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18 janeiro 2019

Marcas de nascença estariam comprovando, definitivamente, a Lei da Encarnação - Adésio Alves Machado




MARCAS DE NASCENÇA ESTARIAM COMPROVANDO, DEFINITIVAMENTE, A LEI DA REENCARNAÇÃO?


Torna-se cada dia mais evidente tudo quanto a doutrina espírita tem afirmado.

Não foram os espiritualistas reencarnacionistas que vieram a público fazer tal afirmação, mas sim aqueles que não acreditavam em vida após a vida (na carne). Hoje são dezenas de médicos, psiquiatras, psicoterapeutas que vêm afirmar que seus pacientes revelaram, e de forma inconteste, que foram protagonistas de episódios existenciais ocorridos em outras vidas que não a atual. É do domínio dos interessados que a TVP (Terapia de Vivências Passadas) corre o mundo todo, curando fobias, traumas psicológicos e muitos males de ordem psíquica, tanto em adultos quanto em crianças.

Queremos, nesta oportunidade, referirmo-nos às recordações de vidas passadas vividas por crianças. Um livro nos chamou a atenção porque a sua autora era uma céptica em matéria de reencarnação e nunca havia imaginado entrar em processo hipnótico e ser conduzida à recordação de outras vidas. Queremos nos referir à norte-americana Carol Bowman e a seu livro "Crianças e suas vidas passadas", com prefácio de Brian Weiss, médico psiquiatra de fama mundial, bastante conhecido no Brasil. Aqui já esteve muitas vezes, e sua fama começou após lançar o livro best-seller "Muitas vidas, muitos mestres", oportunidade para relatar o caso de Catherine, uma de suas pacientes. Carol Bowman também viveu, após entrar em estado hipnótico, episódios de vidas passadas, e com facilidade. Ela escreveu que se uma criança descreve, com tanta convicção, apesar de toda a sua inocência, haver vivido antes, serenamente descreve a sua morte e a sua viagem de volta à vida carnal, dá testemunho inequívoco de uma verdade insofismável: somos almas imortais, já vivemos e continuaremos sempre a viver. Afirma peremptoriamente que essas lembranças das crianças se constitui na maior evidência da reencarnação. Em outras palavras, ela quer dizer: os espíritas estão certos!Aliás, sempre estiveram.

Para esta escritora, quando uma criança fala espontaneamente de suas vidas passadas, sem serem colocadas em estado hipnótico, estão, na verdade, dando aos pais conselhos práticos para que eles reconheçam a existência da reencarnação, e que as ajudem a se curarem de seus medos através das revivescências de certos fatos ocorridos no passado, os quais estão repercutindo negativamente em suas vidas, hoje. Pedem ajuda de seus responsáveis diretos, e de uma forma pouco comum, ainda. Todo o processo de crença absoluta na reencarnação começou, para Carol, quando seu filho caçula Chase, principalmente, demonstrava um intenso terror, um medo fóbico de barulho de tiros, de fogos estourando, estrondos fortes, etc. Resolveu, após conselhos de uma amiga, procurar um hipnoterapeuta para livrar o filho do medo. Causando espanto a todos, o filho recorda ter sido um soldado na Guerra Civil americana, descrevendo fatos com detalhes impressionantes, os quais foram depois devidamente comprovados por um historiador, o que lhe havia acontecido durante a guerra. O mais notável viria após: ele curou-se de sua fobia em seguida à vivência de sua morte na guerra, ocorrida em meio de barulhento e terrível tiroteio. A partir daí, Carol começou todo um trabalho de investigação das lembranças de vidas passadas em outras crianças, constatando que viveram também as mesmas experiências verificadas com seu filho. Ela entrevistou pais que também estiveram perplexos diante dos filhos e de seus relatos de vidas passadas. Visitou bibliotecas em busca de autores que tivessem abordado o assunto que a estava fascinando.

