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07 novembro 2020

A Violência Interior de todos nós - Ivan René Franzolim


A VIOLÊNCIA INTERIOR DE TODOS NÓS

A violência do mundo se combate com as armas do bem apontadas em nossa própria direção.

A palavra violência exprime todo pensamento, complementado ou não por palavras e ações, que exteriorize um sentimento contrário à lei do amor e da caridade. No mundo atual acompanhamos muitas vezes com o requinte de detalhes, as notícias e reportagens sobre os atos mais violentos da humanidade. Esse contato diário com os atos extremados do ser humano toma as pessoas mais insensíveis, levando-as a desconsiderar suas pequenas atitudes de violência, esquecendo de colocá-las no rol daquelas que devem sofrer o esforço de transformação no trabalho constante de auto-aprimoramento.

A propensão à violência é característica dos Espíritos vinculados ao planeta Terra, variando apenas quanto a intensidade e aos estímulos necessários para desencadear a ação violenta. Daí o "não julgueis", induzindo-nos pelo raciocínio, a buscarmos maior prudência ao julgar o próximo, porque não sabemos se guardamos em nosso íntimo o mesmo grau de violência que condenamos, esperando apenas as condições propícias para despertar.

Segundo o Espírito da Verdade (perg. 785), o maior obstáculo ao progresso moral é o orgulho e o egoísmo. Ambos caracterizam o sentimento ainda muito imperfeito que aliado à ignorância das leis naturais e seus mecanismos de atuação, originam as ações contrárias a essas mesmas leis constituindo a violência. Essa ignorância, no entanto, não nos exime de culpa e responsabilidade pelos nossos atos uma vez que a lei de Deus está escrita na consciência de cada um (perg. 621), permitindo ao homem discernir sobre o bem e o mal. As imprudências cometidas sem intenção negativa ou consciência perfeita da situação estariam livres de culpa (perg. 954), embora o Espírito mais adiantado se sinta naturalmente compelido a auxiliar àqueles envolvidos pela sua imprudência. (Consultar "O Livro dos Espíritos")

Devemos combater a nossa violência interior em todas as suas formas e intensidades, porque, com ela e através da Lei de Sintonia contribuímos para a sua manutenção entre nós. Muitas vezes achamos que não fazemos mal a ninguém (pelo menos diretamente), apesar de fazermos mal a nós próprios diariamente, agredindo nosso corpo com fumo, bebidas, remédios e alimentos inadequados ou exagerados, agredindo nosso campo emocional e psíquico com impaciência, irritação e pensamentos infelizes.

Parece lógico supor que os pequenos atos de violência sejam mais fáceis de eliminar e que o conjunto desses atos favorecem perigosamente o aumento gradativo da tendência de agir com violência. Logo, convém priorizar a eliminação das pequenas atitudes inconvenientes, bem como evitar que elas se transformem em hábitos, o que dificultaria sua constatação e eliminação pelo seu portador.

O conhecimento espírita oferece diversas medidas preventivas imprescindíveis para evitar que o sofrimento surja em conseqüência da lei de ação e reação. Eis alguns deles: fixar objetivos de aperfeiçoamento moral, conhecer melhor a si mesmo, enriquecer dia-a-dia o seu conhecimento espiritual, estimular continuamente o bem interior, trabalhar pelo seu auto-aprimoramento, fazer o bem, evitar o mal, orar.

Estando a evolução do homem subordinada ao relacionamento com outros seres, pode-se concluir que os atos de violência surgem do conflito entre pessoas. O remédio auxiliar para prevenir conflitos maiores é a busca da compreensão pela prática da empatia, procurando sentir o que sentiria se estivesse na situação e circunstâncias experimentadas por outra pessoa. Este exercício proporciona ótimos resultados, mas requer muita boa vontade para desempenhar o papel de advogado de defesa, inclusive especulando sobre os possíveis componentes espirituais que possam estar influenciando o contexto analisado.

A consciência das dificuldades do processo de melhoria interior não deve ser causa de desânimo e sim de desafio a ser vencido. O fato de se possuir algum conhecimento das leis naturais não assegura a ninguém manter um comportamento equilibrado. É preciso entender, aceitar, enfrentar situações difíceis utilizando o conhecimento, para reavaliar os resultados num ciclo que se repete indefinidamente. No início nem nos lembramos do conhecimento ao começarmos uma ação violenta, mas temos a chance de identificá-lo e analisá-lo depois. A prática dessa conduta leva a um estágio mais adiantado, em que a exata consciência de estar procedendo mal surge no meio da ação, possibilitando algum reparo antes de sua finalização. O estágio seguinte permite detectar a tendência para agir negativamente antes de tomar qualquer atitude. No último estágio conseguimos responder automaticamente com boas ações e pensamentos, aos estímulos recebidos.

Existe a influência das ondas de pensamentos com as quais nos sintonizamos segundo o princípio que o semelhante atrai o semelhante, fortalecendo os pensamentos e sentimentos próprios da faixa vibratória em que nos situamos.

O Espiritismo oferece os meios para aceleração do sistema natural de evolução, exigindo, porém, vontade firme, melhoria contínua do conhecimento e prática incessante do bem. Ao absorver e procurar adotar o conhecimento espírita, o homem acerta as bases racionais do seu intelecto facilitando o trabalho de transformação dos seus impulsos emotivos inferiores.

