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20 julho 2018

A Inveja - Divaldo P.Franco



A INVEJA


Entre as imperfeições do caráter humano, descendente direta do egoísmo, destaca-se a inveja, essa dissolvente manifestação da imperfeição moral.

Muitas tragédias que ocorrem na sociedade são frutos espúrios do cultivo dessa conduta execranda.

A existência terrestre possui como finalidade psicossociológica, atendendo ao instinto gregário, a preservação da solidariedade, que se firma no auxílio fraternal que deve existir entre todas as pessoas e reciprocamente.

Nada obstante esse impositivo da sobrevivência, grande número de criaturas humanas opta pelo comportamento competitivo, incapazes de rejubilar-se com as conquistas e alegrias do seu próximo na viagem ascensional.

Deixando-se magoar pelos próprios insucessos ou atormentadas pela sede de viver em regime de exclusão, somente a si se permitindo usufruir da fugaz felicidade, voltam-se com tenacidade contra todos aqueles que lhes parecem ameaçar o triunfo ou odeiam a glória não conseguida.

Apoiando-se na mesquinhez a que se entregam, elaboram verdadeiros programas de perseguição contra os demais, dando lugar a mentiras e calúnias que habilmente elaboram, assacando flechadas contínuas, envenenadas pelos sentimentos inferiores com os quais se comprazem.

Amigos de ontem que se mantinham em fraternidade, ante o destaque de um deles, o outro, ao invés de regozijar-se, intoxica-se de cólera e transforma-se em verdugo gratuito, escondendo-se em argumentos falsos para dar vazão à frustração que o invade.

Todo processo de evolução moral e especialmente espiritual é realizado mediante a superação dos instintos agressivos, das imperfeições mantidas nas experiências primitivas e transatas.

A inveja consegue disfarçar-se e imiscuir-se no comportamento social e humano com habilidade, manifestando-se com expressões falsas, aparentemente ingênuas, quando não explode intempestivamente em combate viral.

O invejoso, sem dúvida, é muito infeliz, porquanto padece emoções perturbadoras, que a ele mesmo prejudica.

Por sua vez, o pensamento emitido faz-se portador de uma onda de energia negativa que, muitas vezes alcança aquele contra o qual é dirigido, desde que sintonize mentalmente em faixa vibratória equivalente.

A terapia de excelente qualidade para a vitória contra a inveja é o esforço que se deve oferecer em favor do bem de todos, auxiliando sem vacilação, de modo a contribuir para a felicidade geral.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 12.7.2018.

A Gênese, O Livro da Sabedoria - Vianna de Carvalho



A GÊNESE, O LIVRO DA SABEDORIA


Em todas as épocas da Humanidade, celebrizaram-se as tradições provindas do mundo espiritual, que posteriormente foram transformadas em fontes vivas de inspiração, qual ocorre com os livros famosos.

Desde os rolos de papiros às tabuinhas, aos tijolos de barro e pedaços de madeira, bem como às paredes de cavernas, gravaram-se os acontecimentos e as experiências vividas que se transformaram em páginas da fé religiosa, da ética, da guerra, da beleza, ao mesmo tempo portadores de sabedoria, conforme o pensamento da época...

Fizeram-se verdadeiros guias para o aformoseamento e a história das culturas dos povos e nações, algumas das quais hoje desaparecidas ou que sobrevivem sob outras condições.

Na Índia, o Vedanta e outros narram as sagas heroicas dos deuses e dos homens que construíram o mundo e o país.

No Egito, O livro dos mortos é repositório de revelações a respeito da imortalidade e dos deveres que são impostos aos homens para a vida espiritual.

Na Grécia, os diálogos de Platão e a Odisseia revelam princípios éticos dos mais significativos. Em Israel, o Velho Testamento, depois a inclusão do Novo, que se apresentam como incomparáveis modelos de histórias e narrações lendárias.

Na Pérsia, o Zoroastrismo apresenta o Zend Avesta como a primeira revelação do monoteísmo ético.

O Corão procura renovar o pensamento cristão através de Mohamed e sucedem-se, através dos tempos e especialmente na Idade Média, obras de incomparável beleza, que servem até hoje de condutores das criaturas humanas.

Santo Agostinho, anteriormente, escreveu as suas Confissões, Dante Alighieri a sua Divina comédia, também surgindo o Imitação de Cristo, os Florilégios, de São Francisco, a Minha vida, de Santa Tereza...

Mesmo na atualidade, apesar das técnicas em que se apresenta, permanece o livro como o amigo mantenedor da criatura humana nos mais diferentes acontecimentos existenciais.

Suas páginas, memórias inapagáveis da época em que foram narradas, permanecem convidando ao conhecimento e ao aprofundamento da cultura nos mais diferentes ramos do pensamento.

O livro é o instrumento silencioso e discreto que fala quando consultado e cala-se, aguardando outro momento.

Uma civilização feliz é aquela que se permite a educação dos hábitos e costumes, traçando uma trajetória de beleza e de progresso, que o livro nobre proporciona.

Sempre atual, a sua mensagem vibra e motiva todos aqueles que lhe recorrem ao auxílio.

O Espiritismo não poderia desconsiderar tão formidável instrumento para a divulgação dos postulados da imortalidade.

Desde o início das informações e esclarecimentos luminosos oferecidos pela fenomenologia mediúnica, culmina a sua contribuição científica, moral e intelectual com a publicação de A gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo.

O Codificador encontrava-se amadurecido pelas experiências e pesquisas, sentindo a necessidade de abordar palpitantes temas da cultura terrestre.

A Teologia havia dominado as mentes baseada em formulações filosóficas de homens e mulheres notáveis, seja no Catolicismo ou no Protestantismo, mas não conseguiu diminuir os conflitos existenciais e espirituais que dominavam a Humanidade. Multiplicavam-se desaires e correntes de pensamento díspares, quase todos firmados nas expressões do materialismo, tornando as dúvidas e os sofismas as armas culturais para aumentar a descrença que se assenhoreava das mentes humanas.

A lógica e a razão, no entanto, apresentavam-se nos laboratórios da investigação da mediunidade e a revelação clara, sem artifícios, ressumava de cada fato novo.

Nesse clima de afervorados debates, surgiu O livro dos espíritos, e logo sucederam-se as demais obras da Codificação Espírita com a sua força de bronze, eliminando as superstições vigentes, especialmente nas religiões, apoiando as conquistas da ciência, ao tempo em que propõem a investigação para o multimilenar quesito da imortalidade do ser e das suas experiências multifárias mediante a reencarnação.

