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09 setembro 2016

Aborto - Humberto Pazian


ABORTO

“Porque toda casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus.” - Paulo. (Hebreus, 3:4.)

No caminho evolutivo que o espírito empreende, várias vidas são necessárias para que os princípios da justiça se firmem em nossas mentes.

Experiências múltiplas nos fazem entender que a justiça é para todos, independentemente da cor, sexo, posição social ou qualquer outra barreira que impusermos à humanidade.

Se de um lado sentimo-nos confortados por saber que toda injustiça ou ato ofensivo que seja praticado contra nós será compensado, por outro lado preocupa-nos por entendermos que se formos nós os causadores de injustiças e transgressões também teremos um retorno dessas ações.

Durante muitos séculos, acreditamos no temível conceito de “pecado” e sua corrigenda purgatorial, entendendo que o mal ou os erros aqui praticados resultariam num castigo infindável no mundo dos espíritos e que, uma vida isenta de erros proporcionaria por sua vez, uma também eterna vida de gozo, monótona e sem nenhuma finalidade.

Nem uma nem outra, é o que os espíritos nos ensinaram. Com o esclarecimento que a Doutrina Espírita nos trás, aprendemos que na própria existência terrena - atual ou futura- é que teremos a compensação de nossos atos.

Criamos nossos destinos, somos com Deus, co-criadores de nossos caminhos tendo sempre - o que nunca devemos esquecer - a oportunidade de refazermos nosso trajeto, reajustando nossos passos.

O ato de impedirmos o nascimento de um ser, desacreditando na Sabedoria das leis Divinas, é considerado pelo Espiritismo como um erro, uma decisão mal tomada e, como tal, necessária uma corrigenda.

Mas é importante ressaltar que, embora somos contra o aborto e a favor da vida, também somos a favor do perdão e contra o julgamento cruel que muitos fazem àqueles que infelizmente, tenham praticado tal ato.

Se pensa em praticar o aborto, aconselhamos::não o faça, acredite no Amparo Divino que sempre nos acolhe nos momentos de dificuldade mas, se já o praticou, não se desespere pois esse mesmo “Poder” irá auxiliá-lo a compensar o erro através de inúmeras oportunidades que a vida lhe apresentar.

Em ambas as situações, lembremo-nos sempre, da condição de “filhos amados do Altíssimo”, tão bem conduzidos que somos pelas mãos amorosas do querido mestre Jesus.

Confiando Nele, prossigamos.


Humberto Pazian


29 novembro 2014

A Verdade de Cada Um - Humberto Pazian

A VERDADE DE CADA UM

Havia um lugar, muito belo e tranqüilo, onde a natureza se mostrava sempre exuberante e generosa. Os frutos, de todas as qualidades, pendiam dos galhos que, graciosamente, se ofereciam a quem desejasse apanhá-los.

Do solo, todo alimento que se pode imaginar, nascia, crescia e se reproduzia em abundância. O Sol, com seus mornos raios dourados, todas as manhãs, percorria campos e vales, montes e extensas planícies, germinando a terra e renovando a vida em toda a natureza. Ao final de cada dia, antes de esvair-se, certificava-se de a que a Lua, a senhora da noite, já estava por vir para, na luz tranqüila que irradiava, pudesse a vida, descansar e sonhar...

Essa é a imagem que os povos antigos nos legaram do que entenderam como “paraíso” ou “éden”; o lugar perfeito criado por Deus para servir de morada aos primeiros seres humanos: Adão e Eva. Divergindo um pouco nos nomes e em alguns fatos e pormenores, muitos povos trazem nas suas origens um paraíso, que se tornou “perdido” devido ao erro de seus habitantes em não respeitar as Leis Divinas.

Os espíritas, também têm sua versão desta história. Num passado bem remoto, em um planeta muito maior que o nosso, existia uma civilização evoluída. A ciência desse mundo havia se desenvolvido à alta compreensão da vida. A filosofia e a Arte manifestavam-se com primor e, nesse mundo, encontravam tudo o que necessitavam para viverem felizes.

Mas tudo isso não foi o bastante, muito abusaram da intelectualidade, da sensualidade e do poder. Buscaram outros prazeres e objetivos que não aqueles que o Espírito e a boa moral conduziam. Houve então a degradação; do paraíso em que viviam, seus Espíritos desceram a planos e planetas inferiores na escala evolutiva. Esses seres, encarnados em mundos primitivos, tiraram do “suor de seus corpos” o sustento para suas vidas. Entre esses mundos... a Terra.

Talvez, essa seja a concepção espírita dos “Anjos decaídos”, “dos astronautas que vieram do céu”, dos “Deuses mitológicos”ou ainda, explique a grande sabedoria de alguns povos da antigüidade. Faz sentido, e é importante que se reflita sobre isso, pois do passado tiramos importantes lições para o presente e futuro.

