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05 junho 2022

Gratidão Perene - Amélia Rodrigues



GRATIDÃO PERENE


Impossível não recordar as incomparáveis bênçãos que vivenciei na minha passada existência ao seu lado.

Você era, mãezinha, uma jovem frágil e inexperiente, quando foi felicitada pelo matrimônio miraculoso.

A sua existência tornou-se um festival de beleza e de encantamento.

Tudo respirava harmonia e felicidade, menos o seu corpo débil não construído para suportar a maternidade, pela qual muito anelava.

Todas as questões lhe pareciam fáceis de compreender, menos essa ânsia de ser mãe, para o que você estava predestinada.

Já havíamos convivido juntas na condição, eu sua filha e você a minha genitora.

Naquela oportunidade, os vendavais do processo evolutivo criaram um abismo entre nós e eu optei pelo suicídio.

Antes de você voltar à Terra, nesta última jornada, houve um programa traçado pelos guias espirituais e você aceitou receber-me com as mutilações que eu deveria possuir como resultado da insânia suicida.

Nesse período da sua atual alegria fui colocada junto ao seu coração amigo e generoso e pedi-lhe, num dos seus sonhos, para retornar, a fim de redimir-me mediante seu carinho e a bênção da reencarnação...

Quando estava delineado o momento da fecundação, meu pai, convocado espiritualmente, sabendo das minhas futuras limitações, negou-se a aceitar-me, justificando que você não teria condições de experimentar uma gravidez de risco e uma jornada de desafios...

Os benfeitores explicaram-lhe quanto à necessidade do meu renascimento e o seu desejo imenso de tornar-se mãe.

Logo após a concepção, aos primeiros meses, você sofreu muito e todos, inclusive o médico, sugeriam o aborto como recurso para salvar sua vida delicada.

Sofremos muito. Você, que tanto queria a bênção da maternidade e eu que a necessitava com urgência, ainda mais durante aquele período muito difícil.

Nada lhe diminuiu o entusiasmo, tendo em vista as dificuldades que seriam piores, à medida que o tempo transcorresse.

Quando as sombras do desespero tomaram conta do nosso lar, você resolveu ficar em repouso quase absoluto, durante sete meses e eu ainda nasci, renasci com antecedência.

O espanto foi geral e a lamentação de todos tornou-se um coro de desencanto, diante das minhas limitações.

O veneno que me destruíra antes, deixou-me sinais terríveis, com lábios leporinos bifocais, problemas na face, culminando com um estrabismo assustador.

Todos me chamavam de deformada, enquanto você me envolveu em deslumbramento e afeto.

Ambas passamos largos meses de enfermidades de vária espécie, que nos assaltaram, tudo consequência da loucura suicida, a que, de certo modo, você teria contribuído na ignorância que nos assinalava.

O tempo, porém, é um gentil algodão que tudo abafa e é oportunidade de tudo fazer e recomeçar.

À medida que fui crescendo, papai anuiu em operar-me a boca e a face. Óculos cuidadosamente escolhido melhorou a minha visão e eu cresci sempre doentinha, mas, terna e agradecida.

As Leis de Deus funcionam com exatidão e justiça, mas essa é feita sob as bênçãos da misericórdia e da compaixão.

Eu me tornei uma senhorita aos 15 anos, quando, então, começou o martírio para o meu retorno.

Por fim, uma pneumonia trouxe-me de volta ao Grande Lar, onde me encontro esperando-a e ao meu pai, igualmente amado.

Deus continue amparando-a, mãe querida e ímpar, após concluído esse santo ministério que você abraçou com alegria e dedicação incomuns.

Bendita seja entre as mulheres, conforme a Mãe de Jesus foi saudada.

Com infinito carinho a sua bebê devotada e afetuosa.

Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia, em 10/02/22.

10 junho 2021

A Presença de Jesus - Amélia Rodrigues

 
A PRESENÇA DE JESUS

Aqueles eram dias de intensa e imorredoura saudade.

Desde que morrera e ressuscitara, Ele voltou a enxugar as lágrimas dos companheiros, a reconfortá-los, oferecendo-lhes combustível à fé atormentada, que os reerguia, a pouco e pouco, da situação dolorosa que experimentavam.

Tudo eram recordações inapagáveis.

Haviam retornado à Galileia conforme lhes fora solicitado, mas a região querida não era mais a mesma.

Todos os lugares rescendiam a Sua ausência e apresentava-se triste, sem qualquer encantamento.

Não podiam explicar a razão de tanto vazio existencial, de falta de sentido para viverem.

Não sabiam, conscientemente, o tanto quanto O amavam.

A ausência dEle era insuportável. Não tinham ânimo para os diálogos, como anteriormente, para as discussões e comentários habituais.

Ele fazia falta em tudo.

A vida sem objetivo é como um corpo sem oxigenação.

Ademais, não compreendiam, ainda não haviam absorvido tudo que se passara, naqueles dias turbulentos de festas e de infortúnio.

Desde a entrada triunfal em Jerusalém até o domingo da ressurreição, ultrapassava o seu entendimento, era enigmático.

As noites, antes iluminadas pelas Suas palavras, eram agora sombrias, embora as estrelas fulgurassem no zimbório que os cobrira de brilho no passado.

Foi num amanhecer em névoa junto à praia que Pedro O viu e, aturdido, conversou com Ele.

- Atira as redes para a direita – Ele propusera e quase rompeu-se o tecido da rede forte pelo número de peixes, após uma noite cansativa e infrutífera... (*)

A alegria substituiu todos os anteriores desencantamentos.

A felicidade cantava uma sonata de esperança nos seus corações enquanto O ouviam falar. A mesma doçura e igual beleza em tudo que falava.

Nenhuma queixa nem reclamação, acusação alguma ou qualquer lamento.

Ele falava do Reino nos corações e estimulava ao perdão e ao amor sem limites.

As criaturas, Ele afirmava, estão doentes além da ignorância que as domina e era necessário ter compaixão de todas, mesmo quando sob o açodar de dores e perseguições, que desabariam sobre todos, em memória do Seu nome e Sua mensagem.

As feras espirituais tinham fome de carne e sede de sangue.

A noite do sofrimento seria longa, mas o amanhecer de graças anunciava-se incomparável.

Pedia-lhes para que não resistissem ao mal e jamais abandonassem o bem.

Suas ovelhas seriam sempre unidas, não importando que fossem em pequeno número.

A morte pior para o ser humano é a defecção dos seus deveres, o abandono da Verdade, ao invés de ser a do cansaço nas lutas.

*

O dia raiara brilhante e eles respiravam na praia, onde comiam assados peixes que lhes nutriam o corpo e a palavra dEle sustentava-lhes o Espírito.

Depois, sem recordar-se que era Ele, sim, porém em corpo espiritual, diluiu-se, fundiu-se na claridade das horas.

O júbilo voltou-lhes com o entusiasmo necessário para falarem sem medo sobre a Sua ressurreição.

Ainda, no entanto, não sabiam o quê fazer.

Continuaram juntos sempre que possível, aguardando.

Nesse comenos, numa tarde em que a brisa macia soprava perfumada pelas flores silvestres, naquele monte próximo ao mar, numa paisagem de magia pela sua beleza, estavam reunidas quase quinhentas pessoas e João, inspirado, levantou-se e começou a narrar os últimos acontecimentos.

A Natureza respirava suave canção na brisa...

A palavra escorria dos lábios do jovem expositor emocionado, como uma cascata de luz.

