Total de visualizações de página

29 fevereiro 2008

Os Outros - Lancellin

OS OUTROS

Já pensaste que existe muita gente além de ti, vivendo no mesmo mundo em que habitas? São bilhões, com as mesmas necessidades e os mesmos direitos, filhos do mesmo Deus de bondade e de amor. E ainda outros bilhões de desencarnados buscam os mesmos interesses de vida que buscas.

Quem te fez não se esqueceu de colocar as mesmas qualidades na consciência dos teus irmãos de caminho.

Se tu, para viver, precisas dos outros, tanto quanto os outros de ti, é de justiça, e a razão nos esclarece, a grande necessidade de vivermos bem com os nossos semelhantes, de fazer para com eles o que estiver ao nosso alcance.

O Suprimento Divino de ninguém se esquece, no que tange às nossas necessidades. O que achamos que falta na economia da natureza é consumido no desperdício dos que abusaram daquilo que foi colocado em suas mãos, registrando na escrita superior, a ignorância que, por vezes, atende ao carma dos sofredores.

Não existe falha da natureza.
O que achamos injustiça é puramente aparência. Cada um recebe justamente o que merece no avanço da própria vida.

Se te interessa receber coisas boas, não deves duvidar da lei que nos fala que é dando que recebemos.

Os outros são continuação de nós mesmos, nos termos filosóficos, que a escrita alcança para mostrar as belezas do oculto.

Se queremos afastar o inconveniente de nós, não aprendamos as lições da inconveniência. Deus a ninguém deserda, nem aniquila Espírito algum, porque não Lhe obedece.

Ele criou leis e elas nos disciplinam quando erramos o caminho que deve ser percorrido.
Se alguém te perseguir, não faças o mesmo.

Se o revide for a tua arma, essa defesa estraga a tua própria oportunidade de compreender aquele que te não compreende. Procura sempre a Justiça sem o exagero e ama sempre a Verdade, sem que a ofensa apareça.

Os outros têm o mesmo direito que temos como ocupantes de lugares na grande extensão infinita.

Deus assiste o ladrão tanto quanto o justo; o assassino, tanto quanto o homem de bem; porém, cada um recebe o que busca pela vida que se dispôs a viver.

O Senhor não distingue os Seus filhos; eles são todos iguais à Sua magnânima visão. Ama todos, qual o Sol distribui seus raios em todas as direções do Universo, sem nada exigir dos beneficiados.

Quando pensares, meu irmão, nas tuas necessidades, lembra-te igualmente da carência dos outros. E, se for possível, trabalha em favor deles, que esse trabalho, quando não é vendido, gera pontos de vida na luminosidade do Amor.

Quando escolhemos alguém para a nossa amizade ou para o nosso amor, exigimos qualidades, perfeição, tudo de bom que nos agrade. Por que não fazer o mesmo conosco? Eles, certamente, devem pensar o mesmo de nós.

Atraímos o que somos.
Melhoremo-nos por dentro, que as companhias nos acompanharão no que verdadeiramente somos. É a lei dos afins, que nunca erra no trabalho das uniões.

Trata os outros como se fossem tu mesmo, alimenta o mesmo interesse de servir aos teus irmãos, como se o estivesses fazendo em teu favor, que a tua amizade crescerá, mostrando-te a verdadeira estrada, onde a tua inteligência e o teu coração encontrarão o reino da consciência em
perfeita harmonia com a harmonia universal, em paz com Deus.

De "Cirurgia moral", de João Nunes Maia,
pelo espírito Lancellin

28 fevereiro 2008

Amar a Família ou Comprar uma Família? - Momento Espírita

Amar a família ou comprar uma família?


Desde pequenos um hábito se instala em nós: resolver problemas comprando coisas. Você já percebeu como essa situação é bastante comum?

Começa quando as crianças vêem anúncios na TV e pressionam os pais para que lhes comprem brinquedos e doces.

Por sua vez, pais e mães também são levados a acreditar que seus filhos serão mais felizes se tiverem mais e mais coisas materiais.

É o consumismo se instalando. Em vez de enfrentarem essa crise educando a criança, em geral os pais a satisfazem.

É uma atitude que reforça a crença de que se pode ter tudo e que as coisas materiais são a razão da felicidade.

Muitos pais, inclusive, tentam compensar as longas horas ausentes de casa fazendo compras exageradas.

Enchem os filhos de objetos e, rapidamente, as crianças aprendem a negociar. Tornam-se cada vez mais exigentes e consumistas.

Na adolescência, as compras continuam: aparelhos eletrônicos substituem os brinquedos. São celulares, computadores e jogos eletrônicos de imediato substituídos, quando surgem novos modelos.

As mesadas se tornam maiores e logo os filhos desaparecem de casa, em companhia de amigos. Vivem em noitadas intermináveis, com fácil acesso ao álcool, fumo e drogadição.

O passo seguinte é comprar-lhes um carro, um apartamento...

E cabe então a pergunta: Nessas quase duas décadas em que vivem com os pais, que aprenderam? Que exemplos receberam?

Será que conhecem verdadeiramente seus pais? Estão preparados para amar ou para comprar?

E o que dizer dos pais? Será que realmente conhecem seus filhos? Sabem de seus sonhos e aspirações? Já ouviram suas frustrações e problemas?

Chega-se então ao mundo adulto. E as situações infelizes continuam a ser resolvidas à base de compras.

Roupas e sapatos, carros, vinhos, jóias. A ostentação esconde a infelicidade.

Falsa é essa felicidade baseada em ter coisas. Ela estimula o materialismo e destrói o que temos de mais belo: a convivência familiar, a construção de lembranças preciosas.

Amar a família inclui sustentá-la em suas necessidades, prover o estudo dos filhos, garantir alimentação e lazer.

Mas, muito diferente é substituir a presença do amor pelo presente – por mais ricamente embalado que seja.

Um filho é uma dádiva Divina. Uma responsabilidade que inclui não apenas dar-lhe coisas materiais, mas dar-lhe suporte emocional, psicológico.

É preciso falar com os filhos, conhecê-los, sondar o que pensam, refletir sobre o que fazem.

O mesmo vale para o casal: depois de alguns anos de convivência, as conversas, antes tão íntimas, costumam ser substituídas por presentes, como flores e jóias.

Aos poucos se esvai a cumplicidade, a parceria e até a atração.

E os pais? Envelhecem sozinhos, cercados de enfermeiras ou de pessoas pagas para tomar conta deles. Velhos pais, isolados, com suas manias e conversas que ninguém quer ouvir.

Quão felizes seriam com visitas e conversas mais longas.

Por tudo isso, reflita hoje: Estou amando ou comprando minha família?

Redação do Momento Espírita
site www.momento.com.br

27 fevereiro 2008

O Brilho do Bem - Richard Simonetti

O BRILHO DO BEM

"Vós sois a luz do Mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e ilumina todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos Céus." (Mateus, 5:14-16.)

Jesus compara seus seguidores à luz que afugenta as trevas. O Cristianismo, com seus valores morais elevados, com seu empenho pela construção do Reino de Deus, fatalmente se destacaria na História, da mesma forma que seria impossível deixar de ver uma cidade edificada sobre a montanha. Se está claro, nota-se perfeitamente o contorno de seus edifícios; se escurece, suas luzes destacam-se.

Individualizando a figura do cristão, Jesus oferece a sugestiva imagem da candeia. Alqueire era uma espécie de vaso usado para medir líquidos ou cereais. Ninguém acende uma candeia para colocá-la prisioneira sob o alqueire. A luz deve estar no velador, suporte colocado no alto para que ilumine o ambiente. Em linguagem atual: não se liga uma lâmpada dentro de recipiente fechado. Para cumprir sua função ela deve estar livre.

O mesmo acontece com o Evangelho. É a luz que ilumina, que dá significado à Vida e a valoriza, mas, se procurarmos em suas lições apenas conforto e bem-estar para nós, sem compreender seu apelo maior, convocando-nos à Fraternidade, então sua claridade ficará aprisionada no vaso do egoísmo e de nada valerá, pois, apesar de detê-la, continuaremos na escuridão de nossas
mazelas.

Ao recomendar "brilhe vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus", Jesus ensina que o luzir do Evangelho em nós está condicionado à prática do Bem.

Por isso, o verdadeiro cristão é alguém cujo comportamento é invariavelmente edificante; que estimula à virtude, cultivando seus valores e que converte irresistivelmente ao Evangelho com a força do exemplo.

A esse propósito, lembramos a extraordinária figura de Alcione, do livro "Renúncia", autoria de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier. Atingindo estágios angelicais de evolução, eximira-se de voltar à Terra, mas voltou, por iniciativa própria, a fim de ajudar um grupo de tutelados seus.

Sua presença em nosso mundo, embora no anonimato de condição humilde, tornou-se tão marcante que todos quantos com ela conviveram foram invariavelmente influenciados por ela. E como Alcione realizava semelhante prodígio? Fazendo prevalecer sua autoridade de Anjo? Impondo sua vontade?

Não! Discípula fiel do Cristo, ela simplesmente observava o Evangelho em sua expressão mais pura, não se limitando a perdoar os ofensores, mas achando uma desculpa para eles; não se limitando a tolerar as imperfeições alheias, mas ajudando as pessoas a superá-las com a serenidade de uma paciência sem limites; não apenas cumprindo os deveres de filha, religiosa, serviçal, mas comportando-se com valores de renúncia, dedicação e heroísmo, que fizeram dela uma inesquecível figura de mulher.

Um pequeno episódio nos oferece a medida de seu caráter. Alcione trabalhava como governanta em rica mansão. Era muito estimada pelo dono da casa, Cirilo, a filha Beatriz e seu sogro Jacques, mas detestada por Susana, a patroa, enciumada de sua benquerença. E não se cansava de fustigá-la, impondo-lhe tarefas rudes, desvinculadas de suas atribuições, com o propósito de levá-la a deixar aquela casa, já que não podia tomar a iniciativa de despedi-la, com o que seus familiares não concordariam.

Certo dia chama a governanta:
Alcione, a lavadeira está doente e deverás substituí-la.
Sim, senhora.
E lá vai Alcione cumprir a tarefa alheia às suas
responsabilidades. A menina Beatriz, vendo-a no tanque, revolta-se. Chama o pai e acusa a mãe de explorar a serva. O marido irrita-se, recrimina a esposa com aspereza.
Susana agita-se. Nervosa, debulha-se em lágrimas. O ambiente torna-se tenso.

