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19 junho 2018

A legenda do “povo ungido na terra da promissão” robustece a permanência de “núcleos” de domínio do movimento espírita brasileiro - Jorge Hessen



A LEGENDA DO "POVO UNGIDO NA TERRA DA PROMISSÃO" ROBUSTECE A PERMANÊNCIA DE "NÚCLEOS" DE DOMÍNIO DO MOVIMENTO ESPÍRITA BRASILEIRO


Trafega há alguns anos nas redes sociais um vídeo cuja temática versa sobre a confusa “missão” do Brasil como “Coração do mundo e pátria do Evangelho”. Assistimos o jornalista André Trigueiro fazendo citações, mencionando uma pesquisa que aponta para tão-somente 11% dos brasileiros que se declaram voluntários na área da filantropia.

Trigueiro alega que o Brasil é o país com maior número absoluto de homicídios. Na hipotética “pátria do Evangelho” outra questão gravíssima é o problema do aborto. Segundo estimativa da Organização Pan-Americana da Saúde ocorrem no Brasil mais de 1 (um) milhão de abortos por ano. No Brasil são roubados mais de 400 mil veículos, o que dá uma média de 1 (um) veículo a cada minuto.

O jornalista destaca ainda que ocorre no Brasil o maior escândalo de corrupção da história humana, revelado a partir da “operação lava-jato”. Considerando os gigantescos valores financeiros desviados, é um episódio sem precedentes na história da humanidade. [1] Diante dessas informações instigantes, Trigueiro levanta a questão se realmente o Brasil é a “Pátria do Evangelho coração do mundo”.

Um dos oradores, “movido” por entusiasmo aguçado ousou aventurar determinadas e excêntricas anotações, visando explicar a “missão” do Brasil. O palestrante expôs que os espíritas brasileiros imaginam que o Brasil poderá ser um modelo político, econômico e social, e que desfilará como uma grande “rainha” (sic…) diante de um mundo se ajoelhando diante dela. Falou sobre Jesus tentando convocar seus transcendentes colaboradores para improvisarem um inventário do cristianismo na Terra. Descreveu a transfiguração do semblante de Jesus humilhado. Citou o Cristo modificando estratégias, procurando na Terra um ambiente geográfico especialmente “magnetizado”. E nos seus estranhos arroubos o orador se superou ao descrever o Brasil como “o coração do mundo”, porque aqui se encontra a maior concentração de magnetismo do planeta (?!). Afirmou também que só reencarnariam no Brasil as turbas de espíritos infelizes que se encontravam nas regiões mais tenebrosas do umbral, ou seja, os espíritos que faliram nesses últimos milênios, quais sejam os soldados das cruzadas, os inquisidores, os políticos corruptos de todos os tempos, os generais homicidas da história, os religiosos que se desvirtuaram.

A “cereja do bolo” adveio com a citação da máxima do Cristo aos seus colaboradores de então: “eu não vim para os sãos, mas para os doentes”. Deste modo, o Brasil nada mais é do que um nosocômio, e não uma galeria de arte e nem vitrine de ídolos e “santos” (imagine se fosse, hein…?). Conclui então o aplaudidíssimo palestrante que no Brasil está reunido o que há de pior no caráter dos humanos, por isso é um grande hospital do Cristo para a regeneração dos réprobos da humanidade.

Todos sabemos: nenhuma nação é e nem pode ser espiritualmente mais importante do que as outras na Terra. Além disso, o brasileiro se encontra espiritual e eticamente muito aquém a inúmeras nações mais afáveis e dignas, especialmente no quesito probidade.

Como “hospital” torna mais evidente que o Brasil não detém nenhuma missão espiritual peculiar diante do mundo. Até mesmo porque nossa pátria é um dos países menos filantrópicos, sopesando a doações financeiras e dedicação caritativa voluntária do serviço ao semelhante. Considerando ainda todas as aberrações políticas e sociais, o que sobraria nesse contexto para o suposto “hospital” ou “povo escolhido”? Seria o trabalho dos espíritas leigos teleguiados pela “Cúria candanga”? Obviamente que não, pois conhecemos como se encontra a confusa prática doutrinária no Brasil.

Por conseguinte, se compararmos com o mundo não necessitamos fazer um esforço exagerado para observar os exemplos de civilidade, respeito às leis e progresso que nos têm dado outras nações. Quem mantém e difunde sofregamente a ilusão de “Brasil coração do Mundo…” é a instituição centralizadora do M.E.B. a fim de manter o poderio que tem domado com o seu universo místico e historicamente roustanguista, a massa de manobra (espíritas neófitos) conduzida sob o tacão de uma ideologia primária e dominante, anulando a possibilidade de um trajeto histórico e protagonista do espírita mais leal a Kardec.

Creio ser urgentemente necessário que os líderes e presidentes das federações estaduais (bispos de dioceses?!) consigam se alforriar da “lavagem cerebral” ameaçadora que a “Cúria candanga” lhes inflige sob o tacão do fadigoso jargão “quem não está com a “Cúria da L2 Norte de Brasília” é desagregador e está com a treva”.

Os decênios passam, e a Cúria candanga arrasta multidões enceguecidas com ela. É hora de repensarmos esse nativismo bairrista que assemelha-se à ilha da fantasia kardeciana tupiniquim. A verdadeira pátria do Evangelho é e deve ser o coração de cada cidadão que se pautar nos preceitos da honestidade, da liberdade e da bondade, ainda que por qualquer circunstância esteja habitando países longínquos.

Como espírita brasileiro, confesso que sou um entusiasta do Brasil e da potencialidade daqueles bons cidadãos brasileiros, bem como de suas virtudes e cultura. Todavia enfatizo que essa visão de que somos ou seríamos uma espécie de “povo ungido” na “terra da promissão” é extremamente alucinante e só reforça a conservação de núcleos de poder (que se revezam entre si) no movimento espírita brasileiro.

