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24 agosto 2019

Em geral o Espiritismo não trabalha com datas predefinidas para acontecimentos - Wellington Balbo



EM GERAL O ESPIRITISMO NÃO TRABALHA COM DATAS PREDEFINIDAS PARA ACONTECIMENTOS



Desde que o mundo é mundo o homem busca, por meio das previsões, antecipar-se aos acontecimentos. Quer saber o que poderá ocorrer-lhe adiante, desvendar o futuro, vasculhar o que ainda não aconteceu, como se a vida fosse um livro já escrito em que ao invés de escrevermos a história vamos apenas abrindo as páginas para ver as tintas que ali já estavam grafadas.

Seríamos, a partir desta ideia, não construtores do nosso destino, mas meros coadjuvantes, indivíduos passivos em face do irremediável Maktub.

Aí estaria a quebra do livre arbítrio e da possibilidade de escolha do homem, tese esta que contraria o bom senso.

Claro que não me refiro aqui às previsões escritas por filósofos, historiadores, economistas ou professores que se arvoram a desenhar possíveis cenários para o mundo baseados em dados e informações do ontem e do hoje.

Refiro-me às previsões de ordem mística, miraculosa que extrapolam as leis da natureza. E dentre essas previsões, uma das que mais chamam atenção é, sem dúvida, as que falam do fim do mundo.

Já tivemos infinitos fins de mundo. A época de Kardec também abraçou os finais de mundo. Kardec traz, aliás, um texto na Revista Espírita, abril de 1868, que fala sobre o final do mundo em duas ocasiões. Uma em 1.840, portanto, anterior ao texto publicado na Revista Espírita e outra em 1.911, portanto, data posterior ao texto. Hoje, em 2019, sabemos que o mundo não acabou em 1.911.

Mas as previsões prosseguiram. Uma das mais recentes foi o final do mundo em 2012. Recordo-me que muita gente me procurava, apavorada, com o possível final dos tempos.


Eu brincava:

Ora, somos Espíritos imortais, caso o mundo acabe Deus arrumará outro para que possamos morar. Não há razão para medo.

A propósito, acompanhei um caso curioso: um casal, atônito com a ideia de terem seus dias exterminados em 2012 sem conhecer um país que não fosse o Brasil, decidiram fazer um largo empréstimo no banco para realizar a tão sonhada viagem antes do final do mundo.

O banco aprovou o empréstimo, eles viajaram, aproveitaram e… o mundo não acabou. Resultado: ficaram 5 anos pagando as prestações do empréstimo, decepcionados e bem complicados financeiramente.

Numa das sessões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em junho de 1860, Kardec faz constar interessante observação que pode elucidar essas questões referentes a datas previstas para acontecimentos.

Convidado por um médium a corroborar com sua tese de que determinados acontecimentos têm data fixa para ocorrer, Kardec declina o convite e diz que este não é o objetivo do Espiritismo. Caso algo aconteça em data predita trata-se de uma excepcionalidade e insistir em coisas assim é, definitivamente, desvirtuar a função que o Espiritismo veio prestar à humanidade.

É interessante ao espírita, portanto, seguindo a diretriz de Kardec, abster-se de entrar nessas discussões de datas e previsões, apontando este ano, mês ou dia para que determinados fatos ocorram.

Futurologia não é o forte do Espiritismo, já disse Kardec. Ora, se este não é o forte do Espiritismo, para quê insistir?


Pensemos nisso.


Wellington Balbo

23 agosto 2019

Culpa e sentimento de rejeição - Jorge Hessen




CULPA E SENTIMENTO DE REJEIÇÃO (*)


Ante os delitos morais cometidos, há pessoas que introjetam a autorrejeição, implantando na consciência a chaga da culpa. Por efeito disso, sentem-se rejeitadas por todos, ao invés de trabalharem pela reparação do erro. Até porque se não o fizer de imediato arremessará para a encarnação seguinte os conflitos conscienciais incrustados.

Há os que arriscam camuflar os delitos, porém ocultar conflitos culposos não libera a consequência do desacerto, porquanto as desordens íntimas surgirão na forma de enfermidade física, emocional ou psicológica. Por conseguinte, projetarão suspeitas infundadas nos outros, receando serem identificados e desmascarados.

Na atual existência existem diversos casos de autorrejeição dos transgressores das leis divinas da consciência. São aqueles que na juventude, na “calada da noite”, fizeram abortos criminosos e receiam serem descobertos. Há os que cometeram vis adultérios e buscam esconder-se dos outros e sob a chibata da culpa temem ser revelados a qualquer momento. Esses são casos infrequentes, os menos raros são os culpados por crimes esquecidos de reencarnações anteriores. Daqueles que trazem a mácula perante a consciência e como não se superaram nas vidas anteriores, permanecem hoje alimentando culpas.

Mesmo que os demais não descubram seus crimes e os desmascarem, o movimento de autorrejeição delonga a expansão. Quando não se tem consciência desse processo e não há coragem (ação pelo coração) para reparação do erro, o mecanismo de autorrejeição se aprofunda e o culpado cria inimigos em todos os lugares. Guiados pelo imaginário, permanecem em estado de paranoia culposa. Por consequência, conservam os níveis egocêntricos, neuróticos e transformam uma situação imaginária em acontecimento real.

Desse modo, encharcados pelo psiquismo autodefensivo agridem os outros. Sentem-se sucessivamente invadidos na intimidade e atacam o próximo. Sob o mecanismo psicológico de projeção creem que os outros os julgam, condenam e punem, razão pelo qual vivem se precavendo contra tudo e contra todos.

No estado paranoico da culpa, decorrente dos crimes cometidos no passado, mesmo que esquecidos, o culpado se sente criminoso e entende que a qualquer momento será desmascarado e sob nessa alucinação acredita que os outros o estão perseguindo.

As leis divinas não são punitivas, elas são amorosas, educativas (provacionais) e reeducativas (expiatórias). Certamente violações às leis morais incidirão na economia espiritual, precisando de reparação dos agravos. Não necessariamente numa reencarnação imediata, até porque, atualmente, muitos poderão estar reparando crimes de dez encarnações anteriores. Ademais, será necessária a dor para reparação dos erros? Cremos que não. O caminho seguro será o desenvolvimento das virtudes do coração, atuando com autoamor e amor ao próximo.

