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10 janeiro 2011

Viage, do Renascimento - Augusto Cezar

VIAGEM DO RENASCIMENTO

Achava-se numa ilha de esperança, em pleno mar da Espiritualidade, consciente de que me aproximava do retorno à vida física.

Pensava na jovem que me receberia nos braços.

Lembrava-me de havê-la conhecido em outras estâncias. A memória, porem, lutava para reconstituir-lhe a imagem dentro de mim. Só ela conseguiria fixar-me de novo na Terra, pela força do amor.

Correi os olhos, como quem se preparava para uma jornada intuitiva de volta ao passado, no intuito de refazer-lhe os traços.

Era ela, sim, que devia esperar-me.

Sentia-lhe as mãos de veludo, resguardando-me a segurança, enquanto os seus pensamentos perpassavam por minha cabeça, com a suavidade das brisas que se movimentam no alvorecer.

Revia-lhe os olhos, na tela de minhas reminiscências, à feição de estrelas que me descobriam a alma.

No intimo, registrava-lhe o calor da fé em Deus e em si mesma, refundindo-me as energias, de modo a retornar-me na existência terrestre.

Percebia-lhe, de novo, nas fibras recônditas do espírito, a coragem sem temeridade, a beleza sem orgulho, a bondade sem afetação, a lealdade sem fraqueza, a confiança sem desânimo, o amor sem vacilações e a luz sem sombra...

Só então notei que a meditação se me transformara numa viagem maravilhosa...

Desligara-me da ilha em que achava e reconhecia-me sob poder de atração inexplicável.
Vi-me no aconchego de um lar em que ela me aguardava.

A irradiação estelar que lhe fluía do peito era o seu coração a falar-me de seus sonhos e aspirações.

Queria um filho que era eu mesmo.

Nunca a julguei tão linda a esperar-me, a fim de instilar-me vida nova.

Beijei-lhe a face com a simplicidade da flor humana em que passara a transfigurar-me.

Ela chorou e envolvi-lhe os cabelos, com as minhas próprias lágrimas.

Observei-me na condição do menino que ela própria mentalizara e, recolhendo-me ao seu colo, descansei com a despreocupação da criança que novamente começara a ser.

Quis gritar a minha felicidade em cânticos de louvor a Deus, mas repousando junto àquele coração, à maneira da ave cansada que se reacomoda no ninho, pude apenas dizer: “Minha mãe!... Minha mãe!...”

Do livro "Presença de Luz"
Pelo Espírito Augusto Cezar
Médium: Francisco Cândido Xavier

27 novembro 2010

Ambição - Augusto Cezar

A M B I Ç Ã O

Era noite.
O mentor Silvério Pires recomendou-me esperá-lo por instantes.
Em seguida, veio a mim explicando:
Augusto, temos serviço urgente. Venha comigo. Trata-se de um pedido de mãe devotada, em apoio de um filho enfermo.

Obedeci, de imediato, mesmo porque o orientador é um desses professores diletos a que nos vinculamos por afetuoso reconhecimento.

Alguns minutos voaram e atingimos um palacete de primorosa estrutura, cercado por jardins que brilhavam ao luar, dentro da noite.
Entramos.

O mentor parecia familiarizado com os mínimos recantos do solar, enriquecido de tapetes e telas raras.

Em aposento próximo, mobiliado segundo os hábitos portugueses do século XVIII, um homem, aparentando cinqüenta janeiros, escrevia e escrevia...

Porque estacássemos, de repente, perguntei surpreso ao meu condutor:
- Onde está o doente?

O amigo fez um gesto de proteção, sobre a cabeça do homem que me era desconhecido e acentuou:
- Este é o irmão Celestino que nos requisita assistência.

Fitei o desconhecido, da cabeça aos pés e não lhe notei qualquer anormalidade.

