Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador Carlos Torres Pastorino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carlos Torres Pastorino. Mostrar todas as postagens

12 março 2019

A Ação de Obsessores - Carlos Torres Pastorino



A AÇÃO DE OBSESSORES


Mateus 12:43-45: "Mas quando o espírito não purificado tiver saído do homem perambula por lugares áridos, buscando repouso, e não o acha. Então diz: "Voltarei para minha casa donde saí", E ao chegar, encontra-a desocupada, varrida e arrumada. Vai, então, e leva consigo sete outros espíritos piores que ele, e ali entram e habitam, e a condição posterior desse homem Torna-se pior que a anterior. Assim acontecerá também a esta geração má".


Lucas 11:24-26:  "Quando o espírito não purificado tiver saído do homem, perambula por lugares áridos, procurando repouso; e não o achando, diz: "Voltarei para minha casa donde saí". E, ao chegar, acha-a varrida e arrumada. Depois vai, e leva consigo outros sete espíritos piores que ele, e, tendo entrado, aí habitam; e a condição posterior desse homem torna-se pior que a anterior".


Como Mateus a coloca depois do episódio do "pedido de um sinal celeste", e Lucas a situa antes, preferimos não estabelecer nenhuma ligação lógica entre esse fato e o ensino aqui dado, deixando-o como lição autônoma.

Na interpretação vulgar, entendemos a advertência como relativa às obsessões, devendo ter sido dada em conexão com algumas das libertações de obsessores, executada por Jesus, e talvez a mais recente, a do cego mudo.

O Mestre firma doutrina a respeito da técnica obsessiva por parte dos desencarnados. Perfeito conhecedor do assunto, pode revelar-nos com segurança há dois mil anos, uma coisa que o ocidente só ficou sabendo, por experiência direta, há um século, com os estudos do Espiritismo de Allan Kardec e seus seguidores.

O obsessor - espírito não purificado (a kátharton) e, por conseguinte, não esclarecido (mas não se use o termo contundente e descaridoso "imundo": afinal é um "espírito" filho de Deus, como nós!) - liga-se a uma criatura por quem sente ódio e sede de vingança. Ora, o ódio é o desequilíbrio de um amor, frustrado por qualquer motivo: e quanto maior o amor, mais fundo o ódio. Uma vez ligado fluidicamente à criatura - ou, na linguagem evangélica, "tendo entrado nele" - o obsessor passa a usufruir de todas as sensações e emoções da vítima, ao mesmo tempo que lhe injeta todas as suas próprias sensações, emoções e pensamentos, estabelecendo-se, assim, tenebroso, intercâmbio de vibrações barônticas, muito desagradáveis para o encarnado, embora aprazíveis para o perseguidor.

Ocorre que, quando, por ação externa, é ele desligado de sua vítima, se vê coagido a permanecer pervagando no plano astral que, mutável como é , apresenta a cada entidade o aspecto condizente com sua evolução. Em se tratando, pois de entidades não evoluídas, a ambiência astral manifesta-se como a exteriorização da imaginação de cada um: região ainda inóspita, árida ("sem água" = anhydrôn), cansativa porque sem postos fixos de referencia, já que é instável, onde o "espírito" não encontra repouso, porque sua desorganização mental faz que aí os sítios se modifiquem a cada alteração do pensamento. O repouso (ou paz) só poderia provir de seu próprio âmago, de seu coração: e justamente aí reside a insatisfação frustrada e a rebeldia inconformada, que se projetam no intelecto, o qual, ao pensar, plasma os ambientes pavorosos em seu redor.

Quando, porém, se vê desligado da vítima e aliviado das pressões fluídicas que o expulsaram daquele posto avançado da luta em que vivia empenhado, se sente descontrolado e confuso e tenta voltar. Ao chegar. novamente atraído pela sintonia vibratória - alguns obsidiados registram sensações desagradáveis pela ausência do peso do perseguidor a que estavam habituadas, e esse "vazio" faz que subconscientemente de novo o atraiam para junto de si - percebe que há dificuldade em influenciar a antiga vítima: a "casa" está "desocupada, varrida e arrumada". Significa isso que a personagem visada já se corrigiu de alguns defeitos colocou em ordem suas emoções, reequilibrando sua aura e se libertou das falsas imagens sugeridas pelo perseguidor espiritual. Talvez, até, tente injetar-lhe novos quadros astrais inferiores, sem encontrar ressonância: perdeu: a antiga ascendência.

