Total de visualizações de página

31 março 2010

O Peso do Viver - Momento Espírita

O Peso do Viver

Viver não é uma tarefa muito fácil.

Em todas as fases da vida os desafios se apresentam.

Na infância, há os trabalhos escolares, as tarefas cada vez mais complexas.

Na adolescência, perceber o mundo pode ser bastante doloroso.

Na juventude, deve-se optar por uma profissão e desenvolver esforços para conquistá-la.

Na época da maturidade, surgem problemas com filhos e abundam desafios profissionais.

Na velhice, o balanço do que se viveu pode causar decepção, sem falar nas forças físicas em declínio.

Permeando tudo isso, há problemas de saúde e amorosos, além de dificuldades com a família.

A vida é repleta de encontros e desencontros, de despedidas, lutas, vitórias e fracassos.

Dependendo do ângulo que se analisa, a vida pode parecer um castigo, um autêntico peso a ser suportado.

E realmente os problemas são inerentes ao viver.

Desconhece-se alguém que tenha atravessado a existência sem enfrentar dúvidas e crises.

Entretanto, viver é uma dádiva divina.

Embora a vida também envolva dores e sacrifícios, ela não se resume nisso.

Há a emoção do nascimento de um filho, a alegria de amar e ser amado, a beleza de um pôr-do-sol.

Depende de cada um escolher quais aspectos de sua existência irá valorizar.

É possível manter a mente focada na longa enfermidade que se atravessou, ou nas lições que com ela foram aprendidas.

Podem-se destacar os esforços feitos em determinada direção, ou a satisfação da vitória.

Conforme seja enfocado o aspecto positivo ou negativo das experiências, viver será algo mais ou menos leve.

Mas há outro aspecto a ser considerado a respeito das dificuldades inerentes à existência humana.

Como tudo no universo, os homens estão em constante aprimoramento.

Todos são espíritos, em jornada para a amplitude.

A existência terrena é um diminuto instante nessa maravilhosa viagem pelo infinito.

Após estagiar por longo tempo na seara do instinto, a humanidade desenvolve sua razão e ruma para a angelitude.

Para isso, necessita aprimorar sua sensibilidade, tornar-se valorosa e nobre.

As experiências com que a criatura se depara voltam-se justamente a prepará-la para seu glorioso porvir.

É preciso que os instintos gradualmente percam sua força, dando lugar às virtudes.

Assim, amar não mais como manifestação de posse, mas de forma sublime, preocupando-se em ver feliz o ser amado.

Educar a própria libido, percebendo-a como energia criativa, em harmonia com o cosmo.

Esquecer a tendência de dominar pela força, aprendendo a convencer pela lucidez dos argumentos.

Abdicar da violência, desenvolvendo a afabilidade e a doçura.

A vida chama as criaturas para um amanhã de luz, de paz e ventura.

Ocorre não ser possível cultivar um jardim em pleno charco.

Justamente por isso viver parece tão difícil.

É que os homens são constantemente convidados a abrir mão de velhos vícios.

Tanto maior seja a resistência em aprender a lição, tanto mais contundente ela será.

Assim, se você quer ser feliz, desfrutar de bem-estar, passe a remar a favor da maré.

Dome seus vícios, conscientizando-se de que eles é que o infelicitam e tornam sua existência penosa.

Ame a vida, seja honesto, trabalhador, bondoso e puro.

Em pouco tempo seu viver se tornará leve e prazeroso, pois você terá instalado um céu dentro de sua própria consciência.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita

30 março 2010

Convite à Harmonia - Joanna de Ângelis

CONVITE À HARMONIA

"Pois toda criatura de Deus é boa e nada deve ser rejeitado, se é recebido com gratidão." (I Timóteo, 4:4)

Como hábito, uma que outra vez com regularidade, altera o ritmo das atividades do quotidiano, a fim de haurires na comunhão da Natureza a necessária harmonia para o prosseguimento dos labores abençoados.

Uma evasão da cidade agitada na direção do bosque;

Uma excursão a um local bucólico e ameno;

Uma jornada aos campos dos arredores;

Uma caminhada pela orla marinha;

Um convescote à montanha...

Paisagens novas, inabituais à contemplação, ao exercício, à reflexão.

Neste recanto uma delicada flor oscilando em haste tênue; do alto visão ampliada, superando detalhes e vencendo distâncias; em volta o ar rarefeito, dúlcido, respirável; pequenas boninas salpicando o verdor de todos os tons; o pulsar do corpo gigante do mar; búzios e algas variados pelas praias, despertando atenção; painéis coloridos, variados, o céu, o sol, a vida...

Detém-te um pouco a considerar a harmonia que palpita em toda parte, ausculta o coração da Natureza, deixa-te arrastar...

Refaze programações, renova o entusiasmo, desasfixiando-te, eliminando tóxicos, miasmas que te excitam no dia-a-dia ou te entorpecem na maior parte das horas...

Nada de complexas, exaustivas arrumações: barracas, farnéis, guloseimas, isto, aquilo.

Algumas horas nada são. Não devem ser complicadas, de modo a não se converterem em nova inquietação, diferente ansiedade.

Se, todavia, acreditares não dispor de tempo, de oportunidade, de meios - recurso nenhum, senão disposição, - abre a janela, à noite e fala às estrelas, escuta os astros fulgurantes, harmoniza-te.

Harmonia é também pão e medicamento. Não prescindirás dela se pretendes lograr êxito.

Mesmo Jesus, após as atividades de cada dia, ao lado dos amigos, refugiava-se, longe das multidões, no contato com a Natureza, orando, para prosseguir em harmonia com o Pai. E como afirma Paulo que "toda criatura de Deus é boa", mister se faz desdobrar essa natural bondade, a fim de que, em harmonia, tudo receba "com gratidão".

De "Convites da Vida",
de Divaldo Pereira Franco,
pelo Espírito Joanna de Ângelis

29 março 2010

A Parábola do Joio - Caibar Schutel

A PARÁBOLA DO JOIO

"O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Mas, enquanto os homens dormiam, veio um inimigo dele, semeou joio no meio do trigo e retirou-se. Porém, quando a erva cresceu e deu fruto, então apareceu também o joio. Chegando os servos do dono do campo, disseram-lhe: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Pois donde veio o joio? Respondeu-lhes: Homem inimigo é quem fez isso. Os servos continuaram: Queres , então, que vamos arrancá-lo? Não, respondeu ele; para que não suceda, que, tirando o joio, arranqueis juntamente com ele também o trigo. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e no tempo da ceifa direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio e atai-o em feixes para os queimar, mas recolhei o trigo no meu celeiro." (Mateus, XIII; 24 - 30.)"


O homem tem sido, em todos os tempos, o eterno inimigo da Verdade.

A todos os jactos da Sua luz, opõe uma sombra para obscurecê-la ou desnaturá-la.

O joio está para o trigo, assim como o juízo humano está para as manifestações superiores.

Uma doutrina, por mais clara e pura que seja, no mesmo momento em que é concedida ao homem, suscita inimigos que a trucidam, interesseiros e interessados em manter a ignorância que a desvirtuam, revestindo-a de falsas interpretações e desnaturando completamente sua essência puríssima! São como o joio, que amesquinha, transforma, envenena e até mata o trigo!

A Doutrina de Jesus, embora de nitidez incomparável, de lógica e clareza sem igual, não podia deixar de sofrer essa malsinada "transubstanciação", que a tornou esquecida, ignorada e incompreendida das gentes.

Embora resumindo-se a Religião do Cristo no amor a Deus e ao próximo, no merecimento pelo trabalho, pela abnegação, pelas virtudes ativas, os sacerdotes dela fizeram um princípio de discórdia; degeneraram-na em partidos religiosos que se digladiam numa luta tremenda de desamor, de ódio, de orgulho, de egoísmo, destruindo todos os princípios de fraternidade estabelecidos pelo Cristo.

