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14 julho 2016

Razão e Sofrimento - Mauro Paiva Fonseca



RAZÃO E SOFRIMENTO

Dentre as leis morais a que as criaturas inevitavelmente estão sujeitas, destacaremos, para apoio de nosso raciocínio, a Lei do Progresso. Em cumprimento a seus impositivos, o determinismo Divino nos impulsiona, obrigando-nos a progredir.

Como todas as demais, também esta lei possui, entre seus atributos, o automatismo. A ninguém a Divina Sabedoria outorga prerrogativas de cobrança do esforço evolutivo, porque a evolução será sempre inevitável. Assim, a involução é apenas uma palavra sem sentido porque, em realidade, jamais o Espírito retrocede em seu caminho ascensional. A velocidade com que cada criatura progride é infinitamente variável, já que ela estará sujeita também a um número igualmente infinito de fatores e circunstâncias.

Se é verdade que ninguém “involui”, não é menos verdade que a estagnação pode ocorrer quando alguém, acomodado ao estágio em que se encontra, se negue ao esforço de conquista e prática dos atributos libertadores colocados à sua disposição.

Referindo-nos aos seres humanos em geral, será necessário reconhecer que somos situados na vida, conforme o estágio em que nos encontramos, na posição determinada pelas necessidades que trazemos, implícitas em a natureza espiritual que nos caracterize.

Claro que o estado de inatividade evolutiva não será indefinido, pois o determinismo Divino nos aponta o rumo da perfeição como meta a alcançar; entretanto, quando nos confiamos ao ócio, à negligência, à indiferença ou à rebeldia, repetindo erros e crimes, entra em ação o automatismo da lei com a terapia de choque. É o remédio amargo representado pelo sofrimento e a dor a que nos condicionamos ao rejeitar todos os argumentos da lógica, do direito, do bom senso e da razão. Deus não pune nem castiga ninguém; entretanto, deu-nos a consciência para podermos diferenciar o bem do mal, o certo do errado. Deste modo, ninguém é culpado por nossos padecimentos, senão nós próprios, quando violamos as leis inflexíveis que governam a vida. 

Os fatos que ocorrem, trazendo-nos padecimentos de variada natureza, na realidade são recursos utilizados pela Lei de Justiça a fim de repararmos os desequilíbrios criados em nossa existência, visando restabelecer o equilíbrio perdido. Para que não paire dúvida quando à conduta a adotar na vida de relação com os semelhantes, Jesus estabeleceu o princípio acessível a todo e qualquer entendimento, sentenciando: Não façais aos outros o que não quiserdes que vos façam […]”.


Autor (a): Mauro Paiva Fonseca

Reformador (Revista de Espiritismo Cristão) – Editora FEB (Federação Espírita Brasileira) – Ano: 127 – Edição nº: 2.163 – Página: 13 – Rio de Janeiro – Junho/2009.

KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Editora FEB (Federação Espírita Brasileira) – Edição nº 127 – Capítulo nº II – Item nº 9 – Rio de Janeiro/2007.

22 dezembro 2014

Aspecto da Vida dos Recém-Desencarnados - Mauro Paiva Fonseca



ASPECTO DA VIDA DOS RECÉM-DESENCARNADOS

Através das instruções de pesquisadores, dos conhecimentos hauridos em diálogos com Espíritos desencarnados, que já alcançaram certo grau de independência e evolução, e da vivência freqüente com Espíritos enfermos nas sessões mediúnicas de tratamento, podemos afirmar a existência de um princípio geral, que orienta a situação do Espírito, após seu retorno ao plano extrafísico: ao deixar a vida material, gravita automaticamente para a posição que lhe seja peculiar.

Evidentemente, o tempo em que isto ocorre é extremamente variável, dependendo dos fatores que influenciaram a desencarnação, do móvel moral/intelectual conquistado durante a experiência terrena que acabou de deixar, e do acervo remanescente das existências anteriores, referentes ao comprometimento com o automatismo da lei de causa e efeito.

A situação em que a alma se encontrará não lhe acrescentará nada, nem em poder, nem em conhecimento, nem em liberdade, além do que já possua. Apenas certa agudez de percepção lhe fará sentir-se diferente da condição anterior de encarnada.

