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24 junho 2017

Reencarnação e Justiça - Momento Espírita



REENCARNAÇÃO E JUSTIÇA


O espiritismo defende a necessidade de uma fé raciocinada.

Nessa linha, o homem não deve crer apenas seguindo orientações alheias.

Também não deve adotar determinados comportamentos por misticismo ou fanatismo.

Como a humanidade recebeu o dom da inteligência, cabe-lhe utilizá-lo para compreender as leis que regem a vida e a realidade que a cerca.

Em decorrência desse postulado, a doutrina espírita não evita o questionamento das teses que esposa, ao contrário, o incentiva.

No corpo teórico do espiritismo não há dogmas ou conceitos cuja discussão seja proibida, e sustenta a coerência de seus enunciados a partir de certos princípios básicos.

Um desses princípios é o da pluralidade das existências.

Afirma que os espíritos são criados por Deus, simples e ignorantes.

Todos têm exatamente o mesmo ponto de partida e a mesma meta final.

Saídos da mais completa ignorância, destinam-se à angelitude.

Desde o início, possuem os germens de todas as virtudes.

Todavia, constitui incumbência de cada um desenvolver o próprio potencial, por seu mérito e esforço.

O vasto aprendizado a ser feito exige inúmeras existências para aperfeiçoar-se.

Trata-se da única idéia que compatibiliza a justiça divina e a desigualdade das condições da vida terrena.

Os homens apresentam grandes diferenças de aptidões e talentos.

A vida de uns é bem mais difícil do que a de outros.

Mas isso não constitui obra do acaso e nem um inexplicável privilégio.

Cada qual é hoje exatamente como se construiu ao longo do tempo.

As virtudes são lentamente adquiridas no curso dos séculos.

A inteligência é paulatinamente desenvolvida, à custa de esforço e perseverança.

Ninguém surge repentinamente bondoso e inteligente.

Do mesmo modo, criatura alguma é simplesmente brindada com vícios ou más tendências ao nascer.

Quem se permitiu malbaratar os tesouros do tempo, arca com as conseqüências.

Ao espírito que se fez fraco e vicioso, incumbe o dever de lutar para se recompor.

Todo homem é herdeiro de si mesmo.

Os talentos que alguém hoje possui foram por ele desenvolvidos no pretérito.

Os vícios que infelicitam uma criatura também constituem sua obra.

Assim, o homem é na atualidade o resultado de seus atos e opções do passado.

Mas o futuro está inteiro por construir.

Assim, pense como você gostaria de ser.

Certamente você admira pessoas virtuosas, plenas de bondade, cultura, inteligência e dignidade.

Saiba que está inteiramente em suas mãos tornar-se assim.

Entretanto, nenhuma virtude surge graciosamente.

É necessário investir tempo e esforço na construção do bem em seu íntimo.

Observe, pois, como seu tempo é gasto.

Utilize suas horas para estudar e tornar-se útil e digno.

Comprometa-se com o bem e guarde fidelidade a esse compromisso.

Jesus afirmou que a cada um seria dado conforme as suas obras.

Consciente dessa realidade crie causas de felicidade e progresso em sua vida.

Pense nisso!

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.


23 junho 2017

Desgosto existencial - Jaime Facioli

 

DESGOSTO EXISTENCIAL


As adversidades fazem parte de qualquer projeto, mesmo assim devem ser sempre levados adiante, pois são caminhos para a perfeição.

As criaturas de Deus, sensíveis aos bons propósitos, via de regra também se permitem momentos de desalinho, desatendendo aos princípios legados pelo Divino Rabi, como regra pétrea para o bem viver e o atendimento as Leis do Senhor da Vida. É nesse sentido que, vez por outra, se deixam abater pelas adversidades da existência, sem se darem conta, os combatentes dos tatames existenciais, que as adversidades constituem meio e caminho para a perfectibilidade, carimbando o passaporte dos viajores para os esplendores celestes.

Ê de se considerar na dialética em apreço que os filhos da Providência Divina foram criados apenas com uma única fatalidade. Mais cedo ou mais tarde, atingir-se-á o cume dos paramos celestiais. A bem dizer, a ninguém será lícito fazer-se de rogado e proclamar aos quatro cantos do mundo que desconhece ou não a existência do desgosto na trajetória do caminheiro em busca da felicidade.

Todo projeto elaborado, ainda que com cuidado extremado, como por exemplo o planejamento da reencarnação, não obstante as boas e pulcras intenções, pode não acontecer segundo as previsões aneladas. Múltiplas ocorrências podem acontecer obrigando o viajor traçar novos rumos diante do imprevisível e assim desenvolver a sua inteligência para as contingências da vida, tendo como norte o bem proceder e as leis divinas. Por isso asseverar que os desgostos que sobrevêm ao projeto elaborado com tanto carinho e desvelo, atendem às condições evolutivas de cada criatura. Nesse caso, não se olvide a vã filosofia, que as criaturas de Deus são propensas a fixar o coração nos fenômenos do imediato, sem o exame perfunctório das liriais lições do Homem de Nazaré ao falar para o futuro e por condições em sua lei, como o fardo leve e suave o seu jugo.

Com esses sentimentos, o homem age mal e desmemoriado quanto ao bem que lhe compete exercer, tal como aqueles que optam por residir dentro de uma bolha obnubilada, mesmo tendo o sol à sua frente. Nessa escolha, está a génese do mal-estar que lhe obscurece a harmonia interior, abrindo espaço à aflição que gera ondas negativas e mobiliza energias deletérias responsáveis pelas moléstias da depressão, da síndrome do pânico e suas afilhadas.

Sob essa dicção, tenha-se em mente que esse proceder apaga da lembrança os incontáveis momentos de felicidade e prazer que antecederam o aparecimento do desgosto, sem se perceber que o incômodo diminuto é aviso da natureza para que se retorne à paz interior confiante n'Aquele que criou a vida, bela, colorida e consentida. Por isso, ainda que exista desajuste no lar, no trabalho, nos projetos existências interrompendo a alegria, não é lícito aos candidatos à felicidade se permitirem a instalação da revolta nos corações, desajustando-os e permitindo insoldáveis perigos de malquerença no ambiente por onde moureja. Em verdade, quem assim procede, se esquece nesses momentos de descompasso os tesouros de estabilidade e euforia com que somos favorecidos em miríades de bênçãos que chegam todos os dias em nossas vidas. Tratam-se de presentes do Pai Celestial aos seus filhos diletos, em forma de advertência, em orientação segura pela inspiração dos arautos do bem e dos perigos evitados, que nem mesmo se chega a perceber o quanto se esteve perto da desventura.

