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23 janeiro 2017

O Tempo Passa - Scheilla

 
O TEMPO PASSA

O tempo passa e as oportunidades ficarão mais difíceis se não as aproveitares no serviço da caridade avançada. Por onde passamos, os convites são inúmeros para ajudar. O próximo se encontra cada vez mais próximo, pedindo pelas necessidades, o que podemos dar por dever. Somos todos irmãos uns dos outros e filhos do mesmo Pai Celestial. Por que não atendermos ao que se pede? Por que não darmos ao que estende as mãos?

Vejamos nas ruas, nas casas, nas favelas, quantas crianças mostrando que precisam de nós. Nos mesmos lugares, a velhice a nos pedir socorro no peso dos anos. Perguntemos a nós mesmos o que o Cristo faria em nosso lugar!

Não precisamos responder, porque a própria consciência responderá, bastando que peçamos informações a ela, se possível, em momento de oração.

O tempo voa qual um pássaro, a deixar bilhete aqui e ali para a humanidade. Precisamos aprender a ler essas cartas de avisos que os Céus nos endereçam. Podem ser compromissos antigos esquecemos. Quem sabe se assinamos no livro maior o propósito de fazer isso ou aquilo em benefício do necessário e, quando nos surge o ensejo, por estarmos aparentemente bem, nos esquecemos? O Espiritismo é uma revelação para a humanidade neste sentido, fazendo-nos lembrar do nosso comprometimento diante do trabalho de Jesus. Onde moras, podes começar teu trabalho de compreensão, de tolerância, de fraternidade e mesmo de amor. Não precisas ir muito longe. Ao alcance das tuas mãos generosas se encontra o convite de Jesus em teu próprio favor.

Fica sabendo que o tempo passa e leva a tua disposição para que os anjos leiam nos jardins de Deus, que são as colônias espirituais onde recebem e enviam para a Terra as almas para o trabalho de renovação da vida. Se te esqueceres do dever, tornarás a voltar com maiores dificuldades, e a dor sempre acompanha os desprevenidos da disciplina espiritual, que esquecem e fazem esquecer os compromissos assumidos.

O tempo passa, meu filho, mas não passa a misericórdia. Confiemos mais, estudando as leis do Criador, porque somente a certeza do Seu amor para conosco é que nos leva à disposição de fazer o Bem e nos conduzir nas linhas da fraternidade pura.

Se te encontras sofrendo, a ninguém amaldiçoes. Espera e confia em Deus, trabalha no que puderes e faze o melhor. Procura os recursos, que são inúmeros, para a tua cura ou para o teu alívio, pois os Espíritos superiores são incansáveis e a assistência deles é infalível. Tu também fazes parte da família universal.

Deixa que o tempo passe, pois esse tempo trará a ti a alegria da cura, se souberes esperar com paciência e amor. Mesmo assim, faze o que puderes pelos que te cercam e te assistem.


De “Flor de Vida”, de João Nunes Maia, pelo Espírito Scheilla

22 janeiro 2017

Viver e Morrer - Hugo Lapa

 
VIVER E MORRER

Tudo o que vive, morre… e tudo o que morre, renasce.

O nascimento também é uma morte: a morte da condição do útero. A infância é a morte do bebe. A adolescência é a morte da criança... É quando chega a puberdade e outras transformações. A idade adulta é a morte da juventude, seus prazeres, sua revolta, seus sonhos, seu despojamento. A velhice é a morte da idade adulta. A morte do corpo físico é o fim da vida e o início de uma outra forma de vida ainda incompreensível para nós.

A morte não é um fim, mas sempre uma transição, seja no sentido orgânico, seja no sentido emocional, seja no sentido da ascese.

Deixar o passado morrer é essencial para que o nascimento possa ocorrer no presente. Há sempre uma morte e um nascimento ocorrendo a todo momento. Cada expiração é uma morte e cada inspiração é um nascimento que consolida a continuidade da vida no corpo físico. Nossas células morrem a cada segundo, fazendo outras nascerem e garantindo a perpetuação do existir orgânico. Em sete anos todas as células do nosso organismo já morreram e renasceram. Você já é completamente outro, apesar de ser a mesma pessoa.

A semente morre para deixar que a plantinha nasça. A lagarta morre para fazer nascer a borboleta. Os idosos morrem para dar lugar aos mais jovens. A primavera morre para dar lugar ao verão; o verão dá lugar ao outono e o outono morre e logo vem o frio do inverno. O inverno também morre, para abrir espaço a uma nova primavera. A fruta morre e cai da árvore, para que suas sementes façam brotar uma nova árvore. Tudo morre para dar lugar a outra coisa. Tudo acaba para que algo possa não acabar. O fim chega para que um novo início possa acontecer. A vida se perpetua num constante morrer e renascer, finalizar e recomeçar, esgotar e renovar, perecer e novamente brotar.

A morte de um ente querido ou alguém que muito amamos pode também provocar uma morte interior, uma morte emocional, bastante difícil de superar. Essa morte nos obriga a rever nossa vida e a renascer, caso se queira manter nossa saúde mental e psíquica.

A morte de um relacionamento também pode nos fazer morrer um pouco por dentro. A separação é uma morte terrível para muitos. A saída de um filho de casa é outra forma de morrer. Essa morte interna pode ser mais ou menos devastadora dependendo do grau de afeto, valor ou vitalidade que doamos ao outro, ao relacionamento ou a algum desejo, sonho ou situação. Vivemos 30 anos com o outro, e quando ele parte, não conseguimos mais viver. Nossa vida estava tão atrelada a vida do outro que morremos um pouco quando nosso relacionamento morre. O abandono é outra forma de morte, quando somos rejeitados por outra pessoa. A expectativa e a frustração é outra forma de morrer. É preciso entender que toda morte traz sempre uma possibilidade de vida nova… e não um fim, um encerramento de algo.

Morrer é terminar uma coisa e iniciar outra. Morrer é deixar o passado e fazer nascer o presente, o agora, em nossa existência. Morrer é decretar o fim de uma fase de nossa vida e abrir o coração para o surgimento do diferente, da novidade, da renovação, da revisão, da vida em um outro nível de sentir, pensar e existir.

Se você vai morrer ou renascer depende sempre para que lado você vai olhar. Você pode lançar os holofotes para o que foi, para o que já morreu… e morrer junto com o que não existe mais. Ou então você pode deixar o sol bater sobre o novo, sobre o espaço aberto pela morte; lançar o olhar sobre o que vem, sobre o que se abre, sobre o inédito, sobre o desconhecido que tanto tememos, sobre a regeneração de nós mesmos.

Você já morreu muitas vezes e renasceu em todas elas. Morre apenas quem fica preso ao que passou. Morre quem não quer largar o antigo... E vive aquele que sabe deixar passar o que, em verdade, já foi. Morre aquele que não quer largar o que tem que acabar… Morre quem não admite perder o que já não mais se possui, ou talvez nunca tenha possuído.

