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20 novembro 2017

Luz do amor - Joanna de Ângelis



LUZ DO AMOR



Cultiva o Amor, qual o fizesses a um campo fértil, de onde planejasses retirar a subsistência; toda a colheita futura resultará de como programes, executes e assistas a sementeira.

De origem divina, o amor está latente no homem, que deve fazê-lo germinar e crescer, propiciando-lhe os fatores necessários, sem os quais dificilmente se desenvolverá.

O amor substitui o personalismo dissolvente, unindo os homens numa família sadia.

Consegue arrancar pela raiz o egoísmo, gerador da miséria de múltiplos aspectos que infelicita os homens.

***

O amor é como a luz – imprescindível para a vida.


***

O amor é como o ar - impossível existir, na Terra, sem ele.


***

O homem que vive sem amar ainda não aprendeu a viver.

O Amor é pão nutriente que, não usado devidamente, se deteriora, reaparecendo em expressões menos felizes, porque ninguém pode sobreviver sem a sua presença.

Reaparece, então, em forma de amargura - amor enfermo;

em manifestação de ódio - amor selvagem;
em paixão de posse - amor desequilibrado;
em revolta surda - amor despeitado;
como egoísmo - amor pessoal mórbido;
como queixa e competição - amor ciumento;
como vingança - amor desesperado;


***

Quando o homem ama, fomenta a vida e o progresso.

Em sua volta floresce a esperança, e o bem se irradia em todas as direções - amor fraterno;

a renúncia se a abnegação fazem parte do cotidiano - amor-sacrifício;
a felicidade se espraia onde ele surge - amor-bondade;
o perdão reanima os arrependidos - amor-indulgência;
a alegria reina em pleno campo da miséria - amor-caridade.

***


E porque "Deus é amor", ei-Lo em todo lugar dinamizando o homem e dignificando a vida.

Ama, pois, sem cessar, tornando-te um campo onde sempre medrem a ternura e a misericórdia, em nome do Amor Supremo.



Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P. Franco


Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


19 novembro 2017

Tudo está dando certo - Hugo Lapa



TUDO ESTÁ DANDO CERTO


Uma moça, chamada Caroline, jovem e muito religiosa estava fazendo as primeiras escolhas em sua vida. Decidiu que queria ser médica e optou em cursar medicina. Porém, no primeiro vestibular, não alcançou nota suficiente para passar. No ano seguinte prestou mais uma vez, e de novo não obteve sucesso. Estudou muito e tentou pelo terceiro ano consecutivo, e mais uma vez não conseguiu ser aprovada na universidade.

Após três decepções em três anos seguidos ela orou fervorosamente a Deus e perguntou por que ela não conseguia passar na universidade e qual era o motivo de suas tentativas frustradas. Ficou em oração por um tempo e veio em sua mente uma voz angelical que disse:

– “Está dando certo…”.

Caroline ouviu a voz, mas não deu importância, já que obviamente o vestibular não tinha dado certo, pois ela não passou em medicina, que era seu sonho. No ano seguinte tentou Direito e conseguiu ser aprovada, porém com certa tristeza.

Quando estava cursando Direito, leu num cartaz da faculdade uma excelente oportunidade de estágio, num dos escritórios de advocacia mais conceituados do Brasil. Passou por uma entrevista de emprego e foi muito elogiada pelo entrevistador. Mas na prova teórica necessária para a aprovação não teve o mesmo sucesso e foi reprovada. Assim que chegou em casa, a noite, orou mais uma vez aos anjos e perguntou por que o estágio também tinha dado errado, assim como a medicina. “Por que quase tudo dá errado?”, perguntou ela em oração. Subitamente ouviu a mesma voz angelical dizendo:

– “Está dando certo…”.

Mais uma vez não deu importância à voz, posto que, obviamente, ela tinha perdido uma grande oportunidade de estágio.

Caroline morava num apartamento com sua mãe. Havia terminado a faculdade quando, num ataque cardíaco fulminante, sua mãe morreu e a deixou sozinha neste mundo. Caroline se desesperou muitíssimo, pois era bastante apegada a sua mãe. Desenvolveu um quadro depressivo após a perda e precisou de alguns meses até se recuperar. Numa de suas crises de desespero, fez uma prece dirigida aos anjos do Senhor e mais uma vez perguntou:

– Por que Senhor? Por que tudo em minha vida dá errado?

Mais uma vez, a mesma voz angelical, muito bela, ressoou dentro de sua mente, mas agora lhe veio também à imagem de um anjo, que disse:

– “Está dando certo…”.

Caroline já começava a ficar brava com a voz. “Nada está dando certo, que droga!”, disse ela em voz alta. “Tudo em minha vida está dando errado! Não entendo por que Deus faz isto comigo!”

Após a morte de sua mãe, Caroline, que já era viciada em trabalho, começou a ficar ainda mais mergulhada nos afazeres do escritório em que começou a trabalhar. Já estava por demais estressada e cansada de tanto trabalho, e por isso acabou ficando muito doente e foi conduzida a UTI de um hospital com um quadro bem grave. Ficou mais de dois meses internada, sem poder trabalhar, e ficou pensando sobre a sua vida até aquele momento. Sua sensação era de ter perdido tudo e estar à beira de um surto. Mais uma vez orou ardentemente e pediu uma explicação a Deus e aos anjos.

– Deus, por favor, me ajude. Perdi tudo e estou aqui neste leito de hospital inválida. Qual o sentido de tudo isso? Por que tudo dá errado para mim?