Havia algo estranho em tudo...

Subitamente, Ele apareceu ao lado do discípulo amado, flutuando e incomparavelmente belo.

Todos foram dominados por estranho êxtase e o silêncio esplêndido foi quebrado:

Venho ter convosco pela última vez.

Agora cumpre-me ascender ao meu Pai, que me espera.

Eu vos deixo como ovelhas mansas no meio de lobos rapaces, quando beberão no mesmo regato em paz.

Nunca temais! Pisareis em serpentes, aplacareis as dores dos enfermos, limpareis a lepra dos corpos, os Espíritos maus vos respeitarão e sereis a minha voz e mensagem ao mundo.

Não receeis a morte, porque sois imortais como Eu.

Demonstrai aos poderosos como são fracos e sem valor os seus recursos e poderes de mentira no momento da morte.

Visitai as terras diferentes do mundo com a mesma sinfonia do amor, apesar dos castigos que vos aplicarão.

Tende coragem e fé!

Eu vos aliviarei do pesado fardo e vos receberei em júbilos após o testemunho.

Recordai sempre que Eu venci o mundo!

Sempre estarei convosco e nada mais nos separará.

Vencei a vida e a morte.

Ide e pregai sem cansaço.

Uma leve aragem acompanhava a Sua ascensão, enquanto o poente fechava o leque de douradas plumas do Sol e Ele desapareceu.

Agora era ouvida a canção dos astros no firmamento.

Emocionados, todos deixaram a montanha e avançaram mundo afora, falando e vivendo Jesus.

Em todos os séculos e lugares, depois dessa tarde encantadora, eles têm renascido para manterem e divulgarem a Palavra.

Mártires, heróis, artistas, sábios, nobres e plebeus, sempre perseguidos, têm reencarnado e o Evangelho tem salvado milhões de vidas de todos quantos são fiéis a Jesus.

Na atualidade de sombras e horrores, eles estão nas linhas de frente do trabalho, salvando vidas com solidariedade, em júbilo peculiar porque Jesus está presente no mundo amparando e cuidando das Suas ovelhas.

Cuida de seguir o teu rumo e não duvides nunca do milagre do amor dAquele que nos deu a existência, a fim de que também, por nossa vez, possamos fazer o mesmo.

Amélia Rodrigues

(*) João 21:11 e seguintes.
Nota da Autora espiritual.

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 7.4.2021, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

21 maio 2021

Mãe Solteira - Amélia Rodrigues


MÃE SOLTEIRA

Quando sentiste a minha presença no útero foste dominada por uma angústia infinita.

Não esperavas a ocorrência natural e não tinhas condição de exercer a maternidade.

Informando a situação aflitiva ao companheiro de afetividade, dominado pela surpresa, ele recusou ajudar-te, unindo-se a ti pelo matrimônio, ou pelo menos, distendendo um braço protetor.

Sugeriu que me abortasses como solução imediata, mas, estarrecida, negaste-lhe anuência ao crime hediondo.

Constataste que ele não te amava e te usava como fizera com outras jovens inadvertidas.

Experimentaste a reação doméstica violenta dos teus pais que também propuseram o abortamento.

Acusavam-te de haveres manchado a honra da família e porque me sentias vibrar junto ao teu coração, aceitaste as humilhações domésticas, a expulsão do lar e as noites estreladas para servirem de cobertor na escuridão dos becos e sob viadutos ao lado de outros infelizes.

Eras jovem e bela!

Mesmo grávida tentaram macular-te na escravidão do sexo.

Recusaste todas as ofertas degradantes e lutaste na miséria até o meu nascimento.

Depois que me embalaste pela primeira vez, prometeste que viveríamos juntas e seríamos felizes, não importava quando.

Não me abandonaste para a adoção por outros corações e, nos serviços humilhantes, encontraste o pão e a roupa para nós duas.

Foram anos difíceis de fome, frio e dor.

Eu era estigmatizada como filha de mãe solteira, mas não me incomodava, antes sentia orgulho.

Será que o amor materno é diferente quando se nasce sob a proteção das leis ou fora delas?

Nunca senti diferença. Muito ao contrário.

Demonstraste a grandeza do teu imenso afeto de mãe soleira e me criaste com dignidade e ternura.

Conseguiste, por fim, trabalho de melhor qualidade e me educaste abraçando a fé e o respeito a Jesus Cristo e à Sua Mãe Santíssima.

Voltaste para o Grande Lar e nunca me abandonaste.

Ante as decisões difíceis e nos momentos graves da minha existência eu sentia que estavas comigo e murmuravas à minha mente as melhores decisões a tomar.

Triunfei, mãezinha, sob as tuas bênçãos e agora, também na Imortalidade, exulto de contentamento, porque tive a honra de ser tua filha, e de não ter sido assassinada no teu ventre.

Deus te abençoe, mãe solteira, protegida pela Mãe de Jesus, que também tem sido incompreendida.

Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, em reunião mediúnica de 12 de fevereiro de 2021, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

03 junho 2020

Mãezinha inesquecível - Amélia Rodrigues



MÃEZINHA INESQUECÍVEL


Recordo-me, mãezinha amada, com emoção indescritível, da nossa inolvidável convivência. Eu, pequenina, assustada, e tua segurança era a razão do meu equilíbrio.

Naquela tarde, em especial, chovia muito, e eu temia. Os céus encontravam-se escuros e clareavam-se com os relâmpagos em dança macabra, enquanto, gargalhando, o trovão aplaudia.

Eu fui dominada pelo horror!

Tomaste-me nos teus braços protetores e, com um sorriso suave no teu rosto delicado, apontaste para a tormenta e disseste-me:

— Filhinha, nunca temas os fenômenos que Deus produz na Natureza. Olha a chuva, que parece o pranto das nuvens de que a terra seca e sofrida tem necessidade para reverdecer-se e a vida persistir. É uma tempestade vigorosa, mas tem como finalidade diminuir e limpar a Natureza das cargas excessivas de eletricidade que se chocam, produzem luz e bailado com as gargalhadas do trovão. Observa, é uma festa grandiosa diante dos nossos olhos.

— Tenho medo, mamãe! – Eu exclamei trêmula.

Continuaste sorrindo, e, ante uma explosão que fez tremer a casa, continuaste falando:

— Tudo isto é de Deus, Nosso Pai, que está cuidando dos recursos para a manutenção da nossa vida. Confiemos nEle e respeitemos as forças colossais, sabendo que tudo está sob o Seu sublime controle…

Nunca mais temi nos tempos futuros. Aprendi a conviver com as borrascas da Natureza, a fim de bem sofrer as humanas.

Quando voltaste para o Paraíso, eu fiquei a sós. Muitas vezes, estive à borda do desespero e perguntei-me se a tua viagem fora também por Deus programada. Lentamente compreendi que sim, e, sempre que as tormentas me visitaram, eu recorri às nossas lembranças, aos teus ensinamentos, acalmando-me.

Fizeram-se tão naturais essas evocações, que passei a sentir a tua suave presença, e no meu coração sempre houve uma grande segurança que me fala da tua proteção.

Hoje também sou mãe. Mas não posso deixar de chamar-te nestes momentos difíceis ou silenciar as minhas ansiedades para sentir a doce emoção da tua presença.

A Terra está sob ameaça perigosa de um suplício silencioso e destrutivo. Sem luz nem aplauso. Arrebata as vidas e deixa os lares em terrível escuridão, ouvindo-se somente as dores que estrugem com gritaria e saudades que não encontram consolo.

