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16 setembro 2019

Crescimento através da dor - Hugo Lapa



CRESCIMENTO ATRAVÉS DA DOR


Por que Deus somente nos ensina pela dor?

Não seria mais fácil aprender pela felicidade, pela satisfação, pela alegria, pelo amor?

A resposta a essa pergunta é bem simples.

Sim, seria muito melhor que o ser humano pudesse aprender pela felicidade, pelo amor, pela bondade, mas não é isso que as pessoas fazem.

Todos podem observar isso em abundância na vida humana.

Pare um pouco e lembre nesse instante dos momentos da vida de outras pessoas e da sua própria vida em que você estava feliz, em que tudo corria bem, em que nada te faltava, em que você estava satisfeito, alegre, com seus desejos satisfeitos, ou seja, bastante confortável na vida.

Qual é a postura de quase todas as pessoas quando estão muito bem?

A tendência é cada um ficar estagnado.

É permanecer como se está, é não sair do lugar.

Vamos refletir: se um lugar está bom, confortável e atende aos nossos desejos, queremos sair deste lugar? Não…

Desejamos permanecer nessa condição o maior tempo possível.

Quando nos encontramos em condições favoráveis, não pensamos em nossa melhora, não pensamos em ir além, não pensamos em crescer, em evoluir, em nos desenvolver, em nos libertar, em buscar alternativas, em olhar para nós mesmos e nos descobrir.

Por exemplo, aquele jovem rico que tem tudo, tem uma namorada linda, faz muitas viagens, come tudo o que gosta, vive uma vida muito confortável, tem muita energia para sair e curtir.

Esse jovem vai desejar buscar Deus, ou vai mergulhar num mundo materialista, superficial, ilusório, de conforto e satisfação dos desejos passageiros?

Mas quando esse jovem começar a envelhecer, o que vai ocorrer?

Ele vai aos poucos perdendo toda a sua energia, pode começar a ter várias doenças, se tornará mais dependente dos outros, não poderá mais sair, viajar, não será mais atraente para as mulheres, seus falsos amigos podem abandona-lo, sua família pode não procura-lo como antes, ele pode ficar carente e vazio.

Pode ainda ser rico, mas já não poderá mais usufruir o dinheiro e seus prazeres como antes.

Nesse momento, em que ele começa a perder tudo, ele poderá começar a pensar em Deus e a entender que a vida não é apenas a busca pelo prazer, festas, viagens, tecnologias, sexo, etc.

Quando nos deparamos com a inevitabilidade da morte, com a degeneração do corpo físico e com a carência, a falta e o vazio, nossa perspectiva começa a mudar e passamos a buscar algo que seja imortal, essencial.

Alguém faz esforço em observar a si mesmo, em se autoconhecer, quando tudo está bem?

Alguém pensa em buscar a Deus quando o mundo nos provê todas as necessidades materiais?

Quantas pessoas buscam a Deus na bonança? Poucos o fazem…

Mas quantas pessoas buscam a Deus durante uma forte tempestade?

Quantas pessoas pensam que precisam se melhorar quando estão de férias, fazendo sua viagem favorita, com muito dinheiro no bolso? Mas e quando perdemos tudo, não temos mais dinheiro, nossos parentes e amigos morreram ou nos deixaram?

Nesse momento lembramos que existe um Deus, que a vida não é apenas dinheiro, viagens, sexo, comida, festas, redes sociais, conforto, etc.

Nesse momento, começamos a sentir necessidade de buscar algo que o mundo não pode e nunca pôde nos oferecer.

A verdade é que o ser humano só busca Deus quando a dor lateja, quando ele perde alguém que amava, quando não tem mais dinheiro, quando não vê mais saída, ou seja, quando o mundo já não pode mais lhe oferecer aquilo que ele deseja.

Muitas pessoas só passam a se preocupar verdadeiramente com sua saúde após passarem por uma grave doença.

Depois que vem a dor da enfermidade, elas fazem uma reflexão e decidem que, daqui em diante, elas devem fazer exercícios, ter uma alimentação mais saudável, cultivar hábitos positivos, ter bons pensamentos, etc.

O ser humano só busca se melhorar com o dor.

São poucos os que seguem o caminho do amor quando estão bem e confortáveis no mundo.

Por isso os mestres costumam dizer que o ser humano precisa perder o mundo para encontrar a Deus e a si mesmo.

O mundo abafa nossa essência espiritual e precisamos recupera-la, pois a vida verdadeira só existe em nossa natureza essencial, mas profunda e divina.

É preciso que a inteligência da vida nos tire todas as vestimentas ilusórias, todas as aparências, todos os confortos passageiros, todos os desejos, todas as posses.

É preciso que tudo isso seja tirado para que uma pessoa passe a buscar a si mesmo e sua essência.

Como disse Jesus: “Toda a pessoa que bebe desta água, voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que eu dou nunca mais terá sede. A água que eu dou se tornará numa fonte de água viva dentro dele. Ela lhe dará a vida eterna”. (João 4:13-14)

Jesus quis dizer que quem vive bebendo o líquido das miragens do mundo sempre terá sede, pois as benesses mundanas são uma uma ilusão, uma aparência, um sonho, uma fantasia.

Mas quem bebe da essência da vida, que é real e eterna, nunca mais sentirá qualquer falta, qualquer carência, qualquer tristeza, qualquer vazio.

Essa é a resposta do motivo de Deus não nos ensinar pela felicidade, mas pela falta, pela perda, pela dor, pela destruição, pelo caos.

Os momentos em que tudo nos é favorável, tendemos a ficar paralisados e não buscar nosso desenvolvimento, não nos libertar deste mundo instável, de aparência, de ilusão.

Mas quando perdemos tudo que é exterior, começamos a olhar para o nosso interior e buscar a essência divina dentro de nós mesmos.


Hugo Lapa, página “Espiritualidade é amor”, no Facebook

15 setembro 2019

Por que ideias não espíritas são ensinadas nos centros espíritas? - Wellington Balbo




POR QUE IDÉIAS NÃOS ESPÍRITAS SÃO ENSINADAS NOS CENTROS ESPÍRITAS


Pode ser que ao ler o título deste texto você imagine que se trata de uma espécie de censura ou proibição a alguma ideia veiculada no centro espírita. Por isso, faço o convite para que prossiga na leitura, pois, adianto, não se trata de censura ou proibição de qualquer coisa.

Kardec ensinou que o Espiritismo é uma doutrina dinâmica, que progride conforme o avanço da Ciência e a observância de alguns pontos deixados pelo próprio Kardec, sendo a universalidade do ensino dos Espíritos um deles, o que equivale dizer o seguinte: ideias novas para serem acopladas ao conhecimento espírita carecem de receber o aval dos mais variados Espíritos e por diferentes médiuns em diversos lugares do mundo, além de fazerem sentido obedecendo a uma rigorosa lógica.