Dessa forma, morra e deixe morrer… No entanto, siga o fluxo da vida, desapegue-se, desprenda-se, solte o que já foi… E deixe sua vida renascer.


Hugo Lapa


Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

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Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

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PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


21 janeiro 2017

Quem são os nossos inimigos? - Adriana Machado


QUEM SÃO OS NOSSOS INIMIGOS

Em um mundo em que todos buscam a perfeição, qual seria a melhor atitude que deveríamos tomar para sermos felizes?

Tudo ao nosso redor exige que façamos o nosso melhor, com um tempo menor, com uma eficácia fantástica... O tempo inteiro estamos lutando para nos dar bem, termos uma vida de sucesso, nos sentirmos felizes com as nossas conquistas...

Mas, será que esses são os valores com os quais deveríamos construir o nosso caminho? Será que com tantas metas inalcançáveis, estamos sendo caridosos e nos dando oportunidade para vivermos verdadeiramente? O que é viver feliz?

Em um outro artigo de nosso blog (“Como a vida nos ensina!”), eu disse a vocês da necessidade que tive de parar... parar um minuto, parar por um tempo, parar... simplesmente, parar!

Precisei rever os meus valores, rever a minha vida, porque aquilo que realmente era importante para mim estava sendo relegado ao segundo plano de minha existência. Apesar de eu achar que estava feliz, uma insatisfação, uma ansiedade, uma angústia estavam tocando o meu ser e somente quando elas transbordaram foi que me flagrei necessitada de perguntar a mim mesma para onde eu estava indo.

Cada um de nós, em situação semelhante, daria uma resposta única e individual, mas é ela que nos leva a visualizar o que é realmente importante e quais são os valores que nos norteiam.

Por incrível que pareça, nós temos a tendência de acreditar que, em situações como essa, precisamos “lutar”. Sim, “lutar” por nossa evolução; “lutar” contra todos os valores internos e externos, e contra os comportamentos que nos fazem sofrer, mas que ainda têm força para nos ditar o que é importante em nossa vida.

Então, é o que fazemos! Todos os valores e crenças que enxergamos como prejudiciais a nós, que nos impedem de atingir os nossos novos parâmetros de vida e nos fazem sofrer se tornam os nossos inimigos e contra eles vamos “lutar”! Depois de muito esgotamento, lutando (contra nós) e odiando (a nós mesmos), perceberemos que empreendemos um esforço enorme contra um “inimigo imaginário”. Perceberemos que essa luta é inglória, que o campo de batalha é o nosso templo interior e que o inimigo, se morto, nos levará ao luto de nossa própria existência.

Temos de compreender que o principal alvo de nossos esforços é a compreensão de nós mesmos. Se enxergamos a deturpação de todos esses valores em nós e ainda sofremos as suas influências, isso somente se dá porque os aceitamos como essenciais e preciosos e que, por um tempo, nos auxiliaram (e ainda nos auxiliam) a caminhar; por um tempo, eles estavam (e ainda estão) “certos”. Então, a conclusão óbvia é que eles não eram e nunca foram nossos inimigos. Nós não éramos e nunca fomos os nossos próprios inimigos. Nós somente não sabemos ainda o que fazer para mudar. Para entendermos melhor, trago um exemplo muito simples: o fato de um amigo não poder mais nos auxiliar, isso o torna nosso inimigo? Claro que não. Ele fez o seu papel e, diga-se, um importante papel no momento em que estava presente em nossa vida. E, mesmo que flagremos que ele não está mais apto para o auxílio, muitas vezes, não o deixaremos ir por não sabermos como agir sem ele.

Verdade seja dita, o nosso sofrimento maior é pensarmos que, por nossa vontade, construímos algo que nos traz dores e, então, não nos perdoamos. Mas, quando entendemos que nós não adotamos, intencionalmente, comportamentos ou construímos tendências que nos maltratam, nos libertamos de um sentimento equivocado de que não nos importávamos conosco, de sermos incapazes de nos proteger de nossa própria ignorância. A realidade é que nós ainda somos muito ignorantes para não abraçarmos aquilo que poderia nos trazer dor no futuro, mas, já crescemos o suficiente para nos modificarmos a cada instante em que nos enxergarmos no caminho equivocado.

Por isso, enxerguemos em nós a vontade de progresso, utilizando os instrumentos que temos (certos ou errados) para conseguirmos ultrapassar todas as dificuldades do caminho.

Estejamos certos ou não, será pela prática que enxergaremos como estamos trilhando o caminho por nós escolhido. Escutamos de todos os lados que o inimigo está em nós ou no outro. Mas, se nada é por acaso e tudo nos evolui, este inimigo não existe!

Adriana Machado

20 janeiro 2017

Carta de uma jovem homossexual ao Movimento Espírita - Iza Amora

 

CARTA DE UMA JOVEM HOMOSSEXUAL AO MOVIMENTO ESPÍRITA

A questão mais importante a ser observada quando falamos em Homossexualidade à luz da Doutrina Espírita, é lembrar que somos todos espíritos eternos, em constante evolução e que somos mais, muito mais do que a forma como expressamos nosso afeto.

Todos nós estamos suscetíveis às mais diversas experiências nessa marcha evolutiva e a condição homossexual, assim como todas as demais condições sexuais e de gênero, estão atreladas à existência corpórea, não necessariamente ao espírito, visto que o mesmo não possui apenas uma polaridade masculina e/ou apenas uma polaridade feminina.

Ser homossexual e espírita é uma experiência incrível, porém ainda requer disposição e mente aberta não apenas do movimento, mas também nossa, que vivenciamos essa condição. Os conceitos pré-concebidos existem em ambos os lados: se alguns irmãos no movimento espírita ainda oferecem resistência no respeito à diversidade, acreditando que a promiscuidade está no homossexual, não na nossa natureza humana, ainda em expurgação de impulsos mais primitivos, ainda existe por parte do homossexual o receio do rechaço, o receio do não acolhimento, o receio de mais uma vez ser marginalizado dentro de um grupo social.

Acredito muito que quando estamos prontos para um determinado aprendizado, ele vem até nós e nós podemos escolher se corremos na direção dele ou se postergaremos essa oportunidade. E essa escolha chega até todos nós, independentemente da nossa condição sexual, o avanço ou a estagnação no aprendizado vai depender da nossa atitude perante a ele.

Em geral, as casas espíritas são um ambiente receptivo e acolhedor para conosco, pois o movimento em si nos enxerga como somos, espíritos em busca de ascensão, em busca de nossa melhora. São poucos os relatos de preconceito direto. Porém o preconceito velado ainda ocorre com certa frequência, o que apesar de triste, considero ainda normal.

