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26 maio 2022

O sono e os sonhos - Rogério Miguez


O SONO E OS SONHOS

O sono e os sonhos são um tema interessantíssimo para todos nós, pois nos recolhemos diariamente em sono. Sempre encontramos pessoas desejosas em saber: Por qual razão ou objetivo dormimos? Há benefícios a serem obtidos? Quais são as atividades do Espírito durante o período de sono?

O tema não poderia ter sido deixado à margem por Allan Kardec, afinal dormimos aproximadamente um terço de nossas vidas, é muito tempo para não se saber em quais atividades, se houver, estamos envolvidos.

Como o assunto é vasto, nos restringiremos nesta análise a principalmente destacar benefícios para o Espírito passíveis de serem obtidos durante uma noite de sono, apontando também a razão e o objetivo do mesmo, considerando apenas a primeira obra básica – O Livro dos Espíritos – em uma análise não exaustiva:

402. Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono?

“Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potencialidade e pode pôr-se em comunicação com os demais Espíritos, quer deste mundo, quer do outro. […] Esses Espíritos, quando dormem, vão para junto dos seres que lhes são superiores. Com estes viajam, conversam e se instruem. Trabalham mesmo em obras que se lhes deparam concluídas, quando volvem, morrendo na Terra, ao mundo espiritual. […] Isto, pelo que concerne aos Espíritos elevados. Pelo que respeita ao grande número de homens que, morrendo, têm que passar longas horas na perturbação, na incerteza de que tantos já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, ou a mundos inferiores à Terra, onde os chamam velhas afeições, ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui tanto se deleitam. (1) (Negritamos)

Conforme resposta à pergunta 402, observam-se algumas possíveis atividades nos destaques em negrito e também teríamos os seguintes benefícios:

1. Lembrar-se do passado e eventualmente prever o futuro;
2. Colocar-se em comunicação com outros Espíritos, para viajar, conversar, se instruir;
3. Trabalhar em obras no plano espiritual;
 
Mais à frente, encontramos outras vantagens propiciadas durante o intervalo de sono:

410. Dá-se também que, durante o sono, ou quando nos achamos apenas ligeiramente adormecidos, acodem-nos ideias que nos parecem excelentes e que se nos apagam da memória, apesar dos esforços que façamos para retê-las. Donde vêm essas ideias?

“Provêm da liberdade do Espírito que se emancipa e que, emancipado, goza de suas faculdades com maior amplitude. Também são, frequentemente, conselhos que outros Espíritos dão.” (1) (Negritamos)

4. Novas e boas ideias nos surgem, devido à percepção aumentada oriunda da emancipação do Espírito se distanciando provisoriamente da matéria, ou seja, do corpo, que o abafa.
5. Receber conselhos, por exemplo, dos guias espirituais;
 
E na pergunta seguinte:

411. Estando desprendido da matéria e atuando como Espírito, sabe o Espírito encarnado qual será a época de sua morte?

“Acontece pressenti-la. Também sucede ter plena consciência dessa época, o que dá lugar a que, em estado de vigília, tenha a intuição do fato. Por isso é que algumas pessoas preveem com grande exatidão a data em que virão a morrer.”(1) (Negritamos)

Poderíamos questionar qual seria o proveito recebido por um Espírito ao tomar conhecimento de quando vai morrer. Conhecedores de que nosso fim está próximo, podemos acelerar providências em relação a um possível testamento, talvez dividindo os bens possuídos ainda em vida, desta forma, evitaríamos dissabores futuros em família, assim sendo, enumeremos mais este benefício:

6. Conhecer ou ter o pressentimento do dia da desencarnação;

Avançando um pouco mais, encontra-se:

414. Podem duas pessoas que se conhecem visitar-se durante o sono?

“Certo e muitos que julgam não se conhecerem costumam reunir-se e falar-se. Podes ter, sem que o suspeites, amigos em outro país. É tão habitual o fato de irdes encontrar-vos, durante o sono, com amigos e parentes, com os que conheceis e que vos podem ser úteis, que quase todas as noites fazeis essas visitas.” (1) (Negritamos)

Aqui se destaca a possibilidade de rever amigos e parentes, assim:

7. Encontrar parentes e amigos que podem nos auxiliar, com avisos, por exemplo, e mais: Quem não deseja estes encontros?

Ainda há outras novidades:

417. Podem Espíritos encarnados reunir-se em certo número e formar assembleias?

“Sem dúvida alguma. Os laços, antigos ou recentes, da amizade costumam reunir desse modo diversos Espíritos, que se sentem felizes de estar juntos.” (1) (Negritamos)

Quem não aspira reencontrar amigos, antigos e recentes, para em conjunto conversar sobre o desenrolar da vida e sobre o futuro que nos aguarda?

8. Interagir com grupos de amigos encarnados para fortalecimento e renovação pessoal.

Entretanto, há mais:

419. Que é o que dá causa a que uma ideia, a de uma descoberta, por exemplo, surja em muitos pontos ao mesmo tempo?

“Já dissemos que durante o sono os Espíritos se comunicam entre si. Ora bem! Quando se dá o despertar, o Espírito se lembra do que aprendeu e o homem julga ser isso um invento de sua autoria. Assim é que muitos podem simultaneamente descobrir a mesma coisa. […] Todos, sem o suspeitarem, contribuem para propagá-la.” (1) (Negritamos)

9. Promover o progresso da humanidade.

Para não nos alongarmos em demasia, destacaremos esta última informação:

425. O sonambulismo natural tem alguma relação com os sonhos? Como explicá-lo?

[…] “Esse estado se apresenta principalmente durante o sono, ocasião em que o Espírito pode abandonar provisoriamente o corpo, por se encontrar este gozando do repouso indispensável à matéria.” […] (1) (Negritamos)

Permitir o descanso necessário ao corpo humano, ferramenta fundamental para promover a evolução de todos nós.

Poderíamos continuar a listar outras vantagens advindas do sono, definidas em outras obras fundamentais, contudo, cremos que as já apontadas nos dão uma boa noção da dimensão e da importância do período de sono e de como são sábias as leis divinas.

Rogério Miguez
Fonte:
Agenda Espírita Brasil

Referência:
 
(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro


04 maio 2022

Arma, para que te quero? - Rogério Miguez

 
ARMA, PARA QUE TE QUERO?

Considerável parcela da população brasileira assiste estarrecida a consolidação de proposta direcionada a armar o cidadão para que este, por não contar com a segurança adequada que deveria ser proporcionada pelas instituições responsáveis, defenda-se por si mesmo a qualquer preço dos muitos perigos rondando o cotidiano, mesmo à custa da morte do agressor.

Ventos estranhos sopram neste início do século XXI na Terra do Cruzeiro.

Há uma expectativa imensa da Humanidade por uma convivência mais pacífica considerando a existência de tantas guerras e conflitos registrados em nossa história, e de tantos atritos ainda hoje existentes entre nações com o potencial de levar à destruição total do planeta Terra.

A história não consegue registrar um período sem que ao menos duas nações ou civilizações estivessem digladiando-se, por motivos torpes, alguns mesmo banais, agravando sobremaneira o quadro imenso de dívidas morais para os seus fomentadores e participantes, consequentemente, sedimentando o terreno para futuras e atrozes expiações para os envolvidos, considerando esta parcela da Humanidade Universal.

Quando teremos um pouco de paz, perguntamo-nos apreensivos?

Acordar e saber que podemos seguir as nossas vidas sem nos preocuparmos com as bombas atômicas, os mísseis balísticos, as armas futuristas que dispensam a presença física dos soldados no seu manuseio, pois são teleguiadas. Os arsenais militares aumentam a cada dia, a indústria bélica se robustece incorporando estoques de armamentos de todos os tipos, são cada vez maiores os percentuais de recursos financeiros alocados para o armamento e a suposta defesa das nações, já se fala no retorno da guerra fria quando a Humanidade vivia sob o pavor de ser aniquilada instantaneamente após o pressionar de apenas alguns botões, do leste e do oeste.

E neste cenário belicoso da atualidade, como se não bastasse tanta violência e insensatez, tamanho desregramento moral e ético, somos obrigados a conviver com mais uma corrida às armas, não por países do hemisfério norte, muito menos por nações do oriente, mas, pasmem, dentro das fronteiras da nossa própria pátria, em uma busca desenfreada e absurda para tentar garantir a paz e segurança tão desejadas.

Seria isto mesmo? Estaríamos vivendo um pesadelo, um sonho ruim, uma indisposição momentânea? Infelizmente não, é a pura realidade!