E o mundo avançou um bocado entre o século XIX e o início deste século XXI. Está tudo bem diferente da época de Kardec, portanto, questões novas surgem, sejam vindas da Ciência, da modificação dos costumes da sociedade ou mesmo da literatura mediúnica trazendo, claro, posicionamentos e opiniões de espíritas sobre temas que não foram abordados por Kardec, mas que podem e devem ser analisados.

E neste assunto, em geral, temos duas posições, sendo:

1 – A turma que diz: “Não há em Kardec”.

2 – A turma que aceita tudo sem passar pelo método de Kardec.

Vamos ao modelo 01: “Não há em Kardec”.

Sim, não há em Kardec, mas ele informou que o Espiritismo em sua época não abarcaria tudo (claro, impossível) e que caberia aos espíritas prosseguir o trabalho de descoberta no que se refere à Ciência Espírita.

Aos homens, compete o trabalho de fazer com que a obra de Kardec progrida.

Mas os homens deste modelo 01 pararam, acomodados de que tudo está pronto.

Vamos ao modelo 02: “A turma que aceita tudo sem passar pelo método de Kardec”.

Para os homens do modelo 02 foi esquecida a metodologia aplicada pelo próprio Kardec no que tange aos fenômenos espíritas. Os indivíduos do modelo 02 não aplicam nada, não testam nada, não observam resultados, não comparam e, então, aceitam tudo que vem dos Espíritos.

Na atualidade, todo tipo de ideia é celebrada como uma ideia espírita apenas porque veio de algum Espírito, o que é um equívoco, pois Kardec informa em sua obra que a opinião de um Espírito não tem o valor da verdade espírita.

E, definitivamente uma ideia proferida por um Espírito, médium, pensador, dirigente ou orador espírita é apenas uma ideia, que pode até ser boa, mas não necessariamente chamada de uma ideia espírita, não sem antes passar pelos critérios estabelecidos por Kardec.

E os critérios se fazem necessários para não confundir aqueles que iniciam seus estudos espíritas.

Até entendo a busca por novidades, considero, aliás, essa busca uma propulsora do progresso espírita, o que não entendo é a pressa em ensinar ideias ainda não assumidas como espíritas no centro espírita, até porque ainda há muito a estudar e aprender sobre as lições trazidas por Kardec.

Portanto, com equilíbrio e método, paciência e observação poderemos colaborar para que as ideias espíritas progridam e dialoguem com o tempo e as questões atuais que tantas dúvidas suscitam.

Pensemos nisto.


Wellington Balbo

14 setembro 2019

A força dos anônimos - Maria Lúcia Garbini Gonçalves



A FORÇA DOS ANÔNIMOS


Como sabemos, a passagem de Nosso Senhor Jesus Cristo na Terra foi marcada por exemplos de amor, lições profundas e os chamados milagres; tudo com simplicidade e humildade. Ele afirmava que poderíamos fazer tudo isso e muito mais.


Ao vermos o que o ser humano é capaz de transformar, constatamos que Jesus, mais uma vez, acertou.


Na transição planetária em que nos encontramos, alguns estão na condição de trabalhadores de última hora, ou seja, aqueles que despertaram para a fraternidade, sentindo que podem fazer alguma coisa pelo próximo; que é impossível vê-lo sofrer e ficar de braços cruzados. É o despertar do espírito, que se encontrava adormecido no egoísmo, mas que passa a ter olhos de ver e coração de sentir a dor do outro e que, impelido por uma voz interior, passa a agir no bem. E fazem isso anônima e espontaneamente. Bem como Nosso Senhor Jesus Cristo aconselhou, “Que a sua mão esquerda, não saiba o que a outra faz”.

Quem são eles?


Professores sofridos, com salários atrasados, que promovem quermesses, festas juninas, revelando seus talentos especiais, fabricando artesanatos, atuando nas peças de teatros, cantando, pintando, tudo para arrecadarem fundos para levarem os alunos a algum passeio cultural, ou até para homenagear a funcionária da escola, ou para qualquer outro propósito elevado.


Nos hospitais, voluntários transformam momentos tristes de doença e de dor dos pacientes em alegria, com músicas, piadas dos que se vestem de palhaços, contação de histórias, atividades de pintura e artes. Os médicos e enfermeiras que passam longas horas salvando vidas e doando um sorriso ou palavra de incentivo aos enfermos.


Nas enchentes e tragédias, os que doam alimentos, roupas e o que podem para ajudar. Os bombeiros que trabalham com amor, salvando vidas, trabalhando muitas horas a mais que as pagas.


Um grande número de trabalhadores de casas espíritas, ou de outras denominações religiosas que visitam doentes, doam alimentos, dão apoio psicológico e espiritual aos que sofrem. Sabe-se notícia de muitas curas anônimas em muitos lugares.


Líderes fundam associações de caridade que têm beneficiado um grande número de pessoas. Muitas delas são famosas e outras nunca ouvimos falar, mas existem.


Nas comunidades de vulnerabilidade social, músicos que ensinam jovens e crianças a tocar instrumentos musicais, treinadores que incentivam a prática de esporte, até dança e yoga.

O profissional que é ético e solidário, em qualquer profissão.


A pessoa que pensa antes de falar algo que magoe o outro, que silencia para não gerar uma briga, que faz uma oração sincera por alguém encarnado ou desencarnado, que se importa com o amigo em depressão, que arrecada fundos para financiar remédios ou tratamento médico a alguém, que dá exemplos de cidadania e consciência ecológica, que enxerga o outro como alguém igual, que tenta ser útil de alguma maneira.

A família que se une na dor e na alegria.


Essas ações são silenciosas, mas crescentes e não fazem alarde, porque o amor é assim, cresce quanto mais é alimentado. São as forças do mundo novo que se fortalecem com a soma de muitas mentes que se esforçam pelo bem e suas luzes brilham através do trabalho útil, desinteressado.


Estamos vendo muito alarde das forças contrárias ao bem, mas elas passarão, pois nosso Planeta Terra está em transição, atendendo a Lei do Progresso.


Todo esse movimento de forças é assistido por grandes espíritos encarnados e desencarnados, formando uma orquestra harmoniosa rumo à luz.


A nova geração, devendo firmar a era do progresso moral, distingue-se por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, de par com um sentimento inato do bem e crenças espiritualistas – o que é sinal evidente de anterior progresso. Não será composta exclusivamente de Espíritos que tenham grande superioridade, mas daqueles que, tendo já progredido, são predispostos a assimilar toda ideia progressista e estão aptos para secundar o movimento regenerador. (1)


Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno e Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Estudo da Doutrina com Obras Básicas
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Cirurgia e Tratamento Médico Espiritual
a partir das 18:00

SEXTA-FEIRA Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs


LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


13 setembro 2019

A Vida Depois da Morte - Fernando Rossit



A VIDA DEPOIS DA MORTE
(Orientações aos familiares e amigos que ficam)


Como devemos nos comportar após a morte de um ente querido?

