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31 março 2012

Singelo à Alma - Lilian Karla Buniak Pinto


Singelo à Alma

Está bem reconhecido que a maioria das misérias humanas tem a sua fonte no egoísmo dos homens.

Descrito no Evangelho Segundo o Espiritismo como uma chaga na humanidade, observa-se dia a dia o seu efeito na vida dos seres humanos.

O egoísmo é a negação da caridade e o responsável direto por dores e angústias profundas na nossa alma.

Muitos dos problemas que julgamos enfrentar em nossa existência advém das vibrações que manifestamos do interior de nossa alma, assim como muitas doenças e muitos vícios, todos vértices de uma fraqueza interior invadido por egoísmo.

De acordo com Obras póstumas, o egoísmo tem sua fonte no orgulho, que leva os seres humanos a considerar-se acima dos outros, e tudo o que é em exagero torna-se pernicioso.

Desta maneira existe maldade cultivada no amplo terreno de cada um à maneira que utiliza o livre arbítrio para exaltação do que não permite a evolução.

É comum observar os seres humanos procurando soluções para seus conflitos pessoais e obstáculos, e afirmando incessantemente que Deus é responsável pelas dores e sofrimentos que estão passando, desperdiçando tempo precioso da existência em blasfêmias e atitudes infantis, sem ao menos perceber que necessitam das dores e dos obstáculos para evoluir, tanto como necessitam muito mais olhar para dentro e se reconhecer como seres compromissados e assumir os próprios defeitos fora de si mesmos.

Ao modificar as condutas egoísticas os seres humanos conseguirão ver e ter a fé.

A Gênese categoricamente completa que o mal vem dos homens e não de Deus, e só a fé e o progresso moral assegura a felicidade dos seres humanos sobre a Terra, pois freia as más paixões e traz paz e fraternidade, em outras palavras, seres humanos reformados intimamente são evoluídos moralmente e guiados pela fé, e para estes a caridade e a fraternidade resumem todas as condições para os deveres sociais da paz, benevolência e indulgência.

Como afirma a obra O céu e o inferno, solidariedade e fraternidade são fundamentos das relações sociais, e isto significa que a evolução da alma depende do auxílio não apenas a si, mas também ao outro.

Quanto tempo se perde na crítica malfazeja ao semelhante?

Quanto tempo se perde nas rodas de maledicência?

Quanto tempo se perde na vivência de atitudes mentirosas e profanas que culminam no sofrimento de outrem?

Pequenos e singelos exemplos, mas repetidos incansavelmente por muitos no dia a dia e que não auxiliam, pelo contrário, ferem, mas não ferem ao outro apenas, a si também, pois neste momento muitos criam problemas, obstáculos, dores... as mesmas que viciosamente acusarão a consciência e participarão de suas vidas.

Não se pode esquecer que a vida resume-se na perfeição divina e conforme traz o Livro dos Espíritos: a tempestade e a agitação saneiam a atmosfera depois de tê-la perturbado.

Pensemos, pois, nas nossas atitudes, nossas dores, aflições com o discernimento que um adulto possui e não com a ilusão e visão de uma criança, pois grande é quem possui nobreza moral e fé, isto sim é singelo à alma.



Bibliografia

Obras básicas de Allan Kardec
A Gênese
Obras Póstumas
O Céu e o Inferno
O Evangelho Segundo o Espiritismo
O Livro dos Espíritos

***


Psicóloga, pós-graduada em Medicina Desportiva pela Faculdade de Medicina de Catanduva/SP, autora do livro: “Vida, Saúde, Otimismo e Participação: o equilíbrio em um envelhecer saudável”, co-autora no livro: “A assistência humanizada ao idoso: os projetos assistenciais desenvolvidos no Recanto Monsenhor Albino” com o capítulo: “A atuação psicológica em instituição geriátrica”, mantenedora do sitewww.lilianbuniak.com.bronde disponibiliza artigos variados de psicologia, palestrante nas áreas de Recursos Humanos, Saúde e Educacional, atuando o momento em Saúde Pública e Educação.

Médium de psicografia, oradora espírita, freqüenta a Associação Espírita Nosso Lar na cidade de Catanduva/SP desde 1999.

30 março 2012

Agressividade e Respeito - Lourival Silveira


Agressividade e Respeito


Há algum tempo alertamos para o aumento da agressividade e ímpetos para a violência, cujos motivos básicos são estresse crônico causado pelo estilo de vida atual, somado à educação tradicional onde a prepotência e até a violência física serviam como álibi para que os pais obtivessem a obediência dos filhos. Lógico que mulheres e crianças sejam as maiores vítimas deste descontrole afetivo e emocional que atinge hoje, todas as camadas sociais, pois elas são de porte físico mais frágil e em especial as crianças pequenas.

Algumas atitudes de violência contra a criança passavam despercebidas, pois eram consideradas normais. Poucos questionavam até a violência física como as chineladas, cintadas ou castigos absurdos com receio de serem considerados intrometidos e, até sofrer as penas da lei.

Não faz muito tempo até na escola havia tolerância para os professores na aplicação de castigos físicos ou a antiga forma mais disfarçada de violência quando o mestre não ia com a "cara" do aluno: reprovar por décimos ou meio ponto. Grandes foram os avanços na legislação que tenta proteger a mulher e as crianças, quanto na aplicação da justiça feita por profissionais cada vez mais sensíveis e interessados em acabar com essa covardia.

Pequenos descuidos, grandes problemas: sem dúvida a origem e a grande falha, estão na educação a que fomos submetidos, geração a geração, baseada no “toma-lá-dá-cá” que se transformou em suborno, na chantagem, no faltar com a verdade, no aumento do medo e na agressão para conseguir um respeito falso.

A família está em processo de desmanche cada vez mais rápido. Causas? Muitas e de todos os tipos: políticas, sociais, religiosas, descrédito na aplicação da justiça, falta de dinheiro, desemprego, ausência de perspectivas, frustração, vícios de todos os tipos... A maior parte de nós ainda é constituída de pessoas agressivas e com impulsos para a violência, mas no ritmo de poucos anos atrás conseguíamos ao sermos defrontados com essas características reagir apenas batendo uma porta, chutando algo, atirando um objeto, falando alto ou dizendo um palavrão; mas as coisas mudaram, pois hoje lidamos com muitas situações ao mesmo tempo, e todo cuidado é pouco: a qualquer momento quando dermos por nós já agredimos alguém fisicamente ou já fomos agredidos e alguns até podem matar ou ser mortos.

O remédio curativo será uma educação baseada em valores éticos aplicados. Para remediar, embora com resultados imediatos bem marcantes, é praticar à toque de caixa, as lições do Evangelho: vigiar e orar, tornar-se mais manso e pacífico, aprender a amar a si mesmo e ao próximo e só fazer aos outros, o que gostaria de receber.

Lourival Silveira

Lourival Silveira é professor de Biologia e, Advogado aposentado. Milita no espiritismo desde 1969. É fundador da Mocidade Espírita Dorival Alonso do CE Caminho da Luz de Regente Feijó. Fundador do site Grupo de Divulgação Esperança (http://grupoesperanca.ning.com) e criador do site: www.ceandreluiz.com.br . Atualmente é vice-presidente do Centro Espírita André Luiz de Presidente Prudente. Orador e Divulgador Espírita. E-mail: lourivalsilveira@gmail.com

29 março 2012

Autismo na Visão Espírita - Victor Manuel Pereira de Passos


AUTISMO NA VISÃO ESPÍRITA

O Autismo é visto como um transtorno invasivo do desenvolvimento, Sindrome de Asperger. Fragilidade que se pode manifestar de forma grave por toda a vida. Ela existe em todo o mundo, em famílias de qualquer raiz racial, cultural ou social, enfim não escolhe a individualidade a encarnar a doença. Os sintomas podem ser verificados pela anamnese, observação comportamental, exames ou entrevistas com o doente e familiares.

As estatísticas dizem-nos, no âmbito do materialismo, que a doença se manifesta entre um e 3 anos de idade, porém na minha visão espírita considerando que toda uma consequência tem uma causa, ela já está presente mesmo antes da reencarnação e veremos porquê!

Os sintomas do autismo encerram:
. Perturbação na periodicidade da aparição de capacidades físicas, sociais e linguísticas; . Reacções anormais às sensações. As funções ou áreas mais afetadas são: visão, audição, tato, dor, equilíbrio, olfato, gustação e maneira de manter o corpo. . Fala ou linguagem ausentes ou atrasados. Devido a tal situação torna-se também restrita compreensão de ideias. Aplica palavras sem associação ou sem significado concernente com o significado. . Percepção anormal dos objetos, eventos e pessoas.

Enteando esta fase verificaremos desde já que o espírito fragilizado está encerrado em si mesmo, e preso no fundo entre os dois Mundos, no da erraticidade e no material.

A essência obscura do autista, aprisiona-os ao medo de enfrentar uma nova experiência, porque sabedores da sua condição, asfixiados por passagens menos dignas de amor e valorização moral, estes irmãos, ao reencarnar detêm um tempo maior da separação perispiritual de tal nível, o qual por vezes se acha já presente no momento de transição aquando da sua concepção, na busca do aborto à revelia da Lei, porém todos sabemos que nada podemos contra a mesma. Daí muitos dos partos destes espíritos serem complicados.

Claro que todos sabemos e não tem nada de novo que o crescimento educativo do espírito encarnado, se faz no período propicio da infância até aos 7 ou 8 anos de idade, mas isto em situações normais, porque no caso destas individualidades, a perturbação, se faz presente por mais tempo, como se estivesse em período de estância gestacional, tal como afirmei atrás estes espíritos sentem pressionados pelo receio de fraquejar, e estacionam, entre ambos espaços e daí a dificuldade de assimilar conhecimento e de se descobrir nos ambientes externos à sua vontade. Interessante é verificar que num estudo do feito por pesquisadores e comprova o que acabei de dizer; “Pesquisadores realizaram o protótipo de um laboratório que simbolizava um útero e colocaram autistas, neste ambiente. Ali, eles tinham contacto com sons e sensações semelhantes àquelas transmitidas pela mãe para o bebê quando este se encontra dentro do útero, mergulhado no líquido amniótico. A experiência foi de completo êxito, pois as crianças autistas apresentaram reações, tornando-se um pouco mais receptivas."

Realizei experiências semelhantes com um grupo de pessoas sensitivas e outras habilitadas criando através de uma ação mental um útero materno. A resposta da criança autista foi positiva.” Drª Hellen

Num ápice os autistas são inteligentes, exigentes e seguros de si, para logo a seguir por vezes sem razão uma razão aparente, ou começam a saltitar como crianças, mesmo sendo adultos ou passam pelas pessoas sem as perceberem realmente. As vezes isolam-se e falam baixinho ou riem sem motivo, olhando não se sabe para quem ou onde. Algumas vezes se auto-flagelam, se auto agridem, tornando-se agressivos a tudo e todos, não importa quem.

Bastante imprevisíveis têm a capacidade de transportar quem lhe convive a outro, da esperança ao desespero. Quando concentrados e atentos, todo o aprendizado é possível e quando um conhecimento ou experiência foram aprendidos jamais será esquecido.