A autoconsciência e o autoperdão são mecanismos que tornam dispostos os infratores para reparação do delito. Sendo que a evolução espiritual ocorre tanto na horizontal como na vertical da vida. A dor é o aguilhão que impele a evolução na horizontal. O transgressor sofre até o limite do cansaço e no esfalfamento observa que não há outra alternativa, senão fazer o BEM, decidindo daí galgar na vertical da vida.

Nos casos em que os conflitos culposos são muito intensos, são necessários tratamentos psicoterápicos para recuperação. Dificilmente o culpado se liberta sozinho das desordens concienciais, porque a culpa incrustada na mente pesa muito no psiquismo, daí a necessidade terapêutica para que o culpado compreenda a realidade como ela é e não da forma como crê que seja.

O estado de culpa acarreta a obsessão. O processo obsessivo, de modo geral, não começa no obsessor, porém nas matrizes conscienciais do culpado autorejeitado que se movimenta psicologicamente no autojulgamento, autocondenação e autopunição, cunhando aí o plugue mental, quando esbugalha a mente para o complexo obsessivo. Metaforicamente expondo, a culpa é o plugue mental que favorece a obsessão.

Na verdade, muitos processos obsessivos não são evidentes, porém sutis e intensos. A intensidade é a alienação e a sutilidade é a intervenção sorrateira do obsessor sem que o obsedado perceba. Deste modo é hipnotizado e condicionado a práticas malsãs, passando uma existência espiritual e sutilmente perseguido. Muitas vezes só se dá conta da obsessão após a desencarnação.

A melhor terapia para a culpa é o exercício do Evangelho como convite para afastar-se do egocentrismo e centrar-se na essência divina que É. Esse é o caminho para a libertação dos movimentos egocêntricos e egoicos. A prática da leitura edificante, os afazeres da caridade necessariamente para consigo, e em seguida a caridade real com o próximo “sem assistencialismos inócuos”, a participação das atividades do centro espírita , em geral podem promover o espírito imortal e auxiliar todos os envolvidos.

Quando dissemos “sem assistencialismos inócuos” afirmamos que a maior caridade não é a material, mas a espiritual que precisa ser exercida sob o símbolo da benevolência para com todos, indulgência para com as faltas alheias e perdão das ofensas. Que são exercícios práticos para que as pessoas se desvencilhem da monoideia da culpa. Nesse movimento de exercícios espíritas cristãos, a mente não mais permite a introdução das ideias dos obsessores e a pessoa realiza as ações práticas, que são bastante trabalhosas, mas impulsionam a evolução na vertical da vida. É como ascender numa escada aprumada e muito íngreme , mas poucos são aqueles que se dispõem a elevar-se , a maioria permanece rezingando dizendo que a vida é “madrasta” sem fazer esforços reais para a ascensão.

Com as práticas cristãs as pessoas realizam ações concretas consigo mesmas e com o próximo, trabalhando não mais no movimento paranoico da culpa, porém no movimento harmonizador de si mesmas e dos outros, ,porém isso não se consegue por promessas labiais, mas por ações efetivas. A medida que vamos amadurando a consciência, priorizamos o que é essencial e colocamos o ego a serviço do eu espírito imortal.

Nas condições humanas ainda temos uma estrutura egoica, todavia somos essência divina. Contudo, acreditamos que somos o ego, mas não somos. Quando expandimos a consciência percebemos que temos um ego, mas somos essência divina. Ter o chamado ego não é problema. Embora ele ainda traga a sua ignorância, porquanto moureja na dimensão do não saber, do não sentir e do não vivenciar as leis divinas, o ego precisa ser iluminado pela essência divina que somos.

A autorrejeição comumente não surge de forma evidente, porém veladamente. Surge muitas vezes na condição de complexos de inferioridade ou de superioridade. Aparece com a tendência de solidão , de rejeição ou por inveja dos outros.

O culpado rejeita todos os que trabalham pela autorrenovação. Porque estes estão dando exemplo para ele. Identifica nos outros um “espelho” retratando o comportamento que deveria ter, mas que não se dispõe a tal. Em face disso, rejeita e repudia o “espelho” , arremessa-lhe pedra para fragmentá-lo, para não ver a imagem da renovação que deveria buscar. Deste modo, mantém-se preguiçoso e acovardado para a autorrenovação moral. O “espelho” saindo da sua vista não ficará todo momento recomendando e cobrando o que deve fazer.

Em síntese, é urgente que afastemo-nos da chaga chamada culpa e utilizemos a razão para o equilíbrio íntimo, a fim de que possamos reparar o mal que fizemos no passado. Trabalhemos com penhor e segurança pelo progresso individual e coletivo, até porque a culpa nos transforma em pesos mortos na economia ativa da sociedade e não conseguiremos realizar nada de bem, belo e bom para ninguém sob o guante da culpa.


Jorge Hessen

(*) Fonte: Projeto Espiritizar / FEEMT – Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=_7HRHX1Z-MI&list=PL1r1wspRthZQrAp3ok5owfAPGldFn79nV&index=3 acesso 22/07/2019.


22 agosto 2019

Aprenda a Escutar - Vania Mugnato de Vasconcelos




APRENDA A ESCUTAR



A capacidade de ouvir é resultado de um processo fisiológico que se inicia a partir da 26ª semana de gestação, quando, no ventre materno, a criança passa a perceber sons como, por exemplo, a voz de seus pais.

Ouvir é uma aptidão física a qual o ser humano empregará durante toda sua vida. Assim, é coerente dizer que a não ser que alguém tenha uma limitação ou cessação da saúde auditiva, todos ouvirão sons – palavras, acordes musicais, barulhos diversos, enfim.

Contudo, especialmente no relacionamento humano, nas atividades que exigem interação com o outro, é preciso mais do que ouvir, é preciso escutar. É que, ao contrário do que muitos pensam, enquanto ouvir é perceber através dos canais auditivos os sons que estão à volta, escutar é o processo de ouvir com interesse, concentrado no que está sendo dito, buscando o significado intrínseco das palavras emitidas por outrem.

Destarte, a diferença básica entre uma palavra e a outra é bastante significativa, pois enquanto ouvir é uma aptidão física, escutar é uma disposição mental positiva, proativa, na intenção de atribuir às palavras um sentido aprofundado. Por isso é preciso aprender a escutar. É preciso prestar atenção para que sejamos capazes de interpretar o mais fielmente possível o que está sendo dito.

Nesse sentido, relacionamentos produtivos comumente são os que se baseiam no diálogo, criando um intercâmbio de ideias, compreensões, conhecimentos e sentimentos. E para haver diálogo deverá existir aquele que fala e aquele que escuta, alternadamente, com cuidado e interesse, buscando alcançar além das palavras, enxergando a alma.