A toda evidência esse é o momento de se expressar a bendita oportunidade de consolidarmos o amor e a tranquilidade no jornadear por onde transitamos, levando a luz que Jesus recomendou que deixássemos brilhar em nossas vidas. O não julgar deve se fazer presente também quando alguém, por razões ignotas, deixa a convivência onde está e se permite levar pelos seus anelos mais íntimos.

Certamente essa não será ocasião para se conjecturar teorias acerca da ingratidão, e, em verdade, não se permite esquecer as afeições que nos enriquecem os dias.

Anote-se por necessário que os desgostos são dores que todas as pessoas sentem ao lutar o bom combate, no dizer de Paulo, o apóstolo. Todavia, cada um recebe a taça da vida para completar com o brilho de seus olhos, examinando essa ocorrência pelo que elas podem representar, felicidade ou infelicidade.

Diante da nossa pequenez não se alforria a ninguém, absolutamente, a ninguém concluir que aquele que se afasta, convidado pelos atrativos com que seu Espírito mais se afina, em verdade, procura a experiência mais adequada aos próprios impulsos para a realização de suas provas. Da mesma sorte, não raras vezes, insignificantes desentendimentos repontam na esfera profissional ou nos ambientes por onde transitamos e exageramos na ocorrência, lançando perturbação ou incrementando a discórdia e a desordem nos sentimentos do próximo.

Indispensável, em casos dessa natureza, ver os dotes que recolhemos do nosso campo de trabalho, nas experiências da vida, reconhecendo que o destempero é ensejo de proteger e prestigiar o ambiente de trabalho ou a organização a que fomos chamados, conscientes de que ali também estamos militando em nosso favor e para o crescimento espiritual do ser em busca do seu reto proceder. Nesse sentir, o desgosto está para o coração como a poda para a árvore. Se dissabores nos visitam, recordemos que a vida está cortando o prejudicial e o supérfluo, em nossas plantas de ideal e realização, a fim de que possamos nos renovar e melhor produzir.

Em tese, tudo tem a aparência de sofrimento, mas nada, absolutamente nada do que acontece é sem justa causa. Por essa razão, existem pessoas que, quando experimentam o desgosto ficam "furiosas" e agridem os que vivem ao seu redor, como a se "vingar" do desgosto de que padece, aparentemente sem motivo. Anote-se por necessário que os desgostos são dores que todas as pessoas sentem ao lutar o bom combate, no dizer de Paulo, o apóstolo. Todavia, cada um recebe a taça da vida para completar com o brilho de seus olhos, examinando essa ocorrência pelo que elas podem representar, felicidade ou infelicidade.

Esse olhar sereno sobre o desgosto está sob a égide do manto sagrado do momento de crescimento espiritual de cada criatura de Deus, razão porque alguns se engrandecem quando o "desgosto" bate à sua porta, e outros se apequenam e se infelicitam, mas todos, todos sem distinção, verão brilhar a sua luz no tempo oportuno, conforme lecionou o Homem de Nazaré.


O autor é advogado e vice presidente da USE de Americana e Nova Odessa, e também Vice Presidente do Centro Espírita Paz e Amor na cidade de Americana-SP.Jaime Facioli jaime.facioli@advocaciafacioli.com.br


22 junho 2017

Como devemos encarar e vencer a Depressão? - Hugo Gimenez



COMO DEVEMOS ENCARAR E VENCER A DEPRESSÃO?


Como disse bem antes nas primeiras linhas, não devemos encarar a depressão apenas como uma doença clínica. Como o autor Francisco Cajazeiras intitula seu próprio livro “Depressão, doença da alma”, realmente não consigo ver diferente. É realmente uma doença da alma, mas se pudermos ser reflexivos, podemos tirar algum proveito dessa doença e vermos uma oportunidade. Calma!

Explicarei o que quero dizer, quando falo em oportunidade.

Primeiro, peço que siga uma analogia: ter febre é uma coisa incômoda, certo? Mas a febre por outro lado pode ser encarada como uma coisa positiva. Ela indica que algo em nosso corpo está errado, que talvez exista alguma infecção viral ou bacteriana. A febre é uma espécie de “alarme” sintomatológico de algo muito mais prejudicial. Para combatermos efetivamente com a febre, temos que agir sobre a raiz do problema, devemos agir sobre a infecção. Quando usamos alguma estratégia para combatermos somente o estado febril, não estamos agindo sobre a patologia primária, portanto, a febre pode até passar, mas no dia seguinte, mais cedo ou mais tarde, ela retorna.

Então, se nós espíritas, ou você que não é espírita, mas que concorda com minhas palavras; se você concorda que a depressão é uma doença da alma, então deveríamos buscar a fonte da problemática em nossa alma, no nosso íntimo. Podemos entender a depressão como um grito de socorro da alma, que o corpo somatiza através de sensações desagradabilíssimas. E, assim como a febre, agir somente contra a sintomatologia externa (tristeza, desânimo e pensamentos desordenados), não será o suficiente. Existe algo a mais a ser feito, é preciso restaurar as feridas da alma.

A depressão pode ser, sim, considerada uma doença, mas quem sabe, para o espírito encarnado, ela seja, assim como a febre, um sinal de alerta. Há algo em nossas vidas que precisa de reparos, precisamos mudar algo.

A avareza, a inveja, o narcisismo exacerbado, os vícios, a vaidade, o orgulho, a arrogância, a ira, intolerância e tantos outros mais. Qual desses elementos ou outros que não cheguei a citar você carrega na sua personalidade? Você teria humildade o suficiente para identifica-los em si mesmo? Veja bem, não precisaria você sair por aí falando de si mesmo de forma negativa diante de terceiros, apenas reflita em pensamentos e identifique algo que não esteja correto em sua vida e reflita sobre isso.

De fato, não é tão difícil fazer isso. Difícil mesmo é parar de alimentar um comportamento errôneo que se praticou durante anos e anos. O sujeito avarento ficaria de luto diante da perda de algumas somas de dinheiro; o orgulhoso “enlouquece” por perder aquilo que o fazia parecer tão gigante aos olhares de terceiros; a pessoa que alimenta a inveja se vê impotente por não conseguir os bens ou as posições que pertencem a outrem.