Então, Alcione, que tudo observava, dirige-se ao patrão:
Senhor Cirilo, desculpe-me entrar na conversa, mas pode crer que a senhorita Beatriz está enganada. Dona Susana não me impôs a substituição da lavadeira. Fui eu mesma que ofereci minha colaboração. Não se preocupe.
Estou acostumada com esse serviço.

As palavras de Alcione, pronunciadas com evidente inflexão de sinceridade e boa vontade, desanuviam o ambiente. Pai e filha tranqüilizam-se. O gesto da serva, somado a outros iguais em circunstâncias semelhantes, acaba por sensibilizar Susana, que se torna sua amiga.

Assim é o cristão autêntico. Onde ele está a Vida sempre se faz plena de claridades, pois refletem-se nele as luzes do Céu, marcadas por uma dedicação sem limites à causa do Bem.

De "A voz do monte", de Richard Simonetti

26 fevereiro 2008

O Amor às Crianças - Dora Incontri

O AMOR ÀS CRIANÇAS

Deveria ser óbvio, mas não é para muitos: para se pensar em colocar um filho no mundo ou para se escolher uma carreira na Educação, a primeira condição deveria ser a de amar as crianças.

É verdade que todo ser humano deveria gostar de crianças, pois a afeição à descendência, a ternura despertada pela graça infantil, o instinto de proteção diante de sua fragilidade, são coisas naturais inerentes à espécie humana.

No entanto, o homem tem a liberdade e a capacidade de contrariar até os seus instintos mais básicos, pelo menos temporariamente. E há muitos que não suportam crianças.

A característica básica da maioria dos inimigos de criança é o egoísmo feroz. A criança pede sempre cuidado, atenção. Uma criança, na vida do adulto, modifica-lhe os hábitos, requer que ele renuncie a alguns de seus prazeres e desejo de uma grande parte do seu tempo. Dá trabalho. E há gente que se encerra num egocentrismo tão doentio que não pode sequer pensar em doar algo de si em favor de um ser que dele dependa.

Outro aspecto de tais personalidades é geralmente uma falta de sensibilidade e de sentimento, que pode raiar pelo extremo da crueldade e da dureza. Pois quem não é capaz de se comover diante de um rostinho sorridente, quem não é capaz de apreciar a ternura e a sinceridade infantil
revela um enorme atraso em sua evolução moral.

Incluem-se nesse rol todos aqueles que não conseguem respeitar uma criança, exercendo violências inomináveis contra os próprios filhos ou contra os filhos alheios.

Infelizmente, o estágio evolutivo do nosso planeta é ainda tão deficitário, que muitos Espíritos se encontram ainda nesse ponto de atraso e degeneração.

Basta ver as barbaridades praticadas contra as crianças nas guerras e, mesmo no cotidiano, o número de estupros, seviciaçoes, rapto e assassinato de menores.

Mas entre esse extremo brutal e o verdadeiro amor às crianças, há enorme gradação. A maioria das pessoas sente uma inclinação natural pela infância, demonstra algum enternecimento diante da graça infantil.

É o começo, mas não basta, pois a ternura inicial não exclui atitudes egoísticas. Uma manifestação de desamor às crianças, constante mesmo entre aqueles que afirmam e até demonstram gostar delas, é considerá-las como um estorvo.

Elas atrapalham a ordenação do ambiente, fazem barulho, têm necessidade de se movimentar, de correr, são perguntadeiras, pedem atenção, querem o nosso tempo... São uma perturbação na rotina, nos afazeres, na vida
do adulto. A tendência é a chamada imposição de "limites" - muito citada por pedagogos atuais, que na realidade não passa de uma tentativa de estabelecer regras para que a criança não atrapalhe e deixe o maior usufruto possível do espaço e do tempo para o adulto.

O objetivo implícito é fazer a criança ver que ela tem de se conformar a ser uma pessoa secundária, uma natureza violentada, para se adequar ao mundo egoístico do adulto.

O amor pleno à criança é, acima de tudo, ter tempo para ela, aceitá-la como criança, dar-lhe inteira atenção e devotamento, não excluí-la nunca de nossa vida, fazendo-a ver que em qualquer tempo, ela pode estar presente.

Além de aceitação de sua natureza infantil, amá-la significa enxergá-la como uma pessoa inteira, digna de respeito, com dignidade humana, liberdade de opinião e necessidade de afeto.

O amor a uma criança ou a algumas crianças que estejam sob nossa responsabilidade só é edificante e legítimo, se não se manifestar exclusivista e egoístico. O amor deve ser justo e não desprezar ninguém.

Diante de uma criança que seja nossa filha ou tutelada e de outra que não seja, tratemos ambas com o mesmo carinho, sejamos justos na divisão de brinquedos, alimentos e carícias e jamais coloquemos uma criança em posição inferior à outra. Se com os adultos - embora devamos amar ao próximo como a nós mesmos - podemos ter nossas simpatias e preferências, nosso amor às
crianças deve ser farto e indistinto.

Quanto aos que se dedicam profissionalmente à Educação, é preciso que tenham uma grande paixão por crianças e especial prazer em estar com elas.

Que apreciem suas qualidades, que considerem seu trabalho um privilégio e tenham plena consciência da responsabilidade moral que ele implica.

Nenhuma escolha profissional deve ser fruto do acaso e da indiferença, menos ainda a tarefa da educação. Ela deve brotar em primeiro lugar de um grande amor à criança e a humanidade em geral.

Quem não se sinta a vontade, alegre e satisfeito com um bando de crianças correndo e gritando à sua volta, que as deixe em paz e procure outra atividade, para não se
tornar rabugento, tirânico e frustrado.

De "A educação segundo o Espiritismo", de Dora Incontri

25 fevereiro 2008

Podes, Se Queres - Joanna de Ângelis

PODES, SE QUERES

Fracassado é aquele que abandona a luta ou nega-se a travá-la.
Dificilmente logrará vitória quem se recusa a enfrentar os desafios do cotidiano.
O homem são as suas tarefas, que devem ser enfrentadas com decisão e coragem.

Em todo cometimento multiplicam-se as dificuldades e as problemáticas se repetem.

Quedas e aparentes insucessos são experiências que, repetidas, favorecem o homem com o êxito que deve perseguir até o fim.

Desistir do empreendimento porque se apresente difícil, significa abandonar-se a contínuos insucessos.
Não recear jamais, nem ceder à tentação da desistência na luta de ascensão.

Se queres, podes.
Quando te propões realizar os labores que te dizem respeito, abres-te à vitória, que deves colimar na oportunidade própria.

Simon Bolívar, o excelente Libertador de quase metade da América do Sul não poucas vezes perdeu batalhas e esteve preso. Porque não desistiu, perseverando nos ideais e lutando, triunfou.

Benito Juarez, órfão e pobre, humilhado e sob injunções terríveis, contribuiu para a liberdade do México, mais do que qualquer outro herói.

Franklin Delano Roosevelt, paralítico, vitimado numa cadeira de rodas não se compadeceu do próprio estado de saúde e desempenhou relevante papel no seu país, como Primeiro Mandatário, revelando-se extraordinário libertador, durante a Segunda Guerra Mundial.

Edison experimentou quase 10.000 testes para lograr o êxito da lâmpada elétrica e porque insistiu sem desânimo, ofereceu à Humanidade um valioso contributo.

Faraday, até aos 14 anos, permaneceu numa Gráfica, na condição deencadernador. Lendo um dos livros em que trabalhava, interessou-se pela eletricidade, revelando-se pioneiro nesta tecnologia de grande utilidade para a Humanidade.

Cervantes sofreu incompreensões e experimentou a miséria, teve os seus escritos desconsiderados, viveu em regime de mendicância para não morrer de fome, não obstante, prosseguindo, legou-nos o "Dom Quixote" de la Mancha" de valor literário e filosófico inegável.

Camões, sem uma vista, fez-se cantor de "Os Luzíadas".

Confúcio, aos 55 anos, foi abandonado pelo seu mestre. Sem desânimo, prosseguiu, oferecendo extraordinária contribuição filosófica para o pensamento universal.

Maomé, na busca de fiéis, padeceu terrivelmente, até que, sem abandonar a luta, espalhou o Alcorão pela Terra.

Buda, procurando a iluminação, provou solidão e abandono, conseguindo que a mensagem da paz passasse a impregnar as vidas...

A história de Jesus é por demais conhecida para que se ampliem considerações...
A galeria daqueles que não desistiram e confiaram na vitória que souberam esperar, é muito grande.

Não te abatas ante impedimentos nem persigas sucessos improvisados, imediatos, que cedem lugar a terríveis desencantos.
Se queres vencer superando quaisquer problemas, prossegue em paz, insistindo na ação operosa e confiante, assim conseguindo o fanal que é a meta essencial da tua vida.
Disse Jesus: "Aquele que perseverar até o fim, este será salvo."
É necessário permanecer fiel e otimista.
Se queres, portanto, a vitória, insiste.

De "Otimismo", de Divaldo P. Franco,
pelo espírito Joanna de Ângelis

24 fevereiro 2008

Os Verdadeiros Hérois - Momento Espírita

Os Verdadeiros Heróis

Segundo o dicionário, herói é o homem notável por suas qualidades extraordinárias.

Em todas as épocas, a Humanidade elegeu e aclamou heróis.

Entre eles, contam-se governantes iluminados pelo amor ao seu país e ao seu povo.

Também se enumeram filósofos e pensadores de grande talento.

Líderes de resistência contra governos despóticos e cientistas dedicados, igualmente figuram no panteão dos heróis.

Esses homens sempre foram considerados modelos a serem seguidos, por suas excepcionais virtudes.

Atualmente, a Humanidade vive uma fase de turbulenta transição.

Antigos padrões de comportamento são revistos.

Valores consolidados são questionados ou rejeitados, sem muita análise.

O relevante parece ser ousar e inovar, ainda que sem grande critério.

A liberdade é valorizada ao extremo, embora não haja preocupação com a responsabilidade, sua natural contraparte.

Nesse contexto de valores ambíguos, carentes de reflexão e consolidação, surgem novos padrões de conduta.

Personagens exóticas são facilmente alçadas à condição de heróis.

Os passos dessas figuras inquietas são seguidos pela mídia.

Uma multidão fascinada e irrefletida os observa com êxtase e comenta e copia suas palavras e atos.

O novo panteão de heróis é formado por um grupo de criaturas de origem e personalidades variadas.

Há participantes de shows que pretendem imitar a realidade da vida.

Inexplicavelmente, intrigas e brigas que promovem em recinto fechado, mas mostrado pela televisão, os endeusam perante o imaginário popular.

Expectadores ávidos de baixezas acompanham o desempenho desses ídolos.

Há também artistas muito belos, mas desequilibrados, pelos quais as massas se apaixonam.

