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11 outubro 2021

Autodescobrimento - Geraldo Campetti Sobrinho


 AUTODESCOBRIMENTO

UMA VIAGEM DENTRO DE MIM MESMO

Ao reflexionar sobre esse tema, alinhavei alhures, pelos idos de 2011, o texto Em Busca de Identidade, a seguir transcrito, com o intuito de contribuir para o entendimento de mim mesmo e, quiçá, auxiliar no autoencontro do leitor:

O que me faz ser quem eu sou? Essa é uma dúvida que entrementes me surge...

A questão é curiosa e me faz perceber que ainda não me conheço integralmente.

Bem provável é que me conheça, ainda, muito pouco, apenas de relance.

Quem sou eu, de onde vim, o que estou fazendo aqui, para onde vou, o que será de mim? São perguntas que não costumamos fazer a nós mesmos. E quando as fazemos, as respostas não são encontradas dentro de uma gaveta ou num arquivo de computador.

Imagino que as explicações estejam nos escaninhos da mente ou nos refolhos do coração, onde também são guardadas as emoções e os sentimentos.

As respostas estão dentro de nós mesmos...

Assim, há necessidade da busca interior, para o autodescobrimento e o despertar de potencialidades latentes em nossa intimidade, boa parte delas ignorada pelos seus hospedeiros.

Quando estendo o olhar ao cosmos infinito à procura de conexão extrassensorial, percebo que o macrocosmo mantém relação causal com o microcosmo, tornando impossível conhecer o todo sem que se estabeleça intrínseca relação com a parte.

A necessidade de integração demandada por minha alma resta insolúvel quando não consigo compartilhar com o todo do qual faço parte a parte que sou, para que o todo seja integral.

É uma incompletude que me faz indagar: o que me faz ser quem eu sou?

* * *

A temática do autodescobrimento é estudada por Joanna de Ângelis (FRANCO, 2000) ao nos estimular à descoberta de recursos interiores não explorados, insertos em estado latente no âmago do ser, aguardando desenvolvimento.

Necessário recorrer a alguns valores ético-morais: a coragem para decifrar-se, a confiança no êxito, o amor como manifestação elevada, a verdade que está acima dos caprichos seitistas e grupais, que o pode [o ser] acalmar sem o acomodar, tranquilizá lo sem o desmotivar para a continuação das buscas.

Nessa abordagem psicológica, depreendemos virtudes identificadoras dos Espíritos batalhantes em constante labor de autossuperação e descobrimento de si mesmos, de retirada de véus que os cobrem ou os escondem em escaninhos de labirintos subjetivos, quais sejam: coragem, confiança, amor, e verdade.

A coragem para decifrar-se é disposição que nem todos estão determinados a assumir. O autoenfrentamento exige força de vontade incongruente com a tibieza, fragilidade ainda manifesta na insegurança e indecisão dos errantes, ilusoriamente estagnados na ociosidade comportamental e acomodados a vícios da inferioridade. Empreender uma viagem para dentro de si, desvendar se, perscrutar-se atravessando camadas e atingindo a essência, penetrando a intimidade do ser, desnudando personalidades, para culminar no autoencontro da identidade real, do Espírito Imortal, exige coragem, hombridade e intrepidez.

Muitos - presumimos até, a maior parcela da Humanidade -, estagiam nos estados letárgicos do sono e da inconsciência, decorrentes da ignorância ou da deliberação. Não se encontram despertos para as realidades maiores da Vida, estão adormecidos e apenas sencientes às exterioridades fugazes do hedonismo. Não conseguem aprofundar-se na sensibilização de estados superiores da magnificência divina estampada na Natureza exuberante, contudo imperceptível a seus olhos empanados.

O autoconhecimento constitui se no maior desafio do ser humano que principia a jornada luminosa rumo à perfeição relativa à qual está destinado pelos desígnios superiores. Será testado nas anfractuosidades íntimas, auscultado nos refolhos da alma, incitado ao autoexame, revolvido na estagnação, para liberar-se do efêmero, volátil e trépido, e vislumbrar o permanente, eterno e seguro, em conexão intrínseca com a essência divina de que se constitui, posto que filho e obra do Pai e Criador.

A confiança no êxito denota convicção do caminhante na conquista do anelo, por transparecer a serenidade consciente de quem laborou arduamente e acredita que, após a consecução dos empreendimentos próprios, independentemente de se ter logrado êxito ou não, tudo o mais será resultado da Bondade Divina a se revelar em sua vida. Diligenciada a sua quota, Deus misericordiosamente incumbe se do restante. É a paz de consciência, fruto do dever bem cumprido, alinhado às grandiosas potências da Natureza, consubstanciadas em perfeito misto de firmeza e serenidade, a demonstrar a onipresença de Deus.

A confiança traduz-se no somatório de credibilidade e afinidade, dividida pelos riscos possíveis, quando associada a relações interpessoais e vinculada à intracomunicação, no quesito da autoconfiança. Reflete estado íntimo nem sempre fácil de ser conquistado, pois, comumente, surgem sentimentos antagônicos, pensamentos obnubilados e fé vacilante. Não acreditamos em nós e, além disso, carecemos de afinidade conosco mesmos, expondo fragilidades do autoamor. A confiança é uma conquista que se dá no decorrer do tempo, após exercícios contínuos de autossuperação e perseverança na aquisição de hábitos saudáveis ao corpo e ao Espírito O amor como manifestação elevada é base do autodescobrimento, fonte de vida e lei determinante no micro e macrocosmo dos multiversos, desde as primevas manifestações da evolução anímica até os níveis da angelitude, rumo à Causalidade Primária, de onde tudo se originou e para onde tudo converge. O amor reflete o sublime conúbio entre a criatura e o Criador, repercutindo as imarcescíveis leis que regem o Universo e o inefável sentido da Vida, dinâmico em beleza e harmonia.

Autodescobrir é reconhecer Deus dentro de si, é corroborar as sentenças evangélicas: sois deuses (João, 10:34); vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo.

(Mateus, 5:13 e 14). É descobrir o deus interno que habita em cada um de nós, a apontar a origem divina do ser humano e o destino que lhe está reservado no porvir.

E o amor é esse mecanismo imponderável a conduzir as criaturas na trajetória ascensional, resoluta e inexorável.

A verdade é a grande desafiadora do ser humano que vive fugas inócuas, no intento de se esconder, olvidando que, à semelhança dos passos na neve, os registros fazem-se marcantes, enquanto alguma tempestade não os oculte. Não é possível nos escondermos por muito tempo. Cedo ou tarde, a revelação demonstrará a veracidade dos fatos, pensamentos, sentimentos e palavras; mesmo que sob ignorância popular, a intimidade reservará as dimensões exatas das ocorrências ou construções psíquicas, alimentadas pela mente humana no decurso de suas existências. Os atenuantes e agravantes correrão pela Contabilidade Divina, que jamais se equivoca nos cálculos.

Joanna de Ângelis (FRANCO, 2000) leciona:

Erra-se tanto por ignorância como pela rebeldia. Na ignorância, mesmo assim, há sempre uma intuição do que é verdadeiro, face à presença íntima de Deus no homem. [...] Tamanha a obviedade do ensino que nos passa despercebido.

Mesmo na condição de ignorantes, não poderemos alegar justificativas para o erro, pois a Lei de Deus está escrita em nossa consciência (KARDEC, 2017), e ali podemos encontrar as respostas a quaisquer dúvidas. O autodescobrimento consiste nessa busca incansável de conhecer a verdade, propiciadora da libertação, coadunando-se com o registro do discípulo amado no Evangelho de Jesus: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João, 8:32).

Essa jornada a ser empreendida pelo incipiente, condição inerente aos Espíritos em estágio evolutivo no qual por ora nos localizamos, pode levar o indivíduo a duas situações extremas e acentuadamente prejudiciais: a consciência de culpa e o sentimento de autopiedade.

A culpa pode se transformar em azorrague lancinante a minar as mais íntimas reservas de integridade, quando vergastam o ser à permanência nos grilhões do remorso devastador.

Recruduscem os acusadores, arvorados em juízes inclementes, a impingir árduas penalidades ao indivíduo que se permite auto-obsidiar ou vitimar-se pela obsessão decorrente de nefastas influências dos filhos de Deus, ainda baldos de luminescência, por insistirem deliberadamente em ínvios trajetos de aflição e incompreensões ante a Lei Maior da Vida. Eis os rebeldes, que insistem em erro por teimosia.

A autopiedade é um sentimento prejudicial ao ser humano por torná-lo incapaz de reagir, fazê-lo sentir-se impotente para apreender a realidade em sua dimensão desafiadora, levando-o à postura lamentável da comiseração por si próprio, como se abandonado pelas forças divinas e por todos os entes queridos. Sente-se relegado, esquecido e culmina por recolher-se à declarada insignificância, tombando nos estados enfermiços da falta de vontade e do desânimo, propiciadores de acentuadas patologias de natureza psicológica, afetiva e espiritual.

Nessa situação, o indivíduo não se vê como filho ou pai, irmão ou primo, sobrinho ou tio, não se enxerga como ser humano, abandonando-se a si mesmo a lamentáveis despautérios.

Num caso como noutro, imprescindível buscar ajuda médica, terapêutica, espiritual.

Medicamentos adequadamente preceituados, a depender de cada caso, podem ajudar. O atendimento fraterno na Casa Espírita, seguido de tratamento por meio da fluidoterapia, será oportuno se a situação assim demandar. Tudo, sempre com bom senso, discernimento.

A orientação da mentora de Divaldo Franco é no sentido de que nos liberemos da consciência de culpa e dos sentimentos de autopiedade pela assunção da responsabilidade.

Eis o melhor caminho. Somos responsáveis pelos nossos atos e escolhas, e inelutavelmente, estaremos sujeitos às suas consequências, pois assim é da Lei de Causa e Efeito - regente de nossos destinos -, que cada um responda segundo as suas obras. O sofrimento é decorrente da imperfeição, como exara o codificador no Código penal da vida futura (KARDEC, 2016).

Porém, a capacidade de vencer esse estado temporário está no próprio homem que pode usar de sua vontade para realizar grandes coisas, como Jesus nos estimulou: "Sois deuses"; "podeis fazer o que eu faço e muito mais" (João, 10:34; 14:12).

 * * *

Breve colóquio com um amigo de lides doutrinárias, no intercurso de uma live do programa Entre dois mundos: uma visão espírita da realidade, exibido pela FEBtv, possibilitou-nos conferir inusitada lição.

Compartilhou o irmão espiritista, em salutares reminiscências da convivência paternal, que o seu estimado genitor exortava-o a realizar indagação tríplice sempre ao ocaso de cada dia, antecedendo o sono físico:

1º) O que eu fiz de útil ou de bom hoje?

2º) O que eu aprendi de novo neste dia?

3º) Vivi com alegria?

Prescindível registrar que se as três respostas forem afirmativas, estaremos seguindo bom caminho, coadunados com as forças supremas. Se alguma for negativa, significa que precisaremos reavaliar nossa postura no decorrer de cada dia, sempre em busca da reforma íntima indispensável à ascensão ao Reino de Deus.

Essa jubilosa experiência evocou-nos a inolvidável recomendação de Santo Agostinho (KARDEC, 2017), quando nos convida a passar em revista o que fizemos ao longo do dia e buscar, no dia seguinte, reforçar o que é bom, corrigindo o que fizemos em dissonância com a Vontade Divina. Ali, nas assertivas agostinianas, encontramos uma exposição humanista de como nos devemos relacionar com Deus, com o próximo e conosco mesmos, agindo em harmonia com os preceitos da solidariedade, do respeito e do equilíbrio, assentados no Evangelho de Jesus e revivificados pelo Espírito Consolador do Espiritismo.

O amor a Deus, ao próximo e a nós mesmos, na observância do roteiro definido pelo Meigo Nazareno, é a estratégia mais efetiva para o autodescobrimento e a percepção profunda do verdadeiro sentido da Vida Imortal, concessão sublime que se esparge para toda a Criação, como assinatura de Deus na existência de cada um de nós.

* * *

Geraldo Campetti Sobrinho / geraldocampetti@gmail.com
Revista Reformador - Novembro de 2017

Referências:

FRANCO, Divaldo P. O Homem Integral. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 11. ed. Salvador: LEAL, 2000. Pt. 3 – A busca da realidade, cap. 11 – Autodescobrimento.
KARDEC, Allan. O céu e o Inferno. Trad. Manuel Quintão. 61. ed. 4. imp. (Edição Histórica). Brasília: FEB, 2016. Pt.1, cap. 7.
O Livro dos Espíritos. Trad.. Guillon Ribeiro. 93. ed. 4. imp. (Edição Histórica). Brasília: FEB, 2017. q. 919a e 621.

24 dezembro 2019

A presença de Jesus em nossa vida - Geraldo Campetti Sobrinho

 

A PRESENÇA DE JESUS EM NOSSA VIDA


O mês de dezembro evoca-nos lembranças agradáveis. O ambiente parece renovado, leve e propício à paz.

Não obstante os conflitos externos e o caos que teimam em imperar nas relações humanas, intimamente nos sentimos envolvidos por proteção espiritual elevada, que nos faz nutrir sentimentos, pensamentos e vibrações de solidariedade e bem-estar.

Nesse período, ficamos dispostos a olhar para o semelhante como irmão, merecedor de atenção e acolhimento. Recordamo-nos dos ensinos do Evangelho e lembramo-nos de passagens que sugerem a prática do bem e o entendimento na relação com o próximo.

Manuel Quintão1 afirma que o “Consolador é a onipresença de Jesus na Terra.” O contributo do Espiritismo está em divulgar a mensagem evangélica na sua essência e destacar a imperiosa necessidade de se vivenciar as lições do Cristo no cotidiano de nossas existências. Cada um fazendo o que for possível, o que estiver ao seu alcance, sem exigir nada além do que pode doar de si mesmo. O Divino Amigo espera que cada um faça a sua parte. Basta pouco para fazermos a diferença em benefício do próximo, seja amigo ou familiar, conhecido ou desconhecido.

O Natal tem valioso significado para nós, aprendizes do Evangelho de Jesus à luz da Doutrina Espírita. Um novo olhar, para além do material e comercial, do Papai Noel e do utilitarismo, precisamos vislumbrar.

Ao refletir sobre o significado do Natal, pensei no exercício que os poetas fazem para expressarem suas ideias por meio do acróstico.

Nascimento do Cristo no coração de cada um. Renascimento em cada novo dia de existência aqui na Terra e dos que habitam outras paragens. Disposição para recomeçar quantas vezes forem necessárias e cada vez mais assertivamente para que a experiência tenha valido a pena. Sentir a presença do Cristo na intimidade, reconhecendo que somos deuses e podemos muito, se nos alinharmos com os propósitos superiores das Leis Divinas, por meio de atitudes e comportamentos que se coadunem com a ética e a moral, a conferir dignidade humana a todos os seres de boa vontade.

Amor, a traduzir-se no olhar de Deus sobre nossas vidas, como nos ensina o filósofo espírita Léon Denis2, desejando registrar que nunca estamos sozinhos na caminhada evolutiva. A Paternidade Divina vela por todos os seus filhos, sempre lhes ofertando o melhor, em consonância com o merecimento e a necessidade de cada um. O amor é a palavra de ordem e de sensibilidade no automatismo do cumprimento da Lei Maior que rege as relações harmoniosas entre todos e tudo na Natureza. Por isso, o mandamento maior expressa-se no verbo amar e no substantivo amor: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a nós mesmos. Se houver dúvida, Jesus esclarece: “um novo mandamento vos dou, o de que ameis uns aos outros como eu vos amei.” Jesus é nosso guia e modelo, Mestre e Senhor, e seu Evangelho, o nosso GPS…

Tolerância é o convite ao entendimento universal, à compreensão do comportamento alheio, sem preconceitos nem julgamentos. É o requisito da paz e da fraternidade, culminando na tríade que fundamentou a missão de Allan Kardec: Trabalho, solidariedade e tolerância. Integra o conceito de caridade, conforme a entendia Jesus, por meio do vocábulo indulgência.3

Alteridade consiste na consideração pelo próximo, por seus interesses e vontade, respeitando suas ideias e liberdade de ação e de pensamento, sem coerção de qualquer natureza. Trata-se do respeito ao direito do outro, independentemente de partido, religião, filosofia, gênero e classe social.

Libertação das amarras do passado infeliz, de erros pretéritos e de preconceitos característicos do homem velho que demanda renovação. Descobrimento da verdade imortal e absoluta que sacia a sede espiritual da criatura para todo o sempre. Concessão ao Espírito em estado de plenitude, no usufruto de suas conquistas individuais pelo esforço e aplicação, abnegação (renúncia a si mesmo) e devotamento (doação ao próximo).

É por isso que o Natal não é apenas a promessa da fraternidade e da paz que se renova alegremente, entre os homens, mas, acima de tudo, é a reiterada mensagem do Cristo que nos induz a servir sempre, compreendendo que o mundo pode mostrar deficiências e imperfeições, trevas e chagas, mas que é nosso dever amá-lo e ajudá-lo mesmo assim.4

Eis o significado do Natal: a presença de Jesus em nossas vidas, materializada em gestos simples de caridade, ofertados aos irmãos de caminhada evolutiva em todos os dias de existência no abençoado planeta que nos serve de morada, escola, hospital e oficina de trabalho.


Geraldo Campetti Sobrinho
Fonte: FEBNET

Referências:

1 QUINTÃO, Manuel. A poesia perdida. In: XAVIER, Francisco Cândido. O espírito da verdade. Por Espíritos diversos. Brasília: FEB, 2018.

2 DENIS, Léon. A vontade. In: __. O problema do ser, do destino e da dor. Brasília: FEB, 2018.

3 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Brasília: FEB, 2018. Q. 886.


4 XAVIER, Francisco Cândido. Antologia mediúnica do Natal. Por Espíritos diversos. Brasília: FEB, 2014. Cap. 7.

18 dezembro 2019

O Céu e o Inferno - Geraldo Campetti Sobrinho



O CÉU E O INFERNO


A genialidade de Allan Kardec possibilitou a materialização da Doutrina Espírita na Terra. Originário da sabedoria dos Espíritos Superiores, o Espiritismo foi codificado pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail. Para assinar as obras básicas que revelariam a mensagem de renovação social da Humanidade, preferiu humildemente adotar o pseudônimo Allan Kardec. Este nome se deve a uma encarnação sua como druida na época de Jesus.

A nova doutrina atesta o caráter de revelação espiritual pelo registro em cinco livros. Como ocorreu com a primeira revelação da Justiça personificada em Moisés (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) e a segunda revelação do Amor personificada em Jesus (Evangelho segundo Mateus, Marcos, Lucas, João e Atos dos Apóstolos), assim também se deu com a terceira revelação da Verdade, de origem espiritual coletiva (O livro dos espíritos, O livro dos médiuns, O evangelho segundo o espiritismo, O céu e o inferno e A gênese). Todas registradas para a história em cinco livros principais, conhecidas como Torá, Pentateuco ou Obras Básicas.

A didática estruturação kardequiana da principal e primeira obra espírita, O livro dos espíritos (1. ed. 1857 e edição definitiva, a 2. ed., em 1860) deu origem aos outros quatro livros do Pentateuco kardequiano. Da segunda parte do LE surgiu O livro dos médiuns (1. ed. 1861 e edição definitiva, a 2. ed., em 1861). Da terceira parte, O evangelho segundo o espiritismo (1. ed. 1864 e edição definitiva, a 3. ed., em 1866). Da quarta, O céu e o inferno (1. ed. 1865 e edição definitiva, a 4. ed., em 1869). E a primeira parte deu origem ao livro A gênese (1. ed. 1868 e edição definitiva, a 5. ed., em 1872).

Todas as cinco obras são importantes. Entretanto, para destacar especificamente O céu e o inferno, podemos resumir assim:

É uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. Seu principal escopo é explicar a Justiça de Deus à luz da Doutrina Espírita. Objetiva demonstrar a imortalidade do Espírito e a condição que ele usufruirá no Mundo Espiritual, como consequência de seus próprios atos. Divide-se em duas partes: A primeira estabelece um exame comparado das doutrinas religiosas sobre a vida após a morte. Mostra fatos como a morte de crianças, acidentes coletivos e uma gama de problemas que só a imortalidade da alma e a reencarnação explicam satisfatoriamente. Kardec procura elucidar temas como: anjos, céu, demônios, inferno, penas eternas, purgatório, temor da morte, a proibição mosaica sobre a evocação dos mortos, dentre outros. Apresenta, também, a explicação espírita contrária à doutrina das penas eternas. A segunda parte, resultante de um trabalho prático, reúne exemplos acerca da situação da alma durante e após a desencarnação. São depoimentos de criminosos arrependidos, de Espíritos endurecidos, de Espíritos felizes, medianos, sofredores, suicidas e em expiação terrestre.

Da primeira parte, destacamos o capítulo 7, que apresenta o Código Penal da Vida Futura, em 33 artigos. Ali, aprendemos que o sofrimento do Espírito é inerente a sua imperfeição. O uso inadequado do livre-arbítrio nos faz sofrer, mas o seu correto uso conduz-nos à felicidade como resultante de nossas escolhas acertadas. Kardec conclui o citado código com a assertiva de Jesus: “a cada um segundo as suas obras”, como prerrogativa da Justiça de Deus.

Com a palavra o Codificador no 33º artigo:

Em que pese à diversidade de gêneros e graus de sofrimentos dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios: 1. O sofrimento é inerente à imperfeição. 2. Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas consequências naturais e inevitáveis: assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo. 3. Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade. A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra — tal é a lei da Justiça Divina.

A abertura da segunda parte traz um tratado sobre o passamento. Allan Kardec inicia com sua peculiar arguição, sensata e provocativa:

A certeza da vida futura não exclui as apreensões quanto à passagem desta para a outra vida. Há muita gente que teme não a morte, em si, mas o momento da transição. Sofremos ou não nessa passagem? Por isso se inquietam, e com razão, visto que ninguém foge à lei fatal dessa transição. Podemos dispensar-nos de uma viagem neste mundo, menos essa. Ricos e pobres, devem todos fazê-la, e, por dolorosa que seja a franquia, nem posição nem fortuna poderiam suavizá-la.

O estudo das obras de Allan Kardec nos dão segurança para o conhecimento da Doutrina Espírita em seus fundamentos. A leitura de O céu e o inferno possibilita-nos conhecer qual será a nossa situação no Mundo Espiritual após a desencarnação, e como nos preparar para a transição do fenômeno natural e inevitável da morte, que é o passaporte para a verdadeira Vida.

A FEB Editora (www.febeditora.com.br) publica duas edições dessa valiosa obra: a clássica tradução de Manoel Quintão e a mais moderna, de Evandro Noleto.

Você está convidado a conhecer e se aprofundar no estudo de O céu e o inferno!

* Fonte:  Geraldo Campetti Sobrinho. O céu e o inferno. Presença Espírita, Salvador (BA), v. 45, n. 333, p. 11-13, jul./ago. 2019.

24 novembro 2019

Problema e Solução - Geraldo Campetti Sobrinho

 
PROBLEMA E SOLUÇÃO


O problema surge em nossa vida como oportunidade de solução.

A solução do problema dependerá de nossa atitude perante a situação vivenciada.

Temos, nesse caso, três alternativas: desesperarmo-nos, entendendo a solução como praticamente impossível; sermos indiferentes, fugindo da situação e evitando qualquer confronto direto ou indireto; ou encarar de frente a questão, esforçando-nos para fazer o melhor ao nosso alcance, recorrendo ao auxílio externo, se necessário.

Não há dúvida de que esta última opção é preferível às demais. Melhor enfrentar que fugir ou se desesperar, criando uma “tempestade num copo d’água”.

Teoricamente, analisando-se apenas pelo raciocínio lógico, esse é o caminho a seguir, a postura a assumir.

O difícil, entretanto, é que a questão também envolve aspectos emocionais, exigindo equilíbrio do ser humano para tratar serenamente todas as situações da vida.

A emoção dá “sabor” à vida. Mas, também complica demasiadamente nossa situação, quando não a utilizamos em favor próprio e do semelhante com o qual lidamos diariamente.

Equilibrar as emoções é empregar a inteligência para viver feliz, ou pelo menos, mais harmonizado consigo mesmo, com Deus e com o próximo.

A existência é rica em oportunidades de autoeducação. O processo é gradativo e exige esforço constante. Mas, é passível de se efetivar exitosamente. Depende de nossa vontade em querer e em perseverar no campo de batalha, no qual o mais difícil adversário reside dentro de nós mesmos.

Procuremos, assim, enfrentar os problemas da vida com ânimo, a fim de conquistarmos as vitórias parciais na experiência física que haverão de nos conduzir ao êxito final sobre nossos defeitos e inseguranças.

Não estamos sós! A ajuda de bondosos amigos, visíveis e invisíveis, nos chegam a todo instante.

Prossigamos na luta. A vitória é certa ao final da jornada. O tempo para isso só depende de nós.


Geraldo Campetti Sobrinho
Fonte: FebNet

31 outubro 2019

Interatividade em Tempos Líquidos - Geraldo Campetti Sobrinho



INTERATIVIDADE EM TEMPOS LÍQUIDOS


O maior paradoxo da atualidade é que vivemos num mundo inundado de informação, mas sedento de conhecimento.

Essa afirmação foi atribuída ao executivo estadunidense Jack Welch. Ela incita-nos a refletir sobre a nossa situação na sociedade pós-moderna, na qual os avanços científicos e tecnológicos ganham espaço e em que as relações humanas tornam-se cada vez mais líquidas, conforme vislumbrado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman.

*

Vivemos em um mundo movido à velocidade. Tudo é muito rápido e, cada vez mais, os acontecimentos se dão celeremente. A atualidade é marcada por uma síndrome que se poderia ironicamente denominar com a sigla SEI – a Síndrome do Excesso de Informação –, que nos afugenta a uma correria desenfreada para buscas constantes e insatisfatórias de obter mais e mais, como se abrigássemos em nossa intimidade um “poço sem fundo” que nunca se logra satisfeito com as fugazes conquistas ofertadas pela era pós-moderna, ora em curso.

Queremos mais, desejamos mais, e o mundo está aparentemente pronto para nos oferecer cada vez mais, numa insanidade quase incontrolável de aparências e ilusões.

É preciso dar uma pausa, rebobinar o filme da nossa história, ou, randomicamente, acessar o conteúdo informacional e a ocorrência fática que possam ter originado o que hoje praticamente não conseguimos suportar.

Para além da informação, que nos oferta o significado, é indispensável o conhecimento, que promove a interpretação. Entender o sentido de tudo e conseguir interpretar a realidade pode “abrir as portas” aos mais adequados caminhos da felicidade geral.

*

A difusão dos postulados espiritistas nos tempos hodiernos é uma necessidade inadiável para a definitiva implantação do Reino de Deus na Terra, a começar por sua instalação no coração de cada um de nós. Acessar a informação espírita enquanto estivermos na caminhada terrena pode provocar a completa mudança na forma de pensar-sentir-agir do materialista, cético, agnóstico, ateu e, até mesmo, do religioso aberto a novidades transformadoras.

Por isso, temos o compromisso de divulgar o Espiritismo por meio das diversas mídias disponíveis na atualidade. São tantos os recursos de tecnologia da informação e comunicação, facilitando a interatividade entre as pessoas, independentemente de distâncias geográficas ou barreiras físicas, que não podemos descurar da responsabilidade de disseminar a mensagem do Evangelho de Jesus pelas luzes da Doutrina Espírita a todos os rincões do mundo, iluminando mentes e consolando corações.

Os mais modernos instrumentos de comunicações virtuais, digitais e eletrônicas, pela vulgarização do uso da rede mundial, possibilitaram o intercâmbio entre os povos dos diversos continentes e a aproximação dos homens pelas relações sociais e busca de negócios econômico-financeiros ou aqueles empreendimentos sem fins lucrativos que beneficiam o desenvolvimento das ciências e das artes, da filosofia e da educação, das condições de vida do ser humano.

*

Se a informação e o conhecimento são importantes para a evolução humana, é preciso reconhecer que estamos hoje na era da interatividade, por meio da qual, espargindo o bem pelas luzes do Espiritismo, conseguiremos aplicar em nossa vida a mensagem do Cristo em toda a sua essência para a nossa plenitude e auxílio daqueles que buscam a paz e a serenidade acalentadas no alvorecer de um mundo de regeneração.

Com a base que o Espiritismo nos oferece, é possível atravessar o mar da liquidez, em que a insegurança será substituída pela certeza e as relações fugazes e descartáveis cederão lugar aos compromissos sérios e duradouros. À impermanência sobrevirá a imortalidade, conforme prenunciou o Espírito Pastorino pela psicografia de Divaldo Franco. 

Fonte: Geraldo Campeti Sobrinho
Democratização da informação: mito ou realidade? e Comunicação, interatividade e divulgação espírita. Disponível em:  www.febnet.org.br. Extratos dos textos publicados em: 21.7.2012; 1.3.2015. Acesso em: 26 set. 2019. Com atualizações.

10 agosto 2019

Estudo das obras fundamentais do Espiritismo - Geraldo Campetti Sobrinho



ESTUDO DAS OBRAS FUNDAMENTAIS DO ESPIRITISMO


A leitura atenta e o estudo continuado das obras fundamentais do Espiritismo sempre renovam nossa oportunidade de aprender. Dá a impressão, inclusive, de que estamos diante de um conteúdo inédito, quando nos certificamos, após algum tempo, de que já o havíamos lido anteriormente. Isso decorre, em nosso entendimento, de duas razões principais: a constante atualização dos conteúdos doutrinários expostos na obra básica da Codificação Espírita, isto é, o conteúdo espírita organizado na obra kardequiana foi, é e continua sendo atual; e a oportuna necessidade de atualizarmos nosso entendimento acerca da mensagem evangélica pelo salutar hábito do estudo, ou seja, precisamos “atualizar’ nossa ignorância, buscando novos conhecimentos, cujos assentamentos encontram-se, sem exceção, nas inamovíveis bases definidas no arcabouço doutrinário.

As orientações seguras advindas da Espiritualidade Superior nos recomendam, inclusive, que dediquemos pelo menos 15 minutos diariamente para a leitura de alguma obra escrita sob a responsabilidade de Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita.

Esse contato diário com a obra básica, integrada pelo Pentateuco Kardequiano (O livro dos Espíritos, O livro dos médiuns, O evangelho segundo o Espiritismo, O céu e o inferno e A gênese), somando-se Obras póstumas, O que é o Espiritismo e a extraordinária Revista Espírita (1858-1869), certamente nos colocará a par da sabedoria espiritual e da genialidade de Kardec ao ensejar que tais ensinamentos renovadores fossem materializados na Terra para acesso de todos nós, trabalhadores e aprendizes da última hora.

O estudo possibilita ampliar a visão e o entendimento, a reflexão e a prática, sobre tudo o que nos sensibiliza as percepções, dilatando gradativamente a nossa capacidade de compreensão, a zona lúcida, conforme expressão do estudioso francês Paul Gibier.

O estudo espírita pode ser individual, num processo persistente de autodesenvolvimento, e coletivo, quando nos predispomos a integrar algum grupo interessado em propósitos semelhantes de se reunir e aprender, pelo compartilhamento de lições e experiências.

Ambas as tipologias de estudo, individual e coletivo, exigem planejamento, disciplina e organização do proponente ao aprendizado. Para o estudo individual, alimentemo-nos de boa vontade, separemos um tempo diário de pelo menos 15 minutos, e iniciemos com o propósito firme de ir adiante. No início, há que se vencer algumas resistências naturais. Depois, torna-se mais fácil.

Para o estudo em grupo, as casas espíritas ofertam várias possibilidades, aproveitando-se do material de excelente qualidade disponibilizado ao movimento espírita pela FEB. São os programas do Estudo Sistematizado, do Estudo Aprofundado, do Estudo e Prática da Mediunidade, de cursos específicos sobre as obras da Codificação e de algumas publicações subsidiárias.

Oportunidades de estudo e aprendizado não faltam. O que às vezes falta é nossa boa vontade de estudar e aprender.

Que tal enriquecermos nossa trajetória presente, aproveitando a oportunidade de educação espiritual, propondo-nos à efetiva renovação íntima pelo exercício dos magnos mandamentos recomendados pelo Espírito de Verdade: amai-vos e intruí-vos?!


Geraldo Campetti Sobrinho
Fonte: FEBNet


Referências:

Gibier, Paul. Análise das coisas: ensaio sobre a ciência futura e sua influência certa sobre religiões, filosofias, ciências e artes. Trad. de T. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. cap. 2.


Kardec, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. de Evandro Noleto. 2. ed. de bolso, 1. imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 6, it. 5.

04 agosto 2019

Obras de referência na literatura espírita - Geraldo Campetti Sobrinho



OBRAS DE REFERÊNCIA NA LITERATURA ESPÍRITA


A literatura espírita está cada vez mais rica, com uma oferta vultosa de títulos pelo mercado editorial que nos causa admiração. São obras mediúnicas e outras escritas por estudiosos e pesquisadores do Espiritismo, apresentando valiosa contribuição para o entendimento das questões transcendentes do Espírito imortal e de suas existências físicas.

Dentre esse vasto acervo, crescente em escala geométrica a cada dia, é recomendável que jamais descuremos do contato com as obras fundamentais codificadas por Allan Kardec, a fim de mantermos sempre a segurança doutrinária e sabermos distinguir, pela lógica e lucidez, o conteúdo espírita do que vem sendo confundido com outros conceitos, supostamente “espiritistas”, em obras de duvidosa origem e informações questionáveis.

Como o universo é amplo, não temos tempo para ler todas as obras que são publicadas. O ideal é que tais livros fossem rigorosamente selecionados pelas editoras antes de sua edição, procedimento infelizmente não adotado na maioria das vezes. Resta, em tais situações, a seleção da leitura pelo próprio leitor, nem sempre preparado para esse mister, sobretudo quando incipiente em matéria doutrinária.

Para facilitar o acesso à informação espírita têm surgido diversas obras de referência destinadas a serem o ponto inicial de qualquer pesquisa e estudo doutrinário, atendendo a finalidades variadas de preparação de palestras, aulas, estudos individuais e em grupo, esclarecimento de dúvidas, redação de artigos e livros… São bibliografias, catálogos, dicionários, enciclopédias, glossários, guias, índices, manuais, repertórios, tesauros, entre outros trabalhos do gênero, merecedores de especial atenção pelo aprendiz do Evangelho de Jesus à luz da Doutrina Espírita.

A Federação Espírita Brasileira, no cumprimento de sua missão relativa à difusão, estudo e prática do Espiritismo, preocupa-se, por intermédio da FEB Editora, em disponibilizar ao público esse valioso recurso de pesquisa. Dessa forma, vem publicando ao longo do tempo obras de acentuado valor para facilitar a vida do pesquisador, estudioso ou mesmo do curioso em aprofundar seus conhecimentos sobre os conteúdos doutrinários.

Dicionário da alma, Pérolas do além, Vocabulário histórico e geográfico dos romances de Emmanuel, Palavras de Emmanuel, O livro espírita na FEB, O Espiritismo de A a Z, Guia de fontes espíritas, Índice da Revista Espírita são algumas dessas publicações, parte delas disponibilizadas para pesquisa no portal www.febnet.org.br.

Nessa diretriz, a FEB Editora lançou mais uma valiosa obra de referência intitulada A vida no mundo espiritual: estudo da obra de André Luiz. Resultado de esforço coletivo, e contando com significativa apresentação do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, trata-se de repertório que contempla o resumo dos livros e de cada capítulo das obras da conhecida coleção, minibiografia dos personagens citados pelo autor, coletânea de orações, índice consolidado, glossário, previsões científicas e tecnológicas na obra de André Luiz, e as referências utilizadas como fonte de consulta para a realização do trabalho.

Esperamos que o estimado leitor usufrua dessa fonte de preciosos recursos para o estudo e entendimento da atualíssima coleção A vida no mundo espiritual ditada pelo Espírito André Luiz ao médium Francisco Cândido Xavier.



Geraldo Campetti Sobrinho
Fonte: FEBNet

05 julho 2019

Testemunho pessoal o maior desafio da atualidade - Geraldo Campetti Sobrinho



TESTEMUNHO PESSOAL O MAIOR DESAFIO DA ATUALIDADE


Quantas vezes você já se sentiu desafiado na vida?

Há momentos em que tudo parece se acabar. O mundo está contra nós. A situação complicada.

A conhecida Lei de Murphy entra em ação: “se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”. A vida é bela para uns; porém, muitos estão fora desse elenco, pois a crise indica uma existência difícil. Estão vivendo maus momentos.

Aí dá aquela vontade de jogar tudo para o alto, abandonar o barco. Os pensamentos e expressões que nos vêm: eu não mereço nada disso; isso não é justo; tudo dá certo para fulano, para mim, tudo dá errado!

Não creio que só eu tenha passado por essa circunstância. Você já deve ter se sentido assim em alguma ocasião.

Mas, não vamos nos abater. Esse privilégio não é exclusivo. Outros também se sentem como a gente.

Por que será que algumas coisas desagradáveis ocorrem conosco? Por que quando tudo parece que vai mal, ainda pode piorar, trazendo desconforto e sofrimento?

Vivemos interessante momento de transição planetária. Isso mesmo: a Terra está se transformando. Mudanças climáticas, degelos, efeito estufa, terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, desastres ambientais, enfim a lista é extensa… Tudo aponta para um período de transformações que pareciam estar aguardando o momento propício para se manifestar. E, agora, não desejam esperar mais.

A Natureza chegou a um limite e precisa extravasar sua potência criadora para continuar viva e oferecer condições de existência a seus habitantes.

É o prenúncio de que os tempos já chegaram…

Em mensagem recebida por Divaldo Franco em abril de 2010, Bezerra de Menezes afirma: “esses dias assinalam o período de transição do mundo de expiação e provas para o mundo de regeneração”. É uma excelente notícia, por um lado. Um novo mundo, melhor daquele em que vivemos, onde haja paz e fraternidade, união e solidariedade entre os povos, no qual o bem possa se manifestar afastando o mal, onde o entendimento e o amor empanem a ignorância e o ódio.

Por outro lado, essa revelação suscita preocupações. O portal oferece acesso ao novo mundo e já foi instalado na Terra. Será que estamos em condições de atravessá-lo?

Deus não deseja que nenhum de seus filhos se perca. O Criador tenciona resgatar o maior número possível de criaturas, ensejando-lhes o despertar para as desafiadoras realidades da Nova Era.

As chamadas “provas de fogo” surgem para testar se já estamos aptos à superação de uma etapa e preparados para enfrentar outras oportunidades mais complicadas.

Em vez de castigo ou punição, a Justiça Divina age com amor e bondade, oferecendo os elementos necessários ao processo de renovação interior pelo esforço próprio de cada ser humano. Sem privilégios ou favorecimentos de quaisquer ordens, há o mérito ou demérito pelas ações assertivas ou equivocadas dos habitantes desse mundo-escola, a Terra.

Para Joanna de Ângelis, “reclamar é perder tempo”. Daí, a necessidade de nos dedicarmos ao trabalho, com esforço e perseverança, para superarmos dificuldades que jazem na intimidade de nossos seres. São roupagens antigas a ser trocadas, revestidas pelo comportamento renovado da reforma íntima.

Se o plano terrestre está em mudança, nós também somos convocados à ‘alquimia interior’, pelo exercício do controle das más tendências e do empenho na transformação moral.

Agradeçamos o ensejo ofertado pela existência na escola terrestre, fazendo-nos dignos de habitá-la como orbe regenerado, em que todos vivam renovados na pureza de coração e na paz de consciência.


Fonte: FEBNet

04 março 2019

Carnaval: Uma Festa Espiritual - Geraldo Campetti Sobrinho



CARNAVAL: UMA FESTA ESPIRITUAL


É natural que queiramos saber a visão espírita sobre o carnaval. O que o Espiritismo diz sobre o assunto?

Opiniões materialistas de apoio e espiritualistas de condenação reforçam a consagrada dicotomia entre o mal e o bem, a sombra e a luz, o errado e o certo, o material e o espiritual. A visão maniqueísta do a favor ou do contra, do conflito entre dois lados opostos, é tendência comum para registrar o posicionamento de adeptos e críticos ante a curiosa temática.

Por mais que argumentemos, eis uma questão que continuará suscitando acerbas discussões durante muito tempo, até que ela deixe de ter importância. Ainda não é a nossa situação. Falar sobre o carnaval é necessário, pois vivemos a festividade anualmente, com data marcada: a mais comemorada e outras tantas, que se prolongam no decorrer do ano em várias regiões do país e do planeta.

Para que possamos entender melhor o tema, é necessário que percebamos o seu real significado. A par de todas as movimentações de planejamentos e preparativos, ações e zelo – que denotam certa arte e cultura na apresentação de desfiles com seus carros alegóricos e foliões -, somadas as festividades de matizes diversificados, em que grupos se reúnem para comemorações sem medida, não podemos deixar de reconhecer que o carnaval é uma festa espiritual.

O culto à carne evoca tudo o que desperta materialidade, sensualidade, paixão e gozo. O forte apelo do período que antecede, acompanha e sucede o evento ao deus Mamon guarda íntima relação com o conúbio de energias entre os dois planos da vida, o físico e o extrafísico, alimentado pelos participantes, “vivos de cá e de lá”, que se deleitam em intercâmbio de fluidos materialmente imperceptíveis à maioria dos carnavalescos encarnados.

Vivemos em constante relação de intercâmbio, conectando-nos com os que nos são afins pelos pensamentos, gostos, interesses e ações. Sem que nos apercebamos, somos acompanhados por uma “nuvem de testemunhas”, que retrata nossa situação íntima.

Não cabe a análise sob a ótica de proibições ou cerceamento de vontades. Todos somos livres para fazer as escolhas que julgarmos convenientes. Porém, não podemos nos esquecer de que igualmente somos responsáveis, individual ou coletivamente, pelas opções definidas em nossa vida.

O Espiritismo não condena o carnaval, mas, também, não estimula suas festividades. Nesse período são cometidos excessos de todos os graus, com abusos e desregramentos no âmbito do sexo, das drogas, da violência; exageros que extravasam desequilíbrio e possibilitam a atuação de espíritos inferiores que se locupletam com a alimentação de fluidos densos formadores de uma ambiência espiritual de baixo teor vibratório.

Carnaval é, de fato, uma festa espiritual. Porém, eu não quero participar dessa festa. E você?

O espírita verdadeiro pode e deve aproveitar o feriado prolongado para estudar, trabalhar, ajudar aos outros e conectar-se com o Plano Maior da Vida em elevada festividade espiritual que nos faz bem, proporcionando real alegria e plenitude ao Espírito imortal.


Geraldo Campetti Sobrinho
Fonte: FEBNet


07 fevereiro 2019

A maior necessidade do momento - Geraldo Campetti Sobrinho




A MAIOR NECESSIDADE DO MOMENTO



Amigo leitor!

O título deste artigo parece pretensioso. Talvez seja.

Seria demais, provavelmente, responder em poucas linhas qual a maior necessidade do ser humano aqui na Terra neste princípio de século, perante tantos desafios e problemas graves, como a miséria, a injustiça social, a criminalidade, a violência urbana, o preconceito, a corrupção, a ignorância, a maldade…

A lista é praticamente infindável. Afinal, estamos em um mundo de expiações e provas em plena transição para a regeneração.

A crise, por demanda imperiosa do progresso, evidencia as desigualdades e enfermidades morais, dando a impressão de que a sociedade terrena está falida nos valores educacionais do Espírito imortal.

Se nossa visão for limitada ao presente e restrita a fatores econômicos, políticos e sociais, a resposta tende a ser afirmativa: o mundo parece estar piorando.

Porém, torna-se imprescindível ampliar os horizontes, enxergando realidades além daquelas percebidas quando nos restringimos a aspectos materiais da existência terrena.

Nós, que somos aprendizes do Evangelho de Jesus à luz do Espiritismo, já temos as informações suficientes para entender que a recomendação maior do Cristo foi e continua sendo o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Ainda, o Mestre inovou, enfatizando que deveríamos amar o semelhante como Ele nos amou.

Deixou a recomendação e a receita.

Resta-nos apenas cumpri-las.

Simples assim… para falar.

Tão complicado, entretanto, para vivenciar.

O amor deve estar na base de todas as nossas ações, palavras e pensamentos. Tudo estaria resolvido se amássemos, verdadeiramente, a nós mesmos, ao próximo e a Deus, pois assim o respeito e a solidariedade universais estariam garantidos na promoção da paz e felicidade geral.

*

Acontece que o tempo não para. As coisas ocorrem em velocidade cada vez mais célere. As transformações estão surgindo tão rapidamente que temos tido sérias dificuldades em saber lidar com o mundo atual.

Parece que a loucura se generalizou!

As pessoas estão perdidas, sem rumo, não sabem para onde ir, sequer têm compreensão de onde se encontram e o que lhes cabe fazer.

E isso tem nos afetado também, pois ninguém está imune à influência, seja de qual natureza for, nem despojado da capacidade de influenciar pessoas próximas ou distantes.

Temos nos deixado perturbar e temos sido instrumentos da perturbação.

Somos incompreendidos pelo nosso irmão e nos tornamos agentes da incompreensão em nossas relações interpessoais.

Temos sido relegados por terceiros e atuado como ferramentas da indiferença diante do sofrimento alheio.

Está nos faltando viver a mensagem ensinada por Jesus há dois mil anos e renovada pelas claridades do Espiritismo desde os idos do século XIX. Esta mensagem nos recomenda o respeito e a solidariedade a todos. E mais, por extensão, ensina-nos que devemos ser gratos àqueles que nos antecederam na realização de importantes trabalhos. Cumpre-nos reconhecer que, se não fossem tais pioneiros, enfrentaríamos hoje grandes dificuldades para fazer o que estamos tentando empreender. Gratidão e respeito, portanto, nunca serão demais.

*

A maior necessidade do momento, perante tantas outras que entendemos importantes, é a de discernir, adotando o equilíbrio e o bom senso, tão escassos atualmente no comportamento pessoal, inclusive na postura de boa parte dos formadores de opinião.

Discernir, segundo o dicionário eletrônico Houaiss, é: a) perceber claramente (algo, diferenças etc.); distinguir, diferenciar, discriminar; b) compreender (conceito, situação etc.); perceber, entender; c) formar juízo; apreciar, julgar, avaliar; d) identificar (algo) com conhecimento de causa.

Depreendemos dessas quatro acepções principais do verbo discernir que não podemos ouvir, ler, ver e sentir tudo como se fossem verdades absolutas.

Há que se redobrar a vigilância quanto aos cavaleiros do apocalipse que, em tempos de transição, pululam em diversos cantos causando discórdia e levando pessoas, instituições e povos a se confrontarem como se estivessem em plena guerra.

A quem interessa a divulgação de notícias bombásticas, descobertas assombrosas, revelações impactantes, furos jornalísticos?!…

Quem são os agentes da confusão, da balbúrdia, da dúvida, da insegurança, do desrespeito?!…

Discernir é saber escolher, decidir, posicionar-se, adotando o Evangelho de Jesus como roteiro e o esquecimento do mal como estratégia. É fomentar a união e a paz, a concórdia e o bem, a felicidade e a realização.

Na atualidade, correm soltas a irresponsabilidade e a insanidade, a desesperança e a precipitação, a ignorância e a confusão.

Por isso mesmo, o momento é propício ao discernimento, com emprego do bom senso e do equilíbrio. Vamos fazer a nossa parte?!


Geraldo Campetti Sobrinho
Fonte: FEBNet


25 janeiro 2019

FAKE NEWS – O que o Espiritismo tem a ver com isso? - Geraldo Campetti Sobrinho




FAKE NEWS - O QUE O ESPIRITISMO TEM A VER COM ISSO?


Agora é moda. Ou seria modismo?!…

O novo é inovador, transformador. Assim é a Boa-Nova, a mensagem do Evangelho de Jesus, oportuna. O Espiritismo também é sempre atual em seu conteúdo.

Ao contrário, o modismo vem e passa, alardeia e some, confunde e desaparece… É comum surgir uma ou outra “novidade” que pretende revolucionar o mundo, como se a roda fosse descoberta a cada momento!

As informações são veiculadas a mancheias e surgem de inúmeros lugares e de replicadores, sem que se saiba ao certo a fonte original. Muito menos se consegue verificar a originalidade ou fidelidade da informação: verdadeira ou falsa?

Um princípio básico do jornalismo é que a fonte deve ser inúmeras vezes checada, conferida, antes de a matéria ser publicada, para se ter certeza de sua origem e autenticidade.

Hoje se fala tudo sobre qualquer coisa, sem nenhum compromisso com o conteúdo, fatos e pessoas. Interessa mais o furo, ser o primeiro a disseminar a novidade. A pressa em compartilhar, postar, divulgar é impressionante e lamentável.

Já ouviram falar em fake news, as tais notícias falsas? Agora, todo mundo está falando sobre isso, no Brasil e no mundo inteiro. Se você não sabe o que é, fique antenado, pois isso é a febre contagiante dos tempos líquidos em que vivemos.

Fala-se o que não se deve, espalha-se o que não se poderia. Notícias falsas, informações incompletas, dados manipulados, meias-verdades, polêmicas, tendenciosidades, extremismos, formação de opiniões…

O que está por detrás da divulgação de mensagens ou notícias falsas? Enganar, iludir, apenas se divertir?!…

*

O Evangelho de Jesus e o Espiritismo têm algo a ver com tudo isso?

Nada melhor que os próprios autores responderem. O que parece novo, não é tão novo assim. Isso porque falsas notícias, inverdades sempre existiram. É que agora, com o poder de impulsão pelas redes sociais, tudo parece ser instantâneo, em tempo real, e a acessibilidade às informações está cada vez mais fácil na sociedade pós-moderna da informação, da ciência e da tecnologia em que estamos imersos.

O cuidado com o trato das fake news não é de agora. Jesus e o Espiritismo já nos apontam como nos comportar diante de tais situações. Vamos conferir algumas expressões que alertam sobre o assunto:

1) Não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas, que se levantaram no mundo (João, Epístola I, cap. 4: 1).

2) A boca fala do que está cheio o coração (Lucas, 12: 34).

3) Guardai-vos dos falsos profetas que vêm ter convosco cobertos de peles de ovelha e que por dentro são lobos rapaces. Conhecê-los-eis pelos seus frutos. Podem colher-se uvas nos espinheiros ou figos nas sarças? Assim, toda árvore boa produz bons frutos e toda árvore má produz maus frutos. Uma árvore boa não pode produzir frutos maus e uma árvore má não pode produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Conhecê-la-eis, pois, pelos seus frutos (Mateus, 7:15 a 20.)

4) Tende cuidado para que alguém não vos seduza; porque muitos virão em meu nome, dizendo: “Eu sou o Cristo”, e seduzirão a muitos. Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; e porque abundará a iniquidade, a caridade de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim se salvará. Então, se alguém vos disser: “O Cristo está aqui, ou está ali”, não acrediteis absolutamente; porquanto falsos cristos e falsos profetas se levantarão e farão grandes prodígios e coisas de espantar, ao ponto de seduzirem, se fosse possível, os próprios escolhidos (Mateus, 24:4, 5, 11 a 13, 23 e 24; Marcos, 13:5, 6, 21 e 22.)

5) Deve-se publicar tudo o que os Espíritos dizem? (Allan Kardec, RE, nov. 1859)

6) Antes de falar qualquer coisa, passe pelos três crivos, ou pelas três peneiras: se é bom, verdadeiro e útil (Atribuído a Sócrates).

7) Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea (Erasto. LM, cap. 20, it. 230).

*

É natural nos questionarmos sobre qual deve ser nossa postura diante das informações possivelmente falsas.

Recomendável que o discernimento oriente nossas ações. Assim, oportuno lembrar que, perante as possíveis fake news, devemos:

a) ser cautelosos quanto a novidades e notícias bombásticas;

b) adotar a dúvida, como segurança informacional, sem julgamentos;

c) levantar rigorosamente a fonte da informação;

d) avaliar se o conteúdo é verdadeiro, bom, útil e pertinente; e

e) evitar retransmitir conteúdos duvidosos ou suspeitos por quaisquer meios nas redes sociais: Facebook, Twitter, WhatsApp, e-mail, textos, palestras, conversas, dentre outros.

Lembremo-nos de que somos divulgadores, influenciamos e somos influenciados o tempo todo na vida. E, consequentemente, somos responsáveis pelos nossos pensamentos, palavras e ações onde estivermos e aonde formos.

Pensemos no bem! Falemos sobre o bem! Ajamos no bem! Assim, o mundo será melhor para todos nós. Fonte: FEBNet


 Geraldo Campetti Sobrinho
Fonte: FEBNet

Referências:

DEVE-SE publicar tudo o que dizem os Espíritos? Revista Espírita, nov. 1859. Disponível em: http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/deve-se-publicar-tudo-quanto-dizem-os-espiritos/>. Acesso em: 14 dez. 2017.

KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131. ed. 8. imp. (Ed. Histórica). Brasília: FEB, 2017. Cap. 21, it. 1-3.

O livro dos médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 81. ed. 5. imp. Brasília: FEB, 2016. (Ed. Histórica). Cap. 20, it. 230.


30 dezembro 2018

Centro Espírita: ponto de luz na comunidade - Geraldo Campetti Sobrinho



CENTRO ESPÍRITA:
 PONTO DE LUZ NA VERDADE


Os estudos e reflexões sobre a importância do centro espírita para a comunidade na qual ele se insere apontam para cinco principais vertentes, assim expressas: templo; lar; oficina; hospital; e escola.

Templo

A casa espírita tem a primordial finalidade de abrigar e reunir aqueles que tencionam conectar-se com o Superior por meio da oração, que se constitui em instrumento de comunicação com Deus, nosso Pai. A prece proporciona a melhoria do homem, ensejando àquele que ora pensar em Deus, aproximar-se dele e pôr-se em comunicação com ele.

Lar


O centro espírita deve receber seus frequentadores e colaboradores como o lar acolhe a família. É a oportunidade da congregação para o fortalecimento dos laços de amor. Nem sempre encontraremos facilidades, pois o reencontro se dá, por vezes, entre adversários do passado. Porém, é nesse lar que precisamos nos esforçar para a formação da família espiritual.

Oficina


A oficina enseja o trabalho e a consequente aquisição de competências técnicas e humanas. Pelo serviço, somos capazes de desenvolver potencialidades e realizar feitos a serem creditados como mérito em nossa contabilidade espiritual, embora devamos trabalhar em benefício do semelhante desinteressadamente.

Hospital


Outro dia ouvi de uma amiga; “na Terra, todos somos doentes da alma”. A necessidade de corrigenda moral é grande, daí a abençoada oportunidade que Deus nos concede de enfrentarmos doenças variadas para que passemos pelo processo de higienização perispiritual. “A enfermidade jamais erra de endereço”, ensina Emmanuel. Seja física ou moral, todos necessitamos de cura para a conquista da saúde integral. O centro espírita funciona como um hospital na medida em que busca oferecer atendimento aos carentes, sem jamais competir com a medicina terrena. É o apoio espiritual, o atendimento fraterno, a fluidoterapia, a desobsessão…

Escola


Na vida, estamos sempre aprendendo e nunca deixaremos de aprender. Como escola de almas, a casa espírita é roteiro que esclarece nossas mentes para as realidades espirituais, por meio dos estudos individuais e em grupo. As palestras públicas, o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (Esde), o Estudo Aprofundado (Eade), a Mediunidade: Estudo e Prática, a Evangelização da Criança e do Jovem, os estudos das obras básicas, da Coleção A vida no mundo Espiritual, da Série Psicológica Joanna de Ângelis, os cursos de capacitação a distância, são valiosos instrumentos de aprendizado que o centro espírita pode disponibilizar a seus frequentadores.

A FEB, no cumprimento de sua missão de promover o estudo, a prática e a difusão do Espiritismo, oferece os materiais para a implantação do Esde, Eade e da Mediunidade: Estudo e Prática nas instituições espíritas que desejarem, estimula a criação de grupos de estudos doutrinários e incentiva as atividades de evangelização infantojuvenil, compreendendo que o centro espírita é um ponto de luz na comunidade em que se insere e para a qual deve exercer a caridade material, moral e espiritual.


Geraldo Campetti Sobrinho
Fonte: FEBNet