Jorge Hessen


Referência:

[1] Debate realizado durante o 4º Congresso Espírita do Estado do Rio de Janeiro, em outubro de 2015

18 junho 2018

A Fogueira da Inquisição e as Bruxas



A FOGUEIRA DA INQUISIÇÃO E AS BRUXAS


Arrastadas de suas casas sem saber ao certo do que estavam sendo acusadas, as “bruxas” eram despidas e submetidas a um criterioso exame em busca das marcas de Satanás. Sardas, verrugas, um mamilo grande, olhos dessemelhantes ou azuis pálidos eram considerados sinais seguros de que a mulher, principal vítima da perseguição, travara contato com as forças do mal. Informada sobre as suspeitas que pesavam sobre ela, a mulher que resistisse às lágrimas ou murmurasse olhando para baixo, seguramente era uma seguidora dos espíritos malignos. Escaldadas em água com cal, suspensas pelos polegares com pesos nos tornozelos, sentadas com os pés sobre brasas ou resistindo ao peso das pedras colocadas sobre suas pernas, as rés não tardavam a gritar aos seus inquisidores que -“sim, era verdade”, que elas sacrificavam animais e criancinhas, evocavam demônios nas noites de lua cheia, e usavam ervas e feitiços para matar e trazer infelicidade aos inimigos.

Instaurada para identificar e punir os hereges e sua doutrina de oposição entre o bem do espírito e o mal do corpo, a inquisição foi oficializada em 1233, no papado de Gregório IX. Do momento em que a Igreja declarou que as antigas religiões pagãs eram uma ameaça hostil ao cristianismo, em 1320, até a última execução judicial, realizada em território polonês no final do século XVIII, milhares de pessoas, 80% mulheres, foram acusadas, investigadas e punidas com base em denúncias da vizinhança.

“A acusação de feitiçaria foi usada em muitas épocas, em muitas sociedades como uma forma de perseguição a inimigos”, reconhece o antropólogo Luiz Mott -, que podia lançar sobre qualquer pessoa de hábitos incomuns: moças muito bonitas e solteiras, anciãs que dividiam o lar apenas com animais, ou mães de filhos deficientes, por exemplo; a culpa pela doença do filho, a falta de leite da vaca, ou a ausência de desejo do marido, também eram motivos “claros”. As chances de escapar sem sofrer qualquer punição eram praticamente nulas, não estavam livres nem os que se negavam terminantemente a acreditar na existência da bruxaria.”

O Tribunal Da Inquisição

Para não ficar “completamente injusto com as bruxas e os bruxos”, os inquisidores criaram um tribunal, o Tribunal da Inquisição, para julgar as bruxas, além de realizar alguns testes como vimos acima (eram despidas e submetidas a um criterioso exame).

Nem sempre as Bruxas eram médiuns naturais, como se acredita. Bastava uma pessoa querer prejudicar a outra, fazia a denúncia e a morte era certa. Algumas, sim, eram médiuns naturais ostensivos – e como tais, as faculdades eclodiam naturalmente, sem controle do possuidor. Quando isso ocorria, a pessoa era presa e condenada, pois não podemos denominar o que se fazia de “julgamento”. Quer dizer, o médium era condenado à morte.

Claro que neste tribunal era quase impossível que as bruxas fossem inocentadas, pois não existia advogado, nem júri, por isso a bruxa era torturada e encaminhada à fogueira, no entanto se a bruxa pedisse perdão “pelo que fez” e beijasse a Cruz, eles a enforcavam e depois a queimavam mesmo assim.

Mas não eram somente as Bruxas que eram vítimas do tribunal. O Tribunal da Inquisição foi criado pela Igreja Católica Apostólica Romana, no período medieval, com o propósito de investigar, apurar, julgar e condenar os culpados por crimes de blasfêmia, heresia e outras práticas como a Bruxaria.

Se fosse qualquer estudioso, cientista ou inventor eles queimavam apenas os seus olhos para que não pudessem mais ler nem escrever.

O Tribunal era composto por eclesiásticos. Os suspeitos eram encarcerados (eram denunciados por um vizinho, um amigo ou um ambicioso qualquer), tinham seus bens confiscados e divididos entre a Igreja, o Estado e o denunciante e submetidos a um longo processo do qual costumeiramente constavam sessões de abdomináveis torturas e suplícios durante as quais deviam confessar suas culpas (que eles nunca sabiam qual era).

As principais torturas eram:

1) empalamento: é um método de tortura e execução que consistia na inserção de uma estaca pelo ânus, vagina, ou umbigo até a morte do torturado. A vítima, atravessada pela estaca, era deixada para morrer sentido dores terríveis, agravadas pela sensação de sede.

2) roda: tipicamente, a roda era nada mais do que uma grande roda de carroça com diversos raios. O condenado era amarrado a ela e seus membros, expostos entre os raios, eram quebrados com massas e martelos. O corpo despedaçado do condenado podia ficar exposto para o público.

3) polé: antigo instrumento de tortura no qual se pendurava o punido pelas mãos com uma corda e se prendia pesos de ferro nos pés, deixando-o cair com violência.


Julgados culpados eram entregues ao Estado (governo) para que lhe fosse aplicada a sentença (quase sempre a morte, muitas vezes queimados vivos). A Inquisição, nos seus últimos séculos, perseguiu e matou milhares de judeus, protestantes, “heréticos” e homens das artes e das ciências que ousaram contrariar os ditames da Igreja e das autoridades eclesiásticas. Com frequência a Inquisição foi usada por reis para justificar a prisão e execução de seus inimigos políticos, acusados de heresia.


Fernando Rossit

17 junho 2018

Momento Brasileiro - Orson Peter Carrara



MOMENTO BRASILEIRO


Diante de crimes hediondos, suicídios ou tragédias provocadas como atentados e sequestros dramáticos, e mesmo a insensibilidade reinante no governo diante da realidade brasileira, a perplexidade domina os círculos da sociedade humana.

É importante, de início, já informar: ninguém nasceu predestinado a matar (não se mata apenas com armas) ou a matar-se. Matar ou matar-se são resultantes da liberdade de agir. Estamos todos destinados ao progresso, e o desajuste das emoções e do equilíbrio é o grande responsável por tais tragédias. Estamos, absolutamente, convidados à harmonia na convivência e à solidariedade nas iniciativas. Da mesma forma, o dever dos que estão investidos de poder é usar a política em sua devida finalidade: gerir o tesouro nacional em favor da coletividade do país. A corrupção em todos os níveis, igualmente, é um atentato à vida.

