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18 janeiro 2022

Atividades Espirituais - Manoel Philomeno de Miranda

 
ATIVIDADES ESPIRITUAIS

A dinâmica da ação é lei da vida. Em toda parte o movimento trabalha em favor da ordem e do equilíbrio. Por conseqüência, o repouso, a ociosidade propiciariam a ocorrência do caos.

Tudo quanto parece imóvel e imutável encontra-se em completa agitação, que os órgãos dos sentidos humanos e alguns delicados e complexos aparelhos não conseguem captar.

Sendo a vida terrestre natural efeito do mundo causal, de energia e de programação, neste as ações são responsáveis pelos valores que trabalham para a evolução espiritual do ser.

Nesses mundos intermediários entre o fisico e os mais felizes reinam incomparáveis movimentos de edificação, porquanto, também eles prosperam com a sua comunidade espiritual ascendendo na escala superior infinitamente.

Os espíritos que neles estagiam, são convidados a atividades inumeráveis, graças às quais dão prosseguimento aos labores que experienciaram na existência corporal e a morte não conseguiu interromper.

De outras vezes, programaram futuras realizações que deverão enfrentar, contribuindo para a renovação do planeta e a superação dos males que afligem as criaturas que hospedam.

Pesquisas nas diversas áreas da ciência, da tecnologia, do pensamento, das artes, da fé religiosa ampliam a capacidade de entendimento dos seus realizadores, que mais tarde transferirão para o planeta em ministérios enriquecedores e felizes.

Escolas e Universidades especializadas transferem o conhecimento das Esferas ditosas para esses laboriosos buscadores da verdade, que se capacitam para os futuros cometimentos iluminativos.

Não havendo lugar para a inação, o trabalho fraternal de auxílio recíproco faculta que sejam organizadas caravanas especiais de socorro às criaturas humanas, que passam a ser tuteladas pelo nobre auxílio, a fim de que se renovem, tenham as suas aflições minoradas quando não cessadas, e o amor se encarregue de equacionar os tremendos conflitos gerados pelo ódio, pela vingança e pela revolta, que remanescem naqueles que pretendem desforçar-se dos males de que foram vítimas, e sem apoio na confiança irrestrita em Deus, que a tudo corrige pelo amor, tomam nas mãos á clava da justiça e enlouquecem, ampliando os círculos das obsessões e as manifestações de doenças e dramas de toda natureza, que infligem aos seus desafetos com objetivos destrutivos...

Aprende-se a ajudar em anonimato reconfortante, oferecendo-se apoio e inspiração àqueles que se encontram algemados aos vícios e aos tormentos, sem nunca deixarem desanimar, mesmo quando os resultados não se fazem auspiciosos.

Treinam misericórdia em visitas de auxílio e amparo às regiões de sofrimentos inenarráveis, de onde procuram retirar aqueles que se apresentam com melhores disposições íntimas para o refazimento pessoal.

Assumem responsabilidades com muitos daqueles que aportam às províncias onde residem como náufragos, e são internados em clínicas próprias de acordo com as mazelas que conduzem, assim como de repouso e refazimento, para a adequada reconquista da saúde e da paz interior.

Simultaneamente, reconstroem-se grupos familiares que volverão à Terra, a fim de repararem equívocos juntos ou construírem novas edificações de harmonia.

Não sendo necessários largos períodos para o repouso, em razão da inexistência do cansaço, o desenvolvimento de atividades é sempre ampliado, com intervalos de auspiciosos encontros de arte e de beleza ou para se poder fruir as esplendorosas mensagens da Natureza sem a poluição mental, geradora das demais que ameaçam a vida terrestre.

Os espíritos intercambiam sentimentos de afetividade pura e profunda, sem quaisquer tormentos egotistas e derivados das faixas primevas do processo evolutivo. O sexo apresenta-se sem as particularidades morfológicas, mantendo-se as expressões recentes da reencarnação anterior, porém, sem os impulsos perturbadores da libido, a manifestar-se em outros departamentos da emotividade.

Não há competição destrutiva, em que alguns pretendam o pódio da glória, porque o maior servidor sempre passa sem a ostentação nem a volúpia da fatuidade humana.

Todos empenham-se em trabalhar pelo próprio, assim como pelo crescimento geral, esforçando-se em cooperar e produzir, conscientes dos deveres que produzem a realização da felicidade.

Desde as mais inexpressivas até as mais desafiadoras atividades, esses mundos espirituais ensejam o prosseguimento da vida em contínuo dinamismo. Eis por que o ultrapassado conceito morrer para descansar, faz-se substituído por viver além-da-morte para prosseguir em crescimento infatigável no rumo do Infinito.

Treine-se na Terra a ação que prodigaliza ventura, e após a morte do veículo físico, prosseguir-se-á em atividade ordeira e confortadora com que sempre se apresentará a vida no seu sentido imortal.

Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco
Livro: Reencontro com a Vida - 17

26 agosto 2020

Com os joelhos desconjuntados - Manoel Philomeno de Miranda



COM OS JOELHOS DESCONJUNTADOS


O serviço do Bem não pode cessar, seja qual for a justificativa.

Comprometidos com a Causa do Cristo, nada nos deve constituir motivo de impedimento para prosseguir atendendo ao programa elaborado.

Os benfeitores espirituais organizadores das atividades imortalistas que a todos dizem respeito estabelecem os roteiros de ação com as minudências indispensáveis, incluindo a cooperação da equipe reencarnada.

Certamente surgem imprevistos de vária ordem que têm o objetivo de perturbar ou mesmo impedir a realização dos compromissos firmados. Indispensável que a vigilância do membro do grupo permaneça alerta, a fim de não ser afastado do labor, ou mesmo quando se faça presente, em razão da sua indisciplina, não ser utilizado, em razão de não se encontrar nas condições necessárias ao êxito do cometimento.

As atividades mediúnicas movimentam-se em ambas as faixas da existência, física e espiritual.

Merece acrescentar que entidades perversas, habilitadas nos expedientes do mal, movimentam-se com afinco para interromper ou desestruturar o esforço que tem significado edificante e profundo.

Sempre ativas, provocam situações graves e geram perturbações envolvendo os membros humanos das reuniões mediúnicas, tornando-os indispostos para a sua luminosa execução.

Enfermidades inesperadas, visitas não programadas, confusões domésticas e afetivas entre influências doentias são, invariavelmente, recursos de que se utilizam para indispor aqueles que fazem parte dos magnos trabalhos com os quais estão comprometidos.

Mente clara e sentimentos calmos fazem parte da contribuição indispensável de cada cooperador, assim propiciando campo especial para as comunicações e terapias próprias e socorristas.

Busque-se observar se o fenômeno desafiador se manifesta com frequência nos dias reservados e constatar-se-á como é bem planejada a dificuldade, produzindo indisposição ou insatisfação durante as operações iluminativas.

Sem dúvida, os Espíritos que se comprazem nas lamentáveis obsessões e geram problemas são muito hábeis e agem conscientemente, utilizando-se dos pontos vulneráveis dos servidores, que são atacados e induzidos a pensamentos nefastos.

A reunião mediúnica é a porta de acesso à comunicação com os desencarnados, portanto, de alta importância nas programações do Espiritismo. Ao mesmo tempo é a caridade de iluminação, produzindo terapêuticas preventivas e curadoras naqueles que a constituem.

Admoestamos os voluntários e responsáveis pelos trabalhos mediúnicos para que se não descurem das responsabilidades especiais, respirando o clima psíquico que os precede, de forma que a psicosfera ambiental os facilite.

Em qualquer atividade, sempre se tem a preocupação de a programar, cuidar dos procedimentos que lhe dizem respeito, a fim de que o seu desempenho seja rigorosamente dentro dos parâmetros estabelecidos.

Aos médiuns cabe o dever de cuidar das paisagens mentais, evitando quanto possível intoxicações emocionais com os painéis habituais da insensatez e infantilidade.

O médium não o é apenas durante as reuniões, mas por todo o tempo, pois que é uma faculdade orgânica, funcionando em todos os momentos e sintonizando com as imagens interiores que lhe são habituais.

O resultado que se recolhe, quando há disciplina e harmonia entre os seus membros encarnados, é decorrência dessa perfeita identificação com o esforço dos benfeitores espirituais que elaboram a programação, e dos reencarnados que lhe são coprodutores. Nas ocasiões em que o companheiro se encontre açodado pela interferência inferior, não deve desanimar nem buscar evitar a sua participação. Se isto acontecer e surgir a tentação para omitir-se, por considerar-se não estar em condições de auxiliar, deve-se ter cuidado porque pode ser o início de perigosa responsabilidade, conduzindo a futuro abandono do compromisso e até mesmo a transtorno obsessivo.