A invisibilidade e a intangibilidade serão as características comuns a todos os desencarnados, com relação aos que deixaram na retaguarda, passando a perceber, com nitidez, os também desencarnados que estejam na sua situação evolutiva, ou abaixo dela.

Quanto aos Espíritos de grau superior, somente são vistos ou percebidos, se assim o desejarem.

O abalo da desencarnação, em muitos casos, não deixa o Espírito perceber a realidade da própria situação, isto é, não acredita que morreu tal a identidade entre a aparência do corpo físico e a do espiritual, que é semelhante.

Como no mundo espiritual “o pensamento é tudo”, o Espírito reforça a realidade físico-espiritual em que se encontra, consolidando a forma ideoplástica do próprio aspecto com que se sente exteriorizar na nova situação.

À vontade, que é a força modeladora do pensamento, dependendo de sua intensidade, promoverá a consecução dos objetivos que o Espírito pretenda alcançar. O retorno ao reduto doméstico, por exemplo, algumas vezes é conseguido pelo anseio forte que o desencarnado demonstre, embora ele não perceba como o conseguiu. O que o desencarnante leva consigo, da vida material para a espiritual? – Apenas as conquistas do intelecto e as realizações, boas ou más, no campo moral! O pensamento, sendo a força por excelência na vida extrafísica, aqueles que se mantenham preocupados com os assuntos e bens da vida material recém-abandonada conservam-se presos a eles, o que lhes dificulta sobremaneira a ascensão a patamares espirituais mais elevados.

Uma expressiva quantidade de recém-libertos do corpo se compraz em manter-se ligada às sensações da vida física, na ilusão de que assim prolongariam a condição de “vivos”. Para conseguir tais sensações, alimentam-se das energias sugadas dos encarnados, que se lhes assemelham moral e intelectualmente.

Esses encarnados funcionam como “pontes vivas”. Os que se viciaram no álcool, nas drogas ou nos desvios da sensualidade conseguem justapor-se aos seus “hospedeiros”, sugando-lhes as energias encharcadas daquele estado vibratório que os satisfaz.

Há pessoas que se espantam ao saberem que o vampirismo é uma realidade; entretanto, nada há nisso de anormal. A permuta de energias é um acontecimento lógico, já que as duas mentes participantes objetivam o mesmo resultado!

É um erro muito generalizado às pessoas começarem a fazer pedidos de ajuda e proteção aos recém-desencarnados, como se somente o fato de haverem deixado a vida material lhes acrescentasse poderes que nunca possuíram.

Na grande maioria das desencarnações, os Espíritos não têm condição de resolver ao menos os problemas imediatos surgidos com a nova situação. As necessidades materiais continuam presentes, até que a sublimação da alma se complete.

O períspirito, que é o plano organogênico do corpo físico, mantém íntegros todos os sistemas do corpo somático; órgãos, vísceras e tecidos têm suas formações, partindo desse plano. (*)

Assim, ao desencarnar, os órgãos permanecem existindo no corpo espiritual, arrastando consigo as necessidades próprias de cada um. Com a natural evolução da alma, a satisfação das necessidades exigidas por eles vai desaparecendo, com tempo muito variável, de um Espírito para outro, até extinguir-se, já que o Espírito se mantém com outros recursos de alimentação energética, como a respiração e a absorção pranaiama.

Os desencarnados que fazem a passagem em elevado estado de debilidade são recolhidos a hospitais espirituais existentes nas regiões próximas à Crosta, onde são tratados quase como se encarnados fossem, e alimentados normalmente com caldos, sucos, etc. Na verdade, a necessidade desses recursos existe mais por causa do estado mental dos pacientes do que por exigência do corpo espiritual.

Não é imediatamente que o Espírito se liberta da escravidão dos sentidos. Somente à proporção que o domínio mental se vai ampliando e intensificando é que ele vai se inteirando da nova realidade, e eles, os sentidos, irão deixando de atuar como necessidade imperiosa.

(*) Ver O consolador, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco C. Xavier. Ed. FEB, pergunta no 30.


Mauro Paiva Fonseca
Extraído da Revista Reformador, Dezembro/2006, p36-37.