Aniquilar essas fraquezas da sua vida é o que se chama de “Reforma Íntima”. E tomo a liberdade de colocar o termo entre aspas e em iniciais maiúsculas devido à importância tamanha dela no processo de cura do indivíduo. Essa espécie de reforma não serviria somente para a cura de uma depressão, mas para o resgate de uma vida inteira de infortúnios. A Reforma Íntima é o pilar central da cura de qualquer indivíduo, para qualquer doença em que a alma seja a principal acometida.

De forma geral, mas não menos importante, a Reforma Íntima é o principal remédio que não compete ao psiquiatra, médico, médium da casa espírita, padre, pastor ou monge precisarem te receitar. É um remédio que depende somente do próprio indivíduo querer começar a tomar. A Reforma Íntima é um compromisso. E mais. Não é dose única ou se assemelha a um tratamento de alguns meses. É para a vida inteira.

Não digo, de forma alguma, que os médicos e psicólogos são dispensáveis, muito pelo contrário, fazem parte essencialmente do processo. Com a saúde não se brinca e um tratamento médico é complemento do espiritual e vice-versa.

Do ponto de vista espiritual, já ouvi de muitas bocas falarem que a depressão não tem cura. Inclusive li relatos de pessoas na internet, que falaram que foram para igrejas, inúmeros centros espíritas, pais de santo, pastores e padres e não tiveram seu problema resolvido. Mas vale atentar que, essas pessoas só falaram isso, não deram detalhes sobre como estavam levando a vida, se tinham vícios, pois preferem ignorar a trave entre os próprios olhos. E digo mais, muitas pessoas preferem os imediatismos, algo como uma reza milagrosa que lhe retire o obstáculo no mesmo segundo. As pessoas adentram uma igreja ou qualquer outro templo, mal absorvem a filosofia dali e já saem falando mal desta ou daquela doutrina.

Se pararmos para refletir, podemos fazer a seguinte indagação: será que essas pessoas, que adentraram em um Centro Espírita chegaram a ter o mínimo de paciência para entender os ensinamentos do Cristo? Procuraram ter uma noção da grandeza do Evangelho? Longe de mim querer julgar, mas eu suponho que não. Por fim, a Reforma Íntima é um elemento essencial para começarmos a mudar tudo aquilo que estava velho, ruim e estagnado em nossa vida. É como a eletricidade que não consegue chegar à lâmpada, pois a fiação está deteriorada. É impossível mudar a vida para melhor sendo a mesma pessoa. Dessa forma, encaremos os transtornos depressivos como um alerta de que o nosso trem está saindo dos trilhos e que temos o dever de recoloca-lo neles.

Hugo Gimenez 

21 junho 2017

O Remédio Amargo - Hugo Lapa



O REMÉDIO AMARGO


Uma mulher estava passando por grandes sofrimentos em sua vida. Estava cheia de dívidas, seu marido a abandonou, seus filhos brigaram com ela, e havia o risco de perder a sua casa. Já não aguentava mais aquela situação, e começou a se questionar o motivo de tamanho sofrimento. Pensou em desistir de tudo e tirar sua própria vida.

A noite, em meio a muitas lágrimas derramadas, orou a Deus pedindo que interrompesse tanto sofrimento, pois ela não queria passar por tudo aquilo. Fez uma prece declarando: “Deus, por favor, Não consigo aguentar tanto sofrimento, tantas dificuldades em minha vida. O Senhor é todo poderoso. Suplico que retire este peso dos meus ombros”.

Após a oração, a mulher deitou-se e adormeceu. Começo a sonhar que um anjo vinha em sua presença e lhe dizia as seguintes palavras: “Sou o anjo que Deus enviou para te acudir nesse momento. Por favor venha comigo”.

No sonho, a mulher foi seguindo o anjo e percebeu que ambos iam regressando ao seu próprio passado. Começou a rever várias fases de sua vida, e finalmente parou numa cena em que ela obrigava seu filho a tomar um remédio. O anjo aproximou-se e disse: “A resposta as tuas angústias está dentro de ti. Tu mesmo usou este método para ajudar teus filhos”.

A mulher olhou a cena e viu que, num passado não muito distante, quando seus dois filhos ainda eram crianças, ela os obrigou a tomar um remédio bastante amargo. Um dos seus filhos estava doente, e o médico havia receitado aquele medicamento afirmando que, caso o menino não o tomasse, poderia ficar ainda mais doente. Mas, ao contrário, se ele tomasse a medicação, iria melhorar em pouco tempo. A mãe então levou o remédio para o filho. O menino recusou-se a tomar a medicação, dizendo que o gosto era muito amargo, e que ele não queria sentir aquilo. A mãe então disse que ele deveria tomar de qualquer forma, caso contrário iria castigá-lo severamente. O filho chorou, esperneou, gritou, fez muitas cenas, mas finalmente tomou o medicamento. Alguns dias depois estava curado de sua enfermidade.

O anjo, que acompanhava tudo, perguntou a mulher:

– Você deixaria de dar este medicamento a seu filho por que ele pediu, alegando que não queria sentir o gosto ruim do remédio?

– De jeito nenhum! Respondeu a mãe. Se o medicamento é necessário, e se vai cura-lo, ele precisa tomar, não importa a sua vontade. Pois naquele momento ele era uma criança, e não podia entender o que se passava e a importância da medicação.

O anjo respondeu:

– O mesmo ocorre entre você e Deus. Deus é seu pai ou mãe, e a humanidade inteira são Seus filhos. Os seres humanos são como crianças que não compreendem ainda os benefícios do remédio amargo dos sofrimentos e provações da vida. Da mesma forma que tu obrigas teu filho a tomar uma medicação que é para o bem dele, Deus também nos coloca em circunstâncias que nos são indesejadas, mas que são imprescindíveis para a cura do nosso espírito. Também para ti, os sofrimentos são remédios muito amargos, e te revoltas e te recusas a sentir tamanho dissabor. Procure compreender que, da mesma forma que teu filho precisou do medicamento para se curar, teu espírito precisa atravessar estas tribulações para se purificar.

Autor: Hugo Lapa

20 junho 2017

Fogo fátuo e duplo etérico - o que é isso ? - Jorge Hessen




FOGO FÁTUO E DUPLO ETÉRICO - O QUE É ISSO?


Um amigo indagou-me o que era “fogo fátuo” e “duplo etérico”. Respondi-lhe que uma das opiniões que se defende sobre o “fogo fátuo”, acena para a emanação “ectoplásmica” de um cadáver que, à noite ou no escuro, é visível, pela luminosidade provocada com a queima do fósforo “ectoplásmico” em presença do oxigênio atmosférico. Essa tese tenta demonstrar que um “cadáver” de um animal pode liberar “ectoplasma”.

