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31 julho 2009

Na Seara - Irmão José

NA SEARA

Na seara espírita onde foste chamado a servir, não critiques os companheiros, mesmo quando estejais a sós com alguém de tua inteira confiança.

Evita fomentar conversações inúteis, promotoras da desunião e da desconfiança.

Se te encontras imbuído do propósito de auxiliar, não apontes erros nos outros.

Não te esqueças que cada um deve colher os frutos de sua própria experiência e não queiras substituí-los no aprendizado que se lhes faz necessário.

Recordando a ti mesmo o quanto já te equivocaste, exercita a paciência e a compreensão para com aqueles que não te escutam os alvitres.

Valorizas os companheiros, destacando-lhes o esforço e a boa vontade nas tarefas que desempenham, sem exigir deles a perfeição que também não podes oferecer.

Não permitas que os assuntos levianos se alastrem no grupo a que pertences, minando-lhes as bases com a infiltração da intriga, que acaba por derrubar as mais sólidas construções de fraternidade.

Quando não tenhas o que conversar, relativamente às tarefas em pauta, antes que o tema descambe para a maledicência, provoque o diálogo em torno de uma das lições da Doutrina, canalizando as tuas idéias para o que seja proveitoso.

Educar a palavra é educar a alma em profundidade.

Se foste chamado a dirigir um grupo de amigos vinculados ao Espiritismo, reflete na responsabilidade de que te encontras transitoriamente investido e procura mantê-los unidos através do teu exemplo.

Não cultives preferências por este ou aquele.

Divide a tua atenção e o teu carinho, por igual, com todos eles.

Aprende a ouvir, para que saibas falar.

Lembra-te de que um dos maiores problemas que Jesus enfrentou, para nos ensinar o seu Evangelho, foi o do relacionamento entre os irmãos

que lhe constituíam o colégio apostólico.

Não alimentes aversão por quem pensa diferente de teus pensamentos.

"Quem não é por nós, é contra nós; e quem conosco não ajunta, espalha."

Não te arvores em juiz de quem quer que seja.

Os Espíritos Superiores que ditaram a Doutrina a Allan Kardec agitam quase que em completo anonimato, assinando as mais belas páginas apenas como "Um Espírito Familiar", "Espírito Amigo", "Guia Protetor", "João", "Lázaro", "Cáritas", "Simeão"...

Afastemos o personalismo de nossas cogitações.

Não queiramos ser o que sabemos que não somos.

Impessoalizemo-nos.

Quando não possas concordar com a orientação doutrinária deste ou daquele grupo, que acredita estar no caminho certo, ou quando ainda não consigas entender o posicionamento deste ou daquele companheiro de ideal, que defende firmemente o seu ponto de vista, silencia e espera.

De tua parte, sê sempre aberto ao diálogo, fugindo ao extremismo das idéias.

Se assim o fizeres, certamente errarás menos e colaborarás de forma mais eficiente na construção do Reino de Deus sobre a face da Terra.

De "Seara de Luz",
de Carlos A. Baccelli,
pelo Espírito Irmão José

30 julho 2009

Aos Consumidores de Drogas - Momento Espírita

Aos Consumidores de Drogas

Talvez você já tenha dito ou ouvido a infeliz afirmativa: Se eu uso drogas, o problema é meu, e ninguém tem nada a ver com isso. A droga só a mim prejudica.

Se você pensa dessa maneira, gostaríamos de lhe convidar a fazer algumas reflexões a respeito, sob outro ponto de vista.

Você já deve ter visto, ao vivo, pela TV ou nos jornais, a triste imagem de uma criança de oito anos de idade ou de um adolescente de doze, com uma metralhadora na mão, a serviço dos traficantes de drogas, não é mesmo?

São cenas chocantes e deprimentes, você há de convir...

No entanto, você jamais deve ter pensado que, usando drogas, está colocando o dinheiro na mão do traficante para que ele compre a arma e a coloque nos ombros dessas crianças.

Você já deve ter visto o sórdido espetáculo de uma mãe desesperada, com o coração sangrando e o rosto banhado em pranto, debruçada sobre o cadáver do filho querido que foi morto tentando fazer com que a mercadoria chegasse às suas mãos.

Você, que é consumidor, talvez não tenha se dado conta, mas é um dos responsáveis pela violência gerada nesse disputado mercado das drogas.

Você, que é usuário de drogas, ainda que seja de vez em quando, está contribuindo com a corrupção nutrida no submundo das drogas, e fomentando a disputa sangrenta pelo consumidor, que enche os bolsos dos poderosos do tráfico, dizimando vidas e matando esperanças.

Lamentavelmente, a grande maioria desses consumidores não percebe que o mal que causam está longe de ser um problema seu, como afirmam.

Não se dão conta de que seu vício é alimentado com sangue e lágrimas de muitos.
Em nome da satisfação de seu egoísmo, o consumidor de drogas deixa um rastro de sangue sem precedentes... E responderá por isso perante as Leis Divinas, sem dúvidas.
As mídias noticiaram o assassinato de um jornalista, que foi executado a sangue frio pelos donos do pedaço, que ele invadira, no cumprimento do seu dever de profissional comprometido com a verdade.

O povo se manifestou. Houve passeatas, protestos e pedidos de justiça. Muito louvável, não há dúvida.

Mas, quantos daqueles que empunharam a bandeira da paz e da justiça não terão contribuído para que aquela execução se realizasse?

Quantos executivos que, sentados em suas poltronas de luxo criticam a violência, sem se dar conta de que esta é alimentada pela farta mesada que colocam nas mãos de filhos viciados.

Você há de concordar que não haveria esse mercado infame das drogas se não houvesse o consumidor.

Quando vemos a cínica expressão de um prisioneiro que comanda o terror de dentro da prisão, temos que admitir que ele age dessa forma porque tem costas quentes, e está seguro de que nada lhe acontecerá.

E você, que é consumidor de drogas, está financiando esse mercado bilionário, alimentando esses tiranos cruéis que enriquecem graças a sua frágil vontade de encarar a vida de frente e de mente lúcida.

Mas essas não são as únicas desgraças que um viciado provoca. Há aquelas que acontecem dentro do seu próprio lar. Aquelas capazes de dilacerar um coração de mãe ou de pai, de irmão ou de filho, com atitudes inconsequentes e egoístas.
Se você ainda não havia pensado nessa questão sob esse ponto de vista, pense agora.

E, se pensar com sinceridade, perceberá que o vício está longe de ser um problema só seu, que só a você prejudica.

Faça um balanço urgente e tome a decisão acertada: boicote as drogas. Empobreça esses abutres que se alimentam das vidas dos dependentes descuidados.

Se lhe faltarem as forças, busque ajuda de profissionais especializados e confie seu coração àquele que foi e continua sendo o maior Psicoterapeuta de todos os tempos: Jesus Cristo.

Seu atendimento é gratuito, basta buscá-Lo através da oração.

Se as drogas ainda não destruíram por completo o seu senso crítico, reflita agora sobre tudo isso e mude o rumo dos seus passos.

Temos certeza de que você conseguirá.

Redação do Momento Espírita

29 julho 2009

Na Grande Transição - Emmanuel

NA GRANDE TRANSIÇÃO

Questão Nr. 155 de "O Livro dos Espíritos"

Por muitas sejam as tuas dores, repara o mundo em que a Divina Bondade te situa a existência e deixa que a vida te renove a esperança.

Tudo é serviço por toda a parte.

Apesar dos profetas do pessimismo, bulcões ameaçadores transformam-se, na hora da tempestade, em lagos volantes, acalentando a gleba sedenta; fontes de longo curso atravessam as garras pontiagudas da rocha, convertendo-se em padrão de pureza; pântanos drenados deitam messes de reconforto e árvores podadas multiplicam a produção.

Todas as energias que sustentam a Terra esquecem todo o mal, buscando todo o bem.

Dir-se-ia que o próprio Senhor criou a noite como exaustor das inquietações do dia, para que o homem, cada manhã, consiga reaprender e recomeçar.

Colocado, assim, no trono da razão, ante os elementos inferiores que te servem, humildes, olvida a sombra para que a luz te favoreça.

Ouve a própria consciência, seja qual for a idéia religiosa a que te filias, e perceberás que nasceste para realizar o melhor.

E quem realiza o melhor desconhece o que exprima ofensa ou descaridade, porque a ofensa é espinho da ignorância e a descaridade é chaga da delinqüência, que somente a educação e o remédio conseguirão liquidar.

Tudo aquilo que desfrutas é depósito santo.

Dotes de espírito e afeições preciosas, autoridade e influência, títulos e haveres são talentos emprestados que devolverás na hora prevista.

Desse modo, ainda mesmo que a maioria te escarneça o propósito de bem fazer, perdoa sempre e faze o bem que possas.

O tempo que traz hoje a oportunidade presente será amanhã o portador do minuto necessário à grande transição que a morte impõe sempre a justos e injustos... E, na grande transição, o bem que houveres feito, muita vez superando sacrifícios e trevas, ser-te-á o orvalho fecundante depois da nuvem, a água pura acrisolada na pedra, o ramo virente a destacar-se do lodo e o fruto opimo a pender do tronco dilacerado.

Segue, pois, ao clarão do bem, para que o crepúsculo das forças físicas te descerra a senda estrelada.

Não digas que tens o lar à feição de penitenciária, que te falta a compreensão alheia, que não dispões de recursos para ajudar ou que sofres inibições invencíveis.

Recorda que, certo dia, um anjo transfigurado em homem subiu agressivo monte, sentenciado à morte sem culpa, mas, em razão de haver aceitado a cruz, por amor de todos, embora desolado e sozinho, clareou para sempre a rota do mundo inteiro.

Do livro "Religião dos Espíritos",
de Francisco Cândido Xavier,
por Emmanuel

28 julho 2009

Revelações Inconsequentes - Vianna de Carvalho

REVELAÇÕES INCONSEQUENTES

O estudo do Espiritismo é de vital importância para que se possa penetrar-lhe a essência dos conteúdos científicos, filosóficos e ético-morais-religiosos.

