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25 janeiro 2022

Morte de crianças - Richard Simonetti

 
MORTE DE CRIANÇAS

O desencarne na infância, mesmo em circunstâncias trágicas, é bem mais tranqüilo, porquanto nessa fase o Espírito permanece em estado de dormência e desperta lentamente para a existência terrestre. Somente a partir da adolescência é que entrará na plena posse de suas faculdades.

Alheio às contingências humanas ele se exime de envolvimento com vícios e paixões que tanto comprometem a experiência física e dificultam um retorno equilibrado à Vida Espiritual.

O problema maior é a teia de retenção, formada com intensidade, porquanto a morte de uma criança provoca grande comoção, até mesmo em pessoas não ligadas a ela diretamente. Símbolo da pureza e da inocência, alegria do presente e promessa para o futuro, o pequeno ser resume as esperanças dos adultos que se recusam a encarar a perspectiva de uma separação.

Em favor do desencarnante é preciso imitar atitudes como a de *Amaro, personagem do livro “Entre a Terra e o Céu”, do espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, diante do filho de um ano, desenganado pelo médico, a avizinhar-se da morte. Na madrugada, enquanto outros familiares dormem, ele permanece em vigília, meditando. Descreve o autor:

“A aurora começava a refletir-se no firmamento em largas riscas rubras, quando o ferroviário abandonou a meditação, aproximando-se do filhinho quase morto. “Num gesto comovente de fé, retirou da parede velho crucifixo de madeira e colocou-o à cabeceira do agonizante. Em seguida, sentou-se no leito e acomodou o menino ao colo com especial ternura. Amparado espiritualmente por Odila*, que o enlaçava, demorou a olhar sobre a imagem do Cristo Crucificado e orou em voz em alta voz:

“Divino Jesus, compadece-te de nossas fraquezas!… Tenho meu espírito frágil para lidar com a morte! Dá-nos força e compreensão… Nossos filhos te pertencem, mas como nos dói restituí-los, quando a tua vontade no-los reclama de volta!…

“O pranto embargava-lhe a voz, mas o pai sofredor, demonstrando a sua imperiosa necessidade de oração, prosseguiu:

“- Se é de teu desígnio que o nosso filhinho parta, Senhor, recebe-o em teus braços de amor e luz! Concede-nos, porém, a mente, a nossa cruz de saudade e dor!… Dá-nos resignação, fé, esperança!… Auxilia-nos a entender-te os propósitos e que a tua vontade se cumpra hoje e sempre!…

“Jactos de safirina claridade escapavam-lhe do peito, envolvendo a criança, que, pouco a pouco, adormeceu.

“Júlio afastou-se do corpo de carne, abrigando-se nos braços de Odila, à maneira de um órfão que busca tépido ninho de carícias.”

A atitude fervorosa de Amaro, sua profunda confiança em Jesus, sustenta-lhe o equilíbrio e favorece o retorno de Júlio, o filho muito amado, à pátria espiritual, conforme estava previsto.

* Amaro é casado em segundas núpcias. Odila é a primeira esposa, desencarnada.

Richard Simonetti
Do livro: Quem tem medo da morte?
Fonte:
Portal do Espírito

22 setembro 2021

Patrimônio Inútil - Richard Simonetti

 
PATRIMÔNIO INÚTIL

Conta Esopo (século VI a.C.), que um homem extremamente zeloso de seus haveres, decidido a resguardar-se de qualquer prejuízo, tomou radical providência: vendeu todos os seus haveres e comprou vários quilos de ouro que fundiu numa única barra. Em seguida, enterrou-a em mata cerrada.

À noite, solitário e esquivo, contemplava, em êxtase, seu tesouro. Algo de tio Patinhas, o milionário sovina das histórias em quadrinhos, que se deleita mergulhando num tanque cheio de moedas.

Um dia foi seguido por amigo do alheio. Quando se afastou, após a adoração rotineira, o gatuno desenterrou o ouro e escafedeu-se. O avarento quase enlouqueceu, tamanho o seu desespero. Um vizinho, ao saber do fato, ponderou:

– Não sei por que está tão transtornado! Afinal, se no lugar do ouro estivesse uma pedra seria a mesma coisa. Aquela riqueza não tinha nenhuma serventia para você…

Difícil encontrar na atualidade pessoas dispostas a enterrar seus haveres. Raras os têm sobrando. Além disso, seria correr risco inútil. As instituições financeiras guardam com segurança nosso dinheiro. Até produzem rendimentos, sem surpresas desagradáveis, salvo quando têm o mau gosto de quebrar, por incompetência ou corrupção.

Não obstante, muita gente costuma enterrar um bem muito mais precioso, uma riqueza inestimável – a existência. Se nos dermos ao trabalho de analisar a jornada terrestre, com suas abençoadas possibilidades de edificação, perceberemos como é valiosa. Traz-nos inúmeros benefícios:

O esquecimento do passado ajuda-nos a superar paixões e fixações que precipitaram nossos fracassos.

A convivência com desafetos transmutados em familiares favorece retificações e reconciliações indispensáveis.

O contato com companheiros do pretérito, nas experiências do lar e na atividade social, estreita os laços de afetividade.

A armadura de carne inibe as percepções espirituais, minimizando a influência de adversários desencarnados.

As necessidades do corpo induzem à bênção do trabalho.

O esforço pela subsistência desenvolve a inteligência.

As limitações físicas refreiam os impulsos inferiores.

As enfermidades depuram a alma.

As lutas fortalecem a vontade.

A morte impõe oportuno balanço existencial, sinalizando onde estamos, na jornada evolutiva.

No entanto, à semelhança do unha-de-fome de Esopo, muita gente troca o tesouro das oportunidades de edificação por uma barra luzente de efêmeras realizações, cuidando apenas de seus interesses, de seus negócios, de suas ambições…

Quando tudo corre bem, há os que se deslumbram com essa “riqueza”, como aquele lavrador da passagem evangélica: construiu grandes celeiros, guardou neles toda a sua produção e proclamou para si mesmo (Lucas, 12:18-20):

– Tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te…

Mas Deus lhe disse:

– Insensato, esta noite pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

Exatamente assim acontece com aquele que se apega às ilusões humanas, buscando realizações de brilho efêmero. Um dia vem o indefectível ladrão – a morte –, e lhe rouba o corpo. Indigente na vida espiritual, desespera-se. Chora, inconformado. Recusa-se a aceitar a nova situação.

Esopo lhe diria: – Por que o lamento? Houvesse você estagiado nas entranhas de uma pedra e o resultado seria quase o mesmo. A experiência humana pouco lhe serviu!

Richard Simonetti
Fonte:
Kardec Rio Preto

26 junho 2021

A Flor e o Espinho - Richard Simonetti


A FLOR E O ESPINHO

Medições precisas demonstram que a Terra tem perto de quatro bilhões e quinhentos milhões de anos. Imaginemos a história de nosso planeta contada num livro de quinhentas páginas. O ser humano surgiria na derradeira linha da última página. A última letra da palavra final conteria toda a Civilização Ocidental.

Segundo Darwin, a evolução dos seres vivos se processa por seleção natural. Indivíduos de uma mesma espécie conseguem adaptar-se a determinada situação, a partir de sutis modificações em sua estrutura, dando origem a mutações que resultam em novas espécies. Processo lento. Demanda milhões de anos.