Mãezinha inesquecível!

O mundo está em consumpção, e eu sinto-me pequena como naquele dia, temente e apavorada, sem saber como conduzir-me diante deste estranho monstro que está atormentando todos. A morte impiedosa passeia pelas ruas desertas das cidades, das vilas, dos campos, das metrópoles e passa várias vezes pela porta do meu lar ameaçadoramente.

Que fazer, anjo de Deus? O meu é um silêncio de ansiedade e expectativa.

Ouço, então, a tua dúlcida voz consoladora, que me arranca do desespero:

— Ora e confia. A peste é também de Deus, atendendo à loucura que se instalou no mundo. Tem por finalidade descarregar a psicosfera letal das mentes pervertidas…

Periodicamente, ela visita o planeta, quando o ser humano ultrapassa os limites da conduta voltada para a perversão e a crueldade, a fim de auxiliá-lo a despertar, compreender a própria fragilidade e progredir, facultando a paz que sempre vem depois.

— Oh! mãezinha querida! Compreendo-te, e acalmarei as minhas inquietações, segura de que Deus comanda a vida.

Agradecida e fiel, tua filhinha,


Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na noite de 22 de abril de 2020, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.

22 fevereiro 2020

O grande desafio - Amélia Rodrigues



O GRANDE DESAFIO


Jamais igualado, Jesus é o grande desafio para a Humanidade.

Nascendo e vivendo em pequenos lugares comuns a todos os lugares, entre pessoas simples e desatentas, que existem em toda parte e em todos os tempos, a Sua é a existência global, divisória dos acontecimentos históricos, que se fizeram assinalar pelo berço de palha, sinal épico das épocas passadas e futuras.

Péricles e Augusto, que deram os seus nomes aos séculos em que nasceram; Fídias, Sócrates e Heródoto, que marcaram o pensamento literário, artístico e histórico profundamente; Júlio César, Carlos Magno, Francisco de Assis e Michelangelo, que alteraram os acontecimentos humanos; Voltaire, Beethoven e Freud, que reformularam os conceitos filosóficos, musicais e psicológicos, ao lado de Edison, Fulton e Einstein, que sugeriram técnicas preciosas e decifraram enigmas, não se Lhe equiparam.

Não obstante a grandeza das suas realizações, vários deles se inspiraram nos Seus ensinos e não lograram sensibilizar outras pessoas na profundidade em que Ele o conseguiu.

A Sua mensagem inspirou as mais belas páginas da Literatura, da Arte e da Filosofia, arrebanhando o maior número de mártires que jamais se conheceu.

A Sua figura, que impressionava todos aqueles que O fitavam, ultrapassou o período em que viveu, abalou o Império Romano e alterou completamente a História do Ocidente.

Amado ou odiado, Jesus não deixa ninguém indiferente à Sua comunicação ímpar.

Usando linguagem simples e atual em todas as épocas, revoluciona interior e exteriormente os indivíduos que travam contato com o Seu conteúdo.

*

A indiferença não viceja em relação à Sua vida.

Mensageiro incomparável do amor, utilizaram-nO para guerras de interesses inconfessáveis.

Libertador por excelência, foi usado para justificar comportamentos escravocratas e absurdos.

Amigo de todos, tomaram-nO, através das paixões mesquinhas, como divisor de grupos e indivíduos.

Filho de Deus, confundiram-nO, propositalmente, com o Criador, dando margem a conflitos de toda ordem.

Amor ímpar, fizeram-nO símbolo de força terrena, enganosa.

Simples e abnegado em todos os atos, alçaram-nO aos tronos equívocos e aos poderes transitórios.

Imensurável na Sua grandeza, permanece incompreendido na mensagem de que se fez portador.

Para explicá-la, elaboraram teologias complexas e confusas, surgiram exegetas especializados e intérpretes exigentes, quando os puros de coração e os simples de espírito podiam compreendê-la e vivê-la sem rebuços nem afetação.

Adornam-na de símbolos e rituais, cerimônias luxuosas e sacramentos inócuos, desvestindo-a dos caracteres de amor e espontaneidade que vicejavam nos Seus lábios e conduta.

Criaram uma casta sacerdotal para ensiná-la, quando Ele sempre se levantou para profligar tal comportamento.

Convocam-nO para amaldiçoar e matar, olvidados de que Ele é vida, e vida abundante...

São os paradoxos humanos.

*

Todas as pessoas que O entenderam pelo coração, ofereceram-se em holocausto de amor ao Seu amor.

Marchavam felizes para o martírio, certas da vitória, além do corpo...

...E prossegue arrebatando milhões de indivíduos, apesar das alterações que introduziram no Seu pensamento inatacável.

O Evangelho, esta perene alegria, rico de Boas-novas, narrado pelos quatro amigos, inunda de esperança qualquer vida e enriquece de felicidade quem o lê e medita.

Dois milênios quase, depois de Ele haver morrido e ressuscitado, permanece mais vivo e amado do que qualquer outro vulto da Humanidade.

Jesus rompe com a superficialidade e penetra o âmago dos homens, alterando-lhes totalmente a existência, porque lhes demonstra a sua realidade espiritual e divina, num mundo transitório e portador de planos e oportunidades para experiências evolutivas, libertadoras.

Com algumas frases, compôs o poema de liberdade - as Bem-aventuranças, que são o momento glorioso da Sua palavra e vida.

Perseguido, crucificado, após as infamantes traição e negação dos amigos frágeis, continua convidando-nos a segui-lO e amá-lO, única forma de se alcançar a plenitude.

Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, da obra Pelos caminhos de Jesus, cap. 1, ed. LEAL, Salvador, Bahia.


08 janeiro 2020

Amanhecer Inigualável - Amélia Rodrigues

AMANHECER INIGUALÁVEL


Nunca dantes houve algo semelhante. A crucificação do Justo assinalaria a permanência da ignorância e da crueldade no coração humano, petrificado pela arrogância da transitória existência que a morte ceifaria...

A noite espiritual que se fez a partir daquele momento de pavor se alongaria nas estradas longevas dos séculos porvindouros, até o momento em que o holocausto, por amor, dos mártires rompesse a densa escuridão, facultando o brilho do sol da esperança para os criminosos.

Compreensivelmente, aqueles homens simples e modestos, acostumados às redes de pesca e às questões simples do seu habitat, em sua timidez na cidade perversa, experimentaram diferentes emoções e ficaram desorientados, sem saber o que fazer.

Alguns não tinham lucidez para compreender a truculenta ocorrência, outros cambaleavam, acreditando-se abandonados e sem roteiro, todos estavam aturdidos.

A crucificação do Mestre, embora Ele o houvesse anunciado mais de uma vez, com clareza e naturalidade, ultrapassava nas suas mentes tudo quanto poderiam imaginar. Essa punição nefanda tornava-se-lhes um desafio inimaginável.

Como viveriam a partir daquele momento, em que desconhecidos, não tinham uma porta a bater, buscando socorro, entendimento. Para onde iriam, naquele lugar cruel e ameaçador? Pensavam que logo depois seriam caçados por verdadeiras hienas e, provavelmente, teriam que pagar a audácia de seguir Aquele que se dizia o Messias.

O medo é algoz implacável! Notícias nefastas e apavorantes circulavam em toda parte e as pessoas, agora carrancudas, tornavam-se perigosas.

Repassavam pela mente todas as promessas e expectativas, os sonhos de um mundo de luz e paz, as alegrias em um reino de trabalho e festa, tudo agora sombreado pelo pavor e incerteza de quem seria o próximo a perder a vida.