O Autista aparece por efeito em duas situações: espiritual quando está bem marcado no seu perispírito, que o leva a ter lesões neurológicas, aquilo que se chama o espelho refletor do cérebro, nesse caso o indivíduo não consegue comunicar-se por causa de deformações ou lesões nos corpos sideral e físico. A é consequência do espírito, estar estigmatizada com a consciência da culpa, temendo uma reencarnação compulsória na qual colherá os efeitos de faltas passadas. Por isso o espírito rejeita a reencarnação, provocando o autismo. Ocorre um severo processo de auto-obsessão por abandono consciente da vida, um auto-aprisionamento orgânico. Nesse caso, mesmo não havendo uma lesão directa do perispírito, a rejeição à reencarnação e a recusa à comunicação danificam o cérebro..

Mas vamos agora ao encontro da problemática provacional, e ela traz-nos ao o fulcro da vida, do vetor sensorial da existência e ponto vital da evolução educativa moral, espiritual e intelectual, a Familia, a escola ,o meio a sintonia envolvente que exige dos Pais e educadores uma entrega profunda de amor em toda a plenitude. A renuncia , a muito porque estes irmãos trazem em si um ensinamento para os progenitores, que faz com que a sua luta mereça de todos nós o maior respeito e oração em torno da sua coragem e luta diária para que consigam levar em frente tamanha obra como objetivo numa encarnação…

Segundo Bezerra de Menezes, no livro “Loucura e Obsessão” , muitos espíritos buscam na alienação mental, através do autismo, fugir do resgate de suas faltas passadas, das lembranças que os atormentam e das vitimas que angariaram nesse mesmo pretérito.

Esta temática visa recolher o máximo afim de irmos ao encontro quer do porquê da deficiência, da provação e expiação e da necessidade do conhecimento dos valores da vida reais.

A autora do livro “ Vida Além da Vida” deixa-nos em suas experiências três casos; nessas, pelo que se vê, o ser/essência nada sofreu, encarando com naturalidade e compreendendo todos processos, mesmo os mais dolorosos.

1º caso - Minha mãe não me desejava. Certa vez tentou abortar e fiquei irado por ocasião do parto, porque ela pretendia divorciar-se do meu pai. Estou agora conscientizado de que parte do meu carma consiste em aprender a amar minha mãe, de qualquer maneira.

2º caso - Ao me ligar ao feto, dava-me conta de que minha mãe estava assustada, de início, posteriormente aceitou o processo com naturalidade.

3º caso - Foi uma experiência forte, não desagradável mas surpreendente, o meu nascimento.

Enviei mensagens à minha mãe para que ela encarasse tudo como sensação e não como dor. Percebia, de forma clara, as atitudes das outras pessoas. Eu estava muito feliz por assumir esta vida.

A partir da leitura desse livro e de algumas experiências realizadas em grupos holísticos e espíritas eu introduzi em algumas vivências o exercício de retorno ao útero. Muitas marcas em nosso corpo e alma tem origem no momento da concepção. Este período, o da gravidez e do parto são fundamentais para a saúde física e mental da criança. Aí se reforça na realidade tudo o que já afirmara mais acima, agora como se tratam os Autistas?
Não existe uma medicação para a cura do autismo, Existem medicações apenas para administração dos sintomas do autismo. Os autistas tem potencialidades a serem trabalhadas com um bom desempenho educacional em conjunto com uma boa equipe multidisciplinar e o apoio integrado com pais.

As preocupações em relação ao meio debatem-se com o preconceito a desistência dos pais, porque não haja duvidas tal como Jesus dizia, ”Só o amor nos salvará, em caridade” tal como as aves do céu buscam o seu alimento todos que estão envolvidos na simbiose de evolução devem procurar reforçar-se no “Orai e Vigiai”. Os pais destes irmãos necessitam de muito conhecimento espiritual, estudar, afim de com o reforço duma fé racionada e uma esperança acalentada no trabalho de caridade dando amor , é que conseguirão suplantar esta oportunidade de crescimento.

Victor Manuel Pereira de Passos

Victor Manuel Pereira de Passos nascido em 26 de dezembro de 1958, reside em Viana do Castelo, Portugal, onde é membro da Associação Espírita Paz e Amor. Autor de várias brochuras, tais como: "Reflexões", "Oásis de Luz", "Adolescentes e a droga", além do livro "Sementes da vida", editado em janeiro de 2007, para apoio de Instituição de Deficientes Criança Diferente.

28 março 2012

Um Amor Muito Especial - Filhos com Deficiência - Raul Teixeira


''Um Amor Muito Especial - Filhos com Deficiência''

A expectativa que toma conta do período de gestação da mulher é tão especial e admissível que se justifica a frustração ou a amargura que envolve tantos corações, quando constatam que seus rebentos, ansiosamente aguardados, são portadores de deficiência física ou mental ou a conjugação de ambas.

Compreensíveis a dor e a surpresa que se alojam nas consciências e nas almas paternas, ao começarem a pensar nas limitações e conflitos, agonias e enfermidades que acompanharão os seus filhos, marcados, irremediavelmente, para toda uma existência de dependências e limitações.

Quantos são os pais que, colhidos no amor próprio, fogem da responsabilidade de cooperar com os filhos debilitados?

Quantas são as mães que, transformadas em estátuas de dor ou de revolta, abandonam os filhos à própria sorte, relegando-os aos ventos do destino?

Entretanto, levanta-se um enorme contingente de pais e de mães que, ao identificarem os dramas em que se acham seus filhos inseridos, enchem-se de ternura, de dedicação, vendo nos rebentos, achacados no corpo ou na mente, oportunidades de crescimento e enobrecida luta em prol do futuro feliz para todos.

*

Seu filho com deficiência, não o descreia, é alguém que retorna aos caminhos humanos, após infelizes rotas de desrespeito à ordem geral da vida.

Seus filhos lesados por carências corporais ou psíquicas estão em processo de ressarcimento, havendo deixado para trás, nas avenidas largas do livre-arbítrio, as marcas do uso da exorbitância, da insubmissão ou da crueldade.

Costumeiramente, os indivíduos que se valeram do brilho intelectual ou da sagacidade mental para induzir ao erro, para destruir vidas no mundo, para infelicitar, intrigando e maldizendo, reencarnam com os centros cerebrais lesados, em virtude de se haverem atormentado com suas práticas inferiores, provocando processos de desarranjo nas energias da alma, localizadas na zona da estrutura cerebral.

Não só intelectuais degenerados renascem com limitações psico-cerebrais, tangidos pela Síndrome de Down, mas, também, os que resolveram mergulhar nas valas suicidas, destroçando o cérebro e os seus núcleos importantes, mantendo-se com os fulcros de energias perispirituais sob graves distúrbios que deverão ser recompostos por meio da reencarnação.

Indivíduos que, no passado, se atiraram à insana destruição corporal, arremessando-se de altitudes, ou sob pesados veículos, ou deixando-se afogar no bojo de massa líquida, podem retornar agora na posição de filhos da sua carne, marcados por hemi, para ou tetraplegias, por cegueira, mudez, surdez ou outras dramáticas situações que estão situadas no território das teratologias.

O despotismo implacável pode gerar neuroses ou epilepsias; o domínio cruel de massas indefesas e desprotegidas pode produzir os mesmos efeitos.

Os homicídios cruéis podem acarretar infortunados quadros epilépticos, produzindo sobre a rede psico-nervosa adulterações nas energias circulantes, provocando panes de freqüência variada, de caráter simples ou crônico.

Seus filhos com deficiências podem estar em alguma dessas condições, necessitados da sua compreensão e assistência, para que sejam capazes de superar as próprias deficiências, colocando-se aparelhados de resignação e esforço íntimo para que suplantem-se a si mesmos, rumando para Deus, após atendidos os projetos redentores da Divindade.

Ame seus rebentos problematizados do corpo ou da mente, ou de ambos, cooperando com eles, com muita paciência e com o preito da ternura, para que possam sair vitoriosos da expiação terrena, avançando para mais altos vôos no rumo do nosso Criador.

Forre-se de carinho, de paciência, de tranqüilidade interior, vendo nesses filhos doentes as jóias abençoadas que o Pai confia às suas mãos para que as burile.

Por outro lado, vale considerar que se você os tem nos braços ou sob a sua assistência e seus cuidados, paternais ou maternais, é em razão dos seus envolvimentos e compromissos com eles.

Você poderá tê-los recebido por renúncia e elevado amor de sua parte, mas, pode ser que você esteja diretamente ligado às causas que determinaram os dramas dos seus filhos, cabendo-lhe não alimentar remorsos descabidos, mas, sim, auxiliá-los e impulsioná-los para a própria recomposição, enquanto você, igualmente, avança para o Criador, sofrendo por seu turno o ter que vê-los resgatar, sem outra opção que não seja abraçá-los e se colocarem, você e eles, sob a luz do amor de Deus, resignadamente.


Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira, inserta no livro "Nossas Riquezas Maiores"

27 março 2012

Lei de Causa e Efeito - Manoel P. de Miranda


LEI DE CAUSA E EFEITO

"Na patogênese da alienação mental, sob qualquer aspecto em que se apresente, sempre defrontaremos um Espírito falido em si mesmo, excruciando-se sob a injunção reparadora, de que não se pode deslindar, senão mediante o cumprimento da justa pena a que se submete pelo processo da evolução.

As Soberanas Leis, que mantêm o equilíbrio da vida, não podem, em hipótese alguma, sofrer defraudações, sem que se estabeleçam critérios automáticos de recomposição, em cujo mister se envolvem os que agem com desregramento ou imprevidência.

Sintetizadas na lei de amor, que é a lei natural fomentadora da própria vida, toda criatura traz o gérmen, a noção do bem e do mal, em cuja vivência programa o céu ou o inferno e aos quais se vincula, nascendo as matrizes das alegrias ou das dores, que passam a constituir-lhe o modus vivendi do futuro, atividade essa pela qual ascende ou recupera os prejuízos que se impôs.

Não há, nesse Estatuto, nenhum regime de exceção, em que alguém goze de benção especial, tampouco de qualquer premeditada punição.

Programado para a ventura, o Espírito não prescinde das experiências que o promovem, nele modelando o querubim, embora, quando tomba nos gravames da marcha, possa parecer um malfadado "satanás", que a luta desvestirá da armadura perniciosa que o estrangula, fazendo que liberte a essência divina que nele vige, inalterada.

Quem elege a paisagem pestilencial, nela encontra motivos de êxtase, tanto quanto aquele que ama a estesia penetra-se de beleza , na contemplação de um raio de Sol ou de uma flor, inundando-se de silêncio íntimo para escutar a musicalidade sublime da Vida.

Não existe, portanto, uma dor única, na alma humana, que não proceda do próprio comportamento, sendo mais grave o deslize que se apóia na razão, no discernimento capaz de distinguir, na escala de valores, as balizas demarcatórias da responsabilidade que elege a ação edificante ou comprometedora...

Só Jesus viveu a problemática da aflição imerecida, a fim de lecionar coragem, resignação, humildade e valor ante o sofrimento. Ele, que era Justo, de modo que ninguém se exacerbe ou desvarie ao expungir as penas a que faz jus.”


