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08 fevereiro 2022

O suicídio não é solução - José Lucas

 
O SUICÍDIO NÃO É SOLUÇÃO

Quem se suicida pensa que faz o mais acertado, para se livrar de alguma agrura que pensa ser inultrapassável. Tudo seria normal se após a vida corporal nada mais existisse, como advogam as correntes materialistas. No entanto, com o advento da Doutrina Espírita, em 1857, altura em que foi lançada a magistral obra «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, as crenças na mortalidade do Espírito deixaram de fazer sentido, já que a imortalidade foi demonstrada à saciedade.

Desde comunicações espirituais em línguas desconhecidas (fenômenos de xenoglossia), desde as mensagens cruzadas (um médium recebia uma parte da mensagem e outro médium, por vezes em local distante, desconhecendo-se mutuamente, recebia a outra parte, que juntas faziam um todo), desde as materializações de objetos, os fenômenos de transporte de objetos sem interferência humana direta, desde os fenômenos de ectoplasmia (materialização temporária de Espíritos), até todo um rol de fenômenos espíritas, quer de efeitos físicos, quer de efeitos inteligentes (leia-se “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec), existem múltiplos fenômenos espíritas que atestam a imortalidade do Espírito, fenômenos esses que hoje estão a ser estudados, pesquisados por outros cientistas, não espírita, que chegam às mesmas conclusões, atestando assim a universalidade dos conceitos espíritas.

Se a imortalidade do Espírito está demonstrada, se a reencarnação é hoje um fato aceito pela comunidade científica menos ortodoxa, então estes conhecimentos vêm retirar qualquer validade ao ato de se suicidar, já que seria uma perda de tempo, uma vez que a pessoa não morreria, largando apenas o corpo de carne, continuando no mundo espiritual com os problemas existenciais que levou da Terra, acrescidos agora do remorso do ato tresloucado cometido, do sentimento de culpa, e toda uma gama de sofrimentos inerentes ao suicídio.

Relatam as pessoas que se suicidaram, e que se manifestam vez por outra nas reuniões de intercâmbio com o mundo espiritual, nas associações espíritas, que os sofrimentos de um suicida são inenarráveis, não havendo palavras na nossa linguagem para descrevê-los. Indubitavelmente, esses sofrimentos serão sempre proporcionais ao grau de responsabilidade da pessoa que se suicidou, às condições de lucidez que tinha no momento, entre outros fatores que nos escapam.

O conhecimento da Doutrina Espírita tem evitado muitos suicídios na sociedade

O suicídio não causa somente sofrimentos indescritíveis no plano espiritual, enquanto espera novo ensejo de reencarnar, mas também se repercute, de um modo geral, na futura reencarnação, afetando o equilíbrio do futuro corpo físico, já que o “molde”, o corpo espiritual, vem desequilibrado pelos tormentos mentais que o suicida experimenta. Paralelamente, o suicida voltará ao palco da vida carnal, com novo corpo, mas tendo de voltar a passar pelas mesmas expiações e provas por que passou na vida anterior, que o levaram ao suicídio, até que aprenda a superá-las, escorado na confiança em Deus. Numa comparação simplista, poderíamos identificá-lo como o aluno que reprovou de ano, e terá o enfado de voltar à mesma escola, mesma sala, mesmos conteúdos, até que consiga ser aprovado no exame.

A Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma seita nem mais uma religião, vem trazer ao homem a explicação do porquê da vida, quem somos, de onde viemos e para onde vamos, explicando o porquê do sofrimento, da dissemelhança de oportunidades, e do objetivo da nossa reencarnação: evoluir intelectualmente, no contato uns com os outros, e evoluir moralmente, seja resgatando erros do passado sob a forma de aflições ou trabalhos de entrega ao próximo, seja evoluindo moralmente com as provas que as contingências da vida nos proporcionam.

A Doutrina Espírita, afigura-se, assim, como o melhor preservativo contra o suicídio, que conhecemos, daí a necessidade de a devermos divulgar junto de quem não a conhece, para que amanhã não sintamos a consciência culpada de termos colocado a luz sob o alqueire.