Outra explicação encontramos no dicionarista laico ,definindo o “fogo fátuo” como uma fosforescência produzida por emanações de gases dos cadáveres em putrefação [1], ou uma labareda tênue e fugidia produzida pela combustão espontânea do metano e de outros gases inflamáveis que se evola dos pântanos e dos lugares onde se encontram matérias animais em decomposição. Ou , ainda, a inflamação espontânea do gás dos pântanos (fosfina), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente.

Sob o enfoque espírita, Allan Kardec fez breve referência ao termo conforme inserto no cap. VI, de O Livro dos Médiuns , questão 29, ao indagar: “Que se deve pensar da crença que atribui os “fogos-fátuos” à presença de almas ou Espíritos?” Os espíritos responderam: "Superstição produzida pela ignorância. Bem conhecida é a causa física dos “fogos-fátuos”. [2]

Sobre o tema “duplo etérico” explicamos ser muito intricado. O termo não está presente na Codificação, porém existem associações teóricas subjetivas, por vezes polêmicas, contidas nas obras “complementares” para explicá-lo. O fato é que não encontramos a nomenclatura, digamos, “clássica” no Espiritismo, isto é, não é definido por Kardec, embora superficialmente o tema é acenado (uma única vez) em O Livro dos Médiuns. [3] A rigor, a palavra e seus conceitos dimanam especialmente dos burgos místicos do esoterismo, apinhada de crença orientalista , mística e espiritualista, portanto não sendo objeto de estudo de Kardec ou dos Espíritos nas Obras básicas.

Partindo do princípio definido pelo dicionário esotérico somos informados que todo corpo físico está cercado por um invólucro de matéria etérica, sendo uma reprodução perfeita do corpo físico. Ele ultrapassa epiderme cerca de cinco centímetros. Não é um veículo independente, se desfazendo após a morte física. Sua grande importância é receber e distribuir as forças vitais provenientes do sol e da terra. É nele que estão localizados os chamados “chacras”. [4]

Kardec inquiriu aos Espíritos se a alma é externa e envolve o corpo. Os Benfeitores explanaram que as almas (os encarnados) irradiamos e nos manifestamos no exterior (do corpo físico), como a luz através de uma lâmpada ou como o som em redor de um centro sonoro. É por isso que se pode dizer que ela (alma) é externa, mas não como uma película do corpo. A alma tem dois envoltórios: um, sutil e leve, o primeiro que chamas perispírito; o outro, grosseiro, material e pesado, que é o corpo biológico. [5]

Divulga-se que o “duplo etérico”, ou, para alguns, a “bioenergia”, é o contingente de energia vital (“neuropsíquica”), resultado da ação do corpo espiritual (perispírito) sobre os elementos físicos, canalizados à consolidação do corpo físico como, também, aglutinados em uma outra estrutura que vai servir de verdadeiro reservatório de vitalidade, necessário, durante a vida física, à reposição de energias gastas ou perdidas. [6]

André Luiz distingue o perispírito - a que chama também de “corpo astral”, “corpo espiritual” e “psicossoma” - do “duplo etérico”, cuja natureza, afirma como sendo de "um conjunto de eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo biológico" (...), "formado por emanações neuropsíquicas que pertencem ao campo fisiológico e que, por isso mesmo, não conseguem maior afastamento da organização terrestre, destinando-se à desintegração, tanto quanto ocorre ao arcabouço carnal por ocasião da morte renovadora". [7]

Na desencarnação “duplo etérico” (ou “corpo vital”) pode ficar adjunto ao corpo físico ou pairar no ambiente, por um período curto ou longo consoante a evolução do desencarnado, até o desligamento definitivo, quando sobrevém a sua desintegração. Isto porque, sendo um campo de energia de predominância física, poderá servir de sustentação a espíritos vampirizadores. Nos seres evoluídos, o “duplo etérico” é quase que imediatamente desintegrado.

André Luiz , portanto , confirma que todos os seres vivos se revestem de um halo magnético que lhe corresponde à natureza e que no homem essa projeção é modificada e enriquecida pelos fatores do pensamento contínuo, constituindo a “aura” humana, o “corpo vital” ou "duplo etérico". Por ele exteriorizamos o reflexo de nós mesmos, de acordo com o que pensamos e fazemos. [8]

Sinceramente? Não identificamos problemas conceituais nas considerações de André Luiz. Não obstante, ocorrerem clamores que divergem do autor de “Nosso Lar”, a propósito do emprego das terminologias “aura”e “corpo vital”. Asseguram tais divergentes que as palavra e os conceitos estão propostos sem um maior critério doutrinário, pois que nas obras básicas e na Revista Espírita, Kardec não usou tais palavras. Lembremos, porém, que o Codificador usou a expressão “atmosfera fluídica” ou “atmosfera individual” para definir o mesmo fenômeno aqui analisado.

Nalgumas escolas espiritualistas, o “corpo vital” (empregado por André Luiz) é constituído por átomos de matéria sutil (etérea), sendo denominado como tal por ser a fonte das forças nervosas eletrovitais, e, portanto, o construtor e restaurador das formas densas, interpenetrando todo o corpo físico. Todavia, na época de Kardec não se empregava com frequência o termo “duplo etérico” ou “corpo vital”, mas ao registrar Kardec que o perispírito é composto de matéria sutil, de matéria nervosa, de matéria inerte, evidentemente estava referindo-se ao perispírito como um corpo complexo, e não de natureza compacta.

Leopoldo Cirne, um espírita estudioso de Kardec, concluía, das experiências de materialização, a existência de um corpo invisível no encarnado, dessemelhante do perispírito, que poderia subsistir por algum tempo após a morte física, mas não permaneceria definitivamente ligado ao Espírito desencarnado, a que denominou de “corpo etéreo”, “duplo astral”, “corpo astral”, responsável pela possibilidade de materialização dos Espíritos. [9] Em seguida, na sua obra (póstuma) O Homem Colaborador de Deus, Cirne manteve seu ponto de vista sobre a existência de um corpo não-físico além do perispírito, não o designando mais de duplo (corpo) astral, mas apenas de “corpo etéreo”, inseparável do corpo físico durante a vida. [10]

Sabemos que o tema é sensível, difícil, problemático e não pacificado ainda, mas faço minhas as palavras de Kardec, mencionando que o estudo de um tema que nos lança numa ordem de coisas abstratas só pode ser feito com inteligência, imparcialidade e utilidade por pesquisadores sérios, perseverantes, livres de prevenções e animados de firme e sincera vontade de chegar a um resultado. Não sabemos como dar esses qualificativos aos que julgam “a priori”, inconsideradamente, sem tudo ter visto; que não imprimem a seus estudos a continuidade, a regularidade e o recolhimento indispensáveis. [11]