Toda a sua doutrina se fundamenta na experiência que se deriva da observação contínua dos fatos, graças à metodologia quantitativo-qualitativa.

Não tendo sido elaboração de um homem ou de um grupo de indivíduos, não sofre os problemas de sistemas ou de idéias preconcebidas, mantendo incomum imparcialidade no exame e análise dos elementos que o constituem.

Resultado de demoradas reflexões e pesquisas, apóia-se nas leis naturais, que são fundamentais à vida de onde se derivam todos os seus postulados.

Os fenômenos que lhe facultaram o surgimento, em todas as épocas e Nações da Terra, passaram pelo crivo de contínuas experimentações, havendo resistido aos esquemas convencionais da dúvida, da fraude, das exteriorizações do inconsciente, antes de adquirirem cidadania e dignidade. Esses fenômenos foram considerados, no passado, como expressões da santificação, do misticismo, do ridículo - de acordo com a época em que se manifestaram - para se tornarem parte integrante da cultura humana, que os proporcionava, portanto, sem qualquer colorido fantasista ou miraculoso.

Passo a passo, as informações que se originaram nas comunicações foram objeto de exame e de comparação com o conhecimento intelectual, passando pelo crivo dos enfrentamentos com os sistemas vigentes e as doutrinas em voga, apresentando-se como um corpo harmônico de teses com características próprias, dantes não sonhadas sequer, compondo paradigmas que resistem aos mais intrincados processos de negação elaborados pelo materialismo, do qual é o mais vigoroso adversário.

Não se compadecendo com pieguismos culturais e atavismos ancestrais, o Espiritismo assenta-se na razão, que demonstra por meio dos conceitos avançados em torno do ser humano, da vida e da sua finalidade, tornando-se, por isso mesmo, um fértil campo de princípios filosóficos que dignificam e libertam as mentes e os sentimentos humanos.

Firmado nos princípios das Leis naturais, aquelas que regem o Universo, não pode ser ultrapassado, porque, à medida que surjam novas idéias centradas na lógica e resistentes aos combates extemporâneos da insensatez, o Espiritismo as aceitará, e quando essas conquistas do conhecimento demonstrarem que seja improcedente algum dos seus postulados, este será eliminado ou se amoldará ao impositivo da circunstância.

Não possuindo qualquer tipo de culto, de cerimonial, de ritualismo, de sacerdócio organizado ou equivalente, é a religião do ser integral, porque possui todos os fundamentos das religiões - Deus, imortalidade da alma, justiça divina, elevação de pensamento através da oração, exercício e vivência do amor - adentrando-se na demonstração da excelência desses conceitos, em face da sua feição de ciência experimental. Assim, para culminar esse objetivo demonstra a imortalidade do ser; mediante a sua comunicabilidade depois do decesso tumular; a justiça divina, recorrendo à reencarnação, que ora se converte na chave indispensável à compreensão dos acontecimentos históricos, sociológicos, humanos, econômicos, morais e espirituais que envolvem os indivíduos; a comunhão mental com a Fonte Geradora de vida, por meio do intercâmbio entre aquele que ora e o Fulcro ao qual é direcionada a emissão mental.

Em uma doutrina portadora de constituição elevada e sólida, sem brechas para o aventureirismo ou para o mercantilismo adivinhatório, somente se equivoca aquele que prefere manter-se à margem dos seus ensinamentos, que são claros como a luz que esbate a treva, ou que prefere o engodo à verdade, a fantasia à realidade, vivendo o período infantil do pensamento, irresponsável, portanto, ante os desafios existenciais para decifrar-se e avançar com segurança no rumo do destino traçado que tem à frente.

Não obstante, grassam em abundância, e multiplicam-se férteis, informações destituídas de veracidade, como aliás do agrado das pessoas acostumadas ao ludíbrio, às vaidades e exaltações do ego, que somente prejudicam, contribuindo para o aumento da ignorância e leviandade em torno dos assuntos relevantes da Humanidade.

Pseudo médiuns ou medianeiros em desequilíbrio, assessorados por Espíritos levianos que se comprazem em mantê-los no ridículo, amiúde apresentam-se como reveladores, e o são inconseqüentes, ludibriando a boa-fé dos incautos ou incensando os orgulhosos com bombásticas informações em torno do seu passado, com promessas mirabolantes sobre o seu futuro, ou ainda, como emissários de Embaixadores Celestes para evitarem calamidades, alterarem acontecimentos, assumindo posturas de semi-deuses, que deslumbram os fascinados e se tornam condutores dos grupos humanos.

Os Espíritos Nobres não têm qualquer interesse em revelações em torno de personalidades de ontem ou de hoje, evitando a abordagem em torno do que hajam sido, trabalhando em favor do presente, do qual se origina o futuro, que é a grande meta.

Não tem nenhum sentido a busca de informações em torno do passado espiritual, particularmente se se anela por haver sido rei ou príncipe, nobre ou burguês, sábio, guerreiro ilustre, papa ou outra qualquer personagem importante, que em algum momento esteve presente na História.

A Lei é de progresso, portanto, evidente que se é sempre melhor do que aquilo que se haja sido, não se devendo preocupar com cargos e homenagens do pretérito, agora mortos, e cuja evocação somente levaria à presunção, à ociosidade dourada ou à lamentação.

Outrossim, proliferam outras revelações trágicas em torno do fim dos tempos, das tragédias que irão ocorrer, como se não fossem elas do cotidiano, variando de expressão e de lugar, todas igualmente parte integrante do processo evolutivo de um planeta inferior, que avança para outro degrau na escala dos mundos.

O homem encontra-se reencarnado para aproveitar a oportunidade de reparação e aquisição de valores que lhe faltam na economia intelecto-moral, não para repetir experiências infelizes com novos fracassos ou para cultuar memórias extravagantes e fantasiosas, que em nada contribuem para a sua evolução. Cumpre, portanto, precatar-se todo aquele que se interesse pelo Espiritismo, com revelações inconseqüentes, estudando a Doutrina e praticando-a com segurança, lançando o pensamento para a frente e para cima, na certeza de que cada um é o que de si próprio faz. O fato de haver alguém vivido em área de destaque não significa ser Espírito feliz, antes comprometido com as graves responsabilidades que nem sempre soube honrar e que agora defronta para corrigir.

A meta que todos devemos perseguir é aquela que conduz à auto-realização, utilizando-nos do serviço de dignificação da vida e das criaturas em cujo grupo nos encontramos, encarnados ou não, porém, unidos no mesmo ideal de edificação de um mundo melhor para todos, longe do sofrimento, da ilusão, da ignorância, sempre responsável pelo mal que viceja em nós e nos retém na retaguarda de onde procedemos.

Vianna de Carvalho (espírito)
(Página recebida pelo médium Divaldo P. Franco, na reunião da noite de 14 de abril de 1996, em Quarteira, Portugal.)

27 julho 2009

Advertência aos Médiuns - Manoel Philomeno de Miranda

ADVERTÊNCIA AOS MÉDIUNS

Allan Kardec afirmou com sabedoria que a mediunidade é “apenas uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos dúctil aos Espíritos, em geral”.

Por essa e outras razões, os médiuns não se podem vangloriar de haverem sido eleitos como missionários da Nova Era, deixando-se sucumbir aos tormentos da fascinação sutil ou extravagante.

A atividade mediúnica, por isso mesmo, constitui oportunidade abençoada para o aperfeiçoamento intelecto-moral do indivíduo, que se permitiu dislates em reencarnações anteriores, comprometendo-se em lamentáveis situações espirituais.

A mediunidade é, portanto, um ensejo especial para a autorrecuperação, devendo ser utilizada de maneira dignificante, em cujo ministério de amor e de caridade será encontrada a diretriz de segurança para o reequilíbrio.

Quando se trata de mediunidade ostensiva, com mais gravidade devem ser assumidos os deveres que lhe dizem respeito, porquanto maior se apresenta a área de serviço a ser desenvolvido.

Em qualquer tipo de realização nobilitante sempre se enfrentam desafios e lutas, em face do estágio evolutivo em que se encontram os seres humanos e o planeta terrestre. É natural que haja alguma indiferença pelo que é bom e elevado, quando não se apresentam hostilidades em trabalho impeditivo da sua divulgação.

Sendo a mediunidade um recurso que possibilita o intercâmbio entre o mundo físico e o espiritual, as mentes desprevenidas ou ainda arraigadas na perversidade tudo investem para impedir que o fenômeno ocorra de maneira saudável, proporcionando, assim, os meios para restabelecer-se a ordem moral e confirmar-se a imortalidade do ser, propondo-lhe equilíbrio e venturas no porvir.

Não são poucos os obstáculos a serem transpostos por todo aquele que se candidata ao relevante labor mediúnico. Os primeiros encontram-se no seu mundo íntimo, nos hábitos doentios a que se acostumou no pretérito, quando permaneceu distanciado dos deveres morais, criando problemas para o próximo, que resultaram em inquietações para si mesmo. A luta a ser travada, para a superação do desafio, ninguém vê, exceto aquele que está empenhado no combate em favor da autolibertação, impondo-se a necessidade de rigorosas disciplinas que possam proporcionar-lhe novas condutas saudáveis, capazes de facilitar-lhe a execução das tarefas espirituais sob a responsabilidade e comando dos Mensageiros do Senhor.

O estudo consciente da faculdade mediúnica e a vivência dos requisitos morais são, a seguir, outro grande desafio, por imporem condições de humildade no desempenho das tarefas, tomando sempre para si as informações e advertências que lhe chegam do Mais Além, ao invés de transferi-las para os outros.

O médium sincero, mais do que outro lidador laborioso em qualquer área de ação, encontra-se em constante perigo, necessitando aplicar a vigilância e a oração com frequência, de modo a manter-se em paz ante o cerco das Entidades ociosas e vingadoras da erraticidade inferior. Isto porque, comprazendo-se na prática do mal, a que se dedicam, as mesmas transformam--se em inimigos gratuitos de todos aqueles que lhes parecem ameaçar a situação em que se encontram.

