Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador José Reis Chaves. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador José Reis Chaves. Mostrar todas as postagens

09 maio 2020

Líderes Religiosos Contrários à Reencarnação - José Reis Chaves



LÍDERES RELIGIOSOS CONTRÁRIOS À REENCARNAÇÃO


A reencarnação é um fenômeno natural e divino. E, por isso, até está na Bíblia e outras escrituras sagradas. E por que será, então, que os líderes religiosos cristãos têm tanta ojeriza por ela, a ponto de alterarem textos bíblicos para ocultá-la?

Deus criou Adão e, figuradamente, soprou nas suas narinas a alma humana. Por essa ação divina, o homem é um ser biológico terreno, em que há uma alma encarnada, vivificando seu corpo, que é o habitat dela aqui na terra. E Deus criou os seres humanos machos e fêmeos com meios apropriados para que eles se tornassem co-criadores com Ele na sua obra da criação da Humanidade. Inclusive, essa co-criação dos novos seres humanos por meio dos seus dois sexos, com prazer, é exatamente a fim de atraí-los para a ação dessa procriação dos novos seres humanos, renovando, assim, constantemente os seres continuadores da Humanidade, os quais deveriam povoar toda a face da terra, como diz a Bíblia, como os grãos de areia das praias dos mares.

E, de acordo com um princípio racional, é normal o interesse de Deus de querer criar essa infinidade de corpos humanos, pois, eles são mortais, vindos do pó e voltando para o pó (Eclesiastes 12: 7). E esse mesmo versículo bíblico citado afirma também que o espírito humano retorna a Deus, demonstrando-nos que ele é imortal. E é por isso que os espíritos estão sempre precisando de novos corpos para continuar a sua evolução aqui em novas vidas terrenas. Sim, pois foi aqui que Deus, figuradamente, colocou Adão e Eva.

Conclui-se, pois, a ideia racional e lógica de que Deus, apesar de ter poder, de fato, de criar sempre novos espíritos humanos para cada um dos novos corpos que nascem, no entanto, Ele não faz isso, justamente porque não é necessário, já que os espíritos são imortais e, por isso, eles próprios podem continuar renovando sua ação de vivificar os novos corpos nascidos, reencarnando neles. Conclui-se também, pois, de modo também racional, que os espíritos, imortais que são, continuam na sua missão de busca de sua evolução moral ou da sua perfeição, até que, um dia, possam passar pela chamada porta estreita da salvação. E isso nos mostra ainda, claramente, a ideia da palingenesia ou reencarnação.

Mas por que os líderes religiosos cristãos são tão contrários a esse fenômeno da palingenesia? Porque o ego humano, que é o maior inimigo de nossa perfeição, quer que eles sejam vistos como sendo os nossos salvadores, e a reencarnação obscurece essa egoística pretensão deles. E, às vezes, eles nem sequer têm consciência dessa sua vaidade!


Autor: José Reis Chaves

09 maio 2019

Demônios são Espíritos humanos bons ou maus? - José Reis Chaves



DEMÔNIOS SÃO ESPÍRITOS HUMANOS BONS OU MAUS?


No Cristianismo, faz séculos, há uma crença, cada vez mais insustentável, a respeito dos demônios. Eles, de acordo com uma visão praticamente universal e mitológica, são os próprios Espíritos humanos. Mas na visão cristã errada, eles seriam de outra categoria de Espíritos e somente maus.

Nos primeiros tempos do Cristianismo, foram muito frequentes os fenômenos mediúnicos entre seus adeptos, fenômenos esses que foram chamados de pneumáticos, ou seja, espirituais, ou que envolvem Espíritos. Isso incomodou os padres e os bispos, pois, muitas vezes, os médiuns tinham mais prestígio do que eles nas comunidades cristãs. Então, movidos por seus egos, bispos e padres resolveram mudar essa situação. Eles começaram a ensinar que todos os Espíritos recebidos pelos pneumáticos eram todos demônios e que todos eles são maus, e que os bispos e os padres – que presunção! – recebiam o Espírito Santo da Terceira Pessoa Trinitária, que, para eles, era também o do próprio Deus, quando pela Bíblia, essa Terceira Pessoa Trinitária é o conjunto de todas as almas ou Espíritos humanos. 

“Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo (a tradução do grego correta é ‘de um’ Espírito santo) que está em vós, o qual vós tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? (1 Coríntios 6: 19).

Todos os dicionários de português mostram que os demônios – “daimones em grego”, a língua original do Evangelho –, são os Espíritos humanos, chamando-os também de gênios familiares, pois é muito comum eles se manifestarem para seus familiares e reencarnarem nos descendentes deles. E entre eles, há os maus (atrasados), mas há também os bons e até santos! Porém os bispos e os padres pneumáticos (médiuns), quando recebiam um espírito santo (bom), eles pensavam e passaram a ensinar, erradamente, que se tratava do Espírito Santo do dogma da Terceira Pessoa Trinitária, que, como dissemos, para eles é o próprio Deus, quando na Bíblia só é Deus verdadeiro o da Primeira Pessoa. Mas como essa doutrina virou dogma, coitado de quem a negasse! ela se firmou na Igreja, passando, inclusive, para os protestantes e evangélicos.

E o Cristianismo acabou dividindo-se em dois: o dos dogmas e o da Bíblia. E como os líderes religiosos passaram a realçar mais o dos dogmas, ele ficou mais importante do que o do Cristianismo evangélico, verdadeiro, que é o seguido pelo Espiritismo, que, entretanto, respeita o dogmático, como respeita todas as doutrinas religiosas.

E aqui ousamos dizer que quem quiser entender bem de Espíritos e de Deus na Bíblia tem que estudar a espiritologia, ou seja, o primeiro tratado científico sobre os Espíritos e que consta das obras de Kardec e de outros autores. Nessas e na Bíblia, vemos que todos nós somos demônios e que todos nós, pois, somos irmãos e, portanto, como Orígenes, oremos por todos nós!


José Reis Chaves
Fonte: O Consolador


16 abril 2019

As Religiões de uns mais separam as pessoas do que as unem - José Reis Chaves




AS RELIGIÕES DE UNS MAIS SEPARAM AS PESSOAS DO QUE AS UNEM


São as religiões que mais nos ajudam na busca da nossa evolução, para que alcancemos, um dia, a perfeição semelhante à de Deus. Mas, para muitas pessoas, a sua religião é a causa principal de seus conflitos com seus irmãos e companheiros dessa nossa jornada evolutiva espiritual terrena.

E isso apenas porque suas respectivas religiões são diferentes. Ademais, apesar de umas terem a mesma religião, elas ainda brigam também pelo modo diferente de elas praticarem a mesma religião. É que umas são mais religiosas e outras menos. E as que são mais querem que as que são menos sejam religiosas iguais a elas, o que é u erro, pois, ser muito religioso depende do nível evolutivo espiritual de cada pessoa.

Umas brigam até com os padres! E as pessoas, frequentemente, dão mais valor às questões religiosas exteriores como a frequência às cerimônias, quando a verdadeira religião busca mais a religiosidade que é mais interior.

Jesus disse que se uma pessoa estiver no altar fazendo oferendas a Deus e se lembrar de que não está bem com alguém, deve interromper sua oferenda, procurar o seu adversário e reconciliar-se com ele, e só depois, então, é que a pessoa pode voltar ao altar e continuar sua oferenda. (Mateus 5: 23). Esse ensino mostra que estarmos em paz com todas as pessoas é mais importante do que estarmos fazendo oferendas a Deus. É que Deus não precisa de oferendas.

