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11 fevereiro 2015

Reflexões Oportunas - Manuel Vianna de Carvalho


REFLEXÕES OPORTUNAS

A sociedade terrestre alcançou, na atualidade, os mais altos níveis de ciência e tecnologia, decifrando inúmeros enigmas do macro ao microcosmo.

As doutrinas médicas vêm conseguindo debelar enfermidades pandêmicas destruidoras de milhões de vidas, enquanto a tecnologia de ponta elimina as distâncias, facilita as comunicações e a locomoção, ensejando melhor compreensão das culturas diversas e mais fácil aprendizagem sobre as avançadas aquisições da inteligência.

Pântanos e desertos têm sido transformados em jardim e pomares que embelezam a Terra e facilitam o convívio humano.

Nada obstante, o ser contemporâneo encontra-se faminto de luz espiritual, de amor fraternal e de paz interior.

Em consequência, aumentam os índices de criminalidade, do abandono, do desrespeito aos direitos humanos, das massas em revoluções contínuas, inquietas e dominadas por sofrimentos inenarráveis punidas com severidade, assim como alarmantes desmandos morais, sociais, religiosos, políticos e administrativos...

Homens e mulheres que assumiram a responsabilidade pela condução dos povos, com exceções consideráveis, arruínam as nações que governam dominados pelo egoísmo, pelas ambições desmedidas que os induzem a condutas reprocháveis e criminosas, constituindo-se exemplos de malversação dos recursos públicos mediante comportamentos vergonhosos.

Os vícios campeiam ao lado da violência urbana, que culmina em revoluções coletivas, tentando desapear do poder governos arbitrários que os usurpam, e pretendem neles eternizar-se, inescrupulosos e servis às paixões subalternas que os dominam.

Isto, naturalmente, como resultado da perda da identidade moral em torno da responsabilidade pessoal, da desconsideração aos princípios ético-morais que devem viger no indivíduo, tanto quanto na sociedade. Falhando, no primeiro, inevitavelmente desaparece na segunda.

Vive-se o momento de inadiável necessidade de retornar-se aos valores estabelecidos pela cultura, pela civilização, pelo Evangelho de Jesus – o mais extraordinário código de ética da Humanidade em todos os tempos – a fim de construir-se um mundo melhor, iniciando-se no cidadão transformado pelo bem.

Nenhuma legislação terrestre pode alcançar esse mister, porque é da natureza íntima de cada um, intransferível, já que nada de fora pode alterar a consciência e o comportamento interior do ser humano.

Somente o esclarecimento em torno de suas responsabilidades morais e sociais, particularmente as que dizem respeito à sua realidade de Espírito Imortal, pode realizar o processo de transformação interior para melhor, como clara consciência do que lhe cabe realizar como dever, a fim de fruir dos decorrentes direitos que lhe dizem respeito.

O ser humano ainda permanece um enigma para ele próprio, mas somente através da introspecção orientada com segurança conseguirá decifrar-se por conhecer-se na intimidade, nas raízes existenciais do imenso caminho reencarnacionista, propondo-se à autoiluminação e ao serviço de solidariedade em relação ao seu próximo.

Um ser iluminado é um campeão de conquistas valiosas, que se transforma em farol humano apontando as penedias no oceano existencial.

Para lográ-lo, torna-se impostergável o dever de trabalhar-se intimamente, a fim de descobrir-se, identificando de onde vem, para onde vai e qual o sentido objetivo que lhe deve direcionar o comportamento, a fim de prosseguir no rumo da imortalidade vitoriosa.

O Espiritismo é a ciência ainda não conhecida quanto deveria, que dispõe dos mais seguros instrumentos que facultam a análise e o autoconhecimento humano, aliada a uma filosofia otimista, rica de elucidações profundas que deságuam nos luminosos conceitos de ordem moral de efeito religioso...

O seu estudo consciente e sério liberta o ser humano da ignorância em torno da existência, enquanto o enriquece de sabedoria, a fim de conduzir-se com segurança, experimentando a plenitude – meta de toda a existência.