Por isso mesmo, a prática mediúnica reveste-se de seriedade e de entrega pessoal, não dando espaço para o estrelismo, as competições doentias e as tirânicas atitudes de agressão a quem quer que seja...

Devendo ser passivo o médium, a fim de bem captar o pensamento que verte das Esferas superiores, o seu comportamento há de caracterizar-se pela jovialidade, pela compreensão das dificuldades alheias, pela compaixão em favor de tudo e de todos que encontre pelo caminho.

As rivalidades entre médiuns, que sempre existiram e continuam, defluem da inferioridade moral dos mesmos, porque a condição mais relevante a ser adquirida é a de servidor incansável, convidado ao trabalho na Seara por Aquele que é o Senhor.

Examinar com cuidado as comunicações de que se faz portador, evitando a divulgação insensata de temas geradores de polêmica, a pretexto de revelações retumbantes, e defendê-los, constitui inadvertência e presunção, por considerar-se como o vaso escolhido para as informações de alto coturno, que o mundo espiritual libera somente quando isso se faz necessário. Jamais esquecer, quando incluído nessa categoria, que o caráter da universalidade do ensino, conforme estabeleceu o mestre de Lyon, é fundamental para demonstrar a qualidade, quando o indivíduo que a aplica no Bem procura servir com bondade e alegria, evitando a disputa das glórias mentirosas do mundo físico, assim como os desvios de conduta responsáveis pelas quedas morais da sua aplicação indevida.

As trombetas do mundo espiritual ressoam hoje, como em todos os tempos, nas consciências alertas, convocando os corações afetuosos para o grande empreendimento de iluminação de vidas e de sublimação de sentimentos, atenuando as dores expressivas deste momento de transição de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração.

Aos médiuns dignos e sinceros cabe a grande tarefa de preparar o advento da Era Nova, conforme o fizeram aqueles que se tornaram instrumento das mensagens libertadoras que foram catalogadas por Allan Kardec, nos seus dias, elaborando a Codificação Espírita, e que se mantêm atuais ainda hoje, prosseguindo certamente pelos dias do futuro.

Que os médiuns, pois, se desincumbam do compromisso e não da missão, como alguns levianamente a interpretam, gerando simpatia e solidariedade, unindo as pessoas numa grande família, que a constituem, e sustentando-lhes a sede e a fome de luz e de paz, de esperança e de amor, como somente sabem fazer os Guias da Humanidade a serviço de Jesus.

Manoel Philomeno de Miranda (espírito)
Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na tarde de 16 de abril de 2009, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.

26 julho 2009

Marco da Reencarnação - Miramez

MARCO DA REENCARNAÇÃO
ESE - Cap IV - Item 24

A reencarnação na Terra tem limites, desde que o Espírito chegue a uma condição de não mais precisar vestir a roupagem da carne; no entanto, considerando que a reencarnação se constitui em mudanças, e olhando para a vida eterna plena de transformações, ela se nos apresenta sem limites, porque as mudanças são permanentes.

Tudo reassume novos corpos na pauta da vida contínua; pode-se dizer, não encontrando outra expressão, que a vida se compõe de um seqüente movimento. Em todo lugar onde estagiamos, buscando experiências, existe a oportunidade extrema, nos mostrando o ponto final que podemos suportar naquele mundo; entretanto, não são extremos permanentes e, sim, limites do mundo em que estamos e que nós suportamos.

A evolução não tem barreiras; as mudanças são eternas em todas as escalas da vida.

Crescemos sempre, é o que podemos dizer. No ponto em que a humanidade se encontra na Terra, como mundo de expiações e provas, prestes a sair deste estágio, precisamos trabalhar dentro de nós, em preparo para alcançar um mundo de regeneração. Assim se processa a subida cada vez melhor, até a depuração espiritual que a vida pode nos oferecer.. E a Doutrina Espírita nos fala desta verdade, notícia que muito nos agrada, por já sentirmos o ambiente da felicidade; e para tanto, trabalhamos no ambiente do amor.

Os benfeitores espirituais que orientam a humanidade, sob a égide de Jesus, têm uma grande tolerância, por saberem que o Espírito revestido de carne recebe muita influência do magnetismo inferior, mas, mesmo assim, deve lutar, porque é no esforço de cada dia quepoderá alcançar a liberdade, dominando as paixões.

Nada tem limites, a não ser nos estágios, mas para adentrar em outra seqüência de aperfeiçoamento; assim é a vida, cheia de alegria, amor e caridade. O perispírito pode chegar
à certa elevação de se confundir com o Espírito sujeito à reencarnação na Terra; e o próprio corpo, em mundos superiores, também se confundir com o perispírito nos mundos inferiores.Entreguemo-nos, encarnados e desencarnados, à perfeição moral, juntamente com a sabedoria divina, no sentido de atingirmos um grau elevado do Espírito imortal, doando amor e espargindo luzes em todas as direções. Essa é a vida naquele ambiente de felicidade imperturbável.

O Espiritismo nos concita ao trabalho na nossa intimidade, sempre na exemplificação das virtudes de ouro que o Evangelho de Jesus, na amplitude do amor, nos oferta como caminho, verdade e vida, considerando o amor como ponto de partida, que é igualmente o ponto de chegada, por se mostrar em todos os estágios das dimensões. O amor é o hálito de Deus e o clima onde o Cristo vive.

Estamos vivendo a aproximação do fim dos tempos, onde dominam expiações e provas, na busca de outro mundo para a nossa regeneração. A humanidade caminha sob a aflição da dor, contudo,recebe permanentemente lições valiosas, envolvidas com a verdade que podemos entender como a libertação.

O mundo atual vivem em torno de dois monstros que devoram todas as esperanças, quese chamam orgulho e egoísmo, que devem ser expulsos das nossas vidas. Basta analisarmos com ponderação, que encontraremos essas duas feras devorando nossas alegrias.

Lutemos para vencer essa guerra, que entraremos na era da felicidade, sentindo o Senhor irradiando nas nossas consciências, em completa integração com Jesus, que domina nossos destinos.

Entendemos que nada tem limites; tudo se transforma, mas sempre para melhor, sendo Deus a fonte das nossas vidas, em quem devemos confiar e a quem devemos servir com humildade e amor.

De: "Máximas de Luz",
de João Nunes Maia,
pelo Espírito Miramez

25 julho 2009

O Álcool e seus Malefícios - Momento Espírita

O Álcool e seus Malefícios

O mundo atual está muito preocupado com o uso de drogas pesadas como a cocaína, o crack e outras, e há várias e justas razões para isso. Tais drogas agridem e destroem o homem física e moralmente, em pouco tempo.

Mas existe, correndo por fora e ganhando o páreo, uma outra droga que é aceita pela sociedade: chama-se bebida alcoólica.

As pesquisas realizadas mostram os índices alarmantes de jovens e adolescentes que ingerem bebida alcoólica frequentemente.

E a faixa etária de iniciação aos alcoólicos está caindo, ou seja, crianças já fazem uso deles.

A tal ponto que essa droga socialmente aceita surge na vida dos indivíduos antes mesmo da festa de 15 anos.

Os motivos que levam os alcoólicos a serem tão procurados pela garotada são simples.

Eles se encontram em um período em que a aprovação e a admiração dos amigos, da turma, é muito importante.

Bebem porque assim fica mais fácil chegar na garota, é mais fácil rir e ficar na onda.

O mais preocupante é que nem os pais, nem os jovens estão se dando conta que o vício está rondando. Os jovens acreditam que poderão parar quando quiserem. Que não são, nem serão dependentes.

A Organização Mundial de Saúde calcula que 10% dos adolescentes que bebem se tornarão alcoólatras. E 30% terão problemas com a saúde, acidentes de trânsito e outras consequências mais ou menos graves.

Não se imagina que tudo começa no que parece ser a inocente cervejinha.

É comum a cena no final de tarde: adolescentes, jovens e adultos ao redor de uma mesa, em animada conversa, regada a chopp ou cerveja.

As garrafas vão se acumulando sobre a mesa enquanto se joga conversa fora.

Os próprios pais não veem, normalmente, perigo ou problema algum em oferecer ao filho a cerveja. Como assistir ao futebol sem ela?

Como ir a uma pescaria sem a loira gelada?

Contudo, o abuso dos alcoólicos na adolescência acarreta muitos problemas no desenvolvimento psicológico.

Nessa época, o adolescente tem frustrações e angústias e, bebendo, perde a oportunidade de enfrentá-las. O que não lhe permite amadurecer. O alcoólico passa a ser uma bengala.

Quantos homens necessitam de um trago, de uma birita antes de fechar um contrato importante, de ir para a reunião para a concretização de um grande negócio?

Importante que se conscientizem os pais acerca do problema e ao invés de aderir à moda de tudo permitir, em matéria de bebida, passar a exemplificar a abstenção.

Primeiro, não bebendo. Segundo, não servindo. Terceiro, não adquirindo.

Algumas pessoas que não bebem nada que contenha álcool porque dizem não apreciar, mantêm em seu lar para servir aos amigos, variados licores e vinhos, uísque e cerveja. Ficam até num lugar todo especial, em local privilegiado da sala.

Não seria mais viável se oferecer ao amigo o que se tem de melhor e não aquilo que mais cedo ou mais tarde o poderá destruir?

Está na hora de pensar. E pensar firme. Pensar bem.

* * *

O álcool inibe a censura fazendo com que as pessoas percam o autocontrole e a autocrítica.

A razão desse comportamento está justamente no etanol, álcool etílico usado nas bebidas, que é uma substância repressora do Sistema Nervoso Central.

A alteração do comportamento se dá, mesmo quando usado em pequenas doses.

Redação do Momento Espírita, com base no artigo Alerta máximo – para onde caminha a juventude, publicado no Hora H de 20 a 26/05/1996 e no artigo Alcoolismo destruidor de vidas, publicado no Correio Fraterno do ABC, de maio de 1996.