Regressa, então, desacorçoado, mas não desanima de seus objetivos. Consegue, nas rodas de entidades semelhantes a si, outros sete "piores que ele". A decepção com a evolução de quem ele considera seu inimigo, faz nele crescer proporcionalmente a raiva e o desejo insano de derrubá-lo do ponto atingido, e não aceita obstáculos a seu ódio implacável. Ao lado dos sete novos "amigos", e já a eles subjugado porque devedor de um obséquio que será cobrado até o último centavo e mais os "juros" - embora eles só aceitem a empreitada quando veem possibilidades de auferir boas vantagens de baixo teor - o ataque é renovado. E a condição última torna-se pior que a anterior.

Jesus termina prevendo e predizendo que assim aconteceria aquela geração má - ou melhor, "enferma" - que não está assimilando a profundidade de Seu ensino.

A lição desdobra-se em profundidade maior que a aparente. A escala de valores, como sempre, aplica-se a diversos graus, segundo a interpretação que pode ser dada.

Em primeira plano aparece, sem dúvida, a lição literal, que vimos acima. Trata-se do que realmente ocorre nos casos de obsessão e possessão, por parte de espíritos desencarnados. O texto é claro: é o exemplo da vida diária. Fatos corriqueiros.

Há outra interpretação: após a "conversão" de uma criatura, do materialismo ou da descrença, à espiritualidade, verificamos que foi dela expulso um "espírito atrasado": o da dúvida. Mas logo depois, com a "casa vazia, limpa e arrumada", surgem outros sete espíritos piores, que são: a vaidade de ter alcançado aquela compreensão; o convencimento de sua capacidade pessoal em melhorar; o orgulho de haver galgado um passo a mais na evolução: a auto satisfação da crença de que realmente é um eleito; a pretensa superioridade que o faz acreditar-se melhor que "os outros"; a arrogância que descaridosamente despreza os outros pecadores; e o pior de todos, a invigilância que se supõe infalível em suas opiniões, em seus julgamentos, em suas condenações.

Esses sete espíritos piores - muito piores - que o materialismo e a descrença, passam a morar naquele indivíduo, cujo estado se tornou muito mais grave do que antes. Huberto Rohden tem uma frase que descreve bem esse caso tão típico e, infelizmente, tão comum nos espiritualistas de qualquer religião. "Livre-me Deus de minhas virtudes, que de meus vícios eu me livrarei".

No entanto, a última frase profética de Jesus, relatada por Mateus, e que amplia o conceito do indivíiduo para a coletividade, abre-nos o horizonte para uma terceira interpretação. Diz "e assim acontecerá a esta geração" .

Essa profecia é facilmente verificável, agora, após vinte séculos, em sua realização comprovada.

Aqueles homens que ingressaram no cristianismo, embora o cristianismo não tivesse ingressado neles, e que, portanto, não perceberam o âmago, a base, a profundidade do ensino de Cristo, foram exatamente os que se apoderaram do poder, imbuídos da convicção de se haverem libertado do "espírito" do paganismo e do judaísmo. Expulso aquele espírito, todavia, outros sete piores vieram neles habitar. Convenceram-se de que eram os melhores, quiçá os únicos que realmente compreendiam e interpretaram a verdadeira religião cristã, numa vaidade sem limitações; incharam de convencimento a ponto de se intitularem, eles mesmos, os legítimos e indiscutíveis representantes de Deus na Terra, herdeiros dos "Apóstolos", fundamentando-se, para isso, no lugar geográfico em que se encontravam, e não no espírito que possuíam; encheram-se de orgulho, certos de que eram "donos de Deus" e chegaram ao cúmulo de se julgarem por Ele obedecidos, podendo determinar "por decreto", aqueles que deviam habitar o céu ( e mesmo, durante certa época o fizeram, até o lugar do céu que deveriam ocupar . . . ); dormiram sobre os louros das conquistas de seus postos, com a auto satisfação de que eram "escolhidos", os "eleitos de Deus", os "privilegiados" do planeta; felicitaram-se com a pretensa superioridade de que, quem os não seguisse, estaria condenado, e desprezaram, perseguiram, e espezinharam outros povos, destruindo documentos e monumentos que - por não provirem deles - eram julgados "diabólicos"; cresceram em sua arrogância desmesurada, torturando, queimando, e assassinando, em "nome de Deus" e como delegados Seus, todos aqueles que se lhes não queriam submeter; e finalmente caíram na pior das invigilâncias, solenemente decretando-se a si mesmos como sendo infalíveis, pois o que diziam era o próprio Deus que falava por sua boca. A profecia de Jesus cumpria-se ad litteram : "nem um iota" . . .

