Total de visualizações de página

19 abril 2017

Asas da Libertação - Joanna de Ângelis


ASAS DA LIBERTAÇÃO


Se pretendes mergulhar nos fluidos superiores da Vida, desvendando os complexos mecanismos da existência, ora e medita.

A prece levar-te-á ao norte seguro e a meditação fixar-te-á no centro das aspirações superiores, harmonizando-te.

Se desejas permanecer em paz integral, consolidando as conquistas espirituais, renuncia e esquece todo o mal.

A renúncia ensinar-te-á libertação das coisas e das conjunturas afligentes e o esquecimento de qualquer mal ser-te-á o pilotis para a libertação plena.

Se planejas integração no bem, ampliando a visão do amor, trabalha e serve ao próximo.

O trabalho enriquecer-te-á de valores inquestionáveis e o serviço da caridade ao próximo, proporcionar-te-á oportunidade de iluminação pessoal com doação de felicidade aos outros.

Se queres a consciência tranqüila no teu processo de busca e de redenção, persevera e acompanha os que sofrem, não os deixando a sós.

A perseverança no bem dar-te-á generosidade natural e a companhia ao lado dos infelizes far-te-á sábio pelas técnicas de amor que aprenderás a utilizar para o êxito no ministério.

As duas primeiras linhas do comportamento podem ser a tua vertical de silencioso crescimento para Deus, na luta íntima, sem testemunhas, muitas vezes chorando e sofrendo, como se o solo da alma fosse rasgado para que se fixasse a trave em que te apóias e amparas.

As duas atitudes outras são a linha horizontal da tua vivência espiritual e fraterna com as criaturas humanas do teu caminho.

Já não é a busca em estrangulamento das paixões, mas a doação em sorrisos de alegria, distribuindo estímulos e coragem em nome do amor que reflete o Grande Amor.

Uma cruz a tua vida!

Nela, de braços abertos, tu te encontras.

Já não há dor, nem aflição.

Lentamente verás transformar-se a trave horizontal em asas de luz, e, livre, ascenderás na direção do Sublime Crucificado, que a todos nos aguarda em confiança de paz.


Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P. Franco
Livro: Otimismo

18 abril 2017

Como ajudar seus entes queridos desencarnados e se ajudar também - Sandra Cecilia



“COMO AJUDAR SEUS ENTES QUERIDOS DESENCARNADOS E SE AJUDAR TAMBÉM. ”


Fiquei alguns dias aborrecida, entediada. Acordava de manhã e só conseguia focar os problemas. Já percebeu que se você marca um problema ele aumenta? Aparece uma grande lente de aumento que torna tudo mais penoso e sofrido.

E, quando você está pensando no problema vem outros muito mais importantes: o jeito de encarar a dificuldade. Dificuldade - difícil. O que parece difícil pode ficar intransponível. É como trombar com um monte de pedras enormes na estrada. E você não vê que o caminho tem flores também. As pedras machucam e , nem sempre dá para pular as pedras. E, correr para tomar banho de rio ou de cachoeira. E, quando a cachoeira está longe e as pedras grandes a frustração dá um baque no corpo. Aí, a gente faz drama. Senta na pedra e faz cara de coitado. Chora; chama os guias e, nem sempre uma oração para fortalecer a alma.

Mal sabe que, após as pedras haverá um caminho mais leve se você enfrentar. Se parar nas pedras vai sentar e chorar. Ou vai voltar e perder a linda paisagem.

Reconhecer o problema é ser realista, mas é melhor não chamar de problema e, sim, desafio. O desafio é uma palavra mais bonita.

Chega a ser chique, não é? Problema - é chato.

E, quando estou assim, tudo fica mais chato. Aí, eu me lembro da casa do meu pai. E, quando tocava a campainha e ele atendia. Sempre sorrindo. A sala era mágica. E, lá conversávamos sobre Espiritismo. Na verdade, tinha vontade de chorar, reclamar da vida mas seria muito egoísmo da parte. Meu pai estava atravessando problemas sérios de saúde que limitavam sua vida bastante. Mesmo assim, conversávamos muito e eu gostava dos seus conselhos. E, se eu chegava durante à tarde, íamos para a cozinha onde a Ana Luiza, sua esposa preparava um delicioso café. E, sempre havia bolo. E, se eu estava com vontade de chorar a vontade passava logo. A casa do meu pai era um lugar seguro e aconchegante. Visitá-lo não era uma fuga ; era uma saída, sentir a sensação familiar de aconchego.v E, sempre chegava mais alguém, meu irmão, minha irmã. E, quando estou com problemas e, passo perto da casa dele sinto um aperto: " 

"- Meu pai não vai mais atender à porta!"- é sempre um pensamento saudoso egoístico. Procuro não relembrar os oito meses de doença grave enfrentados por ele. Não me regozijo da liberdade espiritual merecida que ele deve estar desfrutando. Na minha saudade egoística um dia clamei:

"- Pai, o senhor pode me ajudar?"- nos primeiros meses os sonhos eram frequentes. Cheguei a ouvir sua voz grave me chamar. E, numa noite, tive um sonho memorável que pode ter sido um desdobramento espiritual. Estava num local cheio de gente e uma senhora me chamou:

- Sandra, seu pai quer falar com você! - ele veio e me abraçou. E me deu um beijo no rosto. Foi tão bom! E, agora, mesmo sendo espírita, umbandista a verdade é essa:

- Sua presença física não mais
- Poder ligar para ele?- sem chances
- Sentar e tomar café com ele junto com a família toda. Sem chances.
- Almoços e festas de aniversário- sem ele. ( sem a presença física)

A gente sabe que eles estão presentes e mais vivos do que nunca mas temos que enfrentar essa ilusória falta. E, quando temos problemas queremos o colo materno, o colo paterno ,um lugar seguro onde possamos descansar das lutas.

E, se eu ficar nessa onda frustrante de nostalgia posso entrar em depressão ou sufocar meu pai de pensamentos negativos. E, tentando ser feliz, você ajuda seu ente querido a melhorar, a viver em outro plano. Olhar para o nosso umbigo traz mais pesar. Quantas perdas você já sofreu? Se for a morte de um filho o pesar pode durar a encarnação toda. No entanto, Deus costuma dar uma compensação para que você enfrente uma provação ou seja um novo desafio. Manda sempre energias positivas, um pouco mais de consolo, novos amigos, novas sensações e fluidos regeneradores. E, você acaba enfrentando o vazio inevitável através de um novo projeto de vida, da caridade, de um recomeço.

Perdas físicas são inevitáveis, mas as piores são as espirituais. Deixar de amar, brigar, fazer conflitos. São marcas de sofrimento. Uma consulente perdeu o irmão há quinze dias. Numa consulta comentou sobre o luto e disse que estava triste, mas sentia que o irmão estava bem. Ás vezes, sentia vontade de chorar e ficava triste. A tristeza faz parte desse processo. O seu irmão não estava doente e era relativamente jovem. Enfarto fulminante. Minha consulente viajou uns quatro dias, mas disse que estava enfrentando o luto com muita força. E disse que se sentia relativamente bem, apesar da tristeza. Voltou às tarefas domésticas e ao trabalho. E, me contou que, saber que a vida não acaba com a morte era um grande consolo. Quando estou de mal com a vida procuro orar mais e pedir o apoio dos meus guias.