Caroline ficou tão nervosa com essa situação que acabou tendo um ataque cardíaco. Percebeu seu corpo muito leve e começou a levitar acima do leito hospitalar. Viu a equipe médica tentando reanima-la, mas sem sucesso. De repente já não estava mais no hospital, mas numa espécie de cosmos espiritual infinito, além do tempo e do espaço, numa região de luz e amor. Nesse momento, uma voz suave disse:

– “Está dando certo…”.

Caroline reconheceu aquela voz. Era a mesma voz que, ao longo de várias fases de sua vida até aquele momento, havia sempre lhe incentivado com a afirmativa de que tudo estava dando certo. Logo depois um anjo apareceu. Caroline então resolveu aproveitar aquela situação de “quase-morte” e perguntou ao anjo.

– Ao longo de minha vida sempre ouvi sua voz dizendo que tudo estava dando certo. Mas eu não passei em medicina, perdi o estágio que tanto queria para minha carreira em Direito, minha mãe, que era a pessoa que eu mais amava morreu, fiquei depressiva e agora estou aqui, morta, após uma grave enfermidade. Como é possível acreditar que minha vida deu certo?

O anjo, com olhar amoroso, respondeu:

– Caroline, em todos os momentos difíceis de sua vida eu lhe disse que as coisas estavam dando certo, e de fato estavam. Você não passou na faculdade de medicina por que não seria feliz como médica, não era esse o seu dom. Você seria mais produtiva, feliz e cumpriria muito mais a sua missão sendo advogada. Você não passou no “prestigiado estágio”, pois seria estuprada no escritório nos primeiros dias de trabalho, o estuprador ficaria impune e isso provocaria feridas psicológicas que você dificilmente superaria. 

A morte de sua mãe serviu para você se libertar do apego que tinha dela, e para você aprender a se virar sozinha, como você conseguiu depois. A doença que te levou a interrupção do seu trabalho veio para que você pudesse parar um pouco com sua rotina super corrida e estressante e refletisse um pouco sobre você mesma, caso contrário, algo pior poderia ocorrer. 

Tudo isso serviu de aprendizado, lições que você jamais irá perder. Por isso eu sempre lhe transmitia o pensamento de que “Está dando certo”. De um ponto de vista humano limitado, tudo estava dando errado, mas de um ponto de vista infinito, dentro do seu desenvolvimento espiritual, tudo estava dando certo. 

Muitas vezes as pessoas pedem a solução dos seus problemas e acreditam que sua vida está toda errada. E na maioria das vezes, está tudo dando certo, mas o ser humano não percebe isso. Os anjos ficam repetindo “está dando certo… está dando certo…” e as pessoas não acreditam. Agora volte a Terra, pois ainda não chegou a sua hora. Você vai retornar e passar a viver uma existência muito melhor.


Autor: Hugo Lapa


18 novembro 2017

Não-ditos e Não-Feitos - Joanna de Ângelis

(Santos/SP - by Leguth)


NÃO-DITOS E NÃO-FEITOS



Estudiosos afeiçoados aos “ditos do Senhor” mergulharam, em todos os tempos, o pensamento nas fontes evangélicas, em busca de consolo e diretrizes, encontrando na clara mensagem da Boa Nova o clima de paz e amor necessários a uma vida feliz.

Narrativas comoventes relatam os encontros do Rabi Amoroso com os corações constrangidos pela dor e com es espíritos atribulados a todos ensejando, pelo verbo luminoso e sublime, os roteiros libertadores.

Páginas de beleza inefável têm sido elaboradas sobre os efeitos e as palavras do Enviado de Deus, favorecendo o pensamento humano com antevisões do porvir e sugerindo retrospectos das inolvidáveis emoções que viveram os que participaram das jornadas d’Ele...

Infelizes e enfermos de variada classificação, obsidiados e dementes de muitas alienações foram reconduzidos à serenidade e à paz através da mensagem de esperança que Ele nos dá, desde então, como pábulo que nos mantém alimentados, conduzindo-nos para a frente e o amanhã.

-o-o-

Muito mais poderia ter dito e feito o Senhor.

Não o disse, porém, nem o fez.

E o que não disse, o que não fez, são tão grandiosos que atestam a excelente procedência d’Ele.

Recusado por uma aldeia do interior de ser ali agasalhado, nada disse, e instado pelos discípulos para que ateasse o fogo do céu sobre o lugarejo ímpio, não o fez. Retirou-se em silêncio, plácido e triste, seguindo adiante...

Impossibilitado de falar ao povo de Gadara, após a recuperação psíquica do gadareno, não disse uma sentença condenatória, não teve um gesto de revolta. Imperturbável, retornou ao mar e à Galileia...

Acusado por comensais dos interesses imediatos, de açular as massas infelizes que O seguiam esperançadas, não disse um revide, não expôs uma defesa, não reagiu com irritação, não fez uso dos seus poderes...

Conclamado por aqueles que O desejam triunfador na Terra não apresentou explicações, não debateu o assunto, retirou-se a sós...

Diante de Pilatos quase nada disse, nada fazendo e, no entanto, poderia tudo dizer e tudo fazer.

Na cruz, resignou-se a não dizer senão o indispensável para o tributo de amor, submetendo-se, incomparável, à Vontade do Pai.

E mesmo depois de ressurgido não disse nem fez o que muitos esperavam.

Afirmou a imortalidade atestando-a, realentou os companheiros com o seu amor de compreensão e, ao ascender aos Cimos, despachou-os para as tarefas do “dizer” e do “fazer” como Ele mesmo disse e fez.

-o-o-

Medita sobre os não-ditos e não feitos do Senhor.

Se a dificuldade e a incompreensão de quem amas, quando a serviço d’Ele, t amesquinham, não te amofines.