Ele está sempre muito bem e feliz, não precisando, pois, jamais de nada de nós, para que continue muito bem e muito feliz, mesmo porque Ele é imutável. Aliás, se Deus dependesse de nós para ser feliz, Ele estaria perdido, pois, nós somos ainda muito imperfeitos e, portanto, mais inclinados à prática dos males e vícios do que à prática das virtudes. Mas ainda bem que estamos evoluindo. Caímos muito, mas jamais nos faltarão novas chances para nós nos levantarmos. “Sete vezes cairá o justo e se levantará.” (Provérbios 24: 16).

E nossas faltas estão mais relacionadas à ausência de amor ao nosso próximo. Daí que o primeiro mandamento da lei divina ou natural, a dos Dez Mandamentos, manda-nos amar a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo no mesmo nível do amor que temos a nós mesmos. Lembremo-nos de que nós nos amamos a nós mesmos até demais, pois somos muito egoístas! Mas se amarmos de verdade nosso próximo, ou no mesmo grau com que nos amamos, está tudo bem, pois não vamos querer para nós e somente para nós tudo o que de melhor existe.

A etimologia da palavra egoísta é ‘ego’ em latim e que significa eu. O egoísta se considera o tal e pensa que tudo de melhor é com ele! Assim, automaticamente, ele está menosprezando ou desvalorizando seu próximo, o que vale dizer que ele não o está amando como ama a si mesmo, pois está considerando seu próximo inferior a ele.

O objetivo das religiões é nos unir como irmãos e, pois, como filhos de Deus, que é o Pai de Jesus e de todos nós, para que, assim, sejamos todos nós um com Jesus e, por consequência, também, um com Deus Pai. (João 17: 21). Se nossa religião, pois, for um meio de nos separarmos uns dos outros como se vê tanto, é melhor, espiritualmente falando, que a pessoa não tenha nenhuma religião, bastando-lhe a crença em Deus, já que, assim, ela estará melhor, pois em paz com seus irmãos, ela estará também em paz consigo mesma e com o próprio Deus Pai de todos nós!



José Reis Chaves


10 janeiro 2017

Destino depende da « Lei do Carma » ou do bem ou do mal feito - José Reis Chaves



DESTINO DEPENDE DA " LEI DO CARMA " OU DO BEM OU DO MAL FEITO


A chamada ‘lei de causa e efeito’ é científica, bíblica, filosófica, teológica e universal. Entre outros de seus nomes, citamos: ‘lei do carma’, ‘lei da colheita obrigatória do que é semeado’, todas em consonância com a lei física’: “A cada ação corresponde uma reação de igual potência e reversibilidade”.

Kardec preferiu usar somente o nome mais tradicional ‘lei de causa e efeito’, mesmo porque, no seu tempo, a expressão ‘lei do carma’ era usada apenas no Oriente. Mas hoje, com o contato intenso entre o Ocidente e o Oriente, essa expressão ‘lei do carma’ entrou em nossa língua e também nos meios espíritas.

Essa lei, no sentido religioso e moral, é muito citada nas escrituras sagradas e, principalmente, na Bíblia. Por isso, a doutrina dos espíritos codificada por Kardec dá a ela muita importância em toda a sua vasta literatura e pregações.

Temos que ter em mente que se sofremos, é porque fizemos alguém sofrer. E a respeito de males cometidos em vidas passadas, muitos dizem: Por que e como vou pagar um erro que eu teria feito numa encarnação passada, se eu não me lembro dele? Mas é o Mestre dos mestres que ensinou que ninguém deixará de pagar todas as suas faltas até o último centavo. (São Mateus 5: 26; e são Lucas 12: 59), o que quer dizer que as penas não duram para sempre, pois pago o último centavo, não vamos pagar mais nada, sim, pois a lei divina é justa e perfeita. Quem as paga é o espírito que só sai do corpo que morre, continuando, pois, a viver, já que é imortal. E esteja onde estiver, ele tem que pagar seus pecados, desde o primeiro até o último, a não ser que o excelso Mestre tenha mentido para nós, hipótese essa, totalmente, inaceitável!