Em vez da Religião Imaculada do Filho de Maria, aparecem as religiões aparatosas de sacerdotes preconizando e mantendo cultos pagãos, exterioridades grotescas, dogmas, mistérios, milagres, exaltando o sobrenatural, escravizando a razão e a consciência das massas!

Este joio já agora de milênios, e que começou a surgir por ocasião da semeadura do bom trigo, nasceu, cresceu, abafou a bendita semente porque, segundo diz a parábola, quando o Cristo falou, os homens não lhe deram atenção, mas dormiram, deixando de prestar o necessário raciocínio às suas palavras redentoras!

E como depois, pela mescla da palavra do Cristo com as exterioridades com que a revestiram, se fizesse confusão idêntica à do joio e do trigo, logo após nascerem, o Senhor deliberou esperar a ceifa, quer dizer, o fim dos tempos, que deveria apresentar o produto da sua Palavra e os resultados das religiões sacerdotais, com as suas pompas, para que os ceifeiros ficassem encarregados de queimar o "joio" e recolher o "trigo" ao celeiro.

É o que estamos fazendo, e estes escritos elucidativos não têm por fim elucidar a Doutrina do Cristo, que é toda Luz, mas queimar com a chama sagrada da Verdade, o joio malfazejo, reduzi-lo a cinzas, a fim de que o Cristianismo domine, estabelecendo no coração humano o amor a Deus e fazendo prevalecer o espírito de Fraternidade, único capaz de resolver as questões sociais e estabelecer a paz no mundo.

De "Parábolas e Ensinos de Jesus",
de Cairbar Schutel

28 março 2010

Vocabulário da Vida - Luiz Gonzaga Pinheiro

Vocabulário da Vida

Em uma séria reflexão sobre a pobreza das palavras, notadamente quando se quer expressar sentimentos, o autor, preparou um pequeno dicionário para que seus netos as entendessem mais profundamente, sem a formalidade das regras gramaticais ou amarras filosóficas, o significado de algumas palavras importantes na vida de qualquer pessoa.

Aí estão:

Adeus: É quando o coração que parte deixa a metade com quem fica.

Amigo: É alguém que fica para ajudar quando todo mundo se afasta.

Amor ao próximo: É quando o estranho passa a ser o amigo que ainda não abraçamos.

Caridade: É quando a gente está com fome, só tem uma bolacha e reparte.

Carinho: É quando a gente não encontra nenhuma palavra para expressar o que sente e fala com as mãos, colocando o afago em cada dedo

Ciúme: É quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo.

Cordialidade: É quando amamos muito uma pessoa e tratamos todo mundo da maneira que a tratamos.

Doutrinação: É quando a gente conversa com o Espírito colocando o coração em cada palavra.

Entendimento: É quando um velhinho caminha devagar na nossa frente e a gente estando apressado não reclama.

Evangelho: É um livro que só se lê bem com o coração.

Evolução: É quando a gente está lá na frente e sente vontade de buscar quem ficou para trás.

Fé: É quando a gente diz que vai escalar um Everest e o coração já o considera feito.

Filhos: É quando Deus entrega uma jóia em nossa mão e recomenda cuidá-la

Fome: É quando o estômago manda um pedido para a boca e ela silencia.

Inimizade: É quando a gente empurra a linha do afeto para bem distante.

Inveja: É quando a gente ainda não descobriu que pode ser mais e melhor do que o outro.

Lágrima: É quando o coração pede aos olhos que falem por ele.

Lealdade: É quando a gente prefere morrer que trair a quem ama.

Mágoa: É um espinho que a gente coloca no coração e se esquece de retirar.

Maldade: É quando arrancamos as asas do anjo que deveríamos ser.

Morte: Quer dizer viagem, transferência ou qualquer coisa com cheiro de eternidade.

Netos: É quando Deus tem pena dos avós e manda anjos para alegrá-los.

Obsessor: É quando o Espírito adoece,manda embora a compaixão e convida a vingança para morar com ele.

Ódio: É quando plantamos trigo o ano todo e estando os pendões maduros a gente queima tudo em um dia.

Orgulho: É quando a gente é uma formiga e quer convencer os outros de que é um elefante.

Paz: É o prêmio de quem cumpre honestamente o dever.

Perdão: É uma alegria que a gente se dá e que pensava que jamais a teria.

Perfume: É quando mesmo de olhos fechados a gente reconhece quem nos faz feliz.

Pessimismo: É quando a gente perde a capacidade de ver em cores.

Preguiça: É quando entra vírus na coragem e ela adoece.

Raiva: É quando colocamos uma muralha no caminho da paz.

Reencarnação: É quando a gente volta para o corpo, esquecido do que fez, para se lembrar do que ainda não fez.

Saudade: É estando longe, sentir vontade de voar, e estando perto, querer parar o tempo.

Sexo: É quando a gente ama tanto que tem vontade de morar dentro do outro.

Simplicidade: É o comportamento de quem começa a ser sábio.

Sinceridade: É quando nos expressamos como se o outro estivesse do outro lado do espelho.

Solidão: É quando estamos cercado por pessoas, mas o coração não vê ninguém por perto.

Supérfluo: É quando a nossa sede precisa de um gole de água e a gente pede um rio inteiro.

Ternura: É quando alguém nos olha e os olhos brilham como duas estrelas.

Vaidade: É quando a gente abdica da nossa essência por outra, geralmente pior.

Mensagem do livro: "O homem que veio da sombra"
de Luiz Gonzaga Pinheiro*

*Luiz Gonzaga Pinheiro é natural de Fortaleza (CE), onde exerce a profissão de professor de Ciências e de Matemática, na rede pública do Estado. Engenheiro pela Universidade Federal do Ceará e licenciado em Ciências pela Universidade Federal do Ceará, tem mais de uma dezena de livros publicados.

27 março 2010

Expressivo Centenário - Orson Peter Carrara

Publicar postagem
Expressivo Centenário
Por: Orson Peter Carrara

São justas as homenagens ao médium Chico Xavier em seu centenário de nascimento, embora ele as dispense e não precise delas. Todavia, a gratidão de todos nós pela inigualável contribuição cultural e doutrinária oferecida ao Espiritismo e à humanidade pelo importante vulto histórico de sua personalidade é algo que surge espontâneo e natural.

Nascido em Pedro Leopoldo em 02 de abril de 1910, tornou-se conhecido mundialmente pela força de seu exemplo de vida. Infância pobre, vida sofrida e cheia de dificuldades, mas personalidade de coragem, determinação, fidelidade ao bem, exemplo mesmo de humildade e amor ao próximo. Retornou à Pátria de origem aos 30 de junho de 2002. Médium consciente de seus deveres com a própria faculdade que trouxe como bagagem, produziu mais de 400 obras psicografadas, confortou milhares de pessoas e famílias com suas mensagens, mas principalmente com seu próprio modo de ser; ofertou socorro material a muitos, amparou enfermos e fez-se roteiro de luz para a vida de muitos. Eleito o Mineiro do Século, em concurso da Globo Minas, concorreu ainda ao Prêmio Nobel da Paz e recebeu muitos títulos de Cidadão Honorário em diferentes cidades brasileiras. Mesmo assim sofreu calúnias, perseguições e ingratidões, mas manteve-se fiel à própria consciência, sempre destacando o Evangelho de Jesus em suas falas e aparições públicas.

Perfeitamente enquadrado com a descrição de O Homem de Bem, apresentado por Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo no capítulo 17 – item 3, Chico Xavier é exemplo a ser seguido, pois sua biografia é rica de ensinos e roteiros de como enfrentar adversidades e viver bem consigo mesmo e ainda amparar o próximo. Tão rica e expressiva que virou filme, já foi encenada em peças teatrais e alvo de muitas reportagens de TV.

