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18 novembro 2019

Ato de caridade - Espírito A.C



ATO DE CARIDADE


Em nossa reunião da noite de 7 de Junho de 1956, nossos Benfeitores trouxeram-nos ao recinto o Espírito de A. C., que nos contou a sua significativa experiência, aqui transcrita.

Oxalá possa ela acordar-nos para mais ampla exatidão, no desempenho de nossos compromissos, na esfera da caridade que, realmente, seja onde for e com quem for, é nosso simples dever.

Espiritismo...

Sou espírita...

Fora da caridade não há salvação...

Maravilhosas palavras!...

Contudo, quase sempre chegamos a perceber-lhes o divino significado depois da morte, com o desapontamento de uma pessoa que perdeu o trem para uma viagem importante, guardando, inutilmente, o bilhete na mão.

Utilizei-me de um corpo físico durante cinqüenta e cinco anos, na derradeira romagem física.

Era casado.

Residia no Rio de Janeiro.

Mantinha a esposa e duas filhas.

Desempenhava a função de operoso corretor de imóveis.

E era espírita à maneira de tantos...

Nunca me interessei por qualquer meditação evangélica.

Não cheguei a conhecer patavina da obra de Allan Kardec.

Entretanto, intitulava-me espírita...

Freqüentava sessões.

Aplaudia conferencistas.

Acompanhava as orações dos encarnados e as preleções dos desencarnados, com a cabeça pendida em reverência.

Todavia, encerrados os serviços espirituais, tinha sempre afeiçoados no recinto, a quem oferecer terras e casas, a quem vender casas e terras...

E o tempo foi passando.

Cuidava devotadamente do meu conforto doméstico.

Meu rico dinheiro era muito bem empregado.

Casa bem posta, mesa farta, tudo do bom e do melhor...

Às vezes, um companheiro mais persistente na fé convidava-me a atenção para o culto do Evangelho no lar.

Mas eu queria lá saber disso?...

A meu ver, isso daria imenso trabalho.

Minha mulher dedicava-se à, vida que lhe era própria.

Minhas filhas deveriam crescer tão livremente como desejassem, e qualquer reunião de ordem moral, em minha casa, era indiscutìvelmente um tropeço ao meu bem-estar.

E o tempo foi passando...

Fui detentor de uma bronquite que me recebia a melhor enfermagem.

Era o dodói de meus dias.

Se chamado a qualquer atividade de beneficência, era ela o meu grande escolho.

No verão, estimava a sombra e a água fresca.

No inverno, preferia o colchão de mola e o cobertor macio.

E o tempo foi passando...

Sessões semanais bem freqüentadas...

Orações bem ouvidas...

Negócios bem feitos...

Aos cinqüenta, e cinco anos, porém, um edema do pulmão arrebatou-me o corpo.

Francamente, a surpresa foi grande.

Apavorado, compreendi que eu não merecia o interesse de quem quer que fosse, a não ser das entidades galhofeiras que me solicitaram a presença em atividades criminosas que não condiziam com a minha vocação.

Entre o Centro Espírita e o lar, minha mente conturbada passou a viver uma experiência demasiado estranha...

Em casa, outros assuntos não surgiam a meu respeito que não fossem o inventário para a indispensável partilha dos bens.

E, no Centro, as entidades elevadas e amigas surgiam tão intensivamente ocupadas aos meus olhos, que de todo não me era possível qualquer interferência, nem mesmo para fazer insignificante petitório.

Para ser verdadeiro, não havia cultivado a oração com sentimento e, por isso mesmo, passei a ser uma espécie de estrangeiro em mim próprio, ilhado no meu grande egoísmo.

Ausentando-me do santuário de minha suposta fé, interiormente desapontado, encontrava o circulo doméstico, e, por vezes, ensaiava, na calada da noite, surpreender a companheira com meus apelos ; entretanto, nos primeiros tentames senti tamanha repulsão da parte dela, a exprimir-se na gritaria mental com que me induzia a procurar os infernos, que eu, realmente, desisti da experiência.

Minhas filhas, visitadas por minha presença, não assinalavam, de modo algum, qualquer pensamento meu, porquanto se encontravam profunda-mente engolfadas na idéia da herança.

Não havia outra recordação para o carinho paterno que não fosse à herança... a herança... a herança... Passei a viver, assim, dentro de casa, a maneira de um cão batido por todos, porque, francamente, não dispunha de outro clima que me atraísse.

Apenas o calor de meu lar sossegava-me as ânsias.

Alguns meses decorreram sobre a difícil posição em que me encontrava.

Alimentava-me e dormia nas horas certas, copiando os meus antigos hábitos.

Certa noite, porém, tive tanta sede de espiritualidade, tanto anseio de confraternização que, vagueando na rua, procurei o Alto da Tijuca para meditar, chorar e penitenciar-me...

Minha lágrimas, contudo, eram dessa vez tão sinceras que alguém se compadeceu de mim.

Surgiu-me à frente um irmão dos infortunados e, com muita bondade, reconduziu-me ao velho templo espírita a que antigamente me afeiçoara.

Era noite avançada, mas o edifício estava repleto.

Um mensageiro do Plano Superior dirigia grande assembléia.

E o enfermeiro que, paciente, me encaminhara, esclareceu-me que ali se verificava o encontro de um benfeitor do Alto com os desencarnados que se caracterizavam por mais ampla sede de luz.

Esse Instrutor penetrava-nos a consciência, anotando o mérito ou o demérito de que éramos portadores para demandar a suspirada renovação de clima.

Muitos irmãos eram ouvidos pessoalmente.

Após duas horas de expectativa, chegou minha vez.

Pelo olhar daquele Espírito extremamente lúcido, deduzi que nenhum pensamento meu lhe seria ocultado.

Aqueles olhos varriam os mais fundos escaninhos do meu ser.

Anotei meu problema.

Desejava mudança.

Ansiava melhorar minha triste situação.

Perguntou-me o Instrutor qual havia sido o meu modo de vida.

Creio que ele não tinha necessidade de indagar coisa alguma, no entanto, a casa acolhia numerosos necessitados e, a meu ver, a lição administrada a qualquer de nós deveria servir a outrem.

Aleguei, preocupado, que havia protegido corretamente a família terrestre e que havia preservado a minha saúde com segurança. Ele sorriu e respondeu que semelhantes misteres eram comuns aos próprios animais.