As armas batem às nossas portas com insistência, divulgadas e encaminhadas por administradores despreparados, ignorantes e imprudentes, contudo, há muitas razões para não receber estas visitantes indesejadas. Entre tantas considerações sobre esta despropositada proposta, destacamos algumas para nossa reflexão:
  • Não compro uma arma visto que não quero fazer ao próximo o que não gostaria que me fosse feito, princípio basilar da boa convivência em sociedade apresentado há milênios.
  • É extremamente perigoso manter uma arma em casa, uma criança pode encontrá-la e um fim trágico pode suceder.
  • Alguns diriam ainda bem que não possuem dinheiro. Sim, pois a proposta é para os ricos, os abastados, os pobres jamais poderão comprar legalmente uma arma. Seria este um indicativo de que os ricos são os que instintivamente mais temem os perigos da sociedade desarvorada em que vivemos em função de seus muitos “pecados”, por isto desejam armar-se?
  • Neste particular caso ainda é preciso ajuizar: mesmo possuindo o valor necessário para a aquisição de uma arma, jamais deveríamos fazê-lo.
  • Outros sabiamente diriam: Não quero fazer justiça com as próprias mãos, pois creio não existir o acaso no ordenamento divino, cabendo a Deus e as leis humanas a aplicação das penas ou punições cabíveis.
  • Uns mais ilustrados nos princípios espíritas poderiam asseverar: espero nesta existência não matar mais ninguém, tendo em conta que no passado muitos de nós já tiramos a vida de outros tantos.
  • Finalmente, lembremos que somos cristãos e Jesus jamais recomendaria que um cristão se armasse para se defender. Veja-se o exemplo de Pedro, quando o próprio Cristo lhe disse para embainhar a espada.
Se perguntássemos aos espíritas se gostariam de se armar para supostamente garantir a paz e a segurança própria e de seus familiares, a grande maioria certamente diria não, porquanto conhecem a advertência de André Luiz (1): Esquivar-se do uso de armas homicidas, bem como do hábito de menosprezar o tempo com defesas pessoais, seja qual for o processo em que se exprimam. O servidor fiel da Doutrina possui, na consciência tranquila, a fortaleza inatacável.

Sim! A consciência tranquila é a nossa base, o nosso esteio de tranquilidade, o baluarte maior, a fonte inesgotável de paz, mas, a paz do Cristo. Se nada tememos interiormente, nada precisamos recear oriundo do exterior.

Desta forma, não façamos apologia ao armamento da população, muito pelo contrário, lembremos sempre do Cristo nestas horas incertas, o nosso modelo e guia, exemplo maior de pacificação, cordura e misericórdia, além disso, Deus não deseja a morte do pecador, mas sim do pecado.

Não se combate violência com violência, pois violência gera sempre mais violência!

Rogério Miguez
Fonte:
Agenda Espírita Brasil

Referências:

(1) VIEIRA, Waldo. Conduta espírita. Pelo Espírito André Luiz. 32. ed. 6. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 18 – Perante nós mesmos.

06 abril 2022

“Receita” para lidar com a obsessão - Rogério Miguez

 
"RECEITA" PARA LIDAR COM A OBSESSÃO

Práticas realizadas por quem afirma ter ligação com forças superiores, ou divinas, visando a nossa melhoria espiritual, ou mesmo material, são tão antigas quanto a nossa História.

Curandeiros, gurus, bruxos, benzedeiras, e tantos outros, sempre se colocaram a nosso alcance para libertar-nos de fluidos e entidades que estariam nos prejudicando, lançando mão de rezas particulares, mandingas e simpatias. Alguns o fazem gratuitamente, outros nem tanto.

Particularmente em nosso país esta conduta é bem popular, haja vista a quantidade imensa de cartazes fixados em postes ao longo das ruas e avenidas prometendo afastar os chamados encostos, entidades “responsáveis” por todo o nosso infortúnio nos dias presentes – como se não tivéssemos nenhuma responsabilidade sobre o andamento de nossas particulares vidas.

Sabe-se que estes alegados “sensitivos’ prometem mais do que isto, pois afirmam categóricos, ser capazes de trazer a pessoa amada de volta; curar doenças de variada ordem; alguns chegam mesmo a prometer riquezas, prêmios de loterias, ou seja, tudo aquilo que interessa de perto os sofridos integrantes de nossa sociedade predominantemente materialista.

Este mecanismo se fortalece na medida da existência de intensa procura de numerosos desavisados, aceitando magos e feiticeiros que se apresentam como salvadores e possível solução de nossas variadas mazelas.

Considerando apenas a questão do encosto, ou melhor, obsessor – visto basicamente segundo a Doutrina dos Imortais como um processo de assédio por parte de Espíritos desencarnados e ainda desorientados –, o Espiritismo possui um leque de opções de fácil implementação com o poder de atenuar ou mesmo desfazer estes processos, grassando indiscriminadamente não apenas em nossa sociedade, bem como em toda a humanidade.

Lembrando uma vez mais, pois estas definições sobre o que seria a obsessão estão amplamente disseminadas na literatura espírita, basta procurar para ler e entender. Entretanto, para facilitar, retiramos duas oportunas definições formuladas por Allan Kardec sobre esta verdadeira epidemia invisível:

Domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticado senão por Espíritos inferiores que procuram dominar o obsediado.(1) Ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. (2)

E quem seriam estes Espíritos buscando importunar-nos? Nada mais do que Espíritos que já “morreram”, mas continuam inquestionavelmente vivos. E por qual razão procedem desta forma? Há diversas causas, as mais comuns são: vingança, manutenção de vícios diversos (drogas, fumo, álcool, sexo), o simples prazer de fazer o mau, todas evidentemente causas passageiras e lastreadas na ignorância das leis de Deus por quem não soube viver sob princípios morais e éticos, não se preparando desta forma para “morrer”.

O capítulo da obsessão é oceânico, não cabendo nesta brevíssima análise explicitar todas as suas nuances, entretanto, o que mais nos importa no momento seria sugerir algumas orientações básicas para preveni-la, e, quando já instalada, como proceder:

1. Ocupar a mente é de fundamental importância, porquanto, já foi dito: “em cabeça vazia o diabo faz tricô”. Há uma variante afirmando também: “cabeça vazia oficina do diabo”, ambas se equivalem. E é a mais pura verdade, pois, sem objetivos nobres, pensando continuamente em viver fora dos padrões saudáveis pautados pelos princípios divinos, atraímos as entidades desorientadas que enxameiam a atmosfera próxima da Terra. E como podemos ocupar a mente com utilidade? Lendo e estudando, óbvio, textos edificantes que nos tragam conceitos nobres. Outra ótima sugestão seria abandonar definitivamente as opções televisivas de baixo nível moral e ético que dominam o cotidiano de nossas emissoras, particularmente no chamado horário “nobre”.

2. Práticas salutares tais como: ioga, meditação, exercícios físicos moderados (caminhadas), aprendizado de uma arte (carpintaria, pintura, música…), representam também boas opções ao alcance da maioria.

3. Cultivo de virtudes, ou seja, ser mais: paciente, cordato, misericordioso, brando. Todas as superiores qualidades devem ser buscadas continuamente, de forma a modificar a nossa personalidade propiciando um viver mais harmônico com todos os que nos cercam e procurando fechar, desta forma, as muitas portas que se abrem quando assim não procedemos, e que permitem o ingresso de possíveis assédios de entidades obsessoras.

4. Frequência às casas espíritas, ou correlatas de outras religiões, situa-se também como boa escolha e, de preferência, não apenas frequentar, mas trabalhar, envolver-se, participar de grupos de estudo, ou seja, se integrar produtivamente às agremiações religiosas, em vez de procurá-las apenas para obter passes, hóstias, bênçãos, e ao sair continuar agindo e pensando como sempre o fez.

5. Orar, e muito, com fé e sinceridade no coração, lembrando-se de jamais maldizer os possíveis obsessores a assediar-nos, visto que, se o fazem, é porque encontram falhas morais em nosso modo de vida. Por outro lado, viabilizam também a vivência de nossas expiações e resgates, afinal, reencarnar em mundo de provas e expiações tem as suas justificativas.

Como se denota, esta “receita” não solicita nenhum ingrediente absurdo. São despretensiosos temperos, condimentos de fácil acesso, que podemos usar em nossas vidas. Solicitam-nos, contudo, empenho, força de vontade para bem preparar esta alimentação que nos dará forças e condições de suportar as muitas tentativas de obsessão, possibilitando-nos não ceder aos apelos dos Espíritos temporariamente desequilibrados.

Adquirindo o hábito desta dieta saudável, para a nossa mente e corpo, nos tornamos resistentes às propostas destoantes que a espiritualidade perturbada nos apresenta regularmente.


Rogério Miguez
Fonte:
Agenda Espírita Brasil

Referências:

(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 80. ed. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2012. cap. 23 item 237; e

(2) KARDEC, Allan, O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 130. ed. 2reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2012. cap. 25, item 81.


24 agosto 2021

Determinismo e Livre-arbítrio - Rogério Miguez


DETERMINISMO E LIVRE-ARBÍTRIO

"Então veio a mim a palavra do Senhor: […] No momento em que eu falar acerca de uma nação, ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, se a tal nação se converter da maldade contra a qual eu falei, tambem eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe.

E no momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino, para o edificar e plantar, se ela fizer o que é mal perante mim, e nao der ouvidos à minha voz, então me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria." (Jeremias, 18:7 a 10).

* * *

Tanto o futuro do homem quanto, especialmente, o da Humanidade estão criptografados nas profecias de origem divina, contidas na Bíblia Sagrada e proferidas por Jesus e seus emissários, os profetas. Algumas são de cunho determinístico e terão fatalmente que se realizar, como o declarou o Cristo em Mateus, 5:17 e 18, enquanto o cumprimento ou não de outras, como visto na epígrafe, está subordinado ao procedimento coletivo do ser humano, no emprego inviolável de seu livre-arbítrio.

