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04 março 2021

A vingança - Espiritismo na Rede

 
A VINGANÇA

Algumas pessoas acreditam que a vingança é uma demonstração de grande coragem. Afinal de contas não se pode tolerar uma afronta sem se rebaixar.

Pensam que a tolerância e a indulgência seriam prova de fraqueza ou de covardia.

Todavia, temos de convir que o ato de vingar-se jamais constitui prova de coragem.

Geralmente, quando buscamos revidar uma ofensa o fazemos movidos pelo medo do agressor ou da opinião pública.

Não importa que a nossa consciência nos acuse de covardia ou indignidade, o que nos interessa é que a sociedade não nos julgue assim.

O mesmo não ocorre com relação ao ato de perdoar. O perdão, sim, exige do ofendido muita coragem e dignidade.

Enquanto a vingança é uma ladeira fácil de descer, o perdão é uma ladeira difícil de subir.

Algumas pessoas costumam enfrentar corajosamente os mais graves perigos, mas sentem-se impotentes para tolerar uma pequena ofensa.

Escalam, com ousadia, altas montanhas, saltam de paraquedas desafiando as alturas, enfrentam animais ferozes, aceitam os desafios do trânsito, navegam em mar revolto com bravura, mas não conseguem suportar um mínimo golpe da injustiça.

Dão grande prova de coragem em alguns pontos, mas não relevam a investida da ingratidão, da calúnia, do cinismo, da falsidade, da infidelidade.

Realmente fortes são aqueles que conseguem conter-se diante de uma agressão.

A verdadeira fortaleza está nas almas que não se descontrolam quando são ofendidas.

Que não se impacientam quando são incomodadas.

Que não se perturbam, quando são incompreendidas.

Que não se queixam, quando são prejudicadas.

Verdadeira coragem é aquela de que o Cristo nos deu o exemplo.

Ele sofreu a ingratidão daqueles a quem havia ajudado, enfrentou o cinismo dos agressores, foi ultrajado, caluniado, cuspiram-lhe no rosto e O crucificaram, e Ele tomou uma única atitude: a do perdão.

Por várias vezes, em Sua passagem pela Terra, o homem de Nazaré teve motivos de sobra para revidar ofensas, mas sempre optou pela dignidade de calar-se.

Diante das agressões recebidas, o meigo Rabi da Galileia passava lições grandiosas, como aconteceu com o soldado que O esbofeteou quando estava de mãos amarradas.

Sem perder a serenidade habitual, o Cristo olhou-o nos olhos e lhe perguntou: Se eu errei, aponta meu erro, mas se não errei, por que me bates?

Essa é a atitude de uma alma verdadeiramente grande.

 

Redação do Blog Espiritismo Na Rede, com base no cap. 15 do Livro O primado do Espírito, de Rubens Romanelli, ed. Lachâtre.


08 novembro 2018

Tédio - Espiritismo na Rede




TÉDIO



Muitas pessoas estabelecem objetivos de vida, que passam a ser buscados com intensa determinação.


Limitam seus interesses na conquista de seus sonhos e quando os alcançam nem sempre encontram neles o sentido e o significado que esperavam.


A meta, que por tanto tempo representou a razão de viver, cede lugar ao tédio, empurrando os seres para os abismos da depressão ou dos vícios.


Por vezes, são pais que colocam na vida dos filhos os próprios sonhos.


Projetam no futuro de seus rebentos os desejos que eles próprios não puderam realizar.


No entanto, os filhos crescem e devem enfrentar as próprias lutas e dar curso às próprias vidas.


Por vezes a constatação dessa verdade causa nos pais, mais despreparados, amarga aflição.

Outros, ainda, anseiam por alcançar um patamar elevado na carreira para amealhar, assim, consideráveis recursos financeiros.

Porém, quando seus objetivos se realizam, sentem-se desestimulados.

Há aqueles que se esforçam para ter fama e destaque na sociedade e que, quando os alcançam, amargurados e vazios, entregam-se às drogas e aos abusos do sexo.

Inquietação e desequilíbrio costumam servir de base na busca por objetivos imediatos de prazer e de satisfação.