Quando tal ocorrer, e isso se dará diversas vezes, deve-se direcionar o pensamento ao Senhor Jesus e orar com sinceridade, solicitando amparo ao guia espiritual, a fim de ser auxiliado para conseguir a mudança mental, assim como o prazer de servir.

A assiduidade é fundamental ao bom êxito das atividades espirituais e ao exercício correto da mediunidade, mantendo-se a cooperação em favor do próximo, de modo a ser responsável pela sessão mediúnica séria.

Evitem-se a crítica negativa, os comentários desnecessários e desairosos, tendo-se em vista que os mentores lamentam as ocorrências censuráveis, mas compreendem que estão trabalhando com pessoas em diferentes estágios de evolução, portanto, ainda imperfeitas.

Será mediante o auxílio recíproco que haverá o progresso, constituindo-se bênção superior da vida, com que os céus socorrem a Terra aflita e necessitada.

Desse modo, mesmo que se esteja com os joelhos desconjuntados, como afirmava o Apóstolo Paulo, o serviço de amor nas reuniões mediúnicas tem prioridade, invitando o médium a que sirva, insista e invista no dever que lhe diz respeito.

A mediunidade constitui bênção do processo da evolução, facultando a aquisição desse sentido superior, mediante o qual o Mundo Espiritual se comunicará com mais facilidade com a esfera física.

Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 30 de dezembro de 2019, no Centro Espírita Caminho da Redenção, Salvador, Bahia.

19 agosto 2020

Tormentos na mediunidade - Manoel Philomeno de Miranda


TORMENTOS NA MEDIUNIDADE

A faculdade mediúnica, embora seja de natureza orgânica, tem as suas raízes profundas no ser espiritual, como tudo que constitui a criatura humana.

Sendo uma expressão do sexto sentido, os valores ético-morais de cada Espírito respondem pelas ocorrências nessa delicada área que lhe faculta o desenvolvimento intelecto-moral. Não é, pois, de se estranhar, que a sua eclosão em qualquer período da existência humana se caracterize por alguns naturais distúrbios, tanto de natureza física, emocional, como psíquica.

Apresentando-se como oportunidade redentora do ser em dívidas perante os Divinos Códigos, pode expressar-se em caráter múltiplo de expiação, quando portadora de possessão, ou de provação, abençoado campo de experiências iluminativas. Igualmente, quando bem educada à luz do Espiritismo, o que podemos denominar como mediunidade com Jesus a serviço do bem, ergue o ser às culminâncias da alegria, da plenitude, ao mediunato, que o não exime de experimentar sofrimentos e perseguições dos Espíritos inferiores, que transforma em bênçãos de inestimável significado.

Não raro, apresenta-se como distúrbio de natureza variada, desde as manifestações de diversidade de humor, até, quase que simultaneamente, como alteração profunda de comportamento.

Invariavelmente expressa-se como enfermidades complexas, de natureza diversificada e sem facilidade de diagnóstico, em razão das alterações em que se apresenta. Entretanto, o seu vigor é mais angustiante nos fenômenos psicológicos, como consequência dos neuropeptídios acionados pelas suas energias desconexas...

Os comportamentos infelizes de existências passadas mesclam-se com as necessidades evolutivas do presente e dão lugar a conflitos diversos, em razão dos conteúdos morais de que se fazem portadores os Espíritos que são atraídos mediante as aspirações de cada qual.

Instabilidade emocional, personificações múltiplas, anelos frustrados, incertezas acerca das próprias necessidades são o cotidiano dos iniciantes no exercício mediúnico ou naqueles que somente lhes sofrem as imposições e lhes desconhecem a existência.

Sempre a mediunidade esteve cercada de superstições e práticas não compatíveis com o seu significado.

Mesmo na atualidade, em que os fenômenos paranormais têm merecido estudos e considerações de diversas doutrinas científicas, constatando-lhes a possibilidade, em razão dos complementos morais que exige, tem sido vista pelos indivíduos comuns como castigo de Deus ou desequilíbrio psiquiátrico.

À semelhança da inteligência e da memória, assim como de todas outras faculdades humanas, aguarda cuidados especiais, para bem atender a finalidade para a qual é destinada.

Exercício meticuloso e sério, reflexão constante, análise cuidadosa das suas manifestações, estudo pessoal do sistema nervoso e das reações emocionais constituem métodos eficazes para o seu êxito.

Simultaneamente, o ideal de servir que deve caracterizar o médium, conforme as diretrizes estabelecidas por Allan Kardec, é fundamental para o seu mister, quais sejam: a abnegação, a ausência de estrelismo, a gratuidade e a doçura do coração, tornando-se ímãs de atração aos Espíritos bons, que passarão a administrar as suas manifestações.

Se desejas candidatar-te ao exercício da mediunidade com Jesus, não te permitas as vacuidades humanas nem as suas perturbadoras concessões.

Considera o alto grau de responsabilidade que te é concedido e alegra-te, pela oportunidade feliz de servir.

Informações destituídas de significado tornaram a mediunidade algo dependente de superstições, mitos quando não de graves danos para aquele que a pratica.

Grandioso portal para demonstrar a imortalidade do Espírito é veículo de incomparáveis alegrias, dando sentido e significado à existência física.

Graças aos seus valiosos recursos faculta a vivência espiritual de maneira incomun, por favorecer a compreensão de todas as ocorrências que aturdem ou felicitam o ser humano.

Ademais dos benefícios proporcionados aos seus portadores, que devem sempre aceitar para si os conteúdos de que se reveste, enseja a iluminação das consciências obnubiladas que atravessaram os portais da desencarnação em profundo estado de perturbação, tendo prolongadas suas dores mesmo após a decomposição das estruturas orgânicas.

À medida que se expandam as informações corretas a respeito da mediunidade e a sua prática se torne habitual, desaparecerão os tormentos, pois que, afinal, nenhuma responsabilidade tem a percepção encarregada de exteriorizar as captações de que se faz objeto.

Em razão dessa sensibilidade, as obsessões tornam-se comuns naqueles que são iniciantes no exercício da faculdade ou não a praticam pelo fato de gerar sintonia com os Espíritos que transitam em idêntico padrão vibratório.

Essa ocorrência é observada igualmente em outras funções existenciais, como o comportamento, as aspirações e necessidades.

A cuidadosa observação das ocorrências mediúnicas e da conduta psicológica faculta o discernimento necessário para a educação tanto das emoções como dos fenômenos.

O espiritismo nela encontrou o veículo hábil e fiel para estabelecer os seus alicerces, confirmando a especial fenomenologia apresentada por Jesus, demitizando-a do miraculoso e fantasista, ao mesmo tempo permitindo que todo aquele que se integre ao espírito do bem, logre realizações equivalentes.

Quem se lhe dedique honestamente, não teme os sofrimentos que somente ocorrem por fazerem parte da ficha evolutiva, para superar os testemunhos do conhecimento e o estímulo à caridade a que se pode dedicar.

Convidando sempre à vigilância, eis que rutila como uma estrela na alma devotada ao amor, sendo portal que faculta penetrar na senda que leva a Jesus.

Resguarda, portanto, as tuas forças mediúnicas da vileza dos Espíritos insensatos e perversos, tornando-te instrumento do amor de Deus a todos e a tudo. Mesmo assaltado, uma vez que outra, pelos ardilosos e infelizes adversários da Luz, recupera-te, recobrando a alegria, agradecido pela oportunidade de socorrer e autoiluminar-te.

Abençoa a tua mediunidade com o respeito e a dedicação que merece de todos que anelam pela plenitude da existência.

Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, em 11 de junho de 2018, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

13 dezembro 2019

Sessões Mediúnicas Sérias - Manoel Philomeno de Miranda,




SESSÕES MEDIÚNICAS SÉRIAS


O êxito em qualquer empreendimento é sempre resultado da qualidade daqueles que constituem o grupo de ação, a partir do empenho com que é realizado o labor à qualidade do esforço desprendido para executá-lo.

Sempre programadas pelos Espíritos que se especializam no mister, as sessões mediúnicas sérias dependem igualmente dos membros que a formam, exigindo-se-lhes ordem e disciplina.

As qualidades morais dos seus membros correspondem aos biótipos que se podem e se devem comunicar, em decorrência da lei de afinidades vibratórias.

Diferindo de todas as demais reuniões, os propósitos que são mantidos devem ser de qualidade superior, isto é, de interesse de aprendizagem das lições que ministram os desencarnados em geral. Concomitantemente, o desejo sincero de auxiliar aqueles que se apresentam em aturdimento ou perturbação, em terapias curativas das suas mazelas de variada natureza, sempre caracterizadas pelas sucessivas ondas de amor emitidas.