Se a luta recrudesce e o combate acirra, não desesperes.

Se a enfermidade avança e te vence, não desanimes.

Se todos os males de fora e de dentro de ti mesmo ameaçam conduzir-te à desencarnação, não recalcitres.

Não te defendas, se injuriado.

Não te justifiques, se perseguido.

Não te exponhas, se angustiado.

Não digas, nada faças, mesmo que tenhas o que dizer e disponhas de recursos para fazer.

Teus ditos e teus feitos já falaram por ti. Se não se fizeram ouvir, porfia confiante, de fé robusta.

Mais vale ser vítima da impiedade quando se está com a consciência tranquila, do que perseguidor entre ovações, carregando uma consciência em brasa.

E se a vida solicitar ao teu espírito o pesado tributo da tua doação total pela causa de amor que abraças, na Seara de Luz do Evangelho e do Espiritismo, não te negues, não recuses, nada digas, nada faças, entregando a vida e aspiração às mãos d’Ele, pois que mesmo morrendo na liça incompreendido e ralado, ascenderás tranquilo aos páramos do amor para voltares a fim de ajudar, mais tarde, os que te perseguiram e injuriaram vitoriosamente, ficando, porém, nas linhas sombrias e tristes da retaguarda, esperando pelo teu socorro.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis
De “Dimensões da Verdade”, de Divaldo P. Franco

17 novembro 2017

Um mundo para nossas crianças - Momento Espírita



UM MUNDO PARA NOSSAS CRIANÇAS


Ante tantas guerras e rumores de guerras, atentados terroristas que roubam a paz das gentes simples, é de nos perguntarmos: que mundo estamos construindo para nossos filhos?

O que ofereceremos para esses pequenos que apenas desabrocham para a vida física?

O que estamos preparando para seus olhos, para seu futuro?

Importante seria se nos preocupássemos em construir um mundo onde eles pudessem viver o amanhã, mantendo o brilho no olhar.

Com menos tristeza estampada na face. Menos dor pela perda prematura dos pais.

Menos desencanto por verem partir seus amigos e encontrar tantos bancos vazios na escola.

Um mundo em que as pessoas pudessem andar livres pelas ruas, sem temer balas perdidas, arrastões ou manifestações agressivas.

Um mundo onde todos se unissem para vencer a enfermidade, a fome, a miséria, que ainda existe em tantas vielas da Terra.

Onde cada qual pensasse no melhor para a sua família e para o seu próximo.

Um mundo onde as crianças pudessem sonhar, com a única preocupação de crescer e se tornarem cidadãos úteis, trabalhadores do bem.

Criaturas que encantassem o planeta com sua arte, enchendo-o de maravilhosos sons com a sinfonia das suas vozes.

Ou com a leveza dos seus corpos na dança.

Ou com a agilidade e eficiência nas disputas esportivas.

Ou utilizassem suas mentes, suas mãos para curar enfermidades que persistem em machucar tanta gente.

Ou pudessem se dedicar a experimentos que resultassem em inventos para facilitar a vida do homem sobre a face da Terra.

Quem sabe, vencer a gravidade e lançar-se no espaço, rumo a novas descobertas, novas estrelas?

Uma criança é um raio de luz. Não apaguemos a esperança que brilha em seu olhar, em seus gestos.

Construamos um mundo em que cada criança tenha seu lugar ao sol, seja amada, possa brincar livre, vivendo intensamente sua infância.

Em que possa ir à escola, ir ao parque, à piscina, ao campo, à praia, sem medo.

* * *

É possível que ouvindo esta mensagem alguns de nós digamos que somos pessoas normais, vivendo o dia a dia, sem poder interferir nos conflitos armados ou em decisões armamentistas.

No entanto, pensemos em como podemos semear a paz em nossos dias, sendo menos agressivos, mais tolerantes.

Que não dirijamos nosso carro como se fosse uma arma, que respeitemos nosso semelhante, que honremos o trabalho honesto.

Há tanto para fazer neste mundo que pode beneficiar a muitos.

A vibração de amor que lançamos na direção do outro é a mesma que acalmará a onda dos conflitos armados.

A dignidade com que executemos nossas tarefas diminuirá a corrupção, a desonestidade.

A nossa doação em espécie ou em trabalho voluntário diminuirá dificuldades que se apresentam próximas ou distantes.

Um mundo novo. Um mundo para ser compartilhado com todos.

Um mundo para nossos filhos. Um mundo de esperança, bordado com as cores do arco-íris.

Comecemos hoje e unamo-nos a outros tantos que já semeiam no mundo o bem, o amor, a paz.

Façamos isso pelos nossos filhos. Pelas nossas crianças. Por nós mesmos que retornaremos, em futuras vidas, para o mundo que construirmos agora.


Redação do Momento Espírita, com base na canção Let the children have a world, de Danna Winner.


