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18 setembro 2013

Dever Paterno - Vinícius

 

DEVER PATERNO

Duas verdades muito simples devem estar presentes na imaginação dos pais: de um saco vazio nada podemos tirar; de um terreno inculto, abandonado, nenhum bom grão podemos colher.

Estas duas asserções, banais em aparência, naturalmente servirão para lhes trazer à mente um fato de suma importância: a educação dos filhos.

Sim, se eles descurarem o cumprimento deste dever, chegará o dia em que debalde procurarão obter alguma coisa dos filhos. Estes lhe darão o que se pode tirar de um saco vazio ou aquilo que se pode colher de um terreno abandonado.

A autoridade paterna, elemento indispensável na orientação e direção da mocidade, não surge do vácuo nas ocasiões prementes das grandes necessidades, dos lances aflitivos em que ela é reclamada. Se essa autoridade existe,, apresenta-se, impõe-se, age, luta e consegue. Se não existe, é escusado apelar-se para ela, no paroxismo de qualquer aflição. A autoridade paterna se desenvolve paulatinamente, como fruto da educação que os pais dão aos filhos, quando essa educação se funda na base sólida de exemplos dignos e elevados. Ela se desenvolve e frutifica como as plantas de valor. Pretendê-las num dado momento, como façanha de prestidigitador, é ilusão que nenhum pai sensato deve alimentar.

Há exemplos, não contestados, de filhos bons e dignos, à revolta da influência doméstica, e outros que são maus, a despeito dos desvelos paternos; porém tais casos são exceções que não anulam a regra e, menos ainda, os deveres dos pais, no que concerne à formação do caráter de seus filhos.

Sabemos que nossos filhos são espíritos reencarnados, os quais semelhantemente ao vento, segundo disse Jesus ninguém sabe donde vêm. É possível que sejam espíritos de sentimento e moral elevados; assim sendo, não nos darão maior trabalho: é a exceção. Caso contrário, como é de regra, trarão consigo defeitos, vícios e paixões, para cujo extermínio cumpre providenciarmos, empenhando, todos os meios ao nosso alcance. E isto se obtém, ministrando a educação cristã, firmada sobre os alicerces de exemplificações acordes com aquela doutrina.

Educar é salvar. O Espiritismo é a religião da educação. Não há lugar para superstições, na trama urdida pelos postulados cristãos que o Espiritismo veio restaurar em toda a sua verdade.

Eduquemo-nos, pois, e eduquemos nossos filhos. Um mau chefe de família nunca pode ser um bom espírita.


De “Na Escola do Mestre”, de Vinícius*
Pseudônimo de Pedro de Camargo
 

19 maio 2012

As Gerações Futuras - Vinícius


As Gerações Futuras

As gerações futuras não serão diferentes da presente, com todos os seus defeitos e prejuízos de ordem moral, se não tratarmos da educação da infância e da juventude; dessa juventude que será a sociedade de amanhã.

Jesus disse que não se põe remendo de pano novo em roupa velha, por isso que a rasgadura se tornará maior. E, igualmente, não se põe vinho novo em odres velhos, porque estes não resistem à sua fermentação, e se rompem.

É claro que o Excelso Mestre se refere, nesta alegoria, à natureza do ideal que propagava, do qual era a viva encarnação. Esse ideal novo, reformador, quase revolucionário, revestido pela Terceira Revelação, deve ser anunciado, de preferência à juventude, às crianças, porquanto estes elementos representam a terra virgem, aberta à boa sementeira. Semear no meio de abrolhos e semear em terreno isentam de ervas daninhas hão de dar resultados bem diversos.

As messes, de uma e de outra, dessas culturas, serão, por certo, distintas, dizendo por si mesmas qual delas é a mais vantajosa.

E, meus amigos, até agora, não temos feito outra coisa senão semear no meio de cardos, remendar roupa velha com pano novo e deitar o vinho espumante da vindima espírita em odres carunchentos, incapazes de suportarem a sua fermentação.

Educar é salvar, é remir, é libertar; é desenvolver os poderes ocultos, mergulhados nas profundezas das nossas almas.

