Total de visualizações de página

31 janeiro 2010

O Serviço Orientador - Bezerra de Menezes

O Serviço Orientador

É indiscutível a vitória do pensamento novo, sob as claridades do Espiritismo Cristão, a se derramarem abundantemente no mundo.

Em todos os lugares, identificamos a fome de conforto e a sede de saber... Contudo, observamos também vacilação e dúvida, em quase toda parte.

Convicções hesitantes não conseguem manter o serviço iniciado sobre projetos grandiosos, porque, não raro, os princípios sublimes são confundidos com pessoas transitórias, velando-se a luz sob espessa cortina de sombras, no ânimo irresoluto dos aprendizes, que retardam o avanço das novas revelações.

Observamos, assim, o triunfo e o brilho na idéia, a rodear-se de obscuridade e incerteza na ação.

Não podemos esquecer, porém, de que o único dissolvente dos óbices dessa natureza é o serviço, em cujos continentes renovadores encontraremos, a todo instante, o renascimento íntimo que o trabalho bem conduzido e bem interpretado estabelece dentro de nós mesmos.

A inspiração divina não se abre a quem lhe não bata as portas. E esse “bater” simbólico, tão bem expresso nas lições de Jesus, representa a atividade incessante dos discípulos da Boa Nova a fim de materializarem no mundo os ensinamentos do Mestre.

Sem que nos afeiçoemos ao serviço que ajude ao semelhante, a própria mediunidade estaria reduzida a um poço de águas estagnadas.

Avançaremos pelos caminhos do amor e da cooperação, orientando-nos pela verdadeira fraternidade, ou permaneceremos indefinidamente cristalizados na contemplação nociva ou na discussão perturbadora.

Estejamos convencidos de que o auxílio eficiente aos outros é a nossa diretriz comum, de vez que, em todo tempo, quem ajuda ao vizinho beneficia a si mesmo com mais segurança.

Se desejamos, pois um Espiritismo triunfante com o Cristo na direção e com assembléias e realizações dignas dele, não olvidemos que o serviço é o nosso orientador primário e supremo, porque somente convertendo nossa existência em braços, olhos, ouvidos, pés, pensamentos e corações, através dos quais, se manifeste a vontade atuante e redentora do Mentor Divino, em favor de todas as criaturas e de nós mesmos, é que atingiremos o mundo regenerado com uma só fé e um só Senhor.

Por: Bezerra de Menezes
Do livro: Nosso Livro
Médium: Francisco Cândido Xavier

30 janeiro 2010

Papel dos Pais na Educação dos Filhos: Um tabu - Werter de Oliveira

Papel dos Pais na Educação dos Filhos: Um tabu

A tarefa de educação dos filhos, há algumas décadas, era simplificada pela existência de regras e tradições, as quais eram muito questionadas, tais como: as crianças tinham que obedecer aos mais velhos, não podiam opinar, eram muito surradas, deviam respeitar os pais sem argumentar, enfim, havia uma espécie de código castrador para a educação.

A maneira tradicional de criar filhos foi, mais tarde, profundamente questionada Atualmente, os pais estão expostos a urna grande variedade de informações através de livros, revistas, jornais, televisão cinema e outros meios de comunicação.

Esta excessiva carga de informações os deixa confusos e sem saber o que realmente fazer com relação à opção de como melhor educar seus filhos.

Os pais sentem-se perdidos, inseguros e desorientados em seu papel de educadores, pois são inúmeras as dúvidas que surgem. Muitas vezes, a grande preocupação com a melhor educação a dar, para garantir um desenvolvimento emocional-sócio-efetivo saudável à criança, faz com que a espontaneidade, a intuição e o bom senso dos pais sejam muitas vezes bloqueados.

As teorias psicopedagógicas/psicológicas, na maioria das vezes, são mal interpretadas ou até mesmo, não compreendidas ou ignoradas pelos pais, causando com isso uma compreensão distorcida das bases teóricas, gerando formas incorretas de aplicação das mesmas, comumente utilizadas para não traumatizar a criança.

O relacionamentoentre pais e filhos realmente é algo bastante complexo, pois é preciso tomar muito cuidado com as atitudes que se tem frente à criança e a imagem que se constrói sobre o que é ser bom pai ou boa mãe.
filosofia, crenças e valores pessoais, em relação à educação de crianças e à forma de comunicação, exercem influência marcante na estruturação do relacionamento entre pais e filhos.

Muitas vezes, acredita-se que são bons pais aqueles que tudo fazem pela e para a criança, estar sempre à disposição, atender a tudo que a criança pede ou até mesmo tentar adivinhar o que o filho quer.

Deve-se ficar atento com esses tipos de atitudes, pois a autonomia da criança pode ficar comprometida, podendo gerar dificuldades com relação ao desenvolvimento de sua independência.

Outro fator também importante é a dificuldade dos pais perceberem a criança como pessoa individualizada, portanto diferente deles e nem sempre correspondendo
com suas expectativas e ideais.

Respeitar a individualidade do filho consiste não apenas em aceitá-lo como pessoa diferente de si mesmo, mas também, em conseguir enxergar que existem várias formas de orientar determinadas situações diferentes dos caminhos que eles próprios por certo se guiaram, por acharem o mais correto ou coerente com seu modo de agir.

Autor: Werter de Oliveira
Fonte: Jornal Boa Nova - Edição 17 - março/abril/1998

29 janeiro 2010

Perspectivas da União Conjugal - Rodolfo Caligaris

PERSPECTIVAS DA UNIÃO CONJUGAL

É bastante conhecido o adágio popular que diz: "casamento é loteria", com o qual se pretende significar que o êxito de uma união conjugal depende exclusivamente da "sorte".

Muito vulgarizado, igualmente, este outro provérbio: "casamento e mortalha no céu se talham", encerrando a crença de que esse importante acontecimento da vida seja determinado por Deus, caso por caso, como o é o instante da morte.

Essas duas maneiras de considerar o casamento, como bem se percebe, são fundamentalmente errôneas. Atribuem à Providência a ventura de uns e a infelicidade de outros (o que infirmaria a justiça divina), quando, em verdade, tais sucessos correm por conta do caráter e da maneira de proceder das pessoas.

Entre espíritas menos esclarecidos, por sua vez, existe uma tendência para supor-se que todo e qualquer casamento, aqui na Terra, teria sido objeto de planejamento no mundo espiritual, nos prelúdios da atual existência, com o acorda das partes, as quais, não obstante o esquecimento ocasionado pela reencarnação, seriam impelidas pelo "destino" a dar-lhe cumprimento..

Esta colocação do problema também é inexata.

A Doutrina Espírita admite que possam ocorrer tais planejamentos, tanto para fins missionários como probatórios ou expiatórios. Mas isto não tem foros de regra geral, tanto assim que Kardec, com o bom senso que lhe era peculiar, apontou como causas de tantas uniões desditosas a má escolha do companheiro, cujas qualidades não foram devidamente examinadas, e outras fraquezas humanas, como a ambição, a futilidade etc., sem recorrer a nenhuma hipótese fatalista.

Tudo na vida obedece à lei de causalidade e os casamentos mal sucedidos, em última análise, nada mais são que a consequência natural da ignorância ou da leviandade com que muitos se aventuram em coisa tão séria.

O que acontece, comumente, é o seguinte:

Durante o namoro e o noivado, os jovens, desejos de casar-se, reciprocamente, impressão favorável, esforçam-se por manter uma boa conduta, procurando esconder ou camuflar os aspectos indesejáveis de seus caracteres.

Nesse período, sua convivência é mais a sós, na sala de visitas, ou fora de casa, em passeios e divertimentos. Vivem-no, pois, em estado de encantamento, estimulados pela atração física, evitando a menor alusão a episódios desagradáveis do passado de cada um, para entregarem-se apenas a devaneios e fantasias, no antegozo das deliciosas promessas do futuro.

Mesmo quando um dos dois chega a observar no outro característicos comprometedores ou menos dignos, acreditam, ingenuamente, que o casamento os eliminará ou que terão forças suficientes para suportá-las, sem prejuízo da "eterna felicidade" com que sonham.

Depois de casados, porém, ao conhecerem a realidade da vida, compreenderão que esta não é feita apenas de momentos românticos, exigindo-lhes, agora, árduos trabalhos e não poucos sacrifícios para os quais nem sempre estavam convenientemente preparados.

Podem sobrevir, ainda, dificuldades de ordem financeira, que os levem a sofrer privações nunca dantes experimentadas, e com elas as acusações e queixas de um contra o outro.

Mas o pior, mesmo, é que aquelas (más) facetas do feitio moral de ambos, que tiveram o cuidado de não revelar antes da assinatura do contrato matrimonial, começam a manifestar-se com toda a crueza, gerando atritos, discussões, amuos e represálias. E se não houver, então, concessões mútuas e esforço comum no sentido de ser estabelecido um "modus vivendi" aceitável, ou pelo menos suportável, a harmonia do lar será arruinada, e ipso facto, a felicidade conjugal, destruída.