Manoel Philomeno de Miranda (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Nas Fronteiras da Loucura

26 março 2012

O Espiritismo é a Luz - Manoel P. de Miranda


O ESPIRITISMO É A LUZ

O Espiritismo se nos apresenta como o roteiro de segurança para o equilíbrio do espírito do homem. Desfazendo as ilusões da matéria e vencendo as sombras transitórias que vedam as visões do Mundo Espiritual, apresenta-nos as causas reais de cujos efeitos e somente neles, até agora, se há detido o pensamento da pesquisa tecnológica; suas asseverações rigorosamente filosóficas conseguiram avançar além da própria Filosofia no seu conjunto classicista, porque, em saindo da interrogação pura e simples, da indagação meramente vazia e das conjunturas da hipóteses, traz das realidades metafísicas as soluções morais e vitais para o enigma-homem, que se deixa de quedar perturbado pelas incógnitas diversas, para palmilhar a senda dos fatos, de cujo contexto extrai a realidade ontológica legítima que o capacita a avançar intimorato, embora as circunstâncias, condições e climas morais, sob cuja constrição evolui na direção do infinito. Sim, porque não são os homens que realizam espontane amente incursões no além-túmulo, mas, e principalmente, os vitoriosos da sepultura vencida que retornam, cantando a ressurreição da vida após a lama e a cinza do corpo, a repetirem incessantemente a lição imorredoura do Cristo, na manhã gloriosa do domingo, logo após a sua morte, como Astro fulgurante, atestando desse modo a indestrutibilidade do espírito e, conseqüentemente, as sucessivas transformações da vida para atingir a sublimação. Religião do amor e da esperança, pábulo eucarístico pelo qual o homem pode comungar com a imortalidade, é o lenitivo para a saudade do desconforto ante a ausência dos seres amados que o túmulo arrebatou, mas não lhes conseguiu silenciar a voz; esperança dos padecentes que sofrem as ácidas angústias de hoje, compreendendo serem elas o resultado da própria insânia do passado, porém, com os olhos fitos na esplendorosa visão do amanhã, que lhes está nas mãos apressar e construir; praia de paz, na qual repousam em dinâmica feliz os nautas aflito s e cansados do trânsito difícil no mar das lutas carnais; santuário de refazimento através da prece edificante; escola de almas, que aprendem no estudo das suas informações preciosas e das suas lições insuperáveis a técnica de viver para fruírem a benção de morrer nobremente; hospital de refazimento para os trânsfugas do dever, que nele encontram o bálsamo para a chaga física, mental, moral; todavia, recebem a diretriz para amar e perdoar, a fim de serem perdoados e amados pelos que feriram e infelicitaram; ‘colo de mãe’ generosa é o amparo da orfandade, preparando-a para o porvir luminoso, já que ninguém é órfão do amor do Nosso Pai; abrigo da velhice, portal que logo abrirá de par-em-par a aduana da Imortalidade; oficina de reeducação onde a miséria desta ou daquela natureza encontra a experiência do trabalho modelador de caracteres a serviço das fortunas do amor; traço de união entre a criatura e o Criador, religando-os e reaproximando-os, até que a plenitude da paz poss a cantar em cada criatura, à semelhança do que o Apóstolo das gentes afirmava: ‘Já não sou eu quem vivo, mas é o Cristo que vivem em mim’. (Gálatas, 2: 20).


As altas responsabilidades conseqüentes do conhecimento do Espiritismo, forjam homens verazes, cristãos legítimos. Neles não há campo para a coexistência pacífica do erro com a retidão, da mentira com a verdade, da dissimulação com a honestidade, da lealdade com a hipocrisia, da maledicência com a piedade fraternal, da ira com o amor... Compreendendo que ser espírita é traçar na própria conduta o comportamento do Cristo, a exemplo de todos aqueles que O seguiram, e consoante preceitua o eminente apóstolo Allan Kardec, o aprendiz da lição espírita é alguém em combate permanente pela própria transformação moral, elevação espiritual e renovação mental, com vistas à perfeição que a todos nos acena e espera.”


Manoel Philomeno de Miranda (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Nos Bastidores da Obsessão

25 março 2012

Síndrome do Pânico na Visão Espírita - Jaider Rodrigues de Paulo


Síndrome do Pânico na Visão Espírita
Entrevista com Dr. Jaider Rodrigues de Paulo

01.O que é Síndrome do Pânico?
Resposta: É uma vivência geralmente abrupta sem motivos aparentes levando o individuo portador a um estado de pavor, medo de morrer e de enlouquecer, como sentimento de estranheza e varias sintomas orgânicos tais como taquicardia, sudorese, mau estar, boca seca, falta de ar e outros.

02.Quais são as medidas profiláticas dessa síndrome?
Resposta: Toda e qualquer atitude salutar diante da vida.

03.Quais são as causas da síndrome do pânico? Orgânicas-genéticas ou espirituais (obsessivas)?
Resposta: A ciência oficial ainda não tem uma causa definida e clara para esta síndrome. Somos do parecer pelos estudos que já fizemos que o núcleo central da síndrome do pânico está na reencarnação translata, quando o individuo teve uma morte violenta e prematura, por acidente ou suicídio. Nas regressões de memórias que submetemos a alguns clientes com essa síndrome encontramos em todas uma morte traumática. A dificuldade em desvenciliar-se do corpo físico morto, sentindo as conseqüências de sua decomposição, fixa no perispírito das pessoas aquelas impressões desagradáveis que o corpo físico da seguinte reencarnação, não consegue apagar. De uma maneira geral temos observado que pessoas que têm síndrome do pânico tem medo de cemitério e não gostam de freqüentar velórios, ou seja, evitam inconscientemente aqueles locais aonde sofreram muito. Quanto à parte genética, há a possibilidade de transmissão autossômica dominante com reentrância parcial do gene do cromossomo 16.

04.Como podemos viver em harmonia com alguém que sofre dessa síndrome?
Resposta: Primeiro entendendo que se trata de uma pessoa enferma necessitando de compreensão e apoio. Segundo, auxiliando-o em seu tratamento especializado.

05.Na prática do dia-a-dia, como podemos ajudar um companheiro que possui a síndrome do pânico?
Resposta: Procurando entender o seu sofrimento e fazendo a ele o que você gostaria que fosse feito a você, como por exemplo, evitando criticas exigências que ela não dá conta de fazer.

06.Sensação de medo do futuro, ansiedade, tontura gerando insegurança, sensação de falta de ar, são possíveis sintomas da síndrome do pânico? A síndrome do pânico pode ser confundida com a aproximação de energias estranhas à nossa?
Resposta: Não, estão mais parecidos com crise de ansiedade. Com energias estranhas sim, principalmente se a pessoa for médium.

07.Gostaria de saber se a obsessão é sempre a causa desta síndrome, e se devemos tomar remédios controlados para amenizar as crises já que estes viciam e afetam o perispírito, e também sobre a terapia de regressão se é talvez o caminho para a cura?
Resposta: Primeiro há um engano na afirmação. Síndrome do pânico não tem ao nosso ver como causa a obsessão.Isso é vicio de interpretação de espíritas mal informados que afirmam que tudo que um individuo sente em nível mental ou é obsessão ou mediunidade. Isso revela desconhecimento das obras de Kardec. Um processo obsessivo agrava um quadro de síndrome do pânico, mais isso não quer dizer que seja a etiologia da mesma. Quem tem síndrome do pânico necessita de tratamento especializado. Quanto ao fato dos medicamentos afetarem o perispírito, isso é uma verdade somente se o individuo usa o medicamento de maneira abusiva e não procura fazer nada que venha a modificar as suas atitudes diante da vida. A regressão de memória pode ser muito útil para o paciente portador dessa síndrome.

08.Atualmente estou ficando com a língua, os braços e as pernas dormentes, sem contar com a sensação de perda de consciência e sensação de falência. Já realizei vários exames e fui a diversos especialistas, todos me dizem que estou com síndrome do pânico. Tenho discordado, pois além de não estar com medo de sair de casa e das pessoas (o que é um sintoma), essas crises aparecem nos momentos de maior relaxamento. Tenho a impressão que essa sensação tem influencia espiritual. Pergunto: é possível associar esses sintomas com a questão espiritual?
Resposta: Acreditamos que sim, embora falte ainda uma análise mais detalhada para suspeitarmos de síndrome do pânico.

09.Como lidar com esta síndrome com um filho adulto e espírita? (índice)
Resposta: Por ser espírita seu filho tem mais recursos para lidar com a doença embora tenha necessidades de tratamento medico. Os recursos espíritas ajudam a amenizar as influências espirituais o que pode aliviar muito a sobrecarga sobre o paciente. Porém repetimos que ele necessita de tratamento especializado.Você pode incentivá-lo a procurar tais ajudas.

10.A síndrome do pânico pode atingir alguém que mora em uma cidade pacata, do interior? Resposta: Perfeitamente.

11.A síndrome do pânico não deveria ser tratada como obsessão? Por que espíritas se refugiam na medicina quando não querem enfrentar a causa espiritual primaria de muitas doenças?
Resposta: Não porque não é simplesmente uma obsessão. Trata-se de uma nosologia medica com tratamento medico. Querer tratar problemas psicológicos e orgânicos somente com recursos espirituais é não aceitar a realidade e muitas vezes refugiar-se na doutrina espírita para não aceitar que está doente. O inverso também ocorre como você está dizendo. Tem muitos espíritas que refugiam-se em consultórios médicos quando na realidade deveriam assumir as suas necessidades espirituais.

12.Onde eu poderia ter algum esclarecimento sobre o tema?
Resposta: Dentre muitas revistas medicas e livros que versam sobre o assunto, existe um livro com o titulo "pânico" de Mario Eduardo Costa Pereira muito bom.

13.Até que ponto a mente influencia no comportamento do individuo e o ajuda a conquistar o que deseja, tanto material quanto espiritual?
Resposta: A mente está na base de todos fenômenos humanos. Uma vontade firme determinada é capaz de realizar prodígios muitas vezes inimagináveis por nós. Como dizia Einstein é preciso crer para ver.

14.Quando se acorda, sentindo um medo que não se sabe de que, um vazio, apesar de ter inúmeras atividades, isso é síndrome do pânico?
Resposta: Não. É bem provável que sejam vivencias obsessivas ou admoestações feitas por mentores nos orientando que estamos fora do caminho programado.

15.Como diferenciar síndrome do pânico de uma influenciação, uma aproximação de alguma entidade espiritual?
Resposta: A síndrome do pânico apresenta sintomas característicos embora, alguns possam confundirem com influência espiritual. Uma influência de tamanha proporção já está nas raias da obsessão e esta apresenta outras características. Os pesadelos persecutórios com despertar na madrugada com medo, insônia por medo de dormir,irritabilidades constantes crises de ansiedades sem outros sintomas físicos, mudanças de humor constantemente, idéias esquisitas invadindo a mente do individuo, aversões sem justificativas, pensamentos suicidas e outros quase sempre estão presentes nas obsessões.

16.Ocupar o nosso tempo com atividades úteis, alegres, participativas auxiliam o tratamento de pessoas que tem síndrome do pânico?
Resposta: Muito, porque elevam o padrão mental da pessoa, fazendo-a vibrar numa oitava a cima do normal dela,dificultado as incursões inconsciente da mente nos dramas passados que ao nosso ver são as verdadeiras causas da síndrome do pânico.