Muitos deles se deixam fotografar e filmar em cenas despudoradas.

De outro lado, não faltam atletas regiamente remunerados, mas com padrão de comportamento pouco elogiável.

Os novos heróis produzem escândalos, iniciam e terminam relações afetivas com rapidez vertiginosa.

Mas a multidão os acompanha, subjugada por sua juventude, seu brilho, sua beleza e sua arrogância.

Entretanto, o que há de nobre e aprazível no comportamento de tais pessoas?

Uma ligeira reflexão permite concluir que o heroísmo não se expressa mediante comportamentos exóticos.

O genuíno herói há de ser alguém que contribui para a construção de um mundo melhor.

Nessa linha, há inúmeros heróis anônimos, cujo comportamento merece ser admirado e copiado.

Por exemplo, o jovem que diz não às drogas e à promiscuidade.

O estudante atento a seus deveres e que não cola, mesmo tendo oportunidade.

O filho que cuida dos pais idosos ou enfermos.

O professor que leciona com dedicação e competência, mesmo quando mal remunerado.

Os pais que gastam tempo orientando seus filhos, a fim de que não se percam nas ilusões do mundo.

O empresário honesto, que não sonega tributos e nem lesa seus clientes.

Onde quer que haja alguém preocupado em ser honesto e solidário, em construir um Mundo melhor, aí se tem um herói.

Ao eleger seus ídolos e modelos, pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. XXIX,
do livro Jesus e vida,
pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
www.momento.com.br

23 fevereiro 2008

Viver em Paz - Emmanuel

VIVER EM PAZ
"..Vivei em paz..."
Paulo, (II CORÍNTIOS. 13:11.)

Mantém-te em paz.
É provável que os outros te guerreiem gratuitamente, hostilizando-te a maneira de viver; entretanto, podes avançar em teu roteiro, sem guerrear a ninguém.

Para isso, contudo - para que a tranqüilidade te banhe o pensamento -, é necessário que a compaixão e a bondade te sigam todos os passos.
Assume contigo mesmo o compromisso de evitar a exasperação.

Junto da serenidade, poderás analisar cada acontecimento e cada pessoa no lugar e na posição que lhes dizem respeito.

Repara, carinhosamente, os que te procuram no caminho...
Todos os que surgem, aflitos ou desesperados, coléricos ou desabridos, trazem chagas ou ilusões. Prisioneiros da vaidade ou da ignorância, não souberam tolerar a luz da verdade e clamam irritadiços... Unge-te de piedade e penetra-lhes os recessos do ser, e identificarás em todos eles crianças espirituais que se sentem ultrajadas ou contundidas.

Uns acusam, outros choram.
Ajuda-os, enquanto podes.
Pacificando-lhes a alma, harmonizarás, ainda mais, a tua vida.
Aprendamos a compreender cada mente em seu problema.

Recorda-te de que a Natureza, sempre divina em seus fundamentos, respeita a lei do equilíbrio e conserva-a sem cessar.

Ainda mesmo quando os homens se mostram desvairados, nos conflitos abertos, a Terra é sempre firme e o Sol fulgura sempre.

Viver de qualquer modo é de todos, mas viver em paz consigo mesmo é serviço de poucos.

Emmanuel (espírito)
Psicografia de Chico Xavier
Da obra: Fonte Viva

22 fevereiro 2008

Gravame Cruel - Joanna de Ângelis

GRAVAME CRUEL

Sob qualquer aspecto considerada, a ingratidão é sempre um estado de inferioridade daquele que a cultiva.

Resquício da barbárie, ela fere os sentimentos e estiola as promessas de desenvolvimento do bem nas almas frágeis que lhe sofrem o guante do primarismo.

O ingrato encontra-se enfermo, mascarando a doença com a rebeldia ou anestesiando-se nos vapores da fatuidade de que se reveste, para um posterior despertamento em situação lamentável de abandono e quebrantamento.

O egoísmo é, sem dúvida, o fomentador pérfido da ingratidão, desde que inspira merecimento quer a criatura não possui, mas exibe, perturbando-se na avaliação dos valores da personalidade.
Os que deixam seduzir pelas artimanhas dessa inferioridade latente, que deve ser vencida a penates de sacrifício, vigilância e ação correta na fraternidade, sabem conquistar favores para logo depois arrefecerem a gentileza sob a indiferença mórbida em que terminam por deixar-se intoxicar.

Há, no entanto, no esquema da ingratidão, uma forma que se faz mais brutal, caracterizada pela crueldades defluente da insensatez perversa: a dos filhos para com os pais!

A insolência do filho ingrato, que se atira sobre os pais indefesos que lhe sofrem a peçonha e a agressividade, é dos mais graves comprometimentos que o espírito encarnado assume para o futuro ressarcimento doloroso.

Arrojar na face dos genitores palavras de acusação e esbordoá-los com manoplas ígneas, constitui loucura em começo tomando curso para mais lamentáveis desequilíbrios.

A petulância e o atrevimento do filho ingrato, no desrespeito a quem lhe concedeu a forma física, o carinho, as horas insones como as da ansiedade durante os anos primeiros, ferem fundo, abrindo porém, os abismos em que mais tarde tombam esses desassisados.

Os filhos ingratos são o fruto doente da existência em que fracassam as esperanças deles próprios, porquanto, mesmo que triunfem na aparência, corroem-se na neurose interior de que se não conseguem libertar...

Pais sofridos e macerados por filhos ingratos, amai e orai mais por esses Espíritos doentes que se refugiaram no vosso coração, mediante formas que lhes emprestastes, e que eles não souberam valorizar.

A ingratidão que vos doam e por vós aceita sem mágoa nem rancor, será, mais tarde, a estrela polar do vosso caminho, quando vencido o trâmite carnal.

Prossegui confiantes e entregai-os, sem angústia, a Deus, Pai de todos nós, que, pacientemente nos tem esperado no curso dos milênios.

Autoria de Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco Livro: Otimismo

21 fevereiro 2008

De Pobres e Ricos - Momento Espírita

De Pobres e de Ricos

A maioria dos seres humanos deseja ser rico. Dinheiro representa privilégios, prazeres, poder. É um sonho generalizado que atinge quase todo mundo.

Quem é pobre deseja melhorar de vida. Quem já é rico almeja ser milionário. E o milionário? Esse também quer mais! Quer ter bilhões.

O doente acredita que o dinheiro vai lhe dar acesso a tratamento vip. Quem está saudável sonha com viagens, jantares em restaurantes sofisticados.

Anônimos querem a riqueza para se tornar celebridades.

Até os idealistas, sonhadores e santos querem dinheiro. Uns sonham em melhorar o Mundo, outros planejam construir hospitais e abrigos.

Todos acreditam que usarão acertadamente os recursos para o bem geral.

Há até quem ridicularize o provérbio popular que afirma que o dinheiro não traz felicidade. Com um sorriso irônico, sempre há quem desdenhe a sabedoria coletiva e contraponha:

Dinheiro pode até não trazer felicidade, mas ajuda um bocado.

Mas há alguns aspectos da vida que não estão acessíveis à influência do dinheiro. Aliás, o poder do dinheiro refere-se exclusivamente a coisas compráveis.

Naquelas coisas sutis – que são de domínio exclusivo da Divindade – o dinheiro é inútil. Ele não pode tornar mais belos os filhos dos ricos.

Nem a maior fortuna do Mundo compra consolo para a mãe que perde o filho. E, por mais nobre que seja, quem pode garantir que terá amor verdadeiro?

Sábias são as palavras de Jesus: Quem de vós poderá acrescentar um palmo à sua altura?

A natureza nos limita: quem pode viver sem ar? Ou sem comida, ou água? Quem pode evitar a morte, a velhice ou o sofrimento, por mais dinheiro que tenha acumulado?

São os limites impostos por Deus e que nos servem de advertência sobre a igualdade que reina sobre nós. Afinal, estamos submetidos às mesmas regras de nascimento, vida e morte.

Ricos e pobres, todos nascemos dependentes, enrugados, pequeninos. Nenhum filho de milionário nasceu com dentes ou pronunciando as palavras.

Mesmo que o berço seja de ouro, crianças ricas também estão sujeitas às mesmas limitações que atingem a infância pobre.

E assim crescemos – mendigos e milionários – contemplando o mesmo sol, tendo a mesma lua como testemunha silenciosa de nossas vidas.

Chuva, frio, calor nos atingem igualmente, sem aumentar ou diminuir perante a quantidade de dinheiro que carregamos.

E mesmo a morte, um dia chegará para todos. Encontrará alguns em nobres leitos, cobertos por lençóis finíssimos.

A outros surpreenderá em casas paupérrimas, solitários e maltrapilhos. Mas ela virá para todos.

O preço do caixão, a imponência do túmulo serão então apenas diferenças externas. No interior das sepulturas, a lei da decomposição do corpo físico alcançará aos corpos de magnatas e pobrezinhos.

Passadas algumas décadas, se misturados os esqueletos de ricos e pobres, quem poderá dizer quais daqueles brancos ossos era dono de mais dinheiro?

Após a morte do corpo, Deus nos pedirá contas somente do amor que nutrimos, do bem que espalhamos, da ética que cultivamos e da paz que construímos.

O dinheiro? Ah, o dinheiro ficará nos cofres do Mundo, utilizado por outros administradores temporários.

Pense nisso!

Redação do Momento Espírita
www.momento.com.br

20 fevereiro 2008

Materialista ou Espiritualista? - Albino A. C. de Novaes

Materialista ou Espiritualista?

Uma análise do comportamento dos espiritualistas, parece demonstrar grande incoerência com os princípios que eles dizem adotar.

Podemos agrupar o pensamento filosófico em duas grandes correntes, conforme o título desse artigo.

Todas as religiões são necessariamente espiritualistas. Isso por que crêem no Criador de todo o universo e no princípio espiritual que nos habita.

Conhecendo algumas pesquisas e tomando por base a pequena amostra das pessoas do nosso relacionamento, podemos deduzir que a grande maioria dos indivíduos é espiritualista.

Os materialistas por acreditarem apenas na existência da matéria, estão certos que após a morte, nada encontrarão na outra dimensão. Cessando a carga elétrica do cérebro humano, será o NADA - o grande vazio.

A vida em todas as espécies seria simples obra do acaso, como se a ousadia dessa explicação, fosse mais lógica do que supor a existência de Deus - causa primária de todas as coisas. Não há para eles, objetivos maiores para a criação, assim como não existem leis que nos regem, senão as da matéria.