O resultado foi esse livro com um apreciável manancial de fatos incontestáveis mostrando as crianças descrevendo suas antigas vidas, espontaneamente, e também após serem levadas a uma visualização, fazendo-as entrar em estado de alteração da consciência. Para não tornar longo este capítulo, deter-nos-emos em um único caso dos muitos registrados por Carol Bowman. Ele se encontra no final de seu livro, assim mesmo o faremos o mais resumido possível. Contudo, ele será mais do que suficiente para qualquer pessoa se convencer da realidade reencarnatória, das muitas vidas do espírito, desde que não seja tão céptica e não alimente tantas dúvidas sobre a nossa imortalidade. Por mais terrível seja para os pais a morte de sua criança, com a crença na reencarnação essa dor será absorvida rapidamente, não precisando os pais perderem a fé em DEUS, em Sua Justiça e Compaixão pelas Suas criaturas. A reencarnação oferece uma esperança plausível, a de que a própria criança que "morreu" retorne da "morte" para a vida, na mesma família. A família Pollack, da Inglaterra, sofreu o que se costuma dizer na Terra uma tragédia inimaginável. Joanna e Jacqueline, de onze e seis anos, respectivamente, foram atropeladas e "mortas" quando estavam andando por uma calçada. Bem antes do acidente, o pai, John Pollack, um católico convicto, acreditava firmemente na reencarnação.

Na sua fé pedia a DEUS que lhe desse uma prova insofismável da reencarnação. Mal sabia ele o que lhe estava reservado, como veremos. Após o acontecimento trágico, pedia agora a DEUS que lhe devolvesse as filhas. Em menos de um ano a sua esposa, Florence, fica grávida e John assegurou a todos que as suas filhas iam voltar para a família, e como gêmeas. John contradizia até o ginecologista que afirmava ser a gravidez de apenas um bebê. No dia 4 de outubro de 1958, Florence deu à luz dois bebês, duas gêmeas idênticas, que receberam os nomes de Jennifer e Gillian. Perceberam, de imediato, que Jennifer, mas não Gillian, tinha duas marcas de nascença - uma linha branca na testa e uma marca marrom na cintura - que correspondiam em tamanho, forma e localização a uma cicatriz e a uma marca congênita que Jacqueline tinha na testa e na cintura. Tal fato era notável, porque, segundo pesquisa do Dr. Ian Stevenson, gêmeas idênticas teriam que ter marcas de nascença idênticas, o que agora não se dava. Crescidas as meninas, o suficiente para falarem, lembraram detalhes de suas "irmãs mortas", elas que não tinham meios de saber, absolutamente nenhum.

Feito um teste pelos pais e parentes, elas identificaram com detalhes brinquedos que haviam pertencido a Joanna e a Jacqueline. Ao visitarem pela primeira vez a cidade onde haviam vivido (os Pollack se mudaram quando as meninas ainda eram bem pequenas), apontaram corretamente para a antiga casa da família, foram até o parque e o playground, tendo descrito a escola e os balanços antes de vê-los.

É um caso com todos os sinais característicos de lembranças de vidas passadas, especialmente as marcas de nascença. John Pollack acreditava mais e mais em DEUS, ELE lha havia restituído as filhas como resposta à sua fé e à sua crença na reencarnação. A prova que pedira a DEUS lhe fora concedida de forma incontestável. Vale, pois, a pena crer em DEUS, ou não?


Adésio Alves Machado
Escritor, orador e radialista, autor dos livros: Ser, Crer e Crescer - Elucidações Para uma Vida Melhor

02 fevereiro 2018

A síndrome da bala perdida - Adésio Alves Machado



A SÍNDROME DA BALA PERDIDA


A “bala perdida” está atormentando a vida do carioca, sem que haja, das autoridades competentes, iniciativas eficazes, saneadoras ou preventivas, a esse ato de violência em nossa cidade. As próprias religiões tradicionais também não vêm a público trazer uma palavra de alento, muito menos de esclarecimento do porquê da “bala perdida”. Restringem-se a medidas paliativas, ou seja, aquelas atuantes nos eleitos, não nas causas.