Os pseudocientistas de ocasião, sem experiência de laboratório nem exame dos novos acontecimentos, dão-lhe as costas e zombam, utilizando-se do velho comportamento do desprezo por falta de argumentação capaz de enfrentar a razão face a face.

Outros, mais apaixonados, apelam para caducas teses de demonização, o que ainda mais confirma a imortalidade, e pensam atacar os idealistas por ausência de conhecimentos para rebater as ideias superiores em torno da vida e da sua excelência.

Os velhos tabus dominantes são vencidos pelo bom senso de Allan Kardec e pelas elucidações espirituais dos Mentores da Humanidade. A ética do Evangelho, sem dúvida a mais honorável, por dignificar o ser humano, é apresentada por modelo de conduta para todos os que sofrem, para quantos anelam por explicações libertadoras da ignorância, instalando-se o período espírita na cultura hodierna.

Outros complexos desafios, no entanto, permaneciam sob suspeita e descréditos quando o mestre de Lyon publicou A gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo, referindo-se aos milagres de Jesus, às origens do Universo, aos dias da Criação, às leis dos fluidos, assim como ao futuro do planeta.

Cuidada com carinho e examinada zelosamente pelo seu autor, revista em alguns pontos necessitados de maior clareza e atualidade, após a publicação de 1868, antes da sua desencarnação, deixa ilibada a obra, que é verdadeiro relicário de conforto e de instruções perfeitamente compatíveis com as leis então conhecidas.

Cento e cinquenta anos após, ainda permanece como um manancial de bênçãos, orientando as multidões que se lhe abeiram e lhe penetram as inexauríveis nascentes.

Quando os sofrimentos de vária origem esmagam a sociedade contemporânea, essa obra de raro esplendor dá cumprimento à determinação de Jesus sobre o Consolador e proporciona a certeza inabalável sobre a indestrutibilidade da vida e da sua fatalidade na conquista da plenitude.

Vianna de Carvalho
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 21.2.2018, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

19 julho 2018

Provações: Por que precisamos delas? - Raphael de Assis




PROVAÇÕES: POR QUE PRECISAMOS DELAS?


O homem representa a figura mais próxima de Deus. Ele é a mais perfeita criação que a raça humana conhece. Sua história se perde na imensidão do tempo, tornando sua evolução um mistério. Segundo Allan Kardec, todos os seres são criados simples e ignorantes e o mérito de sua evolução é pessoal, de forma que cada espírito traça seu próprio caminho. As diversas existências que o homem vive servem para testar e exercitar o aprendizado que ele foi incumbido de adquirir, em favor do seu aperfeiçoamento moral e intelectual – e, sobretudo da sua felicidade espiritual.

Em nome do progresso

A lapidação da pedra bruta, que visa se transformar em um diamante cintilante, não é fácil; Exige muito esforço, tempo e cuidado para adquirir o efeito desejado. È desta forma que podemos comparar a evolução humana, uma pedra bruta em constante lapidação, da qual quanto mais sujeira se tira, mais iluminada se torna. Como ensina Allan Kardec na classificação dos mundos, o planeta Terra está na categoria de planeta de provas e expiações, ou seja, como a própria classificação mostra, aqui é o terreno das provações. Esteja encarnado ou desencarnado, o homem é constantemente testado, quando tem oportunidade de avaliar seu desempenho perante as provas da vida. Pessoas mais sensíveis captam esta informação e a guardam como uma preciosidade, pois sabem que todas as provas da existência terrena estão condicionadas ao progresso. Aceitam com tranquilidade as dificuldades que a vida trás, sem questionar ou colocar em dúvida os desígnios de Deus. Outros, porém, veem o sofrimento como uma punição e fazem da vida um templo de lamentações.

Todos os seres humanos que habitam a Terra já passaram por mundos inferiores. Neste mundo a vida é muito mais complicada se comparadas às dificuldades encontradas por aqui. Segundo a Doutrina Espírita, a raça humana estagia através de inúmeras reencarnações adquirindo conhecimentos. Assim num futuro próximo, consegue migrar para mundos ou planos espirituais onde não sejam mais necessárias as provas para o espírito, pois ele já estará preparado para outras etapas da evolução.

Provas e Punição

Algumas pessoas confundem provas com punição dada a “atitudes erradas” de outras existências. Pensando desta forma, entende-se que Deus é um pai severo e punitivo, que castiga seus filhos pelas travessuras aprontadas. A espiritualidade mostra que não é bem assim. Deus não pune ninguém. Apenas mostra o caminho reto; quem se desvirtua deste caminho certamente sofre as consequências de um trajeto mais difícil. Ainda assim, estes tropeços nada têm a ver com as provas reais que a vida impõe. O Espiritismo mostra que a criação de Deus passa por vários ciclos de existências. Primeiro, os reinos naturais, onde a criatura conhece os princípios básicos da criação. Quando chega à classe humana, o homem está preparado para impetrar novos valores ao seu currículo. Nesta fase despertará a razão e cada passo dado será importante para o seu aprimoramento.

Através de inúmeras existências, o ser humano vive e revive situações nas quais pode expressar sensações e emoções importantes para o seu aprimoramento, com chances de errar e aprender. Além de fazer escolhas certas e erradas; nesta etapa costuma sofrer, talvez (ou não), por ainda não entender com humildade a necessidade das dificuldades extremamente importantes para sua evolução. Estas são as provas. É como um jogo: cada fase fica mais difícil a partir do momento em que o jogador consegue passar para níveis mais avançados. Porém, como um jogador persistente, o homem pode vencer todas as fases. Como pode também estagnar e ficar anos, às vezes séculos ou milênios, na mesma etapa, lamentando-se por achar a vida muito difícil.

Uma chance a mais...

