Total de visualizações de página

22 setembro 2017

O que é reencarnação compulsória - Morel Felipe Wilkon



O QUE É REENCARNAÇÃO COMPULSÓRIA



Para nós entendermos o que é a reencarnação compulsória, nós precisamos entender antes como normalmente se dá a reencarnação.

A reencarnação acontece por afinidade e atração. Espíritos afins, espíritos que têm afinidade uns com os outros, tendem a se atrair. Isso é tão evidente que nós vemos o resultado disso todos os dias: Num estádio de futebol milhares de pessoas se reúnem para olhar futebol, porque gostam de futebol, eles têm em comum o gosto pelo futebol; num bar, se reúnem os espíritos (pessoas são espíritos) que gostam de beber, eles têm essa afinidade uns com os outros – gostam de beber, então se reúnem num bar e bebem; numa faculdade se reúnem pessoas que gostam de um determinado tema, de uma determinada área do conhecimento; e assim por diante. Eu dei exemplos de coisas físicas, de coisas que acontecem aqui no plano físico, mas a afinidade é espiritual, ela apenas se manifesta no Plano físico.

Assim os espíritos se reúnem numa mesma família: por afinidade. Assim os espíritos são atraídos para os seus futuros pais. Então este é o processo natural: espíritos têm afinidade entre si, sentem-se atraídos uns pelos outros e essa atração pode resultar na reencarnação. Mas nós temos que entender o que é afinidade – ter afinidade com alguém é ter pontos em comum com este alguém, mas estes pontos em comum podem ser positivos ou negativos.

Os nossos desafetos são nossos espíritos afins. Eles só são nossos desafetos porque nós temos afinidade com eles – espíritos afins, então, são os afetos e os desafetos, são os espíritos com que nós desenvolvemos relações de amor e ódio. O contrário do amor não é o ódio, o contrário do amor é a indiferença. Amor e ódio entre pessoas (entre espíritos) é afinidade entre esses espíritos. O ódio é o amor doente, é um desajuste na nossa capacidade de amar.

Outro modo de reencarnar é através de um planejamento. Espíritos mais elevados, mais experientes, coordenam, dentro de certos limites, a evolução de grandes grupos de espíritos, e podem intervir em favor dos seus tutelados. Na literatura espírita nós temos um exemplo de planejamento reencarnatório no capítulo 13 do livro Missionários da Luz, que trata da reencarnação de Segismundo. Nós vemos que quando se aproximava o momento da reencarnação de Segismundo o instrutor Alexandre tinha em mãos os mapas cromossômicos do espírito, onde estavam previstas todas as características do novo corpo físico do espírito reencarnante.

Segismundo ia reencarnar como filho do homem a quem ele havia matado, na reencarnação anterior, e da mulher por quem os dois disputaram. Na existência anterior os dois disputavam a mesma mulher, e Segismundo matou o seu rival para ficar com a mulher. Agora Segismundo ia reencarnar como filho dos dois para que eles, em conjunto, numa formatação familiar, se rearmonizassem, se reajustassem consigo mesmos e uns com os outros.

No caso de Segismundo houve um planejamento nesse sentido – por merecimento dele; ele cometeu um erro grave, se arrependeu, se regenerou, se tornou um excelente trabalhador da espiritualidade.

Nesse caso, então, ele tinha merecimento e estava inteiramente de acordo com aquilo que esperavam dele. Mas há casos em que o espírito não tem interesse nem condições de seguir um planejamento. É muito comum que os espíritos que cometeram muitos erros fiquem num estado de semi-consciência, num estado de fixação mental, revivendo algumas cenas mais fortes da sua última reencarnação, ou mesmo repetindo indefinidamente os mesmos acontecimentos – disputas com outros espíritos, crimes – presos numa esfera de remorso, dor, revolta e ignorância.

Nesses casos espíritos mais elevados, aqueles que coordenam a evolução dos seus tutelados, podem interferir na vida desses espíritos perturbados, organizando uma reencarnação de reparação, uma reencarnação em que o espírito tenha, em primeiro lugar, a oportunidade de se livrar daquele estado de fixação mental. Então o espírito recebe um novo corpo, pai e mãe, ou quaisquer outras pessoas para lhe orientarem, de acordo com as suas capacidades – o espírito volta ao plano material para tentar se reajustar.

Pegando novamente um exemplo da obra de André Luiz, nós vemos em Nosso Lar, que é o primeiro livro da série A vida no mundo espiritual, que a mãe de André Luiz já era um espírito mais evoluído, mais adiantado. O pai de André Luiz, ao contrário, estava em regiões inferiores do umbral. O pai dele tinha tido algumas amantes quando encarnado e estava agora envolvido com duas dessas amantes num estado mental doentio.

A mãe de André Luiz se preparava para reencarnar e planejava casar novamente com o seu marido e assumir essas duas amantes do marido como suas filhas. Eles não teriam escolha – iriam reencarnar compulsoriamente, por influência da mãe de André Luiz.

Nesse caso nós vemos um espírito adiantado com interesse direto nesse planejamento, nesse reajuste. Mas há inúmeros casos, incontáveis casos de espíritos que reencarnam compulsoriamente sem contar com a ajuda interessada de alguém. Espíritos que se dedicam à obsessão, por exemplo. Esses espíritos, quando são afastados das suas vítimas, são às vezes encaminhados compulsoriamente para a reencarnação.

Com o avanço dos tratamentos espirituais, com o avanço da intervenção dos espíritos encarnados e desencarnados no plano astral, o que nós vemos hoje é exatamente um fenômeno de reencarnação em massa desses espíritos desajustados, desses pequenos e grandes malfeitores do astral.

Grande parte dos delinquentes jovens – que são muitos – são espíritos que reencarnaram compulsoriamente. Receberam uma nova chance – porque a reencarnação é sempre uma nova chance – e não estão sabendo aproveitar.

Alguns desses espíritos estão recebendo a sua última chance na Terra. Se não se ajustarem, continuarão o seu processo evolutivo em outro planeta, mais adequado às suas possibilidades.

Estamos em pleno processo de transição planetária.


Morel Felipe Wilkon



21 setembro 2017

O que está nos afastando de nossa humanidade? - Adriana Machado



O QUE ESTÁ NOS AFASTANDO DE NOSSA HUMANIDADE?


Não quero falar, neste artigo, da dor dos suicidas que, vendo-se sem forças, optam por um caminho tão drástico e sem retorno. Não quero falar da cegueira que os consome, a ponto de não enxergarem a sua importância no mundo, nem que seja no mundo de um outro alguém!

Eu quero conversar sobre a dificuldade de algumas pessoas para sentirem o que uma outra sentiria caso ela estivesse na mesma situação vivenciada; dela não tentar compreender os sentimentos e as emoções do outro, não procurando experimentar de forma objetiva e racional, mas, na pequenez de nossos sentimentos, o que aquele indivíduo poderia estar sentindo.

Infelizmente, seja pela crise financeira que o mundo está passando (e aqui no Brasil não é diferente), seja pela corrida exacerbada em que todos nós nos metemos (onde se exige que o Ter é mais importante que o Ser), o número de pessoas insatisfeitas, desesperadas e desesperançosas ao nosso redor somente aumenta. Tais sensações e sentimentos podem nos fazer acreditar que não somos capazes de superar as dificuldades, que não há mais caminhos a serem trilhados, que não temos mais outras escolhas a fazer...