Para o escritor Grove Wilson (1883-1954) - Newton, Kepler e Galileu formavam "o trio que havia forçado o Sol e as estrelas a contarem aos homens sua verdadeira história".

Se trabalharmos também com dedicação e afinco, convenceremos as profecias a nos descerrarem seu seio e entregarem o ouro que tão zelosamente guardam no escrínio de sua intimidade.

Entrando diretamente na questão, coloquemo-la da seguinte forma: se o futuro está determinado e, por isso, pode ser previsto, então há um determinismo ou fatalismo, traçado pela Lei Divina, que pode abranger desde o minuto seguinte até os milênios futuros, tornando o homem um mero autômato no jogo da existência humana. Se isto está correto, onde fica, nesse universal e inexorável fluir, o livre-arbítrio humano? A explanação de Sua Voz, mentor de Pietro Ubaldi, lança esclarecedora luz sobre a questão:

Não confundais a ordem e a presença da Lei com um automatismo mecânico e um fatalismo absurdo. A ordem, já vos disse, não é rígida, mas contém espaços de elasticidade, possui subdivisões de desordem, de imperfeição; complica-se em reações, mas permanece ordem e lei no conjunto, no absoluto.

Um exemplo: ante a vontade da Lei tendes a vontade do vosso livre-arbítrio; mas é vontade menor, contida, circunscrita por aquela vontade maior; podeis vos agitar a vosso bel-prazer, mas sempre como num recinto, nunca fora dele.

Este movimento vos é concedido, porque é necessário que, num certo âmbito que vos diz respeito, sejais livres e responsáveis e possais assim, em liberdade e responsabilidade, conquistar a vossa felicidade.

Tenho resolvido, assim de passagem, o conflito, para vós insolúvel, entre determinismo e livre-arbítrio. Estes conceitos levar-vos-ão, depois, à concepção de uma moral científica e exata (1).

O tema já permeava, com um século de antecedência, a Doutrina Espírita e foi tratado exaustivamente por Allan Kardec em várias passagens de O livro dos espíritos, mormente nas questões 259, 526, 527, 859-a e 861, bem como na 872.

Nesta última, há um abalizado estudo do mestre intitulado "Resumo teórico do móvel das ações do homem" (2).

Atrevemo-nos a apresentar uma imagem singela que, de certa forma, poderá ilustrar o argumento. Suponhamos que certo passageiro embarque numa composição ferroviária em São José do Rio Preto com destino a Campinas, 350 km adiante, como nós mesmo costumávamos fazer na década de 1970. Os pontos de origem e de destino estão previamente traçados. Ele nada poderá fazer quanto a isso. No entanto, terá liberdade, durante a viagem, para almoçar no vagão-restaurante; caminhar do primeiro ao último vagão e vice-versa, se assim o desejar; dormir numa poltrona-leito ou no carro-dormitório; ler um jornal ou uma revista e até mesmo descer em alguma estação do caminho, nas escalas para embarque e desembarque, e tomar depois o trem seguinte. E o curioso é que, mesmo caminhando dentro do trem ao arrepio do movimento deste, ainda assim o passageiro avançará para a meta, porque, para cada passo dado a contrapelo, o comboio terá avançado vários metros.

Prisao cósmica.

O mesmo, em tese, ocorre com os integrantes da Humanidade, em qualquer ponto do Universo. E mesmo antes do período em que o ser passa a integrar o reino humano, naquela fase em que o princípio espiritual - ainda não Espírito completamente formado - começa a se tornar consciente de sua existência. Quando ele desperta para a realidade exterior, já se vê encaixado (sem possibilidade de fuga) nesse gigantesco mecanismo universal que o conduz inexoravelmente pela trilha da evolução à estação de chegada, que é a perfeição no Infinito.

Ele não tem competência para deter esse movimento.

Poderá, no entanto, dentro de seu respectivo âmbito de influência, ao movimentar-se desde os pródromos da volição, fluir com ele naturalmente ou então embaraçar essa fluência, postando-se contra a corrente. Neste caso, seu panorama evolutivo se afunila, ele é mergulhado em planos mais condensados do Universo, onde, constrito nessa gaiola de espaço-tempo, se vê compelido a reconquistar sua antiga liberdade por meio da reescalada à posição de origem.

Observe o habitante da Terra:

ele está chumbado a um planeta que se movimenta a cerca de 1.700 km por hora em torno de seu eixo, 107.000 km por hora em torno do Sol e 1 milhão de km por hora em torno da Via Láctea.

O que ele pode fazer em relação a isto? Pode acaso dizer "pare o mundo que eu quero descer"?.

Aprende-se mais na Doutrina Espírita: como aquele passageiro que desceu numa estação para esperar o trem seguinte, o Espírito pode até "estacionar" ali por um tempo relativamente prolongado. Mas essa atitude negativa tem limite. Aprendemos com Kardec, em nossa luminosa Doutrina, que o Espírito não degenera: pode permanecer estacionário, mas não retrograda, (3) visto que "[...] O rio não remonta à sua nascente" (4).

Esse é um dos postulados básicos da Doutrina, e esta segundo o Codificador, "[...] é inquebrantável em sua base [...]"; (5) grifo nosso.

É o caso do ricaço que, numa existência, abusa egoisticamente da riqueza, como na Parábola do Filho Pródigo, e, na encarnação seguinte, renasce numa condição de miserabilidade e vai comer alfarrobas com os porcos, para aprender a valorizar os bens terrenos.

Ou do político de intelecto poderoso e verve fácil, que ilude o povo, e volta com a mente destrambelhada, ou portador de deficiência da fala, para redimensionar suas atitudes e aprender a glorificar os dons conquistados, de acordo com a Lei Divina.

Essa estagnação pode até ser mais profunda, como no caso de Espíritos que são trasladados, em exílio, de planetas superiores para planetas inferiores, naquelas épocas de seleção planetária que ocorrem periodicamente no Universo.

É, porém, muito mais de forma do que de substância.

O Espírito nada perde do que já haja conquistado, malgrado algumas províncias de seu ser psíquico ficarem temporariamente segregadas da consciência normal, numa prudente operação espiritual de prevenção de recaídas.

É o que aprendemos com as Entidades Superiores, quando Kardec lhes dirige a seguinte pergunta:

Mudando de corpo, pode o Espírito perder algumas faculdades intelectuais, deixar de ter, por exemplo, o gosto das artes?

"Sim, se corrompeu sua inteligência ou a utilizou mal.

Além disso, uma faculdade qualquer pode ficar adormecida durante uma existência inteira, se o Espírito quiser exercitar outra que com ela não guarde relação. Neste caso, permanece em estado latente, para ressurgir mais tarde." (6) (Grifo nosso).

Enfim, conquanto tratado aqui de forma ligeira, o assunto é realmente fascinante e merece mais profundas reflexões.

Dessa forma, determinismo e livre-arbítrio não se anulam reciprocamente, como seria a primeira impressão, mas coexistem, como bem informa Emmanuel, estabelecendo que o "[...] primeiro é absoluto nas mais baixas camadas evolutivas e o segundo amplia-se com os valores da educação [...]", cumprindo-nos "[...] reconhecer que o próprio homem, à medida que se torna responsável, organiza o determinismo da sua existência, agravando-o ou amenizando-lhe os rigores, até poder elevar-se definitivamente aos planos superiores do Universo"; (7) grifo nosso.

Segue na mesma esteira o esclarecimento de Sua Voz:

Todo ato é sempre livre em suas origens; não depois, porque então passa imediatamente a pertencer ao determinismo da lei de causalidade, que impõe as reações e as consequências.

O destino, como efeito que é do passado, contém por isso zonas de absoluto determinismo, mas a este se sobrepõe, a todo momento, a liberdade do presente, continuamente aproveitável, que tem o poder de imitir [introduzir] sempre novos impulsos e, nesse sentido, corrigir os precedentes [...] (8).

Rede ativo-reativa.

É possível, portanto, prever que o trem que deixa a cidade rio-pretana chegará a Campinas, porque isto já faz parte de um plano pré-traçado, que não deverá sofrer alterações em sua programação.

Mas prever o que determinado passageiro fará em uma das etapas da viagem (se preferirá dormir num vagão-dormitório ou numa poltrona-leito; se descerá em certa estação ou continuará a viagem até o fim), é entrar no campo do livre-arbítrio, da aleatoriedade da conduta humana, e, nesse campo, há alguns complicadores.

Supor o homem "[...] submetido a uma fatalidade inexorável, com relação aos menores acontecimentos da vida, é despojá-lo do seu mais belo atributo: a inteligência; é assimilá lo ao bruto [....]", pondera Kardec. Algumas linhas à frente, porém, deslindando em parte a questão, acena com alguns vetores importantes, adiantando que se fosse fortuito o futuro, se dependesse daquilo a que se chama acaso, "[...] se nenhuma ligação tivesse com as circunstâncias presentes, nenhuma clarividência poderia penetrá-lo e nenhuma certeza, nesse caso, ofereceria qualquer previsão [...]". O verdadeiro vidente - acrescenta - "[...] apenas prevê as consequências que decorrerão do presente [...]";(9) (grifo nosso).