Aliás, na parábola do semeador, Jesus encerra suas explicações pronunciando sugestiva observação: “aquele, porém, que recebe a semente em boa terra, é aquele que escuta a palavra, que nela presta atenção e produz frutos, e rende cem, ou sessenta, ou trinta por um”. (Mateus, 13:18 a 23)

Também disse na mesma parábola “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”, ou seja, perceba além do que está sendo dito, compreenda meus ensinamentos, minhas lições, para que sua vida seja espiritualmente mais proveitosa.

Num mundo onde as fronteiras físicas e a distância são derrubadas pela comunicação tecnológica, urge reavaliar comportamentos. Muitos só querem falar, ouvir sem dar atenção, sem sentir amor, sem escutar.


Vania Mugnato de Vasconcelos

 

21 agosto 2019

Antonio Carlos Piesigilli



QUEM É O OBSESSOR? OS ESPÍRITOS OU NÓS MESMOS?


Muitas pessoas religiosas acreditam em Espíritos malignos, demônios e obsessores. Essas seriam Entidades Espirituais que podem nos prejudicar e sugar nossas energias. No entanto, muitas vezes "Nós Mesmos Somos os Obsessores" das outras pessoas. Somos os Obsessores quando desejamos fazer prevalecer nossas idéias e impor nossas verdades a outrem. Somos os Obsessores quando criticamos, julgamos o condenamos o outro sem pleno conhecimento de causa. Somos os Obsessores quando temos ciúme e queremos obter a posse do outro.

Somos os Obsessores quando batemos o pé e forçamos o outro a seguir a nossa vontade.

Somos os Obsessores quando exigimos que o outro faça por nós algo que nos cabe fazer.

Somos os Obsessores quando desejamos vencer uma discussão, instituir nossas verdades e firmar nosso ponto de vista.

Somos os Obsessores quando burlamos o livre arbítrio alheio e o fazemos trilhar o caminho que nós julgamos correto.

Somos os Obsessores quando tentamos ajudar sem nos preocupar no que é melhor para o outro, mas sim seguindo apenas o que nós acreditamos ser o melhor.

Somos os Obsessores quando desejamos comprar o afeto das pessoas com presentes, regalias, benesses e mimos, esperando sempre algo em troca.

Somos os Obsessores quando não permitimos que o outro cresça, se desenvolva, para não se tornar melhor do que nós.

Somos os Obsessores quando fazemos tudo pelo outro e não permitimos que ele faça, erre e aprenda sozinho.

Somos os Obsessores quando vomitamos um longo falatório desordenado e fútil acreditando que o outro tem obrigação de nos ouvir.

Somos os Obsessores quando não damos espaço para o outro, o prendemos, o sufocamos, podamos seus movimentos, cobramos, oprimimos, sem permitir sua independência.

Somos os Obsessores quando acreditamos que o outro deve corresponder aos nossos padrões, nossos modelos, nossa religião, nossos costumes, nossas crenças e nosso ideal de ser.

Somos os Obsessores quando geramos milhares de conflitos, discórdias e desunião, quando criamos confusão, intrigas, fofocas e distorcemos a realidade para prejudicar o outro.

Somos os Obsessores quando dissemos uma coisa ao outro e fazemos outra, enganando, omitindo e dissimulando.

Somos os Obsessores quando vivemos reclamando e acreditamos que o outro tem obrigação de aguentar nossas lamúrias.

Somos os Obsessores quando elogiamos para manipular, louvamos para enganar, enchemos o ego do outro para confundi-lo a fazer o que queremos.

Somos os Obsessores quando fazemos do outro a nossa vida e depois ficamos magoados quando ele se afasta deixando um buraco em nosso peito, um vazio existencial e uma profunda infelicidade.

Procure a vida em ti mesmo. Não seja mais um Obsessor do outro.

Não dependa de ninguém para ser feliz. Não fique sugando as pessoas.

Não acredite que o Obsessor é sempre o outro…

Há sempre algo de Obsessor em nós mesmos.


Antonio Carlos Piesigilli 


20 agosto 2019

Atividades socorristas no plano espiritual - Hugo Lapa

(Cena do filme Nosso Lar - 20th Century Fox)

ATIVIDADES SOCORRISTAS NO PLANO ESPIRITUAL


Sabemos que há algumas pessoas que são incumbidas dessa missão. Elas dormem e seu corpo espiritual sai do seu corpo material. Elas então são guiadas pelos espíritos de luz a certas zonas sombrias, infernais ou umbralinas, como se chama no Espiritismo.

Nessas zonas de consciência inferior, há espíritos em diversos níveis e tipos de sofrimento, que precisam se libertar desses grulhões e serem encaminhados para a luz. Então essas pessoas, em corpo espiritual, realizam ações beneméritas de amparo a essas entidades… e os ajudam a se desprender dos seus sofrimentos e a encontrarem a luz.

Os resgates astrais não são como os resgates no plano material, onde um paramédico aparece, tira o corpo material de uma pessoa de um lugar e o conduz a um hospital para tratamento. Nos planos astrais inferiores e obscuros, os espíritos não podem simplesmente serem conduzidos a outros locais… eles precisam primeiro purificar-se para que sua sintonia passe a vibrar em faixas de energias que estejam acima desses vales purgatoriais… e só depois dessa limpeza vibratória é que eles podem deixar estes vales sombrios.

Obviamente a ideia de um inferno como representando um local de penas eternas não faz o menor sentido, como já explicamos em outras oportunidades. Por isso, essas zonas planos negativos agrupam espíritos afins, que se encontram numa mesma faixa de negatividade e sofrimento.

São verdadeiros bolsões energéticos de agrupamento espiritual conforme a sintonia de cada alma. Os espíritos imersos nessa condição precisam repetir o sofrimento muitas vezes até esvaziarem-se completamente dele, e assim se libertarem, ascendendo a planos mais elevados onde não existe o sofrimento.

Nesse âmbito, há três tipos de percepção desse trabalho. O primeiro é quando a pessoa sai do corpo e fica consciente de tudo o que está fazendo. Ela se vê saindo do corpo material e se dirigindo a certos planos de sofrimento. Nesse caso, ela faz tudo de forma consciente, embora nem sempre tenha total controle de suas ações, pois muitas vezes ela está sendo guiada por espíritos mais elevados.

