Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador Freddy Brandi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Freddy Brandi. Mostrar todas as postagens

18 setembro 2017

Mediunismo, Mediunidade, Animismo e Mistificação - Freddy Brandi



MEDIUNISMO, MEDIUNIDADE, ANIMISMO E MISTIFICAÇÃO



A expressão mediunismo, criada por Emmanuel, designa as formas primitivas de mediunidade que fundamentam as crenças e a religião primitivas. Primitivismo; adoração inclusive de objetos inanimados, broches, talismãs, amuletos, e etc., o fetichismo nas crenças indignas e religiões africanas. A diferença entre Mediunismo e Mediunidade está na conscientização do problema mediúnico. "A mediunidade é o mediunismo desenvolvido, racionalizado e submetido à religião religiosa, filosófica e às pesquisas científicas necessárias ao esclarecimento dos fenômenos, sua natureza e suas leis.

O mediunismo divide-se em vários ramos correspondentes, as noções africanas de que procedem. Existem as mais e as menos elevadas: Umbanda: - São as práticas mais elevadas e voltadas para o bem.

Quimbanda: - Rituais selvagens provocados pelo sangue dos animais sacrificados e queima de pólvora e outros rituais relacionados a inferioridades dos espíritos.

Candomblé: - São as Danças nativas de origem africana e indígena.

A Macumba: - É um ritual muito antigo. Diz Herculano Pires que a Macumba é um instrumento de sopro, geralmente, de bambu, que é tocado para chamar os espíritos do mato, é o "despacho", ao contrário do que se pensa, não é a oferenda de comidas e bebidas que é colocada nas encruzilhadas, mas o envio de espíritos inferiores para atacar as pessoas visadas.

Mediunidade: É a faculdade humana pela qual se estabelece a relação entre homens e espíritos. Não é um poder oculto que se possa desenvolver através de praticas, rituais ou pelo poder misterioso, desenvolve-se naturalmente nas pessoas de maior sensibilidade para captação mental, de coisas e fatos do mundo espiritual que nos cerca e nos afeta, com as suas vibrações afetivas e psíquicas.

É a faculdade ou aptidão que possuem certos indivíduos determinados médium, de servirem de intermediário entre o mundo físico e espiritual. A mediunidade é dada sem distinção a fim de que os espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico, os virtuosos, para os fortalecer no bem, e os viciosos para os corrigir.

Mediunidade é simplesmente uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos dócil, aos espíritos em geral. O bom médium é aquele que constrói boas qualidades morais e constantemente cultiva bons pensamentos, possui o hábito da oração e da leitura.

Dessa maneira , a mediunidade é a condição natural do homem, uma faculdade geral da espécie humana, que se revela em dois campos paralelos de fenômenos: os Anímicos: Que são os fenômenos mediúnicos, com há maior influência do espírito do médium na relação entre duas esferas, como nos casos de vidência.  
Espíritas: são fenômenos mediúnicos, quando, na relação, há uma atuação direta do espírito desencarnado sobre o encarnado, como ocorre na audiência e na psicografia.

Mistificação: São os escolhos mais desagradáveis da prática espírita; mas há um meio de evita-los, o de não pedires ao espiritismo nada mais do que ele pode e deve dar-vos; seu objetivo é o aperfeiçoamento moral da humanidade. Desde que, não vos afasteis disso, jamais sereis enganados, pois não há duas maneiras de compreender a verdadeira moral, aquela de que todo homem de bom senso pode admitir; mesmo que o homem nada peça, nem que evoque, sofre mistificações, se aceitarem o que dizem os espíritos mistificadores. Se o homem recebesse com reserva e desconfiança tudo que se afasta do objetivo essencial do espiritismo, os espíritos levianos não o enganariam tão facilmente.

Mistificar: Quer dizer; enganar , trapacear, burlar, tapear, iludir, iniciar alguém nos mistérios de um culto, torna-lo iniciado, abusar da boa fé.

“Do que se conclui que só é mistificado aquele que merece”

Animismo: (anima – alma) Sistema fisiológico que considera a alma como causa primária de todos os fatos intelectuais e vitais, isto é, expõe o fenômeno anímico como a manifestação da alma do médium, portanto, á alma do médium pode manifestar-se como qualquer ouro espírito, desde que goze de certo grau de liberdade, pois recobra os seus atributos de espírito e fala como tal e não como encarnado. Para que se possa distinguir, se é o espírito do médium ou outro que se comunica, é necessário observar a natureza das comunicações, através das comunicações e da linguagem.