***

"Não há união particular e fatal entre duas almas. O que há é a união de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a ordem que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos." (Allan Kardec, "O Livro dos Espíritos", questão 298)

***

"No casamento, comumente, o que se cogita, não é da satisfação do coração e sim da do orgulho, da vaidade, da cupidez, numa palavra: de todos os interesses materiais. Daí as uniões infelizes, que acabam tornando-se criminosas, dupla desgraça que se evitaria se, ao estabelecerem as condições do matrimônio, se não abstraísse da única que sanciona aos olhos de Deus: a lei do amor." (Allan |Kardec, "O Evangelho segundo o Espiritismo", cap. XXI, nº 3)

De "A vida em família",
de Rodolfo Calligaris

28 janeiro 2010

Perigos Eletrônicos - Márcio Horii

Perigos Eletrônicos - Sob a Ótica Espírita
Escreve: Márcio Horii

Sem sombra de dúvida, os computadores têm se mostrado importantes aliados do mundo contemporâneo nos mais variados departamentos da vida. Essas máquinas têm presença certa em nosso dia-a-dia e a elas tentamos nos adaptar. Ocupam os bancos, os supermercados, as mesas de escritório, os quartos dos adolescentes, os automóveis, e saber manuseá-las tornou-se indispensável para um bom emprego. Mas infelizmente o ser humano vem tentando atribuir a esse conjunto de componentes eletrônicos, responsabilidades que somente cabem a nós, seres dotados do livre-arbítrio e do raciocínio.

O mercado de aplicativos, por exemplo, está saturado de programas voltados para os consumidores infantis, sendo comum ouvirmos hoje em dia: "Meu filho de apenas 5 anos já é um cobra no computador. Sabe de coisas que eu nem imaginava". É evidente que ele saberá manipular o mouse e o teclado de forma eficiente, pois as crianças são verdadeiras esponjas absorvendo conhecimento. Mas que isso não seja motivo de satisfação antecipada para ninguém, pois as maiores atrocidades cometidas contra a humanidade, foram causadas por indivíduos dotados de grande inteligência. Novamente salientamos que homem instruído não é sinônimo de homem educado. A instrução torna o ser humano culto, erudito, enquanto a educação o torna Bom.

O micro não passa de ferramenta útil para ativar ou estimular zonas cerebrais, mas não educa o ser. A situação se agrava quando vemos pequeninos e adolescentes num delírio frenético, passarem horas a fio na frente do vídeo, lutando, matando, surrando; alucinados por derrotar o inimigo (diga-se semelhante) a qualquer custo, dentro de jogos destrutivos, que apesar de estarem num mundo virtual, facilmente se transferem para a realidade. Esses produtos exercem uma influência deveras perniciosa sobre as mentes mirins, na fase em que deveriam estar elaborando valores da alma.

Se, através de pílulas de placebo, através de indução, fazem crescer cabelo em 40 % dos calvos, o que pensar do estímulo à violência que provocam esses terríveis obsessores eletrônicos, disfarçados de inocentes jogos? É preciso barrar em nossos lares a entrada desses produtos nocivos, rentáveis somente para quem os vende, mas que podem trazer a ruína para quem os compra. É preciso substituí-los por programas que proporcionem divertimento sadio.

Deixar se levar pela indiferença dominante é agir com irresponsabilidade perante os compromissos da vida, que fornece inúmeras oportunidades de crescimento no auxílio ao Espírito encarnado, que nos chama de pai ou mãe, esperançoso em receber de nós a melhor educação, orientando-o a caminhar na sociedade contemporânea, que se transformou em verdadeiro campo minado, onde o menor deslize pode ser fatal.

Chegamos a ponto de indivíduos cadastrarem-se em agências (somente em um desses locais, existem 10 mil novos candidatos, muitos com nível superior), onde por meio de sofisticados programas de computador, é feita uma análise combinatória, na busca de parceiros ideais que queiram atender as mais desvairadas exigências. Sofistica-se a estupidez e o desequilíbrio.
A chamada "incompatibilidade de gênio" vem sido largamente utilizada para acobertar a crescente dificuldade em se praticar a indulgência, o companheirismo, o perdão, a amizade, a tolerância e o respeito ao ser que escolhemos com parceiro. As crises pessoais podem ser resolvidas às custas de compreensão e dedicação que, por vezes, consomem anos e não em segundos de processamento e comparação de dados. Pobre humanidade, que mais uma vez atesta sua fragilidade em lidar com as questões graves da vida, entregando-se aos comerciantes da dor, que sabem converter a ignorância em moeda corrente.

A mais sofisticada máquina não pode fazer de nossa existência um livro de conto de fadas onde a utopia do "viveram felizes para sempre ..." somente encontra eco em mentes distantes da realidade, que buscam a possibilidade de alçar o vôo da felicidade sem lutas, suor, resignação ou esforço conjunto no domínio do egocentrismo. Passamos por delicado momento, em que devemos utilizar a moderna tecnologia na prática do bem, no despertar das consciências adormecidas pelas cantigas de ninar da materialidade. O computador pode realizar milhões de cálculos em segundos mas será sempre um escravo da vontade do Espírito, único ser capaz de mudar os rumos do próprio destino e conhecer a verdade que liberta.

27 janeiro 2010

Perdoarás - Emmanuel

PERDOARÁS

Perdoarás, mas perdoarás compreendendo que o perdão te coloca na galeria de virtudes especiais, diante daquele a quem hajas brindado com a tua benevolência.

+

Perdoarás, reconhecendo que poderias estar no lugar dele.

+

Examinarás todo o acervo de sentimentos e pensamentos, impulsos e ações que te definem a personalidade e perguntarás a ti mesmo, sem qualquer subterfúgio, como agirias na posição do ofensor, no momento psicológico em que ele caiu.

+

Ouvirás a consciência sem fugir-lhe às anotações e perceberás, para logo, que é forçoso sanar o erro; entretanto, observarás claramente que ninguém encontra o clima da compaixão sem a luz do entendimento.

+

À face disso, quando alguém te apedreje, detém-te por alguns instantes, a fim de enxergar o ocorrido. Alguém já disse que de dez partes do ato de ver, nove delas se processam fora dos olhos físicos, nas profundezas da mente. Através da meditação, ser-te-á possível verificar o agravo como sendo um espinho de raízes envenenadas, infelicitando muito mais o agressor do que a vítima.

+

Divisarás, desse modo, naquele que te desconsidera ou injuria, o prejuízo da ignorância, a inibição da enfermidade, o complexo da angústia ou a cegueira da obsessão.

+

Feito isso, destacarás, facilmente, não a tua suposta superioridade diante dele, mas sim distinguirás tuas vantagens, com as oportunidades de refletir e de auxiliar o que o irmão menos feliz, de muito tempo até agora, não terá conhecido.

+

Em verdade, nem sempre nas lesões que venham a ocorrer, na esfera do espírito, conseguirás agir a sós, no plano da condescendência absoluta, de vez que existem as postergações de preceitos que não se correlacionam apenas contigo, mas também com as obrigações da justiça, à frente de todos.

+

Mesmo nessas circunstâncias, perdoarás de ti próprio, esquecendo todo mal, recordando que carregas contigo as próprias fragilidades.

E, ainda quando o agravo se caracterize por feição complexa, separando-te provisoriamente daqueles que te feriram, podes atender à lição de Jesus, auxiliando a cada um deles com a bênção da prece, porque em nos referindo aos domínios da alma, em qualquer lugar, a oração é a presença de Deus no coração.

Por: Emmanuel
De "União em Jesus",
de Francisco Cândido Xavier - Autores diversos

26 janeiro 2010

Nossa Relação com Deus - Raul Teixeira

Nossa Relação com Deus

É muitíssimo importante perceber como é que as crianças se relacionam com seus pais.

É importante que as crianças se acostumem à relação com os pais desde muito cedinho. É nessa conjugação de diálogos, de vivências que os pequenos vão tendo confiança nos pais, que os pais vão se apaixonando pelos pequenos.

Quando somos crianças ou quando vemos a relação das crianças com seus pais, com os adultos, percebemos como é curiosa a visão que as crianças têm dos seus pais.

Parece que os pais são gigantes, são todo-poderosos, os pais podem tudo. As crianças confiam nos seus pais cegamente.

A qualquer problema na rua: Vou contar para meu pai. Qualquer dificuldade: Vou me queixar à minha mãe. Isso porque a criança confia piamente na figura desse casal, dos seus pais.

Quando pensamos nisso notamos que, em função dessa confiança total e irrestrita que a criança tem nos seus pais, elas também acreditam que seus pais podem tudo e, por isso, lhes pedem tudo.

A criança não tem noção de limite. Ela quer, ela pede, às vezes esperneia, bate pés, porque imagina que seus pais não lhe esteja dando porque não querem dar. Não faz ideia das dificuldades que os pais têm para atender aos seus gostos, aos seus caprichos, às suas necessidades.