Quando se apresentem Espíritos assinalados pelo ódio ou em atividades de vingança, nos diversos fenômenos obsessivos, o diálogo, às vezes acalorado, não deve derrapar em acusações recíprocas ou em veementes discursos que objetivem vencer o outro, impor-lhe mudanças de comportamento.

A cuidadosa observação de conteúdo da mensagem de que se faça portador o visitante desencarnado, sem pressa, facultará ao dialogador o material iluminativo e esclarecedor que poderá aliviar a carga de animosidade e agressão.

É dever ter-se em mente que a direção do encontro pertence aos mentores que inspiram os trabalhadores materiais à aquisição dos recursos hábeis para o bom desempenho evangélico.

Em face dessa necessidade, é imperiosa a conexão mental entre ambos, devendo ser maleável e dócil aquele que esclarece, facilitando o auxílio que vem do Alto.

São inúteis expressões revestidas de termos técnicos e pomposos, recordando-se sempre da condição dos comunicantes não familiarizados com a terminologia espírita nem com o discurso exuberante.

Desse modo, cabe ao terapeuta encarnado o especial cuidado de evitar qualquer tipo de discussão, como ocorre nos debates humanos convencionais.

A paciência e a emissão vibratória de simpatia constituem elementos básicos para auxiliar o comunicante desencarnado, que, não encontrando reações equivalentes à sua angústia ou ao desequilíbrio em que se encontra, acalma-se, passa a reflexionar, predispõe-se a receber o tratamento de longo curso, na esfera em que se encontra.

Cuidados especiais devem dizer respeito a todos os membros da reunião, cuja preparação para o intercâmbio inicia-se com antecipação, às vezes, de 48 horas.

No dia reservado ao serviço abençoado, a preparação dos médiuns e de todos deve ser considerada como fundamental, evitando-se ocorrências perturbadoras, especialmente algumas programadas pelos Espíritos inferiores, que se comprazem em criar problemas e dificuldades em relação a tudo quanto é nobre e libertador.

A alimentação deve ser frugal, com algumas horas de antecedência, para evitar que algumas toxinas da digestão perturbem ou impeçam a assimilação do pensamento e das emoções que tipificam os comunicantes.

O hábito do silêncio anterior dos médiuns propicia o estado de mente-espelho que melhor capta as ocorrências na dimensão espiritual. Entregar-se com tranquilidade ao fenômeno, a fim de facilitar a imantação do visitante ao perispírito do instrumento mediúnico, faculta melhor transparência e fidelidade da mensagem transmitida.

Os participantes que não são médiuns ostensivos deverão auxiliar mentalmente por meio do contributo mental mediante pensamentos de simpatia e fraternidade, de compaixão e solidariedade envolventes e curativos.

Constituída por pessoas sérias na sua conduta e na dedicação ao Bem, exteriorizam dúlcidas ondas de harmonia, que envolvem os necessitados de autoencontro, de despertamento para a sua realidade espiritual.

Sendo a vida na erraticidade a original, é compreensível que aqueles que aí se encontram apresentem as mesmas ulcerações ou bênçãos comuns a todos que se encontram reencarnados na Terra.

Ademais, graças às reuniões mediúnicas os seres humanos compreendem mais facilmente o que os aguarda após o decesso tumular. Esse sublime ensinamento proporciona consciência da realidade da vida, enquanto os ajuda a trabalhar as anfractuosidades morais íntimas para que se facultem a conquista da alegria de viver.

Nessas reuniões a presença dos guias espirituais oferece segurança e as suas mensagens são verdadeiras bênçãos que vertem da Espiritualidade como resposta às inquietações da Terra.

O Espiritismo bem praticado por meio das sessões mediúnicas sérias oferece saúde e bem-estar aos seus membros, porquanto, durante o período em que são realizadas, a fluidoterapia é aplicada com carinho a todos os presentes por especialistas do Além que operam incessantemente em prol da sociedade, que ruma para a conquista da prosperidade real e plenificadora.

Participar de tarefas desse porte é uma oportunidade rara, que faculta a visão perfeita da vida a manifestar-se, quer no corpo físico ou fora dele. Em toda parte a vida estua e o ser é imortal, sempre construindo o próprio futuro.

Unindo-se pelos laços do amor, os membros que constituem as reuniões mediúnicas desse porte devem aprimorar-se sem cessar, a fim de instalarem, no coração, o Reino dos Céus a que se reportava Jesus.


Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão da noite de 18 de julho de 2018, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

18 abril 2019

Complexidades do fenômeno mediúnico - Manoel Philomeno de Miranda




COMPLEXIDADES DO FENÔMENO MEDIÚNICO



À primeira vista, o intercâmbio seguro entre os Espíritos desencarnados e os homens parece revestir-se de muita simplicidade.

Considerando-se que, após a morte do corpo, o ser apresenta-se com todos os atributos que lhe caracterizavam a existência física, é de crer-se que o processo da comunicação mediúnica torna-se natural e rápido, fácil e simples.

Como em qualquer procedimento técnico, no entanto, vários requisitos são-lhe exigíveis, o que torna a sua qualidade difícil de ser conseguida, ao mesmo tempo complexa para a sua realização.

O processo de comunicação dá-se somente através da identificação do Espírito com o médium, perispírito a perispírito, cujas propriedades de expansibilidade e sensibilidade, entre outras, permitem a captação do pensamento, das sensações e das emoções, que se transmitem de uma para outra mente através do veiculo sutil.

O médium é sempre um instrumento passivo, cuja educação moral e psíquica lhe concederá recursos hábeis para um intercâmbio correto. Nesse mister, inúmeros impedimentos se apresentam durante o fenômeno, que somente o exercício prolongado e bem dirigido consegue eliminar.

Dentre outros, vale citar as fixações mentais, os conflitos e os hábitos psicológicos do sensitivo, que ressumam do seu inconsciente e, durante o transe, assumem com vigor os controles da faculdade mediúnica, dando origem às ocorrências anímicas.

Em si mesmo, o animismo é ponte para o mediunismo, que a prática do intercâmbio termina por superar. Todavia, vale a pena ressaltar que no fenômeno anímico ocorrem os de natureza mediúnica, assim como nos mediúnicos sucedem aqueles de caráter anímico.

Qualquer artista, ao expressar-se, na música, sempre dependerá do instrumento de que se utilize. O som provirá do mecanismo utilizado, embora o virtuosismo proceda de quem o acione.

O fenômeno puro e absoluto ainda não existe no mundo orgânico relativo...

Os valores intelectuais e morais do médium têm preponderância na ocorrência fenomênica, porquanto serão os seus conhecimentos, atuais ou passados, que vestirão as ideias transmitidas pelos desencarnados.

Desse modo, a qualidade da comunicação mediúnica está sempre a depender dos valores evolutivos do seu intermediário.


*

Não há dois médiuns iguais, qual ocorre em outras áreas das atividades humanas, nas quais cada pessoa apresenta-se com os seus próprios recursos, assinalada pelas suas particulares características.

Quando se tratar de médium com excelentes registros e grande fidelidade no conteúdo da mensagem recebida, eis que defrontamos alguém que repete experiências transatas, havendo sido instrumento mediúnico anteriormente.

Na variada gama das faculdades, as conquistas pessoais armazenadas contribuem para que o fenômeno ocorra com o sucesso desejado.

Seja no campo das comunicações intelectuais, seja naqueles de natureza física, o contributo do médium é relevante.

Não seja, portanto, de estranhar que um médium, psicógrafo ou psicofônico, tenha maior facilidade para o registro de mensagens de um tipo literário ao invés de outro, logrando, por exemplo, admiráveis romances e deploráveis poemas, belas pinturas e más esculturas, facilidade para expressar-se em idiomas que não apenas aquele que hoje lhe é familiar, em razão de experiências vivenciadas em reencarnações anteriores.

Também há médiuns com aptidão para receber Espíritos sofredores, o que lhes deve constituir uma bênção, facilitando-lhes a aquisição de títulos de enobrecimento, pela ação caridosa que desempenhem. Não obstante, haverá, igualmente, a mesma predisposição para sintonizar com as Entidades Nobres, delas haurindo e transmitindo a inspiração, a sabedoria e a paz.

A ideia, o impulso procedem sempre do Espírito desencarnado, porém o revestimento, a execução vêm dos cabedais arquivados no inconsciente do médium.

A luz do Sol ou outra qualquer, ao ser coada por uma lâmina transparente, reaparecerá no tom que lhe é conferido pelo filtro.

No fenômeno mediúnico sucede da mesma forma.


*

Tendo em vista que a faculdade é orgânica, os recursos da aparelhagem exercem grande influência na ocorrência do fenômeno.

Assim considerando, o exercício, que educa os impulsos e comanda a passividade, é de capital importância.

