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31 dezembro 2011

Os Medos das Crianças - Raul Teixeira



Os Medos das Crianças

São tão bonitas as nossas crianças! Desde recém-nascidas aprendemos a cultuar as nossas crianças como sendo as nossas jóias.

Nossas crianças de fato merecem essa assistência, esse carinho, essa atenção. Mas, é curioso perceber que, muitas vezes, desde cedo, muito cedo, elas apresentam os medos, os temores e, muito dificilmente, nós nos damos conta desses medos, desses temores, o porquê disso existir.

Por que é que nossas crianças têm medos? Medos dos mais variados. Há crianças que não ficam no quarto escuro de jeito nenhum. As mães precisam colocar aquelas lampadazinhas de baixa intensidade para que a criança tenha a segurança de que está num ambiente iluminado, ainda que parcamente. É muito interessante perceber isto, porque nas famílias são poucos os pais que dão atenção a esses medos infantis. Muitas vezes atribuem que seja falta de vergonha da criança, que seja mimo demais. Cada um diz uma coisa. Pode ser que haja mimo, pode ser que haja a sem-vergonhice da criança para ficar junto com a mãe. No entanto, é importantíssimo que olhemos os medos da criança com olhar mais psicológico.

Por que é que ela tem medo, se nunca lhe pusemos medo? Se nunca impusemos medo aos nossos filhos de onde é que vêm esses medos? Jamais lhe falamos alguma coisa que pudesse impor-lhe qualquer medo.

Vale a pena pensar que nossas crianças, nossos filhos são Espíritos. Sim, nossos filhos são Espíritos e como Espíritos eles agem, como Espíritos eles procedem. E porque nós somos espiritualistas e acreditamos que nossos filhos sejam Espíritos, muitas vezes é necessário entender que eles vieram de alguma região espiritual para a Terra, para o nosso encontro. São almas ligadas a nós, de passado próximo ou de passado remoto, ou que estão contato conosco pela primeira vez, mas são Espíritos. Muitas entidades espirituais ficam retidas nessas regiões do Além durante muito tempo. Algumas, atravessando dificuldades em função das vidas pretéritas; outras, com menos problemas, em função da vida passada.

Naturalmente, quando pensamos nisso, poderemos cogitar se esse medo expresso por nossa criança não vem dessas experiências no Além, antes de que chegasse à Terra. Desse modo, vale a pena que nós não imponhamos à criança essa resistência ao medo.

Se, por acaso, ela estiver apresentando medo de escuridão, não lhe obriguemos a ficar num lugar escuro. Poderemos criar-lhe traumas de difíceis conseqüências para o seu futuro. Será importantíssimo que nós trabalhemos para que ela fique bem e, como falamos, as mães colocarem uma lampadazinha de baixa intensidade para que a criança se sinta confortável.

Às vezes, ela acorda chorando e os pais imaginam que seja manha para ir para a cama do casal. Pode ser que seja, mas como não teremos certeza, enquanto esta certeza não tivermos, vamos atender a nossa criança. Não haverá nenhum problema que ela fique um pouco junto de nós e quando ela durma, quando ela se acalme, nós a levaremos para a sua caminha de novo.

Há muitas crianças que sofrem pesadelos tanto quanto os adultos sofremos pesadelos e, como elas não sabem dizer, elas poderão dizer que viram bichos, que viram monstros e nós, se não tivermos essa sensibilidade, estaremos criando um problema muito mais sério, muito mais grave para os nossos filhos do que se nós estivermos lhes.dando agasalho.

Medos em crianças precisam ser analisados porque, afinal de contas, nossos filhos são Espíritos e como Espíritos carregam as pressões do seu passado, de sua vida anterior a essa, ou de suas vidas anteriores a essa. E, por causa dessa pressão, tudo pode acontecer.

Antigos adversários que as acompanham, seres da família e que elas, não tendo consciência, poderão assustar-se ao vê-los, no seu desprendimento pelo sonho.

Daí, então, vamos conversar com a nossa criança, trabalhar para que se.lhe diminua a intensidade do medo, mostrar para ela que não há razão para ela ter medo. Por que? Porque ela está dentro de casa, junto do papai, junto da mamãe, junto aos irmãos. Mas não vamos menosprezar essa reação que a nossa criança possa apresentar de medo, de pavor em muitas ocasiões. Afinal de contas, nós precisamos agasalhar com carinho os nossos filhos.

* * *

Falamos, desse modo, desse cuidado com os nossos filhos, com as nossas crianças, exatamente pelas condições psicológicas dos nossos pequenos. É importante, porém, que não seja obra dos pais, ou dos adultos colocar medo nas crianças.

É muito comum, na tentativa de abolir determinado comportamento da criança, que os pais lhe imponham medos, medos do papão, do bicho papão, para fazê-la dormir.

Às vezes, as mães, com intenções as mais variadas, colocam nos seus filhos medos do velho, do guarda, da polícia, medo do preto, medo da mulher, medo completamente irracional.

As crianças não têm ainda condições de discernir, elas não conseguem ainda avaliar o que signifique isto que seus pais ou que um adulto lhes esteja dizendo. Ela então se perturba, se amofina, se apoquenta, sem saber como sair dessa situação.

Nós criamos, na mente infantil, esses quadros dantescos que, na imaginação criativa da criança, ganham uma forma inusitada, uma extensão inimaginável e uma intensidade brutal. Quantas e quantas vezes problemas sérios, que acompanharão a criatura até a idade adulta nasceram nesses medos na infância.

Dessa maneira, vale a pena ter muito cuidado com medos de nossas crianças. Por vezes, elas apresentam medos de determinados bichos, medo de aranha, medo de barata, bichos que aparecem em casa, medo da lagartixa. Tanto quanto seja possível, se seus pais não forem dotados deste mesmo medo, poderão mostrar para as crianças que esses são animais inofensivos. Deverão ensinar a elas a ter cuidados porque pode ser animal que traga algum tipo de enfermidade, pelos lugares por onde passeie. Como nós aprendemos a espantar as moscas porque elas pousam em qualquer lugar, os mosquitos, muitas vezes será necessário ensinar às crianças a respeito da questão higiênica: porque é que não temos determinados tipos de animais na nossa convivência, mas não porque elas devam ter medo, não porque os pequenos devam temer isso, mas o cuidado.

Ensinar. Sempre que ensinamos, nós libertamos a criança. Deixamos de ensinar, a criança fica escrava do medo irracional.

Quantos adultos inseguros não ficam em casa sozinhos jamais, não saem à rua sozinhos jamais, não viajam jamais a sós... E quando nós vamos buscar as razões disso, as raízes de tudo isso, as raízes se encontram nos medos que lhes foram inculcados na infância.

É tão importante uma vida sem medo, mas com cuidados. Não temos medo de escuridão, mas sabemos que não devemos passar por lugares inóspitos, escuros em determinados horários, porque há pessoas de má índole que, muitas vezes, querem pregar sustos ou criar problemas graves: um assalto, um furto.

Então, nós estamos raciocinando. Não é um medo do escuro pelo escuro; é a preocupação de que há criaturas que se valem da escuridão para causar transtorno a outras pessoas.

Não fugiremos de determinados insetos por causa do medo que tenhamos deles, mas por sabermos, conscientemente, o tipo de problemas que eles nos possam trazer. Com isso, a nossa criança se desenvolve, ela aprende, ela cresce e nós ficamos felizes por não criarmos filhos, por não influenciarmos crianças a partir do medo.

É tão bom a gente não ter medo. É tão bom termos coragem de fazer as coisas, de viver as circunstâncias, de enfrentar desafios novos. É tão importante, é tão bom. E vale lembrar Jesus quando, num momento em que os discípulos estavam apavorados, após a Sua crucificação, e ninguém sabia Dele, e todos sentiam falta Dele, ei-LO que surge! E, ao se dirigir aos discípulos os saúda dizendo: Sou Eu, não temais.

A partir dessa presença de Jesus em nossa vida não temos nada a temer. Vamos passar Jesus de todas as maneiras para as vidas das nossas crianças, para a vida dos nossos filhos. Foi Ele mesmo que nos propôs: Deixai que venham a Mim as crianças, não as detenhais.

É tão importante que, a partir da lucidez com que ensinamos as crianças a viver da nobreza, com que permitamos que os nossos pequenos cresçam, aproximá-los de Jesus, dos ensinos do Mestre.

A partir daí, teremos a certeza de que eles crescerão saudáveis, corajosos positivamente, audaciosos no Bem, criando doravante o mundo novo que todos nós aguardamos.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 97, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em agosto de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 1º de junho de 2008.

30 dezembro 2011

Perturbações Espirituais no Lar - Raul Teixeira


Perturbações Espirituais no Lar

Muita gente se queixa de que, periodicamente, o lar vira um pandemônio. Muita gente afirma que, às vezes, percebe que a família está em polvorosa, que alguma força negativa parece ter penetrado o lar. Imaginam que houve trabalhos de magia, alguém fez algum trabalho forte, todo esse contexto popular em que nós queremos atribuir aos outros questões que estão sob nossa responsabilidade.

Manter a nossa casa em paz, manter o nosso lar em ordem é alguma coisa de nossa alçada. É alguma coisa que está sob nossa responsabilidade, sob nossa custódia.

No entanto, é válido pensar que, pelo fato de se reunirem dentro de casa criaturas com os mais variados pendores, caracteres, temperamentos, muitas vezes a família sofre mareios afetivos, emocionais, sentimentais, que redundam, de fato, em perturbações de ordem espiritual.

Dentro de casa existem aqueles cujo temperamento leva-os a debochar dos outros, a condenar sempre, jamais elogiar, apenas vêem defeitos.

Há aqueles que falam aos gritos, os que são sempre grosseiros ao se expressar junto aos familiares. Há aqueles que têm sempre um alfinete pronto para as alfinetadas comuns dentro de casa.Os que falam jogando piadas, com segundas intenções, e ferem o temperamento daquele que é mais sensível ou que é pavio curto. E há aqueles que, dentro de casa, nem pavio têm, explodem por qualquer coisa.