Referências bibliográficas:

[1] Disponível em https://www.priberam.pt/dlpo/fogo-f%C3%A1tuo  acessado em 25-05-2017
[2] KARDEC , Allan. O livro dos Médiuns, cap VI, questão 29, RJ: Ed FEB, 1990
[3] Idem questão 4 do item 128 do capítulo VIII
[4] Disponível em https://dicionarioesoterico.wordpress.com/ acessado em 24-05-2017
[5] KARDEC , Allan. O livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 1990 questão. 141
[6] ZIMMERMANN Zalmino. PERISPÍRITO, SP: Editora: Centro Espírita Allan Kardec, 2002
[7] XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos, RJ: Ed. FEB 1958, 13a ed.
[8] Idem
[9] CIRNE, Leopoldo. Doutrina e Prática do Espiritismo, 1 edição, RJ: Editora: Typ . do Jornal do Commercio, 1920
[10] CIRNE, Leopoldo. O Homem Colaborador de Deus, SP: Ed Mundo Maior, 1949
[11] KARDEC , Allan. O livro dos Espíritos, item VIII da introdução, RJ: Ed FEB, 1990



Jorge Hessen
 

19 junho 2017

Veneno Sutil - Joanna de Ângelis

 


VENENO SUTIL


Através de ingentes esforços mantém-te em harmonia.

Espanca o ressentimento das tuas paisagens emocionais e perdoa de todo coração e alma.

Os resíduos da mágoa intoxicam-te e entristecem-te, vencendo as tuas resistências morais a pouco e pouco.

Há pessoas que se te apresentam amigas e, para granjear-te o afeto, sabendo do teu temperamento forte, envenenam-te em relação a uns e outros, com habilidade, a fim de isolar-te, tendo-te ao seu alcance.

Vigia mais.

As informações malsãs que te fazem sofrer, apresentando-te as imperfeições dos outros, levar-te-ão a graves distúrbios de comportamento.

Ficas ressentido com este, magoado com esse, desgostoso com aquele... Desconfias de uns e te afastas de outros, aumentando-te somente do tom vibratório de quem te hipnotiza com interesse subalterno, tramando a tua derrocada.

Agem por si mesmos ou teleguiados por outras mentes que se te fazem adversários pertinazes.

Esquece, portanto, o mal que outros te hajam feito por desequilíbrio, merecendo tua compaixão, ou por qualquer outro motivo.

Não podes imaginar o que comentam de referência à tua pessoa, quando estás ausente, motivando que reajam desta forma, consoante vieram dizer-te.

Fechas os ouvidos a essas vozes e proíbe-as de falar-te mal a respeito dos outros.

Se te estimam, que o demonstrem, auxiliando-te e oferecendo-te belezas, estímulos, ao invés do lixo mental e emocional que te trazem.

-o-

Ressentimento expressa insegurança.

Se ages com correção, fica tranquilo em relação àqueles que te censuram.

Se atuas de forma equívoca, usa o ensejo para retificar atitudes.

Em qualquer circunstância, mantém-te em paz.

Ninguém foge à opinião alheia.

Tem a humildade de reconhecer que vives cercado daqueles de quem necessitas para evoluir.

Regulariza os teus débitos passados, mediante estes recursos que se te propõem pela vida.

-o-

Todos os missionários da Humanidade experimentaram os estigmas cruéis daqueles que os cercavam. Não obstante, felizes, concluíram a obra com a qual estavam comprometidos...

Segue-lhes o exemplo, e, preservando-te em paz, prossegue com amor, sem o ônus da amargura ou do ressentimento na mente ou no coração.


De “Luz da Esperança”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis


18 junho 2017

Líderes narcisistas e a sua influência - Anselmo Ferreira Vasconcelos



LÍDERES NARCISISTAS E A SUA INFLUÊNCIA



Com muita propriedade, lembra o Espírito Emmanuel na obra Caminho, Verdade e Vida (psicografia de Francisco Cândido Xavier) que não apenas as criaturas sofrem a obsessão de Espíritos perversos, mas, igualmente ou ainda mais, os agrupamentos e as instituições humanas.

De fato, certas obsessões coletivas são claramente perceptíveis no mundo hodierno. Algumas chegam a desafiar a lógica e o pensamento racional. Já nos referimos anteriormente às obsessões produzidas pelos vícios tecnológicos.

Essas, cada vez mais pronunciadas, têm manietado milhões de humanos no mundo inteiro às telas de smartphones, tablets, videogames e PCs numa frequência e intensidade anormais. Tais devices tornaram-se praticamente extensões do corpo humano. Por conseguinte, os seus efeitos deletérios têm sido proficientemente identificados por cientistas, médicos, psicólogos e terapeutas.

Todavia, existem outras obsessões coletivas menos visíveis. Estas exigem muito esforço do observador para detectá-las, pois não são claramente explicitadas pelo menos até o momento em que determinadas forças sociais eclodem. No geral, elas são mais sutis, embora não menos destrutivas. Elas nascem e se proliferam em meio aos valores e ideias comuns cultivadas por uma considerável parcela de indivíduos.

Às vezes, abarcam até uma nação tal o seu poder de penetração. O advento do nazismo, por exemplo, tem forte ligação com o que queremos aludir. Uma boa parte da população se sentia algo alijada e incomodada até que surgiu um líder carismático (e também narcisista) capaz de aglutinar todos os descontentes com o seu discurso explosivo.

De modo geral, os dicionários tendem a descrever o indivíduo narcisista como alguém extremamente apegado à própria imagem, assim como focado em si mesmo. Dito de outra forma, pessoas narcisistas não se importam muito com o que os outros pensam ou sentem. O que efetivamente vale para elas são os seus desejos pessoais. Por força das circunstâncias, elas conseguem elevada projeção, pois não raro apresentam grande capacidade de articulação e arregimentação. São normalmente populistas, astutos e, como tal, sabem convencer com extrema competência os mais incautos. Sabem manipular com destreza temas candentes.

Tais líderes estão ocupando presentemente postos de comando em importantes nações do planeta, assim como organizações humanas.

Precisamos, por isso, nos precatar contra a sua influência maléfica e destrutiva. Eles são muito sedutores e conseguem com grande habilidade distorcer fatos e acontecimentos para atingir os seus propósitos inconfessáveis. Na essência, contudo, não passam de almas infantilizadas já que brincam com coisas muito sérias.