Pediu que, de minha parte, confessasse algum ato que pudesse enobrecer as minhas palavras, algo que lhe fosse apresentado como justificativa de auxilio às minhas pretensões de trabalho, melhoria e ascensão.

Minha memória vasculhou os anos vividos, inutilmente...

Não encontrei um ato sequer, capaz de alicerçar-me a esperança.

Não que o serviço de corretor de imóveis seja indigno, mas é que eu capitalizava o dinheiro haurido em minhas lides profissionais, qual terra seca coletando a água da chuva: chupava... chupava... chupava... sem restituir gota alguma. Depois de agoniados instantes, lembrei-me de que em certa ocasião encontrara três amigos de nosso templo, na Praça da Bandeira, a insistirem comigo para que lhes acompanhasse a jornada caridosa até um lar humilde, na Favela do esqueleto.

Fiz tudo para desvencilhar-me do convite que me pareceu aborrecido e imprudente.

Mas o grupo, que se constituía de uma senhora e dois companheiros, desenvolveu sobre mim tamanho constrangimento afetivo, que não tive outro recurso senão atender à carinhosa exigência.

Dai a alguns minutos, varávamos estreita choupana de lata velha, onde fomos defrontados por um quadro desolador. Pobre mulher tuberculosa agonizava.

Nosso conjunto, entretanto, logo à chegada, fragmentou-se, pois a companheira foi convocada pelo esposo ao retorno imediato e o outro amigo deu-se pressa em voltar, pretextando serviço urgente.

Não pude, todavia, imitar-lhes a decisão.

Os olhos da enferma eram de tal modo suplicantes que uma força irresistível me fez dobrar os joelhos para socorrê-la no leito, mal amanhado no chão.
Perguntei-lhe o nome.

Gaguejou... gaguejou... e informou chamar-se Maria Amélia da Conceição.

Seus familiares, uma velha e dois meninos que se assemelhavam a cadáveres ambulantes, não lhe podiam prestar auxílio.

Inclinei-me e coloquei-lhe a cabeça suarenta nos braços, tentando suavizar-lhe a dispnéia ; no entanto, depois de alguns minutos, a infeliz, numa golfada de sangue, entregou-se à morte.

Senti-me sumamente contrafeito.

Mas para ver-me livre de quadro tão deprimente, pela primeira vez arranquei da bolsa uma importância mais farta, transferindo-a para as mãos da velhinha, com vistas aos funerais.

Afastei-me, irritadiço.

E, antes da volta a casa, procurei um hotel para um banho de longo curso, com desinfetante adequado.

E, no outro dia, consultei um médico sobre o assunto, com receio de contágio...

O painel que o tempo distanciara assomou-me à lembrança, mas tentei sufocá-la na minha imaginação, pois aquele era um ato que eu havia levado a efeito constrangidamente, sem mérito algum, de vez que o socorro a Maria Amélia da Conceição fora simplesmente para mim um aborrecimento indefinível...

Contudo, enquanto a minha mente embatucada não conseguia resposta, desejando asfixiar a indesejável reminiscência, alguém avançou da assembléia e abraçou-me.

Esse alguém era a mesma mulher da triste vila do Esqueleto.

Maria Amélia da Conceição vinha em meu socorro.

Pediu ao benfeitor que nos dirigia recompensasse o meu gesto, notificando que eu lhe havia ofertado pensamentos de amor na extrema hora do corpo e que lhe havia doado, sobretudo, um enterro digno com o preço de minha dedicação fraternal, como se a fraternidade, algum dia, houvesse andado em minhas cogitações...

As lágrimas irromperam-me dos olhos e, desde aquela hora, para felicidade minha, retornei ao trabalho, sendo investido na tarefa de amparar os agonizantes, tarefa essa em cujo prosseguimento venho encontrando abençoadas afeições, reerguendo-me para luminoso porvir.

Bastou um simples ato de amor, embora constrangidamente praticado, para que minha embaraçosa inquietação encontrasse alívio.

É por isso que, trazido à vossa reunião de ensinamento e serviço, sou advertido a contar-vos minha experiência dolorosa e simples, para reafirmar-vos o imperativo de sermos espíritas pelo coração e pela alma, pela vida e pelo entendimento, pela teoria e pela prática, porque em verdade, como espíritas, à luz do Espiritismo Cristão, podemos e devemos fazer muito na construção sublime do bem.

Por esse motivo, concluo reafirmando:

Espiritismo...

Sou espírita...

Fora da caridade não há salvação...

Maravilhosas palavras!...

Que Jesus nos abençoe.


Pelo Espírito A.C
Do livro: Vozes do Grande Além
Médium: Francisco Cândido Xavier

17 novembro 2019

Continuidade Natural - Orson Peter Carrara



CONTINUIDADE NATURAL


Novamente trago ao leitor a indicação de um bom filme. É o filme O orfanato. Misturando drama e suspense, mas com uma mensagem embutida muito emocionante.

A sinopse do filme indica: “Laura (Belén Rueda) passou os anos mais felizes de sua vida em um orfanato, onde recebeu os cuidados de uma equipe e de outros companheiros órfãos, a quem considerava como se fossem seus irmãos e irmãs verdadeiros. Agora, 30 anos depois, ela retornou ao local com seu marido Carlos (Fernando Cayo) e seu filho Simón (Roger Príncep), de 7 anos. Ela deseja restaurar e reabrir o orfanato, que está abandonado há vários anos. O local logo desperta a imaginação de Simón, que passa a criar contos fantásticos. Entretanto à medida que os contos ficam mais estranhos Laura começa a desconfiar que há algo à espreita na casa.”

Com uma hora e quarenta minutos, a produção exalta a imortalidade da alma e a permanência do amor entre os seres. Apesar dos exageros próprios, é interessante pensar na mensagem final do filme, que em alguns pontos assemelha-se a outra produção no mesmo gênero: Os Outros.

E o bom mesmo é pensar no filme aplicando o raciocínio da imortalidade, dos relacionamentos, da determinação e da fé. É mesmo uma busca intensa o que faz a mãe em relação ao filho. Mas isso vou deixar ao leitor descobrir.

O filme está inclusive disponível na Internet. Não deixe de ver.

O leitor vai se deparar com o sempre empolgante tema da vida depois da morte. A produção desperta a reflexão sobre as sempre presentes questões: para onde vamos, quem vai nos receber, onde estaremos, com quem? Como a boa lógica e o raciocínio indicam a continuidade natural da vida após o decesso do corpo, é bom ver um filme assim, pois faz pensar. Estimula, inclusive, a busca por leitura específica.