Natural é pensar, nessas ocasiões, que nós estaremos dando margem a infiltrações espirituais inferiores. Como nos disse o Apóstolo Paulo, estamos o tempo todo sendo observados por uma nuvem de testemunhas.

Mas, se temos testemunhas apostando em nosso crescimento, em nossa virtude, em nossa felicidade, não podemos descrer que haja outras testemunhas investindo em nossa queda.

São aqueles inimigos do nosso pretérito, de nossas vidas passadas, de nossa existência presente. Eles estão sempre à espreita de nossa fragilidade, de um gesto em falso, de uma vivência incorreta, para que possam nos provocar mal-estares, aturdimentos, desarmonias, com o prazer patológico de nos ver sofrer.

Acontece que essas circunstâncias são quase sempre criadas por nós. Na liberdade que temos de fazer e de deixar de fazer, somos aqueles que não refreamos a língua, imaginando que todos os que vivem dentro de casa conosco, na família, têm obrigação de aturar, de suportar nosso temperamento, nosso mau humor, nosso caráter intempestivo, nosso pavio curto.

E, ao pensarmos dessa forma, estamos desrespeitando, ainda que dentro de casa, os outros que, embora nos gostem, nos estimem, são pessoas diferentes de nós.

Será sempre importante que nos coloquemos no lugar dessas pessoas. Essa empatia se faz indispensável. Se eu estivesse no lugar dessa criatura, de minha mulher, de meu marido, de meu filho, de meu irmão, de minha tia, ou avó, como é que eu gostaria de ser tratado dentro de casa? Que tipo de coisas eu gostaria de ouvir? Que tipo de outras coisas eu não gostaria de ouvir?

Desse modo, a vivência dentro do lar seria marcada pelo respeito recíproco, em que cada qual, desempenhando seu papel, estivesse atento a não ferir o outro, a não desabonar o outro, nada obstante tivéssemos todo o espaço para dizer as coisas que estão certas, aquilo que está equivocado, o que precisa ser corrigido, na pauta de nossa vida cotidiana, dentro de casa.

Como estamos cercados, vale repetir Paulo, por uma nuvem de testemunhas, quando nos despautamos dentro do lar, qual é o tipo de testemunhas que convidamos para participar conosco da vida íntima da casa? As entidades perturbadoras, Espíritos desajustados ou enfermiços, aqueles que, de caso pensado, desejam provocar, em nossas vidas, desestruturações e aqueles que estão enfermados, hebetados, aturdidos e que nem têm idéia de que, se aproximando de nós, nos estarão prejudicando.

Estão inconscientes da realidade em que estão vivendo mas, nem por isso, eles deixam de ser atraídos por nós quando realizamos as coisas indevidas.

Por isso pode haver sim, influências espirituais bastante nefastas dentro de nossa casa, ou influências leves em função do estilo de vida que adotemos viver em família, em razão de tudo aquilo que decidimos fazer junto aos nossos familiares.

Se a nossa proposta for de viver o respeito, o amor, a harmonia, certamente atrairemos nobres Espíritos para bafejar nosso lar, mas se fizermos diferente,certamente, as nossas companhias não serão nada agradáveis.

* * *

Todas as influências que venhamos a sofrer em nossa residência, em nossa casa, não temos que pensar primeiramente que alguém nos desfechou pensamentos negativos, que alguém está fazendo trabalhos contra nós, trabalhos de magia porque o que manda, na nossa casa, é a nossa vivência.

Todos aqueles que participamos da família somos alvejados pelos pensamentos, pelas energias, pelos fluidos, pelas luzes ou pelas sombras a que tenhamos dado abertura.

Se estivermos vivendo com Deus na honestidade, na dignidade, no respeito recíproco, qual é o mal que nos vai atingir? Qual é a sombra que nos vai visitar?

Mas, quando estivermos nessa hibridização, como diz o ditado popular: Acendendo uma vela para Deus e outra para o demônio, obviamente não somos fiéis à idéia nenhuma. Estaremos sempre no campo do quem dá mais, e por causa disso, ficamos vulneráveis a acompanhamentos nocivos.

É muito importante que prestemos atenção num ditado popular muito antigo que assevera: Dize-me com quem andas e te direi quem és. Naturalmente, quando estamos lidando com as questões espirituais, a proposta é diferente, os Espíritos nos dizem: Dize-me quem és e te direi com quem andas.

É a partir da nossa forma de ser, é a partir do nosso modo de viver, do pensamento que cultivamos, das ações que praticamos, que elegemos os nossos acompanhamentos espirituais. Poderemos estar muito bem acompanhados, em termos psíquicos, mas poderemos estar muito mal resguardados.

Daí, vale a pena a família ter esse cuidado na sua convivência. Ninguém vai imaginar que, dentro de casa, não teremos altercações, alguma indisposição, alguém que fale de uma forma mais ríspida, mais áspera com o outro e o outro se debulhe a chorar. Isso tudo faz parte da normalidade da vida doméstica cotidiana.

Mas, o que não deve acontecer é que essa postura de agressividade, essa postura ferinte, pessimista, negativa, se torne uma constante na relação familiar. Quando isso se tornar uma constante, não podemos ter dúvida de que estaremos mal assistidos. Criaturas espirituais de má índole, ou ignorantes ou inconscientes, estarão procurando fazer ninho na nossa consciência.

Sentir-nos-emos lesados, traídos, amargurados, desprezados em casa, nos sentiremos a sós, nos veremos pessoas solitárias. E tudo isso, agasalhado por nós, nessa baixa auto-estima, vai fazendo com que entidades desencarnadas de má índole, infelizes em si mesmas, se apropriem desse caldo de cultura que nós lhes oferecemos, para fazer toda sorte de estripulias, para provocar toda sorte de males, de infestações negativas no seio da nossa família.

Será de bom alvitre instalar em nossa casa, pelo menos uma vez por semana, o hábito de orar. O Evangelho no lar, como chamamos, ou Jesus no lar, como quisermos.

Cinco minutos ou dez minutos, quinze minutos, para lermos uma página do bem, uma página do Evangelho, uma página bíblica, ou de um livro nobre que tenhamos à mão.

Ler, comentar, verificar onde é que aquelas lições servem à nossa vida doméstica, à vida da família, e à nossa vida individual. Depois, fazer a nossa oração, agradecendo a Deus pela nossa família, pela nossa convivência, pela nossa harmonização. E pedir a Esse Sempiterno, a Esse Pai de amor e de bondade, a força de que necessitamos, como membros de um clã, de um grupo doméstico, de uma família, para resistirmos a todas as tentações que nos vão encontrar pelos caminhos.

Basta que saiamos às ruas, para que tenhamos todo tipo de dificuldades e de facilidades. No trânsito, no comércio, na travessia da rua, nas relações sociais, todos esses movimentos que realizamos no dia a dia nosso, nos darão ensejo de fazer o melhor, de nos ajustarmos a boas companhias, a más companhias.

E, trabalhando dessa forma, vamos afugentando as influências negativas, ou melhor, vamos nos afastando das influências nefastas, ou melhor ainda, vamos nos vacinando contra essas ondas negativas que, periodicamente, invadem nosso lar e desestruturam nossa família.

É por causa disso que pensamos no quanto será importante para nós a oração em família, nas bênçãos do lar.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 116, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em outubro de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 17.08.2008.

29 dezembro 2011

Processos de Morrer - André Fernandes


Processos de Morrer


A morte guarda nuances
E matizes curiosos,
Para os que foram atuantes
No bem, e pr’os preguiçosos...

Para alguns são enervantes,
Para outros são dolorosos,
Os momentos expirantes,
Pelos delitos culposos.

Para os que vivem no amor,
A morte é como brilhantes
Que o homem forja, e o Senhor
Faz luzes inebriantes.

Aos que se estribam no mal,
Ou em gozos tormentosos,
As desgraceiras do Umbral
São quais viscos pegajosos.

Nas trilhas moralizantes,
Em que o homem se situa,
Terá sonhos fulgurantes
Que o vero bem preceitua.

Mas, com os atos perigosos
De materialismo denso,
Faz seus dias enganosos
Para um porvir agro e tenso.

A morte não traz alento,
Como pensam os farsantes,
Sem o aval do pensamento
Nas ações do amor, constantes.

Para os que servem no bem,
São momentos portentosos,
Bem diferentes, no Além
Do estado dos viciosos.

Energias suavizantes
Recebem os bons obreiros,
Que se opõem aos fortes guantes
Que prendem os desordeiros.

Dos crimes mais insultuosos,
Que a consciência amarguram,
Formam-se ensejos grandiosos
Que no perdão se estruturam.

Meu amigo, eu que já estive
Como tu, reencarnado,
Sinto que o mundo é um declive
Aos que o Senhor hão negado.

Vitória mais importante,
Para quem se une a Jesus,
É a luta firme, extenuante,
Na Terra, em busca da Luz.

Todo o valor que buscares,
Sejam fúlgidos, gloriosos,
Para que, quando voltares,
Tenhas dias luminosos.

Os processos de morrer,
Ternos ou traumatizantes,
Dependerão do viver,
Dos dias, horas, instantes.

Na vida, quanto na morte,
Não há fatos milagrosos.
Ama, crê, busca teu norte
Para os tempos mais ditosos.

Co’a Doutrina Espiritista,
Tens conceitos bem pujantes...
Passa teu passo em revista
Para um morrer triunfante!

André Fernandes

Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira em 26.01.85, na Sociedade Espírita Fraternidade - Niterói – RJ. Publicada no Jornal Mundo Espírita de março de 1990

28 dezembro 2011

Para Agradecer a Deus - José Lopes Neto


Para Agradecer a Deus

Como poderemos agradecer ao Sempiterno, se não prestarmos reverência às expressões da natureza, que são a imagem esplendente da Sabedoria Divina?

De que modo exprimiremos nossa reverência às obras da natureza, se não conseguirmos respeitar os seus mais diferentes modos de manifestação, tornando-nos usufrutuários conscientes de tudo quanto existe?

Qual será a maneira de usufruirmos as grandiosas formas vivas da natureza, representação do Criador, sem que aprendamos a cortar e replantar, a comer e recriar, a derribar para reerguer em melhores condições para a vida humana?