Outro grande engano é confundir Animismo com Mistificação.

"Na verdade a questão do Animismo foi de tal maneira inflada, além de suas proporções, que acabou transformando-se em verdadeiro fantasma, uma assombração para espíritas desprevenidos ou desatentos. Muitos são os dirigentes que condenam sumariamente o médium, pregando-lhe o rótulo de fraude, ante a mais leve suspeita de estar produzindo fenômeno anímico e não espírita. Creio oportuno enfatizar aqui que em verdade não há fenômeno espírita puro, de vez que a manifestação de seres desencarnados, em nosso contexto terreno, precisa do médium encarnado, ou seja, precisa do veículo das faculdades da alma (espírito encarnado) e, portanto, manifestações anímicas".

A conclusão que chegamos é que não há fenômeno mediúnico sem participação anímica.

Existem também manifestações de animismo puro, ou seja, comunicação produzida pelo espírito do médium, sem a participação de outro espírito - encarnado ou desencarnado, pode ocorrer um processo espontâneo de regressão de memória. Existem fraudes de médiuns e de Espíritos que nada têm a ver com o animismo e o mediunismo. Pode ocorrer o desejo de promoção pessoal e de grupos. Existem a dos Espíritos que usam nomes falsos para desequilibrarem àqueles que se esquecem de estudar e julgam assim serem superiores demais. Devemos conservar a humildade e agradecer constantemente a oportunidade de servir.

Freddy Brandi

04 março 2017

Perdão e Esquecimento - Freddy Brandi

 
PERDÃO E ESQUECIMENTO


Perdoar é esquecer?

R: Não. Perdoar é independe de esquecer. Uma coisa nada tem a ver com a outra, são coisas distintas – até porque não somos alienados. Temos no cérebro uma memória que registra todos os fatos, por isto quem perdoa não tem que, necessariamente, esquecer do agravo sofrido. O que é preciso, na verdade, é esquecer no sentido de diluir a mágoa, a raiva ou o ressentimento que o fato gerou, caso contrário o perdão é superficial ou até mesmo ilusório.

Esse tipo de esquecimento é extremamente benéfico para quem sofreu algum tipo de agressão, porque a energia gerada, a cada instante em que se revive o fato infeliz, aumenta a ferida que se formou e numa verdadeira roda viva acumula novo e desnecessário sofrimento. Tanto isto é uma verdade que a própria ciência da psicologia diz a todo instante, atestando que o esquecimento da mágoa por si só vale como uma excelente psicoterapia, pois que... O apego à ofensa propicia ao ofendido a oportunidade de carregar sozinho a chaga em que ela se constitui.

A diferença está naquele que realmente perdoa e consegue liberta-se daquela parte pesada da lembrança a ponto de não mais sofrer ao relembrá-la.“Perdoar é bom para quem perdoa.”, ou seja, quem perdoa livra-se do fardo triste que carregava e quem foi perdoado nem sempre alcança a mesma graça de vez que assumiu um ônus pelo qual responderá, ainda que perdoado.

A vinda de Jesus trouxe ao nosso Planeta uma nova concepção no que se refere ao perdão. Uma das partes mais lindas de sua missão foi justamente mudar a concepção de um Deus tão bárbaro quanto o homem, ensinando sobre um Deus justo... Mas infinitamente bom. Severo... mas infinitamente misericordioso. Um Deus que a tudo perdoa, mas que deixa ao sabor do livre arbítrio de cada um a responsabilidade de suas atitudes e o aprendizado que elas possam trazer. Lembramos que Jesus disse; perdoar não sete vezes mais setenta vezes sete vezes, isto é perdoar quantas vezes forem necessário. Além disso entre outras parábolas Jesus disse; amar o seu inimigo.

Emmanuel em “O Consolador”, questão 337: “Concilia-te depressa com o teu adversário” – essa é a palavra do Evangelho, mas se o adversário não estiver de acordo com o bom desejo de fraternidade, como efetuar semelhante conciliação?