Essa é uma visão da criança. É da sua faixa etária, é de seu nível psicológico esse tipo de percepção da vida e dos seus pais.

Para a criança, a casa em que nasceu, a casa em que morou quando pequena era gigantesca, imensa, relativamente ao seu próprio tamanho.

Então, verificamos que o olhar dos pequenos envolve os maiores com uma certa magia. É um olhar mágico.
Se a criança quer colocar a mão no teto, pede ao pai que a coloque sobre os ombros. Seu pai pode.
Quando a criança deseja comprar uma coisa nova apela para sua mãe, corre ao Shopping Center, ao mercado, à loja, à feira. A mãe pode.

Quando nos damos conta das primeiras idades da Humanidade, parece que estávamos diante das crianças à frente dos seus pais.

Também a Humanidade, nas suas horas primeiras, tinha esse tipo de relação com Deus. Não conseguia entender exatamente a função de Deus na psicologia humana, não conseguia perceber que as coisas que desejava nem sempre podiam ser dadas por Deus. Tinha uma concepção da vida mágica, mítica, mitológica.

Deus era capaz de amar e de odiar, de matar a quem nos contrariasse, como se aqueles que nos contrariaram também não fossem Seus filhos.

Essa era uma concepção da Humanidade nos seus primórdios. Fomos aprendendo a ter uma relação curiosa com a Divindade, uma relação estranha com Deus, que representa aí as figuras de nossos pais, uma vez que Deus carrega em Si, na Sua realidade cósmica, a duplicidade de pai e de mãe. Deus é Pai e Mãe.

Mãe porque nos gerou, Pai porque nos mantém. Deus alberga na Sua figura, no entendimento que Dele detemos, essa dualidade cósmica dos dois gêneros, de pai e de mãe.

A Humanidade então, desde sempre, aprendeu a fazer escambos com Deus. Se eu ganhar isto, eu farei aquilo. E começamos o processo de fazer oferendas à Divindade para agradá-la.

As crianças começam a fazer isso com seus pais desde pequenas. O que você vai me dar se eu fizer isto? O que você vai fazer comigo se eu disser isto?

Estamos chegando, nada obstante, ao ponto de ter em Deus o nosso Pai Maior, a Inteligência Suprema do Universo inteiro.

Por causa disso observamos a nossa condição diante Dele: a condição de filhos, de criaturas Suas procurando, ao longo do tempo que passa, melhorar o nosso relacionamento com a ideia de Deus, melhorar a nossa vivência, a partir da ideia de Deus.

* * *

Na medida em que a Humanidade vai amadurecendo, podemos perceber que essa relação com a ideia de Deus, essa nossa relação com o nosso Pai, também vai ganhando fórum de maturidade.

Entendemos que Dele promanam todas as coisas. De Deus advêm todas as bênçãos, tudo quanto temos, tudo quanto somos, tudo quanto queremos, em nível material. Agora, entendemos também em nível espiritual.

Sim. Já nos demos conta, ao largo das idades, pelas experiências de acertos, de erros, de quedas, de levantares que todos somos Espíritos, somos criações de Deus, seres espirituais.

E como seres espirituais não albergamos somente necessidades no plano da matéria, mas fundamentalmente carregamos necessidades em nível espiritual, no plano da alma, do ser imortal.

Em termos materiais precisamos de comer, de beber, de vestir, de morar, de remédio, diante das necessidades do corpo, mas aprendemos que essas necessidades devem ser supridas através do nosso trabalho: nossa luta na Terra, nosso cotidiano de sair, de ir à oficina, de ir à gleba, de ir ao escritório, de ir ao consultório. Já sabemos que a vida material deve ser suprida por nós, mas onde é que Deus entra nessa questão?

Deus entra nessa questão quando nos dá saúde, quando nos permite o tempo, quando nos abre oportunidades para que, então, no exercício de nossa inteligência, possamos trabalhar, ganhar o nosso pão diário, vestir-nos, morar bem ou morar mal e todas as demais necessidades do mundo material.

Em nível de vida espiritual, no campo da alma, precisamos de Deus porque é Ele que nos indica rumos. Por causa disso nos tem enviado à Humanidade, desde os tempos mais prístinos, desde as épocas mais remotas, os Seus mensageiros.

A História nos dá notícias de Zoroastro, de Hermes, de Buda, de Lao-Tsé, de Confúcio, de Moisés, de Jesus Cristo. Ao longo das idades, nos seios dos variados povos, Deus foi mandando mensageiros Seus, filhos Seus mais aprimorados, filhos Seus mais desenvolvidos, mais evoluídos, para que ajudassem aos irmãos no começo da carreira, no começo da escolaridade.

E isso tudo nos vai permitindo marchar para esse grande Cosmos que nos aguarda.

Nossa relação com Deus começa a se tornar mais amadurecida. Tivemos necessidade de compreendê-Lo e aí foram sendo criadas as religiões, as crenças, os mistérios, o mito.

Nessa atualidade do mundo, já contamos com a possibilidade de entender melhor a ideia de Deus e perceber que Deus não pode ser entendido por nós de maneira antropomórfica, como se Ele fosse um ser humano ou um humanóide. Deus é Algo, não pode ser Alguém. Se Deus fosse Alguém teria que ter sido criado por alguém. Deus é Algo.

E a nossa necessidade filosófica e a nossa capacidade de discernimento nos diz que, para que Ele seja o Criador do Universo, tem que ser o Criador não criado. Neste exato momento do mundo, temos muita dificuldade de compreender um Criador que não tenha sido criado. Somente no campo das especulações filosóficas é que admitimos isto.

E, por admitirmos Deus como Criador não criado do Universo, podemos muito bem trabalhar no sentido de que a nossa relação com Ele seja a mais madura possível, verificando aquilo que é compromisso nosso, o de nos aprimorar, de fazermos esforços, de nos respeitarmos reciprocamente, de amarmos uns aos outros, de cuidar, enfim, da nossa vida interior, mas de trabalhar, de colocar nosso corpo na dinâmica que ele precisa ter: o trabalho, a ginástica, o esporte, o lazer, para bem conservar esta máquina, enquanto o Espírito marcha a passos largos uns, ou a passos de minutos outros, mas todos marchando ao encontro do Grande Pai.

Nossa relação com Deus, dia após dia, vai amadurecendo e, com esse objetivo é que surgiu na Terra o pensamento da Doutrina Espírita a nos ensinar a ver Deus, o Pai Criador, como a Inteligência Suprema do Universo e a Causa causadora de tudo.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 169, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em setembro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 27.09.2009.

25 janeiro 2010

A Bênção do Corpo - Raul Teixeira

A Bênção do Corpo

São Francisco de Assis costumava dizer que o seu corpo era um doce jumentinho. E explicava que aquele jumentinho o levava para toda parte. Obediente, tranquilo, exigindo-lhe muito pouco, com muito poucas necessidades.

Quando pensamos nessa imagem criada por Francisco, de que o nosso corpo seria o nosso jumentinho, imaginamos que ele é o nosso instrumento de trabalho na Terra.

É graças ao nosso corpo que nós, seres espirituais, estagiamos no caminho da evolução.

Do mesmo modo que, para nos deslocarmos no mundo comum, precisamos de veículos que nos levem daqui para ali, para virmos do mundo dos Espíritos para a Terra, todos precisamos desse instrumento corporal, desse veículo ao qual chamamos corpo físico.

Parece, no entanto, que pouca gente dá importância ao corpo físico como deveria dar. Trata-o com um certo desmazelo, com certa indiferença, com certos descuidos.

O corpo físico é, de fato, essa oficina notável de bênçãos, esse jumentinho maravilhoso que nos leva para todo lugar. Mas ele tem necessidades próprias.

Ainda que São Francisco tivesse um corpo que expressasse menos essas necessidades pela disciplina que lhe era imposta por seu dono, nós todos carregamos, em nossos corpos, necessidades formidáveis.

É importante notar quanto este corpo nos serve. Quando estamos no mundo dos Espíritos sem ele, enxergamos pelo nosso todo, sentimos pelo nosso todo, ouvimos pela nossa integralidade.

Deus é tão misericordioso que, quando chegamos à Terra, na bênção do renascimento, esse canal de audição está localizado através dos nossos ouvidos.

Imaginemo-nos num corpo físico e ouvindo pelo corpo inteiro, enxergando pelo corpo inteiro.
Para os fofoqueiros seria maravilhoso, para os intrigantes seria notável, mas perturbar-nos-ia profundamente enxergar pelo corpo inteiro, ouvir pelo corpo inteiro.

Então, temos os canais estabelecidos, ouvimos somente pelos ouvidos. E esses canais têm ligações cerebrais.

Enxergamos somente pelos olhos e os nossos olhos têm ligações cerebrais.

Percebemos o olfato apenas pelas narinas, mas esse olfato tem raízes na nossa cerebração.