Malgrado toda cultura acumulada, o homem, apesar de já ter enfrentado tantos desafios – ir à Lua, daqui a pouco vai a Marte, além de outros feitos notáveis nos vários setores da vida -, não consegue explicação para porfia bem menor, ocorrências comezinhas, se encaradas dentro de um entendimento espírita.

A dor e o sofrimento das pessoas envolvidas em tais eventos são mais do que respeitáveis, são importantes para nós, tocam-nos profundamente a sensibilidade, porque a dor do próximo já não é só dele, é do espírita também. Dói muito vermos pessoas, irmãs queridas em humanidade, sofrerem tanto por ignorância espiritual. Resulta daí sabermos, pelo fato de buscarmos a verdade, que todo desespero é resultado da falta de conhecimento, da ausência de uma estruturação religiosa capacitada a trazer conforto, consolação e resignação nessas horas, principalmente. Esses assuntos, como suas explicações lógicas, acham-se na Doutrina Espírita, só nela, e são oferecidas aos seus profitentes. Quanto a serem compreendidas e praticadas, é outra coisa.

Para o homem sem melhor conhecimento espiritual, a “bala perdida” decorre da atuação de forças cegas como o acaso, o azar, a má sorte ou então “coisas da fatalidade”. Falta a essas pessoas uma concepção firme e racional de suas próprias condições de vida, apesar de alimentarem, muitas vezes, convicções espiritualistas e crença na imortalidade.

Elas não sabem por que vivem, qual o objetivo, o sentido da vida, como se deve viver, que tipo de fé alimentar em Deus, e o que Dele aguardar.

Fosse a vida uma só, entre o berço e o túmulo, e sendo a Justiça Divina perfeita e iniludível, a “bala perdida” ficaria incompreendida, seria ilógica, porque existe um vazio muito grande em se desejando conciliar “uma só existência” e a “Justiça de Deus” lacuna perfeitamente preenchida pelo Espiritismo e a reencarnação, esta, base fundamental de suas estruturas postulares.

Explicações para fatos como “bala perdida”, sem respaldo na Justiça Divina, é cair naquilo que disse Jesus: “…cego guiando cego, ambos cairão no fosso”. Não há como desvincular a Justiça Divina de todos os acontecimentos aqui na Terra, como em toda a vida universal. Deus não desconhece o que se passou, passa-se e passará com suas criaturas no transcurso de suas existências, aqui ou lá. Assim sendo, o infrator da Lei de Amor experienciará sempre o resultado de suas ações, hoje ou amanhã, nesta vida ou noutra, pelos canais reencarnatórios.

O que para os olhos e juízo do homem da Terra são terríveis coincidências, ainda mais quando o fato o atinge dolorosamente, na realidade vemos aí a dinâmica da Justiça Divina, cobrando o que se lhe é devido. Sem essa compreensão os atributos de Deus seriam um engodo… e não são.

Colocasse o homem as vistas na vida espiritual, soubesse racionalmente da sua condição de espírito. imortal em processo de aperfeiçoamento moral, e cuja meta finalista é a perfeição, fatos como os da “bala perdida” não causariam tantos males nas pessoas envolvidas com ela, não provocariam tantas emoções em tantas pessoas.

Não olvidemos onde se encontra o verdadeiro mal. Para a maioria absoluta, no fato em si, quando na verdade se encontra nas conseqüências. Se estas forem boas, o fato, apesar de toda aparência má, será bom. O inverso também é verdadeiro. O fato bom oferece, muitas vezes, conseqüências dolorosas, trágicas. Toda a aparência boa dele era enganosa. Quem não conhece casamentos suntuosos, por exemplo, com toda aparência de felicidade, que acabaram em tragédias lamentáveis? Jesus precisa ser muito estudado em suas anunciações. Duas delas, que se encaixam perfeitamente no evento “bala-perdida”, são as seguintes: “Há necessidade do escândalo, mas ai do homem por quem o escândalo venha”. (Mateus 5:29/ 30) e “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mateus 11:15). Quem compreende tais citações, correlacioná-las, compreenderá esta síndrome do carioca.