O exame de consciência periódico é instrumento útil, não só de identificação dos erros cometidos, mas também como registro dos acertos e sucessos obtidos visando alimentar a motivação necessária para a continuidade da tarefa de melhoria interior. Tudo isso o homem pode fazer com o governo consciente de sua vida. Nada melhor do que poder conduzir com segurança a própria trajetória rumo à realização plena. É hora de agradecer a oportunidade e trabalhar pela própria felicidade.

Ivan René Franzolim
Fonte:
Espiritualidade e Sociedade

19 junho 2020

O centro espírita após a pandemia - Ivan René Franzolim



O CENTRO ESPÍRITA APÓS A PANDEMIA


Este é um exercício livre de pensar, sem o amparo indiscutível de dados e pesquisas que muitos contribuiriam.

É uma simples opinião que tenta enxergar o Movimento Espírita Brasileiro com a maioria das casas espíritas (70%), localizadas fora das capitais e as mudanças que poderão surgir ou se intensificar, pela ação de seus dirigentes, trabalhadores e frequentadores, levando em consideração as diversas mensagens e ações de espíritas e espíritos referentes a esse período de pandemia que proliferam nas redes sociais. Compartilho algumas para a análise de todos.

Religiosismo.

Essa é a marca do espiritismo brasileiro. As pessoas se sentem mais confortáveis de vivenciar seus postulados mais pelo coração do que pela razão. Isso deve aumentar.

Mentores.

Segundo Pesquisa para Espíritas 2018, 80,7% dos Centros Espíritas possuem um mentor conhecido e 74% recebem mensagens dele. Isso deve aumentar para o bem e para a ingerência e criação de dependência.

Seguidores de Espíritos.

Muitos espíritas gostam de acompanhar as comunicações de determinados espíritos, independentemente de serem autênticas ou de apresentarem conteúdo de qualidade em harmonia com o Espiritismo, como Ismael, Emmanuel, André Luiz, Bezerra de Menezes, Joseph Gleber, Luiz Sérgio e muitos outros. Isso deve aumentar.

Caridade.

Essa é uma característica do nosso Movimento Espírita que deve ser intensificada, o que poderia ser algo positivo, mas provavelmente ocorrerá em detrimento do tempo e esforço para o estudo da Doutrina.

Leitura de livros espíritas.

O brasileiro espírita lê mais do que a média do país de 2 livros por ano. Isso deve aumentar, mas a procura será de romances, que já é o gênero mais lido, e de livros mediúnicos, conforme Mercado Editorial Espírita 2017. Ambos tipos de livros possuem obras muito relevantes, mas são minoria e a tendência é de que médiuns e espíritos que publicaram mensagens sem preocupação doutrinária, sejam estimulados a escreverem mais, devido à demanda receptiva.

Estudo do Espiritismo.

Segundo a Pesquisa para Espíritas 2017, 83,1% dos espíritas declaram terem feito algum curso sobre a Doutrina Espírita e apenas 0,8% das casas espíritas não disponibilizam cursos. A avaliação dos cursos é positiva, 43% consideram acima e muito acima do esperado. Os participantes também entendem que tiveram bom aproveitamento dos cursos (90,6%). Apesar desses índices, a análise das manifestações dos espíritas demonstra que o conhecimento é superficial e falho em muitos aspectos. Mais ainda, carregam o desinteresse em aprofundar o estudo e em acompanhar as recentes descobertas de documentos históricos que influem nesse conhecimento.

Sentido de Moral Espírita.

Hoje, como demonstrando pelo livro Autonomia – A História Jamais Contada do Espiritismo, de Paulo Henrique de Figueiredo, o senso moral comum é consequência da formação espírita do brasileiro, que no final do século 18 e início do século 19, foi influenciado com interpretações equivocadas de espíritas formadores de opinião, influenciados pelo religiosismo das ideias de Jean Baptista Roustaing e de mensagens de espíritos usando nomes famosos que se manifestaram por médiuns imprevidentes. Isso deve continuar partindo da constatação que nas comunicações espíritas sobre a pandemia, prepondera a ação sempre externa de Deus, Jesus e agentes que cuidariam do destino dos humanos, particularmente dos bons, que a exemplo da história bíblica, mereceriam um tratamento especial do Criador, como se estes não tivessem responsabilidade pela situação atual.

Práticas doutrinárias virtuais.

Muitas casas espíritas disponibilizaram práticas e serviços para compensar o isolamento social. Algumas poucas são muito bem-vindas, como os cursos à distância, mas vieram outras de validade duvidosa, como: pedido de vibração, passe e cirurgia à distância, oração coletiva online, cartas de parentes de desencarnados, desobsessão, evangelização infantil, etc.

Conclusão.

É uma análise fria e pessimista com os indícios que consegui captar atravessando os meus filtros mentais imperfeitos. Ações e iniciativas de muitos espíritas e instituições certamente influenciarão de modo positivo e podem aprumar o rumo. Tenho fortes esperanças. E você? O que acha?



Ivan René Franzolim