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07 setembro 2011

Tabus - Huberto Rohden


TABUS

Liberta-te, ó homem, de todos os tabus!
Não feches os olhos a luz alguma - não negues à inteligência verdade alguma.
Crê no passado - e crê ainda mais no futuro.
Sê tradicionalista - e mais ainda evolucionistas.
Aceita tudo o que de verdadeiro e belo nos legaram os maiores - e
procura rasgar a teus filhos horizontes mais vastos ainda...

Abrange, do oriente ao ocidente, o panorama da vida - e advinha nos arrebóis vespertinos auroras matinais...
O que foi pode vir a ser - e com maior plenitude...
Sucedem-se os fenômenos da vida - em eterna evolução...
Não creias em lacrimosos saudosismos de passadistas que bendizem o pretérito - e maldizem o presente...
Se o ONTEM teve rosas - teve também muitos espinhos...
Se o HOJE tem espinhos - por que não teria rosas?...

A vida é uma grande roseira - cheia de rosas e espinhos...
Se de longe a contemplas só enxergas um mar de rosas - e espinho algum...
Foi a distância, e não a realidade, que os espinhos eliminou...
Crê, pois, no passado - e não descreias do presente e do futuro...
Não te fossilizes em nenhum tabu rotineiro...

Não te petrifiques em nenhum preconceito religioso ou social...
Não te mumifiques em nenhum dogma humano...
Conserva a elasticidade do espírito - e assimila novos elementos...
Sê um organismo vivo eliminando substâncias gastas - e assimilando substâncias sadias...
Não permitas, porém, que elementos estranhos desvirtuem o teu Eu - obriga-os a edificá-lo segundo o plano que traçaste.

Se a porta fechares a novos elementos vitais - acabarás em atrofia
espiritual.
Se não fores fiel ao próprio Eu - acabarão os elementos estranhos por adulterar-te o caráter.
É necessário que saibas homogeneizar todas as substâncias heterogêneas.
Transubstanciá-las no próprio ser.
Incorporá-las à personalidade total.
Personalizar todas as coisas impessoais.
Vitalizar com a vida do próprio Eu todos os átomos que o mundo te dá.

Liberta-te, pois, de todos os tabus!
Não sacrifiques os valores do passado pelos tesouros do presente e do futuro!
Conserva abertas para todos os quadrantes do universo - as portas da alma.

Para receber e despedir - para assimilar e eliminar...
E será perene a juventude do teu espírito...

De "De Alma para Alma"
De Huberto Rohden

24 novembro 2010

História de uma Gotinha - Huberto Rohden

HISTÓRIA DE UMA GOTINHA

Mar imenso...Quietude perene...Movimento eterno...

Permite que eu suba do teu seio e aos ares me erga - levíssima!...

Raio solar, vem cá!, ajuda-me a subir. Empresta-me esse fiozinho dourado...

Oh maravilha! Vou subindo, subindo - feito esbranquiçado vapor...

Alto, sempre mais alto - por cima das grimpas da selva, por cima dos cumes dos montes...

Ah! Quão grande é o mundo! Quão azul é o espaço!...

Que é isso? Um sopro de ar que me empolga...

Um vento me arrebata...

Lá vou eu, minúscula gotinha, sobre as asas das brisas, associar-me a muitas irmãs...

Formamos um Estado, uma República de gotas - uma nuvem...

Perdemos de vista o mar e a praia e os rochedos - e tudo...

Corremos por cima de selvas imensas, de montes altíssimos. Semanas a fio - de dia e de noite...

Até que, por fim, à falta de auras, paramos por cima de vastas planícies...

De súbito nos rompe do seio centelha vivíssima - e surdo trovão desperta ecos soturnos no recôncavo da serra...

Tamanho foi o abalo do feroz estampido que tombei das alturas - e milhares de irmãs comigo tombaram...

Alagamos florestas, pomares, jardins - saciando a sede de seres em conta.

E fomos correndo, correndo, sem nunca parar - sem saber para onde...

Sempre de cima para baixo - nunca de baixo para cima - porque perdemos as asas...

As asas invisíveis que o sol nos tecera...

De todos os lados nos vêm contingentes, pequenos e grandes, sócios de viagem...

Eis que de súbito se abre ante nós planície imensa - o mar!

Lancei-me em seus braços - afundei em seu seio...

Contei-lhe as mil aventuras que na longa jornada tivera...

E preparei-me para nova viagem...

Oh! Vida ditosa! Andar pelo mundo espargindo benefícios - Regressar à origem colhendo energias - e novos benefícios difundir!...

Tal é teu destino, minh'alma, no mundo dos homens - gotinha minúscula...

Tépidos bafejos de raios divinos te erguem do seio das vagas...Em asas etéreas...

Auras benignas te tangem pelo mundo das almas...

Vínculos de amor te unem a outras gotinhas.

Um raio, um trovão, um grande abalo - e desces, gotinha cristalina, sobre as almas humanas...

E retornas ao seio do mar - buscar novas forças para novo trabalho...

Asas etéreas - para nova viagem...

Gotinha de Deus...

De "De Alma para Alma"
De Huberto Rohden

21 outubro 2010

Maledicência - Huberto Rohden

M A L E D I CÊ N C I A

Toda pessoa não suficientemente realizada em si mesma tem a instintiva tendência de falar mal dos outros.

- Qual a razão última dessa mania de maledicência?

É um complexo de inferioridade unido a um desejo de superioridade.

Diminuir o valor dos outros dá-nos a grata ilusão de aumentar o nosso valor próprio.

A imensa maioria dos homens não está em condições de medir o seu valor por si mesma. Necessita medir o seu próprio valor pelo desvalor dos outros.

Esses homens julgam necessário apagar as luzes alheias a fim de fazerem
brilhar mais intensamente a sua própria luz.

São como vaga-lumes que não podem luzir senão por entre as trevas da noite, porque a luz das suas lanternas fosfóreas é muito fraca.

Quem tem bastante luz própria não necessita apagar ou diminuir as luzes dos outros para poder brilhar.

Quem tem valor real em si mesmo não necessita medir o seu valor pelo desvalor dos outros.

Quem tem vigorosa saúde espiritual não necessita chamar de doentes os outros para gozar a consciência da saúde própria.

As nossas reuniões sociais, os nossos bate-papos são, em geral, academias de maledicência.

Falar mal das misérias alheias é um prazer tão subtil e sedutor – algo parecido com whisky, gin ou cocaína – que uma pessoa de saúde moral precária facilmente sucumbe a essa epidemia.

A palavra é instrumento valioso para o intercâmbio entre os homens. Ela, porém, nem sempre tem sido utilizada devidamente.

Poucos são os homens que se valem desse precioso recurso para construir esperanças, balsamizar dores e traçar rotas seguras.

Fala-se muito por falar, para "matar tempo". A palavra, não poucas vezes, converte-se em estilete da impiedade, em lâmina da maledicência e em bisturi da revolta.

Semelhantes a gotas de luz, as boas palavras dirigem conflitos e resolvem dificuldades.

Falando, espíritos missionários reformularam os alicerces do pensamento humano.

Falando, Líderes hipnotizam multidões, enceguecidas, que se atiram sobre outras nações, transformando-as em ruínas.

Guerras e planos de paz sofrem a poderosa influência da palavra.

Há quem pronuncie palavras doces, com lábios encharcados pelo fel.

Há aqueles que falam meigamente, cheios de ira e ódio.

São enfermos em demorado processo de reajuste.

Portanto, cabe às pessoas lúcidas e de bom senso, não dar ensejo para que o veneno da maledicência se alastre, infelicitando e destruindo vidas.

Pense nisso!

Desculpemos a fragilidade alheia, lembrando-nos das nossas próprias fraquezas.

Evitemos a censura.

A maledicência começa na palavra do reproche inoportuno.

Se desejamos educar, reparar erros, não os abordemos estando o responsável ausente.

Toda a palavra torpe, como qualquer censura contumaz, faz-se hábito negativo que culmina por envilecer o caráter de quem com isso se compraz.

Enriqueçamos o coração de amor e banhemos a mente com as luzes da misericórdia divina.

Porque, de acordo com o Evangelho de Lucas, "a boca fala do que está cheio o coração".

Texto extraído do livro "A Essência da Amizade", Huberto Rohden

09 junho 2010

Faze Bem a Ti Mesmo, na Pessoa dos Outros-

FAZE BEM A TI MESMO, NA PESSOA DOS OUTROS

Escuta, ó homem, esta grande verdade: todo mal que aos outros fazes duplamente o fazes a ti mesmo.

Para os outros, é um mal periférico - para ti mesmo é um mal central.

Para quem o sofre, é um mal extrínseco - para quem o pratica é um mal intrínseco.

Ninguém pode fazer mal ao próximo sem primeiro fazer mal a si mesmo.

Não pode deixar de ser mau quem o mal produz - mas pode ser bom quem sofre o mal.

"Não pode a árvore má produzir frutos bons - nem pode a árvore boa produzir frutos maus."

O efeito do mal é transitório no objeto que o sofre - mas é permanente no sujeito que o produz.

Não digas: "Fiz mal, arrependi-me - e é tudo como dantes" - ilusão funesta!

Pelo arrependimento, sim, foi lavada a nódoa moral - persiste, porém, na alma, a mancha psíquica.

O mal, conscientemente praticado, estratificou nas profundezas do subconsciente nova camada de hábito vicioso - e deste subsolo funesto irradiam ondas mortíferas para a zona do consciente.

Todo ato mau, ainda que revogado pelo arrependimento, favorece os elementos destruidores - e desfavorece os elementos construtores dentro do homem.

Todo ato mau facilita futuras quedas e recaídas - e dificulta a ressurreição.

Todo ato mau aumenta o declive do plano inclinado que o hábito vicioso criou em tua natureza - e quem pode manter-se firme num declive escorregadio?

Por isso, meu ignoto amigo, o maior bem que a ti mesmo podes fazer é fazer bem aos outros - o bem por amor ao bem.

O amor que aos outros faz bem faz tanto bem a ti mesmo que até te faz bom.

Por isso dizia o grande Mestre que devemos amar o próximo como a nós mesmos.

Educa-te, ó homem, a ti mesmo para o idealismo do bem.

Faze o bem por amor ao bem - dentro de ti mesmo e aos outros.

O único meio de fazeres bem aos outros e a ti mesmo é seres bom, intimamente bom.

O único meio de melhorares o mundo é praticares o Evangelho da bondade sincera, o Evangelho do amor desinteressado, o Evangelho da benquerença universal.

"Deus é amor - quem permanece no amor permanece em Deus." (São João)

"O reino de Deus está dentro de vós." (Jesus)

De "De Alma para Alma", de Huberto Rohden