Entretanto, o mentor solicitou-me:
- Tome papel e lápis e copie a carta em andamento.Trata-se de um estudo que nos cabe fazer.
Sem vacilar, passei a escrever o texto que o desconhecido produzia à nossa frente.
Era uma carta que ele provavelmente endereçava a algum irmão distante, e assim dizia:

"Meu caro Aprígio:
Segure os cinqüenta mil sacos de arroz no armazém número dois e aguardemos mais preço. Os dez mil litros de óleo para cozinha, mantenha você em estoque e os dois mil sacos de café em grão guarde no armazém quatro. Não venda bulhufas. Mais algumas semanas e estaremos numa boa. Tudo isso terá preços altos, nos próximos dias.
E olhe: Não dê migalha alguma a ninguém. Religiosos têm vindo aqui a me pedir socorro. Dizem que os tutelados deles estão em carência. Até freiras já vieram aqui com petitórios. Não atenda a ninguém se você for procurado. Esse negócio de religião e caridade já era. Um certo amigo chegou a me dizer que a minha fazenda pela qual suei tanto, pertence a Deus e a mim, que eu não passo de sócio. Eu queria que esse maluco visse os meus terrenos quando Deus estava aqui trabalhando sozinho. Era mato e cobras em toda parte. Fique tranqüilo e nada de coração mole. Espero estar aí na próxima semana.
Até quinta-feira.
Um abraço do seu irmão
Celestino"

Celestino, pois esse era o nome de nosso anfitrião, colocou a caneta em lugar adequado e, logo após, levou a mão ao peito. Gemia. Afigurava-se-me que ele sentia muita dor.
Em dado momento, pressionou o botão de uma campainha e estirou-se em larga poltrona.
Um servidor apareceu.
Celestino pediu um coronário-dilatador e a presença do seu médico particular.

O cardiologista surgiu com presteza e determinou a remoção do doente para um hospital.
Pires sentenciou:
- Devemos acompanhá-lo. Esta é a última noite de nosso amigo na vida física.

Internado, Celestino estava submetido a minuciosos exames.
Silvério se dispôs à retirada e disse-me simplesmente;
- Veja você. Tanta ambição e dentro de poucas horas o nosso amigo estará desencarnado, sob a suspeita de enfarte. Amanhã viremos buscá-lo.
Nada mais acrescentou e eu fiquei a meditar sobre a lição recebida.

Do livro "Fotos da Vida
Pelo Espírito: Augusto Cezar
Médium:Francisco Cândido Xavier

09 novembro 2010

Oficinas de Assistência - Augusto Cezar

OFICINAS DE ASSISTÊNCIA

E porque nós outros – um grupo de rapazes – nos acercamos do Mentor, indagando que opinião era a dele sobre as oficinas de assistência aos necessitados, nas realizações cristãs, ele nos respondeu cortesmente:
- O assunto é do maior interesse. A propósito, desejo contar-lhes a experiência de um companheiro. Um amigo, que foi batista na Terra, chegou à Vida Espiritual com grande prestígio pelos serviços prestados à Causa do Senhor. Conduzido por devotados benfeitores à grande cidade da Vida Maior, passou a visitar os setores de trabalho que o empolgavam. Tomando a companhia de um professor, entrou a movimentar-se.

Na sequência de suas excursões, viu-se diante de vasto sanatório, em cujo interior e em todas as dependências se notava tremenda algazarra. Impropérios, acusações mútuas, insultos e rixas. A balbúrdia era enorme.
Impressionados, ele e o acompanhante, perguntaram a um dos diretores da instituição se ali estava algum setor da zona infernal, ao que o interpelado replicou humildemente:
- Sim, a nossa casa pode ser considerada uma região de inferno, onde alguns de nós, irmãos acordados para a vida, devemos treinar abnegação e tolerância.
Nosso amigo inquiriu:
- Poderá nos informar se aqui vivem alguns batistas?
- Muitos, foi a resposta.
E o diálogo prosseguiu:
- E presbiterianos?
- Grande quantidade.
- E católicos?
- Número imenso.
- E luteranos de outras interpretações?
- Igualmente muitos.
- E espíritas?
- Legião incalculável.

Nosso companheiro considerou:
- É uma lástima! E como se comportam na comunidade?
- Infelizmente – esclareceu o diretor – os religiosos que se acham aqui são espíritos cristalizados nos enganos que abraçaram. Foram, todos eles, homens e mulheres, habitualmente discutidores e intimamente revoltados. Agarrados aos próprios pontos de vista, são rebeldes, indiferentes, vaidosos e intolerantes. Viveram no mundo físico em teorias e anátemas, mergulhados em preguiça mental, a ponto de muitos deles não aceitarem a realidade da vida espiritual em que se encontram...
- E quando estarão libertos de tanta cegueira?
O diretor explicou:
- Quando demonstrarem a renovação espiritual precisa, a fim de merecerem o privilégio de aprender a servir.