À medida que vão sendo eliminados os conflitos pessoais, mais transparentes e fiéis se farão as mensagens, caracterizando os seus autores pelo conteúdo, estilo, elaboração da ideia e, nas manifestações artísticas, pelas expressões de beleza que apresentam.

A educação mediúnica, à semelhança do desenvolvimento de qualquer aptidão, impõe tempo, paciência, perseverança, estudo, interesse.

O investimento de cuidados específicos, na mediunidade, será compensado pelos resultados comprovadores da sua legitimidade, como também pelos ensinamentos e consolos recebidos na sua aplicação.


*

Faculdade neutra, do ponto de vista moral, pode o indivíduo ser portador de conduta irregular com largo campo de registro, em razão do seu pretérito, enquanto outros, moralizados, não possuem as mesmas possibilidades, o que não os deve desanimar.

A moral, no entanto, é exigível, em razão dos mecanismos de sintonia que a conduta proporciona.

Uma existência assinalada pela leviandade, por abusos de comportamento, por atitudes vulgares, atrai Espíritos igualmente irresponsáveis, perversos, perturbadores e zombeteiros.

A convivência psíquica com essas mentes e seres costuma por afetar as faculdades mentais do individuo, que termina vitimado por lamentáveis processos de obsessão, na sua variada catalogação.

As comunicações sérias e nobres somente têm lugar por instrumentos dignos e equilibrados.


*

Na sua condição de instrumento e na sua postura de passividade, o médium não pode provocar determinadas comunicações, mas sim, criar as condições e aguardar que ocorram.

Cabe-lhe estar vigilante para atender as chamadas que se originam no mundo espiritual, fazendo-se maleável e fiel portador da responsabilidade que lhe diz respeito.


*

O fenômeno mediúnico, para suceder em condições corretas, necessita que o organismo do instrumento se encontre sem altas cargas tóxicas de qualquer natureza, porquanto as emoções em desalinho, o cansaço, as toxinas resultantes dos excessos alimentares bloqueiam os núcleos de transformação do pensamento captado nas mensagens, o que equivale a semelhantes acontecimentos em outras atividades intelectuais, artísticas e comportamentais.

Atitude física, emocional e mental saudáveis, são a condição ideal para que o fenômeno mediúnico suceda com equilíbrio e rentabilidade.

Quando acontece pela violência, sem a observância dos requisitos essenciais exigíveis, alguns dos quais aqui exarados, já que outros ainda existem e merecem estudos, estamos diante de manifestações obsessivas, de episódios mediúnicos perturbadores, nunca, porém, de fenômenos que se expressem com a condição espírita para uma vivência mediúnica dignificadora.


Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, em 1º.11.1993, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.


01 dezembro 2018

Toxicodependência - Manoel Philomeno de Miranda




TOXICODEPENDÊNCIA


Remanescendo dos hábitos primários com predominância em indivíduos de constituição emocional frágil, o uso de substâncias psicoativas vem conduzindo larga faixa da Humanidade à toxicodependência.

Desfilam como fantasmas truanescos e atormentados os usuários do álcool, do tabaco e das drogas químicas que ameaçam o equilíbrio psicossocial dos grupos terrestres, devorados pela insensatez de traficantes perversos e criminosos que amealham fortunas ignóbeis através do arrebanhamento de multidões de enfermos para as fugas espetaculares da realidade na direção do aniquilamento orgânico em vã expectativa de extinção do corpo.

As grandiosas contribuições do pensamento, exteriorizado nas nobres realizações da Ciência e da Tecnologia, fomentaram também a corrida desenfreada pelo conforto excessivo e pelo poder irresponsável, na louca tentativa de possuir-se em abundância, para bem desfrutar-se com ganância.

Essa aspiração, que poderia ser valiosa se pautada em linhas de equilíbrio moral, normalmente empurra o ser para a competição alucinada, destruindo o sentido ético da existência humana pela volúpia do gozo da glória terrena.

Por consequência, o egoísmo solapa os ideais de fraternidade e de ventura coletiva, trabalhando em favor da individualização, ora muito bem vivenciada nas viagens, visitas e convivências virtuais, que vêm afastando as criaturas umas das outras mediante o relacionamento computadorizado, longe do calor das comunicações interpessoais, ricas de contato sensorial vitalizador.

De outra forma, as famílias mergulhadas no torvelinho dos interesses externos, desestruturam-se e os filhos são entregues a babás humanas ou eletrônicas, quando deveriam conviver com os pais e com eles haurir emoções de segurança propiciadas pelo amor, gerando responsabilidade e dever, que são essenciais para o respeito pela própria existência e a vida em todas as suas variadas expressões.

A ausência da ternura no lar e a permanência dos conflitos nos relacionamentos dos adultos oferecem à criança e ao jovem uma visão deformada da realidade, que passa a representar, no seu interior, um processo que deveria ser de segura formação psicológica, tornando-se um desafio que apavora e gera instabilidade, assim contribuindo para o favorecimento das fugas espetaculares para os vícios de toda natureza, quais a toxicodependência, o alcoolismo, o jogo de azar, conduzindo, não poucas vezes, ao suicídio e a outros comportamentos antissociais aberrantes e criminosos.

Não é, pois, de estranhar, quando crianças e jovens utilizam-se dos instrumentos de destruição para assassinarem colegas e mestres, ou quando adultos e adolescentes se armam para extermínios seriais, mais aumentando as estatísticas de pavor e de degradação humana.

A insegurança, portanto, que se deriva do abandono a que se veem relegadas as gerações novas, o desinteresse com que são toleradas, a irritação que provocam nos adultos imaturos e egotistas, que experienciam momentos de emotividade piegas tentando diminuir o impacto negativo dos seus comportamentos através de doações de coisas e caprichos, tornam difíceis o amadurecimento psicológico das mesmas, que se sentem atiradas ao sorvedouro da insensatez generalizada.

Concomitantemente, a má orientação escolar, pela falta de uma educação baseada em valores humanos e espirituais, apresentada por professores igualmente conflitivos e atormentados, torna-se porta de acesso ao desespero e à consequente queda no abismo da viciação.

É certo que existem incontáveis exceções, nas quais se apresentam pais e educadores, homens e mulheres nobres, mas sem uma conscientização geral que envolva autoridades, famílias e cidadãos na questão momentosa da prevenção das drogas, o problema visto pelo ângulo da repressão inconsequente, que somente pune os pequenos traficantes, ameaçando os usuários em desequilíbrio, sem alcançar os poderosos cartéis espalhados pelo mundo, de maneira alguma poderá modificar a gravidade do desafio, diminuindo-lhe sequer os excessos ou evitando-lhe a dominação.

Todos os indivíduos inseguros e conflituosos são vítimas em potencial do uso e do tráfico de drogas, que se encontram ao alcance de quantos desejem usá-las.

Por outro lado, a facilidade com que se vendem produtos farmacêuticos geradores de dependência química e propiciadores de transes alucinógenos ou de sensações de aparente paz, de relaxamento torna-se também estímulo poderoso para iniciações perigosas que terminam em abuso de substâncias destrutivas dos neurônios cerebrais e responsáveis por outros danos orgânicos irreparáveis e de alta essencialidade para a existência do ser.

Torna-se urgente uma política séria sobre as drogas químicas, a fim de ser corrigida e mesmo evitada a drogadição e criados Centros reeducativos para seus dependentes, através da qual haja seriedade no estudo, análise e aplicação dos esquemas de educação para a infância e a adolescência, ao lado de confiável compromisso familiar no que diz respeito à estruturação psicológica do educando.

A criança e o jovem, não obstante a aparência de fragilidade e a inocência ante as experiências atuais, são Espíritos vividos e portadores de largo patrimônio de conquistas positivas e negativas que lhes exornam a personalidade, facilmente despertáveis de acordo com os estímulos externos que lhes sejam apresentados. Eis porque os valores morais e éticos, quando cultivados, oferecem seguras diretrizes para o equilíbrio e a existência saudável, tornando-se antídoto valioso para o enfrentamento do perigo das drogas.

Somando-se a esses fatores externos os compromissos espirituais de cada criatura, não se pode negar a preponderância da interferência dos Espíritos desencarnados na conduta dos homens terrestres. Conforme as leis de afinidade e de sintonia, ocorrem as vinculações naturais, quando não de caráter recuperador em razão de antigos débitos para com aqueles que se sentem prejudicados ou que foram vitimados pela incúria e perversidade de quem os afligiu e infelicitou.

Nesse comenos, no período da iniciação ou mesmo antes dela, instalam-se as obsessões simples, que se convertem em problemas graves, derrapando para subjugações cruéis, nas quais, hóspedes e hospedeiro interdependem-se na usança das drogas devastadoras.