E mesmo que pudéssemos reduzir toda sua vida, rica em exemplos por si só, em um único fato, que descrevemos em seguida, ela já seria grandiosa: Chico Xavier produziu, pela psicografia, cinco romances clássicos históricos do Cristianismo nascente, que já valem o esforço, humildade e sintonia de sua mediunidade. Os romances assinados pelo Espírito Emmanuel significam roteiro de luz para qualquer pessoa em qualquer época. São verdadeiros tesouros culturais e incomparáveis pérolas espirituais, e isso tudo sem falar nas demais, de valor histórico, doutrinário, etc. Não poderíamos deixar de citar os incomparáveis livros Há 2.000 anos, Cinquenta anos depois, Renúncia, Ave Cristo e o fabuloso Paulo e Estêvão.

Agora, na ocorrência de seu centenário de nascimento, nós, os contemporâneos desse expressivo fato, vibramos em gratidão a esse valoroso espírito, direcionando-lhe nosso carinho, nosso aplauso. Obrigado Chico, obrigado por tudo que fez! Deus te recompense!

26 março 2010

As Forças do Amanhã - Momento Espírita

As Forças do Amanhã

Ninguém vive só.

Nossa alma é sempre núcleo de influência para os demais.

Nossos atos possuem linguagem positiva.

Nossas palavras influenciam à distância.

Achamo-nos magneticamente associados uns aos outros.

Ações e reações caracterizam-nos a marcha.

Assim, é necessário saber que espécie de forças projetamos naqueles que nos cercam.

Nossa conduta é um livro aberto que denuncia nossa condição interior.

Muitos de nossos gestos insignificantes alcançam o próximo, gerando inesperadas resoluções.

Quantas frases, aparentemente inexpressivas, que saem da nossa boca e estabelecem grandes acontecimentos.

A cada dia emitimos sugestões para o bem ou para o mal.

Dirigentes arrastam dirigidos.

Administrados inspiram administradores.

Qual caminho nossa atitude está indicando?

Um pouco de fermento leveda toda a massa.

Não dispomos de recursos para analisar a extensão de nossa influência, mas podemos examinar-lhe a qualidade essencial.

Cuidado, pois, com o alimento invisível que você fornece às vidas que o rodeiam.

Em momentos de indignação, uma palavra mal colocada pode ser o estopim para induzir o próximo ao cometimento de desatinos de conseqüências irreversíveis.

Um comentário maldoso talvez se multiplique ao infinito, causando na vida alheia dores e humilhações intensas.

O pai que não cumpre os compromissos assumidos com os filhos pode suscitar neles a idéia de que não é importante manter a palavra dada.

Esse exemplo negativo pode multiplicar-se por gerações.

O chefe que não assume a responsabilidade pela orientação que dá aos subordinados instala a desconfiança em sua equipe.

Em momentos de crise, a ausência de coesão no ambiente de trabalho pode levar uma empresa à falência, em prejuízo de toda a coletividade.

Por outro lado, comentar as virtudes de alguém que cometeu um pequeno deslize talvez faça cessar a maledicência.

Em momentos de distúrbio, quem consegue manter o equilíbrio e a paz, exteriorizando isso mediante atos e palavras, faz murchar a insânia dos demais.

Não raro tal conduta provoca um generalizado constrangimento, pela imediata e coletiva percepção do equívoco em que se incidia.

Não há nada como a grandeza alheia para fazer o homem perceber sua própria pequenez.

Defender corajosamente os mais fracos quiçá tenha o condão de motivar outras pessoas a também protegerem os desvalidos.

Manter-se honesto e íntegro, mesmo em face das maiores tentações, talvez seduza outros para a causa do bem.

A visão da generosidade em franca atividade é um grande consolo, em um mundo onde o egoísmo grassa.

Por se afigurar admirável a prática de virtudes, há tendência de alguém genuinamente virtuoso ser admirado e imitado.

Nosso destino se desdobra em correntes de fluxo e refluxo.

As forças que exteriorizamos hoje, potencializadas pelos atos que inspiramos, voltarão a nossa vida amanhã.

Desse modo, nunca é demais prestar atenção no testemunho que damos. Será nossa presença um fator de equilíbrio no mundo?

Por força da Lei de Causa e Efeito, que opera no Universo, recebemos o que damos.

Se desejamos paz, compreensão e conforto, devemos oferecê-los ao próximo, por meio de nossos sentimentos, atos e palavras.

Pensemos nisso.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no capítulo XIII do livro Segue-me!..., do Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. O Clarim

25 março 2010

Perante o Mal - Momento Espírita

Perante o Mal

A lei de talião representou um progresso nos costumes da Humanidade.

Em decorrência dela, a vingança passou a ter limites.

Antes, por conta de uma ofensa, considerava-se justo dizimar toda a família do ofensor.

Depois, passou a ser olho por olho e dente por dente.

Ou seja, o mal que se retribuía não podia ser maior do que o recebido.

Jesus Cristo veio trazer a contribuição definitiva nessa seara.

Assentou que não se deveria resistir ao mal.

Que se alguém batesse na face direita, era preciso oferecer também a esquerda.

Que se alguém tomasse a vestimenta, convinha deixar também a capa.

Que se alguém obrigasse a andar uma milha, era para andar com ele duas.

São palavras fortes e plenas de simbolismo.

Por certo não significam se deva permitir que a agressividade e a violência tomem conta da Terra.

Não constituem autorização ou incentivo a que os fracos se transformem em besta de carga dos fortes.

Seu significado profundo parece ser o de que apenas o amor é eficiente no enfrentamento com o mal e os maus.

O revide, o ressentimento e o desejo de vingança apenas prolongam os desequilíbrios humanos.

Sob a égide do Cristo, deve instalar-se uma nova ordem de paz e generosidade.

O discípulo de Jesus é pacífico e pacificador.

Ele é manso, compreensivo, ordeiro e confiante na Justiça Divina.

Perante uma ofensa, em geral três condutas são possíveis: revidar, fugir ou oferecer a outra face.

O revide implica a continuação da luta e do desequilíbrio.

A fuga transfere o clima de ódio para solução futura e denota fraqueza moral, que estimula o violento.

A última alternativa é sem dúvida a mais difícil.

Perante a ofensa, oferecer a face contrária, a do perdão.

Esse ato de grandeza, consistente na imediata compreensão do desequilíbrio que há em qualquer ato mau, desestabiliza o agressor.

De repente, ele se vê lamentável como é, perante a serenidade do ofendido.

A violência tende a morrer asfixiada no algodão da paz que envolve quem ama.

É impossível vencer alguém com grandeza moral.

Em face dele, toda vitória é aparente e com sabor de cinzas.

Alguém em paz e pronto a desapegar-se da manta e da capa.

Que tem paciência e caminha mais do que o solicitado ao lado de quem lhe impõe o esforço.

Certamente não é fácil adotar esse gênero de conduta.

Entretanto, Jesus não apenas ensinou, como exemplificou.

Soube doar-Se em holocausto e Sua proposta vitoriosa segue transformando lentamente a Humanidade.

E é Dele o convite que ressoa através dos séculos:

Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me!

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13 do livro "A mensagem do Amor Imortal", pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

24 março 2010

Fábula Simples - Irmão X

FÁBULA SIMPLES

Quando o diamante já talhado se abeirou da pedra preciosa, saída de cerro áspero, clamou, irritadiço:

― Que coisa informe! Rugosidades por todos os lados!... Que farei de semelhante aborto da Natureza?

E roçou, com superioridade, sobre a pedra bruta.

A pobrezinha, mal saída do solo em que dormira por milênios, sentindo-se melindrada, tentou reclamar; entretanto, ao observar o clivador, cheio de esperança na utilidade que ela podia oferecer, calou-se.

Findo o dia, o operário recebeu o salário que lhe competia e contemplou-a, tomado de gratidão.

A pedra intimamente compensada, esperou.

No dia seguinte, veio o martelo cônico e, desapiedado, riu-se dela, exclamando:

― Nariz de rochedo, quem teria o mau gosto de aperfeiçoar-te? Porque a infelicidade de entrar em comunhão contigo, seixo maldito?