Tal é essa a realidade que, em 2015, foi criada uma campanha de cunho nacional chamada “Setembro Amarelo”, para que a conscientização e prevenção ao suicídio tomassem força e chamassem a atenção de muitos para essa triste realidade. Desde que ela começou, cada um de nós pôde compreender um pouquinho mais sobre esse assunto pois, até pouco tempo atrás, falar sobre isso era um “tabu” e não falar sobre isso significava não sabermos identificar ou como ajudar a quem precisava.

Que a dor dos nossos irmãos tem um motivo, todos nós sabemos, mas o que faz aquele que não vive essa dor menosprezar a dor alheia? Como podemos olhar para um irmão em desespero e dizer que tudo o que ele sente é “frescura”, que o que lhe falta é “vergonha na cara”, que ele é um “covarde” por não enfrentar a vida ou que o que ele quer “é chamar a atenção”?

Nenhum filho de Deus quer morrer. Essa é a verdade! Todos temos um senso de preservação pautado nas leis perfeitas e imutáveis do Pai. Para infringirmos tais leis, a dor sentida ou a sua incompreensão em nosso ser precisa ser imensurável e para chegar a tal ponto, leva tempo! Só isso já seria bastante para compreendermos que toda ação junto a um possível suicida tem que ser preventiva.

Mas, como agir preventivamente junto a este irmão se estamos nos anestesiando diante da dor alheia? Se não queremos compreendê-lo ou, pior, o criticamos veementemente com escárnio ante a sua tentativa ou efetiva ação?

Infelizmente, nestes últimos tempos, tive conhecimento de algumas tentativas de suicídio na minha cidade. Surpresa, ouvi, não uma nem duas vezes, quando alguém tentava se suicidar (e por isso “atrapalhava” o movimento da ponte movimentada em que estava), que “ele deveria escolher melhor o horário de fazer isso porque estava atrapalhando a vida de todo mundo”. Em outra situação, ouvi também que “ele deveria se jogar logo e não ficar fazendo drama”. Oh, meu Deus! No que, realmente, essas pessoas estão baseando a sua vida? Onde está a sua humanidade quando escarneia diante da dor alheia? Os bombeiros levaram, em uma dessas tentativas, três horas para demover tal pessoa de cometer aquele ato fatal e algumas pessoas, que queriam passar pela tal ponte, diziam que eles estavam “gastando” tempo demais! Fico eu a pensar que, se fosse um filho ou um dos pais daquelas pessoas, se elas não desejariam a mesma dedicação e o mesmo tempo “gasto” para socorrerem alguém que lhes é caro!

Essa vida é passageira e tudo o que estamos conquistando, materialmente falando, é mais passageiro ainda. Precisamos estar atentos para não nos perdermos na busca desenfreada dos tesouros equivocados, porque acumular somente os tesouros mundanos não nos salvarão de nossa consciência culpada quando a vida nos mostrar que aqui pobres chegamos e pobres poderemos retornar.

Que estejamos atentos às nossas necessidades, mas jamais cegos às necessidades do nosso próximo, porque aí também está a essência da conquista de nossos verdadeiros tesouros.

Valorizemos aquilo que nos dá o direito de sermos chamados de seres humanos: nosso raciocínio aliado às nossas emoções e sentimentos. São eles que nos fazem empáticos à presença e necessidade do outro e que nos demonstram, através de nossas ações, o quanto já nos adiantamos em nossa jornada evolutiva.

Valorizemos a vida como um todo, para que não percamos a nossa tão preciosa humanidade.





20 setembro 2017

Esses Outros Terrorismos - Momento Espírita



ESSES OUTROS TERRORISMOS


Nos dias atuais as palavras terrorismo e terrorista ganharam espaço nas mídias do mundo inteiro.

Mas, afinal de contas, o que significam realmente esses termos?

Pois bem: terrorismo, segundo os dicionários, é um “ato de violência contra um indivíduo ou uma comunidade”.

E terrorista é aquele que infunde terror. Que espalha boatos assustadores ou prediz acontecimentos amargos.

Assim sendo, será que o terrorismo está distante de nós, ou, se bem analisado, poderíamos dizer que faz parte do nosso dia-a-dia mais do que imaginamos?

Será que poderíamos dizer que muitos de nós, de uma forma ou de outra, espalhamos o terror?

Terror quer dizer grave perturbação trazida por perigo imediato, real ou não; medo, pavor. Ameaça.

Dessa forma, quando analisamos nossas atitudes diárias vamos encontrar, em muitas ocasiões, verdadeiros atos terroristas.

Quando, por exemplo, um pai diz a uma filha: “se casar com aquele rapaz, mando-a embora de casa!”, esse pai está fazendo uma ameaça que infunde pavor e, portanto, está fazendo terrorismo.

Quando um esposo ou namorado impõe a sua companheira grávida: “ou você faz o aborto ou abandono você!”, está praticando terrorismo e induzindo ao homicídio de um ser indefeso.

Quando uma mãe diz ao filho pequeno que se ele não obedecer irá embora de casa e o deixará à própria sorte, está cometendo um ato terrorista dos mais sérios, impondo medo e pavor a uma criança que confia em seus pais.

Filhos que sabem da preocupação dos genitores e os aterrorizam com ameaças de suicídio ou de fugas que nunca se efetivam, mas infelicitam e apavoram, são terroristas domésticos agindo soltos.

Imposições e ameaças de chefes, baseadas em carências de funcionários que dependem do emprego para sobreviver, são atos terroristas que infelicitam e matam a esperança.

Religiosos que ameaçam seus fiéis com castigos e penas eternas, inventando um Deus temível e vingativo, espalhando pânico e terror nos corações incautos, são terroristas da fé, que agem livremente.

Por tudo isso vale a pena meditar sobre esses outros terrorismos que passam despercebidos a muitos olhares.

São tantos os terrores domésticos que infelicitam os seres, portas adentro dos lares, onde deveriam reinar o amor e a fraternidade.

Assim sendo, não imaginemos que o terrorismo está no seio deste ou daquele povo, desta ou daquela raça, pois ele está na alma humana, independente de nacionalidade ou religião.

Não imaginemos que o terrorismo está presente nos povos menos civilizados. Ele se encontra em cada coração capaz de promover o terror, seja em que nível for.

O preconceito de toda ordem, também é uma forma de terror, e vamos encontra-lo em todas as esferas sociais. Nestes dias, em que os olhares do mundo inteiro se voltam contra o terrorismo, vale meditar sobre nossos terrorismos particulares que tantas desgraças têm promovido.

E vale também lembrar que as grandes guerras e os grandes atentados terroristas são alimentados por guerras e terrorismos menores aos quais não damos importância.

Pensemos nisso e comecemos, de vez por todas, uma ação efetiva pela paz.

Iniciemos por baixar as armas internas da agressividade, da calúnia, da indiferença, da infidelidade, da violência, enfim.

Optemos por construir um mundo de paz, pacificando os nossos lares, nosso ambiente de trabalho, nossa própria alma.

Agindo dessa maneira, podemos ter a certeza de que teremos um mundo em paz, mesmo que seja apenas o nosso próprio mundo, que, em última análise, seria o início de tudo.