A Doutrina Espírita admite a seleção natural, mas com reparo fundamental: Nada é aleatório. Há um planejamento feito por Espíritos Superiores, prepostos divinos.

Nosso corpo físico, que causa espanto aos cientistas por sua perfeição, levou milhões de anos para ser aprimorado pelos técnicos espirituais, que trabalham na intimidade das células, direcionando as mutações. Tudo isso implica em organização, marcada por uma hierarquia.

No topo a figura extraordinária de Jesus, que segundo informa Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, não foi simplesmente o fundador de uma religião. Muito mais que isso – é nosso governador!

Alunos do educandário terrestre, temos recebido a visita de muitos professores, cultos e sensíveis, que periodicamente nos trazem algo de seus conhecimentos, de suas virtudes. Sócrates, Platão, Aristóteles, Confúcio, Buda, Lao-tsé, Moisés, Isaías e Francisco de Assis, são alguns deles.

E houve a revelação maior, tão grandiosa, tão transcendente, que o próprio governador decidiu trazê-la pessoalmente. Foi assim que Jesus aportou no planeta com a divina revelação do Amor.

A palavra amor, embora empregada e decantada hoje mais do que nunca, está repleta de conotações infelizes que a desgastam.

Muitos confundem amor com sexo, ignorando a lição elementar de que o sexo é apenas parte do amor e não a mais importante.

Há os que fazem do amor um exercício de exclusivismo, sufocando o ser amado com exigências descabidas.

Há os que amam como quem aprecia um doce. Gostam dele porque satisfaz o paladar… Assim, cansam-se logo de amar, porque estão saciados ou empolgados por novos sabores.

Há os que fazem do amor um exercício de egoísmo a dois, pretendendo construir um céu particular. Dane-se o resto.

O amor é muito mais que isso! Em sua grandeza essencial, o amor é um exercício de fraternidade e solidariedade entre os homens, inspirando a derrubada das barreiras de nacionalidade, raça e crença, para que sejamos na Terra uma grande família.

Foi para nos transmitir essa revelação gloriosa, esse tipo de amor, que Jesus esteve entre nós, não desdenhando lutas e sacrifícios.

Na questão 625, de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta:

Qual o modelo supremo que Deus ofereceu ao Homem para lhe servir de guia e modelo?

Responde o mentor espiritual que o assiste: Jesus.

E comenta o codificador: Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é expressão mais pura da Lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito divino o animava.

Adeptos de qualquer doutrina religiosa vinculada ao Cristianismo, abençoados os que aceitam Jesus por Mestre, que colocam em prática as suas lições e observam seus exemplos.

Estes vivem sempre bem, felizes, e animados, mesmo em meio às dores e atribulações humanas, porque, como diz Carmem Cinira, psicografia de Francisco Cândido Xavier (Parnaso de Além-Túmulo):

… com o mundo uma flor tem mil espinhos,
Mas com Jesus, um espinho tem mil flores.


Richard Simonetti
Fonte:
Agenda Brasil


08 junho 2021

Tomar vergonha - Richard Simonetti

 
TOMAR VERGONHA

1 – A Doutrina Espírita nos ajuda a identificar nossas falhas. Mesmo assim, não mudamos nossa forma de agir. Por que isso acontece?

Ocorre que essa postura é superficial, jogo de cena conosco mesmos. Falta aquele cair em si, de que trata Jesus, na Parábola do Filho Pródigo (Lucas, 15:11-24), em que o indivíduo reconhece a extensão de sua miséria moral, o quão distanciado está de Deus, e dispõe-se a caminhar ao Seu encontro. Minha avó traduzia isso dizendo que é preciso tomar vergonha.

2 – Sabemos que a Vida vem sendo comprometida no planeta em face da poluição produzida pelo Homem, que não respeita a Natureza. Por que agimos assim?

Falta tomar vergonha em relação ao assunto, assumindo uma consciência ecológica que nos leve a vigiar nosso comportamento nos contatos com a Natureza, tanto quanto devemos vigiar nossas iniciativas no relacionamento com o próximo.

3 – Considerando o clima de violência na atualidade, podemos dizer que muitos Espíritos estão fracassando em sua última oportunidade de renovação, despedindo-se da Terra, que já estaria deixando a condição de Mundo de Provas e Expiações e sendo promovida a Mundo de Regeneração?

Corremos sérios riscos se isso estiver acontecendo, porquanto, como ensinava Jesus no Sermão da Montanha (Mateus, 5:5), ficarão na Terra os que houverem conquistado a mansuetude. Para uma Humanidade sem vergonha, o vocábulo manso tem uma conotação pejorativa. Usá-lo ao nos dirigirmos a alguém soa ofensivo.

4 – Como você definiria a expressão manso, sob o ponto de vista evangélico?

É alguém que venceu a agressividade, guardando as raízes de sua estabilidade emocional em si mesmo, não nos outros. Não reage aos estímulos externos. Age, conforme o ajuste interno efetuado à luz dos ensinamentos de Jesus, a partir do momento em que tomou vergonha.

5 – A condição de Mundo de Regeneração, de que falam os Espíritos, estaria, então, distante?

Tão distante quanto nos encontramos da agressividade para a mansuetude. Creio que muita água vai rolar no rio do tempo até que tomemos vergonha, superando estágios primários de evolução que nos situam perto da taba.

6 – Poderíamos dizer que a Misericórdia Divina exercita a paciência nesse sentido?

Deus não tem pressa. Obviamente haverá o momento em que os recalcitrantes deixarão nosso planeta e serão confinados em mundos inferiores, onde a mestra Dor atuará com mais rigor. Chega o momento em que um pai, até por amor ao filho, será compelido a dar-lhe umas boas palmadas, a fim de que tome vergonha.

7 – Qual a importância da religião em favor desse objetivo?

A religião é o estímulo para que cultivemos o aspecto sagrado da existência, buscando cumprir os compromissos que assumimos ao reencarnar. Ajuda-nos nessa empreitada, mas pouco valerá se não estivermos dispostos a tomar vergonha.

8 – Considerando os esclarecimentos que nos oferece a respeito da vida espiritual, onde colheremos as consequências das ações humanas, podemos dizer que o Espiritismo nos ajuda a lidar melhor com os desafios da existência?

Sem dúvida! Quem sabe de onde veio, por que vive na Terra e para onde vai, certamente estará mais bem orientado nesse sentido. Não obstante, ainda aqui, a mudança de rumo, em favor do melhor, o tomar vergonha na cara é muito mais uma questão de acordar do que de aprender. Usando uma expressão popular, seria ligar o desconfiômetro, muito mais cumprir a sinalização da Vida, do que simplesmente conhecer seus regulamentos.

Richard Simonetti
Fonte:
Kardec Rio Preto


28 abril 2021

O Grande Passo - Richard Simonetti


O GRANDE PASSO

Os grandes princípios morais têm características de universalidade e eternidade, isto é, servem para todos os quadrantes do Universo, em todos os tempos.

O exercício do Bem como caminho para a felicidade é um exemplo marcante, sempre evocado em todas as culturas e religiões:

Budismo: O caminho do meio entre os conflitos e a dor está no exercício correto da compreensão, do pensamento, da palavra, da ação, da vida, do trabalho, da atenção e da meditação.