Quando se fala de provas, imagina-se uma relação de aprendizado e estudo, na qual a existência representa a sala de aula. As vicissitudes da vida são os testes, pelos quais o ser humano terá de passar. Deus, que tudo sabe e a todos vê, acompanha o desenrolar destes testes e o nosso progresso através das provações. O espírito é livre para escolher antes de reencarnar as provas que passará em vida física. Então não adianta culpar Deus ou quem quer seja pela dificuldade que passamos; certamente fomos avisados que não seria fácil. Como disse Kardec (Livro dos Espíritos – questão 843) “Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina”. Somos responsáveis pela nossa vitória ou nossa derrota, mas nunca devemos nos esquecer de que não nos encontramos sozinhos. Deus estará sempre do nosso lado, nos dando força e nos guiando pelo caminho certo a seguir. Basta aprender a perceber os recados que ele envia, através de diversos mensageiros. “Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir como fazeis com a criancinha. Deixa-o, porém, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, senhor de proceder à escolha e só então é que muitas vezes lhe acontece extraviar-se, tomando o mau caminho, por desatender os conselhos dos bons espíritos. A isso é que se pode chamar a queda do homem. “(Livro dos Espíritos – questão 262).

Resgates de Débitos, Expiações e Provas.

Provas


A provação é uma experiência que o espírito passa, como um teste, para avaliar seu desempenho perante os compromissos assumidos antes de reencarnar.

Resgate

Resgates são novas oportunidades dadas aos encarnados, para que através de existência novas junto daqueles a quem contraiu débitos possa quitá-los. Reaproximam pessoas, estreita laços perdidos e faz florescer o amor, mesmo quando a relação é marcada pelo ódio e rancor.

Expiação

  
Expiação diz respeito às experiências que o encarnado precisa vivenciar para reparar algum erro ou atitude equivocada. Por exemplo, se o cidadão comete um roubo em determinada existência, é quase certo que, no futuro, também será roubado ou passará por privação exatamente daquele bem quePR ele roubou.

Em resumo, a expiação é sempre uma provação. Juntas, são colaboradoras fiéis em casos de resgates.

Se analisarmos com coerência o significado da palavra expiação, veremos que ela traduz com bastante ênfase a benção da quitação. Se uma pessoa faz algo sabendo que está errado e que, portanto, não deve ser praticado, deve responder por sua irresponsabilidade. 

Esse acerto de contas é importante para o espírito que, enquanto não expia seu erro, mantém-se preso a ele como uma espécie de lembrança ao erro cometido. Porém algumas pessoas se comprometem tanto com uma vida baseada em preceitos cristãos, que tornam esta quitação praticamente nula frente aos bons atos praticados, de forma que lhe é livrado o acerto. Ou seja, o débito é perdoado! Os resgates também estão relacionados a acertos de contas, porém, de forma mais sutil. É um acerto de contas através do entendimento, do perdão e do amor. Assim são os casos familiares e conjugais, cujas histórias das mais diversas formas são levadas ao âmbito familiar para o estreitamento de laços de forma fraternal.


Raphael de Assis

18 julho 2018

Miniaturização do Perispírito - Ricardo Di Bernardi



MINIATURIZAÇÃO DO PERISPÍRITO


Ao nos referimos a esse fenômeno, cumpre-nos lembrar que nossa percepção de encarnados está adstrita à vida tridimensional do nosso planeta. Nossos raciocínios também se limitam, salvo ocasionais laivos de percepção maior, às dimensões que podemos compreender.

Reencarnar significa, acima de tudo, como fenômeno, mergulhar na nossa dimensão física. Estabelecendo um parâmetro referencial conhecido, dizemos que o Espírito em seu corpo espiritual possui uma altura semelhante àquela atribuída ao homem encarnado, digamos: 1,70 m. Para não polemizar, vamos nos reportar aos espíritos materializados nas sessões ectoplasmáticas, e observar que suas alturas são as esperadas para um ser humano.

Utilizando-nos como exemplo a água, diríamos que – em vapor, líquido ou gelo – continua sendo molécula de água. O que ocorre nesses três estados físicos é uma maior ou menor concentração das moléculas, que não perdem a sua característica básica, isto é, continuam sendo a mesma água.

Sabemos que um Espírito reencarnante terá de se fixar em um ovo, embrião e depois em um recém-nascido de, aproximadamente, cinquenta centímetros. Em termos relativos, e de nossa percepção dimensional, diremos que ele, em seu corpo espiritual de 1,70 m, terá de sofrer uma redução volumétrica. Seu perispírito passará por um processo de miniaturização, mas permenecendo com todas as suas caraterísticas essenciais e registros das vidas passadas.

No singelo exemplo das moléculas de água em três estados físicos, temos a figuração da conservação da identidade da água, apesar do maior ou menor volume com que se apresenta a substância mencionada.

Como fonte bibliográfica, lembramosMissionários da Luz*, em que o autor espiritual que dita a obra ao médium Chico Xavier detalha o processo reencarnatório do Espírito Segismundo. Em A Vida Continua...**, André Luiz, no capítulo 16, faz também referência ao fenômeno da miniaturização.

O embrião, à medida que vai se desenvolvendo, multiplica o número das células e aumenta a área de fixação do corpo espiritual, que se prende às moléculas do corpo físico em formação. Ao concluir a gestação, teremos um recém-nato constituído de um grande número de células que irão compor as malhas da rede que retém o corpo espiritual. No processo de redução volumétrica ou miniaturização, as moléculas perispirituais se aproximam, reduzindo os espaços intermoleculares.

A perda de atividade vibratória e a redução da energia cinética determinam a aproximação molecular (como do vapor d’água ao se esfriar, condensando em água líquida). A redução volumétrica acompanha-se de progressiva perda de consciência do Espírito, variando o grau dessa perda com o nível evolutivo da Entidade reencarnante. Há Espíritos que mantêm sua consciência até adiantadas fases de gestação, enquanto que outros a perdem logo no início do processo.

Existe um mecanismo de atração recíproca. De um lado, o corpo espiritual e Espírito como que polo penetrante ou positivo; do outro lado, a matéria receptora como polo negativo. O polo positivo assim é denominado por ser o elemento diretor, embora influenciado pela matéria. O princípio espiritual automaticamente coordena, molda e domina, completamente, toda a cadeia de reações que se desenvolvem no pocesso reencarnatório.

Durante a miniaturização, partes das vibrações mais periféricas do Espírito são absorvidas pelas zonas mais profundas, que passam a reter essas potencialidades energéticas. O conjunto espiritual fica, então, reduzido ao tamanho do útero, e nas zonas mais periféricas o perispírito passa a sofrer também modificações durante todo o período da gravidez. A reencarnação, como um fenômeno renovador, sempre se daria em posições mais avançadas que as anteriores; na atual, o Espírito expressará herança dos caracteres adquiridos anteriormente.