Falamos pela boca. Sentimos o tato pelo corpo inteiro: a única coisa que fica espalhada pelo corpo inteiro, porque o nosso corpo inteiro precisará perceber o ambiente onde estamos, porque caminharemos, sentaremos, deitaremos, comeremos, tocaremos objetos, sentiremos o clima. Então, precisamos ter, nessas células sensíveis, o apercebimento de todo nosso redor, de todo o mundo que nos cerca, de todo o environnement.

É por causa disso que o nosso corpo físico representa uma bênção para nós, e ele ainda tem um elemento formidável a nos enriquecer de bênçãos.

É que quando estamos no mundo dos Espíritos, antes de virmos para a Terra, carregamos as marcas fundas dos nossos conflitos, dos nossos medos, carregamos as estruturas dos nossos remorsos, dos complexos de culpa.

E o corpo físico, quando mergulhamos nele, serve como um abafador. É como um abajur que quebra a intensidade da luminosidade e ficamos abafados em nosso corpo físico, relativamente a todas as potencialidades que temos.

Também nos esquecemos de todos os tormentos que nos acicatavam, caso contrário, seria impossível para nós caminharmos pela Terra e darmos conta dos compromissos que nos cabem dar.

É por isso que verificamos, na bênção do nosso corpo físico, essa excelente oportunidade que a Divindade nos concede de estarmos aqui resguardados, aprumados com o nosso corpinho, com o nosso doce jumentinho.

Vale a pena pensarmos nesse corpo físico, dando a ele o de que ele necessita, as oportunidades que ele precisa ter: a boa alimentação, a boa nutrição, o trabalho para que ele se movimente, o repouso que faz parte das Leis de Deus.

O corpo precisa de tudo na dosagem certa. Quando exorbitamos de uma forma ou de outra, sacrificamo-lo e, certamente, ele finará a nossa existência terrestre mais cedo, porque maltratando-o, morremos antes.

* * *

Para que não morramos antes do tempo, vale a pena tratar bem este corpo que Deus nos deu.

Não importa que ele seja gordo, magro, alto, baixo, lesionado, com problemas. É o melhor que Deus tinha para nos dar. É a riqueza que carregamos no mundo e que temos que valorizar.

Ah, uns são orelhudos, outros têm nariz grande. Nenhum problema, tudo está dentro do que a gente precisa para viver bem na Terra, para estar bem no mundo.

Quando compreendemos o processamento do corpo, não nos importa o exterior, importa a grandeza que ele representa para nós.

Imaginemos o nosso cérebro, essa cabine notável onde o grande comandante, que é o Espírito, realiza a sua administração corporal.

É no cérebro que estão ligados todos os implementos do nosso corpo. É ali que está a cabine de comando.

Uma espetada na ponta do dedão do pé a uma puxada de cabelo, tudo repercute no centro neurológico das sensações.

Percebemos um mosquito que caminha sobre nossa pele, uma pulga que salta em nós, um inseto qualquer, registramos água fria, água quente, o clima frio, o clima quente. Registramos tudo, graças ao nosso tato. Todas essas informações vão para o cérebro.

As imagens chegam aos nossos olhos invertidas e o cérebro trabalha para que se veja tudo no devido lugar.

A audição, o martelo, a bigorna depois da vibração do tímpano, tudo isso fazendo com que as mensagens auditivas, as mensagens sonoras nos alcancem o cérebro e identifiquemos se é o zumbido de um inseto, se é uma moeda que caiu, se é a voz de Fulano ou de Beltrano. Identificamos com perfeição.

O nosso cérebro é um grande laboratório de informática, uma cabine de computadores onde todas as coisas são selecionadas por suas classes, categorias. Sabemos as vozes que nos são familiares e as que não nos são familiares, os sons que já conhecemos e aqueles que ignoramos.

Mas, quando partimos para o coração, meu Deus! Uma bombinha de nada, quase uma mão de homem fechada que irriga todo o corpo, seja do tamanho que for esse corpo.

Essa bomba projeta com a sua força o sangue, que é oxigenado pelos pulmões para todo o corpo.

As artérias, as veias, os vasos, em todas as regiões de nosso corpo físico lá está o sangue levando vida, levando nutrientes, levando progresso, como os rios que cortam um território geográfico.

Nosso coração que, tão poucas vezes nele pensamos, se move graças a impulsos da eletricidade. Sim, é verdade.

Um notável pesquisador, Dr. Hiss, descobriu que o nosso coração, no seu movimento de sístole e de diástole, no seu batimento, é movido por eletricidade.

O feixe de Hiss é um feixe movido a eletricidade, é um feixe elétrico que existe em nosso músculo cardíaco, responsável por essa polarização: sístole, diástole.

Quando isso não ocorre, o coração para e nós saímos do corpo. Morremos.

Esse músculo tão pequeno, tão forte, tão preciso, tão capaz, durante muito tempo no mundo foi tido como sendo o órgão da inteligência.

Dizia-se que nós aprendemos as coisas através do coração. Até hoje falamos isso, embora não acreditemos que seja através do coração, mas usamos tradicionalmente essas expressões:
Eu sei de cor. Quando eu sei muito bem as coisas, eu digo que sei de coração, eu sei de cor. Cor é de coração. Cor, cordes, do latim.

Então o coração é esse órgão tão importante que os antigos admitiam que é através dele que sabemos de todas as coisas, guardamos todas as informações. Quando gostamos de alguma coisa, guardamos no coração: pessoas, episódios, lembranças.

Como é importante o nosso corpo, que nos leva para todo lugar. Só registramos a sua importância, lamentavelmente, quando ele nos falha.

Na hora em que nos dói o peito e temos a sensação de que vamos morrer, aí nos lembramos do corpo. Muitas vezes, nessa hora, já será tarde demais.

Enquanto somos jovens, maduros ou mesmo na velhice, tratemos bem do nosso corpo, do nosso doce jumentinho porque, como quer que ele seja, é para nós todos, os que vivemos aqui no planeta, a grande bênção de Deus, a bênção do nosso corpo.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 161, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em julho de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 25.10.2009.

24 janeiro 2010

Nuvens que Passam - Raul Teixeira

Nuvens que Passam

É impossível alguém viver na Terra sem ter problemas.

Este é um planeta de problemas. Não precisamos muito para ouvir a voz do Sublime Pastor quando disse: No mundo só tereis aflições.

Não podemos discutir a veracidade das coisas ditas por Jesus de Nazaré. Ele sabia muito bem quem somos nós e a necessidade que todos temos de estar neste planeta, no planeta Terra.

No mundo só tereis aflições. De nenhuma maneira Ele nos disse que o fato de termos aflições no mundo implicaria em afligirmos os outros. De jeito nenhum.

Tudo na Terra tem um significado de aflição. Quase tudo, no mundo, é profundamente afligente.
Sentimos aflições por não saber das coisas. Aflige-se a mãe grávida, a mulher grávida por não saber se o seu bebê vai nascer sadio, vai nascer com problemas.

Aflige-se a pessoa que está no ponto de ônibus na hora do trabalho e passa o primeiro ônibus cheio, o segundo cheio. A hora está passando e a criatura se aflige.

Aflige-se o vestibulando que estuda loucamente, mas não tem a mínima ideia de como serão as provas, o que cairá nas provas.

Aflige-se a pessoa diante do que vai comer: Será que isto me fará mal? Será que isto me fará bem? Será que eu posso comer isto? Será que isto engorda? Será que...?

As várias aflições do mundo, em todos os níveis. Se um dos nossos familiares que está na rua, que está trabalhando e que costuma chegar em determinado horário não chega, lá está a aflição a tomar conta de nós: O que houve? O que aconteceu? O que terá havido?

E começamos a telefonar, a ligar, a saber, a buscar... As aflições.

Todos esses fenômenos têm níveis, níveis menores, níveis maiores. Todos na Terra sofremos muitos reveses.

O desemprego, por exemplo. Que tormento, que falta de chão sentimos quando nos falta o trabalho profissional, quando não temos onde ganhar o pão diário.

A enfermidade, as doenças que invadem nossa casa, nos acometem, acometem os nossos familiares. Gastamos dinheiro, gastamos recursos emocionais, sentimentais, na busca da solução para o problema da cura, da medicação, do tratamento.

O luto, a aflição do luto, a dor do luto. Quando vemos algum dos nossos partir para o mais Além, algum amigo, alguma pessoa querida, tudo isso faz parte do que poderíamos dizer que são nuvens pesadas que se ajustam, que estacionam sobre as nossas vidas.

É como se, a qualquer momento, essas nuvens fossem desabar convertidas em tempestade.

É verdade, todas essas experiências se assemelham a nuvens que passam. Todas elas tomarão rumo novo, todas partirão diante dos ventos de uma nova realidade, diante dos ares de uma nova espera.

Nenhum desespero diante dessas nuvens densas. Nós, na Terra, estamos aqui exatamente para isso: aprender a driblar situações difíceis, aprender a superar desafios, aprender a ganhar experiências positivas, experiências do bem, aprender a nos aproximar do Reino do Senhor, esse Reino dos Céus que se encontra em nossa intimidade, esse Reino dos Céus que está dentro de nós.