Como tombar e levantar os elementos de que nos servimos, relegando os níveis da nossa responsabilidade, acreditando que cabe sempre aos outros o trabalho de repor tudo quanto desloquemos do seu devido lugar?

Nos passos da experiência reencarnatória, cada ser humano necessita desenvolver a consciência de que todos deveremos nos tornar cooperadores com Deus, mas sem que isso se dê inconscientemente. Precisamos acordar o sentido de responsabilidade de consciente, demonstrando o grau do nosso amadurecimento perante os movimentos do mundo, na fieira do progresso ao qual estamos atrelados.

O nosso melhor modo de demonstrar gratidão ao Pai Criador, iniludivelmente, será, sim, cuidar de todas as manifestações da vida em redor de nós, porém, o autocuidado, a autorregência, a autonomia para o bem imbatível significará o ponto mais alto, o zênite dos nossos esforços.

Chegamos às primeiras experiências das encarnações plenamente embrutecidos, sem os refinamentos que fomos desenvolvendo e assimilando pelos tempos em fora.

Nos estados de maior rudeza, de poderosos instintos e pouca razão, não podia a alma humana ter exata noção dos deveres e dos cuidados da preservação.

Hoje em dia, tudo se mostra diferente, pois a grande massa social do planeta terreno já dispõe de recursos para ajuizar o próprio comportamento, sua ação perante as demais expressões da natureza, sem que haja necessidade de ser aguilhoada para tal.

Frente ao nosso dever de louvar e de honrar a Deus, nosso Criador, cabe-nos refletir sobre o nosso agir no mundo, capacitando-nos aos poucos para nos tornar fiéis executores da Divina Vontade em toda parte, quando para tanto nos acharmos amadurecidos, conscientes e reverentes a tudo quanto pulsa sob os céus, inspirados pelo pulsar do próprio coração dos Céus.

Como agradecer a Deus pelo dom da vida? Amemos a todas as formas de vida, seja qual for o reino, sem olvidar que somos a expressão mais alta da vida planetária, e, por isso, o nosso procedimento por aqui deve refletir tal condição.


José Lopes Neto

Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 08.02.2005, na Fazenda Recreio, Pedreira-SP.

27 dezembro 2011

Dar Razão - Waldo Vieira


DAR RAZÃO

Contraditórios muitas vezes, estamos teimosos contra nós mesmos, quando incapazes de ceder a benefício real dos outros

Capitulamos diante de sacrifícios e despesas que sobrecarregam de inquietações o tempo e a vida, unicamente para desfrutar atenções louvaminheiras e dificilmente nos rendemos em mesquinhas questões do ponto de vista, apenas para que não sintamos diminuída a nossa reputação num milímetro só.

Raramente importam os prejuízos advindos da negligência ou da ostentação que adotemos, desde que a vaidade se nos hipertrofie no coração, propiciando-nos sensações de falso conforto e quase nunca nos dignamos examinar as consequências infelizes da resistência ou da rebeldia que esposamos arruinando ou comprometendo realizações da comunidade cuja tranquilidade ou rendimento esperam por nós.

Decidamo-nos a perder nos prélios da opinião, desde que a lógica e o interesse geral nos peçam isso, tanto quanto é preciso assegurar firmeza de atitude na preservação dos valores essenciais das causas e das cousas.

Sobretudo, mantenhamos serenidade e desprendimento em todos os sucessos, nos quais a nossa pessoa se encontre em cheque de maneira exclusiva.

Desculpemos as injúrias de natureza individual, sem a menor indagação, do mesmo modo que é necessário garantir integridade de ação na defesa do bem de todos.

Abracemos de bom-humor as observações alheias que nos auxiliem a tomar rumo certo. Enderecemos um sorriso de paz aos que enunciem raciocínios mais claros que os nossos.

Condescendência para as medidas e palavras que nos ajudem a manter a felicidade comum é qualidade que nos torna mais dóceis e mais valiosos nas mãos de Cristo para a edificação do Mundo Melhor.

Nós que nos interessamos em adestrar os braços na repartição do alimento e do agasalho, do remédio e do socorro, aos que necessitam deles, aprendamos também a ciência de gastar a nós mesmos - a ciência de dar razão.

De "Sol nas Almas"
De Waldo Vieira
Pelo Espírito de André Luiz

26 dezembro 2011

Confia em Deus - Miramez


CONFIA EM DEUS

O que que nunca poderemos nos esquecer é de confiar em Deus; a Suprema Inteligência, Comandante e Feitor de todas as coisas do universo. O nosso maior interesse há de ser de gratidão Àquele que tudo fez por amor..

Confiemos constantemente em Deus, para que tenhamos a paz do filho que não se esquece de seu Pai.

Em tudo o que fizeres lembra-te do Senhor, e o meio que tens para busca-Lo é pelo pensamento, guardando sempre o tesouro do Seu nome no coração.

De forma alguma devemos esquecer o Supremo Arquiteto do Universo, pois que Ele é nossa segurança, que nos educa e ensina, que nos ampara e protege, pois é nosso Pai de amor.

Confiar em Deus é ajudar a si mesmo. Incessantemente devemos andar com o Senhor, no respeito, na gratidão, no amor e na fraternidade; é justo que o perdão para todos também não fique esquecido, quando d’Ele nos lembrarmos.

Analisa a natureza, que encontrarás o Pai a espera-lo por todos os caminhos e, notadamente por dentro de ti, onde Ele se expressa com maior certeza. Não deixes aqueles com quem convives viverem sem crer no Senhor; conversa com quem ainda nega Deus, pois esse é um filho doente, que podes ajudar.

Se no reino da Terra tudo e todos têm seu “pai”, em se falando das coisas materiais, quanto mais as coisas espirituais! O que se encontra em outra dimensão tem suas raízes na dimensão em que vive. Se encontrares dificuldades em sentir Deus, passa a orar com fervor, confia e pede a Ele as Suas bênçãos neste sentido, que Ele nunca se esquece de Seus filhos.

Trabalha em ti mesmo, para que a dor não precise desabrochar os sinais da crença em Deus na tua intimidade. Ele é tudo, que se encontra em todos. Cultiva a prece, de modo que teu coração se habitue a sentir o Senhor, a ouvi-Lo, e tu, a escutá-Lo. Isso é maravilhoso: a confiança n’Aquele que chamamos de Amor!

Confere todos os dias tua sensibilidade, em se referindo a Deus, que Ele te atenderá no teu mundo interior; essa é uma grande alegria. Busca o conselho de Jesus, como também dos grandes profetas: Amor a Deus sobre todas as coisas, sintetizando esse amor em ti, e a tranquilidade, a saúde e a alegria te confortarão para sempre. E continua amando-O em tudo, pois Ele se encontra em toda parte.

Agradeçamos a todas as religiões, pois elas nos asseguram essa crença em um Pai magnânimo e santo, que protege sempre a todos os Seus filhos, onde quer que estejam.

Quanto mais a ciência vasculha o infinito, mais desperta para Deus, e isso é bom para os homens. A grandeza da Criação não tem limites.

Tu nada perdes por confiares em Deus; ao contrário, ganhas mais vida em crer na vida universal, de onde o grande Camartelo, fonte de todavida, o gerou.

De "Cura-te a ti mesmo"
De João Nunes Maia
Pelo Espírito Miramez

25 dezembro 2011

Natal - Emmanuel


NATAL

Diante do bolo iluminado, abraças, feliz, os entes amados que chegaram de longe...

Ouves a música festiva que passa, de leve, por moldura de harmonia às telas da natureza...

Entretanto, quando penetrares o templo da oração, reverenciando o Mestre que dizes amar, mentaliza o estábulo pobre.

Ignoramos de que estrela estaria chegando o Sublime Renovador, mas todos sabemos em que ponto da Terra começou ele o apostolado divino.

Recorda as mãos fatigadas dos tratadores de animais, os dedos calosos dos homens do campo, o carinho das mulheres simples que lhe ofertaram as primeiras gotas do próprio leite e o sorriso ingênuo dos meninos descalços que lhe receberam do olhar a primeira nota de esperança.

Lembra-te do Senhor, renunciando aos caminhos constelados de luz para acolher-se, junto dos corações humildes que o esperavam, dentro da noite, e desce também da própria alegria, para ajudar no vale dos que padecem..

Contemplarás, de alma surpresa, a fila dos que se arrastam, de olhos enceguecidos pela garoa das lágrimas.

Ladeando velhinhos que tossem ao desabrigo, há doentes e mutilados que suspiram pelo lençol de refúgio na terra seca.

Surgem mães infelizes que te mostram filhinhos nus e crianças desajustadas para quem o pão farto nunca chegou.

Trabalhadores cansados falam do abandono e jovens subnutridos se referem ao consolo da morte...

Divide, porem, com eles o tesouro de teu conforto e de tua fé e nos recintos de palha e sombra a que te acolhes, encontrarás o Cristo no coração, transfigurando-te a vida, ao mesmo tempo que, nos escaninhos da própria mente, escutarás, de novo, o cântico do Natal, como de repetido na pauta dos astros:
- Glória a Deus nas alturas e boa vontade para com os homens!


Emmanuel (Espirito)
Chico Xavier (Médium)

24 dezembro 2011

Inversão de Valores no Natal - Vianna de Carvalho


INVERSÃO DE VALORES NO NATAL

Durante o solstício de inverno na Roma pagã, período que abrange os dias 17 a 23 de dezembro, celebravam-se as Saturnais, também denominadas como as “festas dos escravos”, em razão de ser-lhes concedidas oportunidades de prazeres, aumento da quota de alimentos, diminuição dos trabalhos a que se encontravam submetidos especialmente nos campos.

Homenageando-se o deus Saturno, os participantes entregavam- se aos mais diversos abusos, especialmente na área da sensualidade, da falta de compromissos morais, assemelhando- se às bacanais...

Quando o Cristianismo primitivo passou a dominar as mentes e os corações do Império, aqueles afeiçoados a Jesus, desejando apagar a nódoa moral que vinha do paganismo e permanecia atormentando a cultura vigente, transferiram a data do Seu nascimento para aquele período, aproximadamente, destacando-se o dia 25 para as celebrações festivas.