A diferença entre um sábio e um ignorante; entre o bom e o mau; o santo e o criminoso; o justo e o ímpio - nada mais é que o efeito da educação. Entre aquelas que edificam e aqueles que destroem; entre os que tiram a vida do seu próximo levando por toda parte a desolação e a ruína e aqueles que dão a vida própria a prol do bem da coletividade, verifica-se, apenas uma dessemelhança: educação - na sua acepção verdadeira, que significa o harmônico desenvolvimento das faculdades espirituais. Os homens são todos iguais. A diferença entre eles não é de essência, mas de grau evolutivo determinado pela educação.

Conta-se que Licurgo, célebre orador ateniense, fora, certa ocasião, convidado para falar sobre a Educação. Aceitou o convite, sob a condição de lhe concederem três meses de prazo. Findo esse tempo, apresentou-se perante numerosa e seleta assembleia, que aguardava, ávida de curiosidade, a palavra do consagrado tribuno.

Licurgo apareceu, então, trazendo consigo dois cães e duas lebres. Soltou o primeiro mastim e uma das lebres. A cena foi chocante e bárbara. O cão avança furioso sobre a lebre e a despedaça. Soltou, em seguida, o segundo cachorro e a outra lebre. Aquele pôs-se a brincar com esta amistosamente. Ambos os animais corriam de um para outro lado, encontrando-se aqui e acolá para se afagarem mutuamente.

Ergue-se, então, Licurgo na tribuna e conclui, dirigindo-se ao seleto auditório:

"Eis aí o que é a educação. O primeiro cão é da mesma raça e idade que o segundo. Foi tratado e alimentado em idênticas condições. A diferença entre eles, é que um foi educado, e o outro não."

O objetivo máximo do Espiritismo é precisamente esse: educar para salvar. Iluminar o interior dos homens para libertar a Humanidade de todas as formas de selvajaria; de todas as modalidades de crueza e de impiedade; e de todas as atitudes e gestos de rivalidade feroz e deselegância moral. Esta conquista diz respeito ao sentimento, ao senso religioso, que os homens do século perderam, ou melhor, que jamais chegaram a possuir.

De "O Mestre na educação"
De Vinícius (Pedro Camargo)

20 junho 2011

Seja Feita a Tua Vontade - Vinícus


SEJA FEITA A TUA VONTADE

Dentre as sentenças de que se compõe o “Pai Nosso” encontramos a seguinte: Seja feita a tua vontade, assim na Terra como no Céu.

Certamente que a vontade de Deus é soberana. A onipotência é um dos atributos da Divindade. Se assim não fora, não haveria, como há, perfeita ordem no universo, sob todos os aspectos. Haja vista a marcha ininterrupta dos mundos e dos sóis, girando, constantemente, dentro das suas respectivas órbitas.

Não consta dos anais da história que houvesse uma colisão entre as imensas moles que gravitam nas regiões etéreas. Os veículos se chocam na terra, no mar e até no espaço infinito. As colisões de automóveis, de vapores e de aviões são, mais ou menos, comuns, a despeito de todos os cuidados e de todas as precauções imaginadas para evitá-las. A razão é simples: os volantes e os lemes são dirigidos pelas mãos dos homens, enquanto que os astros obedecem ao impulso seguro e certo do Divino Timoneiro. Daí a harmonia imperturbável que reina entre os infinitos sóis e as incontáveis “moradas da casa do Pai”. A interdependência em que se encontram os corpos celestes constitui a segurança do inalterável equilíbrio universal.

Da mesma sorte, uma lei semelhante estabelece uma outra harmonia mais excelente: a harmonia da justiça, distribuindo a cada um aquilo que de direito lhe cabe, consoante o emprego que tem dado às suas faculdades, na órbita do respectivo livre-arbítrio já conquistado. Assim, pois, tanto no plano físico, como no espiritual, prevalece a soberania divina, pairando sobre as paixões e as veleidades humanas.

Não obstante, o Mestre nos ensina a orar, dizendo: Seja feita a tua vontade, assim na Terra como no Céu. Diante da onipotência de Deus, que significam essas palavras? Por elas aprendemos que, para felicidade nossa, cumpre subordinarmos a nossa vontade à vontade do Pai celestial. Só assim conseguiremos estabelecer a harmonia interna, tal como já está, pelas forças naturais, estabelecida a harmonia dos mundos e dos astros. Harmonia é equilíbrio e equilíbrio é felicidade, é vida eterna.