O segundo tipo é a pessoa que de vez em quando tem sonhos de algo parecido com isso. Esse é o caso, por exemplo, de uma pessoa que me mandou o seguinte relato: “Hoje eu tive um sonho que eu fui escolhida pra tira as almas. Não sei se era um purgatório ou inferno, mas sei q tinha um monte de lagos, tipo açudes e estavam separadas por idade as almas. Eu sabia que deveria tirar essas almas desse lugar e encaminha-las pra luz”.

O terceiro tipo é, obviamente, da pessoa que faz tudo isso, mas não se recorda do que fez, mas pode ter uma vaga sensação de algo.


Hugo Lapa


19 agosto 2019

Liberdade de escolha - Joanna de Ângelis



LIBERDADE DE ESCOLHA


És livre para imprimir na tua existência o padrão de felicidade ou de aflição com o qual desejes conviver.

A liberdade é lei da vida, que faz parte do concerto da harmonia universal.

Os imperativos inamovíveis e deterministas são vida e morte, no que diz respeito aos equipamentos orgânicos, mesmo assim, sob o fatalismo de incessantes transformações.

Submetido à ordem da ação, que desencadeia reações correspondentes, és o que de ti próprio faças, movimentando-te no rumo que eleges.

Há pessoas que preferem a queixa e a lamentação, armazenando o pessimismo em que se realizam. Negociam o carinho que pretendem receber com as altas quotas de padecimentos que criam psiquicamente.

Ao lado de outras, que chantageiam os afetos, mediante a adoção de sofrimentos irreais, estabelecem como metas a conquista de atenções e carícias que lhes são sempre insuficientes, não se dando conta que, dessa forma, farão secar a fonte generosa que as oferece.

Ninguém se sente bem ao lado de criaturas que elegem o infortúnio como falsa solução para os seus conflitos existenciais.

Essa coação emocional termina por produzir amizades falsas, situações constrangedoras, mais insegurança.

Podes e deves ser feliz. Esta é a tua liberdade de escolha.

Se te encontras atrelado ao carro das aflições, porfia construindo o bem e te libertarás.

A dificuldade de agora é o efeito da insensatez do passado.
V A vida renova-se a cada momento.

Situações funestas alteram-se para melhor, à semelhança de paisagens ensombradas que rapidamente vestem-se de Sol.

Não dês trégua à desdita, à ociosidade, aos queixumes.

És senhor do teu destino, e ele tem para ti, como ponto de encontro, o infinito.

Quem se desvaloriza e se desmerece e se invalida, fica na retaguarda.

É necessário que te envolvas com o programa divino. Todo aquele que se não envolve positivamente, nunca se desenvolve.

Se preferires sofrer, terás liberdade para a experiência até o momento em que te transfiras para a opção do bem-estar.

Desse modo, não transformes incidentes de pequena monta, coisas e ocorrências corriqueiras, em tragédias.

Ninguém tem o destino do sofrimento. Ele é resultado da ação negativa, jamais a causa.

Faze uma avaliação honesta da tua existência, sem consciência de culpa, sem pieguismo desculpista, sem coerção de qualquer natureza, e logo depois desperta para o que deves produzir de bom, de útil, de construtivo empenhando-te na realização da tua liberdade de ser feliz.


  • A presença divina apóia-me nos processos de crescimento e renovação.Cada momento constitui-me oportunidade nova para avançar ou corrigir erros.
  • As transformações que a vida opera são fases de desenvolvimento.
  • A poda renova; a dor desperta; a provação educa; a alteração de comportamento propõe esforço.
  • Estou fadado à felicidade, que lograrei mediante renovação e luta, pois que sou filho de Deus.


Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo Pereira Franco
Livro: Momentos de Saúde

18 agosto 2019

Família, Internet e os Desafios Atuais - Daniele Barizon



FAMÍLIA, INTERNET E OS DESAFIOS ATUAIS


Resumo: Reflexão acerca da temática família e internet, que aborda a relação entre indivíduos a partir da utilização/dependência de ferramentas propiciadas pela tecnologia, debatendo a legitimidade de se responsabilizar o instrumento por ações adotadas através do livre-arbítrio.

Quem é que nunca se indignou ao ler uma reportagem, ou receber imagem que ilustra pessoas em atitude de indiferença pelo próximo, em função do uso da internet? Por exemplo a mãe que deixa o filho no chão do aeroporto enquanto está entretida com o celular, ou os membros da família que, reunida, troca a avó pelo smartphone. Em que pesem as circunstâncias dos registros (afinal um clique, embora icônico, nem sempre representa fielmente o contexto que integra), eles são chocantes, certo?

Nestas horas, via de regra, nos inflamamos e gritamos aos quatro ventos (virtualmente, claro) a nossa repulsa. E, na verborragia, não poupamos ninguém – sobretudo os ‘novos’ pais e a ‘fraca’ atual geração, arruinada pelas facilidades que não tivemos, especialmente as advindas da tecnologia. Nas análises abrasadas não falta quem teça comparações entre a infância do passado e do presente ao rememorar, com saudade, o quão era boa a época em que brincávamos na rua noite adentro, com os pais sentados em cadeiras em frente ao portão, assistindo-nos jogar bola de gude, pique-lata e pique-bandeira. As crianças de hoje? Uma pena, não saem da tela do computador, do tablet, do smartphone. Pobres crianças, um digita. O mundo está perdido, outro concorda.

Mas será assim, realmente? Vamos analisar direitinho? Para começar, temos de reconhecer o mal ‘provocado’ pela tecnologia. O excesso de tempo conectado faz com que o indivíduo se isole do convívio social, tornando latente a solidão e contribuindo para dar vazão a muitos de nossos problemas contemporâneos, os quais Joanna de Angelis, pela psicografia de Divaldo Franco, já em 1990, enumerava como fatores de perturbação no livro O homem Integral. Dentre estes, destaque para a ansiedade, o medo e a insegurança que, por sua vez, podem desencadear doenças como depressão e síndrome do pânico. Mais: casais se agridem e se separam ensejados por posts no Facebook e no Instagram. O ódio aflora, acarretando brigas e ruptura doméstica, tendo como pretexto posições concorrentes no cenário político. Mentira e manipulação são armas frequentes. Através da web acontecem acidentes e homicídios.