Então, a dedução lógica é que passado, presente e futuro estão entrançados de tal forma numa complexa rede ativo-reativa que, numa certa porcentagem, a Humanidade será induzida a agir hoje sob a regência preponderante do lastro resultante de suas ações do passado, assim como projeta no futuro tendências e atitudes decorrentes de suas atividades do presente.

A previsão de tais fatos nos leva à cena do homem sobre a montanha (de que se vale o Codificador no citado capítulo), o qual tem uma visão abrangente do que ocorre na campina e, por isso, pode tomar certas providências, fazer determinadas revelações, antecipar o conhecimento de acontecimentos que estão fora do ângulo de visão dos habitantes da planície. Suponhamos, agora, que esse homem hipotético fosse o próprio Deus, ou seus mais altos Emissários, e aí teremos a gênese das coordenadas subjacentes que estabelecem as profecias.

Dizer, portanto, que o trem chegará a Campinas é o mesmo que dizer que a Humanidade atingirá a perfeição - e isto é determinismo.

Não é, porém, um determinismo inflexível quanto ao tempo de sua realização, mas elastecível, na medida em que a volição dos Espíritos e dos homens pode apressar ou retardar a sua consecução, conforme a previsão constante no Planejamento Divino - e isto é livre-arbítrio.

Essa providencial elasticidade do determinismo divino pode ser vista na resposta obtida por Kardec em uma de suas importantes consultas às Entidades Superiores:

P. - Disseram os Espíritos que os tempos são chegados em que tais coisas [acontecimentos sociais graves] têm de acontecer: em que sentido se devem tomar essas palavras?

R. - Em se tratando de coisas de tanta gravidade, que são alguns anos a mais ou a menos?.

Elas nunca ocorrem bruscamente, como o chispar de um raio; são longamente preparadas por acontecimentos parciais que lhes servem como que de precursores, quais os rumores surdos que precedem a erupção de um vulcão. Pode- -se, pois, dizer que os tempos são chegados, sem que isso signifique que as coisas sucederão amanhã. Significa unicamente que vos achais no período em que se verificarão (10). (Grifo nosso).

Em suma: a Lei Divina, em sua dupla compleição de fatalismo e liberdade, irá cumprir se de qualquer forma para aqueles que têm o que ressarcir perante a Consciência Cósmica (ou seja, toda a Humanidade), apresentando-se de forma impositiva para os recalcitrantes e resiliente para os dóceis e inclinados à obediência.

Rogério Miguez
Revista Reformador  - Março 2020

Referências:

1 UBALDI, Pietro. A grande síntese. 9. ed. São Paulo: Lake. cap. 7 – Aspecto Estático, Dinâmico e Mecânico do Universo, p. 41.

2 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 7. imp. Brasília: FEB, 2019.

3 ______. ______. q. 118.

4 ______. ______. q. 612.

5 ______. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. ano 8, n. 2. fev. 1865. Perpetuidade do Espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2015.

6 ______. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 7. imp. Brasília: FEB, 2019. q. 220.

7 XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. 8. imp. Brasília: FEB, 2018. q. 132.

8 UBALDI, Pietro. A grande síntese. 9. ed. São Paulo: Lake. cap. 77 – Destino – o direito de punir, p. 300.


9 KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Guillon Ribeiro. 1. ed. 1. reimp. (Edição Histórica). Brasília: FEB, 2011. cap. A segunda vista, it. Conhecimento do futuro. Previsões.

10 ______. ______. 2a pt., cap. A minha primeira iniciação no Espiritismo, 12 de maio de 1856 (Sessão pessoal em casa do Sr. Baudin) Acontecimentos.


17 agosto 2021

A convivência harmônica entre o Destino, a Fatalidade e o Livre-arbítrio - Rogério Miguez


A CONVIVÊNCIA HARMÔNICA ENTRE O DESTINO, A FATALIDADE E O LIVRE-ARBÍTRIO

Quem não deseja saber como modificar o seu próprio destino? Quem não aspira obter revelações sobre o futuro para, de posse destes informes, construir com mais segurança a sua própria caminhada? Quem não almeja tomar de maneira absoluta as rédeas de sua própria vida e seguir conforme seus anseios, ao sabor de seus próprios ventos, segundo apenas o seu livre arbítrio? O tema é palpitante.

Evidentemente, a temática considera apenas os espiritualistas, os crentes em um ou muitos deuses e igualmente na continuidade da vida, visto que não há qualquer sentido em se debater o tema sob a óptica puramente materialista, considerando se que, para se acreditar em destino, dever-se-á crer igualmente em uma entidade superior, delineando, segundo seus princípios e desejos, os nossos particulares rumos.

Para iniciar uma breve reflexão sobre assunto tão importante, seria preciso primeiramente avaliar se do ponto de vista espírita há destino. Os nossos dicionários, enciclopédias das palavras, de modo geral, definem destino como um conjunto de acontecimentos alcançando-nos de modo inevitável, inexorável, como sinônimo de fatalidade, sina, sorte.

Dentro desta linha de entendimento, em princípio, não poderíamos alterar o desfecho de nossa existência, pois não teríamos como modificar as circunstâncias, ou conjunção de fatos, a nos atingir fatalmente, mais cedo ou mais tarde.

Graças ao Bom Deus, assim não se dá!.

Com efeito, se assim fosse, não haveria mérito, tampouco responsabilidade sobre qualquer ato, considerando não ser possível escapar ou enganar o implacável destino. Tudo que fizéssemos, de bom ou de mau, seria tempo perdido, pois nada mudaria a nossa sorte, muito menos a daqueles a quem endereçássemos nossos esforços e ações.

Outrossim, perguntamos:

por qual razão possuímos livre arbítrio? esta faculdade que tem o Espírito para determinar sua própria conduta, construída cuidadosamente ao longo de numerosas encarnações, seria totalmente inútil e ineficaz, uma vez que o seu exercício se mostraria impotente para alterar a implacável realidade futura.

Adicionalmente, a Lei do Progresso não faria mais nenhum sentido: afinal, progredir para quê, se o futuro está delineado? Ademais, pela prece podemos louvar, agradecer ou pedir. Em relação à última possibilidade, se tornaria uma ação na maior parte dos casos inócua, porquanto nada obteríamos em resposta às nossas súplicas, por mais fervorosas fossem, pois, de modo geral solicitamos mudanças e benesses para o futuro no quadro material de nossas existências e dos que nos cercam, exceção feita às petições de ordem moral, quando pertinentes, que poderiam ser atendidas normalmente.

A ideia de um destino preestabelecido está relacionada à fatalidade, sendo oportuno conhecer as pouquíssimas propriamente ditas fatalidades.. Elencamos aquelas recolhidas até o momento da consoladora Doutrina:

• Atingir a plenitude da evolução, representada pela aquisição de uma perfeição relativa, ou seja, o fatalismo da evolução é para o equilíbrio, a ordem, o bem, e a destinação é para a felicidade, quando consolidaremos a vitória definitiva sobre nós mesmos e trabalharemos mais próximos de Deus, contribuindo para o cumprimento de seus sábios desígnios.

• O instante da morte é uma fatalidade, uma vez que, dele, não se pode escapar, e o momento em que devemos reaparecer também o é.

• Vivenciar provas, expiações ou missões, previamente selecionadas e discutidas na erraticidade, conjugando as deliberações do livre-arbítrio e as ponderações dos Espíritos responsáveis pela nova reencarnação, tudo baseado no mapa de realizações construído em existências passadas do futuro reencarnante. Como exemplos destas escolhas temos: gênero ou causa da morte, doença específica que surgirá em determinado momento de nossa próxima existência, significativo revés econômico, dificuldade familiar de monta, grandes dores morais como resultado de infortúnios diversos, limitação física de nascença oriunda de uma deficiência perispiritual, ou seja, alguns aspectos materiais na existência podem constituir fatalidades.

Um ponto importante sobre as decisões e opções tomadas antes de reencarnar é que este ajuizamento conjunto com os Espíritos mais sábios ocorre quando o reencarnante possui uma bagagem de evolução tal, viabilizando ser frutífera esta interação; caso contrário, os grandes marcos da vida são inteiramente determinados pelos responsáveis por esta nova existência na Terra.

Esta realidade nos faz perceber estar a fatalidade tão mais presente na vida do Espírito quanto menos evoluído ele se encontrar.

Contudo, vale a pena lembrar, as consequências da vivência destas escolhas ou determinações dependem da forma como o Espírito enfrenta estas situações, ou seja, os efeitos morais dos acontecimentos nunca são fatais.

É interessante ponderar que mesmo estes grandes marcos materiais em nossa existência podem sofrer pequenos ajustes, podem ser replanejados, dependendo de como vivemos, da forma como aproveitamos as oportunidades oferecidas pela vida. Desta forma, a época ou gênero da morte poderia ser alterada caso estivéssemos: praticando muita caridade, buscando fazer apenas o bem ao próximo, levando uma vida produtiva do ponto de vista moral, pessoas estivessem dependendo de nossa ajuda. Desta forma, o momento da desencarnação poderia ser adiado, não por muito tempo, raro mecanismo em mundo de provas e expiações conhecido por moratória; por outro lado, caso conduzamos a nossa existência da forma "padrão", sem grandes sacrifícios e conquistas morais, observando conforme o dito popular apenas o nosso umbigo, os grandes marcos se farão presentes e impostergáveis.