A cena mais emocionante do filme está, como de se esperar, no final, demonstrando a naturalidade do que realmente somos: criaturas imortais, o que permite que os afetos, os amores, nunca se percam, nem sejam destruídos os laços que ligam as criaturas humanas. E a naturalidade disso é demonstrada com muita competência. Claro que, na produção de um filme, como citei acima, os exageros estão inclusos, mas o que fica mesmo em destaque são os sentimentos que despertam.

Veja o filme, leitor. Vai lhe fazer bem.

Orson Peter Carrara

16 novembro 2019

Aparições de Pessoas vivas Distantes - Márcio Martins da Silva Costa




APARIÇÕES DE PESSOAS VIVAS DISTANTES


Em julho de 1856, uma senhora da cidade francesa de Boulogne-sur-Mer escreve uma carta, no mínimo curiosa, à Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.


Ela estava na sala de jantar com o seu filho, um notável médium capaz de manter comunicações com os Espíritos, lendo um livro sobre magnetismo. Em certo momento, ele pega o livro da mãe e começa a folhear algumas páginas. Sob a orientação de seu mentor espiritual, o rapaz volta a sua atenção para história de um médico que houvera visitado, em Espírito, um amigo distante enquanto dormia o seu corpo físico.


Aquela aventura lhe faz lembrar seus amigos em Londres e o jovem comenta o quanto gostaria de passar por experiência semelhante. Na carta, sua mãe conta que, ouvindo aquele pedido, o seu guia espiritual lhe informa que no dia seguinte seria domingo e ele poderia levantar mais tarde. E complementa com a informação de que na sexta-feira seguinte receberia uma carta de seus amigos.


No dia seguinte, às oito da manhã, o jovem entra em sono profundo. Meia hora depois se levanta sem lembrar-se de nada do que ocorrera.

Passa-se então uma semana e exatamente na sexta-feira seguinte, conforme descrito pelo seu guia espiritual, chega uma carta de seus amigos da Inglaterra. Com uma perfeição de detalhes, não explorados pela narradora para não alongar a transcrição, os amigos censuram o jovem por ter ficado tão pouco tempo com eles.

Segundo os relatos da mãe, não havia dúvidas de que o filho fora até a cidade britânica e lá tenha ficado trinta minutos com os amigos. A carta deles era a prova dos fatos ocorridos.


* * *


Este caso foi publicado por Allan Kardec na Revista Espírita de dezembro de 1858, sob o título “Aparições” (1). Nesta publicação citam-se ainda outros eventos de possíveis aparições dos Espíritos dos vivos em locais distantes de onde se encontravam os seus corpos físicos.


Um deles era o de uma senhora que constantemente via a circulação de pessoas entrando e saindo de sua casa à noite. Independente da iluminação e mesmo com todas as portas fechadas, a movimentação ocorria e a deixava espantada. Certa feita percebeu nitidamente que se tratava do seu irmão que morava na Califórnia e que não havia morrido.

Estes fatos são possíveis e conhecidos pelo nome bicorporeidade (2).


Enquanto estamos em vida, nosso Espírito liga-se ao corpo por meio de uma substância semimaterial que o envolve e que a Doutrina Espírita o designa como sendo o períspirito. Quando dormirmos, afrouxam-se os laços que nos ligam ao corpo físico (3). Conforme as nossas intenções e possibilidades, podemos ficar, em Espírito, próximos ao corpo físico que repousa ou irmos ao longe, mantendo-se conectados àquele.


Em estado normal, o períspirito mantem-se invisível para nós. Contudo, pode sofrer modificações que o tornam perceptíveis e até tangíveis. Logo, não é impossível ocorrer de estarmos com alguém à nossa vista que, em verdade, esteja fisicamente bem distante. Tudo dependerá da disposição molecular do períspirito que atenderá a vontade do Espírito de se tornar visível ou não, seguindo-se leis naturais que ainda desconhecemos.

Márcio Martins da Silva Costa
Fonte: Kardec Rio Preto

Referências:

(1) KARDEC, A. Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos, 1858.
(2) KARDEC, A. O Livro dos Médiuns. 81a ed. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 2013a.
(3) KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 93a ed. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 2013b.

15 novembro 2019

A vida tem sublime significado! - Francisco Rebouças




A VIDA TEM SUGLIME SIGNIFICADO!


“Porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á.” Jesus – Mateus 16:25

Na caminhada evolutiva da humanidade, cada indivíduo entende a vida de um modo todo particular.

Um se dedica ao desenvolvimento do intelecto pela aquisição de cultura, outro visa o destaque pessoal na sociedade a que pertença, aquele outro objetiva a conquista da fortuna, ainda outro almeja alcançar a glória de deter o poder de mandar, mas, são poucos ainda, os que sonham com a construção de uma família ditosa e feliz.

Para conquista de seus objetivos, cada qual dedica seus melhores recursos e esforços para a obtenção do êxito em suas metas, previamente, estabelecidas. Esses planos elaborados, individualmente, trazem o cunho da personalidade de seu executor, que termina por estimular a luta desigual, a competição desleal, levando muitos ao desespero e à insensatez.

Quando o indivíduo alcança o que planejou, sente-se realizado e satisfeito, no entanto, caso o resultado não seja o esperado, sente-se frustrado, insatisfeito, decepcionado, caindo em desânimo, ou até mesmo em depressão.

Poucos de nós entendemos a vida em seu verdadeiro significado, de auto-aprimoramento do Ser imortal que precisa valorizar os recursos que as virtudes ínsitas em nosso mundo íntimo nos propiciam na estrada do progresso evolutivo, em que todos estamos inseridos.

As virtudes representam, para cada um de nós, os tesouros adormecidos em nosso interior, aguardando há milênios nossa disposição de desenvolvê-los e multiplicá-los em nosso próprio benefício como recursos indispensáveis para a conquista definitiva da paz e da pureza espiritual a que estamos destinados.

Este é ainda um trabalhoso desafio que a vida nos propõe como condição preponderante para construção de um porvir diferente para melhor, que não será possível realizar sem empenho e disciplina.

Urge entendermos que as aquisições que valorizam o ego, os bens materiais, os títulos de qualquer ordem, quase sempre resultam em ociosidade, provocando o surgimento do tédio, do desânimo, descambando depois para insegurança, instabilidade, insatisfação depressão e, muitas vezes, terminando pelo suicídio.