No julgamento pessoal, entretanto, estará correto depositar a culpa destas ocorrências numa simples ferramenta, ao invés de assumir o protagonismo dos próprios atos? Porque a tecnologia e as mídias digitais são apenas instrumentos que nós, homens e mulheres imperfeitos, temos à disposição. Por intermédio deles, escancaramos nossas tendências. As timelines nada mais são do que páginas, inicialmente em branco, as quais preenchemos com o que temos impregnado nos pensamentos e emoções. Ceder à crueldade, à mentira, à acusação infundada e à frustração é permitir-se – com o auxílio de obsessores ou não (acredite, existe obsessão na rede) estar refém das falhas inerentes à própria personalidade.

É comum a internet estar associada à desagregação do vínculo familiar. E não resta dúvidas de que tem papel preponderante nos sismos caseiros, se assim a concebermos. Contudo, tal distopia pode ter procedência tanto nas perspectivas de distração online, como na predisposição a outras distrações viciantes, tais quais o álcool, o sexo e as drogas. Afinal, o pai já era distante quando, privando-se do convívio com os filhos e a esposa, optava por sair do trabalho direto para os braços da amante ou para a mesa de bar, nos anos 70. De igual modo, o filho já fugia de casa, nos anos 80, para obedecer aos desregramentos que lhe dominavam o espírito, deixando-se vencer pelas drogas e compulsão sexual. E o que dizer dos ciúmes e dos crimes passionais, certamente muito anteriores às interações da world wide web? Sem adentrar nas brumas da história, está fácil ver que, independente do agente ou da influência, nossa imperfeição é a verdadeira responsável pelas fraquezas e pelo arrastamento (que, como esclarecem os espíritos na resposta à questão 645 do Livro dos Espíritos, não é irresistível) que conduzem à queda.

Por outro lado – e esta é a boa notícia – tais ferramentas, se usadas para o bem, podem mover montanhas no caminho das realizações pessoais. Pela internet, podemos nos conectar com afetos distantes, diminuindo a saudade; encurtar o abismo entre as classes, democratizando o acesso ao conhecimento; auxiliar o próximo ou motivá-lo, a partir de postagens solidárias; dar a conhecer as boas ações que são praticadas diariamente por anônimos, mas que, na falta de espaço e oportunidade, não são divulgadas em veículos como o rádio e a tevê. Pelo ciberespaço, podemos espalhar mensagens positivas e, inclusive, potencializar a comunicação social espírita. As possibilidades são amplas, e nosso livre-arbítrio também. Cabe a cada um eleger o tipo de energia que deseja propagar, on ou off-line.

Da mesma maneira, temos a tarefa de decidir como orientar os jovens, que vivem sim, num momento diferente do que vivíamos há vinte ou trinta anos, e do qual a tecnologia faz parte. Não importa se você, como mãe ou pai, vai permitir ou proibir que seu filho de seis anos tenha um tablet. Mas saber que – seja qual for sua escolha – vai orientá-lo com sabedoria e equilíbrio no dia-a-dia, educando-o com afeto e incutindo-lhe, notadamente através do exemplo, os sentimentos de amor e respeito ao semelhante, isso é fundamental.


Autora: Daniele Barizon
Fonte: Espirit Book


Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno e Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Estudo da Doutrina com Obras Básicas
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Cirurgia e Tratamento Médico Espiritual
a partir das 18:00

SEXTA-FEIRA Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs


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Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
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17 agosto 2019

Vida Insuportável - Nilton Moreira


 
VIDA INSUPORTÁVEL !


Certa feita uma pessoa disse que a vida dela estava insuportável, nada dava certo apesar de ter uma família composta de boas pessoas e uma renda relativa, mas sentia-se infeliz e vivia com desânimo, depressões e ingeria medicação para poder conciliar o sono, e isso já acontecia há vários anos.

Realmente identificamos como sendo apenas sintomas, pois se possuímos uma família equilibrada e estamos financeiramente estáveis, não deveríamos estar enfrentando dificuldades! Logo não existe causa.

Acontece que na vida devemos traçar objetivos. Devemos saber onde queremos chegar e o que perseguir, e ao atingirmos o objetivo almejado devemos parar para pensar e usufruir aquilo que conquistamos!

Muitas vezes nossas frustrações estão em querermos mais e mais, em não ficarmos contentes com o que temos. Os bens materiais na Terra devem ter um limite de acúmulo para o ser humano, pois só assim será possível desfrutá-los na plenitude.

Quando nascemos encontramos tudo pronto. Portanto ao longo da vida os bens materiais que conquistarmos vão no final aqui ficar a espera dos que estão chegando ao mundo, pois nosso aporte está atrelado ao acontecido em vidas passadas.

Uma fortuna é grande enquanto estamos encarnados, a partir do momento que é feita a divisão de bens esta fortuna deixa de existir, e vai prevalecer o que realizamos de bom, as experiências, o mérito do bem que praticamos, ou do mal que evitamos que acontecesse.

Uma das maneiras fundamentais para escaparmos do desânimo, da angustia é desenvolvermos a fé. Muitas vezes perdemos o endereço de Deus e queremos resolver tudo na base da força, do poder, do empurrão, pisoteando, traindo, menosprezando outrem. Fazer eclodir a fé dentro de nós requer paciência e determinismo e inicia-se procurando respostas para de onde vim, o que estou fazendo aqui e para onde vou. Quem tem resposta para estes questionamentos certamente se livra dos desânimos da vida e das angustias sem causa explicada.

Perguntam-me: Onde podemos achar resposta para estes questionamentos? Eu respondo: Nas religiões! Procuremos nas mais diversas religiões que existem pelo mundo, aquela que mais se assemelha ao nosso perfil, nossa maneira de pensar, agir, vestir, de orar, de servir, e de nos conduzirmos. Existem religiões de vários matizes. Poderia aqui sugerir a minha! Mas cada um deve procurar a sua até que se sinta bem! Aquela que lhe convém! Se uma não responder aos anseios, mude! Religião não pode ser imposta. 

Religião é religar. Contatar com Deus. Em algum momento da vida você se encontrará e nessa ocasião seus horizontes se abrirão como passe de mágica e uma nova vida se descortinará diante de si, pois com a religião aprende-se a valorizar a vida e ver as dificuldades do próximo procurando minimizá-las. Procuremos imitar Jesus. Ele não tinha uma religião definida, mas disse "amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.". De lá para cá muitas crenças surgiram e cabe a nós achar aquela que realmente nos faça bem. Devemos buscar em nosso íntimo o caminho a seguir, pois que o Mestre sempre buscava na prece a força do Pai para suas aflições quando sentia que o povo que vivia aqui naquela época não lhe dava ouvidos. Paz a todos.