Redação do Momento Espírita
Texto inspirado em palestra proferida por Raul Teixeira no dia 12/10/01 na cidade de Ponta Grossa-PR.


19 setembro 2017

Socorro Sempre - Joanna de Ângelis



SOCORRO SEMPRE


Quem se dispõe a agredir verbalmente e a acusar sempre, encontra panoramas sombrios em todo lugar para verberar.

O maledicente converte-se em vaso impuro carregado de emanações deletérias, tresandando odores desagradáveis.

Tem a visão empanada pela treva da suspeita, o coração amargurado pelo clima da intranqüilidade, a mente atormentada pelos cipós da dúvida.

Elabora conceitos negativos e faz-se arma destruidora na economia da vida, sempre pronta a disparar dardos venenosos em todas as direções.

Alimenta sombras com negros prognósticos e arrasta outras mentes aos escuros pântanos da aflição, vertendo cal viva e ácido sobre feridas recém-abertas pelos estiletes das provações.

Não poupa, não se apiada de ninguém.

Examina com precipitação, conclui apressadamente, divulga com azedume.

As vidraças da alma, todavia, estão sempre sujas, o que impede veja claro o sol que brilha e o limpo caráter do próximo, que se mantém inatacável.

Guarda cuidado com o maledicente.

Elege o silêncio e a oração junto a ele, precatando-te de ferir e malsinar, com os estímulos dele.

Para preservar-te do mal que a peçonha das acusações indébitas produz, calça aos pés a tentação de censurar, considerando as próprias limitações e deficiências.

Aquele que arde nas labaredas do erro pode estar lutando contra as chamas, e dispensa o combustível nefando da observação deprimente.

Quem tombou, vítima do carro desgovernado da conduta, talvez venha comandando a máquina mental em desarranjo desde há muito, e escusa as pedras que a impiedade atira.

O náufrago, exaurido nas águas torvas do soçobro moral, recusa chuva de fel que o sepultará inevitavelmente no bojo do malogro.

No entanto, podes por a água da compaixão no incêndio voraz, distender mão amiga ao acidentado e tábua de compreensão ao desarvorado.

Basta que desejes identificar em cada coração um acidente positivo, e várias qualidades morais que ele conduz te surpreenderão.

As províncias do espírito são inescrutáveis a observadores apressados.

Acende a tua lâmpada de bondade onde a noite se estenda e converte os braços em traves de misericórdia, silenciando o reproche, a acusação, a admoestação.

Os infelizes já se encontram justiçados pela própria incúria.

Sê tua a clara face da manhã, para ele, em nome do radioso sol do amor.

O Mestre, que se comoveu ante a mulher surpreendida em adultério, o cobrador de impostos renegado, o centurião estrangeiro afervorado, a mulher desconhecida que o tocou, o ladrão que lhe pediu amparo, todos os fracassados e infelizes, foi rigoroso, no entanto, com os maledicentes e famelgas do seu tempo, na personificação de escribas e fariseus, invectivando-os e lamentando-os pelas graves responsabilidades de que eram portadores, alongando mãos e coração a todos os malogrados do caminho que aguardavam compreensão e carinho, no mais irretorquível ensinamento de que, os que necessitam de auxílio, são aqueles que nada têm.


Pelo espírito Joanna de Ângelis
Livro: Dimensões da Verdade
Psicografia de Divaldo Pereira Franco

18 setembro 2017

Mediunismo, Mediunidade, Animismo e Mistificação - Freddy Brandi



MEDIUNISMO, MEDIUNIDADE, ANIMISMO E MISTIFICAÇÃO



A expressão mediunismo, criada por Emmanuel, designa as formas primitivas de mediunidade que fundamentam as crenças e a religião primitivas. Primitivismo; adoração inclusive de objetos inanimados, broches, talismãs, amuletos, e etc., o fetichismo nas crenças indignas e religiões africanas. A diferença entre Mediunismo e Mediunidade está na conscientização do problema mediúnico. "A mediunidade é o mediunismo desenvolvido, racionalizado e submetido à religião religiosa, filosófica e às pesquisas científicas necessárias ao esclarecimento dos fenômenos, sua natureza e suas leis.

O mediunismo divide-se em vários ramos correspondentes, as noções africanas de que procedem. Existem as mais e as menos elevadas: Umbanda: - São as práticas mais elevadas e voltadas para o bem.

Quimbanda: - Rituais selvagens provocados pelo sangue dos animais sacrificados e queima de pólvora e outros rituais relacionados a inferioridades dos espíritos.

Candomblé: - São as Danças nativas de origem africana e indígena.

A Macumba: - É um ritual muito antigo. Diz Herculano Pires que a Macumba é um instrumento de sopro, geralmente, de bambu, que é tocado para chamar os espíritos do mato, é o "despacho", ao contrário do que se pensa, não é a oferenda de comidas e bebidas que é colocada nas encruzilhadas, mas o envio de espíritos inferiores para atacar as pessoas visadas.

Mediunidade: É a faculdade humana pela qual se estabelece a relação entre homens e espíritos. Não é um poder oculto que se possa desenvolver através de praticas, rituais ou pelo poder misterioso, desenvolve-se naturalmente nas pessoas de maior sensibilidade para captação mental, de coisas e fatos do mundo espiritual que nos cerca e nos afeta, com as suas vibrações afetivas e psíquicas.

É a faculdade ou aptidão que possuem certos indivíduos determinados médium, de servirem de intermediário entre o mundo físico e espiritual. A mediunidade é dada sem distinção a fim de que os espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico, os virtuosos, para os fortalecer no bem, e os viciosos para os corrigir.

Mediunidade é simplesmente uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos dócil, aos espíritos em geral. O bom médium é aquele que constrói boas qualidades morais e constantemente cultiva bons pensamentos, possui o hábito da oração e da leitura.

Dessa maneira , a mediunidade é a condição natural do homem, uma faculdade geral da espécie humana, que se revela em dois campos paralelos de fenômenos: os Anímicos: Que são os fenômenos mediúnicos, com há maior influência do espírito do médium na relação entre duas esferas, como nos casos de vidência.  
Espíritas: são fenômenos mediúnicos, quando, na relação, há uma atuação direta do espírito desencarnado sobre o encarnado, como ocorre na audiência e na psicografia.

Mistificação: São os escolhos mais desagradáveis da prática espírita; mas há um meio de evita-los, o de não pedires ao espiritismo nada mais do que ele pode e deve dar-vos; seu objetivo é o aperfeiçoamento moral da humanidade. Desde que, não vos afasteis disso, jamais sereis enganados, pois não há duas maneiras de compreender a verdadeira moral, aquela de que todo homem de bom senso pode admitir; mesmo que o homem nada peça, nem que evoque, sofre mistificações, se aceitarem o que dizem os espíritos mistificadores. Se o homem recebesse com reserva e desconfiança tudo que se afasta do objetivo essencial do espiritismo, os espíritos levianos não o enganariam tão facilmente.

Mistificar: Quer dizer; enganar , trapacear, burlar, tapear, iludir, iniciar alguém nos mistérios de um culto, torna-lo iniciado, abusar da boa fé.