É natural e inevitável que sintamos saudade do convívio, da companhia, da presença da pessoa em nossa vida.

Lágrimas de saudade não prejudicam quem parte.


O que prejudica, dificulta o desligamento, perturba o espírito que parte é a revolta, a blasfêmia contra Deus, a não aceitação, a inconformação.

Todos esses sentimentos dos encarnados repercutem no espírito desencarnado em forma de angústia, desespero e aflição.

A saudade, como bem disse Chico Xavier, existe dos dois lados da vida.

Mas quem parte poderá sofrer mais que nós, senão vejamos.


Nós continuamos aqui com nossa rotina diária, nossa família, trabalho, amigos etc. Quem parte leva na bagagem somente a sua essência, suas vivências e seus sentimentos e, via de regra, é levado para outros locais como, por exemplo, colônias espirituais diversas, áreas de refazimento espirituais, hospitais etc.

Como se vê, nós continuamos no nosso ambiente (Terra) com tudo que faz parte da nossa vida, mas os desencarnados, não. Eles irão ingressar num novo mundo onde terão que se adaptar ou, se preferirem, se readaptar. A dificuldade dessa adaptação será proporcional ao nível de apego que o espírito tiver em relação às pessoas e aos bens que deixou na Terra.


É certo que não ficarão sozinhos e desamparados, pois temos amigos e familiares que nos aguardarão na porta da nova vida, mas que a rotina muda, muda sim, e muito.

E o “novo” sempre traz dúvidas, inseguranças e problemas de adaptação.

Dessa forma, é egoísmo pensar somente na nossa dor, no nosso sofrimento pela perda do ente querido.


Lembremo-nos que quem partiu também poderá estar sentindo tudo isso também, necessitando, portanto, de nossa ajuda que poderá ser oferecida por meio das preces e resignação à vontade de Deus.

No velório:


“Quando comparecemos a um velório cumprimos sagrado dever de solidariedade, oferecendo conforto à família. Infelizmente, tendemos a fazê-lo pela metade, com a presença física, ignorando o que poderíamos definir por compostura espiritual, a exprimir-se no respeito pelo ambiente e no empenho de ajudar o morto.”(2)


Excetuados os familiares, o que costumamos ver são pessoas que parecem estar numa oportuna reunião social, onde velhos amigos se reencontram, com o ensejo de “por a conversa em dia”. Contam-se piadas, fala-se e futebol, política, sexo, modas…


Ninguém se dá ao trabalho sequer de reduzir o volume da voz, numa zoeira incrível, principalmente ao aproximar-se o horário do sepultamento, quando o recinto acolhe maior número de pessoas.


Ainda preso ao corpo morto, o desencarnante, em estado de inconsciência, recebe o impacto dessas vibrações desrespeitosas e desajustantes que o atingem penosamente, particularmente as de caráter pessoal. Como se vivesse terrível pesadelo ele quer despertar, luta por readquirir o domínio do corpo, quedando-se angustiado e aflito.

Qual deve ser nossa postura em um velório, então?

  • Guardar para o desencarnado todo sentimento de carinho, ternura e tolerância, sublimado pela oração.
  • Formar um clima de serenidade através de assuntos elevados.
  • Evitar comentários sobre defeitos, deslizes e sobre o que faltou realizar.
  • Evitar comentários de lástima pelos familiares.
  • Evitar piadas e conversas acerca da forma do desencarne.
  • Orar. A prece cria um ambiente de paz, tranquilidade e ajuda a todos os envolvidos.

Vimos que ajudar não é difícil, basta manter o pensamento edificante, preces sinceras e desejo verdadeiro de ajudar. Isto resulta em eflúvios, vibrações salutares e balsamizantes, que auxiliarão o desencarnado e também contribuirão com os trabalhadores espirituais, no socorro e auxílio ao espírito em passagem.

Visita ao túmulo:


A visita ao túmulo apenas expressa que lembramos do amado ausente, MAS não é o lugar, objetos, flores e velas que realmente importam. O que importa é a intenção, a lembrança sincera, o amor e a oração – e para isso não precisamos estar no cemitério.

Túmulos suntuosos não importam e não fazem diferença para quem parte.


A oração sincera sempre aquieta e acalma o espírito e esse é o melhor meio de ajudarmos quem partiu antes de nós. Facilitará o desprendimento e a entrada mais tranquila no Mundo Espiritual.

Fernando Rossit
Site: Kardec Rio Preto


(1) https://www.mensagemespirita.com.br  
(2) Do livro: Quem tem medo da morte? – Richard Simonetti

12 setembro 2019

O poder e sua força corruptora - O Consolador



O PODER E SUA FORÇA CORRUPTORA


A frase “o poder corrompe”, atribuída ao historiador inglês John Emerich Edward Dalberg, também conhecido como lorde Acton, é sempre invocada quando se desnudam fatos de corrupção e abuso de poder como esses que as CPIs têm investigado em nosso país nos últimos anos.

A tese de que o poder tem a capacidade de corromper é interessante, mas, examinada à luz da doutrina da reencarnação, apresenta facetas que provavelmente escapem ao observador comum. Poder, riqueza, projeção social compõem a lista das chamadas provas a que o ser humano se submete em suas múltiplas existências corporais. A Terra é um mundo modesto e atrasado e, como tal, classificado pelo Espiritismo na categoria geral de planeta de provas e expiações.

Provas, como o próprio vocábulo indica, são testes, em tudo semelhantes aos testes que a criança e o jovem têm de enfrentar em sua passagem pelos bancos escolares, da pré-escola à faculdade. Como ninguém ignora, só ascende ao ensino médio quem enfrentou o fundamental e neste foi aprovado.

Constituindo uma das provas mais difíceis que se apresentam à criatura humana em sua romagem terrena, o poder pode efetivamente fascinar e levar à queda todos aqueles que não dispõem da qualificação necessária para vencê-lo. Dá-se o mesmo com relação a todas as provas. A riqueza, por exemplo, é, dentre elas, uma das mais difíceis, como o próprio Cristo advertiu ao afirmar que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus.

Numa interessante mensagem que o leitor pode conferir no cap. II, segunda parte, do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, aquela que se chamou na Terra condessa Paula, desencarnada aos 36 anos de idade em 1851, declarou o seguinte:

“Em várias existências passei por provas de trabalho e miséria que voluntariamente havia escolhido para fortalecer e depurar o meu Espírito; dessas provas tive a dita de triunfar, vindo a faltar no entanto uma, porventura de todas a mais perigosa: a da fortuna e bem-estar materiais, um bem-estar sem sombras de desgosto. Nessa consistia o perigo. E antes de o tentar, eu quis sentir-me assaz forte para não sucumbir. Deus, tendo em vista as minhas boas intenções, concedeu-me a graça do seu auxílio. Muitos Espíritos há que, seduzidos por aparências, pressurosos escolhem essa provas, mas, fracos para afrontar-lhes os perigos, deixam que as seduções do mundo triunfem da sua inexperiência.”