Conhecê-lo profundamente é o grande desafio que a todos aguarda.

Desse modo, aos militares espíritas, que são educados na severa disciplina dos códigos legais, para servir à Pátria, cabe a grande tarefa de aliar os conhecimentos da estratégia bélica e daqueloutra pacífica, às lições do Embaixador da Paz no mundo, que veio para servir e doou-se, tornando-se exemplo do mesmo, os inolvidáveis servidores Maurício e à sua legião tebana, que matar, mesmo quando legalmente, é um crime perante as Leis Cósmicas, sendo mais importante salvar e pacificar para melhor conquistar aquele que se lhe torna inimigo...

Todo inimigo é alguém que perdeu o endereço de si mesmo, e, por consequência, teme os outros, deles fugindo através do conflito da agressividade mental, emocional, política e social.

A compaixão para com ele e a educação para com todos são os recursos psicoterapêuticos mais valiosos, a fim de dar-lhes sentido e significado psicológico e espiritual à existência que atravessa a noite escura da alma, perdidos em si mesmos.V Congratulando-nos com os companheiros de lutas terrestres e servidores militares pelo transcurso do septuagésimo aniversário da Cruzada dos Militares Espíritas, exora o amparo e as bênçãos de Jesus para todos nós, de ambos os planos da vida, o companheiro e amigo de lides espíritas e militares.

Manuel Vianna de Carvalho
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na tarde de 12 de maio de 2014, na cidade de Bruxelas, Bélgica.

08 novembro 2010

Tarefa do Espiritismo - Manuel Vianna de Carvalho

TAREFA DO ESPIRITISMO

Ao Espiritismo compete a tarefa indeclinável de espelhar nova luz sobre a Humanidade inquieta e atormentada.

Possuindo suas nascentes no mundo das causas, a Ciência Espírita está capacitada a informar e comprovar as legitimidades da vida originada em Deus e manifestada no Universo.

Apoiada em fatos amplamente comprovados, dispõe de instrumentalidade, da lógica e da razão para discutir e esclarecer.

Fundamentada no Evangelho sublimado do Galileu Excelso, pode acender a fé nos corações e mentes enregelados, e acenar ao homem a esperança de paz nas linhas seguras do equilíbrio.

Doutrina de liberdade, enseja conceitos inteiramente novos de conduta, convocando os Espíritos à ação correta e digna, que tem escasseado em múltiplos departamentos da sociedade.

Disse Jesus: "Buscai a verdade e a verdade vos fará livres."

Centralizando seus ensinos nessa busca infatigável, enseja a liberdade que faz o homem escravo do dever e do amor, antes que da libertinagem, que o leva ao vício e à corrupção.

Nesse sentido, aos espíritas cabe, no momento, o honroso mister de edificar no imo os postulados do Espiritismo, como vanguardeiros de um mundo estável, pródomo de um mundo feliz.

Para tanto é necessário não mensurar esforços, nem regatear sacrifícios.

Simão Bolívar, o libertador do seu povo, dele fez-se escravo para preservar-lhe a liberdade.

Alberto Schweitzer, para cuidar dos corpos e das almas, no Congo belga, fez-se súdito dos seus vassalos.

Jesus, ensejando a libertação pelo amor, através do seu evangelho de atos, tornou-se servo de todos desde o começo até agora, sem cansaço nem queixa...

Hasteemos a flâmula do ideal espírita nos torreões da nossa fortaleza moral e doemo-nos à ingente campanha da luz.

Mesmo agora a dor zomba dos sofredores - façamos algo.

Movimentemo-nos resolutamente na construção do mundo moral, base angular da vida inteligente na Terra, e felicitemo-nos pela honra da convicção que nos disciplina.

A liberdade de ação do Espírito é como a de um rio caudaloso e nobre, espalhando vida, sendo o Espírito como um dique que lhe disciplina as águas a irromperem volumosas e violentas...