No universo político, indivíduos com tal perfil abundam. Eles certamente vieram para confundir e iludir as criaturas mais ingênuas. As suas propostas nacionalistas, xenófobas, eivadas de intolerância e malícia, não visam nada mais do que criar o caos planetário. Com toda certeza, eles não servem a Deus. O seu ideário é constituído de pensamentos necrosados. Por isso, devemos lembrar dos sábios ensinamentos de Jesus como, por exemplo: “[...] O reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda qualidade de peixes” (Mateus, 13: 47). O sublime rabi da Galileia deixa entrever nessa passagem evangélica que o respeito às diferenças e singularidades estão presentes em toda a obra divina.

Desse modo, não há sentido em fomentar a cizânia e o preconceito, especialmente em sociedades claramente identificadas com os ideais cristãos. É fato que nem tudo pode nos agradar na atualidade, mas devemos exercitar a tolerância e o respeito. Ademais, todos têm o direito de buscar uma vida melhor independentemente das suas particularidades e crenças.


Anselmo Ferreira Vasconcelos


17 junho 2017

Animismo no centro espírita - Morel Felipe Wilkon



ANIMISMO NO CENTRO ESPÍRITA


O animismo é o terror de muitos médiuns e motivo de desconfiança por parte dos consulentes (ou pacientes; as pessoas que recebem o atendimento espiritual).

Quando nós falamos em animismo nós estamos nos referindo aos fenômenos produzidos ou experimentados pelo próprio espírito encarnado, com as suas próprias faculdades, sem a participação de um espírito desencarnado.

Toda faculdade que independe da participação de outro espírito é uma faculdade anímica.

Um exemplo é a projeção consciente, em que a pessoa, através de exercícios de mobilização de energias, ou de exercícios de visualização, mas principalmente com o uso de uma vontade forte, ela consegue sair do corpo físico com o seu corpo astral mantendo a consciência. Isso não pode ser confundido com o chamado desdobramento.

Quando nós dormimos normalmente nós nos desdobramos, ou seja, enquanto o corpo físico repousa, nós recobramos parcialmente a liberdade com o corpo astral. Mas não podemos chamar isso de projeção consciente (ou projeção astral). A projeção é o resultado de um exercício, que envolve a vontade, e é caracterizada pela manutenção da consciência.

Quem se projeta não é necessariamente médium. A pessoa não está servindo de intermediária para nenhum espírito.

Muitas faculdades que nós chamamos de mediúnicas na verdade são anímicas.

A vidência ou clarividência, por exemplo: você acha que é uma faculdade anímica ou mediúnica?

Allan Kardec criou uma expressão que hoje pode não parecer muito adequada: emancipação da alma. Ele se refere à emancipação, ou seja, à liberdade da alma em relação ao corpo.

– O que é isso?

Isso é um estado alterado de consciência. E não tem nada de extraordinário nisso. Nós entramos em estados alterados de consciência imediatamente antes de adormecer, imediatamente ao despertar, ou mesmo num relaxamento provocado, como na meditação.

O que ocorre nisso que Allan Kardec chama de emancipação da alma é que nós nos libertamos parcialmente do corpo físico. Essa relativa liberdade pode ser bem pequena ou muito ampla.

No nosso estado de consciência normal, o nosso contato com o mundo exterior se dá exclusivamente por intermédio dos nossos cinco sentido físicos. Quando nos libertamos parcialmente do corpo físico nossas percepções aumentam e temos, dependendo do grau dessa liberdade, até a possibilidade de agir em outros planos.

O animismo ocorre no estado de emancipação da alma.

Geralmente quando se fala em animismo no centro espírita ele está associado à mediunidade de incorporação (ou psicofonia).

Grande parte dos médiuns não tem certeza se a comunicação que ele está fazendo provém de um espírito ou dele mesmo. Essa desconfiança também existe por parte de dirigentes de grupos de atendimento espiritual e por parte dos consulentes.

Não há como saber, com certeza, o que vem do espírito e o que vem do médium.

A mediunidade é muito mais sutil do que os leigos imaginam. Para captar a mensagem do espírito com maior fidelidade, o médium precisa esvaziar-se de quaisquer preocupações externas e entrar num estado de emancipação da alma – no mínimo, um estado de relaxamento.

Isso nem sempre acontece. Temos que lembrar que a maior parte dos trabalhadores dos centros espíritas trabalha, tem outras ocupações. Nem todos podem chegar ao trabalho mediúnico com antecedência, nem todos dão o devido valor à necessidade desse estado de relaxamento, e, principalmente, nem todos conseguem se desligar dos seus problemas, das suas ocupações cotidianas.

Isso faz com que a percepção do médium seja mínima, e ele não consegue diferenciar o que é seu e o que não é seu numa comunicação.

Se o animismo fosse assumido como uma faculdade tão valiosa ou até mais valiosa do que a mediunidade, talvez as coisas fossem diferentes. É comum entre os trabalhadores dos centros espíritas esperar que os espíritos façam tudo, ou pelo menos deixar a maior parte do trabalho para os espíritos.

Se houvesse uma maior conscientização da importância do trabalho do trabalhador encarnado, talvez o seu senso de responsabilidade fosse mais exigido e ele então se prepararia melhor para o trabalho.

Quando nós temos noção da nossa importância e quando nós sabemos que um determinado trabalho depende de nós, da nossa participação efetiva, nós nos preparamos melhor para esse trabalho. É assim até na nossa vida profissional.

Será que os espíritos que trabalham no centro espírita são melhores que nós, encarnados?

A maioria pensa que sim. Eu afirmo que não.

Não faz sentido achar que os melhores estão todos do lado de lá. O estudo das obras de André Luiz nos mostra que os trabalhadores desencarnados são seres como nós – apenas estão livres da densidade da matéria, por isso percebem a realidade de uma forma mais ampla, sem tanto egoncentrismo como nós.

Mas nós temos as mesmas capacidades que eles e em algumas áreas até mais. Por estarmos num corpo físico nós temos a energia vital ou energia animal ao nosso dispor.

Nós vemos aqueles instrutores dos livros de André Luiz e temos a impressão de que eles são todos grandes mestres. Não são! São espíritos inteligentes e esforçados. Por que eles parecem tão melhores que nós? Por que nós vivemos tão ocupados com as coisas materiais, com o monte de compromissos que nós temos, que nós deixamos de lado as nossas próprias potencialidades – nós não investigamos e não desenvolvemos as nossas potencialidades.