Ainda estamos em processo de melhoramento, assim como todos os demais irmãos e ainda é desafiador para todos lidar com as diferenças. Não estou aqui para enaltecer esses aspectos desafiadores da homossexualidade dentro do Movimento Espírita. O intuito não é segregar, não é criar uma "facção" dentro do Movimento, pelo contrário: a intenção é incluir, é inserir o indivíduo, independente de suas condições temporais nessa encarnação. Contudo, por fazer parte da comunidade LGBT e tentarmos vivenciar o conhecimento espírita, acreditamos que talvez seja mais fácil mostrar aos demais irmãos de causa, que não estamos sozinhos, que não temos que nos preocupar com julgamentos, pois somos quem somos. Simples assim! Sem buscar por razões, causas, sem buscar curas, posto que nossa sexualidade não é "doente" apenas por manifestar-se de forma diferente.

É imprescindível que o movimento espírita nesse momento tão importante de transição, auxilie os indivíduos na construção de uma certeza de quem somos, quanto filhos de um mesmo Pai, que nos ama, não nos desampara e que não nos imputa "castigos", mas sim oportunidades de melhorarmo-nos, de crescermos e de aprendermos cada vez mais, sobre o que é o amor e o respeito, sobre fortalecer os nossos laços de irmandade apesar das diferenças.

Que Deus seja conosco nessa caminhada, nos auxiliando, guiando, sustentando e amparando por toda a jornada.

Luz e paz!


Carta escrita por Iza Amora


19 janeiro 2017

Felicidade - Momento Espírita

 

FELICIDADE


Passamos a vida em busca da felicidade. Procurando o tesouro escondido. Corremos de um lado para o outro esperando descobrir a chave da felicidade.

Esperamos que tudo que nos preocupa se resolva num passe de mágica. E achamos que a vida seria tão diferente se, pelo menos, fôssemos felizes.

E, assim, uns fogem de casa e outros fogem para casa em busca da felicidade. Uns se casam, outros se divorciam, com o mesmo intuito de felicidade.

Uns desejam viver sozinhos, outros desejam possuir uma grande família a fim de serem felizes.

Uns fazem viagens caríssimas buscando a felicidade. Analisam roteiros, escolhem os melhores hotéis, os pontos turísticos mais invejados para visitar.

Outros trabalham, além do normal, buscando a felicidade. Fazem horas extras, inventam treinamentos e mais treinamentos para encher sempre mais os seus dias com compromissos profissionais.

Uns desejam ser profissionais liberais para comandar a sua própria vida e poder gozar de felicidade.

Outros desejam ser empregados para ter a certeza do salário no final do mês e, assim, serem felizes.

Outros, ainda, desejam trabalhar por comissão, contando garantir que o seu esforço se transforme em melhor remuneração e desfrutem felicidade.

É uma busca infinita. Anos desperdiçados. Nunca a lua está ao alcance da mão. Nunca o fruto está maduro. Nunca o carinho recebido é suficiente.

Sombras, lágrimas. Nunca estamos satisfeitos.

* * *

Mas, há uma forma melhor de viver! A partir do momento em que decidimos ser felizes, nossa busca da felicidade chegou ao fim.

É que percebemos que a felicidade não está na riqueza material, na casa nova, no carro novo, naquela carreira, naquela pessoa.

E jamais está à venda. Quando não conseguimos achar satisfação dentro de nós mesmos, é inútil procurar em outra parte.

Sempre que dependemos de fatores externos para ter alegria, estamos fadados à decepção. A felicidade não se encontra nas coisas exteriores.

A felicidade consiste na satisfação com o que temos e com o que não temos. Poucas coisas são necessárias para fazer o homem sábio feliz, ao mesmo tempo em que nenhuma fortuna satisfaz a um inconformado.

As necessidades de cada um de nós são poucas. Enquanto tivermos algo a fazer, alguém para amar, alguma coisa para esperar seremos felizes.

Tenhamos certeza: a única fonte de felicidade está dentro de nós, e deve ser repartida.

Repartir nossas alegrias é como espalhar perfumes sobre os outros: sempre algumas gotas acabam caindo sobre nós mesmos.

* * *

Na incerteza do amanhã, aproveite hoje para ser feliz.

Se chover, seja feliz com a chuva que molha os campos, lava as ruas e limpa a atmosfera.

Se fizer sol, aproveite o calor. Se houver flores em seu jardim, aproveite o perfume. Se tudo estiver seco, aproveite para colocar as mãos na terra, plantar sementes e aguardar a floração.

Se tiver amigos, aproveite para bater um papo, troque ideias e seja feliz com a felicidade deles.

Se não tiver amigos, aproveite para conquistar ao menos um.

Aproveite o dia de hoje para ser feliz.


Redação do Momento Espírita, com base no artigo Felicidade, de autoria desconhecida.

18 janeiro 2017

Umbral - Maísa Intelisano


UMBRAL

Em 1943, André Luiz, o médico que se tornou conhecido psicografando livros pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, trouxe a público o significado dado à palavra na colônia espiritual “Nosso Lar”, onde passou a viver alguns anos depois de seu desencarne.

Em seu livro também chamado “Nosso Lar”, ele conta como ouviu falar do Umbral pela primeira vez, quando o enfermeiro Lísias lhe dava as primeiras informações sobre a colônia e descreveu-o como região onde existe grande perturbação e sofrimento e para a qual a colônia dedicava atenção especial.

Desde então, a palavra Umbral, escrita com inicial maiúscula, como o fez André Luiz no livro “Nosso Lar”, tomou significado especial, principalmente entre os espíritas, designando a região espiritual imediata ao plano dos encarnados, para onde iriam e onde estariam todos os espíritos endividados, perturbados e desequilibrados depois da vida.

Com esta conotação a palavra difundiu-se muito e transformou-se num quase sinônimo do Inferno e do Purgatório dos católicos, com localização geográfica, tamanho, etc., conceito este que o próprio Allan Kardec, codificador do Espiritismo, já havia desmistificado em suas obras, mais de 80 anos antes, especialmente em “O Livro dos Espíritos”.

Como vemos pelas respostas dos espíritos a Kardec, o inferno e o paraíso não passam de estados de espírito, condição moral de sofrimento ou felicidade a que estão sujeitos os espíritos por suas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos durante a vida encarnada e depois dela. E é bom lembrar que espíritos somos todos, encarnados e desencarnados, vivendo cada um o seu inferno e o seu paraíso particulares. O que nos diferencia dos espíritos desencarnados é apenas o fato de estarmos temporariamente presos a um corpo denso de carne. De resto, somos absolutamente iguais a eles, com desejos, opiniões, frustrações, alegrias, defeitos e qualidades.

Na verdade, a figura geográfica e espacial do inferno dos católicos serviu de molde aos espíritas para que melhor visualizassem o que seria o Umbral, assim como o inferno da Igreja Católica foi tomado emprestado e adaptado do inferno dos povos pagãos para compor os mitos de inferno e paraíso.

Se não existe inferno ou purgatório porque haveria de existir o Umbral com localização, medidas, coordenadas, etc.?

Tudo o que existe no plano espiritual é criado pela mente dos espíritos encarnados e desencarnados. Sempre que pensamos nossa mente dispara um processo pelo qual somos capazes de moldar as energias mais sutis do universo, criando formas que correspondem exatamente àquilo que somos intimamente.