Nos Espíritos que vivem ainda nos limites da animalidade, a redução do conjunto espiritual atinge o seu máximo, não se limitando, em espaços, ao tamanho do útero, e sim às dimensões microscópicas da célula-ovo. Esses Espíritos, quando desencarnados, apresentam-se com uma postura fixa mental ou monoideísmo auto-hipnotizante de voltar à vida física. Sua ideia fixa neutraliza outras emoções, determinando a diminuição das energias espirituais até o ponto das moléculas se condensarem em nível microscópico de um núcleo de célula-ovo.

A redução volumétrica do corpo espiritual tem um papel muito importante na facilitação das tarefas do Espírito na nova encarnação. Além de propiciar a integração ao novo corpo biológico, determina a perda de consciência progressiva, com a importante consequência do esquecimento do passado, imprescindível para a estabilização psicológica frente às situações cármicas de reencontro familiar e outras necessárias à evolução do Espírito.

Ricardo Di Bernardi
Livro: Temas Polêmicos do Século XXI
EBM Editora

17 julho 2018

No Plano Carnal - Emmanuel



NO PLANO CARNAL


Isolado na concha milagrosa do corpo, o espírito está reduzido em suas percepções a limites que se fazem necessários.

A esfera sensorial funciona, para ele, à maneira de câmara abafadora.

Visão, audição, tato, padecem enormes restrições.

O cérebro físico é um gabinete escuro, proporcionando-lhe ensejo de recapitular e reaprender.

Conhecimentos adquiridos e hábitos profundamente arraigados nos séculos aí jazem na forma estática de intuições e tendências.

Forças inexploradas e infinitos recursos nele dormem, aguardando a alavanca da vontade para se externarem no rumo da superconsciência.

No templo miraculoso da carne, em que as células são tijolos vivos na construção da forma, nossa alma permanece provisoriamente encerrada, em temporário olvido, mas não absoluto, porque, se transporta consigo mais vasto patrimônio de experiência, é torturado por indefiníveis anseios de retorno à espiritualidade superior, demorando-se, enquanto no mundo opaco, em singulares e reiterados desajustes.

Dentro da grade dos sentidos fisiológicos, porém, o espírito recebe gloriosas oportunidades de trabalho no labor de auto-superação.

Sob as constrições naturais do plano físico, é obrigado a lapidar-se por dentro, a consolidar qualidades que o santificam e, sobretudo, a estender-se e a dilatar-se em influência, pavimentando o caminho da própria elevação.

Aprisionado no castelo corpóreo, os sentidos são exíguas frestas de luz, possibilitando-lhe observações convenientemente dosadas, a fim de que valorize, no máximo, os seus recursos no espaço e no tempo.

Na existência carnal, encontra multiplicados meios de exercício e luta para a aquisição e fixação dos dons de que necessita para respirar em mais altos climas.

Pela necessidade, o verme se arrasta das profundezas para a luz.

Pela necessidade, a abelha se transporta a enormes distâncias, à procura de flores que lhe garantam o fabrico do mel.

Assim também, pela necessidade de sublimação, o espírito atravessa extensos túneis de sombra, na Terra, de modo a estender os poderes que lhe são peculiares.

Sofrendo limitações, improvisa novos meios para a subida aos cimos da luz, marcando a própria senda com sinais de uma compreensão mais nobre do quadro em que sonha e se agita.

Torturado pela sede de Infinito, cresce com a dor que o repreende e com o trabalho que o santifica.

As faculdades sensoriais são insignificantes résteas de claridade descerrando-lhe leves notícias do prodigioso reino da luz.

E quando sabe utilizar as sombras do palácio corporal que o aprisiona temporariamente, no desenvolvimento de suas faculdades divinas, meditando e agindo no bem, pouco a pouco tece as asas de amor e sabedoria com que, mais tarde, desferirá venturosamente os vôos sublimes e supremos, na direção da Eternidade.

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Roteiro
Médium: Francisco Cândido Xavier

15 julho 2018

Vidas Passadas - Wellington Balb




VIDAS PASSADAS


Um dos tópicos que mais chamam o interesse do público quando se fala em reencarnação é a possibilidade de saber quem foi quem em existência pregressa, ou, ainda, identificar algumas experiências vividas no passado com os nossos entes da atualidade.

Natural a curiosidade da esposa que quer saber quem foi e o que representou em sua vida pregressa seu atual marido, ou mesmo a mãe que tem muitas afinidades com os filhos e quer saber de onde vem todo esse bem querer.

Aqueles que trazem consigo gostos requintados, não raro, desejam saber se usaram coroas ou foram nobres. Os que muito sofrem intentam desvendar as razões pelas quais a dor bate-lhes tão cruel à porta.

Esta curiosidade faz parte da condição de seres em progresso, o complicado é quando se torna uma fixação.

Conheço muita gente que daria esta vida para saber o que foi na outra e, por isso, procuram médiuns que infelizmente abrem o baú das revelações, como se tivessem uma lista completa do que fomos e o que fizemos em pregressas estadias por este mundo.

Esses médiuns revelam situações e casos, parcerias, romances vividos, assassinatos e intrigas.

Já vi muita gente desequilibrar-se e entrar em parafuso por conta dessas revelações.

Certa feita um médium disse ao esposo de uma amiga que o filho dela havia sido seu assassino em anterior existência.

O marido acreditou e a relação com o enteado estremeceu.

Quase colocou fim ao seu casamento por conta disto.

Após alguns entreveros o esposo desta amiga resolveu deixar pra lá a “suposta” violência do enteado.

Este caso teve final feliz, contudo, o desfecho poderia ter sido outro.

O tema é tão palpitante que há muitos confrades estudando para saber as reencarnações de Chico Xavier, Allan Kardec e tantos outros.

Não sei se existe algum proveito real em sabermos se Chico foi Kardec ou não, como, também, não sei se há utilidade em identificarmos se fomos padres, coroinhas ou um operário.

Nosso foco não deve ser no passado, mas no presente.

Quê importa quem fomos?

O fundamental é como estamos.

E, como estamos?

Como anda nosso progresso?

Antes de buscar o passado vale viver o presente.

Farol seguro é o Espiritismo, e este diz que o esquecimento temporário do que fomos e o que fizemos em existências passadas é fundamental para que possamos agir sem as culpas do passado a inibir iniciativas no presente, ou criar entraves de relacionamento.