Converso com minha mãe espiritualmente e sei que ela me ouve. Converso com meu pai espiritualmente. Eles também precisam de paz e refrigério. E, também, precisam de nossas preces.

Morrer em vida é muito pior do que perder alguém fisicamente.

Se você acreditar no movimento da vida e no fluir da esperança, estará preparado para enfrentar as prováveis perdas que não são perdas.

Algumas pessoas vão à campa dos entes queridos orar ou adorná-la com flores. Sim; seu ente querido sentirá o aroma das flores e sua energia amorosa. Outros, rezam em templos, olhando para o porta-retratos ou mesmo num choro dorido de saudade. Eles gostam de ser lembrados, mas o desespero os aflige.

Outras pessoas querem recados e mensagens espirituais. Há uma profusão de médiuns habilitados para tal mas, de repente, você dorme e vai ao encontro deles. Sem tensão; sem cobranças. Acorda revitalizado e otimista. E mal sabe que bateu um longo papo com seu filho, seu ente querido ou amigo.

A vida sempre nos oferece a semente da esperança, da fé e da luz. Não procure luz olhando para as trevas. Acenda o candeeiro. A vida vai achar um jeito de lhe ajudar de acordo com sua crença e seu jeito de funcionar diante dos momentos.

Seu filho, seu namorado, seu pai, sua avó, estão todos vivos. E, não estão num céu fictício e, nem mesmo num inferno incandescente. Estão vibrando pela sua felicidade. Ouvem seu pranto ou sua risada. Não há distancia para a eternidade. Mesmo que seu filho tenha partido pelas portas do suicídio não acredite na voz da sombra e de eterno sofrimento. Jesus é misericordioso. As folhas caem e começa tudo de novo! As flores voltam!

E, pare de pensar tanto no "morto" e olhe em volta! Os "vivos" precisam de você e, você precisa deles.

Depois das pedras vem uma estrada florida e, quiçá, você nem precise das pedras para aprender a caminhar.

A verdade é inevitável: um dia você vai partir dessa para melhor. Nem pense nisso e viva um dia de cada vez. Seu ente querido precisa de paz, silêncio e repouso nos primeiros tempos, mas de repente, se você ficar chamando muito por ele poderá assustá-lo ou confundi-lo. Cada ser tem seu processo evolutivo!

Dedico esse texto ao meu querido meu pai Sinval e minha querida Mãe Leny e tantos outros que já se foram.

E todos que amam e vivem o frescor da esperança!


Sandra Cecilia

17 abril 2017

A Criança Cura - José Carlos De Lucca



A CRIANÇA CURA


A criança que fui chora na estrada. Deixei-a ali quando vim a ser quem sou. Mas hoje, vendo que o que sou é nada, Quero ir buscar quem fui onde ficou. Fernando Pessoa (Poema - A Criança que Fui Chora na Estrada)


Muitos buscam a saúde para serem felizes. Estamos andando na contramão. Busquemos primeiramente a felicidade e a saúde virá por consequência. Esse é o roteiro proposto por Jesus ao nos ensinar que deveríamos em primeiro lugar buscar o reino de Deus, porque tudo o mais nos seria acrescentado.(Mateus: 6, 33) A saúde é filha da felicidade, é conseqüência e não causa, é fruto e não árvore.

Muitos enfermos vivem mal-humorados, azedos, pessimistas e agressivos, portanto não buscam o remo de Deus em si mesmos, e por isso a lâmpada da saúde não se acende quando a mente está em trevas.

A felicidade produz um aroma tão espetacular que atrai todas as coisas boas em seu caminho. A doença se estabelece quando não estamos sendo capazes de sentir felicidade em nossa vida.

Onde, pois, encontrar a felicidade? Ela não está fora de você, não é um carro, uma casa, um emprego, uma pessoa. A felicidade é o produto de um estado de consciência que brota da satisfação de nos sentirmos realizados perante a vida. O homem se realiza quando ele emprega com sabedoria todos os potenciais de sua alma, fazendo aquilo que esta de acordo Com a sua natureza Em palavras muito simples e resumidas, o ser humano é feliz quando ele coloca alegria em tudo aquilo que faz. E a alegria é um dos melhores tônicos para a saúde.

Quando, porém, o homem não realiza seu propósito de vida, quando não vibra na pauta da alegria, geralmente a alma se entristece em forma de doenças das mais variadas espécies Muitos escolhem seus caminhos profissionais apenas com vistas a possibilidade de enriquecerem a qualquer custo. Trocam seus sonhos a custa de obterem status e segurança financeira. Depois gastam o que acumularam em remédios e tratamentos paliativos, pois os buracos da alma não se preenchem com nada que não seja a realização de si mesmo. O tédio e o vazio existencial são os agentes nocivos mais perigosos da nossa saúde.

Busque saber se a doença não é um grito de sua alma dizendo que esta insatisfeita com a vida que você esta levando. Ajuda muito nessa hora, voltar ao passado e reencontrar os sonhos da sua criança, pois os pesadelos de hoje são a sombra escura dos sonhos do ontem que não se viveram.

Há quanto tempo você não se permite fazer algo que alimente seu espírito de alegria e satisfação? Lembre-se da sua infância e ira se recordar que, com muito pouco, você era feliz porque seus sonhos eram alimentados a todo o instante. Com sua criatividade e imaginação, um simples cabo de vassoura se transformava na espada mágica de um super-herói. Com uma bola de meia em uma rua esburacada nos sentíamos como um verdadeiro astro do esporte. E tomávamos chuva, andávamos descalços, ficávamos no sereno, vivíamos com as mãos sujas de terra, e quando doentes nos tratávamos com o farmacêutico do bairro.

Tudo isso porque éramos felizes.

E por que agora você tem mais facilidades e não desfruta a mesma alegria de Viver? Porque largou sua criança em algum trecho do caminho.

A enfermidade é um convite para que você a reencontre. Conecte-se com sua criança interior, ela saberá apontar o que esta faltando para você ser feliz. Busque cada vez mais fazer o que gosta e se não puder fazer tudo o que gosta, aprenda a gostar de tudo que faz. Eis ai o segredo da felicidade.

Não permita que uma pessoa idosa habite seu corpo, pois isso é um passaporte para o mundo das enfermidades. Desperte a criança que ainda vive em você, deixe que ela lhe traga mais alegria, espontaneidade, curiosidade, espírito de aventura, contentamento, criatividade, divertimento e pureza. Ai está um verdadeiro laboratório de remédios poderosos para curar qualquer doença. Jesus falou que somente entrarão no Remo dos Céus os que se assemelhem as crianças(Mateus; l8,3) E poderíamos complementar que somente entrarão no reino da saúde os que viverem a felicidade de uma criança.

Busque saber se a doença não é um grito de sua alma dizendo que está insatisfeita com a vida que você esta levando.


José Carlos De Lucca
 Capítulo 17 do livro: O Médico Jesus

16 abril 2017

Na plana, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem desperta - Jorge Hessen



NA PLANTA, A INTELIGÊNCIA DORMITA; NO ANIMAL, SONHA; SÓ NO HOMEM DESPERTA


O cálculo do biólogo Ernst Mayr, da Universidade Harvard, sobre a possibilidade de a natureza produzir seres inteligentes pelos processos evolutivos conhecidos é quase uma sugestão de que os seres humanos são mesmo produtos “sobrenaturais”. De 30 milhões de espécies vivas atualmente e de cerca de 50 bilhões de outras espécies vivas ou que já viveram e desapareceram, somente o homo sapiens desenvolveu inteligência superior.