O cristal sofredor ia revidar, mas vendo que o trabalhador, que mobilizaria a massa contra ele, o mirava com enternecimento, preferiu silenciar, entregando-se paciente à nova operação de lapidagem.

Sabendo, em seguida, que o operário obtinha, feliz, substanciosa paga, reconheceu-se igualmente enriquecido.

Mais tarde, apareceu o pó de diamante, que gritou, irônico:

― Porque a humilhação de trabalhar essa pedra amarelada e baça? Quem teria descoberto esse calhau feio e desvalioso?

A pedra ia responder, protestando; contudo, reparou que o lapidário a fixava com respeito, denotando entender-lhe a nobreza interior, e, em homenagem àquele silencioso admirador de sua beleza, emudeceu e deixou-se torturar.

Quando o lapidador recolheu o pagamento que lhe cabia, deu-se ela por bem remunerada.

Logo após chegou a mó de polir, que falou, mordaz:

― Esta velha cristalização de carbono é indigna de qualquer tratamento... Que poderá resultar dela? Porque perder tempo com este aleijão da mina?

A pedra propunha-se aclarar a situação; contudo, notando a jubilosa expectativa do artífice,que lhe identificara a grandeza, aquietou-se, obediente, e suportou com calma todos os insultos que lhe foram desferidos sobre as faces, até que o próprio polidor a acariciou, venturosamente.

Sem perceber-lhe o valor, o diamante talhado, o martelo, o pó de diamante e a mó viram-na sair, colada ao coração do operário, em triunfo, permanecendo espantados e ignorantes, na sombra da suja caverna de lapidação em que a presença deles tinha razão de ser.

Passados alguns dias, a pedra convertida em soberbo brilhante foi engastada no cetro do governador do seu país natal, passando a viver, querida e abençoada, sob a veneração de todos.

Se encontras-te no mundo criaturas que se fizeram diamante descaridoso, martelo impiedoso, pó irônico ou mó sarcástica sobre o réu coração, suporta-as com paciência, por amor daqueles que caminham contigo, e espera, sem desânimo, porque, um dia, transformada a tua alma em celeste clarão, virás à furna terrestre agradecer-lhes as exigências e os infortúnios com que te alçaram à glória dos cimos!...

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Contos Destas e Doutra Vida,
Médium: Francisco Cândido Xavier

23 março 2010

Quem Sabe... - Marco Prisco

QUEM SABE...

Não se atribua a posse exclusiva da verdade.

Quem sabe discernir descobre fragmentos e expressões da sua legitimidade em toda parte.

*

Faça-se sincero aprendiz onde esteja, ante quem se encontre disposto a ensinar-lhe algo.

Quem sabe ouvir para compreender, aprimora os conhecimentos e dilata a percepção em torno das pessoas, das coisas e da ocorrências.

*

Poupe-se parecer mais do que é.

Quem sabe conhecer-se, também está informado de que há pessoas mais e menos dotadas, portanto, melhores e piores do que ele próprio.

*

Nunca se suponha indispensável.

Quem sabe servir não ignora que está produzindo sempre a benefício de si mesmo.

*

Aceite a cooperação de outrem.

Quem saber ser individualista, possui visão moral defeituosa a respeito da sua tarefa na Terra.

*

Elabore seus programas com antecipação.

Quem saber ser prudente está preparado para o êxito como para o insucesso, mantendo-se tranquilo em qualquer circunstância.

*

Não se faculte perder uma oportunidade de proveito superior.

Quem sabe utilizar o momento, adquire vasto patrimônio de tempo, que não se repete.

*

Não ocorrendo suceder o seu trabalho, conforme esperava, conserve a serenidade.

Quem sabe manter-se calmo ante o imprevisto, supera o problema e domina a situação.

*

Ante alguém que acusa outrem que lhe é antipático, não adicione os resíduos da sua mágoa.

Quem sabe silenciar falhas, poupa-se a muitos arrependimentos.

*

Controle suas emoções antes que elas o desgovernem.

Quem sabe conduzir-se com equilíbrio, raramente repete com aflição as experiências.

*

Você abraça uma filosofia existencial que lhe fala da sobrevivência à morte, portanto, de que o homem, na Terra, se está preparando

para prosseguir, embora noutro estado vibratório, uma vida que não cessa, não se interrompe.

Quem sabe disso deve estar preparado a todo o momento, porquanto, vivendo hoje, com elevação, amanhã prosseguirá com felicidade.

Por:Marco Prisco
De "Sementes de Vida Eterna",
de Divaldo Pereira Franco - Diversos Espíritos

21 março 2010

Reencarnação - Preparando-se para a volta - Sergio Vencio

Reencarnação - Preparando-se para a volta

Por Sergio Vencio

De tempos em tempos somos impelidos a retornar ao Planeta Terra, visando colocar em prática as lições aprendidas na erraticidade (plano espiritual) e que foram exaustivamente discutidas com nossos mentores...

Nem sempre foi assim. No começo de nossa evolução, passávamos pelo plano espiritual, muitas vezes sem compreender que tínhamos desencarnado, que o corpo físico tinha ficado pra trás. Em muitas dessas oportunidades continuávamos as brigas e guerras começadas aqui no plano terráqueo e seguíamos até sermos conduzidos a nova oportunidade, visando esquecer o passado, desfazer laços de ódio e morte.

Em algumas de nossas experiências na carne aproveitávamos alguma coisa mais, guiados por seres de luz que ao reencarnar, cumpriam elevada missão na Terra. Mas sem a presença amorosa deles ao nosso lado, caíamos novamente, fazendo a nossa ascensão em espiral, subindo e descendo, progredindo e retornando até sedimentar bem os ensinamentos a ponto de fazer o que achamos certo de forma natural.

Os avatares se sucederam, com suas doutrinas e exemplos variados, e sempre vai ser assim em todas as moradas do Pai. Sempre estaremos acompanhados dos mentores amorosos que nos guiam e nos esperam, numa paciência sem fim aliada a uma compaixão sem limites. Preferimos escolher outras companhias, que vibram ainda arraigadas ao sexo, ao dinheiro, ao poder e principalmente ao egoísmo, e por isso as companhias espirituais da Terra são ainda na sua maioria de espíritos atrasados.

Na medida em que ganhamos discernimento, mais responsabilidade vamos tendo no processo renascer, e mais valor damos a esse momento mágico que constitui nossa volta ao plano de provas e expiações libertadoras.
Imagine que você poderia ter a chance de viajar para um país estrangeiro, distante, onde ninguém saberia quem você é, o que fez, podendo recomeçar do zero. O que você prometeria? O que mudaria? Se tivesse orientadores amorosos, que conselhos eles lhe dariam? Pois foi exatamente isso que aconteceu conosco antes de reencarnar. Habitando o plano espiritual, fomos acolhidos em uma colônia espiritual. Alguns de nós puderam ir a colônias mais bonitas e luminosas, com grandes Universidades. Passaram anos estudando e trabalhando tentando interiorizar os ensinamentos superiores, e envolvidos naquele ambiente de paz e amor fraternal, puderam alçar vôos mais altos.

Outros foram levados a colônias mais perto da Terra, às vezes postos de socorro em zonas umbralinas, mas também construídas em um ambiente de trabalho e amor, podendo ali, refazer suas energias e aprender a trabalhar em prol do outro, a favor de sua recuperação, pois na maioria das vezes, ao desencarnar, levamos a consciência culpada, pelas promessas não compridas e pelo tempo perdido em banalidades sem fim.

Independente do local aonde fomos acolhidos, e do tempo que ficamos na erraticidade, chegou um dia em que aqueles que se ligam a nós por laços de amor secular e às vezes milenar, se reuniram conosco no momento crucial de definir as metas e soluções para que nossa vida atual pudesse ser a mais proveitosa possível do ponto de vista espiritual.