Lembre-se que você já experimentou muitas existências. Você tem dentro de você um cabedal de conhecimentos incrível. Mas para ter acesso a isso você precisa investigar a si mesmo, conhecer a si mesmo e desenvolver o hábito de acessar as partes mais profundas do seu ser.

Isso não exige nenhum exercício extraordinário, a simples meditação serve. Experimente fazer exercícios respiratórios, mobilizar as suas energias, ativar os chacras, entrar num estado de profundo relaxamento e então orar – mas orar com imagens e com sentimento, não com palavras. Você descobre uma riqueza dentro de você!

O animismo não é prejudicial se o médium for bem preparado. Não faz diferença alguma se um conselho ou uma mensagem de apoio é oriunda de um espírito guia ou se vem do próprio médium. Também não faz diferença se a comunicação do médium é fiel ao que está acontecendo com o consulente ou não – desde que o médium tenha sensibilidade suficiente pra perceber o tipo de influência que está agindo sobre o consulente.

Se começarmos a levar o animismo a sério desenvolveremos melhor nossas potencialidades; ampliaremos o nosso senso de responsabilidade; tornaremos os atendimentos espirituais mais dinâmicos e completos; e, talvez o mais importante, seremos mais racionais, não dependeremos tanto de nossas crenças.


Morel Felipe Wilkon

16 junho 2017

Implicações espirituais da Corrupção - Antônio Carlos Navarro



IMPLICAÇÕES ESPIRITUAIS DA CORRUPÇÃO


A despeito de todo bem que já se pratica na Terra, o mal ainda se faz presente, principalmente, a partir de mentes aquinhoadas de profundo conhecimento intelectual e, por isso, de largo alcance.

Sempre haverá justificativa e atenuantes para o mal praticado, quando sua gênese está na ignorância da criatura malformada na estrutura sócio moral em que estagia, mas o que vem das criaturas, ditas esclarecidas, a responsabilidade pelas consequências avoluma-se, exponencialmente.

Ainda assim trata-se de ignorância. Da ignorância moral decorrente do desleixo pela essência humana e por sua natureza espiritual, mas…

Se soubessem o quanto lhes custará, em reencarnações futuras, devolver tudo o que retiraram do que não lhes pertencia…

Se soubessem o quanto lhes custará, em reencarnações futuras, a edificação do que impediram com gestos infelizes baseados na ganância material…

Se soubessem o quanto lhes custará, em reencarnações futuras, experimentar as moléstias que provocaram no próximo pela incúria na coisa pública…

Se soubessem o quanto lhes custará, em reencarnações futuras, vivenciar o estado de misérias materiais de largo curso, ao provocarem, intencionalmente, o desvio de verbas que facilitariam a vida dos seus iguais…

Se soubessem o quanto lhes custará, em reencarnações futuras, estacionar nas condições sociais mais abjetas, em função da vaidade e orgulho de hoje que causam a teima para atingir e se manter em classes sociais mais altas…

Se soubessem o quanto lhes custará, em reencarnações futuras, os estados de penúrias decorrentes da conduta perdulária de hoje… Se soubessem o quanto lhes custará, em reencarnações futuras, trabalhar, profissionalmente, em regime de escravidão, por conta das imposições aos menos favorecidos de hoje…

Se soubessem o quanto lhes custará, em reencarnações futuras, experimentar as maiores dificuldades e dores, de todo tipo, para recompor o que foi destruído, e por de pé o que deixou de ser construído…

Se soubessem o quanto lhes custará, em reencarnações futuras, as lágrimas de remorso, arrependimento e de saudades dos seus pelo afastamento necessário para valorização das relações familiares e sociais destruídas hoje…

Se soubessem o quanto lhes custará, no além, pós morte física, os estados conscienciais abrasadores a lhes queimarem o íntimo, decorrente dos abusos irresponsáveis praticados no desenrolar da vida física…

Se soubessem o quanto lhes custará, no além, pós morte física, as perseguições e ataques diretos que sofrerão por parte daqueles que não souberam ou não conseguiram perdoar o prejuízo de toda sorte de que foram vítimas…

Se soubessem que a vida espiritual prossegue além da vida física e que a reencarnação é mecanismo de depuração e crescimento espiritual e que, carregada de provas e expiações, possibilita a construção paulatina da felicidade possível de ser apreciada, por estar vinculada ao mecanismo de ação e reação, certamente, pensariam com mais profundidade nos valores morais que praticam e dedicar-se-iam a construção do mundo melhor desde já, enquanto as possibilidades para tanto se fazem presentes.

Por nossa vez, enquanto praticantes do exercício da reforma íntima pessoal, faz-se necessário cuidado na emissão de juízos de valores, porque a falência faz parte da identidade dos Espíritos vinculados ao nosso Planeta, o que significa que podemos errar tanto quanto os outros, porque não há privilegiados ou exceções nas Leis Divinas.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

15 junho 2017

Noite da Pizza

(imagem meramente ilustrativa)

Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente, promove a Noite da Pizza


São 20 sabores, sábado 22/07/17 à partir das 18:00hs valor R$ 30,00.

Doces e bebidas a parte.

Local: 
Núcleo  Assistencial Paulo e Estevão
Rua Tiradentes, 52 - Parque Bitarú - São Vicente/SP

Convites a venda: 
Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP


O dinheiro diante das pesquisas científicas - Jorge Hessen



O DINHEIRO DIANTE DAS PESQUISAS CIENTIFÍCAS



O Espírito Bezerra de Menezes afirma que o dinheiro na sociedade, apesar de não ser luz, sustenta a lâmpada, que apesar de não ser a paz, é um instrumento que facilita a sua obtenção, que apesar de não ser calor, viabiliza o agasalho; que apesar de não ser o poder da fé, alimenta a esperança; que apesar de não ser amor, é capaz de erguer-se por valioso ingrediente na proteção afetiva; que apesar de não ser o tijolo de construção, assegura as atividades que garantem o progresso; que apesar de não ser cultura, apóia o livro; que apesar de não ser visão, ampara o encontro de instrumentos que ampliam capacidade dos olhos; que apesar de não ser base da cura, favorece a aquisição do remédio [1] e, obviamente, incentiva as pesquisas para a formulação dos medicamentos. Pensando sobre essas reflexões, veio-nos à mente o caso de Henrietta Lacks, uma mulher que desencarnou com câncer há 60 anos, porém cujas células (“imortais”) retiradas do seu corpo têm salvado vidas humanas até hoje.