O verdadeiro sentido da vida é a vivência do amor, sedimentado nas Leis de Divinas, de doação, renúncia, na prática da caridade que dignifica e implanta a esperança, capaz de proporcionar-nos equilíbrio, paz, e prazer em viver.

Para que alcancemos o sentido real da vida, urge entendermos que é necessário esforço ininterrupto por se despojar das paixões atreladas às desordens de toda ordem, substituindo-as por elevadas construções de harmonia e paz que só alcançamos, vivenciando, efetivamente, as sublimes Leis Divinas.

“Haja o que houver, distribua confiança e bom ânimo, porque a alegria é talvez a única dádiva que você é capaz de ofertar sem possuir.
Evite amargura e desespero, porque todos estamos seguindo ao encontro do júbilo imperecível.
Se você não acredita que Deus é plenitude de paz e amor, alegria e luz, pense que a Terra poderá envolver-se nas sombras da noite, mas haverá sempre no Céu a fatalidade do alvorecer.” (1)


Francisco Rebouças

Referências Bibliográficas:

(1) XAVIER, FRANCISCO CÂNDIDO. Espírito André Luiz. Livro Busca e Acharás. Capítulo Cartões de paz.

Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno e Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Estudo da Doutrina com Obras Básicas
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Cirurgia e Tratamento Médico Espiritual
a partir das 18:00

SEXTA-FEIRA Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs


LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


14 novembro 2019

Prefira Viver - Vania Mugnato de Vasconcelos



PREFIRA VIVER


“A calma e a resignação adquiridas na maneira de considerar a vida terrestre e a confiança no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio”. Allan Kardec


Não devemos minimizar as razões que levam uma pessoa a buscar a morte antes do tempo. Só a própria pessoa é capaz de avaliar o peso que carrega, a dor que sente, o vazio que experimenta, a desesperança que a atemoriza. Não se trata de julgar se a procura pela morte é coragem ou covardia, pois, de fato, a decisão de morrer nasce de motivações internas que somente quem as vive pode avaliar.


Isso, contudo, não torna a morte antecipada um ato mais nobre ou correto. A dor pode explicar, mas não justifica o abandono de si mesmo nem soluciona o problema que levou a tal escolha, ao contrário, agrava a situação. A questão é que na vontade de morrer existe o engano terrível de que através do fim da vida carnal, a pessoa escapará do que a tortura, pondo fim às angústias que sente.


O erro, pior do que se pode imaginar, é percebido, imediatamente, após a consumação do ato: a destruição do envoltório material não cessa a vida espiritual, e a pessoa não deixa de sentir o que sentia antes da aniquilação do corpo que a aprisionava.


Havendo fim apenas para a vestimenta provisória a que chamamos corpo, a vida espiritual, moral e intelectual, continua vigorosa; não há fuga si mesmo ou das experiências necessárias ao próprio desenvolvimento, de tal modo que se somam às dores do passado recente e do futuro antecipado.


Quem entende essa realidade, racionalmente, explicada pelo Espiritismo, sabe que a existência se prolonga, indefinidamente, no além-túmulo, que tudo que se é e sente, vem de dentro de si e, não existindo fim, sentirá o mesmo, posteriormente. Para evitar o pior, devemos praticar a paciência e a resignação, no exercício da coragem moral que nos permite vencer um dia de cada vez.


O mundo é complexo e nem sempre se veem motivos para continuar. Mas é imperioso compreender que cada ação tem consequência; é urgente que se faça uma conscientização geral sobre as graves implicações espirituais do suicídio, das dores dos familiares, do impacto da violência à própria natureza, conhecimento que ajuda a diminuir a incidência desse crime.

Morrer não apaga a dor.
Busque ajuda, converse a respeito.
Prefira viver.


Vania Mugnato de Vasconcelos

13 novembro 2019

Sessões Mediúnicas Sérias - Manoel Philomeno de Miranda,




SESSÕES MEDIÚNICAS SÉRIAS


O êxito em qualquer empreendimento é sempre resultado da qualidade daqueles que constituem o grupo de ação, a partir do empenho com que é realizado o labor à qualidade do esforço desprendido para executá-lo.

Sempre programadas pelos Espíritos que se especializam no mister, as sessões mediúnicas sérias dependem igualmente dos membros que a formam, exigindo-se-lhes ordem e disciplina.

As qualidades morais dos seus membros correspondem aos biótipos que se podem e se devem comunicar, em decorrência da lei de afinidades vibratórias.

Diferindo de todas as demais reuniões, os propósitos que são mantidos devem ser de qualidade superior, isto é, de interesse de aprendizagem das lições que ministram os desencarnados em geral. Concomitantemente, o desejo sincero de auxiliar aqueles que se apresentam em aturdimento ou perturbação, em terapias curativas das suas mazelas de variada natureza, sempre caracterizadas pelas sucessivas ondas de amor emitidas.

Quando se apresentem Espíritos assinalados pelo ódio ou em atividades de vingança, nos diversos fenômenos obsessivos, o diálogo, às vezes acalorado, não deve derrapar em acusações recíprocas ou em veementes discursos que objetivem vencer o outro, impor-lhe mudanças de comportamento.

A cuidadosa observação de conteúdo da mensagem de que se faça portador o visitante desencarnado, sem pressa, facultará ao dialogador o material iluminativo e esclarecedor que poderá aliviar a carga de animosidade e agressão.

É dever ter-se em mente que a direção do encontro pertence aos mentores que inspiram os trabalhadores materiais à aquisição dos recursos hábeis para o bom desempenho evangélico.

Em face dessa necessidade, é imperiosa a conexão mental entre ambos, devendo ser maleável e dócil aquele que esclarece, facilitando o auxílio que vem do Alto.

São inúteis expressões revestidas de termos técnicos e pomposos, recordando-se sempre da condição dos comunicantes não familiarizados com a terminologia espírita nem com o discurso exuberante.

Desse modo, cabe ao terapeuta encarnado o especial cuidado de evitar qualquer tipo de discussão, como ocorre nos debates humanos convencionais.

A paciência e a emissão vibratória de simpatia constituem elementos básicos para auxiliar o comunicante desencarnado, que, não encontrando reações equivalentes à sua angústia ou ao desequilíbrio em que se encontra, acalma-se, passa a reflexionar, predispõe-se a receber o tratamento de longo curso, na esfera em que se encontra.

Cuidados especiais devem dizer respeito a todos os membros da reunião, cuja preparação para o intercâmbio inicia-se com antecipação, às vezes, de 48 horas.