Após a revelação contida na mensagem, a ex-condessa Paula acrescentou:


“Como eu, também vós tereis a vossa prova da riqueza, mas não vos apresseis em pedi-la muito cedo. E vós outros, ricos, tende sempre em mente que a verdadeira fortuna, a fortuna imorredoura, não existe na Terra; procurai antes saber o preço pelo qual podeis alcançar os benefícios do Todo-Poderoso.”

Do que acima expusemos, tornam-se claras duas coisas:


1a. O poder corrompe, sim, mas apenas corrompe as criaturas imaturas que se seduzem com as benesses do cargo e se esquecem de que a vida é curta e que ninguém se encontra na Terra a passeio.

2a. O conhecimento da doutrina da reencarnação e das leis divinas que regem a nossa vida faria um bem imenso aos nossos políticos e governantes, que então saberiam que a cada ação corresponde uma reação de igual intensidade e sentido contrário, ou seja, para valer-nos de conhecida frase de Jesus: “Quem matar com a espada morrerá sob a espada”.



Editorial - O Consolador

11 setembro 2019

Trabalhar é preciso - Marcelo Ferreira



TRABALHAR É PRECISO



O poeta português Fernando Pessoa certa vez disse que “navegar é preciso”. Kardec através da obra “O Livro dos Espíritos” nos explica no capítulo 3 referente às Leis Morais que em nosso trilhar evolutivo “trabalhar é preciso”. Apresenta a “Lei do Trabalho” como um caminho ao progresso na contínua busca do nosso desenvolvimento espiritual, que, apesar de parecer um percurso lógico para lapidarmos nossas habilidades e potencialidades, a história demonstra que o entendimento da necessidade da labuta foi entendida de diversas formas e em determinados momentos muito diferente a apresentada pela doutrina espírita.

A palavra trabalho vem do latim “tripalium”, composta por “tri” (três) e “palum” (madeira) traduzida como três paus, um instrumento de tortura utilizado pelo império romano. Deste conceito podemos entender que a palavra apresenta uma carga de punição, de castigo para quem necessita passar por determinado sofrimento. Deste conceito, analisamos que o trabalho é visto como um fardo a ser carregado pelos menos privilegiados e agraciados de Deus.

Neste contexto de punição divina o trabalho também é identificado como uma maldição, oriunda do pensamento que fomos punidos pelo “pecado original”, quando Adão e Eva, expulsos do paraíso, tiveram que se alimentar com o suor do próprio corpo. A reflexão que o casal estava aproveitando todos os privilégios e benefícios do jardim do Éden e pela falha de suas condutas foram destinados ao trabalho árduo na busca do alimento, na construção de moradia e no enfrentamento das intempéries de um planeta hostil, leva ao pensamento que trabalhamos porque pagamos pelo erro cometido.

A maioria das sociedades foi estruturada sob o conceito que os mais fortes, militarmente, financeiramente ou intelectualmente, direcionam as regras e criam diretrizes às quais os mais fracos ficam submetidos. Deste sentimento de servidão do mais fraco deu origem aos sistemas escravocratas que verificamos ao longo de toda a história da humanidade. Desde tempos remotos, como nos relatos da história do povo hebreu retirado do Antigo Testamento ou nas páginas de nossa história onde povos africanos foram submetidos a trabalhos forçados, verificamos na imposição do trabalho uma carga de castigo, de imposição da tarefa a ser realizada pela opressão.

Percebemos, desta forma, o desenvolvimento do pensamento ao longo dos tempos que trabalhar significa a perda da liberdade. Patrícios no império romano, a nobreza da Europa medieval e posteriormente a burguesia que se fortalece no renascimento comercial, se utilizavam de escravos e proletários que entendem o trabalho a que são submetidos na sua essência morfológica, isto é, o tripalium que caracteriza a tortura e o castigo de perder a liberdade. Desde a sua origem, a palavra traz a noção de ser um martírio baseado na posição de uma condição de inferioridade diante do próximo que sempre o oprimirá.

No entanto, ao verificamos outra definição trazida pelos precursores da Doutrina, pois Platão em suas obras “O Banquete” e “A República” apresenta a palavra póiesis como significado de “criação”, de “ação”. Neste pensamento associado à criação, o trabalhador se entende construtor, produtor, no qual ao criar se recria a cada momento que desempenha no trabalho sua potencialidade de construção de seus valores intelectuais e morais.

Neste entendimento sobre o trabalho não estão associados valores financeiros, cargos hierárquicos, tempo ou espaço, mas apenas a vontade de criar e se recriar. No poema, citado no início deste artigo, Fernando Pessoa complementa seu pensamento de que navegar é preciso com a frase “viver não é preciso, não é necessário, mas a necessidade está em criar”. Podemos entender este pensamento do ato da criação relacionada ao trabalho em sua mais sublime essência, encontrada na filosofia de vida dos grandes Espíritos.

Jesus foi o próprio exemplo vivo e prático da Lei do Trabalho, pois viveu para o serviço ao próximo. Condenou a lei mosaica que obriga não trabalhar aos sábados (Lucas 13:14 e 15), demonstrando que o Pai trabalha (cria) constantemente. Bezerra de Menezes, o Médico dos Pobres, entendia a póiesis de ser médico, dedicando sua vida aos necessitados, independente dos recursos de que dispunha, e demonstra o desapontamento com colegas de serviço que trabalhavam focados no objetivo da conquista material, mencionando que esses não são médicos, mas negociantes de medicina.

A Doutrina Espírita nos demonstra que trabalhar não é uma exclusividade de nosso plano terrestre e que em orbes superiores a espiritualidade trabalha incessantemente à harmonia do Universo. Em oposição ao pensamento da punição do pecado original, no qual se assume que os punidos foram expulsos do paraíso e tiveram que ser submetidos à necessidade do trabalho, Kardec explica que mesmo nos planos mais aperfeiçoados existe a necessidade do trabalho, nos quais este assume natureza diversa e relativa ao seu grau de desenvolvimento alcançado, e que nas esferas mais evoluídas, a ociosidade seria um suplício (LE q.678).

Neste contexto podemos entender o trabalho como caminho para lapidarmos nossas virtudes, pois não basta apenas vivermos as nossas vidas baseadas nos prazeres e na busca de nossos desejos, mas é necessário criarmos, produzirmos, isto é trabalharmos. O trabalho, portanto, não deve ser entendido somente como meio para obtermos sustento ou ampliarmos os bens materiais, mas fundamentalmente à construção de valores morais obtidos no relacionamento com o próximo. É no desenvolvimento da “Educação Moral”, que consiste a arte de formar os caracteres, criando hábitos.