16 novembro 2017

Intersexualidade, o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea” - Jorge Hessen



INTERSEXUALDADE, O SER HUMANO NÃO SE REDUZ À MORFOLOGIA DE "MACHO" OU "FÊMEA"


Em 2012, Zainab, uma parteira queniana, fez o parto de uma criança intersexual (que possui órgãos genitais masculinos e femininos). Quando a mãe viu que o sexo do bebê não estava definido, ficou surpresa. O marido pediu para que Zanaide matasse o bebê, mas Zanaide pegou a criança para si e cuidou dela, embora sob riscos, pois na comunidade em que reside, assim como em outras no Quênia, um bebê intersexual é visto como mau presságio, que traz maldição para a família e até para os vizinhos. [1]

A Intersexualidade em seres humanos é alguma alteração de caracteres sexuais, incluindo cromossomos, gônadas e/ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como inteiramente feminino ou masculino. Essa variação pode envolver ambiguidade genital, combinações de fatores genéticos e aparência e variações cromossômicas sexuais diferentes de XX para mulher e XY para homem. Pode incluir outras características de dimorfismo sexual, como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo. [2]

Georgina Adhiambo, diretora-executiva da ONG Voices of Women, que trabalha para reduzir o estigma contra pessoas intersexuais no Quênia, disse que o assunto ainda é um tabu. Atualmente as opções de tratamento dos intersexuais variam muito. Alguns pacientes não precisam de cuidados, enquanto outros podem precisar de remédios ou terapia hormonal. Há ainda aqueles que precisam de cirurgia – opção que costuma ser protelada até a puberdade, para que a própria criança possa escolher seu sexo.

A palavra intersexual é preferível ao termo hermafrodita, já bastante estigmatizado, precisamente porque hermafrodita se referia apenas à questão dos genitais visíveis. Alguns intersexuais podem ser considerados como transgêneros. Porém, tanto a intersexualidade quanto a transexualidade são temas polêmicos, e menos discutidos do que deveriam. Talvez por isso não se compreenda exatamente do que se trata, e essa condição seja motivo de tantos casos de preconceito.

Ademais, sobre o tema, uma pessoa pode ser cisgênero ou transgênero. O cisgênero se identifica com o gênero correspondente ao sexo biológico, ou seja, se possui órgão sexual feminino é uma menina, se possui órgão sexual masculino é um menino. É o que todo mundo considera regra. Já o transgênero é a pessoa que contesta essa regra, que não tem seu gênero definido pelo sexo biológico. Muitas vezes o transexual se identifica com o gênero oposto ao sexo com que nasceu. Podemos dizer que o transexual é transgênero, mas nem todo transgênero é transexual.

Um estudo realizado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, publicado pela revista Psychological Science, concluiu que as crianças transgênero começam a reivindicar um gênero diferente, ao mesmo tempo que as crianças cisgênero se identificam com o gênero correspondente ao sexo biológico, por volta dos 2 anos. É como se a criança olhasse no espelho e não se reconhecesse. É uma expectativa constante de que ela vá acordar no corpo certo.

Independentemente das demarcações e definições controversas, a sociedade dará sinais de avanço quando compreender a neutralidade de gênero, e que o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea”.

Ainda sobre a “transexualidade”, por exemplo, Emmanuel adverte que “encontramo-nos diante de um fenômeno perfeitamente compreensível à luz da reencarnação. Inobstante as características morfológicas, o Espírito reencarnado, em trânsito no corpo físico, é essencialmente superior ao simples gênero masculino ou feminino.” [3]

O mentor de Chico Xavier ainda acrescenta que “aprenderemos, gradualmente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade em si exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência.” [4]

Além disso, aprendemos com o autor de “Há dois mil anos”, “que é urgente amparo educativo adequado [aos sexuais e morfologicamente diferentes], tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual”. [5] E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna “os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.” [6]



Referências bibliográficas:


[1]Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39852313 , acessado em 14/07/2017

[2]Money, John; Ehrhardt, Anke A. (1972). Man & Woman Boy & Girl. Differentiation and dimorphism of gender identity from conception to maturity. USA: The Johns Hopkins University Press. ISBN 0-8018-1405-7.

[3]XAVIER, Francisco Cândido. Vida e Sexo, RJ: Ed. FEB, 1977

[4]idem

[5]idem

[6]idem

15 novembro 2017

Em toda linha - Emmanuel




EM TODA LINHA


Por entre as aflições e inquietudes que definem os quadros da vida atual, inçada de inseguranças e incertezas, surge a Revelação Espírita como fanal grandioso e humilde a clarear os caminhos.

Tu, meu amigo, tangido pela dor ou assediado pelo desencanto, nas garras do medo ou nas teias do tédio, vais haurir nas fontes dessa revelação os elementos de reconforto e esclarecimento, apoio e bênção, imprescindíveis à tua sustentação e equilíbrio.

Usufruindo os benefícios de uma consolação estimulante, bendizes a Boa Nova como Mensagem do Cristo às tuas necessidades mais íntimas.

-o- Refazes-te de abalos morais; fortaleces-te em concepções mais seguras e amplas; jubilas-te com as curas alcançadas; nutres a tua mente com o pão da verdade simples e bela.

Mas, meu amigo, preocupado com o que te convém, esqueces do que te cabe. Satisfazendo tuas necessidades imediatas, deténs-te nos benefícios recebidos com esquecimento das obrigações e deveres que te dizem respeito.

Qual beneficiado ingrato, negas fidelidade à própria fonte que curou teus males e ao próprio luzeiro que iluminou com amora tua vida.

Em suma, recebes com a mão espalmada da necessidade, recolhendo-a, com as bênçãos recebidas, ao bolso da inatividade e do egoísmo. Recebes e foges. Melhoras e te escondes, reformado e retraído. Por que não enfrentares os apupos ao Espiritismo, se o reconheces salvador?

Por que fugires ao testemunho de fidelidade à Doutrina dos Espíritos, se ela está impressa em teu íntimo?

Por que te negares à atividade cotidiana dos quadros da Doutrina Espírita, se és endividado dela?

Por que te retraíres e esquivares, embaíres e acovardares, se queres a vitória dos princípios com que te identificaste?

Não, meu amigo, não culpes os ambientes, não critiques os companheiros, não teças restrições a este ou aquele grupo de trabalho, não te furtes à demonstração da Verdade pela identificação do erro. Não te preocupes em localizares as falhas e sim em exemplificar os acertos.