No uso da relativa liberdade que desfrutamos, podemos alimentar uma vontade que se contrapõe à vontade d’Aquele que criou e mantém a mecânica celeste. É do seu mesmo “querer” que assim seja. A criatura pode agir, dentro de determinados limites, em contradição com o Criador. Desse proceder, porém, resulta uma desarmonia cujo efeito é a dor. Esta cessará, desde que se restabeleça o ritmo desfeito no interior das almas. Tal o motivo porque o sábio Mestre nos aconselha a harmonizarmos nossa vontade com a vontade de Deus. Infelizmente, o homem se esquece dessa advertência, procurando, debalde, fazer com que a sua vontade prevaleça. Ele acha que está com a razão em todas as conjunturas em que se encontre. Contraria-se e sofre, sempre que não consegue realizar os seus planos, os quais se lhe afiguram os melhores e os mais acertados. Certos acontecimentos, que com ele se dão, lhe parecem verdadeiramente injustos. O homem não pode alcançar o “porquê” desses casos. Por vezes se revolta, agravando a situação penosa em que se envolve.

Há, pois, sobejas razões para que nos submetamos de “motu próprio” à vontade divina. Essa vontade é a que nos convém porque satisfaz e assegura, no que vemos e no que não vemos, no que compreendemos e no que não compreendemos, a nossa felicidade.

A onipotência e a onisciência de Deus estão a serviço do seu infinito amor. Nós somos o objeto desse amor. Confiemos, portanto, e digamos sempre, em todas as emergências da nossa vida: Seja feita a tua vontade, Senhor, assim na terra como no céu!

Do livro “Na Escola do Mestre”
De Vinícius (Pedro de Camargo)

17 novembro 2010

Pecado Sem Perdão - Vinícius

PECADO SEM PERDÃO

"Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas o pecado contra o Espírito Santo não lhes será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro."

Das palavras acima transcritas, outrora dirigidas por Jesus aos fariseus, concluímos que existem duas categorias de pecados: uma que faz jus a perdão, outra que não o faz.

Vejamos como distingui-las.

Que é pecado? - Pecado é toda infração à Lei de Deus. Essa Lei é perfeita, é integral; abrange a verdade em sua plenitude, a suprema razão, a infinita justiça.

O homem, ser relativo, não é passível de culpa pelas infrações da Lei senão daquela parte que conhece. Sua responsabilidade é medida pela extensão exata do saber adquirido. "A quem muito tem sido dado, muito será pedido."

Todo pecado, cometido na ignorância da Lei, será, portanto, perdoado ao homem.

Toda a falta, porém, praticada com conhecimento de causa, constitui pecado sem perdão.

Estará, então, o pecador irremediavelmente perdido consoante o dogma das penas eternas? De modo algum - Pecado que não tem perdão é pecado que deve ser reparado, e dívida contraída cujo pagamento será exigido. Está visto que, uma vez pago o derradeiro ceitil, o devedor ficará isento de ônus.

Porque classifica Jesus tal pecado como praticado contra o Espírito Santo?

Porque importa em atos reprovados pela consciência. Não nos referimos à consciência na acepção psicológica, porém, no seu sentido moral, esse testemunho íntimo ou julgamento sobre nossas próprias ações e pensamentos por mais secretos que sejam. Através dessa faculdade de nossa alma é que se refletem os raios da soberana justiça. A Lei manifesta-se ali palpitante e viva, dilatando os horizontes de nossa liberdade espiritual, e, ao mesmo tempo, aumentando nossa responsabilidade.

"Aos Espíritos do Senhor, que são as virtudes do Céu", compete agir sobre as consciências, despertando-as para o conhecimento da verdadeira vida. Toda vez, pois, que o homem recalcitra contra a influência dos mensageiros celestes, peca contra o Espírito Santo, visto como peca contra a luz de sua própria consciência. Semelhante culpa não tem perdão; exige reparação, quer neste mundo, quer no vindouro.

Criamos, por conseguinte, em nós mesmos, nosso céu ou nosso Hades.
Gravamos em nosso astral, em caracteres indeléveis, toda a história de nossa vida através das múltiplas existências transcorridas, aqui ou além. Nossa responsabilidade é rigorosa e escrupulosamente aquilatada pela Lei, segundo o nosso grau de adiantamento intelectual e moral. A Lei é uma força viva que se identifica conosco e vai acompanhando o surto de evolução que ela mesma imprime em nosso espírito. É insofismável em seus juízos, é inalienável em suas conseqüências.

De “Nas pegadas do Mestre”
De Vinicius (Pedro de Camargo)