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02 novembro 2010

Vivência Cristã - Augusto Cezar Netto

VIVÊNCIA CRISTÃ

Prezada Irmã.

A sua carta nos comoveu.

Compreendemos.

A Senhora se declara fatigada. Anseia integrar uma equipe fraterna, em que possa desenvolver os seus ideais de bondade, no entanto, está encontrando unicamente motivações e desgostos. Incompreensões e antagonismos. Observações descaridosas que lhe depreciam as melhores intenções. Críticas e fofocas.

E nos solicita: “Augusto amigo, como ajustar-se a pessoa ao relacionamento cristão? Não poderá você enviar-me algumas notas ligeiras, em derredor do assunto?”.

Francamente, a sua confiança nos confunde e, por isso, limito-me a endereçar-lhe a pagina breve, que consideramos de elevada importância nas relações dos grupos evangélicos, de uns para com os outros.

Conta um benfeitor espiritual que depois da crucificação de Jesus, ei-lo de volta, as vezes, quando menos se esperava, para essa ou aquela visita a determinado seguidor.

O Divino Mestre ressuscitado empenhava-se em acalentar a fé nos discípulos vacilantes e intranqüilos.

Foi assim que, em certa noite, o apostolo Tiago, o mais idoso, em orações ao Eterno Amigo, clamou desalentado:

- Senhor, como interpretar a lição do amor que nos ensinastes? Os instrutores antigos foram unânimes em declarar, de geração em geração, que se deve odiar o mal e só vejo o mal em torno de nós. Enquanto estendemos as mãos no socorro aos que sofrem, surgem adversários que nos espancam os braços. Pronunciando a palavra fraterna no trato com os semelhantes, mas, ao nosso lado, esbravejam aqueles que nos injuriam com expressões cruéis. Das migalhas que nos chegam as mãos, repartimos com os necessitados a maior parte, contudo não são poucos aqueles que nos penetram a moradia, mostrando falsa mendicância, para furtar-nos o apoio que nos envias, através de corações generosos para o socorro aos infelizes. Os poucos amigos que colaboram conosco são perseguidos e humilhados. Muitos deles já foram acusados de crimes que não cometeram e espancadas ocultamente nas prisões, até que se lhes demonstrasse a inocência... Senhor, que fazer diante de tanto mal? Somos simplesmente um punhado de criaturas indefesas, a frente das legiões de inimigos armados até os dentes!..

Entretanto, ainda não terminara as alegações quando estranho rumor se fez ouvir. Doente rebelde, que se recolhera no refugio dos apóstolos, regressava da rua em graves condições. Largara-se dos compromissos assumidos, excedera-se numa festa e se embriagara com vinho forte. Chegava tarde e gemendo em descontrole, esquecia-se do benfeitora quem devia respeito e bradava:

- Sai daí, santarrão de mentira!

E cambaleando:

- Erga-se daí e dê-me o remédio. Cumpra com as suas obrigações e não me venha com pregações encomendadas!...

Tiago se mostrava a ponto de irritar-se quando, na penumbra do quarto, viu que alguém escorava o infeliz, evitando-lhe a queda.

Fixou o desconhecido com atenção, até que reconheceu nele a presença do mestre.

Comovido e pasmo, o companheiro indagou:

- Mestre, pois, pois és tu?

Jesus estendeu a mão no rumo do infeliz, como a indicar-lhe a tarefa de assistência que lhe cabia fazer antes que se lhe ocultasse a visão, disse-lhe apenas:

- Tiago, eu não vim ao mundo para curar os sãos!...

O discípulo transformou-se, renovando a própria atitude e eu, querida irmã, dentro de minha pequenez, peço a sua permissão pra lhe dizer que, em matéria de assistência cristã, em nosso relacionamento com Jesus e com o próximo, a nossa situação é isso aí.

Pelo Espírito Augusto Cezar Netto
Do Livro: Augusto Vive
Médium: Francisco Candido Xavier

29 agosto 2010

Campanha Amiga - Augusto Cezar Netto

CAMPANHA AMIGA

Senhora.

Decididamente, o seu convite é uma honra.

A sua bondade me fala em conjugarmos esforços no apoio aos companheiros marginalizados pelo desgaste físico.

Sem dúvida, não é justo empregar a palavra “velhice” a fim de nos reportarmos a esses irmãos valorosos que souberam atravessar as barreiras do cotidiano, na Terra, sem recorrerem à fuga ou ao suicídio.

Que são heróis já se vê.

Formaram famílias robustas. Doaram-se a filhos e netos. Ergueram lar seguro para os descendentes. Trabalharam com fidelidade extrema aos próprios deveres.

E agora muitos deles se espalham por aí, largados a si mesmos ou afetuosamente detidos nos chamados “refúgios geriátricos”, sentenciados à tristeza, como se exílio fosse prêmio à dedicação.

Compreendemos que essa campanha em auxílio aos super-idosos não inclui qualquer gênero de crítica aos grupos sociais.

No crepúsculo da reencarnação os companheiros da estrada humana, quase sempre, estão cansados, qual se não tivessem tido tempo para socorrer aos próprios nervos, senão quando a aposentadoria.