Nilton Moreira
Coluna Semanal - Estrada Iluminada
Fonte: Espirit Book


16 agosto 2019

Os ingratos - Divaldo P.Franco

(foto de Luiza Campos)


OS INGRATOS


O processo evolutivo da criatura humana dá-se por intermédio de duas vertentes: a inteligência e o sentimento.

A sabedoria que todos buscamos alcançar é a conquista intelecto-moral, na qual o conhecimento e a emoção atingem patamares de identidade elevada.

O progresso intelectual é relativamente mais fácil de ser adquirido, por constituir a grande horizontal da existência, enquanto o de natureza moral, através da libertação dos vícios e da autoiluminação, é mais lento, portanto, mais difícil de ser conseguido.

Entre os títulos de enobrecimento que se deve alcançar nessa luta de crescimento espiritual, destaca-se a superação das heranças egoicas, especialmente aquelas que dizem respeito à ingratidão.

Numa sociedade individualista, os esforços movimentados quase sempre são de exploração do outro, de utilização dos seus valores sem qualquer respeito pela sua pessoa.

As afeições são estruturadas na base dos interesses mesquinhos e utilitaristas, sem a presença das emoções nobres derivadas do amor, que deve viger em todos os relacionamentos.

Cada um desses inadvertidos acredita-se merecedor de consideração e de cuidados que estão longe de possuir. Enquanto esperam ser aceitos no grupo social, fazem-se gentis, simpáticos e credores de merecimento. Quase sempre conquistam as criaturas educadas e bondosas que existem em grande quantidade. Lentamente, porém, se vão desvelando na soberba, na presunção, na autovalorização e distanciando-se daqueles que o envolvem em carinho e o ajudam no processo de crescimento.

Apresentam a outra face, aquela que realmente os caracteriza, não mantendo o devido sentimento de amor e de retribuição que o outro lhe merece.

Qualquer arrufo, torna-os antipáticos, frios e deselegantes.

Sem a menor consideração, fazem-se grosseiros, crendo-se superiores e arrogantes mediante atitudes violentas ou desprezíveis em relação àqueles que os ampararam, socorreram, compartiram auxílios, dignificando-os.

A atual é a cultura da ingratidão, e, por isso, vive-se a sós, alterando o procedimento quanto se tem necessidade de algo que deseja alcançar, sabendo como reconquistar aqueles que foram maltratados e abandonados pela sua prosápia.

Como consequência, a arte e ciência de ajudar vai se tornando escassa e muitas pessoas de boa formação moral receiam envolver-se com novas amizades que lhes poderão trazer desencanto e amargura.

Nada obstante, não te deixes envenenar pelos seus humores infelizes e permanece gentil, fazendo sempre o melhor do bem em favor do próximo.

Esses que assim agem, imaturos e déspotas, aprenderão com o tempo que a lei do progresso tem suas raízes no amor e um dia alterarão a forma de ser.

Mas tu, sê sempre bondade.



Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, 11 de julho de 2019.

15 agosto 2019

O espírita e a racionalidade - Alexandre Mota



O ESPÍRITA E A RACIONALIDADE


A partir de 2013, com a necessidade das pessoas se posicionarem politicamente frente à situação econômica e social do Brasil, o movimento espírita inicia um processo em que ficam claros posicionamentos de diversas matizes e, de certa maneira, antagônicas, que podemos aqui classificar como os conservadores e os progressistas. Divergem aqueles que defendem a institucionalização do movimento e os que querem a prática espírita kardecista livre de qualquer amarra.

Com a polarização, não só no espiritismo, mas em linhas evangélicas cristãs, houve ampla campanha contra ideias socialistas, comunistas, marxistas. Em uma dessas campanhas, o pensador alemão Karl Marx é demonizado por ter tirado Deus de seus trabalhos, dando força ao materialismo e contaminando a ciência e filosofia desde o fim do século XIX até hoje.

Assim, partindo do espiritismo como lente para olhar o mundo e as ideias, há quem diga que aqueles que defendem ideias socialistas não podem ser espíritas, pois se creem em Deus e no mundo espiritual, não poderiam aderir ou sequer estudar qualquer assunto materialista. A conclusão dessa narrativa é que aqueles que se denominam espíritas progressistas, que constroem pontes entre ideias materialistas e espiritismo, seriam falsos espíritas que buscariam na verdade acabar com o movimento espírita no Brasil.

Não há sentido nesse tipo de afirmação.

Aqui vale a pena desenvolver um contra ponto à questão de que o estudo, a análise e o uso de teorias materialistas não permite que alguém seja um espiritualista. Algum tempo atrás, em uma entrevista de Stephen Hawking para a revista Scientific American, o físico declarou que não podia dizer se Deus existia ou não, mas que a ciência até onde foi não precisava dele para nada. Foi uma declaração de um cientista maduro que sabe como se estabelecem as teorias cientificas que dão corpo e sentido à realidade que nos rodeia. Enquanto elas traduzirem essa realidade, elas persistem.

Ou seja, a física, como ciência, se apropriou de sistemas e métodos que proporcionaram que ela se estabelecesse no mundo como guardiã da verdade relacionada ao funcionamento do mundo material sem Deus, sem espíritos ou qualquer crença sobrenatural. Se nos debruçarmos sobre a origem do universo devemos abraçar a teoria criacionista da Bíblia ou o Big Bang?

Na Introdução do Livro dos Espíritos, Kardec nos mostra como foi seu processo ao tomar contato com o fenômeno das mesas girantes e como isso evoluiu para seu trabalho de pesquisa. Teve mente aberta, sem ideias pré-concebidas, fazendo a análise de todas as possibilidades sobre os fatos que observava. Como intelectual, ele estava mergulhado no ambiente filosófico e científico de sua época, porém não limitou seu olhar a partir das premissas em voga. Ele criou um método totalmente novo para abordar o mundo espiritual que se descortinava. Significa dizer que o Espiritismo, isso é bem claro, não é uma revelação, é um trabalho de ciência e filosofia empreendido por Kardec, que após suas pesquisas, concluiu implicações morais e religiosas. Ele ligou nossa vida material à espiritual mostrando que existia um encadeamento lógico e evolutivo, a partir de uma entidade superior que criou o mundo e todas as coisas.

A partir do entendimento das implicações morais e religiosas (no sentido de se ligar a Deus), Kardec desenvolveu seus argumentos da fé racionalizada: sem dogmas e sem qualquer misticismo. Nada poderia ser aceito sem reflexão e senso crítico, especialmente a tradição religiosa daquele tempo que ainda está presente nos dias de hoje.