Kardec, aliás, ensina que ao estudarmos nosso próprio comportamento, tendências e aptidões, temos a intuição do que fizemos anteriormente.

Definitivamente não teríamos condições psicológicas de conviver com alguém que sabemos ter sido nosso algoz. Esta, porém, é apenas uma das razões pelas quais nosso passado fica sob um véu, e penso ser bem forte para justificar tal regra imposta pela espiritualidade.

As revelações de outras existências, segundo os Espíritos, vêm apenas em situações especialíssimas.

Portanto, útil guardarmos serenidade ante ao passado.

Foco no presente, foco no hoje, no agora.

Nada nos importa mais do que saber como estamos.

E, repito a pergunta acima:

Como estamos?

Wellington Balbo

Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


14 julho 2018

A pornografia é o erotismo vazio de amor



A PORNOGRAFIA É O EROTISMO VAZIO DE AMOR


A pornografia é o erotismo vazio de afeto, amor e desvelo, por isso é um assunto espinhoso, sensível e controverso. No mundo tecnológico, um imenso contingente de pessoas trafega no universo virtual (em média 9h diárias) aliciadas pelos poderosos convites às viagens eróticas do apelo pornográfico.

Há pouco menos de meio século, a exibição de filmes “adultos” entulhava os porões das fétidas salas de cinemas eróticos. Nessas lúgubres cavernas as pessoas fascinadas aos apelos da alucinação sexual procuravam os “shows” de sexo explícito, filmes e revistas especializados. Em seguida, para nossa desdita, com a expansão da Internet, o tráfico do lado negativo da sexualidade saiu dos funestos antros e rompeu fronteiras através dos meios de comunicação, alcançando o espaço sagrado dos nossos lares sem qualquer pudor.

Nesse extremo, a internet tem estabelecido grande influência entre crianças, jovens, adultos e idosos, e entre os contumazes usuários, tornando possível que os consumidores de pornografia permutem informações entre si e possam identificar gêneros, estilos e gostos, fazendo com que compartilhem suas preferências e permitindo o encontro de fantasias ou práticas criminosas de pedofilia e outras parafilias.

Numa linguagem espírita, diria que o “UMBRAL” nunca esteve tão presente e próximo dos lares terrenos. Há um impressionante número de mulheres casadas que se queixam de solidão (no sentido de solidão sexual), em virtude de seus esposos serem contaminados e viciados na pornografia virtual. E o inadmissível da situação é saber que muitos desses maridos consumidores de pornografias são “cristãos”, “bons” espíritas, pais de família exemplares e profissionais de proeminência.

Os consumidores de pornografia, na maioria dos casos, ou estão viciados ou prestes a se viciarem em sexo. Tais pessoas passam a pensar e a se absorverem pouco a pouco com sexo. As fantasias sexuais, as figuras pornográficas passam a colonizar gradativamente as suas mentes, passando a invadir insistentemente os seus pensamentos nas ocasiões mais impróprias.

A nossa sexualidade não pode ser avaliada sob o prisma dos que a consideram impura e proibitiva, muito menos sob as impressões dos que anseiam algemá-la ao plano da banalidade como simples fricção de células causadoras de deleite erótico. A sexualidade humana é de procedência divina e sua possante energia, que alastra no ser de forma natural, não deve ser inibida de forma insana, todavia urge ser disciplinada no sentido de atingir seu desígnio, como força fecunda e criadora, a fim de produzir o avanço espiritual do homem.

Não estamos propondo castrações, mas sublimação. Até porque todos somos impregnados desse potencial e convocados a aprender a discipliná-lo. Com o Evangelho aprendemos que quando um casal se ama, os parceiros se apetecem e se reverenciam. A vida e experiência sexual entre ambos é respeitosa e prazerosa. O amor entre os dois não está condicionado apenas à sexualidade, todavia vai muito mais além, incluindo amizade, companheirismo e cuidado pela satisfação de suas necessidades. Quando, porém, isso não ocorre e há a necessidade compulsiva de fantasias, autoerotismos e pornografias, esse casal não está em harmonia; encontra-se psicologicamente corrompido e não é feliz.

Compreendemos que precisamos ser indulgentes com aqueles que são servos da pornografia, abarcando que cada ser é um ente divino em suas potencialidades de amor que com certeza eclodirão no futuro, até porque esses atrasos morais são particularidades do estágio de expiação e provas do homem terreno. Deste modo, precisamos orar e orientar aqueles que nos solicitam auxílio, demostrando as implicações infelizes do sexo em desatino, conforme nos advertem os Benfeitores do além.

Jorge Hessen

13 julho 2018

Rotina Necessária - Orson Peter Carrara



ROTINA NECESSÁRIA


A vida adulta proporciona de um lado a liberdade de escolha de nossos próprios caminhos, seja em nossos horários e decisões, seja nas atividades a que nos dediquemos ou nos caminhos que a maturidade vai trazendo por si só. Por outro lado, o descuido com o comportamento igualmente pode trazer condicionamentos perigosos que se apresentam na forma de manias, neuroses, pontos de vistas arraigados e presos a tradições, crenças ou verdadeiras prisões emocionais e psicológicas, que podem se traduzir com o tempo em doenças e desequilíbrios.

A infância, todavia, tem necessidade da rotina que a educação dos pais precisa impor nos primeiros anos. Horário para levantar-se, dormir, alimentar-se, banhar-se. A rotina de hábitos que depois recebe o acréscimo dos horários da escola, de fazer tarefa escolar e mesmo a disciplina de arrumar a cama, colaborar com pequenos afazeres domésticos, educação com os mais velhos, guardar os brinquedos e ter cuidados com o próprio material da mochila da escola, escovar os dentes, entre tantos outros cuidados domésticos, é item essencial para formar o cidadão integro do futuro.

É da disciplina da família, do equilíbrio dos pais, do afeto vivido em casa ou dos deveres criados pela rotina, é que formamos o adulto equilibrado de amanhã que, quando adulto e livre para suas próprias, vê eclodir de si mesmo as noções de dignidade e hombridade – fruto da semeadura sadia dos pais na rotina necessária na primeira infância.

