porque mudamos de comportamento ao falar, obviamente isso será uma educação e aí temos a educação envolvida com outro elemento bastante especial, que é a instrução.

A instrução se refere sempre ao acúmulo de valores que a alma vai fazendo, que a mente vai fazendo, que o indivíduo vai realizando.

Todas as vezes que trabalhamos elementos de aprendizagem, estamos na faixa da instrução.

Eu preciso aprender determinadas palavras. Preciso aprender a tocar um instrumento. Preciso aprender a cozinhar determinado prato. Preciso aprender...

Se eu preciso aprender trazendo coisas de fora para dentro, naturalmente esse aprendizado se refere à instrução.

Obviamente, se eu preciso aprender determinada coisa, é para que essa coisa aprendida interfira no meu modo de ser, no meu caráter, na minha relação social, na vivência comigo mesmo e na vivência com os outros.

É por isso que é tão importante a educação.

Poderemos ter alguém que instrua, sem nenhum objetivo educacional, mas será impossível que alguém eduque, sem contar com a instrução. Porque a educação é o manejo que se faz da instrução, aquilo que nós sabemos de que modo utilizamos.

Por isso nos referimos à fala, conversa. Sabemos falar.

Mas como é que eu falo? Como é que eu me relaciono com as pessoas ao falar?

E a voz nos foi dada por Deus, para que pudéssemos viver em sociedade. Para que fosse um elemento relacional entre nós.

Dessa forma, educar é algo fundamental para a nossa vida na Terra.

Nesse campo educativo, vale a pena não nos esqueçamos, da questão instrucional.

É importante que nossas crianças vão à escola, mas não apenas para terem conhecimentos na mente. Não apenas para desenvolver o cérebro, mas para que esses conhecimentos por elas adquiridos, possam transformar-lhes a vida.

Toda criança, todo menino, todo jovem bem educado transforma-se e em torno de si, transforma tudo que faz. Ele sabe dizer sim, ele sabe dizer não e entende porque deve dizer sim e porque deve dizer não.

Dessa maneira, não deveremos perder de vista a importância, a grandeza de mandarmos nossa criança à escola. Não para que ela seja sabichona, mas para que seja uma pessoa do bem.

É fácil encontrarmos alguém instruído agindo mal mas, se essa criatura não tem instrução, terá muito mais facilidade de agir no mal por não entender as razões do bem.

Deste modo, nos desenvolvemos moralmente, quando somos capazes de distinguir o que é bem do que é mal, quando temos essa habilidade de fazer boas escolhas na vida, de saber o que é fundamental para que sejamos felizes e que levemos outras pessoas a mesma felicidade.

* * *

O pensador David Premack escreveu que o Homo sapiens é o único primata que conseguiu desenvolver um sistema pedagógico ativo. Conseguiu construir uma pedagogia ativa.

Por causa disso, entendendo a pedagogia como essa arte de saber o que se deve ensinar, a quem, o nível daquilo que deveremos passar para alguém, considerando os níveis intelectuais, os níveis gerais de desenvolvimento desse alguém, obviamente que essa é uma construção do primata humano, do Homo sapiens.

Então, essa fala do notável Premack nos leva a refletir a respeito da importância de usarmos de uma boa pedagogia para ensinar as coisas que precisamos ensinar. Cada vez que temos diante nós uma criança, a primeira pergunta que nos fazemos é: O que ensinar para esta criança? O que repassar-lhe?

Quando nos fazemos tal tipo de pergunta, temos uma resposta que foi dada pelo Espírito Santo Agostinho, nas páginas de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando ele nos chama a observar nossa criança desde o berço, a fim de que possamos captar-lhe as inclinações.

A criança nos mostra como ela é e quem ela é, nas suas mínimas expressões, desde o berço.

O Benfeitor espiritual nos chama a analisar o comportamento do bebê. Como é que ele chora, como é que ele anuncia estar com fome, como é que ele anuncia estar desconfortável, com as roupas molhadas...

Pela maneira como ele se manifesta, os pais, os adultos já poderão observar como será a índole dessa criança.

Quando vamos identificando como é a criança teremos possibilidade de elaborar um projeto educacional para essa criança. E cada criança é diferente da outra.