José Lucas
Fonte:
Espiritismo na Rede
 
Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.


21 julho 2020

Para onde vão os Políticos Corruptos? - José Licas



PARA ONDE VÃO OS POLÍTICOS CORRUPTOS?


A conversa seguia animada, em saudável debate de ideias, após mais uma aula do Curso Básico de Espiritismo. Falava-se da Lei de Causa e Efeito, onde cada um de nós, espíritos eternos, colhemos nesta vida e após a morte do corpo de carne, de acordo com aquilo que semearmos no passado e no nosso hoje.

Na perspectiva da continuidade da vida para além da morte do corpo físico, aliás conforme as evidências científicas de hoje apontam, é justo e lógico que assim seja, pois sendo espíritos eternos, nós somos hoje o que fomos ontem e assim sucessivamente, já que a Natureza não dá saltos evolutivos. A evolução faz-se gradativamente, paulatinamente, daí a necessidade de trabalharmos o nosso mundo íntimo, de modo a que quando a Vida nos chamar para novo plano existencial (o plano espiritual), possamos fazer essa transição o mais serenamente possível, no que concerne ao nosso estado de alma, ao nosso íntimo.

A meio da conversa, a pergunta estalou:

“E os políticos para onde vão no mundo espiritual, aqueles que roubam o povo, que enganam e que roubam?”

Rimo-nos pela espontaneidade da pergunta sem maldade, bem como da sua atualidade.

Lembrámo-nos de um facto passado com o Prof. Dr. Raul Teixeira, Físico, professor universitário, espírita, conferencista de alto nível e médium de grande recursos. Certo dia ia efetuar uma conferência numa cidade importante do Brasil, e ao dirigir-se para almoçar num restaurante, com os seus anfitriões, enquanto esperavam que o semáforo abrisse para atravessarem larga avenida, ele via uma mulher andrajosa ali ao lado, no caixote do lixo a procurar comida e a separar o lixo mais limpo do mais sujo. Tal cena causou-lhe tamanha impressão, que perdeu a vontade de almoçar, pese embora a necessidade de o fazer.

Enquanto se tentava recompor mentalmente, já no restaurante, pensando naquele ser que nada tinha, e ele ali num restaurante com os seus amigos, apareceu-lhe, através do fenômeno da vidência espiritual, um espírito amigo que o acompanha na sua tarefa doutrinária, que o acalmou, referindo que mesmo que fosse dar comida limpa àquela senhora ela recusaria.

E o Espírito, em breves pinceladas contou a história daquela mulher, que nesta vida era a reencarnação de um famoso político brasileiro, ainda hoje muito conceituado, e que por ter prejudicado tanto o povo, tinha reencarnado numa condição miserável, devido ao mecanismo do complexo de culpa que fez, após a morte do corpo de carne, no mundo espiritual (onde não conseguimos esconder nada, nem de nós, nem dos outros), voltando numa condição miserável para aprender a valorizar aquilo que ele tanto desprezara na vida anterior: as dificuldades financeiras do próximo.

Curiosamente, o nome desse famoso político estava afixado nesse local, dando nome à avenida, e essa mulher, por um mecanismo de fixação inconsciente, não largava aquele local onde outrora lhe prestaram grandes homenagens.

Não era um castigo divino, mas sim uma decorrência da Lei de Causa e Efeito, onde cada um colhe de acordo com os seus atos, pensamentos e sentimentos.

No mundo espiritual, e em futuras reencarnações, cada um colhe de acordo com o que semeou no seu passado. Assim se justificam as dessemelhanças de sofrimentos morais entre os homens.

Os políticos e todos os homens de poder no nosso planeta Terra, se sentiriam felizes no mundo espiritual, ao sentirem o seu dever cumprido, em prol do povo que lideraram, com justiça, com lealdade. Mas, infelizmente, essa ainda não é a nossa realidade e também não será, com profunda pena nossa, a realidade futura dos atores políticos que nos governam na Terra, em futuras reencarnações, onde terão de reparar os seus erros e abusos com dolorosas expiações.