Se Deus, que é todo previdência, providência e presciência além de todo poderoso em graus infinitos. permite que tais acontecimentos prevaleçam, é porque eles são necessários, visam o nosso progresso, o ajuste do faltoso com a Lei, e, conseqüentemente, a nossa felicidade, afirma-nos a lógica.

André Luiz, no livro “O Espírito da Verdade”, edição FEB, diz-nos que, “Antes de sermos bons ou maus para com os outros, somos bons ou maus para nós mesmos”; os Espíritos Nobres nos asseveram que. “colheremos de conformidade com o nosso plantio”; a voz popular fala na “lei do retorno” e também “aqui se faz aqui se paga”; Jesus assinalou, em Mateus 16:27 “(…) dará a cada um segundo as suas obras”. Raciocinemos; não deterão essas afirmações uma verdade?

Resumindo: a dor que fizemos, deliberadamente, o outro sofrer, é a dor que vamos suportar, na mesma intensidade, sem necessariamente ser dentro das mesmas circunstâncias. Nesta reencarnação ou noutra, não há como fugir, esquivar-se deste mecanismo da Lei de Ação e Reação, sempre acionada por Deus, e só Ele.

Ter fé, acreditar, efetivamente, é uma carência nossa, entretanto, mais imprescindível é Saber. Nesses acontecimentos, pois, de “bala perdida”, de perdidas elas não têm nada. Vão ao endereço certo, “nunca batem na porta errada”. Se isto acontecesse, ter-se-ia a negação dos atributos divinos, Deus não seria o que é, “Inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas Quando o homem aprender essas verdades, será feliz, porque deixar-se-á conduzir pela Lei de Amor e Perdão vivenciada por Jesus.

Adésio Alves Machado
Revista Espírita Allan Kardec, nº 39.

21 fevereiro 2017

Interferência dos Espíritos em nossas vidas - Adésio Alves Machado



INTERFERÊNCIA DOS ESPÍRITOS EM NOSSAS VIDAS


A doutrina espírita não deixa dúvida ao informar que os Espíritos, por terem sido as almas dos homens que viveram na Terra, interferem na nossa vida com suas paixões perniciosas uns, e outros com suas aspirações de alto teor moral/espiritual.

A lei de ação e reação vai desenvolvendo a sua função na vida moral dos Espíritos, estejam na carne ou fora dela, porque a vida responde de conformidade com a qualidade da sementeira que deitarmos sobre ela.

O homem de hoje reflete a soma dos seus atos, de suas ações nas reencarnações passadas, é o que informa há milênios as religiões orientalistas. E, a partir de meados do século passado, com o advento da Doutrina dos Espíritos em 1857, o mundo ocidental se deixou incorporar pelo mesmo conceito. Ocidentalizou-se, com o missionário Allan Kardec, a lei de causa e efeito.

Estamos hoje defrontando pessoas e situações cujo início deu-se em vidas anteriores à atual, sendo cobrados por algumas pessoas por aquilo que lhes negamos antes, e por outras somos restituídos no que nos foi retirado no passado espiritual. É bom sabermos que não estamos apenas pagando, restituindo, mas recebendo, também, tendo de volta o que nos foi retirado indevidamente.

“O que nos acontece teve início antes”, é o que nos afirma Joanna de Ângelis.
v São sempre os mesmos Espíritos envergando novas personalidades nos novos palcos da vida, todos carregando a bagagem moral acumulada em inúmeras experiências reencarnatórias.

Pelo fato de toda ação construir uma reação semelhante, o nosso futuro começa agora a ser construído, tendo como base nossas iniciativas. Tudo quanto fizemos de bom ou de mal aos que conosco caminham pelas sendas da existência terrena, não se refuta no Espiritismo.