17.Não sei se aplica ao pânico, mas como se analisa a questão do medo advindo de experiências nessa existência que minaram a confiança da pessoa ( ex.. sofrer atos de violência física ou mental, acidentes, etc )? Qual o melhor caminho para se desvencilhar desse medo?
Resposta: Essas experiências traumáticas muitas vezes tornam o individuo mais sensível e costumam despertar dificuldades ocultas que até então estavam sobre controle em seu campo mental.Nesses casos o bom seria procurar um profissional competente que ajudasse a pessoa a se dessensibilizar-se desses traumas. Existem técnicas de tratamento para isso.

18.O que fazer quando percebo que a "crise" está começando... o coração passa de 220 batimentos por minuto... tenho medo de enfartar ( o cardiologista falou que não tenho nada no coração). Eu começo a orar, peço ajuda, mas parece que não consigo evitar...estou tomando passe e água fluidificada.
Resposta: Normalmente é isso que acontece. As pessoas dizem: rezo, rezo, rezo e não melhoro vou ao centro tomo passe água fluidificada e nada. Será que Deus esqueceu de mim? A sua questão vem reafirmar o que estamos dizendo: paciente com síndrome do pânico necessita de tratamento especializado, alem da ajuda espiritual.

19.Senti-me mal e foi diagnosticada síndrome do pânico. Sou espírita e fiquei com uma interrogação : ouvi dizer que tem a ver com falta de fé, mas não me considero sem ela. Isto é correto?
Resposta: As maiores dificuldades que temos na vida realmente é por falta de fé. Mas no caso da síndrome do pânico isto não é apanágio da falta de fé propriamente dito.

20.Teria a síndrome do pânico algum papel punitivo ou educativo na encarnação?
Resposta: Punitivo não porque Deus não pune os seus filhos que erram porque são ignorantes. Essa idéia de punição são resquícios de idéias religiosas da "psicologia do inferno". Educativas sim. Pois todo sofrimento quando bem entendido tende a levar a conscientização da pessoa.

21.Uma pessoa que tenha um problema tipo ciúme obsessivo, pode ter síndrome do pânico?
Resposta: Pode sim, mas não vejo ligação direta entre eles.

22.Tenho uma formação espírita desde criança, leio livros espíritas, participo de reuniões semanais e faço o evangelho no lar. Mesmo assim não consigo me livrar da síndrome de pânico, tomo regularmente Rivotril, duas vezes ao dia e nas tentativas que fiz para parar de tomar me senti péssima. Tudo começou após o nascimento de minha filha, hoje possui dez anos. A sensação que tenho é que alguma catástrofe está para acontecer, a todo instante mas principalmente a noite e em ambientes fechados. Tenho muito medo de que algo me aconteça ,pois, mesmo acreditando na vida em outro plano, não quero que minha filha sofra a minha falta ainda tão nova, não quero vê-la sofrer. Atualmente tenho sofrido muito, pois o meu marido está desempregado e a empresa que eu trabalho já avisou que irá demitir funcionários, pois está sendo adquirida por outra. Não tenho me sentindo bem e, mesmo com os remédios, vivo em pânico, acordo durante a noite e fico pensando como vou sustentar a minha família. Às vezes tenho vontade de morrer, mas ao mesmo tempo não quero que isto aconteça pois quero criar a minha filha, encaminha-la na vida. Estou sofrendo muito. O que o espiritismo pode ajudar quanto ao pânico?
Resposta: O seu quadro ao nosso ver trata-se de transtorno de ansiedade generalizado, complicado pelas vicissitudes da vida. Não me parece estarmos diante de um quadro de Síndrome do Pânico característico. Você necessita de fazer o tratamento deste transtorno e trabalhar mais a sua fé no criador. Alias, no momento atual pelo qual passamos, todos nós necessitamos buscar na nossa fé, a força necessária para vencermos essas dificuldades que assolam o nosso país.

23.Quero saber como devo agir no meio de tanto estresse, para evitarmos tê-la, e melhor, como auxiliar alguém que esteja começando a tê-la ou até já esteja em grau um pouco mais adiantado da doença?
Resposta: Fazendo uma analise de como você está administrando a sua vida. O que realmente é necessário e o quê está de supérfluo ocupando o espaço do vital para você. Nós muitas vezes sofremos desnecessariamente por não sabermos o que queremos da vida. Necessitamos priorizar em nossa vida o que realmente é necessário. Leia o livro "mereça ser feliz" vai lhe ajudar muito, espero.

24.Deve a pessoa que tem síndrome do pânico, tomar medicação? A meu ver trata-se somente de obsessão.
Resposta: Já foi respondido em outra parte (questões 4 e 11).

25.Milha filha apresentou esse problema alguns anos atrás. Os médicos demoraram muito para diagnosticar; tiveram que fazer muitos exames. Enfim, ela ficou sete dias internada. Fez tratamento alopático e só. Gostaria de saber se há possibilidade de voltar o problema e em que situação?
Resposta: Geralmente são os psiquiatras ou cardiologista que fazem o diagnostico com mais facilidades, pois é grande a freqüência em suas clinicas de tais pacientes. Junto com o tratamento alopático (sempre necessário), deve-se buscar a psicoterapia e também os tratamentos complementares. A ajuda espiritual é muito benéfica. Leituras salutares, o hábito da oração, esportes, divertimentos sadios são muito importantes para manter a mente da pessoa sempre em um nível superior, pois o pessimismo o vicio de mentalizar o lado negativo da vida podem ser fatores desencadeante das crises.

26.Sou casada há l2 anos e tenho um filho de seis anos. Tenho sofrido ao longo de sete anos entre período de depressão e outro, e hoje foi diagnosticado que tenho além de fibromialgia, que é um distúrbio neurológico, a síndrome do pânico. Há dias que é ainda mais intenso o meu pavor e aversão ao mundo externo. Gostaria de saber porque esta síndrome se instala e se há cura.
Resposta: A causa como já falamos alhures, é desconhecida pela ciência. Existem varias hipóteses, mas nenhuma por si responde todas as questões. É muito comum depressão, fibromialgia e síndrome do pânico, estarem presente numa mesma pessoa. No final destas questões exporemos o nosso ponto de vista sobre a síndrome do pânico.

27.Como ajudar uma pessoa com esses sintomas fora de um centro espírita? A terapia de regressão a vidas passadas não incorre em riscos para o paciente (se Deus nos deu a benção da amnésia parcial, será beneficio relembrar certas vivencias)?
Resposta: Aconselhando-a procurar um médico em primeiro lugar. Depois a orientando fazer uma revisão de como tem vivido. Procurar vincular-se a um trabalho voluntário em favor de alguém e não esquecer de buscar o habito da oração.Quanto ao fato da regressão de memória a vivência passadas, costuma ser muito útil no tratamento destas pessoas. O esquecimento do passado é realmente uma benção, mas não impede que busquemos recursos para a solução dos nossos problemas hoje. O nosso " EU" superior só permitirá vir á consciência aqueles fatos que o nosso psiquismo de superfície já suportar elaborar. A mente tem os seus mecanismos de defesas, que protegem a integridade psíquica. Quando Emmanuel desaconselha vasculhar o passado, afirma isso nas questões de curiosidade e não para tratamento. Para tratamento somos do parecer que é valido desde que seja feito por profissional competente.

28.Como o medo e a solidão influenciam no processo da síndrome do pânico?
Resposta: O medo quando em grau superlativo, é o pior sentimento que uma pessoa possa sentir. A síndrome do pânico é um medo extremo, que desencadeia vários sintomas numa pessoa. Ele é para nós a porta de entrada da síndrome do pânico.

29.Minha mãe teve síndrome do pânico logo após o desencarne de meu pai ( ele ficou doente 15 anos e nesse tempo todo ela dedicou somente a sua doença). Com a síndrome do pânico, ela várias vezes foi ao hospital com a pressão alta e após várias crises, foi constatada a doença. Ele hoje está bem melhor, mas continua tomando os medicamentos. Na mesma época que ela começou o tratamento, ela voltou a aplicar passe no centro. Não sabemos se a melhora foi devido aos trabalhos no centro ou a medicação. Se ela parar com a medicação a síndrome pode voltar? Ela não queria mais ficar tomando tantos remédios.
Resposta: Somos do parecer que foram as duas coisas que redundaram na melhora. É bom que ela procure o seus médico e converse com ele na possibilidade de reduzir a medicação e observar como ela irá sentir.

30.Observação do entrevistado (índice)
A síndrome do pânico à nossa experiência tem como provável causa uma morte traumática na reencarnação próxima passada. Geralmente por suicídio. No livro Memórias de um suicida, Camilo Castelo Branco descreve com rara felicidade os principais sintomas encontrados em tal síndrome. A dificuldade em desvencilhar-se do corpo vital quando de um desencarne abrupto provocado direta ou indiretamente pelo próprio individuo é que ao nosso ver responde por todo cortejo de sensações estranhas que a pessoa sente. De uma maneira geral vários sintomas são confundidos com esta síndrome. Ansiedade, palpitação, mal estar e outros por si só não nos autoriza a dar este diagnostico A sensação de desrealização, despersonalização, medo de enlouquecer ou de morte eminente com a angustia de que ninguém pode ajudar, são para nós os principais sintomas dessa síndrome. Os pacientes em regressão de memória quando acessam estes momentos, nos revelam esses sentimentos. A dificuldade em desencarnar (não de morrer) é que trás esse sofrimento. A morte pode ser de varias maneiras: suicídio, enfarto, guerra, traumas vários, mas é a dificuldade em desvencilhar-se do corpo e ficar preso ao duplo etérico quando o corpo já está morto que é o grande problema. Ao reencarnar, o novo corpo não é capaz de abafar as sensações violentas do passado e por ressonância com vivencias atuais , pode abrir-se uma janela dos passados e essas sensações podem materializarem-se na vida atual. O momento da morte como do nascimento é muito importante para todos nós.

24 março 2012

Abortagem Moral e Espiritual da Depressão - Roberto Lúcio Vieira de Souza


ABORDAGEM MORAL E ESPIRITUAL DA DEPRESSÃO

Atualmente, a depressão é um dos problemas médicos mais difundidos no mundo, ocupando, segundo estudo conjunto da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos EUA, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Banco Mundial, o quarto lugar entre as causas de doenças degenerativas e de mortes prematuras. A previsão é de que ela se torne, em 2020, a segunda doença em importância, ficando apenas atrás dos males cardíacos.

Após vários anos de pesquisas, chegou-se à conclusão de que a depressão, cuja incidência aumenta a cada dia em nosso planeta, tem bases biológicas e é, freqüentemente, influenciada por estresse psicológico ou social. Mas há também os fatores espirituais, que, na verdade, são a base da doença. “Os deprimidos são pessoas de um nível evolutivo mediano, boas, responsáveis, com boas intenções, mas possuem um baixo nível de aceitação deles mesmos e de suas relações com o Criador. Investem uma energia muito negativa contra si mesmos, à medida que não conseguem ser aquilo que gostariam de ser”, declara Jaider Rodrigues de Paulo, psiquiatra, homeopata e presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais.

Apesar de termos a idéia de que o deprimido é quietinho e quer ficar isolado, o psiquiatra afirma que ele é um rebelde e extremamente agressivo. “Ele não quer viver nem que os outros vivam. No seu subconsciente, não aceita que está errado, acha que é o indivíduo mais sofrido do mundo e que tudo o que os outros fazem é contra ele”, completa. São várias as vertentes da doença, apesar de ter um único motor que é a não aceitação. “A partir daí vão se desenvolvendo em cadeia vários processos que são agravantes, inclusive o genético. A genética na depressão não é conseqüência, com efeito, é causa”, informa.