Confucionismo: Não se importe com o fato de o povo não conhecê-lo, porém esforce-se de modo que possa ser digno de ser conhecido.

Judaísmo: Não faça ao próximo o que não deseja para si.

Islamismo: A verdadeira riqueza de um homem é o bem que ele faz neste mundo.

Cristianismo: Faça ao semelhante todo bem que deseja receber.

Espiritismo: Fora da caridade não há salvação.

Há uma dificuldade na vivência desses princípios, caro leitor.

Pedem divina base altruística: a disposição para cuidar dos outros. Contraria a humana base egoística: a vocação para cuidar de si mesmo. Todo o mal do mundo sustenta-se na tendência humana de cada qual resolver-se. Quanto aos outros, que se danem!

Corrupção, adultério, furtos, assaltos, estupros, assassinatos, guerras, massacres, conflitos e todos os demais males que afligem a Humanidade inspiram-se nessa maneira de ser.

E mais, leitor amigo: o egoísmo individual projeta-se no comportamento das nações, que elegem por modus operandi tirar todo proveito possível nas relações internacionais, partindo, não raro, para a agressão, exercitando domínio sobre outras nações.

A História é um suceder de guerras entre países, desde as tribos primitivas que disputavam espaço e domínio com o tacape, aos países que o fazem com sofisticados engenhos de guerra que dizimam populações e espalham o terror.

Isso, supostamente, em nome de melhores condições de vida, em regimes totalitários, ou em nome da liberdade, em países que se dizem democráticos.

Quando esse desvio for corrigido, invertida essa tendência, isto é, quando aprendermos a pensar nos outros e que se danem os interesses pessoais, estaremos construindo na Terra o Reino de Deus.

Essa é a regra de ouro do Cristianismo, esse é o empenho a que somos convocados permanentemente, onde estivermos, junto à família, na vida social, na profissão, na atividade religiosa, fazendo pelo próximo todo o bem que gostaríamos nos fosse feito.

À medida que se dissemine, esse altruísmo individual acabará se projetando na consciência das nações, favorecendo o fim dos conflitos, das loucuras da guerra.

Então a paz reinará, finalmente, soberana no Mundo.

Certamente, amigo leitor, isso não vai acontecer do dia para a noite. Muita água vai rolar no rio do tempo, até que o altruísmo esteja na consciência dos povos. Mas, enquanto isso não acontece em nível coletivo, podemos fazê-lo tranquilamente em nível individual, sob inspiração da Doutrina Espírita, que nos oferece uma visão muito clara dos tormentos a que estão destinados, no mundo espiritual, os egoístas.

Conscientes de nossas responsabilidades, sejamos, amigo leitor, os vanguardeiros dessa transição do egoísmo para o altruísmo, cultivando o esforço do Bem.

Assim, antes que o Reino de Deus se instale na Terra, haveremos de edificá-lo em nosso próprio coração.

Antes que a paz se estenda aos homens, teremos pacificado a nós mesmos.

Richard Simonetti
Fonte: Kardec Rio Preto

10 abril 2021

Casamento Gay - Richard Simonetti


CASAMENTO GAY

Não temos a posição do Espiritismo sobre o casamento gay, porquanto o assunto não foi abordado na Codificação, mas podemos, com base na liberdade de consciência preconizada pela Doutrina, considerar o elementar: não há por que opor-se a duas pessoas do mesmo sexo que decidam viver juntas, independente do fato de manterem ou não uma comunhão sexual.

Observemos as questões abaixo, de O Livro dos Espíritos:

Questão 200. Pergunta Kardec: Os Espíritos têm sexo?
Responde o mentor: Não como o entendeis, porque o sexo depende da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos

Questão 201. Pergunta Kardec: O Espírito que animou o corpo de um homem pode animar, em nova existência, o de uma mulher e vice-versa?
Responde o mentor: Sim, são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres.

Se os Espíritos não têm sexo como morfologia, podendo reencarnar como homem ou mulher; se o que há entre eles é amor e simpatia, baseados na afinidade de sentimentos, o que os impede de cultivar um relacionamento afetivo com alguém do mesmo sexo?

Qualquer par de homossexuais, masculino ou feminino, indagado quanto à natureza de seu relacionamento, nos dirá que é muito mais uma questão de comunhão afetiva do que carnal. Não fosse por isso, não haveria razão para viverem juntos.

Nessa condição, têm o direito de formalizar em cartório a decisão, até por uma questão prática, envolvendo sucessão, herança, pensão, bens adquiridos em comum… Antes a lei determinava que esse contrato fosse celebrado por um casal. Hoje, em muitos países, inclusive no Brasil, essa exigência foi abolida.

Considerando a semântica, há quem não admita a definição casamento para esse contrato social. Não vejo por quê. A língua portuguesa é muito generosa com relação às suas expressões.

Frequentemente apresentam vários significados, não raro até aparentemente contraditórios. O dicionário Houaiss diz, dentre outras acepções, que casamento pode ser uma associação ou uma aliança. Essas expressões, por extensão, contemplam a união entre duas pessoas do mesmo sexo, registrada em cartório para os fins legais.

Só não podemos admitir um casamento espírita, nos moldes das religiões tradicionais, já que a Doutrina não tem ritos nem rezas, nem ofícios nem oficiantes. Aprendemos que todo ato de comunhão com a espiritualidade é eminentemente único e pessoal, um assunto entre nós e a divindade.

Por isso, quem deseje pedir as bênçãos divinas para uma união matrimonial, para um filho que nasce ou um familiar que desencarna, deve fazê-lo pessoalmente, sem intermediação, elevando o pensamento na prece contrita.

Demonstrando que o casamento gay transcende a mera questão sexual, não raro os parceiros, sejam do sexo feminino ou masculino, adotam filhos, formando uma família.

Há quem não aceite, sob a alegação de que dois pais ou duas mães irão confundir a cabeça da criança.

Atendendo a essa objeção, pergunta-se: o que é preferível, a criança experimentar o trauma de crescer num orfanato ou, pior, na rua, ou ser cuidada e educada num lar formado por dois pais ou duas mães? Considere, prezado leitor, algo ponderável: pesquisas com crianças educadas por gays revelam que não apresentam dificuldades no relacionamento social. Muitas se saem até melhor nos estudos.

Tudo o que a criança precisa é de um lar ajustado, onde receba muito amor, não importando se é educada por homo ou heterossexuais.

Richard Simontetti
Fonte:
Espiritualidade e Sociedade

04 abril 2021

A Cadeira Vazia - Richard Simonetti,


A CADEIRA VAZIA

Era uma singela igreja, freqüentada por moradores da região daquele distante bairro de Londres. Os anos se passavam e o pequeno grupo se mantinha constante nas reuniões, ocupando sempre os mesmos lugares.

Foi por isso mesmo muito fácil ao pastor descobrir certo dia, uma cadeira vazia. Estranhou, mas logo esqueceu. Na semana seguinte, a mesma cadeira vazia lá estava e ninguém soube informar o que estava acontecendo. Na terceira ausência, o pastor resolveu visitar o faltoso. No dia frio, foi encontrá-lo sentado, muito confortável, ao lado da lareira de sua casa, a ler.