Kardec, educador por profissão, explica que a “educação é o conjunto de hábitos adquiridos e somente uma educação bem entendida pode curar as chagas sociais da ´desordem´ e da ´imprevidência´”. É o trabalho analisado como processo educacional no aprendizado do amar ao próximo como a si mesmo. Semelhante ao exemplo do Rabi da Galileia que veio à carne para servir e não para ser servido, a Doutrina explica, ao contrário do que os livros de história demonstram, que o forte deve trabalhar pelo fraco, com o pensamento do dever associado ao serviço da sociedade, exercitando a lei da caridade. (LE q.685a).

Através da análise dos conceitos apresentados pelo Espiritismo com relação a importância do trabalho como processo evolutivo do Espírito, podemos assumir a necessidade de entendermos a labuta semelhante a conclusão da póiesis de Fernando Pessoa quando nos diz que “Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.”

A essência da alma, isto é do Espírito encarnado que anima um corpo, dá-se através do trabalho, neste plano, na lapidação de nós mesmos, pela extinção do egoísmo e na construção de um planeta regenerado.


Marcelo Ferreira
Expositor da FEESP

10 setembro 2019

Segredo Incomparável - Orson Peter Carrara

(Veneza)

SEGREDO INCOMPARÁVEL


Todos temos grande necessidade da prática para absorver conhecimentos e transformar a teoria em vivência real daquilo que vamos aprendendo. Aliás, não é desconhecido que a experiência continuada nos faz habilidosos na atividade a que nos dedicamos. Justamente pela dedicação, pelo empenho, esforço e conhecimento aplicado é que nos tornamos experientes e capazes de superar desafios que a atividade pode apresentar. Nas profissões e demais atividades cultivadas com constância nos faz dominar a prática. Por isso é comum encontrar farmacêuticos, pedreiros, eletricistas, mecânicos, médicos, professores e profissionais de todas as áreas que se destacam. Não é diferente com os pais, com cientistas e mesmo com o progresso em geral em todas as áreas que vão acumulando experiências e aperfeiçoando métodos, técnicas e procedimentos.

Com o aspecto moral não é diferente. A luta perseverante na conquista de virtudes, o cuidado com a vivência e transmissão educativa aos filhos, alunos e crianças, a busca constante por ser melhor vai nos amadurecendo. Há um detalhe, porém, que também existe nas demais atividades humanas, que parece tornar-se mais expressivo no campo moral: a acomodação ou a permanência na zona de conforto do comportamento.

Normalmente somos bastante teóricos, imensamente necessitados da efetiva prática de virtudes como a tolerância, o desprendimento, o perdão, a caridade, entre outras tantas.

Nesse campo da moral, todavia, há um instrumento muito eficiente que nunca pode ser esquecido para não ficarmos apenas na teoria: é a sensibilização. É uma ferramenta poderosa a nos auxiliar no processo de desenvolvimento moral.

Falar e ouvir teoria é muito fácil e cômodo. Ouvir e ver exemplos, constatar na reflexão o exemplo de grandes destaques humanos parece-nos ser um dos grandes meios de melhora de nós mesmos. É que o exemplo arrasta, como indica o ditado popular.

E exemplos marcantes na história não faltam. Há nomes em todas as épocas de homens e mulheres marcantes que mudaram a história do mundo, deixando legados preciosos de exemplos morais.

Por isso é bom buscar biografias, estudá-las e divulgá-las. Filmes ou peças teatrais baseadas em fatos reais tocam a sensibilidade, levam às lágrimas e conduzem às reflexões de profundidade.

Busque-se, por exemplo o filme ou o livro Os Miseráveis, de Victor Hugo, na transformação promovida em seu principal protagonista por causa de uma atitude de um sacerdote que soube sentir o momento de ajudar um homem em agonia. Ou ainda sentir as inúmeras virtudes de Nelson Mandela com Invictus. O que não dizer dos exemplos de Madre Tereza, Irmã Dulce ou Chico Xavier, cujas vidas exemplares igualmente se transformaram em livros e filmes.

É que os exemplos são tocantes, capazes de provocar estímulos reais de transformação interior, independente de crenças ou títulos religiosos. Citei apenas os casos acima, mas os exemplos são inumeráveis. Basta breve pesquisa biográfica de nomes destacados da história ou em personagens anônimos como mães e pais que souberam marcar para sempre o coração dos filhos. São exemplos que alteram a história humana.

Como o caso do menino com dificuldades de aprendizado no filme Como estrelas na Terra toda criança é especial, onde um professor interessa-se pelo caso do aluno, causando expressiva e transformadora influência na vida da família, da escola e de várias outras famílias, em exemplo que virou comovente filme, que está totalmente disponível no youtube.

É que a prática do bem sensibiliza, comove, transforma. Por isso mais que teoria, o amor na prática, é o grande segredo para conquistar e transformar vidas.



Por Orson Peter Carrara

09 setembro 2019

Sobre o suicídio - Hugo Lapa



SOBRE O SUICÍDIO


Não se mate, pois você não morre…

Você vai perder o corpo, mas a alma vai continuar…

Você vai destruir o envoltório material, mas a dor, a angústia, o desespero, o sofrimento, tudo isso vai te acompanhar ao outro plano.

Você vai sofrer pelo suicídio e vai ficar um tempo padecendo também no plano espiritual.

O sofrimento no plano espiritual é pior do que o sofrimento no plano material, pois tudo no pós-vida é mais forte, ficamos mais sensíveis, tudo é mais intenso.

Se você acha que está sofrendo aqui, vai se surpreender ao descobrir que também vai sofrer lá.

O suicídio, além de não resolver nossos problemas, pode agrava-los.

Pessoas que cometem o autoextermínio chegam ao plano espiritual e descobrem que todos os seus problemas tinham solução.

Percebem que tudo poderia ser resolvido… que tudo passa… e que todo sofrimento tem uma causa que está dentro de nós, e por isso mesmo, pode ser tranquilamente desvendado, dirimido e transformado.

Além disso, você terá que voltar para o fim da fila e começar tudo de novo… terá que aguardar uma nova encarnação.

Nessa nova encarnação, você terá que passar por provações semelhantes a que você está passando agora, talvez até piores, pois ficará com o trauma do suicídio e de uma vida desperdiçada.

O espírito que se suicida chega ao plano espiritual com uma imensa sensação de tempo perdido… uma sensação de ter desperdiçado uma grande oportunidade de se melhorar.

Será como o aluno que perde 4 anos de escolaridade e percebe que seus colegas estão melhores e mais adiantados do que ele.