No capitulo 17 do Apocalipse há outros pormenores proféticos a respeito da "Babilônia a grande" (v . 5),. "instalada sobre sete colinas" (v . 9) e que está "embriagada (satisfeita, feliz em sua irresponsabilidade) com o sangue dos mártires (testemunhas) de Jesus", tanto que o vidente "ficou estupefacto ao vê-la" (v. 6).


Carlos Torres Pastorino
Do livro: Sabedoria do Evangelho
Fonte: FraterLuz

27 setembro 2017

Causas espirituais do arrepio - Visão Esírita - Carlos Torres Pastorino



CAUSAS ESPIRITUAIS DO ARREPIO - VISÃO ESPÍRITA



A pele ou tegumento externo cobre todo o corpo, exceto nos orifícios naturais, onde continua nas mucosas. Constitui-se de epiderme, por fora, e do cório, logo abaixo.

Interessa-nos a parte do órgão do tato, que é servido Por numerosíssimas terminações nervosas, em bulbos sob o derma (os corpúsculos de Passini, os de Krause, e os de Ruffini), os que terminam livremente (corpúsculos de Meissner) e as terminações nervosas da epiderme, que ficam na capa mucosa de Malpighi.

Interessam, também, a nosso estudo, os pelos, que são formações epidérmicas, implantados em depressões cilíndricas do derma (“folículos pilosos”). A cada um deles está ligado pequeno músculo, o arrector pili (“eriçador do pelo”) esse músculo passa, da parte superficial do cório para o lado para o qual se inclina obliquamente o pelo, prendendo-se próximo ao folículo, na projeção formada pela raiz do pelo. Se o músculo for contraído pelo nervo a que está ligado, o pelo fica eriçado e o folículo se projeta para fora, causando leve proeminência temporária na superfície da pele, a que o povo chama “pele de galinha” (cútis anserina).

O órgão do tato tem bastante atuação no setor da sensibilidade mediúnica.

Vejamos alguns efeitos:

SENSIBILIDADE ARREPIOS

1) Quando de um médium de suficiente sensibilidade se aproxima um espírito desencarnado (e por vezes mesmo uma criatura encarnada que não tenha sido percebida por seus sentidos) a aura do espírito toca na aura do médium e os nervos cutâneos são atingidos e sensibilizados. Dá-se então pequeno (ou forte) choque nervoso, que faz que se contraiam os arrectores pilorum, eriçando-se os pelos, e a pele fica arrepiada.

2) Quando o médium percebe a aproximação de uma entidade, pode distinguir se se trata de alguém com elevação espiritual e bons sentimentos, se houver contacto com excitação dos bulbos de Krause (sensação de frescor ou frio, como “ar condicionado); ou se o espírito é involuído e de más intenções, pois neste caso são atingidos os bulbos terminais e os corpúsculos de Ruffini (sensação desagradável de calor).

3) Quando há passagem de um espírito, ou quando ele se liga ou desliga, o médium recebe uma descarga nos nervos epidérmico, sobretudo ao longo da coluna vertebral, contraindo-se todos os arredores pilorum, dessa região, geralmente subindo do cóccix ao occipital. A mesma sensação é experimentada quando alguém depara repentinamente, por exemplo, com um cachorro, assustando-se por temê-lo.

4) Mesmo quando não há, propriamente, aproximação de espírito, pode o sensível, ao evocar mentalmente ou por palavras, o nome de uma pessoa ou um fato, sentir o “arrepio” (pele de galinha) mais ou menos intenso, sendo mais frequente nos ante- braços que no corpo inteiro. Trata-se de uma emissão do simpático da própria criatura, sob o impacto da emoção, provocando irradiação pela superfície cutânea.