Reunidos em salas apropriadas nessas colônias, relembramos cenas do passado recente ou distante, pormenorizando nossas falhas e acertos, sendo assistidos por médicos e técnicos do astral que se especializaram em preparar reencarnações. Muitas vezes ligados em excesso a culpa que nos assola o coração e a consciência, atrapalhávamos o processo de renascimento, querendo carregar mais do que poderíamos, ou em outro extremo, pretendendo fugir das responsabilidades, como crianças que solicitam ao professor o adiamento da prova.
Mas os mentores amorosos, imbuídos da sabedoria necessária a melhor nos orientar, traçam os caminhos gerais de nossa vida terrena, deixando que nosso livre-arbítrio seja nosso guia dentre de determinados limites que devem nos proteger. São definidos os pais, em encontro na espiritualidade que visa dirimir eventuais antipatias e iniciar um vínculo energético que sustentará a gestação.

Momentos de medo, tensão, angústia, naturais antes de qualquer viagem, aconteceram com todos nós. Tivemos medo de errar, de não estar à altura da expectativa criada nas reuniões com os mentores. O temor maior era esquecer completamente nossas missões individuais, pois uma vez aqui encarnados, não estaríamos mais envoltos naquele ambiente de amor e trabalho dedicado ao Cristo que tanto facilitava nossa vida no plano espiritual.

Uma vez iniciado o processo de miniaturização, para acoplamento do nosso corpo perispiritual com o zigoto em formação, mergulhamos no esquecimento abençoado, embalados no sono da esperança, mas isso já é assunto para outro dia.

Se temos a oportunidade de acreditar na reencarnação, mesmo não nos lembrando de forma clara de nossa missão e compromissos assumidos na espiritualidade, devemos fazer o máximo para que o Cristo viva em nossos atos diários, caminhando rumo ao Pai maior.

Fonte: Revista Cristã de Espiritismo

20 março 2010

O Retorno do Apóstolo Chico Xavier - Joanna de Ângelis

O RETORNO DO APÓSTOLO CHICO XAVIER

Quando mergulhou no corpo físico, para o ministério que deveria desenvolver, tudo eram expectativas e promessas.

Aquinhoado com incomum patrimônio de bênçãos, especialmente na área da mediunidade, Mensageiros da Luz prometeram inspirá-lo e ampará-lo durante todo o tempo em que se encontrasse na trajetória física, advertindo-o dos perigos da travessia no mar encapelado das paixões bem como das lutas que deveria travar para alcançar o porto de segurança.

Orfandade, perseguições rudes na infância, solidão e amargura estabeleceram o cerco que lhe poderia ter dificultado o avanço, porém, as providências superiores auxiliaram-no a vencer esses desafios mais rudes e a crescer interiormente no rumo do objetivo de iluminação.

Adversários do ontem que se haviam reencarnado também, crivaram-no de aflições e de crueldade durante toda a existência orgânica, mas ele conseguiu amá-los, jamais devolvendo as mesmas farpas, os espículos e o mal que lhe dirigiam.

Experimentou abandono e descrédito, necessidades de toda ordem, tentações incontáveis que lhe rondaram os passos ameaçando-lhe a integridade moral, mas não cedeu ao dinheiro, ao sexo, às projeções enganosas da sociedade, nem aos sentimentos vis.

Sempre se manteve em clima de harmonia, sintonizado com as Fontes Geradoras da Vida, de onde hauria coragem e forças para não desfalecer.

Trabalhando infatigavelmente, alargou o campo da solidariedade, e acendendo o archote da fé racional que distendia através dos incomuns testemunhos mediúnicos, iluminou vidas que se tornaram faróis e amparo para outras tantas existências.

Nunca se exaltou e jamais se entregou ao desânimo, nem mesmo quando sob o metralhar de perversas acusações, permanecendo fiel ao dever, sem apresentar defesas pessoais ou justificativas para os seus atos.

Lentamente, pelo exemplo, pela probidade e pelo esforço de herói cristão, sensibilizou o povo e os seu líderes, que passaram a amá-lo, tornou-se parâmetro do comportamento, transformando-se em pessoa de referência para as informações seguras sobre o Mundo Espiritual e os fenômenos da mediunidade.

Sua palavra doce e ungida de bondade sempre soava ensinando, direcionando e encaminhando as pessoas que o buscavam para a senda do Bem.

Em contínuo contato com o seu Anjo tutelar, nunca o decepcionou, extraviando-se na estrada do dever, mantendo disciplina e fidelidade ao compromisso assumido.

Abandonado por uns e por outros, afetos e amigos, conhecidos ou não, jamais deixou de realizar o seu compromisso para com a Vida, nunca desertando das suas tarefas.

As enfermidades minaram-lhe as energias, mas ele as renovava através da oração e do exercício intérmino da caridade.

A claridade dos olhos diminuiu até quase apagar-se, no entanto a visão interior tornou-se mais poderosa para penetrar nos arcanos da Espiritualidade.

Nunca se escusou a ajudar, mas nunca deu trabalho a ninguém.

Seus silêncios homéricos falaram mais alto do que as discussões perturbadoras e os debates insensatos que aconteciam a sua volta e longe dele, sobre a Doutrina que esposava e os seus sublimes ensinamentos.

Tornou-se a maior antena parapsíquica do seu tempo, conseguindo viajar fora do corpo, quando parcialmente desdobrado pelo sono natural, assim como penetrar em mentes e corações para melhor ajudá-los, tanto quanto tornando-se maleável aos Espíritos que o utilizaram por quase setenta e cinco anos de devotamento e de renúncia na mediunidade luminosa.

Por isso mesmo, o seu foi mediunato incomparável.

...E ao desencarnar, suave e docemente, permitindo que o corpo se aquietasse, ascendeu nos rumos do Infinito, sendo recebido por Jesus, que o acolheu com a Sua bondade, asseverando-lhe:

- Descansa, por um pouco, meu filho, a fim de esqueceres as tristezas da Terra e desfrutares das inefáveis alegrias do reino dos Céus.

Joanna de Ângelis
Divaldo P. Franco, no dia 2 de julho de 2002,
no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

19 março 2010

Indulgência Permanente - Joanna de Ângelis

Indulgência Permanente

Escasseia, cada vez mais, no comportamento humano, a indulgência.

Relevante para o êxito da criatura em si mesma e em relação ao próximo, o pragmatismo negativo dos interesses imediatos vem, a pouco e pouco, desacreditando-a, deixando-a à margem.

Sem a indulgência no lar, diante das atitudes infelizes dos familiares ou em referência aos seus equívocos, instala-se a malquerença; na oficina de atividades comerciais, produz a desconfiança; no trato social propicia o desconforto moral e responde pelo competição destrutiva.. .

Tentando substituí-la, as criaturas imprevidentes colocam nos lábios a mordacidade no trato com o semelhante, a falsa superioridade, a ofensa freqüente, a hipocrisia em arremedos de tolerância.

A indulgência para com as faltas alheias é perfeita compreensão da própria fragilidade, a refletir-se no erro de outrem, entendendo que todos necessitam de oportunidade para recuperar-se, e facultando-a sem assumir rígido comportamento de censor ou injustificável postura de benfeitor.

A indulgência é um sentimento de humanidade que vige em todas as pessoas, aguardando desdobramento e vitalidade que somente o esforço de cada qual logra realizar.

É calma e natural, fraterna e gentil, brotando como linfa cristalina alcance do sedento.

Generosa, não guarda qualquer ressentimento, olvidando as ofensas a benefício do próprio agressor.

A indulgência é um ato de amor que se expande e de caridade que se realiza.

Mede-se a conquista moral de um homem pelo grau de indulgência que possui em relação aos limites e erros alheios.

Ninguém que jornadeie, no mundo, sem errar e que, por sua vez, não necessite da indulgência daqueles a quem magoa ou contra os quais se levanta.