Havendo nascido o Mestre de Nazaré entre 6 e 8 de abril, segundo os mais precisos cálculos dos estudiosos do Cristianismo contemporâneo, o alto significado da ocorrência, pensavam então, teria força suficiente para apagar as lembranças dos abusos praticados até aquela ocasião.

O ser humano, nada obstante, mais facilmente vinculado às paixões primitivas, lentamente foi transformando a data evocativa da estrebaria de palha que se transformou numa constelação de estrelas, a fim de dar expansão aos sentimentos desequilibrados, assim atendendo às necessidades das fugas psicológicas, em culto externo de fantasia e de prazer.

Posteriormente, São Francisco de Assis, símile de Jesus pelo seu inefável amor e entrega total da vida, desejou recompor a ocorrência natalina, e realizou o seu primeiro presépio, a fim de que o mundanismo não destruísse a simpleza da ocorrência, apresentando o evento sublime na forma ingênua das suas emoções.

Durante alguns séculos preservou- se a evocação do berço dentro das modestas concepções do Cantor de Deus.

À medida que a cultura espraiou- se e as modernas técnicas de comunicação ampliaram os horizontes das informações, as doutrinas de mercado, assinaladas pelas ambições de compras e vendas, de extravagâncias e de presentes, de sedução pelo exterior em detrimento do significado interno dos valores, propôs novos paradigmas para as comemorações do Natal.

Na atualidade aturdida dos sentimentos, a figura de Jesus lentamente desaparece da paisagem do Seu nascimento, substituída pelo simpático e gorducho velhinho do norte europeu, Papai Noel, e o seu trenó entulhado de brinquedos para as crianças e os adultos que se entregam totalmente à alucinação festiva, distante da mensagem real do Nascimento.

Atualizando-se no Ocidente e, praticamente no mundo todo, as doces lendas sobre São Nicolau, eis que também a árvore colorida vem substituindo o presépio humilde nascido na Úmbria, e outro tipo de saturnália toma conta da sociedade, agora denominada cristã...

Matança de animais, excesso de bebidas alcóolicas, festas exageradas, extravagâncias de todo porte, troca de presentes, abuso de promessas e ânsia de prazeres tomam lugar nas evocações anuais, com um quase total esquecimento do Aniversariante.

A preocupação com a aparência, os jogos dominantes dos relacionamentos sociais e o exibicionismo em torno dos valores externos aturdem os indivíduos que se atiram à luxúria e ao desperdício, tendo como pretexto Jesus, de maneira idêntica ao culto oferecido a Saturno.

Propositalmente, os adversários da ética-moral proposta pelo Mestre procuram apagar a Sua lembrança nas mentes e nos corações, em tentativas covardes e contínuas de O transformar em mais um mito que se perde na escura noite do inconsciente coletivo da Humanidade.

Distraídos em torno da ocorrência perversa, pastores e guias do rebanho confundido deixam-se, também, arrastar pela corrente da banalidade, engrossando as fileiras dos celebradores do prazer e da anarquia.

É certo que Jesus não necessita de que se Lhe celebrem as datas de nascimento nem de morte, mas deseja que se vivam as lições de que se fez o Mensageiro por excelência, propondo novos conceitos e comportamentos em torno da felicidade e da responsabilidade existencial, tendo em vista a imortalidade na qual todos nos encontramos mergulhados.

Nada obstante, é de causar preocupação o desvio, a inversão de valores que se observam nas evocações festivas e na conduta dos celebradores,muito mais preocupados com o gozo e o despautério do que com os conteúdos memoráveis dos ensinamentos por Ele preconizados e vividos.

Por compreender as fraquezas morais do ser humano, Jesus entendia, desde então, tais ocorrências que hoje acontecem, as adulterações que se produziram nos Seus ensinamentos, e diante da indiferença que tomaria conta daqueles que O deveriam testemunhar, foi peremptório ao afirmar: – Quando eles [os seus discípulos] se calarem as pedras falarão... [Lucas, 19:40.]

Concretizou-se o Seu enunciado profético, porque, nestes dias tumultuosos, nos quais não se dispõe de tempo, senão para alguns deveres de trabalho que proporcione compensações imediatas, o silêncio das sepulturas quebrou-se e as vozes da imortalidade em grande concerto vêm proclamar e restaurar a mensagem de vida imperecível, despertando os adormecidos para a lucidez e a atualização da conduta nos padrões elevados do Bem.

Não mais os intérpretes que adaptam os ensinamentos às suas próprias necessidades, distantes do compromisso com a Verdade; que se deixam dominar por excessos de zelos desnecessários, transferindo os seus conflitos para os comportamentos que os demais devem vivenciar; que se refugiam nos arraiais da fé, não por sentimentos elevados, mas procurando ocultar os conflitos nos quais estertoram...

As vozes dos Céus, destituídas dos ornamentos materiais e das falsas necessidades do convívio social, instauram a Nova Era, trabalhando pelo ressurgimento das lições inconfundíveis do Amor, conforme Ele as enunciou e as viveu até o holocausto final...

O Seu Natal é um momento de reflexão, convidando as criaturas humanas a considerarem a Sua renúncia, deixando, por momentos, o sólio do Altíssimo para percorrer os caminhos ásperos da sociedade daquele tempo, amando infatigavelmente e ensinando com paciência incomum, de modo a instalar na rocha dos corações os alicerces do Reino de Deus que nunca serão demolidos.

Assim sendo, embora a inversão de valores em torno de Jesus e de Sua doutrina, que se observa nas leiras do Cristianismo nas suas mais variadas denominações, nenhuma força provinda da insensatez conseguirá diminuir a intensidade de que se revestem, por serem os caminhos únicos e de segurança para que a criatura, individualmente, e a sociedade, em conjunto, alcancem a plenitude a que aspiram mesmo sem o saber.

Vianna de Carvalho (espírito)
Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na manhã do dia 17 de novembro de 2008, na cidade do Porto, Portugal

23 dezembro 2011

Apelo de um Idoso - Momento Espírita


APELO DE UM IDOSO

Dizem que sou um velho. Por vezes, você passa por mim, com um grupo de amigos e ri do meu andar lento e atrapalhado.

Você pode achar que eu não percebo os seus risos. Contudo eles me ferem, porque eu gostaria de andar rápido como fazia há tão pouco tempo. Mas as pernas não obedecem ao meu comando com presteza.

Às vezes, não consigo distinguir com clareza o letreiro do ônibus e acabo por tomar a direção errada.
Motorista, tenha um pouco de paciência comigo. Reconheço que você tem horário a cumprir, que muitos reclamam do seu desempenho, das suas freadas e da sua forma de dirigir.

Pense um pouco. Não errei por querer lhe atrapalhar, simplesmente me enganei. Pense em quantas vezes você já se enganou na vida e precisou da compreensão dos outros.

Explique-me onde descer, de preferência aquele ponto que seja menos complicado para eu retornar ao lugar onde estava e depois tomar o ônibus certo.

Ajude-me. Eu poderia ser seu avô, a quem, com certeza, você trata com carinho e atenção.

Se eu tivesse um neto como você, possivelmente não andaria sozinho pelas ruas. Ele me tomaria pela mão e me guiaria, impedindo que eu corresse tantos riscos.

Ah, não esqueça. Quando eu estiver atravessando a rua e o sinal abrir, espere um minutinho mais.

Não me apresse com buzina ou arrancada brusca. Posso tentar ser mais rápido e cair.

Você que anda pela rua e é indagado por mim a respeito de algum local, use de paciência.

Posso demorar um pouquinho para desdobrar o papel que trago no bolso com o endereço exato de onde eu devo chegar. Minhas mãos tremem e os dedos parecem rígidos.

Espere que eu pergunte e se eu não entender, explique outra vez. Pense em quantas vezes você já pediu a seus pais, seus professores, seus colegas que repetissem a explicação de algo que você não entendeu.

Procure ser claro. Fale devagar. Se possível, me acompanhe até o local mais próximo de onde eu devo chegar.
Você que está na fila do caixa eletrônico, tenha calma. Preciso fazer tudo devagar. Afinal, ainda não consegui assimilar as grandes mudanças da eletrônica.

Passar o cartão, guardar números de memória, a tal da senha e digitar... Tudo é um tanto complicado. Eu consigo fazer direitinho, se você me der um tempo.

Lembre: sou um idoso, hoje. Já fui jovem, fui ágil, preciso, produtivo.

Também fui impaciente. O tempo me ensinou a ter paciência comigo mesmo, pois já não consigo fazer tudo que desejaria. E com os outros que não conquistaram ainda a paciência.

A comunidade que despreza os seus idosos está longe do caminho da civilização. Mesmo que tecnologicamente apresente avanços surpreendentes, se não alcançou o respeito à vida humana, aos mais velhos, aos mais fracos, ainda necessita andar muito.

A mais elevada nação será aquela que souber amparar o mais fraco. Que estabelecer programas de atendimento especializado aos necessitados e primar pela atenção àqueles que se esforçaram para que as leis fossem implantadas, a economia direcionada e a felicidade florescesse nos corações da infância, da juventude e da madureza.

Redação do Momento Espírita

22 dezembro 2011

Cristo-Promessa - Miramez


CRISTO-PROMESSA

E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. João, 14:13.

Cristo-Promessa nos leva à segurança espiritual, capacitando o nosso modo de ser para o enriquecimento dos valores imortais, tais como a fé e a esperança no futuro. Ele assevera, no Seu pergaminho de luz: E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.

Para que possamos pedir em Seu nome, para endereçarmos ao Mestre ideias no sentido de pedirmos alguma coisa, precisamos perder a ignorância, destronar o orgulho e fazer desaparecer o ódio e, no ninho santo da cabeça, deixar pousar somente o Amor. E ainda: fazer com que a palavra perca o poder de ferir, harmonizando sons na mesma dinâmica da caridade e da esperança.
Esse é o princípio da educação para o preparo do ambiente, cujo clima nos dá a tranquilidade de pedir a Cristo o que nos vier ao coração, em nome de Deus.