“Do que se conclui que só é mistificado aquele que merece”

Animismo: (anima – alma) Sistema fisiológico que considera a alma como causa primária de todos os fatos intelectuais e vitais, isto é, expõe o fenômeno anímico como a manifestação da alma do médium, portanto, á alma do médium pode manifestar-se como qualquer ouro espírito, desde que goze de certo grau de liberdade, pois recobra os seus atributos de espírito e fala como tal e não como encarnado. Para que se possa distinguir, se é o espírito do médium ou outro que se comunica, é necessário observar a natureza das comunicações, através das comunicações e da linguagem.

Outro grande engano é confundir Animismo com Mistificação.

"Na verdade a questão do Animismo foi de tal maneira inflada, além de suas proporções, que acabou transformando-se em verdadeiro fantasma, uma assombração para espíritas desprevenidos ou desatentos. Muitos são os dirigentes que condenam sumariamente o médium, pregando-lhe o rótulo de fraude, ante a mais leve suspeita de estar produzindo fenômeno anímico e não espírita. Creio oportuno enfatizar aqui que em verdade não há fenômeno espírita puro, de vez que a manifestação de seres desencarnados, em nosso contexto terreno, precisa do médium encarnado, ou seja, precisa do veículo das faculdades da alma (espírito encarnado) e, portanto, manifestações anímicas".

A conclusão que chegamos é que não há fenômeno mediúnico sem participação anímica.

Existem também manifestações de animismo puro, ou seja, comunicação produzida pelo espírito do médium, sem a participação de outro espírito - encarnado ou desencarnado, pode ocorrer um processo espontâneo de regressão de memória. Existem fraudes de médiuns e de Espíritos que nada têm a ver com o animismo e o mediunismo. Pode ocorrer o desejo de promoção pessoal e de grupos. Existem a dos Espíritos que usam nomes falsos para desequilibrarem àqueles que se esquecem de estudar e julgam assim serem superiores demais. Devemos conservar a humildade e agradecer constantemente a oportunidade de servir.

Freddy Brandi

17 setembro 2017

O “ter” e o “ser” - Hérin Anadréas Roque Okano



O “TER” E O  “SER”



Hoje, como no passado, a criatura humana sofre as mesmas necessidades, possui os mesmos conflitos, agasalha dentro de si as mesmas inquietações, diferenciadas, é lógico, pelas circunstâncias de tempo e de condicionamento de técnica.

Um dos mais constantes problemas que permeia o Espírito é a dificuldade de estabelecer uma relação harmoniosa entre o ter e o ser. Em diversas épocas da Humanidade formularam-se e discutiram-se teorias acerca da posse dos bens terrenos, sua necessidade para o Homem e sua moralidade perante as leis de Deus.

Aristóteles, o eminente filósofo grego da Antiguidade (384/322 a.C.), em sua obra Política, preceituava que o ser humano, para ser virtuoso, necessitava possuir alguns Bens, que seriam os do Espírito, do corpo e das coisas exteriores, sem os quais germens criminológicos poderiam levá-lo ao desequilíbrio.

A religião, em suas diversas épocas e tendências ideológicas, ora pregava que aqueles que possuíssem bens materiais não entrariam no Reino dos Céus e ainda queimariam no fogo do Inferno, fazendo apologia da escassez ou da miséria, na busca da realização pessoal; ora pregava que se reconheciam os escolhidos de Deus por serem bem sucedidos na vida sócio-econômica.

“A psicologia sociológica do passado recomendava a posse como forma de segurança. A felicidade era medida em razão dos haveres acumulados, e a tranqüilidade se apresentava como sendo a falta de preocupação em relação ao presente como ao futuro.

Aguardar uma velhice descansada, sem problemas financeiros, impunha-se como a grande meta a conquistar” 1

Mais recentemente, com a era tecnológica, apregoa-se a necessidade de possuir a maior quantidade possível de recursos materiais, tendo desde o essencial até ao supérfluo, sem se importar com a utilidade de tais aquisições, pois o importante é consumir e consumir.

Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, assevera que os bens terrenos são poderosos elementos do progresso do Espírito, proporcionando o progresso intelectual e por conseqüência o progresso moral.

A posse é, segundo a Doutrina Espírita, uma necessidade que atende objetivos próprios, que não são únicos e exclusivos. O Espiritismo, portanto, não coloca o ter como causa imediata da felicidade, e sim como um meio e instrumento para atingir tal intento, criando condições para o indivíduo se educar e transformar os sentimentos conflituosos em harmoniosos, renovando-se intimamente.

Quando o indivíduo se encontra em estágio de infância psicológica, sendo egocêntrico e ególatra, cria mecanismos escapistas da personalidade, desumanizando-se e passando a categoria de semideus, desvelando caprichos infantis, irresponsáveis, que se impõem, satisfazendo as frustrações.

Revertendo esse quadro através da educação, metodologia da convivência humana e situações em que a Vida impõe mudanças, estrutura-se uma consciência de ser, antes de ter; de ser, ao invés de poder; de ser, embora a preocupação de parecer.

Sendo assim, o ter é elemento para ser, desde que não se abuse dele tornando-o pernicioso e prejudicial ao Espírito. Aplicando tais recursos de maneira sensata e lúcida experimenta o júbilo da realização, a imensa alegria do serviço, exteriorizada no bem estar que proporciona. Adquirindo, pouco a pouco, a consciência de si mesmo, que é a meta existencial, consegue discernir entre o ter e o ser, vibrando o auto-amor que desdobra a bondade, a compaixão, a ação benéfica em favor do próximo.


Bibliografia:

O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. XVI – Allan Kardec

O Homem Integral – Cap. 6 – Joanna de Ângelis (1)

O Ser consciente – Ter e Ser – Joanna de Ângelis


Hérin Anadréas Roque Okano
Jornal Verdade e Luz Nº 177 de Outubro de 2000

Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


16 setembro 2017

Ciúme - Andrey Cechelero



CIÚME


O ciúme é a inquietação mental causada por suspeita ou receio de rivalidade nos relacionamentos humanos. É uma distorção, um exagero, um desequilíbrio do sentimento de zelo.

Adentrando na intimidade deste sentimento, vamos descobrir que ele é “medo”, medo de algum dia ser dispensável à pessoa com a qual se relaciona; é o medo de ser abandonado, rejeitado ou menosprezado; medo de não mais ser importante; medo de não ser mais amado, enfim, é, de certa forma, medo da solidão.

O psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Ferreira Santos, revela que tal sentimento é totalmente voltado para si mesmo, egocentrado no indivíduo, e por esta afirmação podemos entender o porquê da frase do personagem “lago”, de Shakespeare, dizendo que o ciúme não precisa de causas exteriores, que se gera em si mesmo.

Suas causas interiores, segundo Joanna de Ângelis, Espírito, são encontradas principalmente na insegurança psicológica, na baixa autoestima, no orgulho avassalador que não suporta rivalidades, e no egoísmo, que ainda nos faz ver aqueles que estão à nossa volta como posses.

O ser inseguro transfere para o outro a causa desta insegurança, dizendose vítima, quando apenas é escravo de idéias absurdas, fantasias, ilusões, criadas em sua mente, que ateia “incêndios em ocorrências imaginárias”.

Agravado este sentir leva a psicoses, a problemas neuropsiquiátricos, como diversos tipos de disritmias cerebrais, sendo causador de agressões físicas e crimes passionais.