“É preciso ter em conta que a intenção é tudo! Entre nós há muita gente que apenas não é um desses políticos corruptos, egoístas e insensíveis, porque não teve condições para lá chegar.”


José Lucas, publicado no site Artigos Espíritas


14 abril 2020

E tudo o vírus levou… - José Lucas



E TUDO O VÍRUS LEVOU...


1 – Materialismo - Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita (que não é mais uma religião ou seita, mas sim uma filosofia de vida, espiritualista) identificou o grande “inimigo” da Humanidade: o “materialismo” e o desconhecimento que o Homem tem da sua condição de Espírito imortal. Urge, dizia ele em 1857, demonstrar à Humanidade a sua espiritualidade (hoje comprovada cientificamente, desde o aparecimento do Espiritismo).

2 – Egoísmo – Os Espíritos superiores dizem, na obra de Kardec, que o egoísmo é a mãe de todos os defeitos que o Ser Humano possui, e que, erradicando-se o egoísmo, arranca-se a raiz de todos os males humanos.

3 – Capitalismo vs ditadura – Ignorante da sua condição de Espírito imortal, ignorante das Leis da Natureza (reencarnação, causa e efeito, etc.), o Homem, numa simples vida de 80 anos, quer tudo para si, num capitalismo selvagem; esmaga outros seres humanos, em regimes ditatoriais, esquecendo-se de que, mais logo, estará no mundo espiritual perante a sua consciência, em dolorosos processos de autorreajuste, sob a batuta do remorso e da culpa. Dizem os Espíritos superiores, na obra de Allan Kardec, que a medida da felicidade na Terra, no campo material, é ter o essencial para viver com dignidade (casa, comida, trabalho); no campo moral, é ter a consciência tranquila.

4 – Eutanásia vs aborto – Na sua infância espiritual o Homem quer brincar de Deus. Exibe leis que permitem matar despudoradamente (aborto, eutanásia), esquecendo-se de que as leis dos Homens não conseguem sobrepor-se às leis de Deus (Leis da Natureza). Qualquer lei que vá contra uma lei natural provoca um desequilíbrio social, mundial, gerando consequências dolorosas que buscam o reequilíbrio agora perdido. Critica-se Hitler, por um lado, e “democraticamente” decide-se, nos parlamentos, que matar é “legal”.

5 – Guerra vs psicosfera – Na sua infantilidade espiritual, o Homem fomenta guerras de todo o tipo (das guerras mentais às guerras entre Estados, desde guerras interiores às guerras periféricas e mundiais), desconhecendo que tudo aquilo que pensa gera uma onda mental e uma consequente aura energética em seu redor. Os conjuntos de Homens geram conjuntos de auras, citadinas, de países, mundiais. Dizem os Espíritos superiores que, vista do espaço, a Terra parece envolta numa psicosfera (atmosfera psíquica) negra, pesada, proveniente das emanações mentais de ódio, de vingança, do orgulho, de egoísmo, das guerras, do capitalismo selvagem, da falta de ética e de moral social.


6 – Coronavírus (COVID-19) – De repente, apareceu no planeta Terra mais um vírus, denominado coronavírus COVID-19. Desconhece-se a sua causa e onde apareceu, bem como a sua dinâmica mutacional, os impactos sociais e mundiais que virá a ter. Apesar de toda a tecnologia do Homem, da sua capacidade de em naves espaciais pesquisar o sistema solar, de ter uma base espacial internacional, dos inúmeros avanços científicos, bastou um simples vírus para provocar desencarnações (mortes) em massa, para paralisar cidades com milhões de habitantes, para parar toda a dinâmica social ao nível planetário, mais cedo ou mais tarde, como que a demonstrar o quanto o Homem é pequenino, na sua aparente “fortaleza”.

7 - E tudo o vírus levou – A doutrina espírita (ciência, filosofia, moral) investiga os fatos espíritas (demonstrando a imortalidade do Homem), explica esses fatos e aponta a moral que Jesus de Nazaré deixou à Humanidade como o roteiro mais seguro para a sua espiritualidade, para a sua evolução intelectual e moral. Nesse sentido, o Espiritismo define-se como sendo uma doutrina filosófica de consequências morais, pois que o seu conhecimento e a sua vivência acarretam consequências morais para a Humanidade.