Carlos Torres Pastorino – Técnicas da Mediunidade


07 fevereiro 2012

Tempo, Mente e Ação - Carlos Torres Pastorino


Tempo, Mente e Ação

No princípio...A Terra era vazia e havia trevas sobre a face do abismo. (Gênesis, 1:1-2)...e Deus iniciou a Sua Obra, a que conhecemos...

Por mais que a inteligência humana recue na busca desse princípio, o primeiro momento desaparece no tempo e no espaço, sem que qualquer concepção possa apresentar um limite, perdendo-se, no infinito, que dimensiona a humana ignorância a respeito da Causalidade Absoluta.

Desde que, no princípio, torna-se o ponto de partida para o tempo, que haveria antes, se é que havia? Da mesma forma, assomam, à mente, as propostas evangélicas, quando se referem ao até o fim dos tempos (I Pedro: 1-20), ensejando margem anovas inquirições a respeito do que ocorrerá depois, se ocorrer...

Mesmo que se aprofunde ao máximo a inteligência, através do conhecimento, na decifração da incógnita do tempo, mais complexos se tornam os fenômenos que através dele se manifestam e podem ser observados.

Desta forma, a única dimensão descomprometida para elucidá-la é a tácita aceitação da Eternidade, abrangendo o ilimitado e o relativo, o antes não existido e o depois que não existirá.

O tempo, no entanto, somente se torna realidade por causa da mente, que se apresenta como o sujeito, o observador, o Eu que se detém a considerar o objeto, o observado, o fenômeno.

Esse tempo indimensional é o real, o verdadeiro, existente em todas as épocas, mesmo antes do princípio e depois do fim.

Aquele que determina as ocorrências, que mede, estabelecendo metas e dimensões, é o relativo, o ilusório, que define bases e períodos denominados ontem, hoje e amanhã, através dos quais a vida se expressa nos círculos terrenos e na visão lógica – humana – do Universo.

A mente relaciona manifestações que decorrem, no Sistema Solar, dos movimentos de translação e de rotação da Terra, limitando os espaços que passam pelo crivo das convenções estabelecidas e tornadas realidades, sempre porém, aparentes, porque em caráter relativo e não em acontecimento - fenômeno absoluto.

Não obstante, mesmo na estabelecida raia, a variação de conteúdos demonstra que somente o real existe, sendo o conceptual uma criação-limite necessária para a mente de cada indivíduo.

Esse organograma de fases torna-se uma necessidade para o processo samsárico, a infinita roda das reencarnações. Face ao impositivo da consciência que estabelece as marcas temporais, o conceito do hoje assume a condição do que se pensa, do que se faz e do que se aspira.

É resultado inevitável do já realizado – passado – promovendo a construção do que se realizará – futuro.

Se, por exemplo, alguém, num grupo, observar qualquer ocorrência, esta passa a ter existência conforme o grau de emoção do envolvido, o seu discernimento intelectual, a sua capacidade de identificação com o fato, a sua óptica existencial. Cada um, portanto, daqueles que assistiram o acontecimento, experiencia uma vivência que difere, às vezes, diametralmente do que o outro captou.

Esse fenômeno é observável nos testemunhos apresentados por pessoas que estiveram presentes e acompanharam o desfecho de algum crime ou irregularidade. Mesmo quando honestas, os seus enfoques provocam perturbação nos jurados, que ficam impossibilitados de discernir o real do imaginário, exigindo a habilidade dos advogados, quer da defesa, quer de acusação – a promotoria especialmente – para que seja estabelecida a verdade, sempre relativa e raramente legítima em torno do acontecido.

Aquele agora do fato, logo depois se arquivou na memória do passado, que será ressumado no futuro, quando um novo presente se imponha como condição de justiça para a regularização penal necessária.

A mente, portanto, que pensa, estabelece que o ato em que se fixa é o presente, no entanto, na celeridade do tempo em si mesmo – sem movimento, sem pressa nem vagar – à medida que elabora ou conceitua cada percepção estabelecida torna-se passado, e enquanto desenvolve a reflexão avança pelo futuro afora.

Viajar no permanente agora, integrando-se nas experiências que defluem das ações - pensamentos condensados em atitudes – enriquece o ser humano com a sabedoria, avançando no rumo da perfeição.