Se eu vejo o mundo pelo olhar do espiritismo, se me coloco como progressista e consigo dialogar com teorias materialistas, como as de Marx ou de Hawking, eu amplio meu entendimento de mundo e capacidade de ser um espírito que trabalha em prol da evolução de todos. Não há problema algum com essa postura, já que a fé racionalizada leva à emancipação e não à submissão do espírito. Essa emancipação é demonstrada no uso da razão para além da fé, quando partimos das premissas básicas presentes em Kardec, como o papel do amor e da igualdade na evolução, para balizar nossa postura ativa no mundo. Com essas premissas, a compreensão e o estudo de ideias materialistas fazem com que tais ideias ganhem uma dimensão que nunca tiveram, assim como nós espíritas ganhamos uma visão de mundo mais rica e complexa.


Alexandre Mota


14 agosto 2019

Desculpas frequentes - Momento Espírita




DESCULPAS FREQUENTES



Quem já desenvolveu algum tipo de trabalho voluntário sabe o quanto é difícil conseguir que os companheiros persistam na tarefa e não a abandonem.

Existem as desculpas mais freqüentes para desistir-se de qualquer empreitada.

Poderíamos relacionar as cinco mais comuns.

Primeira: "não tenho tempo."

Essa é uma das frases mais ouvidas nos dias atuais.

As pessoas correm de um lado para o outro, todos os dias.

Dividem seu tempo entre o trabalho, o estudo, o lazer, e mais uma infinidade de atividades.

Porém, há coisas que não valem a pena.

Muitas vezes desperdiçamos minutos valiosos em atividades ou em programas que se revelam, mais tarde, lamentáveis equívocos. Então, na verdade, o que sofremos não é a "falta de tempo", mas sim a dificuldade de priorizar tarefas e de utilizar de modo razoável e útil as horas de que dispomos.

Segunda: "não sei fazer."

Há pessoas que não sabem realizar determinadas tarefas e não têm o menor interesse em aprendê-las.

Há quem diga: "não sei e tenho raiva de quem sabe."

Em outras palavras, não querem a responsabilidade de saber para se esconder na ignorância e na incapacidade voluntária de realizar qualquer atividade diferente.

Trata-se de uma omissão deliberada, negando-se a buscar um objetivo nobre.

Na visão evangélica, são pessoas que "enterram seus talentos" e que nada produzem de bom.

Terceira: "não tenho saúde."

Pequenas indisposições costumam servir de desculpas para o afastamento das mais singelas atividades.

Porém, não são suficientemente graves para impedir que a mesma pessoa deixe de buscar prazeres e lazeres dos mais variados, na mesma ocasião.

Ou seja: só não se está bem o suficiente para trabalhar, porque não há motivos reais para recusar as ofertas fúteis e vazias do mundo.

Quarta: "tenho medo."

Nessa situação, a frase mais comum é: "quem sou eu para fazer isso?"

Mais do que falsa modéstia, a pessoa que costuma valer-se de tal argumento, na verdade, quer eximir-se de novas atribuições.

É muito cômodo alegar o receio de errar.

Ora, não podemos esquecer que só erra quem faz.

Aquele que nada realiza equivoca-se apenas por omitir-se, por deixar de realizar.

No entanto, é melhor correr o risco de errar, produzindo algo de bom, do que simplesmente lavar as mãos e não errar nunca, mas também nada fazer.

Quinta: "outra pessoa vai fazer isso."

Muitos cruzam os braços na certeza de que a tarefa será levada a cabo por outras pessoas.

Na verdade, boa parte das tarefas efetivamente poderá ser realizada sem o auxílio, sem a participação daqueles.

No entanto, sendo cada pessoa única, o resultado que se obtém em cada obra pode ser diferente.

Além disso, na maioria das vezes, a tarefa não precisa deles, mais sim são eles próprios que precisam dessa oportunidade para aprender e para se desenvolver.

* * *

O trabalho no bem é uma oportunidade abençoada que não deve jamais ser retardada ou abandonada, sob pena de prejudicar a evolução do próprio trabalhador envolvido.

Evite desculpas vãs.

Busque o trabalho, realize e cresça.


Equipe de Redação do Momento Espírita


13 agosto 2019

Prossiga - Orson Peter Carrara



PROSSIGA


Sim, é um comando expressivo, imperativo, necessário para todos. Tenho usado a expressão no final de minhas palestras, quando a temática permite. Na verdade, falo antes para mim mesmo e partilho com os ouvintes.

Para superar obstáculos, vencer traumas, manter a vitalidade, abrir caminhos e enxergar além das aparências difíceis, é preciso prosseguir. E sempre acrescento: prossigamos, pois que me incluo.

Sim, é preciso prosseguir, apesar de tudo. Prosseguir confiando, amando, trabalhando, cheios de esperança e determinação, nunca desistindo da honestidade, do amor, da perseverança e da crença firme na própria capacidade de buscar o melhor.

Muita gente fica doente porque fica paralisada pelo medo ou pela timidez, pela insegurança ou e até mesmo pelos obstáculos e adversidades naturais, bem próprias de nossa condição humana.

A vida conspira a nosso favor e até por gratidão a Deus, à vida, por tantas bênçãos, é preciso erguer a cabeça e prosseguir. Desde que estejamos no caminho que não cause prejuízos aos outros, ou lesões a nós mesmos, é preciso prosseguir.

Duas frases, cuja autoria desconheço e que pude ler numa publicação que não identificou o autor, bem cabem nesse raciocínio:

a) Tudo o que acontece no universo tem uma razão de ser; um objetivo. Nós como seres humanos, temos uma só lição na vida: seguir em frente e ter a certeza de que apesar de as vezes estar no escuro, o sol vai voltar a brilhar;

b) Quando estiverem em uma situação difícil, e sentirem que já não podem mais, não desanimem, e estejam seguros, que ainda que as coisas pareçam muito complicadas, não deixem que frustrem seus sonhos e não percam nunca... nunca a esperança, e lembrem-se que quando a noite estiver mais escura, é por que já vai sair o sol; O grande detonador dos estados depressivos é dispensar a coragem e a esperança da própria convivência. Tenhamos o hábito de andar de braços dados com tais virtudes.

Elas alimentam a alma e fazem superar as dificuldades, ainda que sejam muito expressivas.

Então, amigo leitor: Prossiga! Prossigamos! Não nos permitamos permanecer abraçados à indiferença, à omissão, à descrença ou à tristeza. Reagir a tais estados é o grande segredo de manter-se saudável e feliz. Como fazer isso? É bem simples: enumere os motivos todos de gratidão que todos detemos conosco.