A vida cotidiana atual, entretanto, tem agido de maneira oposta. Vivemos todos uma vida atribulada, na indisciplina própria que vivemos na vida adulta, e semeamos no coração infantil, que ainda está formando referências, uma confusão que fará adultos inseguros, igualmente indisciplinados e muitas vezes incapazes de conduzir a própria vida, porque não tiveram na infância rotina da disciplina que educa. Por isso encontramos hoje tantos adultos sem equilíbrio. Vivem sem horários, não se firmam em compromissos, desrespeitam valores, não conseguem viver um roteiro próprio que lhes dê segurança nas ações diárias.

Complexo desafio individual e social, esse.

Como vencer isso? Só o tempo que hoje já nos mostra a consequência direta de nossa indisciplina de ontem. Lares tumultuados, filhos indisciplinados, sociedade perturbada.

O único caminho é voltar aos velhos padrões de dignidade na vivência disciplinada do lar, especialmente na primeira infância. Dedicar aos filhos a atenção de nossa presença e afeto, fazer-lhes sentir o calor de nossa dignidade, em valores que se perpetuam como referenciais para o futuro da personalidade que se forma.

Ah! Por que tantos se perdem hoje nas drogas? Por que tantos hoje se desequilibram, perdem o sentido da vida e ficam atordoados sem saber para onde se dirigem? Além da bagagem própria, faltou-lhes a rotina necessária da disciplina necessária que só a vida familiar pode proporcionar…

É ela que forma o referencial de agir… Ela educa o comportamento, eis o segredo. Ainda somos criaturas com necessidade de repetição das experiências para que o aprendizado se faça.

E vejam como é sábia a vida. Necessária na formação da criança que se tornará adulto consciente, o suceder das décadas vai trazendo rotinas novas, que nos amadurecem em aprendizados permanentes e contínuos, alterando as rotinas tão necessárias da infância. Da primeira infância, passamos a crianças que crescem e que vão à escola; depois nos tornamos adolescentes, jovens, maduros e avançamos na terceira idade. Nesse suceder de experiências, sempre novas, novas rotinas. Todas necessárias para trazer o amadurecimento que traz a sabedoria. E, por mais paradoxal que possa parecer, quando avançamos na terceira idade, uns nos tornamos rancinzas, outros nos tornamos mais serenos e calmos.

Quais as razões de tais diferenças na terceira idade? Eis o desafio que deixo à reflexão do leitor. Até onde a rotina ou a ausência dela, nas referências educativas da criança, influem nesse processo?

Por Orson Carrara

12 julho 2018

Verdadeiros Amigos - Nilton Moreira



VERDADEIROS AMIGOS


Interessante analisar o conceito que cada um tem de amigo. É uma palavra que proferida pode aplacar qualquer reação adversa, mesmo que não conheçamos a pessoa para a qual estamos nos dirigindo, haverá sempre uma receptividade afetuosa. Amigo, é palavra que traz em si um aconchego, um encurtamento de distância entre pessoas.

Mas já parou para pensar quem realmente é teu amigo? Quantos amigos será que temos realmente? Será que todas as pessoas que consideramos amigos nos consideram assim também? É possível ser amigo de alguém que não nos tem consideração? Será que a falta de contato em razão da distância faz com que a amizade termine, ou ela será sempre presente? Até que ponto pode ir uma amizade? Temos milhares de amigos nas redes sociais, mas será que podemos dizer que todos são amigos mesmo?

São situações de difícil análise, mas quando brigamos com uma pessoa que temos como amigo é muito dolorida a energia que toma conta de nós. Acreditamos que o maior amor que pode existir é o de amigo, pois a partir deste todos os outros matizes do amor se desdobram. Ser amigo é ser fiel não importando o momento. É algo sublime. Mas a amizade só será verdadeira mesmo, quando colocada à prova, mas mesmo assim não podemos exigir de nossos amigos uma perfeição desse sentimento, pois sendo nós passageiros de um Planeta expiatório temos muitos defeitos e um deles é confundir amizade com outros adjetivos similares.

Acreditamos que uma amizade sincera transcende o plano físico e na espiritualidade permanece, já que temos muitos amigos espirituais que nos acompanham durante a trajetória aqui na terra. Um amigo que podemos contar sempre é nosso Anjo Protetor, Anjo de Guarda, Espírito Guardião, Mentor Espiritual, como queiram chamar, a conotação não interessa. O importante é a fidelidade.

“Quando Jesus entrou, vitorioso, em Jerusalém, houve um instante em que parou para respirar livremente. Com ele, apenas Bartolomeu, apagado e discreto. O discípulo exultava. Até eles chegavam os ecos do grande êxito. Hosanas ao Messias.

Cânticos. Algazarra. Perfumes no ar. Não longe, Simão Pedro, que negaria o Senhor. Judas, que o negociara. Tomé, que o abandonaria. Tiago e João, que dormiriam descuidados, sem lhe perceberem a angústia. E toda uma legião de admiradores que, no dia seguinte, se transformariam em adversários. Bartolomeu, feliz, observou a atmosfera festiva e disse contente: Oh! Mestre, quanta felicidade! Afinal! Afinal a glória, apesar dos perseguidores! Notando que Jesus continuava em grave silencio, o aprendiz perguntou: Por que tristeza, Senhor, se estamos triunfando de tantos inimigos? O Cristo, porém, meneou a cabeça e, fitando a turba próxima, falou sereno: Bartolomeu, Bartolomeu, vencer, mesmo tendo inimigos, é sempre fácil, porque os inimigos se colocam a distancia, por si mesmos. E profundamente desencantado: A batalha mais árdua é vencer com os amigos.”

Portanto, analisemos quem de fato são nossos amigos verdadeiros.

Nilton Moreira
Coluna semanal Vida Além da Vida

11 julho 2018

O suícidio não é a solução - Espírito Vinicius



O SUICÍDIO NÃO É A SOLUÇÃO



O suicídio não é a solução, ao contrário, ele vai levar você a um sofrimento muito mais intenso, muito mais doloroso a ponto de você querer morrer de verdade, mas não será mais possível porque a vida é eterna, você não morre nunca e aonde você for sua dor seguirá junto.

O suicida acredita que seus problemas não têm mais solução. Está mergulhado tão fundo nos pensamentos negativos que o mundo e os problemas tomam uma dimensão gigantesca e ele pensa que a melhor saída é se matar. Ele quer se livrar da dor, mas isso não será possível.