Não te justifiques com esta ou aquela desculpa. O imperativo é claro. Recebeste e deves transmitir. Não te isoles na condição do beneficiado egoísta, do crente desfibrado e do idealista inoperante.

Não te envergonhes da doutrina que te foi refrigério, não lhe negues filiação; não te importem as perdas temporárias no mundo, pelas crenças nos ganhos do além.

Se ela te deu nova vida, não te negues a vivê-la... E assim encontrarás, na crença e no trabalho, as alegrias dulcificantes que o Mestre Jesus reserva, pela Revelação Nova, aos servos fiéis em toda a linha.


Pelo Espírito Emmanuel
De “Luz e Vida”, de Francisco Cândido Xavier


14 novembro 2017

Desconfiemos de nós - Kelvin Van Dine



DESCONFIEMOS DE NÓS


Existe quem atribua o fenômeno à atuação sistemática de entidades interessadas em perturbação ou descrédito. Possivelmente isso acontecerá algumas vezes. O tema, porém, é nosso, na ordem pessoal da vivência cotidiana. Referimo-nos ao poder sugestivo da impressão.

Habitualmente ouvimos conceitos acerca da higiene mental, como se nada tivéssemos a ver com semelhante matéria ao currículo da vida, quando isso expressa ponto fundamental para nós todos, mormente no capítulo preventivo.

Purificar as ideias. Elevar emoções. Efetuar a triagem dos pensamentos, como se procede à faxina diária dentro da casa. Imaginar o melhor e buscar o melhor.

Não há institutos de pesquisas no mundo, capazes de avaliar a quantidade de infortúnios e delitos desencadeados, entre os homens, anualmente, resultantes das impressões falsas, proclamadas por verdadeiras.

Não raro, vemos um caso ou outro desses enganos terríveis, positivados em tribunais, em se tratando de culpas cujas penas são cominadas pela justiça humana.

E os milhares de outros casos para os quais não existem corrigendas previstas em leis?

Nesses incidentes lamentáveis não há caluniadores em função. Os problemas decorrem da excitação mental condimentada em malícia, nem sempre nascida propriamente da intenção de injuriar ou ferir.

Desprevenida de base para garantir o equilíbrio no governo de si própria, a pessoa vê uma coisa e imagina outra.

Um homem descansa o braço num cofre alheio, enquanto conversa distraído e vê-se julgado por larápio. Certa mulher pede um favor ao vizinho, a fim de reparar um engenho elétrico imprescindível à serventia da casa e é suposta protagonizando um romance fora do lar.

E começa o conto pejorativo aumentando em vários pontos da boca ao ouvido. Até que se espraia. Toma corpo. Adere à existência das vítimas que precisarão de muito heroísmo para se colocarem a cavaleiro do mal que a invencionice lhes reserva.

Sabemos hoje, em ciência, que a nossa própria concepção da Terra se baseia no jogo das impressões Move-se o planeta a milhares de quilômetros por dia. Tem o homem a ideia de agir em ponto fixo. A cor do firmamento é aquela que os olhos humanos captam.

A maior percentagem do mal que existe no mundo, vive e se derrama de nós mesmos. Absolutamente configurado nos domínios da impressão para encaminhar-se, em seguida, às áreas da ação.

No trânsito do cotidiano, coloquemos o “certo” no coração e no raciocínio para que os nossos olhos e ouvidos não se tornem assalariados para as atividades infelizes do “errado”.

Acautelemo-nos contra as impressões negativas. Acreditemos no poder do otimismo. E quando o jugo do mal nos apareça claro à frente, prossigamos confiando no bem. Se temos algo a desconfiar, desconfiemos de nós.


Pelo Espírito de Kelvin Van Dine
De “Técnica de Viver”, de Waldo Vieira



13 novembro 2017

Não-ditos e não-feitos - Divaldo P.Franco




NÃO-DITOS E NÃO-FEITOS


Estudiosos afeiçoados aos “ditos do Senhor” mergulharam, em todos os tempos, o pensamento nas fontes evangélicas, em busca de consolo e diretrizes, encontrando na clara mensagem da Boa Nova o clima de paz e amor necessários a uma vida feliz.

Narrativas comoventes relatam os encontros do Rabi Amoroso com os corações constrangidos pela dor e com es espíritos atribulados a todos ensejando, pelo verbo luminoso e sublime, os roteiros libertadores.

Páginas de beleza inefável têm sido elaboradas sobre os efeitos e as palavras do Enviado de Deus, favorecendo o pensamento humano com antevisões do porvir e sugerindo retrospectos das inolvidáveis emoções que viveram os que participaram das jornadas d’Ele...

Infelizes e enfermos de variada classificação, obsidiados e dementes de muitas alienações foram reconduzidos à serenidade e à paz através da mensagem de esperança que Ele nos dá, desde então, como pábulo que nos mantém alimentados, conduzindo-nos para a frente e o amanhã.

-o-o-

Muito mais poderia ter dito e feito o Senhor.

Não o disse, porém, nem o fez.

E o que não disse, o que não fez, são tão grandiosos que atestam a excelente procedência d’Ele.

Recusado por uma aldeia do interior de ser ali agasalhado, nada disse, e instado pelos discípulos para que ateasse o fogo do céu sobre o lugarejo ímpio, não o fez. Retirou-se em silêncio, plácido e triste, seguindo adiante...

Impossibilitado de falar ao povo de Gadara, após a recuperação psíquica do gadareno, não disse uma sentença condenatória, não teve um gesto de revolta. Imperturbável, retornou ao mar e à Galileia...