- Cumpra cada qual o seu dever evangélico, buscando o adversário para a reconciliação precisa, olvidando a ofensa recebida. Perseverando a atitude rancorosa daquele, seja a questão esquecida pela fraternidade sincera, porque o propósito de represália, em si mesmo, já constitui uma chaga viva para quantos o conservam no coração. “·Vemos aí, embutida nas palavras de Emmanuel mais um alerta a considerar; aquele que busca sinceramente o perdão já está fazendo dignamente a sua parte, ainda que o ofendido se recuse. Quando aquele que concede o perdão não deve se ater ferrenhamente ao que vai ser feito do perdão que concedeu, pois já fez a sua parte, também aí, o que se seguir é problema do perdoado”.

Para concluir lembramo-nos de que... esquecendo ou não, se o perdão é algo muito importante para o perdoado, é ainda muito mais para aquele que tem a felicidade de conseguir perdoar, porque...Quem perdoa já cresceu no amor... Quem humilde e sinceramente pede perdão... Caminha para o mesmo crescimento.

O perdão

Todos nós, cristãos, sabemos que devemos perdoar sempre que formos magoados, feridos, ofendidos, sob quaisquer circunstâncias.

Por quê então, é tão difícil perdoar?

É difícil sim, porque somos seres ainda muito imperfeitos, com muito orgulho e egoísmo, que nos dificultam o relacionamento entre as pessoas.

Temos grande dificuldade em colocarmo-nos no lugar do outro, procurando perceber os sentimentos e emoções que o levam à ofensa. Muitas pessoas nem se conscientizaram da importância e da necessidade dessa ação para o conhecimento de si mesmas e dos outros.

Temos dificuldades imensas em comunicarmo-nos, uns com os outros, de forma clara, expressando objetivamente nossos pensamentos e idéias. Quantas vezes ofendemos e somos ofendidos pela má expressão das nossas frases, por não nos fazermos entendidos.

Não sabemos também e não nos esforçamos para interpretar, corretamente, o que o outro tenta nos dizer.

Como trazemos ainda, o mal dentro de nós, percebemos nos outros, com muito mais facilidade, os defeitos, o que nos impede de compreendê-los. Habituamo-nos a julgá-los, preconceituosamente, com exigências que não temos para conosco.

Vivemos durante inúmeras reencarnações considerando o perdão, a indulgência, a bondade como expressões de fraqueza, de covardia. Entendíamos um dever vingarmo-nos sempre que nos julgássemos ofendidos.

Hoje, que a luz dos ensinos de Jesus iluminaram nossos corações e nossas mentes; hoje que a lógica da doutrina espírita nos mostra os elementos justificativos da necessidade do perdão, queremos ser bons, perdoar, incondicionalmente, como exemplificou Jesus. Todavia, sentimos dificuldade de libertarmo-nos dos hábitos "de defesa da honra e da dignidade", do "ter vergonha na cara", "ter sangue nas veias", do "não levar desaforo pra casa", porque "difícil não é aprender coisas novas, difícil é desaprender hábitos antigos".

Melindramo-nos, tão facilmente, por tão pequenas coisas, com as pessoas com as quais convivemos e até com as que amamos!... Por quê?

Penso por estarmos, no presente, tentando desenvolver em nós as virtudes exemplificadas por Jesus, esforçando-nos para vivenciar o bem, mas, ainda, muito distantes dessa conquista, irritamo-nos, facilmente, com aqueles que, voluntária ou involuntariamente, nos apontam nossos erros e enganos.

Gostaríamos que todos nos julgassem pelas nossas boas intenções e não pelas nossas atitudes e ações equivocadas. Porém, nós também, em relação aos outros, não nos esforçamos em compreender as suas dificuldades, os seus sentimentos e, queremos deles atitudes e ações que consideramos ideais, mas que ainda estão distantes de ser desenvolvidas por nós, em nós.

Por quê devemos perdoar?

Por muitas razões. Devemos perdoar para facilitar a convivência, o relacionamento entre nós e os outros. Todos desejamos ser felizes, viver e trabalhar em ambientes agradáveis, harmoniosos que proporcionem prazer, satisfação, paz e o perdão recíproco, fraterno, de quem compreende que todos cometemos erros e, portanto, precisamos de indulgência, este perdão é o elemento capaz de transformar qualquer ambiente conturbado em ambiente prazeroso.

Devemos perdoar sempre que acontecerem grandes ou pequenas ofensas, porque o perdão desfaz as vibrações negativas advindas do ofensor e de que se sente ofendido, proporcionando a limpeza psíquica, levando à confiança recíproca que, por sua vez, liberta-nos do medo de mostramo-nos tal qual somos, com nossos defeitos e qualidades, de "soltarmo-nos" das amarras da insegurança, da amargura, do preconceito... E essa confiança recíproca, provocada pelo perdão, estimula-nos para a confiança no homem em geral, em nós próprios, em Deus e nas suas leis, abrindo-nos para o bem, para a alegria!