Extremamente apegados ao mundo material, nada mais natural que, mesmo estando fora dele, queiramos tê-lo novamente quando desencarnados. É aí que nossa mente entra em ação, criando tudo o que desejamos ardentemente. E várias mentes desejando a mesma coisa juntas têm muito mais força para criar.

A grande diferença é que, no mundo físico, podemos embelezar artificialmente o nosso ambiente e a nossa aparência, enquanto que no plano astral isso não é possível, pois lá todos os nossos defeitos, mazelas, falhas, paixões, manias e vícios ficam expostos em nossa aura, exibindo claramente quem somos como consciências e não como personalidades encarnadas.

No Umbral, tudo o que está fora de nós é consequência do que está dentro. Tudo o que existe em nosso mundo pessoal e nos acontece é reflexo do que trazemos na consciência. Assim, o Umbral nada mais é que uma faixa de frequência vibratória a que se ligam os espíritos desequilibrados, cujos interesses, desejos, pensamentos e sentimentos se afinizam.

É uma “região” energética onde os afins se encontram e vivem, onde podem dar vazão aos seus instintos, onde convivem com o que lhes é característico, para que um dia, cansados de tanto insistirem contra o fluxo de amor e luz do universo, entreguem-se aos espíritos em missão de resgate, que estão sempre por lá em trabalhos de assistência.

Alguns autores descrevem o Umbral como uma seqüência de anéis que envolvem e interpenetram o planeta Terra, indo desde o seu núcleo de magma até várias camadas para fora de seus limites físicos.

O que acontece é que os espíritos se reúnem obedecendo, apenas e unicamente, à sintonia entre si e acabam formando anéis energéticos em torno do planeta, ou melhor, em torno da humanidade terrena, pois ela é parte da humanidade espiritual que o habita e é também o foco de atenção de todos os desencarnados ligados a ele.

As camadas descritas em alguns livros são mais um recurso didático para facilitar o entendimento e o estudo do mundo espiritual, pois não há limites precisos entre elas, assim como não há divisas exatas entre um bairro e outro de uma mesma cidade, ainda que eles sejam de classes sociais bem diferentes.

Esse mesmo mecanismo de sintonia é o que cria regiões “especializadas” no Umbral, como o Vale dos Suicidas, descrito por Camilo Castelo Branco, pela psicografia de Yvonne A. Pereira, em seu livro "Memórias de um Suicida".

Espíritos com experiências de suicídio, vivendo os mesmos dramas, sofrimentos, dificuldades, agrupam-se por pura afinidade e formam regiões vibratórias específicas. Assim também acontece com faixas energéticas ligadas às drogas, ao aborto, aos distúrbios psíquicos, às guerras, aos desequilíbrios sexuais, etc.

Apesar de toda perturbação e desequilíbrio dos espíritos que vivem no Umbral, não devemos nos iludir. Existe muita disciplina, organização e hierarquia nos ambientes umbralinos.

É o que nos mostra, por exemplo, o espírito Ângelo Inácio, pela psicografia de Robson Pinheiro, em seu livro "Tambores de Angola", e o espírito Nora, pela psicografia de Emanuel Cristiano, em seu livro "Aconteceu na Casa Espírita". Vemos ali o quanto esses espíritos podem ser inteligentes, organizados, determinados e disciplinados em suas práticas negativas, criando instituições, métodos, exércitos e até cidades inteiras para servir aos seus propósitos.

É preciso que compreendamos que todos nós já estamos vivendo numa dessas “camadas” de Umbral que envolvem a Terra e que todos nós criamos o nosso próprio Umbral particular sempre que contrariamos as leis divinas universais, as quais podem ser resumidas numa única expressão: amor incondicional.

Mas o Umbral não é um mundo só de desencarnados. Muitos projetores conscientes (encarnados que fazem projeções astrais conscientes) narram passagens por regiões escuras e densas, semelhantes às descrições de André Luiz em "Nosso Lar".

Todos os encarnados desprendem-se do corpo físico durante o sono e circulam pelo mundo espiritual. Esse é um fenômeno absolutamente natural e inerente a todo espírito encarnado. Uma grande parte continua a dormir em espírito, logo acima de onde está descansando o corpo físico. Outros limitam-se a passear inconscientes pelo próprio quarto ou casa, repetindo, mecanicamente, o que fazem todos os dias durante a vigília. E há os que saem de casa e vão além.

Dentre estes, uma pequena parte procura manter uma conduta ética elevada, 24h por dia, tentando sempre melhorar-se como pessoa, buscando sempre ajudar e crescer e, muitas vezes, é levada ao Umbral em missão de resgate ou assistência, trabalhando com espíritos mais preparados, doando suas energias pelo bem de outros espíritos.

Mas há um grande número dos que conseguem sair de seu próprio lar durante o sono e vão para o Umbral por afinidade, em busca daquilo que tinham em mente no momento em que adormeceram ou obedecendo a instintos e desejos inferiores que, embora muitas vezes não estejam explícitos na vigília, estão bem vivos em sua mente e surgem com toda força quando projetados. Essas pessoas, muitas vezes, acabam sendo vítimas de espíritos profundamente perturbados ligados ao Umbral que as vampirizam e manipulam, em alguns casos chegando até a interferir em sua vida física, criando problemas familiares, doenças, perturbações psicológicas, dificuldades profissionais e financeiras, etc.

Vemos, assim, que o Umbral, de que falam André Luiz e tantos outros autores encarnados e desencarnados, está mais próximo de nós, encarnados, do que muitos de nós imaginam.

E, o que é mais importante, somos nós mesmos que ajudamos a manter esse mundo denso com nossos pensamentos e sentimentos menos elevados. Somos nós que damos aos espíritos perturbados, que se encontram ligados a essa faixa vibratória, grande parte da matéria-prima de que se valem para sustentar seu mundo de trevas e sofrimento. O Umbral está em todo lugar e em lugar nenhum, pois está dentro de quem o cria para si mesmo e acompanha o seu criador para onde quer que ele vá.

Toda vez que nos deixamos levar por impulsos de raiva, agressividade, ganância, inveja, ciúmes, egoísmo, orgulho, arrogância, preguiça, estamos acessando uma faixa mais densa desse Umbral. Toda vez que julgamos, criticamos ou condenamos os outros, estamos nos revestindo energeticamente de emanações típicas do Umbral.

Toda vez que desejamos o mal de alguém, que nos deprimimos, que nos revoltamos ou entristecemos, criamos um portal automático de comunicação com o Umbral. Toda vez que nos entregamos aos vícios, à exploração dos outros, aos desejos de vingança, aos preconceitos, criamos ligações com mentes que vibram na mesma faixa doentia e estão sintonizadas com o Umbral. O Umbral só existe porque nós mesmos o criamos, e só continuará existindo enquanto nós mesmos insistirmos em mantê-lo com nossos desequilíbrios.