Referida liberdade de decisão – seja no caso dos crimes em geral ou mesmo numa gestão de poder –, no entanto, sujeita-nos às reparações que virão a seu tempo. Isso por uma razão muito simples: somos responsáveis pelo que fazemos. A vida e suas leis determinam essa responsabilidade intransferível, deixando bem claro que toda lesão que causamos a nós mesmos ou a terceiros, teremos que reparar. Não é castigo, mas apenas consequência. Isso vale tanto nesses dramas que envolvem famílias como na administração de valores que envolvem toda a sociedade

E as vítimas? Como ficam essas pessoas? Por que sofrem atentados e se tornam vítimas de crimes passionais e etc? E uma nação enfrentando o mal uso do poder, com a corrupção reinante? Podemos acrescentar outras questões: Por que Deus permite? Por que uns se livram, inesperadamente, de determinados perigos, enquanto outros deles são vítimas? Por que ocorrem com uns e com outros não? Qual o critério para todas essas situações? E também, claro, por que os abusos do poder ou a insensibilidade gerada pelo egoísmo e pelo império do materialismo?

Apesar da dor e sofrimentos decorrentes e da não justificativa – sob qualquer pretexto – de gestos que violentem a vida, as chamadas vítimas enquadram-se em quadros de aprendizados necessários ou de reparações conscienciais perante si mesmos, envolvendo, é claro, os próprios familiares. Raciocínio também cabível nos aprendizados de uma nação, como é o nosso caso, onde ainda negociamos os votos ou somos seduzidos por interesses que violentam os reais objetivos da pátria.

Por outro lado, os autores – apesar de equivocados e cruéis – são dignos de piedade, uma vez que enfermos. Quem agride está doente, desequilibrado na emoção e necessitado de auxílio, compreensão, tolerância, e mais ainda, de perdão. Inclusive na indiferença ou omissão do cargo investido, acrescente-se.

Cristãos que nos consideramos, sem importar a denominação religiosa que adotamos, a postura solicitada em momentos difíceis como o agora enfrentando pela mentalidade brasileira, é de compaixão para com agressores e vítimas. Todos são dignos da misericórdia que norteia o Amor ao próximo. A situação de quem agride é muito pior de que quem é agredido. O agredido (não se restrinja aqui a nomenclatura à agressão física) já se liberta de pendências que aguardavam o momento difícil ou faz importantes aprendizados; o agressor, por sua vez, abre períodos longos, no futuro, de arrependimentos e reparações que lhe custarão dores e sofrimentos. Nada justifica a crueldade, mesmo que seja por indiferença ou omissão. Sua ocorrência coloca à mostra nossas carências e enfermidades morais expostas, demonstrando a necessidade do quanto ainda precisamos fazer uns pelos outros. Não podemos julgar.

Não temos competência para isso. O histórico divulgado pela mídia já demonstra por si só as carências expostas, dentre tantos outros fatos lamentáveis. Mas há a bagagem que não vemos.

O momento é de vibrações e preces para que todos tenhamos equilíbrio. Todos somos filhos de Deus!

Orson Peter Carrara

Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

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Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

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PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


16 junho 2018

No intercâmbio - José Xavier



NO INTERCÂMBIO


No trato com os nossos irmãos desequilibrados, é preciso afinar a nossa boa-vontade à condição em que se encontram, para falar-lhes com o proveito devido.

Quantos no mundo se julgam triunfantes na viciação ou no crime, quando não passam de viajores em declive para a queda espetacular! E quantos companheiros, aparentemente vencidos, são candidatos à verdadeira vitória!...

Mesmo entre vocês, não é difícil observar mendigos esfarrapados que, por dentro, se acreditam fidalgos, e pessoas bem-nascidas, conservando a humildade real no coração, entre o amor ao próximo e a submissão a Deus!...

Aqui, na esfera em que a experiência terrestre continua a si mesma, os problemas dessa ordem apenas se alongam.

Temos milhares de irmãos escravizados à recordação do que foram no passado, mas, ignorando a transição da morte, vivem por muito tempo estagnados em tremenda ilusão!...

Sentem-se donos de recursos que perderam de há muito e tiranos de afeições que já se distanciaram irremediavelmente do trecho de caminho em que paralisaram a própria visão. Nos campos e cidades terrestres, a cada passo topamos antigos dominadores do solo, os quais a morte não conseguiu afastar de suas fazendas; magnatas de indústria que o túmulo não separou dos negócios materiais, e homens e mulheres em massa que, sem a veste do corpo, continuam agrilhoados aos prazeres e aos hábitos em que fisgaram a própria alma...

Convidados à revisão do estado consciencial em que se alojam, irritam-se e defendem-se, como ouriços contentes no espinheiro em que moram, quando não se ocultam, matreiros, no egoísmo em que se deleitam, ao modo de velhas tartarugas a se esconderem na carapaça, ao primeiro toque estranho às sensações com que se acomodam.

Se insistimos no socorro espiritual de que necessitam, vomitam impropérios e cospem blasfêmias...

Mas, com isso, não deixam de ser doentes e loucos, agindo contra si mesmos e solicitando-nos amparo.

Sentem-se vivos, tão vivos, como na época em que se embebedaram de mentira, fascinação e poder.

O tempo e a vida correm para diante, por fora deles, por dentro, imobilizaram a própria alma na fixação mental de imagens e interesses, que não mais existem senão no mundo estreito desses infelizes irmãos.

Querem apreço, consideração, apoio, carinho... Não pedimos a vocês estimular-lhes a fantasia, contudo, lembramos a necessidade de nossa tolerância, para que lhes possamos contornar, com êxito, as complicações e labirintos, doando-lhes, ao mesmo tempo, idéias novas com que empreendam a própria recuperação.

Figuremo-los como prisioneiros, cuja miséria não nos deve sugerir escárnio ou indiferença, mas sim auxílio deliberado e constante para que se ajudem.

Cultivemos, assim, a conversação com os desencarnados sofredores, sem curiosidade maligna, ouvindo-os com serenidade e paciência.