Vivemos em um mundo de ondas e vibrações que se cruzam, se atraem, se repelem conforme suas semelhanças e diferenças. Todo sentimento negativo, da tristeza ao ódio, pelas vibrações tensas e opressas que emitem, atraem outras semelhantes, de encarnados e desencarnados.

Em nosso próprio benefício, pois, precisamos cultivar sentimentos nobres para, ao irradiá-los, atrairmos as irradiações boas. A mágoa, o rancor, a raiva, o desejo de vingança, que nos impedem de perdoar, nos priva também de atrair energias boas e agradáveis.

Quando alguém nos magoa, nos agride, nos fere, o perdão é a nossa proteção contra o assédio das energias negativas.

Se estivermos atentos ao que sentimos quando não aceitamos a agressão alheia, procurando desculpar, na compreensão do momento infeliz do outro, comparando com o que sentimos quando deixamos penetrar em nós essas energias negativas que se casam com as nossas, teremos a comprovação dos efeitos sublimes e balsamizantes do perdão.

Devemos perdoar sempre porque o perdão, mesmo quando unilateral, desfaz o sentimento de animosidade. E no decorrer do tempo, na convivência nesta existência ou em futuras, através dos laços que se entrelaçam, o perdão terá sido a chave que abriu a porta do coração à amizade, ao relacionamento afetuoso, transformando adversários em amigos.

Quem necessita de perdão?

Todos nós, Espíritos eternos, imperfeitos ainda como demonstram a complexidade de sentimentos e emoções contraditórios que se agitam dentro de nós, levando-nos a erros e enganos.

Precisamos conseguir a consciência da necessidade do amparo mútuo e o perdão no dia-a-dia oferece ao que perdoa e ao perdoado a oportunidade de refletir sobre quem é, porque está aqui e para onde vai. O perdão no dia-a-dia leva-nos à humildade de reconhecermo-nos todos iguais, na origem e na destinação, nas possibilidades do desenvolvimento do nosso potencial, com as mesmas dificuldades de aprendizado.

Por quê então, sermos duros, exigentes, rigorosos com os outros e indulgentes conosco?

Como aprender a perdoar?

Perdoar é desculpar, não valorizando a ofensa, minimizando-a; é esquecer o mal recebido; é não sentir no ofensor um inimigo, mas uma pessoa com dificuldades pessoais.

Mas acima de tudo, em um grau elevado de evolução, perdoar é não se sentir ofendido, magoado, ferido pelo outro. Esse ideal a ser perseguido é não necessitar de perdoar porque vê no ofensor um irmão necessitado de ajuda, de compreensão, de amor. Nessa vivência, o exemplo maior é o de Jesus: "Perdoai-lhes Pai, porque não sabem o que fazem". Veja este grande exemplo de fraternidade, humildade, amor ao próximo, amor aos seus algozes, Jesus mesmo sendo humilhado, mesmo sendo perseguido,mesmo acusado, mesmo julgado, condenado, sem direito á um julgamento justo, nos seus últimos momentos, perdoou incondicionalmente a todos sem distinção.

Até conseguirmos alcançar esse ideal é preciso ter essa meta como ponto de chegada, como fim a ser atingido. Um dia, não importa o tempo que levar - aliás, tempo é o que não nos falta: temos a eternidade - conseguimos. Como toda chegada tem seu ponto de partida, precisamos iniciar já, agora, o fortalecimento de nossa vontade no esforço de perdoar seja quem for, em qualquer situação ou circunstância.

Estimulado pela vontade de desenvolver, em nós, a virtude do perdão, devemos nos propor, perseverantemente, o exercício do perdão, sempre que surgir a oportunidade, sem alarde, no íntimo de nós próprios, da maneira que pudermos, em situação simples ou complexa, porque somente no exercício constante no dia-a-dia, a própria ação de perdoar se constitui no reforço da vontade de perdoar.

É uma luta interna, invisível aos olhos alheios, por vezes muito difíceis e tanto mais difícil se torna para a pessoa dominada pelo orgulho e egoísmo.