A indulgência pacifica o infrator, auxiliando-o a crescer em espírito e abre áreas de simpatia naquele que a proporciona.
Virtude do sentimento, a indulgência revela sabedoria da razão Agredido pela ignorância do poviléu, ou pela astúcia farisaica, ou pela covardia dos amigos, ou pela pusilanimidade de Pilatos, Jesus foi indulgente para com todos, não obstante jamais houvesse recebido ou necessitasse da indulgência de quem quer que fosse.

Lecionando o amor, toda a Sua vida é um hino à indulgência e uma oportunidade de redenção ao equivocado.

Sê, pois, tu também, indulgente em relação ao teu próximo, quão necessitado te encontras da indulgência dos outros assim como da Vida.

Por: Joanna de Ângelis
Do livro: Viver e amar,
Médium: Divaldo Pereira Franco - Editora Leal

18 março 2010

Convite à Solidariedade - Joanna de Ângelis

Convite à Solidariedade

São muitos os necessitados que desfilam aflições, aguardando entendimento e socorro.

Uns estão assinalados rudemente por deformidades visíveis que constituem a cruel recidiva de que precisam para aprender conduta e dever.

Outros se encontram sitiados por limitações coercitivas que funcionam como presídio correcional, a fim de os habilitarem para futura convivência social.

Alguns se apresentam com dificuldades no raciocínio e na lucidez, embora a aparência harmoniosa, como se fossem estetas da forma emparedando misérias mentais que os ensinam a valorizar oportunidade e bênção.

Diversos conduzem feridas expostas, abertas em chagas purulentas, com que drenam antigas mazelas e corrigem paixões impressas nos painéis do perispírito, submetido à terapêutica renovadora.

Vários estão estigmatizados a ferro e fogo, padecendo dores morais quase superlativas, em regime de economia de felicidade, exercitando as experiências da esperança.

Um sem número de atados à fome e à discriminação racial sob acicates poderosos, estão treinando humildade para o futuro.

Todos aguardando piedade, ensejo para conjugarem os verbos servir e amar. Há outros, porém, esperando solidariedade.

São os construtores do ideal edificante, os servidores desinteressados, os promotores da alegria pura, os trabalhadores da fraternidade, os governantes honestos, os capitães da indústria forjados no aço da honradez, os pais laboriosos, os mestres e educadores fiéis ao programa do bem.

Sim, não apenas os que pagam o pretérito culposo, mas, sobretudo, os que estão levantando o Mundo Novo dos escombros que jazem no chão da Humanidade. Nobre e fácil chorar a dor ao lado de quem sofre.

Felizes, também, os que podem oferecer-se, solidários, aos que servem e amam ao Senhor, não obstante os diversos nomes e caminhos pelos quais se desvelam, operários da Era Melhor do amanhã ditoso.

Solidariedade, também, para com os que obram no bem.

Por: Joanna de Ângelis
Do livro: Convites da Vida,
Médium: Divaldo Pereira Franco - Editora Leal

17 março 2010

O Ensinamento -

O Ensinamento

Fala a criatura ao Criador, na oração. Fala o Criador à criatura, na pregação.

A linguagem do louvor, ou da súplica, sobe da Terra.

A palavra de consolo, ou de advertência, desce das Alturas.

Há muitos que ivestigam o pregador de existência claudicante e repelem a mensagem divina, esquecidos de que eles mesmos alimentam o corpo com os frutos da natureza, criados nas adjacências da lama.

Deus, que desabotoa flores perfumadas no pântano, pode colocar as glórias da revelação em lábios ainda impuros.

Ninguém saborearia as folhas tenras da alface à mesa festiva, com a mente voltada para os vermes da horta.

O cântaro lodoso pode recolher a água cristalina da chuva, para socorrer o viajor alquebrado pela canícula.

Não desprezemos, por bagatelas da carne ambulante e frágil, os dons da luz eterna.

As notícias do Reino Divino podem chegar até nós por intermédio das inteligências mergulhadas nas trevas, assim como os relâmpagos de clarão deslumbrante faíscam dentro da noite escura.

Importa, em todos os lugares e em tudo, ver o melhor e escolher a boa parte.

A frase que acende em nós a flama da virtude ou que nos inclina à meditação, que nos torna o sentimento mais doce e o raciocínio mais elevado, é uma flor celeste, desabrochando no tronco do nosso pensamento inferior e primitivo, por miraculoso processo de enxertia divina.

“Aquele que julga estar de pé, olhe não caia” – disse o apóstolo Paulo; e o apóstolo Tiago assevera à cristandade: - “Toda boa dádiva vem do Alto.”

Que possuirá o homem de excelente, que lhe não tenha sido prodigalizado de Cima?

Ainda mesmo quando na boca de um criminoso confesso, a palavra do bem é fruto precioso do amor de Deus, amadurecido nos galhos tristes do arrependimento humano.

Em todos os tempos e em todos os círculos de atividade comum, a argumentação restauradora e santificante da fé representa a conversação do Pai com os filhos, entre a misericórdia e a necessidade.

Ninguém se suponha esquecido pelo Senhor, porque o senhor nos dirige a palavra, através de todo verbo construtivo que nos leve ao bem.

“O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje” – afirma a prece dominical.

Mal-avisados viveríamos se nos julgássemos precisados tão-só de viandas fortalecedoras do corpo em trânsito para as cinzas do túmulo. Referia-se Jesus, muito mais, ao pãp espiritual do coração e da consciência, no santuário da alma que nunca morre, pão que é alimento da palavra enobrecedora, do esclarecimento dígno, da cultura edificante e da elevação divina.

Onde luzir o verbo da bondade que auxilia e educa, aí se reflete, magnânima, a voz da Providência.

Cada vez que imploramos os favores do Altíssimo, não nos esqueçam os recados e os avisos, as lições e as advertências que havemos recebido do Amoroso Senhor.

Por: André de Cristo
Do livro: Falando à Terra,
Médium: Francisco Cândido Xavier - Autores Diversos

16 março 2010

Benfeitores Encaminharão - Orson Peter Carrara,

JustificarBenfeitores Encaminharão

No belo romance O abridor de latas, do conhecido autor Wilson Frungilo Jr., editado pelo Instituto de Difusão Espírita de Araras, há uma sugestão que merece nossa máxima atenção nesses mementos difíceis da humanidade. Ela está na página 146 da 1ª. edição, de fevereiro de 2009, no capítulo XII – Na Feira.

Permito-me transcrever o parágrafo, que começa na página 145, para apreciação do leitor, claro por si só na proposta que ora espalhamos na presente abordagem:

“(...) – Meu irmão, fazemos parte de uma porcentagem muito pequena de criaturas que, pelo conhecimento que temos da Doutrina Espírita, da continuidade da vida, das leis de justiça, das oportunidades que Deus, nosso criador, nos oferece, da oportunidade de nos reencontramos com os que mais amamos, após a desencarnação, da possibilidade do contato mediúnico com aqueles com quem mais temos afinidade, somos mais felizes que aqueles que ainda não tiveram essa oportunidade de conhecer a Religião dos Espíritos. Por isso, meu irmão, devemos retribuir tudo isso, divulgando essa Religião, levando todos esses conhecimentos a eles. E o que podemos fazer? Como começar? (...)”

É aí que surge a sugestão do livro, como resposta à indagação dentro do próprio texto e agora já na página 146:

“(...) É muito simples: quando tiver uma oportunidade, compre um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo e presenteie alguém que sabe em dificuldades, alguém que sabe estar sofrendo ou, então, se não tiver alguém para oferecer esse presente, simplesmente esqueça-o em algum lugar. Pode ser num banco de jardim, num ônibus, numa sala de espera de um consultório médico ou na poltrona de um cinema e deixe que a Espiritualidade Maior faça o resto. Com toda certeza, ela saberá direcionar um infeliz até essa dádiva que são os ensinos de Jesus sob a óptica da Doutrina Espírita. São benditas ferramentas que devemos espalhar para quem possam ser utilizadas por esses trabalhadores de Jesus. Essa, também, é uma maneira de fazer o bem. (...)”.