Não nos esqueçamos de que somente a simpatia fraternal pode garantir a obra divina do amor.


Pelo Espírito José Xavier
Do livro: Instruções Psicofônicas
Médium: Francisco Cândido Xavier

15 junho 2018

Pai irresponsável pede socorro - Cristiano Leandro



PAI IRRESPONSÁVEL PEDE SOCORRO



Senhor, não sei se sou digno de estar aqui para mais um pedido. Eu sei bem o que fiz e o que causei a muitos, principalmente à minha família. Mas necessito muito do seu perdão Senhor, meu Deus, meu Pai que tudo sabe e que tudo vê!

Pequei contra a vida, não só contra a minha, mas de muitos companheiros. Enganei, fui cruel e não tive dificuldade em fazer, na verdade, sentia certo prazer. Eu gostava de ser o chefe, mandar, humilhar e fazer crueldades com aqueles fracos e medrosos que viviam pedindo clemência e piedade.

Hoje estou aqui me sentindo um fraco e pedindo a Sua misericórdia.

Fui um chefe do tráfico em uma favela, digo, comunidade. Trafiquei, mandei matar, viciei vários garotos, crianças e até idosos, todos que eu via como possíveis consumidores e, com a simpatia de um lobo, pegava as minhas vitimas.

Fiz fortuna e criei uma grande facção, construí um lar, e tive filhos que foram também minhas vitimas. Infelizmente, não existia em mim sentimento paterno, tudo que eu via era dinheiro, glória e poder. Fiz com que meus filhos assumissem bocas de fumo e fui influenciando todos os três até conseguir infiltrá-los no crime e no tráfico.

Os negócios cresciam de uma forma terrível, comecei a expandir para o tráfico de armas pesadas, munições, carros e motos. E logo já estávamos infiltrados no mercado de roubo de carros, caminhões com cargas valiosas, enfim, tudo ficando muito perigoso.

Um dia, no auge do meu delírio de chefe e me sentindo poderoso, fui até uma instalação governada por meu filho, José Henrique, e, como é meu costume chefiar e mandar, percebi algo estranho no olhar de meu filho que eu considero o mais esperto e cruel. Não tinha perdão era temido por todos em sua área e vi que ali, naquele olhar, existia perigo e comecei a ficar preocupado. Vivia me questionando: “será que o meu próprio filho vai me trair? Eu acho que ele quer o meu lugar! Não pode ser, eu ensinei a ele tudo, dei poder, dinheiro, não pode ser!”

Enfim o que eu temia aconteceu, fui traído pelo meu filho e fuzilado diante de todos, de todos aqueles que eu julgara meus “comparsas e fieis”.

Com o passar do tempo aqui na espiritualidade, fui responsabilizado por tudo que fiz e, com misericórdia de Deus, fui resgatado e hoje, evangelizado e ciente de todo o mal que causei, quero pedir ao Pai que me deixe ser o anjo e resgatar o meu filho José no umbral e trazê-lo para a luz, pois me sinto responsável por ele estar naquele lamaçal onde há ranger de dentes, lamentos e escuridão.

Por favor, Senhor, me dê essa graça de poder resgatar o filho que eu não soube amar.

Deixo, aqui, o meu pedido. Que o Senhor tenha piedade de José Henrique e misericórdia de mim, um pai irresponsável.


Cristiano Leandro
Psicografia recebida em 2018
Médium: M. Nicodemos

14 junho 2018

O rosto da felicidade - Almir Paes



O ROSTO DA FELICIDADE


Certa vez, eu vi numa foto um rosto sorridente, inocente, singelo, de uma criança.

Ao fundo, por trás da foto, nos bastidores, vi a dura realidade social que envolve a sua vida: habitações sub normais (barracos), esgoto a céu aberto, lixo, roedores, contrastando ao semblante da criança feliz.

Não é que para ser feliz precisamos ser miseráveis, mas que não haja tanta vinculação da felicidade com ostentação, materialismo. A mídia nos bombardeia a toda hora com esses jargões: felicidade é ter lancha, roupas finas, casas suntuosas, com a real intenção de criar e manter o hábito de consumo nosso de cada dia. A pedido dos empresários, os marqueteiros, os psicólogos, sociólogos, estudaram o perfil social e comportamental do ser humano e apresentaram para eles um modelo mercadológico que cria dependência de consumo, tipo assim: "quem não consome o produto X não tem status social.

O direcionamento do mercado de consumo é voltado para todos, mas sobretudo para crianças e adolescentes que ainda estão formando suas personalidades. A estratégia dos empresários não é apenas vender, mas criar o ímpeto e uma certa dependência do consumidor para com o determinado produto. Algumas crianças já dizem que não vivem sem consumir tal salgadinho, tal chocolate, tal refrigerante etc. Daí, eles pressionam os pais e conseguem o que querem. Com isto, vai se formando, perigosamente, uma geração de crianças e jovens dependentes, obesos, angustiados e, o que é pior, depressivos.

Veja até onde está chegando a volúpia de lucros desses empresários. Eles pouco estão ligando para ética, moral ou saúde pública. Eles só querem saber de auferir lucros bem exorbitantes.

A felicidade é um estado interior de cada um. É uma conquista individual das pessoas. O rosto da felicidade está na simplicidade dos fatos e ações e não nos bagulhos/trambolhos tecnológicos que tentam nos empurrar.

Almir Paes
O Cronista da Alma

13 junho 2018

Doenças Psicossomáticas - Joanna de Ângelis



DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS


"O espírito Joanna de Ângelis nos fala sobre as doenças psicossomáticas e o importantíssimo papel da mente na saúde.

O ser humano é um conjunto harmônico de energias, constituído de Espírito e matéria, mente e perispírito, emoção e corpo físico, que interagem em fluxo contínuo uns sobre os outros.

Qualquer ocorrência em um deles reflete no seu correspondente, gerando, quando for uma ação perturbadora, distúrbios, que se transformam em doenças, e que, para serem retificadas, exigem renovação e reequilíbrio do fulcro onde se originaram.

Desse modo, são muitos os efeitos perniciosos no corpo causados pelos pensamentos em desalinho, pelas emoções desgovernadas, pela mente pessimista e inquieta na aparelhagem celular.