Por isso, diante dessas nuvens pesadas que toldam volta e meia os céus de nossa existência, cabe uma postura de serenidade.

Não é fácil, não é simples, mas não temos outra alternativa diante dos reveses, diante das aflições, senão a tranquilidade, asserenar-nos tanto quanto nos seja possível, fazendo-nos sempre esta mesma pergunta: Se eu me desesperar, se eu me desarticular, resolverei alguma coisa?

A resposta será negativa. E, se eu não resolver nada perdendo as estribeiras, perdendo-me no meio dos problemas, melhor guardar harmonia em mim e esperar por Deus.

* * *

Na medida em que buscamos essa harmonia e entregamos nossa vida nas mãos de Deus, todas as coisas vão se encaminhando.

Essas nuvens que passam sobre nossas existências podem provocar muito pavor, muito medo, muita insegurança, fazendo com que muita gente admita o azar sobre sua vida.

Há pessoas que se imaginam dotadas de uma falta de sorte, dos azares da sorte, quando em realidade não estamos expostos aos azares. As coisas nos acontecem, em razão da escala de nossos méritos, de nossos deméritos, dos erros e acertos que tenhamos perpetrado em dias longínquos ou próximos de nossa existência espiritual.

Por isso, é importante verificar que as frustrações, os conflitos que chegam às nossas vidas também são nuvens que passam.

Se olharmos um ano atrás: o parente doente, o filho doente, nossa própria enfermidade e, quando nos damos conta, estamos aqui, lépidos, fagueiros, sorridentes, trabalhando, alegres. Tudo aquilo se foi. Tudo aquilo já passou.

Há um caso muito interessante que ouvi da voz do nosso saudoso médium Chico Xavier, conhecido mundialmente por seus livros, mais de quatrocentos livros publicados, centenas e centenas de entidades espirituais escreveram por seu intermédio. Pois bem, Chico Xavier vivia, conta ele, um momento muito difícil em sua existência, imaginando-se diante de um processo expiatório bastante severo e, no momento que seu anjo guardião lhe apareceu, se lhe mostrou, o Espírito Emmanuel, seu guia espiritual, ele, no meio daquela aflição toda que o desgastava, propôs a Emmanuel:
Meu irmão, quando houver uma oportunidade que o senhor encontre com a mãe do nosso Mestre Jesus, peça a ela uma orientação para mim. Estou atravessando essa hora aziaga de minha vida e, certamente, uma mensagem de Maria me ajudaria a superar esse transe. E era tão honesta, era tão sincera a dor de Chico, que seu benfeitor espiritual disse que iria providenciar.

Na primeira oportunidade em que estivesse em contato com a mãe do Nazareno, pediria a ela uma orientação para a sua vida. Dias depois, narra Chico Xavier, o Espírito Emmanuel lhe apareceu e lhe disse:
Chico, a mãe do nosso Mestre manda-lhe uma mensagem. E o nosso Chico Xavier, de saudosa memória, tomou papel, lápis para anotar a mensagem que lhe vinha de parte de Maria de Nazaré: Pode dizer, meu irmão.

E o Espírito Emmanuel ditou para ele: Isto também passará.

E Chico ficou esperando a continuidade da mensagem. Mas a mensagem era isto, a afirmativa de que todas as nuvens passam. Isto também passará.

Curioso é que, quando conversávamos com Chico Xavier, ele nos chamou a atenção para um fenômeno de linguagem muito interessante e para um entendimento muito próprio para a questão.

Quando ele leu demorada e várias vezes aquela frase, chegada para ele da parte da mãe do Mestre, se deu conta da veracidade dela porque tudo no mundo passa. Este é o mundo das impermanências e se passam os momentos de tristeza, de dor, de amargura, também passam os momentos de folguedos, de festa e de alegrias.

Tudo passa porque este é um mundo de passagem. Estamos aqui, en passant, estamos aqui momentaneamente, porque o reino de Cristo ainda não é deste mundo e, nós, conforme Suas próprias palavras, somos ovelhas do Seu rebanho.

Desse modo, não somos daqui, estamos de passagem pela Terra. Todas as coisas que hoje nos causam sofrimento, amargura, dor, luto, pranto passarão se nós soubermos esperar os ventos da Providência Divina, os ventos da Sublime Misericórdia, com firmeza e trabalho, com boa vontade e perseverança, colocando-nos, por nossa vez, sob o Amor e a Justiça de Deus.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 156, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em julho de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 18.10.2009.

23 janeiro 2010

As Aflições Humanas: Causas Anteriores - Raul Teixeira


As Aflições Humanas: Causas Anteriores

Há muitas coisas na existência que nos causam dúvidas curiosas.

Há muita coisa que se não sabe de onde é que vem, porque acontece, como é que ocorre.

Basta olharmos as nossas crianças. Desde novinhas, demonstram coisas curiosas para nós, nos dizem coisas que nunca lhes ensinamos, apresentam situações que nunca esperamos.

Crianças que nascem microcéfalas, com o crânio reduzido; macrocéfalas, com o crânio ampliado; crianças que nascem sem cérebro, anencéfalas; crianças que nascem surdas, mudas, que ficam paralíticas, sem nenhuma razão exterior palpável.

As mães fizeram pré-natais notáveis, sérios, com bons médicos e os filhos nascem com lesões irreversíveis.

Encontramos situações para as quais não vemos explicações imediatas na vida que temos.

Por que é que nascem crianças em Nova York, em São Paulo, em Tóquio, que não lhes falta nada e nascem outras em Serra Leoa, na Libéria, nos confins do Nordeste brasileiro às quais falta tudo?

Qual é a visão que temos dessas questões, se considerarmos as Leis de Deus? Por que é que Deus faz isto?

Por que nascem crianças com todas as possibilidades de se desenvolver e nascem outras para as quais falta tudo? As dificuldades homéricas para que se desenvolvam...

Como é que nascem crianças ricas, poderosas e outras miseráveis, famélicas? Como explicar essas coisas?

Essas crianças não fizeram nada para merecer isso.

A voz popular diz que são verdadeiros anjinhos e uma mãe retém, nos seus braços, um anjinho marcado por doenças incuráveis ou por doenças gravíssimas tendo ela feito tudo o que era preciso fazer durante a gestação, tendo ela todo o amor do mundo para dar ao seu neném. O que é que acontece?

Ficamos pensando nesses problemas para os quais não achamos explicações agora, nesta atualidade do mundo, mas nem por isso menos aturdentes.

São situações grotescas mesmo. Como é que uma criança é violada? É violentada e morta? Como se justifica isto?

Somente na fereza do adulto que fez? Como é que podemos justificar isso, se consideramos as Leis de Deus Leis de perfeição?

Isso faz com que muita gente estabeleça não crer mais em Deus porque seria impossível admitirmos esse Deus justo, amoroso, bom, paternal, Pai de toda a Humanidade, admitindo a unicidade das vidas. Chegamos na Terra uma vez só, vivemos na Terra uma vez só. Se for assim, a vida não merece ser vivida.

Essa miséria toda que se espalha no mundo, ao lado dessa riqueza toda que o mundo guarda. Deus, de fato, não poderia existir.

O que acontece é que, às vezes, nos falta esse olhar para compreendermos que não estamos na Terra por primeira vez, nem pela última vez.

Adotar a visão milenar reencarnacionista, não aquela que, por exemplo, têm os nossos irmãos indianos de que um familiar pode nascer num rato, num bicho qualquer, como havia na Grécia a ideia da metempsicose; seres humanos que podiam nascer em corpos de plantas ou de bichos. Não, não é por aí.

Admitimos, sim, que as almas voltam para habitar novos corpos, para viver de novo na Terra, mas em corpos humanos e, nesses corpos humanos é que elas terão que dar conta do que desarranjaram no seu passado, quando viveram em outros corpos humanos.

* * *

Diante dessas situações, temos que admitir que não existe uma única existência na Terra, não existe uma única vida na Terra.

Lembramos do texto do Evangelista João, no seu capítulo terceiro, onde há uma conversa entre Jesus e o Rabi Nicodemos quando Ele diz que: Aquele que não nascer de novo, não verá o Reino dos Céus.

Nicodemos pergunta ao Mestre Jesus: Como pode um homem, sendo velho, voltar ao ventre de sua mãe para tornar a nascer?

Nicodemos tinha entendido, não tinha admitido que pudesse acontecer isso. Como é que um homem velho...?

E Jesus Cristo redargue:
Aquele que não nascer da água e do Espírito, não verá o Reino dos Céus.

Naturalmente que, ao longo das idades, já no século XX, os cientistas demonstraram que um corpo físico é um corpo de água. Demonstraram que a vida orgânica nasceu no seio das águas, ainda nos tempos remotos da Terra.

E nascer do Espírito é essa renovação que o corpo físico nos permite viver.