DEUS cria a vida e a entrega ao homem, transmitindo-lhe, na oportunidade, a responsabilidade de a conduzir, fornecendo-lhe meios e condições para o melhor desempenho de suas tarefas redentoras, como asseveraram os Espíritos a Allan Kardec, através das respostas às perguntas 704 e 711 de O Livro dos Espíritos.

Dispensemos acurada atenção aos nossos pensamentos, os quais vamos plasmando dia a dia no mundo mental, e que se vão condensando na esfera física caso sejam contumazes, determinando assim as nossas ações.

Necessário fugirmos das situações perturbadoras, sendo aconselhável nos fixarmos nos propósitos enobrecedores para que, só assim, desfrutemos de paz, para viver e oferecer.

Devemos elaborar um programa de cunho altruístico e cumpri-lo, dentro de deveres pequenos para os olhos do mundo, mas de alta significação às vistas divinas, os quais podemos assinalar: reservar algum dia da semana para uma visita aos enfermos; visitar um abrigo de crianças ou de idosos, levando carinho aos que lá se detêm; contribuir com alguma importância para um trabalho assistencial; mostrarmo-nos alegres; a todos tratar bondosamente; manter um clima de esperança íntimo que naturalmente haverá de refletir-se exteriormente, beneficiando os demais; dar um telefonema a um amigo ou parente necessitado; escrever umas poucas palavras de ânimo e de esperança; ajudar materialmente a uma família carente... . Recebemos o que damos, e se queremos receber mais do que damos, passemos a dar mais do que recebemos.

Junto às demonstrações de caridade, firmemos nossos mais acendrados propósitos de renovação moral, visando a superação das imperfeições e o alcance de novos limites, buscando nutrir otimismo que, com certeza, nos enriquecerá de boa disposição orgânica.

Nossos pensamentos ditarão as nossas aspirações, tarefas e ações, estabelecendo, caso sejam sadias, a sintonia com os Espíritos que facultarão aprendizagem no campo da educação superior, mas que, sendo doentias, perturbadoras e egoístas nos farão escravos das tendências inferiores.

Nossas realidades espirituais serão aquelas extravasadas e assimiladas pelos que conosco lidam, elas que se encontram sempre incrustadas nas camadas mais profundas do nosso psiquismo, aguardando a nossa voz de comando, que é acionada pela nossa vontade.

Compete-nos, diante de tamanha realidade, atuarmos no bem, sempre ligados ao amor, porque o amor responderá com total eficiência, já que ele reflete a interferência benfazeja dos Mentores da Vida Maior, na programação de nossa existência. Estabeleçamos com Eles um vínculo cada vez mais firme, certos de ser o recurso de que dispomos para vivermos a relativa felicidade na Terra, confiantes em que ela se estenderá além da aduana da morte, quando nos depararemos com a verdadeira vida, a espiritual.


Adésio Alves Machado
Artigo publicado originalmente no Jornal Espírita de Pernambuco – julho de 1999

31 janeiro 2017

Ser, Crer e Crescer Elucidações para uma Vida Melhor - Adésio Alves Machado,

 
SER, CRER E CRESCER
ELUCIDAÇÕES PARA UMA VIDA MELHOR


 SER

Dentro do contexto evolutivo onde se acha inserido, o Espírito espírita possui ao alcance três opções para chegar ao seu desiderato final - a perfeição espiritual, quais sejam: Ter, Não Ter e Ser.

Claro que as duas primeiras opções, e isto salta aos olhos de quem sabe o que é SER espírita, nada têm a haver com ele, porque a real necessidade dele é SER. Mas SER o quê? É isto que importa abordar na oportunidade.

Abraçamos uma doutrina de tríplice aspeto, cada um deles convergindo para o outro. São interagentes. Em essência, os três - Ciência, Filosofia e Religião - concitam para um único objetivo: o AMAR o próximo, em regime de reciprocidade, como único meio para SER feliz. O Espiritismo é, pois, esta doutrina que revoluciona todos os conceitos vigentes em matéria de moralidade, realizando no âmago da criatura humana uma mudança que ela não logra deter, porque uma lei divina a impulsiona inexoravelmente objetivando a perfeição : a Lei do Progresso.