Você está doente, meu filho? Perguntou. A resposta foi negativa. Ele estava bem.

Talvez estivesse atravessando algum problema, ousou falar o pastor, preocupado.

Mas estava tudo em ordem. E o homem foi explicando que simplesmente deixara de comparecer. Afinal, ele freqüentava o culto há mais de vinte anos.

Sentava na mesma cadeira, pronunciava as mesmas orações, cantava os mesmos hinos, ouvia os mesmos sermões. Não precisava mais comparecer. Ele já sabia tudo de cor.

O pastor refletiu por alguns momentos. Depois, se dirigiu até à lareira, atiçou o fogo e de lá retirou uma brasa.

Ante o olhar surpreso do dono da casa, colocou a brasa sobre a soleira de mármore, na janela. Longe do braseiro, ela perdeu o brilho e se apagou. Logo, era somente um carvão coberto de cinza.

Então o homem entendeu. Levantou-se de sua cadeira, caminhou até o pastor e falou: tudo bem, pastor, entendi a mensagem.

E voltou para a igreja.

Todos nós somos brasas no braseiro da fé. Se mantemos regular freqüência ao templo religioso, estudando e trabalhando, nos conservamos acesos e quentes.

Richard Simonetti, Mas, exatamente como fazem as brasas, é preciso estender o calor. Assim, acostumemos a não somente orar, pedir e esperar graças. Iluminados pelo evangelho de Jesus, nos disponhamos a agir em favor dos nossos irmãos.

Como as brasas unidas se transformam em um imenso fogaréu, clareando a escuridão e aquecendo as noites frias, unidos aos nossos irmãos de ideal, poderemos estabelecer o calor da esperança em muitas vidas.

Abrasados pelo amor a Jesus, poderemos transformar horas monótonas em trabalho no bem. A simples presença passiva na assembléia da nossa fé em um dinâmico trabalho de promoção social, beneficiando a comunidade.

Pensemos nisso e coloquemos mãos à obra.

Pensamento : Clarificados pela mensagem do Cristo, espalhemos calor nas planícies geladas da indiferença, da soledade e da necessidade. Procuremos a dor onde ela se esconda e a envolvamos nos panos quentes da nossa dedicação. Estendamos o brilho da esperança nas vidas amarfanhadas dos que nunca conseguiram crer em algo que estivesse além do alcance dos seus sentidos físicos. Tornemo-nos brasas vivas, fazendo luz onde estejamos, atuando e servindo em nome de Jesus.

Richard Simonetti
Fonte:
Portal do Espírito

28 março 2021

Somos Todos Sugestionáveis: pelos Homens e pelos Espíritos - Richard Simonetti


SOMOS TODOS SUGESTIONÁVEIS PELOS HOMENS E PELOS ESPÍRITOS

 

Eu retornara de um ciclo de palestras. Chegara tarde. Dormira pouco. Não obstante, levantara bem disposto. Fizera a habitual caminhada e desenvolvera minhas atividades diárias, com excelente disposição.À tarde um amigo comentou: -Você está com fisionomia abatida. Parece cansado. Algum problema?

Resposta negativa.

-É apenas impressão. Estou ótimo.

Estava.

A partir dali meu ânimo murchou. Em casa, diante do espelho, vi-me com olheiras, fadiga tomando conta.

À noite o corpo pedia cama. Foi com muito esforço que compareci às tarefas habituais no Centro, lutando contra renitente indisposição.

Incrível!

Simples observação inspirada na amizade, sem nenhuma intenção maldosa, evidenciando até preocupação com minha saúde, gerou a indesejável situação.

O episódio demonstra como a natureza humana é sugestionável. Raros possuem raízes de estabilidade emocional dentro de si mesmos. Nossos estados de ânimo flutuam ao sabor das influências que recebemos.

Há até um princípio, em Psicologia, segundo o qual as pessoas tendem a se comportar da maneira como as vemos. Imaginemos a sutilização dessa influência.

Não mais visível.

Algo que parece nascer dentro de nós mesmos.

Voz interior, insistente, insidiosa, que se mistura aos nossos pensamentos, a alimentar temores e dúvidas relacionados com nosso bem estar. Temos aí uma das opções preferidas dos perseguidores espirituais, quando se dispõem a explorar, na obsessão simples, personalidades hipocondríaca.

O paciente reclama: – Doutor, meu problema é complicado. Nem sei por onde começar. Sinto-me um compêndio de patologia, tantos são os males que me afligem!

Pior é a facilidade para assimilar sintomas. Horroriza-me o contato com doentes. Logo começo a sentir algo de seus padecimentos.

Jamais vou a velório. Saio com a sensação de que tenho a enfermidade que vitimou o defunto.

Há duas semanas um amigo foi acometido por fulminante enfarte. Desde então experimento doloroso peso no peito, vendo-me na iminência de um colapso cardíaco!

Esse é o tipo hipocondríaco, alguém excessivamente preocupado com a própria saúde, vítima fácil das sugestões das sombras.

Assim como o fazem com os indivíduos empolgados pela usura e a ambição, os obsessores exacerbam suas inquietações.

Se o vêem conversando com um tuberculoso, atacam: Cuidado! Os bacilos da tuberculose propagam-se facilmente. Você lhe deu a mão ao cumprimentá-lo. Vá lavá-la imediatamente. Desinfete-a.”

Se após alguns dias a vítima sente ligeira fadiga, fruto de indisposição passageira ou leve pontada nas costas, nascida de um golpe de ar voltam à carga:

“Cuidado! Sua saúde está debilitada. É preciso procurar um médico! Submeter-se à radiografia dos pulmões!

Eis o obsidiado inteiramente apavorado.

Equivale dizer: inteiramente dominado pelos obsessores. Uma das consequências desse tipo de influência é o aparecimento de males físicos variados, resultantes de suas tensões e temores.

“Namorando” a doença, o obsidiado acaba “casando-se” com ela.

O obsessor é o “oficiante”.

Autor: Richard Simonetti
Obra: Quem tem medo da Obsessão?
Fonte:
Kardec Rio Preto

28 janeiro 2021

Crimes Hediondos: É preciso armar a Sociedade para se proteger? - Richard Simonetti


CRIMES HEDIONDOS: É PRECISO ARMAR A SOCIEDADE PARA SE PROTEGER

1 – Sucedem-se acontecimentos funestos, envolvendo ações criminosas que chocam a opinião pública, como o assassinato da menina jogada do sexto andar de um edifício, em São Paulo. O mal está se expandindo?

Melhor dizer regredindo. Quando lembramos o circo romano, a escravidão, os tribunais inquisitoriais, as cruzadas, o assassinato de recém-nascidos com deficiência física e tantos outros crimes de lesa-humanidade, praticados outrora com a iniciativa dos governos e o aplauso dos governados, dá para perceber que houve progresso. Hoje essas atrocidades geram repulsa, como está ocorrendo em relação ao episódio citado.

2 – Não obstante, crimes hediondos continuam ocorrendo, em escala progressiva. Chega a ser assustador.