As promessas do Senhor à humanidade nunca falharam, e jamais falharão; nós é que nos colocamos em posição diversa da irradiação da ajuda celestial. Deus é um sol espiritual de primeira grandeza, a derramar Seus infinitos raios em todas as direções mas, cada alma ou cada coisa, assimila Seus eflúvios de acordo com a escala evolutiva a que pertence.

O amor do Senhor é o mesmo para tudo e para todos, porém, dar expansão a esse amor depende do que já aprendemos, e o posto que já alcançamos na orquestração da vida. Tudo de bom para nós outros está ao alcance das nossas mãos, esperando que o toquemos, para que a vida mais intensa nos banhe com maior fulgor.

Cristo-Promessa ativa a esperança no nosso aprendizado. Não obstante, a lei não permite que recebamos os valores da vida sem a nossa participação, como cocriadores dos nossos destinos, o que é sobremodo maravilhoso, sentir as nossas mãos trabalharem para a nossa própria felicidade. Assim, sentiremos mais segurança em nós mesmos e maior confiança no Pai Celestial. Toda promessa dos Céus vai de encontro à criatura que já se encontra pronta, esperando que quem a receba, abra as portas do coração, para atração daquilo que está sendo ofertado. E quando um filho menor recebe mais luz, Deus é glorificado no maior que serviu de canal divino, para o conforto dos que ainda viajam pelos caminhos difíceis da evolução.

Despertemos nossa fé no Grande Arquiteto do Universo cada vez mais, que Ele é Pai de amor e nunca Se esquece de seus filhos do coração, onde quer que estejamos na imensidão universal. Procuremos mudar de vida, se ainda não o tentamos e que as mudanças não esqueçam Jesus como padrão iluminado, para que não caiamos nas tentações das falsas promessas, que esquecem as bases do trabalho, a escola da educação, a inspiração da caridade e o alimento do amor.

Levando nossa vida na vida do Mestre, poderemos fazer o que abaixo nos incentiva Jesus.

E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.

De “CRISTOS’
De João Nunes Maia
Pelo Espírito Miramez

21 dezembro 2011

Deveres dos Filhos - Joanna de Ângelis


DEVERES DOS FILHOS

Toda a gratidão sequer retribuirá a fortuna da oportunidade fruída através do renascimento carnal.

O carinho e respeito contínuos não representarão oferenda compatível com a amorosa assistência recebida desde antes do berço.

A delicadeza e a afeição não corresponderão à grandeza dos gestos de sacrifício e da abnegação demoradamente recebidos...

Os filhos têm deveres intransferíveis para com os pais, instrumentos de Deus para o trâmite da experiência carnal, mediante a qual o Espírito adquire patrimônios superiores, resgata insucessos e comprometimentos perturbadores.

*

Existem genitores que apenas procriam, fugindo à responsabilidade.

Não compete, porém, aos filhos com severidade, desde que não são dotados da necessária lucidez e correção para esse fim.

Se fracassaram no sagrado ministério, não se furtarão à consciência, em forma da presença da culpa neles gravada.

Auxiliá-los por todos os meios ao alcance é mister indeclinável, que o filho deve ofertar com extremos de devotamento e renúncias.

A ingratidão dos filhos para com os pais é dos mais graves enganos a que se pode permitir o Espírito na sua marcha ascensional.

A irresponsabilidade dos progenitores de forma alguma justifica a falência dos deveres morais por parte da prole.

Ninguém se vincula a outrem através dos vigorosos liames do corpo somático, da família, sem justas, poderosas razões.

Desincumbir-se das tarefas relevantes que o amor e o reconhecimento impõem — eis o impositivo que ninguém pode julgar lícito postergar.

*

Ama e respeita em teus genitores a humana manifestação da paternidade divina.

Quando fortes, sê-lhes a companhia e a jovialidade; quando fracos, a proteção e o socorro.

Enquanto sadios, presenteia-os com a alegria e a consideração; se enfermos, com a assistência dedicada e a sustentação preciosa.

Em qualquer situação ou circunstância, na maturidade e na velhice, afeiçoa-te àqueles que te ofertaram o corpo de que te serves para os cometimentos da evolução, como o mínimo que podes dispensar-lhes, expressando o dever de que te encontras investido.

De “Leis morais da vida” De Divaldo Pereira Franco Pelo Espírito Joanna de Ângelis

20 dezembro 2011

Dos Animais aos Meninos - Neio Lúcio


DOS ANIMAIS AOS MENINOS

Meu pequeno amigo:

Ouça.

Não nos faça mal, nem nos suponha seus adversários.

Somos imensa classe de servidores da Natureza e criaturas igualmente de Deus.

Cuidamos da sementeira para que lhe não falte o pão, ainda que muitos de nossa família, por ignorância, ataquem os grelos tenros da verdura e das árvores, devorando germes e flores. Somos nós, porém, que, na maioria das vezes, garantimos o adubo às plantações e defendemo-las contra os companheiros daninhos.

Se você perseguir-nos, sem comiseração por nossas fraquezas, quem lhe suprirá o lar de leite e ovos?

Não temos paz em nossas furnas e ninhos, obrigados que estamos a socorrer as necessidades dos homens.

Você já notou o pastor, orientando-nos cuidadosamente? Julgávamo-lo, noutro tempo, um protetor incondicional que nos salvava do perigo por amor e lambiamos-lhe as mãos, reconhecidamente. Descobrimos, afinal, que sempre nos guiava, ao fim de algum tempo, até ao matadouro, entregando-nos a impiedosos carrascos. Às vezes, conseguíamos escapar por momentos, tornando até ele, suplicando ajuda, e víamos, desiludidos, que ele mesmo auxiliava o verdugo a enterrar-nos o cutelo pela garganta adentro.

A princípio, revoltamo-nos. Compreendemos, depois, que os homens exigiam nossa carne e resignamo-nos, esperando no Supremo Criador que tudo vê.

As donas-de-casa que comumente nos chamam, gentis, através de currais, pocilgas e galinheiros, conquistam-nos a amizade e a confiança, para, em seguida, nos decretarem a morte, arrastando-nos espantados e semivivos à água fervente..

Não nos rebelamos. Sabemos que há um Pai bondoso e justo, observando-nos, decerto, os padecimentos e humilhações, apreciando-nos os sacrifícios.

De qualquer modo, todavia, estamos inseguros em toda parte.
Ignoramos se hoje mesmo seremos compelidos a abandonar nossos filhinhos em lágrimas ou a separar-nos dos pais queridos, a fim de atendermos à refeição de alguém.

Por que motivo, então, se lembrará você de apedrejar-nos sem
piedade?

Não nos maltrate, bom amigo.

Ajude-nos a produzir para o bem.

Você ainda é pequeno e, por isto mesmo, ainda não pode haver adquirido o gosto de matar. Não é justo, assim, colocar-nos de mãos postas, ante o seu olhar bondoso, esperando de seu coração aquele amor sublime que Jesus nos ensinou?

De “Alvorada Cristã”
De Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Neio Lúcio

19 dezembro 2011

A Vida é Curta - Momento Espírita


A Vida é Curta

Um simples adesivo, fixado num vidro de carro, revela uma filosofia de vida muito perigosa.

Diz assim: A vida é curta. Quebre algumas regras.

Precisamos analisar esta cultura do Aproveite a vida, pois ela é curta, com bastante cuidado.

Percebemos que esse tipo de entendimento circula pelo mundo fazendo muitos adeptos que, por vezes, caem em armadilhas terríveis, sem perceber.

Parece haver em muitas pessoas uma aversão a regras, a leis, mesmo quando essas servem apenas para regular a vida em sociedade. Por isso, tão necessárias.

É a repulsa à responsabilidade que ainda encontra forças em tantas mentes que teimam em não crescer.

Quebrar regras simplesmente por diversão ou por achar que a vida está muito certinha – como se fala – é atitude infantil, imatura e perigosa.

Basta, por exemplo, uma única vez, extrapolar na velocidade na condução de um automóvel para se comprometer uma vida toda.

Uma brincadeira, um simples pega, pelas vias de uma cidade, para se colocar em risco um grande número de vidas, inclusive a própria.

Assim, não é um tipo de regra que pode ser quebrada de quando em vez.

Por que quebrar regras para se aproveitar a vida? Quem disse que para se curtir cada momento da existência com alegria, precisamos infringir leis?

Aproveitar a vida não significa fazer o que se quer, quando e onde se queira. Esta é a visão materialista, pobre e imediatista do existir.

Aproveitar a vida consiste em fazer o que se deve fazer, determinado pela consciência do ser espiritual, que sabe que está no mundo por uma razão muito especial.

O ser maduro, consciente, encontra no caminho do bem, da família, do amor, sua curtição, sem precisar sair por aí quebrando regras e infringindo leis.

* * *

A vida é curta ou longa. A escolha está em quem vive.

Ela é curta para os que desperdiçam tempo na ociosidade. Longa para os que se dedicam a uma causa nobre.

A vida é curta para os que acompanham os filhos crescerem de longe. Longa para os que aproveitam cada instante, cada beijo de bom dia, cada beijo de boa noite.

A vida é curta para os que acham que os vícios não fazem mal. Longa para os que desenvolvem hábitos sadios para seus dias.

A vida é curta para os que acham que a vida é uma só. Longa para os que já descobriram que o Espírito é imortal, já existia antes desta vida e continuará existindo depois.

A vida é curta para quem não perdoa. A mágoa mata mais cedo. É longa para os que buscam a reconciliação, evitando a vingança destruidora.

A vida é curta para quem não sorri. A depressão mata mais cedo. É longa para quem cultiva o bom humor perante as situações difíceis da existência.

A vida é curta para os vilões. Longa para os heróis.

A vida pode ser curta ou longa. Cabe a você escolher.

Redação do Momento Espírita

18 dezembro 2011

Autoperdão e Ação Responsável - Momento Espírita


Autoperdão e Ação Responsável

Suponhamos que a cada reencarnação recebemos do Criador um canteiro com uma terra muito fértil, para plantar flores, durante toda nossa vida.

Nascemos com as sementes das flores mas, ao invés de plantá-las, arranjamos sementes de espinhos e as semeamos, enchendo nosso canteiro de espinheiros vamos plantando os nossos espinhos, até o dia em que olhamos para trás e percebemos um grande espinheiro.