24 julho 2009

O Problema da Tentação - Raul Teixeira

O Problema da Tentação

Existe uma dificuldade no ser humano, que é necessário parar muitas vezes para refletir a respeito. É a dificuldade das tentações. Afinal de contas, que fenômeno é esse?

Quase sempre, na problemática das tentações, fazemos um juízo de nós mesmos, e damos uma má interpretação das coisas, das nossas possibilidades.

Às vezes, avaliamos a nossa condição acima do devido, supervalorizamos possibilidades nossas, juramos que não cederemos em determinadas questões, que não cairemos em determinadas circunstâncias, e acabamos por adotar posturas às quais fomos levados pela tentação.

Por vezes, temos a tentação de trair, de trair um amigo, de trair a esposa, de trair o marido, de trair uma pessoa que nos é cara. Por que essa tentação nos ocorre?

Às vezes, temos a tentação de furtar. Sim, de furtar. E essa tentação se manifesta desde a cleptomania, em que pessoas furtam coisas de lojas, de mercados, até o imposto de renda fraudado. É um furto. Sim, é um furto.

Temos a tentação de beber. Começamos com a primeira taça e juramos que ficaremos sóbrios, que daremos conta de dirigir o carro, e juramos...

Temos a tentação de experimentar a droga, uma vez só, uma vezinha só, seja um pó, uma pedra de craque, uma taça de alcoólico. Uma vezinha só. Não, eu me garanto.

É a tentação, alguma coisa que nos impulsiona a fazer algo que não estamos muito certos da nossa capacidade de resistir, não podemos garantir quanto à nossa resistência. Mas fazemos.

A temeridade quando tomamos de um veículo, pisamos no acelerador e saímos em disparada: a tentação da velocidade, de bater o próprio recorde. A roleta russa, a roleta mineira, tantas tragédias por causa dessa tentação.

A tentação da libido, de procurar, de sondar, de cobiçar alguém que já seja comprometido, exatamente pelo prazer do inusitado. São tentações perigosas.

É muito importante verificar que, no mundo em que vivemos, precisamos ter cuidado com esse fenômeno terrível que nos arrasta a situações muito complexas no território da tentação.

É muitíssimo importante pensar como Jesus Cristo nos orientou. Em todas as vezes que Se dirigiu ao nosso Pai Celeste, nos ensinou buscar recursos contra a tentação.

Na oração dominical, o chamado Pai Nosso, há um momento em que o Mestre nos ensina a rogar ao Pai: Não nos deixes cair na tentação, ou não nos deixes cair em tentação.

A proposta viver na Terra é necessária, é indispensável. Viver no mundo nos enriquece. As experiências com nosso próximo, com nosso semelhante, as experiências na relação com as coisas, com os fenômenos naturais, isso tudo nos enriquece, mas é importante que não nos deixemos arrastar pelas tentações.

Os Bons Espíritos dizem que não existe um arrastamento irresistível. Se fosse irresistível, ninguém teria culpa de cair sob seu peso. Mas, existem arrastamentos aos quais nos permitimos em nome da tentação, porque sempre fazemos uma má interpretação das nossas possibilidades, temos um juízo indevido das nossas condições e quando vemos, tombamos nesse abismo terrível que se chama tentação.

É importante, porém, que neste capítulo, que neste campo, passemos a ter a proposta de Jesus Cristo em mente: oração e vigilância. É importante que se aprenda a orar, fazer essa ponte com o Divino; mas ter vigilância, o cuidado conosco mesmos.

Não há razão para orarmos, orarmos, somente orarmos e não prestar atenção nos caminhos por onde estamos trafegando, porque as tentações são perigosas e, a qualquer momento nos podem derrubar.
* * *
Nesse capítulo das tentações, existe algo que não devemos perder de vista. Não podemos dizer que foi o demônio que nos atentou, que Satanás é que nos arrastou.

Não temos como dizer que foram as más companhias que nos arrastaram ao mal, que foram os maus colegas, os maus companheiros, como é comum escutarmos nas conversas cotidianas da Humanidade. Atribuímos sempre aos outros o nosso insucesso.Quando são coisas boas, a estrela é nossa.

Claro que temos que parar e refletir que, nesse território das tentações, existe algo do que não podemos esquecer, a nossa volição. Sim, a nossa vontade.

Não fazemos nada que não esteja de acordo com a nossa vontade. A tentação exatamente mexe nesse território da vontade.

Temos vontade de fazer, embora queiramos depois inculpar a terceiros, jurar que foram as más companhias, mas nós temos vontade.

É importante saibamos que, quando temos vontade de fazer determinada coisa, mesmo que essa coisa seja negativa, acabamos por fazer.

Jesus Cristo nos diz: Buscai e achareis, pedi e obtereis, batei e abrir-se-vos-á. Mas Ele não nos diz em que porta deveremos bater. Qualquer porta em que batermos, ela se nos abrirá; qualquer coisa que pedirmos, receberemos; o que buscarmos, acharemos.

Se encontrarmos um espinho e sairmos procurando de onde ele veio, não haverá outra solução: vamos nos deparar com o espinheiro.

Se acharmos uma flor, um perfume, e sairmos buscando de onde vieram, esbarraremos num jardim, indubitavelmente.

E, nessa área é que temos que pensar nas influenciações espirituais negativas, que se aproveitam de nossas brechas morais, de nosso consentimento interior, de nossa vontade, e somam o seu desejo à nossa vontade.

Aí entramos na faixa das obsessões, das perturbações espirituais. Há muitas entidades devotadas ao mal, na postura de anti-Cristos e que querem fazer com que aqueles que estejam no caminho do bem se percam, para deles zombar, para retardar o seu caminho, o seu passo pela vida afora.

Cabe recordar o ensinamento de Cristo para que oremos e vigiemos.

A vigilância corresponde a este estado de prestar sempre atenção nas consequências do que vamos fazer.

Temos liberdade? Temos liberdade. Mas, até onde? Até quando? Com que intensidade? Porque tudo aquilo que semearmos, isso mesmo colheremos. As entidades negativas vão nos provocando a vaidade, o orgulho, a presunção, para nos fazer cair moralmente, para nos fazer tombar espiritualmente. As tentações têm suas raízes na nossa intimidade.

Digamos que uma pessoa passe pela porta de um bar, mas não tenha vícios de alcoólicos. O bar para ela será como uma vitrine qualquer de garrafas coloridas. Mas, se ela tiver o vício, qualquer garrafa, qualquer vitrine de bar lhe será uma tentação tremenda, exercerá sobre ela uma grandíssima tentação.

Alguém que não seja consumista inveterado pode passar por qualquer loja, pode ver o que for e passará tranquilo, olhará, tocará e sairá. Contudo, para quem tem essa compulsão interior para gastar, qualquer coisa será motivo para gastar.

Logo, a tentação não está do lado de fora, a tentação está dentro de nós. A tentação reside em nós. É aquela bagagem ainda não doutrinada, ainda não disciplinada, é aquela situação ainda não arranjada devidamente em nossa intimidade.

Isso provoca em nós uma instigação. O alcoólatra se sente atraído, atentado para o álcool. O gastrônomo se vê atentado pela comida e se torna glutão, e a glutonaria é um campo aberto para entidades viciosas explorarem a capacidade do indivíduo, até que ele adoeça, até que ele passe mal, até que se perca.

Para quem carrega em si a tormenta sexólatra, para quem aprendeu a desrespeitar a sexualidade, homens, mulheres, crianças, velhos, cadáveres, tudo entra no campo da sua tentação sexual, porque ele carrega em si essa matriz negativa.

Para quem aprendeu a se disciplinar, a se respeitar, a ver, por exemplo, a sexualidade como algo nobre e digno, sabe respeitar a esposa dos outros, o marido das outras, o namorado das outras, sabe respeitar os corpos alheios porque respeita o seu próprio.

A tentação tem esse componente terrível existindo dentro de nós, coabitando conosco, vivendo em nossa intimidade.

É por essa razão que, em cada momento de nossas existências, apelando para o ensinamento de Jesus de Nazaré, estaremos sim, fazendo as nossas preces, seja qual for a nossa crença, fazendo nossa elevação de pensamento, se assim preferirmos, mas sem deixar de vigiar os nossos passos, para onde estão indo nossos pensamentos e como estamos desenvolvendo os nossos atos.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 111, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em outubrode 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 5 de abril de 2009.

23 julho 2009

Problemas Sociais - Raul Teixeira

Problemas Sociais

No Evangelho de Jesus, identificamos um dos Seus ensinos notáveis, no Evangelho segundo João, no capítulo XIV, itens 1 a 3. Nesses versículos Jesus Cristo estabelece o seguinte:

Credes em Deus, crede também em Mim. Na casa do Meu Pai há muitas moradas. Eu Me vou para vos preparar o lugar, se assim não fosse Eu já vos teria dito.

Quando lemos isso no Evangelho, nos damos conta de que vivemos num planeta que é uma das casas de Deus espalhadas pelo Cosmo, pelo Universo inteiro.

O nosso planeta é a casa que momentaneamente estamos habitando e, não estamos aqui por casualidade. Existirá, sem dúvida, uma razão para que Deus nos haja situado neste planeta.

É óbvio que, nessa altura dos acontecimentos do mundo, da Ciência, do pensamento filosófico, não há mais espaço para admitirmos que seja somente o nosso planeta habitado nesse Universo de bilhões e bilhões de estrelas, cada uma dessas estrelas, cada um desses sois rodeados por seus planetas. Como é que somente o nosso teria o privilégio da vida inteligente no Universo inteiro?

O bom senso nos leva a pensar que há muitas outras cidades cósmicas, continentes siderais, como nós quisermos pensar.

Mas, a nossa Terra foi aquela casa planetária, aquela casa de Deus destinada a nossa habitação. Por isso mesmo estamos aqui numa sociedade, humana, da qual fazemos parte psiquicamente.