No entanto, cumpre ainda notar sempre existir no homem a liberdade de optar pelos atos da vida moral e como reagir às tentações, um campo totalmente aberto, incerto e imprevisível, sujeito às escolhas de conduta de cada um, ou seja, à vontade individual.

• Há considerável fatalidade nos reinos mineral e vegetal; nestas fases da evolução quase tudo acontece segundo as leis básicas que regem a matéria - químicas, físicas e biológicas -, considerando que há certa imprevisibilidade na natureza subatômica da matéria.

É pertinente esclarecer sobre o uso do conceito de fatalidade pela mídia e a sociedade, pois em linhas gerais está completamente desvirtuado. Os acidentes espetaculares causando mortes de pessoas não estão nos desígnios de Deus, quando o autor estava: embriagado ou drogado, dirigindo em velocidades acima do permitido, com veículo adulterado em seus componentes básicos, não possuía habilitação, entre outras causas, ocorrendo nestes casos apenas a imprudência do agente; e se este não for julgado pela sociedade da forma correta, o será pelas Leis Divinas.

Se estes acidentes fossem fatais, predeterminados, o responsável teria renascido com a "missão" de matar um semelhante, impondo Deus previamente uma conduta absurda ao causador do desastre. Este entendimento representa um absoluto despropósito em relação ao amor de Deus por todas as suas criaturas.

Além de classificar por fatalidade os acidentes espetaculares do cotidiano, criamos uma outra fatalidade para justificar a morte "prematura" pela chamada bala perdida. O espírita está ciente de que não há acaso nas Leis Divinas, nenhum imprevisto existe regendo ocorrências, ainda mais deste tipo; sendo assim, a bala jamais estará perdida, esta interpretação sugere que Deus não estaria ciente do que viria acontecer, estava "desatento", e que a morte do atingido pela bala perdida se deu sem controle, antecipadamente, ou seja, o indivíduo morreu antes da hora esperada.

A onisciência e onipotência de Deus se chocam frontalmente com esta incorreta hipótese.

Ninguém há que acreditar ter nascido sob a sina de uma má ou boa estrela, vivendo desta forma sob uma fatalidade considerada imerecida em relação à primeira estrela. Quando os acontecimentos possuem uma característica repetitiva em termos de fracassos e sucessos, respectivamente, devem-se em alguns casos aos acertos prévios que fizemos na erraticidade antes de para a Terra voltarmos. 

Continuadas aparentes desgraças ou repetidos triunfos, nada mais representam do que verificações de aprendizado, talvez sejam provas, que devem ser encaradas naturalmente, solicitando, ao considerarmos as primeiras, muita paciência e perseverança; quanto aos segundos, jamais nos imaginarmos privilegiados, não permitindo que o orgulho ou a vaidade nos alcancem na infantil suposição de que tudo que fazemos dá certo e de que fomos agraciados pelo dedo de Deus ao nascer. Além disso, continuados fracassos podem ser resultado do despreparo e inaptidão do indivíduo, e seguidos sucessos podem caracterizar uma pessoa inteligente e perspicaz para só se lançar em empreitadas em que vislumbre maiores chances de êxito: não há azar tampouco sorte no ordenamento celestial.

A propósito, jamais deveremos bater às portas dos chamados magos, bruxas, videntes ou adivinhos, os auto-intitulados profetas, para nos informar sobre o que está por vir, qual seria o nosso "glorioso e esplendoroso" destino. De modo geral estes exploradores da fé e da ignorância popular nada mais são do que aplicados aproveitadores, astutos interlocutores, a maioria nem sequer é médium, não possuindo qualquer dom para nos instruir sobre o porvir. Habilmente treinados, muitos sabem o que as pessoas desejam conhecer, seus anseios, dúvidas ou apreensões e, por meio de perguntas simples, vão delineando as expectativas do particular consulente, finalizando por dizer exatamente aquilo que mais agrada ao incauto. Ao final, aguardam ávidos alguma recompensa monetária devida aos seus espontâneos préstimos "mediúnicos". Como resultado, todos ficam muito satisfeitos, o iludido e o falso iluminado.

Informações sobre o futuro, quando úteis, são apresentadas de forma natural, sem que a pessoa pergunte ou mostre interesse em conhecer. Às vezes, podem ser reveladas, mas em caráter particular e sem qualquer expectativa de remuneração.

Conclui-se, pelos exemplos citados anteriormente, que o conceito de fatalidade não se prende apenas a um desfecho ruim, conforme alguns acreditam; a fatalidade pode conduzir a um bom resultado sem deixar de ser fatal, sendo apenas a resultante da Lei de Causa e Efeito. Este justo postulado divino é neutro, não comporta preferências nem tendências.

Como se denota, as fatalidades são em número muito reduzido, relacionando-se a acontecimentos e não a resultados, e não poderia ser diferente; se assim não fora, seríamos "autômatos" sem qualquer controle sobre as nossas existências. Contudo, não nos iludamos, há certos compromissos assumidos antes de reencarnar, poucos, que não podem ser alterados. Sendo assim, a visão espírita no que tange a este fascinante tema é intermediária entre os extremos do tudo está escrito e do seu oposto, nada está escrito, tendendo para o último, ou seja, pouco está escrito.

Então, em resumo, podemos alterar o destino?

Sem sombra de dúvida! Trabalhando dedicadamente agora no presente, esforçando-nos para aprender e agir corretamente, criamos condições de esperar um futuro melhor e diverso de qualquer leviano prognóstico que porventura nos tenha sido informado, porquanto, com a existência do livre-arbítrio e da razão há sempre parcial fatalidade, e, se esta fosse absoluta, não poderia haver responsabilidade, tampouco mérito pelos atos praticados, sejam estes quais forem.

A obra divina é perfeita, suas leis são justas e equilibradas, razão por que há harmonia e estabilidade entre conceitos aparentemente tão antagônicos, tais como: destino, fatalidade e livre-arbítrio, o último possuindo por esteio a razão.

Somos Espíritos imortais, já tivemos e ainda teremos inúmeras existências.

Comparando este conjunto de vivências corporais que individualizam a caminhada evolutiva dos Espíritos a um livro, a introdução e os capítulos iniciais já estão preenchidos pela história passada de cada qual, não podendo mais ser alterados, muito menos apagados, influenciando por largo tempo a trajetória de cada um.

Em seguida, ainda considerando esta alegoria, há vários capítulos em branco, em que qualquer um deles contempla pelo menos duas previstas fatalidades - o nascimento e a morte - e, no derradeiro, há poucas linhas escritas, descrevendo a fatalidade maior: o nosso destino, a aquisição da perfeição relativa.

Como a maior parte das páginas do nosso livro da vida ainda não foi preenchida, cabe-nos "recheá-las" caprichosamente e com sabedoria, tendo como modelo e guia os inesquecíveis exemplos do incomparável Amigo Celestial.


Rogerio Miguez / rogmig55@gmail.com
Revista Reformador  - Abril 2020


01 junho 2021

Quando uma pessoa morre, sabe que morreu? - Rogério Miguez

 
QUANDO UMA PESSOA MORRE, SABE QUE MORREU?

Há pouquíssimas fatalidades nas leis de Deus, uma delas certamente é representada pelo inevitável desfecho da morte. A primeira obra básica da Doutrina em uma de suas abordagens sobre o tema assim se expressa (1):

Algumas pessoas só escapam de um perigo mortal para cair em outro. Parece que não podiam escapar da morte. Não há nisso fatalidade?

“Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é. Chegado esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não podeis furtar-vos.”

Fatalismo biológico, ou seja, não há corpo físico – instrumento de trabalho do ser imortal -, que possa existir eternamente, mais cedo ou mais tarde as células desagregam-se provocando o colapso desta estrutura material, casa provisória onde se abriga o Espírito reencarnado.

A ciência, embora tentando há bom tempo sintetizar o elixir da eternidade, nada ainda encontrou, e jamais terá sucesso, pois a lei de Deus não contempla a indestrutibilidade do corpo físico, apenas a do Espírito, sendo assim, é de esperar-se que todos os seres vivos acabem morrendo, fato comum desde o início dos tempos.

Ora, como já tivemos numerosas vidas, consequentemente já morremos inúmeras vezes, já experimentamos este fatalismo em muitas ocasiões, poder-se-ia assim imaginar que já houvéssemos registrado este aprendizado e toda vez que morrêssemos, lembraríamos do que estaria sucedendo naquele singular instante.

Ocorre que tal não se dá, ainda nos encontramos muito inferiores na escala da evolução, dificultando sobremaneira o entendimento do que está acontecendo no momento em que o Espírito inicia o seu desligamento do corpo, por motivos diversos, para retornar a vida verdadeira, a espiritual.

De modo geral, há uma perturbação, confusão esta função do modo de vida escolhido pelo Espírito: se a vida foi mais espiritualizada, atenua o estado de confusão mental a ponto do Espírito alcançar plena consciência de seu desencarne, alguns, raros, podem mesmo providenciar o próprio desligamento do perispírito do corpo físico; quando muito material, a perturbação é intensa.