"Pois que têm a liberdade de pensar, têm igualmente a de obrar" - conforme ensinaram os Espíritos da Luz e escreveu o Codificador.

Atuante na colmeia humana, seja o espírita o irmão de todos, senda amiga para todos, protótipo do lídimo cristão, a exemplo de Jesus e Kardec que, de olhos fitos no futuro, se entregaram ao presente para viverem eternamente.

MANUEL VIANNA DE CARVALHO

Verbo eloquente, espírito arrebatado, idealista irresistível, homem de ação infatigável - eis MANUEL VIANNA DE CARVALHO, o maior orador espírita que o Brasil conheceu. Engenheiro militar, bacharel em matemática e ciências físicas, alcançou o posto de Major, tendo sido, por algum tempo, Chefe do Estado Maior da atual 7ª Região Militar, por alguns anos estacionado no Recife.

Polemista de incomparável vigor e estilista profundo, era dotado de indiscutível técnica que arrebatava as multidões que superlotavam todos os Auditórios em que se apresentava.

Transferido de uma para outra Capital, a instância da intolerância clerical da época, onde esteve Vianna de Carvalho - Vianinha, como o chamavam os confrades - conseguia reunir a família espírita e dilatava-lhe os laços da fraternidade, criando Núcleos novos, reativando as atividades, ampliando os horizontes do entendimento humano à luz da fé e da razão.

Autor do movimento de evangelização para crianças e jovens, foi também pioneiro do abençoado labor da Unificação dos Espíritas Brasileiros, sob o lábaro de Ismael.

Desde os 17 anos, quando abraçou o Espiritismo, na Escola Militar, em Fortaleza, dedicou-se com absoluta abnegação à vivência e à divulgação da Doutrina, como ninguém o fizera até então. Sua vida é uma canção ao Bem e uma sinfonia à Verdade. Intemerato e intimorato nada temeu.

Nascido na cidadezinha de Icó, no Ceará, a 10 de dezembro de 1874, desencarnou a bordo do vapor "Iris", defronte da praia de Amaralina, em Salvador, no dia 13 de outubro de 1926.

Cultor da música clássica, Vianna de Carvalho era excelente violinista. Unia aos dotes da privilegiada inteligência as expressões sutis e nobres da Arte.

De estatura mediana, portador de invulgar magnetismo, sua presença conquistava, inclusive, os adversários doutrinários, que, implacáveis, odiavam as ideias renovadoras e belas da Doutrina Espírita, de que ele se fazia Embaixador...

Jamais saiu perdedor numa pugna idealista. Sempre aplaudido de pé pelos ouvintes emocionados deixou um rastro de efeitos nobres como exemplo para a posteridade. (Contracapa da obra citada)

De "À Luz do Espiritismo"
de Divaldo P. Franco
pelo Espírito Vianna de Carvalho

22 setembro 2010

Propaganda Espírita - Manuel Vianna de Carvalho

PROPAGANDA ESPÍRITA

Irmãos!

A Terra de hoje, com suas injunções de dor e renovação, é o abençoado solo a que fostes chamados pela reencarnação para ajudar.

Embora as aflições e os descobrimentos notáveis, todos os labores oferecem resultados inesperados.

Em cada coração humano estiolado pelas vicissitudes, surpreendemos os que apregoam justiça mancomunados com o crime, e os que falam em paz armando cidadãos e fortalecendo fronteiras.

Por outro lado, a corrida armamentista, em nome da supremacia política ou da denominação econômica, transforma o mundo num grande palco, em que as personagens mudam, mas a peça tragicômica da guerra prossegue implacável.

Estômago e sensualidade, abraçados, jornadeiam devorando conquistas nobres do saber, qual Moloch hodierno, conduzindo às entranhas, sem saciar-se, os que repontam em seu caminho...

Os veículos da imprensa falada e escrita apresentam, em manchetes lamentáveis, as contradições do século, pervertendo consciências e afligindo sentimentos. O ultraje ao pudor e o atentado à integridade física ou moral atestam o desequilíbrio emocional do mundo moderno.

