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16 junho 2008

Campanha da Gentileza - Momento

Campanha da Gentileza

O executivo estava na capital e entrou em um táxi com um amigo.

Quando chegaram ao destino, o amigo disse ao taxista:

Agradeço pela corrida. O senhor dirige muito bem.

E, ante o espanto do motorista, continuou:

Fiquei impressionado em observar como o senhor manteve a calma no meio do trânsito difícil.

O profissional olhou, um tanto incrédulo, e foi embora.

O executivo perguntou ao amigo por que ele dissera aquilo.

Muito simples – explicou ele. Estou tentando trazer o amor de volta a esta cidade e iniciei com uma campanha da gentileza.

Você sozinho? – Disse o outro.

Eu, sozinho, não. Conto que muitos se sintam motivados a participar da minha campanha.

Tenho certeza de que o taxista ganhou o dia com o que eu disse.

Imagine agora que ele faça vinte corridas hoje. Vai ser gentil com todas as 20 pessoas que conduzir, porque alguém foi gentil com ele.

Por sua vez, cada uma daquelas pessoas será gentil com seus empregados, com os garçons, com os vendedores, com sua família.

Sem muito esforço, posso calcular que a gentileza pode se espalhar pelo menos em mil pessoas, num dia.

O executivo não conseguia entender muito bem a questão do contágio que o amigo lhe explicava.

Mas, você vai depender de um taxista!

Não só de um taxista, respondeu o otimista. Como não tenho certeza de que o método seja infalível, tenho de fazer a mesma coisa com todas as pessoas que eu contatar hoje.

Se eu conseguir que, ao menos, três delas fiquem felizes com o que eu lhes disser, indiretamente vou conseguir influenciar as atitudes de um sem número de outras.

O executivo não estava acreditando naquele método. Afinal, podia ser que não funcionasse, que não desse certo, que a pessoa não se sensibilizasse com as palavras gentis.

Não tem importância, foi a resposta pronta do entusiasta. Para mim, não custou nada ser gentil.

* * *

Você já pensou como seria bom se agradecêssemos ao carteiro por nos trazer a correspondência em nossa residência?

Ao médico que nos atenda, ao balconista, ao caixa do supermercado...

E a um professor, então? Quantos se mostram desestimulados porque ninguém lhes reconhece o trabalho!

Se receber um elogio, se alguém lhe disser como é bom o trabalho que está realizando com seu filho, como ele influenciará todos os alunos das várias classes em que leciona!

E cada aluno levará a mensagem para suas casas, seus amigos, seus vizinhos.

Pode não ser fácil, mas se pudermos recrutar alguém para a nossa campanha da gentileza...

Diz um provérbio de autoria desconhecida que as pessoas que dizem que não podem fazer, não deviam interromper aquelas que estão fazendo alguma coisa.

Pensemos nisso e procuremos nos engajar na campanha da gentileza.

Pode não dar certo com uma pessoa muito mal-humorada. Mas também pode ser que ela se surpreenda por ser cumprimentada, e responda.

Melhor do que isso: pode ser que ela decida cumprimentar alguém. E, em fazendo isso, se sinta bem. E passe a cumprimentar as pessoas todos os dias.

Assim estaremos espalhando o germe da gentileza, que torna as pessoas mais próximas umas das outras.

Uma campanha que espalha confiança, tranquilidade...

Pensemos nisso e façamos nossa adesão à campanha da gentileza, transformando a nossa cidade num oásis de paz.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. O amor e o taxista, de autoria de Art Buchwald, do livro Histórias para aquecer o coração, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen, ed. Sextante.

Aborto Eugênico - Momento Espírita

ABORTO EUGÊNICO

Leve-o para casa e dê-lhe amor! Recomendou o especialista do hospital.

Aquela mãe entendeu, sem que o médico precisasse completar o evidente: "enquanto ainda o tem".

Jonathan não se parecia em nada com os outros dois irmãos.

Sob o ralo cabelo castanho-escuro, a testa era demasiado grande e quadrada e os olhos muito separados.

A mãe soubera, logo em seguida, que o rosto do novo filho era a menor das preocupações. Jonathan, informara-lhe o pediatra, tinha uma grave forma de doença congênita do coração.

Se a doença seguisse seu curso, em breve ele contrairia pneumonia. Se sobrevivesse ao primeiro ataque, outros se seguiriam até seu frágil coração parar.

Mais tarde o especialista disse que provavelmente Jonathan nunca poderia andar e nem mesmo sentar-se sem ajuda – e tudo indicava que seria mentalmente deficiente.

Por que haveria de acontecer isto a mim? – perguntou a mãe mergulhada em auto-comiseração.

Por que logo Jonathan, que era tão desejado por nós?