Enquanto para uma deveremos ensinar as regras da boa convivência com os irmãozinhos ou com os coleguinhas, para outro não precisaremos mais. Mas ensinaremos para o outro a higienização do corpo, os hábitos salutares de banhar-se, de escovar os dentes, de pentear-se.

Começamos a perceber que, se prestarmos atenção nas nossas crianças desde muito novinhas, perceberemos como estabelecer um plano de educação.

O que passar para essa criança? O que passar para aquela outra criança?

Aí temos uma pedagogia ativa, não estamos flutuando em quimeras ou teorizações, estamos agindo em cima de observações práticas.

Na hora que o professor entrar na sala de aula, no primeiro dia e começar a dar matéria para seu aluno, ele terá perdido um tempo enorme, porque ele não checou, não verificou, não fez uma diagnose de como estão seus alunos em geral, para saber a partir de onde começar, como começar.

É importante verificarmos que uma geração bem educada é capaz de preservar a cultura dos seus ancestrais, a cultura do seu povo, a boa cultura social.

Mas, uma geração mal educada será capaz de destruir rapidamente, todas as conquistas, todas as invenções que as gerações anteriores tenham construído.

Então, ao verificarmos a importância de escolarizar nossa criança, de escolarizar o nosso jovem, teremos em mente que não os escolarizaremos, apenas para que eles sejam indivíduos que tenham conhecimento, mas para que saibam usar esses conhecimentos em prol da vida, em prol das suas vidas, sem dúvida. Mas fundamentalmente, em prol da sociedade na qual nasceram e onde vivem.

Dessa maneira, perceberemos a importância da educação como fator de crescimento espiritual. Já que entendemos que educar é a arte de formar o caráter, poderemos formá-lo mal, poderemos formá-lo bom. Diremos que alguém é mal-educado ou que alguém é bem-educado, mas ao educar bem o indivíduo, estaremos pensando no progresso social que começa no progresso individual.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 200, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná

12 maio 2011

A Luz Elétrica - Raul Teixeira


A Luz Elétrica

Foi um sonho, há muito tempo acalentado, esse de o homem poder viver num ambiente iluminado. Esse sonho foi motivo de múltiplas experiências de um americano notável chamado Thomas Alva Edison.

Em 1828 ele conseguiu, pela primeira vez, a lâmpada elétrica de filamento. Mas a lâmpada tinha um filamento de carvão. Não é difícil imaginar-se a sua pequena durabilidade.

A partir do momento em que a criatura humana conseguiu esse feito, a partir de Thomas Alva Edison, tudo se modificou na sociedade.

Cinquenta anos depois, Joseph Swan patenteou a lâmpada incandescente e ela passou a ser industrializada, mandada para todas as partes do mundo. Surjiram fábricas, em todas as partes do mundo e, com isto, o mundo se transformou.

É inconcebível hoje, para nossa mentalidade, um mundo sem luz elétrica.

Ficamos a pensar no que seria uma casa iluminada por tochas, por candelabros, por velas.

Hoje vemos nisso um toque romântico, um jantar à luz de velas. Contudo viver uma vida inteira tendo que ler, fazer os serviços domésticos, tratar de doentes, costurar utilizando-se de velas, de tochas, de lampiões, de lamparinas... Inconcebível!

Nesse mundo de hoje, na era da informática, quando se apertam botões e se acendem cidades inteiras, imaginemos o início do século XIX, quando surgiu a grande invenção de Thomas Edison.

Quando pensamos na luz elétrica e tentamos imaginar o que ela representou para o progresso do mundo, sentimos, no fundo d’alma, uma grandíssima emoção.

Aquele homem que pensava que podia conseguir o que veio por fim a lograr, realizou quase um milhar de experiências.

Amigos seus tentavam dissuadi-lo: Edison, desista. Afinal de contas, você já fez quase oitocentas experiências e todas redundaram em erro.

Mas Edison, pertinaz, afirmava: Agora já sei as quase oitocentas formas que não dão certo. Devo estar mais próximo do meu objetivo.

E estava certo Thomas Edison porque logo, logo ele viria a incandescer um pequeno troço de carvão.

Há invenções no mundo que são, incontestavelmente, Divinas e quando falamos dessa possibilidade de iluminar, de fazer luz, a lâmpada elétrica situa-se nesse patamar de uma invenção Divina.