Epílogo - Quando o Homem tiver esta consciência de que é um ser imortal, de que a reencarnação é uma lei biológica e de que colhe na vida o que semeou antes (Lei de causa e efeito), deixará de haver racismo, porque o Homem saberá que pode reencarnar com qualquer cor de pele; deixará de haver xenofobia, porque o Homem saberá que pode reencarnar em qualquer país do planeta; deixará de haver as assimetrias sociais profundas, porque o Homem saberá que aquele mendigo de agora pode ter sido um primeiro-ministro de outrora, quiçá seu pai, irmão; deixarão de existir os conflitos sexuais, porque o Homem terá a consciência de que pode reencarnar com a polaridade masculina ou feminina; deixará de haver o desrespeito pela Natureza, pois o Homem saberá que, ao reencarnar, encontrará a Natureza tal como a deixou. A solução encontra-se nas leis da Natureza, nas leis de Deus (ver “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec), no fazer ao próximo o que desejaríamos para nós mesmos, conforme ensinou o grande psicoterapeuta da Humanidade – Jesus de Nazaré. Enquanto isso não acontecer, continuaremos a ser figurantes do filme de terror em rodagem, no planeta Terra, intitulado E tudo o vírus levou…


O vírus do egoísmo, a causa de todos os males na Terra….

José Lucas

Bibliografia:

ADEP – “Curso Básico de Espiritismo”, www.adep.pt.
Kardec, Allan – “O Livro dos Espíritos”, Ed. FEP, Portugal.

05 agosto 2019

A mulher, a violência e o homem (um ponto de vista espírita) - José Lucas




A MULHER, A VIOLÊNCIA E O HOMEM
(UM PONTO DE VISTA ESPÍRITA)



Portugal tem sido assolado por uma onda de violência doméstica sem precedentes. Somente de janeiro de 2019 a esta data (1), já foram mortas pelos seus companheiros mais de uma dezena de mulheres, inclusive com mortes macabras. O entendimento do Espiritismo pode resolver esse problema.

No ponto de vista espírita, o Ser Humano é um Espírito imortal, criado por Deus, que começou a sua evolução no reino hominal, na 1ª encarnação em mundos primitivos, simples e ignorante. Ao longo dos milênios, esse Espírito vai tendo reencarnações sucessivas e progressivas, desenvolvendo o intelecto e a moral, até que um dia atinja o estado de Espírito puro, não necessitando mais de reencarnar, continuando a sua evolução como cocriador de Deus, no Universo.

Nessa viagem de milhões de anos, o Espírito tanto reencarna como homem ou mulher, de acordo com o que for mais útil para si, tendo em conta as suas necessidades evolutivas.

Em “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, que comporta a filosofia espírita, podemos encontrar conceitos claros sobre o assunto, explicando que o Espírito é portador de sexualidade, mas não de sexo. Apenas quando tem necessidade de reencarnar, o Espírito adota uma polaridade sexual (masculina ou feminina) tendo em conta aquilo que necessita aprender nessa reencarnação.

Na questão 202 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec pergunta:

“Quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher?

Resposta - Isso pouco importa ao Espírito; depende das provas que ele tiver de sofrer.

Os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens”.

Nesse sentido, não faz qualquer sentido haver discriminação de raças (racismo), de povos (xenofobia), desprezo pela Natureza (ecologia), de condição social (pobreza) e de sexo, pois que o Espírito reencarnará na raça, no país, na condição social e com o sexo que lhe forem mais úteis para a sua evolução, naquele momento.

Tendo esse conhecimento, sabendo que o Universo rege-se pela Lei de Causa e Efeito (tudo o que sentimos, pensamos e fazemos repercute sobre nós), somente o desconhecimento das Leis Morais de Deus pode levar a esta autêntica guerra de sexos, ao longo da história da Terra.