Aliás, essa verdade é até uma das provas da reencarnação, pois quando uma pessoa é uma alma de escol, mas tem uma vida de um sofrimento constante, é porque, numa outra vida, ela aprontou, pois a ‘lei de causa e efeito’ é perfeita. Quem sofre é porque fez alguém sofrer. Com a medida com que tiverdes medido, sereis medidos. (São Mateus 7: 2). Quem matar com espada, seja morto por espada. (Apocalipse 13: 10).

Há pessoas boas que sofrem, porque estão pagando faltas de uma vida anterior. E elas, usando mal o seu livre arbítrio, podem cometer alguma falta grave e voltarem a sofrer nesta vida mesmo ou em outra futura. De fato, podemos pagar também erros na mesma vida em que eles foram cometidos. E, também, numa mesma vida em que nossas boas ações foram praticadas, podemos colher igualmente a recompensa delas. O certo é que nada escapará dessa inexorável ‘lei de causa e efeito’! E a respeito dela, que fique bem claro que não se trata de castigo nem prêmio de Deus, pois ela é divina, mas é manipulada por nós mesmos. É como a energia elétrica que é também manipulada por nós, podendo, pois, a sua conta vir baixa, quando a economizamos, ou cara, se não cuidamos de controlar o seu gasto!

Porém, como Deus é Pai de misericórdia, de acordo com a ‘lei de causa e efeito’, uma pessoa pode ter muitas faltas e ter suas consequências de sofrimento aliviadas e até anuladas, se ela, usando de seu livre-arbítrio, faz o bem e a caridade. É o que diz a Bíblia: O amor encobre multidão de pecados. (1 Pedro 4: 8).

E terminamos essa matéria com a conhecida e lapidar frase evangélica (são Mateus 16: 27), que nos deixa claro o que é essa ‘lei do carma: A cada um será dado conforme suas obras! 


José Reis Chaves e-mail: jreischaves@gmail.com
 

22 março 2014

Vamos todos pro Inferno - José Reis Chaves

VAMOS TODOS PRO INFERNO


O inferno é a vibração dum estado de consciência dos espíritos. E, realmente, o fogo dos ínfernos de todas as escrituras sagradas, não só da Bíblia, é simbólico, exotérico, e não esotérico como o terreno.
 

E aos defensores do inferno bíblico literal pergunto quando Deus o criou e onde ele fica? O Fogo de Pentecostes, do Batismo de Fogo e da kundalini queima? O espírito seria combustível e automaticamente renovável, para se queimar e para sempre? Poderia Deus nos ensinar o amor e o perdão incondicionais, se Ele fosse o criador e mantenedor desse tal de inferno teológico oriundo da Mitologia Grega (hades) e da “Divina Comédia” de Dante, e que O identificaria como um grande demagogo? Seria Deus injusto e mais cruel do que o mais implacável tirano humano, e que aplicaria penas infinitamente maiores do que as nossas faltas finitas? Porventura nós seríamos melhores do que Deus, já que não sujeitaríamos jamais nossos filhos a tal crueldade? Não, pois Deus, perfeito que é, e o Ser Cósmico amorável por excelência, jamais criaria esse inferno que não é bíblico, mas é produto da imaginação mitológica dos teólogos e de Dante Alighieri com sua “Divina Comédia”. De fato, na Bíblia o inferno e seu fogo são metafóricos, não podendo, pois, ser interpretados literalmente como o fizeram os teólogos e exegetas do passado, e muitos ainda hoje o fazem por ignorância e como meio de manipularem seus fiéis.