A sugestão abriu um leque de possibilidades. A riqueza dessa incomparável obra, especialmente com o conteúdo exponencial de seu capítulo V – Bem-aventurados os aflitos – o mais longo da obra – e um referencial para atender às aflições humanas, faz-nos pensar na riqueza da sugestão, que pode ser ampliada para as demais obras da Codificação. Já imaginou o leitor se cada adepto espírita “esquecer” uma das obras básicas em algum banca ou padaria, farmácia, metrô, ônibus, cinema ou supermercados? Quanta gente se beneficiará??!! Estaremos distribuindo luzes no coração de muita gente.

Aí pensei ainda que palestrantes e dirigentes, coordenadores das casas igualmente pode espalhar essa idéia, motivando outras pessoas. O mesmo raciocínio cabe na divulgação que podemos fazer dos clássicos romances de Emmanuel, fonte inesgotável de ensinamentos para acalmar, consolar e orientar o sofrido coração humano. Sempre citá-las, distribuí-las, incentivar sua leitura, comentar nas reuniões e palestras. Ah! Deus! Quantas benções daí serão extraídas!!!

Quando fico a pensar no quanto nos cabe fazer, essa sugestão é maravilhosa, porque é algo que todos podemos fazer. O último capítulo de A Gênese, por exemplo, esquecido... O conteúdo de O Livro dos Médiuns e a preciosidade de O Livro dos Espíritos ou o tesouro que está em O Céu e o Inferno, ou nos belos textos de Emmanuel em Há 2.000 anos, 50 anos depois, Renúncia, Ave Cristo! e Paulo e Estêvão. Quantos tesouros de orientação!

E tudo pode ser iniciado, “esquecendo-se” algum desses livros para que os Benfeitores encaminhem seu conteúdo a alguém que deles se utilizará para saciar sua sede de conhecimento, confortando seu coração e orientando seu caminho. É algo que podemos fazer, convenhamos...

Por: Orson Peter Carrara

15 março 2010

Três Almas - Mâncio da Cruz

Três Almas

Na antecâmara do Céu, três almas se reuniam, à espera do anjo da Passagem, que, por fim, veio atendê-las no etéreo limiar.

Uma em veste branca, outra em traje dourado e a última em roupagem escura.

A primeira, ostentando nívea túnica, ataviada de linfas guirlandas, erguia a desassombrada cabeça e dizia sem palavras: - “quem mostrará maior pureza que a minha?”.

O mensageiro acolheu-a com bondade e abriu-lhe a porta de acesso; contudo, ao transpô-la, como que aturdida por invisíveis raios, a entidade recuou, exclamando:

- Não posso! Não posso!...

Disparando interrogações ao vigilante fiscal, explicou-se este, afetuoso:

- Realmente, envergas o manto lirial, mas o teu coração permanece pesado e escuro. A beleza de tua veste não representa virtude, porque te acovardaste ante a luta. Salvaste as aparências, à custa do suor alheio. Outros choraram e sofreram, para que te mantivesses na pureza externa. Volta ao mundo e santifica o vaso do sentimento.

Adiantou-se a segunda entidade, exibindo dourada coroa na fonte. De aspecto grave, na bela túnica jalde em que se envolvia, pensava: - “quem saberá mais do que eu?”

Do sagrado pórtico, no entanto, retrocedeu, com expressão de terror, e, fazendo perguntas ao anjo, dele ouviu novos esclarecimentos:

- Mostras a glória do saber, mas o teu coração jaz inerte e enregelado. Adquiriste a palma da ciência; todavia, como pudeste esquecer o labor dos que padecem pela exaltação do bem? Torna à casa dos homens e acorda para a compaixão, para o auxílio e para a caridade.

- Logo após, a terceira aproximou-se hesitante, atendendo ao chamado que o emissário do alto lhe dirigia.

Trazia a fronte humilhada e a vestidura coberta de lama e cinza. Abeirou-se, em lágrimas, do milagroso portal, exclamando consigo: - “Senhor, que será de mim?”

Em se colocando, porém, à frente das forças que fluíam da abertura, claridade radiosa se fez em torno dela e o que era barro e fuligem transformou-se em luz que parecia nascer-lhe do peito, no imo do coração transformado em sol.

A alma extática e venturosa partiu, demandando os resplandecentes cimos.

E, porque as duas almas incapazes da subida lhe dirigissem novas inquirições, o funcionário angélico esclareceu:

- Vimos agora um coração diligente na obra do amor universal. Aquele viajante, que ora se dirige para o Trono Eterno, veio até nós em condições que nos pareciam desfavoráveis; no entanto, a lama que lhe extravasava das mãos e dos pés, a nuvem de pó que lhe cobria o rosto e os braços, enegrecendo-lhe as vestes, eram os remanescentes da calúnia, da ironia, da maldade e da ingratidão que lhe foram atiradas na Terra por muitos e que ele suportou, com paciência, durante longo tempo, na obra da fraternidade entre as criaturas. As úlceras que se lhe abriram na alma ditosa, porém, transubstanciaram-se em pontos de sintonia com a luz celestial, que nele se inflamou, vigorosa e sublime, descortinando-lhe o caminho da imortalidade. Determina a justiça receba cada um de acordo com as suas obras.

E enquanto o obreiro aprovado se elevava, célere, no Infinito, a alma branca e a alma dourada volviam ao mundo de matéria espessa, a fim de diplomarem, convenientemente, no aprendizado divino do “fazer e servir”.

Por: Mâncio da Cruz
Do livro: Falando à Terra,
Médium: Francisco Candido Xavier – Espíritos Diversos

14 março 2010

Obsessão Sutil e Perigosa - Manoel Philomeno de Miranda

OBSESSÃO SUTIL E PERIGOSA

Uma forma de obsessão perigosa é aquela que passa quase despercebida e se instala vagarosa e firmemente nos painéis mentais, estabelecendo comportamentos equivocados com aparência respeitável.

Apresenta-se em pessoas que denotam grave postura e sabem conquistar outras pela facilidade de comunicação verbal, tornando-as afáveis e gentis, desde que não tenham os seus caprichos e interesses contrariados. Dão impressões sociais que não correspondem ao seu estado real, porquanto adotam comportamentos parasitas que os credenciam a supor-se méritos que não possuem.

Interiormente, vivem sob conflitos que disfarçam com habilidade, daí nascendo, dessa dupla atitude para com a vida, situações neurotizantes que desarticulam o equilíbrio emocional, igualmente sob o bombardeio das farpas mentais destrutivas dos seus inimigos espirituais.

São galantes, em grupo, e a sós, taciturnos; idealistas, na comunidade, aplicando teorias verbais, que não demonstram em atos, porque não creem nelas; cordiais exteriormente, todavia, arrogantes e sem resistências para as lutas morais.

Nesse clima psíquico, que ressuma das experiências de vidas passadas, hospeda-se o agressor desencarnado que insufla maior dose de indiferença pelos problemas alheios, desbordando o egocentrismo que termina por aliená-los enquanto agasalham e vitalizam as paixões dissolventes.

Esse tipo de perturbação espiritual é mais difícil de erradicá-la, em razão de o paciente negar a sua situação de enfermo, antes comprazendo-se nela, porque o narcisismo a que se entrega, converte-se em autofascinação por valores que se atribui e está longe de os possuir, anulando qualquer contribuição que lhe é oferecida.

Somente a humildade, que dá a dimensão da pequenez e fraqueza humana ante a grandiosidade da vida, faculta uma visão legítima, através da qual se pode fazer uma justa avaliação de recursos, recorrendo-se à Divindade pela prece ungida de amor, antídoto eficaz para os distúrbios obsessivos.

A prece liberta a mente viciada dos seus clichês perniciosos e abre a mente para a captação das energias inspiradoras, que fomentam o entusiasmo pelo bem e a conquista da paz através do amor. Entretanto, a fim de que se revista de força desalienante, ela necessita do combustível da fé, sem a qual não passa de palavras destituídas de compromisso emocional entre aquele que as enuncia e a Quem são dirigidas. Ainda, nesse capítulo, impõe uma atitude de recolhimento e concentração para que se exteriorize a potencialidade pela vontade que anela, dirigida pela certeza de que alcançará o destino.