É preciso considerar que a população mundial, no início do século passado, era de aproximadamente um bilhão e seiscentos milhões de habitantes. Hoje está mais que sete bilhões, quase quatro vezes maior. Por isso, embora em menor proporção, tais crimes ocorrem em maior número. Por outro lado, há o espantoso desenvolvimento dos meios de comunicação. Acontecimentos funestos tornam-se universalmente conhecidos em questão de minutos, chocando a opinião pública. Antes, raramente ou tardiamente tomávamos conhecimento do que acontecia fora do âmbito de nosso Estado ou de nosso país.

3 – Isso é bom?

Emmanuel, em psicografia de Chico Xavier, diz que o comentário em torno do mal é sempre o mal a expandir-se. Milhões de pessoas maldizendo episódios dessa natureza, revoltadas contra os criminosos submetidos à execração pública, entram numa faixa de desajuste e favorecem a ação de Espíritos perturbados e perturbadores, a gerar novas atrocidades, como rastilhos de pólvora a detonar explosivos.

4 – É uma perspectiva preocupante. A própria indignação popular favorecendo a expansão do mal?

Quando se adensam as nuvens sobre uma cidade, logo desabam temporais violentos, chuva pesada, raios destruidores, causando sérios prejuízos. O mesmo acontece com a atmosfera psíquica. Se a população não cultiva os valores morais preconizados por Jesus, turva-se o ambiente psíquico, favorecendo a incidência maior de ocorrências policiais, inclusive crimes que chocam a opinião pública.

5 – Não é razoável a indignação popular diante de crimes hediondos, pressionando as próprias autoridades para que haja justiça?

Justiça sob pressão é coerção que favorece a injustiça. Em defesa da paz é preciso que a nossa justiça, como ensina Jesus, exceda o olho por olho, dente por dente, de Moisés, exercitada por escribas e fariseus.

6 – Qual é a proposta de Jesus?

Uma justiça inspirada na compaixão, que nos coloca no lugar dos que praticam o mal para entender que são irmãos nossos, necessitados, como ensina Jesus, de tratamento, não de execração.

7 – É impensável para a maioria da população encarar dessa forma os que se comprometem em atrocidades, agindo com requintes de crueldade.

Isso apenas demonstra quão distanciados estamos da moral evangélica. E se o criminoso fosse nosso filho? Não nos sentiríamos de certa forma culpados por não lhe termos oferecido uma orientação moral que o isentasse de tais comprometimentos? E ainda que tivéssemos a consciência tranquila, não nos compadeceríamos dele, procurando ajudá-lo ao invés de repudiá-lo? A fórmula de Jesus é perfeita: aprendamos a nos colocar no lugar das pessoas, reconhecendo a doença moral dos que se comprometem com o crime e a dor moral daqueles que estão ligados a eles pelos laços familiares e afetivos.

8 – E quanto às vítimas desses crimes tenebrosos? Qual a sua situação após a morte?

Todo aquele que desencarna na condição de vítima recebe amplo amparo dos benfeitores espirituais. Não obstante, nossa posição além-túmulo não depende do tipo de morte que soframos, mas do tipo de vida que levamos. As crianças constituem um caso especial. Sem nenhum comprometimento com vícios, paixões e ambições, já que são Espíritos acordando para a vida física, são imediatamente amparadas, sem maiores problemas de readaptação à vida verdadeira.

Richard Simonetti
Fonte
: Kardec Rio Preto

29 dezembro 2020

Neuroses - Richard Simonetti


NEUROSES

O psiquiatra atende ao telefone. A paciente, jovem senhora sob tratamento, reclama:

– Doutor, estou muito preocupada.

– O que houve?

– Venho notando que meu cocô está leve, boiando, ao invés de depositar-se no fundo do vaso. É grave?

– É normal. Não se preocupe. Acontece, às vezes.

Momentos depois, nova ligação.

– Desculpe, doutor, pela insistência… O senhor acha mesmo que não tem problema?

– Com certeza! Fique tranquila.

Mais alguns minutos e…

– Doutor, estive pensando… O normal não seria um cocô mais pesado?

– Olhe, menina, vou lhe dizer o que realmente acontece. O problema é da cabeça. O cocô leve vem de seu cérebro.

Podemos enfatizar nesse episódio a impaciência do médico. Não deveria estar presente num profissional de psiquiatria, treinado e muito bem pago para ouvir, ainda que, eventualmente, importunado, pela clientela. Psiquiatra sem paciência deve reciclar-se, revendo os fundamentos de sua especialidade.

Mais interessante, no caso, considerar a paciente. Ela é o exemplo típico das fantasias geradas pela neurose, esse problema que costuma envolver pessoas demasiadamente preocupadas consigo mesmas. A ansiedade é sua principal característica, levando-as a superestimar seus problemas e dificuldades, como quem usa óculos de grau mal ajustados.

O neurótico enxerga de forma “desfocada” as situações e as pessoas. Alguns exemplos:

Riem para ele.

Julga que riem dele.

Não o cumprimentam, por distração.

Imagina desconsideração.

Recebe elogio sincero.

Enxerga bajulação.

Não se comunica.

Reclama que o ignoram.

Com semelhante visão, tem muita facilidade para sentir-se discriminado, isolado, injustiçado, perseguido, humilhado… É dado a teorias conspiratórias, supondo que as pessoas tramam algo contra si. Resvala com facilidade para a hipocondria, preocupando-se até com a consistência de seus dejetos.

Há duas realidades: O que vemos e o que é.

A estabilidade íntima depende de nossa capacidade em aproximar uma da outra. Quando menino, eu era míope, sem saber. Na escola, sentava próximo ao quadro negro; no cinema, nos primeiros lugares, em face de minha limitação.

Como a miopia é progressiva, vamos nos adaptando à redução da acuidade visual, sem perceber a própria deficiência. A paisagem, para mim, já com três graus, era um borrão, aparentemente natural.

Quando, finalmente, consultei o oftalmologista e usei o primeiro par de óculos, foi um deslumbramento. Encantei-me com a luminosidade dos objetos, a visão dos pássaros ao longe, os contornos da paisagem… Enxergava, sem problemas o letreiro nos filmes, os registros na lousa…

Nossas neuroses situam-se como uma miopia da alma, impedindo-nos de enxergar as realidades existenciais, detendo-nos em perturbadoras fantasias, a partir de meros borrões.

A maneira como enxergamos o mundo é decisiva em relação à própria saúde, física e psíquica. A visão desfocada, que caracteriza o comportamento neurótico, é extremamente desajustante.

Por isso Jesus proclama, em O Sermão da Montanha (Mateus, 6:22-23): “São teus olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso. Se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que há em ti sejam trevas, que grandes trevas serão”.


 Richard Simonetti
 

13 junho 2020

Devorar o Próprio Coração - Richard Simonetti



DEVORAR O PRÓPRIO CORAÇÃO


Acredito que você, leitor amigo, nunca ouviu falar de Hipônoo, nome obscuro de um cidadão grego, filho de Eurímede e Glauco, também ilustres desconhecidos.

Mas certamente conhece Belerofante, o herói mitológico.

Ambos são a mesma pessoa.

Tendo matado Beleros, tirano de Corinto, Hipônoo ficou famoso como "o matador de Beleros" ou Belerofante.

Suas aventuras fabulosas apresentam lances dramáticos, ações indômitas, tragédias, mortes e horrores.

Montado no Pégaso, o célebre cavalo alado, realizou proezas memoráveis, como vencer as amazonas, as mulheres guerreiras.

A mais gloriosa foi matar a quimera, fabuloso ser com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão, que aterrorizava populações, expelindo chamas, destruindo rebanhos e matando gente.

Contando com a ligeireza de Pégaso, escapava dos jatos de fogo arremessados pelo monstro, até que, com fulminante golpe de espada, o liquidou.

Não obstante suas vitórias como guerreiro, Belerofante terminaria seus dias melancolicamente, obscuro Hipônoo.

Segundo Homero, em A Ilíada, os deuses voltaram-se contra ele e o condenaram a vagar sem rumo, coxo, cego e solitário, a devorar o próprio coração.

A saga de Belerofante, como sempre ocorre com a mitologia, tem pontos de contato com a realidade: os desafios existenciais, os temores e as dúvidas em torno de situações difíceis que imaginamos ou superestimamos.

Surgem como "monstros" ameaçadores que podemos vencer, desde que trabalhemos intensamente para isso.

O mais interessante está na expressão de Homero – devorar o próprio coração.

Representa, simbolicamente, o comportamento de pessoas que, em face das atribulações da existência, entregam-se a sentimentos negativos, resvalando para a angústia, a revolta, o desespero, a depressão... Nutrem-se das próprias mágoas, como se cometessem um ato de antropofagia moral, atormentados Hipônoos, nos caminhos da Vida, esmagados ao peso da própria desdita.

É preciso resgatar o herói que há em nós; não a fantasiosa e contraditória figura mitológica, mas o filho de Deus, dotado de suas potencialidades criadoras, capaz de enfrentar as atribulações da existência, reduzindo-as às suas dimensões reais.

São quimeras que podemos derrotar com as asas do conhecimento espírita, que nos permite pairar acima das misérias humanas, desvendando os mistérios do destino.

O ente amado que pranteamos não se consumiu nas cinzas da sepultura.

Continua a viver em outros planos do infinito, acompanhando-nos os passos, torcendo por nós, esperando pelo reencontro feliz, quando chegar nossa hora.

A enfermidade que nos aflige não objetiva impor-nos perturbações e angústias.

Tratamento de beleza para a alma, conduz a valiosas disciplinas e convida-nos à oração e a reflexão em torno da jornada humana.

As dificuldades que surgem em nosso caminho não são obstáculos intransponíveis, convites ao desalento.

São estímulos à mobilização de nossas potencialidades criadoras, tornando-nos mais fortes e capazes.

A desilusão amorosa que nos angustia não implica em aniquilamento de nossas esperanças.

Apenas revela que estivemos iludidos e a experiência nos ensinará a erguer o edifício de nossas realizações afetivas sobre bases mais sólidas.

Se o leitor amigo, sente-se um Hipônoo, e anda a devorar o próprio coração, nos grotões do desânimo e da tristeza, lembre-se: Há um Belerofante adormecido em você!

Desperte-o!

Tome o seu Pégaso, nas asas abençoadas do conhecimento espírita, paire acima das misérias humanas com a gloriosa visão do infinito e derrote as quimeras com a mais poderosa de todas as certezas: Deus nos reserva o melhor, num glorioso porvir!

Richard Simonetti
Livro: Luzes no Caminho


16 março 2020

Por que morrem as flores (por que morrem as crianças) - Richard Simonetti


 
POR QUE MORREM AS FLORES (POR QUE MORREM AS CRIANÇAS)


Não há lugar para o acaso na existência humana. Deus não é um jogador de dados a distribuir alegria e tristeza, felicidade e infelicidade, saúde e enfermidade, vida e morte, aleatoriamente.

Existem leis instituídas pelo Criador que disciplinam a evolução de Suas criaturas, oferecendo?lhes experiências compatíveis com suas necessidades.

Uma delas é a Reencarnação, a determinar que vivamos múltiplas existências na carne, quais alunos internados num educandário, periodicamente, para aprendizado específico.

O conhecimento reencarnatório nos permite desvendar os intrincados problemas do Destino. Deus sabe o que faz quando alguém retorna à Espiritualidade em plena floração infantil.

Há suicidas que reencarnam para jornada breve. Sua frustração, após longos e trabalhosos preparativos para o mergulho na carne, os ajudará a valorizar a existência humana e a superar a tendência de fugir de seus problemas com o autoaniquilamento. Ao mesmo tempo, o contato com a matéria representará um benéfico tratamento para os desajustes perispirituais provocados pelo tresloucado gesto. Crianças portadoras de graves problemas congênitos, que culminam com a desencarnação, enquadram?se perfeitamente nessa condição.

Poderão, se oportuno, reencarnar novamente na mesma família, passado algum tempo, em melhores condições de saúde e com mais ampla disposição para enfrentar as provações da Terra. Não raro, o filho que nasce após a morte de um irmão revela idêntico padrão de comportamento, com as mesmas reações e tendências.

“É igualzinho ao irmão que faleceu!” comentam os familiares. Igualzinho, não! É ele próprio de retorno para novo aprendizado…

Há, também, Espíritos evoluídos que reencarnam com o propósito de despertar impulsos de espiritualidade em velhos afeiçoados, seus pais e irmãos, ajudando?os a superar o imediatismo da vida terrestre.

Situam?se por crianças adoráveis, em face de sua posição evolutiva, extremamente simpáticas, inteligentes e amorosas. Os pais consagram?lhes extremado afeto, elegendo-as como principal motivação existencial. Sua desencarnação deixa?os perplexos, traumatizados.

Todavia, na medida em que emergem da lassidão e do desespero, experimentam abençoado desencanto das futilidades humanas e sentem o despertar de insuspeitada vocação para a religiosidade, no que são estimulados pelos próprios filhos que, invisíveis ao seu olhar, falam?lhes na intimidade do coração, na sintonia da saudade.

Os que se debruçam sobre o esquife de uma criança muito amada compreenderão um dia que a separação de hoje faz parte de um programa de maturação espiritual que lhes ensejará uma união mais íntima, uma felicidade mais ampla e duradoura no glorioso reencontro que inelutavelmente ocorrerá.


Richard Simonetti

12 novembro 2019

Cirurgia Plástica na Visão Esírita - Richard Simonetti



CIRURGIA PLÁSTICA NA VISÃO ESPÍRITA


Perguntaram a Chico Xavier:
– Você faria uma plástica facial?
– Claro, se me fosse possível, pois assim não assustaria tanto meus semelhantes.


A resposta bem-humorada do médium nos conduz à problemática dessa especialidade médica, bastante desenvolvida na atualidade.

Técnicas modernas tornaram os procedimentos mais simples e acessíveis.

Há, porém, sob o ponto de vista espiritual, a impertinente questão:

Será lícita essa iniciativa, buscando-se a beleza física, quando o que importa é o embelezamento espiritual?


Bem, amigo leitor, costuma-se dizer que para sermos felizes devemos gostar de nós mesmos.

Obviamente, isso envolve, também, a aparência.

Razoável, portanto, que a pessoa não satisfeita com seu visual trate de melhorá-lo.


Argumentam os opositores que seria incensar a velha vaidade humana, tão prejudicial à evolução do Espírito.


Se assim considerarmos, deveremos renunciar aos cuidados com a roupa, os sapatos, os cabelos, a higiene pessoal.


Todos apreciam uma pessoa bem trajada, cabelos bem penteados, suave perfume.


Igualmente desejável boa postura, ar saudável, expressão jovial, harmonia nos traços, ausência das rugas que tanto incomodam a alma feminina.


Há profissionais que devem observar cuidadosamente esses aspectos: modelos e artistas, por exemplo, cujo trabalho exige apuro com o visual.

Condenável seria o excesso.


Vejo pessoas que se submetem a tantas recauchutagens faciais que ficam com a aparência de uma boneca de cera, pele esticada, face inexpressiva.


Ouvi, certa feita, famosa atriz já na madureza, a proclamar que jamais se submeteria à cirurgia rejuvenescedora facial, por considerar que rugas dão dignidade e respeitabilidade à velhice.


Exemplar sua postura, embora não devamos levar sua observação a extremos, suprimindo até mesmo os recursos de preservação da saúde.

Afinal, de certa forma contrariamos a Natureza quando lutamos contra a morte, buscando longevidade.


***

Há a questão do carma.

A cirurgia plástica estaria interferindo na programação cármica.

Será?

Consideremos a herança genética.


Herdamos de nossos pais suas características físicas e não me parece que toda uma ancestralidade tenha enfiado o nariz onde não devia ou não ouviu os avisos da vida, justificando o nariz adunco ou as orelhas de abano.


Mesmo quando há legítimo problema cármico relacionado com a aparência ou a funcionalidade física, isso não significa que não possamos corrigi-lo ou amenizá-lo.


Na contabilidade espiritual, quando se trata do pagamento de débitos cármicos, a medicina, com seus avanços, é a própria Misericórdia Divina a nos oferecer generosos descontos, amenizando as dores do resgate.


Consideremos, ainda, que a dor é apenas o estágio primário no processo de reajuste quando contrariamos as leis divinas e nos comprometemos no mal.

Num segundo estágio, há os prejuízos que causamos.

Um exemplo:


Num exercício de vandalismo, chuto a vitrine de uma loja, fazendo-a em pedaços. No ato, corto a perna e vou parar no hospital.


Dependendo dos recursos que venha a mobilizar, inclusive cirurgia plástica, posso demorar mais ou menos na recuperação, ficar ou não com cicatriz antiestética ou limitação de movimentos, mas o resgate de minha dívida com o comerciante será o meu compromisso maior.

Somente estarei liberado quando ressarcir os prejuízos que lhe causei.


Ainda que ele não necessite dessa reparação, sentir-me-ei em débito com minha própria consciência, obrigando-me a ações compensatórias dirigidas ao bem comum.


Podemos considerar a cirurgia plástica uma espécie de maquiagem para o homem perecível, sem nenhum efeito na economia do Espírito imortal.

Portanto, caro leitor, use-a, se o desejar, sem abusar, e lembre-se:

O bisturi melhora precariamente o visual físico.


Para melhorar o visual espiritual é preciso usar largamente outro bisturi: o empenho de renovação, extraindo mazelas e imperfeições de nossa alma, mão firme no esforço do Bem.


Richard Simonetti

07 outubro 2019

Morte e Desligamento do Corpo Físico – Richard Simonetti




MORTE E DESLIGAMENTO DO CORPO FÍSICO


Morte física e desencarne não ocorrem simultaneamente. A morte física se dá com a morte cerebral. O Espírito desencarna quando se completa o desligamento, o que demanda algumas horas ou alguns dias.

Basicamente o Espírito permanece ligado ao corpo enquanto são muito fortes nele as impressões da existência física.

Indivíduos materialistas, que fazem da jornada humana um fim em si, que não cogitam de objetivos superiores, que cultivam vícios e paixões, ficam retidos por mais tempo, até que a impregnação fluídica animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento.

Certamente os benfeitores espirituais podem fazê-lo de imediato, tão logo se dê o colapso do corpo. No entanto, não é aconselhável, porquanto o desencarnante teria dificuldades maiores para ajustar-se às realidades espirituais. O que aparentemente sugere um castigo para o indivíduo que não viveu existência condizente com os princípios da moral e da virtude, é apenas manifestação de misericórdia. Não obstante o constrangimento e as sensações desagradáveis que venha a enfrentar, na contemplação de seus despojes carnais em decomposição, tal circunstância é menos traumatizante do que o desligamento extemporâneo.

Há, a respeito da morte, concepções totalmente distanciadas da realidade. Quando alguém morre fulminado por um enfarte violento, costuma-se dizer:

“Que morte maravilhosa! Não sofreu nada!”

No entanto, é uma morte indesejável.

Falecendo em plena vitalidade, salvo se altamente espiritualizado, ele terá problemas de desligamento e adaptação, pois serão muito fortes nele as impressões e interesses relacionados com a existência física.

Se a causa da morte é o câncer, após prolongados sofrimentos, em dores atrozes, com o paciente definhando lentamente, decompondo-se em vida, fala-se:

“Que morte horrível! Quanto sofrimento!”

Paradoxalmente, é uma boa morte.

Doença prolongada é tratamento de beleza para o Espírito. As dores físicas atuam como inestimável recurso terapêutico, ajudando-o a superar as ilusões do Mundo, além de depurá-lo como válvulas de escoamento das impurezas morais. Destaque-se que o progressivo agravamento de sua condição torna o doente mais receptivo aos apelos da religião, aos benefícios da prece, às meditações sobre o destino humano. Por isso, quando a morte chega, ele está preparado e até a espera, sem apegos, sem temores.

Algo semelhante ocorre com as pessoas que desencarnam em idade avançada, cumpridos os prazos concedidos pela Providência Divina, e que mantiveram um comportamento disciplinado e virtuoso. Nelas a vida física extingue-se mansamente, como uma vela que bruxuleia e apaga, inteiramente gasta, proporcionando-lhes um retomo tranquilo, sem maiores percalços.


Richard Simonetti
Livro: Quem tem medo da Morte


30 julho 2019

Alma gêmea ou Algema - Richard Simonetti



ALMA GÊMEA OU ALGEMA?


As almas que devam unir-se estão, desde suas origens, predestinadas a essa união e cada um de nós tem, nalguma parte do Universo, sua metade, a que fatalmente um dia se reunirá?

Resp.: Não; não há união particular e fatal, de duas almas. A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categoria que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a completa felicidade. (questão nº 298)

Principalmente os jovens, iniciantes na arte de amar, sonham encontrar essa “metade”, alimentando ternos anseios de uma convivência perfeita, de um afeto sem fim, marcados por imensa ternura e imorredoura ventura.

Quase todos encontram seu par. Raros concretizam seus sonhos, porque a Terra é um planeta de expiação e provas, onde a maioria dos casamentos representa o cumprimento de reajuste assumidos perante a Espiritualidade.

Por isso, passadas as primeiras emoções, quando os cônjuges enfrentam as realidades do dia-a-dia, os problemas relacionados com a educação dos filhos, as dificuldades financeiras e, sobretudo, o confronto de duas personalidades distintas, com suas limitações, ansiedades, viciações, angústias e desajustes, não tardam em desconfiar que a suposta “alma gêmea” é apenas uma “algema”, cerceados que se sentem em sua liberdade, frustrados em suas aspirações.