Determinadas emoções fortes – medo, cólera, agressividade, ciúme – provocam uma alta descarga de adrenalina na corrente sanguínea, graças às grândulas supra-renais.

Por sua vez, essa ação emocional reagindo no físico, nele produz aumento da taxa de açúcar, mais forte contração muscular, face à volumosa irrigação do sangue e sua capacidade de coagulação mais rápida.

A repetição do fenômeno provoca várias doenças como a diabetes, a artrite, a hipertensão, etc., assim, cada enfermidade física traz um componente psíquico, emocional ou espiritual correspondente.

Em razão da desarmonia entre o Espírito e a matéria, a mente e o perispírito, a emoção (os sentimentos) e o corpo, desajustam-se os núcleos de energia, facultando os processos orgânicos degenerativos provocados por vírus e bactérias, que neles se instalam.

Conscientizar-se desta realidade é despertar para valores ocultos que, não interpretados, continuam produzindo desequilíbrios e somatizando doenças, como mecanismos degenerativos na organização somática.

Por outro lado, os impulsos primitivos do corpo, não disciplinados, provocam estados ansiosos ou depressivos, sensação de inutilidade, receios ou inquietações que se expressam ciclicamente, e que a longo prazo se transformam em neuroses, psicoses, perturbações mentais.

A harmonia entre Espírito e a matéria deve ser a favor do equilíbrio do ser, que desperta para as atribuições e finalidades elevadas da vida, dando rumo correto e edificante à sua reencarnação.

As enfermidades, sobre outro aspecto, podem ser consideradas como processos de purificação, especialmente aquelas de grande porte, as que se alongam quase que indefinidamente, tornando-se mecanismos de sublimação das energias grosseiras que constituem o ser nas suas fases iniciais da evolução.

É imprescindível um constante renascer do indivíduo, pelo renovar da sua consciência, aprofundando-se no autodescobrimento, a fim de mais seguramente identificar-se com a realidade e absorvê-la.

Esse autodescobrimento faculta uma tranqüila avaliação do que ele é, e de como está, oferecendo os meios para torná-lo melhor, alcançando assim o destino que o aguarda.

De imediato, apresenta-se a necessidade de levar em conta a escala de valores existenciais, a fim de discernir quais aqueles que merecem primazia e os que são secundários, de modo a aplicar o tempo com sabedoria e conseguir resultados favoráveis na construção do futuro.

Essa seleção de objetivos dilui a ilusão – miragem perturbadora elaborada pelo ego – e estimula o emergir do Si, que rompe as camadas do inconsciente (ignorância da sua existência) para assumir o comando das suas aspirações.

Podemos dizer que o ser, a partir desse momento, passa a criar-se a si mesmo de forma lúcida, desde que, por automatismo, ele o faz através de mecanismos atávicos da Lei de evolução.

A ação do pensamento sobre o corpo é poderosa, ademais considerando-se que este último é o resultado daquele, através das tecelagens intrincadas e delicadas do perispírito (seu modelador biológico), que o elabora mediante a ação do ser espiritual, na reencarnação.

Assim sendo, as forças vivas da mente estão sempre construindo, recompondo, perturbando ou bombardeando os campos organo-genéticos responsáveis pela geratriz dos caracteres físicos e psicológicos, bem como sobre os núcleos celulares de onde procedem os órgãos e a preservação das formas.

Quanto mais consciente o ser, mais saudáveis os seus equipamentos para o desempenho das relevantes tarefas que lhe estão reservadas.

Há exceções, no entanto, que decorrem de livre opção pessoal, com finalidades específicas nas paisagens da sua evolução.

O pensamento salutar e edificante flui pela corrente sanguínea como tônus revigorante das células, passando por todas elas e mantendo-se em harmonia no ritmo das finalidades que lhes dizem respeito.



O oposto também ocorre, realizando o mesmo percurso, perturbando o equilíbrio e a sua destinação. Quando a mente elabora conflitos, ressentimentos, ódios que se prolongam, os dardos reagentes, disparados desatrelam as células dos seus automatismos, degeneram, dando origem a tumores de vários tipos, especialmente cancerígenos, em razão da carga mortífera de energia que as agride.

Outras vezes, os anseios insatisfeitos dos sentimentos convergem como força destruidoras para chamar a atenção nas pessoas que preferem inspirar compaixão, esfacelando a organização celular e a respectiva mitose, facultando o surgimento de focos infecciosos resistentes a toda terapêutica, por permanecer o centro desencadeador do processo vibrando negativamente contra a saúde.

Vinganças disfarçadas voltam-se contra o organismo físico e mental daquele que as acalenta, produzindo úlceras cruéis e distonias emocionais perniciosas, que empurram o ser para estados desoladores, nos quais se refugia inconscientemente satisfeito, embora os protestos externos de perseguir sem êxito o bem-estar, o equilíbrio.

O intercâmbio de correntes vibratórias (mente-corpo, perispírito-emoções, pensamentos-matéria) é ininterrupto, atendendo aos imperativos da vontade, que os direciona conforme seus conflitos ou aspirações.

Idéias não digeridas ressurgem em processos enfermiços como mecanismos auto-purificadores; angústias cultivadas ressumam como distonias nervosas, enxaquecas, desfalecimentos, camuflando a necessidade de valorização e fuga do interesse do perdão; dispepsias, indigestões, hepatites originam-se no aconchego do ódio, da inveja, da competição malsã – geradora da ansiedade – do medo, por efeito dos mórbidos conteúdos que agridem o sistema digestivo, alterando-lhe o funcionamento.

O desamor pessoal, os complexos de inferioridade, as mágoas sustentadas pela autopiedade, as contrariedades que resultam dos temperamentos fortes de constantes atritos com o organismo, resultando em cânceres de mamas(feminino), da próstata, taquicardia, disfunções coronarianas, cardíacas, enfartos brutais, etc.

Impetuosidade, violência, queixas sistemáticas, desejos insaciáveis respondem por derrames cerebrais, estados neuróticos, psicoses de perseguição, etc..

O homem é o que acalenta no íntimo.