Sabe-se que o homo sapiens surgiu na África Oriental entre 190.000 e 160.000 anos atrás, depois se espalhou para o leste do Mediterrâneo em torno de 100.000 a 60.000 anos atrás, e pode ter chegado na China há 80.000 anos. Atualmente os seres humanos estão distribuídos por toda a Terra. O homo erectus, uma pré espécie crucial na evolução do ser humano atual (homo sapiens), parece ter evoluído em solo africano há cerca de 1,8 milhões de anos, migrando posteriormente para a Ásia e depois para a Europa. Porém, foi há apenas 6.000 ou 8.000 anos que alguns homens abandonaram por fim a vida selvagem e deram-se à árdua agricultura, que tornou possível o aparecimento das primeiras aldeias sedentárias no Oriente Médio. Os primórdios de nossa civilização urbana remontam aos mais primitivos sítios neolíticos, em Jericó, por volta de 6000 a.C. e em Jarmo, no Iraque, por volta de 4500 a.C.

Hoje, como explicar que nós, homo “erectus/sapiens”, tenhamos cérebros capazes de teoremas, teorias científicas e seriados de TV, num mundo em que nenhuma outra espécie foi muito além dos grunhidos e das ferramentas de pau e pedra? Analistas materialistas argumentam que o fator causador da inteligência humana se restringe à incapacidade dos bebês. Para os acadêmicos devaneadores, os nenéns indefesos motivaram a evolução da inteligência, afinal, não há nenhuma outra espécie de bebês tão “incapazes” como os humanos. Dizem!

Em verdade, a Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana. O período da humanização começa, geralmente, em mundos ainda inferiores à Terra. Isso entretanto não constitui regra absoluta, pois pode suceder que um Espírito, desde o seu início humano, esteja apto a viver na Terra. Não é frequente o caso; constitui antes uma exceção. Nos seres inferiores, cuja totalidade estamos longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos.

Em verdade, o princípio inteligente consumiu, desde os vírus e as bactérias das primeiras horas do protoplasma na Terra, mais ou menos quinze milhões de séculos [1 bilhão e meio de anos], a fim de que pudesse, como ser pensante, embora em fase embrionária da razão, lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo (inteligência humana) para os Espaços Cósmicos.” [1] Diz-se que a força anímica no mineral é atração, no vegetal é sensação, no animal é instinto, no homem é razão e no anjo é divindade. Nessa direção caminha Leon Denis quando propõe a sua versão romântica da evolução proferindo: que o princípio inteligente dorme na pedra, sonha na planta, agita-se no animal e desperta no homem. Ou seja: Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente.

A inteligência é o atributo essencial do Espírito, em razão do qual toma ele conhecimento de sua própria existência e exerce atividades voluntárias e livres. Quando o Espírito atinge o grau de humanização, sua inteligência adquire desenvolvimento superior, como o surgimento da razão e do senso moral, que lhe facultam a capacidade de conceber e reconhecer a existência de Deus. Sendo a inteligência, em sua plenitude, a faculdade de pensar e agir racional e deliberadamente, os atos inteligentes são conscientes, voluntários, livres e calculados. São, além disso, suscetíveis de variações, porque a inteligência, variável e individual por excelência, é suscetível de progresso.

É bem verdade que o patinho, logo que rompe a casca do ovo que o mantinha encerrado, se vê próximo a um córrego ou a um lago, por instinto corre alegremente para ele e lança-se na água, nadando imediatamente com perfeição. Onde aprendeu o pato a nadar? São igualmente instintivos o ato do castor, que constrói sua casa com terra, água e galhos de árvores; o ato dos pássaros, que constroem com perfeição seus ninhos; o ato da aranha, que tece com precisão sua teia. Veem-se já aí alguns dos caracteres do instinto: é algo inato, perfeito e específico, ou seja, surge espontaneamente, sem prévia aprendizagem, em todos os indivíduos de uma mesma espécie e leva a atos completos, acabados, perfeitos, desde a primeira vez que são realizados.

Descrevem os Espíritos que a inteligência humana, se comparada entre alguns homens e certos animais, em muitas vezes é superior nesses animais. Por isso, é difícil estabelecer uma linha de demarcação em alguns casos. Porém, ainda assim o homem é um Ser à parte, que desce às vezes muito baixo [irracionalidade] ou pode elevar-se muito alto. “É bem verdade que o instinto domina a maioria dos animais; mas há os que agem por uma vontade determinada, ou seja, percebemos que há uma certa inteligência animal, ainda que limitada.” [2]

Na questão 593 de O Livro dos Espíritos, os benfeitores espirituais esclarecem que nos animais há mais do que simplesmente instintos. Há neles certa inteligência incipiente ou limitada. E para não deixar dúvidas, na pergunta 597, informam que essa inteligência capaz de, em pequeno grau, atenuar o determinismo biológico, dando-lhes um pouco de liberdade de ação e expressão de vontade íntima, sobrevivendo ao corpo físico. Não é ainda propriamente um Espírito, alma humana encarnada, mas o princípio inteligente que faz parte da cadeia evolutiva referida na questão 540. [3]

A inteligência é uma propriedade comum, um ponto de contato entre a alma dos animais e a do homem. Porém os animais só possuem a inteligência da vida material. No homem, a inteligência proporciona a vida moral. O princípio inteligente que constitui a Alma com a natureza específica de que são dotados provém do elemento inteligente universal. Emanam de um único princípio a inteligência do homem e a dos animais. Porém, no homem passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal.

Somente com a cooperação do Espiritismo poderá a ciência definir a sede da inteligência humana, não nos complexos nervosos ou glandulares do corpo perecível, mas no espírito imortal. Os valores intelectivos representam a soma de muitas experiências, em várias vidas do Espírito, no plano material e espiritual. Uma inteligência profunda significa um imenso acervo de lutas planetárias e extrafísicas. Atingida essa posição, se o homem guarda consigo uma expressão idêntica de progresso espiritual, pelo sentimento, então estará apto a elevar-se a novas esferas do Infinito, para a conquista de sua perfeição.



Jorge Hessen


Referências bibliográficas:


[1] Xavier, Francisco Cândido. Evolução em dois mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, cap. VI , Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2012

[2] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg. 592

[3] Idem questão 593, 597, 540

15 abril 2017

Inumanidade - Divaldo P.Franco


 INUMAIDADE


Quando pensamos que já vimos praticamente tudo que diz respeito ao comportamento humano, somos surpreendidos por novos terríveis episódios que nos exigem reflexão profunda.

A mídia apresentou durante a semana anterior [agosto 2014], a barbárie cometida pelos fanáticos religiosos que militam na Síria destroçada, gravando e exibindo depois a terrível façanha do degolamento de um jornalista americano, sendo seu sicário, conforme estudos cuidadosos de linguagem, um jovem nascido na Inglaterra e que teria vivido em Londres.