E por falar nisso, observem com atenção a ciência de nosso mundo como está evoluindo. Observem a filosofia e as artes, vejam a facilidade que o homem está encontrando para extrair do planeta seu sustento, cada vez com menos esforço. Observem a inteligência das crianças, a longevidade que a vida humana tem alcançado e a velocidade com que as mudanças tecnológicas têm surgido e modificado nossas vidas e, o mais importante, não deixem de notar a quanto andam os valores morais e espirituais. Será que têm evoluído na mesma intensidade? Tem, o homem, dedicado o tempo e a atenção devida a essa parte tão importante do seu ser?

Talvez a idéia de “paraíso” esteja um pouco distante da nossa realidade mas, não me furto aqui a oportunidade de deixar uma questão para sua reflexão: Será que a história se repetirá? 

Humberto Pazian
  

05 setembro 2009

Onde está a nossa fé? - Humberto Pazian

Onde está a nossa fé?

Podemos, de uma forma bem simples, entender a fé como a certeza de que Deus nos ama e que tudo que a vida nos apresenta é para nosso bem. Quantos discursos já não ouvimos em nome do poder de um pensamento positivo? Quantos artigos e livros já não lemos discorrendo sobre o poder da mente? Quantas e quantas vezes não ficamos demoradamente a refletir sobre essa força maravilhosa da fé? E, assim mesmo, quantas vezes nos falta esse sentimento quando nos deparamos com as dificuldades!

Não falo em nome de todos, isso é óbvio, mas acredito que para um grande número de pessoas isso acontece; a falta de fé.

A fé e o espiritismo

Aprendemos na doutrina espírita que nascemos, ou melhor, renascemos neste planeta para continuarmos nossa evolução espiritual. Isso quer dizer que aqui estamos para aprendermos novas lições, reaprendermos as não assimiladas, para conhecermos e superarmos nossas fraquezas, consolidarmos nossas virtudes, nos reabilitarmos perante aqueles que prejudicamos (nesta ou em outra encarnação) e perdoarmos quem nos agride, entre tantos outros propósitos que poderíamos enumerar. Observando a vida dessa forma, fica mais fácil compreendermos que, com tantas atividades inerentes ao nosso aprendizado, é natural que, de vez em quando, tenhamos alguns contratempos, alguns dissabores, desilusões e outros tipos de “dores”, como também teremos momentos de grande alegria e prazer. O tempo e a intensidade do nosso sofrimento ou prazer estará sempre relacionado com nossa forma de “sentir a vida”.

Já percebeu como reagimos de forma diferente aos acontecimentos ou situações da vida? Tomemos como exemplo um dia frio e chuvoso de inverno. Talvez um de nós diga que o dia está cinzento e feio e que fica muito triste num dia assim, enquanto outro possa sentir-se confortável e propenso a reflexões e ajustes no seu trabalho ou vida particular, e sinta até uma grande paz. Se perguntássemos a mais pessoas, outras opiniões divergiriam das nossas com toda a certeza.

Os “problemas” da vida se processam da mesma forma, pois dificuldades todos nós temos, momentos de incertezas, de dor, de inquietações são comuns a todos nós, só que a maneira de reagirmos a eles é que diferem. É a força da nossa fé que vai fazer com que o sofrimento dure um maior ou menor tempo, e ainda, se ele existirá ou não.

Deus em nós

Podemos, de uma forma bem simples, entender a fé como a certeza de que Deus nos ama e que tudo que a vida nos apresenta é para nosso bem, tudo mesmo. Compreendendo a vida atual como uma sala de aula e nós como alunos aplicados, fica fácil entender que quanto mais nos aplicarmos aos estudos, mais fácil ficará o aprendizado e mais tranqüila as provas de conhecimento. Falar, bem sei que é fácil, mas, ter a confiança de que somos orientados e conduzidos por mãos hábeis e bondosas não é impossível, pois precisamos analisar se acreditamos ou não em Deus.

Cada um de nós deve ter uma concepção diferente de Deus, mas seja ela como for, é de grande importância que nos habituemos a sentir a presença Divina em todos os momentos; tanto nos de alegria como nos de tristeza, nos de paz ou de guerra; quando estivermos agindo bem e quando não estivermos também. Se vivermos de acordo com a base religiosa que todos nós temos, se colocarmos realmente em prática o “seja feita a Tua vontade”, viveremos então com fé e sentiremos a Presença Divina em nós.

A observação das leis da vida é muito importante, mas é na prática delas que conheceremos seus resultados, e já que todos nós entendemos o valor da fé, façamos nosso dever de casa vivendo com entusiasmo e com a certeza de que a paz, o amor e a alegria são nossa meta final.

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 21