Na Bíblia (Septuaginta), hades, sheol e geena significam: sepultura, buraco, limbo, tártaro, inferno(s) e submundo. Mas como já foi parcialmente dito, trata-se da vibração variável do estado de consciência de todos os espíritos dos mortos, justos e injustos (Eclesiastes 12,7; Gênesis 37,35; Números 16,30; Atos 2,27; e Apocalipse 20,13). E até Jesus, em espírito, foi fazer trabalho de evangelização nos infernos para os espíritos ainda atrasados ou dominados pelo pecado (1 Pedro 4,6). Se o inferno fosse, pois, só de maldição, Jesus não faria lá a sua pregação. Aliás, isso significa que depois da morte ainda continuam as nossas chances de regeneração e evolução espiritual. E essa dimensão espiritual (céus, purgatórios infernos, submundo, limbo, tártaro etc.), para a qual todos os espíritos dos mortos vão, é denominada no Espiritismo de Mundo Espiritual ou Além (Eclesiastes 12,7). Geena era também o nome duma área baixa de Jerusalém, onde se queimava o lixo da cidade e onde ficavam isolados os leprosos. Esse fogo esotérico da geena de Jerusalém trouxe confusão para o fogo simbólico e exotérico da geena bíblica. E a eternidade (aionios) é um tempo indeterminado e não para sempre: “De eternidade a eternidade” (Salmo 90,2), o que nos demonstra que ela tem fim. E eis o que diz Paulo sobre o fogo bíblico: “Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo” (1 Coríntios 3,15).


E é a própria Bíblia que desafia o poder do inferno como sendo um mal e um sofrimento sem fim, condenando-o ao desaparecimento juntamente com a morte: “Onde está, ó inferno, a tua destruição?” (Oséias 13,14). “Então a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo” (Apocalipse 20,14)!


Esta matéria é da coluna publicada por José Reis Chaves, às segundas-feiras, no diário O TEMPO, de Belo Horizonte. Publicada na Rede Amigo Espírita com autorização do autor.


04 abril 2012

Sacrifícios de sangue agradam apenas aos Espíritos Atrasados - José Reis Chaves


SACRIFÍCIOS DE SANGUE
AGRADAM APENAS AOS ESPÍRITOS ATRASADOS


(Publicado no Jornal OTEMPO em 26/12/2011 (Belo Horizonte/MG)

Praticando o mal, traçamos o nosso destino provisório de sofrimento, pois vamos colhendo o que semearmos como nos ensinam as escrituras sagradas de todas as religiões. E, assim, vamos caminhando, até que consigamos a difícil passagem pela porta estreita, segundo o Mestre dos mestres, para quem muitos querem, mas não conseguem passar por ela, e ao que eu acrescento que, por enquanto, muitos nem sequer querem passar por essa porta. Mas não faltará o momento de eles o desejarem e por ela conseguirem passar, como aconteceu com o filho pródigo da parábola, que, só após colher os amargos e disciplinares frutos da má semeadura que fez, despertou para a sua libertação.

Deus, ao criar o homem, sabia de nossos reveses. Mas sabia também que o tempo, que é seu e sem fim, nos seria dado suficientemente para que nós, espíritos imortais, pudéssemos usá-lo pelas eternidades afora, até que conseguíssemos, um dia, a nossa difícil libertação. Realmente, Deus jamais criaria um filho seu para um sofrimento irremediável e sem fim, já que Ele só cria com sabedoria e amor infinitos. Portanto, jamais o Nazareno quis dizer que quem não passasse pela porta estreita não mais passaria por ela.

O nosso sofrimento não significa castigo e menos ainda coisa agradável a Deus. Essa ideia dos teólogos do passado admite, mesmo que inconscientemente, que Deus é vingativo e até sádico. Mas na verdade jamais Deus se deleitaria com o sofrimento de uma pessoa ou de um animal. O apóstolo Paulo ensina que o mesmo fogo (dor) que queima uma obra, provocando dano em alguém, salva a ele como que através do fogo (1 Coríntios 3:15). E o fogo bíblico é diferente, esotérico, figurado e purificador do espírito, o que nos traz à memória o Purgatório da Igreja, elogiado por Kardec. O sofrimento, pois, nada mais é do que a colheita da má semeadura. Ele serve apenas de disciplina para a correção do erro, e não é, eu repito, nada agradável a Deus, como aquela teologia antiga ensinava, por confundir sofrimento com virtude, e prazer e alegria com pecado.