Sendo este último o caso a se aplicar à grande maioria, podemos concluir de forma geral: quando a pessoa morre, não sabe que morreu. Em muitos há a percepção de uma mudança significativa, pois não conseguem mais conversar com os vivos; seus parentes, por exemplo, não respondem mais às suas indagações; percebem também não ter mais acesso às coisas materiais, e assim por diante. Seria como um sonho ruim, um pesadelo, onde está tudo às avessas. Algum tempo será necessário para conscientizar-se ou mesmo ser conscientizado por outrem, que faleceu. Outros dormem ao desencarnar, passaram a vida inteira alheios aos postulados divinos, nada esperavam após a morte, entrando assim em um estado semelhante à hibernação até serem acordados para a fatalidade da vida.

Podemos apontar um caso, entre tantos, para exemplificar o que pode ocorrer na ocasião da morte. No livro Os Mensageiros(2) de André Luiz, há um capítulo intitulado Pavor da morte, onde é descrita uma situação peculiar em um necrotério. Havia um cadáver de uma jovem e ao seu lado estava uma entidade masculina em atitude de zelo chamando há seis horas a recém desencarnada para abandonar o corpo. O inesperado nesta descrição é que a falecida estava unida aos despojos copiando a posição cadavérica, com medo de deixá-los. Aterrorizada, fechava as pálpebras para não ver algo que a atemorizava. Esta entidade ao seu lado era o seu noivo que a havia antecedido no fenômeno da morte e agora ali estava para recebê-la com alegria, contudo, pelo despreparo espiritual da jovem, esta acreditava ver um fantasma, porquanto recordava-se claramente da morte do noivo.

Aniceto, instrutor de André Luiz nesta obra, ambos vivenciando esta situação sui generis, orientam o noivo para se afastar temporariamente, pois não conseguiria realizar o seu intento de recebê-la e levá-la para uma casa espiritual, considerando estar a noiva muita aturdida, acreditando estar sendo perseguida por um morto, passava por um pesadelo. Experiente neste tipo de situação, Aniceto se faz passar por um doutor anunciando um novo tratamento à jovem, esta aceita a oferta, afastando-se finalmente do corpo. Aniceto, aproveitando o momento, aplicou passes magnéticos adormecendo-a e, em seguida, entregando-a ao seu prestativo noivo: Caso resolvido!

Vemos desta forma uma possível consequência de não nos prepararmos para a morte do corpo material, este, sempre chega a seu termo na hora adequada, enxergando naquela apenas um desdobramento natural da continuidade da vida.

Rogério Miguez
Fonte: Espiritismo na Rede
 
Referências:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 69. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1987. q. 853; e XAVIER, Francisco C. Os mensageiros. Pelo Espírito André Luiz. 16. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1983. cap. 48 – Pavor da morte, p. 250 e 251.

13 fevereiro 2021

Apreensões - Rogério Miguez


APREENSÕES

Depois disto, que nos resta a dizer? Se Deus está conosco, quem estará contra nós? (1) Romanos 8:31

Em uma possível interpretação deste ensino, podemos concluir ser de longa data a preocupação do ser humano sobre seus possíveis inimigos ou desafetos. Cremos que a consciência de culpa gerada pela multidão de pecados perpetrados, alguns ainda não revelados e reparados, poderia criaras condições necessárias para o aparecimento desta apreensão, sempre rondando as mentes devedoras.

Por outro lado, destacando ainda o ensino de Paulo sob outro ângulo, embora a pergunta use o pronome quem, sugerindo uma pessoa, outra forma de entendê-lo é o reconhecimento da existência de inúmeros percalços sucedendo-se durante a jornada física, aparentemente trabalhando contra nós, tais como: reveses financeiros, contrariedades afetivas, amizades desfeitas, desilusões amorosas, doenças inesperadas, “perda” de entes queridos.

Existem também as angústias criadas pela imprensa alarmista, muitas vezes polarizada por privilegiarem notícias referentes apenas a desgraças e agruras, esquecendo-se quase sempre das nobres realizações e bons exemplos existentes. Alardeiam-se prováveis conflitos nucleares, ameaças terroristas de toda ordem, sequestros relâmpagos, meteoros “assassinos” se aproximando perigosamente da Terra, futuros desastres coletivos causados por condições climáticas extremas e adversas, catástrofes naturais, bruscas oscilações do mercado financeiro… Ou seja, anunciadas e inesperadas desgraças não faltam; todas podem igualmente trabalhar contra a nossa paz.

Além disso, como se não bastasse, perturbamo-nos por variados temores, desconhecidos, sem sentido e nenhuma razão plausível, incompreensíveis. Talvez a mesma consciência culpada seja fonte destes receios, ou, quem sabe, alguma influenciação ardilosa de um Espírito desencarnado, provisoriamente desorientado e abatido com a sua situação espiritual, ou mesmo de um encarnado visando a nos prejudicar.

Como resultado, o ser humano aturdido por tamanha gama de fobias e ansiedades, ignorando como proceder, fecha-se em sua casa, instala alarmes e câmeras modernas, sofisticadas fechaduras eletrônicas, cercas eletrificadas, contrata serviço de segurança privada via telefone, tudo para resguardar-se de possíveis ameaças, tendo ele mesmo, em muitos casos, dificuldade em definir especificamente quais seriam. Esquece-se de que existem ameaças imateriais mais contundentes e perigosas.

Tempos estranhos!

Mas, afinal, por quais razões nos afligimos tanto, imaginando opositores de toda ordem? Pela perda dos bens materiais, da própria vida, medo da dor física proveniente de um corpo doente, ou mesmo da dor moral provocada pela solidão?

Todas estas adversidades anteriormente citadas são características de mundos pouco evoluídos como ainda é o caso do nosso. Se por aqui ainda transitamos é porque necessitamos destes contratempos, de modo a dar testemunhos de nossa fé em Deus e em sua justiça perfeita. Caso contrário, passaremos pela Mãe Terra escondidos em nossas residências, tal qual fazíamos no passado, quando ocupávamos, temerosos, furnas e cavernas, sem nos atrevermos a enfrentar os supostos perigos do mundo. Contudo, é bom entender e principalmente admitir, no “pior caso”, do nosso ponto de vista, o maior prejuízo que qualquer deles poderia nos causar seria o de colocar-nos diante da tão temida e indesejada morte.

Mas quem tem medo de morrer? Tudo indica que todos nós, pois ainda não aceitamos só existir vida, e como disse Jesus, vida em abundância. Esta é a verdadeira lei divina. Tudo se transforma, não há destruição de absolutamente nada, apenas de nossas ilusões, quando, deslumbrados pelos atraentes apelos materiais, somos levados a cultuar este ou aquele bem, esta ou aquela forma física, para mais tarde compreender que tudo é passageiro, inclusive e principalmente os nossos devaneios.

Não existe a morte. Somente o corpo físico é dissociado pelos fenômenos químicos já bem conhecidos, retornando ao grande laboratório da natureza proporcionando uma vez mais a reciclagem dos elementos constituintes desta desgastada estrutura material, agora desfazendo-se. Este processo cíclico visa à formação de novas “temporárias residências” para outros Espíritos, que como nós mesmos, mais uma vez reingressarão nas lides terrenas, tentando aproveitar oportunidades de modo a oferecer novos testemunhos de aprendizado nas particulares caminhadas.

Dar testemunhos de compreensão dos desígnios divinos quando tudo está correndo bem é o primeiro passo em nossa marcha evolutiva. Contudo, aceitar a vida tal qual é, sem reclamos, queixumes, rebeldia, tristeza e desgosto diante das contrariedades oriundas muita vez de nossos anseios pueris, é um desafio maior. Estes últimos testemunhos nos fortalecem e nos preparam para o enfrentamento das adversidades superiores, às quais estamos todos destinados a enfrentar.

Entretanto, diante de tantos supostos perigos, há um em especial cujo traço insinuante nos traz de fato preocupação. Não é uma utopia, uma abstração, fruto de propaganda alarmista, pois é imaterial: as nossas muitas personalidades. Este é o grande “inimigo” oculto, o adversário cruel que pode levar-nos mais uma vez ao fracasso em nossa nova existência.

Este “inimigo” é a resultante dos vícios e tendências negativas forjados em inúmeras existências passadas, quando, não aproveitando as oportunidades regularmente oferecidas pela vida, deixando escapar ou escondendo os talentos colocados em nossas mãos pela Divindade, construímos, em consequência, traços de personalidade agora difíceis de ser superados ou mesmo controlados.

A luta é árdua, pois este “inimigo” é poderoso, supera todos os outros juntos!

Entretanto, nada é impossível ao que não apenas crê, pois, mais do que apenas fé, sabe, tem consciência de poder enfrentar a razão face a face, sob qualquer situação inusitada.

Não temamos os entraves da vida. Não emprestemos valor indevido aos passageiros infortúnios da caminhada, sejam quais forem. Não sejamos intimidados por situações já esperadas e comuns no variado rol de nossas provas e expiações.

Caminhemos destemidos, rumo ao amanhecer que a todos aguarda, jamais nos imaginemos perdidos na noite escura das dúvidas e incertezas, pois, se Deus está conosco, quem estará contra nós?

Rogério Miguez

Referências Bibliográficas:

(1) BÍBLIA DE JERUSALÉM. Trad. Gilberto da Silva Gorgulho et al. 8. imp. São Paulo: Paulus Editora, 2012.