Arrebanhado, como centenas de outros inimigos da humanidade homiziados naquela região belicosa e cruel, não trepidou em assassinar friamente e com requintes de crueldade um seu irmão que estava em serviço digno, como responsável por apresentar ao mundo os horrores indescritíveis da guerra já existente, sustentada por nações que pregam as liberdades e os direitos humanos... Posteriormente, um outro fanático, apresentou o filho segurando uma cabeça humana também decepada do seu corpo, na condição de herói. Estarrece-nos acompanhar as sucessivas ondas de terrorismo e de hediondez, enquanto também se fala em ajuda humanitária para as vítimas dos psicopatas que enxameiam na sociedade contemporânea.

A crueldade é uma das características do ser humano quando tresvaria, mas a onda se faz tão volumosa que a todos nos aparvalha, ante o seu crescimento em toda parte, desde a violência do lar, a todas as outras expressões, incluindo os crimes covardes, que se denominam como do colarinho branco. Sucede que o ser humano ainda não conseguiu vencer os instintos agressivos que nele permanecem em predomínio, porque a síndrome do poder com todas as suas forças levam-no à desordem mental.

Indispensável que cada um de nós reflita em torno do próprio comportamento e busque transformar-se para melhor, lutando tenazmente contra a inferioridade moral e espiritual que vige no íntimo e busque a autoiluminação, mudando o mundo.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 28.8.2014

14 abril 2017

Penitenciárias – Orson Peter Carrara



PENITENCIÁRIAS


Coincidindo com a crise prisional no país, encontro na sabedoria de Amália Domingo Soler, no fabuloso livro A Luz do Caminho, que está esgotado e logo estará reeditado, o notável capítulo A Eterna Justiça, que parece foi escrito para a atualidade do país, embora escrito há mais de um século. Faço aqui pequenas transcrições parciais do citado capítulo:

1) Você então acredita que com suas prisões se consegue a cura do criminoso? É um equívoco gravíssimo, porque, como regra geral, seus condenados são homens quando entram nos calabouços, mas ali se convertem em feras indomáveis (...);

2) (...) se dobram o corpo sob o poder do chicote, não dobram seu Espírito, pois continuamente se está vendo que os crimes mais terríveis, que os atentados mais cruéis, que o ódio mais concentrado, quem os sente ou os comete?

3) Eis como funciona a corrigenda de um criminoso de ontem, e não é porque seja um monstro da iniquidade, mas porque matou, sem estudar a natureza do seu crime, as leis o condenaram a alguns anos de prisão.

4) (...) entrou na prisão aturdido, surpreso e assustado por sua própria obra; entrou como aprendiz, como se costuma dizer, na oficina dos crimes e saiu mestre consumado, o que prova que seus castigos violentos produzem um resultado completamente negativo, o que não ocorreria se os criminosos fossem tratados como se tratam os enfermos.

5) (...) embora falte muito para que os enfermos pobres sejam tratados nos hospitais com as considerações e atenções devidas, não os golpeiam e não os submetem a continuados jejuns para curar suas doenças; dão-lhes medicamentos, alimentos, fazem operações que, conquanto dolorosas, têm por objetivo separar o membro gangrenado do resto do corpo, para que este se conserve saudável.

6) Ora, se assim tratam as enfermidades do organismo, com relativo acerto e com o sadio desejo de conseguir a cura completa, por que não fazem o mesmo com as enfermidades da alma?

7) Que vocês pensam que são os criminosos? (...) cada um deles apresenta distinta enfermidade (...) quanta diferença existe na origem da criminalidade!

8) Curar a doença por meio de um tratamento geral é como se num hospital cheio de enfermos, cada um com sua doença particular, dessem a todos o mesmo medicamento, pretendendo que se curasse com o mesmo remédio o tuberculoso incurável e aquele que somente tivesse uma leve febre.

9) Dia chegará (...) em que suas horríveis prisões serão substituídas por casas de saúde, onde os criminosos serão julgados, não por juízes, mas por sábios psiquiatras, e cada ser que cometa um delito será um livro aberto no qual o médico encarregado de sua cura lerá constantemente.

10) A doçura é o modo de corrigir os culpados; (...) os crimes diminuirão à medida que os criminosos sejam considerados doentes em estado gravíssimo que necessitam de especiais cuidados e múltiplas atenções, e de alguém que os ensine a trabalhar e, o que é mais difícil, a amar o trabalho (...)

11) Que diferentes resultados obterá o sistema penitenciário de que se fará uso nos séculos vindouros!

Nossas autoridades precisam conhecer uma sábia orientação dessa natureza. O império do materialismo, da indiferença e o predomínio do egoísmo formam esse quadro complexo que estamos enfrentando no país. Daí a imperiosa necessidade da expansão da visão imortalista da vida, que não se resume a algumas décadas nesse corpo frágil que utilizamos.

Concluo com trecho no final do capítulo: “(...) eduquem-nos (...) para que comecem a ser úteis a seus semelhantes, porque toda água que se dá aos sedentos, encontra-la-ão depois em gotas de precioso bálsamo que lhes servirá mais tarde de alimento e vida (...)”.

Não é o grande desafio da nação? Até onde vamos com nossa indiferença? Multiplicam-se os condenados e penitenciárias, esquecidas as autoridades do poder da educação (e sua estrutura, claro!) Que, curiosamente, começa em casa, antes do berço, no aconchego familiar, no exemplo dos pais e no Evangelho do Cristo, único capaz de formar autênticos homens de bem.




13 abril 2017

A degeneração da personalidade - Jane Maiolo


 

A DEGENERAÇÃO DA PERSONALIDADE




Pilatos perguntou-lhe outra vez: Nada respondes? Vê de quantos delitos te acusam! [1] Marcos 15,4

A reencarnação, como lei natural, na sua expressão mais simples, consiste no retorno do Espírito às experiências no mundo físico. Como um dos princípios básicos, da Doutrina Espírita, ensinam os Benfeitores, que a reencarnação é oportunidade de recomposição dos caminhos , reparação dos erros, reaquisição de valores morais, e reequilíbrio das energias psíquicas e emocionais.

É fato que mergulhados na persona, muitas vezes, nos equivocamos e nos afastamos do planejamento reencarnatório. Por diversas vezes o Espírito, senhor de suas opções quando credor, pelo atributo divino da relativa liberdade de escolha, comete infrações que lesam o seu patrimônio espiritual, comprometendo-se com porvindouros ingressos no arcabouço fisiológico sob os impactos de densas experiências provacionais e ou expiatórias.

Deus, que é Amor, como nos lembra o apóstolo João, permite-nos nova aprendizagem, a fim de que haja uma harmonia divina no ordenamento da Sua criação.

Imperioso lembrar, porém, que não existe comoções de caráter punitivos nos estatutos e códigos divinos. Ensina-nos o Espiritismo que a existência física oportuniza aprendizagem, às vezes indesejadas por espíritos rebeldes, insolentes e comprometidos com as leis divinas. O Espírito Emmanuel nos ensina que “A lei divina é uma só, isto é, a do amor que abrange todas as coisas e todas as criaturas do Universo ilimitado (...) A concessão paternal de Deus, no que se refere à reencarnação para a sagrada oportunidade de uma nova experiência, já significa, em si, o perdão ou a magnanimidade da Lei(...) Todavia, essa oportunidade só é concedida quando o Espírito deseja regenerar-se e renovar seus valores íntimos pelo esforço nos trabalhos santificantes. ”[2]

Deste modo, a reencarnação é o amor do Criador em movimento, regenerando a criatura.