Indiscutivelmente, os visitantes saíram dali desolados e depois de alguns quilômetros surpreenderam grande colônia espiritual, de cujo interior se irradiavam luz e harmonia.
Pararam observando...
Em seguida solicitaram a um dos guardiões da porta, a presença de alguém que lhes pudesse prestar os informes que julgavam precisos.
Veio um diretor e repetiram a indagação sobre a natureza e finalidade daquele instituto.
O amigo respondeu:
- Aqui somos todos uma só família; todos os que residem aqui são aqueles que acreditaram em Jesus e seguiam-lhe os passos, trabalhando e servindo, por amor aos semelhantes. Não há denominações religiosas que nos diferenciam, até porque temos conosco muitos ateus que se consagraram espontaneamente ao bem do próximo, ignorando que estavam acompanhando o Divino Mestre. A prestação de serviço aos outros, sem idéias de recompensa, nos proporcionou a felicidade de estarmos todos juntos em Cristo.

Foi então que compreendi melhor o valor das oficinas de assistência aos necessitados. Aí, nesses recantos abençoados, é possível estudar as Lições do Senhor e segui-lo verdadeiramente no rumo das alegrias imperecíveis.
Somente os que aprendem a trabalhar e a servir, com esquecimento de si mesmos, acham-se no rumo exato da felicidade real, de vez que nada valem as preciosas argumentações vazias de boas obras, porque, sem as realizações do amor ao próximo, não teremos senão a alternativa de tudo recomeçar, aprendendo, por fim, a fazer o melhor de nós e de nossa vida, para que possamos justificar o privilégio de conhecer...

Do livro "Fotos da Vida"
pelo Espírito Augusto Cezar
Médium:Francisco Cândido Xavier

17 outubro 2010

Paternidade Involuntária - Augusto Cezar

PATERNIDADE INVOLUNTÁRIA

Companheiro,

Você nos solicita algo dizer sobre a paternidade involuntária.

Comecemos por destacar a situação dos irmãos desencarnados ainda excessivamente vinculados à experiência física.

Ei-los que passam por nós ou passamos por eles.

Formam grupos que evoluem, rente aos próprios homens.

Vemo-los sem que nos vejam.

Estão dentro da nuvem formada pelos pensamentos de que se nutrem.

Emanam-se pelas vibrações que eles próprios emitem.

Cada núcleo parece uma colônia de consciências dilapidadas pelo sofrimento que criaram para si próprias.

Num plano de vida, em que as idéias tomam forma e consistência, em derredor daqueles que as arrojam de si, jazem fora da realidade, vivendo nas alucinações materializadas, agora em movimento por fora deles.

Todos, porém, acalentam o desejo de retomar o corpo que deixaram, a fim de reclamarem no mundo físico o que julgam pertencer-lhes.

E, na impossibilidade que lhes frustra os anseios, depois de amargosos diálogos sempre reiterados, acabam em explosões de rebeldia e arrependimento que sensibilizariam corações de pedra.

De nossa parte, efetuamos quanto se nos faz possível para asserenar-lhes o espírito agoniado.
Formamos turmas de assistência que os reconfortem ou lhes restaurem o ânimo, no entanto, após breve pausa para reflexão volvem à dor que eles próprios sustentam.
Entretanto, não se encontram em supostos enfermos exteriores. Moram ao nível dos homens comuns, usufruindo-lhes os ambientes.

De quando a quando, esses companheiros aflitos se harmonizam com aqueles irmãos reencarnados que se lhes afinam com a vida íntima, nesse ou naquele ângulo de pensamento, e lhes transmitem a ânsia de retorno à terra.

Querem nascer de novo, a qualquer preço. Imploram novo corpo, através da suave hipnose das petições comovedoras.

E semelhantes requisições afetivas, por vezes, repercutem nos sentimentos do homem ou da mulher a que se ligam, através da afinidade.

E daí, freqüentemente, surgem a gravidez e a criança inesperada.

Digo tudo isso a você, prezado amigo, porque você me fala do filhinho em gestação e indaga sobre a conveniência do aborto.

Não exija semelhante delito da sua companheira de emoções e entretenimentos.