O suicídio de Judas diminuíra-lhes a raiva em relação ao traidor que tanto recebera do Mestre. Quem seria agora o próximo crucificado? Do medo ao pavor é um passo e logo este instalou-se-lhes e procuraram esconder-se nos arrabaldes enquanto as horas pareciam intermináveis.

Eles desejavam retornar às praias de Cafarnaum, às labutas do mar, às ingênuas e modestas necessidades do dia a dia, porém uma força incoercível, retinha-os na amaldiçoada cidade a qual passaram a detestar.

Ainda estavam aturdidos em discussão inútil, quando Ele apareceu. Não havia dúvida! Era o Amigo de todas as horas, sorrindo com a ternura do perdão às suas fraquezas, as mãos abertas, as chagas dos cravos à mostra e a indumentária refulgente.

Aquele momento ficaria eternizado na alma da humanidade. Não havia palavras que pudessem traduzir as emoções transformadas em lágrimas, sorrisos e lamentos em razão do comportamento desleal de cada qual.

Mas Ele não parecia julgar suas fraquezas nem dubiedades. Apenas voltara conforme prometera, especialmente naquela circunstância aziaga e terrível.

Compreenderam, por fim, que o reino a que Ele se referira tantas vezes não estava nas dimensões terrestres, mas sim na imortalidade da alma. Impossível seria descrever o renascer da alegria em seu mundo interior, o júbilo imediato por amá-lO, o desejo exaltado de O levar a todas as gentes.

A ressurreição de Jesus é o momento culminante da história da Sua vida entre as criaturas humanas. Todavia, era imprescindível que antes ocorresse a Sua morte. Que Ele fosse visto como um vencido pela loucura terrestre em busca de poder, qual se fosse um trapo na haste da cruz, a fim de ser grandioso o seu retorno luminescente.

Sempre haverá noite na história de todos os Espíritos. Mas igualmente surgirá a madrugada iridescente da vitória da vida. Por isso, a história da vida de Jesus representa o triunfo do amor imortal sobre a transitoriedade material. Eles voltaram, então, à formosa Galileia.

À primeira aparição seguiram-se outras em diferentes lugares, de modo que as testemunhas fossem inumeráveis, culminando no entardecer da região amada diante de uma multidão de quinhentas pessoas que escutavam João, quando Ele voltou a dar as últimas instruções.

Retornaria, sim, periodicamente, nas fases tristes da sociedade, quando a dor chegasse aos extremos do desespero e tudo parecesse prestes a mergulhar no caos...

Seus discípulos, então renascidos em outros corpos, voltariam a vê-lO e a ouvi-lO, repetindo as instruções de amor e de caridade, em canções de abnegação e de caridade ímpares.

O sentido da existência física é a preparação para a imortalidade, nutrindo-se o ser do pão fraternal, da luta de autoiluminação, edificando a ternura no coração, a energia nas ações e a imensurável alegria da existência com todo o seu fardo de testemunhos, que são verdadeiras bênçãos para o Espírito.

O Evangelho é o hino perene de luz que canta em toda parte e repete as bem-aventuranças inolvidáveis. Quando as criaturas humanas aprofundarem o conhecimento nas lições insuperáveis do Rabi Galileu, automaticamente permitirão que se impregnem os sentimentos e a inteligência, experimentando, desde então, as delícias da plenitude, da paz.

Jamais aqueles dias voltarão, no entanto, ficarão como alicerce de todas as conquistas superiores do ser humano na sua ascensão ao infinito. Mudam os tempos e alteram-se os comportamentos diante da ética submetida aos impositivos da evolução da cultura, mas as recomendações do Mestre serão sempre a base de todas as conquistas morais da sociedade.

e a base de todas as conquistas morais da sociedade. Na grande noite que se abate sobre a Terra, anunciando a chegada e a instalação da luz da verdade, Jesus prossegue, o caminho único aliás, para o êxito de qualquer empreendimento.


Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão da noite de 4 de fevereiro de 2019, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

13 novembro 2019

Boa Nova - Amélia Rodrigues



BOA NOVA


A história da Boa Nova é a epopéia do homem atormentado buscando as fontes inexauríveis da Divina Misericórdia e recebendo a linfa refrescante da paz, que vem sorvendo lentamente através dos dois últimos milênios.

Por enquanto, condicionado às circunstâncias da própria necessidade, não tem sabido valer-se do gral asseado da abnegação e a toma em vasilhames impregnados de sujidades que impedem a absorção total e lenificadora do refrigério de que se faz instrumento.

Seguindo Jesus, o Amigo Excelente, não tem sabido o homem abandonar a estreiteza das limitações ideológicas em torno das quais circunvaga, para buscar os horizontes ilimitados da solidariedade onde se pode realizar e adquirir plenitude.

Asfixiado pela volúpia dos gozos imediatos, e suserano das paixões reluta no momento de abdicar as velhas acomodações derrotistas, plasmando o esforço nobre da sublimação dos ideais.

Confundido pelas ideologias estranhas de classes e nações, padronizando direitos e deveres conforme os preconceitos que vitaliza estoicamente, aferra-se ao mundo conquanto o conhecimento comprove a invalidade da estrutura das chamadas realidades objetivas.

Por isso amargura-se, demorando lamentavelmente vinculado aos hábitos anestesiantes nos quais se amolenta e envilece, surpreendendo-se com a morte e desesperando-se, odiando o sofrimento e fomentando-o, fugindo ao medo e espalhando-o, experimentando a própria alucinação justiçando-o.

No entanto, a Boa Nova em sua epopéia representa a história do homem atormentado que bate às portas dos céus, ansiosamente, e recebe a resposta da esperança e do amor, atendendo-o generosamente.

Por toda parte a figura do Singular Galileu era um raio de luz na noite dos apelos humanos, clareando por dentro as necessidades gerais.

Combatido a Seu tempo não é aceito hoje, ainda, pela falsa cultura que entroniza o crime e desdenha a honra, arrazoando contra o amor, por meio de despeito azedo, por identificar na vitória que os desconsiderados pelo mundo conseguem em si mesmo, como sendo Sua derrota ante o malogro das suas aspirações.

.. . E a epopeia do Cristo canta com toda a pujança.

Aí está no dia-a-dia a representação das vidas que a Sua Vida levantou. Repontam em abundância as existências que Ele soergueu e no incessante re nascer das mesmas aflições como reflorescimento das velhas árvores da angústia, parecem aguardar o Jardineiro doutrora…

Aqui estão embrulhadas na dor as aflitas mães viúvas em evocação à de Naim, rogando ajuda com as almas em frangalhos, desesperançadas; vestida? de ilusão, derrapando na ociosidade alucinada, virgens loucas desfilam em contínuo cortejo de insensatez esquecidas da responsabilidade, embriagando-se para logo tombarem sonolentas nos resvaladouros do erro, perdendo os noivos, quando chegam; os onzenários que preferem a algaravia cambial e o sonido expressivo dos valores que perseguem, em detrimento da jóia de alto preço, que merece adquiri-rida com o resultado arrecadado pela venda de todas as pequenas jóias, porque estão desatentos perdem a mais preciosa: a paz interior; interrogantes os príncipes da ciência e da filosofia, indagando e indagando sempre, sem reflexionar, fixados aos compêndios tradicionais e aos conceitos dúbios a que se aferram, são surpreendidos pela desencarnação para constatarem, arrependidos, tardiamente…

Rareiam os novos centuriões cuja fé rutila nos olhos e clareia por dentro, prosternando-se ante Ele para esperar a cura do servo e consegui-la, ou da mulher siro-fenícia cujo ardor deu-lhe intrepidez para tocar-lhe as vestes e arrancar-lhe “a virtude” da saúde; ou a obsidiada de Magdala que rompeu em definitivo a noite interior para que a Sua luz a incendiasse por dentro, haurindo n’Ele o combustível que a manteria em claridade contínua até a vitória final.