Ocorre então um fato curioso. Essa minoria que se diz materialista, adota um comportamento perfeitamente compatível com a filosofia abraçada. Procuram em síntese, viver intensamente a vida material, canalizando aos sentidos, o máximo de prazer que conseguem obter. O raciocínio é claro pois o corpo é todo o patrimônio que pensam possuir.

Por outro lado, os espiritualistas representando a grande maioria, revelam em geral uma postura profundamente incoerente com os postulados que dizem seguir. As suas atitudes descem muitas vezes, ao nível dos materialistas mais ignorantes. Medo de ser diferente, de ser marginalizado?

É difícil resistir aos apelos instintivos que nos envolvem na neblina do comodismo, mas é preciso insistir e concentrar esforços para manter metas edificantes na mente superconsciente.

Naturalmente não se espera uma transformação imediata em seres angelicais. Isso requer tempo e trabalho contínuo. Pequenas atitudes porém, podem ser melhoradas com certa facilidade e dependem apenas do nosso desejo sincero.

É preciso ainda, ter cuidado para não adotar um comportamento excessivamente passivo, o que poderá nos conduzir no terreno perigoso da indiferença. O candidato a reforma íntima pode e deve assumir um comportamento ativo e operante, servindo e sendo útil no caminho que adotou
e no nível evolutivo que se encontra. A questão é de decisão, vontade e coerência. Afinal, você é ou não espiritualista ? Então assuma!

Autoria de Albino A. C. de Novaes

19 fevereiro 2008

Males Encomendados - Richard Simonetti

MALES ENCOMENDADOS

"Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próximo?
Não; Deus não o permitiria. "(Questão nº 351- Livro dos Espíritos)

Há pessoas que reclamam do chamado "malfeito".
Por ignorado motivo haveria alguém interessado em sua desdita.
Estariam sendo exercitados sortilégios para a evocação de entidades das sombras, com o propósito de causar-lhes embaraços variados, relacionados com família, negócios, saúde...
A experiência demonstra que isso pode acontecer. Há Espíritos que se especializam em influenciar as criaturas humanas, atormentando-as, atuando "por encomenda".
Se você, leitor amigo, traz indeléveis temores relacionados com essa presença, que não está sozinho.
Multidões tremem quando essa possibilidade é mencionada para explicar a origem de seus problemas. Mas considere algo fundamental:
Os agentes das sombras não têm o poder de criar o mal. Apenas o alimentam. Isso significa que ninguém pode ser atingido pelo mal senão por intermédio do mal que há em si mesmo.
Jamais seremos induzidos à violência se conquistamos a mansuetude. Nem ao vício, se legitimamente virtuosos. Nem ao roubo, se não houver espaço para a cobiça em nosso universo interior.

Respeitável chefe de família assume estranho comportamento.
Demora-se fora do lar, alegando compromissos profissionais. Torna-se monossilábico e distante. Situa-se inquieto e agressivo. - Nessa história tem mulher - comentam familiares e amigos. Observação acertada.
Envolveu-se com uma jovem bela e volúvel que o seduziu. Pretende afastá-lo do lar. Não mede esforços para isso. Chegou a contratar um "despachante do além", um médium habituado a evocar Espíritos para empreitadas menos dignas. Foi acertado que o alvo seria "amarrado" num enleio passional.
Iniciativas dessa natureza estão presentes no dia-a-dia de muitas pessoas.
A irresponsabilidade sustentada pelo egoísmo tem alcance ilimitado.
Quem cultiva a paixão por si mesmo não mede as conseqüências de seus desmandos, dos prejuízos que causa a outras pessoas. Interessa-lhe simplesmente a satisfação de seus caprichos. A jovem não está nem um pouco preocupada com o fato de que, atingindo seu objetivo, destruirá um casamento, traumatizando crianças e infelicitando uma esposa. Pensa nela mesma, na satisfação e nos benefícios que possa colher naquela relação indigna. - Que se dane o resto! - proclama indiferente.

O chefe de família foi envolvido, mas nem a jovem, nem o médium, nem o Espírito evocado exerceram influência irresistível. Ele não agiu por compulsão. Simplesmente lhe sugeriram a ligação, criando em sua tela mental imagens licenciosas que acolheu sem constrangimento. Resumindo:
Não criaram o adultério. Apenas exploraram sua tendência à infidelidade.
Imaginemos alguém à beira de um precipício. Nenhum Espírito vai jogá-lo no abismo. Mas poderá sugerir: - Salte! Veja como é bom! Você experimentará a sensação de voar!
Um prazer indescritível! Muitos, aceitando convites assim, mergulham em paixões e viciações. Experimentam, efemeramente, prazeres e alegrias, nos domínios das sensações. Invariavelmente, entretanto, "esborracham-se" no fundo do abismo, comprometidos em renitentes perturbações e angústias que lhes amarguram a existência.

Jesus nos legou a fórmula perfeita para evitar o envolvimento com o mal: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação". É preciso exercitar perene vigilância, não do próximo, mas de nós mesmos.
Vigiar nossos impulsos, as idéias que surgem em nossa mente, nossos desejos, tendo por parâmetro a moral evangélica que nos oferece o roteiro ideal para uma existência equilibrada e feliz.
O que cogitamos é compatível com o Evangelho? Se a resposta for negativa, detenhamo-nos imediatamente em oração, rogando a Deus forças para resistir â tentação. E Deus, que criou o Bem, nos ajudará para que ninguém, aqui ou no além, induza-nos a fazer o que não deve ser feito.

Há outro ângulo importante no exemplo citado: A esposa. Não foi ela agredida em sua sensibilidade? Não estará sujeita a uma série de problemas físicos e psíquicos, em face da injúria de que foi vítima? Não poderíamos dizer que lhe fizeram muito mal ? Aparentemente, sim. Sob a
óptica espiritual, onde está a realidade podemos considerar que há sempre um componente cármico em nossas dores.
O que nos parece um grande mal pode ser apenas o resgate de débitos relacionados com o passado. Quem sabe terá ela própria destruído lares alheios, em existências anteriores? Ninguém sofre injustamente.
Mal legítimo, por isso, é o que fazemos de errado, contrariando as leis divinas, com o que contraímos pesados débitos. O que fazem contra nós, impondo-nos sofrimentos, converte-se em crédito no resgate de nossas dividas, se bem administrado.

Normalmente, numa situação dessa natureza, a esposa deixa-se dominar pelo ódio. Pensa em matar o marido. Matar a intrusa. Matar-se.
Exige satisfações. Briga. Exaspera-se. Arma escândalo. Sobretudo, sente-se profundamente infeliz. Entra em estado de angústia e ansiedade.
Desorienta-se. Fica doente. Reação muito humana, mas nela está a origem de seus desajustes. Faltou-lhe a mesma iniciativa que teria preservado o marido: Consultar o Evangelho.
O que recomenda Jesus ante os males que nos façam? Todos sabemos. Está contido em pequeno verbo de grandioso alcance: Perdoar.

O perdão legítimo é filho da compreensão. Fundamental à esposa:
Compreender que a jovem leviana que feriu de morte seu casamento agiu sob inspiração da imaturidade, envolvida pelas sombras. Compreender, como dizia sabiamente antiga lidadora espírita, que para preservar a própria integridade é preciso, em situações assim, ver no cônjuge um filho transviado, vitimado pelas próprias fraquezas. Compreender que se não relevamos e seguimos adiante, atinge-nos em plenitude o mal que nos endereçam, como fogo a propagar-se em tecido encharcado de gasolina.

Livro: "Vive em Plenitude"
Autoria de Richard Simonetti

18 fevereiro 2008

Os Espíritos Protetores - Amigos Invísiveis- José Herculano Pires

 
OS ESPÍRITOS PROTETORES — AMIGOS INVÍSIVEIS

Teremos realmente amigos invisíveis, que nos seguem na vida terrena com a ternura e a dedicação de verdadeiros anjos da guarda, segundo ensina a Doutrina Espírita?

Para responder a esta pergunta, devemos lembrar, primeiramente, que a existência dessas entidades benignas não foi inventada pelo Espiritismo.

Desde as aulas de catecismo, nas igrejas católicas, ouvimos falar nos anjos da guarda, e na maioria das grandes religiões universais encontramos essa teoria, sob diferente formas, mas sempre idêntica no conteúdo.

Nas religiões clássicas, do mundo greco-romano, eram os deuses mitológicos que velavam pelas criaturas. Nas chamadas religiões orientais, que no fim dos tempos invadiram o Império Romano, e entre elas o Cristianismo, a teoria dos anjos guardiões estava presente.

E tanto na Mesopotâmia quanto na China ou na Índia antiga, na Grécia arcaica ou na Roma camponesa, que antecederam o mundo clássico, assim como na Palestina e entre os povos selvagens da América, da Ásia, da África e de todo o mundo, o culto dos ancestrais sempre existiu.

Os manes, penates e deuses lares, ou deuses familiares, dos romanos e dos egípcios, dos babilônios e dos assírios, dos fenícios e dos cananitas, dos judeus e dos macedônios, nada mais eram do que espíritos amigos, que velavam pelas pessoas e pelas famílias.

Por toda parte e em todas as épocas, no mundo inteiro, a investigação histórica e a pesquisa antropológica nos mostram a existência invariável dessa crença nos espíritos protetores. Entre os povos selvagens e no seio das maiores e mais esplendentes civilizações, ela se faz sentir como uma espécie de convicção universal, de intuição natural, que o homem carrega consigo em todas as latitudes do globo.

Sócrates, na Grécia, e Joana D’Arc, na França, ouviam as vozes amigas dos seus protetores. Descartes, o filósofo que se considerou inspirado pelo Espírito da Verdade, também tinha o seu protetor. A existência dos amigos invisíveis é uma realidade incontestável.

Mesmo que a consideremos como simples crença, é impressionante o fato de a encontrarmos em toda parte e em todos os graus de cultura.

O Espiritismo é a primeira doutrina que não apenas afirma a existência dos espíritos protetores, mas também procura demonstrá-la e ao mesmo tempo explicá-la à luz da razão.

Para os espíritas, essa existência não constitui uma crença, mas uma certeza, comprovada pela experiência. Essa posição espírita diante do problema dos amigos invisíveis é confirmada pela de outras doutrinas espirituais, como a Teosofia, que surgiu pouco depois da doutrina espírita e estuda com profundidade o problema dos “auxiliares invisíveis”.

É curioso que as demais doutrinas recusem o meio natural de comprovação da existência dos amigos invisíveis, que é a mediunidade.

A própria doutrina teosófica, que em muitos pontos se aproxima da espírita, admite a prova mediúnica, mas ao mesmo tempo evita empregá-la.

