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11 março 2011

Lição Oportuna - Hilário Silva e Valérium

LIÇÃO OPORTUNA

O Dr. Albertino Silvério era conhecido advogado. Homem de invejável cultura. Conhecimento profundo e variado. Em particular, achava-se autoridade em assuntos socioeconômicos.

Era contudo, refratário a qualquer tipo de assistência social.
Não aceitava. Achava inútil.

— Não acredito em beneficência diminuta. Caridade gota a gota não resolve. Prefiro soluções radicais.

— Não é o que penso, Silvério. A caridade, mesmo pequenina, é sempre ajuda a alguém. É este o ensinamento de Jesus.

Quem respondia era o Doutor Fontes, médico espírita e abnegado amigo dos sofredores.

Silvério, no entanto, continuava:

— Um copo de leite, por acaso, banirá do mundo a fome? Um cobertor ou uma veste resolverá, por ventura, a angústia da nudez? Isso é assunto de governos e não serão alguns poucos bem intencionados que irão solucioná-lo.

A conversa prosseguia, quando passa um jovem anunciando o jornal da tarde.

Silvério chama-o. Deseja o jornal. Rebusca o bolso e só encontra dinheiro alto. Não há troco.

Nesse instante, porém, o doutor Fontes, tomando a quantia necessária e pagando o jornal, aproveitou a lição:

— Veja, Silvério, o que a própria vida nos mostra. Ninguém nega o bem inestimável, que os grandes recursos, governamentais ou não, carreiam. Obras imensas. Doações fartas. Entretanto, é preciso convir que há passagens estreitas, que apenas a ajuda humilde e pequena transpõe.

Para a compra do jornal agora o dinheiro de alto valor de que você dispõe só seria útil, se fracionado em valores menores e múltiplos. Assim ocorre também na assistência social. O muito realiza muito
de uma só vez, mas o pouco feito com persistência e amor pode ser, em ocasiões, a única solução disponível para grandes problemas.

Silvério compreendeu o ensinamento e mudo de espanto frente à lógica do amigo, iniciou, silenciosamente, a leitura das notícias.

De “Histórias da Vida”
De Antônio Baduy Filho
Pelos Espíritos Hilário Silva e Valérium

15 março 2009

Ao Companheiro do Cristo - Eurípedes Barsanulfo

AO COMPANHEIRO DO CRISTO

Falarás com ternura a todos que te ostentam o látego da hostilidade.

Trazes dentro de ti o ímpeto da revolta e sentes o peito incendiado na brasa da indignação. Mostras a fronte suarenta, cravada de espinhos da incompreensão, e tuas lágrimas revelam-te o fogo e aflição que te consome por dentro.

Colocaram-te sobre os ombros o símbolo do martírio na forma de obrigações inadiáveis e responsabilidades inúmeras.

Sofres, mas compreendes que é preciso sofrer na obra de renovação.

Notas tuas mãos trêmulas de angústia, mas a angústia de tuas mãos trêmulas não te impedirá de escrever a página de conforto e estender o socorro do medicamento.

Sentes teus lábios crispados de amargura, mas a amargura de teus lábios crispados não te roubara a oportunidade de proferir a palavra de entendimento e brandura.

Tens a impressão de que não suportas, mas suportarás.

Trêmulas, tuas mãos ainda assim abençoarão.

Crispados, teus lábios ainda assim falarão na caridade.

Serão muitos os que te não compreenderão a obra renovadora. Ergue-te-ão barreiras de ódio e ciúme, muralhas de inveja e desconfiança. Desacreditar-te-ão perante outros, desenhando tuas qualidades e ressaltando tuas limitações. Surgir-te-ão no caminho os ociosos e os negligentes, dispostos a colocar-te obstáculos pela omissão e, entre eles, muitos chamar-te-ão sonhador e visionário.

Entretanto, responderás a todos eles com o amor de Jesus.

Compreenderás sempre, sem que para isso te obrigues a endossar o erro e não desistirás nunca da sinceridade no bem, ainda que para preservá-la sejam-te necessários mudanças e atitudes incisivas, arriscando-te a ficar só.

Sozinho ou não, pensarás nos que perambulam pelo mundo, aflitos e desdenhados, cuja única esperança é a esperança que tiveres em tua própria autenticidade. Pensarás nos desorientados e deprimidos, desajustados e rejeitados, esperando por ti, cuja única confiança é a confiança que tiveres em ti mesmo. Pensarás em todos eles com abnegação e carinho, a fim de que também aprendam a pensar nos outros com carinho e abnegação.

E nas situações mais aflitivas, quando teu sofrimento te impulsionar a esmorecer e quando tua amargura te sufocar em soluços, pensará ainda neles, sentindo que o Cristo estará a teu lado e o Cristo, que te compreende as imperfeições e o esforço para superá-las, afagar-te-á a cabeça orvalhada de suor no trabalho digno e, como outrora, novamente te convidará com doçura:

- Vem comigo; meu jugo é leve e suave.

Euripídes Barsanulfo
Página recebida pelo médium Antônio Baduy Filho,em reunião pública do Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, na noite de 14 de junho de 1977, em Ituiutaba - Minas Gerais. Do "Anuário Espírita de 1978", do Instituto de Difusão Espírita - Araras - SP