O Umbral é nosso também, faz parte do nosso mundo e não podemos renegá-lo ou simplesmente ignorá-lo. Assim como não podemos também fingir que não temos nada a ver com ele. Lá estão também algumas de nossas próprias criações mentais, de nossos sentimentos inferiores, de nossos pensamentos mais densos. E lá vivem espíritos divinos como nós, temporariamente desviados do caminho de luz em que foram colocados por Deus.

Por isso é importante que não vejamos o Umbral como um lugar a ser evitado ou uma ideia a não ser comentada, mas como desequilíbrio espiritual temporário de espíritos como nós que, muitas vezes, só precisam de um pouco de atenção e orientação para se recuperarem e voltarem ao curso sadio de suas vidas.

É comum encontrarmos médiuns e doutrinadores que têm medo ou aversão ao trabalho com espíritos do Umbral, evitando atendê-los, ignorando-os friamente ou tratando-os como criminosos sem salvação que não merecem qualquer compaixão ou respeito.

Estas pessoas esquecem-se de um dos preceitos básicos da espiritualidade: a caridade.

Os habitantes do Umbral não são nossos inimigos, mas espíritos que precisam de compreensão e ajuda.

Não são irrecuperáveis, mas perderam o rumo do crescimento espiritual. Não estão abandonados por Deus, mas não sabem disso e desistem de procurar orientação. Não são diferentes de nós, mas tão semelhantes que vivem lado a lado conosco, todos os dias, observando nossos atos, analisando nossos pensamentos, vigiando nossos sentimentos, prestando atenção às nossas atitudes.

E, se não queremos ir ao Umbral por afinidade, que nos ocupemos em nos tornar seres humanos melhores, mais dignos, mais éticos, 24 horas por dia.

Desse modo, nossa passagem pelo Umbral será sempre na condição de quem leva ajuda sem medo, sem preconceito e sem sofrimento, e não de quem precisa de ajuda para superar seus próprios medos, preconceitos e dores.


Maísa Intelisano
Artigo originalmente escrito para a revista Espiritismo e Ciência, da Editora Mythos e publicado na edição 16 - Ano 2.


17 janeiro 2017

Um dia as pessoas se vão - Frederico Elboni



UM DIA AS PESSOAS SE VÃO

Um dia, sem aviso prévio, as pessoas se vão e nos deixam de lembrança suas histórias. Sejam elas as vividas, ou as sonhadas. E as histórias de quem se foi, é a forma mais gostosa de eternizar aquela pessoa na gente.

Quando uma pessoa querida se vai, ela nos deixa uma parte de si. Deixa também um pouco de solidão. E a solidão, com o tempo se torna amiga. E assim, descobrimos com as pessoas que se foram, que um belo abraço e um olhar carinhoso sempre se faz presente, e, que nada verdadeiramente grande se faz sem uma parcela de amor.

Lembro-me como se fosse ontem do dia em que meu pai partiu. Eu não era lá um filho muito carinhoso, confesso. Já ele, também sempre foi um homem de poucas palavras quando o assunto eram os sentimentos. Nos bastávamos assim. Um pouco antes de partir, daquele seu jeito único que mesclava rispidez e sinceridade, ele parou alguns segundos e começou a divagar comigo. E, entre olhares e choros contidos, me disse da forma mais sincera possível que no leito de morte nós somos pessoas de verdade. Somos, pois conseguimos clarear os horizontes e sentir a emoção que é vivida naquele instante. Não há outras preocupações além de viver os últimos instantes que temos.

Ainda criança, olhei para ele um pouco sem chão e perguntei como iria conseguir me refazer sozinho. E com um sorriso que pouco havia visto, ele me disse com os olhos cheios de lágrimas que: São belas as aves que voam sozinhas.

A verdade é que um dia, cedo ou a tarde, a dor invade sem pedir licença. Se coloca ao nosso lado, conversa com a gente e nos diz que não irá embora até conversarmos com ela. A dor engana, cria ilusão, se faz infinita. Hoje, sendo uma ave que voa sozinha, aprendi que o amor de uma pessoa que se foi, na verdade, não nunca se vai. Ele fica. Nas histórias, na saudade e na esperança certeira dela estar sempre torcendo por nós.

Com alguns dias cheios de choro, e algumas pessoas perdidas, a gente aprende que a vida não passa de uma oportunidade de encontro. Encontrar quem a gente ama, nos doar inteiramente e saber que, mesmo não parecendo, isso foi o suficiente.

A saudade sempre grita. Mas a certeza do coração, diz à ela que um dia a gente irá descobrir que, como dizia Arthur Schopenhauer, o amor é a compensação da morte. Então, que a gente consiga valorizar e compreender mais as pessoas. Pois, todo coração pede, implora, uma oportunidade de deixar seu amor eterno na gente.

Frederico Elboni

16 janeiro 2017

Viver o luto para não viver de luto - Cris Guerra



( Cris Guerra e o filho Francisco ainda recém-nascido)

 

VIVER O LUTO PARA NÃO VIVER DE LUTO


Acordar. Respirar. Pensar. Existir. Não há um verbo que não doa durante o luto. Talvez dormir alivie, que é quando a dor adormece. Momento em que o medo desperta: será preciso enfrentar o dia seguinte. Perder quem amamos é morrer um pouco, mesmo que o coração insista em bater. O luto nos torna um lugar ruim. Queremos fugir de nós mesmos, emprestar outra vida, perder a memória, trocar de papel. Qualquer coisa que nos tire a dor com a mão, que nos salve do horror de sentir que alguém foi amputado de nós. Não há alívio imediato.

A morte é uma verdade disfarçada de absurdo. Não se arrepende, não volta atrás, é desfecho. O verdadeiro “para sempre”. É telefone que não toca, silêncio que ensurdece, pesadelo que não acaba, falta que jamais deixará de ser.

Enlutar-se é se mudar para uma espécie de cela blindada, da qual saímos somente para intermináveis e dolorosos banhos de sol. Uma solitária para a qual queremos voltar logo – embora triste e sombria, ela ainda é o lugar onde nos sentimos menos desconfortáveis.

Eu me lembro de vagar pela cidade como numa cena sem áudio. Olhava ao redor e me perguntava com que direito as pessoas sorriam, se dentro de mim as luzes estavam apagadas. É assim até que a gente se acostume. A morte se repete muitas vezes. Ao acordar, está lá a morte de novo. A cada lembrança, outra morte. Até que em nós ela morra de fato — e isso demora.

Quando meu filho nasceu foi parecido. Só que era vida. Toda hora a vida de novo. A cada instante olhar e ver: nasceu, é meu filho. Respira, mexe, chora, mama, é vida.

Se nascimento e morte são duas verdades que crescem diante de nós, até que possamos de fato acreditar, calhou que na vida experimentei os dois de forma simultânea. Eu estava grávida quando perdi o pai do meu filho que iria nascer. Foi viuvez, mas também foi aborto: a frase cortada em pleno gerúndio. Com o coração dele que parou de bater, morreu nosso futuro.