Depois da morte, quando o suicida acordar no mundo espiritual vai se ver num lugar terrível, rodeado de espíritos atormentados iguais ou piores que ele, sentindo tudo o que sentia, só que dez vezes mais ampliado. Depois da morte, fora do corpo, sem a influência da matéria os nossos sentimentos assumem proporções enormes e a angústia, o desespero, a tristeza, o desencanto que levaram a pessoa a se matar irão prosseguir dez vezes mais intensos.

Depois de muitos anos nesse estado, quando são resgatados pelos espíritos de luz, não conseguem ficar bem no mundo espiritual e precisarão reencarnar o mais rápido possível. Primeiro vai renascer num corpo cheio de problemas de saúde, terá vida curta e limitada e mesmo que tenha vida longa o corpo apresentará problemas genéticos irreversíveis. Depois disso voltarão a reencarnar num corpo sadio, mas terá que enfrentar o mesmo problema que o levou a se matar, em idêntica situação, para resistir e ser forte, vencendo-o.

Por isso, por pior que seja um problema, por mais dolorosa que seja uma situação, é muito melhor prosseguir aqui do que tirar a própria vida. Não tenham dúvidas nenhuma quanto a isso.

Seja o que for que você esteja enfrentando, pode ter a certeza de que há uma solução, mesmo que você não enxergue nenhuma. Um dos maiores desesperos do suicida é descobrir que a situação que o estava infelicitando logo iria se resolver, mas sua rebeldia diante dos fatos o fez desistir da vida há poucos momentos em que a solução esperada iria acontecer.

Se você está com pensamentos suicidas, pense em tudo isso que acabou de ler e lembre-se: não existe problema sem solução porque a vida não joga para perder. É você que, iludido pelo imediatismo, não consegue ver, mas com certeza a solução está lá.

 P.S: Eu já ia dormir quando o espírito Vinicius me fez voltar, reabrir o notebook e escrever isso.


Pelo espírito Vinicius
Médium: Maurício de Castro
 
 

10 julho 2018

Divaldo Franco responde: Ciúme é uma doença? - Divaldo P.Franco



DIVALDO FRANCO RESPONDE: CIÚME É UMA DOENÇA?


Ciúme é motivo de separação, de divórcio e de muita briga entre os casais. Isso é normal ou é uma doença?

Somente através do amor, curamos o ciúme. As pessoas costumam dizer: “Em todo amor, sempre há um pouco de ciúme!” É lindo, mas não é verdadeiro. Ciúme é um fenômeno psicológico de insegurança. Quando falta autoestima, a pessoa não acredita que alguém seja capaz de amá-la. Quando alguém a ama, ela duvida. E fica sempre com medo de perder, porque acha que não merece. A insegurança emocional gera o ciúme. Se estiver com uma pessoa mais bonita do que ela, se der mais atenção a outrem, logo pensa que a vai perder, porque não está em condições de ser amada por quem está ao seu lado. É um conflito de insegurança psicológica.

Quando alguém dispuser-se a amar, creia no amor, entregue-se-lhe. Se aparecer outro, que gere traição, o problema não é seu. Se ele – o outro indivíduo, homem ou mulher – o abandonar, pior para ele e não para você, porque aquele que abandona é que se faz infeliz, não o abandonado. Assim mesmo, continue amando.

As pessoas de natureza instável, amadas ou não, assim continuarão, porque são doentes, portadoras de comportamentos mórbidos. Não são dignas de ser amadas, apesar disso, cumpre-nos amá-las. Viver com ciúme, vigiar, estar com os olhos para lá e para cá, torna-se um infortúnio, porque é sempre uma inquietação, aguardando alguns momentos de prazer. O amor legítimo confia. Quando não há essa tranquilidade, não é amor, mas desejo de posse, tormento. É um desvio de comportamento afetivo.

Toda vez que confiamos no outro, recebemos resposta equivalente, com as exceções compreensíveis. Toda vez que vigiamos o ser amado, na primeira brecha que lhe surge, quase sempre tomba no desvio... Isto porque ninguém pode amar vigiado, escravizado, perseguido, controlado. O amor é uma bênção, não um castigo, não uma forma de manipulação do outro.

Há um caso, um pouco engraçado, mas que ilustra essa situação. O homem, quando chegava ao escritório, telefonava para a esposa: "Bem, já cheguei..." Momentos após, novamente: "Meu bem, estou saindo para o lanche..." Mais tarde, outra vez: "Meu bem, estou voltando do lanche..." Por fim: "Agora estou voltando para casa".

A esposa, que era muito ciumenta, retribuía: "Estou de saída para as compras... Eu voltei das compras..."

Esse era um casal profundamente infeliz. Mas ele morreu. No velório entraram uma senhora e uma criança, que se debruçaram sobre o caixão e choraram demoradamente.

A viúva, sensibilizada, perguntou a razão do seu pranto, sendo esclarecida que a criança era filha do desencarnado, que mantinha um romance com ela...

Surpreendida demasiadamente, perguntou com angústia:

─ Quando ele a visitava?!

E a resposta foi imediata: "Na hora do lanche".

Ninguém vigia os sentimentos dos outros. Os sentimentos devem ser honrados com a confiança. Se o outro a deslustra, torna-se-lhe um problema. Daí, o ciúme ser insegurança. Pratique sua autoestima quando for amado por alguém. Todos nós temos conflitos e inseguranças, posto que ainda somos humanos.

Quando algum confrade chega até mim e diz-me, por exemplo: “Eu estava doente e fiquei bom, mas não mereço”. Eu respondo: “Merece, sem dúvida”. Se a pessoa insiste em afirmar que não é credora desse merecimento em aparente humildade, sou constrangido a informar: "Se você recebeu essa concessão do Senhor e não a merece, Ele está sendo injusto em relação aos demais enfermos!". Nessa recuperação Deus está-lhe proporcionando uma chance, está lhe concedendo misericórdia.

Eu, quando experimento qualquer bênção, sempre digo: "Graças a Deus! Eu já mereço a compaixão dos Céus". E esforço-me para corresponder com o possível ao meu alcance.

Devemos ter senso para medir nossos valores. Eu não espero que uma pessoa me diga que eu estou bem para ficar bem. Eu estou bem porque me sinto em harmonia.

Algumas pessoas são capazes de fazer observações negativas que nos podem influenciar. Nesses casos, a atitude só pode ser a mesma: buscar a autoestima.

Se alguém me diz: "Estou achando-o muito mal", eu respondo com delicadeza: "É, você está achando, mas não estou assim. Encontro-me muito bem!”.