Auto-obsessão

O psiquiatra Roberto Lúcio Vieira de Souza, diretor de publicações da AME-MG e diretor clínico do Hospital Espírita André Luiz, em Belo Horizonte (MG), acredita que, do ponto de vista moral, a depressão é um processo auto-obsessivo pelo fato de o deprimido ser um rebelde, cuja energia destrutiva é, antes de tudo, voltada contra si. “Dentro da abordagem espiritual, existem dois grandes grupos de depressão. São as de fundo carmático, oriundas de ações moralmente doentias do espírito, em uma ou diversas encarnações, nas quais prejudicou a si ou a terceiros, demarcando, quando do processo reencarnatório, a escolha de um material genético comprometido, capaz de dar origem à doença. E as desencadeadas por situações atuais de profundo comprometimento da tristeza, geralmente de intensidade mais leve e que não respondem ao tratamento convencional de maneira satisfatória”, explica.

Mas como seria essa ação mental, capaz de fazer surgir uma crise depressiva? Os espíritos poderiam atuar diretamente no material genético de outra criatura, determinando uma probabilidade de surgimento da patologia? Isso aconteceria antes ou depois do processo reencarnatório? Souza lembra que, de acordo com O Livro dos Espíritos, a atuação dos espíritos pode acontecer tanto na natureza física quanto na direção de outros espíritos, levando-os a situações de dificuldade. “Desse modo, pode-se dizer que espíritos adestrados e conhecedores das leis naturais, que agem no campo biológico, atuam, pela força mental, em determinadas situações, diretamente no material genético, seja no momento da escolha do óvulo e do espermatozóide, ou ainda na mutação desse material, predispondo o outro, ao reencarnar, para a propensão à doença”, afirma. “Tais atitudes, aparentemente negativas, dando a entender que estaria ocorrendo um desamparo dos planos superiores da vida, estariam sob o jugo da lei da justiça, quando a considerada vítima, ferindo a lei divina, permitiu-se ser alvo de entidades momentaneamente perversas”, diz.

No momento, várias pesquisas vêm surgindo com a utilização de tratamentos espirituais, envolvendo a prece, a meditação e tantos outros recursos, mas que necessitam do ponto de vista científico de outras tantas pesquisas que corroborem os seus resultados. No entanto, sabe-se hoje, com certeza, que pessoas religiosas são menos propensas aos quadros depressivos ou respondem melhor aos tratamentos chamados convencionais do que criaturas consideradas descrentes ou sem vínculos religiosos.

Crianças e adolescentes deprimidos

Atualmente, não é difícil encontrarmos adolescentes e crianças deprimidos. De acordo com Jaider, seria uma situação de espírito. “Muitas vezes, são os desencontros conjugais dos pais que geram insegurança nos filhos. Também há o choque de vibrações pelo qual o planeta está passando. As crianças estão vivendo um aspecto evolutivo muito rápido. As que antigamente brincavam na rua, jogavam bola de gude, subiam em árvores, hoje ficam na frente de videogames, de computadores. São mudanças muito rápidas”, diz.

O psiquiatra lembra que a família tem de ser a base de tudo. “Uma família bem estruturada tende a gerar uma prole mais bem estruturada. Então daí você vê que a situação demanda outros aspectos, o familiar, o social. A depressão hoje é a ponta do iceberg de problemáticas milenares de grupos familiares, do próprio indivíduo e da relação dele com o Criador. Como disse Chico Xavier uma vez, é uma contabilidade cármica à flor da pele, que precisamos resolver para galgar um patamar acima”, finaliza.

Pesquisas comprovam relação com outras doenças

Apesar de ser uma patologia comum e relatada desde os primórdios da história da Medicina, ainda hoje há muito desconhecimento sobre o assunto. Mas, nos últimos anos, as pesquisas têm trazido inúmeros dados que apontam a íntima relação entre depressão e diversas patologias orgânicas, aumentando ainda mais a importância de tais estudos.

“O deprimido é mais propenso a ter um câncer, mais sensível a doenças, a infecções, a transtornos mentais. É muito comum a depressão ser acompanhada de síndrome do pânico, fobia social, transtorno da ansiedade generalizada, assim como surtos psicóticos. Além dos aspectos obsessivos, possibilita um mosaico de sofrimentos para a pessoa”, relata Jaider Rodrigues de Paulo.

A depressão tem sido responsável por diversas manifestações clínicas no sistema digestório, e quem a possui também está mais propenso a infartos do miocárdio, coronariopatias e outras doenças cardiovasculares. Segundo o cardiologista Osvaldo Hely Moreira, vice-presidente e coordenador acadêmico da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais, ela aumenta de três a quatro vezes a chance de o indivíduo ser um doente do coração, do que aquele que não é deprimido, assim como o índice de mortalidade da doença cardiovascular, complicando ainda a já existente. “Há consenso internacional sobre o assunto e estudos sobre o uso de tratamento específico da depressão, visando melhorar o prognóstico do doente cardiológico”, revela. Estudos importantes apresentam clara relação da resposta de pacientes cardíacos às diversas terapêuticas da área, com a presença ou não de um quadro depressivo. Alguns deles já determinam que, na sintomatologia depressiva, haveria pior resultado nas cirurgias cardíacas, por exemplo.

Alterações

A depressão interfere em todas as doenças cardiovasculares, mas principalmente naquelas em que as artérias são acometidas. “Por exemplo, os derrames que são da área vascular, os infartos e os acometimentos de veias como as tromboses venosas e as flebites, onde estão em jogo coagulação, função da parede das artérias e veias, tudo isso tem hoje comprovação estatística e entendimento bioquímico de que, havendo alteração dos fatores da coagulação por causa da depressão, haverá também alteração da função da parede dos vasos, levando a fenômenos agudos como infarto do miocárdio e derrames cerebrais”, explica.

“Como o próprio meio médico está atualmente especializado demais, é bem possível que o cardiologista não esteja capacitado para diagnosticar um processo depressivo, do mesmo modo que o psiquiatra, no que diz respeito à detecção de uma doença cardiológica. É por isso que a Medicina precisa voltar a ver o ser integral, que é exatamente o que nós estamos querendo, ver o indivíduo como um espírito. O paciente se ver como um ser global e o médico ver o seu paciente da mesma forma vai permitir que se busquem fatores mentais associados a fatores orgânicos”, opina Moreira.

Posição médico-espírita em livro Depressão: abordagem médico-espírita é o título do livro assinado por Jaider Rodrigues de Paulo, psiquiatra, homeopata e presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais; Osvaldo Hely Moreira, vice-presidente e coordenador acadêmico da AME-MG; e Roberto Lúcio Vieira de Souza, diretor de publicações da AME-MG e diretor clínico do Hospital Espírita André Luiz, em Belo Horizonte (MG).

No livro, de 192 páginas, editado pela Associação Médico-Espírita do Brasil, eles tratam dos vários aspectos da depressão, com a abordagem médica e a médico-espírita, beneficiando profissionais de Saúde interessados em cuidar de seus pacientes de forma mais abrangente. Outras informações na AME-Brasil, pelo telefone (11) 5585-1703 ou e-mail amebr@uol.com.br.

Queixas semelhantes

A depressão não aparece nos exames de sangue, nas radiografias, eletroencefalogramas e ninguém palpa ou ausculta a doença. Por isso, segundo o cardiologista Osvaldo Hely Moreira, é importante colocar os itens abaixo como um diagnóstico diferencial obrigatório, com o psiquiatra pedindo a avaliação do cardiologista e o cardiologista, a avaliação do psiquiatra.

• Cansaço – o deprimido tem falta de energia, mas o doente cardiológico, pela falência da função do coração, também tem cansaço.

• Insônia – queixa do deprimido e do cardiopata.

• Sonolência – ter sono durante o dia pode ser uma disfunção do coração, mas também depressão.

• Desconforto no peito – é a angústia do deprimido e a angina do cardiopata.

• Palpitação – arritmia do cardiopata e um sintoma psicossomático do deprimido.

Principais sintomas

Quando se busca o diagnóstico da depressão, deve-se pesquisar os sintomas psíquicos, fisiológicos e alterações comportamentais.

• Falta de energia • Falta de prazer • Tendência à solidão • Sensação de tristeza por mais de uma semana consecutiva • Impaciência • Agressividade • Intolerância

Se você estiver com esses sintomas e eles persistirem, procure um médico.

Matéria publicada na Folha Espírita em Fevereiro de 2006

Roberto Lúcio Vieira de Souza (vice-presidente da AME-Brasil), diretor de publicações da AME-MG e diretor clínico do Hospital Espírita André Luiz, em Belo Horizonte (MG), Dr. Jaider Rodrigues e Paulo (presidente da AME-MG), psiquiatra e Dr. Osvaldo Hely Moreira, (vice-presidente da AME-MG), cardiologista.

23 março 2012

Gravidez Sem Espírito - Giselle Fachetti Machado


Gravidez Sem Espírito

Pertenço a um grupo envolvido em um Projeto chamado Esperança e Luz, que foi elaborado pela equipe espiritual que assiste a Comunidade Espírita Ramatís e que pretende auxiliar espíritos que se preparam para reencarnar, assim como auxiliar, também, as famílias que os receberão.

O trabalho é realizado em dois momentos. Inicialmente estudamos um trecho instrutivo e à seguir passamos ao treinamento mediúnico. Em nossa última reunião, eu fui escalada para apresentar o capítulo número 21 do Livro Gravidez Sublime Intercâmbio, de Ricardo di Bernardi.

O que li, pesquisei e apresentei sobre o assunto abordado me intrigou. O título do capítulo é Gravidez sem reencarnação. Ricardo di Bernadi abre esse capítulo com a transcrição da questão 356 do Livro dos Espíritos.

Entre os natimortos alguns haverá que não tenham sido destinados à encarnação de Espírito?

“Alguns há, efetivamente, a cujos corpos nenhum espírito esteve destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças então só vem por seus pais.”

Essa resposta me levou a raciocinar sobre a enormidade de possibilidades relacionadas com o processo reencarnatório. Posso afirmar, sem medo de errar, que nenhum processo reencarnatório é igual a outro. Assim como observamos que nenhuma gravidez é igual a uma outra.

Entretanto, apesar das variações serem imensas, existe um certo grau de padronização entre grupos com maior ou menor afinidade.

Os espíritos nos esclareceram, naquela oportunidade, que é possível ocorrer a situação extrema de haver uma gravidez sem que haja espírito determinado para aquele corpo em desenvolvimento, todavia, quero crer que o contrário é que é a regra e esse fato, a exceção.

Durante o exercício de treinamento mediúnico, realizado naquele dia em particular, inúmeras entidades foram atendidas em caráter emergencial. Eu, ao contrário da maioria dos meus colegas, não participei desse atendimento, pois fui levada a uma sala do Hospital da Criança (localizado na Colônia Espiritual.....) e ali fui conduzida a uma seção em que havia aparelhos estranhos, pelo menos sob minha ótica ainda muito presa aos padrões da matéria densa.