O que mais doía no luto era não conseguir que as pessoas sentissem a minha dor. Falei compulsivamente. Escrevi de forma obsessiva. Até que as pessoas também chorassem. E elas choraram – mais as suas dores que as minhas, é verdade, mas isso também é empatia. E quando cada momento latente de falta se transformava em um texto delicado, quando as palavras conseguiam fazer o outro vestir a minha dor, a tristeza virava alegria: que alívio me sentir compreendida. Numa espécie de alquimia incidental, transmutei dor em sorriso.

Veja você como a vida é chegada numa ironia: o luto é praticamente um parto. É preciso reaprender a viver sem a pessoa que se foi, como quem nasce de novo – e quem permanecerá o mesmo? Viver o luto é renascer – e nascer é exercício solitário. É preciso olhar o mundo novamente e re-conhecer-se diante dele.

Mas, como criança que cresce, o luto demanda tempo. Enquanto isso, não sai por aí despertando sorrisos. Num mundo programado para a felicidade, o luto constrange. Abre um hiato de mal estar. A morte é certeza demasiado espinhosa para que se toque nela com naturalidade.

O momento menos solitário talvez seja a primeira semana, o primeiro mês, enquanto duram os rituais de despedida. Passam-se alguns dias e todos retomam suas vidas. Ninguém mais quer falar sobre isso. A não ser o próprio enlutado, que não quer falar de outra coisa. Agora é que a dor vai começar. E parece que não vai parar nunca. Talvez fique para sempre mesmo: a perda vai se alojando no corpo, como uma bala encapsulada, até não incomodar mais. Com paciência, o tempo muda os afetos de lugar. Passa a morar em mim quem se foi.

E então a dor me leva a outros lugares. Abre meus olhos, me ensina a mudar de assunto. E assim, distraidamente, vai me mostrando a vida de novo – agora outra, porque sempre é tempo para mudar.

A perda pede recolhimento como um pós-operatório, ou reincide. A ferida se abre de novo. É preciso respeitar o luto (e entregar-se a ele, sem medo) até que chegue sua hora de ir embora. Cada um descobre sua forma de colocar a dor para trabalhar em outra direção. A falta pode ser, então, bastante reveladora.

Quando pequenos, aprendemos com os livros infantis. Depois de adultos, as pessoas que se vão passam a nos fazer pensar sobre nossas vidas. Lembram-nos a urgência de amar quem está vivo e perto. E ensinam que fazer escolhas não precisa ser tão sofrido, nem carece do peso da certeza de ser para sempre. Nenhum de nós é para sempre. A vida é curta, sim. Não vem com prazo de validade nem traz garantias. Cada fim de ano é oportunidade única para afetos reunidos – riso e choro, inclusive. Comemore. Mesmo com um lugar vago à mesa, a família está ali. O peru está de dar água na boca. As crianças correm lá fora. O brinde à vida não pode esperar.


Em 2008, a publicitária e escritora Cris Guerra lançou o livro “Para Francisco“, no qual apresenta ao filho o pai que ele não conheceu (Guilherme morreu no final da gravidez de Cris). Ela está de volta ao livro para preparar sua segunda edição, com novos textos, e publicou aqui no Vamos Falar Sobre o Luto? este artigo inédito feito especialmente para o site
Cris Guerra


15 janeiro 2017

O Vencedor - Amélia Rodrigues



O VENCEDOR


"E Eu, quando levantado da terra, atrairei todos a mim." (João:12-32)

Jesus veio para inaugurar na terra o reino do amor. Encontrou dificuldades de toda natureza, porque os homens daqueles dias em que ele viveu entre nós, estavam acostumados ao poder e à força.

As criaturas se encontravam divididas entre senhores e escravos, poderosos e os sem valor nenhum.

A vida não era respeitada, porque a guerra destruía as esperanças e submetia os que não podiam vencer, deles fazendo infelizes sem liberdade.

Quando Jesus ensinou que todos os homens são iguais e que as diferenças se fazem somente através das conquistas morais, houve aborrecimentos por parte dos que governavam e queriam manter o estado de coisas no ritmo em que se encontrava.

Ele, porém, continuou a ensinar o amor a todos os seres, o perdão a todas as ofensas e a humildade como formas de crescimento para Deus. Vivia cercado pelos pobres, pelos sofredores, pelos que eram desprezados e não mereciam nenhuma consideração.

Em qualquer lugar em que ele aparecia, as multidões se aproximavam para o ouvir e receber das suas mãos o alimento da paz, a esperança de felicidade e a saúde. Nada conseguia perturbar Jesus. Ele convidou doze homens para que se tornassem seus discípulos, porque era o mais sábio do mundo, assim fazendo-se mestre de todos.

Esses amigos o amavam, mas não compreendiam a missão dele, o reino que fundava. Porque sofriam, e eram pobres, esperavam que ele se tornasse rei do país onde todos eles haviam nascido, e que se chamava Israel.

Ele demonstrava não ter interesse pelas coisas do mundo, nem pelas posições de destaque social na terra. Renunciava a tudo: aos aplausos, às gratidões, aos jogos humanos.

Mas, os companheiros não entendiam a sua atitude e ficavam inquietos. Eles amavam a Deus, mas queriam a felicidade no mundo. Jesus, no entanto, ensinou-lhes, dizendo:

- Eu sou o caminho para Deus, que e a verdade e a vida, e ninguém consegue compreender essa realidade, senão por meu intermédio.

Cada vez que ele apresentava lições tão profundas, que contrariavamos religiosos da época, aumentavam os ódios contra a sua vida.

Foi durante a sua visita a Jerusalém, que era a capital de Israel, como ainda hoje, durante umas festas chamadas de Páscoa, que Ele foi preso e levado a um julgamento injusto.

Judas, que era também seu discípulo, o vendeu aos sacerdotes, traindo o seu amor. E pedro, que igualmente o amava muito, quando foi apontado como sendo seu amigo, respondeu com medo, por três vezes:

- Eu nunca vi esse homem!

Os dois se arrependeram, quando o viram, depois de condenado, ser crucificado, no alto de um monte que era conhecido pelo nome de Calvário. Judas, atormentado, suicidou-se, envergonhado do que fizera, cometendo, com esse ato, um crime muito grave diante de Deus.

Pedro procurou recuperar-se, também arrependido, vivendo totalmente dedicado a pregar e a viver a doutrina que ele havia ensinado. E, de fato, foi na cruz, erguido da terra, que todos compreenderam que Jesus era o verdadeiro vencedor do mundo.

Embora houvesse morrido, ele ressuscitou, três dias depois, e voltou a conviver com os amigos, aparecendo até aos estranhos, num lugar onde estavam quase quinhentas pessoas, num monte, escutando João, que era o seu discípulo amado, falando a respeito dele.

O verdadeiro vencedor não é aquele que domina os outros, mas quem consegue dominar os seus ímpetos, amando sem qualquer rancor de ninguém, nem mesmo daqueles que o persigam e maltratem.