De fato, os teólogos do passado, inclusive alguns que escreveram textos bíblicos, por influência da mitologia, dos sacrifícios de religiões pagãs feitos aos deuses ou demônios (espíritos humanos) atrasados, que eles confundiam com o Espírito do próprio Deus, e, principalmente, por causa do sacrifício de Jesus na cruz, entenderam e ensinaram que Deus se compraz com rituais de sangue derramado, o que eu tenho denominado de "teologia do sangue". Esse foi um dos grandes erros dos teólogos judeus e cristãos antigos que ainda é aceito por muitos religiosos, e que foi veementemente condenado por Jesus: "Basta de sacrifícios, eu quero misericórdia!".

Se Jesus, cuja vontade é a de Deus, detesta sacrifícios e quer misericórdia, como, pois, Deus poderia nos dar por destino irremediável o nosso sacrifício infernal da "Divina Comédia", de Dante, anulando, por completo, a sua tão decantada misericórdia infinita?

Não nos esqueçamos de que Jesus morreu na cruz, justamente em consequência de Ele ter vindo trazer para nós regras de como nos libertarmos, o quanto antes, do sofrimento e da dor. E são essas regras, ou seja, o Evangelho, o que nos salva, e não os sacrifícios agradáveis apenas aos espíritos atrasados!

José Reis Chaves (Belo Horizonte/SP) - estudou para padre na Congregação dos Redentoristas, é formado em Comunicação e Expressão na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. É Escritor, durante vários anos lecionou Português, Literatura, História, Geografia e Latim. É Teósofo, parapsicólogo, biblista, e ao longo de toda a sua vida, o autor vem desenvolvendo pesquisas sobre a Bíblia, as religiões e a Parapsicologia. Por último, passou a estudar o Espiritismo, Doutrina que assimilou com facilidade, tendo em vista o seu longo tempo de estudo da Bíblia, da História e da Teologia Cristãs. Aposentado, atualmente dedica-se ao trabalho de escrever e proferir palestras na área espiritualista, mas principalmente Espírita, por todo o Brasil.

É autor dos livros, entre outros: “A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência”, “Quando chega a Verdade” e "A Face Oculta das Religiões.

03 setembro 2009

Anjos e Demônios - José Reis Chaves

Anjos e Demônios

A Bíblia está repleta de manifestações de espíritos, que ela denomina de anjos ou espíritos evoluídos, de alto nível. E todos eles eram chamados de deuses pagãos, que na verdade, eram espíritos manifestantes...

Faz uns três anos, aproximadamente, que um conhecido teólogo de Belo Horizonte pediu-me se eu podia evitar falar certas coisas em público (palestras, TV, rádio e jornais), que são verdades, mas não é bom o povo saber. E eu lhe respondi: “Como eu poderia atender ao seu pedido, se o que escrevo e falo se caracteriza, principalmente, por questões religiosas pouco conhecidas e de cujas abordagens os padres e pastores, geralmente, fogem?”. E acentuei que os assuntos de meus livros são esses, por exemplo, os do A Face Oculta das Religiões. Ademais, acrescentei: “Eu tenho que, em primeiro lugar, seguir a voz da minha consciência.”.

A Bíblia está repleta de manifestações de espíritos, que ela denomina de anjos ou espíritos evoluídos, de alto nível. E todos eles eram chamados de deuses pagãos, que na verdade, eram espíritos manifestantes.