No dia reservado ao serviço abençoado, a preparação dos médiuns e de todos deve ser considerada como fundamental, evitando-se ocorrências perturbadoras, especialmente algumas programadas pelos Espíritos inferiores, que se comprazem em criar problemas e dificuldades em relação a tudo quanto é nobre e libertador.

A alimentação deve ser frugal, com algumas horas de antecedência, para evitar que algumas toxinas da digestão perturbem ou impeçam a assimilação do pensamento e das emoções que tipificam os comunicantes.

O hábito do silêncio anterior dos médiuns propicia o estado de mente-espelho que melhor capta as ocorrências na dimensão espiritual. Entregar-se com tranquilidade ao fenômeno, a fim de facilitar a imantação do visitante ao perispírito do instrumento mediúnico, faculta melhor transparência e fidelidade da mensagem transmitida.

Os participantes que não são médiuns ostensivos deverão auxiliar mentalmente por meio do contributo mental mediante pensamentos de simpatia e fraternidade, de compaixão e solidariedade envolventes e curativos.

Constituída por pessoas sérias na sua conduta e na dedicação ao Bem, exteriorizam dúlcidas ondas de harmonia, que envolvem os necessitados de autoencontro, de despertamento para a sua realidade espiritual.

Sendo a vida na erraticidade a original, é compreensível que aqueles que aí se encontram apresentem as mesmas ulcerações ou bênçãos comuns a todos que se encontram reencarnados na Terra.

Ademais, graças às reuniões mediúnicas os seres humanos compreendem mais facilmente o que os aguarda após o decesso tumular. Esse sublime ensinamento proporciona consciência da realidade da vida, enquanto os ajuda a trabalhar as anfractuosidades morais íntimas para que se facultem a conquista da alegria de viver.

Nessas reuniões a presença dos guias espirituais oferece segurança e as suas mensagens são verdadeiras bênçãos que vertem da Espiritualidade como resposta às inquietações da Terra.

O Espiritismo bem praticado por meio das sessões mediúnicas sérias oferece saúde e bem-estar aos seus membros, porquanto, durante o período em que são realizadas, a fluidoterapia é aplicada com carinho a todos os presentes por especialistas do Além que operam incessantemente em prol da sociedade, que ruma para a conquista da prosperidade real e plenificadora.

Participar de tarefas desse porte é uma oportunidade rara, que faculta a visão perfeita da vida a manifestar-se, quer no corpo físico ou fora dele. Em toda parte a vida estua e o ser é imortal, sempre construindo o próprio futuro.

Unindo-se pelos laços do amor, os membros que constituem as reuniões mediúnicas desse porte devem aprimorar-se sem cessar, a fim de instalarem, no coração, o Reino dos Céus a que se reportava Jesus.


Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão da noite de 18 de julho de 2018, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

Boa Nova - Amélia Rodrigues



BOA NOVA


A história da Boa Nova é a epopéia do homem atormentado buscando as fontes inexauríveis da Divina Misericórdia e recebendo a linfa refrescante da paz, que vem sorvendo lentamente através dos dois últimos milênios.

Por enquanto, condicionado às circunstâncias da própria necessidade, não tem sabido valer-se do gral asseado da abnegação e a toma em vasilhames impregnados de sujidades que impedem a absorção total e lenificadora do refrigério de que se faz instrumento.

Seguindo Jesus, o Amigo Excelente, não tem sabido o homem abandonar a estreiteza das limitações ideológicas em torno das quais circunvaga, para buscar os horizontes ilimitados da solidariedade onde se pode realizar e adquirir plenitude.

Asfixiado pela volúpia dos gozos imediatos, e suserano das paixões reluta no momento de abdicar as velhas acomodações derrotistas, plasmando o esforço nobre da sublimação dos ideais.

Confundido pelas ideologias estranhas de classes e nações, padronizando direitos e deveres conforme os preconceitos que vitaliza estoicamente, aferra-se ao mundo conquanto o conhecimento comprove a invalidade da estrutura das chamadas realidades objetivas.

Por isso amargura-se, demorando lamentavelmente vinculado aos hábitos anestesiantes nos quais se amolenta e envilece, surpreendendo-se com a morte e desesperando-se, odiando o sofrimento e fomentando-o, fugindo ao medo e espalhando-o, experimentando a própria alucinação justiçando-o.

No entanto, a Boa Nova em sua epopéia representa a história do homem atormentado que bate às portas dos céus, ansiosamente, e recebe a resposta da esperança e do amor, atendendo-o generosamente.

Por toda parte a figura do Singular Galileu era um raio de luz na noite dos apelos humanos, clareando por dentro as necessidades gerais.

Combatido a Seu tempo não é aceito hoje, ainda, pela falsa cultura que entroniza o crime e desdenha a honra, arrazoando contra o amor, por meio de despeito azedo, por identificar na vitória que os desconsiderados pelo mundo conseguem em si mesmo, como sendo Sua derrota ante o malogro das suas aspirações.

.. . E a epopeia do Cristo canta com toda a pujança.

Aí está no dia-a-dia a representação das vidas que a Sua Vida levantou. Repontam em abundância as existências que Ele soergueu e no incessante re nascer das mesmas aflições como reflorescimento das velhas árvores da angústia, parecem aguardar o Jardineiro doutrora…

Aqui estão embrulhadas na dor as aflitas mães viúvas em evocação à de Naim, rogando ajuda com as almas em frangalhos, desesperançadas; vestida? de ilusão, derrapando na ociosidade alucinada, virgens loucas desfilam em contínuo cortejo de insensatez esquecidas da responsabilidade, embriagando-se para logo tombarem sonolentas nos resvaladouros do erro, perdendo os noivos, quando chegam; os onzenários que preferem a algaravia cambial e o sonido expressivo dos valores que perseguem, em detrimento da jóia de alto preço, que merece adquiri-rida com o resultado arrecadado pela venda de todas as pequenas jóias, porque estão desatentos perdem a mais preciosa: a paz interior; interrogantes os príncipes da ciência e da filosofia, indagando e indagando sempre, sem reflexionar, fixados aos compêndios tradicionais e aos conceitos dúbios a que se aferram, são surpreendidos pela desencarnação para constatarem, arrependidos, tardiamente…

Rareiam os novos centuriões cuja fé rutila nos olhos e clareia por dentro, prosternando-se ante Ele para esperar a cura do servo e consegui-la, ou da mulher siro-fenícia cujo ardor deu-lhe intrepidez para tocar-lhe as vestes e arrancar-lhe “a virtude” da saúde; ou a obsidiada de Magdala que rompeu em definitivo a noite interior para que a Sua luz a incendiasse por dentro, haurindo n’Ele o combustível que a manteria em claridade contínua até a vitória final.