Acusado por comensais dos interesses imediatos, de açular as massas infelizes que O seguiam esperançadas, não disse um revide, não expôs uma defesa, não reagiu com irritação, não fez uso dos seus poderes...

Conclamado por aqueles que O desejam triunfador na Terra não apresentou explicações, não debateu o assunto, retirou-se a sós...

Diante de Pilatos quase nada disse, nada fazendo e, no entanto, poderia tudo dizer e tudo fazer.

Na cruz, resignou-se a não dizer senão o indispensável para o tributo de amor, submetendo-se, incomparável, à Vontade do Pai.

E mesmo depois de ressurgido não disse nem fez o que muitos esperavam.

Afirmou a imortalidade atestando-a, realentou os companheiros com o seu amor de compreensão e, ao ascender aos Cimos, despachou-os para as tarefas do “dizer” e do “fazer” como Ele mesmo disse e fez.

-o-o-

Medita sobre os não-ditos e não feitos do Senhor.

Se a dificuldade e a incompreensão de quem amas, quando a serviço d’Ele, te amesquinham, não te amofines.

Se a luta recrudesce e o combate acirra, não desesperes.

Se a enfermidade avança e te vence, não desanimes.

Se todos os males de fora e de dentro de ti mesmo ameaçam conduzir-te à desencarnação, não recalcitres.

Não te defendas, se injuriado.

Não te justifiques, se perseguido.

Não te exponhas, se angustiado.

Não digas, nada faças, mesmo que tenhas o que dizer e disponhas de recursos para fazer.

Teus ditos e teus feitos já falaram por ti. Se não se fizeram ouvir, porfia confiante, de fé robusta.

Mais vale ser vítima da impiedade quando se está com a consciência tranquila, do que perseguidor entre ovações, carregando uma consciência em brasa.

E se a vida solicitar ao teu espírito o pesado tributo da tua doação total pela causa de amor que abraças, na Seara de Luz do Evangelho e do Espiritismo, não te negues, não recuses, nada digas, nada faças, entregando a vida e aspiração às mãos d’Ele, pois que mesmo morrendo na liça incompreendido e ralado, ascenderás tranquilo aos páramos do amor para voltares a fim de ajudar, mais tarde, os que te perseguiram e injuriaram vitoriosamente, ficando, porém, nas linhas sombrias e tristes da retaguarda, esperando pelo teu socorro.


Pelo Espírito Joanna de Ângelis
De “Dimensões da Verdade”, de Divaldo P. Franco


12 novembro 2017

Os bons morrem cedo - Momento Espírita



OS BONS MORREM CEDO



Quando morre alguém, cuja reputação é de bondade e desprendimento, ouve-se muitos lamentos.

Frases como: Que pena, era tão bom!, somam-se a outras do tipo: Os bons vão primeiro. Os bons Deus deseja para si. Os maus, ficam por aqui mesmo.

Se morre um vizinho a quem estimamos, exclamamos: Por que ele? Antes fosse Fulano, que é tão perverso.

Quando uma personalidade, cujo conceito é de maldade, até crueldade, escapa de um perigo, de um atentado, logo falamos: Se fosse um homem de bem teria morrido.

Reflexionemos a respeito dessas nossas reações. Será possível que Deus se engane, em Suas deliberações?

Será verdadeiro que os bons morrem antes, permanecendo os maus para prosseguirem sua escalada de desatinos?

Basta uma breve observação e logo descobriremos que isso não é real. Se assim fosse, convenhamos, o mundo estaria bem pior.

Ademais, todos os dias morrem pessoas jovens, que se permitiram abraçar pela droga ou se acumpliciaram com a imprudência, desaparecendo em acidentes diversos.

Quantas vezes já ouvimos as notícias da morte de astros e estrelas, no auge da juventude, da madureza e da fama?

Ao lado deles morrem sim, todos os dias, seres anônimos, bons e maus.

Estudiosos, dedicados, arrimos de família ou simplesmente criaturas que nada contribuíram para a felicidade de quem quer que seja, antes pela infelicidade.

Em verdade, salvo os casos de suicídio direto ou indireto, ninguém morre antes do tempo programado.

Aquele que parte concluiu a sua tarefa, enquanto o que permanece, por vezes, mal a iniciou.

É coerente que o primeiro se liberte e o segundo prossiga na carne.

Se um prisioneiro cumpriu toda sua pena, justo que possa gozar da liberdade.

E para o Espírito, a verdadeira liberdade consiste no rompimento dos laços que o prendem ao corpo.

Quando são pessoas do nosso convívio afetivo, normalmente as vemos como as melhores do mundo, sem defeito algum.

Por isso, quando se vão para o outro lado da vida, achamos que foram antes do tempo.

Entretanto, a justiça de Deus jamais falha e tudo está correto.

É assim que temos sempre entre nós Espíritos dedicados. Lembramos do médium mineiro Francisco Cândido Xavier.

Serviu a Humanidade, sendo o medianeiro dos Espíritos. Corações de pais, esposos, irmãos, amigos, namorados foram consolados pelas mensagens dos seus amores.

Mensagens vindas através das mãos da sua mediunidade.

Madre Teresa de Calcutá morreu aos oitenta e sete anos de idade. Desde a juventude dedicou-se aos pobres mais pobres, espalhando suas Casas de Caridade pelo mundo afora.

Como eles, outras tantas vidas envelhecem no mundo servindo ao semelhante.

Habituemo-nos a não censurar o que não podemos compreender. Muitas vezes, o que nos parece um mal é um bem.

E somente as nossas faculdades limitadas não nos permitem perceber.