Estamos num corpo físico para aprender a iluminar o Espírito, para trabalhar essa questão da alma.

Então aqueles equívocos, aqueles erros que perpetramos em outras vidas, em outras existências, não se apagaram.

Mas não foi outra pessoa que viveu esse passado?

Sim, foi outra pessoa, mas o mesmo indivíduo.

A pessoa, a personalidade é a máscara; Persona, do latim, quer dizer máscara, cara.

Em cada existência, mudamos de face, mudamos de cara, mudamos de persona, mudamos a personalidade, mas é o mesmo indivíduo mudando de caras, mudando de máscaras. Quando trocamos de roupa, não deixamos de ser quem somos.

Então, os erros que cometemos no passado voltam conosco. Estamos de roupa nova, mas a alma é a mesma e temos que dar conta disto.

Os acertos que tenhamos feito no passado também retornam conosco.

É por isso que já merecemos uma sociedade com progressos, já temos luz elétrica, já temos vacinas, já temos remédios, já temos uma moradia boa.

Isso tudo corresponde ao bem que já espalhamos na Terra, ao bem que já fizemos na Terra, às realidades luminosas que inauguramos na Terra.

No entanto, os erros cometidos, os enganos perpetrados, Cristo disse: Só saireis daí depois de pagardes o último quadrante, a última moeda.

É importantíssimo perceber que a Terra é, ao mesmo tempo, uma escola, também um hospital, também uma cadeia, dependendo daquilo que estejamos fazendo aqui.

Quem precisa continuar aprendizados que não foram concluídos no seu passado e está na Terra, a Terra se lhe mostra uma escola.

Quem não foi punido pela justiça no passado, foi esperto e escapou da lei, para esses, quando retornam, a Terra é a mão da justiça, é um presídio, é um cárcere.

Para aqueles que criaram patologias nas vivências desorganizadas do seu passado, os que se encheram de drogas, de excessos e infelicitaram a vida e saíram do corpo mais cedo, voltam à Terra e, para esses, a Terra é um hospital.

De qualquer forma, seja uma escola, um hospital, uma oficina de trabalhos, seja um presídio, a Terra é o nosso campo abençoado de oportunidades.

Tudo quanto não temos explicações na atualidade, essas explicações estão no nosso passado, nas coisas que fizemos, positivas ou negativas.

Todos estamos na Terra nascidos de novo, como lembrou Jesus.

Quem não nascer de novo, não progride, não avança, não melhora, não tem tempo para isto.

Seria terrível em uma única existência definirmos tudo. Quem vive cem anos na Terra não aprende tudo. Imaginemos quem nasce e morre, quem morre jovem não aprendeu tudo, nem no mundo do intelecto, nem no campo da moral, da ética.

É por isso que precisamos voltar à essa escola, voltar a esse cárcere, voltar a esse hospital, voltar a esse campo de aprendizados, que é a Terra.

Todas as questões para as quais não encontremos respostas hoje, essas respostas estão no ontem nosso, pessoal ou no ontem da Humanidade.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 165, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em julho de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 23.08.2009

22 janeiro 2010

O que é o Espiritismo? - Anônimo

O que é o Espiritismo?
(Evocação dos 150 anos do Livro kardequiano)

O que é o Espiritismo? Indaga o ser
Que caminhos bem melhores quer fazer,
E que do medo anela por fugir.
O Espiritismo, qual grito da ciência,
Busca a razão no mundo em decadência,
A fim de nobres ilações construir.

O que é o Espiritismo? Pergunta a alma
Que no discernimento tem sua palma,
E que se nutre da investigação.
O Espiritismo é grã-filosofia
Que ao questionar, do arroubo desconfia,
E filtra o que detém no coração.

O que é o Espiritismo? Eis a pergunta
Que traz em si mil ilações que juntas
Falam de Deus, nosso Pai Criador.
O Espiritismo eleva a nossa vida,
Levanta a alma que, em pranto e combalida,
Busca conforto no Consolador.

O Espiritismo é um campo de beleza,
De onde o trigo da fé nos chega à mesa,
E nos atende à fome da razão.
É.luz solar brilhando sobre o mundo,
Renovação p´ra um viver mais profundo,
Na pauta da mais nobre retidão.

O Espiritismo é fonte cristalina,
Que dos estuários da bênção divina
Consegue dessedentar a alma humana.
É canto de louvor ao dom da vida,
Despensa de uma espiritual comida
Que em torno de sua mesa nos irmana.

O Espiritismo é como augusto sonho,
Em vez do pesadelo mais medonho,
Que tira o sono dos desprevenidos.
É cobertor a proteger do frio,
Grandeza d´alma que concede brio
Se despertamos lúcidos, remidos.

O Espiritismo é diálogo formoso,
É concessão do nosso Pai Bondoso,
Que amplia esse saber que nos seduz.
Liberta-nos da espiritual infância,
Desfaz-nos a borra da ignorância,
Nos passos que nos levam a Jesus.

Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 19.01.2009, na Sociedade Espírita Fraternidade, em Niterói,RJ

21 janeiro 2010

As Leis da Vida - Raul Teixeira

As Leis da Vida

Todos temos necessidade de refletir com amplitude a respeito de nossa vida no mundo, porque absolutamente nós somos todos iguais.

No plano de Deus somos todos iguais. Não existe uma única criatura que seja superior à outra. Como filhos de Deus, não.

Deus não criou filhos escalonados: Este é do primeiro grupo, este é do segundo, este é da raça inferior, este é da raça superior.

Deus criou Seus filhos simples e ignorantes, todos partindo do mesmo ponto para alcançar a plenitude de si mesmo.

Daí, começamos a pensar nessa especialidade em que muita gente se coloca.

Há muitas pessoas que se imaginam mais especiais do que outras.

Impostam para falar, se imaginam mais amadas, mais queridas por Deus, se vestem de maneira especial por causa disto, adotam codinomes particulares por causa disto. Porque elas se sentem especiais.

Isso corresponde a um processo psicológico da Humanidade, do ser humano, que poderemos chamar de carência afetiva ou complexo de inferioridade: Eu preciso ser mais gostado que o outro é. Eu preciso me sentir mais amado do que o outro é. Eu preciso que alguém preste atenção em mim.

Vemos, diariamente, pelas ruas de nossas cidades, homens e rapazes, moças e mulheres que envenenam seus motores de motos e de carros, fazem todo barulho do mundo para chamarem a atenção.

Passam por nós com os sons do carro em último volume, trepidando, para chamar a atenção.
Criaturas que se enchem de piercings, de tatuagens, que se pintam das formas mais aberrantes. Não pode ser por estética, é para chamar atenção.

Começamos a perceber que há essa necessidade quase doentia de ser especial. Mas, no plano de Deus, todos somos igualmente especiais.

Isso porque Deus criou Leis.

Essas Leis de Deus, que também chamamos de Leis Divinas regulam tudo quanto se passa no Universo.

É por isso que, gostando ou não, querendo ou não, temos que receber na Terra o inverno, o outono, a primavera, o verão. Temos que vivenciar as noites, por mais tenhamos medo da escuridão e os dias, por mais que o sol nos afete a epiderme.

Todas as Leis de Deus foram feitas para todos os Seus filhos. Então, vivemos num Universo submetido a Leis e, se estamos num mundo e num Universo submetidos a Leis, não há critério de especialidade no plano de Deus. Há Leis que servem para esses filhos, há Leis que servem para aqueles filhos.

O que ocorre no plano da Divindade, pelo que aprendemos dos Guias do mundo, é que são as mesmas Leis de Deus que se adaptam aos níveis em que se acham os filhos de Deus, da mesma maneira que as leis humanas não se aplicam do mesmo modo às crianças, aos indígenas, aos doentes mentais, pela sua condição daquele momento, daquele período.

Então no mundo, nos mundos, as Leis Divinas são as mesmas, ajustadas ao aprendizado, à capacidade, ao crescimento, ao progresso desses ou daqueles filhos do Grande Pai.

O fato de que vivemos sob as Leis de Deus garante que há justiça.

Quando Jesus Cristo nos ensinou: A cada um será dado conforme suas obras, aí está uma demonstração da Lei de Justiça. A cada um será dado conforme suas obras.

Não nos adiantará dizer, como muita gente diz: Eu estou melhor do que mereço. Não é verdade porque se alguém estiver melhor do que merece, razão terá outro de dizer que está pior do que merece, porque se há que se manter o equilíbrio universal das energias. Se alguém recebeu mais do que o mérito, esse algo mais foi tirado de alguém.

De modo que vivemos no mundo, exatamente como merecemos, porque a cada um é dado conforme as suas obras. Foi Jesus Cristo que nos ensinou isto.

De maneira que vale a pena irmos nos acostumando a essa ideia de que não somos especiais em relação aos nossos irmãos. Todos somos especiais no plano de Deus, porque Ele nos ama.