Todos os que vivemos neste planeta somos aparentados, temos um parentesco. Deus nos trouxe de alguns lugares, nos reuniu aqui e, naturalmente esses diversos lugares de onde viemos para a Terra, essas múltiplas moradas da casa do Pai, como lembrou Jesus, eram casas, moradas, planetas em que tínhamos características específicas, certas singularidades, certas propriedades, certas inclinações, certas tendências.

Quando nos reunimos aqui formamos a sociedade terrestre. E, essa sociedade terrestre é composta pelos elementos que vivemos nos mais diversos continentes, nos cinco continentes da Terra.

Notamos que, por mais que haja nesses continentes hábitos próprios, culturas próprias, alimentação específica, todos somos muito assemelhados. Enquanto criaturas humanas, sentimos amor, tristezas, mágoas, ódios, temos acessos de ira, temos expressões de ternura.

Somos muito similares, não importa qual seja a língua que estejamos falando; se o nosso país é de primeiro mundo, de segundo mundo, de terceiro ou quarto mundo, o importante é que nós somos muito assemelhados nas nossas reações espirituais.

Isto quer dizer que fazemos parte de uma mesma família evolutiva, um mesmo grupo em que manifestamos aquilo que já tenhamos adquirido.

É óbvio que vamos encontrar na Terra, figuras de exceção. Vamos achar aqui almas como Francisco de Assis, como Chico Xavier, como Abade Pierre, na França, como Luther King, nos Estados Unidos, Lincoln. Vamos achar criaturas como Madre Teresa, como Irmã Dulce. Vamos encontrar gente maravilhosa como João Paulo II. Vamos encontrá-los assim, espalhados nessa imensa massa humana.

Mas, a maioria de nós ainda se debate nas suas próprias tormentas. O ciúme, a mágoa, o ódio, a inveja, o despeito, o orgulho, a vaidade, a alegria exacerbada.

A nossa alegria é tão exacerbada, é tão estranha aqui na Terra que, quando queremos comemorar nossas festividades, temos que beber muito, temos que comer muito, temos que cair na vala do excesso, mostrando que ainda não sabemos aproveitar a nossa vida no planeta.

Tudo conosco raia para os extremos. Se gostamos de uma pessoa, nos apegamos a ela, ficamos ciumentos e, por causa do ciúme, nos atormentamos.

Se gostamos de comer alguma coisa, comemos aquilo até que nos faça mal. Vejamos como nos falta muito equilíbrio, dosando aquilo que o planeta nos oferece.

Por causa disso é que a sociedade em que nós estamos vivendo na Terra é a sociedade que nós merecemos.

Todos somos animais sociais, já disse o filósofo, todos somos criaturas que temos necessidade da vida social mas, enquanto estamos na Terra, nos assemelhamos a crianças colocadas na escola.

Temos que aprender boas maneiras, temos que desenvolver bons modos, temos que aprender a conviver uns com os outros, sabedores de que nessa convivência uns com os outros, alcançaremos o progresso que buscamos.

É a Terra o berço da nossa sociedade atual.

* * *

Sendo aqui o berço da nossa sociedade atual, tudo que fazemos aqui, fazemos em função da nossa volição, da nossa vontade, do nosso livre arbítrio.

Os atos de nossa vida são coordenados pela liberdade que temos de fazê-los. Por causa disto, a partir do momento em que acionamos a roda das nossas ações, estamos submetidos inexoravelmente às consequências dessas ações.

Por isso, Jesus Cristo estabeleceu para nós, que a sementeira que fazemos é de total liberdade, é livre a nossa sementeira, mas depois que se semeou, o que se vai colher é obrigatório.

Assim, na vivência social, vale a pena termos cuidado com aquilo que estamos plantando no território das almas humanas, no território dos corações alheios, no íntimo das vidas que nos rodeiam porque, em verdade, nós teremos as consequências dessa plantação.

E, pensando no fato de que na Terra, quase nunca sabemos semear boas sementes, quase sempre estamos envoltos em tormentas, Jesus Cristo nos diz, com certa dose de amargura:

No mundo só tereis aflições. Que coisa mais estranha.

Mas, se pararmos para pensar, este é o mundo das dúvidas, este é o mundo das incertezas, este é o mundo das impermanências. Nada neste mundo é para sempre, tudo é relativo, tudo é temporário, então, é o mundo das aflições.

Afligimo-nos porque não sabemos se vamos chegar a tempo, na estrada cheia como está, ao nosso trabalho; afligimo-nos porque não sabemos se vamos ser aprovados no vestibular, se seremos aprovados no concurso que fizemos.

Afligimo-nos porque não sabemos se determinada comida nos fará mal ou não, nos afligimos porque não sabemos... nos afligimos.

No mundo só tereis aflições.

Afligimo-nos por não saber se alguém gosta da gente como a gente afirma gostar desse alguém. A mulher tem ciúme do marido: Será que ele gosta de mim como eu gosto dele? O marido tem ciúme da esposa: Será que ela me ama como eu a amo?

E, deste modo, nós vivemos o tempo todo nesses conflitos. Conflitos de fora, da vida social, das necessidades prementes, conflitos por dentro, as nossas incertezas, aquilo que não se imagina se será ou se não será amanhã.

Então, a vida na Terra é uma consequência dos nossos atos. Se vivemos num mundo com essas características, é porque desenvolvemos em algum tempo, em alguma dessas moradas na casa do Pai, situações que nos impuseram viver hoje na Terra.

Deus não dá ponto sem nó O Criador não se equivoca jamais. Todas as coisas estão corretas aqui. Vale a pena pensarmos, e pensarmos bem naquilo que desejamos transformar a nossa sociedade.

Se damos bons exemplos, se damos bons ensinos, se passamos boas orientações para nossa criança, essa criança será um jovem bem orientado, bem instruído, bem assistido, que assistiu a bons exemplos.

Se ensinamos as crianças a serem corruptas ou corruptoras, se lhes ensinamos a fazer o mal, a prejudicar os animais, a ferir os bichinhos, a agredir a quem as agride na rua, pagar o mal com o mal, é óbvio que nós também participaremos da colheita dessa tragédia.

E é desta maneira que vale a pena pensar que vivemos na sociedade do mundo terrestre, porque é esta sociedade que fizemos por merecer. Deus não nos pôs aqui por mero acaso.

Quantas são as pessoas que se perguntam: Que mal eu fiz a Deus? Eu acho que eu nasci em tempo errado. Isto aqui não é o meu lugar, não é o meu mundo. É óbvio que é o nosso lugar.

Recordo-me de que, oportunamente, tive um desses surtos de criaturas humanas. Fiquei triste porque cada lugar que a gente vai, acha aqueles que não nos entendem, aqueles que estão sempre tramando contra nós, aqueles que nos tratam mal, aqueles que são ríspidos, que são grosseiros, que são indiferentes, e essa tristeza tomou-me conta da alma. Cheguei a minha casa muito preocupado, assentei-me no sofá e fiquei meditando. Algumas lágrimas me vieram aos olhos, por ver uma sociedade tão complexa como é a nossa.

Nesse momento, registrei uma criatura do outro lado da vida que me sugeriu o seguinte raciocínio:

E pensar meu filho, que você já poderia estar vivendo outra situação, diferente desta.

Foi o modo que ele encontrou de me dizer que o que eu estava vivendo aqui era fruto de minha própria escolha, consciente ou inconscientemente, porque aqui, na nossa sociedade terrestre, ganhamos o bônus do bem praticado, nas outras moradas da casa do Pai ou temos que resgatar o ônus de todos os gestos negativos que realizamos por esse mundo afora ou aqui no nosso planeta.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 125, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em janeiro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 29 de março de 2009.

22 julho 2009

Liberdade das Escolhas - Raul Teixeira

Liberdade das Escolhas

É muito importante pensar na nossa capacidade de escolher.

Em cada momento da nossa vida, em cada gesto de nossa vida, a escolha é nossa. Indubitavelmente, a escolha é nossa.

Cada vez que quisermos avaliar o porquê as coisas estão indo bem, ou não estão indo bem, verifiquemos o tipo de escolhas que vimos fazendo.

A partir disso, começamos a sentir que todos os nossos movimentos são ditados por nossa livre vontade. Fazemos escolhas para nossa felicidade, fazemos escolhas para nossa infelicidade.

Cada vez que escolhemos o cônjuge, o parceiro, o namorado, a namorada, precisamos ter em mente que estamos buscando alguém que se afine conosco, que esteja junto a nós, com quem possamos compartilhar a vida E essa escolha precisa ser bem feita.

Não podemos escolher de escantilhão uma pessoa que se viu uma primeira vez e supor que tenha surgido um amor à primeira vista, que dispense esse conhecimento gradual, ponderado, que precisamos ter um do outro.

Com tudo isso verificamos que, ao cabo e ao fim, não conhecemos bem as pessoas.

É muito complicada essa questão da escolha, mas temos que escolher, é opção nossa.Quando pensamos no alimento que desejamos para cada dia, que tipo de refeição queremos fazer, a escolha é nossa.

Se escolhemos alimentos de graxa, alimentos condimentados, alimentos leves, vegetarianos, escolha nossa.

A nossa condição orgânica a partir daí estará definida em função daquilo que escolhemos para nossa alimentação.

A forma como desejamos educar os próprios filhos. Como é que nós vamos conduzir a nossa prole?

Vamos educá-la numa religião, em que religião? Vamos trabalhar com ela o pensamento político da família, vamos ensinar aos nossos filhos a ver o mundo, a compreender as pessoas, a ter a mansuetude das pombas e a prudência das serpentes? Como é que, afinal, queremos educar os nossos filhos?

Vamos educá-los para que eles sejam os melhores da rua, do prédio, da escola, do bairro, ou para que eles sejam melhores do que eles mesmos a cada dia?

Nós é que fazemos escolhas e, a partir disso, a vida fica nas nossas mãos. É certo que há coisas que, mesmo tendo feito escolhas, a decisão final não é nossa. Às vezes, queremos determinada coisa mas, estamos submetidos à vontade de outros indivíduos.