Um desses aparelhos foi colocado sobre meu crânio e tive a impressão que eles me passavam informações para que eu pudesse redigir um artigo sobre esse assunto, tarefa que julguei altamente complexa. Ainda mais que ao pesquisar sobre essa possibilidade, da gravidez sem espírito, poucas referências encontrei.

Após nosso retorno ao corpo físico, no ambiente do Centro Espírita, uma colega percebeu, ainda, a presença do tal capacete energético sobre meu crânio.

Ela me alertou sobre o medo que tenho de assumir essa responsabilidade, qual seja, de manifestar-me sobre assuntos polêmicos dentro da Doutrina Espírita. O que não pude deixar de admitir, pois o conforto de escrever sobre assuntos já bem estabelecidos me é muito mais convidativo do que navegar em águas turbulentas da dialética vanguardista.

Portanto, esforçando-me para superar meus temores me presto a oferecer argumentos para que uma nova concepção seja construída, gradualmente, sobre os sólidos pilares Doutrinários codificados por Kardec. Esses argumentos são um amálgama do que estudei, raciocinei e recebi por intuição mediúnica conforme relatado anteriormente. Não consigo distingui-los pela origem, quais elaborei e quais me foram sugeridos.

E espero que essa nova análise seja especialmente iluminada pelo exemplo da sistemática de investigação crítica e racional como a utilizada pelo Mestre Lionez em seu gigantesco trabalho de codificação da Nova Revelação.

Sabemos que o espírito imortal, altamente complexo, atua em relação ao desenvolvimento embrionário como o Modelo Organizador Biológico descrito por Hernani Guimarães já em .....

Teoria similar veio a ser proposta, apenas recentemente, pelo renomado biólogo Rupert Sheldrake que chamou esse sistema imaterial com função modeladora, de H. Guimarães, de campo morfogenético.

Inicialmente, ele descreveu os campos mórficos que atuam em grupos de seres conectados entre si por inter-relação perene e os descreveu como a teoria do 99º macaco.

Os campos mórficos não são campos elétricos ou eletromagnéticos, não são campos carreadores de energia, por isso eles não perdem potência em relação á distância em que atuam. Isso se reveste de grande importância quando consideramos os campos mórficos que unem populações de animais, seres humanos e
outros grupos de seres vivos. Esses campos transportam informação, por mais estranho que isso possa parecer.

O campo morfogenético, de ação individual, atuaria como modelador tridimensional do crescimento de células e tecidos específicos permitindo uma adequada proporção somática entre os diversos órgãos e o organismo como um todo. Função essa não cumprida pelos ácidos nucléicos.

Tal pode ser inferido pela adaptação de um tecido exógeno implantado às dimensões espaciais do receptor, como ocorre nos transplante de fígado.

A porção do órgão recebida mantém sua carga genética original, porém cresce e molda-se ao receptor conforme seu tamanho e não conforme as dimensões orgânicas do doador, pois se assim fosse, o doador teria que ter além de carga genética compatível, ter também compatíveis o tamanho de seus órgãos e vísceras passíveis de doação.

É claro que essa compatibilidade se faz necessária, em certos graus, em casos de órgãos como o coração, cuja dimensão influi na capacidade de ação como bomba ejetora que é.

Sem o campo morfogenético, limitador e organizador do crescimento celular e tecidual, esse processo ocorre apenas sob as ordens dos ácidos nucléicos, mas sem a possibilidade da organização espacial tridimensional proporcional como é encontrada em organismos vivificados por esse principio.

Tratar-se-ia de proliferação tissular semelhante à que observamos em meios de cultura artificiais. Talvez, algum grau maior de ordem possa ser oferecido pela ação indireta do sistema modelador próprio do psicossoma materno. E, é este o argumento usado por André Luiz no livro Evolução em Dois Mundos para explicar a questão 356 do livro dos espíritos.

Questão esta intrigante pela afirmação da existência de natimortos para os quais não haveriam espíritos designados. É provável que o termo natimorto não tenha sido usado conforme é hoje definido pela medicina moderna.

Natimorto é a morte do feto ocorrida ainda dentro do útero. Trata-se de morte fetal e não embrionária. Quando ocorre morte fetal precoce, antes de 20 semanas de gestação ou embrionária, até 12 semanas de gestação, o processo de perda é chamado de abortamento e o produto do abortamento é o aborto.

Quando uma gestação chega ao período fetal houve necessariamente a formação de todos os órgãos da economia sistêmica humana em seus mais minuciosos detalhes.

O feto precisa de um coração eficiente no bombeamento sanguíneo e de um sistema circulatório perfeito para que seu adequado crescimento ocorra. Essa precisão somente seria obtida sob a direção do campo morfogenético, imaterial, mas imprescindível para a morfogênese exata dos seres vivos.

Caso o sistema morfogenético do pisicossoma, ou espírito materno, fosse capaz de oferecer esse controle a um outro indivíduo em processo de desenvolvimento orgânico na intimidade dos seus próprios tecidos, poderíamos inferir que analogamente existiria, também, outra possibilidade ainda mais questionável.

A possibilidade de que, pelo mesmo processo, os tumores oriundos das células germinativas pudessem se desenvolver com arquitetura mais harmônica do que encontramos, por exemplo, em portadoras de teratomas ovarianos.

Os teratomas possuem a capacidade de multiplicação e diferenciação tecidual que encontramos nos embriões, mas a falta de um modelador de ordem espiritual faz com que, efetivamente, produzam-se apenas tecidos monstruosamente aglomerados.

Argumentariam outros que, neste caso, não existe a vontade materna em gestar e receber um filho em seus braços. O que, de fato, agiria na condução da força do campo morfogenético materno para que atuasse indireta e excepcionalmente sobre os tecidos ovulares.

Entretanto se o campo morfogenético materno já é o molde para seu próprio organismo, esperaríamos, nesta circunstância hipotética, que o organismo gestado, através dessa influência, preservasse as características somáticas maternas. O que nos parece um tanto complexo para se dar freqüentemente.

Além dessa questão, mais nos mobiliza o fato relatado em diversas publicações psicografadas através de médiuns sérios, de que a gravidez que termina em aborto é um meio terapêutico do qual espiritualidade se utiliza para recuperação de espíritos com risco de ovoidização, ou ainda, para a recuperação daqueles portadores de deformidades severas do períspirito.

O trânsito pela matéria, ainda que fugaz, permite a reestruturação do corpo espiritual. Os mecanismos de miniaturização e amnésia envolvidos no processo permitem o reequilíbrio de espíritos em sofrimento, principalmente naqueles vítimas de dores de tamanha intensidade que são tomados por estados de desagregação mental severa com grande risco de implosão do corpo espiritual.

Tal morbidade espiritual é também chamada de segunda morte, ou ovoidização. É descrita tanto por André Luiz no Livro Evolução em Dois Mundos, quanto por... no excelente livro, Ícaro redimido.

Outro argumento que se impõe que seja considerado é que se uma experiência aparentemente traumática e frustrante, como o abortamento espontâneo, pode ser utilizada para benefício dos sofredores, por que permitiria Deus, que esse aspecto fosse desprezado, enquanto inúmeros espíritos necessitam da abençoada terapia do choque físico?

Sabemos que ocorrem 90 milhões de nascimentos por ano no mundo e 60 milhões de abortamentos entre os espontâneos e os provocados. A energia mobilizada nesses processos dolorosos é imensa e tem utilidade não só para os envolvidos fisicamente no processo, mas também, para os que precisam recuperar anatomia do seu perispírito.

Nestes casos, mesmo havendo a influencia do campo morfogenético do espírito reencarnante, a formação do corpo físico fica prejudicada pelo grau de deformidade que esse principio estruturador apresenta.

Gravidezes nestas circunstâncias geram embriões e fetos com deformidades que são incompatíveis com a vida física, muitas vezes mesmo que a carga genética seja absolutamente normal. Por isso temos cerca de 10 a 20 por cento de abortamentos em gravidezes clinicamente detectadas.

Do ponto de vista médico existirão diversas explicações para o desenvolvimento inadequado do concepto e sua posterior eliminação. Doenças genéticas, teratogenicidade induzida por fatores ambientais, tais como infecções e medicamentos, alterações imunológicas, distúrbios do metabolismo enzimático e protéico.....

Tais explicações são absolutamente verdadeiras do ponto de vista material, mas sua origem vai além da questão física. O espírito, que deveria presidir a formação de um novo corpo físico, traz em sua complexidade morfológica as deformidades que se transmitirão por ressonância mórfica ao seu duplo físico.

Em algumas entidades tal é a deformidade que apresentam que não são capazes de induzir a matéria a mais do que uma proliferação desordenada e agressiva de tecido placentário como observamos nos casos de mola hidatiforme.

Os espíritos parasitas que se habituaram por séculos a extrair energias vitais de seus parceiros obssediados, os quais cumpriam sua penosa caminhada terrena, não mais do que esse talento podem oferecer aos tecidos cuja neoformação induziram.

Uma vez tratada a doença e eliminadas as células agressivas do organismo materno, a fonte de exploração seca. E, então, o parasita é forçado a obter energias da sua própria economia fisiológica.

Neste momento crucial ele é capaz de vislumbrar flashes de consciência, que se reforçados pela energia amorosa da família que sofreu a perda com resignação e esperança, servirão de combustível para o seu desabrochar definitivo como espírito consciente, o que já foi antes de afundar no charco de seu desespero.

Portanto, apesar de ser possível em situações excepcionais, a existência de gestações sem que haja espíritos a elas destinados, essa situação é raríssima. Rara, pois que a espiritualidade superior é extremamente organizada e procura não perder nenhuma oportunidade de realizar o bem.

E ainda, quando isso excepcionalmente acontece, tenhamos a certeza que não se formará um sistema orgânico perfeito e funcional, pois tal não é possível sem a influência de um espírito com sua estrutura fisiológica minimamente adequada.

Serão no máximo as gravidezes anembrionadas e mais freqüentemente os microabortos, que ocorrem de forma até imperceptível ao diagnóstico clínico.

Sabemos que cerca de 70 % dos ovos são perdidos sem que cheguem a gerar gravidez clinicamente detectável. Isto sim, ocorre por não haver espírito determinado para encarnação naquela oportunidade.

Hoje, podemos esclarecer melhor, o que foi genericamente abordado no Livro dos Espíritos. Naquela época sequer se conheciam as diversas possibilidades em termos de causas orgânicas de abortamento e teratogênese. Daí por que houve uma resposta essencialmente genérica. Agora, entretanto, já temos condições de nos depararmos com verdades mais profundas.

A utilidade desse conhecimento se faz pelo objetivo primordial de valorização da vida, quer ela progrida, ou não, além das barreiras do ventre materno. Qualquer que seja a duração de uma gravidez, ela deve ser vivida com amor.

Os pais devem saber que o amor que transferem ao espírito que foi espontaneamente abortado, ao portador de deformidade física incompatível com a vida, ao deficiente, é o medicamento abençoado que os curarão da morbidez que longamente carregam, em função de seus próprios delitos, mas que por caridade Divina tem essa oportunidade impar de tratamento reestruturador.

Se o amor e a aceitação impregnam as entranhas maternas que acolhem o doente frágil em internação de caráter intensivo, emergencial e, na maioria das vezes, compulsória, o resultado só pode ser o milagre da recuperação plena da anatomia espiritual.