* * *

É o amor de Deus que nos permite experimentar no mundo todas essas delícias que o mundo nos proporciona e sofrer no mundo todas as dificuldades que ele nos impõe. É porque há Leis.

Não existe uma única criatura que não esteja submetida ao sol e à chuva, aos ventos, aos raios cósmicos, aos raios solares. Não existe uma única criatura.

Quando pensamos nesse Universo de Leis, nessas Leis perfeitas do Criador, que é perfeito, temos que convir que precisamos nos ajustar a essa compreensão de que somos governados por Leis.

Quando pensamos nisso, pensamos também na vulnerabilidade a que estamos sujeitos aqui na Terra, principalmente em nível biológico, o nosso corpo físico.

Nascemos todos crianças, a nossa tendência é crescer. Mas na medida em que o tempo passa, o nosso corpo vai sendo submetido às leis biológicas. Vamos envelhecendo.

Se não desencarnarmos em crianças, todos teremos que apresentar-nos à adolescência, atravessaremos os caminhos difíceis da adolescência, as lutas internas, os ajustamentos psicológicos, os arranjamentos orgânicos, hormonais. Todos passamos por isto: é uma fatalidade biológica.

Dali há pouco crescemos. Uns engordam, quando foram magros na juventude, outros emagrecem, quando foram gordinhos na juventude. São as leis da biologia, da genética, fatais.

Mas há aqueles que não se conformam com o envelhecimento do corpo. Por mais belos, por mais belas tenham sido as pessoas, chega o dia, uma vez que o tempo é inexorável, que vamos tendo a pele desidratada, vão nos aparecendo as rugas, os pés de galinha e lá estamos nós envelhecidos.

Não adianta apelarmos somente para cirurgias plásticas, porque elas nos esticam a pele, o rosto, o corpo, mas não consertam as juntas e começamos a arrastar as juntas. A voz se nos altera, o raciocínio se nos altera: é uma imposição biológica.

Chegamos a um ponto que já não podemos comer a partir de certo horário. Um caldinho, uma sopinha, no início da tarde.

Quando somos jovens, comemos de tudo a qualquer hora, comemos qualquer coisa. Na medida em que a máquina orgânica vai envelhecendo, temos que ter cuidados. Não podemos comer qualquer coisa, porque há problemas de vesícula, há problemas de rins, há problemas de estômago, há problemas de toda ordem, no maquinário que está comprometido pela idade. As leis: quem não desencarnar antes, envelhecerá.

E as enfermidades?

Todos estamos submetidos na Terra a essa possibilidade de enfermar. Estamos sujeitos aos vírus, às bactérias, aos bacilos, aos gérmens de todos os tipos.

E aí contraímos, desde resfriados, de gripes a cânceres, tuberculoses, sífilis, pênfigo. Todos estamos sujeitos a essas dificuldades da saúde orgânica.

São Leis. O nosso corpo é vulnerável, porque na Terra tudo está sujeito a isto.

As plantas ficam doentes, os animais ficam doentes, os minerais ficam doentes e, naturalmente, nesses reinos anteriores à Humanidade, a essas doenças do reino mineral, dizemos que se transformaram os minerais.

Onde hoje encontramos a montanha de barro vermelho, era uma montanha de ferro, de minério de ferro, que os milênios transformaram em barro. É o ferro que morreu, o ferro que adoeceu e que se transformou.

As montanhas de sílica se converteram em areia, em areais. O envelhecimento da sílica, do silício. Vamos vendo que tudo em a natureza é assim. A planta minúscula se converteu em árvore frondosa.

Estamos todos submetidos às Leis. Mas das Leis todas que regem a nossa vida na Terra, há uma que é especial, a Lei do Amor.

Se nos deixarmos dirigir pela Lei do Amor, as lutas do corpo, da saúde, da vida social, todas parecerão um nada, porque o amor é que nos unirá.

Não foi por outra razão que disse Jesus Cristo: Nisso reconhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros: as Leis de Deus em nossas vidas.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 170, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em setembro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 30.08.2009.

20 janeiro 2010

As Guerras e Nós - Raul Teixeira

As Guerras e Nós

Quem é que não se aturde ao ouvir falar de guerra?

É uma tragédia da Humanidade. As guerras representam o esvurmar dessa infecção interna que a alma carrega em si.

Todas as vezes que não estamos em paz conosco, a nossa tendência é derramar esse produto da nossa intimidade no ambiente em que estamos e sobre as pessoas que nos cercam. Aí temos sementes de guerras.

O que nos apavora nas guerras é a impiedade, a crueldade, o massacre, as explosões, o bombardeio, a pouca possibilidade de defesa que as pessoas têm. Parece que há uma obrigatoriedade em matar, em destruir.

Construções que o tempo demorou a fazer, que os homens demoraram a erguer, se esboroam num só bombardeio.

Ficamos a pensar de onde é que vem essa força demoníaca, patética que, de repente, toma conta da criatura humana como se fosse um surto.

Tudo isso provém das entranhas da própria criatura humana.

Sim. O mundo físico não faz guerras.

Encontramos os vulcões, os terremotos, os maremotos, tudo isso correspondendo aos processos de ajustamento planetário para o nosso bem, para o equilíbrio determinado pelas Leis de Deus. Mas guerras, jamais.

As primaveras se repetem a cada ano, como os verões, os outonos e os invernos. As árvores florescem, os animais piam, cantam, voam, correm, reproduzem-se. Tudo normalmente.

Entre nós, criaturas humanas, parece que há uma sede de sangue para nada, pelo prazer mórbido de dominar, pelo prazer mórbido de determinar, de ter nas mãos, de destruir.

Naturalmente, pensamos no quanto o mundo ainda tem que evoluir, que crescer, para se livrar da guerra, para se livrar da tormenta guerreira, belicosa.

Mas não é propriamente o mundo que se tem que modificar, é o ser humano relativamente ao seu mundo interno.

As malquerenças, as violências, as agressões verbais e físicas representam essa explosão da criatura humana, o temperamento rebelde, o grito de cólera. Tudo isso são sementes de guerras.
É por causa dessas sementes de guerras que encontramos as guerras grandes, de grandes proporções, as guerras agigantadas dos campos de batalha, das nações entre si, das múltiplas potências.
Tudo isso que nós vemos em tamanho grande tem começo no campo de batalha interno de cada um de nós.
Imaginemos o que significa estarmos de mal com alguém.

Maquinamos o tempo todo a melhor forma de agredir, de atacar, de ferir esse alguém. Não nos importamos se caluniamos, se mentimos. O nosso objetivo, naquele momento infeliz, é o de destruir a criatura.

Então, qual é a diferença de um exército que lança bombas sobre outro, que atira com rajadas de metralha nos outros?

A diferença é que há um momento em que essas coisas partem de nós fisicamente e há outros momentos em que essas coisas são psíquicas, são mentais. Os torpedos mentais que enviamos, infelicitando a tanta gente.

Vale a pena pensarmos na destruição facultada pelas guerras e em nossa condição diante disso tudo.

* * *

Quando pensamos nessa questão das guerras relacionadas com a criatura humana, lembramos de que um dia escreveu Sigmund Freud, o Pai da psicanálise, que todos somos dotados de uma dualidade de impulsos internos, que ele chamou de pulsões.

Carregamos um instinto de vida e um instinto de morte. Freud chamou ao instinto de vida de Eros, instinto de Eros, força de Eros ou impulso de Eros.


Eros significa tudo aquilo que é em favor da vida, que conspira em prol da vida, da alegria, da saúde, do trabalho, da ética, do bom tom, da amizade.


E o impulso de morte, um de seus discípulos austríacos chamou de impulso de Tânatos. Tânatos, morte no idioma grego.

Então, o impulso de morte não é propriamente da morte biológica, é dessa morte moral, essa morte idealística, essa morte que representa tudo que é negativo para a vida. Tudo que conspira contra a vida faz parte, segundo Freud, desse instinto ou impulso de morte ou de Tânatos.

Desse modo, quando optamos pela vida, pela saúde, pelo equilíbrio, pela paz, estamos trabalhando dentro do impulso de Eros.

Tudo quanto faz bem à vida, tudo quanto se dirige à vida, tudo que a enaltece, que a sublima, faz parte de Eros.

Mas quando surtamos internamente e nos deixamos arrastar pela cólera, pela mentira, pelo ódio, pela inveja, pelo despudor, estamos em território aberto da morte, de Tânatos.

E é nesse território aberto que costumamos provocar as guerras.

É muito comum que, no mundo, não estejamos acostumados a viver em paz uns com os outros.
Seja pela inveja que nos faz provocar o vizinho, seja pelo orgulho, quando desejamos ser o centro do Universo, o centro das coisas, quando temos a impressão de que somos a última coca-cola do deserto.

Nessa hora em que nos damos essa supraimportância, certamente estamos fazendo guerras. As guerras mentais, esses combates que travamos mente a mente.

Odiamos as pessoas sorrindo para elas, fazemos de conta que somos amigos de criaturas que odiamos, que detestamos: no emprego, na rua, na família.