Essa criança que você auxiliou a formar, provavelmente estará chegando do plano que descrevemos. Não destrua o ninho dessa ave de Deus que aspira a reviver sob a proteção de seu carinho.

Se você não pensava na criança quando amava a jovem que acreditou em suas palavras, guarde a certeza de que o espírito renascente pensou em você.

Deixe que o amor lhe funcione nos raciocínios, enterneça-se e receba quem o procurou sem que você conscientemente o procurasse.

Quem será esse coração que pulsa no seu? Algum ente querido de seu próprio passado ou, talvez do seu presente?

No futuro, saberemos.

Por agora, se algo podemos pedir, rogo-lhe de irmão para irmão: amigo, auxilie essa criança a viver!...

Do livro "Presença de Luz"
Pelo Espírito Augusto Cezar

Médium:Francisco C. Xavier

10 junho 2010

A Luz da Paz - Augusto Cezar

A LUZ DA PAZ

E andei pelo mundo, procurando a luz da paz.

Fui à Grécia, admirando o Partenon e lugares outros em que pontificaram sábios da antiguidade; dirigi-me a Roma, onde me acomodei nas escadas do Coliseu, refletindo nos cristãos perseguidos;

Viajei a Índia, onde partilhei as orações dos crentes que se banhavam nas águas do Ganges, em Benarés;

Segui para o Egito, maravilhando-me à frente das Pirâmides que imortalizam a pompa dos faraós;

Transitei pelas ruas de Meca e orei com os muçulmanos, entre as recordações do iluminado profeta do Islã;

Busquei Paris e conheci a Torre Eiffel, orgulho da França;

Visitei o Palácio de Versalhes, moradia de reis e fidalgos ilustres; encaminhei-me para Londres, encantando-me ali com a severa nobreza do Castelo da Torre;

Na Espanha, conheci o Escurial, nos arredores de Madri, cheguei a Granada e entrei no castelo do rei Broabdil que encerrou, naquele País, o domínio dos Árabes e voltei-me a Barcelona, onde admirei a fortaleza de Monjnich;

Apreciei a riqueza artística dos Jerôninos e usufrui as amenidades de Sintra, em Portugal;

Fui à Nova York onde expressei o meu respeito pela inteligência humana, diante dos arranha-céus que lhe assinalam a grandeza;

Caminhei através de todas as grandes cidades das Três Américas, mas não encontrei a luz da paz.

Saudoso do lar regressei a nossa casa em Vila Nova Conceição, em São Paulo.

Era noite e minha mãe lia o Evangelho. Abracei-a emocionado e li o texto exposto. Era a parábola do Bom Samaritano.

As palavras falavam em letras que me ficaram na memória:

- “Então, um doutor da lei, perguntou abeirando-se do Divino Mestre”:

- Senhor, que deverei fazer para possuir a vida eterna?

O Cristo sorriu e considerou:

- O que está escrito na Lei, o que lês nela?

O homem acentuou:

- Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, com as tuas forças de espírito e ao teu próximo como a ti mesmo.

Entretanto o Doutor da lei ainda inquiriu pra o tentar:

- Senhor, e quem é o meu próximo?

Jesus, explicou, usando brandura e paciência:

- Um homem que se dirigia de Jerusalém para Jericó saiu em poder dos salteadores que o despojaram, cobriam-no de ferimentos, deixaram-no semimorto.

Um sacerdote, que passou perto da vitima, estugou o passo e seguiu para frente, negando-lhe atenção.

Logo após, um levita passou pelo mesmo lugar, mas não se interessou pelo ferido, seguindo adiante.

Mas um samaritano, que viajava, comoveu-se ao ver o homem caído, desceu do animal e, aproximando-se do desconhecido, dirigiu-lhe palavras de conforto, balsamizou-lhe as feridas e colocando-o sobre o animal, levou-o à hospedaria onde lhe ofereceu abrigo e segurança.

Jesus fez a pequena pausa e interrogou:

- A seu ver, qual dos três era o próximo do infeliz?

O doutor respondeu:

- Aquele que usou de misericórdia para com ele.

Num gesto simples, o Cristo lhe observou:

- Então, vai e faze tu o mesmo.”

Chegados ao término da leitura, um telefone tilintou.

Minha mãe foi atender e compreendi para logo o que se passava.