Tais metas são frutos do egoísmo que ainda move os seres, e quando alcançadas produzem tão-somente rápida e passageira satisfação.

Em pouco tempo a antiga e conhecida sensação de aborrecimento e de vazio volta a exercer forte influência no cotidiano.

Como se todo o esforço tivesse sido vão.

Como se toda a luta não tivesse valido a pena.

Nos lábios, a impressão de que alguma palavra ficou faltando.

Na boca, a permanente sensação de sede.

É a fome de realização plena.

É uma sensação de que, em sonho, tudo era mais belo e satisfatório.

É o tédio, terrível flagelo que consome existências.

Silencioso e ardiloso, penetra suavemente no comportamento, instalando-se na mente e no sentimento, depauperando e dominando os indivíduos.

Quando te percebas a um passo do tédio, assume nova postura e busca uma atividade que te preencha o tempo físico e mental de forma útil.

Nunca te consideres impossibilitado de trabalhar, de agir no bem e de produzir.

Considera o esforço dos artistas sem braços, sem pernas, que se revelaram excelentes pintores, escultores, desenhistas, ricos de inspiração e de alegria de viver.

Reflete sobre a vida de outros deficientes que se transformaram em mensageiros da renovação interior, tornando-se membros indispensáveis da economia moral e social no mundo.

O esforço que lhes foi exigido não lhes concedeu tempo para qualquer forma de tédio ou de desinteresse, entregando-se à lamentação ou ao desencanto.

Não cesses de edificar, nem te permitas contemplar a retaguarda do já feito.

Examina a perspectiva do quanto ainda necessitas realizar.

Aspira à conquista do infinito e nunca te sentirás entediado com os logros conseguidos.

Quem se basta com as aquisições meramente materiais ainda não alcançou a real maturidade, nem descobriu as prioritárias metas existenciais.

Aquele que anela pela alegria de viver, não apenas pelo que consiga deter nas mãos, jamais será vítima do tédio, porque estará sempre em ação, sentindo-se útil e pleno.


Redação do Blog Espiritismo Na Rede , com base no capítulo 13 do livro Diretrizes para o êxito, de Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.



02 setembro 2018

Pessoas impiedosas - Espiritismo na Rede



PESSOAS IMPIEDOSAS


Você se considera uma pessoa impiedosa?

Impiedade quer dizer falta de piedade, crueldade, desumanidade.

Talvez você nunca tenha pensado nisso ou até se ache uma pessoa piedosa, mas vale a pena refletir antes de responder.

Se você nunca fez nenhum comentário maldoso sobre alguém, se nunca matou a esperança de alguém, se jamais disse palavras ásperas a ninguém, talvez você possa responder negativamente.

Algumas pessoas, ditas piedosas, estavam no velório de um amigo da congregação religiosa de que faziam parte.

Aproximaram-se do caixão e viram que o cadáver estava vestido com um smoking aparentemente novo.

Como se achavam muito caridosas, passaram a fazer comentários maldosos, alegando que não entendiam como ele poderia fazer uma coisa dessas. Afinal, quantos pobres precisando de um agasalho e ele sendo enterrado com um traje de alto preço.

A conversa se espalhou e logo chegou aos ouvidos da viúva, como se já não bastasse o seu sofrimento.

Em princípio ela ignorou os falatórios mas, depois não achou justo que seu marido fosse julgado e condenado por um crime que não cometera.

Então, antes de cerrarem o caixão, ela pediu a palavra e deu a seguinte explicação:

Meu marido foi um homem muito generoso. Sempre se preocupou com aqueles que passavam por necessidades e procurava ajudá-los.

Antes de morrer ele me pediu, discretamente, para que o enterrasse com um traje que ele usou apenas uma vez na vida e que não serviria para ninguém.

Pediu-me também para distribuir todas as suas demais roupas para quem delas precisasse.

Por essa razão, meus amigos, é que ele está vestindo este smoking, que não teria utilidade nenhuma para os pobres que ele sempre ajudou.