O espírito em evolução, por inúmeras causas, engendra-se em experiências dolorosas como prova ou em face da consequência de suas ações mentais fixadas na má persona do passado, conservando, assim, sentimentos que necessitam de reajustes forçosos. Desta forma, decorre a degeneração de suas potências sublimes porquanto criatura energética e luminosa, produzindo as deformidades de ordem fisiopsíquicas refletidas no corpo físico.

As deficiências orgânicas são quase sempre reflexos da queda de potencial das energias espirituais.

A doença é sempre o efeito e nunca a causa das dores.

A dor tem função corretiva, pedagógica, instrutiva e reeducativa, portanto não dimana de Deus, porque segundo a Lei é reflexo de quem erra.

Degenerar-se significa decompor-se, corromper-se, depravar-se moralmente.

A advertência do “Salva-te a ti mesmo, e desce da cruz”, anotada pelo evangelista Marcos, traz a reflexão oportuna para traçar novos rumos evolutivos.

Não haverão acusadores, nem juízes.

Despertemos para a grandeza da evolução e glorifiquemos a reencarnação.


Bibliografia:

[1]- Marcos 15,4


[2]-XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, questão 333, RJ: Ed. FEB, 1942




12 abril 2017

A carne é fraca - Antônio Carlos Navarro



A CARNE É FRACA

“Há tendências viciosas que são evidentemente próprias do Espírito, porque se apegam mais ao moral do que ao físico; outras parecem antes dependentes do organismo, e, por esse motivo, menos responsáveis são julgados os que as possuem: consideram-se como tais as disposições à cólera, à preguiça, à sensualidade etc.

Hoje está plenamente reconhecido pelos filósofos espiritualistas que os órgãos cerebrais correspondentes a diversas aptidões devem o seu desenvolvimento à atividade do Espírito. Assim, esse desenvolvimento é um efeito, e não uma causa.

Se a atividade do Espírito reage sobre o cérebro, deve também reagir sobre as outras partes do organismo.

O Espírito é, deste modo, o artista do próprio corpo, por ele talhado, por assim dizer, à feição das suas necessidades e à manifestação das suas tendências.

Desta forma a perfeição corporal das raças adiantadas deixa de ser produto de criações distintas para ser o resultado do trabalho espiritual, que aperfeiçoa o invólucro material à medida que as faculdades aumentam.

Por uma consequência natural deste princípio, as disposições morais do Espírito devem modificar as qualidades do sangue, dar-lhe maior ou menor atividade, provocar uma secreção mais ou menos abundante de bílis ou de quaisquer outros fluidos.

…Compreende-se que um Espírito irascível deve encaminhar-se para estimular um temperamento bilioso, do que resulta não ser um homem colérico por bilioso, mas bilioso por colérico. O mesmo se dá em relação a todas as outras disposições instintivas: um Espírito indolente e fraco deixará o organismo em estado de atonia relativo ao seu caráter, ao passo que, ativo e enérgico, dará ao sangue como aos nervos qualidades perfeitamente opostas. A ação do Espírito sobre o físico é tão evidente que não raro vemos graves desordens orgânicas sobrevirem a violentas comoções morais.

Pode admitir-se, por conseguinte, ao menos em parte, que o temperamento é determinado pela natureza do Espírito, que é causa, e não efeito.

E nós dizemos em parte, porque há casos em que o físico influi evidentemente sobre o moral, tais como quando um estado mórbido ou anormal é determinado por causa externa, acidental, independente do Espírito, como sejam a temperatura, o clima, os defeitos físicos congênitos, uma doença passageira etc.

O moral do Espírito pode, nesses casos, ser afetado em suas manifestações pelo estado patológico, sem que a sua natureza intrínseca seja modificada. Escusar-se de seus erros por fraqueza da carne não passa de sofisma para escapar a responsabilidades.

A carne só é fraca porque o Espírito é fraco, o que inverte a questão, deixando àquele a responsabilidade de todos os seus atos. A carne, destituída de pensamento e vontade, não pode prevalecer jamais sobre o Espírito, que é o ser pensante e de vontade própria.

O Espírito é quem dá à carne as qualidades correspondentes ao seu instinto, tal como o artista que imprime à obra material o cunho do seu gênio. Liberto dos instintos da bestialidade, o Espírito elabora um corpo que não é mais um tirano de sua aspiração, para espiritualidade do seu ser, e é quando o homem passa a comer para viver e não mais vive para comer.

A responsabilidade moral dos atos da vida fica, portanto, intacta, mas a razão nos diz que as consequências dessa responsabilidade devem ser proporcionais ao desenvolvimento intelectual do Espírito. Assim, quanto mais esclarecido for este, menos desculpável se torna, uma vez que com a inteligência e o senso moral nascem as noções do bem e do mal, do justo e do injusto.

Esta lei explica o insucesso da Medicina em certos casos. Desde que o temperamento é um efeito, e não uma causa, todo o esforço para modificá-lo se nulifica ante as disposições morais do Espírito, opondo-lhe uma resistência inconsciente que neutraliza a ação terapêutica. Por conseguinte, sobre a causa primordial é que se deve atuar. Dai, se puderdes, coragem ao poltrão, e vereis para logo cessados os efeitos fisiológicos do medo. Isto prova ainda uma vez a necessidade, para a arte de curar, de levar em conta a influência espiritual sobre os organismos.”

Caro leitor amigo, permitimo-nos, para nossas reflexões, transcrever acima parte do texto escrito por Allan Kardec e inserido no livro O Céu e o Inferno, capítulo VII, sobre a fraqueza do Espírito em relação ao seu corpo físico.

Pensemos nisso.


Antônio Carlos Navarro


11 abril 2017

Como devemos cuidar de quem está próximo da morte - Regis Mesquita



COMO DEVEMOS CUIDAR DE QUEM ESTÁ MUITO PRÓXIMO DA MORTE



A jornada na Terra sempre chega ao fim. Algumas vezes é necessário que o processo da velhice, doença e morte seja acompanhada de perto por alguém.

Esta pessoa pode ser você, que terá a responsabilidade de garantir o respeito, a dignidade e o conforto físico de seu parente amado.

Acredito eu que não exista gesto mais nobre de amor. Tenho a certeza que também não existe momento mais oportuno para o aprendizado e para a vivência espiritual.

Muitas pessoas sentem-se desconfortáveis frente à morte. Mas, acredite, para o espírito é um momento belo e grandioso. Este texto tem a missão de desmistificar a morte, facilitar sua vida ao lado da pessoa que se prepara para partir e te ajudar a viver plenamente o amor que existe dentro de você (sem medo e sem receio).

Se este texto for útil para você, será para outras pessoas. Portanto, te convido a divulgar o link deste texto.

"A separação da alma e do corpo é dolorosa?
— Não; o corpo, frequentemente, sofre mais durante a vida que no momento da morte; neste, a alma nada sente. Os sofrimentos que às vezes se provam no momento da morte são um prazer para o Espírito, que vê chegar o fim do seu exílio.

No momento da morte, a alma tem, às vezes, uma aspiração ou êxtase, que lhe faz entrever o mundo para o qual regressa? — A alma sente, muitas vezes, que se quebram os liames que a prendem ao corpo, e então emprega todos os seus esforços para os romper de uma vez. Já parcialmente separada da matéria, vê o futuro desenrolar-se ante ela e goza por antecipação do estado de Espírito."