Uma senhora jazia em estado grave e a amiga que suscitara a chamada pelo fio comunicou que o doente pedia o socorro de uma prece.

Minha mãe não teve duvidas.

Chamando o Papai Raul e dando-lhe ciência do problema, ambos, logo após, tomaram o carro na direção indicada.

Segui junto deles e pude ver a doente que se aproximava da agonia

Minha mãe e outras senhoras pediram a Misericórdia de Deus para a enferma e, embora se afastassem, entendi que o meu dever era permanecer ali na tarefa do auxilio.

Junto de Benfeitores que ali se mantinham, trabalhei todo à noite no aposento simples.

O dia amanheceu com melhoras positivas para a doente e, conquanto me sentisse cansado, reconheci que uma alegria diferente me nascia no coração.

Chorando de felicidade, reconhecia, por fim, que eu, que me decidira a transitar pela terra, procurando o dom sublime, encontrara-o ali, no gesto de minha mãe ao lado de meu pai Raul, compreendendo que o amor ao próximo que Jesus nos legou, sentido e praticado devidamente, é a única força que realmente nos concede a luz da paz por dentro do coração.

Pelo Espírito Augusto Cezar
Do livro: Presença de Luz
Médium: Francisco Cândido Xavier

18 maio 2010

Estrela da Benção - Augusto Cezar

ESTRELA DA BENÇÃO

Era uma criança tão linda que os pais nela perceberam a doce presença de uma estrela.

Sorria e dissipava as sombras que se lhe adensassem ao redor.

A quem se lhe abeirasse do berço, estendia as mãos abertas.

Cresceu amando a natureza e sabia colocar-se em oração, quando pronunciava o nome de Deus.

Muitas vezes, dela me aproximei, para recolher-lhe os pensamentos de ternura, à feição da abelha quando busca na flor o aroma nutriente.

A bela criança caminhou para a juventude e reconheci com alegria que a bondade de Deus a colocava sob proteção de um homem leal e generoso que ela própria cativara com os seus dotes de bondade e beleza.

Somente ai, ao vê-la no rumo de vida nova, é que percebia a realidade em que o Céu nos situava.

Ela residia espiritualmente, dentro de mim, qual a pérola entretecida nas entranhas da ostra, por lágrimas cristalizadas de uma saudade que nunca soube de onde vinha, mas eu, também, estava no coração dela em forma de sonho.

E tanto me vi no espelho de sua alma que, um dia, atendendo-lhe as preces formadas de cariciosas esperanças, permitiu a Divina Providencia que eu tomasse um novo corpo em seu amor e passei a viver nos seus braços de veludoso carinho.

Desde então, encontrei o paraíso que procurava.

Nessa criatura feita por Deus para minha felicidade, cessavam todas as minhas inquietações.

Se cada dia era um pedaço de minha viagem na Terra, cada noite nela recolhia as âncoras de meu barco para repouso e refazimento.

Entretanto, Deus, que nos concedera a oportunidade de construir um céu no mundo, solicitou conduzíssemos o nosso recanto de ventura para as lutas humanas, a fim de que outros corações aprendessem igualmente a ser felizes.

Voltei ao Grande Lar e agitei as campainhas da saudade.

Chorei por ela e ela chorou por min.

A separação nos doía, qual se fôssemos um só coração partido em fragmentos de angústia.

Ainda assim, as recordações do paraíso de união brilhavam comigo e pedi-lhe o apoio de que necessitava.

Ela veio a min com a devoção com que fui a ela no mundo e, juntos de novo, começávamos a semear esperança e amor entre as criaturas irmãs da Terra.

De almas unidas e mãos entrelaçadas, seguíamos de tarefa em tarefa e de caminho em caminho.

É para essa criatura maravilhosa que trago hoje meus parabéns pelo aniversário.

Com jubilosa ternura, ajoelho-me pra beijar-lhe as mãos.

Que ninguém, no entanto, me pergunte quem é essa mulher que oculta no meu peito a bondade dos anjos, já que ela, em verdade, não tem cópias. Bastará que a vejam nos meus olhos, porque essa estrela da bênção tem para min a presença de Deus, nestas duas palavras:

-“MINHA MÃE!...”

Pelo Espírito Augusto Cezar
Do livro: Presença de Luz
Médium: Francisco Cândido Xavier