Isso porque há velhos preconceitos, formulados pelas antigas ordens ocultistas, que consideram a mediunidade perigosa, em vez de considerarem os benefícios que ela produz e tem produzido em todos os tempos.

O Espiritismo estudou profundamente a mediunidade e nada tem a temer da sua utilização. Pelo contrário, só tem a se beneficiar com ela, beneficiando ao mesmo tempo o mundo.

Através da mediunidade, a teoria espírita dos espíritos protetores foi dada a Kardec, segundo a podemos ler em “O Livro dos Espíritos”, no capítulo nono da primeira parte.

E ainda através da mediunidade, essa teoria consoladora e bela vem se confirmando, em todo o mundo, e ao mesmo tempo se enriquecendo com episódios maravilhosos, nos quais a verdade das relações espirituais entre os homens e seus amigos invisíveis transparece cada vez mais. Procuremos estudar essa teoria, examinando-a em seus vários aspectos.

Mais do que nunca, o mundo angustiado de hoje necessita desse esclarecimento e desse conforto, que a teoria dos espíritos protetores nos oferece, com a garantia de sua veracidade, pela prova dos fatos mediúnicos. Continuaremos a tratar do assunto, nos próximos números dessa revista.

José Herculano Pires, (sob o pseudônimo de Irmão Saulo)
Especial para revista E.V.

17 fevereiro 2008

Previsões que Deram Errado - Momento Espírita

Previsões que deram errado

Como você lida com os obstáculos que o Mundo apresenta em sua caminhada?

Como você recebe as oposições das pessoas, em relação a suas habilidades, ao seu potencial?

Do que realmente somos capazes?

Alguns casos célebres de previsões e julgamentos do Mundo que deram errado, talvez possam iluminar estas reflexões e inspirar nossa jornada:

Após o primeiro teste cinematográfico de Fred Astaire, o memorando do Diretor de testes da MGM, datado de 1933, dizia assim:

Não sabe representar! Ligeiramente calvo! Dança um pouco.

Astaire conservou este memorando pendurado sobre a lareira, em sua casa, em Beverly Hills.

Beethoven segurava o violino desajeitadamente, e preferia tocar suas próprias composições, ao invés de aperfeiçoar sua técnica.

Seu professor julgava-o um compositor sem futuro.

Os pais do famoso cantor de ópera Enrico Caruso, queriam que ele fosse engenheiro.

Seu professor lhe disse que ele não tinha voz e que não poderia cantar.

Um dos professores de Albert Einstein o descreveu como: Mentalmente lento, insociável e eternamente mergulhado em seus sonhos imbecis.

Louis Pasteur foi apenas um aluno mediano nos estudos do ensino fundamental. Ficou em décimo quinto lugar entre os 22 alunos de Química.

Dezoito editores recusaram a história de 10.000 palavras de Richard Bach sobre a gaivota sublime. Finalmente, em 1970, uma editora resolveu publicá-la.

Em 1975, já havia mais de sete milhões de exemplares vendidos, apenas nos Estados Unidos.

Todos esses expoentes mostraram ao Mundo que seu julgamento estava errado.

Mostraram que somos nós apenas, na intimidade de nossa força de vontade, de nosso brilhantismo secreto, os únicos aptos para saber do que realmente somos capazes.

Os julgamentos do Mundo, das pessoas, são completamente insuficientes para avaliar o imo de nosso ser.

Avaliam situações momentâneas, cenas estanques, experiências isoladas, mas nunca aquilatam a potencialidade da alma.

Assim, todos esses gênios e tantos outros anônimos na Terra, de tempos em tempos surpreendem o Mundo com seu esplendor.

Ninguém melhor do que eles conheceu a palavra obstáculo.

Mas, certamente, não encararam as adversidades, as barreiras, como a maioria de nós ainda as enfrenta.

Onde ainda vemos impedimento, oposição, eles vêem superação, vêem oportunidade.

Oxalá se faça próximo o dia em que possamos olhar para trás, em nossas vidas, após uma grande conquista, e dizer: O Mundo estava errado. Eu fui capaz.

Celebremos a auto-superação sempre que possível.

Instauremos este hábito em nossos filhos desde pequenos, mostrando-lhes que as derrotas fazem parte do caminho, e que, ao invés de nos puxar para trás, quando bem compreendidas, nos impulsionam para frente.

E quando das vitórias, ao invés de erroneamente inflar-lhes o orgulho, fazendo comparações tolas com os outros, lembremos de lhes mostrar que estão melhores do que eram, e que isto é o mais importante.

Redação do Momento Espírita.
www.momento.com.br

16 fevereiro 2008

Lição Numa Carta - Irmão X

LIÇÃO NUMA CARTA

Ao lado de João Firpo, desencarnado ao impacto do fogo que lhe devorara a casa velha, numa noite de expiação e de assombro, estava a carta, datada por ele quatro dias antes, endereçada a um irmão e que o morto evidentemente deitaria ao correio, na primeira oportunidade.

Enquanto bombeiros improvisados lhe retiravam o corpo inerte e benfeitores da Vida Maior lhe amparavam o Espírito liberto em doloroso trauma, copiei a curiosa missiva que revoava nas cinzas da tragédia, a fim de transmiti-la, com objetivos de estudo e meditação, aos companheiros do mundo.
Eis, assim, na íntegra, o valioso documento:
"Meu caro Didito:
Espero que estas linhas encontrem você com saúde e paz, junto dos nossos.

Graças a Deus, estou bem. Você se afligiu à toa com a notícia de meu resfriado. Tudo não passou de um defluxo de brincadeira. Estou mais forte que a peroba do Brejo Grande, comendo por quatro caboclos na roça. Seja velho quem quiser. Com os meus sessenta e sete janeiros, não passo sem banho no rio e tutu no prato. Moro sozinho porque não nasci para confusão. Dona Belinha vem diariamente fazer-me as refeições, assear a casa e isso chega.

Sobre o caso do sonho que você teve comigo, conforme seu conselho fui à reunião espírita no sítio do Totonho. A mulher dele é médium de verdade. Há muito tempo eu não assistia a uma incorporação tão perfeita. Realmente, mãe falou por ela. Não tenho dúvida. Aquela voz boa e cansada que nós dois não esquecemos. Coitada de mãe! Está preocupada comigo, não sei porquê.

Falou muito sobre a morte, coisa em que não penso. Fiz todos os exames de saúde que o médico recomendou, no mês passado, e tudo deu certo. Positivo. Por outro lado, não viajo. Porque será que a velha mostrou medo de que eu venha a bater a pacuera, de um momento para outro?

Imagine que ela abortou um segredo. Disse coisa séria quanto ao dinheiro que venho guardando para a formação do nosso lar de velhinhos, compromisso antigo. Avalie você que mãe conversou, conversou e, depois, me pediu empregar enorme importância na compra do terreno para a obra, aconselhando-me colocar a parte restante com amigos responsáveis para o custeio na construção.

Considere o meu aperto. Que é que há? Não é fácil entregar assim de mão beijada quase todas as minhas economias de trinta anos. Concordo com a providência, pois temos nosso projeto e promessa há mais de vinte anos. Não negarei os cobres, mas preciso de um mês para pensar.

Terrenos e amigos já estão apalavrados, desde o nosso encontro aqui, há tempos, mas dinheiro, meu caro!... Não posso aceitar o negócio, assim do pé para a mão. Você sabe que a velha sempre foi aflita. Quando queria uma coisa, queria mesmo. Tenho conservado minhas economias com cautela. Não confio em bancos e em mãos dos outros, a grana começa prometendo bons juros e depois cria pernas para correr e cair no buraco. É impossível tratar de problema assim tão grave, sem prazo para refletir. Disse mãe que já tive muito tempo para resolver, mas eu não acho.

Comunico a você que não recusarei a doação; entretanto, o assunto não é sangria desatada. No mês que vem, cuidaremos de tudo.
Sem mais, venha, logo que possa, comer de nosso feijão bravo e receba um abração do mano.
Firpo!"

Esta era a carta que o rico desencarnado tinha escrito e aguardava ensejo para mandar.

O Plano Espiritual lhe havia dado, cinco dias antes, em aviso urgente para a felicidade dele próprio. João, no entanto, exigia prazo a fim de atender. Acontece, porém, que a provação não conseguira esperar. Acontece, porém, que a provação não conseguira esperar.

Um incêndio de grandes proporções no madeiramento da pequena moradia lavrara, noite alta, obrigando-o a largar o corpo sufocado sem remissão.

O dinheiro a que se referira, com tanto carinho, decerto jazeria ali, inteiramente queimado, porque metal não havia.

De interessante nos escombros, apenas a carta que nos pareceu um recado precioso, lançado pelo livro da vida, sobre um monte de pó.

Ditado por Irmão X

Psicografia de Francisco Cândido Xavier

15 fevereiro 2008

Materialismo e Espiritismo - Irmão X

MATERIALISMO E ESPIRITISMO

Conta-se que o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes orientava, no Rio, uma reunião de estudos espíritas, com a palavra livre para todos os circunstantes, quando, após comentários diversos, perguntou se mais alguém desejava expressar-se nos temas da noite.

Foi então que renomado materialista, seu amigo pessoal, lhe dirigiu veemente provocação:

- Bezerra, continuo ateu e, não somente por meus colegas mas também por mim, venho convidá-lo a debate público, a fim provarmos a inexpugnabilidade de Materialismo contra as pretensões do Espiritismo. E previno a você que o Materialismo já levantou extensa lista de médiuns fraudulentos; de chamados sensitivos que reconheceram os seus próprios enganos e desertaram das fileiras espíritas; dos que largaram em tempo o suposto desenvolvimento das forças psíquicas e fizeram declarações, quanto às mentiras piedosas de que se viram envoltos; dos ilusionistas que operam em nome de poderes imaginários da mente; e, com essa relação, apresentaremos outro rol de nomes que o Materialismo já reuniu, os nomes dos experimentadores que demostraram a inexistência da comunicação com os mortos; dos sábios que não puderam verificar as factícias ocorrências da mediunidade; dos observadores desencantados de qualquer testemunho da sobrevivência; e dos estudiosos ludibriados por vasta súcia de espertalhões... Esperamos que você e os espíritas aceitem o repto.