Todas aquelas pessoas, impiedosas, que fizeram comentários cruéis, não foram capazes de se retratar, apenas se calaram.

Numa oportunidade, Benedita Fernandes, uma trabalhadora dedicada à causa dos pobres, na cidade de Araçatuba, Estado de São Paulo, foi convidada a participar de uma reunião das senhoras da alta sociedade que desejavam fazer um planejamento de assistência aos necessitados.

Como Benedita já realizava, há algum tempo, um eficiente serviço junto à comunidade pobre, recebeu o convite para opinar e levar suas experiências.

Era uma tarde quente e a velha Benedita chegou ao chá das senhoras, ditas caridosas, vestindo um casaco de pele.

As madames torceram o nariz ao notar que aquela mulher não sabia sequer se vestir de acordo com a ocasião e o clima.

Ouvia-se comentários como: Será que ela quer se exibir, pensando que não temos também casacos de pele?

Veja como transpira! Esta velha esnobe quer dar uma de chique.

Vamos obrigá-la a tirar o casaco, pois estou suando só de vê-la, comentou uma delas.

Façamos isto, concordou a maioria.

Dona Benedita, sem saída, tirou o casaco e o espanto foi geral. Seu vestido, muito simples e surrado, causou mais espanto ainda.

Muito sem jeito, ela se explicou às damas da caridade:

Este casaco de pele foi doado para nossa obra e como ainda não conseguimos vendê-lo, resolvi usá-lo hoje, para não envergonhar as senhoras, com minha pobreza.

Eu não tenho roupas boas para uma ocasião como esta, por isso coloquei este casaco para encobrir meus andrajos e não chocar as senhoras. Desculpem-me se lhes causei tanto desconforto.

Se você deseja ser uma pessoa realmente piedosa, pense muito bem antes de tecer comentários sobre o que desconhece.

Muitas vezes nossa língua tem sido motivo de muita dor e sofrimento para as pessoas que caminham ao nosso lado.

Pense nisso, e depois responda a si mesmo se é ou não uma pessoa impiedosa.


Redação do Blog Espiritismo Na Rede, com base em histórias narradas por Raul Teixeira, em palestra proferida na Comunhão Espírita Cristã de Curitiba-PR, no dia 11.04.2002.


27 abril 2018

Culpa e Consciência - Espiritismo na Rede



CULPA E CONSCIÊNCIA


A culpa surge como forma de catarse necessária para a libertação de conflitos. Encontra-se insculpida nos alicerces do espírito e manifesta-se em expressão consciente ou através de complexos mecanismos de auto-punição inconsciente.

Suas raízes podem estar fixadas no pretérito - erros e crimes ocultos que não foram justiçados - ou em passado próximo, nas ações da extravagância e da delinquência.

Geradora de graves distúrbios, a culpa deve ser liberada a fim de que os seus danos desapareçam.

A existência terrena é toda uma oportunidade para enriquecimento contínuo. Cada instante é ensejo de nova ação propiciadora de crescimento, de conhecimento, de conquista.

Saber utilizá-lo é desafio para a criatura que anela pela evolução espiritual.

Águas passadas não movem moinhos - afirma o brocardo popular, com sabedoria -.

As lembranças negativas entorpecem o entusiasmo para as ações edificantes, únicas portadoras de esperança para a liberação da culpa.

Desse modo, quem se detém nas sombrias paisagens da culpa ainda não descobriu a consciência da própria responsabilidade perante a vida, negando-se à benção da libertação.

Sai da forma do arrependimento e age de maneira correta, edificante.

Reabilita-te do erro através de ações novas que representam o teu atual estado de alma.

A soma das tuas ações positivas quitará o débito moral que contraíste perante a Divina Consciência, porquanto o importante não é a quem se faz o bem ou o mal, e sim, a ação em si mesma em relação à harmonia universal.

A culpa deve ser superada mediante ações positivas, reabilitadoras, que resultarão dos pensamentos íntimos enobrecedores."

Redação do Blog Espiritismo Na Rede baseado na obra Momentos de Meditação Pelo Espírito Joanna de Ângelis Psicografia de Divaldo Franco.