Aquele porém, que compreende e aceita que somos todos iguais na origem e no destino, como dissemos acima, que todos somos perfectíveis, que a vida não se limita a esta existência, tem os princípios básicos que justificam a necessidade e a capacidade de cada um de nós em perdoar sempre.

Busquemos perdoarmo-nos sempre para que a vida social, "a pedra de toque das boas ou más qualidades", como escreveu Allan Kardec no livro "Céu e Inferno", cap. III item 8, possa propiciar, em nós, o desenvolvimento das qualidades morais que Jesus nos ensinou e exemplificou.

Todos nós temos que aprender e cultivar o perdão. Perdoar é a compreensão do momento do outro, das suas deficiências, do distanciamento do seu espírito em relação ao centro de todo o Universo, da manifestação pura que brota silenciosamente em seu ser.

Não há porque temer, muito menos questionar nossas atitudes quando perdoamos àqueles que nos ofendem. Simplesmente, devemos nos opor à discórdia com o que há de mais sublime em cada um de nós. Perdoar é sentir o amor invadir nosso interior, o amor que conduz à harmonia e à paz do Universo, que dá vida e grandeza. Perdoar não é uma atitude humilhante, é o reconhecimento da própria Luz que está em nosso coração, é o desejo que o próximo reencontre sua verdadeira natureza.

Perdoar é amar a vida, amar a si mesmo, amar o próximo, pois nossa origem é simplesmente o amor.

Freddy Brandi
São Paulo, maio de 2005.

16 maio 2016

Cremação - Freddy Brandi



CREMAÇÃO

O Espiritismo não proíbe a cremação de cadáveres, mesmo porque nada é proibitivo no Espiritismo, pois é uma Doutrina de liberdade mas, antes de tudo, uma Doutrina da conscientização. Recomenda, todavia, muita cautela para aqueles que venham adotar o procedimento da cremação de cadáveres, em substituição a inumação (sepultamento), pelos motivos que vamos expor.

Perispírito o que é e como fica

Nosso corpo material, que é energia densificada, se liga ao Espírito, Ser Inteligente de essência sublimada, através do perispírito elemento mediador entre os dois corpos de naturezas extremamente diferentes. O perispírito é um envoltório semimaterial do Espírito, constituído de substância etérea e sutil, mais fluídica do que material, sendo que esta parte material é muito menos denso do que a matéria do corpo de carne.

Para dar vida ao corpo carnal, o perispírito se liga a ele, célula a célula, elemento a elemento, como se existissem feixes de fios fluídicos, estabelecendo a conexão celular material com o Espírito. É assim que tudo o que se passa no corpo material, o Espírito toma conhecimento através da ligação existente e, no sentido inverso, todas as decisões, ordens, desejos, vontades e até mesmo todos os sentimentos do Espírito chegam à estrutura celular ou nela se refletem, através do mesmo canal fluídico.

Quando, por exemplo, cortamos acidentalmente um dedo, as células danificadas, desestruturadas, comunicam ao Espírito o traumatismo ocorrido e o Espírito sente, como conseqüência, a dor, pois não é a matéria que sente dor e sim o Espírito. Inversamente, quando o Espírito delibera, por exemplo, erguer o braço direito do corpo material, este obedece à ordem e se levanta, porque as instruções emitidas pelo Espírito (esta é a sua vontade), são repassadas às células nervosas do cérebro material que simplesmente obedecem, transmitindo o desejo do Espírito de levantar o braço direito, neste caso. O cérebro funciona aqui como mero receptor da ordem do Espírito e aciona a rede nervosa que atinge o órgão envolvido que é o braço direito. Igualmente, pelo mesmo conduto fluídico o Espírito extravasa, também, para o corpo carnal, todos os seus sentimentos, bons ou maus: sentimentos de alegria ou tristeza, serenidade ou angústia, amor ou ódio e muitos outros, que irão revitalizar as células materiais ou produzir nelas distúrbios que podem se complicar, causando mal-estar e até doenças.

A Morte

O fenômeno da morte nada mais é do que o desligamento de todos os fios fluídicos do perispírito, liberando o Espírito do cárcere material. Uma vez ocorrido tal desligamento no processo da morte, o Espírito não pode voltar a animar aquele que foi o seu veículo de carne.