Quase sempre, após instalada a obsessão desse porte, o Espírito perturbador passa a experimentar o prazer gerador do vício, especialmente se antes da desencarnação esteve sob o jugo da infeliz conduta. Havendo desencarnado, mas não sucumbindo ante o tacape da morte, busca desesperado dar prosseguimento ao hábito doentio, sintonizando com personalidades fragilizadas e inseguras, levando-as à degradante toxicodependência.

A oração, as leituras edificantes, as conversações saudáveis, ao lado da terapêutica especializada, devem ser movimentadas para a recuperação do paciente e a sua entrega a Deus mediante os bons pensamentos e as ações relevantes que constituem recurso precioso para a terapia preventiva, assim como para a curadora.


Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco


26 setembro 2018

Atendimento fraterno - Manoel Philomeno de Miranda




ATENDIMENTO FRATERNO


Quando alguém se propõe a auxiliar o seu próximo, colocando-se à disposição para o atendimento fraterno, desenvolvem-se-lhe os sentimentos de elevação moral e espiritual, possibilitando-lhe a bênção da sintonia com o mundo transcendente superior.

Entidades nobres, encarregadas de contribuir em favor do progresso da sociedade, acercam-se-lhe e passam a inspirá-lo e protegê-lo com mais assiduidade, a fim de que sempre se encontre em condições seguras para o mister.

Quando se aprende a ouvir com serenidade, especialmente as queixas e reclamações, os brados de desespero e os profundos silêncios da angústia, ou simplesmente permitir que haja uma catarse de quem sofre, interessado em socorrer bondosamente, nunca lhe faltam os valiosos recursos do auxílio dos mentores, que vão além das palavras consoladoras e calmantes, como também por meio dos processos fluidoterápicos valiosos.

Os grandes problemas e desafios humanos encontram-se ínsitos na própria criatura, desestruturada para os enfrentamentos, no debate de inúmeros conflitos não resolvidos e procedentes do passado espiritual, que se transformam em terríveis algozes, acicatando o cerne da alma e aturdindo a mente, colocando fantasmas aparvalhantes onde existem somente frustrações e insegurança.

Quaisquer pequenas ocorrências desagradáveis são transformadas em tremendos sofrimentos, que aumentam na razão direta em que a falta de equilíbrio e maturidade para resolvê-los induz à autocompaixão, à revolta, à insanidade.

Todos os males que aturdem o ser humano procedem do seu íntimo e somente na sua raiz devem e podem ser solucionados.

Por essa razão, cada Espírito é o somatório das suas experiências evolutivas por meio do curso das reencarnações.

A ignorância desse mecanismo sublime permite ao indivíduo manter-se em deplorável situação existencial, o que lhe proporciona a instalação de conflitos e tormentos desnecessários à evolução, mas que são o inevitável efeito dos comportamentos insanos.

A consciência exige a reparação de todo e qualquer atentado às Leis Cósmicas de harmonia, e, por essa razão, mantém, no períspirito, os arquivos de todas as ocorrências existenciais.

Oportunamente, tudo aquilo que lhe constitui culpa, leviandade, violência, extravagância na conduta, agressão à vida sob qualquer aspecto, emerge, a fim de que se lhe permita a elevação ao nível mais significativo, portanto, à capacidade de registros mais profundos e menos grosseiros, defluentes da animalidade por onde transitou no passado.

É comum, portanto, que as aflições emocionais prolongadas terminem em mecanismos de somatização, o que dá surgimento a enfermidades orgânicas muito complexas, ao mesmo tempo que enseja contaminações de vírus, bactérias e outros micro-organismos danosos à saúde.

Tendo-se em vista a necessidade da reparação dos erros pretéritos e próximos, ocorrem, inevitavelmente, as interferências espirituais negativas que mais agravam a problemática afligente.

Noutras vezes, e não em número inexpressivo, toda ocorrência de sofrimentos tem origem na presença e imantação fluídica de adversários espirituais do ontem, que não conseguiram superar os ressentimentos e optam pela infeliz cobrança, como se fossem transformados nos braços da divina justiça, iniciando as sutis ou abruptas obsessões de efeitos danosos e de complexidade terapêutica muito grande, por depender essencialmente do enfermo.

Em quaisquer casos, no entanto, a compreensão do atendente fraterno torna-se essencial.

A não pressa em dialogar, os cuidados com as colocações propostas, o evitar sempre diagnósticos depressivos ou informações alarmantes sobre perseguições de ordem espiritual, que os necessitados ignoram, são essenciais, a fim de não lhes produzir mais danos que benefícios.

A discrição do ouvinte, na condição de cooperador espiritual, torna-se relevante, sem expor a outrem, sem comentar as experiências dolorosas do seu próximo, enquanto mantém cuidados no diálogo esclarecedor à luz da meridiana sabedoria do Espiritismo.

Jamais sugerir terapias fora daquelas recomendadas pela Doutrina Espírita, seja orientar a busca de profissionais na área da saúde, seja propor superstições em voga ou aquelas que são heranças do passado, assinalando o atendimento pela serenidade, compreensão e gentileza, não devendo, tampouco, prolongar por muito tempo a conversação psicoterapêutica, para evitar criar dependências emocionais e afetivas com o cliente.

De bom alvitre manter-se o cuidado de não receber o mesmo enfermo continuamente, cuidando antes, após instrumentalizá-lo para os esforços pessoais que devem ser aplicados na busca da saúde, de encaminhá-lo às reuniões doutrinárias, bem como de receber os auxílios fluídicos.

Cuidar de não prometer curas e soluções mirabolantes, porque cada caso é especial, sua estruturação no Espírito tem uma longa história de difícil compreensão num rápido lance, nem encorajar ilusões difíceis de se tornarem realidade.

O atendimento fraterno não substitui o confessionário das antigas religiões nem deve permitir que o entrevistado revele segredos de que se arrependerá, para que o ouvinte não se transforme num cofre de revelações dispensáveis para o mister.

Algumas pessoas têm falsa necessidade de narrar aos dramas interiores, envolvendo os membros da família, especialmente os parceiros ou afetos, como responsáveis pelo que lhes ocorre, e isso acarreta problemas mais sérios, por causa do comportamento intencional de usar os conselhos como arma contra aqueles que supõem serem os seus algozes.

Os dramas existenciais de heranças, de infidelidade conjugal, de rebeldia de amigos e familiares devem sempre ser ouvidos com silêncio, desviando o tema para as consolações que a Doutrina propõe, assim como para o estudo de O livro dos espíritos, de Allan Kardec, a fim de fazê-las entender as razões das ocorrências que assinalam.

Trata-se, portanto, o atendimento fraterno, de um valioso e grave compromisso que se constitui num importante desafio a que a pessoa se submete.

Nele encontra-se também a mensagem da caridade no aspecto delicado da assistência moral e espiritual, sempre dignificando aquele que chega atormentado e carente de afetividade, não se permitindo, porém, arrebatamentos e emoções que possam transformar-se em sentimentos de paixões subalternas ou de excessiva compaixão.

Quando o atendente está consciente dos fatores que respondem pelas provações, esclarecido pelo conhecimento da reencarnação em nome da Divina Justiça, não perde a serenidade diante dos mais escabrosos acontecimentos, não se choca com narrações exageradas ou graves, a fim de que a sua palavra e a sua emoção sob controle possam sustentar o combalido, em vez de desviar-se do essencial para os comentários paralelos sem significado.

Nunca dizer de improviso que o problema é resultado de obsessões espirituais nem fazer narrações aterradoras, ou que se trata de mediunidade não cuidada, por falta da prática da caridade, já derrapando em julgamentos que não têm cabimento.

Fortalecer o ânimo do visitante com jovialidade e ternura, ao mesmo tempo que lhe demonstre a necessidade de responsabilizar-se pelas ocorrências e conseguir superá-las com paciência, com mudança das paisagens mentais e com a consequente alteração do comportamento moral para melhor.

O atendimento fraterno objetiva diluir informações equivocadas que o paciente traz sobre o Espiritismo, retirar-lhe a ideia mágica ou sobrenatural, deter-se no problema central, sem desvios narrativos inecessários, com demonstração de solidariedade, mas sem parecer que, a partir daquele momento, tudo se modificará ou pretender assumir o compromisso de passar a carregar-lhe a problemática.

Jesus, o exemplo máximo de atendimento fraternal aos infelizes, na sua superioridade moral, evitava os diálogos longos e as interrogações secundárias, sendo direto no exame da questão, quando perguntava aos que O buscavam: Que queres que eu te faça? ou Tu crês que eu te posso curar?

E, de maneira incisiva, após operar a mudança no transtorno de qualquer natureza do enfermo, completava: Vai e não tornes a pecar, a fim de que não te aconteça nada pior.

Impossibilitado de agir de igual maneira, o atendente espírita deve sempre dispor-se a ajudar, favorecendo o visitante com as diretrizes para a autoajuda, para a sua renovação e saída do erro gerador do distúrbio que o aflige.

