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08 novembro 2011

Triunfo a Qualquer Preço - João Cléofas


TRIUNFO A QUALQUER PREÇO

Momento grave o que se defronta após o compromisso assumido a respeito do intercâmbio espiritual, o de realizar o mister.

Ali desfilam os que se permitiram estigmatizar pela leviandade, sofrendo as consequências da atitude arbitrária ao equilíbrio da vida orgânica...

Mutilados da alma, apresentam, agora, as deficiências que os levaram a combalir, quando tombaram, irremissivelmente, no corpo...

Acercam-se os que supunham enganar através do pitoresco da frivolidade, todavia, foram colhidos pela consciência em despertamento, e, tardiamente, perceberam a ilusão.

Os antigos sátrapas e exploradores perdem a proteção que não dispensaram, porque na posição de mando se utilizaram da força e da impiedade, para se tornarem temidos, olvidando que a pujança da força repousa no amor e jamais o direito de usar da força pode dar amor a alguém...

Esperam a compreensão que não quiseram dispensar àqueles que buscaram uma palavra de entendimento, um gesto fraterno, um momento de compreensão para se justificarem do equívoco cometido.

A aflição e a amargura em que agora se encarceram decorrem da atitude de arrependimento que assumem no país da consciência ferida...

A grande legião dos desencarnados em agonia é uma lição que merece consideração, porquanto, eles, ao transitarem pelo corpo carnal, se permitiram asseverar de que necessitavam ver para crer, como outros ora o fazem. Não obstante, hoje, que veem e creem, já não dispõem do ensejo de produzir com segurança, porque estão nas malhas das consequências lamentáveis.

A vida são os sucessos que acontecem num como outro plano em que se manifesta.

A tarefa do verdadeiro cristão é a do vigilante no posto do dever, no corpo ou fora dele, pois que sabe ser a caminhada evolutiva numa estrada assinalada por etapas, em que o berço e o túmulo funcionam como pontos de repouso e de atividade, impulsionando para um quanto para outro estado de consciência na busca da meta.

Se encontras lanhado pelo sofrimento e com a alma despedaçada pelo agonia, não te detenhas; busca chegar ao termo do caminho de lutas a qualquer preço.

Não importa como chegues, se nas asas sublimes da elevação pelo direto voo do espírito perfeito ou se de joelhos desconjuntados, o coração dorido e a alma em frangalhos, porém, herói das lutas vencidas.

Enquanto não te suceda a conclusão da prova, olha para trás e distende a mão em atitude de socorro aos que necessitam de ajuda, da mesma forma que para o Alto alongas as tuas, na certeza de que outros te distendam as mãos da caridade.

João Cleófas
De “Sementes de Vida Eterna
De Divaldo Pereira Franco – Diversos Espíritos

28 junho 2011

Vida e Morte - João Cléofas


VIDA E MORTE

A teimosa insistência negativa dos conceitos humanos, em torno das legítimas realidades da vida, faz que se conserve o verbete “morte” como sendo a expressão capaz de traduzir o aniquilamento do ser, no estágio posterior ao da decomposição orgânica.

Em verdade, porém, a desencarnação de forma alguma pode ser conceituada como o fim da vida.

Do lado de cá pululam seres que se localizam felizes ou inditosos em regiões compatíveis com o seu estado mental, em que a vida se lhes manifesta conforme o que trazem da jornada fisiológica, na qual edificaram propósitos e realizações, fixando ideais, plasmando objetivos, que defrontam depois do traspasse orgânico.

A perda do envoltório carnal não os santificou, não os desgraçou, não os extinguiu. Situou-os na dimensão em que cada um preferiu, mantendo os hábitos de prazer ou de renúncia com que se agraciaram, mediante as realizações contínuas que vitalizaram pelo pensamento.

Multiplicam-se, povoadas de dores, as paisagens de sombras e as províncias de angústias, como se sucedem os panoramas de bênçãos e os painéis de luz, sustentados pelos valores pessoais intransferíveis, que identificam os viandantes recém-chegados da Terra...

Há, todavia, se assim desejarmos, um estágio espiritual que pode ser tido, transitoriamente, como um estado de morte: é o da consciência obliterada para a verdade, anatematizada pelos remorsos infelizes e pelos arrependimentos tardios; o da razão vencida pela revolta contumaz e pela toxicidade do ódio demoradamente conservado; o da inteligência gasta na inutilidade e no comércio do prazer fugaz...

Para tais Espíritos há um demorado estado de morte, porque a perda do roteiro interior atira-os num Dédalo onde não defrontam a luz nem encontram a esperança, terminando por anestesiarem os centros do discernimento longamente.

E não é por outra razão, conforme se refere o Mestre, que Deus não é o Senhor dos mortos, mas, sim, dos vivos.

Libertemo-nos das vendas que impedem a visão espiritual e dos vapores dos vícios que anestesiam, a fim de que a consciência livre nos enseje vida e sempre vida abundante.

De “Intercâmbio Mediúnico”
De Divaldo Pereira Franco
Pelo Espírito João Cléofas

17 fevereiro 2010

O Centro Espírita - João Cléofas

O CENTRO ESPÍRITA

O Centro Espírita é uma célula viva e pulsante onde se forjam caracteres, sob a ação enérgica do bem e do conhecimento.

Mais do que uma sociedade de criaturas encarnadas, é um núcleo onde se mesclam os seres desprovidos da carne que faculta a evolução no programa de amor e trabalho.

Escola - torna-se educandário, graças ao qual a instrução alarga-se, desde a geração de fenômenos educativos de hábitos, para produzir discípulos conscientes da própria responsabilidade, até cidadãos capacitados para a vida.

Oficina - onde se trabalham os sentimentos e se modelam os valores éticos, aos camartelos do sofrimento e da renovação, nas diretrizes que a caridade propõe como método depurativo e elevado.

Hospital - enseja as mais exclusivas terapêuticas para alcançar as causas geradoras do sofrimento, apresentando as ramificações das enfermidades e as expressões das dores morais, que devem ser transformadas em estado de saúde lenificadora.

Santuário - que se converte em altar de holocausto dos valores morais negativos e de soerguimento das virtudes, em intercâmbio saudável com o pensamento cósmico, mediante a oração, a concentração e a atividade libertadora.

Na sua poli-Valência, o Centro Espírita enseja o intercâmbio continuado de criaturas de um plano com o outro e, na mesma faixa de vibrações, estimula o desenvolvimento das mentes equilibradas construtoras da sociedade feliz do futuro.

Allan Kardec, fundando a Sociedade Espírita de Paris, estabeleceu ali, na casa-máter do movimento nascente, o Centro ideal, para onde convergiam as aspirações, as necessidades, os problemas e objetivos de ordem espírita, a fim de serem examinados e bem conduzidos.

O Centro Espírita é o núcleo social onde se caldeiam os sentimentos, auxiliando os seus membros a tolerarem-se reciprocamente, amando-se, sem o que, dificilmente, os que o constituem, estariam em condições de anelar por uma sociedade perfeita, caso fracassem no pequeno grupo onde se aglutinam para o bem.

O Centro Espírita é, portanto, a célula ideal para plasmar a comunidade dos homens felizes de amanhã, oferecendo-lhes o contributo do respeito e da fraternidade, da atenção e do bem. Honrar-lhe as estruturas doutrinárias com a presença e a ação, pelo menos duas vezes por semana, é dever que todo espírita se deve impor, a benefício da divulgação da Doutrina que ama e que o liberta da ignorância.

De "Suave luz nas sombras",
de Divaldo Pereira Franco,
pelo Espírito João Cléofas

16 agosto 2008

Conforme a Vida, a Morte - João Cléofas

CONFORME A VIDA, A MORTE

Cada desencarnação se dá conforme a atividade do Espírito enquanto na indumentária fisiológica.

O despertar, conseqüentemente, será consentâneo às atividades encetadas e aos ideais abraçados.

Quem cultivou o pessimismo demorado, arraigando-se nas trevas da negação, abraçado às expressões nadaístas, desperta em estado de amnésia total, vagueando como autômato ou se demora hibernado em si mesmo, sem se dar conta do transpasse que o conduziu ao Mundo Espiritual.

O Espírito que se vinculou, no entanto, às expressões dignificantes e idealistas, transita pelo portal do túmulo na condição de alguém que abandonou as algemas da ingratidão em que jazia sem direito à liberdade, no rumo, agora, de horizontes de insuperável beleza e ventura.

O cultivador do ódio, intoxicado pelos venenos letais da ira, permanece com os centros da memória bloqueados pelos vapores que o tornaram inditoso e de que somente a longo prazo consegue desencharcar-se.

Sensualistas e gozadores, apaniguados do crime ou da insensatez, permanecem estreitamente vinculados às reminiscências pretéritas, sem se darem conta da realidade legítima da região nova por onde transitam.

Simultaneamente, os que acalentaram a certeza da sobrevivência e se predispuseram ao vôo às regiões da luz, despojam-se da indumentária carnal com a gratidão pelo fardo que os facultou ascender no rumo da liberdade.

A consciência é sempre a mesma, seja no mergulho da névoa carnal ou se encontre desatrelada dos implementos orgânicos.

Tal hábito, qual vida.
Perfeitamente compreensível o estado amnésico apresentado por um sem número de habitantes da Esfera Espiritual, que jazem atados à ignorância do seu próprio estado, transitando entre amolentados e dormintes, inermes e atoleimados...

Alguns, em face do desabrochar das lembranças, se confundirão pela dificuldade de manipularem os depósitos e arquivos da memória.

Outros se perturbarão quanto a detalhes, datas, nomes, - mesmo os nossos doentes queridos - à semelhança de toxicômanos ou viciados que, não obstante

consigam formar um plano de raciocínio, não encontram as palavras próprias para vestirem as idéias.

A morte de maneira nenhuma produz magia. É uma cirurgia cujo mister arranca as vísceras físicas, mas não extirpa as sensações que aquelas impõem ao perispírito e, este, a seu turno, ao Espírito que viveu exclusiva e unicamente para os gozos da sensação.

Assim considerando, é imperioso que cada um se predisponha e se prepare, mediante o exercício natural diário e freqüente, para o vôo da desencarnação.

Da mesma forma que, em buscando o leito, à hora própria do repouso físico, cada um, conforme as suas aptidões, inclinações e valores, adormece, assim despertará no dia seguinte com aqueles títulos com os quais repousou, do que decorrerá encontrar-se, então, feliz, desventurado ou exaurido, consoante as disposições mentais que lhe são habituais.

Dormir é pré-morrer. Morrer, porém, é voar através de um sono
especial para o despertar no Mundo da Verdade conforme se adormeceu...

João Cleófas
De "Sementes de vida eterna",
de Divaldo Pereira Franco - Diversos