Repercussões ainda mais significativas ocorrem como resultados dessas experiências marcantes. Em um futuro breve a família que sofreu com a perda inesperada, pode ser presenteada com uma linda criança, para que cresça sob sua guarda. Criança esta agradecida e doutrinada para o bem, já que aprendeu pelo exemplo e pelo sentimento.

A redoma de amor que se formou durante a gravidez frustrada permanece incubando o ex-sofredor e protegendo-o em sua nova fase. É um reservatório energético que o conduz firmemente através das desventuras que terá que atravessar, ainda no mundo espiritual, para ser digno de uma outra oportunidade reencarnatória, agora passível de êxito do ponto de vista de realizações cristãs.

Ele, após essa sublime transfusão energética recuperadora do seu corpo espiritual debilitado, passa a captar as instruções superiores e consegue, finalmente, fortalecer-se no caminho do bem. Bem que o conquistou nesse breve período de terapia intensiva que denominamos de choque físico de amor.

Esperamos ter ajudado você em sua missão e que o medo de se expor sucumba mediante seu objetivo maior, que é a plena valorização da vida. Lição esta que te compete mais aprender do que ensinar, pelo fato de que mais aprendemos quando ensinamos é que você foi convidada a atuar nesse ministério....



Giselle Fachetti Machado (Goiânia/GO)
gfachettimachado@uol.com.br



Médica Ginecologista e Obstetra. Graduada pela Faculdade de Medicina da UFG e, Residência médica e especialização em Colposcopia no HC da UFMG. É responsável pelo Serviço de Colposcopia do Laboratório Atalaia de Goiânia. É membro da Comunidade Espírita Ramatís, em Goiânia e atuante no movimento em Defesa da Vida e na AME Goiás (Associação Médico Espírita). Nasceu em 20/05/1962 em Cianorte, no Paraná. Reside em Goiânia desde os 6 anos de idade. Oriunda de família espírita sendo que seu avô Osmany Coelho e Silva foi pesquisador espírita na década de 1940 no Rio de Janeiro.

22 março 2012

Entrevista com Roque Jacintho - Waldemir Aparecido Cuin

Roque Jacintho



ENTREVISTA COM ROQUE JACINTHO

 

Pena de Morte

P: – O que você pensa sobre a pena de morte? E por que a sociedade vem produzindo tantos elementos desequilibrados, com vocação para a criminalidade?
R: – A pena de morte é um doloroso equívoco, herdado dos princípios da Idade Média. Examinada sob os prismas da evolução, revela-se incompatível com os princípios de humanização que buscamos para nós mesmos. Apliquemos, pois, a pena de vida aos apenados pela justiça terrena que cometem ou perpetram erros dolorosos, a fim de que cada um deles possa reajustar-se e crescer em seu próprio benefício. Diante dos chamados criminosos, estamos quase sempre defronte a doentes morais, necessitados de orientação e reerguimento, muito mais carentes de assistência psicológica e religiosa do que de castigos físicos que os privem do dom da vida. O corpo físico, para eles, já é um sanatório. Se desfizermos abruptamente os seus liames com o freio do corpo físico, iremos devolvê-los menos felizes à espiritualidade, onde irão juntar-se a grupos dolorosos que ensombram a própria Terra. Observemos, por outro lado, que muitos desses enfermos espirituais são criaturas que sucumbiram ao instinto do assassínio, despertado nesta, ou em encarnações passadas, quase todos ex-soldados ou guerrilheiros que aprenderam a matar nas sucessivas guerras ou rebeliões que nós mesmos engendramos com o nosso louco impulso de supremacia e escravização de outros povos. As penitenciárias buscam hoje tornar-se educandários. Os presos, nesta etapa de humanização que vivenciamos, passam a ser chamados de reeducandos e, se a simples titulação não basta para reeducá-los, pelo menos já indicam novos horizontes para tratar dos enfermos morais.

AIDS

P: – A Aids é um castigo de Deus para os que violam os padrões morais as sociedade?
R: – Deus não castiga ninguém. O Pai Celestial, através de seus colaboradores diretos, ampara-nos em todos os lances de nosso crescimento, e a dor que nos visita é sempre a reação natural de nossos desequilíbrios. A Aids, doença de origem sobretudo venérea, é uma resposta das leis da Natureza para os desequilíbrios que instalamos dentro de nós mesmos, diante de nossos desvarios sexuais e afetivos. Ela funciona como um sinal de alarme, para que sublimemos as nossas qualidades virtuais, indicando-nos os desníveis que nos rebaixam ao subumano. Toda doença venérea é um freio à nossa descida espiritual, e, salvo os casos de contaminação por transfusão de sangue, ou por outras formas de contágio, estamos diante de uma autodoença, que visa a frenar-nos nos campos dos desequilíbrios, tal como ocorre com as demais enfermidades similares, como o cancro venéreo, a sífilis,etc.

Sejamos monogâmicos, convida-nos a própria natureza biológica, e teremos os anticorpos que nos assegurarão as energias para que sejamos completistas espirituais, ou seja, para que vivamos o total da quota de nossas energias vitais.

Intelectualismo

P: – Qual deve ser a meta prioritária de um governo, objetivando o progresso e o bem do homem?
R: – Governar é administrar uma coletividade. Longe, portanto, de querer traçar programas ideais aos que nos governam sob a inspiração dos Mentores da Vida Coletiva, valeria, antes, ajustar-se o cidadão comum aos princípios da misericórdia divina. Quanto menos o governo adentre e normatize as nossas relações, maiores serão as nossas obrigações de doar-nos, de alma e coração, à coletividade que nos acolhe. Reflexo inevitável de nós mesmos, os nossos governantes nos espelham a consciência coletiva, e, por decorrência, refletem os nossos desmandos ou desvarios, ou os nossos acertos e reajustes. Valerá, pois, que nos tornemos cumpridores de nossa obrigação, segundo o enunciado de Jesus: “a César o que é de César”, já que, se cada um fizer o muito que lhe toca moralmente, mais tempo dará para que os nossos governantes transitórios nos tutelem a marcha ascensional. Antes, pois, que determinar metas aos que nos governam, determinemos a nós mesmos a seguinte ordem de prioridade: antes, obrigações fielmente cumpridas, e só depois, direitos decorrentes das obrigações realizadas. Não poderemos sobreviver com dignidade e atingir o clima da ordem enquanto estivermos a garimpar direitos, com o esquecimento de nossos deveres para com a coletividade.

Educação

P: – Na sua opinião, o que é educação e o que é instrução?
R: – Instrução, em boa sinonímia, é o ajuste da mente humana aos valores reais da vida, dando o primeiro tom de humanização ao homem. A escola, pois, instrui, em todos os graus. Educação, também em boa sinonímia, é o ajuste dos sentimentos, o burilamento da alma para a sua própria sublimação. O lar, portanto, educa. Necessário é, por isso, que elevemos a escola a seu patamar de burilamento da razão e entronizemos o lar por educandário da Vida. Nenhuma virtude real se alcança a não ser pela via da razão desenvolvida e sacralizada pelo seu ajuste à lei do amor que nos comanda a vida. “Instruí-vos e educai-vos” – eis a legenda grandiosa. Sem instrução poderemos ser grandes imitadores de virtudes que descobrimos nos outros, mas, por falta de domínio próprio, estaremos sujeitos também a imitar defeitos alheios. Sem educação legítima, calcada à luz do Evangelho redentor, poderemos ter o verniz social, sem contudo desfrutar de valores legítimos de amor a nosso semelhante.

P: – Na atualidade, boa parte das crianças que ainda não atingiram a idade escolar está sendo matriculada em escolas próprias para idades inferiores, como berçários, maternais, etc. O que o senhor pensa disso?
R: – A educação, assim como a instrução, deverá começar nos mais tenros anos da vida. Se há o que fazer, nesse campo, é melhorar a qualidade do ensino e, ao mesmo tempo, os pais compreenderem que a Escola, qualquer que seja ela, somente cuida da instrução e que a educação é produto dos lares e não um reflexo dos professores.

Orientação Religiosa

P: – Qual é a idade propícia para o início do ensinamento religioso à criança?
R: – A idade propícia é, por certo, a exemplo do que já faziam os atenienses, a partir da gestação. Sabendo-se, pois, que o filho que está por nascer é um ser ativo, que absorve nutrientes da mãe, convém alimentá-lo com sabedoria e amor assim que se faça o projeto de acolhê-lo dentro de um lar. Começa, portanto, antes e durante a gestação, o momento certo de entronizar a religião no lar, como uma forma de alimentação de quem está de retorno ao nosso encontro ou reencontro.

P: – A criança deve escolher qual a religião quer seguir, ou os pais devem norteá-la?
R: – Se os pais sabem que não devem deixar de alimentar seus filhos, desde os primeiros dias de vida, para que não venham a perecer fisicamente ou a sofrer diversos males por falta de alimentação adequada, devem, também, alimentar-lhes a alma com noções religiosas que sejam expressão de vida ativa, culminando com o amor ao próximo, para não chorar mais tarde.

P: – O que pode acontecer a uma criança cujos pais não se preocupam em dar-lhe formação religiosa?
R: – Bastará examinar o desregramento da atualidade, com a falência das religiões literalistas, para sabermos o que ocorre com um ser que jamais foi chamado, pela razão, a examinar os princípios da fé cristã em toda a sua plenitude.

P: – A literatura infantil espírita existente na atualidade é suficiente para atender às nossas crianças?
R: – Talvez não seja suficiente para atender nossas crianças. Convém, por isso, rogar ao Senhor Jesus que nos conceda autores despreocupados de originalidade e preocupados em transmitir mensagens que se gravem na consciência infantil.

Mediunidade

P: – Dê-nos uma rápida definição sobre o que é médium e o que é mediunidade.
R: – Mediunidade é a janela da alma, que, tendo por instrumento de sua manifestação a glândula pineal, ou epífise cerebral, leva-nos ao encontro do mundo espiritual em que estamos imersos ou mergulhados. Essa faculdade nos integra ao plano da vida eterna. Rompendo as barreiras de nossas limitações de sentidos físicos, faz-nos participar também, ativa e conscientemente, da espiritualidade, extinguindo o dualismo em que artificialmente nos separávamos: o mundo dos encarnados e o mundo dos desencarnados. Por essa faculdade, portanto, deixamos de subdividir o nosso mundo em dois planos distintos, retificando o erro de conceituação que nos levava a crer tivéssemos duas realidades: a dos que retornaram ao seu verdadeiro estado, ou seja, reassumiram a espiritualidade com a desencarnação, e a nossa vivência absolutamente transitória, isto é, constrangidos ao educandário da carne. A faculdade mediúnica, comum a todos os chamados a um estágio mais avançado de evolução, é o reajuste de nossos espíritos, levando-nos a descobrir que vivemos num mundo único, embora num estado diferenciado de matéria e de energia. A mediunidade é o nosso sexto sentido, que, de estado latente, abre-nos a visão para os dois planos de vida que interexistem e que se completam. Assim, médium como sinonímia de quem intermédia os dois planos da vida, todos nós somos. Por isso, o médium não é uma exceção de regra e sim alguém que já vive uma realidade mais integral. Através desse sentido nascente na espécie humana, a Espiritualidade superior, em nos examinando no estágio evolutivo que estamos alcançando, bate insistentemente às portas de nossa razão e de nosso coração, buscando induzir-nos ao despertar de valores mais altos e permanentes, no campo de nossas conquistas eternas. Submetemo-nos presentemente a um pólo magnético de grande poder de atração, induzindo-nos para que nos humanizemos compulsoriamente e, por decorrência, para que contribuamos com vastas parcelas de amor, no departamento das qualidades virtuais que, por origem divina, temos dentro de nós mesmos. É o chamamento para a evolução, ou seja, para que nos repletemos dos valores novos e permanentes, já que temos os pés na Terra, mas erguemos a nossa cabeça, como antena sublime, buscando sempre o mais alto.