Orientar com sabedoria e bondade é uma difícil arte de amar.

O ser humano de hoje conduz interiormente todas as heranças do longínquo passado, por cujos territórios passou armazenando experiências nem sempre edificantes. A predominância das paixões primitivas remanesce forte, dificultando-lhe o desenvolvimento moral que é mais lento e mais importante.

Por essa razão, os diálogos durante o breve contato entre paciente e atendente devem constituir-se de singulares cuidados, especialmente preservando a integridade moral de ambos os dialogadores.

Todos aqueles que chegam atormentados em busca de conforto moral trazem, às vezes inconscientemente, as respostas que gostariam de ouvir, especialmente os queixosos e depressivos, sendo indispensável manter-se cuidado com as palavras que se lhes dirijam e sem nenhuma presunção de convencê-los, mas sim, responder às indagações que sejam feitas, ao mesmo tempo que favorece com os caminhos a percorrer a partir daquele momento.

Jamais sugerir o abandono das terapêuticas médicas a que vêm sendo submetidos, não interferindo numa área que não lhe diz respeito, nem tem condições de pronunciar-se. Pelo contrário, vale o cuidado de interrogar-lhes se recebem assistência especializada e mesmo diante da reclamação de que ela não tem dado os resultados desejados, estimulá-los a prosseguir ou até, se for o caso, procurar outro facultativo.

O Espiritismo não vem combater nenhuma ciência, especialmente a médica, antes contribui em favor de resultados mais amplos, por demonstrar que o Espírito é o ser do qual procedem todas as manifestações existenciais.

Essa união das duas doutrinas – a médica e a espírita – é de fundamental significado para o bem-estar da criatura humana e, por extensão, da sociedade.

Nas recomendações que se deve apresentar ao paciente, é necessário elucidar o valor dos passes, da água magnetizada ou fluidificada, da oração e do comportamento saudável como indispensáveis à sua recuperação.

Em circunstâncias mais embaraçosas, não perder a calma, não reagir da maneira como seja agredido, tendo em vista que o socorro não se pode converter em revide, porque o doente nem sempre tem noção exata de como se está conduzindo durante o atendimento.

São muitas as angústias que desnorteiam o ser humano e, em razão disso, os desequilíbrios emocionais tornam-se mais comuns e repetitivos, merecendo mais cuidado e entendimento fraternal, acalmando-o com vibrações de ternura e ondas de caridade, que constituem especial elemento de recuperação.

Cuide o atendente fraterno de orar com unção, experienciar contínuas emoções de alegria pela alta honra de poder servir, mantendo-se em sintonia com o Divino Médico de todos, que se encarregará dos resultados finais.

Por fim, aplicar-se o sublime ensinamento: Fazer ao próximo como gostaria que o mesmo lhe fizesse.

Nisso reside o êxito do empreendimento de amor, resultando na caridade numa das suas mais sublimes manifestações.

Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 4 de novembro de 2013, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.

18 setembro 2018

Considerações sobre a cura - Manoel Philomeno de Miranda



CONSIDERAÇÕES SOBRE A CURA


Tudo quanto nasce, morre. É uma fatalidade inderrogável.

A vida, para viver, exige energia, e todo o processo vital, à medida que desempenha o mister, gasta-se, consome-se.

Todos os seres vivos, em consequência, nascem, vivem, enfermam, envelhecem e morrem.

Nesse panorama que se manifesta nos seres sencientes, tem lugar a dicotomia saúde/doença.

Nas criaturas humanas, esse fenômeno transcende o impositivo fundamental, dependendo do ser, em si mesmo, muito mais do que da fatalidade biológica.

O Espírito é sempre o responsável por todas as manifestações que surgem na organização molecular. É ele que modela o corpo de que se utilizará durante o périplo carnal, nele imprimindo as suas necessidades morais de acordo com o programa da evolução. É, desse modo, o agente responsável pelo equilíbrio ou destrambelho celular. A ocorrência tanto pode acontecer por ocasião das manifestações patológicas congênitas, como também sem qualquer influência da hereditariedade. Em muitas ocasiões, por impositivo da Lei de Afinidade, o Espírito é atraído para os futuros genitores, junto aos quais tem compromissos que lhe oferecem os genes propiciatórios à instalação das formas degenerativas ou não, de que se revestirá para os resgates que lhe são necessários.

A presença, portanto, dos fenômenos graves, de disfunções teratológicas, decorre dos títulos infelizes referentes aos comportamentos desastrosos em existências transatas.

Concomitantemente, em razão dos males praticados, vincula-se às vítimas que ficaram maceradas na retaguarda e não tiveram resistências morais para perdoar o que lhe sofreram, sendo atraídas pelo impositivo da identidade fluídica e vibratória, dando lugar aos transtornos obsessivos, às vezes, antes do berço...

Confundem-se, inevitavelmente, os gravames, dando lugar aos processos lamentáveis das doenças de variada etiologia, ampliadas pelas influências espirituais daqueles infelizes ora transformados em algozes inclementes.

Desde priscas eras, os seres humanos, inspirados pelos Espíritos nobres, compreenderam essa intercorrência, dando origem ao xamanismo, às pajelanças, por cujo conhecimento da vida espiritual elaboraram alguns processos de cura das enfermidades derivadas do convívio com os desencarnados em sofrimento.

Variando de denominação, os mortos influenciavam os seres humanos, sendo afastados, quando tal acontecia, através de métodos compatíveis com o seu estado de lucidez ou de ignorância.

Surgiram, então, os cerimoniais, os exorcismos, as técnicas variadas que o Espiritismo aprimorou nos memoráveis diálogos com os desencarnados nas reuniões mediúnicas especializadas, através de sensitivos adestrados e devotados à prática do bem.

Jesus, por conhecer a causalidade das ocorrências, usava a Sua autoridade moral para aplicação da terapêutica do amor, libertando os enfermos não somente das influências maléficas, como também das deformidades e degenerescências orgânicas.

Os extraordinários casos de pacientes cegos, surdos e mudos, da atormentada hemorroíssa, do portador de mão mirrada demonstram o Seu poder de agir nos tecidos sutis do períspirito, precipitando o movimento das moléculas que restauravam os órgãos, Nada obstante, sempre advertia aos recém-curados que preservassem a saúde moral, a fim de não insculpirem no organismo danos mais graves em decorrência da conduta insana.

A enfermidade, no entanto, não é um castigo ou punição divina de que o seu padecente se deve libertar de imediato. Possui uma função mais significativa, que é trabalhar os valores morais, aprimorá-los, enquanto desenvolve resistências íntimas para os futuros embates evolutivos…

Na atualidade, graças às conquistas da ciência e da tecnologia médica, aos saneamentos básicos, às contribuições da alimentação correta e aos programas de exercícios equilibrados, várias enfermidades dizimadoras têm recebido consideração adequada, algumas das quais já foram eliminadas, enquanto a vida física tornou-se mais longa e melhor... Entretanto, porque não tem havido correspondente desenvolvimento moral, equilíbrio ético nos relacionamentos e serviços de dignificação, proliferando os vícios dourados, a frivolidade e os desvios para os crimes, alguns hediondos, as mentes em desvario têm criado outras graves e dolorosas enfermidades que cobram elevados preços à insensatez e à irresponsabilidade.

Pululam os transtornos emocionais, os de natureza psíquica, assim como os tormentosos fenômenos cardiovasculares, neoplásicos, gástricos, ao lado dos males degenerativos e infecções que atingem cifras alarmantes.

O Espiritismo chegou à Terra para iluminar as consciências e consolar as emoções em desespero, sustentando os fracos e fortalecendo-os para oferecer conforto aos desesperados pela ausência física dos afetos que a morte lhes arrebatou do convívio, para curar os corpos e proporcionar bem-estar para um bem viver aprazível.

A fim de ser conseguido o mister, a Revelação Espírita objetiva, essencialmente, o trabalho de renovação moral para melhor de cada qual, de construção edificante, assim como o amealhar de valores edificantes.

A cura das enfermidades, antes de ter prioridade no conceito espírita, é menos relevante, porque possui um caráter secundário ante o impositivo precípuo do paciente, o Espírito, do qual procedem as ondas vibratórias contínuas que lhe proporcionam o equilíbrio ou o desconserto celular.

Comprova-se em outras áreas, na ciência médica, que o pensamento é portador de força ainda não totalmente mensurada.

A sua intensidade sobre a organização física, emocional e psíquica responde pelas ocorrências na área da saúde.

Cada um vive, portanto, sem dar-se conta no continente mental e experiencia na forma física tudo quanto cultiva no pensamento.