02 fevereiro 2021

Prova ou expiação? Eis a questão! - Rogério Miguez

 

PROVA OU EXPIAÇÃO? EIS A QUESTÃO!


Considerando a nossa Terra como uma grande escola, com bem mais de sete bilhões de alunos matriculados – os encarnados, e, segundo dizem os Espíritos, mais de vinte bilhões de alunos em regime de espera aguardando matrícula – os desencarnados, pode-se apontar dois mecanismos básicos divinos de aferição do aprendizado possível de ser obtido neste colégio, verificando os estudantes do educandário Terra, ao longo dos anos letivos, ou seja, no decorrer da própria vida: provas e expiações.

Estes são os métodos criados por Deus para impulsionar e alavancar a nossa evolução, e, na posição de coordenador deste particular instituto de ensino do Universo, pois existem milhões de outros, ocupando a cátedra maior, sabe-se também estar Jesus, o Bondoso Diretor.

É da Lei celestial a obrigatoriedade de se passar por muitas vidas visando ao nosso próprio aprimoramento, tantas vidas quantas forem necessárias de modo a nos conduzir ao alvo derradeiro: a absoluta perfeição moral. O número de provas é imenso, porquanto há muitas virtudes a conquistar e incontáveis matérias a dominar, de forma a construir o sólido equilíbrio desejado entre as asas do sentimento e da inteligência, garantindo dessa forma uma evolução constante.

Basta observar, no primeiro caso, como é difícil viver na plenitude apenas uma particular virtude ao longo da existência. De fato, cremos, não há Espíritos encarnados que podem alegar domínio completo das muitas virtudes, de que sabemos só o Administrador deste estabelecimento de ensino as conquistou na totalidade. No segundo caso, reflitamos em quantas especialidades de engenharia ou mesmo na área de medicina existem hoje em dia? No passado eram pouquíssimas, entretanto o número vem crescendo continuamente, isso só para citar duas áreas do conhecimento humano. Todas estas matérias também deverão ser por nós apreendidas, dominadas.

À primeira vista, acredita-se ser esse progresso infinito, mas este entendimento não corresponde à realidade, pois o desenvolvimento moral e intelectual tem um termo: [1] 169. O número de encarnações é o mesmo para todos os Espíritos? “Não; aquele que caminha depressa se poupa a muitas provas. Todavia, essas encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porque o progresso é quase infinito.” (Negritamos)

Enquanto não incorporamos todo este aprendizado, passamos por variadas provas e expiações, com uma especial observação: só expiamos devido a nossa escolha de evolução não ter contemplado apenas o caminho do bem, possibilidade esta prevista plenamente na ordem divina: [2] 262. Como pode o Espírito, que, em sua origem, é simples, ignorante e sem experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha? “Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazes com uma criança, desde o berço. Contudo, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, Ele o deixa livre para escolher e só então é que muitas vezes o Espírito se extravia, tomando o mau caminho, por não ouvir os conselhos dos bons Espíritos. É a isso é que se pode chamar a queda do homem.” (Negritamos)

Observe-se este trecho na resposta dos Espíritos: muitas vezes lhe acontece extraviar-se; se é assim, em outras tantas vezes, acontece de não extraviar-se, seguindo desde o início apenas o caminho correto. Essa esclarecedora razão explica o fato de haver tantas mazelas nesta escola, pois no colégio Terra estão reunidos alunos que optaram por não seguir decididamente, no exercício livre do uso de seu livre-arbítrio, apenas o caminho do bem. São em média estudantes rebeldes e repetentes das lições ministradas pelo Diretor Jesus dois mil anos atrás. Em consequência, como já cometemos muitos deslizes, a conhecida expressão “multidão de pecados”, a contar desde a nossa origem, com prejuízo ao próximo e nós mesmos, devemos expiar, ou resgatar, essas situações indesejadas de passado – enfatize-se sempre – criadas por nós mesmos. Sendo assim a mecânica divina da vida, uma pergunta poderia ser suscitada: Como posso saber, ou distinguir, quando estou passando por uma prova ou uma expiação e qual a diferença entre elas, de modo a melhor me conduzir nos diversos desafios existentes no desenrolar da vida?

Analisando a dúvida sob o ponto de vista da Doutrina, sabemos ser de fato uma questão a expressar apenas a nossa vã curiosidade em saber especificamente sob quais condições se sucedem os muitos fatos da vida, se são verificações ou resgates, consequentemente irrelevante, segundo a visão doutrinária. Nós, Espíritos ainda imperfeitos, não precisamos necessariamente saber se estamos passando por uma prova escolhida na erraticidade [3] ou, do outro lado, se vivenciamos uma expiação, pois o que precisamos com certeza é simplesmente superar as dificuldades, não importa se estas têm sua origem em uma prova ou em uma expiação; o objetivo é vencer, ou vencermo-nos diante dos quadros agudos e nem sempre agradáveis que caracterizam as nossas existências, situações comuns em um típico mundo de provas e expiações, em via de se regenerar.

A propósito, e sempre oportuno, podemos lembrar, por exemplo, este registro em outra obra do Codificador: [4] “Não há crer, no entanto, que todo sofrimento suportado neste mundo denote a existência de uma determinada falta. Muitas vezes são simples provas buscadas pelo Espírito para concluir a sua depuração e ativar o seu progresso. Assim, a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação.”

Ou seja, estamos sempre sendo testados, seja pela prova propriamente dita escolhida anteriormente, seja pela expiação, solicitada ou imposta; esta última servirá em todo o tempo também de prova, e se bem suportada conferirá ao aluno a nota de aprovação.

Muitas vezes cremos terem as provas superado as nossas forças, nos reconhecemos despreparados e nos sentimos incapazes de carregá-las. Esta conclusão, aparentemente acertada, não é verdadeira, não encontra respaldo nas leis divinas, porquanto, observando bem o quadro presente, com imparcialidade, pode-se facilmente concluir termos aumentado as nossas provas, tornando-as desta maneira insuportáveis do nosso ponto de vista, porém isso se deu como resultado de condutas impróprias e atitudes intempestivas tomadas frequentemente por todos nós.

Variados sofrimentos e amarguras enfrentadas ao longo desta existência se originam em condutas e ações adotadas distanciadas do bom caminho, ou seja, das diretrizes divinas, nesta própria vida; têm, pois, origem no presente e não no passado longínquo. Em consequência, a vida responde com novos dissabores e contratempos ainda durante a vida atual. E se não houver repercussão ainda nesta existência, estas faltas do presente se apresentarão como expiações de passado, em nossas vidas futuras; é tudo muito simples. Dessa forma, se almejamos um futuro melhor, oremos e vigiemos agora. Esta máxima, se bem aplicada, pode-nos forrar de muitos percalços e atribulações no porvir.

Outro importante aspecto a considerar é a certeza de que, se vivenciarmos as provas e expiações com rebeldia, contragosto, murmúrios ou reclamações, duvidando da justiça do Criador, a verificação ou o resgate perdem a função e o sentido; por conseguinte, a vida nos convidará ou nos obrigará, em futuro próximo, a passar por novas aferições, até sairmos plenamente vitoriosos. Este sistema de ensino é perfeito, pois perfeito é o Pai.

Diante destas esclarecedoras explicações oferecidas pela Doutrina, cabe-nos aceitar as vicissitudes da vida como oportunidades de aprendizado, em nosso próprio favor, visto que Deus age sempre com bondade e misericórdia, não nos solicitando esforços maiores do que podemos suportar; disso não tenhamos a menor sombra de dúvida.

E como Deus é Pai, e não feitor, não considera qualquer falta como irremissível, ou seja, imperdoável. Sendo ela qual for, Ele nos concederá incontáveis oportunidades para alcançarmos o sucesso não obtido nesta existência, contudo tenhamos em mente que muitas vezes essas novas verificações acontecerão em situações menos favoráveis do que aquelas experimentadas agora, caso contrário não se realiza o processo de educação do Espírito.

Tudo depende de nós mesmos, está em nossas mãos. Ajamos agora, não posterguemos, aceleremos o processo em curso de regeneração do planeta, pois somos os artífices desta mudança.


Rogério Miguez
rogmig55@gmail.com
Fonte: Espiritismo em Movimento 

Referências: 


[1] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto

Bezerra. 3. ed. Comemorativa do Sesquicentenário. Brasília: FEB, 2007. Q.169. 

[2] ________.________. Q.262.

[3] Erraticidade: estado dos espíritos errantes, isto é, não encarnados, durante os intervalos de suas diversas existências corpóreas (Allan Kardec – Instruções Práticas sobre as manifestações espíritas – Vocabulário espírita).

[4] _____. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. V, “Bem-aventurados os aflitos”. item 9.

01 dezembro 2020

Como faz bem esquecer - Rogério Miguez

 
COMO FAZ BEM ESQUECER

Quem se alegra em lembrar dos deslizes cometidos na vida presente? Alguém sente satisfação em relatar condutas próprias contrárias às leis de Deus? Traz tranquilidade manter bem vivo na memória os feitos impensados cometidos no passado desta mesma existência?