Além do mais, ele revive o Cristianismo na sua fase primeira, aquela sustentada a duras penas pelos Apóstolos de JESUS, principalmente após assumirem a Casa do Caminho. O espírita há de SER aquele que tudo faz para viver a lei de amor, justiça e caridade, espelhando-se o mais possível nos conceitos crísticos, segundo os quais, com relação ao amor, afirma que em amar quem nos ama nenhuma vantagem existe. Nossa meta é amarmos até os inimigos. Segundo a lei de justiça, haveremos de vivenciá-la fazendo aos outros o que gostaríamos que eles nos fizessem e, finalmente, a lei de caridade, a qual fica resumida na maneira como a entende JESUS: “Benevolência para com todos, indulgência às imperfeições alheias e perdão das ofensas” ( O Livro dos Espíritos perg. 886 ).Adésio Alves Machado SER espírita, o que equivale a SER cristão, enfim, é:

- começar o seu dia na luz da oração, porque, ao procurarmos o amor do CRIADOR, pelo mecanismo da prece, estamos certos de que SEU amor por nós nunca falha;

- aceitar serenamente qualquer tipo de dificuldade, sem discussões nervosas, porque hoje é sempre o dia de se fazer o melhor que se pode;

- trabalhar com alegria, sabedor de que o trabalho é lei da vida, é benção que se não deve desperdiçar, porque “ o preguiçoso é um cadáver que pensa” , segundo André Luiz;

- fazer o bem que pode, sentindo-se feliz ao fazê-lo e pedindo a DEUS oportunidades de realizá-lo, todos os dias;

- saber aproveitar os minutos, porque tudo volta, menos a hora perdida;

- cultivar a disciplina, para não ser comparado ao carro sem freio numa ladeira;

- estimar a simplicidade, pelo fato de estar consciente de que “o luxo é o mausoléu dos que se avizinham da morte”, segundo André Luiz;

- viver a necessidade de perdoar, porque sabe que será perdoado como houver perdoado;

- usar de gentileza, mais ainda dentro de casa, agindo de modo especial com os parentes, do mesmo modo como age com as visitas;

- lutar por ser bom, sem SER displicente; generoso, sem SER perdulário; justo, mas não implacável; franco, mas não insolente; paciente, mas não irresponsável; tolerante, mas não indiferente; calmo, mas não sossegado em demasia; confiante; mas não fanático; diligente, mas não precipitado; enfim, SER espírita é, antes de tudo, procurar conhecer-se para se analisar, escolhendo posições de equilíbrio, porque este nunca é demais.

SER espírita é ajudar constantemente; é cumprir as obrigações; é amparar o enfermo; é perdoar sem condições; é compulsar os bons livros; é evitar acessos de cólera; é desenvolver simpatia pessoal; é cultivar entendimento; é habituar-se à meditação; é confiar na compaixão divina; ela que sabe como afastar as trevas da noite com a luz do sol, que oferece sempre oportunidade de recomeço e, ainda, sem que nós saibamos, de forma nítida e clara, vai-nos oferecendo as ensanchas de encontrarmos a nossa redenção espiritual pelos caminhos cheios de calhaus, como o é o do mundo de provas e expiações.

Não podemos acumular todas as condições de SER espírita aqui enunciadas, mas se já conseguimos algumas delas incorporar em nosso viver e conviver, podemos dar-nos por satisfeitos sem deixar, no entanto, de continuar na busca das demais.

CRER

Convidado a abraçar esta doutrina realmente libertadora, uma das primeiras necessidades do espírita é a aquisição da fé. Ele precisa CRER para que a sua transformação moral se faça de forma consciente, sem nenhum tipo de imposição. Que seja um ato voluntário, espontâneo, fruto, deste modo, da sua capacidade de discernimento em cima dos postulados do Espiritismo.

Leva em consideração, aquele espírita que deseja CRER, como profundo conhecimento, o que se acha no frontispício do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, onde se lê: “Fé inabalável só o é aquela que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade”.