Vejamos como se deu o fato. Tudo começou no ano de 1951, com a chegada de Henrietta a um hospital nos Estados Unidos. Tal fato marcou o início de um grande avanço para a biotecnologia. As células de seu corpo revolucionariam a ciência médica. Lacks teve câncer no colo do útero pouco antes de desencarnar, e um médico retirou um pedaço de tecido para uma biópsia e percebeu que eram células distintas das demais já analisadas por ele. Desde então, as células removidas do corpo de Henrietta vêm crescendo e se multiplicando.

Investindo-se vultosa soma de dinheiro produziu-se bilhões dessas células em laboratórios de pesquisa, sendo aproveitadas por cientistas, que as batizaram de linha celular HeLa, uma referência ao nome de Henrietta. Há muitas situações em que o cientista precisa estudar tecidos ou patógenos no laboratório. O exemplo clássico é a vacina contra a poliomielite. Para desenvolvê-la era necessário que o vírus crescesse em células de laboratório, e para isso eram necessárias células humanas e evidentemente muito investimento financeiro. As células HeLa acabaram sendo perfeitas para esse experimento, e as vacinas salvaram milhões de pessoas, fazendo com que essa linha celular ficasse mundialmente conhecida.

Essas células não somente permitiram o desenvolvimento de uma vacina contra a poliomielite e inúmeros tratamentos médicos, mas foram levadas nas primeiras missões espaciais e ajudaram cientistas a prever o que aconteceria com o tecido humano em situações de gravidade zero. Além disso, os militares dos EUA colocavam grandes garrafas com células HeLa em lugares que em que eram realizados experimentos atômicos.

Não entraremos no mérito do abuso mercantilista, compreensivelmente resultante das caríssimas pesquisas com as células em epígrafe que, diga-se de passagem, foram as primeiras a serem compradas, vendidas, embaladas e enviadas para milhões de laboratórios em todo o mundo – alguns deles dedicados a experiências com cosméticos, para avaliar os eventuais efeitos colaterais indesejados dos produtos. Nas dinâmicas dos paradoxos humanos reconhecemos que além da contribuição científica, gerou-se bilhões de dólares em produtos testados com as células HeLa.

No início deste texto discorremos com Bezerra sobre a importância do dinheiro, porém reconhecemos que a ganância ainda reina entre nós, mormente no universo científico. Porém o que importa no tema é que as células (“imortais”) retiradas do corpo de Henrietta Lacks têm sido a base de dezenas de milhares de estudos médicos em todo o mundo e em diversos ramos da ciência biológica para a melhoria de vida do homem. Portanto, tem sido um elemento crucial para o desenvolvimento científico na busca da saúde humana.

Trocando em miúdos, o dinheiro associado a consciência tranquila é alavanca do trabalho, fonte da beneficência, apoio da educação e alicerce da alegria. É uma benção do Céu que, de modo imediato, nem sempre faz felicidade, mas sempre faz falta. [2] Principalmente nas pesquisas científicas que agenciam terapêuticas e até a cura de diferentes doenças, a exemplo do câncer, que há poucas décadas era devastador para a nossa sobrevida.

Jorge Hessen


Referência bibliográfica:

[1] XAVIER, Francisco Cândido. “Caridade”, Cap. 36 “Dinheiro”, SP: Ed. IDE, 1997

[2] idem

Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


14 junho 2017

Você sabia que somos nós que atraímos os espíritos obsessores? - Jairo Capasso


 
VOCÊ SABIA QUE SOMOS NÓS QUE ATRAÍMOS OS ESPÍRITOS OBSESSORES?


Muitos de nossos companheiros ao desencarnarem têm decepções de não serem recebidos na espiritualidade como vencedores, mas como espíritos ainda com muito a aprender e principalmente a melhorar.

No Livro Atitude de Amor (Ermance Dufaux), vemos essa preocupação de líderes espíritas na entrevista com Eurípedes Barsanulfo. O Espírito mostra aos interessados e preocupados companheiros que o problema está na melhora íntima. Muitos reencarnam com um defeito e desencarnam novamente com ele. Não mudaram intimamente.

No livro Mereça ser Feliz (Ermance Dufaux), Eurípedes nos alerta de que Trabalhar e Estudar não é tudo. Eles são caminhos de descoberta e fortalecimento, todavia, diz, se o tarefeiro não se aplica ao serviço essencial da transformação de si próprio, buscando o autoconhecimento com pleno domínio do mundo interior, deixará de semear, no seu terreno pessoal, as sementes que vão conferir no futuro sua verdadeira liberdade.

E é isso que fez com que sentissem falta de melhora ao voltarem para o mundo espiritual. Trabalharam, estudaram muito, mas a melhora íntima ainda ficou a desejar. Isto nos faz lembrar um engenheiro no leito de morte que confidenciou a um amigo: - construí muito, mas esqueci de construir a minha vida. Veja-se aqui a vida íntima. A melhor forma de saber se estamos cumprindo esse dever de nos melhoramos é sempre nos avaliando.

E o modo de nos capacitarmos para isso é o estudo. O Espírito Verdade ao preparar a Codificação da Doutrina Espírita com Kardec deixou como base dois importantes ensinamentos: - Espíritas, Amai-vos e Espíritas, Instrui-vos.

O ensinamento da necessidade da melhora íntima já vem dos tempos mais remotos. E na época de Jesus temos dois grandes exemplos de transformações, o de Madalena e o de Paulo de Tarso. Kardec trata da melhora íntima na pergunta 919 do Livro dos Espíritos que deve ser lida muitas vezes por todos nós, até compreendermos o seu verdadeiro significado e o praticarmos. Cada um de nós tem responsabilidades a cumprir. Classificamos estas responsabilidades de dois tipos, a responsabilidade pessoal e a responsabilidade coletiva. A pessoal é a nossa melhora íntima, como espíritos imortais, para podermos prosseguir na evolução. A responsabilidade coletiva é a de que cada filho tem sua tarefa na obra do Pai. Jesus diz que o nosso maior testemunho diante de Deus, são as nossas obras.

Então, estudar, trabalhar, mas melhorar sempre. Este é o caminho. E como diz Eurípedes Barsanulfo, a receita de Jesus para isso, é o amor incondicional.

Toda a orientação de Eurípedes Barnanulfo, cujo resumo está no livro Atitude de Amor, foi trabalhada na frase de João, Cap. 3:30, - mostra-nos bem o sentir e o proceder de verdadeiros Cristãos: ” – É NECESSÁRIO QUE EU DIMINUA, PARA QUE O CRISTO CRESÇA.”

Escrito por Jairo Capasso
União Espirita de Piracicaba