Sua vida mental expressa-se na organização emocional e física, dando surgimento aos estados de equilíbrio como de desarmonia pelos quais se movimenta.

A conscientização da responsabilidade imprime-lhe destino feliz, pelo fato de poder compreender a transitoriedade do percurso carnal, com os olhos fitos na imortabilidade de onde procede, em que se encontra e para a qual ruma.

Ninguém jamais sai da vida.

Adequando-se à saúde e à harmonia, o pensamento, a mente, o corpo, o perispírito, a matéria e as emoções receberão as cargas vibratórias benfazejas, favorecendo-se com a disposição para os empreendimentos idealistas, libertários e grandiosos, que podem ser conseguidos na Terra graças às dádivas da reencarnação.

Assim, portanto, cada um é o que lhe apraz e pelo que se esforça, não sendo facultado a ninguém o direito de queixas, face ao princípio de que todos os indivíduos dispõem dos mesmos recursos, das mesmas oportunidades, que empregam, segundo seu livre-arbítrio, naquilo que realmente lhes interessa e de onde retiram os proventos para sua própria sustentação.

Jesus referiu-se ao facto, sintetizando, magistralmente, a Sua receita de felicidade, no seguinte pensamento:

– A cada um será dado segundo as suas obras.

Assim, portanto, como se semeia, da mesma forma se colherá."

Por Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P. Franco
Livro Autodescobrimento (Ed. LEAL)

12 junho 2018

E eu com isto? Será mesmo? - Orson Peter Carrara



E EU COM ISTO? SERÁ MESMO?


O relato que trazemos esta semana é bem conhecido. Já foi divulgado por meios diversos em diferentes épocas, mas continua atual e merece ser novamente veiculado. Ele é daquele tempo em que a imaginação humana, para educar e entreter coloca os animais a conversarem, a dialogarem como se humanos fossem. Ao lado desse recurso, porém, o relato traduz bem a situação atual do mundo e a extrema necessidade de nos voltarmos atenção mútua uns aos outros, sem desprezo para com ninguém, assumindo atitudes solidárias.

“Numa bela casa, localizada na zona rural, a proprietária comprou uma ratoeira para capturar o rato que passeava à noite pelos cômodos e importunando os moradores. O rato ficou preocupado e procurou a galinha relatando suas angústias com a presença da ratoeira. A galinha afirmou que nada podia fazer porque era uma galinha, informando “E eu com isto? “.

O rato resolveu então procurar o porco com a mesma angústia. Recebeu a mesma resposta: “E eu com isto”? Mas não desistiu. Resolveu procurar o boi. O boi, embora mais amigo, disse-lhe que não tinha como ajudá-lo, mas também afirmou: “Não posso fazer nada. O que tenho eu a ver com isso?”

Naquela noite o rato acordou sobressaltado, afinal a ratoeira funcionou com estrondo. Saiu para ver e verificou que uma cobra havia entrado na casa e sido presa pela ratoeira. A dona da casa levantou-se com o barulho, no escuro, aproximou-se da ratoeira e foi picada pela cobra.

Febre alta, dores, o médico compareceu e verificou a gravidade da situação. Receitou uma canja de galinha. E a galinha perdeu a vida… Mas não adiantou, a mulher morreu.

Para atender a refeição dos parentes que vieram ao velório, o dono do sítio matou o porco. E como a notícia se espalhou e nos dias seguintes muitos outros parentes vieram, ele precisou também matar o boi para a refeição de tanta gente…

Conclusão: todos aqueles que disseram “e eu com isto?” ficaram envolvidos com a questão do rato e morreram.”

Não é o mesmo que está acontecendo com a sociedade brasileira?

O atual quadro, possivelmente manipulado por interesses outros, arquitetado com perversidade – não o quadro em si, mas especialmente seus desdobramentos e infiltrações – enquadra-se perfeitamente no questionamento.

Por isso, para mudar o mundo, não há outra saída senão a solidariedade.

Todos: pessoas físicas, autoridades e instituições, precisamos estar permanentemente preocupados em resgatar os princípios de dignidade, honradez e educação das novas gerações. E isso significa também sacrifício, renúncia, empatia.

Ora, eis a solução das dificuldades atualmente existentes. E considere-se que o resgate dos princípios de dignidade e honradez comportam outras tantas abordagens.

Mas fiquemos com uma única: qualquer criatura merece respeito. Seja quem for… É o princípio básico do “amai-vos uns aos outros”. É preciso acrescentar algo mais?

Orson Peter Carrara

11 junho 2018

Homossexualidade - Fernando Rossi



HOMOSSEXUALIADADE


Um velho amigo publicou uma matéria no facebook onde cientistas revelavam que a homossexualidade foi importante para a evolução da espécie humana, uma vez que favoreceu a criação de laços afetivos com pessoas do mesmo sexo, como a amizade, por exemplo.

Os comentários foram surpreendentemente lamentáveis – coisas do tipo: que nojo, isso é involução, deviam não existir, são nojentos etc.

Fiquei estarrecido.

Já sabia que uma filha desse meu amigo é homossexual e imagino o quanto ele ficou entristecido ao ler aqueles comentários na sua publicação.

Emmanuel, em seu excelente livro, Vida e Sexo, esclarece que todos nós somos mais ou menos bissexuais devido ao fato de reencarnarmos como homens e mulheres muitas vezes e, portanto, carregarmos um arcabouço psicológico acentuadamente feminino ou masculino, sem definição absoluta de graduação.

Homossexualidade, desta forma, é uma condição humana natural – não é defeito, aberração ou falta de caráter. Também não se trata de opção nem de doença, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) e estudiosos do assunto.

As principais causas espirituais (grifo) desta condição são:

1-inversão sexual reencarnatória: espíritos que reencarnaram diversas vezes possuindo um mesmo sexo, poderão ter alguma dificuldade de se adaptar em um corpo morfologicamente diferente daquele que ele sempre se expressou no mundo. Esta causa é predominante.