Então, podemos ter três atitudes diferentes:
Se cultivamos o culpismo, devido ao remorso de não ter plantado as flores que deveríamos, simplesmente nos condenamos a deitar e rolar no espinheiro para nos punirmos, tentando aliviar a consciência de culpa.

Se somos pessoas que cultivamos o desculpismo, começamos a dizer que foi o vento que trouxe as sementes de espinhos,que não temos nada a ver com isso, etc.

Finalmente, se buscamosa ação responsável, ao perceber o espinheiro, assumimos tê-lo plantado e arrependemo-nos do fato.

Depois, percebemos que as sementes das flores continuam em nossas mãos e que podemos começar a plantá-las, agora que estamos mais conscientes.

Ao mesmo tempo sabemos que devemos retirar, um a um, todos os espinhos plantados e plantar uma flor no seu lugar.

* * *

Reflitamos sobre as três atitudes:
De que adianta cravar os espinhos plantados na própria carne? Por que aumentar o sofrimento?

Por acaso os espinhos diminuem quando agimos assim? A verdade é que não. De nada adianta. Este é o mecanismo dos que nos afundamos na culpa e deixamos que ela comande nossas vidas.
Substituir os atos de desamor praticados à vida com mais desamor ainda para conosco mesmos não resolve e não cura.

Por outro lado, pensando naqueles que ainda conseguimos achar desculpa para todo e qualquer desatino, por mais absurdo que ele pareça, veremos:
Os que fingimos que o espinheiro não tem nada a ver conosco, apenas estamos postergando o despertar da consciência.

Agindo assim, muitas vezes continuamos plantando mais e mais espinhos, fazendo com que o estrago fique cada vez maior.

O hábito de sempre encontrar desculpas e justificativas para todas nossas ações tem caráter doentio e precisa de atenção imediata de nossa parte.

O ego, em fuga desastrosa, procura justificar os erros mediante aparentes motivos justos. Tal costume degenera todo senso moral e pode nos levar a desequilíbrios psicológicos seríssimos.

Apenas a última opção, a da ação responsável, é caminho seguro.

É uma atitude proativa, pois ao assumir a responsabilidade pelos espinhos plantados, arrependemo-nos e buscamos substituí-los pelas flores.

Nesse ato cobrimos a multidão de pecados, conforme o ensino da Epístola de Pedro, referindo-se ao poder de cura do amor.

Assim crescemos, aprendemos e ressarcimos à Lei maior.

* * *

Sempre que cometermos erros, procuremos nos autoperdoar, atendendo à proposta da ação responsável, que troca o peso da culpa pela carga educativa da responsabilidade.

Redação do Momento Espírita com base no cap. 3 da obra Psicoterapia à luz do Evangelho de Jesus, de Alírio de Cerqueira Filho, ed. Ebm

17 dezembro 2011

Ante o Ofensor - Emmanuel


ANTE O OFENSOR

Aquele que nos fere terá assumido, aos nossos olhas, a feição de inimigo terrível, no entanto, o Divino Mestre que tornamos por guia de nosso pensamento e conduta, determina venhamos a perdoá-lo setenta vezes sete.

Por outro lado as ciências psicológicas da atualidade, absolutamente concordes com Jesus, asseveram que é preciso desinibir o coração de quaisquer ressentimentos e estabelecer o equilíbrio na governança de nossas potências mentais a fim que a tranqüilidade se nos expresse na existência em termos de saúde e harmonia.

Como, porém, realizar semelhante feito?

Entendendo-se que a compreensão não é fruto de afirmativas labiais, é forçoso reconhecer que o perdão exige operações profundas nas estruturas da consciência.

Se um problema desse nos aflora ao cotidiano, – à nós, os que aspiramos a seguir o Cristo, – pensemos primeiramente em nosso opositor na condição de filho de Deus, tanto quanto nós, e situando-nos no lugar dele, imaginemos em como estimaríamos que a Lei de Deus nos tratasse, em circunstâncias análogas.

De imediato observaremos que Deus está em nosso assunto desagradável tanto quanto um pai amoroso e sábio se encontra moralmente na contenda dos filhos.

Então, à luz do sentimento novo que nos brotará do ser, examinaremos espontaneamente até que ponto teremos ditado o comportamento do adversário para conosco.

Muito difícil nos vejamos com alguma parte de culpa nos sucessos indesejáveis de que nos fizemos vitimas, mas ao influxo da Divina Providência, a cujo patrocínio recorremos, ser-nos-á possível recordar os nossos próprios impulsos menos felizes, as sugestões delituosas que teremos lançado a esmo, as pequenas acusações indébitas e as diminutas desconsiderações que perpetramos, às vezes, até impensadamente, sobre o companheiro que não mais resistiu à persistência de nossas provocações, caindo, por fim, na situação de inimigo perante nós outros.

Efetuando o auto-exame, a visão do montante de nossas falhas não mais nos permitirá emitir qualquer censura em prejuízo de alguém.

Muito pelo contrário, proclamaremos, de pronto, no mundo íntimo a urgente necessidade da Misericórdia Divina para o nosso adversário e para nós.

Então, não mais falaremos no singular, diante daquele que nos fere: – "eu te perdôo" e sim, perante qualquer ofensor com que sejamos defrontados no caminho da vida, diremos sinceramente a Deus em oração: – “Pai de Infinita Bondade, perdoai a nós dois."

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Atenção
Médium: Francisco Candido Xavier

16 dezembro 2011

Ante o Apelo do Cristo - Emmanuel


ANTE O APELO DO CRISTO

“Sede perfeitos”! — conclamou o Divino Mestre — entretanto, sabemos que estamos presentemente mais distantes da perfeição que o verme da estrela.

Ainda assim, Jesus não formularia semelhante apelo se estivesse ele enquadrado no labirinto inextricável do “impossível”.

Podemos e devemos esposar a nossa iniciação no aprimoramento para a Vida Superior, começando a ser bons.

Entretanto, é necessário distinguir bondade da displicência com que muita vez nos rendemos à falsa virtude, de vez que, em toda parte, existem criaturas boas, emaranhadas na negação da verdadeira bondade.

Vemos pessoas de boas intenções acendendo a fogueira da discórdia, entronizando a astúcia no culto devido à inteligência; para consolidar a maldade; para empreender a separatividade; para os objetivos da desordem; para a conservação da ignorância e da penúria que amortalham grande parte da Humanidade.

Busquemos o padrão do Cristo e sejamos bons, quanto o Mestre nos ensinou.

É natural não possas ser apresentado, de imediato, em carros de triunfo, à frente da multidão, categorizado à conta de santo ou de herói, mas podes ser o irmão do próximo, estendo-lhe as mãos fraternas.

Observa, em torno da mesa farta ou ao redor da saúde que te garante a harmonia orgânica e considera as tuas possibilidades de auxiliar.

Podes ser o irmão do companheiro infeliz, através de alguma frase de bom ânimo, o benfeitor do coração materno infortunado, o salvador da criança que luta com a enfermidade e com a morte, pela gota de remédio restaurador.

Podes ser o amigo dos animais e das árvores, o preservador das fontes e o defensor das sementes que sustentarão o celeiro de amanhã.

Desperta e faze algo que te impulsione para a frente na estrada de elevação.

Não te detenhas.

A vida não te reclama atitudes sensacionais, gestos impraticáveis, espetáculos de súbita grandeza...

Pede simplesmente que sejas sempre melhor para aqueles que te cruzem os passos.

Esqueçamos o mal e procuremos o bem que nos esclareça e melhore.

Ainda agora e aqui mesmo, enquanto relemos o convite do Senhor, podemos formular no coração uma prece por todos aqueles que ainda não nos possam compreender e, através da oração, começar a obra de nosso aperfeiçoamento para a Vida Imortal.

De “Canais da Vida”
De Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel

15 dezembro 2011

Louvemos a Dor - Isabel Campos


LOUVEMOS A DOR

O tempo é um calmante e um amigo, um remédio e uma Bênção.

A existência na carne é simples passagem por um túnel escuro. E a nossa felicidade nasce, não dos anos que despendemos ao atravessar o mundo, mas sim dos bens que dentro dele conseguimos improvisar.

Tudo na carne é como vemos um dia – manhã cheia de sol, crepúsculo de sombras e noite cerrada ao nosso olhar.

Felizes daqueles que acendem estrelas no firmamento do próprio coração, para que a jornada se torne menos dolorosa, no nevoeiro noturno, que precede a alvorada seguinte.

Perdoemos a vida e as criaturas pelas angústias que impuseram à nossa sensibilidade.

As mãos feridas são mais seguras que os braços habituados a dominar.

As grandes torturas são grandes bênçãos. No mundo, o nosso sentimento de personalismo não nos permite essa realidade. Mas a morte opera em nós completa reforma quando não receamos a verdade tal qual é.

Bendigamos a dor que zurziu a alma, em todos os passos do dia de ontem. Pouco a pouco, transformar-se-á o nosso sofrimento no óleo bendito que sustentará a claridade da candeia frágil de nossa experiência na Terra.

Sem a luta, dormiríamos na matéria densa, sem qualquer proveito. Deus, porém, que é o nosso Pai de Infinita Bondade, permite que a aflição os acompanhe, no mundo, na condição de abnegação instrutora e, com o decurso do tempo,a paz se converte em nossa companheira para todas as situações e problemas terrestres.

Estudemos e trabalhemos sempre mais. Seja a fé religiosa para nós um meio de ajudar a todos, para que estejamos atuando, e fato, em nome do Cristo, que tantos dons nos concedeu.

Jamais nos arrependeremos da obra que vamos levantando, no terreno do nosso próprio coração – obra de amor, entendimento, humildade e perdão.

A vida responde ao nosso esforço na mesma intensidade de nosso impulso, na criação do bem.

Esperemos a passagem dos dias.

Trabalhemos na sementeira de nossa Consoladora Doutrina, nas duas margens de nossa estrada para Jesus e guardemos a certeza de que não nos faltará o amparo do Senhor.