Uma das primeiras atitudes do obsidiado com as características a que nos reportamos, é o desdém à oração por acreditar que não a necessita, outrossim, duvidando da sua eficácia ou menosprezando-lhe a utilidade.

Exacerbado nos seus sentimentos infelizes, o paciente auto-realiza-se, adotando uma atitude de falsa superioridade com a qual anestesia os centros da razão e deleita-se no estado em que se encontra. A largo prazo, porém, perde o controle sobre a vontade, que deixa de dirigir, sob a injunção pertinaz, tornando-se ostensivamente agressivo e desfazendo a aparência, que cede lugar ao desequilíbrio que se lhe instalou com forte penetração nos mecanismos nervosos.

Nesse quadro de obsessão constritora, encontram-se inumeráveis indivíduos hospedando adversários que os vampirizam demoradamente, até culminarem o desforço com os golpes largos das quedas na loucura, no crime ou no suicídio.

De "Painéis da Obsessão",
de Divaldo Pereira Franco,
pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda

13 março 2010

Você acredita em reencarnação? - Momento Espírita

Você acredita em reencarnação?

Você acredita em reencarnação? Hoje, um número muito grande de pessoas, independente da crença religiosa, crê que nascemos muitas vezes.

Acredita que voltaremos vezes inúmeras a este planeta.

Isso porque experiências no campo da psicologia, entre outras, têm demonstrado que essa é uma verdade inconteste.

Alguns pesquisadores e cientistas igualmente já incorporaram essa verdade, provada por anos de experimentações, envolvendo, entre elas, a regressão de memória.

De forma muito estranha, no entanto, não temos nos comportado como quem acredita nessa verdade.

Vejamos o exemplo do nosso planeta. Seria óbvio que, se temos a certeza de que retornaremos a este local, desejássemos que ele nos oferecesse, nesse retorno, as melhores condições de vida.

Entretanto, que fazemos? Preocupamo-nos em preservar a mata?

Os exemplos demonstram que um número expressivo de nós está mais preocupado em ganhar dinheiro.

Dinheiro para gastar agora, nesta vida, sem pensar no futuro. Dinheiro para adquirir uma mansão, um carro, um iate. Dinheiro para viajar pelo mundo e gozar esta vida.

Não estamos absolutamente pensando que se o desmatamento prosseguir, teremos problemas para respirar, para a manutenção das chuvas regulares, para a preservação dos mananciais.

Aliás, as reservas do precioso líquido, água, não estão a nos merecer maior atenção?

Destruímos as matas ciliares, em total desleixo pela preservação de rios preciosos. Tudo porque a lavoura que nos garantirá dinheiro é mais importante do que zelarmos pela natureza.

Quando muito bem poderíamos, com um pouco menos de ambição, ter boa colheita e preservar o meio ambiente.

Um pouco de investimento, maior cuidado, mais atenção.

E quanto à camada de ozônio, cujo buraco se amplia a cada ano, que temos feito?

Preocupamo-nos em não utilizar materiais que a agridam, de forma paulatina?

Ou estamos mais preocupados em gozar dos bens que a vão destruindo?

Temos zelado e exigido que as nossas indústrias criem mecanismos não invasivos a esse precioso espaço que nos preserva a saúde?

Que estamos construindo para o nosso futuro?

Vivemos exatamente como quem, de forma egoística, vê somente o hoje.

O importante é gozar o mais possível. As gerações futuras haverão de dar um jeito para sua sobrevivência.

Damo-nos conta de que as gerações do futuro, por essa lei chamada reencarnação, seremos nós mesmos de retorno?

Que planeta estamos preparando para nós?

Se somos tão egoístas a ponto de não pensar em nossas crianças, esses pequenos que nos merecem todo cuidado, será que pensamos no que estamos deixando para nós mesmos, no amanhã que virá?

A reflexão se faz de oportunidade. Não se trata de um mero apelo, ou de digressões filosóficas, visando convencimento de quem quer que seja.

Trata-se de uma questão de bom senso e discernimento.

Por isso, pensemos: onde desejamos ser recebidos, em nosso retorno?

Num planeta árido, enfermo, com condições insalubres?

Ou num planeta abençoado pela mata verde, o ar puro, as fontes cristalinas cantando melodias de vida?

Um planeta de pedras e montanhas de picos agudos, nus, erguendo-se para o céu?

Ou um local cheio de flores, pássaros cantantes e animais de espécies variadas, mantendo o perfeito equilíbrio ecológico?

A decisão nos pertence. O amanhã depende de nós. A hora de construir e preservar é agora.

O melhor local: onde nos encontramos, no lar, na escola, no escritório, na rua.

Pensemos nisso!


Momento Espírita

12 março 2010

O Vaso - Maria Ida Bachega Bolçone

O VASO

A vida em nossa casa sempre foi tranquila e agradável. Nunca tivemos problemas sérios com doenças, apenas algumas gripes passageiras ou pequenos arranhões conseguidos nas brincadeiras.

Porém, eu observava pessoas passarem por sofrimentos profundos. Muitas dúvidas a esse respeito estavam em minha cabeça e procurei trocar ideias com mamãe.

Ela estava pregando botões em uma camisa quando entrei na sala e disse:

- Sabe, mamãe, tenho pensado muito na Lucinha. Ela nasceu com aquele defeito na perna. Tem passado por muitas cirurgias e longos períodos na cama, sem brincar. Por que ela não nasceu perfeita como eu? Isto não é injusto?

Mamãe colocou a camisa sobre a mesa, pegou-me pela mão e pediu que a acompanhasse até a varanda onde estavam alguns de seus vasos.

- Veja - disse ela - que a planta desse vaso cresceu em um lugar muito sombrio, recebendo pouca luz. Observe que seu caule está bem fino, muito alongado, podendo se dobrar e quebrar com facilidade. Suas folhas estão miúdas e amareladas. É uma planta muito frágil, pois faltou luz.

"Agora venha ver este outro vaso que está recebendo luz por todos os lados. Como está a planta?"

- Ora, mamãe, é a mais bonita de todas! O caule é forte e resistente e as folhas são grandes, bem verdes e viçosas.

- Você sabe, filha, que a semente traz guardado dentro de si aquilo que a planta será. Ao sair de dentro da terra, ela começa a mostrar o tipo de planta que é. O sol a faz forte e a falta de luz a torna frágil.

" O mesmo acontece conosco. Quando nascemos, trazemos gravado dentro de nós tudo o que fizemos no passado. Pode ter acontecido que em outras existências tenhamos usado mal os bens que Deus nos deu, prejudicando outras pessoas. Assim, lesamos a nossa consciência com o erro praticado.

" Sabemos que a Justiça Divina é perfeita. Deus, em sua infinita bondade, permite que a ferida que está em nossa consciência seja curada. O sofrimento é um dos remédios para esta cura. Perceba que o sofrimento é uma benção em nosso caminho; é a luz que fortalece a criatura, como a luz fortalece a planta.

" A causa do sofrimento de Lucinha não está na vida presente, e, sim, em outras vidas que ela já viveu, pois já nasceu com o defeito na perna. O sofrimento é a luz que ela está recebendo para crescer espiritualmente e curar a ferida de sua alma. Cabe a nós ajudá-la muito, confortando-a, dedicando-lhe muito amor. Assim, ela vai se sentindo encorajada em vencer esta prova difícil, e nós vamos colocando em prática a sublime lição da caridade que Jesus nos ensinou".

Fiquei satisfeita com a explicação de mamãe.

Deus não é injusto.

Cada um de nós é responsável por aquilo que faz, e recolhe sempre as consequências do que fizer de bom ou de ruim.

De "A vida ensinou", de Maria Ida Bachega Bolçone