E estamos convencidos de que a maioria deles se recolhe a pensionatos de tratamento a descanso atendendo a decisão voluntária. Sentem-se esses nossos irmãos incompatibilizados com as extravagâncias de determinados descendentes, declaram não suportar os costumes dos bisnetos, nem a algazarra das crianças. E retiram-se para as casas de repouso, no ilusório tentame de esquecer. Entretanto, a família lhes palpita nos recessos da alma. Começam a viver de recordações, imobilizados no tempo, com as lágrimas penduradas nos olhos, esperando que o carinho de alguém lhes reaqueça os corações.

Temos tantos casos desses, sob nossa observação que só nos resta formular os melhores votos pelo êxito do empreendimento que se reveste de tamanha oportunidade.

E se você, coração amigo, se você nos pode emprestar os ouvidos, escute o nosso apelo.

Se possível, adote uma criatura super-idosa por parente, sem afastá-la da paisagem na qual se encontre. Você surpreenderá o seu tutelado tanto em algum recanto esquecido, onde a penúria fornece lições de humildade e fé em Deus, quanto em algum pouso aristocrático, no qual a saudade leciona paciência e conformação.

Se é carência de ordem material o problema de seu protegido, recorde a importância de que o alimento e o agasalho se revestem para ele, e se é pesar pela ausência da família, conceda-lhe alguns minutos de conversação por semana.Meia hora de entendimento, um livro reconfortante, algum tópico ,ais expressivo da imprensa, essa ou aquela página de carinho ou um simples bilhete que demonstre atenção, constituem ingredientes de que se lhes entreteça o reconforto.

Mas por obséquio, não chame os seus protegidos por “vovô” ou por “vovó”, porque esses titulações pertencem aos pais de seus pais e, quando atiradas a outrem, podem ser pontas de sarcasmo que humilham ou depreciam aqueles que a recolhem.

Trate com gentileza o companheiro ou a irmã aos quais você se proponha auxiliar, como se estivesse à frente de um amigo e hóspede de Jesus.

E lembre-se de que se você não desencarnar na mocidade ou nas primeiras faixas de idade adulta, igualmente passará pela obrigação de tolerar o “tempo do desgaste” e, com toda a certeza, embora as plásticas regeneradoras em larga usança no mundo de hoje, você também andará de corpo abatido a inclinar-se para o chão até cair...

Pelo Espírito Augusto Cezar Netto
Do livro: Augusto Vive
Médium: Francisco Cândido Xavier

14 junho 2010

Afinidade e Herança - Augusto Cezar Netto

AFINIDADE E HERANÇA

Indubitavelmente, em matéria de filhos, no Plano Físico, a lei das afinidades quase pode ser considerada por fator determinante da chamada hereditariedade psicológica.

Isto é simples e compreensível se raciocinarmos, quanto ao imperativo da preparação em quaisquer empreendimentos humanos que visem a determinados fins.

A produção em massa na agricultura exige providências específicas do lavrador.

O edifício, destinado a servir com segurança, reclama na formação e na estrutura a orientação da engenharia.

Preparo é um requisito importante nas escolhas do amor, quando o amor se alteia de nível e procura aperfeiçoar-se para a Vida Superior.

Compreendamos que a vida dos companheiros encarnados se conjuga com a vida dos companheiros desencarnados que lhes são afins.

A dipsomania, por exemplo, é um hábito que muito raramente se observa numa pessoa que se embriaga a sós.

Geralmente, a criatura se alcooliza em companhia de irmãos desencarnados que, embora desenfaixados da experiência física, ainda não encontraram energia para se desvencilharem dessa prática.

Quando isso ocorre, é justo considerar que por muito se esforcem os Instrutores Espirituais, encarregados de cooperar na execução de certo plano de reencarnações para determinado grupo familiar, nem sempre conseguem evitar a intromissão de um ou mais de um dos alcoólatras desencarnados, porquanto se ajustam eles de tal modo às forças genésicas de um dos parceiros do compromisso sexual que acabam na condição de filhos deles, revelando, mais tarde, as mesmas tendências compulsivas.

Isso, porém, não sucede à revelia da Justiça da Vida, na Espiritualidade Superior.

O filho ou os filhos dipsômanos mostrarão ao pai ou à genitora que cultivem o excesso de alcoólicos a inconveniência de semelhante costume.

Desse modo, o elemento considerado em clandestinidade deixará a posição de invasor para ser utilizado na condição de agente regenerativo.

O mesmo acontece com a cleptomania, com a promiscuidade sexual e outros hábitos que dificultam a elevação do espírito.

Sabemos que os semelhantes se atraem. Por outro lado, não desconhecemos que a reencarnação nos é concedida na face do Planeta por recurso de auto-educação, burilamento, evolução e melhoria em nós mesmos.

Fácil, assim, reconhecer que as alterações infelizes nos projetos de sublimação e progresso, a que nos cabe atender, correm claramente por nossa conta.

Pelo Espírito Augusto Cezar Netto
Do livro: Falou e Disse
Médium: Francisco Cândido Xavier