Terá limite essa conquista? Certamente que não, porquanto, se o houvesse, delinearia a borda de uma espiral cada vez mais ampla em um novo ciclo do processo da evolução.

O tempo terrestre, limitado, para facultar o entendimento do campo da sua infinitude, somente poderá ser experienciado através da oração e da meditação. A primeira, auxilia a romper-se o círculo dos pensamentos, nos quais a mente se movimenta, concedendo o êxtase, a anulação do tempo e o desaparecimento do espaço, propiciando outra dimensão emocional. A segunda, faculta a ruptura da barreira que dimensiona e encarcera, em cujo bojo uma experiência sucede à outra, dando curso ao mecanismo das medidas. No mergulho de seu campo de vibrações, fora do tempo terrestre, o Espírito – não mais o eu superficial – volve ao seu mundo de origem e participa da vida em sua plenitude, sem a prisão das sensações, nem os tormentos da emoção linear.

Essa penetração profunda nas esferas do tempo real é consequência da conquista vertical da experiência que se transformará em ação, ao invés da horizontal dos atos que se sucedem indefinidamente...

Esse tempo real é o oceano infinito onde o Universo, em fases e períodos, repete as suas manifestações cósmicas. Ciclicamente, os fenômenos ressurgem e se imortalizam no triunfo do Espírito que foi criado simples e ignorante, mediante o esforço e o trabalho edificante, iluminando-se com a sabedoria.

Eis definida a necessidade da reencarnação, através de cuja roda de samsara, o ser emerge das formas pesadas e ala-se em dúlcidas vibrações de luz no rumo do Infinito. Enquanto persevera nas amarras do passado, que se transformam em cadeias de sofrimentos e de angústias no presente, necessita de deslindar-se caminhando para o futuro. Todos esses tempos, porém, encontram-se num só período de tempo denominado hoje, que lhe constitui a oportunidade incomparável de sair das repetições dos comportamentos afligentes.

Fadado à plenitude, o Espírito alça-se ao infinito, etapa a etapa, mediante as conquistas de amor e de sacrifício que o dominarão ao largo das vivências de sublimação.

Esse empenho libertador auxilia-o na busca do Nirvana, do Reino dos Céus, da Espiritualidade Superior, onde o tempo e o espaço se encontram no infinito da realidade por enquanto desconhecida. Somente através desse processo é que se desenvolverá o Cristo Interno, a Divina Chispa, a Semente Sublime, o Deus interior, que predomina em germe no cerne de todos os seres humanos.

A mente, inquieta e insegura, gerando conflitos por tendência tormentosa, herança atávica dos períodos de transição pelos quais passou, engendra astutos- instintivos - mecanismos de fuga da realidade - do tempo legítimo - para a fantasia, a ilusão, o medo, a incerteza que atira na sucessão da dimensão limitada, estabelecendo sofrimentos nos quais se compraz...

Este relativo fenômeno do tempo hoje constitui a ensancha para a aprendizagem da ação profunda mediante a vivência em que se transforma a imagem do pensamento.
No começo, passo a passo, avança pelo tempo relativo, o ontem fundindo-se no hoje e este fazendo-se o amanhã que está chegando.

Mediante a legítima reflexão, além da mente que raciocina horizontalmente a+b=ab, saltando-se para a conexão tempo – espaço infinito, viver-se-á um hoje contínuo, que não se transfere para o futuro, nem recua para o passado nele embutido, trabalhando em favor do estado de paz permanente.

Mui comumente se afirma que o tempo no prazer, na alegria, na felicidade é sempre rápido, enquanto que durante a expectativa de algo, no sofrimento, no testemunho, na angústia é sempre muito demorado, não obstante seja a mesma a carga de segundos em que transcorrem ambos os estados emocionais.

Certamente, a dimensão horária funcionará no ser biológico, assim como no psicológico, na mente condicionada, desgastando o corpo que se consumirá, pela inevitável transformação molecular na sepultura ou na incineração, liberando, porém, o Espírito, para que prossiga a experiência de eternidade em que se iniciou, desde o seu nascimento, mas que nunca se extinguirá...

Carlos Torres Pastorino

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, em sessão da noite de 19 de março de 2003, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.