Perfeitamente compreensível é o fato de que a fé precisa assentar em base segura, base que é a inteligência a mais perfeita possível daquilo em que se deve CRER. E, se queremos CRER, não nos é suficiente ver; torna-se necessário, acima de tudo, compreender. E por uma razão muito simples: a fé imposta, cega, já não faz parte deste mundo, já existe uma reação natural contra “o crer ou morre”. Esse tempo criou um grande número de incrédulos, porque pretendia impor-se, procurando abolir uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre arbítrio. O incrédulo não aceita mais este tipo de fé, de CRER. Quer provas convincentes, a fim de que a criatura não alimente nenhuma dúvida, depois de CRER. Há, pois, de se buscar a fé raciocinada, porque ela se apoia em fatos e na lógica de tudo que afirma, nunca entrando em conflito com a Ciência, esta que tem derrubado muitos dogmas através dos tempos da predominância da fé cega. A pessoa passa a CRER porque sabe, ama a DEUS porque sabe, aceita o próximo como irmão porque sabe, perdoa porque sabe, procura amar até o inimigo porque sabe e ninguém tem certeza senão porque compreendeu.

Tendo o Espiritismo para se apoiar, o espírita crê conscientemente que triunfará sobre a incredulidade, arrastando na sua retaguarda, pelo seu exemplo, outros tantos que buscarem a fé, o CRER baseado na razão.

O CRER alicerçado na lógica torna o homem capaz da execução não só das realizações materiais, mas sobretudo das morais, as quais se constituem na sua maior necessidade, haja vista as lições de JESUS, Seus exemplos, Sua vida de sacrifícios.

Nada pode conseguir quem duvida de si, quem não crê que é capaz.

Com o CRER fortalecido pela fé raciocinada, as montanhas de dificuldades serão transpostas, vencidos serão os preconceitos rotineiros, os interesses materiais, o egoísmo, a cegueira do fanatismo e as paixões orgulhosas que são calhaus no caminho dos que trabalham pelo progresso da Humanidade.

O CRER com logicidade dá a perseverança, oferece a energia e os recursos que fazem sejam vencidos os obstáculos, assim nas pequenas tarefas como nas grandes. O CRER hesitante, sem estudo, conduz à incerteza de que se aproveitam os adversários contumazes e gratuitos para semearem suas idéias divisionistas, destituídas de arrazoados lógicos.

O CRER é, antes de tudo, confiança que se tem na realização de algo que se almeja, é a certeza, a fé de lograr determinado fim. O CRER oferece uma espécie de lucidez que permite se vislumbre, em pensamento, o fim que se colima e os meios a serem utilizados para alcançá-lo.

Porque o crê caminha com total segurança, faculta a calma, a paciência, a resignação e a fortaleza moral para que sejam executadas as grandes realizações.

Aquele que vacila no CRER percebe de imediato a sua própria fraqueza, sente-se tomado pelo desinteresse de prosseguir, queixa-se da sorte, percebe-se fraco e candidata-se ao fracasso retumbante.

Estejamos munidos do CRER espírita para nos candidatarmos aos grandes objetivos morais da vida, quando haveremos de nos vencer, porque vamos seguir as pegadas do Incomparável Mestre e Senhor JESUS, Aquele que soube CRER até os últimos instantes de Sua passagem pela Terra, pedindo a DEUS perdão para as nossas inferioridades e imperfeições.

CRESCER

Costuma-se falar muito em crescimento, e é natural que assim seja, porque a nossa necessidade primeira consiste, em verdade, em crescermos moral e espiritualmente. Esse crescimento está sendo desenvolvido na área psicológica, tendo em vista a larga infância psíquica em que ainda estagia a nossa humanidade.