Com o Espiritismo, o Homem toma consciência de que é um passageiro no comboio da vida, colhendo mais além o que semeou mais atrás. Se foi rude, violento, repetidas vezes, para com o sexo oposto, a bondade divina pode proporcionar-lhe, pedagogicamente, uma ou várias vivências futuras na polaridade sexual feminina, para que assim aprenda a valorizar o sexo desprezado, adquirindo qualidades e características típicas desse sexo, que lhe serão úteis para o seu equilíbrio espiritual, em busca da sua felicidade. O mesmo acontece ao inverso, da polaridade feminina para a masculina.

O homem e a mulher sofrem na Terra as contingências culturais do local onde nascem, a aculturação social, no entanto, trazem no seu íntimo a noção de Bem e de Mal, do que está certo e está errado, do ponto de vista moral.

A reencarnação (hoje provada cientificamente pelos estudos do psiquiatra americano Ian Stevenson, entre outros) tem ainda o condão de proporcionar ao Espírito a vida em sociedade, aprendendo com diferentes pessoas, de ambos os sexos, de diferentes países e culturas, no caminho intelectual e moral que o catapultará para estados de alma mais felizes, em vidas futuras, na Terra ou noutros planetas mais evoluídos.

O planeta Terra pode ser comparado a grande escola, com milhões de alunos, uns mais atrasados do que outros, uns mais pacíficos do que os demais, uns mais inteligentes do que os restantes, no entanto, como em qualquer escola, existem regras de conduta que não podem ser violadas, em prol do bem comum, sob pena de uma advertência ou processo disciplinar, com vista à reeducação do aluno.

Também nas reencarnações sucessivas, o Espírito será sempre o responsável pela sua conduta moral, colhendo as alegrias ou as dores morais que defluem da sua conduta passada.

Acreditamos que com uma maior e melhor divulgação da Doutrina Espírita (Espiritismo ou Doutrina dos Espíritos), que não é mais uma religião ou seita, mas sim uma filosofia de vida, as pessoas despertarão mais rapidamente para uma consciencialização de que são Espíritos imortais, consciência essa que terá inevitavelmente consequências morais na sua maneira de sentir, pensar e agir.

“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”.


 José Lucas

(1) Este artigo foi escrito no dia 8 de março de 2019
Dia Internacional da Mulher.

03 novembro 2015

Espiritismo ou "Espiritismos"? - José Lucas

 

ESPIRITISMO OU "ESPIRITISMOS"?

"O Espiritismo é a ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal", refere Allan Kardec no livro "O que é o Espiritismo".

Sendo uma ciência filosófica de consequências morais, como ciência de observação investiga os chamados factos espíritas, como filosofia explica esses mesmos factos, e como moral apresenta um roteiro para a Humanidade, de modo a que esta se espiritualize mais depressa.

Sendo a Doutrina dos Espíritos (ditada por eles) e estando assente em valores universais, bem como nas leis imutáveis da Vida, jamais poderia a Doutrina dos Espíritos ser mais um joguete dos seres humanos, que a utilizassem a seu belo prazer. Allan Kardec, estruturou muito bem os ensinamentos dos Espíritos, compilando-os na sua obra, que engloba os 12 volumes da "Revista Espírita" e 8 livros (considerando-se o livro "Obras Póstumas" e "Viagem Espírita em 1862"), deixando bem vincado o carácter universalista e universal da Doutrina dos Espíritos.

Léon Denis, o filósofo do Espiritismo, referia a seu tempo, que o Espiritismo seria aquilo que os Espíritas dele fizessem. A obra de Kardec permanece segura, bem estruturada, e ainda não é bem entendida pela grande maioria de nós, o que é natural tendo em conta que é algo muito recente, apenas com 158 anos de idade.

Os espíritas (adeptos da ideia espírita) entendem a Doutrina dos Espíritos de acordo com a sua capacidade de entendimento, que varia em grau e em profundidade, o que é perfeitamente normal, saudável, desde que haja bom senso, discernimento, lucidez, equilíbrio e uma normal troca de ideias, dentro da assertiva espírita da fraternidade, da caridade, do Amor entre todos.