Ele, no entanto, continua esperando.

Sua voz utiliza para ensinar a singeleza de um grão de mostarda, de redes a secarem ao sol, de peixes e varas verdes, de uma figueira brava, de talentos, de pérolas, de fermento, conhecidas de todos essas expressões, arrancadas da experiência diária de cada um, como lição sempre nova, abrindo clareiras de sabedoria na floresta dos conceitos complexos e inexpressivos que não conduzem a mente atormentada a lugar nenhum.

A Boa Nova ressuma esperança, pois é a história do homem angustiado, batendo e Jesus respondendo, em forma de socorro lenificador incessante, como a dádiva de Deus para a libertação do ser.


Amélia Rodrigues
Médium: Divaldo Pereira Franco
Livro: Luz no Mundo

12 novembro 2019

Cirurgia Plástica na Visão Esírita - Richard Simonetti



CIRURGIA PLÁSTICA NA VISÃO ESPÍRITA


Perguntaram a Chico Xavier:
– Você faria uma plástica facial?
– Claro, se me fosse possível, pois assim não assustaria tanto meus semelhantes.


A resposta bem-humorada do médium nos conduz à problemática dessa especialidade médica, bastante desenvolvida na atualidade.

Técnicas modernas tornaram os procedimentos mais simples e acessíveis.

Há, porém, sob o ponto de vista espiritual, a impertinente questão:

Será lícita essa iniciativa, buscando-se a beleza física, quando o que importa é o embelezamento espiritual?


Bem, amigo leitor, costuma-se dizer que para sermos felizes devemos gostar de nós mesmos.

Obviamente, isso envolve, também, a aparência.

Razoável, portanto, que a pessoa não satisfeita com seu visual trate de melhorá-lo.


Argumentam os opositores que seria incensar a velha vaidade humana, tão prejudicial à evolução do Espírito.


Se assim considerarmos, deveremos renunciar aos cuidados com a roupa, os sapatos, os cabelos, a higiene pessoal.


Todos apreciam uma pessoa bem trajada, cabelos bem penteados, suave perfume.


Igualmente desejável boa postura, ar saudável, expressão jovial, harmonia nos traços, ausência das rugas que tanto incomodam a alma feminina.


Há profissionais que devem observar cuidadosamente esses aspectos: modelos e artistas, por exemplo, cujo trabalho exige apuro com o visual.

Condenável seria o excesso.


Vejo pessoas que se submetem a tantas recauchutagens faciais que ficam com a aparência de uma boneca de cera, pele esticada, face inexpressiva.


Ouvi, certa feita, famosa atriz já na madureza, a proclamar que jamais se submeteria à cirurgia rejuvenescedora facial, por considerar que rugas dão dignidade e respeitabilidade à velhice.


Exemplar sua postura, embora não devamos levar sua observação a extremos, suprimindo até mesmo os recursos de preservação da saúde.

Afinal, de certa forma contrariamos a Natureza quando lutamos contra a morte, buscando longevidade.


***

Há a questão do carma.

A cirurgia plástica estaria interferindo na programação cármica.

Será?

Consideremos a herança genética.


Herdamos de nossos pais suas características físicas e não me parece que toda uma ancestralidade tenha enfiado o nariz onde não devia ou não ouviu os avisos da vida, justificando o nariz adunco ou as orelhas de abano.


Mesmo quando há legítimo problema cármico relacionado com a aparência ou a funcionalidade física, isso não significa que não possamos corrigi-lo ou amenizá-lo.


Na contabilidade espiritual, quando se trata do pagamento de débitos cármicos, a medicina, com seus avanços, é a própria Misericórdia Divina a nos oferecer generosos descontos, amenizando as dores do resgate.


Consideremos, ainda, que a dor é apenas o estágio primário no processo de reajuste quando contrariamos as leis divinas e nos comprometemos no mal.

Num segundo estágio, há os prejuízos que causamos.

Um exemplo:


Num exercício de vandalismo, chuto a vitrine de uma loja, fazendo-a em pedaços. No ato, corto a perna e vou parar no hospital.


Dependendo dos recursos que venha a mobilizar, inclusive cirurgia plástica, posso demorar mais ou menos na recuperação, ficar ou não com cicatriz antiestética ou limitação de movimentos, mas o resgate de minha dívida com o comerciante será o meu compromisso maior.

Somente estarei liberado quando ressarcir os prejuízos que lhe causei.


Ainda que ele não necessite dessa reparação, sentir-me-ei em débito com minha própria consciência, obrigando-me a ações compensatórias dirigidas ao bem comum.


Podemos considerar a cirurgia plástica uma espécie de maquiagem para o homem perecível, sem nenhum efeito na economia do Espírito imortal.

Portanto, caro leitor, use-a, se o desejar, sem abusar, e lembre-se:

O bisturi melhora precariamente o visual físico.


Para melhorar o visual espiritual é preciso usar largamente outro bisturi: o empenho de renovação, extraindo mazelas e imperfeições de nossa alma, mão firme no esforço do Bem.


Richard Simonetti

11 novembro 2019

Olhe para o Alto - Momento Espírita



OLHE PARA O ALTO



Conta-se que uma senhora, cujo trabalho exigia leitura constante, começou a ter dificuldades com os seus olhos, por isso foi consultar um especialista.


Depois de um exame, o profissional lhe disse: "seus olhos estão somente cansados; você precisa descansa-los."

Ela replicou: "mas isso é impossível, por causa do tipo de trabalho que eu faço"..

Depois de alguns momentos, o médico respondeu: "tem janelas em seu local de trabalho?"

"Oh, sim," respondeu ela com entusiasmo.


"Das janelas da frente pode-se ver os picos de montanhas distantes, e das janelas dos fundos pode-se contemplar um belo e produtivo pomar.."

O médico respondeu: "é exatamente isto o que você precisa".


Quando sentir seus olhos cansados, olhe para as suas montanhas por uns dez minutos – por vinte minutos seria melhor.

"Olhar para longe vai descansar os seus olhos!"


* * *

Esse fato singelo pode nos trazer valiosos ensinamentos.


Se é verdade que no âmbito físico podemos descansar os olhos, olhando para longe, também pode ser verdadeiro para as questões espirituais.

Os olhos da alma muitas vezes estão cansados e fracos de tanto focalizar problemas e dificuldades.