A natureza nos fala da importância da luz porque nos deu, ao longo do dia, o brilho solar. Quando estamos vivendo sob o brilho do sol, complicado pensar na noite escura.

Quando estamos refletindo sobre a noite escura, temos a oportunidade de pensar no brilho do luar e nos beijos cintilantes das estrelas.

A natureza Divina nos fala sempre da luz. Diz o Velho Testamento, logo no primeiro versículo do primeiro capítulo do Gênesis: Era tudo treva. No princípio, eram as trevas e o Espírito do Senhor flutuava sobre a face do abismo.

Depois dessa narrativa, o biblista colocou: E o Senhor fez a luz. Faça-se a luz. Fiat lux. E a luz se fez.

A luz, então, é a grande mensagem do Criador diante das trevas que ainda obnubilam a vida humana.

* * *

Mais tarde, no texto do Novo Testamento, temos a figura emblemática de Jesus de Nazaré. Ele se dirige aos discípulos e à multidão que O cercava e afirma sem rebuços: Eu sou a luz do mundo. Aquele que andar em mim, jamais conhecerá as trevas.

Quando Jesus Cristo estabelece que Ele é a luz do mundo, não podemos e não devemos cogitar de que Ele seja uma luz física. Ele falava de uma luz mental, de uma claridade espiritual, de algo que Ele viera trazer ao mundo para retirar-nos das nossas sombras.

Sombras de ignorância, noites de maldade, escuridão dos tormentos. Então, Ele viera como um astro do dia, uma estrela de primeira magnitude, com essa coragem de dizer, em pleno período das sombras: Eu sou a luz do mundo.

Mas o Homem de Nazaré não Se deteve a dizer-nos que Ele é a luz do mundo. Propôs que nós também trabalhássemos por desenvolver a nossa própria claridade: Brilhe a vossa luz.

Ora, se não estamos tratando de escuridão física, estamos tratando dessa escuridão espiritual, essas sombras da ignorância que tomam conta de nós e fazem com que expressemos um temperamento rebelde, covarde, traiçoeiro.

Jesus propõe que façamos brilhar a nossa própria luz, porque somos lucigênitos. Fomos criados, gerados pela luz de Deus. Lucigênitos, gerados pela luz. A partir dessa concepção, temos o dever de trabalhar o quanto nos seja possível para sairmos das trevas do não saber, do não sentir, do não amar, do não viver.

Todas as vezes que imaginamos o nosso brilho pessoal, a nossa luz interior, compreendemos ou julgamos compreender o que Jesus Cristo nos quis transmitir ao nos incentivar para que deixássemos ou para que fizéssemos brilhar a nossa própria luz.

Em outro momento, nos textos de Mateus, assevera o Celeste Amigo: Quando os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.

Os nossos olhos bons não são os olhos da face. É a nossa maneira de ver as coisas, nossa visão de mundo, nosso olhar sobre as pessoas.

Na medida em que formos misericordiosos, atenciosos, fraternos para com os outros e seus problemas, é natural que estaremos evoluindo, crescendo na direção do Altíssimo.

Todo o nosso ser espiritual, o nosso corpo espiritual, nosso corpo astral brilhará: Todo o teu corpo terá luz.

Quando refletimos sobre esses ensinamentos do Homem de Nazaré: Eu sou a luz do mundo; Brilhe a vossa luz; Quando os teus olhos forem bons todo teu corpo terá luz, não podemos esquecer de outra figura grandiosa, na História do Mundo Ocidental, a segunda expressão de amor que a Terra conheceu, depois de Jesus: Francisco Bernardone.

Sim, Francisco de Assis. No momento em que desejava apresentar-se ao Senhor como trabalhador legítimo, encorajado pelo ideal, naquela chamada oração simples, o pobrezinho de Assis, o doce cantador de Deus se expressou dizendo: Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz. E entre vários itens: Onde houver trevas que eu leve a luz.

Todos os grandes gênios espirituais do mundo valorizaram a luz. Não é à toa que o grande Siddhartha Gautama, o grande Buda, é chamado a Luz da Ásia.

Por isto, quando Jesus afirma ser a luz do mundo, Ele ultrapassa as dimensões de todas as terras, de todos os seres e se mostra de fato como a Luz, Modelo e Guia para todos nós.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 204, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná