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20 julho 2021

Pensar positivo traz cura - Fátima Moura

 
PENSAR POSITIVO TRAZ CURA

Dados de uma pesquisa muito interessante publicada pela revista “Psychological Science” no fim do ano passado, trouxeram novidades ao universo da longevidade e do público denominado de “terceira idade”. O estudo mostra que as pessoas que sentem-se entusiasmadas e alegres com maior frequência, que cultivam sentimentos positivos em seu dia a dia, têm mais chances de não enfrentar problemas de declínio da memória com o passar do tempo e sentem-se realmente mais dispostos e imunes a algumas doenças. A doutora Claudia Haase, professora da Universidade de Northwestern, em entrevista a vários órgãos científicos, relatou estar bastante animada com os resultados da pesquisa, pois apesar da constatação de que a memória se deteriora com o envelhecimento, “os que dispõem de uma gama maior de sentimentos positivos apresentam um declínio menor dessa capacidade”, afirmou. Paralelamente a esse, outro importante estudo aponta que crianças com maior autocontrole se tornam adultos mais saudáveis.

Aqueles que, na infância, eram capazes de controlar seus sentimentos e comportamentos, envelheciam menos rapidamente do que seus pares da mesma faixa etária. Seus corpos e cérebros eram biologicamente mais jovens e sadios.

Ao longo das entrevistas realizadas durante anos, os que pertenciam ao grupo com maior autocontrole demonstraram estar mais bem preparados para lidar com os desafios, de saúde, sociais ou até financeiros, que ocorrem com frequência na vida adulta.

Para corroborar esse assunto, podemos citar uma abordagem que centra-se no indivíduo doente como responsável por sua própria cura e que podemos denominar de processo de autocura.

O médico Andrei Moreira, formado pela Faculdade de Medicina da UFMG, especializado em Homeopatia, e presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais, em seu curso “Cura e Autocura”, afirma que o autoconhecimento é o caminho para a autocura:

“Amar-se é ir ao encontro de si mesmo. O autoconhecimento é propiciador da base para o autoamor. Amar-se (...) significa ser indulgente consigo mesmo, paciente diante dos desafios e perseverante perante a luta por autodomínio e autossuperação. Aquele que se ama se acolhe com generosidade, permitindo-se ser o que é, valorizando seus aspectos luminosos, sua beleza interior, enquanto luta para ser aquilo que deve ser ou que deseja ser”.

Fátima Moura
Fonte:
Correio Espírita

05 dezembro 2020

Bullying e cyberbullying, problemas sociais da atualidade - Fátima Moura

 
BULLYING E CYBERBULLYING, PROBLEMAS SOCIAIS DA ATUALIDADE

Bullying, termo inglês que significa implicar, maltratar, brutalizar descreve o ato de violência física ou psicológica intencionais e repetitivas contra um indivíduo ou um grupo.

Nas escolas, o bullying cresce vertiginosamente e, segundo relatos dos profissionais de educação, já toma lugar à frente das drogas, causando grandes transtornos as vítimas dessa brutalização.

Como fatores mais frequentes para essa conduta, podemos mencionar: insegurança, desejo de chamar a atenção sobre si mesmo, busca de poder no grupo a que pertence, segregação racial e social, dentre outros motivos.

O espírito Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier nos alerta: “Muitas vezes, o agressor é apenas um doente, mais necessitado de medicina do que de punição”.

A palavra espiritual é altamente esclarecedora. A ausência de crenças e de valores voltados para o cultivo do espírito, falta de limites e de educação moral, valorização demasiada das coisas materiais, desencadeia no jovem ou na criança dotada de tais atitudes de desregramento, o papel do vilão agressor, daquele que precisa ofender, humilhar para se sentir melhor ou em condição superior aos demais.

O cyberbullying envolve o uso de tecnologias da informação e da comunicação. As agressões são feitas através de e-mails, celulares, mensagens instantâneas, salas de bate-papo, sites difamatórios, enquetes pessoais com fins pejorativos colocados online, produzidos individualmente ou em grupos, causando muitas vezes danos irreversíveis como nos mostra o numero de suicídios de jovens que não tiveram oportunidade de receber ajuda através de grupos de apoio.

As redes sociais são um ambiente propício à prática desastrosa do bullying digital. Muitas pessoas a fim de buscar uma maior inserção em um determinado grupo, de adquirir um “sentimento de pertença”, acabam se expondo mais do que deveriam, fragilizando sentimentos e emoções que muitas vezes inviabilizam os mecanismos de reação e/ou defesa por parte das vítimas, ainda mais se tratando de jovens ou adolescentes.

Bastante divulgado nas redes sociais, o caso da adolescente canadense Amanda Todd, de 15 anos de idade, chocou a opinião pública. A jovem cometeu suicídio depois de publicar um vídeo pedindo ajuda e denunciando que estava sendo vítima de cyberbullying no Facebook

No estado do Colorado, Estados Unidos, no ano de 1999, dois de seus ex-alunos invadiram uma escola matando colegas e professores contabilizando um total de 23 feridos.

Em Realengo, Zona Oeste Carioca, um jovem atirou em vários alunos da escola onde havia estudado, para se vingar dos maus tratos sofridos enquanto estudante, gerando uma situação lamentável.

Jovem, tudo começa em nós. Como viajantes do bem a caminho da luz, busquemos como valores maiores o bom senso e a compaixão, a retidão de atitudes e a firmeza de caráter, que não esperam recompensa, mas cuja grandeza está em bastar-se a si mesmo.

Estejamos atentos! Oremos pelos desregrados sociais mas, acima de tudo, eduquemos a nós mesmos, a fim de pacificarmos a nossa convivência interpessoal.


Fátima Moura
Fonte:
Correio Fraterno

08 novembro 2020

Mediunidade na criança e no jovem - Fátima Moura


MEDIUNIDADE NA CRIANÇA E NO JOVEM

Muito se tem falado em mediunidade e no bom uso dela, dentro e fora das Instituições espíritas e nós não podemos nos esquecer de que muitas crianças e jovens já apresentam sintomas bastante expressivos dessa mediunidade, ao chegarem para a evangelizações ou mesmo em tenra idade.

Na infância, as comunicações com espíritos acontecem muitas vezes com crianças bem pequenas que dizem poder ver e ouvir espíritos. Na maior parte dos casos, as crianças não se sentem amedrontadas ao visualizar presenças extracorpóreas e não conseguem entender como os pais ou outras pessoas à sua volta, não conseguem ver o que eles estão enxergando e o porquê.

A médium Yvonne do Amaral Pereira nos fala de casos interessantes sobre mediunidade na infância.

Com quatro anos de idade, a menina já dizia ver e ouvir espíritos, os quais, segundo ela, considerava como pessoas normais. Dois dos amigos invisíveis que apareciam com mais frequência a ela, eram Charles, a quem ela considerava seu verdadeiro pai, devido a lembranças que teria de uma encarnação anterior, em que ele teria sido seu pai e Roberto de Canalejas, que teria sido um médico espanhol em meados do século XIX.

Yvonne também dizia sentir muitas saudades de uma encarnação anterior, na Espanha. Considerava seus atuais familiares, principalmente o pai e os irmãos, como pessoas estranhas, e em razão desses conflitos, até os dez anos de idade passou a maior parte do tempo na casa da avó paterna.

Aos oito anos de idade, a menina viveu um episódio de catalepsia. Durante o sono, visitou uma imagem do Senhor dos Passos ouvindo da imagem, as seguintes palavras: “Vem comigo minha filha: será o único recurso que terás para suportar os sofrimentos que te esperam”. A menina, aceitando a mão que lhe era estendida pela imagem, subiu os degraus do altar e não se lembrou de mais nada.

É muito conhecido entre as crianças, o amigo invisível ou amigo imaginário. Hermínio de Miranda relata fatos realmente interessantes sobre o assunto em seu livro: “Nossos Filhos São Espíritos”, de forma lúdica e dinâmica.

Com o jovem não é diferente. Muitos necessitam trabalhar sua mediunidade paralelamente ao aprendizado absorvido nas Mocidades Espíritas, mas não encontram campo favorável. Tenho observado com tristeza que em muitas de nossas Casas, os jovens não têem acesso as mesas mediúnicas, ou porque são estimulados a estudar “ad aeternum”, nunca recebendo o aval de estarem aptos ou preparados pelos orientadores de mocidades ou porque as mesas já estão ocupadas pelos médiuns veteranos, só liberando espaço com a sua possível desencarnação.

Como o assunto é delicado e urgente, convido os dirigentes, responsáveis e orientadores de jovens a repensar essas colocações, para que encontremos possíveis soluções. A existência da mediunidade nos jovens e nas crianças é fato e nós não podemos ignorar esse assunto.

Fátima Moura
Fonte:
Correio Espírita

23 junho 2020

Espírita deve se envolver na Política? - Fátima Moura




ESPÍRITA DEVE SER ENVOLVER NA POLÍTICA?


O Brasil vivenciou nas últimas eleições a maior manifestação histórica em defesa da democracia brasileira.

Nas redes sociais, campanhas a fim de enaltecer ou elevar candidatos desse ou daquele partido, tomaram vulto e inflamaram pessoas de todas as idades, credos, raças e nacionalidades, como nunca antes se havia visto, em todas as redes de comunicação, em uma velocidade incontrolável e desleal, onde, de maneira quase totalitária, prevaleceram os próprios interesses dos envolvidos.

Líderes religiosos e dirigentes governamentais do mundo inteiro se manifestaram sobre a situação política do Brasil e grupos foram criados, a fim de oferecer apoio a pessoas que se agregaram e se protegeram umas das outras, como se a nossa nação, que está fadada a desempenhar o seu papel de “coração do mundo, pátria do Evangelho”, estivesse dividida em dois lados totalmente distintos e inimigos.

Queiramos ou não, quem decide as coisas em um país são os políticos e apesar de muitos de nós, espíritas, dizermos que não suportamos política e que não temos nada a ver com isto, mesmo que não seja esse o nosso desejo, estamos envolvidos nessa grande roda de interesses, que direciona nossas escolhas para aquilo que acreditamos ser melhor para as nossas vidas.

Não estou querendo dizer com isso, que devemos fazer campanha partidária dentro das Instituições Espíritas, ou ressaltar e impor indicações sobre o nosso candidato preferido aos irmãos de ideal. A nossa posição, enquanto divulgadores e estudiosos das verdades espiritas, deve andar junto com a verdade e respeitar a opinião alheia, é o primeiro passo para uma convivência passiva e fraterna tal como nos ensinam os espíritos amigos.

Fatos que vivenciei através da redes sociais e no contato com pessoas, de vários credos religiosos e até espíritas, me mostraram o desrespeito à regras morais, éticas, e de convivência grupal. Segundo os mais afoitos, até “Emmanuel, Chico e outros espíritos respeitáveis”, indicaram candidatos através de suas mensagens, o que, de acordo com a vontade do expositor, eram exaltados ou denegridos perante a massa, fato totalmente contrário ao exercício da mediunidade exercida com discernimento e seriedade.

De minha parte, vejo esse momento de maneira extremamente preocupante. Ao serem autorizadas para que assim o fizessem, pessoas colocaram para fora suas ideias sobre assuntos que nem deveriam estar em pauta na vivência espírita, de maneira desordenada e deselegante, sem se preocupar se isso estaria ferindo aos seus irmãos de caminhada, assim como as verdades aprendidas desde que Kardec compilou a Doutrina Espírita.

Encontramos no acervo da FEB, Federação Espírita Brasileira, interessante livro que serve de reflexão para o momento que estamos vivendo. Trata-se da obra Espiritismo e política, de Aylton Paiva. Nela, o autor procura demonstrar que, “sob o aspecto filosófico, o Espiritismo tem muito a ver com a Política, já que esta deve ser a arte de administrar a sociedade de forma justa”. Segundo ele, a proposição espírita da lei do progresso é um intenso e profundo desafio para que trabalhemos pela evolução intelectual e moral da humanidade. Com tal objetivo, o espírita deve estimular a sociedade humana a fim de que haja hábitos espiritualizados, desenvolvimento da inteligência e elaboração de leis justas, em benefício de todos.”

Segundo o autor, não se trata de estimular o leitor a participar da política partidária, nem também de afirmar que o espírita deve ou não deve participar, como membro atuante, de uma organização política. Trata-se, simplesmente, de reconhecer o direito de que, como membro de uma sociedade, o espírita escolha, livremente, a sua contribuição para que as relações humanas sejam, progressivamente, melhoradas no sentido da paz, da justiça e do amor fraternal.

Convém lembrar que espíritas respeitáveis atuaram na política. Dentre eles, o médico Adolfo Bezerra de Menezes – Conhecido como o “Médico dos pobres” e como o “Kardec brasileiro”, e que foi Presidente da Federação Espírita Brasileira em 1889 e de 1895 a 1900. Ocupando os cargos de: Vereador, Presidente da Câmara Municipal da Corte e Deputado Geral, sempre agiu em favor da justiça e da honestidade, tendo afirmado Freitas Nobre: “Para nós, a política é a ciência de criar o bem de todos, e nesse princípio nos firmaremos”.

Dentro dessa visão, também concordamos que o Movimento Espírita pode contribuir, e muito, para a solução dos problemas políticos e sociais que surgem durante o nosso processo evolutivo de nossa vida no planeta terra.



Autora: Fátima Moura