Assim se passa na política, por exemplo. Queremos que a nossa cidade seja pacífica, seja ordeira, seja limpa, mas há coisas que independem de nós.

Há indivíduos que foram preparados, eleitos, escolhidos para atender a essas questões, então, foge à nossa alçada.

Mas mesmo assim, na condição de cidadãos, poderemos pressionar, fazer movimentos, nos dirigir às autoridades, nos dirigir aos periódicos - escolha nossa - ou podemos ficar devidamente acomodados esperando que alguém resolva por nós as questões.

É muitíssimo importante que tenhamos essa visão de que a nossa vida está amarrada às escolhas que fazemos. E fazer escolhas é alguma coisa que não é tão simples.

Se não aprendermos que a vida que levaremos estará em função das escolhas que façamos, não conseguiremos chegar a bom termo.

Começaremos a culpar os outros pelas escolhas que são nossas. Começaremos a dizer que a culpa é do tempo, é dos santos, é de Deus, é da política quando, em verdade, na maior parte das vezes, o problema está amarrado às escolhas que fazemos.

Vale a pena pensar que as escolhas estão atreladas ao que chamamos de livre-arbítrio.

O livre-arbítrio é essa condição que todos nós temos de pensar o que queremos para a nossa vida, de pensar como queremos as coisas para a nossa vida, e passarmos a implementar porque, graças a essas escolhas que fazemos, a vida nos responderá positiva ou negativamente.

Foi Jesus Cristo que estabeleceu que a sementeira nossa é totalmente livre, nada obstante a colheita nos será obrigatória.

* * *

Essa questão da escolha é de fato fundamental, porque nós escolhemos tudo: a roupa que vamos pôr, os calçados, a estrada por onde vamos, onde queremos ir almoçar naquele dia, ou jantar, nós escolhemos tudo.

Mas, é importantíssima esta percepção de que a nossa escolha não deve ser uma escolha de qualquer jeito. Precisa ser uma escolha responsável. Enquanto não soubermos fazer escolhas responsáveis, a nossa vida com toda liberdade, será quase sempre um caos.

O notável filósofo francês Jean-Paul Sartre chegou asseverar que estamos escravizados a nossa liberdade.

É graças a essa liberdade que definimos as coisas de nossa vida. E por causa dessa liberdade é que vemos pessoas como Adolf Hitler, que se decidiu por fazer o que fez, usando da sua liberdade.

Ao mesmo tempo descobrimos homens como Gandhi, que podia ter se tornado um advogado bem sucedido na Inglaterra onde se formou, na África do Sul onde foi trabalhar. Mas, ao ver a condição dos negros do seu povo, o domínio da Inglaterra sobre a Índia e tudo mais, ele optou por abrir mão daquele estilo de vida que levava na África do Sul, para ir lutar junto aos seus irmãos.

Naturalmente nós pensamos que foi uma escolha sua. Ele optou. Ao invés de ganhar só para si, ele foi trabalhar junto aos seus irmãos, ao seu povo, à sua etnia.

Encontramos escolhas como a de Madre Teresa de Calcutá. Madre Teresa era professora de alunas de classe média alta, e poderia ter sido homenageada sempre, paparicada por suas alunas, como era, amada por suas alunas, muito querida no trabalho que realizava. Contudo, depois de ter feito a célebre viagem de férias a Calcutá para conhecer o que se passava na cidade, e tendo visto o que viu, Madre Teresa não se conformou, fez a sua escolha, usou de sua liberdade, escreveu ao Papa, porque ela queria deixar de ser professora da escola cristã, mas queria continuar a trabalhar pelo Cristo numa outra frente.

Fez a opção, foi para Calcutá. E a história de Madre Teresa o mundo inteiro conheceu: uma história de liberdade, uma história de opção, uma história de livre-arbítrio.

Se pensarmos nos territórios do Espiritualismo, encontraremos no Espiritismo a figura de Chico Xavier.

Podia ter se tornado um dos mais ricos escritores do Brasil, se não tivesse assumido a sua condição de médium. E os livros assinados por aqueles seres espirituais viajaram o mundo, se tornaram traduzidos em várias línguas, levando conforto, orientação, luz, inspiração do bem a tanta gente. Escolha de Chico, opção que ele fez graças à sua liberdade de escolher.

Encontramos pessoas que podem ser honestas, mas escolhem o caminho da desonestidade. Têm liberdade para isso.

Achamos outras que podem ser dignas, mas optam pelo labirinto da indignidade. Têm liberdade para isso.

Outras se tornam homicidas, suicidas, exatamente porque optaram por isso. E porque optaram por isso, são responsáveis pelas consequências dessa opção que fizeram.

Liberdade com Jesus é a opção que deveremos fazer. Não estamos proibidos da distração, do esporte, de namorar, de casar, formar família, de optar pela nossa profissão, de ter o nosso emprego, ganhar nosso dinheiro, ganhar muito dinheiro, mas que tudo isso, fruto de nossa escolha, fruto de nossa opção, esteja clareado pela luz do Cristo.

Somente a partir desse clareamento que a inspiração de Jesus proporciona sobre nossas vidas é que conseguiremos fazer escolhas positivas, escolhas para sempre, escolhas para o bem.

Cabe a você, meu irmão, minha irmã, cabe a cada um de nós, fazer opções inteligentes, escolhas nobres, como Jesus Cristo fez quando podia ter ficado no domínio das estrelas, entre os beijos dos astros. Optou por descer à Terra e atender aos carentes de médico.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 107, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em outubro de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 22 de março de 2009.

21 julho 2009

Gratidão - Raul Teixeira

Gratidão

Encontramos um ensino notável de Paulo de Tarso, o grande Apóstolo do Cristianismo nascente, quando disse: Dai graças a Deus por todas as coisas.

Esse ensinamento de Paulo, naturalmente enfoca a questão da gratidão.

Via o Apóstolo a importância de se agradecer.

Percebemos que esta não é uma praxe entre as criaturas humanas. Todos nós gostamos de receber. E como gostamos! Mas, a questão é na hora de agradecer.

Parece que as pessoas que fazem as coisas para nós, que nos atendem de alguma forma, no nosso juízo profundo, não fazem mais que sua obrigação, quando não é verdade.

Aí começamos a encontrar espetáculos tenebrosos de ingratidão. Espetáculos de ingratidão que começam, muitas vezes, dentro de nossa casa, dentro do lar.

Quantas vezes, conversando com psicanalistas, com psicólogos, eles falam das reclamações, das queixas de muitos filhos referentemente aos seus pais.

É muito difícil encontrar filhos que não tenham queixas de seus pais. Nada obstante vale pensar que os pais também teriam queixas dos seus filhos, mas porque os amam, os toleram.

Desse modo, vemos com muita estranheza a ingratidão dos filhos pelos pais. Muitos alegam que sua mãe têm defeitos A, defeitos B; outros dizem que seu pai tem esse ou aquele defeito. Um diz que sua mãe não liga para ele, não lhe dá importância, outro diz que sua mãe o abafa.

Outros falam que seus pais nunca os abraçaram, nunca os beijaram. Outros falam que seus pais são muito exigentes, que o pai é muito cobrador.

E nós ficamos pensando. Naturalmente aqueles que reclamam tanto dos pais, seja do pai, seja da mãe, nunca se detiveram para pensar que, por mais complicado seja o pai, seja a mãe, eles têm uma virtude pela qual se tem que ser perpetuamente agradecido.

Sim. Foram eles que nos deixaram nascer, para que tivéssemos essa vivacidade que temos hoje, para que tivéssemos essa liberdade que temos hoje, para que pudéssemos ser como somos hoje. Devemos a eles, com todos os defeitos que eles possam ter.

É natural pensar que quem não consegue agradecer ao seu pai, à sua mãe que lhe deram a vida física, que lhe concederam a oportunidade do corpo físico, da vida na Terra, dificilmente agradecerá aos outros, aos estranhos. Aquele que não agradece a seus pais, não agradece a ninguém.

Alguns dizem: Mas eu não amo a minha mãe. Outros afirmam: Mas eu não amo meu pai, essa é uma outra questão.

Analisando tudo isso, dentro do enfoque reencarnacionista, podemos bem admitir que, na maioria das vezes, os filhos e os pais são Espíritos antagônicos, Espíritos que tiveram experiências não muito felizes em outras existências e que, por isso, quando chegam no mesmo lar, debaixo do mesmo teto, a Divindade propõe que eles se acertem. Essa inconsciência relativamente ao passado, esse esquecimento que o passado nos impõe na nova vida, é para que nós nos acertemos e não para que criemos problemas com a questão da ingratidão.

É por isso que vale a pena pensar que a gratidão é uma virtude de quem consegue amar, mas também de quem consegue raciocinar.

Mesmo sabendo que não sentimos amor pela pessoa que nos atende, mas ela nos atende. Então, precisamos ser-lhe gratos.

Verificando essa dificuldade dentro dos lares, quando muitos filhos são ingratos para com seus pais, ficamos a pensar o que eles encontrarão pelos caminhos afora, o que a vida lhes reservará. Porque se a gente não é capaz de dedicar esse sentimento de agradecimento pela vida, pelo corpo físico, pelas oportunidades, pelo lar, pela escolaridade que tivemos, mesmo pelas lutas que nos conferiram valor, quem não consegue agradecer isto, como vai agradecer outras coisas?

A gratidão, sem dúvida, é a nossa demonstração de amadurecimento, é a nossa demonstração de maturidade diante da vida.

Todas as pessoas que nos fazem bem, que nos ajudam a crescer, mormente quem nos deu o corpo físico, são dignas do nosso agradecimento.

Agradecer é servir a vida, é uma forma de ser feliz.

* * *

Somente quando conseguimos agradecer a pai e mãe é que estendemos essa gratulação a outras pessoas, porque os amigos mais próximos são eles, nossos pais.

Às vezes, encontramos o hábito ruim, que vem se implantando mesmo dentro dos lares, que é o hábito de não se ensinar aos filhos a agradecer.