Pelo Espírito Amélia Rodrigues
Psicografia de  Divaldo Pereira Franco
Obra: O Vencedor - LEAL



14 janeiro 2017

Sacrifício - Joanna de Ângelis

 

SACRIFÍCIO


Não cogites de eliminar da órbita das atividades a que te vinculas, objetivando a redenção do próprio espírito, o sacrifício, que é cantinho de redenção.

Todos os pés que transitam pelas dificuldades aprendem a contornar obstáculos e a vencer impedimentos. As mãos que se calejam no afã sublime da produtividade perdem a sensibilidade às coisas vãs que agradam a cobiça e a insensatez, e o corpo, em geral, disciplinado pela continência e educado na contenção, transforma-se em veículo dúctil e nobre ao cumprimento dos deveres superiores da vida.

Sacrifício é, também, atestado inequívoco de devoção ao bem e à verdade.

Examina a história dos crucificadores e vê-los-ás triunfantes sob o aplauso da ilusão enlouquecida, carregados em triunfo momentaneamente, enquanto os crucificados permanecem em silêncio. Logo, porém, êles passam e aquêles que foram as suas vítimas levantam-se do olvido para perpetuarem, através do martírio de que foram instrumento, os ideais nobilitantes da vera Humanidade.

*

Falar-te-ão da necessidade de poupares as tuas energias quando aplicadas ao Bem; conclamar-te-ão à inutilidade do nada e à vaidade enganosa, como explicando a nulidade do investimento homem, nos turbulentos dias da atualidade; estimular-te-ão emoções grosseiras, o cultivo de idiossincrasias, fazendo-te aferrado ao azedume, à intolerância e à perniciosidade.

Outras bocas apresentarão aos teus ouvidos os convites da felicidade, qual estupefaciente que absorvido produz o sonho ilusório, antecedendo o despertar da crua e inditosa realidade...

Quando, porém, fascinado pela quimera perceberes o engôdo em que caíste e desejares retornar; quando descobrires que tudo não passou de um sonho de loucura acalentado numa hora de angústia; ao perceberes que estes na Terra e que por enquanto o Planeta se mantém sob o fragor das provações e o sôpro dos sofrimentos e desejares buscar aquêles que foram comparsas da tua desdita, possivelmente não os encontrarás receptivos nem ateveis ao teu lado...

Consultados dir-te-ão: "Não sabias? Que esperavas do mundo, tu que emboscaste o Cristo no coração e o atiraste fora, no lôdo da paixão? Agora, caro amigo, é contigo".

Verificarás, então, somente na via da soledade, o pêso do remorso e o travo de amargura sem nome. Nessa hora, todavia, com sacrifício te imporás o recomêço difícil e necessário.

Sacrifica-te, pois, antes, renunciando, não cedendo ao mal, olvidando vaidades e superstições. Sacrifica à vida a tua vida para que a paz te entesoure as moedas da harmonia interior.

Chegarás, depois, à conclusão do porque Ele, teu Amigo Divino, preferiu o sacrifício a todo instante, desde as palhas úmidas de um estábulo pobre, às jornadas a pé sob sol causticante, o encontro e a convivência com as pessoas mal cheirosas dos caminhos, em regime de misericórdia para com os pecadores e infelizes até a hora da cruz de ignomínia e de horror, sacrificando-se sempre para a fulguração perene como Rei Excelso em plena Glória Solar.

*

"O reino dos céus é tomado à fôrça, e os que se esforçam, são os que o conquistam". Mateus: capítulo 11º, versículo 12.

*
"O verdadeiro devotamento consiste em não temer a morte, quando se trate de ser útil, em afrontar o perigo, em fazer, de antemão e sem pesar, o sacrifício da vida se for necessário" O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 5º - Item 29, parágrafo 2.


Pelo Espírito Joanna de Ângelis 
Psicografia de  Divaldo Pereira Franco
Obra: Florações Evangélicas -  LEAL. Capítulo 27

13 janeiro 2017

Homofobia: o que nos move? - Adriana Machado



HOMOFOBIA: O QUE NOS MOVE?


Para não haver dúvidas, uma pessoa homofóbica é aquela que tem rejeição ou aversão ao homossexual e à homossexualidade. Homossexual, por sua vez, é a pessoa que sente atração por pessoas do mesmo sexo.

Gostaria de deixar claro que a homossexualidade e a homofobia são uma realidade no mundo, mas precisamos entender o perigo de tudo se generalizar, porque nem toda opinião contrária à homossexualidade é contrária ao homossexual, bem como o fato de alguém não desejar ser homossexual, não significa que ele é contrário à homossexualidade. Temos a tendência de, generalizando, imputarmos ao próximo preconceitos que, talvez, ele não os possua. Podemos não gostar de verduras, mas não odiar os vegetarianos!

De qualquer forma, em nosso país, existem muitas pessoas que, declarada ou veladamente, são contra o sentimento/relacionamento homoafetivo. Precisamos relembrar que, para um país que até hoje vê com estranheza um casal inter-racial, não seria diferente com um casal homossexual!

Pensando nisso, podemos ter uma ideia do que “somos” hoje como seres humanos. Ainda temos dificuldade de enfrentar o que é novo, de perceber que o que antes poderia ser uma verdade, hoje, ela pode ter sido superada. Para alguns, tudo isso é errado. Algumas pessoas ainda estão vinculadas a ideias equivocadas de um país que foi, por muito tempo, escravocrata (e, por isso, a verdade propagada era que os negros não tinham alma) e que foi, por muito tempo, orientado que a homossexualidade era um pecado. Ainda hoje, existem pessoas que pregam essas vertentes como se pecaminosas fossem. Então, não será de uma hora para outra que essas ideias serão extirpadas de nosso consciente individual e coletivo. E quando digo nosso consciente, estou também englobando os próprios alvos de quem nos referimos, porque muitos deles não se aceitam como são. Mas, tal evolução consciencial acontecerá com cada um de nós, isso eu tenho certeza. Diante de tudo isso, podemos entender porque, em pleno século XXI, ainda há dificuldade de se aceitar um casal inter-racial ou homossexual.

Durante séculos, muitas foram (e ainda são) as pessoas alvo de preconceito vindo de terceiros que tinham (e ainda têm) dificuldade de entenderem as escolhas das primeiras, não as aceitando antes, não as aceitando agora. Quantos foram (e ainda são) expulsos de seus lares, por seus próprios pais, somente porque eles são o que são? É triste, mas, não vamos criticar imediatamente esses genitores. Pensem a que nível está a crença desses pais que, por acharem que isso é abominável ou pecaminoso, acreditam que não podem mais amar o seu próprio filho?

Em uma sociedade que pensava assim desde muitos séculos atrás, como esta poderia dar um salto e aceitar naturalmente aquilo que lhes é dito, somente agora, como certo e natural? Não há como exigirmos isso, mas podemos começar a orientar. Cada um de nós (que se importa) tem em seu cerne os aprendizados das vidas vividas. Cada um de nós já aprendeu alguma coisa e é com esse aprendizado que vamos nos flagrar preconceituosos (ou não) e nos lapidar para ajudarmos àqueles que ainda nada aprenderam.