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos

Ajudar alguém nos últimos meses ou anos é uma das maiores responsabilidades que alguém pode ter. Sob certos aspectos é bem mais difícil que criar uma criança. A criança coleciona conquistas, o idoso ou o doente coleciona dificuldades. Mas, porém, virão conquistas; conquistas para o espírito e para o amadurecimento pessoal. Nesta fase os grandes ganhos não são exteriores, são interiores.

Tenha claro esta realidade: há muito aprendizado nos últimos anos de vida.

E mais, são alguns dos aprendizados mais importantes para o futuro do espírito.
Uma criança nasce e aprende a falar e a andar. São ganhos que parecem grandes, mas que se perdem com o falecimento. Já os aprendizados dos últimos anos são realmente centrais para o espírito. Por exemplo: uma pessoa muito orgulhosa, ao se ver necessitada de ajuda, descobriu na humildade a paz que lhe faltou por toda a vida. Ela dizia: "Meu Deus, porque não aprendi a viver assim antes?" Não aprendeu antes, mas aprendeu quando as limitações físicas se fizeram mais fortes.

Alguém poderia dizer; "antes tarde do que nunca". Quem conhece a vida espiritual sabe que NUNCA é tarde para esta transformação positiva. Esta transformação será muito importante por décadas e séculos.
Por isto, não fique tão triste com as perdas que acompanham a velhice e as doenças. São oportunidades únicas. São oportunidades importantíssimas.

Primeiro porque "tira de cima da pessoa" o peso da sociedade. A sociedade é uma prisão brutal para grande parte das pessoas.
Somos orgulhosos, esta é a verdade. São raríssimos os seres humanos que não são orgulhosos. A doença e as limitações da idade jogam por terra grande parte das vaidades, orgulho e desejo de ser aceito (os místicos dizem: tudo desaba). É um choque que coloca o ego da pessoa lá embaixo; algumas até deprimem. Mas, a queda do ego é a porta aberta para a emersão do que é realmente importante para o espírito.

São bilhões de pessoas que tem na velhice e nas doenças as últimas oportunidades para realizar seu progresso espiritual.

Importante: aprenda a olhar para a pessoa amada como um espírito que dá os últimos passos e que tem as últimas oportunidades de realizar conquistas nesta vida (nesta encarnação).

O corpo perde, mas o espírito pode ganhar. O corpo vai finalizar, mas a vida espiritual ainda é longa. Por isto, tranquilize-se com as perdas. Tenha serenidade para acompanhar estas perdas. Cuide com carinho, mas treine-se para o desligamento. Aceite cada passo que a natureza der; traga conforto e use sempre um diálogo espiritualizado para facilitar o entendimento e a superação das dificuldades.

Treine com a mensagem de Jesus: "seja feita a Sua vontade". Nada é perda, tudo é transformação. Tenha paciência, porque você é apenas alguém que acompanha uma trajetória que é muito pessoal e especial - a trajetória do seu ente querido até a libertação do corpo.

Veja a morte como saudade para quem fica e liberdade para quem vai. É uma libertação, porque chegará um momento em que os aprendizados serão pequenos; este é o momento de voltar para a vida espiritual.


Autor: Regis Mesquita – Blog Nascer Várias

 

10 abril 2017

Drogas; Viva feliz, sem elas! - Maria Heloísa Bernardo



DROGAS: VIVA FELIZ, SEM ELAS!
(Matéria publicada na Folha Espírita de dezembro de 2006)


O uso abusivo de drogas não deve mais ser considerado um fenômeno marginal, isolado ou restrito a grupos específicos da sociedade. Estatísticas de fontes especializadas, como a Organização Mundial de Saúde, por exemplo, indicam crescimento do consumo de substâncias psicoativas nos centros urbanos de todo o mundo, atingindo cerca de 10% das populações, independentemente de idade, sexo, nível de instrução e poder aquisitivo.

Segundo a psicóloga Maria Heloísa Bernardo, diretora-técnica do Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, em São Bernardo do Campo (SP), que atua na prevenção, tratamento e reintegração de dependentes químicos, a grande disponibilidade de substâncias psicoativas, associada à degeneração dos verdadeiros valores da vida, “éticos e morais”, juntamente com a desagregação da família, têm contribuído para o cenário atual, que envolve o uso, abuso e a dependência de substâncias, assim como o aumento no número de dependentes químicos.

Crianças e jovens são a faixa etária que apresenta, atualmente, maior vulnerabilidade. “Nesse período do desenvolvimento humano, as estruturas física, psíquica, emocional e espiritual do jovem ainda se encontram em desenvolvimento, ou seja, não estão totalmente formadas. Assim, o uso e o abuso de substâncias tornam-se muito mais lesivos. A puberdade e a adolescência são um período caracterizado pela necessidade de identificação com o grupo. Se ela ocorrer com grupos problemáticos, com predominância de comportamentos agressivos, anti-sociais ou uso de drogas, provavelmente colocará o jovem em situações de maior risco”, alerta. Mas a dependência é, como Maria Heloísa define, uma “síndrome democrática”: atinge homens e mulheres em todas as faixas etárias, raças, credos e condições socioeconômicas. “Historicamente, a maior demanda para uso, abuso ou dependência de substâncias, assim como a necessidade de prevenir e tratar, tem sido do gênero masculino. Porém, o grande aumento da incidência desse transtorno entre mulheres, crianças e outros grupos sociais tem impulsionado pesquisas e estudos na tentativa de compreender, prevenir e equacionar esse grave problema, ampliando e desenvolvendo recursos mais eficazes para prevenção, tratamento e reintegração social entre usuários, abusadores e dependentes de substâncias psicoativas”, comenta.

Predisposição

A diretora técnica do centro de tratamento paulista explica que a dependência química é uma síndrome biopsicossocioespiritual, ativada por predisposição pessoal, associada ao uso de substância psicoativa e erro pedagógico, ou seja, ensinar como certo algo que é errado. Um exemplo citado pela psicóloga é o de molhar a chupeta da criança na espuma da cerveja quando adultos bebem, “curar” o mau humor com calmantes e realizar todas as festas e celebrações regadas à bebida alcoólica. “Estamos enviando a mensagem subliminar aos jovens da família que ‘só é possível comemorar com bebidas’”, reflete.

Além de prejudicar o próprio usuário, a doença atinge a família e amigos. “O relacionamento mais significativo e profundo que qualquer pessoa desenvolve na sua existência é com a família ou com o seu grupo original. Assim, a síndrome da dependência química afeta sobremaneira a dinâmica desse grupo, levando-o a séria disfuncionalidade. A família também desenvolve uma síndrome paralela mais ou menos grave, conhecida como ‘síndrome da codependência’”, diz.

Codependente é qualquer pessoa cuja vida tenha ficado incontrolável por viver uma relação comprometida com um dependente. É uma síndrome definível que é crônica e segue uma progressão previsível. Quando uma pessoa, numa relação comprometida com um dependente, tenta controlar a bebida ou o uso de drogas ou um comportamento compulsivo (em que é impotente), perde o controle sobre o próprio comportamento (em que ela tem poder) e o domínio sobre a sua própria vida.