A Força do Pensamento

Se com a morte, como vimos, o Espírito está totalmente desconectando do corpo material, poderíamos concluir, de imediato, que tudo o que fosse feito com o cadáver, não deveria atingir o Espírito, por falta de ligações reais. Assim, poderíamos cremar o cadáver. Mas as coisas podem não ser bem assim, porque o Espírito, mesmo liberto da matéria, continua a pensar e a ter desejos e sentimentos.

Podemos dizer, neste caso, que o nosso corpo carnal seria o nosso tesouro e o coração, o nosso pensamento, o nosso sentimento. Para as criaturas ainda não totalmente espiritualizadas, que viveram na Terra muito apegadas aos bens materiais, inclusive ao próprio corpo carnal, a morte não impede que o pensamento do Espírito esteja concentrado no seu cadáver, até mesmo por uma espécie de saudade, devido o recente acontecimento do decesso e por se reconhecer, daquele momento em diante, impedido de usufruir um instrumento carnal para fazer as coisas que estavam acostumadas a fazer. Se isto acontecer, e acontece com freqüência, o Espírito fica como que algemado à carne que vestiu na Terra, presenciando, de forma angustiante, as labaredas a queimar as suas vísceras, durante a cremação, porque, como sabiamente disse Jesus, o seu tesouro está ali, no corpo carnal, sendo destruído pelo fogo, em poucos minutos, bruscamente.

Como sabemos, Espíritos muito adiantados, altamente espiritualizados, existem reencarnados na Terra, mas são raros. Aqui se encontram executando missões específicas, para ajudar a Humanidade a acelerar o seu progresso evolutivo, em diferentes áreas do conhecimento. Com a morte, os corpos materiais desses Espíritos, podem ser cremados, porque em nada afetará a sua sensibilidade, visto que vivem mais ligados à Espiritualidade do que à própria matéria. Não é o que se passa com a esmagadora maioria, da qual fazemos parte, pois somos Espíritos em processo evolutivo, mas muito fragilizados pelo acúmulo de imperfeições e, nestas condições, o campo material ainda nos impressiona fortemente, sensibilizando-nos de forma muito acentuada, mesmo para os que são espíritas ou se dizem espíritas. Há sempre alguma circunstância maior ou menor, que nos prende à matéria. Nestes casos, as labaredas da cremação podem chamuscar os Espíritos que se ressentirão do evento, para ele dramático.

Algo semelhante acontece quando nas sessões mediúnicas recebemos um Espírito sofredor como, por exemplo, um Espírito que desencarnou através do assassinato, com um tiro no coração. Ele se aproxima do médium sentindo ainda as dores no coração provocadas pelo tiro que o vitimou e repassa para o médium, de forma amenizada, aquelas dores. Como ele já desencarnou, não mais possui coração e, portanto, não deveria estar sentindo dor alguma. Mas o quadro da sua desencarnação foi muito traumatizante, fazendo com que o Espírito conserve, por muito tempo, o seu pensamento fixo, concentrado, naquele acontecimento, e é por isso que ele sofre.

Nos casos em que o cadáver não é cremado e sim sepultado, o Espírito, por estar muito apegado à matéria, pode ficar no cemitério, próximo à sua sepultura, assistindo também, desesperado, a decomposição gradativa do seu corpo, sentindo mesmo os vermes corroerem a sua carne e com isso sofrendo muito. Há, porém, uma diferença capital entre a cremação e a inumação. Na cremação tudo se processa rapidamente, em poucos minutos e no sepultamento a decomposição do cadáver é lenta, oferecendo oportunidade para que o Espírito possa ser devidamente socorrido, orientado e esclarecido, no sentido de desviar, aos poucos, o seu pensamento para outras coisas importantes.

O Irmão X nos adverte de que a atitude crematória é um tanto precipitado, podendo vir a ter conseqüências desagradáveis para o Espírito desencarnante: ... morrer não é libertar-se facilmente. Para quem varou a existência na Terra entre abstinências e sacrifícios, a arte de dizer adeus é alguma coisa da felicidade ansiosamente saboreada pelo Espírito, mas para o comum dos mortais, afeitos aos comes e bebes de cada dia, para os senhores da posse física, para os campeões do conforto material e para os exemplares felizes do prazer humano, na mocidade ou na madureza, a cadaverização não é serviço de algumas horas. Demanda tempo, esforço, auxílio e boa vontade. Eis porque, se pudéssemos, pediríamos tempo para os mortos. Se a lei divina fornece um prazo de nove meses para que a alma possa nascer ou renascer no mundo com a dignidade necessária, e se a legislação humana já favorece os empregados com o benefício do aviso prévio, por que razão o morto deve ser reduzido a cinza com a carne ainda quente?