Ele, no entanto, continua esperando.

Sua voz utiliza para ensinar a singeleza de um grão de mostarda, de redes a secarem ao sol, de peixes e varas verdes, de uma figueira brava, de talentos, de pérolas, de fermento, conhecidas de todos essas expressões, arrancadas da experiência diária de cada um, como lição sempre nova, abrindo clareiras de sabedoria na floresta dos conceitos complexos e inexpressivos que não conduzem a mente atormentada a lugar nenhum.

A Boa Nova ressuma esperança, pois é a história do homem angustiado, batendo e Jesus respondendo, em forma de socorro lenificador incessante, como a dádiva de Deus para a libertação do ser.


Amélia Rodrigues
Médium: Divaldo Pereira Franco
Livro: Luz no Mundo

30 maio 2018

Anjo misecordioso - Amélia Rodrigues



ANJO MISECORDIOSO


As mais belas palavras entretecidas em forma de uma auréola de gratidão não expressam, realmente, a grandeza de que te revestes, anjo querido.

Sendo uma estrela luminífera, escondes a tua claridade no corpo físico, a fim de não ofuscares os caminhos que percorres, particularmente quando te tornas mãe.

O brilho, porém, da tua luminosidade exterioriza-se e clareia a noite densa do processo de crescimento daqueles que vêm aos teus braços, na condição de filhos, na ansiosa busca do progresso e da plenitude.

Os teus silêncios, nos momentos de testemunho, transformam-se em canções de inigualável beleza, dando sentido psicológico e harmonia à vida, porque te sacrificas em benefício daqueles que Deus te concedeu por empréstimo sublime para os conduzires ao Seu coração inefável.

O teu devotamento contínuo constitui a lição preciosa de perseverança de quem acredita na Vida e no triunfo do Bem Eterno, nunca desistindo de lutar e de doar-se.

A tua paciência gentil e a tua serena abnegação, mesmo nas horas difíceis, são poemas vivos de amor incomum, que terminam por transformar as estruturas morais humanas deficientes em resistência e vigor para os enfrentamentos da reencarnação.

A tua serenidade, quando tudo parece conspirar contra o êxito daqueles que educas, e a tua certeza de que o amor tudo pode, convertem-se na segurança que se faz indispensável para que a vitória seja alcançada.

As ingratidões dos filhos não te desanimam, as vicissitudes da existência não te desarmonizam, os embates do cotidiano não te enfraquecem, e prossegues a mesma, sofrida, às vezes, perseverando, porém, nos deveres a que te entregas com doação total.

Aprendeste a sorrir quando os teus filhos estão alegres e a chorar ante as suas preocupações e fracassos, nunca cedendo espaço ao desespero ou à revolta, quando eles não conseguem superar os impedimentos e tombam em momentâneos fracassos…

Nesses momentos, renovada em forças e revestida de coragem, ergue-os, dando-lhes as mãos generosas e direcionando-lhes os passos no rumo certo, a fim de que recomecem e se recuperem.

Estejas na opulência ou na pobreza total, a tua maternidade é sinal do poder de Deus que te consagrou como cocriadora, na condição de anjo do lar, a fim de que o mundo cresça e a vida humana alcance a meta para a qual foi organizada.

É certo que nem todos os filhos sabem compreender a tua grandeza, os teus sacrifícios e lutas, mas isso não te é importante.

Consideras antes que o teu é o dever de os amar em quaisquer situações em que se encontrem, educando-os sem cessar, amparando-os continuamente e emulando-os ao avanço com os seus próprios pés, mesmo quando tenham as pernas trôpegas e feridos os sentimentos.

Sabes que as melhores condecorações para exornarem os heróis são as cicatrizes internas que permanecem no coração e na alma do lutador após as refregas. Por isso mesmo, insistes e perseveras sem descanso, trabalhando com esses diamantes brutos que deves lapidar, a fim de que permitam o brilho da Estrela Polar – Jesus! – no recesso do ser.

...E se, por acaso, a desencarnação te arrebatar do corpo, impedindo-te continuar cuidando deles, permanecerás, no Além-túmulo, inspirando-os, acariciando-os e envolvendo-os em vigorosa proteção.

*

Doce mãezinha!

Quando as criaturas da Terra dedicam um dia ao teu amor, apenas um entre trezentos e sessenta e quatro outros, sinalizando que já estão despertando para o significado do teu apostolado, apesar das imposições mercadológicas que esperam lucros, nessa oportunidade, quando todos deveriam oferecer-te somente amor, desejamos homenagear-te, envolvendo-te em ternura e em gratidão, pela nobre tarefa que desempenhas e pelas bênçãos que a todos nos concedes.

Maria, a Mãe Santíssima da Humanidade, coroe-te de paz e de alegria, no teu e em todos os dias da tua existência, anjo misericordioso de todos nós!

Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 10 de março de 2006, na residência de George e Akemi Adams, em Santa Monica, Califórnia, EUA.

15 janeiro 2017

O Vencedor - Amélia Rodrigues



O VENCEDOR


"E Eu, quando levantado da terra, atrairei todos a mim." (João:12-32)

Jesus veio para inaugurar na terra o reino do amor. Encontrou dificuldades de toda natureza, porque os homens daqueles dias em que ele viveu entre nós, estavam acostumados ao poder e à força.

As criaturas se encontravam divididas entre senhores e escravos, poderosos e os sem valor nenhum.

A vida não era respeitada, porque a guerra destruía as esperanças e submetia os que não podiam vencer, deles fazendo infelizes sem liberdade.

Quando Jesus ensinou que todos os homens são iguais e que as diferenças se fazem somente através das conquistas morais, houve aborrecimentos por parte dos que governavam e queriam manter o estado de coisas no ritmo em que se encontrava.

Ele, porém, continuou a ensinar o amor a todos os seres, o perdão a todas as ofensas e a humildade como formas de crescimento para Deus. Vivia cercado pelos pobres, pelos sofredores, pelos que eram desprezados e não mereciam nenhuma consideração.

Em qualquer lugar em que ele aparecia, as multidões se aproximavam para o ouvir e receber das suas mãos o alimento da paz, a esperança de felicidade e a saúde. Nada conseguia perturbar Jesus. Ele convidou doze homens para que se tornassem seus discípulos, porque era o mais sábio do mundo, assim fazendo-se mestre de todos.

Esses amigos o amavam, mas não compreendiam a missão dele, o reino que fundava. Porque sofriam, e eram pobres, esperavam que ele se tornasse rei do país onde todos eles haviam nascido, e que se chamava Israel.

Ele demonstrava não ter interesse pelas coisas do mundo, nem pelas posições de destaque social na terra. Renunciava a tudo: aos aplausos, às gratidões, aos jogos humanos.

Mas, os companheiros não entendiam a sua atitude e ficavam inquietos. Eles amavam a Deus, mas queriam a felicidade no mundo. Jesus, no entanto, ensinou-lhes, dizendo:

- Eu sou o caminho para Deus, que e a verdade e a vida, e ninguém consegue compreender essa realidade, senão por meu intermédio.