Prejuízo

Para aqueles que acham que consumir alguma substância uma vez ou outra não vai fazer diferença, a psicóloga avisa que todas as drogas resultam em algum tipo de prejuízo ao cérebro e, por conseqüência, ao organismo. “Da nicotina do cigarro, aceita socialmente, ao temível crack, qualquer substância psicoativa repercute negativamente na saúde do consumidor, e o usuário de qualquer uma delas poderá desenvolver a doença, se tiver predisposição”, alerta.

Envolvimentos espirituais crescem com uso de substâncias

Na mesma proporção que progride a síndrome no usuário de drogas, instalam-se os problemas espirituais. As substâncias psicoativas danificam, progressivamente, a mente, o corpo e o espírito, abrindo as portas para “presenças espirituais” danosas, com o conseqüente envolvimento espiritual que se intensifica.

À medida que a pessoa se torna escrava da substância, maior é o envolvimento espiritual em todas as áreas da sua vida. A síndrome da dependência leva a pessoa a buscar substâncias cada vez mais potentes devido à tolerância. Pode iniciar o uso com substâncias consideradas mais leves e evoluir para a utilização de várias delas ao mesmo tempo, independentemente da sua classificação.

Prevenção é o melhor caminho

Folha Espírita – Mas o que fazer para se manter longe das drogas?
Maria Heloísa Bernardo – Prevenção é sempre a melhor forma de proteção. Manter-se informado sobre as conseqüências do uso, abuso e dependência química, adaptando a linguagem às características do grupo, talvez seja a melhor forma de conscientização das pessoas para exercitarem o seu livre-arbítrio, ou seja, fazer escolhas apropriadas sobre usar ou não determinada substância. Essa orientação é particularmente importante para os jovens, que são a população mais vulnerável. Os profissionais de Saúde, por sua vez, também devem se manter cientificamente informados. Enfim, os profissionais, professores, pais e a sociedade de forma geral necessitam aprender para informar os jovens.

FE – E para deixar de ser um dependente químico?
Maria Heloísa – A dependência química é tratável, embora não se possa curá-la. Seus sintomas podem ser detidos através da abstinência total de toda e qualquer substância química que altere o humor. Além da abstinência, a vulnerabilidade do dependente químico à recaída pode ser controlada através de mudanças permanentes no estilo de vida, atitudes e comportamento.

FE – No que os amigos e a família podem ajudar?
Maria Heloísa – Educação sobre a dependência química e codependência é fundamental para todos. Orientação e tratamento especializado para a família ajudam a separar a crise do dependente da crise familiar, propiciando inicialmente o restabelecimento da comunicação entre o grupo familiar para desenvolver um plano terapêutico.

FE – Muitos dizem que a solidão é a melhor companhia do dependente químico. Isso é verdade?
Maria Heloísa – Sim, pois à medida que a síndrome progride a vítima se afasta do convívio social. A família e amigos também se afastam, devido a seu comportamento insano. Isso leva ao isolamento completo nas etapas finais da doença.



Centro de Tratamento Bezerra de Menezes

1.  Matriz: rua Batuíra, 400, bairro Assunção, São Bernardo do Campo (SP) - telefone (11) 4344-2222 

2. Unidade Ambulatorial São Paulo: rua Tenente Gomes Ribeiro, 57, cjs. 54, 55 e 56, Vila Mariana, São Paulo (SP) - telefones (11) 5573-3402 e 5082-4279 

3. Unidade de Assistência e Reintegração Social Paulínia: rua Hélio Polezer Júnior, 300, Parque Represa, Paulínia (SP) - telefones (19) 3884-1016 e 3884-6369 

Mais informações sobre o trabalho da entidade no site www.bezerrademenezes.org.br

O tóxico é o irmão mais sofisticado da cachaça, através da qual também nós temos perdido muita gente. A fascinação pelo tóxico é a necessidade de amor que o jovem tem. Mesadas grandes que não são acompanhadas de carinho e de calor humano paterno geram conflitos muito grandes. Muitas vezes a privação do dinheiro, o trabalho digno e o afeto vão construir uma vida feliz. (Lições de Sabedoria – Chico Xavier, Marlene R. S. Nobre) 

“Quando os pais, por qualquer motivo, não convivem com os filhos, eles podem ser adotados pelos traficantes” (Divaldo Pereira Franco)

“O tratamento e recuperação dessa síndrome exige boa vontade do dependente, atenção especializada e reformulação, baseadas em altos valores éticos morais e espirituais” (Maria Heloísa Bernardo, diretora-técnica do Centro de Tratamento Bezerra de Menezes)




Cláudia Santos entrevista a psicóloga Maria Heloísa Bernardo, Diretora do Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, que atua na prevenção, tratamento e reintegração de dependentes químicos


09 abril 2017

O Planeta Ideal - Carlos A. Baccelli,




O PLANETA IDEAL


Ouvindo sucinto diálogo entre um espírito candidato à reencarnação e devotado Instrutor da Vida Maior, anotei a conversa que considerei, deveras, curiosa:
- Estou interessado em evoluir mais depressa – dizia o espírito ao experiente interlocutor –, e, por tal motivo, gostaria de reencarnar num planeta que me oferecesse reais oportunidades para tanto...

Anseio por praticar o Bem a quem seja como alguém que, olhando à sua volta, encontra o necessitado ao alcance da mão para auxiliar – seja com um pedaço de pão, seja com uma palavra, um aceno...

Quero me expor às tentações, a fim de alicerçar em mim virtudes que, sinceramente, me façam digno de habitar as Esferas mais altas – refiro-me às virtudes da paciência e do perdão, da renúncia e do devotamento, mas, principalmente, da honestidade...

Quero viver de “enxada” nas mãos, à feição de quem dispõe de imensa gleba para lavrar, a fim de defender a boa semente, combatendo a tiririca que tencione a invadir a lavoura...

Reencarnar num mundo em que, realmente, eu possa cooperar com Jesus Cristo, em seus apelos de fraternidade e de amor, e que, para mim, seja um constante desafio à sinceridade de propósitos que pretendo demonstrar ao nosso Mestre e Senhor...

Num mundo no qual nem que eu queira viver de braços cruzados, eu não possa, de vez que furtar-me nele à possibilidade de ser útil, de mil formas diferentes, me seja absolutamente impossível...

Num mundo em que os próprios religiosos não se entendam para que, com os meus exemplos de tolerância e de não fanatismo, eu consiga colocar em prática o ensinamento do “amai-vos uns aos outros”...

E após efetuar breve pausa em sua palavra, que o Benfeitor escutava em silêncio, prosseguiu:
- Eu sei que o senhor está me entendendo, porque, certamente, já se viu possuído por sentimentos semelhantes aos meus, que estou cansado de marcar passo na senda da Evolução, e, por isto, estou pedindo a sua intercessão...

Auxilie-me a renascer num orbe no qual, praticamente, desde o berço, eu me veja compelido a lutar pelo pão de cada dia, em meio a tentações que ensejaram a espíritos praticamente comuns alcançar, um dia, a coroa da santidade...

Preciso sair desse marasmo espiritual em que estou vivendo há séculos e séculos...

Quero e preciso renascer – repetiu – num orbe fértil de oportunidades de ascensão moral, no qual, inclusive, no que tange às descobertas e invenções para facilitar a vida de seus habitantes, eu possa colaborar com alguma coisa...

Devem existir mundos nos quais tudo ainda esteja para ser feito, não?! – ou quase tudo?!...

Como eu haveria de crescer, por exemplo, num planeta em que eu não precisasse fazer calos nas mãos?! Num planeta em que a paz já esteja consolidada e no qual as leis sejam respeitadas por todos?!...