Chegaremos um dia à praia segura, depois da tempestade. Não será, contudo, o porto enganoso da vitória na Terra, mas o refugio doce da serenidade e da compreensão, onde nosso espírito poderá realmente repousar e preparar-se, ante o futuro que se desdobrará no amanhã.

As sementes do Evangelho, caídas de nossas mãos, um dia serão árvores robustas e preciosas, proporcionando-nos alegrias que nossa imaginação não poderá avaliar, por enquanto.

Identifiquemo-nos com serviço da Humanidade e, nesse sublime trabalho, encontraremos a força preciosa para o sacrifício abençoado que nos garantirá a sublime ascensão.

Pelo Espírito Isabel Campos
Do livro: Cartas do Coração
Médium: Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos


14 dezembro 2011

As Lágrimas - Miramez


AS LÁGRIMAS

As lágrimas são secreções provocadas pelas emoções que, por sua vez, desenvolvem os sentimentos. Podeis notar que a mulher, quase de um modo geral, desprende lágrimas com mais facilidade, pois suas emoções se encontram à flor da pele. São mais impressionáveis, visto que são mais sensíveis.

Há muitos estudiosos que dividem as lágrimas em várias temáticas, como:

lágrimas expulsas pelo ódio, lágrimas afloradas pela alegria, lágrimas advindas da esperança, lágrimas libertadas pela dor, pérolas lacrimais convidadas ao passeio facial pelo amor... Mas, na verdade, todos esses aspectos são aparentes. Elas surgem do impulso do amor e, compondo o microcórrego dentro de nós, têm as mesmas funções dos rios que servem à limpeza pública. As lágrimas libertam as energias inferiores presas em vários pontos do corpo, afrouxam o sistema nervoso e tranquilizam o coração.

Chorar, na sua feição verdadeira, é descarregar a tensão psíquico-orgânica, dando vazão ao espírito e a novas e acertadas atitudes.

Se alguém vos ofendeu sem que sejais culpado na presente existência, lembrai-vos de que já tivestes várias reencarnações, e que a ofensa pode ser cobrança do passado. Se tendes vontade de chorar por isso, chorai sem escândalos.

Entrai no vosso aposento e descarregai as energias inferiores, secretamente, que essa é uma oportunidade de ficardes livres de leves faltas anteriores. As lágrimas, nessa hora, são as misericórdias ou veículos de limpeza da vossa consciência.

O muro das lamentações dos judeus é um grande estímulo aos sentimentos: processo rude, mas evolutivo, das qualidades dormitantes do coração. E esses judeus reencarnaram com profusão em Portugal, mostrando-se o povo mais sensível do planeta à dor alheia, que o Brasil, por assim dizer, herdou dos lusos, pelo cruzamento das raças. Os campos santos, os hospitais são forças que desatam lágrimas, liberando, igualmente, o amor.

Os artistas são pessoas de grande sensibilidade, pois eles exercitam a memória dos sentimentos, como dizeis, para que as lágrimas fluam nas horas que se lhes apraz. E esse domínio leva-os a certa grandeza espiritual, pelo amor. Há também as lágrimas de defesa, quando o ofendido é a parte mais fraca, como as mulheres e crianças. Se assim se pode falar, é o choro-socorro, que desperta a compaixão. No entanto, é bom que entendais que a vigilância deve estar presente no combate ao fanatismo, já que muita gente chora exageradamente em muitas metrópoles, para que alguém lhes dê dinheiro.

São os profissionais que exploram os sentimentos dos outros. De qualquer forma, é uma arte, cuja atividade, com o tempo, cura o abuso. Nada se perde no mundo, nem as lágrimas que molham as faces dos encharcados no vício e dos ladrões dos sentimentos.

Se o infortúnio vos visitou e algo vos oprime o peito, chorai, meu irmão, sem que os outros se incomodem com os vossos pesares. Se a vida vos sobrecarregou com pesados fardos nesta existência, e vos sentis fracos para a caminhada, fazei como a criança quando repreendida pelos pais. Chorai com elegância, que os pais espirituais aproximar-se-ão de vós, pela vossa humildade, desfazendo-se em misericórdia e carinho, de sorte e vos levantar.

As lágrimas, quando derramadas na hora certa, são preces silenciosas que vibram mais alto que qualquer palavra. É o coração que fala, pelos canais da sensibilidade. Os espíritos superiores também choram, sob a influência do amor. Em tudo isso, não devemos nos esquecer do bom senso que regula a vida e nos mostra a felicidade.

Quando as lágrimas são santificadas pelos sentimentos, elas computam forças, enviando estímulos a todas as glândulas, principalmente às endócrinas, que segregam hormônios compatíveis com as necessidades do campo fisiológico. E, se a mente for adestrada dentro dessa verdade, podereis ajudar essa maravilhosa química pela vontade, alcançando mais depressa a paz e a saúde.

Fonte: “Horizontes da Mente”
De João Nunes Maia
Pelo Espírito Miramez

13 dezembro 2011

Brilhe Tua Luz - Joanna de Ângelis


BRILHE TUA LUZ

A movimentação contínua da massa humana causa-te preocupação, se consideras a problemática espiritual, que a todos diz respeito.

Grande parte se te apresenta carrancuda, sob o extenuar das dores para as quais não se preparou, convenientemente, derrapando em violências contra os outros e contra si mesma.

Outra expressiva quantidade de criaturas transita distraída, sem dar-se conta das responsabilidades que lhe dizem respeito.

A desinformação em torno dos valores do Espírito — aqueles que são de duração imperecível —, é alarmante, somando aos conceitos errôneos que muitos esposam, em chocante desconsideração quanto às realidades da Vida.

Tendo em vista tais situações, reflete em torno dos movimentos religiosos que conduzem as massas, esvaziadas de sentimento legítimo de fé, sem claridades interiores, ficando aturdido.

Sem dúvida, toda emulação edificante, intentando incorporar Jesus ao dia-a-dia dos homens, é de alta significação. No entanto, a claridade da fé deve estar sustentada pelo combustível dos feitos, sob pena de apagar-se de um para outro momento.

Para lograr-se tal desiderato é imprescindível que haja um suporte da razão que se apóia nos fatos, de que se não pode evadir a mente, quando ocorrências desagradáveis ameaçam o equilíbrio.

Desacostumados ao raciocínio em matéria de fé, os homens submetem-se aos códigos do amor agora, para abandoná-los mais tarde, crendo, por conveniências passageiras, antes por acomodação de interesses, do que pela necessidade de crescimento e renovação.

*

São respeitáveis as movimentações exteriores do clima religioso da Terra.
Todavia, é de vital importância a transformação moral do homem ante a presença da fé, na mente e no coração.

Quem diz crer e não produz para o bem do seu próximo, é insensato.

Se se utiliza da vida e não reparte bênçãos, torna-se dilapidador da oportunidade.

Se se enclausura na vaidade da salvação individual, faz-se parasita inconsequente.

Se impõe a sua forma de ser, estribado em presunçosas convicções, transforma-se em prepotente.

Somente quando nele brilha a luz do Cristo, exteriorizando em atos o odor da caridade e do amor, é que se encontra em condições de provar que o caminho da felicidade leva ao próximo, numa viagem para fora, após haver-se penetrado pela busca interior, mediante a introspecção e a prece que ora o sustentam nos cometimentos libertadores.

*

Não te detenhas, ante os impedimentos massivos, na tarefa de auxílio espiritual.

Junta a tua a outras candeias que estejam ardendo na noite das aflições, derramando parca luminosidade.

Vai ao teu próximo e clarifica-o com a mensagem do Cristo, chamando à ação e à responsabilidade.

Não obstante o Evangelho houvesse sido pregado para a aturdida multidão, o Mestre não se poupou esforços no ministério de atender e iluminar uma a uma as criaturas que dEle se acercavam.

Tem confiança irrestrita na Sua governança e faze a tua parte sem precipitação nem pessimismo, não temendo a mole humana, nem tombando na marginalização por indiferença ou timidez.

Espiritualiza-te, e deixa que a tua luz brilhe confortadora, apontando os rumos da paz para os que seguem contigo.

De “Alerta”
De Divaldo P. Franco
Pelo Espírito Joanna de Ângelis

12 dezembro 2011

Proteção e Realidade - Irmão X


PROTEÇÃO E REALIDADE

Praticando a proteção caridosa, Uriel, entidade angélica, transportara Levindo para uma colônia celestial, cheia de flores abertas e bonançosos ventos, onde almas laboriosas descansavam da luta humana e trabalhavam pela conquista do porvir na esfera superior.

Levindo não cometera crimes que abalassem a opinião dos homens; entretanto, extraíra da existência terrestre todos os proveitos e vantagens suscetíveis de favorecer as paixões inferiores. Estragara, na mocidade, os melhores anos do corpo, perseverara nos prazeres menos dignos em todo o curso da idade madura e, ainda na velhice precoce, fazia questão de parecer um jovem da época, peralta e conquistador.

A moléstia do fígado retivera-o no leito, durante meses; contudo, não lhe atendia o enfermo aos convites de meditação e, longe de tratar convenientemente da enfermidade, lutou, desesperado, contra a sua influenciação invisível, bombardeando-a com venenos químicos de variadas espécies. Duelava e reclamava, choramingando. Queria mais algum tempo na Terra para solucionar alguns negócios, dizia em pranto. Precisava liquidar certos problemas que a sua confiança no corpo adiara indefinidamente, mas o organismo exausto não lhe satisfazia as solicitações. As células cansadas enviavam à mente enérgico ultimato, exigindo independência. Haviam servido, sem cessar, a um tirano que lhes não oferecera tréguas, durante muitos anos de trabalho em comum.

Debalde, recorreu a remédios e providências.

Angustiado, Levindo recebeu a visita da morte numa noite escura e chuvosa, em que a ventania lhe roçava a janela, como lamentoso soluço. Teve medo, experimentou o inenarrável pavor do desconhecido e gritou estentoricamente. Todavia, seus gritos ecoavam noutras dimensões e não atingiam, agora, os ouvidos familiares. A esposa chorava copiosamente, beijando as mãos do seu corpo hirto, mostrando-se, porém, absolutamente insensível aos seus abraços de náufrago, a debater-se num mar pesado de sombras.