Cada vez que ele apresentava lições tão profundas, que contrariavamos religiosos da época, aumentavam os ódios contra a sua vida.

Foi durante a sua visita a Jerusalém, que era a capital de Israel, como ainda hoje, durante umas festas chamadas de Páscoa, que Ele foi preso e levado a um julgamento injusto.

Judas, que era também seu discípulo, o vendeu aos sacerdotes, traindo o seu amor. E pedro, que igualmente o amava muito, quando foi apontado como sendo seu amigo, respondeu com medo, por três vezes:

- Eu nunca vi esse homem!

Os dois se arrependeram, quando o viram, depois de condenado, ser crucificado, no alto de um monte que era conhecido pelo nome de Calvário. Judas, atormentado, suicidou-se, envergonhado do que fizera, cometendo, com esse ato, um crime muito grave diante de Deus.

Pedro procurou recuperar-se, também arrependido, vivendo totalmente dedicado a pregar e a viver a doutrina que ele havia ensinado. E, de fato, foi na cruz, erguido da terra, que todos compreenderam que Jesus era o verdadeiro vencedor do mundo.

Embora houvesse morrido, ele ressuscitou, três dias depois, e voltou a conviver com os amigos, aparecendo até aos estranhos, num lugar onde estavam quase quinhentas pessoas, num monte, escutando João, que era o seu discípulo amado, falando a respeito dele.

O verdadeiro vencedor não é aquele que domina os outros, mas quem consegue dominar os seus ímpetos, amando sem qualquer rancor de ninguém, nem mesmo daqueles que o persigam e maltratem.


Pelo Espírito Amélia Rodrigues
Psicografia de  Divaldo Pereira Franco
Obra: O Vencedor - LEAL



30 junho 2015

Legítima Fraternidade - Amélia Rodrigues


LEGÍTIMA FRATERNIDADE


Aqueles eram dias diferentes de outros que aconteceram no passado.

A psicosfera reinante era semelhante a um campo de batalha transformado em jardim, no qual a primavera sorria flores nos terrenos antes áridos e espalhava perfume no ar.

Jesus estava com eles, mas eles ainda não O conheciam, não tinham sequer dimensão do significado, da oportunidade grandiosa que fruíam.

Eram homens simples, acostumados à labuta do mar e das demais profissões a que se aferravam.

As suas aspirações não diferiam das que pertenceram aos seus pais: quem era pescador, de pescador descendia e para o filho aspirava a mesma profissão, assim por diante...

De Betsaida – ou Casa da Pesca -, assim como de Cafarnaum, vieram alguns deles, cujo ofício era atirar as redes ao mar, e agora deveriam estirá-las no imenso oceano da humanidade, a fim de colherem mulheres e homens para o reino dos céus, que eles tampouco tinham ideia do que se tratava.

v É certo, isto, sem dúvida, que amavam aquele admirável Rabi que os convocara, sorrindo e cantando uma suave e doce melodia a que não se encontravam acostumados.

Nunca haviam escutado uma voz igual, nem experimentado uma convivência como aquela.

Alguns não se conheciam até o momento em que foram convocados, embora outros fossem amigos e companheiros de faina diária. No entanto, formavam um grupo gentil, afetuoso, com algumas dificuldades no relacionamento, como seria de se esperar.

Enquanto Ele falava e convivia ao lado deles, estranha paz e comovente bem-estar os vestia de alegria e a vida não os afligia.

Mas os seus horizontes de pensamento e de conduta eram semelhantes àqueles geográficos: o mar, as montanhas, do outro lado na Decápole, as praias, as pequenas contendas do comércio, as preocupações domésticas em torno do pão e do peixe de cada dia...

Repentinamente, tudo se modificou.

Ouvindo-O, passaram a anelar por amplidão, pelos complexos acontecimentos que iam além da sua região, pelos infelizes de que agora se davam conta. Sempre haviam existido, mas, acostumados à sua miséria, nunca os perceberam, entendendo a extensão do seu drama, das suas necessidades, e, acima de tudo, de que eram seus irmãos.

Alguns eram mais ou menos compadecidos e até ajudavam este ou aquele, porém, agora, em a nova ordem, passaram a ter importância, adquiriam significado, porque o seu Mestre os elegera, convivia com eles, dialogava, ensinava-os a viver, a erguer-se do estado abjeto com a simples mudança de pensamento, de como encarar a existência e de sobrepor-se ao desespero.

Sem dúvida, tratava-se de uma revolução diferente, especial, na qual a ralé adquiria cidadania, sem qualquer desprezo pelos opulentos e extravagantes que, uma ou outra vez, também dEle se acercavam, curiosos ou zombeteiros, interessados ou mesquinhos, mas tratados com gentileza.

A canção de amor e o seu Cantor passaram a ecoar pela região do mar, depois alcançou os montes, as outras tetrarquias e, de todo lugar possível, buscavam-nO para uma ou outra necessidade.

E Ele, cada vez fazia-se mais belo, mais sábio, mais misericordioso, mais difícil de ser entendido no que dizia.


* * *


Quase sempre, nos grupos sociais, os indivíduos fecham-se, parecendo temer a invasão de estranhos que lhes possam perturbar os hábitos e as ambições.

Aquele grupo que o Mestre conduzia não era diferente. Tratava-se de criaturas humanas com as suas grandezas, mas também com as suas limitações, para não dizer misérias morais... Eram homens simples, embora Espíritos preparados, momentaneamente envoltos na ignorância...

À medida que se faziam mais conhecidos, não podiam dominar os velhos hábitos das censuras, dos ressentimentos, das invejas, das pequenezes espirituais por onde haviam transitado.

Discutiam por coisas nenhumas, disputavam a ternura do amigo, sem saber como fazê-lo, censuravam-se reciprocamente e invejavam-se uns aos outros, cada qual acreditando-se merecedor de atenção, de cuidados, que eram dispensados a João, o jovem, filho do Trovão, e a Pedro, em cujo lar Ele se hospedava, quando se encontrava na região.

Sem que se apercebessem, dividiram-se emocionalmente, embora juntos.

Por que será que João parece o preferido? – Indagava Judas.

Que tem Pedro que nós outros não possuímos? – Perguntava Tomé na sua austeridade.

Não temos sido todos leais e atentos? – Inquiria Barnabé...

...E discutiam, apontando imperfeições nos outros...

A situação tornou-se mais difícil, quando uma antiga equivocada passou a comparecer nas inesquecíveis reuniões dos entardeceres de luz no lago, nas cercanias das cidades...

Não era ela uma mulher condenada? Como conviver com alguém que deveria, segundo a severa Lei, ser punida pelos hediondos comportamentos que se permitira?

Era tão atrevida – diziam a meia voz – que se encorajara a adentrar-se na casa de Simão e banhara os pés do Mestre com perfumes e lágrimas, enquanto os enxugava com, os próprios cabelos!

Por que o Mestre a aceitara entre eles e até lhe tolerava a presença em momentos em que somente eles, os homens, estavam reunidos?

A situação complicava-se à medida que o tempo transcorria na ampulheta dos momentos.

Aconteceu num dia em que vinham excitados pelo caminho ao encontro de Jesus.

Estavam algo exaltados, irritados, de mau humor.

O doce olhar do Amigo sereno desceu sobre eles com imensa ternura, desnudando-os, e sentiram-se constrangidos, enquanto, com a Sua terna voz, os interrogava:

Que vínheis discutindo pelo caminho?