Além disso, não podemos esquecer que sua existência é sempre uma porta aberta para a obsessão, uma oportunidade de sermos influenciados por aqueles que desejam nosso mal.

O ciúme é um sinal de alerta mostrando que algo não vai bem, que algo precisa ser reparado, repensado. Sua erradicação de nossos viveres somente será realizada com a análise íntima constante, com o vigiar dos pensamentos, dos atos, lembrando sempre que “ninguém é de ninguém”, que não possuímos as pessoas, e que o verdadeiro amor LIBERTA e CONFIA.

O ciúme “insegurança” precisa ser substituído pela CONFIANÇA “certeza”, que é sim uma real prova de amor.


Andrey Cechelero
Jornal Mundo Espírita de Março de 2001


15 setembro 2017

Arrependimento - Maria Aparecida Ferreira Lovo



ARREPENDIMENTO


A palavra arrependimento, de acordo com o dicionário significa: pesar do que fez ou do que se perdeu.

O arrependimento sempre acontece na consciência daquele que está em débito para com as leis divinas.

Começa como simples lembrança da falta cometida, que se supunha já não existir mais nem um sinal; depois, a recordação do momento infeliz que se estabelece, e que pode levar à obsessão.

O arrependimento que oferece oportunidade para a reabilitação da falta cometida, é convite da consciência para refazer a atitude, a ação mal sucedida.

Quando a criatura descobre que errou e se arrepende, mas, imediatamente começa a ação reparadora, estará se abrindo para o Bem.

Aquele que não se arrepende das faltas cometidas, permanece no estado primitivo, com a consciência adormecida.

O arrependimento sincero constitui elevada conquista do sentimento humano, e indica amadurecimento da razão e da emoção. Ele surge após a pessoa analisar o erro, descobrindo a falha pessoal no julgamento, na atitude e na conduta em relação às outras pessoas.

Somente quando a consciência desperta e faz uma avaliação dos danos causados, é que o arrependimento honesto toma corpo e domina, buscando meios para a reparação dos males que foram praticados. Embora seja o primeiro passo na elevação do caráter, o arrependimento por si só não basta, é preciso reparar os males praticados.

Simão Pedro negou conhecer Jesus, porém, arrependendo-se entregou-lhe toda a existência a partir daquele momento.

Somente através da meditação diária dos atos praticados é que a criatura se previne das ações infelizes, e quando alguma acontecer, percebendo de imediato e arrependendo-se, logo começa a reparação, impedindo dessa forma a desarmonia interior.

O arrependimento ilumina a consciência, e a reparação é a consciência do dever em ação.


Bibliografia:

Desperte e Seja Feliz - Joanna de Ângelis - D. P. Franco - Lição 9
Leis Morais da Vida - Joanna de Ângelis - D. P. Franco - Lição 11


Maria Aparecida Ferreira Lovo 
Jornal Verdade e Luz Nº 183 de Abril de 2001

14 setembro 2017

Filhos, responsabilidade nossa! - Francisco Rebouças


FILHOS, RESPONSABILIDADE NOSSA!


Sendo Deus a Inteligência Suprema, podemos notar em toda a sua criação a presença dessa inteligência, nos processos do programa evolutivo de todos e de tudo que existe. Como são perfeitamente elaborados os programas de crescimento intelectual e moral do ser humano, quando destinado à vivência terrestre, no caminho da gloriosa imortalidade, em que todos sem exceção experimentam ao longo dos milênios as mais diversificadas posições no seio da família. Nesse contexto, os grupos familiares do planeta tendo ou não convividos juntos anteriormente, vivenciam posições alternadas no programa de Reencarnação a que todos estamos submetidos.

Por essa razão, uma a das missões de grande responsabilidade que o ser humano recebe quando no plano espiritual se prepara para mais uma etapa reencarnatória, é justamente a de aceitar receber quando reencarnado, espíritos desequilibrados e carentes na qualidade de filhos, para as necessárias orientações e os devidos cuidados de que se fizerem carentes, ajudando-os no reequilíbrio diante das imutáveis Leis de amor, pois, geralmente são espíritos com grandes necessidades e enormes dificuldades evolutivas.

A criança não é um “adulto miniaturizado”, nem uma cera plástica”, facilmente moldável.

Trata-se de um espírito em recomeço, momentaneamente em esquecimento das realizações positivas e negativas que traz das vidas pretéritas, empenhado na conquista da felicidade.

Redescobrindo o mundo e se reidentificando, tende a repetir atitudes e atividades familiares em que se comprazia antes, ou através das quais sucumbiu.

Tendências, aptidões, percepções são lembranças evocadas inconscientemente que renascem em forma de impressões atraentes, dominantes, assim como limitações, repulsas, frustrações, agressividade e psicoses constituem impositivos constritores ou restritivos — não poucas vezes dolorosos — de que se utilizam as Leis Divinas para corrigir e disciplinar o rebelde que, apesar da manifestação física em período infantil, é espírito relapso, mais de uma vez acumpliciado com o erro, a ele fortemente vinculado, em fracassos morais sucessivos.” ¹

A doutrina espírita através dos Espíritos Superiores nos esclarece sobre o assunto, mostrando-nos a responsabilidade de todo aquele que recebe de Deus, a sublime tarefa da Paternidade e da Maternidade, e os benefícios ou malefícios de uma boa ou má criação desses seres confiados aos nossos cuidados de pais.

“(…) Ó espíritas! compreendei agora o grande papel da Humanidade; compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se fielmente a cumprirdes. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem estar futuro. 

Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?  

Se por culpa Vossa ele se conservou atrasado, tereis como castigo vê-lo entre os Espíritos sofredores, quando de vós dependia que fosse ditoso. Então, vós mesmos, assediados de remorsos, pedireis vos seja concedido reparar a vossa falta; solicitareis, para vós e para ele, outra encarnação em que o cerqueis de melhores cuidados e em que ele, cheio de reconhecimento, vos retribuirá com o seu amor.

Não escorraceis, pois, a criancinha que repele sua mãe, nem a que vos paga com a ingratidão; não foi o acaso que a fez assim e que vo-la deu. Imperfeita intuição do passado se revela, do qual podeis deduzir que um ou outro já odiou muito, ou foi muito ofendido; que um ou outro veio para perdoar ou para expiar. Mães! abraçai o filho que vos dá desgostos e dizei convosco mesmas: Um de nós dois é culpado. Fazei-vos merecedoras dos gozos divinos que Deus conjugou à maternidade, ensinando aos vossos filhos que eles estão na Terra para se aperfeiçoar, amar e bendizer. Mas oh! muitas dentre vós, em vez de eliminar por meio da educação os maus princípios inatos de existências anteriores, entretêm e desenvolvem esses princípios, por uma culposa fraqueza, ou por descuido, e, mais tarde, o vosso coração, ulcerado pela ingratidão dos vossos filhos, será para vós, já nesta vida, um começo de expiação.

A tarefa não é tão difícil quanto vos possa parecer. Não exige o saber do mundo. Podem desempenhá-la assim o ignorante como o sábio, e o Espiritismo lhe facilita o desempenho, dando a conhecer a causa das imperfeições da alma humana.

Desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz da sua existência anterior. A estudá-los devem os pais aplicar-se. Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho.