A motivação está especialmente nas afirmações do Mestre da Humanidade: Sois Deuses, Sois a luz do mundo, Sois o sal da Terra.

Precisamos de algo mais?


Por Orson Peter Carrara


12 agosto 2019

Como os Espíritos nos Influenciam? - Fernando Rossit



COMO OS ESPÍRITOS NOS INFLUENCIAM?


Primeiro, porque estão ao nosso lado e vêem tudo o que fazemos. Não existe um segredo que possamos esconder deles – mesmo aqueles que escondemos de nós mesmos.

Além disso, existem os espíritos que conhecem também os atos que praticamos em outras vidas e dos quais, momentaneamente, não nos lembramos.

É muito mais fácil esconder algo de pessoas vivas do que dos Espíritos.

Os bons sempre irão procurar nos ajudar de alguma forma, por mais terríveis sejam nossos pensamentos e atos, por uma questão muito simples: eles não julgam e praticam o Bem sem impor condições.

Já os de natureza inferior vão reagir da forma que faziam quando estavam vivos. Uns vão debochar e zombar de nossas dificuldades, manias, de nossas imperfeições e poderão, se o permitirmos, pregar peças e trazer muitas dificuldades.


Simples assim: os bons pensamentos, boas intenções, o esforço que fazemos por nos tornarmos melhores, atrairão para perto de nós os Espíritos Protetores, especialmente aqueles que são ligados a nós por afeição.

A contrário, quando nosso pensamento é negativo, prejudicial a nós ou a outras pessoas, os Espíritos que pensam de igual modo irão se aproximar de nós por afinidade.

Da mesma forma que possuímos amigos, pessoas que com as quais nos afinamos e cuja companhia nos é agradável, também formamos nosso grupo de Espíritos que nos acompanham por afinidade.

Sabemos que os Espíritos influem sobre nossos pensamentos e atos e, muitas vezes, podem até nos comandar.


Quando a influência é dominadora, coercitiva, denomina-se obsessão, pois ela se torna prejudicial para sua vítima.

Um Bom Espírito jamais irá nos dominar, pois respeita nosso livre-arbítrio. Apenas sugere e aconselha, procurando nos conduzir para o bem a fazer.

É muito difícil distinguir quando uma ideia é nossa ou nos é sugerida pelos Espíritos, já que eles agem sobre nós exatamente porque temos afinidade com eles, quer dizer, pensamos da mesma maneira.

Se pensamos igual, como saber se o pensamento é nosso ou não?


O que pode acontecer então se você ficar irritado? Com a influência dos Espíritos que atrairá a irritação será potencializada, podendo aumentar muito a ponto de você perder o controle e praticar atos não esperados.

Passado o nervosismo e analisadas com mais calma as consequências do seu ato, como ter ofendido pessoas aos gritos, ter agredido alguém etc., você deverá se sentir arrependido do que fez.

Mas da mesma forma que um Espírito mal intencionado potencializa sentimentos ruins em nós (veja bem: o sentimento é nosso, apenas é aumentado), os Bons nos envolvem com ternura e amor, proporcionando bem estar indefinível, quando nos propomos a fazer o Bem.

Sim, o Bem também se propaga.

A sintonia com os Bons Espíritos e os mal intencionados irá sempre depender de nós.


No livro “Pensamento e Vida”, Emmanuel esclarece que sintonizamo-nos com todas as criaturas encarnadas e desencarnadas que pensam como pensamos.


Isso é possível porque o pensamento é uma onda eletro-magnética que percorre o espaço a uma velocidade maior do que a da luz. Portanto, a distância que os Espíritos e as pessoas vivas estão de você, não tem a menor importância. Pensou, sintonizou instantaneamente.

Por isso, quanto maior o número de pessoas que estão juntas, pensando e fazendo a mesma coisa (boa ou não), maior é o poder de realização pois a força dos pensamentos se multiplica.

Pensamentos de intolerância e ódio, por exemplo, podem nos levar à prática de atos insanos, agressivos e até violentos.


A vigilância, que implica em prudência, atenção, cautela, é um recurso que devemos sempre ter como aliado. O outro é a prece que nos ligará aos Bons Espíritos que vão nos ajudar, nos fortalecer nos momentos de tormenta.

A escolha sempre dependerá de nós.



Fernando Rossit

Fonte:

– O Livro dos Espíritos – questões: 456 a 461

11 agosto 2019

O Frio que Enregela a Alma - Vania Mugnato de Vasconcelos



O FRIO QUE ENREGELA A ALMA


Não é incomum que só a aflição pessoal motive suficientemente o ser humano, alterando sua conduta perante o angústia do outro; não é raro que o tormento pessoal ou de alguém bem próximo sejam as únicas forças com energia para aquecer corações antes enregelados pela indiferença; que o martírio sentido na própria pele seja o maior incentivador daquele olhar que realmente enxerga, dirigido para os seres abandonados da sorte. Para muitos, somente quando isso acontece é que o sentimento de misericórdia nasce, então é que ocorre a percepção de que todos os gestos devem ser aquecidos pelo amor.

Aliás, no meio espírita é corriqueiro escutar a expressão “quem não vai pelo amor, vai pela dor”. Significa dizer que temos o direito de realizar o que quisermos, pois o livre arbítrio nos permite escolher. Todavia, quando escolhemos caminhos tortuosos ao invés dos caminhos da benevolência, decidimos aprender com as consequências muitas vezes dolorosas que nos visitarão no futuro, pois é da semente que se escolhe plantar que nascerá o fruto a ser colhido no amanhã.

Em outras palavras, seria melhor se despertássemos para a bondade já, se a visão da necessidade alheia tocasse as fibras de nossas almas e com ela nos tornássemos “pelo amor”, colaboradores de Deus.

Seria muito bom se nós, que já sentimos o frio na pele prenunciando o inverno que chegará em breve, pudéssemos lembrar como é bom estar aquecidos, e desse modo decidíssemos pela generosidade de doar desde a vestimenta que não nos serve mais até o cobertor comprado com objetivo de proteger um irmão. Seria… seria não, será! Será muito bom quando lembrarmos do sofrimento e não esperarmos que ele nos chegue para fazer recordar dos que já sofrem todos os tipos de necessidade.

Que o amor seja a nossa escolha, que nossa alma se aqueça no embalo da caridade e que nesse sentimento, saibamos estender as mãos.


Vania Mugnato de Vasconcelos