Envergonharam-se das mesquinhezes e mais ainda quando Ele lhes disse:

...Quem desejar ser o maior, que se faça o servo do menor...

Estavam desmascarados. O Amigo conhecia-os sim, e, apesar disso, os amava.

Ele, então prosseguiu, explicando:

Não é difícil ser grande no Reino de meu Pai, bastando somente ser o maior servidor e o melhor amigo em Seu nome. Apagando-se no anonimato do Bem, adquire-se o requisito para ter o nome escrito no livro dos Céus.

Todo aquele que se exalta, já goza da vaidade e da ilusão, tornando-se humilhado depois, quando contemplar na glória aquele que foi desconsiderado.

Quem anela pelo planalto deve caminhar com segurança pela planície. A conquista da paz interior é realizada mediante a compreensão do próximo, das suas dificuldades e desvios... Ele não pede para ser julgado, censurado, mas suplica ocasão de ser esclarecido e amparado.

Todos aqueles que se encontram bem já ultrapassaram o vale do desconforto e da aflição, estando em condições de amparar quem ainda caminha na sombra da ignorância.

Na construção da verdadeira amizade é indispensável que se pense nos irmãos esquecidos na retaguarda, a fim de que a sementeira de bondade assinale os esforços de iluminação.

O próximo, portanto, começa entre aqueles que estão mais perto um do outro, a fim de ser encontrado à distância na estrada do abandono...

Eu vos convido para que aprendais a servir e nunca a fruir na Terra; a socorrer, ao invés dos procedimentos julgadores que apresentam as culpas alheias.

Quem vem a mim necessita de acesso à paz e eu sou a Porta das ovelhas.

Estai atentos, pois que são muitos aqueles que aspiram ternura com as mãos transformadas em cardos ferintes. Desse modo, se não fordes capazes de vos amardes uns aos outros num pequeno círculo de corações como podereis estender o primado da misericórdia por toda a Terra?

Fez-se um natural silêncio.

A sua cantilena de bondade apresentava notas de melancolia e de júbilo, de modo que não se sentissem repreendidos, mas orientados.

Adestrando-os na legítima fraternidade, Jesus os preparava para os testemunhos do porvir que não seriam evitados.


Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na residência de Epaminondas Correia e Silva, na manhã do dia 9 de agosto de 2013, em Paramirim, Bahia.

16 maio 2015

Redenção - Amélia Rodrigues



REDENÇÃO

O mergulho de Jesus nos fluidos grosseiros do orbe terráqueo é a história da redenção da própria humanidade, que sai das furnas do “eu” para os altos píncaros da liberdade.

Vivendo nos reinados de Augusto e Tibério, cujas vidas assinalaram com vigor inusitado a História, o Seu berço e o Seu túmulo marcaram indelevelmente o tempo, constituindo sinal divisório da Civilização, acontecimento predominante nos fastos da vida humana.

Aceitando como berço o reduto humílimo de uma estrebaria, no momento significativo de um censo, elaborou, desde o primeiro momento, a profunda lição da humildade para inaugurar um reinado diferente entre as criaturas, no justo momento em que a supremacia da força entronizava o gládio e a púrpura atapetava o solo, alcatifando o piso por onde passavam os triunfadores.

E não se afastou, jamais, da diretriz inicial assumida: o de servo de todos.

Acompanhando a marcha tresloucada do espírito humano que se encontra atado aos sucessivos ciclos dos renascimentos inferiores, na roda das paixões escravizantes, fez que pioneiros e embaixadores da Sua Morada O precedessem cantando as glórias superiores da vida e do belo, para propiciar os sonhos de elevação e as ânsias sublimantes...

Alexandre Magno conquistou o Mundo sem conseguir, no entanto, intimidar os filósofos que habitavam as margens do Indo. Apaixonado por Homero, dizia encontrar na Ilíada inspiração ao amor e à guerra que lhe dava glórias... Logo passou, e aos 33 anos sucumbiu, depois de ter vivido o correspondente a várias vidas... Os direitos dos povos pertenciam aos dominadores e o homem não passava de animal de carga, nas garras da força.

Depois dEle, Marco Aurélio registra os pensamentos que fluem da mente privilegiada, sob elevada inspiração de Emissários Sábios enquanto peleja nos campos juncados de cadáveres...; as hostes selvagens, em nome da hegemonia política de vândalos elevados ao poder, irrompem voluptuosas, quais labaredas humanas crepitantes e carbonizantes, e atrás de suas legiões ficam os destroços, as cinzas, as dores agudíssimas das cidades vencidas e enlutadas.

Os triunfadores de um dia erigem monumentos à própria insânia, que a soberba qualifica de glória, mas que ruem quando os construtores se consomem... ... Tudo passa! A Grande Esfinge tudo devora...

Tronos refulgentes, sólios esplêndidos, coortes brilhantes ao Sol, conquistas grandiosas, civilizações douradas e impiedosas, os tempos vencem... Ele chega silencioso, pulcro, e fica.

Reúne a malta dos aflitos e os agasalha ao próprio peito.

Nada solicita, coisa alguma exige.

Libertador por excelência, canta o hino da verdadeira liberdade, ensinando a destruição dos elos da inferioridade que junge o homem às mais cruéis cadeias... Embosca-se na carne, mas é Sol de incomparável luz, clareando o fulcro dos milênios.

Ao suave balido da Sua mansa voz, acordam as esperanças e se levantam os ideais esquecidos.

Ao forte clamor do seu verbo, erguem-se os dias, e as horas do futuro vibram, aprofundando no cerne do mundo os alicerces da Humanidade Feliz do porvir. Admoesta e ajuda.

Verbera, rigoroso, e socorre.

Aceita a oferenda do amor mas não enclausura a verdade nas paredes do suborno.

Rei Celeste, comparte das necessidades dos pecadores e vive entre eles.

Permuta o contato dos anjos pela comunhão do populacho da verdejante e calma Cafarnaum, trocando os esplendores da Via-Láctea pelas madrugadas rubras do lago piscoso.

Prefere os entardeceres ardentes de Jericó à epopéia célica dos astros em infinito meio-dia.

Aceita o pó das estradas ermas e calcinadas de Caná, Magdala, Dalmanuta, e as suas fronteiras que se perdem no Sistema Solar, Ele as estreita entre o Mar e o Hebron, entre a Síria e o país de Moab...

Deixa a gleba paradisíaca para tomar de um grão de mostarda e elaborar com ele uma cantata, sofrendo calor asfixiante; esfaimado, pede a uma figueira frutos que, fora de época, não os pode dar...

Senhor do Mundo, Causa anterior existente, deixa-se confundir na turba, na multidão esfarrapada, que em fúria busca o amor sem saber identificá-lo; na multidão, sim, na qual, sofrendo, encontra a razão do Seu glorioso martírio.

Entre os sofredores, canta as mais eloqüentes expressões que o homem jamais ouviu.

As Suas Boas Novas são orquestradas pela musicalidade espontânea da Natureza, no cenário das primaveras e dos verões, entre as aldeias e o lago, no coração exuberante da Terra em crescimento...

E traído, magoado, encarcerado, vencido numa Cruz, elege uma tranqüila e luminosa manhã para ressurgir, buscando uma antiga obsediada para dizer-lhe que a vida não cessa, e que o Reino de Deus está dentro do coração, reafirmando, insofismável, ficar “conosco todos os dias até o fim do Mundo”, retornando, assim, ao Pai, onde nos espera vencidas as refregas libertadoras da ascese em que hoje nos empenhamos com sofreguidão.