Não nos deixemos conduzir com as opiniões diversificadas das demais pessoas. É indispensável alcançar a autoconsciência. Então, mantenhamos a autoestima. Esse comportamento é salutar, agradável.

Por outro lado, evite aceitar a falsa compaixão, quando alguém lhe disser: "Coitado!".

Desperte sempre amor, e não compaixão. Para o ciúme, portanto, o melhor medicamento é amar mais e sempre.

Desde já, mudemos a nossa paisagem interna da mesquinhez para adquirirmos esse estado de plenitude chamado confiança.

Texto do livro Divaldo Franco Reponde Vol. 2.
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09 julho 2018

Espiritos fazendo mal aos encarnados - Hugo Lapa



ESPÍRITOS FAZENDO MAL AOS ENCARNADOS

Quem morreu pode nos fazer mal?

Em princípio ninguém pode nos fazer mal… Pelo simples fato de que o mal não existe em todo o cosmos. As pessoas precisam compreender esse princípio, pois já são chegados os tempos de abandonar as velhas concepções de mal, para que o sofrimento nos deixe e possamos ser livres e felizes com Deus.

O mal nada mais é do que a sombra da luz… a luz existe, mas a sombra é a ausência da luz. Assim como o mal é a ausência do bem. O bem existe, é a luz, mas o mal não existe… é só uma ausência, uma falta.

Mas se algo em nós está desarmonizado, a desarmonia de um desencarnado pode ser transmitida a nós sim, caso nós sintonizemos com ele… e caso nós tenhamos essa mesma desarmonia dentro de nós. Nossa desarmonia interna sintoniza com a desarmonia do outro… e o mal é feito conjuntamente.

Mas nenhum mal ocorre por acaso. Todo mal é sempre o bem produzido de outra forma. Costumamos pensar no mal como algo que nos prejudica, que destroi aquilo que desejamos manter. Mas se tivermos em mente que tudo se destroi para depois ser reconstruído em outra forma… e que nossa essência não pode ser destruída, pois ela é um raio de Deus, então quem pode nos fazer mal?

Podemos ver o mal como perda… mas o que pode ser perdido? Toda perda exterior cria um ganho interior. Então, nada é perdido nunca. Tudo sempre se renova, se refaz, se reconstrói… tudo sempre morre e renasce. Há algum mal em morrer se essa morte vai trazer um renascimento? Não… não pode haver mal na lagarta que se transforma em borboleta, a não ser que a lagarta esteja apegada a sua forma “lagarta” e não deseje soltar essa forma de jeito nenhum. É nesse ponto que nasce o sofrimento…

O mal só existe quando recusamos e nos opomos a inexorável renovação da existência universal. Quando não desejamos a renovação, chamamos a força renovadora da vida de “mal”. Mal é aquilo que não desejamos que aconteça… e não aquilo que nos prejudica. Tudo isso é apenas um impulso rumo a uma transformação.

Dessa forma, por que temer o mal, se ele vem como um fogo que tudo transmuta e tudo renova? O fogo queima, mas ele produz a perfeita alquimia da natureza, transformando os metais pesados de nossas imperfeições no ouro sagrado da realização espiritual superior. Mal é apenas um nome dado a perda que abrirá o caminho para um novo ganho; a destruição que limpará o terreno para uma nova construção… ou a morte que nos permitirá largar o antigo para que o novo possa surgir. Como não desejamos morrer… chamamos a morte de má. Mas se a pessoa entende que a morte trará o renascimento… por que a morte seria má?

Assim, nenhum mal pode jamais nos afetar. Simplesmente porque o mal não existe em toda a realidade universal. Só existe a renovação, a transformação, a marcha do progresso, a morte e o renascimento… a perda do inferior para vir o ganho do superior. A morte da lagarta e o enlevo do voo da borboleta.

Hugo Lapa

08 julho 2018

Semeadores de Vida - Antonio Augusto de Sá Neto



SEMEADORES DE VIDA


Estava eu aqui pensando como o ser humano hoje está centrado no negativismo. Como nós colocamos as preocupações materiais em tão grande importância e como a falta de autoconhecimento pesa na alma humana.

A criatura humana parece que está cega para a beleza que é o espetáculo da vida. Devido ao fato de não conhecer a sua essência divina, prende-se ao finito estreito das satisfações meramente materiais, centralizado na promoção do seu ego, sendo apenas lampejos as manifestações de suas qualidades superiores, como a sabedoria, a benevolência, o idealismo.

O ser humano se ignora. Coloca todas as suas aspirações na existência terrena, esquecendo que é filho do altíssimo em pleno processo de evolução espiritual rumo a aquisição de valores superiores.

Com tudo isso podemos ver quanta falta faz ao bem-estar social o fato da criatura humana não saber o que ela é, a sua origem e a sua destinação após a morte.

Portanto, em face de tais conclusões, nada mais natural que a criatura humana viva desestruturada, seguindo sua vida sem rumo, sem sentido, sem direção, tendo-se em vista a transitoriedade de que se reveste uma encarnação humana.

Quando o ser humano entende a sua essência divina, há toda uma ressignificação e revisão de valores que fazem a criatura humana mudar o rumo de sua vida. Entende que o que ela fazer de sua encarnação presente terá consequências negativas ou positivas de acordo com o teor de suas ações; entende que o caminho para se realizar como pessoa passa pela busca do seu aprimoramento moral e espiritual; enfim, entende o porquê da máxima do Cristo: "Fora da Caridade não há Salvação".

Passa a ser uma criatura que sabe cultivar a vida, semear a vida e a esperança às criaturas humanas. Aprende que o amor é característica indissociável da saúde integral e caminha rumo a realizações de alta significação no contexto da vida humana.

É muito importante para o ser humano a vivência das virtudes, pois elas é quem dão sentido à vida humana, já que desprovido de virtudes o ser humano cultiva tudo que é contrário à promoção da vida, como o ódio, a crueldade, a frieza; enfim, a criatura humana precisa de cultivar virtudes para se ter qualidade de vida nas relações humanas.

Que possamos todos nós espíritas cultivar a luz que reside em nossos corações, tornando-nos criaturas serenas, sábias, altruístas; verdadeiros semeadores de vida. É o que eu desejo para todos os leitores desse texto. Que a paz de Deus possa reinar em nossos corações.


Por Antonio Augusto de Sá Neto