Contribuir-se espiritualmente para que as pessoas despertem para a sua realidade é dever que se impõe a todo discípulo do Evangelho restaurado, que advoga a Lei de Causa e Efeito como responsável por todos os acontecimentos humanos.

Prometer-se curas mediante as técnicas fluidoterápicas é maneira ineficaz para a boa propaganda da Revelação dos Imortais. O paciente recuperado que se não modifica interiormente volta à ribalta do sofrimento em decorrência da irresponsabilidade. Demais, nem todo doente se recuperará, em razão da necessidade evolutiva no estágio de resgate em que se encontra, vivenciando expiação redentora.

É compreensível a busca e a oferta de milagres na área da saúde. No entanto, a atitude correta é sempre a da cura interior, da instalação da saúde espiritual, que sempre proporciona paz e alegria, mesmo quando sob a injunção do sofrimento.

A biomédica, por sua vez, recomenda que a saúde integral é preservada quando os indivíduos mantêm condutas saudáveis, tanto do ponto de vista físico como emocional, cultivando pensamentos elevados que proporcionam clima de alegria e de paz.

O cultivar de tormentos de qualquer natureza, desde a moderna e vulgar área do erotismo, assim como da drogadição em fuga da realidade, a manutenção das paixões dissolventes, a cultura do ressentimento e do ódio, da competição desleal para a conquista das migalhas financeiras e dos destaques ilusórios na sociedade, evidentemente criam transtornos nas neurocomunicações, com a consequente presença de tóxicos mentais que desorganizam o raciocínio e contribuem para alguns distúrbios emocionais e também orgânicos.

A somatização de problemas responde pela presença de diversas enfermidades geradas pelo comportamento do paciente, dando lugar aos distúrbios gástricos, respiratórios, cardíacos e psicológicos.

A saúde mental é essencial para a conquista das outras expressões de bem-estar.

Conscientizar o indivíduo em torno dos seus compromissos para com a existência e a grave responsabilidade pela atual reencarnação deve ser o comportamento de todo aquele que deseja exercer a mediunidade curadora, auxiliando na causa de todos os fenômenos, ao tempo em que poderá fomentar a contribuição fluídica, a fim de atenuar ou liberar o sofrimento daqueles que buscam a paz.

Mantendo, porém, o esclarecimento de que a cura de um órgão não significa saúde real, porque o problema moral não resolvido ressurgirá em outro aspecto, em forma de nova doença.

Conversações de significado nobre, convivência fraternal, labor em favor do próximo, esforço pessoal para o cultivo do bem-estar, hábito da oração que eleva o ser a dimensões superiores da Vida, constituem a terapêutica preventiva para todos os males, ao mesmo tempo curativa, quando estão instalados os problemas na área da saúde.

Caberia repetir o provérbio latino elaborado pelo poeta romano Juvenal: Mente sã em corpo saudável.

Portanto, o compromisso do Espiritismo, embora a sua valiosa contribuição nos problemas da saúde humana, é com a modificação moral de cada ser, a aquisição do equilíbrio interior que se manifestará em forma de harmonia.

Além do mais, ter-se sempre em vista que uma existência, mesmo saudável, por mais longa que seja, alcança o final, consumida pela fatalidade da morte ou desencarnação.

Estar-se preparado para o Mais-além é a proposta sublime da Revelação dos Imortais.


Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica de 26 de fevereiro de 2014, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.


07 setembro 2018

Reflexões sobre a mediunidade - Manoel Philomeno de Miranda

 


REFLEXÕES SOBRE A MEDIUNIDADE



Sabiamente, o emérito Codificador do Espiritismo constatou que a mediunidade é uma faculdade orgânica inerente a todos os seres humanos. Nada obstante, o fato de ser-lhe portador, não implica necessariamente em ter que a exercer quando não se apresente com um caráter ostensivo.

A faculdade natural é uma predisposição do organismo, que tem suas raízes no Espírito, como parte do seu processo evolutivo, adquirindo mais complexidade e enriquecimento das funções que o conduzem à transcendência.

Podendo manifestar-se na infância ou em qualquer período da existência física, merece estudos cuidadosos, de modo a atender a finalidade para a qual a Divindade a criou.

Nada obstante, todo aquele que pretenda educar as suas faculdades mediúnicas, deve antes aprofundar reflexões no estudo do Espiritismo, a fim de esclarecer-se sobre os valores reais da existência humana, a sua finalidade e os métodos mais compatíveis para desincumbir-se dos compromissos que foram assumidos antes da reencarnação.

O exercício de qualquer função requer esforços bem direcionados, de modo a adquirir a consciência em relação à mesma, do que resultarão os salutares efeitos em torno do empreendimento.

No que diz respeito à mediunidade que é em si mesma, amoral, será o comportamento do indivíduo que contribuirá para sua maior e melhor qualificação.

Quando os fenômenos não são expressivos, tendem a desaparecer, porque nem todos se encontram assinalados pela responsabilidade que o seu ministério exige.

Causa estranheza, não poucas vezes, que pessoas destituídas dos tesouros éticos recomendáveis recebam comunicações edificantes provenientes dos Benfeitores espirituais. É muito fácil, porém, entender-se o que ocorre. Desde que escasseiam aqueles que dispõem de mais amplas possibilidades, são usados os que as possuindo, lamentavelmente não se instrumentalizaram como deveriam.

Em uma emergência, em qualquer circunstância, à falta de servidores especializados, são usados quaisquer uns que possam contribuir em favor do bem-estar geral.

De maneira equivalente ocorre nas tarefas espirituais, nas quais, os Guias da humanidade aguardam melhores condições para interferir de maneira mais vigorosa em beneficio de todos.

Fundamentalmente, a mediunidade tem por objeto desvelar o mundo espiritual, a sua constituição, como são as condições ambientais, mas, por excelência, confirmar a imortalidade da alma e o que ocorre após a desencarnação e reflete-se em colheita no comportamento mental, emocional e moral vivenciados.

De resultados altamente relevantes para os seus portadores que, em geral, são Espíritos muito comprometidos com as Soberanas Leis, o seu exercício com abnegação oferece-lhes resistência contra as más inclinações que neles se demoram, ao tempo em que conquistam os tesouros do amor e da caridade que esparzem com os seus irmãos espirituais.

Sempre presente na história da humanidade desde priscas eras, foram os próprios imortais que a desvelaram aos deambulantes carnais, na intimidade das cavernas ou nos grandiosos mistérios dos templos de iniciação esotérica, sendo ocultada por fórmulas cabalísticas e rituais para a massa destituída de compreensão, portanto, exotérica.

Os livros sagrados de todas as doutrinas religiosas referem-se-lhe com denominações específicas, desde ontem como hoje, ornada de referências especiais, porém, com o mesmo significado e conteúdo.

Em especial a Bíblia, tanto no Velho como no Novo Testamento, apresenta-a de maneira clara e inequívoca, em momentos grandiosos, a partir dos extraordinários fenômenos produzidos por Moisés, desde o Egito antes de libertar o seu povo, como no deserto, no Monte Sinai, ao receber o Decálogo...

Todos os profetas eram médiuns portadores de alta inspiração, embora as paixões nacionais que aturdiam a alguns, culminando em Joel (2:28-29), quando afirmou: Acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões; e também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.

Posteriormente, Lucas, em Atos dos Apóstolos (2:17-18), repete as sábias palavras do venerando profeta. Transcorridos dezenove séculos após a assertiva do amado discípulo de Paulo ao referir-se à mediunidade dignificada, Allan Kardec, o admirável codificador do Espiritismo, informou que a faculdade mediúnica se radica no organismo, confirmando a sua presença na carne, portanto, na constituição física de que se utiliza o Espírito imortal.

Se evocarmos o diálogo entre o rei Saul e a pitonisa do Endor em transe, o nobre Juiz repreende-o por havê-lo evocado por fútil motivo, em torno da guerra, a esse mesmo Saul, atormentado por Espíritos infelizes, que se acalmava ouvindo o canto e a música de Davi, voltando-se contra ele, em plena obsessão, violentamente, em razão da sua mediunidade atormentada e carregada de culpas... (I Samuel 28: 15 e ss)

Durante toda a trajetória no deserto, acostumados aos fenômenos no Egito, os judeus dedicavam-se a evocações frívolas e descontroladas, vendo-se Moisés compelido a proibir tal comportamento irregular, conforme se encontra exarado nas referências bíblicas. Não se tratava de impedimento das manifestações, mas do caráter das mesmas, que não devem ter finalidade vulgar, mas sim, revestir-se de caráter sério, quando ele próprio convocou setenta anciãos para ouvir o Senhor.

Nesse ínterim, conforme Números 11:26 a 29, dois homens na aldeia, Eldade e Medade, sentiram a presença do Espírito e começaram a profetizar, mediunizados.