Sempre tivemos nossos anseios atendidos, nossas vontades respeitadas, imaturamente, na maioria das vezes, pelos que por nós se responsabilizaram. Acostumamo-nos e, desta forma, hoje encontramos sérias dificuldades para nos conduzir sozinhos, tomar decisões, viver com mais acertos do que desacertos. Acalentamos dúvidas sempre que nos deparamos com situações em que devemos adotar este ou aquele procedimento. Nesses instantes procuramos transferir para os outros as soluções de nossos problemas.

Todavia, o CRESCER que desejamos aqui expor é, exatamente, o de que mais temos necessidade: o moral/espiritual, isto é, aquele que nos levará ao Reino de DEUS, porque queremos CRESCER com JESUS, ELE a nos servir de Modelo e Guia. É, pois, todo um CRESCER especial, bem diferente do que conceitua o mundo.

Que meios, recursos, possuímos para CRESCER? A resposta é uma só: o conhecimento. Espiritismo, acima de tudo, é conhecimento, recurso este que fará com que nos ajustemos à vida na sua expressão maior, aquela que engloba os dois planos existenciais - material e espiritual.. Haveremos de CRESCER apoiados nas três grandes áreas do conhecimento, elas que são a Ciência, a Filosofia e a Religião, sem que se choquem, se conflitem, pelo contrário, estabeleçam uma convivência harmoniosa, porque uma necessita da outra para sobreviver. A Ciência e a Filosofia haverão de ser religiosas, assim como a Religião precisa ser científica e filosófica. As três se integram, interagem em perfeita sintonia, uma acompanhando a subida da outra. Apoiam-se porque derivam de DEUS, e DEUS quer o nosso melhor bem-estar. Competenos fazer esta descoberta.

O Espírito aqui reencarnado ainda se mostra instável, susceptível, medroso, ciumento, já que não superou a fase infantil, nela ainda habitando sob conflitos de várias etiologias.

Busca amparo nas pessoas que considera fortes e eleitas como seus heróis ou seus superiores. Os empreendimentos dessas pessoas são, para elas, sempre coroados de êxito.

Desconhecem que elas também se sacrificam, travam lutas íntimas, têm que renunciar... Mas esta parte preferem ignorar, nela não acreditando, caso lhes seja revelada.

A imaturidade emocional que trazem os que buscam CRESCER leva-os à violência, à agressividade, decorrentes de caprichos com todas as características de infantilidade.

Todos nascemos para a auto-realização, e fazemos parte de um grupo social no qual nos encontramos para servir e ser servido, procurando dar mais do que receber, caso já possuamos o conhecimento da realidade trazida por JESUS. Isto nos propiciará total segurança e disposição para o nosso CRESCER, que será sempre resultado da junção íntima existente entre ele - CRESCER - e os outros dois: SER e CRER, desde que saibamos estabelecer tal conexão, é óbvio.

Com raríssimas exceções, não se chega ao CRESCER sem partir dos erros, porque em todas as áreas do comportamento estão presentes a glória e o fracasso, como subprodutos do mesmo empreendimento.

Para que atinjamos o CRESCER necessário é nos munirmos, acima de tudo, de perseverança, da repetição sem enfado, alijando as reclamações, queixas e cansaço. Procuremos não complicar os mecanismos de defesa que todos nós trazemos internamente ao acionarmos novas tentativas de fugas psicológicas, tentativas onde paira de forma destacada a subestima pessoal e a desconsideração pelos nossos próprios valores. A falta de amor a nós mesmos é causa de terríveis desajustes da alma, o que leva as esgotamento dessas forças inesgotáveis que estão ao alcance do nosso esforço pessoal.

Nosso sistema imunológico, sempre ao nosso dispor, malgrado não o acessemos sempre que necessário, por desconhecê-lo em essência, e também o trabalho de Carl Simonton com a sua psiconeuroimunologia, só é acionado pelo nosso SER, pelo nosso QUERER e pelo nosso CRESCER. Todo o nosso sucesso, portanto, no avanço evolucionista, depende única e exclusivamente de nós e de mais ninguém. 

Adésio Alves Machado 
(Trecho retirado do livro "Ser, Crer e Crescer Elucidações para uma Vida Melhor" do mesmo autor)