Muitos casam-se arrebatados de amor, que logo acaba diante dos atritos e dificuldades do matrimônio. Julgando que erraram na escolha, alimentam secreto desejo de um novo encontro, na eterna procura da alma afim.

Muitas vezes, rompem os compromissos conjugais e partem, decididos, reiniciando a procura. E encontram novas algemas, eternizando suas angústias e gerando problemas que se sucedem, a envolver principalmente os filhos, vítimas indefesas dessas uniões passageiras.

O sucesso no casamento implica em compreender que não há metades eternas que se buscam para completar-se, como na alegoria platônica.

Há Espíritos que conseguem uma convivência fraterna, com o empenho por ajustarem-se às Leis Divinas, superando seus desajustes íntimos, suas deficiências e fragilidades.

Um coração amargurado, um caráter agressivo, uma vocação para o ressentimento, um comportamento impertinente – tudo isso azeda o casamento. Então, existe um engano de perspectiva, um equívoco generalizado. As pessoas estão esperando que o casamento dê certo para que sejam felizes, quando é imperioso serem felizes para que o casamento dê certo.

A felicidade, por sua vez, não repousa em alguém, no que possa nos oferecer ou fazer, mas, essencialmente, nos valores que conseguimos desenvolver em nós mesmos, em nosso universo interior. Somente assim poderemos contribuir de forma decisiva para um casamento bem sucedido.

Fundamental, nesse particular, que nos detenhamos na definição do amor, o principal agente das uniões conjugais. O amor legítimo não é uma flecha de Cupido que nos atinge. Não é uma fonte que brota, borbulhante. Não é mera chama arrebatadora, como destaca a bela mas equivocada imagem poética de Vinícius de Morais: “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure.” Muito mais que chama de atração passageira, o amor pede os valores da convivência para que se desenvolva e consolide.

Cônjuges que se querem bem, que se amam de verdade, são aqueles que atravessaram juntos as tempestades da existência, relevando um ao outro as falhas, cultivando compreensão, respeito e boa vontade. Assim, a “algema” de hoje poderá ser a “alma gêmea” de amanhã, mesmo porque o objetivo maior do casamento é a harmonização dos Espíritos que se unem para experiências na Terra. Hoje desencontrados, atritados, talvez até inimigos de outras vidas. Amanhã amigos! Amantes de verdade!

É lamentável quando os casais se separam, adiando a própria edificação.

O mesmo podemos dizer quando alguém proclama que suporta o cônjuge por fidelidade à religião ou aos filhos.

Na avaliação de nossas experiências terrestres, quando regressarmos ao Plano Espiritual, uma das medidas ponderáveis, a ver se aproveitamos a experiência humana

, diz respeito à convivência com as pessoas, principalmente no lar.

Voltamos para o Além levando rancores, ódios, mágoas, ressentimentos? Deixamos inimigos e inimizades? Perdemos tempo, complicando o futuro.

Harmonizamo-nos com os familiares? Edificamos a fraternidade legítima? Construímos as bases de um entendimento cristão com o semelhante? Ótimo. Teremos realmente valorizado a jornada terrestre, habilitando-nos a estágios em regiões felizes, habitadas por almas afins, gêmeas na virtude, na sabedoria, no empenho por cumprir as leis de Deus.


Richard Simonetti

06 julho 2019

Sintonia da Atitude - Richard Simonetti




SINTONIA DA ATITUDE


Segundo os princípios da Mediunidade, vivemos todos em permanente regime de permuta psíquica, sintonizados com faixas vibratórias a que nos ajustamos.

O indivíduo perturbado é alguém que sintonizou com correntes de extremo negativismo, enquanto que estará a caminho da santidade aquele que, vencidas as limitações humanas, mantiver uma sintonia positiva, em comunhão com as esferas mais altas.

O Homem, regra geral, é um ser milenarmente viciado em atitudes negativas, assimilando, assim, com lamentável frequência, vibrações tóxicas que o desajustam espiritualmente, da mesma forma que sofre constantes distúrbios digestivos quem não faz uso de alimentação adequada.

Faz parte da higiene mental, na preservação da estabilidade íntima, o esforço por eliminar elementos de sintonia negativa. Para tanto, é necessário que saibamos distinguir o que são atitudes positivas e atitudes negativas.

Se dizemos: "Oh! Meu Deus, como sou infeliz! Ninguém me compreende!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Ajuda-me, Senhor, a compreender meu semelhante!" — será uma atitude positiva.

Se dizemos: "Não perdôo!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Não há o que perdoar!" — será uma atitude positiva.

Se dizemos: "Estou exausto! Não posso!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Hei de ter forças!" — será uma atitude positiva.

Se dizemos: "Não o tolero!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Provavelmente tivemos algum desentendimento no passado e Deus fêz nossos caminhos cruzarem no presente para que nos reconciliemos!" — será uma atitude positiva.

Se dizemos: "Perdi o ente caro ao meu coração! Que desgraça!. .. Tudo acabou para mim!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Deixou o exílio terrestre e tornou à pátria comum, onde, pela graça de Deus, nos reencontraremos um dia!" — será uma atitude positiva .

Se dizemos: "O Evangelho é a Luz do Mundo, mas sou muito imperfeito para viver seus ensinamentos!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Sou muito imperfeito, mas, com a proteção de Jesus, haverei de proceder como bom cristão!" — será uma atitude positiva.

Se dizemos: "O Espiritismo proclama que fora da caridade não há salvação, mas as lutas da existência absorvem todas as minhas atenções!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Minha luta é grande, mas não me faltarão meios de confortar os que sofrem e socorrer os necessitados, na conciliação dos interesses efêmeros do mundo com os interesses eternos do Espírito!" — será uma atitude positiva.

Se costumamos comentar nossas dificuldades e dores; se o nervosismo e a irritação nos visitam com assiduidade; se bradamos aos céus pelo peso de nossa cruz, isto significa que adotamos uma atitude negativa, insatisfeitos com a posição em que a Vida nos situou, a qual, deveríamos saber, é a que melhor nos convém, porque Deus conhece nossas reais necessidades.

A vitória sobre as limitações humanas e a plena valorização das oportunidades de edificação na jornada terrestre, são apanágios dos fortes, corajosos e otimistas, que silenciam em relação às suas atribulações e males; que buscam apenas o lado bom das pessoas; que se empolgam pela oportunidade de serem úteis e se esforçam em cumprir os ensinamentos cristãos.

Estes vivem positivamente e sintonizam com o Alto, no caminho de nobres realizações.

Raros, na Terra, desenvolvem esta capacidade em toda a sua plenitude, mas, quando tal acontece, surge um Francisco de Assis, a distribuir luzes e bênçãos, espírito de extraordinária positividade, que finalizava sua oração dizendo:

"Divino Mestre! Permiti que eu não procure tanto ser consolado quanto consolar; ser compreendido quanto compreender; ser amado quanto amar. Porque é dando que recebemos; perdoando é que somos perdoados, e é morrendo que nascemos para a Vida Eterna."

Richard Simonetti