As relações dos nossos filhos começam com os servidores domésticos, com as empregadas domésticas. Porque são empregadas domésticas, passa pelo imaginário geral que essas pessoas não devem receber agradecimento. Como não?


Claro que elas estão recebendo um salário para nos servir, para nos ser úteis, no entanto, toda criatura se sente feliz, gratificada, quando lhe agradecemos.

É por isso que vale a pena agradecer a toda criatura que, de alguma forma, nos atende.

O servidor doméstico pôs a comida à mesa: Muito obrigado, Fulano. Retirou o nosso copo, o nosso prato: Obrigado, Fulano. Porque a criatura pode fazer com má vontade.

Se aprendemos a agradecer, ela terá gosto em nos servir, gosto em nos atender. E, nessas relações todas que estabelecemos uns com outros, não podemos perder de vista a questão energética, a questão vibratória.

Aquela criatura que sabe que nós a estamos desdenhando, vibra mal com relação a nós, faz as coisas vibrando negativamente. Será capaz de impregnar aquilo que nos serve, aquilo com que nos atende. E não custa dizer à nossa servidora doméstica: Fulana, Beltrana, por favor, traga-me um café. Fulana, Beltrana, muito obrigado. Não custa, é uma palavra a cada momento em que nos sintamos agraciados.

Quantas vezes entramos num restaurante, chamamos o garçom de moço ou garçom, não lhe sabemos o nome, nem temos interesse em saber, e o tratamos como se ele não fizesse mais do que a obrigação ao nos servir.

É verdade, ele recebe salário para nos servir, mas, como pessoas amorosas, como pessoas que buscam a paz no mundo e querem ajudar com aquilo que lhes é mais fácil, não nos custaria agradecer ao garçom que nos serve à mesa.

Com toda certeza, cada vez que ele vier à mesa para nos servir, ele terá um sorriso, terá alegria, terá aquela satisfação em colocar no nosso prato, no nosso copo aquilo que estamos solicitando.

A grande questão é trabalharmos, energeticamente, as relações, sabedores do quanto o indivíduo se sente feliz quando recebe um agradecimento.

O balconista, quem é que agradece ao balconista? Ele não faz mais que a obrigação, ele está recebendo para isso, esse é o discurso que nós usamos.

Mas é tão bom quando alguém nos atende e, depois de termos feito o balconista descer todos os produtos para que nós verificássemos qual deles iríamos levar e, às vezes, não levamos, depois daquele sacrifício todo nós dizermos: Muito obrigado, você foi muito gentil.

Quantas vezes essa criatura, que está do outro lado, atendendo no balcão, espera uma palavra de alguém, diante das crises humanas que está vivendo.

Há algum tempo, saindo do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, dirigindo o carro, estava com um amigo e passei pela jovem que cobrava a entrada do estacionamento. Parei o carro e entreguei-lhe o tiquet, ela me disse o valor e, por trás dessa moça registrei uma presença espiritual.

Era um senhor de cabeça branca, com ar preocupado, e dizia-me assim: Mexa com ela, brinque com ela, ela é do Ceará. Naquele átimo, olhei aquela jovem entristecida, aborrecida, e disse-lhe: Olá, cearense. Ela abriu um sorriso.

Como é que o senhor sabe que eu sou do Ceará? Eu digo: Pelo seu jeito. E ela ficou feliz, agradecida.

Eu lhe disse: Muito obrigado, embora ela estivesse ali para atender a todo mundo que fosse pagar o estacionamento.

Agradecer não deveria ser uma obrigação, deveria ser uma alegria, um dever nosso de fraternidade.

Por isso, desde os tempos apostólicos, Paulo de Tarso nos ensinou com relação a Deus: Dai graças a Deus por todas as coisas e, quando agradeço o meu próximo, estou agradecendo a Deus que o colocou no meu caminho.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 139, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em abril de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 15 de março de 2009.

20 julho 2009

Magnetismo Pessoal - Raul Teixeira

Magnetismo Pessoal

Cada criatura humana é um magneto que caminha pela Terra.

A Terra em si mesma é um grande corpo magnético. Mas, cada criatura humana é um corpo magnético sobre outro corpo magnético.

Cada qual de nós carrega a sua capacidade magnética, e essa capacidade magnética é assim chamada pelo poder de atrair que cada um de nós detém.

Essa experiência o ser humano alcançou, graças a essas experiências remotas que vimos trazendo ao longo da evolução dos seres, dos mundos, dos planetas, desde quando o átomo é dotado de uma capacidade de atrair as partículas ao seu redor, desde que o núcleo atômico se tornou responsável por atrair a sua volta a nuvem de elétrons, até a criatura que atrai a sua volta um conjunto de pessoas.

Ao longo da História da Humanidade, em toda e qualquer sociedade, desde que os grupos humanos deixaram de ser grupos anômicos, sem coordenação, sem regulação, para se tornar grupos sociais, nunca mais encontramos um desses grupos que não tivesse uma liderança.

As criaturas humanas, de uma maneira ou de outra, exigem alguém que as conduza, um líder, e nunca houve falta desses líderes em toda e qualquer sociedade da Terra.

Houve um período em que as comunidades planetárias, as comunidades humanas entendiam que a virtude do conhecimento, a virtude da moralidade, a virtude da sabedoria estaria com os idosos, os anciães. E surgiu na Terra a chamada aristocracia dos patriarcas, dos anciães.

Acreditava a criatura humana que, quanto mais velha fosse a pessoa, maior a soma de suas experiências, maior a gama de suas experiências, melhor o poder de dirigir outras criaturas.

De certo modo é verdade. Quanto mais vivida seja a pessoa, mais experiências ela carrega e, com essas experiências, terá mais chance de abordar os outros, de orientar os outros, uma vez que se orienta a si mesma.

No entanto, na medida em que o tempo foi passando, essas aristocracias e, particularmente, essa aristocracia dos patriarcas ou do patriarcado, foi cedendo lugar a outras porque se os anciães tinham experiência, maturidade, não tinham força física. E as comunidades precisavam de alguém que tivesse força física para as defender.

Surgiu a aristocracia da força bruta. E, nessa aristocracia da força bruta, os líderes que, a princípio, defendiam as comunidades que os houveram convidado, atraído e solicitado sua ajuda e seu socorro, passaram a dominar essas comunidades, a se atribuir poderes que não lhes haviam sido dados e depois a transferi-los para seus herdeiros, filhos, irmãos, sobrinhos, etc.

Naturalmente, a aristocracia da força bruta, que foi mais uma liderança pela Terra, foi cedendo lugar à aristocracia do nascimento, o nome que a pessoa detinha; a aristocracia do poder econômico, o dinheiro que a pessoa detinha; à aristocracia do intelecto: quanto mais o indivíduo soubesse, maiores poderes teria, até chegarmos à necessidade de uma aristocracia que, de fato, conduzisse bem os homens pela Terra.

Já que precisamos instintivamente, pela nossa natureza social, de uma liderança, por que não uma liderança que pudesse nos orientar intelectualmente? Uma liderança que, ao mesmo tempo, nos pudesse conduzir em níveis morais?

Sentimos, por isso, a importância de que, ao longo dos tempos da Terra, possamos encontrar, possamos desenvolver, possamos ter uma aristocracia de poder intelectual e de poder moral. Uma aristocracia intelecto-moral.

Essa certamente nos dará possibilidades de desenvolver os campos mais diversos de nossa vida.

Essa liderança, essa aristocracia nos permitirá desenvolver nosso potencial intelectual, nosso saber, nosso conhecimento, mas também nos ensinará a dar boa vazão a esse saber, a esse conhecimento; nos ensinará a trabalhar tais conhecimentos que tenhamos para o bem. E a nossa aristocracia intelecto-moral, a nossa liderança intelecto-moral nos endereçará para a felicidade.

* * *

Essa felicidade naturalmente terá muito a ver com o esforço que tenhamos feito por conquistá-la.

Como falamos, cada qual de nós é um magneto que se desenvolve, que se move na Terra, sobre o planeta, que também é um gigantesco corpo magnético.

É por isso que os analistas e psicanalistas de várias idades do mundo, desde o século XIX, vêm nos trazendo com Freud, com Adler, com Gustav Jung, essas noções de que cada qual de nós carrega em si o chamado “it”, ou se quisermos, um magnetismo pessoal.

Não é à toa que vemos pessoas capazes de atrair para o seu derredor um contingente imenso de outros indivíduos, que se sente bem junto delas, que acata as suas determinações.

Encontramos diversos indivíduos espalhados mundo afora, que afugentam as pessoas do seu derredor, que ninguém suporta estar ao seu lado, mesmo a sua família, mesmo as pessoas que lhes deveriam ser mais próximas E a que se deve isso?

A princípio, podemos cogitar desse nosso magnetismo pessoal. Liberamos determinadas energias, se quisermos dizer assim, liberamos de nós determinados fluidos, que fazem com que as criaturas sintonizadas com os mesmos ideais nossos tenham vontade de se aproximar. Elas não sabem porque, mas sabem que alguma coisa em nós as atrai.

Por outro lado, liberamos de nós determinadas substâncias psíquicas que impõem aos outros um afastamento de nós. Criaturas que até gostariam de estar ao nosso lado, não sabem explicar bem porquê mas, alguma coisa lhes impõe fugir de nós: nosso magnetismo pessoal.

Quanto mais sejamos criaturas egoístas, personalistas, individualistas, a tendência é que se aproximem de nós as pessoas de mesmo matiz psicológico, de mesmo teor idealístico, e passamos a compor os grupos, os bandos, passamos a compor as falanges.

De acordo com a inclinação dos nossos sentimentos, atraímos indivíduos com inclinações similares.

O mundo fala, por exemplo, que Hitler matou a seis milhões de judeus, que Hitler fomentou isso, fomentou aquilo. Não discutimos a tragédia que o caráter de Adolf Hitler impôs ao mundo ocidental.

No entanto, ele não fez isso sozinho. Ele fez isso com dezenas e centenas de oficiais, de homens comuns, mulheres comuns da sociedade que, com ele, com suas ideias compactuavam.