Espreitem, pois, os pais os menores indícios reveladores do gérmen de tais vícios e cuidem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas. Façam como o bom jardineiro, que corta os rebentos defeituosos à medida que os vê apontar na árvore. Se deixarem se desenvolvam o egoísmo e o orgulho, não se espantem de serem mais tarde pagos com a ingratidão. 

Quando os pais hão feito tudo o que devem pelo adiantamento moral de seus filhos, se não alcançam êxito, não têm de que se inculpar a si mesmos e podem conservar tranquila a consciência. A amargura muito natural que então lhes advém da improdutividade de seus esforços, Deus reserva grande e imensa consolação, na certeza de que se trata apenas de um retardamento, que concedido lhes será concluir noutra existência a obra agora começada e que um dia o filho ingrato os recompensará com seu amor. (Cap. XIII, nº 19.)

Deus não dá prova superior às forças daquele que a pede; só permite as que podem ser cumpridas. Se tal não sucede, não é que falte possibilidade: falta a vontade. Com efeito, quantos há que, em vez de resistirem aos maus pendores, se comprazem neles. A esses ficam reservados o pranto e os gemidos em existências posteriores. Admirai, no entanto, a bondade de Deus, que nunca fecha a porta ao arrependimento. Vem um dia em que ao culpado, cansado de sofrer, com o orgulho afinal abatido, Deus abre os braços para receber o filho pródigo que se lhe lança aos pés. As provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando aceitas com o pensamento em Deus. E um momento supremo, no qual, sobretudo, cumpre ao Espírito não falir murmurando, se não quiser perder o fruto de tais provas e ter de recomeçar. Em vez de vos queixardes, agradecei a Deus o ensejo que vos proporciona de vencerdes, a fim de vos deferir o prêmio da vitória. Então, saindo do turbilhão do mundo terrestre, quando entrardes no mundo dos Espíritos, sereis aí aclamados como o soldado que sai triunfante da refrega”. ²

Cabe-nos, portanto, seguir as sábias orientações dos mensageiros celestes, e nos empenhar na nobre tarefa de encaminhar os nossos filhos para o crescimento e desenvolvimento das virtudes de que são portadores, enfrentando a tarefa da paternidade e da maternidade com responsabilidade, carinho e amor, certos de que Deus nos dará o justo salário ao final da obra que realizarmos sob suas bênçãos e a colaboração dos Espíritos Superiores.


Bibliografia:

1- Franco, Divaldo Pereira. pelo Espírito Joanna de Ângelis e outros. Livro: S.O.S Família  –  Livraria Espírita Alvorada Editora, Cap. 15

2) Kardec, Alla, O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. 112ª edição – Cap. XIV, item 9.

3) Grifos nossos.


Francisco Rebouças

13 setembro 2017

Esquizofrenia - Leonardo Machado



ESQUIZOFRENIA


Embora seja discutida como se fosse uma doença única, a esquizofrenia pode ser considerada como uma síndrome heterogênea, ou ainda como um grupo de transtornos com causas heterogêneas. A sua, pode ser considerada a história da própria psiquiatria, uma vez que a quantidade de estudiosos desta enfermidade é vasta. Neste contexto, pois, o psiquiatra francês Bénédict Morel (1809-1873) foi quem primeiro se utilizou do termo démence précoce, o qual seria latinizado, mais tarde, por Emil Kraepelin (1856-1926) como dementia precox. Caberia, porém, ao suíço Eugen Bleuler (1857-1939), em 1911, a criação do termo “esquizofrenia”, que indica a presença de um cisma entre pensamento, emoção e comportamento (esquizo = cisão, frenia = mente).

Muito embora, pense-se ser ela um achado raro, atualmente se sabe que a sua prevalência é algo em torno de 1% em todo mundo, entretanto, apenas uma pequena parcela desta população recebe o tratamento adequado.

Como há de se convir, não existem características patognomônicas da doença, ou seja, os sinais e os sintomas não são exclusivos da esquizofrenia, podendo-se, assim, encontrá-los em outros distúrbios psiquiátricos e/ou neurológicos. Dessa maneira, a sintomatologia esquizofrênica se apresenta demasiado abrangente. É interessante notar, no entanto, a presença importante das alucinações – alteração da percepção em que o indivíduo percebe algo na ausência do objeto e, por conseguinte, da sensação (delírios): há sensação e objeto, mas a percepção da realidade é alterada, fantasiada.

Neste ínterim, pela complexidade do distúrbio, foram diferenciados vários tipos de esquizofrenias, sendo estes os principais subgrupos: paranóide – caracterizada, fundamentalmente, pela presença de delírios de perseguição ou de grandeza; desorganizada ou hebefrênica – caracterizada, principalmente, por uma regressão acentuada a um comportamento primitivo; catatônica – caracterizada por uma acentuada perturbação psicomotora; indiferenciada – na qual pacientes dificilmente se encaixam em um dos outros tipos; residual – em que os delírios e/ou alucinações são pobres.

Mas, apesar destas diversidades de termos, a sua causa, para a Medicina oficial, é, ainda, desconhecida. Nada obstante, no aspecto bioquímico, observou-se que a atividade dopaminérgica está muito elevada nos indivíduos esquizofrênicos. E, na atualidade, outros neurotransmissores vêm sendo colocados na implicação da fisiopatologia desta doença, tais como a serotonina, a noradrenalina e o GABA. Neuropatologicamente falando, o sistema límbico, que exerce importante papel no controle das emoções, em pacientes portadores de tal síndrome, apresenta, conforme se observou, diminuição no tamanho da região que abrange a amígdala, o hipocampo e o giro para-hipocampal. Apesar de este sistema ser, de acordo com os estudiosos, a base fisiopatológica da doença, outras áreas cerebrais parecem estar envolvidas, como os núcleos basais, já que estão relacionados com o controle dos movimentos, os lobos frontais do telencéfalo, o tálamo e o tronco cerebral. Geneticamente, observa-se que há uma ligação na presença de distúrbios em membros de uma mesma família, sendo esta tanto mais forte quanto maior for o grau de parentesco. Modernamente, ainda, os exames sofisticados de imagens cerebrais, tais como a ressonância magnética e a tomografia por emissão de pósitrons, e os eletroencefalográficos vêm dando maiores subsídios para o estudo.

Um modelo para integração destes fatores etiológicos é o estresse-diátese, em que há no portador uma vulnerabilidade específica, ou diátese, a qual deve ser influenciada por um estresse para o surgimento da sintomatologia. De modo geral, tanto a primeira, quanto o segundo, podem ser biológicos e/ou ambientais. Outrossim, mecanismos ditos epigenéticos, como traumas e drogas, podem contribuir.

Percebe-se, pois, que a esquizofrenia é uma síndrome com grande componente fisiológico. A par disso, porém, fatores psicossociais merecem grande destaque. Neste sentido, diversas teorias que envolvem o paciente, a família e os aspectos sociais foram elaboradas. Como exemplo, tem-se as dadas pela psicanálise, não só as formuladas por Freud, mas também as de Sullivan e as descritas por Margaret Mahler.

Há de se considerar, no entanto, sempre, a complexidade desta enfermidade. Sendo assim, imperioso é lembrar das palavras de Bleuler, quando concluiu ser a esquizofrenia “uma afecção fisiógena, mas com ampla superestrutura psicógena”. Dessa forma, apesar das grandes descobertas, do ponto de vista fisiológico, já realizadas até aqui no campo dos mecanismos etiopatogênicos, é preciso convir que o arsenal ainda não se esgotou. Isso porque, afora as contribuições psicossociais, há que se levar em consideração o Espírito imortal, agente causal fundamental.