Suicídio nada mais é do que isso: um imenso tempo perdido e mais sofrimento para nós.

Pode ser que o espírito suicida tenha que aguardar um tempo bem mais longo para voltar a outro corpo material, para ter outra oportunidade de evolução. É como a pessoa que larga a prova de um concurso público no meio por estar cansada e vai embora. Ela pode ter que esperar vários anos até sair o novo concurso.

A existência material é como uma prova que fazemos para um concurso público onde vamos ganhar um bom salário caso sejamos aprovados.

No mundo humano, quanto mais difícil é a prova, maior é a conquista de quem passa. Assim também é no mundo espiritual: quanto maiores e mais difíceis são as provações, maior também é o mérito daquele que as supera… e igualmente maior será o avanço espiritual posterior, que nos trará paz profunda e felicidade profunda.

Penamos para subir uma imensa montanha, mas um diamante muito belo e valioso nos espera no topo. Quanto mais alta é a montanha escalada, mais precioso será o diamante.

Portanto, qualquer esforço que façamos agora para superar as provações da existência é válido, por pior que seja, pois esse caminho nos conduzirá a uma imensa felicidade e paz de espírito.

A vida é uma oportunidade de ouro, uma chance de elevação que não deve jamais ser jogada fora.

Ninguém mais perde com o suicídio… só você.


Hugo Lapa

 

08 setembro 2019

Antídoto para o medo da morte - Luis Roberto Scholl Fonte

 

ANTÍDOTO PARA O MEDO DA MORTE


“Um rei muito antigo, enviou seu bufão numa excursão a outros reinos: - Vá para o estrangeiro - disse ele - e veja tudo que existe para ser visto. Leve com você esta vara de ouro e, se encontrar um tolo maior que você, dê-lhe de presente.

Após os preparativos, o fiel servidor partiu em viagem. Depois de um período de ausência, ao voltar, o bobo da corte encontrou o rei gravemente enfermo, a beira da morte.

- Eu também vou fazer uma longa jornada anunciou o rei. Uma jornada ainda mais longa que a sua.

- Todos os seus preparativos estão feitos? - perguntou-lhe entristecido o bufão.

- Não - respondeu o rei. Não fiz preparativo algum.


- Então - disse-lhe o saltimbanco - é ao senhor que devo dar a vara de ouro, pois somente um tolo maior não se prepara para a jornada que é inevitável.”

Age-se com insensatez quando não se procura compreender e preparar-se para a experiência da morte a qual, mais cedo ou mais tarde, todos passarão. Não se trata de viver preocupado com ela, mas de viver de modo que, quando ela venha, não precise se sentir perdido, angustiado, desamparado, despreparado.

O medo da morte, muitas vezes, deve-se a atitudes relacionadas à vida: para o niilista (materialista), que busca os prazeres materiais e mundanos, sem um objetivo maior para a existência, a simples percepção do nada absoluto após a morte, é motivo de temor. O medo da não existência, do vazio, é um espectro que, inconscientemente, atormenta sua vida “alegre”. Para o dogmático, que admite a unicidade das existências, para quem o destino estará definitivamente traçado na alegria ou no desespero eternos, a morte pode se tornar fonte de tormentos, pois, tem-se a consciência de que, poucos são aptos a habitarem o “paraíso dos eleitos”, porque todos possuem deficiências morais que devem ser corrigidas.

Para os adeptos da teoria reencarnacionista, a morte é encarada com mais serenidade: é uma passagem cíclica do espírito da dimensão material para a espiritual e vice-versa, até a suprema purificação do indivíduo. Na Doutrina Espírita, a compreensão da desencarnação como o fim de uma etapa e princípio de outra e, sobretudo, a continuidade da jornada individual, desmistifica a experiência da morte, tornando-a, como deve ser, um fato natural na vida orgânica.

Quanto maior preparação durante a encarnação, mais tranqüila será a “viagem”. O desapego material, o abandono do orgulho, a substituição do egoísmo e da vaidade pela caridade e benevolência, a retidão no pensar e no agir devem fazer parte da transformação moral de cada um, para que se possa dizer como João XXIII afirmou: “- As minhas malas estão prontas. Posso partir a qualquer momento”.

Podemos trabalhar para pensar do mesmo jeito.



Luis Roberto Scholl Fonte
Grupo Espírita Seara do Mestre

07 setembro 2019

Carta Estimulante - Irmão X

 
CARTA ESTIMULANTE


Diz você, meu amigo, que, depois de haver assistido a alguns trabalhos interessantes de materialização, passou a, registrar estranhas modificações no modo de ver.

Assinalou diversas entidades momentaneamente corporificadas, à frente dos olhos, e, pela surpreendente claridade que irradiavam, compreendeu a beleza da vida. Quando os clarões das luzes inexprimíveis se apagaram, retomou, quase desacoroçoado, à tarefa comum.

A lembrança das sugestivas revelações perdurava-lhe na memória; entretanto, a via pública pareceu-lhe mais fria e o ambiente doméstico, onde ninguém se lhe afeiçoa, as idéias, figurou-se-lhe um cárcere ao pensamento.

No dia seguinte, em retomando o serviço habitual, os companheiros de luta, menos esclarecidos, eram mais duros de suportar.

Deslocara-se-lhe a mente. À maneira do lenhador que examina uma central elétrica, você passou a sentir o peso do trabalho no carvão comum.

Para, que alimentar o fogo, a toras, de madeira, se há força acessível e eficiente? Tedioso cansaço assomou-lhe o coração.

E marcou, espantado, o vigoroso conflito entre sua alma e a realidade, através de incoercível desajustamento. Não seria razoável abandonar toda atividade considerada por inferior e partir em busca das claridades de cima?

Valeria a pena prosseguir enfrentando o barro da cerâmica em que você trabalha, quando a imortalidade se lhe patenteou, indiscutível e brilhante?

Todavia, é forçoso considerar que se a semente pudesse despertar ante a grandeza de uma espiga madura e não se sujeitasse mais ao serviço que lhe compete na cova lodacenta, naturalmente o mundo se privaria, de pão.

O plano espiritual, contudo, não pretende instalar a fome ou a ociosidade na Terra.

O Planeta é uma escola em que a inteligência encarnada recebe a lição de que necessita.

Entre a maloca indígena e o castelo civilizado, medeiam muitos séculos de cultura, com experiências vastíssimas e assombrosas, e, entre o palácio dos homens e o santuário dos anjos, há que andar por numerosos séculos ainda...

O Cristianismo que você abraçou, com tanta sinceridade e ternura, permanece repleto de ensinamentos nesse sentido.