* * *

Francisco Cândido Xavier psicografou mais de quatro centenas de livros.

Esses livros, publicados e republicados, em vários idiomas, continuam consolando, esclarecendo, alevantando vidas.

Madre Teresa de Calcutá deixou um legado de amor, no mundo, com suas Casas de Caridade espalhadas por quase todos os países.

Tiveram longos anos na Terra. Mensageiros de Deus, espalharam o bem que vivenciaram todos os dias.


Redação do Momento Espírita



11 novembro 2017

Necessitados Difíceis - Emmanuel



NECESSITADOS DIFÍCEIS


Evangelho - Cap. XII - Item 1

Em muitas circunstâncias na Terra, interpretamos as horas escuras como sendo unicamente aquelas em que a aflição nos atenaza a existência, em forma de tristeza, abandono, enfermidade, privação...

O espírita, porém, sabe que subsistem outras, piores talvez... Não ignora que aparecem dias mascarados de felicidade aparente, em que o sentimento anestesiado pela ilusão se rende à sombra.

Tempos em que os companheiros enganados se julgam certos...

Ocasiões em que os irmãos saciados de reconforto sentem fome de luz e não sabem disso...

Nem sempre estarão eles na berlinda, guindados, à evidência pública ou social, sob sentenças exprobatórias ou incenso louvaminheiro da multidão...

Às vezes, renteiam conosco em casa ou na vizinhança, no trabalho ou no estudo, no roteiro ou no ideal... O espírita consciente reconhece que são eles os necessitados difíceis das horas escuras. Em muitos lances da estrada vê-se obrigado a comungar-lhes a presença, a partilhar-lhes atividade, a ouvi-los e a obedecê-los, até o ponto doméstico lhe preceituem determinadas obrigações.

Entretanto, observa que para lhes ser útil, não lhe será lícito efetivamente aplaudi-los, à maneira do caçador que finge ternura à frente da presa, afim de esmagá-la com mais segurança.

°°°

Como, porém, exercer a solidariedade, diante deles? - perguntarás. Como menosprezá-los se carecem de apoio?

Precisamos, no entanto, verificar que, em muitos requisitos do concurso real, socorrer não será sorrir.

Todos conseguimos doar cooperação fraternal aos necessitados difíceis das horas escuras, seja silenciando ou clareando situações, nas medidas do entendimento evangélico, sem destruir-lhes a possibilidade de aprender, crescer, melhorar e servir, aproveitando os talentos da vida , no encargo que desempenham e na tarefa que o Mestre lhes confiou. Mesmo quando se nos façam adversários gratuitos, podemos auxiliá-los...

Jesus não recomendou festejar os que nos apedrejem a consciência tranqüila e nem nos ensinou a arrasá-los. Mas, ciente de que não nos é possível concordar com eles e nem tampouco odiá-los, exortou-nos claramente: "amai os vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem e caluniam!..."

É assim que a todos os necessitados difíceis das horas escuras, aos quais não nos é facultado estender os braços de pronto, podemos amar em espírito, amparando-lhes o caminho, através da oração.


Emmanuel
Livro: Opinião Espírita
Psicografia de Francisco Cândido Xavier



10 novembro 2017

Arte - Divaldo P.Franco

(Sunrise in harbor - _by Leonida Fremov)

ARTE


Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, por ocasião do lançamento das suas excelentes obras no século XIX, teve a preocupação de referir-se à arte pagã, à cristã assim como à necessidade do surgimento daquela que seria a arte espírita.

A Arte em si mesma experimentou, desde os seus primórdios, características variações representando as diferentes escolas de pensamento do progresso da humanidade, fazendo-se manifestação da beleza de cada período. Desde a clássica à moderna, à contemporânea, apresentou-se de forma própria, a significar os acontecimentos então em voga.

Dostoiévski, na sua magnífica obra O Idiota, coloca nos lábios de um príncipe cristão a afirmativa de que A beleza salvará o mundo. Tradicionalmente, beleza significa a qualidade, a propriedade ou virtude do que é belo, que desperta sentimento de êxtase ou prazer dos sentidos. Entretanto, a variedade dos estágios emocionais da criatura humana, os seus níveis de consciência, suas culturas que expressam as aquisições intelecto-morais, sentem a beleza de maneira mui variada. Daí a razão das diferentes formas de ver-se e compreender-se a arte, esse extraordinário instrumento através do qual a beleza é identificada. Em consequência, em cada ocasião em que os artistas optaram por mudar os padrões vigentes de beleza, criando novos modelos, sempre houve reações dos seus coetâneos e discordâncias culturais, que não impediram a sua aceitação do tempo.

Recentemente vem chamando a atenção, facultando discussões e debates acalorados, comportamentos apresentados em diversos museus no Brasil: em Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, como sendo maneira elevada de expressar a Arte.

Desejo referir-me à ocorrência que teve lugar no MAM (Museu de Arte Moderna), em São Paulo, com a apresentação do jovem despido e a visita de crianças, convidadas a tocá-lo, contemplá-lo e compreender o significado da nudez... Em Belo Horizonte, não menos avançada tem sido a exposição de pinturas grotescas de prática sexual, algumas aberrantes com animais e outras numa crítica feroz à cruz, símbolo de algumas doutrinas religiosas...

Percebe-se que as apresentações excedem todos os níveis de dignidade humana, a iniciar-se no homem nu, por alguns especialistas denominado como um caso típico de pedofilia aberrante e na segunda apresentação, uma violenta fúria contra o comportamento sexual, deixando a ideia de que o mesmo é vulgar e doentio.