Leon Denis na obra O Problema do Ser, do Destino e da Dor, comenta que, ao consultar os Espíritos sobre a cremação de corpos, concluiu que em tese geral, a cremação provoca desprendimento mais rápido, mas brusco e violento, doloroso mesmo para a alma apegada à Terra por seus hábitos, gostos e paixões. É necessário certo arrebatamento psíquico, certo desapego antecipado dos laços materiais, para sofrer sem dilaceração a operação crematória. É o que se dá com a maior parte dos orientais, entre os quais está em uso a cremação. Em nossos países do Ocidente, em que o homem psíquico está pouco desenvolvido, pouco preparado para a morte, à inumação deve ser preferida, posto que por vezes dê origem a erros deploráveis, por exemplo, o enterramento de pessoas em estado de letargia. Deve ser preferida, porque permite aos indivíduos apegados à matéria que o Espírito lhes saia lenta e gradualmente do corpo; mas, precisa ser rodeada de grandes precauções. As inumações são, entre nós, feitas com muita precipitação.

Emmanuel, em O Consolador, questão 151, opina: Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o tônus vital, nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material.


Freddy Brandi 

09 maio 2016

Transplantes de órgãos, o que diz o Espiritismo? - Freddy Brandi


TRANSPLANTES DE ORGÃOS, O QUE DIZ O ESPIRITISMO?

Transplantes: “Na constituição Brasileira de 05/10/88; garante a remoção de órgãos para fins de transplante, vedando a sua comercialização.”

A medicina tem se valido, cada vez mais da possibilidade de aumentar o tempo de vida das pessoas, através da utilização de partes do corpo ou de transplantes de pessoas que venham a falecer. Há registros de transplantes em várias épocas, na Índia, há dois mil anos ou mais, tem-se noticias de transplantes autógenos, para reparo de mutilações de nariz, orelhas e lábios. Os cirurgiões de Alexandria já tratavam de problemas de lesões na fase e em outras partes do corpo, através de transplante de pele.

Sem dúvida, é uma atitude louvável a possibilidade de, através da doação de partes de um corpo, que nenhuma serventia terá ao seu proprietário, permitir que alguém possa ter a oportunidade de ter a sua vida prolongada. “Isso sem dúvida é caridade para com o próximo”.

Entretanto, uma série de dúvidas e perguntas surgem junto a todos em relação ao conceito de morte, a família, ao espírito, a religião e outros fatores. Do ponto de vista médico-jurídico, o conceito de morte vem sendo muito discutido, tendo-se chegado a um consenso do conceito de morte encefálica, quando as estruturas vitais do cérebro estão irremediavelmente lesadas, o exame mostra a ausência de atividade elétrica cerebral, esse é um dos métodos de comprovação da morte.

Mas como fica a situação do espírito do doador?

R: Essa é uma dúvida que assalta muitas pessoas, vamos dar alguns exemplos: quando uma pessoa doa as córneas (olhos), essa pessoa não retorna ao mundo espiritual sem enxergar, se fosse assim, como seria, aquelas pessoas que foram consumidas pelo fogo? Voltariam a pátria espiritual como? só cinzas??? E aquelas pessoas que foram desintegradas numa explosão?

Não há o que se preocupar, pois a remoção de órgãos em nada afeta o corpo perispiritual, sendo que, muitas vezes até beneficia o espírito doador, pela possibilidade que proporciona, recebendo á alegria e a gratidão do receptor do órgão e de seus familiares.

Numa operação de transplante de órgãos é necessária a presença de duas equipes médicas: uma material e outra espiritual, cada uma executando a sua parte e, por assim dizer, complementando-se uma à outra. Enquanto a equipe médica material trabalha nas ligações das estruturas dos tecidos do órgão doado ao corpo material do paciente receptor, a equipe médica espiritual providencia as conexões dos “fios fluídicos” do perispírito* do transplantado, na região do órgão que foi doado, às respectivas células materiais do seu novo órgão. Se o perispírito do paciente transplantado não se adaptar convenientemente à nova porção de matéria do órgão que foi doado, haverá a rejeição, pois ele deixa de receber os influxos vitais irradiados pelo Espírito e transmitidos ao corpo carnal via perispírito.