Pelo Espírito Amélia Rodrigues
Do livro: Primícias do Reino
Médium: Divaldo P. Franco

10 fevereiro 2015

Inquietações justificáveis - Amélia Rodrigues


INQUIETAÇÕES JUSTIFICÁVEIS

Aquele fora um dia exaustivo e cheio de surpresas.

A Boa Nova espraiava-se como perfume docemente carreado por mansa brisa. Cidades e aldeias da Galileia eram beneficiadas pelas informações libertadoras em torno da vida, do ser humano e do Reino de Deus.

Outras tetrarquias igualmente haviam sido abençoadas pela presença do Rabi, e de regiões próximas, além do rio Jordão, pertencentes a outros países chegavam peregrinos e enfermos em busca da Sua misericórdia.

Por outro lado, aumentava também a animosidade de fariseus, saduceus e herodianos contra Jesus, por sentir-se ameaçados pelas sublimes palavras de que Ele se fizera portador, e em razão do seu absoluto desinteresse pelas posses materiais e quejandos.

O retorno de Gadara, após a libertação de Legião e da indiferença dos gerasenos, mais interessados nos seus porcos do que no Mestre, causara sentimentos desencontrados e frustrantes nos Seus companheiros.

Enquanto as barcas cortavam as ondas em movimentos contínuos sob um céu iluminado fortemente pelo Astro-rei, alguns discípulos não escondiam a decepção e a raiva em decorrência do acontecimento...

Caprichosos, sequer deram oportunidade ao Rabi para que expusesse o que possuía de beleza interior para oferecer-lhes. A sua agressividade às portas da cidade, irritara Pedro a tal ponto, que Lhe solicitara fizesse descer fogo celeste para os destruir, no que não fora atendido. O Mestre compreendia-os na ignorância em que se refugiavam e tivera deles infinita compaixão.

Nem toda semente encontra solo fértil para germinar.

Ele cumprira com o dever de auxiliar o enfermo a ver-se livre da opressão terrível dos obsessores que o constringiam, desde há muito, ameaçando-lhe a existência.

Após o largo percurso no mar, atingiram a praia de Cafarnaum onde a multidão acostumada a ouvi-lO e a receber-Lhe as bênçãos, ansiosamente aguardava inquieta.

Repetiu-se o espetáculo dos infelizes trazidos por familiares e a esforço pessoal, a fim de conseguirem a cura para as suas mazelas. Não lhes interessavam muito as palavras repassadas de ternura e misericórdia, saturadas de amor, que lhes podiam propiciar a cura real profunda, a do Espírito.

A preocupação exclusiva era com o corpo e suas deficiências, sem sabedoria para tentar entender-lhes as causas.

Quando o velário da noite desceu, salpicado de lírios estelares, após a refeição na casa de Simão, o Amigo buscou a praia quase deserta onde as ondas sucessivas do mar cantavam sua melodia, aureoladas pela espuma branca que as praias absorviam e aguardou que os amigos se Lhe acercassem, o que logo ocorreu.

Suave perfume de flores miúdas misturadas à maresia e tudo mais em volta formavam um cromo em movimento de beleza incomum.

Bartolomeu era talvez o discípulo mais discreto e algo experiente.

Nascera em Caná da Galileia e era conhecido como Natanael (que significa Deus deu) Bar Tolmay, que ao ser apresentado a Jesus, o Mestre lhe informou que já o conhecia pelas suas reflexões à sombra das árvores na cidade. Mas ele, por sua vez, quando informado sobre o Mestre e Sua origem redarguira, perguntando: - Que pode vir de bom de Nazaré? Tornara-se-Lhe discípulo humilde e devotado, que mais tarde daria a existência em holocausto de amor em Sua memória.

Utilizando-se do silêncio que se fizera natural, interrogou o amado Amigo:

Por que os demônios exercem domínio sobre as criaturas humanas, enlouquecendo-as, vampirizando-as, aniquilando-as quase, sem nenhuma piedade?

O Rabi olhou ternamente, o discípulo sisudo e respondeu com suave entonação de voz:

Convém recordarmos que os demônios são as almas daqueles que habitaram a Terra e foram despidos pela morte, retornando à pátria de origem: o mundo espiritual, Porque a sua era uma conduta vilipendiosa, entregue aos disparates da insensibilidade moral, à luxúria e às paixões perversas, despertaram além da morte com as imensas feridas dos sentimentos abertas em chagas vivas e, infelizes, comprazem-se em atormentar todos aqueles com os quais se afinizam.

As criaturas humanas ouvem e tomam conhecimento das Escrituras que advertem quanto ao comportamento e aos deveres para com Deus e os seus irmãos. No entanto, entregam-se aos prazeres cumprindo algumas recomendações legais, sem qualquer vínculo com a vida espiritual. Dão a impressão que viverão para sempre no corpo e, quando descobrem a imortalidade acreditam-se credenciadas ao repouso no paraíso gratuito que pensam merecer.

O Pai generoso e sábio permite que os mais comprometidos porém, voltem à Terra em estado de redenção, enfermos e debilitados, tomando-se vítimas daqueles aos quais prejudicaram e anatematizaram.

E qual seria - indagou o discípulo atento - o meio para impedir essa ocorrência lamentável por sua crueldade?

Os profetas demonstraram que a existência terrena é oportunidade para o crescimento espiritual e prescreveram as leis que, obedecidas, precatam os indivíduos das interferências do mal.

O egoísmo, a soberba, os sentimentos negativos, porém, prevalecem em sacerdotes, levitas, fariseus, saduceus inescrupulosos, divulgando as suas ideias fantasistas e negadoras da realidade de Deus, facultando a degradação íntima, embora disfarçada pela pureza dos trajes impecáveis, da hipocrisia religiosa, que a todos empurram para a submissão às forças do mal.

Para sanar a calamidade proponho o amor incondicional como recurso preventivo e curador de todas as desgraças, por dignificar o ser humano e resguardá-lo das influências destrutivas provindas do mundo espiritual.

Quando se ama, eliminam-se as imperfeições e ascende-se moralmente a estâncias elevadas, que se constituem impedimento para as fixações mentais desses desventurados com os aflitos da Terra.

Dias virão, no futuro, em que o Pai enviará os Seus mensageiros em meu nome para iluminar as consciências terrestres e resgatar os que demonizam as demais, voltando-se para o bem.

Bartolomeu refletiu um pouco e porque o silêncio geral o estimulasse, volveu a nova interrogação:

E o que acontecerá a Legião, a esses Espíritos que foram expulsos do endemoniado de Gadara?

Voltarão à Terra - ripostou o Mestre - sofridos e assinalados pelas enfermidades do mal que praticaram, depurando-se mediante as bênçãos das dores acerbas.

Ninguém burla as leis de amor, de compaixão e de misericórdia estatuídas pelo Pai.

Por isso, é necessário ser-se simples como o lírio do campo, humilde e puro de coração como as leves borboletas, pobre de espírito de inveja e de torpezas e sentir fome e sede de justiça superior e nobre, a fim de ser-se saciado e encontrar-se o reino dos céus onde passará a habitar. Logo silenciou, detendo-se na contemplação dos astros luminosos no firmamento.

As ânsias da Natureza registraram nas suas ondas e, na atualidade, o conhecimento da obsessão, atesta a afirmativa do Senhor, traçando diretrizes para quem deseja a conquista da saúde em plenitude.

Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 21 de dezembro de 2014, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.