Vemos estudos onde se comprova que as crianças tendem a não alimentar o preconceito que trazem dentro de si latente. Elas, se bem orientadas, não alimentarão aquilo que podem ter trazido de outras vidas (como no caso do preconceito) e ainda terão a oportunidade, numa sociedade mais conscientizada, de se verem trabalhando os seus próprios sentimentos menos nobres sobre as escolhas alheias.

O homem preconceituoso (homofóbico, racista, etc) é aquele ser que ainda não aprendeu a lidar com os seus próprios sentimentos em relação a si mesmo. Ele luta incansavelmente para lidar com as suas ideias deturpadas, porque entende que está certo num mundo que está se perdendo. Por isso, quando o homem preconceituoso se une a outro com o mesmo ideal, normalmente, eles se tornam violentos em defender as suas ideias porque, sem a razão, é a violência que impera para implantar uma “verdade” unilateral.

Mesmo que quiséssemos defender a homofobia baseada na ideia da programação antecipada da nossa vida terrena e, por causa dela, entendêssemos que viemos homem ou mulher com um propósito e que não devemos deturpar o gênero para aprendermos com ele e suas limitações, ainda assim, não podemos esquecer que somos portadores de livre arbítrio e, por isso, aprenderemos de uma forma ou de outra sobre como lidar com as nossas escolhas, emoções e sentimentos.

Amar é natural. E se é natural, estarei cometendo pecado se amamos incondicionalmente alguém que é do mesmo gênero que nós?

Fica a reflexão.

Adriana Machado

[1] Neste artigo, não gostaria de entrar na discussão sobre a programação de vida de cada um de nós como homens ou mulheres, mas sim sobre o amor que podemos sentir pelo nosso próximo.



12 janeiro 2017

Psicografia do acidente da Chapecoense - Hugo Lapa



PSICOGRAFIA DO ACIDENTE DA CHAPECOENSE


Amigos, estou vendo agora que saiu uma suposta psicografia dos espíritos do acidente da Chapecoense. Advirto a todos: não acreditem nisso.

É muito triste um médium tentar pegar carona na comoção popular que se criou em torno do acidente apenas para se promover.

Obviamente essa mensagem, se foi mesmo divulgada por algum médium, é falsa… Primeiro porque não teria dado tempo do espírito enviar a mensagem. Segundo que muitos espíritos que morrem em acidentes graves, em catástrofes coletivas como essa, podem se encontrar em estado de perturbação e não serem ainda capazes de enviar uma mensagem psicografada. Claro que sempre é possível contatar um espírito em sofrimento e ver o que ele pode estar sofrendo, mas isso deve ser realizado apenas com um motivo útil e nunca por sensacionalismo. Aliás, qual seria o sentido de enviar uma mensagem de dor e sofrimento, sem qualquer lição de vida implícita? É muito conveniente nesse momento de clamor popular um médium divulgar essa mensagem. Obviamente esse é um momento de dor e desespero para o espírito e para a família. Que o espírito está em sofrimento é até óbvio e muito provável disso ocorrer. Tudo isso atrai a atenção de todos e pode ter como objetivo fazer desse médium alguém mais conhecido.

Além disso, em minha opinião, não é correto fazer isso com a família das vítimas. Os familiares ainda estão de luto, sofrendo por esse terrível acidente. Envolver as pessoas que desencarnaram nessa catástrofe tão triste e atribuir-lhes uma fala de desespero não é uma atitude positiva. Pode até mesmo aumentar o sofrimento dos parentes que eventualmente venham a ler essa psicografia.

A função do médium é utilizar seu dom ou sua faculdade para ajudar as pessoas. O médium deve dar sua contribuição à humanidade tornando-se uma ponte entre o mundo visível e o invisível, entre o manifesto e o imanifesto. Ele deve ser um mensageiro do além, que entrega uma informação aos encarnados e não faz nenhum alarde sobre isso. O médium não pode colocar sua personalidade em destaque e jamais deve buscar a fama. Ele deve se colocar apenas como um instrumento de Deus para os propósitos divinos se realizem na Terra.

Por isso eu sempre digo: desconfiem de qualquer tipo de mensagem mediúnica de celebridades ou pessoas muito famosas na mídia. Desconfiem também de psicografias de políticos falando do momento atual. Algumas dessas mensagens foram concebidas pelo próprio médium para manipular o eleitorado. Há muitos médiuns que não são sérios e querem apenas publicidade.


Hugo Lapa


11 janeiro 2017

O que você faria se encontrasse com Jesus? - Antônio Carlos Navarro

 
O QUE VOCÊ FARIA SE ENCONTRASSE COM JESUS?


Imaginemos, cada um de nós, a possibilidade de ter um encontro com Ele, lembrando que se trata do Espírito mais próximo da identidade Divina que temos notícia; do Construtor e Governador Espiritual de nosso Planeta; do portador da maior expressão de Amor que se possa conceber.

Como nos comportaríamos?

Penso em algumas possibilidades.

Uma alegria desequilibrada, histérica, dessas que demonstramos ao encontrar um grande ídolo? Quando, com toda certeza, pediríamos uma selfie para divulgar em nossas páginas virtuais.

Ficaríamos extasiados, em silêncio, sem qualquer reação?

Sentiríamos vergonha pela imensa diferença moral, ou ainda, por nossa negligência diante de Suas orientações a cerca do que deveríamos fazer e ainda não fazemos?

Apresentaríamos uma lista de pedidos visando amenizar nossos males terrenos?

Desenvolveríamos um rol de desculpas acerca de nossa negligência moral?

Necessariamente, um encontro desses teria características pessoais, ou seja, o Senhor de nossas vidas nos trataria no particular, no individual, porque Ele, o Pastor Divino, conhece cada uma de suas ovelhas e, certamente, teria uma finalidade útil, porque os grandes Espíritos sempre agem visando a construção e o fortalecimento do Bem e o resgate do pecador.

Mas reflitamos: este encontro é necessário?

Particularmente, penso que não, porque todos nós já sabemos, há dois mil anos, o que o Senhor pede e espera de nós, e também porque, provavelmente, não teríamos, como teve Saulo de Tarso, a coragem de perguntar, talvez com medo da resposta, “o que queres que eu faça?”.

O interessante é que um encontro desses é possível ainda hoje, e sempre, e está subordinado ao entendimento pleno das lições do seu Evangelho.

O Senhor Jesus nos deixou a pista.

Para encontra-Lo é fácil. É só nos aproximarmos, para o auxílio fraterno, dos que sofrem, dos perseguidos, dos desesperados, dos necessitados de toda ordem, enfim, dos que choram as dores que o mundo material proporciona.

Lembremo-nos, também, que Ele aceita convites para encontros. É só nos reunirmos em nome Dele, sintonizados com Sua mensagem de Amor e Luz.

Ele sempre estará onde estão a boa vontade e o Amor.

Pensemos nisso.


Antônio Carlos Navarro