Nesse momento, olhar à distância e para o alto, vai ajudar você a restaurar sua perspectiva espiritual.


Às vezes você sente a sobrecarga das dificuldades da vida. No entanto, se voltar os olhos para Deus, poderá visualizar seus problemas na devida proporção e renovar suas forças e o seu bom ânimo..

Vamos, levante os seus olhos!


Quando as imagens dos problemas começarem a ameaçar a sua disposição para a luta, eleve o olhar e busque paisagens distantes.


Quando você vislumbra os obstáculos de um ponto de vista elevado, eles parecem menos ameaçadores e facilmente conseguirá superá-los.


Mas se os observa de um ponto inferior, eles assumem proporções gigantescas e paralisam a sua vontade de vencer.

Vamos lá... desvie, por alguns minutos, seu olhar.

Olhe para a gigantesca força que habita o infinito azul, a quem chamamos Deus.


Pode ter certeza de que o socorro virá. Uma onda de tranqüilidade lhe invadirá a alma e aplacará os seus olhos cansados.

E essa onda de harmonia facilitará a solução dos problemas.

Sua alma se aquietará e as dificuldades farão silêncio.

E nesse silêncio você ouvirá as respostas que o seu olhar cansado buscou no infinito.


Pense nisso, e quando os olhos da alma estiverem cansados, eleve o olhar ao Senhor da Vida e Nele encontrará o alívio que busca.


* * *


Quando os dias frios e cinzentos do inverno cobrirem o seu olhar com as brumas escuras da tristeza, abra as cortinas do horizonte e contemple a primavera invencível, que logo recobrirá com tapetes perfumados os campos crestados pela invernia.


Quando as dores da alma ameaçarem a sua esperança, rasgue as cortinas do tempo e mire a face sorridente da eternidade a lhe dizer, como quem sabe a verdade: esse dia de sombras também passará.


Fonte: Equipe de Redação do Momento Espírita


10 novembro 2019

Poderosa Alavanca – Orson Peter Carrara



PODEROSA ALAVANCA


O dinâmico processo de viver, aprender, progredir e especialmente aprimorar-se no intelecto e na moralidade, estabeleceu valiosas experiências nos relacionamentos com terceiros e, claro, consigo mesmo, na individualidade. Afinal, o amadurecimento psicológico-emocional é fator preponderante para o equilíbrio diante dos gigantescos desafios de viver em harmonia. Especialmente se pensarmos na velha questão do auto encontro, pois que muitos de nós nos esmeramos em diversas atividades para além da própria intimidade, auxiliando muita gente, distribuindo conhecimento, e nos esquecemos de auxiliar a nós mesmos.

A maior tarefa é da auto educação, do auto aprimoramento. Somos pródigos no aconselhamento para terceiros e nos debatemos em aflições quando as adversidades nos atingem diretamente, esquecendo-nos de que o que falamos deveríamos usar primeiro em favor próprio, equilibrando as próprias emoções.

Dentre os fatores do dinamismo da vida está a transformação trazida pelo fenômeno biológico da morte. É um fenômeno natural, integrante desse processo todo, uma vez que somos mortais apenas no corpo, pois que imortais como seres inteligentes.

As conquistas e dificuldades continuam, pois ela, a morte, não anula, nem simplifica as dificuldades, uma vez que levamos o equilíbrio ou a desarmonia interior, conosco. Uma vida moral e emocionalmente equilibrada desde já resultará num futuro também equilibrado, como espírito livre da matéria. Uma mente, por sua vez, emocional e moralmente desequilibrada, levará para a vida espiritual um indivíduo desequilibrado, requerendo as mesmas providências que nos são exigidas continuamente durante a vida corpórea.

Tais reflexões são resultantes da leitura do capítulo 15 – Os inimigos desencarnados, constante do livro Tramas do Destino, edição FEB, na psicografia de Divaldo Franco e de autoria do Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Afirma o autor no citado capítulo:

“(…) Não sendo a morte outra coisa senão um instrumento da vida estuante em toda parte, a desencarnação não anula, nem simplifica as dificuldades. Cada um se desenovela dos liames físicos consoante a força vitalizadora de que se utilizava na sua sustentação. Transferem-se de uma para a outra posição da realidade espiritual os sentimentos cultivados, as aspirações irrealizadas, as fixações, os resíduos morais. (…) Cada um desencarna conforme se encontra reencarnado. Os conflitos não equacionados, como os ódios e os amores, prosseguem com maior volúpia. (…)”.

Por isso é importante o esforço desde já no equacionamento dos conflitos que ainda trazemos, nos distúrbios emocionais e psicológicos, arejando a mente com os recursos valiosos da alegria de viver, da confiança em Deus, da resignação ativa e do trabalho no bem.

E isso pode começar com uma virtude sempre esquecida: a gratidão. Sim, a gratidão, que é valioso ponto de apoio ou alavanca incomparável para início dessa trajetória de progresso. Aprendermos a agradecer. Há muitas razões para isso, basta parar para pensar um pouco…

Por isso, a valiosa informação no mesmo capítulo: “(…) O conhecimento da vida espiritual representa valiosa aquisição para a responsabilidade e a ascensão do indivíduo (…)”.

A ascensão e a responsabilidade individuais são conquistas da alma, determinadas pela Sabedoria Divina, por meio da Lei do Progresso. Viver é, pois, prosseguir aprendendo. Muitos, diante dos desafios, desejam fugir da vida e dos desafios. Alguns se entregam ao equívoco do suicídio ou à perda do encantamento pelas maravilhas da vida e suas riquezas. Não adianta. A lei da vida é dinâmica e nos determina o progresso contínuo. Por isso, acionemos a poderosa alavanca da vontade, levantemo-nos de nossas fraquezas e sigamos adiante. A morte não muda o que somos, e como diz o autor espiritual na obra em referência, não anula nem simplifica as dificuldades. Essas deverão ser superadas com o contínuo aprendizado decorrente dos enfrentamentos inevitáveis da evolução.



Orson Peter Carrara
Com a clareza do pensamento espírita, nossa gratidão à fabulosa e incomparável obra da Codificação Espírita, de Allan Kardec. Uma justa homenagem ao 3 de outubro de 1804.

09 novembro 2019

Pensando um mundo de paz - Momento Espírita




PENSANDO UM MUNDO DE PAZ

Para estes dias de tanto medo, eu desejaria ser aquele que o pudesse afugentar das mentes e dos corações.