Pelo processo da reencarnação, muitos de nós, espíritas, somos ex-padres e ex-freiras, oriundos do catolicismo dominante no Ocidente, desde sempre. Ainda presos aos atavismos do passado, vamos levando para os centros espíritas muitas coisas que nada têm a ver com a essência universal do Espiritismo, como toalhas brancas para a mesa (saudades dos altares?), fotografias de Jesus e de vultos espíritas (saudades dos santos das Igrejas?), rezas em coro e cânticos igrejeiros (reminiscências do catolicismo?), o "Amen" no fim de uma prece, posturas igrejeiras e castradoras por parte de dirigentes espíritas (saudades do clero?) (tudo isto criticado por Kardec, in "Viagem Espírita em 1862", cap. XI e seguinte).

Paralelamente, ao nível da divulgação espírita, em termos locais, regionais, nacionais e internacionais, vamos perdendo a essência do espiritismo, o estatuto de livre-pensador, para começarmos a criar organizações, grupos, por vezes sectários, dentro dos movimentos espíritas, feitos pelos homens, que muitas vezes vão contra a essência da Doutrina dos Espíritos (que não é sectária).

É fundamental que as organizações de divulgação espírita, seja a que nível for, as Federações Espíritas em todos os países, não se tornem uma reedição dos Bispados de outrora, assim como é importante que o Conselho Espírita Internacional (CEI) não seja entendido como um papado espírita.

No entanto, todas estas organizações são muito úteis e necessárias no processo de divulgação do espiritismo, mantendo-se uma estrutura horizontal, em rede, sem necessidade da tradicional estrutura piramidal, papal.

O espiritismo é uma ideia fabulosa.
Os espíritas são os seus bons ou maus intérpretes, 
que não podem ser confundidos com a ideia espírita.

O ser humano, espírita, habituado a ser "orientado" pelos padres de outrora, sente-se perdido, sem saber o que fazer ou como fazer, agora que usufrui do estatuto de livre-pensador. Então, num movimento de “retrocesso” evolutivo temporário, o espírita refugia-se em organizações que reeditam vícios e erros do passado, criando-se regras rígidas, outras absurdas, supostas hierarquias, fazendo-se com o Espiritismo o mesmo que os Homens fizeram com o Cristianismo, descaracterizando-o e catolicizando-o.

Os centros espíritas pequenos, como preconizava Kardec, um em cada bairro, com 20, 30 pessoas, vão dando origem a "igrejas" com 400, 800, 1000 ou mais pessoas, descaracterizando a essência do centro espírita, que aponta no conhecimento mútuo, no amparo entre todos, na entreajuda e companheirismo (in "O Livro dos Médiuns", cap. XXIX, "Reuniões e Sociedades"). Saudosos dos grupos divergentes dentro do catolicismo, em vidas passadas, divergências essas que deram origem às várias ordens religiosas e aos vários grupos dentro do Catolicismo, os espíritas menos atentos agrupam-se em torno dos seus "santos" espíritas, criando "grupos de amigos" deste ou daquele espírita mais proeminente, num claro desacerto com o rumo da Doutrina dos Espíritos, compilada por Allan Kardec.

Não existem espiritismos, nem existem correntes espíritas.

"Espiritismo só há um, o de Kardec e mais nenhum" costuma referir pessoa amiga, em jeito de brincadeira, mas falando a sério. Espiritismo é uma coisa.

Os espíritas podem ser outra bem diferente...

Em caso de dúvida, peguemos nos livros de Allan Kardec, estudemo-los, usemos o nosso espírito crítico, com Amor, fraternidade, e prossigamos vivendo, amando, servindo, na certeza de que no actual estado evolutivo, jamais conseguiremos agradar a gregos e troianos.

José Lucas

30 março 2014

Por quê, meu Deus? - José Lucas


POR QUÊ, MEU DEUS?

A pergunta apresentava-se dorida. A vida corre e escorre-nos das mãos sem que nos apercebamos. Um dia, a dor bate à porta sob mil formas diferenciadas, e nós questionamo-nos: por quê, meu Deus?

O caso do Paulo é apenas mais um, que vem retratar a falência das religiões tradicionais para responder aos graves ditames da vida.