Diante do Tabor, em que Espíritos bem-aventurados se materializaram, ao lado do Mestre, em transfiguração indescritível, Pedro, deslumbrado, pede para que uma choupana seja ali construída, a fim de que nunca mais regressassem ao mundo vulgar; entretanto, o grande apóstolo é arrebatado, de lá, ao torvelinho de ação rotineira, dentro do qual perdeu e venceu, várias vezes, sob o tacão de vicissitudes humanas, até alcançar a verdadeira exaltação pelo martírio e pelo sacrifício.

Envolve-se Paulo num dilúvio de bênçãos, nas vizinhanças de Damasco, mas, ao invés de acompanhar o Cristo magnânimo que o abraça, de improviso, é convocado a perambular, por muitos anos, entre desapontamento e pedradas, no seio da multidão.

Que mais? O próprio Mestre, no Jardim da prece solitária, sente-se visitado por um anjo divino que desce do firmamento, em sublime esplendor; todavia, longe de segui-lo em carro de triunfo para as Esferas Superiores, desce para o cárcere, sofre o insulto da turba ameaçadora, e marcha, humilhado, para a crucificação.

Não transforma, pois, a excelência do estímulo revelador em desalento para o trabalho natural.

Valores imperecíveis não surgem de imediato. Tempo e esforço são as chaves do crescimento da alma.

Se os Espíritos elevados reaparecem no intercâmbio dos dois círculos de vida, a que nos ajustamos, é que se inspiram no ministério da caridade e desejam acordar os homens para mais altas noções de justiça e fraternidade, a fim de que se fortaleçam e aprimorem, perante a continuidade da vida e da individualidade, além túmulo...

Se você foi chamado às tarefas do oleiro, atenda, quanto possível, ao enriquecimento íntimo, nos estudos e serviços que a nossa, Consoladora Doutrina oferece, mas não olvide os tijolos e manilhas, telhas e vasos que a sua indústria foi convidada a materializar. Institua facilidade e abundância para que os menos favorecidos de recursos e de inteligência consigam construir seus ninhos aos quais se abrigam pobres aves humanas, em peregrinação aflitiva na erraticidade.

Esforce-se para que seu nome seja louvado e abençoado pelos que compram e vendem, pelos que administram e obedecem, convencido de que, se não devemos esquecer a contemplação das estrelas, não encontraremos o caminho de acesso a elas se não acendermos alguma lamparina no chão.


Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Cartas e Crônicas
Médium: Francisco Cândido Xavier.



06 setembro 2019

Fé em meio da novela - Nilton Moreira


(Copyright: Rede Globo/Bom Sucesso)


FÉ EM MEIO À NOVELA


Até gostei do início de uma das novelas de determinado canal aberto de TV. Narrou sobre troca de exames de análise clinica de pacientes, coisa comum de acontecer, sendo que um dos diagnósticos demonstra estado grave de saúde, que não sendo tratado imediatamente pode ensejar o óbito do doente.

Também mostra que a rede pública de saúde em regra geral não está preparada para atender e dar início imediato a quem precisa de tratamento em razão de moléstia que enseja tempo regressivo, ficando as pessoas em longas filas de espera.

Mas o que chamou mais atenção é a exteriorização de fé que uma personagem demonstra quando em frente a uma “santinha” de via pública movimentada, pede providências para suas ansiedades, tendo logo a seguir recebido notícia de ocupação remunerada.

Por outro lado é gratificante ver a demonstração de fé de outro participante, que após andar por vários locais e ter sua oferta de emprego recusada, também olha para o alto e exclama pedindo ajuda, momento que o celular toca e um convite de serviço lhe é ofertado.

Também convém registrar personalidade endurecida e orgulhosa, que ao ver-se num leito de hospital, perde a prepotência e diz querer despedir-se de um de seus filhos.

Citamos esses exemplos, pois que nestes dias de muita correria esquecemos de parar e refletir sobre nossas ansiedades, e ver que somos tão frágeis, e então proferir uma prece, pedindo o auxilio da Espiritualidade Maior, muito embora nossos Protetores estejam sempre atentos esperando apenas nossa iniciativa para iniciarem ajuda.

A fé para alguns parece ritual, submissão, mas é necessária, pois se não acreditarmos que uma Força Maior existe e que olha por nós, o mundo fica muito difícil nos momentos que enfrentamos dificuldades.

Por outro lado, dificuldades sempre irão surgir, mas para tudo tem solução, basta que nos ajudemos. Jesus disse: “ajuda-te que o céu te ajudará”. Então é preciso que provoquemos essa Providência Divina.

Não tenhamos vergonha nem orgulho de pedir algo. Sabemos muito bem de pessoas que nem o nome Deus murmura. São as endurecidas de coração, enquanto que outras chegam dizendo que Deus se esqueceu delas. A estas perguntamos: será que não foste tu que te desviastes do caminho Dele?

Então são questões que devem ser refletidas e atitudes a serem tomadas, pois exteriorizar a fé só nos beneficia.

Por mais difícil que seja nossa situação, não nos desesperemos, pois alguma solução acontecerá desde que tenhamos fé.

Fé. Muita fé amigos.


Nilton C.Moreira
Coluna Semanal - Estrada Ilumindada
Fonte: Espirit Book

05 setembro 2019

Sobre os Animais - Emmanuel



SOBRE ANIMAIS


Com o desenvolvimento das idéias espiritualistas no mundo, torna-se um estudo obrigatório, e para todos os dias, o grande problema que implica o drama da evolução anímica.

Teria sido a alma criada no momento da concepção, na mulher, segundo as teorias anti-reencarnacionistas? Como será a preexistência? O espírito já é criado pela potência suprema do Universo, apto a ingressar nas fileiras humanas? E os pensadores se voltam para os vultos eminentes do passado. As autoridades católicas valem-se de Tomás de Aquino, que acreditava na criação da alma no período de tempo que precede o nascimento de um novo ser, esquecendo-se dos grandes padres da antiguidade, como Orígenes, cuja obra é um atestado eterno em favor das verdades da preexistência. Outras doutrinas religiosas buscam a opinião falível da sua ortodoxia e dos seus teólogos, relutando em aceitar as realidades luminosas da reencarnação. Pascal, escrevendo na adolescência o seu tratado sobre os cones, e inúmeros Espíritos de escol, laborando com a sua genialidade precoce nas grandes tarefas para as quais foram chamados à Terra, constituem uma prova eloqüente, aos olhos dos menos perspicazes e dos estudiosos de mentalidade tardas no raciocínio, a prol da verdade reencarnacionista.

O homem atual recorda instintivamente os seus labores e as suas observações do passado. Sua existência de hoje é a continuação de quanto efetuou nos dias do pretérito. As conquistas de agora representam a soma dos seus esforços de antanho, e a civilização é a grande oficina onde cada um deixa estereotipada a própria obra.

A Sombra dos Princípios


Contempla-se, porém, até hoje, a sombra dos princípios como noite insondável sobre abismos.