Eu quero lutar e quero sofrer pelo Ideal de servir!...

O Mestre não nos recomenda entrar pela porta estreita?! Pois, então?! Eu não quero a facilidade da porta larga, porque a porta larga também está no comodismo...

Posso contar com o seu auxílio?! – inquiriu ao Instrutor. – O senhor conhece um planeta assim, ao qual, através da reencarnação, eu possa me encaminhar, com o fito de integral aproveitamento dela?!...

Olhando para o candidato a retomar o corpo carnal, o Espírito amigo, sem pestanejar, respondeu:
- Meu irmão, na atualidade, dentro do Sistema Solar, e mesmo fora dele, e a uma boa distância, o planeta que preenche todos os seus requisitos de mais rápida evolução pessoal é a Terra mesmo!...

Inácio Ferreira
Uberaba – MG, 6 de fevereiro de 2017.
Psicografia de Carlos A. Baccelli

08 abril 2017

Eu sou médium, e daí? - Morel Felipe Wilkon


 
EU SOU MÉDIUM, E DAÍ?

Infelizmente ainda é comum tanto no meio espírita quanto fora dele, em meios espiritualistas, que o médium seja considerado um ser especial. Principalmente por pessoas que não entendem nada do assunto, pessoas que não sabem ao certo o que vem a ser mediunidade e o que a mediunidade representa de fato para o médium.

Na internet nós encontramos dezenas de blogs e canais no Youtube em que pessoas que se dizem médiuns (mesmo que deem outro nome para isso, como “canalizadores”, por exemplo) expõe as suas teorias como se fossem a última verdade.

Às vezes, no meu canal no Youtube, no espaço de comentários, alguém “corrige” minhas opiniões e posicionamentos. E qual é o seu grande argumento para dizer que eu estou errado e eles estão certos? – Eles são médiuns!

Ora, eu também sou médium. Mas isso não faz de mim o consertador das verdades.

Esse carteiraço não cola. Pode colar entre aqueles que não sabem como se processa a mediunidade; pra mim não cola.

Esses dias teve um aí dizendo que no mundo de regeneração nós vamos viver centenas de anos. Por quê? Porque ele é médium e o mentor dele disse pra ele.

Com todo o respeito ao teu mentor, mas isso não quer dizer nada. Isso é a opinião de um espírito. Eu também sou espírito e tenho opiniões – será que isso faz de mim um ser especial? Será que a minha opinião está sempre certa? Não tem nada a ver.

Em primeiro lugar mediunidade é algo muito sutil. Nem sempre é possível distinguir o que vem do espírito, o que é intuição nossa e o que é apenas opinião.

Em segundo lugar, mesmo que tenhamos comunicações bastante claras, e que estejamos certos de que o que é comunicado vem integralmente do espírito comunicante, isso é apenas a opinião dele! Agora, só porque um espírito falou, tá falado? Desde quando isso? E as recomendações de Kardec, pra que servem? Pra nada?

Pra mim, particularmente, a opinião dos guias vale tanto quanto a minha própria opinião. É verdade que para muitos assuntos eles estão numa posição privilegiada – por estarem livres da influência da matéria densa, os seus horizontes de percepção são muito mais amplos. Além disso, temos que considerar que um espírito, para ser guia de um encarnado, deve estar no mínimo no mesmo nível do encarnado.
Mas a sua comunicação deve, necessariamente, passar pelo crivo da minha razão. Então o que vai prevalecer, no fim das contas, é a minha opinião. Se eu achar que a sua comunicação tem fundamento, ótimo. Se eu tiver dúvida, fica por isso mesmo – como recomenda a regra de trânsito, “na dúvida não ultrapasse”.

O que eu tenho visto de gente falando das suas reencarnações anteriores (tem um aí que diz que foi o Rei Ricardo Coração de Leão), gente que recebe extra-terrestres em casa, gente que nos atendimentos espirituais combate grandes seres das trevas, dragões, monstros terríveis… Tem um que é especializado em desmascarar grandes vultos do espiritualismo: já desmascarou a Helena Blavatzki, fundadora da Teosofia; o Mikao Usui, criador do Reiki – quem será o próximo?

Carteiraço de médium eu não aceito. Tem duas coisas que não rolam entre espíritas. Uma é carteiraço de médium; a outra é carteiraço de idade. Você pode ser um espírito muito mais velho e experiente do que um senhor octagenário que pretenda lhe dar lições. Você pode ser muito mais lúcido do que um médium e todos os seus “mentores” juntos.

Então vamos devagar.

Médium não é mais do que ninguém. Por melhor que seja o médium, ele vai perceber o que está de acordo com a capacidade de entendimento dele. O tempo em que tínhamos comunicações praticamente mecânicas, através de médiuns inconscientes, passou. Isso serviu para implantar as bases da Doutrina dos Espíritos. É o caso, por exemplo, da 1º edição de O Livro dos Espíritos, que foi concebido a partir das comunicações feitas através de três médiuns adolescentes, três meninas de 12 14 e 15 anos. Hoje não existe mais isso.

Num atendimento espiritual é diferente. Ali existe um propósito de cura, um propósito de caridade, e desde que o médium esteja imbuído desse propósito de fazer o bem e de ser apenas um instrumento do bem, a comunicação vai ser a melhor possível para o momento. Quando todos estão imbuídos do mesmo propósito de fazer o bem, o Bem age através de nós.

Mas o mesmo não acontece no que se refere a possíveis revelações e comunicações de ordem pessoal. É um perigo quando esses médiuns conseguem influenciar outras pessoas com as suas ideias – se essas ideias forem equivocadas, evidentemente.

Outro perigo é no âmbito familiar, no âmbito das relações mais próximas. Tem aqueles médiuns que atendem em casa, ou na casa dos seus parentes e amigos. E pra agradar aos seus parentes e amigos é capaz de mentir descaradamente, criando fantasias muito prejudiciais na mente dessas pessoas.

Eu sei de casos de médiuns (ou supostos médiuns) que recebem seus guias em casa e dão palpites em todos os assuntos familiares: se intrometem nos namoros dos filhos, no comportamento do cônjuge.
Conheci um caso de uma família em que o pai e marido tinha morrido. E uma médium amiga da família dizia que via ele sempre na casa. Chegavam a fazer festa pra comemorar o aniversário do falecido. E todos ali, na expectativa, olhando para a médium. Até que ela dizia: – Ó, ele está sentado aí. Tá comendo bolo!

Eu nem estou duvidando da presença do falecido lá. Nós sabemos que é relativamente comum que um desencarnado permaneça ligado aos entes e à casa que deixou. Mas esse tipo de situação não pode ser alimentada, isso cria fantasias muito perigosas.

Outra coisa que requer muito cuidado é divulgação de cartas supostamente psicografadas por pessoas famosas. Não duvido delas; não é o caso. Mas não podemos aceitar tudo cegamente – principalmente se notarmos, nessas cartas, qualquer posicionamento ideológico. Temos que diferenciar a mediunidade, em que o espírito encarnado recebe informações do plano astral, e o desdobramento ou a projeção consciente, em que o encarnado é que se desloca ao plano astral em busca de informações. Aí realmente a coisa muda. Mas isso é assunto pra outra ocasião.



Morel Felipe Wilkon