2-expiação: quando o espírito em outras vidas abusou das funções sexuais, poderá vir a reencarnar em um corpo diferente (de homem ou mulher) com vistas ao seu aprimoramento espiritual, pois o que se pretende é que o espírito se eduque nesta área evitando as mesmas ações desequilibrantes do passado. Não se trata de castigo (Deus não castiga!), mas de corretivo espiritual para o bem do espírito;

3-missão: muito raro ocorrer. Espíritos mais elevados quando reencarnam com uma tarefa específica nas artes, nas ciências, na religião etc., solicitam para reencarnar em corpos morfologicamente diferentes de sua preferência para que, afastados das relações afetivas, possam se dedicar inteiramente à missão que o mais Alto lhes confiou;

4-homofóbicos: podem vir a reencarnar como homossexuais para sentirem “na própria pele” as agruras da condição. Poderá acontecer o mesmo quando um homem, em outra existência, foi muito cruel com o sexo oposto, seja por machismo, por egoísmo, poder etc., podendo reencarnar num corpo feminino num país onde as mulheres são muito discriminadas, por exemplo. Nestes casos, podemos também considerar tipos específicos de expiação;

5-amor passional: quando alguém reencontra na Terra um espírito que amou apaixonadamente em existências passadas, mas a pessoa se encontra, nesta vida, em corpo igual ao seu. Normalmente, nestes casos, a reencarnação em corpos de homem e homem ou mulher e mulher se dá justamente para que não venham de novo a se unir. É o que Emmanuel chama de desvinculação afetiva.

6-outros sem relevância.

Resta claro, desta forma, que a homossexualidade não é DEFEITO – é uma condição humana natural, como já nos revelaram inúmeros espíritos por meio da psicografia esclarecedora.

Podemos ter sido homossexuais no passado (em outras vidas) e/ou poderemos ser em vidas futuras. O uso que se faz do sexo (hetero ou homossexual) sujeita-se às mesmas regras que qualquer outro uso que podemos fazer das diversas faculdades que possuímos. Assim, não é o seu uso que é contrário às Leis de Deus, mas o abuso, que poderá causar sérios transtornos espirituais.

Vejamos o que diz o Espírito Viana de Carvalho no livro “Atualidade do Pensamento Espírita”:

“a homossexualidade é uma experiência natural da evolução”

Como disse Jesus, “não julgueis”.


Fernando Rossit


09 junho 2018

A amizade - Divaldo P.Franco



A AMIZADE


Saint-Exupéry afirma que Num mundo que se faz deserto... é urgente encontrar amigos. O extraordinário e oportuno conceito do inesquecível aviador e escritor francês soa-nos rico de atualidade. Nunca igual a hoje o ser humano vem caminhando tão a sós! O individualismo, que toma conta da cultura moderna, isolou-o de tal forma que a existência, a cada dia, faz-se mais difícil e obscurecida. Legiões deambulam nos seus próprios mundos emocionais de conflitos, medos e solidão. O instinto gregário impele-o em direção ao grupo, ao mesmo tempo que o de conservação da vida adverte-o para que se afaste e desconfie.

Afirma-se com certa razão que os amigos são sempre poucos, isto é, aqueles afetos que participam das nossas necessidades, que estão de braços abertos aguardando por nós, que renunciam e se encantam quando podem ser úteis.

Os jogos da competitividade e da usurpação impõem predominância, superioridade, presunção, num olvido inequívoco da temporalidade de todas as coisas terrestres. Daí asseverar o velho refrão: Nunca beberás a mesma água num córrego, o que podemos também dizer do tempo, que sempre passa e nunca se detém.

A amizade é uma das mais nobres conquistas morais do espírito humano, que faculta a agregação das pessoas, dando-lhes vigor e motivação para viver. Pode-se mesmo afirmar que uma existência sem amigos é destituída de sentido psicológico e de crescimento interior.

Na filosofia grega, narra-se a amizade existente entre Damon e Pítias, em pleno regime de Dionísio, de Siracusa. Eram discípulos de Pitágoras e o orador Cícero refere-se que o rei foi informado que Pítias, excelente orador, referia-se pessimamente à sua conduta. Exasperado, chamou os dois jovens amigos e explicou que não toleraria que o fato se repetisse. Inutilmente, porque a censura pública prosseguiu na palavra ardente do que protestava. Não tendo outra alternativa, chamou-o ao palácio e, depois de incriminá-lo, condenou-o à morte.

Com muita calma, Pítias aceitou a punição e pediu somente uns dias enquanto viajaria ao lar para despedir-se da família. A solicitação foi repelida com zombaria. Talvez cedesse se houvesse uma garantia. Nesse momento, Damon apresentou-se para ficar prisioneiro em seu lugar, e se ele não voltasse, a sua vida seria consumada.

Passou o tempo cedido e, na data aprazada, quando se preparava a forca para punir o substituto, que continuava confiando no amigo, ei-lo que chega, exausto, ferido, em tempo, explicando que o navio naufragou, que foi assaltado, mas chegou conforme prometido para salvar o amigo. O gesto foi tão grandioso, que Dionísio solicitou a ambos, humildemente, permissão para participar da sua amizade.

Seria encantador que a amizade voltasse à Terra.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 3.5.2018.

08 junho 2018

Mediunidade com saúde - Nilton Moreira



MEDIUNIDADE COM SAÚDE


Qual o motivo de muitos viverem adoentados, impossibilitados de levar uma vida normal e, o pior, ainda atrapalharem o cotidiano dos outros, principalmente de quem vive sob o mesmo teto?

Parece existir um conjunto de fatores que levam as pessoas a sentirem-se deprimidas e daí experimentarem mal estar rotineiro, sendo o principal o não seguir os conselhos do Mestre: "vigiai". Deixamos nossa mente sem a vigilância necessária, com pensamentos de amargura, orgulho, mágoa, maledicência se apoderarem de nós e o psicossoma então passa a ser envolvido numa psicosfera que age como banho negativo, inibindo nossas energias salutares.

O sensitivo americano Edgar Cayse, em certa ocasião, disse que "somos aquilo que pensamos", e Jesus na intenção de demonstrar a necessidade de estarmos com o pensamento elevado o maior tempo possível disse: "vigiai e orai". Ora, se temos parâmetros para uma boa saúde, por que evitamos? Apenas orar não neutraliza o ingresso no organismo dos miasmas pairantes. É preciso também vigiar!