Alguém, no entanto, velava por ele, com generosidade fraternal. Era Uriel, o amigo invisível.

Recolheu-o com ternura e cerrou-lhe as pálpebras num sono tranquilo. Que não pode fazer no Universo o magnetismo divino do amor? Uriel amava o companheiro e, por isso, podia protegê-la, envolvendo-o nos eflúvios de sua alma rica de luz.

O benfeitor deu-lhe, igualmente, uma rês, onde Levindo gozou abençoado sono de longas horas.

Acordando, contemplou o amigo que o amparava em silêncio. O pobre companheiro, recentemente desencarnado, crivou o mensageiro espiritual de perguntas e admoestações. Como passavam a mulher e os filhos? A Providência devia recambiá-la ao mundo, com bastante possibilidade de resolver os seus interêsses. Em verdade, poderia ter sido mais previdente. Mas, como poderia saber? E a casa? E a organização comercial que lhe custara incessantes desgostos? Estariam de acordo com os desejos dele?

Confortou-o Uriel, com palavras de esperança e amor, tentando tranqüilizá-lo.

Em seguida, usando a autoridade de que podia dispor, conduziu-o a encantadora cidade espiritual, acolhedora e feliz, pequeno céu onde se congregavam espíritos libertos das paixões inferiores, a caminho de sublime purificação.

O dedicado benfeitor apresentou-o aos companheiros. Todos julgaram tratar-se de alguém à altura da luminosa expressão daquele paraíso de entendimento. Todavia, logo após as primeiras saudações, Levindo revelava-se de maneira deprimente, perguntando, em lágrimas, sobre situações, pessoas e coisas que haviam ficado, à distância, na luta material. A um amigo do novo ambiente, que se identificava pelo nome de Almeida, indagou de antigo devedor de sua organização comercial, que se fazia conhecer no campo terrestre pelo mesmo nome, acrescentando que a dívida do infeliz encarnado montava a mais de cem mil cruzeiros. O interpelado respondeu sorrindo:

– Quem sabe? É possível que esteja no quadro de meus antigos familiares. Somos tantos Almeidas! entretanto, nada lhe posso adiantar agora. Deixei o sangue terreno, há muitos anos!...

Provavelmente, Levindo desejaria reaver o dinheiro, embora fosse outra a moeda em circulação.

Por mais que Uriel lhe aconselhasse serenidade e senso prático na nova situação, continuava ele em estado de grave exaltação passional.

As brisas cariciosas e o divino céu inflamado de ouro e azul brilhante, as flores matizadas de luz e as tôrres resplandecentes não conseguiam modificar-lhe a mente apaixonada pelas sensações mais grosseiras da Terra. Se os amigos lhe recomendavam a oração, respondia, em desespero:

– Como entregar-me à prece? Não posso.

Não sei como passam minha mulher, meus filhos, meus negócios. Como teriam sido utilizados meus títulos bancários? E o inventário de meus bens? será que a partilha se verificou justiceiramente?

E de rosto nas mãos crispadas, debulhava-se em pranto.

Qualquer conversação fraternal acabava em crises angustiosas.

Uriel esforçava-se em vão, até que, um dia, o grande orientador da comunidade espiritual chamou-o delicadamente, falando-lhe com franqueza:

– Uriel, você ama bastante a Levindo?

– Sim.

– Sabe, porem, que a proteção afetuosa somente pode dar resultados benéficos quando o protegido compreende o benefício e deseja recebê-lo?

– Sei.

– Então, ouça: poderia ele permanecer aqui, em nosso recanto celeste, mas a mente do infeliz airada está no inferno que se esforça por conservar indefinidamente, depois da morte do corpo. Não intente violentar as leis evolutivas.

O benfeitor inclinou a cabeça em sinal de assentimento e permaneceu silencioso, enquanto Levindo era chamado a outras providências.

Advertido pelo grande orientador, respondeu, chorando, que precisava regressar, que a família humana carecia dele, que os negócios deviam estar parados, à sua espera, que necessitava chamar os antigos devedores à prestação de contas. De qualquer modo, desejava partir.

O dirigente da cidade entregou a Uriel uma chave e recomendou:

– Abra-lhe a porta e deixe-o procurar o que lhe pertence.

Nesse mesmo dia, cheio de esperança, Levindo precipitou-se no purgatório terrível, onde a convivência com os demônios do mal lhe curaria a cegueira, com o sofrimento corretivo.

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Lázaro Redivivo
Médium: Francisco Cândido Xavier

11 dezembro 2011

Companheiros e Amigos- Emmanuel


COMPANHEIROS E AMIGOS

Quando te dispuseres a reclamar contra certos traços psicológicos daqueles que o Senhor te confiou ao ministério familiar, medita na diversidade das criações que compõem a Natureza.

Cada estrela se destaca por determinada expressão.

Cada planta mostra finalidade particular.

A rosa e a violeta são diferentes, conquanto ambas sejam flores.

Os caminhos do mundo guardam linhas diversas entre si.

Também nós, as criaturas de Deus, somos seres que se identificam pela semelhança, mas não somos rigorosamente iguais.

*

Conforme os princípios de causa e efeito, que nos traçam a lei da reencarnação, cada qual de nós traz consigo a soma de tudo o que já fez de si, com a obrigação de extrair os males que tenhamos colecionado até a completa extinção, multiplicando os bens que já possuamos, para dividi-lo com os outros, na construção da felicidade geral.

*

Não queira transformar os entes queridos sob o martelo da força.

Ninguém precisa apagar a luz do vizinho, para iluminar a própria
casa.

Uma vela acende outra sem alterar-se.

*

Ama os teus, aqueles com quem Deus te permite compartilhar a existência, entretanto, respeita o caminho de realização a que se ajustem.

Esse escolheu a senda do burilamento próprio; aquele procurou a via do trabalho constante; outro escolheu a trilha de responsabilidades intransferíveis a fim de produzir o melhor; e outro, ainda, indicou a si mesmo, para elevar-se, a vereda espinhosa das provações e das lágrimas.

Auxilia a cada um, como puderes, entretanto, não busques transfigurar-lhes o espírito, de repente, reconhecendo que também nós não aceitaríamos a nossa própria renovação em bases de violência.

*

Ama os entes queridos, tais quais são e quando nas provas a que sejam chamados para efeito de promoção na Espiritualidade Maior, se não consegues descobrir o melhor processo de auxiliá-los, acalma-te e ora pelo fortalecimento e paz deles todos, na certeza de que Deus está velando por nós e de que nós todos somos filhos de Deus.

De “Companheiro”
De Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel

10 dezembro 2011

Companheiros Hipócritas - Batuíra


COMPANHEIROS HIPÓCRITAS

"E ficaram de espreita. Enviaram espiões que se fingiram de justos, para surpreendê-lo em alguma palavra sua..." (Lucas, 20:20)

Diz um antigo provérbio: "Não há nada de nobre em ser superior a outro homem. A verdadeira nobreza está em ser superior ao que eras anteriormente".

Na realidade, a maioria das pessoas bem-sucedidas na organização da Casa Espírita não pensam em competição, mas constantemente se perguntam: "Estou mais próximo de minha meta hoje do que estava ontem? Estou melhorando? Como posso me aproximar de meus objetivos?"

A melhoria da qualidade de uma instituição não está no espírito competitivo, mas na convicção e no desempenho dos associados e na qualidade de seus processos criativos.

Os companheiros que se fixam em si mesmos ou em seus próprios interesses acabam desprestigiando o grupo, por serem incapazes de ver além do seu proveito pessoal. Dessa forma, os projetos de ação no bem não transcendem o imediatismo egoístico da evidência individualista.

No serviço cristão, onde engrossamos as fileiras do bem, todos somos candidatos à renovação de nossas almas. Nesse labor iluminado, Jesus Cristo comanda nossos passos na evolução.

Entretanto, onde há trabalho há antagonismo, mas para que alguém avalie com certeza e critique produtivamente a respeito determinada empreitada, precisa relacionar a quantidade do tempo de serviço vivenciado dentro dela.

Na ânsia de comandar e dirigir, mas desgostosos por sua incapacidade para tal, muitos companheiros consolam-se atirando pedras para amenizar sua vaidade ferida.

Fomentam armadilhas sondando os insatisfeitos e inconformados, formam grupetos e, como os antigos hebreus, que escolhiam uma cabra do rebanho e sobre ela lançavam seus pecados para que os carregasse, assim também hoje em dia a artimanha do bode expiatório funciona de forma análoga em muitas circunstâncias na equipe de trabalho assistencial cristão.

Muitos se atiram contra os obreiros que não acatam seu comando particular, agridem os companheiros que não seguem seu catálogo pessoal e só cooperam do cume da montanha para a base.

Geralmente, a falsidade e a adversidade, a deserção e a amargura não nascem de nossos rivais conhecidos, mas justamente daqueles que durante anos se nutriram conosco do mesmo pão e nas mesmas fontes da existência.

Os maiores ataques não partem de meios estranhos, mas sim do ambiente mais íntimo, onde a crítica áspera e a inveja, a imprudência e a ingratidão invadem a mente daqueles que convivem conosco no cotidiano. O opositor mais pernicioso é sempre o amigo desajustado.

Lealdade é uma via de mão dupla. Se usarmos de engodo e astúcia para com nossos companheiros de ideal, certamente encontraremos dentro em breve tudo isso nos caminhos da vida.

Não devemos estranhar o assédio desses irmãos transviados, se planejamos, perseverantemente, servir na Seara do Cristo.

Investirão no trabalho, acusando-nos de repressores; criticarão nossas realizações, nomeando-nos de orgulhosos; censurarão nossas interpretações evangélicas, chamando-nos de fascinados; escutarão nossas palavras de afetividade, ironizando sempre.

Não hesitemos, porém, diante do serviço do bem. Mesmo entre vibrações antagônicas, continuemos a aperfeiçoar a qualidade do serviço, tomar iniciativa e estabelecer limites com responsabilidade. Lembremo-nos de que, ante desavenças e dissensões, o tempo sempre será o mais salutar dos remédios.

De “Conviver e Melhorar”
De Francisco do Espírito Santo Neto
Espírito Batuíra