Vejamos o magnetismo de Hitler, capaz de reunir, depois daquele célebre encontro na cervejaria de Munique, aquele contingente enorme de criaturas que o aplaudiu, até deparar-se com a tragédia que ele fomentou no solo europeu e no mundo.

Mas, ao mesmo tempo, notamos indivíduos como Gandhi, com sua fala mansa e firme, com seu caráter de não querer fazer uma guerra contra a violência, porque ele afirmava que qualquer movimento contra a violência teria que ser violento também.

Ele promoveu um movimento pela não violência de qualquer teor. Reuniu ao seu redor toda a Índia. Os seus jejuns se tornaram famosos, porque com esses jejuns ele promovia a religação dos seus irmãos, da Índia, do Paquistão, que surgiu depois.

Gandhi foi esse líder excepcional, com sua energia, e até hoje, depois da sua morte em 1946, Gandhi é para nós esse ícone da liberdade, atraindo em torno do seu nome legiões de criaturas de boa vontade, de homens e mulheres que prezam a liberdade.

Mas, de todos os seres que passaram pela Terra, o magnetismo pessoal mais atraente foi o de Jesus de Nazaré. Nada obstante, nós não conseguimos entendê-Lo.

Ele era tão especial que não conseguimos compreendê-Lo. Mas Ele, pacientíssimo, nos disse:

Quando Eu for erguido no madeiro atrairei todos os homens a Mim.

E foi somente depois da Sua crucificação que passamos a nos interessar por Ele.

No entanto, quando na Terra, onde estava? Estava cercado pelas multidões de famintos, famintos de comida, famintos de amor, famintos de paz, famintos de esperança, famintos de Deus.

Esse Deus que Jesus Cristo exprimiu tão bem com a Sua vivência, e espalhou tão bem entre nós, com o Seu luminoso e formidável magnetismo pessoal.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 93, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em agosto de 2007. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 8 de março de 2009.

19 julho 2009

Luz para Todos - Emmanuel

LUZ PARA TODOS

Estariam os princípios espíritas endereçados à segregação para uso exclusivo daqueles irmãos que carregam provas visíveis no plano material?

Encontramos, com freqüência, na Terra, quem suponha deva ser a Nova Revelação limitada ao trabalho em favor dos que sofrem a penúria do corpo, sob pena de perder a própria simplicidade.

Entretanto, a fulguração solar será menos luz quando clareia o recôncavo de um vale e o topo de um arranha-céu ao mesmo tempo? E, acaso, a fonte se diminuirá em grandeza por deixar-se canalizar em serviço à cidade grande, após haver saciado a sede aos lares do campo?

*

Decerto, a mensagem da Vida Maior tem significação mais imediata em auxílio a quantos se vejam no mundo em dificuldades abertas, seja no chão das exigências primárias da natureza ou na sombra das grandes tribulações em que a inconformidade os compele a se tornarem francamente infelizes. Imperioso, porém, pensar naqueles outros companheiros da humanidade que a vida situou em outros setores.

Não é a face externa da criatura que lhe determina o grau da necessidade espiritual.

Dói-nos ver as mãos que se nos estendem nas ruas, à cata de pão; no entanto, será justo, igualmente, compreender os obstáculos daqueles que se esfalfam em serviço para que haja pão, tanto quanto possível, à mesa de todos.

Aflige-nos registrar os empeços do amigo em profissão singela, cujo salário não lhe satisfaz a todos os requisitos da vida simples, mas não nos será lícito esquecer os óbices daqueles que se atormentam na orientação da oficina para que o trabalho não se perturbe ou escasseie.

Magoa-nos surpreender irmãos diversos, acomodados nos palheiros humildes que lhes servem de residência; contudo, não podemos desconhecer os impedimentos daqueles outros que encanecem nas administrações, construindo caminhos ao progresso e traçando horizontes ao reconforto geral.

Sensibiliza- nos o martírio das mães que vagueiam nas vias públicas à busca de socorro para filhinhos padecentes; entretanto, seria injusto desconsiderar o sofrimento daquelas outras que se aniquilam, pouco a pouco, dentro de casa, em posição de incessante sacrifício, para sustentarem os descendentes, de modo a que a dignidade humana possa honrosamente sobreviver.

*

Reflitamos no conjunto dos problemas humanos e a ninguém deserdemos da verdade e do amor, de vez que em qualquer situação pertencemos todos a Deus e, segundo as nossas necessidades, é natural que Deus nos atenda a cada um.

Autor Espiritual: Emmanuel
Do livro "Na era do Espírito",
de Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires
(Espíritos Diversos)

18 julho 2009

Amor e Auxílio - Humberto de Campos (Irmão X)

AMOR E AUXÍLIO

Rolava a conversação em torno de proteção espiritual, quando Jonaquim, respeitado mentor de comunicabilidades cristãs, narrou com a voz aquecida de bondade e sabedoria:

- Ouvi de um instrutor amigo que Mardônio Tércio, convertido ao Cristianismo, nos primeiros dias do Evangelho em Roma, se fêz um discípulo tão valioso e humilde do Senhor que, para logo, teve o seu nome abençoado nos Céus. Patrício de enorme fortuna, desde muito cedo abandonado pela mulher que demandara Cartago para uma vida independente, Mardônio, assim que penetrou a essência da doutrina do Cristo, dividiu todos os bens com o filho único, Marcos Lício, e entregou-se à caridade e à renovação. Instrumento fiel do bem, abria os ouvidos a todos os apelos edificantes, fossem dos mensageiros de Jesus que lhe solicitavam a execução de tarefas benemerentes ou dos irmãos encarnados nos mais baixos degraus da penúria. Fizera-se espontaneamente o apoio das viúvas desamparadas e o tutor afetuoso dos órfãos. Além, disso, mantinha horários, cada dia, para o serviço de assistência direta aos doentes e sofredores, administrando-lhes alimento e socorro com as próprias mãos

Ao contrário do pai, o jovem Marcos se chafurdou em absurda viciação. Aos trinta de idade, parecia um flagelo ambulante. Distinguindo-se entre as forças do ouro e do poder, não vacilava em abusar das regalias que desfrutava para manter-se no banditismo dourado que os privilégios sociais tanta vez conservam impune.

Dois caminhos tão diferentes produziram, em consequência, duas posições diametralmente opostas no Mundo Espiritual. Sobrevindo a morte, Mardônio cresceu em tamanho merecimento que foi elevado à esfera do Cristo, acessível aos servidores que pudessem colaborar com ele, o Senhor, nos dias mais torturados do Evangelho nascente. Marcos, porém, arrojou-se a escuro antro das zonas inferiores, onde, conquanto afeito à revolta e à perversão, qual se trouxesse a consciência revestida em grossa carapaça de insensibilidade.

O genitor, convertido em apóstolo da abnegação, visitava o filho, no vale tenebroso a que se chumbava, sem que o filho, cego de espírito, lhe assinalasse a presença; e tanto se condoeu daquele com quem partilhara o afeto e o sangue que, certo feita, num rasgo de apaixonado amor pelo rebento querido, suplicou ao Senhor permissão para levá-lo consigo para as Alturas, a fim de assisti-lo, de mais perto.

Jesus sorriu compreensivo e aquiesceu, diante da ternura ingênua do devotado cooperador, e, antes que amigos experientes lhe administrassem avisos, lá se foi Mardônio para a cava sombria, onde o filho se embriagava de loucura e ilusão... Renteando com Marcos, positivamente distante de qualquer noção de responsabilidade, aplicou-lhe passes magnéticos, anestesiou-lhe os sentidos e, tão logo o beneficiado cedeu ao repouso, colocou-o enternecidamente nos ombros, à feição de carga preciosa, e, com imensos cuidados, transportou-o para os Céus...

Instalado num dos sítios mais singelos do Plano Superior, o recém-chegado, porém, usufruía luz mais radiante que a do dias terrestres, e, tão depressa acordou sob o encantamento paternal, viu-se coberto de fluidos repugnantes que lhe davam a impressão de ser um doente empastado de lama enquistada. Marcos se confrontou com os circunstantes, que se moviam em corpos tênues e luminosos, e passou a gritar impropérios e insultos. Ao pai que intentou reconfortá-lo, procurou esbofetear sem misericórdia, afirmando que não pedira e nem desejara a mudança. Exortado a respeitar o nome e a casa do Senhor, injuriou o ambiente com palavras e idéias de zombaria e ingratidão. Parecia uma fera desatrelada, buscando enlamear um fonte de luz. Interferiram amigos e o rebelado caiu de novo em prostração, sob hipnose benéfica...

Jonaquim fêz novo intervalo, e, porque se interrompera em apontamento culminante da historia, um dos companheiros interrompeu:

- E daí? Mardônio se viu coibido de amparar o filho a quem amava?

O instrutor explicou:

- Sim, meus amigos, Mardônio acabou compreendendo que nem Deus violenta filho algum, em nome do bem, e que o bem jamais foge à paciência, a fim de ajudar... Por isso, reconduziu Marcos ao antro de onde o arrancara e, sem nada perder em ternura e esperança, até que o filho quisesse ou pudesse de lá sair para novos passos no caminho da evolução, o ex-patrício, por noventa e dois anos consecutivos, desceu diariamente ao vale das trevas, oferecendo ao filho, de cada vez, a bênção de uma prece, uma frase esclarecedora e um naco de pão.

- Mas, isso não é o mesmo que acentuar a impraticabilidade do socorro? – aventou um dos presentes. – Não seria mais justo relegar o necessitado ao próprio destino para que ele mesmo cogitasse de si?

Jonaquim sorriu expressivamente e rematou:

- Não temos o direito de pôr em dúvida o poder e a eficiência da lei de auxílio. A renovação conseguida por noventa e dois anos de devotamento talvez custasse, sem eles, noventa e dois séculos. O amor, para auxiliar, aprende a repetir.

Por: Humberto de Campos (Irmão X)
Do livro: Cartas e Crônicas,
Médium: Francisco Cândido Xavier.