Por outro prisma, tem pessoas com pensamentos elevados e que praticam o bem a outrem, mas que também enfrentam mal estares e que, pela medicina, são tidos como sem causa definida, sendo ministrados medicamentos que apenas combatem os sintomas, cuja medicação às vezes leva à dependência, por persistirem sintomas de insônia, angústia, depressão, dores de cabeça, palpitações, tremores, tonteiras, desmaios, visões, medos e outros.

Em verdade, muitos destes acometimentos relacionam-se com mediunidade que por ser desconhecida de muitas pessoas, passa a dar conotação de doença. Tal atividade existe desde os primórdios e está nos livros mais antigos. "Ser médium é servir de intercâmbio entre o plano carnal e o espiritual", sendo, portanto, atributo que não está ligado à religião alguma, pois é inerente ao ser humano.

A mediunidade explicada por Chico Xavier, por exemplo, tem a finalidade de auxiliar, pois que por meio dela podemos desenvolver atividades de caridade das mais diversas, incluindo curas, interpretação de sonhos, visão do futuro e ajudar aos que partiram encontrar o caminho do esclarecimento no mundo espiritual. Mas se a pessoa que sente os sintomas não quer praticá-la, poderá, estudando e se esclarecendo, experimentar melhora e voltar a ter uma atividade de vida normal, sem medicamentos, pois mediunidade não é doença. O que importa é procurar o esclarecimento para saber lidar com esta ciência, já que tudo que nos é desconhecido ou não sabemos lidar, nos causa medo, o que é normal.

Busquemos o conhecimento para que assim possamos ter uma vida com menos sofrimentos e conflitos mentais.

Paz a todos!


Nilton Moreira 
Coluna Semanal - Vida Além da Vica 
Fonte: Espirit Book

07 junho 2018

Eventos espíritas "imponentes” para quê ? - Jorge Hessen



EVENTOS ESPÍRITAS 
"IMPONENTES" PARA QUÊ?


Allan Kardec dizia que jamais devemos dar satisfação aos amantes de escândalos. Entretanto, há polêmica e polêmica. Há uma ante a qual jamais recuaremos - é a discussão séria dos princípios que professamos. É isto o que chamamos polêmica útil, pois o será sempre que ocorrer entre gente séria, que se respeita bastante para não perder as conveniências. Podemos pensar de modo diverso sem diminuirmos a estima recíproca. [1]

Chico Xavier advertiu que os dirigentes espíritas, sobretudo os comprometidos com órgãos “unificadores”, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar. Devemos primar pela simplicidade doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades, prioridades, industrialização dos eventos doutrinários.[2]

Avisou ainda o médium de Uberaba que os eventos devem ser realizados, gratuitamente, para que todos, sem exceção, tenham acesso a eles. Os Congressos, Encontros, Simpósios, etc., precisam ser estruturados com vistas a uma programação aberta a todos e de interesse do Espiritismo, e não para servirem de ribalta aos intelectuais com titulação acadêmica, como um "passaporte" para traduzirem "melhor" os conceitos kardecianos. Não há como “compreender o Espiritismo sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.” [3]

A presença da glamourização nas atividades doutrinárias (...) “vai expondo-nos a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para ricos, para intelectuais, para incultos.”[4]

Infelizmente, alguns se perdem nos labirintos das promoções de shows de elitismo nos caríssimos “Congressos” espíritas. Patrocinam eventos para espíritas endinheirados, e, sem qualquer constrangimentos e/ou inquietação espiritual, sem quaisquer escrúpulos, cobram altas taxas dos interessados, momento em que a ideia tão almejada de “unificação” se perde no tempo. A pergunta que não quer calar é: será que o Espiritismo necessita desses eventos "grandiosos"?

Cobrar taxa em eventos espíritas é incorrer nos mesmíssimos e seculares erros da Igreja, que, ainda, hoje, cobra todo tipo de serviço que presta à sociedade. É a elitização da cultura doutrinária. Hoje vemos portais de espíritas famosos cobrando mensalidades dos assinantes.

É lentamente que os vícios penetram nos organismos individuais e coletivos da sociedade. A cobrança desta e daquela natureza, repetindo velhos erros das religiões ortodoxas do passado, caracteriza-se ambição injustificável, induzindo-nos a erros que se podem agravar e de difícil erradicação futura.

Temos responsabilidade com a Casa Espírita, deveres para com ela, para com o próximo e, entre esses deveres, o da divulgação ressalta como uma das mais belas expressões da caridade que podemos fazer ao Espiritismo, conforme conceitua Emmanuel, através da mediunidade abençoada de Chico Xavier.

Nos eventos essencialmente espíritas, deveremos nós, os militantes na doutrina, assumir as responsabilidades, evitando criar constrangimentos naqueles que, de uma ou de outra maneira, necessitem de beneficiar-se para, em assimilando a doutrina, libertarem-se do jogo das paixões, encontrando a verdade. O dar de graça, conforme de graça nos chega, é determinação evangélica que não pode ser esquecida, e qualquer tentativa de elitização da cultura doutrinária, a detrimento da generalização do ensino a todas as criaturas, é um desvio intolerável em nosso comportamento espírita.” [5]

A Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...).”[6]

Não vemos reais necessidades de promoção dos inócuos Congressos, Simpósios, Seminários. Mas, se esses encontros ocorressem debates e trocas de experiências, ótimo! Lembrando que a Doutrina Espírita não pode se trancar nas salas de convenções luxuosas, não se enclausurar nos anfiteatros acadêmicos e nem se escravizar a grupos de poder investidos de “autoridade” doutrinária.

À semelhança do Cristianismo, dos tempos apostólicos, o Espiritismo é e deve sempre ser o reflexo dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios, nas periferias.

Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec. Assim, esperamos!


Referências bibliográficas:

[1] KARDEC, Allan. Revista Espírita, nov. 1858, DF: Edicel 2002


[2] Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979

[3] Idem

[4] Editorial da Revista O Espírita, ano 11 número 57-jan/mar/90. 

[5] Revista O Espírita/DF, ano 1992- Página “Tribuna Espírita” –Divaldo Responde- pag. 16


[6] Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.