Desejaria que as mães tivessem mais tranquilidade quando deixassem seus filhos na escola, com a certeza de que ali seria um lugar onde nada além das letras, dos números, das linhas retas e curvas, da camaradagem pudesse existir.


Desejaria que enquanto as pessoas se dirigem ao mercado para a aquisição do alimento, não sofressem os sobressaltos das loucuras do trânsito, nem eventuais tentativas de assalto.


Tudo assusta. Tudo atemoriza. Eu desejaria que ao levarmos as crianças para brincar nos parques, não precisássemos estar atentos à maldade de sequestro ou de balas aleatórias, sempre mortais.


Desejaria que no mundo houvesse menos doenças, menos fome, menos ameaças de guerra. Que se falasse mais em construir do que em destruir.


Que se preservassem os monumentos do passado, como a História gravada em pedra a nos dizer do que os nossos antepassados nos deixaram como legado.


Que se preservassem os museus, porque falam dos passos de uma Humanidade que lutou, conquistou, atravessou fases difíceis, mas não esqueceu da arte, nem da ternura.


Então, poderíamos continuar a nos extasiar ante os quadros dos pintores de distantes países ou do nosso próprio.


Poderíamos ler em telas vibrantes o colorido da História e verificar que as cores da guerra não deveriam ser reprisadas, jamais.


Os documentos, as imagens nos falam de períodos insanos de sofrimento, em que irmãos mutilam ou matam seus irmãos.


E, como num altar, faríamos a promessa de lutar pela paz que começa em cada um de nós.


Começa na obediência às leis humanas e divinas. E deixaríamos as armas que matam para abraçar as ferramentas da construção do bem.


Como motoristas, respeitaríamos as leis de trânsito, zelando pela manutenção do veículo de que nos servimos, não ultrapassando a velocidade permitida, aguardando, sem pressa, a nossa vez de trafegar.


Respeitaríamos as pessoas que andam pelas ruas e os que transitamos pelas ruas, teríamos cuidado conosco mesmo, igualmente respeitando as leis, preservando a nossa e a vida do semelhante.


Seria tão bom se em vez de espalharmos tantas notícias alarmantes pelas redes sociais, todas as desavenças e pequenas querelas que nos ocorrem, propagássemos mais o Amor de Deus.


Falássemos mais da esperança do mundo que todos podemos construir juntos, pudéssemos convocar as pessoas a pensar em coisas positivas, a educar bem seus filhos, a espalhar notícias de tantos que vivem o mundo de regeneração, no serviço ao seu semelhante.

Seria tão relevante que convidássemos as pessoas a ter momentos de meditação, momentos para si mesmas, realizando uma viagem interior, para entregar-se Àquele que é nosso Criador, Deus, que a tudo preside e tudo governa.

Seria tão bom se pensássemos mais nEle, na Sua Providência, no Seu Amor.


Nossas vibrações, com certeza, colaborariam imensamente para a melhoria da psicosfera do nosso planeta, tão rico de bênçãos e tão maltratado por nós, física e psiquicamente.

Que tal começarmos hoje a concretizar nosso sonho de paz, de amor, de alegrias?

Redação do Momento Espírita

08 novembro 2019

A dor da perda - Letícia Thompson



A DOR DA PERDA


É um caminho inevitável. Temos todos, um dia ou outro, de uma forma ou de outra (e geralmente de várias formas mesmo), que viver isso. Não porque é uma fatalidade do destino, mas porque faz parte da vida.

E cada um de nós vive, mesmo se de maneira dolorosa igual, de um jeito diferente as diferentes perdas pelas quais temos que atravessar.

A pior de todas, é quando alguém que a gente ama morre. Esse é um sentimento de perda irreparável. Um amigo não vale pelo outro, um irmão não vale pelo outro e nada no mundo poderá substituir nossos pais. Tenho uma amiga sábia que diz que “nunca somos velhos o suficiente para ficarmos órfãos.” E ela tem razão. E mesmo se o tempo aplaca essa dor, sempre vai ficar dentro da gente aquele sentimento indecifrável de vazio. É a idéia do “nunca mais ver” que dói mais. E quando esta se une à idéia de não termos feito algo mais, não termos dito algo mais, ainda é pior.

Outra dor de perda é quando a pessoa que se ama se vai. Nesse caso existe uma mistura de dor de orgulho e dor de medo de se ficar sozinho, muitas vezes porque o que existia não era realmente amor, mas uma dependência emocional do outro. Dor de orgulho, porque ninguém nessa vida foi feito pra perder. Dor de ter sido deixado, dor de rejeição, que chega a doer até fisicamente. Não adianta dizer nesse momento que “quando se perde um ônibus vem dez atrás”, porque a pessoa vai te dizer que o que perdeu era justamente aquele que queria. Mas quando o tempo cura essa ferida (e o tempo cura todas as feridas!) e o coração começa a bater mais forte por outra pessoa, aí então a gente esquece. E ninguém precisa ter medo de ficar sozinho, pois só vai ficar sozinho quem não se abrir a novas possibilidades

E com isso tudo, o que é preciso mesmo é que aprendamos o sentimento de aceitação. Não passiva, de se deixar levar. Mas aquela de quando se sabe que vai se viver o inevitável, de viver isso da melhor maneira possível. Nenhum de nós está preparado pra isso, mas sabemos que é a vida.

E não deixar que a dor do orgulho possa impedir que vivamos, isso é importante. Alguém me contou recentemente que sofreu dois anos por ter perdido um amor e depois é que reconheceu que o sofrimento não era realmente de amor, mas do orgulho de ter sido deixado. Uma vez reconhecido isso, ele deu um passo à frente e encontrou aquela que hoje em dia é sua esposa, que portanto já fazia parte do grupo que conhecia e freqüentava. É preciso muita sabedoria para se tirar a venda do orgulho dos olhos.

Fazer com que os que amamos saibam disso é uma maneira de se preparar a viver diferente a perda, se esta se der. É preciso dar de si mesmo enquanto se pode. É preciso evitar o “ah, se eu soubesse” e “ah, se eu pudesse voltar” do futuro. É preciso oferecer flores enquanto se pode vê-las e senti-las.

Se você gosta de alguém, diga, demonstre. Nem todo mundo sabe adivinhar. Transforme em gestos e palavras tudo aquilo que se passa no seu coração.

Vive muito melhor dor de perda quem sabe que fez a sua parte. Ainda vai doer, mas de maneira bem diferente.

Letícia Thompson