Bezerra concentrou-se em preces, alguns instantes, e, em seguida, respondeu, aliando energia e brandura:

- Aceitamos o desafio, mas tragam também ao debate aqueles que o Materialismo tenha soerguido moralmente no mundo; os malfeitores que ele tenha regenerado para a dignidade humana; os infelizes aos quais haja devolvido o ânimo de viver; os doentes da alma que tenha arrebatado às fronteiras da loucura; as vítimas de tentações escabrosas que haja restituído à paz do coração; as mulheres infortunadas que terá arrancado ao desequilíbrio; os irmãos desditosos de quem a morte roubou os entes mais caros, a a cujo sentimento enregelado na dor terá estendido o calor da esperança; as viúvas e os órfãos, cujas energias terá escorado para os caluniados aos quais terá ensinado o perdão das afrontas; os que foram prejudicados por atos de selvageria social mascarados de legalidade, a quem haverá proporcionado sustentação para que olvidem os ultrajes recebidos; os acusados injustamente, de cujo espírito rebelado terá subtraído o fel da revolta, substituindo-o pelo bálsamo da tolerância; os companheiros da Humanidade que vieram do berço cegos ou mutilados, enfermos ou paralíticos, aos quais terá tranquilizado com princípios de justiça, para que aceitem pacificamente o quinhão de lágrimas que o mundo lhes reservou; os pais incompreendidos a quem deu força e compreensão para abençoarem os filhos ingratos e os filhos abandonados por aqueles mesmos que lhes deram a existência, aos quais auxiliou para continuarem honrando e amando os pais insensíveis que os atiraram em desprezo e desvalimento; os tristes que haja imunizado contra o suicídio; os que foram perseguidos sem causa aparente, cujo pranto terá enxugado nas longas noites de solidão e vigília, afastando-os da vingança e da criminalidade; os caídos de toda as procedências, a cujo martírio tenha ofertado apoio para que se levantem...

Nesse ponto da resposta, o velho lidador fêz uma pausa, limpou as lágrimas que lhe deslizavam no rosto e terminou:

- Ah! meu amigo, meu amigo!... Se vocês puderem trazer um só dos desventurados do mundo, a quem o Materialismo terá dado socorro moral para que se liberte do cipoal do sofrimento, nós, os espíritas, aceitaremos o repto.

Profundo silêncio caiu na pequena assembléia, e, porque o autor da proposição baixasse a cabeça, Bezerra, em prece comovente, agradeceu a Deus as bênçãos da fé e encerrou a sessão.

Livro Estante da Vida
Pelo Espírito “Irmão X”
Psicografia Francisco C. Xavier

14 fevereiro 2008

Consciência Social - Joanna de Ângelis

CONSCIÊNCIA SOCIAL

Em O Livro dos Espíritos Allan Kardec perguntou aos Sábios do espaço, sobre em que consiste a missão dos espíritos encarnados.

E os benfeitores da humanidade responderam: "em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais.

As missões, porém, são mais ou menos gerais e importantes. O que cultiva a terra desempenha tão nobre missão, como o que governa, ou o que instrui.

Tudo em a natureza se encadeia. Ao mesmo tempo em que o espírito se depura pela encarnação, concorre, dessa forma, para a execução dos desígnios da providência.

Cada um tem neste mundo a sua missão, porque todos podem ter alguma utilidade."

Como podemos perceber, todo homem tem sua parcela de responsabilidade na construção de um mundo melhor.
Por essa razão, é importante perguntar a nós mesmos o que estamos fazendo para melhorar as instituições terrenas e fomentar o progresso geral.

Em pleno século XXI ainda há pessoas que pensam que os problemas sociais são de responsabilidade exclusiva dos governos, e lavam as mãos.

Há empresários que, alegando desonestidade por parte dos governantes, sonegam impostos.Apesar de nada justificar a sonegação, é preciso perguntar se eles assumem para si mesmos a responsabilidade de investir o montante sonegado em favor da sociedade da qual se beneficiam.

Se destinam o valor deixado de recolher aos cofres públicos para custear o ensino de crianças e jovens carentes, a fim melhorar a condição social da sua localidade.

Ou se deixam de pagar impostos apenas para enriquecer os próprios bolsos, usando a desculpa de que o governo não faz.

Ter consciência social é estar atento às necessidades dos cidadãos que estão sobre os palcos da terra, neste cenário do qual também fazemos parte.

Ter consciência social é descobrir aqueles que já atuam em organizações não governamentais, ou outra iniciativa qualquer, movendo esforços em favor de um mundo melhor, e se somar a eles.

Ter consciência social lúcida é contribuir de forma efetiva, e sem interesse oculto, com todas as ações nobres, não importando se são iniciativas de religiosos ou de ateus.

Ter consciência social é deixar de criticar governos e instituições e fazer a sua parte para a melhoria da situação do seu lar, da sua rua, do seu bairro, da sua cidade, do seu estado, do seu país, do seu planeta.

Somos todos habitantes do planeta. Estamos todos nessa mesma embarcação
chamada Terra.
Precisamos nos comprometer com a melhoria das instituições de um modo geral.
Seja essa instituição o nosso lar ou o lar do vizinho. Seja o nosso país ou o país vizinho.
Nossa raça deve ser a raça humana. Nossa nacionalidade deve ser a Terra.

Nossa paternidade deve ser o criador. Nossos irmãos devem ser todos os homens do planeta.
Para que cumpramos a missão que Deus nos confiou, é preciso olhar o mundo com mais abrangência, abandonando essa forma míope de ver o mundo como se o mundo fosse apenas eu com meus próprios interesses.

Pensemos nisso e dilatemos a nossa atenção. Façamos um pacto conosco mesmos e coloquemos mãos à obra.

A obra que nos cabe executar no cumprimento da missão que o criador do universo nos confiou.
É para isso que estamos aqui. Foi por isso que nascemos neste abençoado planeta.
Pense nisso!

Você não é uma pedra solta, no leito do rio do destino, a rolar incessantemente.
Você tem uma meta que o aguarda e que alcançará.
Em sua origem você é luz avançando para a grande luz.

Só há sombras porque você ainda não se dispôs a movimentar os poderosos geradores de energia adormecida no seu interior.
Comece agora a fazer luz na própria caminhada e, por conseguinte, espalhando luz ao seu redor.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na questão 573,
de O Livro
dos Espíritos
e no livro Momentos de Consciência,
cap. 11, Joanna de
Ângelis.

13 fevereiro 2008

A Cada um Segundo suas Obras - Momento Espírita

A CADA UM SEGUNDO SUAS OBRAS

Nessa sentença de Jesus estão sintetizadas todas as leis que regem as questões ético-morais.
Mas de que maneira essa justiça se estabelece?
Que mecanismo coordena essa distribuição, com justiça?

Primeiro é importante lembrar que a justiça dos homens está calcada na legislação humana, com base em códigos legais criados pelos próprios homens.

Quando há um litígio qualquer, um grupo de pessoas especializadas nesses códigos analisa o processo, julga e define as penalidades aplicáveis ao réu. A duração das penas também é estabelecida pelo juiz.

Então podemos concluir que a justiça dos homens se alicerça no arbítrio, segundo a visão dos magistrados.
Mas com a justiça divina é diferente.

As conseqüências dos atos se dão de forma direta e natural, sem intermediários.
Em caso de uma falta qualquer, a penalidade se estabelece de maneira natural, e cessa também naturalmente, com o arrependimento efetivo e a reparação da falta.

Importante destacar que na justiça divina não há dois pesos e duas medidas. As leis são imutáveis e imparciais, e não podem ser burladas.
Um exemplo talvez torne mais fácil o entendimento.

Se alguém resolve beber uma dose considerável de veneno, as conseqüências logo surgirão no organismo, de maneira direta e natural.

Não é preciso que alguém julgue o ato e decida o que vai acontecer com o organismo do indivíduo. Simplesmente o resultado aparece. Castigo? Não.
Conseqüência natural derivada do seu ato, da sua livre escolha.

Os efeitos produzidos no corpo físico não fazem distinção entre o pobre ou o rico, o religioso ou o ateu, a criança ou o adulto.

As leis divinas não contemplam exceções, nem concessões. São justas e equânimes. E essas conseqüências duram tanto quanto a causa que as produziu. Uma vez passado o efeito do veneno, resta consertar o estrago e seguir em frente. Por isso a necessidade da reparação.

Nesse caso devemos considerar que a lei da reencarnação se torna uma necessidade, para que cada um receba conforme suas obras, segundo a justiça divina.

Se a pessoa bebe veneno e morre, as conseqüências do seu ato a seguirão no mundo espiritual, pois ela sai do corpo mas não sai da vida.

Por vezes, é necessário renascer num novo corpo marcado pelos estragos que o veneno produziu. Castigo? Certamente não. Conseqüência direta e natural.

No campo moral a justiça divina se dá da mesma maneira, distribuindo a cada um segundo suas obras, sem intermediários.
Mas como conhecer essas leis? Ouvindo a própria consciência, que é onde se encontra esse código divino.

Não é outro o motivo que leva a pessoa corrupta, injusta, violenta, hipócrita, a tentar anestesiar a consciência usando drogas,
embriagando-se para aplacar o clamor que vem da sua intimidade.

Uma vez mais podemos considerar que Jesus realmente é o maior de todos os sábios. Numa sentença sintética ele ensinou tudo o que precisamos saber para conquistar a nossa felicidade.

Sim, porque se as conseqüências dos nossos atos são diretas e naturais, podemos promover, desde agora, conseqüências felizes para logo mais.

E se hoje sofremos as conseqüências de atos infelizes já praticados, basta colher os resultados, sem se queixar da sorte, e agir com uma conduta ético-moral condizente com o resultado que desejamos obter logo mais
Pense nisso!

Nas leis divinas não existem penas eternas. As conseqüências infelizes duram tanto quanto a causa que as produziu. Assim, como depende de cada um o seu aperfeiçoamento, todos podem, em virtude do livre-arbítrio, prolongar ou abreviar seus sofrimentos, como o doente sofre, pelos seus excessos, enquanto não lhes põe termo. Dessa forma, se você deseja um futuro mais feliz, busque ajustar seus atos a sua consciência, que é sempre um guia infalível onde estão escritas as leis de Deus. E, se em algum momento surgir a dúvida de como agir corretamente: faça aos outros o que gostaria que os outros lhe fizessem, e não haverá equívoco.

Equipe de Redação do Momento Espírita,
om base em A Gênese,
de Allan Kardec, item 32, cap. I.
www.momento.com.br

12 fevereiro 2008

Examinemos a Nós Mesmos - André Luiz

Examinemos a Nós Mesmos

Qual é o meio prático e mais eficaz para se melhorar nesta vida, e resistir aos arrastamentos do mal?
- Um sábio da antiguidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo.
(Questão no 919 de “O Livro dos Espíritos”)

O dever do espírita-cristão é tornar-se progressivamente melhor.

Útil, assim, verificar de quando em quando, com rigoroso exame pessoal, a nossa verdadeira situação íntima.