Os desencarnados de minha esfera não se acham indenes, por enquanto, do socorro das hipóteses. A única certeza obtida é a da imortalidade da vida e, como não é possível observar a essência da sabedoria, sem iniciativas individuais e sem ardorosos trabalhos, discutimos e estudamos as nobres questões que, na Terra, preocupavam o nosso pensamento.

Um desses problemas, que mais assombram pela sua singular transcendência, é o das origens. Se na Terra o progresso humano se verifica, através de dois caminhos, o da Ciência e o da Revelação espiritual, ainda não encontramos, em identidade de circunstâncias, em nossa evolução relativa, nenhuma estrada estritamente científica para determinar o Alfa do Universo, senão a das hipóteses plausíveis. Contudo, saturada da mais profunda compreensão moral, copiosa é a nossa fonte de revelações, a qual constitui para nós um elemento granítico, servindo de base à sabedoria de amanhã.

Os Animais - Nossos Parentes Próximos


Se bem haja no próprio círculo dos estudiosos dos espaços o grupo dos opositores das grandes idéias sobre o evolucionismo do princípio espiritual através das espécies, sou dos que o estudam, atenta e carinhosamente.

Eminentes naturalistas do mundo, como Charles Darwin, vislumbram grandiosas verdades, levando a efeito preciosos estudos, os quais, aliás, se prejudicaram pelo excessivo apego à ciência terrena, que se modifica e se transforma, com os próprios homens; e, dentro das minhas experiências, posso afirmar, sem laivos de dogmatismo, que, oriundos na flora microbiana, em séculos remotíssimos, não poderemos precisar onde se encontra o acume das espécies ou da escala dos seres, no pentagrama universal. E, como o objetivo desta palestra é o estudo dos animais, nossos irmãos inferiores, sinto-me à vontade para declarar que todos nós já nos debatemos no seu acanhado círculo evolutivo. São eles os nossos parentes próximos, apesar da teimosia de quantos persistem em o não reconhecer.

Considera-se, às vezes, como afronta ao gênero humano a aceitação dessas verdades. E pergunta-se como poderíamos admitir um princípio espiritual nas arremetidas furiosas das feras indomesticadas, ou como poderíamos crer na existência de um raio de luz divina na serpente venenosa ou na astúcia traiçoeira dos carnívoros. Semelhantes inquirições, contudo, são filhas de entendimento pouco atilado. Atualmente, precisamos modificar todos os nossos conceitos acerca de Deus, porquanto nos falece autoridade para defini-Lo ou individualizá-Lo. Deus existe. Eis a nossa luminosa afirmação, sem poder, todavia, classificá-Lo em sua essência. Os que nos interpelam por essa forma, olvidam as histórias de calúnias, de homicídios, no seio das perversidades humanas. Para que o homem se conservasse nessa posição especial de perfectibilidade única, deveria apresentar todos os caracterísitcos de uma entidade irrepreensível, dentro do orbe onde foi chamado a viver. Tal não se verifica e, diariamente, comentais os dramas dolorosos da Humanidade, os assassínios, os infanticídios nefandos, efetuados em circunstâncias nas quais, muitas vezes, as faculdades imperfeitas dos irracionais agiriam com maior benignidade e clemência, dando testemunho de melhor conhecimento das leis de amor que regem o mecanismo do mundo.

A Alma dos Animais



Os animais têm a sua linguagem, os seus afetos, a sua inteligência rudimentar, com atributos inumeráveis. São eles os irmãos mais próximos do homem, merecendo, por isso, a sua proteção e amparo.

Seria difícil ao médico legista determinar, nas manchas de sangue, qual o que pertence ao homem ou ao animal, tal a identidade dos elementos que o compõem. A organização óssea de ambos é quase a mesma, variando apenas na sua conformação e observando-se diminuta diferença nas vértebras.

O homem está para o animal, simplesmente como um superior hierárquico. Nos irracionais desenvolvem-se igualmente as faculdades intelectuais. O sentimento de curiosidade é, na maioria deles, altamente avançado e muitas espécies nos demonstram as suas elevadas qualidades, exemplificando o amor conjugal, o sentimento da paternidade, o amparo ao próximo, as faculdades de imitação, o gosto da beleza. Para verificar a existência desses fenômenos, basta que se possua um sentimento acurado de observação e de análise.

Inúmeros espíritos trouxeram à luz o fruto de suas pacientes indagações, que são para vós elementos de inegável valor. Entre muitos, citaremos Darwin, Gratiolet e vários outros estudiosos dedicados a esses notáveis problemas.

Os mais ferozes animais têm para com a prole ilimitada ternura.
v Aves existem que se deixam matar, quando não se lhes permite a defesa das suas famílias. Os cães, os cavalos, os macacos, os elefantes deixam entrever apreciáveis qualidades de inteligência. É conhecido o caso dos cavalos de um regimento que mastigavam o feno para um de seus companheiros, inutilizado e enfermo. Conta-se que uma fêmea de cinocéfalo, muito conhecida pela sua mansidão, gostava de recolher os macaquinhos, os gatos e os cães, dos quais cuidava com desvelado carinho; certo dia, um gato revoltou-se contra a sua benfeitora, arranhando-lhe o rosto, e a mãe adotiva, revelando a mais refletida inteligência, examinou-lhe as patas, cortando-lhe as unhas pontiagudas com os dentes. Constitui um fato observável a sensibilidade dos cães e dos cavalos ao elogia e às reprimendas.

Longe iríamos com as citações. O que podemos assegurar é que, sobre os mundos, laboratórios da vida no Universo, todas as forças naturais contribuem para o nascimento do ser.

Todos somos Irmãos

De milênios remotos, viemos todos nós, em pesados avatares.


Da noite dos grandes princípios, ainda insondável para nós, emergimos para o concerto da vida. A origem constitui, para o nosso relativo entendimento, um profundo mistério, cuja solução ainda não nos foi possível atingir, mas sabemos que todos os seres inferiores e superiores participam do patrimônio da luz universal.

Em que esfera estivemos um dia, esperando o desabrochamento de nossa racionalidade? Desconheceis ainda os processos, os modismos dessas transições, etapas percorridas pelas espécies, evoluindo sempre, buscando a perfeição suprema e absoluta, mas sabeis que um laço de amor nos reúne a todos, diante da Entidade Suprema do Universo.

É certo que o Espírito jamais retrograda, constituindo uma infantilidade as teorias da metempsicose dos egípcios, na antiguidade. Mas, se é impossível o regresso da alma humana ao círculo da irracionalidade, recebei como obrigação sagrada o dever de amparar os animais na escala progressiva de suas posições variadas no planeta. Estendei até eles a vossa concepção de solidariedade e o vosso coração compreenderá, mais profundamente, os grandes segredos da evolução, entendendo os maravilhosos e doces mistérios da vida.



Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: Emmanuel