Não são de espantar, portanto, as palavras do sábio grego Sócrates, quando dissera: “Se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte dele passe bem”. Neste ínterim, a Doutrina Espírita identificando o indivíduo real como sendo o Espírito, ser pensante do Universo; estudando profundamente as relações deste com o corpo material, através do seu envoltório, ou perispírito, no dizer de Allan Kardec; comprovando a imortalidade da alma, através das comunicações mediúnicas, e a capacidade que os desencarnados têm de influenciar os ditos vivos; mostrando a reencarnação e explicando os mecanismos evolutivos da lei de ação e reação; mostrando a loucura por outro prisma; e destrinchando os mecanismos das obsessões, vem, por isso mesmo, abrir novos rumos ao entendimento desta importante doença.

Desse modo, como já dissera o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, “nessa estrutura psicógena”, falada pelo eminente psiquiatra suíço supracitado, situam-se, igualmente, “os fatores cármicos, de procedência anterior ao berço que pesam na consciência culpada…”. Isso porque, também, o paciente esquizofrênico é um Espírito imortal em processo de evolução.

Neste contexto, pois, observa-se que a esquizofrenia guarda a sua origem profunda no Espírito que delinque. Este fica atormentado pela consciência de culpa, devido aos erros de vidas transladas, os quais, provavelmente, passaram despercebidos pela justiça terrena, mas não foram capazes de ludibriar as leis do Criador, porque inscritas dentro do ser. Consequentemente, tal sentimento impregna o perispírito e, mais cedo ou mais tarde, em uma nova vida, vai trazer à tona no corpo físico, desde antes da concepção, os fatores necessários para a predisposição à síndrome e necessária reparação dos crimes cometidos.

Não se trata, portanto, de uma cisão do pensamento, conforme lhe indica o nome, mas de uma dificuldade em exteriorizá-lo, em face do processo complexo supra-explicado que constitui para o esquizofrênico um impositivo expiatório, uma vez que em outras tentativas provacionais, em outras existências, ele foi malsucedido.

Dessa maneira, com as contribuições da ciência espírita, pode-se entender a esquizofrenia como sendo uma síndrome que tem no seu fundamento um transtorno espiritual. Este gera no corpo os meios fisiológicos necessários à sua exteriorização, sendo influenciado por diversos fatores psicossociais. Além disso, é preciso levar em conta a influência negativa, através da obsessão, gerada pela(s) antiga(s) vítima(s) do atual doente, o que contribui para o agravamento do quadro e surgimento de outras disfunções características do transtorno. Por isso mesmo, é preciso vê-la como sendo um processo misto de natureza espiritual, fisiológica, obsessiva, e com fortes influências psicossociais.

Mister se faz anotar, ainda, que todas essas etiologias atualmente explicadas pela Ciência são, na verdade, “causas–consequências” e não as origens reais, uma vez que estas se encontram no ser causal e não na sua cópia material. Afora isso, a complexidade sintomatológica e causal está, certa e diretamente, ligada às intricadas e complexas tramas do Espírito e do destino. Outrossim, aquilo que muitos têm na cota de alucinações e de delírios são, em reiteradas oportunidades, contatos mediúnicos; não se ignorando, entretanto, que podem ser, também, reflexos da consciência turbilhonada que traz, de quando em vez, sensações do passado; ou, ainda, originadas pela desorganização do soma.

Portanto, por se tratar de uma síndrome com grandes componentes fisiológicos, o tratamento farmacológico com os antipsicóticos, proposto pela Psiquiatria, se faz urgente, tanto para reprimir os sintomas, quanto para tratar aquilo que preferimos chamar de “causas–consequências”. No entanto, visando ir além, não se deve furtar aos benefícios das diversas abordagens psicoterápicas vigentes.

Observando-se, porém, as contribuições do Espiritismo o qual vislumbra o ser integral, imprescindível se faz, com o objetivo de remontar às causas fundamentais da esquizofrenia, não ignorar a terapêutica espiritual em que figuram a desobsessão, a fluidoterapia pela imposição das mãos e pela água, a oração e, primordialmente, a psicoterapia oferecida pela Doutrina Espírita, que se baseia nos ensinos de Jesus sobre o amor e a caridade, e que, um dia não muito longínquo, estará impregnando os conceitos das academias.

Nada obstante, não se deve esperar resultados exageradamente rápidos em se tratando de tão grave enfermidade, que tem raízes fincadas em vidas passadas, vez que outra, multimilenares. Além do mais, seres imortais que todos são, os homens não devem vislumbrar apenas o momento fugidio, mas, sobretudo, o relógio do futuro.

Sendo assim, como ser imortal que vive no presente cuidando do porvir, o indivíduo, Espírito que é, deve procurar o trabalho da profilaxia. Neste contexto, como se pode deduzir, o Evangelho de Jesus é ainda, e sempre será, a melhor alternativa. A sua mensagem de vida abundante deve hoje, e deverá amanhã, penetrar a vida de todos em busca da saúde integral. O amor, terapêutico e profilático, é, e sempre será, o divino remédio. Neste sentido, pois, mister se faz lembrar destas palavras do Mestre, as quais são, ao mesmo tempo, claras e simbólicas: “Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não vos entregue ao ministro da justiça e não sejais metidos em prisão”. E esta prisão, muitas vezes, vem em forma de uma estrutura nervosa desajustada, qual a que ocorre em um paciente esquizofrênico.


Bibliografia:

KAPLAN, Harold I.; SADOCK, Benjamin J.;GREBB, Jack A. Compêndio de psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Trad. Dayse Batista. 7. ed. 6ª reimpressão. Porto Alegre: Artmed, 1997. Cap. 13, p. 439-466.

DENNIS, L. Kasper [et al.]. Harrison medicina interna. 16. ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill Interamericana do Brasil Ltda., 2006. Cap. 371, p. 2684-2865.

FRANCO, Divaldo P. Entre os dois mundos. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Bahia: LEAL, 2005. Cap. 13, p. 142-145.______. Loucura e obsessão. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. 1o. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 4, p. 49-52.

KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 90. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007.______. O evangelho segundo o espiritismo. 126. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. “Introdução”, item IV, p. 46. Mateus, 5:23-26.


Cleber Machado
Fonte: Reformador – Agosto/2007


12 setembro 2017

Os laços afetivos da adoção - Carlos Abranches



OS LAÇOS AFETIVOS DA ADOÇÃO


Somos seres essencialmente afetivos. Estamos ligados a tudo e a todos que nos despertam desejo de vínculo.

O que caracteriza o ser humano é esse movimento interior de investir energia psíquica sobre coisas e seres aos quais se vincula.

Uma nova encarnação se confirma pela união de duas células germinativas, cada qual com uma carga de investimento amoroso, motor e motivo de suas aproximações na fantástica trajetória de confirmação da vida.

Em vista disso, quando o bebê nasce, já traz consigo uma bagagem estrutural de afetos. Anterior a isso, o Espírito que conduz esse processo também já é depositário de valiosas expectativas, plenas de afeição e de carga amorosa dos que se dedicam ao sucesso de mais um projeto reencarnatório.