Espírita que não progride durante três anos sucessivos permanece estacionário.

Testa a paciência própria: - Estás mais calmo, afável e compreensivo?

Inquire as tuas relações na experiência doméstica: - Conquistaste mais alto clima de paz dentro de casa?

Investiga as atividades que te competem no templo doutrinário: - Colaboras com mais euforia na seara do Senhor?

Observa-te nas manifestações perante os amigos: - Trazes o Evangelho mais vivo nas atitudes?

Reflete em tua capacidade de sacrifício: - Notas em ti mesmo mais ampla disposição de servir voluntariamente?

Pesquisa o próprio desapego: - Andas um pouco mais livre do anseio de influência e de posses terrestres?

Usas mais intensamente os pronomes “nós”, “nosso”, e “nossa” e menos os determinativos “eu”, “meu” e “minha”?

Teus instantes de tristeza ou de cólera surda, às vezes tão conhecidos somente por ti, estão presentemente mais raros?

Diminuíram-te os pequenos remorsos ocultos no recesso da alma?

Dissipaste antigos desafetos e aversões?

Superaste os lapsos crônicos de desatenção e negligência?

Estudas mais profundamente a Doutrina que professas?

Entendes melhor a função da dor?

Ainda cultivas alguma discreta desavença?

Auxilias aos necessitados com mais abnegação?

Tens orado realmente?

Teus ideais evoluíram?

Tua fé raciocinada consolidou-se com mais segurança?

Tens o verbo mais indulgente, os braços mais ativos e as mãos mais abençoadoras?

Evangelho é alegria no coração: - Estás, de fato, mais alegre e feliz intimamente, nestes três últimos anos?

Tudo caminha! Tudo evolui! Confiramos o nosso rendimento individual com o Cristo!

Sopesa a existência hoje, espontaneamente, em regime de paz, para que te não vejas na obrigação de sopesá-la amanhã sob o impacto da dor.

Não te iludas! Um dia que se foi é mais uma cota de responsabilidade, mais um passo rumo à Vida Espiritual, mais uma oportunidade valorizada ou perdida.

Interroga a consciência quanto à utilidade que vens dando ao tempo, à saúde e aos ensejos de fazer o bem que desfrutas na vida diária.

Faze isso agora, enquanto te vales do corpo humano, com a possibilidade de reconsiderar diretrizes e desfazer enganos facilmente, pois, quando passares para o lado de cá, muita vez, já será mais difícil...

Autor: Waldo Vieira (médium)
André Luiz (espírito)

Fonte: Opinião Espírita

11 fevereiro 2008

Treino para a Morte - Irmão X

Treino para a Morte

Preocupado com a sobrevivência além do túmulo, você pergunta, espantado, como deveria ser levado a efeito o treinamento de um homem para as surpresas da morte.

A indagação é curiosa e realmente dá que pensar.

Creia, contudo, que, por enquanto, não é muito fácil preparar tecnicamente um companheiro à frente da peregrinação infalível.

Os turistas que procedem da Ásia ou da Europa habilitam futuros viajantes com eficiência, por lhes não faltarem os termos analógicos necessários. Mas nós, os desencarnados, esbarramos com obstáculos quase intransponíveis.

A rigor, a Religião deve orientar as realizações do espírito, assim como a Ciência dirige todos os assuntos pertinentes à vida material. Entretanto, a Religião, até certo ponto, permanece jungida ao superficialismo do sacerdócio, sem tocar a profundidade da alma.

Importa considerar também que a sua consulta, ao invés de ser encaminhada a grandes teólogos da Terra, hoje domiciliados na Espiritualidade, foi endereçada justamente a mim, pobre jornalista sem méritos para tratar de semelhante inquirição.

Pode acreditar que não obstante achar-me aqui de novo, há quase vinte anos de contado, sinto-me ainda no assombro de um xavante, repentinamente trazido da selva matogrossense para alguma de nossas Universidades, com a obrigação de filiar-se, de inopino, aos mais elevados estudos e às mais complicadas disciplinas.

Em razão disso, não posso reportar-me senão ao meu próprio ponto de vista, com as deficiências do selvagem surpreendido junto à coroa da Civilização.

Preliminarmente, admito deva referir-me aos nossos antigos maus hábitos. A cristalização deles, aqui, é uma praga tiranizante.

Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais. O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição. O lombo de porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros.

Os excitantes largamente ingeridos constituem outra perigosa obsessão. Tenho visto muitas almas de origem aparentemente primorosa, dispostas a trocar o próprio Céu pelo uísque aristocrático ou pela nossa cachaça brasileira.

Tanto quanto lhe seja possível, evite os abusos do fumo. Infunde pena a angústia dos desencarnados amantes da nicotina.

Não se renda à tentação dos narcóticos. Por mais aflitivas lhe pareçam as crises do estágio no corpo, agüente firme os golpes da luta. As vítimas da cocaína, da morfina e dos barbitúricos demoram-se largo tempo na cela escura da sede e da inércia.

E o sexo? Guarde muito cuidado na preservação do seu equilíbrio emotivo. Temos aqui muita gente boa carregando consigo o inferno rotulado de “amor”.

Se você possui algum dinheiro ou detém alguma posse terrestre, não adie doações, caso esteja realmente inclinado a fazê-las. Grandes homens, que admirávamos no mundo pela habilidade e poder com que concretizavam importantes negócios, aparecem, junto de nós, em muitas ocasiões, à maneira de crianças desesperadas por não mais conseguirem manobrar os talões de cheque.

Em família, observe cautela com testamentos. As doenças fulminatórias chegam de assalto, e, se a sua papelada não estiver em ordem, você padecerá muitas humilhações, através de tribunais e cartórios.

Sobretudo, não se apegue demasiado aos laços consangüíneos. Ame sua esposa, seus filhos e seus parentes com moderação, na certeza de que, um dia, você estará ausente deles e de que, por isso mesmo, agirão quase sempre em desacordo com a sua vontade, embora lhe respeitem a memória. Não se esqueça de que, no estado presente da educação terrestre, se alguns afeiçoados lhe registrarem a presença extraterrena, depois dos funerais, na certa o intimarão a descer aos infernos, receando-lhe a volta inoportuna.

Se você já possui o tesouro de uma fé religiosa, viva de acordo com os preceitos que abraça. É horrível a responsabilidade moral de quem já conhece o caminho, sem equilibrar-se dentro dele.

Faça o bem que puder, sem a preocupação de satisfazer a todos. Convença-se de que se você não experimenta simpatia por determinadas criaturas, há muita gente que suporta você com muito esforço.

Por essa razão, em qualquer circunstância, conserve o seu nobre sorriso.

Trabalhe sempre, trabalhe sem cessar.

O serviço é o melhor dissolvente de nossas mágoas.

Ajude-se, através do leal cumprimento de seus deveres.

Quanto ao mais, não se canse nem indague em excesso, porque, com mais tempo ou menos tempo, a morte lhe oferecerá o seu cartão de visita, impondo-lhe ao conhecimento tudo aquilo que, por agora, não lhe posso dizer.

Médium: Chico Xavier
Espírito: Irmão X

Fonte: Cartas e Crônicas

10 fevereiro 2008

Perigo à Vista - Passos Lírio

Perigo à Vista

Pensar que já fizemos muito ou pelo menos o necessário.
Julgar-nos superiores ou inferiores a quem quer que seja.
Lembrar situações e circunstâncias em que falimos.
Recordar o mal que alguém nos fez ou nos quis fazer.
Mentalizar maus juízos que os outros possam fazer a nosso respeito.
Admitir que temos defeitos e viciações incorrigíveis.

Imaginar a existência de perseguidores espirituais a nos assediar implacavelmente, cuja indesejável companhia não podemos evitar.

Acreditar que progredimos em proporções tais, que já podemos afrouxar um pouco em nossos esforços de realizações construtivas.

Fixar passagens e cenas em que companheiros nossos tropeçaram e caíram.
Supor que somos por demais decaídos ou degenerados, para tentar a nossa recuperação e nela insistirmos.

Ajuizar que há fatores e forças imponderáveis que conspiram nas sombras contra a nossa felicidade, trabalhando sempre pela frustração dos nossos sonhos e aspirações, sem que tenhamos meios e modos de fugir-lhes à ação perniciosa.

Achar que a nossa condição humana, longe de nos propiciar a ascensão, favorece-nos a queda.
Crer que devemos proceder bem, mas que nem sempre podemos fazê-lo.

Tal como no campo atmosférico, antes de desabar um temporal, há sinais que o prenunciam, possibilitando-nos providências e resguardo, também nos domínios da alma há claros indícios de perigosas situações, de que nos é dado acautelar, buscando em nosso santuário interior, recursos de preservação que nos facultam superar a crise em esboço, sempre de tremendas conseqüências em nossa existência, se não conjurada a tempo.

Autor: Passos Lírio
Fonte:Revista Reformador - Outubro de 1997

09 fevereiro 2008

William George, O Avô de Si Mesmo - Luciano dos Anjos e Hermínio Corrêa de Miranda

William George, O Avô de Si Mesmo

Já dissemos que a doutrina da reencarnação não é uma revelação ou descoberta do Espiritismo, pois há muitos séculos era aceita no Oriente. É de justiça reconhecer que Allan Kardec e seus seguidores contribuíram de maneira sensível para divulgar a idéia no Ocidente, vencendo aos poucos uma forte resistência inicial.

A reação descabida é determinada principalmente pela incompreensão do real significado da reencarnação e suas conseqüências morais. Além do mais, a milenar "novidade" vinha contrariar conceitos e preconceitos muito arraigados.

Estamos agora observando, com alegria e esperança, interesses legítimos no estudo desapaixonado da reencarnação por parte de cientistas de renome.

O professor H.N. Banerjee, da Universidade de Rajstan, na Índia, já há vários anos pesquisa o assunto. Procurando uma terminologia nova para o fenômeno, propõe ele as iniciais ECM, da expressão inglesa "extra cerebral memory", ou seja, memória extra cerebral. Isto quer dizer que o ilustre professor está convencido de que a memória funciona também sem o apoio do cérebro físico e, portanto, tem condições de sobreviver à morte do corpo. Idéia semelhante, aliás, foi esposada pelo Dr. Andrija Puharich, que admite experimentalmente o que chama "mobile center of consciouness" (MCC), isto é, "centro móvel de consciência".

Outro cientista eminente, o professor Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia, tem, nos seus arquivos, relatos de mais de 600 exemplos de reencarnação. O Dr. Stevenson especializou-se em casos de crianças de tenra idade que têm lembranças espontâneas de vidas anteriores.