Nota-se, que a equipe médica espiritual atua no perispírito do receptor buscando aliviá-lo das impressões fluídicas existentes, possibilitando, assim, reduzir problemas de inaptidão do órgão a um novo organismo.

Nota: - Perispírito* - O homem compõe de três elementos: o corpo ou ser material, composto das partículas materiais idênticas á aquelas utilizadas na constituição fisiológica de todo o animal; A alma, ser inteligente, imaterial, ou espírito encarnado no corpo, e o Perispírito, laço fluídico que prende a alma ao corpo, principio intermediário entre matéria e espírito. A função do perispírito : quando encarnado, é o intermediário entre o espírito e o corpo físico, tendo como função, transmitir as sensações do corpo para o espírito e as impressões do espírito para o corpo.

O Espírito e o corpo carnal, são de naturezas totalmente opostas. No transplante quando o órgão é retirado, leva com ele o conteúdo energético, que, sendo estranho ao organismo transplantado, pode ser chocante, portanto, não basta apenas harmonia e semelhança do ponto de vista físico, mas, também do perispiritual, quando maior essa identidade, menor a chance de rejeição.

O veículo físico de matéria palpável, não deixa de ser energia, mas é energia concentrada, pesada; já o Espírito, ser pensante, é sutil e embora ainda não conhecemos a sua estrutura íntima, percebe que é algo como um foco irradiante, uma fonte poderosa de energia vibrátil.

Dois corpos tão diferentes na sua essência, só podem ser conectados por um outro de textura intermediária - O PERISPÍRITO -, constituído de fluido semi-material, geralmente mais fluídico do que material. O perispírito é como se fosse um conjunto enorme de pequenas “algemas fluídicas”, que aprisionam o Espírito à matéria, célula a célula, elemento a elemento, cuja libertação plena só acontece com o fenômeno da morte.

Os corpos carnais das diferentes pessoas são exatamente iguais, pois são compostos dos mesmos elementos químicos oriundos da terra (cálcio, ferro, alumínio,zinco, etc.), qualquer que seja a superioridade ou a inferioridade dos Espíritos que os habitam temporariamente. Com o perispírito já não é assim. A natureza do envoltório fluídico do Espírito guarda uma relação íntima com o grau de adiantamento moral do Espírito. Para os Espíritos inferiores, seus perispíritos são tão grosseiros que chegam a ser confundidos com o próprio corpo carnal. Os Espíritos mais elevados, no entanto, possuem os perispíritos bem mais purificados.

Como sabemos, que o perispírito dos Espíritos não são iguais, variando de textura, de acordo com a sua pureza fluídica, em consonância com o adiantamento moral dos Espíritos, é fácil imaginar que poderá haver maior ou menor facilidade na adaptação do órgão transplantado ao corpo do receptor, na medida em que os perispíritos dos dois Espíritos (doador e receptor) sejam mais ou menos semelhantes em grau de pureza. Embora as ligações fluídicas perispirituais do doador do órgão já estejam desatadas, em conseqüência do fenômeno da morte, que recentemente ocorreu, é natural que as células materiais do órgão doado, guardem, por algum tempo, uma certa porção de fluidos, isto é, um certo reflexo da natureza fluídica do perispírito ao qual esteve até então jungido e ao receber agora uma fixação fluídica perispirítica de outra natureza, poderá ocorrer um choque, de maior ou menor intensidade, que perdurará por um certo tempo, até que sejam totalmente dissipadas do órgão doado, as influências residuais dos fluidos perispirituais do Espírito doador.

Tal situação pode se agravar, caso o Espírito do doador, seja mais materialista do que espiritualista e esteja ainda muito apegado à matéria, inclusive ao próprio corpo carnal. Neste caso o Espírito pode se revoltar ao ver os seus órgãos serem retirados do seu cadáver e transplantados para outras pessoas, podendo causar até mesmo angústia no desencarnado que, eventualmente, poderá repassar esta angústia para o paciente transplantado, que assim não passará bem.

Para os Espíritos desprendidos da matéria, já mais espiritualizados, a doação de seus órgãos materiais será melhor compreendida e mesmo entendida como uma caridade prestada aos seus Irmãos que passam a se beneficiar de alguns órgãos materiais que para o doador morto não têm mais nenhuma serventia.

Lembre-se de quantas pessoas poderíamos estar salvando ou até mesmo aumentando a sobre-vida daqueles que necessitam tanto de um órgão?


Freddy Brandi