São as nossas guerras internas que, antes de explodirem do lado de fora e provocar as tragédias que bem conhecemos, implodem a nossa realidade íntima, estouram dentro de nós. Adoecemos fisicamente porque, antes, já estamos adoecidos espiritualmente.

É por isso que as guerras são formadas pelos componentes que lhes dão as criaturas humanas.

Não somente os governantes contribuem para as guerras, não somente os líderes de Estado contribuem para ela mas cada cidadão, cada pessoa, cada indivíduo que não vive a sua vigilância ética, moral, espiritual.

Cada um de nós que se dá o direito de avançar sobre as coisas dos outros, sobre o direito dos outros, sobre a vida alheia.

Somos, de certa maneira pomicultores da guerra mas, nem de longe, isso passa pela mentalidade da massa.

Estamos sempre imaginando que somos vítimas das guerras e dos guerreiros, dos beligerantes, dos violentos e não nos damos conta de que nos associamos a eles, de que alimentamos essas fontes de violência com o nosso impulso de Tânatos, nosso impulso de morte.

Perceberemos, gradativamente que, nesse momento ciclópico do mundo, nessa hora densa da Humanidade, temos necessidade de rever nossos papeis na sociedade.

O que é que temos oferecido ao mundo para que ele seja melhor, mais digno, mais rutilante?

O que é que temos oferecido à vida para que ela seja mais digna de ser vivida, para que ela tenha mais sabor, para que ela tenha fulgor?

E essa família onde nós estamos, o que é que temos feito por ela?

E a nossa família, aquela que formamos, aquela que construímos, o que temos feito por ela?

As guerras são o corolário, são o enfeixamento das nossas próprias realizações.


Vale a pena buscar a paz através do pensamento superior, da oração, da vivência positiva no bem, do socorro ao nosso semelhante, até o dia em que o nosso relógio cardíaco pare e viajemos daqui para o Reino da paz.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 157, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em julho de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 06.09.2009.

19 janeiro 2010

Nutrientes das Guerras - Raul Teixeira

Nutrientes das Guerras

Não existe quem aplauda a guerra.

Onde quer que ela se manifeste, a guerra se apresenta sempre de forma nefasta.

Ela significa quase sempre o esvurmar dessa tumoração interna da sociedade, quando uma se bate contra a outra.

E é por essa razão que não se pode ver a guerra com bons olhos.

Por mais que se haja tentado justificá-la, a guerra é, por si mesma, uma tragédia humana.

Quando olhamos para o largo dos idos da Humanidade, vamos encontrar a guerra em vários dos seus momentos.

Desde os embates entre comunidades primitivas, bárbaras outras, até as guerras mais próximas de nós. Todas marcadas pela chacina, pelo desapreço à vida, pela crueldade.

Ao pensarmos nas guerras, ficamos a nos perguntar de onde vêm esses impulsos pró-guerra?

Como é que nascem essas experiências na alma humana, que buscam impulsioná-la, que conseguem impulsionar a todas as pessoas para esse vulcão que é a guerra?

Quando nos detemos um pouco e paramos para pensar nisto, temos a real impressão de que as guerras não nascem do nada, elas não provêm do ar que respiramos. As guerras nascem dentro do indivíduo.

É o orgulho que vai gerando a insensatez pela qual uma criatura se imagina superior à outra criatura.

Graças a esse sentimento de orgulho, de vaidade forja-se o sentimento da prepotência.

Eu me sinto melhor que o outro logo, eu me acho no direito de ao outro submeter.

Por causa disso, me bato contra ele até dominar suas forças. Forças sociais, forças familiares, forças militares.

Para onde olhamos e encontramos a guerra, o saldo costuma ser muito negativo.
É natural que temos aprendido com as Leis Divinas a retirar o fruto bom depois das guerras, o aprendizado que fica, depois das guerras.

Nesses tempos contemporâneos, a tecnologia utilizada nas guerras, a posteriori é utilizada a benefício da sociedade.

Todos sabemos, por exemplo, que os motores desses carros populares, que foram chamados na Alemanha nazista de Wolkswagen, foram criados para que pudessem trafegar nos lugares onde não haveria água.

Depois disso, se transformou num point da indústria automobilística. Carros, cujos motores não precisariam de água. Eram refrigerados a ar.

Nas áreas médicas de pesquisas terríveis, realizadas por médicos orientados por Hitler, advieram colaborações notáveis para o campo da cirurgia, da farmacologia.

Mas, tudo isso que nasceu com a guerra, indubitavelmente poderia nascer pela inteligência humana. Não é necessário que façamos a tragédia para que o cérebro funcione positivamente.

A criatura humana descobriu a eletricidade que existia no mundo em a natureza e conseguiu usá-la para o bem. Conseguiu fazer, por exemplo, a luz elétrica, os utensílios elétricos. Mas, em nome da guerra, dessa miséria humana, dessa tragédia que ponteia dentro da alma do ser humano, nasceu também a cadeira elétrica.

Vamos percebendo, gradativamente, de onde vem a guerra, de onde nasce esse sentimento belicoso, de onde vem essa beligerância que vai transformando os indivíduos humanos em verdadeiras bestas.

Todas as guerras têm nascedouro no íntimo da criatura humana.

* * *

As guerras nascem no íntimo do ser humano, com certeza. E como é que nascem as guerras da nossa intimidade?

Basta verificar como são as nossas relações humanas, seja na família, seja no trabalho ou na sociedade como um todo. Carregamos na nossa intimidade determinados surtos que, de repente, explodem.

Carregamos conflitos na nossa parte interna, na nossa alma que, de repente, irrompem e, ao irromperem esses conflitos, quem estiver por perto recebe o ricochete.

Quase sempre são as pessoas da nossa relação mais íntima, nossos familiares.

Brigamos com a família, explodimos com a família, dizemos impropérios. Ainda que, depois disso nos arrependamos, já espalhamos esse mórbido sentimento, essas energias desarvoradas ao nosso redor.

Como vivemos num universo de ondas, de energias, as ondas que partem do nosso pensamento, de acordo com a sua frequência, vão alimentar os bancos de ondas, que existem pelo Universo afora.

Em toda parte existem ondas de ódio, de amor, de fraternidade, ondas de bem, ondas de mal, que se espalham como verdadeiras ondas de Hertz através do nosso Universo.

Quando criamos, com a frequência dos nossos pensamentos, determinados tipos de ondas, elas vão alimentar as que já existem por afinidade, por sintonia vibratória e, conseguintemente, por afinidade, por sintonia vibratória, esses bancos energéticos do espaço, esses bancos de ondas do espaço, nos retroalimentam.

É por essa razão que, quanto mais sentimos raiva, mais raiva sentimos. É por esse motivo que, quanto mais amamos, mais amor sentimos.

Na mesma proporção que alimentamos a fonte do ódio ou a fonte do amor, elas nos realimentam.
É por isso que quem ama cada vez quer amar um pouco mais. É por isso que quem odeia, cada vez odeia mais, porque é alimentada por essa onda, por esse banco de ondas, se quisermos nos expressar assim.

Então cada qual de nós vai colaborando de maneira individual, de modo pequeno para esse macrossistema de energias violentas, de energias negativas, de energias beligerantes que vamos encontrando promotoras das guerras.

As brigas domésticas, as traições, as indisposições com os nossos entes queridos, com os amigos, com as pessoas, a guerra do trânsito, a guerra do lar, da sociedade, do emprego, isso tudo vai alimentando essas ondas que, por sua vez sustentam , nutrem as guerras.

É por essa razão que, quando explode uma guerra, a sociedade inteira padece com ela, ao nível do seu comprometimento.

Há aqueles que são forçados a ir para o front, para o campo de guerra, para as frentes de batalha.
Há outros que sofrem o problema da fome, da carência, do que passa a faltar no período da conflagração.

Desse modo, vamos nos dando conta de que, a seu turno, todas as criaturas que colaboraram para a guerra, de uma maneira ou de outra, com seus pensamentos, com suas ações, vão recebendo o ricochete, vão recebendo a resposta, vão resgatando, ao nível do que devem, aquilo para o que colaboraram.

Nada de guerras. Toda e qualquer guerra tem origem no cerne, no âmago da criatura humana.
Com o conhecimento da paz que Jesus Cristo nos veio trazer, já é tempo de começarmos a fomentar a paz e como Ele nos disse, nos veio trazer modelo dessa paz: A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou. Não vô-la dou, porém como o mundo a dá.

Dessa forma, vamos sentindo que a paz do Cristo jamais será como a preguiça rançosa, comparada à paralisia dos cadáveres. A paz do Cristo será sempre o trabalho no bem, a busca pelo aprimoramento nosso, da criatura humana, dos que nos cercam o aprimoramento da vida.

Guerras? Evitemo-las porque, afinal de contas, somos filhos da Grande Luz e da Grande Paz que é Deus.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 174, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em setembro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 16.08.2009.