Há algum tempo selecionou ele 20 desses casos e publicou, em 1966, um livro interessantíssimo intitulado "Vinte Sugestivos Casos de Reencarnação", no qual são apresentados dois do Brasil, ocorridos ambos na família do saudoso professor Francisco Valdomiro Lorenz, do Rio Grande do Sul.

Um desses casos é narrado pelo próprio professor Lorenz, no seu livro "A Voz do Antigo Egito", (edição da Federação Espírita Brasileira). Uma jovem amiga dos Lorenz adoeceu gravemente e, antes de morrer, anunciou que renasceria em breve na família do professor. Tanto este como sua esposa guardaram a informação para si mesmos, nada revelando aos demais membros da família, nem mesmo depois de nascida mais uma menina. Esta é que, logo que começou a falar, passou a referir-se espontaneamente à sua existência anterior, lembrando episódios então vividos.

Não é o caso único na literatura espírita, em que a pessoa anuncia se renascimento e depois se lembra da personalidade anterior com bastante riqueza de informações. Num dos exemplos colhidos no arquivo do professor Stevenson, um cidadão chamado William George, do Alaska, declarou que renasceria na família do seu próprio filho, com as mesmas marcas que tinha no corpo. Isso realmente aconteceu e, com poucos anos de idade, a criança se lembrava perfeitamente da sua vida anterior, apanhando certa vez, entre diversas outras peças, um relógio que lhe pertencera no passado. Também reconhecia seus parentes que agora haviam trocado de posição, a começar pelo seu filho, que era então seu pai, pois o menino era avô de si mesmo!

Estes fatos que ainda surpreendem tanta gente, serão mais tarde aceitos com naturalidade e interesse. A verdade é totalmente indiferente aos nossos preconceitos e caturrices e, graças a Deus, há muito cientista empenhado em descobrir a verdade, seja ela qual for.

Autor:
Luciano dos Anjos e
Hermínio Corrêa de Miranda
Livros:
Crônicas de Um e de Outro
De Kennedy Ao Homem Artificial

08 fevereiro 2008

Sofrer - Maria do Carmo Junqueira Avelar

Sofrer

Há quase um ano meu filho morreu.

Não há outra maneira de dizer isso, não há como fantasiar ou melhorar a situação. Há outras formas de dizê-lo. Mas a verdade é essa: ele está morto para esse mundo, para esse tempo, para esse momento, para as pessoas que o conheceram e o amaram.

Entretanto, eu sei que, em um outro lugar, ele está vivo. Nós, agora, vivemos vidas diferentes. Em locais diferentes. Em planos diferentes. Em realidades diferentes. Com objetivos um pouquinho diferentes. Talvez demoremos a nos encontrar novamente. Mas é certo que nos reencontraremos. Mas, eu pergunto, o que é o tempo quando se tem o infinito? Em algum momento, no tempo de Deus, no local por Ele escolhido (ou permitido, não sei), nós nos encontraremos novamente. E nos amaremos novamente, como mãe e filho que somos, destinados ao amor em Deus na união com Cristo. Será tão difícil assim esperar por esse momento? Não será muito mais interessante e muito mais gostoso alegrar-me pelo que tenho à frente, pelo que me aguarda, em vez de sofrer pelo que "perdi"? Segundo Joanna de Ângelis, em seu livro Plenitude, psicografado por Divaldo Pereira Franco, "a vida são as incessantes oportunidades que surgem pela frente, jamais os insucessos que ocorreram no passado."

Vou explicar o que penso. Não é com alegria que esperamos pelo nosso aniversário, na expectativa de confraternizar com a família e os amigos e de receber presentes? As crianças não esperam sempre ganhar presentes em seus aniversários e nas datas comemorativas? Quem não espera pela Páscoa, só para ganhar e comer ovos de chocolate? E o Natal, então? Está certo que as pessoas se esquecem do que é realmente o Natal, mas... isso, agora, não vem ao caso. Final de ano, todo mundo feliz, solidário, fraternal. E a espera pelo Ano Novo? Então, não é boa essa esperança, essa ansiedade por algo que temos certeza que vai acontecer e que vai nos encher de alegria? É disso que estou falando. A expectativa do reencontro, a alegria incontida pelo que vai acontecer, a emoção da espera...

Para isso, para esse reencontro, é que faço meus preparativos!

Muitas pessoas preocuparam-se comigo durante todo esse tempo, sem saber o que estava realmente acontecendo dentro de mim. Alguém chegou mesmo a me dizer que eu havia sublimado[o acontecimento! Que falta de perspectiva dessa pessoa! Que falta de bom senso... E quanta ilusão! Eu apenas tomei o caminho mais fácil. Ou talvez não seja o mais fácil. Mas, com certeza, é o melhor caminho. O único possível nessas situações: eu resolvi não sofrer.

Mas, é impossível não sofrer, alguns dirão. E eu respondo: sim, é impossível não sofrer quando se perde o único filho com apenas catorze anos de idade... A saudade é forte. Os vínculos sempre foram fortes. O amor é muito grande. Não se esquece alguém tão importante assim, de uma hora para outra, e muito menos deixa-se de pensar nessa pessoa. É impossível. É impraticável. Não adianta nem tentar.

Entretanto, eu "sobrevivi" a ele; eu estou aqui. Melhor dizendo, eu ainda estou aqui nesse planeta. E, é claro, eu ainda tenho minha missão: evoluir. Ou, pelo menos, tentar. Ainda há pessoas que dependem de mim; ainda há pessoas que eu devo conhecer; ainda há pessoas cujas vidas serão afetadas pela minha (não importa como, nem com qual intensidade); ainda há projetos a realizar; ainda há lugares a conhecer; e, talvez mais importante que tudo isso, ainda há muitas pessoas para AMAR.

Eu disse que escolhi o caminho mais fácil. Mas, devo dizer, que ele não é tão fácil assim. Depende de entrega; entrega à própria vida e a Deus, incondicionalmente; depende de se amar os semelhantes; preocupar-se com eles mais do que consigo mesmo; deixar de lado o egoísmo; ser paciente consigo e com os outros; e, acima de tudo, ter coragem e esforçar-se para perdoar. Perdoar tudo e todos. Sem exceções. Sem condições.

É claro que não alcancei esses requisitos. Não sou tão boa assim. Entretanto, posso garantir que tenho me esforçado, consciente e constantemente, por alcançá-los. O que eu sei é que o caminho é esse. Por isso é meu desejo alcançar esses requisitos. Eles são meu objetivo e minha meta. E enquanto coloco toda a minha energia e meu esforço em uma meta tão importante consigo sair da minha dor, esquecê-la um pouquinho, sofrer menos, alegrar-me mais. Posso até dividi-la com outros. Assim, ela pesa menos. Fica mais fácil de suportar. A cruz fica mais leve.

Remoer os acontecimentos não faz bem a ninguém. Pensar no que poderia ter sido traz menos benefício ainda. Imaginar como teria sido a vida com ele é irrelevante. Tanta coisa poderia ter acontecido... Eu posso imaginar pelo menos algumas dezenas de acontecimentos diferentes para esse último ano da minha vida. E mesmo assim eu poderia estar a léguas de distância da verdade. Como eu posso saber? E tem outra coisa: quem me garante que, tendo sobrevivido, ele teria sido mais feliz do que é agora? Quem me garante que ele é infeliz hoje, que ele está triste, que ele não foi bem recebido, que ele não está amparado nos braços de pessoas que o amam tanto quanto eu?

Talvez alguém vá dizer que eu estou imaginando toda uma situação adequada à "sublimação" do que aconteceu. Como já me disseram. Mas isso não é verdade. Eu estou sendo realista. Ou seja, estou colocando as coisas na sua real perspectiva. Estou dando ao fato sua justa realidade: nem mais, nem menos. Ademais, estou sendo condizente com aquilo em que acredito.

Vejamos por outro lado. As pessoas costumam colocar seu sofrimento acima de tudo, parece que o supervalorizam. Há pessoas que se esquecem de quantos irmãos seus sofrem nesse planeta, dores às vezes muito piores do que a sua. É certo que fazer comparações não é uma boa pedida. Mas, se nós nos dispusermos a examinar a dor que nos aflige tendo em mente a dor de outras pessoas, nós a avaliaremos em sua grandeza exata. Nem a sentiremos maior nem menor do que ela é na verdade. Além disso, a dor pela morte de alguém não é privilégio de alguns poucos "escolhidos", nós bem o sabemos. A morte do meu filho não é um problema exclusivamente meu e pelo qual ninguém nunca passou; diversas mães já passaram por isso antes de mim e inúmeras ainda vão experimentar essa dor. Além disso, a morte é uma realidade da vida. Sem vida não há morte (e vice-versa).

Pois bem, eu decidi escolher o melhor caminho. Esse caminho me leva a valorizar o que eu tenho, os meus familiares, os meus amigos, a minha vida. Isso não quer dizer que eu tenha me esquecido do meu filho, ou da minha dor. Apenas consegui colocá-los no seu "devido lugar", ou seja, em um cantinho especial em meu coração. É um local reservado e que eu visito com freqüência, a fim de acalmar a minha saudade.

Para acabar com o sofrimento é preciso acabar com a causa do sofrimento. Se eu não consigo eliminar a causa (a saudade, a falta, o vazio...), então eu devo deixar de valorizá-la para tentar diminuir o sofrimento. É assim que deve ser. Pelo meu próprio bem, pelo bem do meu filho, pelo bem de todas as pessoas que me cercam.

Agir assim tem dado certo comigo. Tem me deixado mais tranqüila, tem me deixado pronta para exercer todas as minhas faculdades: amor, paciência, esperança, fé, coragem, alegria ... Todas essas faculdades são dons de Deus a mim concedidos, para que eu possa usá-los em benefício próprio, do meu crescimento pessoal, e no benefício dos meus irmãos em Cristo. Dons que eu não tenho o direito de recusar, muito menos de usar mal. Não posso e não devo, também, deixar de usá-los para me trancar dentro de uma concha, com a minha dor, protegida de tudo e de todos. Menos de mim mesma. Seria muito egoísmo.

Deixo aqui dois pensamentos que talvez resumam tudo o que eu tentei explicar. O primeiro não conheço o autor: "Que a tua atitude não seja como a do rochedo, que segura a onda causando o turbilhão."

O segundo é do livro "Poemas para Rezar", de Michel Quoist: "A morte existe, Senhor, mas é um momento apenas, um instante, um segundo, um passo; o passo do provisório ao definitivo; o passo do temporal ao Eterno"

Texto de Maria do Carmo Junqueira Avelar
Fonte: O Mensageiro