P: – Qual deve ser a conduta do médium, para que seja sempre assistido por bons Espíritos?
R: – Considerando que a conduta é a resultante dos princípios com que alimentamos a nossa mente, formando o nosso “hálito espiritual”, por certo, para receber assistência de Espíritos sábios e profundamente amorosos, caberá ao médium buscar refletir-lhes as mesmas aspirações e propósitos. A instrução, via leitura e estudo das obras básicas e complementares das Doutrina Espírita, é uma etapa que corresponderia ao amanho da terra, no prenúncio da sementeira. Segue-se, após a instrução, a educação, ou seja, o burilamento de nossos sentimentos, através de nossa entrega incondicional ao campo do amor ao próximo, que corresponde à etapa da semeadura. A partir, pois, do surgimento dos primeiros brotos espirituais, cabe ao médium o trato da seara florescente, empenhando-se ardorosamente em levar luzes e esperanças a nossos companheiros confundidos com as trevas dos sentimentos, procedendo, em relação aos encarnados, com o mesmo amor, paciência e diligência com que agem os Benfeitores Espirituais. A lei da afinidade é que nos traz, a quantos sejam médiuns, a presença de Espíritos Superiores, com base no crescimento espiritual do próprio médium. Cada um terá a assistência espiritual que se empenhe por conquistar, espelhando a luz do mais alto, ou então envolvendo-se com os infelizes que perambulam pelas mesmas sombras que trouxermos em nós mesmos. A conduta cristã é que nos define as companhias.

P: – Médium produtivo é aquele que produz fenômenos mediúnicos a qualquer hora e em qualquer lugar?
R: – Os fenômenos mediúnicos nem sempre representam a ação da Espiritualidade Superior, visto que Espíritos sem grande estofo moral também podem produzi-los, até mesmo de modo mais gritante, capaz de ocasionar a perplexidade a leigos. O fenômeno pelo fenômeno pode levar o médium e seus observadores a conclusões levianas e até perversas, ridicularizando o cristianismo, quando não a própria mediunidade. O médium produtivo é somente aquele que dá os frutos do amor, bastas vezes exclusivamente via intuição recolhida silenciosamente dos mentores da vida mais alta, ou então, consolando os aflitos, abrindo portas aos decaídos no mal, socorrendo as viúvas aflitas, alimentando a criança desnutrida.

Sabendo-se, pois, que Espiritismo é revivescência do Cristianismo primitivo, tal qual nos ofereceu por herança o nosso mestre Jesus, tenhamos a produtividade real do médium com ele se fazendo um espelho de Jesus, em todo o seu cotidiano. E, para isso, o fenômeno ostensivo não é absolutamente necessário.

P: – A mediunidade só é praticada no Espiritismo? Ou seja, todo médium é um espírita?
R: – A religião dos Espíritos Superiores é o fundamento do espírita, que nela busca a sua integração com o mais alto, sem necessidade de ser portador da mediunidade ostensiva. Já os que se voltam para a mediunidade, nem sempre se ocupam das conseqüências morais que a presença de Espíritos Superiores nos trazem e, por isso, podem ser medianeiros em busca de fenômenos, sem se ocuparem da implicação moral na sua vida. Contudo, esses que hoje são médiuns, mas que se fazem servidores de pensamentos mágicos, por certo, em reencarnações futuras, após se libertarem da própria leviandade a que se jungiram, virão a ser espíritas-cristãos ou médiuns a serviço do bem. Até lá, porém, cuidemos da seara a que nos incorporamos. Jesus assegurou-nos que, no tempo certo, o Ceifeiro Divino recolheria o trigo saudável e bom, e confiaria o joio à fornalha da vida, para que nos refizéssemos.

P: – Muitas pessoas procuram os centros espíritas alegando serem portadoras de mediunidade. Como elas devem ser tratadas?
R: – Recebamo-las com muito carinho e atenção. Muitas delas chegam aos núcleos espíritas como portadoras de disfunções orgânicas ou espirituais e, sem cogitar se serão ou não médiuns, devem ser levadas ao encontro do Evangelho. Observemos, também, que disfunções hormonais, notadamente em quem está no climatério ou em ciclo de menopausa, podem levar-nos a interpretar os fenômenos orgânicos como se fossem sinais de mediunidade. Além de ouvi-los, pois, busquemos integrá-los em tarefas assistenciais e outras em que poderão realizar-se, mesmo quando em estado depressivo, ou quando dizem sentir alguém ou alguma coisa à sua volta, ou vozes, ou ruídos insistentes. Um estado de consciência culposa também poderá remeter-nos a julgar que temos traços de mediunidade ostensiva, quando, na verdade, estamos simplesmente sendo chamados ao reajuste de nossos valores. Sabendo-se, pois, que mediunidade é um encontro com o cristianismo, patrocinemos esse encontro como sendo um estágio preliminar ou preparatório para uma função de mediunato futuro. O desenvolvimento mediúnico não soluciona problemas de angústia, de depressão, de avitaminose espiritual e, por isso, não devemos colocá-lo como a principal e primeira necessidade dos que buscam orientação e consolo, algumas vezes por indicação de pessoas que desconhecem o que seja a tarefa mediúnica.

P: – Qual a melhor forma de desenvolver a mediunidade? Isso pode acontecer fora do Centro Espírita?
R: – A mediunidade não é faculdade privativa dos espíritas ou dos agrupamentos espíritas. Essa faculdade é comum na espécie humana. Convém, no entanto, quando se cogite de seu desenvolvimento, que o candidato o faça dentro de um agrupamento espírita-cristão, a fim de que aquele que quer a mediunidade-cristã não sofre os desencantos de quem não soube procurar a escola apropriada. O trato, pois, da mediunidade deverá ser o núcleo ajustado ao cristianismo, para que o fenômeno seja conduzido por Espíritos sábios. No lar, que o candidato ao mediunato dê saliência ao culto do Evangelho no lar, deixando para cuidar dos fenômenos espíritas exclusivamente nos agrupamentos ou núcleos do Espiritismo-cristão.

P: – Como conciliar o exercício da mediunidade com os afazeres profissionais?
R: – Que ninguém se faça profissional da mediunidade! Assim, concilie o seu tempo, administrando as suas horas, a fim de servir mediunicamente nos momentos que criou para a educação de seus sentidos nobres. Lembremo-nos de que a profissão disciplina a criatura. Nada, pois, justificaria alguém deixar de exercer a profissão, que lhe assegurará o pão de cada dia, nas oficinas, nos escritórios, nas industrias, que nos abrem oportunidades sagradas. Não podemos envolver-nos na falsa e mentirosa alegação de que deveremos dedicar-nos exclusivamente à mediunidade. Alguém que faça da mediunidade uma espécie de profissão é, seguramente, alguém em que não se deve confiar. Tomemos, a exemplo, Chico Xavier, que, apesar da extensão do seu mediunato, em tempo algum deixou de exercer a sua atividade profissional, ajustando-se à sua missão espiritual sem tomar o desvio da profissionalização de sua faculdade mediúnica.

P: – Diante de tanto sofrimento que a humanidade experimenta no momento, nota-se uma grande corrida das pessoas em busca de abnegados servidores, portadores de mediunidade. A faculdade mediúnica, então, atualmente, fundamenta-se na consolação?
R: – Estamos em plena fase de evolução compulsória e, por tal motivo, há um quê de insatisfação em cada homem que ainda não despertou para os valores permanentes da própria alma. O progresso, na sua expressão de bens materiais, trouxe-nos o conforto e a nossa liberação para outros valores que se encontram acima das coisas que nos servem. A evolução, contudo, que deverá ser a decorrência natural do procedimento de maturação da alma humana, cria um conflito nas criaturas, demarcado pela escravização aos bens perecíveis, e uma sensação de ausência de vida. Observemos, portanto, que os que registram esses conflitos naturais deste estágio evolutivo, devem, antes de buscar médiuns, buscar as bases da religião dos Espíritos, a fim de que se aclimatem mais rapidamente ao tempo do espírito. A verdadeira consolação, de que necessitam, não deve ser aquela que animalha o espírito, sem despertá-lo para a sua realidade de vida eterna. Portanto, ao buscarem os médiuns espíritas, deverão esses médiuns abrir-lhes um horizonte mais amplo, ajustando-os às atividades redentoras que principiam no exercício da caridade moral, sol ao longo do nosso caminho. A faculdade mediúnica é um traço de união entre as sombras de nossas inquietações e as luzes do mais alto, levando-nos a despertar para a nossa realidade pessoal. Não devemos, portanto, buscar tão-só consolação, sob o risco de assumirmos a posição de vítimas indefesas. Deveremos, isto sim, buscar respostas às nossas necessidades de espíritos eternos.

P: – O papel fundamental do Espiritismo é formar médiuns para entrar em contato com o mundo espiritual?
R: – O papel fundamental da Doutrina Espírita é levar-nos ao encontro do cristianismo redivivo e, por isso, temos de convencer-nos, através de acurada observação, que, hoje, o mundo espiritual é o universo em que já estamos vivendo. O médium, nesse contexto, é simplesmente uma ponte que se estende do plano espiritual para o plano dos encarnados, criando-nos condições de nos analisarmos e, por decorrência, revelar-nos os esforços que temos de empreender para reajustar a nossa tábua de valores espirituais. – “Sois deuses”, afirmou Jesus. Se temos, portanto, o poder de criação em nós mesmos, cada um deverá assumir-se a si próprio, fazendo-se um vanguardeiro da luz espiritual em favor daqueles que ainda não despertaram para si próprios. Neste estágio, portanto, a intuição é a grande faculdade. Por ela, em todos os segundos de nossa vida, estamos a recolher informações de ordem espiritual e, ao mesmo tempo, estamos sendo convocados para contribuir abertamente para a realização do cristianismo em nossas vidas, mesmo sem necessidade de determos ou não a mediunidade ostensiva. Cada um de nós tem a sua antena de intercomunicação silenciosa abrindo-se para o mundo espiritual, fundindo-se com esse mesmo universo natural durante todas as horas de sua vida. Avançamos, assim, para a cristianização de nossa humanidade.


Nossa Revista, apresenta a entrevista com Roque Jacintho - Orador, jornalista e escritor espírita, residente em São Paulo, capital. Diretor de Estudos no Grupo Espírita “Fabiano de Cristo”, autor dos seguintes livros, entre outros: “Desenvolvimento Mediúnico”, “Doutrinação”, “Judas Iscariotes”, “A Serviço de Jesus”


Entrevistado:
Roque Jacintho
Orador, escritor e jornalista

Fonte:
Perguntando e Aprendendo
Waldemir Aparecido Cuin