Criança esperta, inteligente, bom aluno, distingue-se dos demais nos seus 11 anos. Filho único, mais que motivo para que as múltiplas alegrias ocupem o coração amoroso dos seus progenitores.

Repentinamente, o mundo desmorona… O choque afigura-se irreversível: um, dois, três acidentes vasculares cerebrais colocam o Paulo, outrora poço de vida e de inteligência, ligado a uma máquina, em morte cerebral. O desespero toma conta dos familiares, que de porta em porta buscam o milagre, a salvação, a explicação que ninguém lhe dá. A pergunta mantém-se inalterada: Por quê, meu Deus?

Mariana apresenta-me a situação, em conversa do quotidiano. Tomou conhecimento do caso através de um amigo, familiar do pai do Paulo. Outra questão: como ajudar estes pais destroçados pela vida?

Puxando por meia dúzia de conceitos que a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) me ensinou, faço-lhe ver que eles não estão destroçados pela vida, mas sim pelo desconhecimento dos mecanismos que envolvem a vida.

Habituados que fomos a termos uma espiritualidade de superfície, quase sempre alicerçada em rituais herdados nas religiões tradicionais, estas não respondem aos reais problemas existenciais.

Falamos dos conceitos espíritas, lógicos, evidentes, compreensíveis, pesquisáveis, demonstráveis e, somente com o conhecimento e entendimento da reencarnação (vidas sucessivas) podemos enquadrar semelhante situação.

Colhendo hoje o semeado outrora, conforme os ensinamentos de Jesus de Nazaré, a moderna psiquiatria vem nos dias que correm, corroborar tais assertivas, através da terapia de regressão de memórias a vivências passadas (desta e de outras vidas), demonstrando de modo irretorquível a realidade da reencarnação.

Homens ontem, crianças hoje em novos corpos, vimos reparar erros de outrora e reaprender, adquirir novos saberes, nessa busca incessante pela nossa felicidade e bem-estar interior.

A Doutrina Espírita explica ao homem de onde vem, para onde vai, do porquê da vida, por que sofre e é feliz de modo dessemelhante.

Sendo a morte uma quimera, o Espírito eterno jamais se despersonaliza, adentrando o mundo espiritual com o acervo de conhecimentos conquistados ao longo das múltiplas existências. Nesse sentido, aquilo que agora se nos afigura como uma tragédia, não é mais do que um degrau na escalada evolutiva do ser, desprendendo-se das peias do passado em busca de melhores condições no futuro, na próxima vida no mundo físico. Dentro da divina bondade e equidade, cada um de nós encontra no palco da vida tudo aquilo que lhe é mais útil para a sua existência, para a sua libertação espiritual, mesmo que isso possa parecer, a curto prazo, algo de muito terrível.

Sabendo que a vida continua, que o Espírito tem múltiplas existências físicas e que voltará com nova oportunidade de vida longa, onde aprenda novos saberes em busca da evolução, entendendo a lógica da Lei de Causa e Efeito onde não existem privilégios perante Deus, e onde cada um encontra o fruto das suas atitudes no passado mais ou menos recente, a Doutrina Espírita explica ao homem de onde vem, para onde vai, do porquê da vida, porque sofre e é feliz de modo dessemelhante.

Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar tal é a lei. Com o conhecimento do Espiritismo como filosofia de vida, o desespero dá lugar ao entendimento, a revolta à aceitação, a irreversibilidade dá lugar à certeza do reencontro com os seres amados.

Entender a vida é procedimento que urge (vida esta que se desdobra em dois palcos – terreno e espiritual) sem o qual a existência torna-se muito difícil de compreender e aceitar, levando aos caminhos sempre penosos e estéreis da revolta.

A questão inicial “Por quê, meu Deus?” encontra a resposta na Doutrina Espírita…

Como referia Emmanuel, o guia espiritual do médium Francisco Cândido Xavier, uma das maiores caridades que podemos fazer é a divulgação do Espiritismo, dentro do ensinamento cristão “não colocar a luz sob o alqueire…”

Bibliografia:

Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos
http://www.adeportugal.org/ - Curso Básico de Espiritismo

José Lucas
Óbidos, Portugal