De imediato, foi apresentada queixa a Moisés sobre essa prática e solicitação para que a proibisse, e o grandioso condutor, respondeu: Tens tu ciúmes por mim? Oxalá que do povo do Senhor todos fossem profetas, que o Senhor pusesse o seu espírito sobre eles!

Não bastassem esses fatos, e veremos o grande orientador aparecer ao Mestre, na inolvidável transfiguração no monte Tabor, (Mateus, 17:1 e ss, Marcos, 9:2-8, Lucas, 9:28-36) dialogando demoradamente, sendo visto e ouvido pelas testemunhas (Pedro, Tiago e João), assessorado por Elias, o inesquecível profeta, que houvera subido ao Céu em uma carruagem de fogo... (2 Reis 2-11)

Nas inesquecíveis pregações do apóstolo Paulo, o estoico divulgador de Jesus, o mesmo refere-se com segurança: Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum. Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; a outro a operação de milagres; a outro a profecia; a outro o dom de discernir espíritos; a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação de línguas. Mas um só é o mesmo Espírito que opera todas estas coisas, distribuindo particularmente a cada um como quer. Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos formam um só corpo, assim também é Cristo. (I Coríntios, 12:4-12)

Eis exarada uma página que parece haver sido retirada de O Livro dos médiuns, de Allan Kardec, quando estuda a diversidade das expressões mediúnicas, de efeitos intelectuais assim como de efeitos físicos.

É sempre o Espírito imortal que se manifesta sob a vontade do Senhor Jesus Cristo que administra o orbe terrestre.

Seja, porém, qual for a faculdade mediúnica, o seu exercício, por tratar-se de coisa santa, santamente, respeitosamente, deve ser executado com dignidade, a fim de atender aos elevados objetivos a que se encontra destinada.

Para ser logrado o mister básico da função mediúnica, a transformação moral do servidor toma-se essencial, trabalhando-se conscientemente para adaptar-se às injunções austeras que se fazem imprescindíveis para o desempenho feliz, a fim de lograr o estágio do mediunato.

A disciplina moral e a abnegação em todos os momentos tornam-se linhas de comportamento saudável para estar sempre às ordens do seu Guia espiritual, que conhece a programação traçada para o êxito da reencarnação.

A mediunidade, portanto, é um nobre investimento da Vida a benefício do Espírito reencarnado, que mais facilmente pode desenvolver as percepções da transcendência, sendo inspirado a desejar alcançá-la embora os percalços da jornada carnal.

O discernimento em torno das comunicações, a aceitação das mensagens, primeiro para si mesmo antes que para os outros, o reconhecimento de que, sendo médium, é apenas instrumento e não autor dos conteúdos que exterioriza, o bom senso para não se permitir envaidecer ou deslumbrar pelas mensagens de que se faz portador, tendo o cuidado de vigiar as nascentes do coração, são compromissos morais que ajudam a impedir as fascinações muito agradáveis ao ego.

O médium deve evitar a autopromoção através da faculdade, reconhecer a própria fragilidade e os riscos a que se encontra sujeito, em razão da delicadeza de que se reveste o ministério em que se encontra localizado.

A gratuidade dos labores mediúnicos é de capital relevância, a fim de atrair os Espíritos superiores, que se não subordinam aos favores materiais nem se sentem na obrigação de retribuir à clientela os benefícios monetários ou outros que sejam conferidos ao médium.

Na sua Primeira Epístola, no capítulo IV, versículo 1, adverte João Evangelista: Meus bem-amados, não creiais em qualquer Espírito, experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.

É meritório desconfiar-se sempre dos Espíritos que se apresentam pomposamente, ditando mensagens esdrúxulas e em tons proféticos, ou elogiosos ao círculo no qual se manifestam ou que se recusam e se negam à análise das suas mensagens, apresentando-se como seres inatingíveis... Tais são características de Espíritos que falseiam a verdade.

De igual maneira, cuidar-se para que as comunicações tenham sempre caráter universal e conteúdo moral relevante, evitando detalhes desnecessários nas suas informações, sempre objetivando o bem comum.

A perseverança no trabalho contínuo e sem aplausos, mantendo a simplicidade, tanto material do ambiente como espiritual do servidor, é essencial ao êxito do compromisso abraçado.

Médiuns pomposos são dignos de Espíritos semelhantes, que lhes insuflam a presunção, como se fossem indispensáveis à humanidade, que sempre tem vivido sem a sua presença.

Jesus, o Excelente Filho e Médium de Deus, apagava-se, a fim de que o Pai através dEle se fizesse conhecido, tornando-se-Lhe o Caminho para O encontrar.

A mediunidade, de acordo com o nível de consciência em que o seu portador se encontra, pode apresentar-se como verdadeiro tormento, tornando-se uma provação, mediante a qual o devedor expungirá os delitos do passado. É, portanto, muito natural que nas manifestações iniciais, o fenômeno seja perturbador, assinalado pelas presenças espirituais infelizes e odientas, que geram transtornos de comportamento e facultam estágios de obsessão.

A mediunidade será, então, de prova para o Espírito, que se deve enriquecer de valores morais, para poder saldar os débitos anteriores através da paciência, da conduta correta, da ação da benevolência e da caridade, inclusive em relação àqueles que se comprazem em inquietá-lo.

Noutras vezes, após a cuidadosa terapia espírita, a mediunidade em casos dessa natureza desaparece, porque a sua foi uma finalidade moral de aprimoramento para o indivíduo, e não um instrumento para continuada realização.

Médiuns há desde a infância, que requerem conveniente assistência dos pais, que lhes devem explicar, de maneira própria para o pensamento infantil, o de que se trata e como proceder, para evitar a criação de imagens mentais perturbadoras e fantasias, em vãs tentativas de eliminar os fenômenos, quase sempre inquietantes.

Não é conveniente tentar trabalhar a faculdade mediúnica nesse período da existência, antes, porém, aplicar as terapias fluídicas, especialmente da oração, da água fluidificada e dos passes, bem como do diálogo com os perturbadores desencarnados, obviamente sem a presença do infante, para auxiliá-lo, jamais levando-o a participar de reuniões especializadas em busca de soluções rápidas e improfícuas.

Pode ocorrer o desaparecimento da faculdade, à medida que há o desenvolvimento físico e emocional do paciente, sendo essa fase de ajustamento do ser reencarnante no corpo, em grande parte convivendo simultaneamente no mundo espiritual.

De igual maneira, não é lícito conduzir-se portadores de obsessões às sessões mediúnicas, na expectativa de que, através desse procedimento se torna mais fácil a recuperação do enfermo.

Melhor ter-se em vista que o mesmo necessite da enfermidade para readquirir a paz íntima que ficou ferida no passado. O atendimento deve ser orientado no sentido da sua transformação moral para melhor, com participação nas elucidativas palestras de orientação, conforme o esclarecimento doutrinário, a fim de que bem entenda o que lhe ocorre.

Instrumentalizado pelo conhecimento, de mais hábeis recursos dispõe o obsidiado para a convivência com o seu perseguidor, sua vítima de antes, auxiliando-o no procedimento do perdão e da reconciliação de grandíssima utilidade para ambos os litigantes enfermos.

Seriedade e edificação no trato com a mediunidade constituem elementos básicos para uma existência saudável e uma edificante maneira de atender aos compromissos programados pelos Mentores espirituais.

Sem qualquer tinta de sobrenatural ou mágica, o fenômeno mediúnico tem finalidade superior que não deve ser menosprezada.

O prazer em exercer a faculdade na charrua do bem faculta ao servidor a conquista da simpatia dos Espíritos nobres, que mais o assessoram, porque sabem que podem contar com a sua espontânea cooperação sempre quando for necessária.

Ponte entre o mundo físico e o espiritual, a mediunidade conduzida com responsabilidade proporciona bem-estar, alegria de viver, certeza da imortalidade e antecipada visão daquilo que espera mais tarde o seu possuidor.

Ao relatar as próprias experiências, os Espíritos comunicantes advertem gentilmente, quando explicam o que lhes ocorreu após a desencarnação, maneira feliz de ensinar com sabedoria o que se deve esperar após o portal do túmulo. A desconsideração em torno da mediunidade apresenta vários riscos de natureza emocional, física e psíquica no seu portador.

O conhecimento do Espiritismo dá-lhe direcionamento seguro e estabilidade.

Alta responsabilidade, pois, cabe ao médium no desempenho da tarefa que lhe diz respeito, pela honra de conhecer a realidade da vida, ao conviver nas duas faixas vibratórias do mundo: o espiritual e o material.

Consciente da relevância do compromisso submete-se-lhe com imensa alegria, por saber que o sentido da reencarnação é a conquista da autoiluminação, seguindo os passos do Mestre e Senhor a quem tem a glória de servir.


Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia, em 12.11.2013.