Tive contato com o pensamento da psicóloga polonesa Joanna Wilheim, radicada no Brasil desde a infância, quando veio para o país com os pais, fugidos da perseguição nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Assistente social e psicóloga clínica, Joanna se dedica há mais de 40 anos a investigar os meandros do psiquismo pré e perinatal. Com quase 80 anos, prossegue sendo uma pesquisadora incansável desse tema, além de manter seu trabalho diário como psicóloga, em São Paulo.

O texto que me chamou a atenção consta do livro Psicologia Pré-Natal.1 Nele, Joanna apresenta os pressupostos fundamentais de seu trabalho. Um dos capítulos tem o título “Vínculos afetivos e o bebê adotado”.

O argumento fundamental defendido pela autora é o seguinte: imagine um bebê que acabou de nascer, que saiu de dentro do corpo de sua mãe, a qual o albergou durante todo o período inicial de sua existência, e, de repente, se vê privado da possibilidade de retornar ao contato com ela.

Wilheim ressalta o marcante painel de emoções que agita a frágil intimidade do pequenino ser que, ao nascer, é separado de sua mãe para ser dado em adoção. Os espíritas costumamos considerar a adoção com os olhos da fraternidade e do desprendimento. Inúmeros autores espirituais reforçam essas perspectivas.2

Entre articulistas, destaco a opinião de Richard Simonetti, ao afirmar que “[…] o filho adotivo constitui sempre um treino dos mais nobres no campo da fraternidade. […] talvez raros serviços na Terra sejam tão compensadores em termos de Vida Eterna”.3

Hermínio Corrêa de Miranda4 apresenta opinião muito particular e carinhosa sobre o assunto, destacando que “se você percebeu por aquela criança o suave calorzinho do amor, tome-a nos braços e deixe que o amor o inspire. Se não lhe parece aconselhável levá-la para sua casa, mesmo assim dê-lhe seu amor, materialize esse amor em ajuda concreta, não excessiva, não sufocante e não possessiva, mas sob forma de apoio, para que ela possa viver onde está, minorando dificuldades, sem remover de seu caminho os obstáculos de que ela precisa para se fortalecer, ao aprender a superá-los”.

O que me chamou a atenção no pensamento de Joanna Wilheim é o ponto de vista pelo qual ela analisa a questão – o da criança adotada, de suas emoções, de sua ainda desconhecida capacidade de perceber o que ocorre consigo e que ficará registrado indelevelmente em seu inconsciente, com força bastante para interferir de maneira marcante em seu destino.

Somos seres necessitados de continuidade. É nela que se revela a coerência das escolhas, o resultado das opções de vida. Assim também ocorre com o bebê. É no espírito da continuidade que ele estabelece sua identidade, e as condições necessárias para isto lhe são dadas pelo contato com os pais.

Segundo Joanna, a dor que a ruptura deste contato produz na alma do bebê é muito grande. “Uma dor que ele sente sem entender o que sente, porque lhe faltam as ‘ferramentas’ para ele poder ‘se pensar’. Este imenso sofrimento da alma irá se expressar através de sintomas. Será à linguagem do corpo que a alma sofrida irá recorrer”. (Op. cit., p. 203.)

A psicóloga não se revela contra a adoção, mas assevera a importância de que esse processo seja feito de forma a preservar a integridade da criatura em foco.5 É por isso que ela destaca a importância de os pais adotivos falarem a verdade ao filho adotado sempre que possível, “desde os primeiros momentos da convivência”.

A condição ideal de uma adoção bem-sucedida, de acordo com a terapeuta, ocorre quando se preserva o sentimento de acolhida, sem que os pais se esqueçam de que o pequeno ser que passa aos seus cuidados foi, em primeiro lugar, rejeitado.

Ela pede que imaginemos a situação de um ser que passou nove meses de sua experiência intrauterina recebendo mensagens negativas de sua mãe: “eu não vou poder ficar com você”, “vou me livrar de você logo que você nascer”.

Ao agir assim, a mãe biológica evita vincular-se ao bebê que traz dentro de si, numa manobra psicológica defensiva para se proteger de sofrer.

E quais seriam as condições ideais de adoção? Para a psicóloga, seria fundamental que os pais adotivos estivessem presentes no nascimento do bebê, para lhe assegurar uma continuidade de ser. Para ela, o ideal seria que, logo depois de nascer, o bebê, após sentir o cheiro do corpo de sua mãe biológica, possa ser colocado em contato com o corpo de sua mãe adotiva.

Ela diz ainda que “se esse pequeno ser puder levar consigo uma peça de roupa com o cheiro de sua mãe biológica, eventualmente uma gravação da voz dela, explicando porque precisa deixá-lo aos cuidados de outra mulher, estariam criadas as condições que se aproximariam das ideais”. (Op. cit.,p. 111.)

Observando a dramática situação em que inúmeros recém-nascidos abandonados têm sido encontrados, quando não são vítimas de aborto (o noticiário comenta vários casos de bebês jogados em rios, em latas de lixo ou terrenos baldios), percebe-se que estamos ainda muito distantes das condições ideais sugeridas pela nobre psicóloga.

Mesmo assim, é nosso dever destacar os aspectos elevados da decisão de adotar uma criança, independentemente da melhor situação para que isso ocorra.

Sabemos que, por trás de uma opção desse teor, inúmeros mecanismos da realidade espiritual estão sendo operados para promover alterações significativas nos quadros cármicos das pessoas envolvidas.

Adotar é, antes de mais nada, um ato de amor e de desprendimento. Tenhamos nós a sensibilidade apurada o suficiente para que, se decidirmos realizar esse gesto, o façamos com a grandeza do sentimento de amor paternal, depositando no ser que entra em nosso lar todo o desejo de resgatar em nós a dignidade de sermos pais fiéis e amorosamente dedicados a nossos filhos do coração.


Referências:

1 WILHEIM, Joanna. O que é psicologia pré-natal. São Paulo: Ed. Casa do Psicólogo, 1997.

2 Leia-se, por exemplo, o caso de Marita, em Sexo e destino (psicografado por Francisco C. Xavier e Waldo Vieira, pelo Espírito André Luiz). Primeira Parte, capítulo 7, (Ed. FEB). Ainda pela mediunidade mediunidade de Francisco C. Xavier, Emmanuel relata a experiência do jovem Silano, neto adotivo de Cneio Lucius, em Cinquenta anos depois, (Ed. FEB).

3 Artigo publicado em Brasil Espírita, 1972, sob o título “Filhos adotivos”, p. 2.

4 MIRANDA, Hermínio C. Nossos filhos são espíritos. Rio de Janeiro: Lachâtre, 1993. p. 54.

5 Joanna é enfática no que se refere à prática das barrigas de aluguel. Ela considera essa decisão contrária à saúde emocional do bebê. Afirma que “não devemos esquecer nunca que a primeira relação – a pré-natal com a mãe biológica – é uma relação de paixão. É ela que estabelece os sulcos sobre os quais todas as demais paixões da vida serão buscadas e irão se moldar”. A psicóloga acredita que o ser humano vai passar a vida buscando reencontrar essa paixão perdida.

 Carlos Abranches
Reformador – Dezembro/ 2008