Somente o espírito de Javé era tido como sendo o de Deus verdadeiro. Acontece que Javé mesmo (seria este espírito, realmente, o de Deus?) nunca se manifestou diretamente a ninguém. Moisés caiu no erro de afirmar que viu Deus face a face (Gênesis 32,30; e Êxodo 33,11). Mas, depois, ele se retratou, dizendo que quem vir Deus não pode continuar vivo (Êxodo 33,20). E o apóstolo João também afirmou, em sua Primeira Carta, que ninguém jamais viu a Deus (1 João 4,12).

Noto que os católicos carismáticos, os protestantes e os evangélicos têm um pavor tremendo de espíritos. Cientistas de várias partes do mundo, tais como o inglês William Crookes (descobridor do Tálio e da energia radiante e Prêmio Nobel de Física, em 1919); o italiano Ernesto Bozzano; o médico francês Charles Richet (Prêmio Nobel de Fisiologia, em 1913); o russo Akasakof e o francês Gustave Geley (elogiado por Jung) eram descrentes do Espiritismo, mas se converteram a ele depois que constataram as suas verdades pesquisadas com todo o rigor científico.

Isso deixou a Igreja apavorada e levou o Vaticano a fazer uma advertência, no final do século XIX, que dizia que ou a Igreja destruiria o Espiritismo ou o Espiritismo a destruiria, pelo que os católicos teriam que atacá-lo com todas as armas.

E esses ataques aconteceram de fato. Foram calúnias, maldições e deturpações sem trégua durante décadas, tendo os protestantes se engajado também nessa campanha difamatória.E até os judeus foram convidados a participarem dela.

E, assim, até hoje, ainda há gente simplória que pensa que o Espiritismo é coisa de demônios, charlatanice, loucura e feitiçaria. Numa coisa eles estão certos: os espíritas entram em contato com os demônios.

Mas que estudem hermenêutica e semântica e vejam que no tempo em que a Bíblia foi escrita, demônios (daimones em grego) significavam almas ou espíritos desencarnados e que passaram a ter, com o tempo, nos meios cristãos, um sentido de espíritos impuros ou maus, porque Jesus só expulsou demônios “impuros” das pessoas, afinal, demônios já purificados não perturbam ninguém.

Outro nome que a Bíblia dá aos espíritos desencarnados, em vez de demônios, é de deuses (Salmo 6,2; e João 10,34).

Pregando para os espíritos

Alguns teólogos dizem que a morte de Jesus destruiu a mansão dos mortos, quando essa expressão se refere aos mortos no nosso mundo físico e cujos cadáveres ficaram no cemitério. A mansão dos mortos seria um estado de consciência dos espíritos, é o Além, o mundo dos espíritos desencarnados, é a nossa verdadeira morada. Jesus foi até lá pregar aos espíritos dominados pelo “pecado” (1 Pedro 4,6), o que deixa claro que quem está lá ainda tem chance de ser um espírito bom, mesmo que esteja em pecado.E a essa vibração ambiental dos espíritos dos mortos, a Bíblia denomina de hades, sheol, geena, ínferos (infernos), limbo, tártaros etc. Jesus foi pregar para os espíritos de lá.

Mas cada espírito está na vibração que merece, pois na casa do Pai há várias moradas.

Os carismáticos católicos gostam muito de advertir os espíritas no sentido de que eles têm de ter cuidado para não serem enganados por espíritos maus. Isso é doutrina bíblica e espírita. Realmente, a Bíblia nos manda examinar os espíritos para sabermos se são bons ou maus (1 São João 4,2). E os carismáticos ignoram que é o Espiritismo que mais ensina isso. Os carismáticos ignoram que quem mais estuda os espíritos são os espíritas e que, ao darem seus conselhos aos espíritas, estão fazendo o que Kardec manda! E poucos carismáticos sabem que o próprio vocábulo carismático (do grego “carismata”) quer dizer médium! Mas por que os carismáticos têm tanto medo de espíritos? Ao desencarnarem, eles podem não se tornar espíritas, mas vão logo descobrir que são espíritos!
José Reis Chaves
Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 59