A propaganda mercenária, escrava dos interesses de grupos minoritários ou serva de objetivos subalternos, ameaça inquietante.

Por que, até o momento, a imprensa tem sido, quase sempre, veículo de destruição guerreira e de morte?

Ontem, era o panfleto ironizando e ferindo.

No passado, era o folhetim como veículo da perversão dos costumes, registrando anedotário soez e perversor.

No presente, é o livro obsceno e comercial, incendiando mentes embrutecidas nas noites orgíacas e corações sacudidos por emoções selvagens.

A princípio, eram o jogral e o segrel visitando propriedades para deleitar feudos e senhores, misturando divertimento com infâmias e veleidades em nome da corrupção.

Agora, é o rádio repetindo as expressões da indignidade humana em caracteres apaixonados.

Antes, era o desenho escabroso jornadeando de mão em mão, adquirido a peso de ouro.

No momento, é a cinematografia indigna, aviltando a moral em nome de um realismo cultural que se expressa pela apresentação do crime e do vício, arrancados aos antros de degradação onde reinam...

O sistema audiovisual de televisão, enfeixando as aspirações argentárias dos patrocinadores, faz-se porta-voz das sugestões que estimulam os sentimentos vulgares, como se o homem moderno estivesse resumido a um feixe de sensações expressas no prazer da luxúria e da sexualidade pervertida.

E a propaganda, que tem a força descomunal dos grandes deslocamentos atmosféricos, é utilizada como arma impiedosa e inconsciente.

Ao brilho das luzes da cultura atual o homem surge como um desajustado, procurando, através da Psiquiatria respeitável, solucionar os problemas que o desequilíbrio lhe tem criado e desenvolvido.

O índice de criminalidade fala das psicopatias atuais...

... Porque o homem moderno "perdeu o endereço de Deus".

O Cristianismo, que lhe chegou ao conhecimento desfigurado e tíbio, não pôde resistir ao impacto das novas e desordenadas paixões...

***

Com o nascimento da Doutrina Espírita, porém, há pouco mais de um século, paulatinamente o Cristo que o mundo olvidou retorna à tela mental e aos corações da Humanidade, renovando as concepções da vida.

Não mais o "crê ou morre" das velhas e superadas dominações religiosas.

Não mais a cruz da aflição em nome da fé.

Não mais aparatos impostos e ritos supostamente pertencentes a Jesus Cristo.

Agora fulgura a nova luz, semelhante àquela que brilhava nas lições primitivas do Divino Vidente, o legítimo Embaixador do Celeste Pai.

Não basta, pois, simplesmente aceitar as experiências evangélicas de comunhão com as Esferas Espirituais. É imprescindível propagá-las para conhecimento de todos.

A mensagem de alento, a revelação que esclarece, o ensino consolador, o roteiro seguro, a lição que norteia, ajudando o homem a vencer-se, equilibrado e livre, são oportunidades de propaganda honesta que não podemos descurar.

A experiência cristã começou no estábulo, mas não terminou na cruz...

A mensagem espírita surgiu com Allan Kardec e jamais desaparecerá...

Vexilários da renovação cristã ao impositivo das leis de amor expressas na reencarnação, desdobremos os recursos e avancemos no campo onde nos encontramos para servir.

E dilatando a claridade do sol espírita conscientemente, através da exposição e da narrativa, falando ou escrevendo, vivamos a mensagem excelente que reflete o amor de Deus a todas as criaturas, porquanto, se até ontem recebemos uma fé desfigurada, enigmática e simbólica, com o Espiritismo, nos moldes com que Allan Kardec, no-lo ofereceu, ressurge a verdadeira religião, apresentando o Senhor Jesus desvelado e simples, fazendo-se conhecer e amar em nós e conosco, até o fim dos tempos!

Mensagem, psicografia de Divaldo P. Franco
Pelo Espírito Manuel Vianna de Carvalho
Livro: À Luz do Espiritismo