Pouquíssimos, ou mesmo ninguém, responderia estas perguntas dizendo sim: É muito bom lembrar os equívocos passados, expondo-os a todos!

Estas poucas questões nos indicam não valer a pena recordar os enganos praticados, pelo contrário, na verdade fazemos de tudo para apagar completamente lembranças de todo e qualquer vestígio dos antigos atos irrefletidos.

É natural, afinal, bom mesmo é recordar coisas boas, experiências saudáveis, atitudes corretas tomadas em momentos críticos, lembranças de fatos trazendo-nos alegria e satisfação, isso sim é gratificante.

Diante desta constatação, por que alguns desejam avidamente conhecer quem foram em antigas vidas? Há alguma lógica em desejar descortinar episódios distantes, quando sabemos que estamos ainda ligados a um mundo de provas e expiações, cuja característica básica é a de abrigar Espíritos faltosos e contumazes descumpridores dos postulados divinos?

Esta é a realidade, poucos podem acessar o passado e não se envergonhar; raros são os detentores da condição de não se surpreender diante da recordação de levianas atitudes e grosseiras condutas praticadas contra o próximo, e, tantas vezes, contra nós mesmos.

É por conta desta realidade que Deus nos faz esquecer temporariamente muitas experiências e ações desagradáveis do nosso pretérito, todas registradas no períspirito.

A lei do esquecimento é uma dádiva para Espíritos ainda pouco afeiçoados à prática do bem, como todos nós ainda somos, pois, recordando-nos de tudo que já fizemos; e se aqueles a nos cercar, os nossos próximos mais próximos – os familiares -, também tivessem este conhecimento, a vida se tornaria insuportável, os grupamentos familiares se esfacelariam, inviabilizando a evolução do grupo.

Desta forma, não nos preocupemos em desvendar o pretérito batendo às portas dos adivinhos, magos ou bruxos. Embora alguns possam ser verdadeiros médiuns, não detém autorização para revelar o passado, e, na ânsia de consegui-lo, estaremos sujeitos a toda a sorte de embustes e mentiras, sempre prejudiciais ao nosso momento presente.

Mas como fazer então!? Trabalhemos as nossas tendências instintivas, observemos as nossas condutas, estejamos atentos à forma como agimos e reagimos no nosso cotidiano diante das situações corriqueiras do dia a dia, estes são bons indicadores de como vivemos no passado, dizem muito sobre nós mesmos, dão-nos uma boa ideia do que fomos e do que continuaremos a ser, caso não trabalhemos os aspectos negativos de nossa personalidade.

E mais, quando estivermos insatisfeitos e desgostosos na vivência de nossas inexplicáveis expiações e provas, ambas medidas corretivas e auxiliadoras em nosso processo evolutivo; quando as dúvidas nos assaltarem a consciência tornando a vida aparentemente insuportável, experimentemos conversar com o nosso guia espiritual, ele está sempre atento ao nosso momento, quem sabe, após uma oração sincera, a leitura de um texto evangélico, renovadas forças nos serão comunicadas, talvez uma nova luz se acenda em nosso cinzento horizonte, e, com estas providências divinas, poderemos retomar o andamento de nossas jornadas com ânimo forte e a convicção de que Deus é sábio e justo, quando determina este provisório esquecimento do passado.


Rogério Miguez
Fonte:
Agenda Espírta Cristã
 

21 novembro 2020

Os exilados da Terra - Rogério Miguez


OS EXILADOS DA TERRA

Não devem ser muitos aqueles que militam no meio espírita sem conhecimento do deslocamento de alguns milhões de Espíritos, “convidados”, há milênios, a deixar a estrela de Capela e migrarem para a nossa Terra, na época, provavelmente, um mundo primitivo.

A referência básica para a descrição deste fato foi feita por Emmanuel na obra A Caminho da Luz. (1)

De acordo com Emmanuel, eram Espíritos desajustados aos novos ritmos de evolução daquele orbe distante, devido ao alto grau de egoísmo e orgulho que até então os caracterizava, dificultando sobremaneira a caminhada daquela parte da Humanidade residente em Capela.

Da mesma forma que para cá vieram Espíritos que nos ajudaram muitíssimo, visto serem bem mais evoluídos intelectualmente do que aqueles que por aqui já se encontravam àquela época, igualmente é possível que da Terra muitos Espíritos também sejam “convidados” a se retirar, provisória ou definitivamente, em razão da persistência no mal, dificultando ou quase entravando a marcha dos homens de boa vontade.

Coincidentemente, a Terra atravessa um período propício a estas maciças migrações, ou seja, é chegada a hora de o planeta alcançar à condição de mundo de regeneração, permanecendo entre nós apenas os Espíritos comprometidos com o bem e com a verdade.

E como há candidatos a daqui partirem, passando a ser conhecidos no mundo para o qual serão enviados como os Exilados da Terra!

Basta observarmos os noticiários para nos convencermos da existência de incontáveis criaturas não dispostas a evoluírem moralmente, preferindo ainda agir sob o antigo lema de retribuir as possíveis injustiças com a espada.

São os belicosos habitantes de variadas nacionalidades, mantendo ainda a conduta voltada ao conflito, à beligerância, às conquistas materiais, aos abusos de toda ordem; outros, ainda, por incrível que pareça, armam-se para dizimar os seus “possíveis inimigos”, inclusive os que habitam a Pátria do Cruzeiro.

Além destes temos: os amantes da licenciosidade; os que desfrutam das ilusórias delícias oferecidas pela matéria; os adictos inveterados; os desvirtuados do sexo, mantendo continuados e extravagantes conúbios com a espiritualidade inferior; os detentores de riquezas mal ganhas e mal empregadas, que não se compadecem dos que passam fome; os políticos alucinados, os que desfrutam de seus cargos em detrimento do bem-estar da coletividade.

Diante de um quadro de tal natureza, em breve atingiremos o fundo do poço, fruto da continuada violência, da sensualidade exacerbada, dos escândalos de toda ordem, da corrupção desenfreada, das doenças em massa, que desafiam os especialistas. Não foi sem razão que o Mestre de Lyon asseverou: “[…] É preciso que o mal chegue ao excesso, para tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas.”(2)

Nesta hora grave, é sempre bom recordar o capítulo 20 do extraordinário livro O evangelho segundo o espiritismo, intitulado “Os trabalhadores da última hora”. (3)

Sim, os espíritas, são exatamente os últimos chamados mencionados no título do capítulo da obra referida, alguns talvez reconvocados, recebendo agora a derradeira oportunidade de adquirir o direito de continuar embarcados na Nau Terra, rumando inexoravelmente para águas mais calmas e tranquilas, na imensidão dos mares siderais, onde a brisa fresca destes novos oceanos substituirá as intermináveis borrascas e tempestades que há bom tempo enfrentamos.

E o que têm feito os espíritas, a fim de que seus nomes não sejam inscritos no rol dos candidatos que mais tarde serão expulsos da Terra?

O expurgo já começou.(4) A espiritualidade nos dá notícias, desde meados do século passado, de que muitos desencarnam e não mais retornam; não conseguem o bilhete de volta… Para seus lugares foram e são destinados novos Espíritos de outro orbe, nem todos, ao que entendemos, exilados propriamente ditos, mas missionários, abnegados trabalhadores desejosos de nos dar uma mãozinha, reencarnando em massa para que saiamos em definitivo deste ciclo de repetição de provas e infindáveis expiações. Outros, entretanto, aportando agora na Escola Terra, experimentarão uma forma de exílio temporário, repetindo o padrão dos antigos exilados de Capela, intelectualizados, mas tardios quanto à evolução moral.(5)

Na obra Transição Planetária,(6) o autor informa que muitos dos Espíritos que desencarnaram durante o purificador tsunami que atingiu certas regiões asiáticas, já não retornam mais, e a razão se funda na conduta licenciosa vivenciada na região, tanto por parte dos habitantes locais, como dos de outras nacionalidades, que para lá se dirigiam com o objetivo exclusivo de experimentar os desvios de toda ordem na esfera sexual.

E nós, por que ainda continuamos vacilantes, a despeito de recebermos as mais elucidativas explicações e orientações sobre o funcionamento das Leis de Deus? Por que não pegamos com vontade a charrua e aramos o solo duro das próprias vidas, a fim de que dê frutos saborosos, quem sabe a cem por um?

Estaria o chamamento de Jesus acima de nossas forças? Precisamos de algo mais? Bons livros os temos aos milhares, exemplos também são inúmeros, provindos dos incansáveis batalhadores que nos antecederam e de alguns que conosco ainda partilham a jornada.

Já dispomos do Evangelho de Jesus e da rica literatura espírita, norteando as nossas ações; igualmente conhecemos as vidas dos mártires, testemunhos inolvidáveis em todos os tempos, para nos incentivar e inspirar! De que mais precisamos?

Rogério Miguez
Fonte: Agenda Espírita Brasil

Referências:

(1) XAVIER, Francisco C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. A Índia, it. Os arianos puros;
(2) KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. q. 784;
(3) O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. it. 2;
(4) FRANCO, Divaldo P. Transição Planetária. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. cap. 2 – O visitante especial. p. 26;
(5) ______. cap. 3 – A mensagem revelação. p. 35 e 36; e
(6) ______. cap. 6 – O serviço de iluminação. p. 62 e 63.