Lamentavelmente, num momento em que os padrões éticos desapareceram quase que por completo, deveremos esforçar-nos para que sejam restabelecidos os valores morais de equilíbrio para a preservação da beleza na Arte.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 19.10.2017.


09 novembro 2017

Ama a tua dor - Joanna de Ângelis



AMA TUA DOR


Paradoxalmente, anelavas pela paz, quando edificando o bem entre as criaturas humanas, e és defrontado pela incompreensão e repúdio.

Sentes desencanto ao constatares que os sagrados misteres a que te entregas são recebidos com acrimônias e suspeitas.

Desanimam-te os comportamentos daqueles nos quais confias, na grei onde mourejas, produzindo amarguras e mal-estares.

Entristece-te a maneira como te tratam os amigos da seara em que te movimentas, desconfiados em relação à tua entrega.

Constatas insanas competições onde deveriam multiplicar-se as cooperações, como se o labor pertencesse a cada um e a seara estivesse destituída de administrador e abandonada pelo Senhor.

Sentes cansaço e não consegues renovação íntima, diante da ausência de tempo hábil para a reflexão.

Pensavas que os corações afetuosos, que sorriem contigo, permaneceriam acessíveis ao teu nos momentos difíceis, constatando, porém, que o ego neles predomina, em relação ao coletivo no grupo em que te fixas.

Ocorrem-te a desistência e o retorno às tuas origens, porque o paraíso que acreditavas estar ao teu alcance, na convivência com os demais servidores, é somente uma aparência com os mesmos desvãos que encontravas no anterior convívio social por onde te movimentavas.

Sofres, porque anseias pela harmonia e acalentas o sonho da plena solidariedade, que se te apresenta muito distante...

Não te esqueças, porém, de que os santos e serafins transitaram também no corpo e alcançaram esse nível de evolução porque enfrentaram equivalentes ou mais ásperas refregas.

Ninguém atinge o altiplano sem a caminhada pelas baixadas sombrias e difíceis de acesso.

Revigora-te na luta, sendo tolerante para com todos e exigente para contigo mesmo.

O reino dos céus é construído com os materiais da renúncia e da compaixão, da bondade e da comiseração, sob o patrocínio do amor.

Repara a Natureza sacudida frequentemente pelos fenômenos destrutivos que a visitam, permitindo-lhe, logo depois, renovação, exuberância e beleza na produção dos tesouros da vida.

De igual maneira ocorre na floresta humana.

Não te desencantes, pois, com os outros que, por sua vez, também se permitem frustrações em relação a ti.

Se amas Jesus e o teu objetivo é servi-lO, avança contente, conforme o fez o Irmão Alegria.

*

Ama a tua dor.

No momento em que o teu amor seja capaz de superar o sofrimento, sem rebeldia nem queixa, terás alcançado a meta que buscas.

A dor é um buril lapidador das anfractuosidades dos minerais duros dos vícios e dos arraigados hábitos infelizes.

Quem não enfrenta com harmonia interior os desafios da evolução, acautelando-se do sofrimento, permanece em lamentável estagnação que o conduz à paralisia emocional em relação ao crescimento íntimo.

Os caminhos do Gólgota, assim como os da Úmbria, ainda permanecem com sombras por cima e espinhos no seu leito, exigindo coragem e abnegação para serem percorridos com júbilo.

Vencê-los é o dever que a fé racional te impõe, a serviço de Jesus, a quem amas.

Se almejas alegria e bem-estar nos moldes profanos estás em outro campo de ação, mas se buscas o serviço com o Mestre de Nazaré, os teus são júbilos profundos e emoções superiores bem diferentes das habituais.

Não relaciones, pois, remoques e erros, antes aprende a retirar o melhor, aquela parte boa que existe em todos os seres humanos e enriquece-te com esses valores, sem te preocupares com a outra parte, a enferma, ainda não recuperada pelas dádivas da saúde espiritual.

Tem mais paciência e aprende a compreender em vez de censurar e exigir. Cada qual consegue fazer somente o que lhe está ao alcance, não dispondo de recursos para autossuperar-se no momento.

Jesus, Modelo e Guia da Humanidade, conviveu com mulheres e homens bem semelhantes àqueles com os quais hoje partilhas a convivência, em labuta ao teu lado, suportando-se reciprocamente e dedicados ao amor.

Se, por acaso, sentes a sutil visita da intriga, da acusação e de outras mazelas que atormentam a sociedade, acautela-te, não lhes concedas guarida nem atenção, ignora-as e segue, irretocável, adiante.

Melhor estares na luta de sublimação, do que no leito da recuperação sob o impositivo de limites e restrições, impostos pelo processo de crescimento para Deus e para ti mesmo.

Em qualquer situação, alegra-te por te encontrares reencarnado, portanto, no roteiro da autoiluminação.

Ama a tua dor e ela se te tornará amena, amiga, gentil companheira da existência. E enquanto amas, trabalha pelo Bem, compensa-te com as bênçãos dos resultados opimos que ofereças ao Senhor, que transitou por sendas idênticas e mais dolorosas que essas por onde segues.

Assim, continua em paz, viandante das estrelas que te aguardam no zimbório celeste.

*

Francisco de Assis amava as suas dores e transcendeu todos os limites, conseguindo demarcar os fastos históricos com a renúncia, a simplicidade e as canções de inefável alegria.

E Clara, que lhe seguia o exemplo sublime, impôs-se dedicação integral e, ao partir da Terra, achava-se aureolada pelo sofrimento no qual encontrou a plenitude.

De tua parte, ama também a tua dor e experimentarás incomparável bem-estar.


Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 16 de dezembro de 2013, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.