O doutor Haydem a interrompeu bruscamente:

- Que pensa que aconteceria a uma criança como Jonathan se tivesse sido enviada a pais que não a quisessem?

Quanto a acontecer isso a você – falou mais delicadamente – creio que talvez o próprio Jonathan lhe dê a melhor resposta.

As sábias e proféticas palavras daquele verdadeiro médico vieram a se comprovar ao longo dos anos.

Aquele menino da "cara gozada" como era chamado pelas outras crianças, provou que era merecedor de todo o amor que seus pais pudessem lhe dar e que também era capaz de amá-los com a mesma intensidade.

Superadas foram todas as expectativas de falência de Jonathan.

Ele, amparado pela família, superou todas as dificuldades e limitações que se havia imposto em outras existências...

Lutou e sofreu, mas carregou a cruz que ele próprio tinha construído outrora.

As portas da reencarnação lhe foram abertas como uma nova oportunidade de refazer equívocos e aprender novas lições, e ele soube valorizar...

Quando os colegas lhe perguntavam sobre as grossas cicatrizes cirúrgicas que tinha por todo o corpo, ele respondia bem humorado: "são meus zíperes para deixar os médicos entrarem e saírem com mais facilidade."

***

A história de Jonathan foi escrita por sua mãe, Florence Kirk, na revista seleções de dezembro de 1965.

Naquela época, embora os recursos da medicina não estivessem tão avançados quanto hoje, houve um médico que soube honrar seu juramento de lutar pela vida, ainda que todas as evidências fossem favoráveis à morte...

Jonathan, mesmo em estado de feto no útero materno, já trazia as deficiências que expressou ao nascer, mas teve a sua chance de lutar pela vida...

Será que hoje, quando grande parte dos médicos se esqueceram dos seus juramentos e eliminam os fetos com mal formação, Jonathan teria a mesma oportunidade?

Nos dias atuais, a medicina está tão avançada que permite que o feto com deficiências seja tratado ainda no ventre materno.

Eis aí o grande desafio para os especialistas: "matar, nunca".

15 junho 2008

Pedi e Recebereis - Momento Espírita

PEDI E RECEBEREIS

É bastante conhecida a passagem evangélica na qual Jesus afirma: Pedi e recebereis.

Não é possível ver em tal afirmativa a negação da Lei do Trabalho.

Pedir não significa a mera formulação de cômodas e insensatas rogativas.

Quem pede precisa fazer a sua parte, a fim de merecer o auxílio Divino.

Não é viável acreditar que a fé e o pedir eximam o homem de seus deveres materiais.

Afinal, quem deseja seguir o Cristo necessita carregar a própria cruz.

As dificuldades inerentes ao viver burilam e fortalecem o caráter.

O estudo desenvolve a inteligência.

O trabalho bem desempenhado permite o amealhar de variadas virtudes, como disciplina e paciência.

Desde o princípio, os cristãos são chamados a dar o testemunho de sua fé.

Durante algum tempo, o ato de testemunhar implicou abrir mão da vida física.

O Cristianismo desviou o foco das expectativas religiosas, que deixaram de se cingir à vida terrena.

Não se tratava mais de cumprir preceitos para viver longo tempo ou triunfar em questões materiais.

Mediante as palavras do Cristo, começou a se disseminar a idéia de vida futura, após a morte física.

Em tempos de ignorância e crueldade, os cristãos demonstravam o vigor de sua fé no martírio.

Enfrentavam a morte no Circo das feras entoando cânticos de louvor.

Atestavam sua fé na vida futura com a disposição de abdicar da existência física por um ideal.

Esse corajoso proceder não deixou de produzir frutos.

Era impossível deixar de se impressionar com tais espetáculos de coragem.

Pouco a pouco, o Cristianismo ganhou o Mundo e o testemunho mudou de forma.

Hoje não é mais necessário morrer pela fé.

O desafio atual é viver o ideal cristão.

Não se trata de dar a vida em um instante, em um espetáculo sangrento.

Cuida-se de viver com dignidade longos anos, sem se corromper, sem odiar, sem se agastar com a maldade alheia.

Ninguém cogita de menosprezar a coragem dos primeiros cristãos.

Mas a tarefa atual não é menos importante e difícil.

A todo instante, os convites do Mundo surgem sedutores.

Os exemplos de desonestidade campeiam.

Levar vantagem parece quase normal.

A vulgaridade no vestir e no falar torna-se um padrão.

A sexualidade desvairada e inconseqüente contamina e banaliza as relações.

Sob a justificativa de carência, as pessoas se permitem indignidades sem nome.

É preciso coragem e perseverança para ser diferente.

Para permanecer puro em meio à podridão.

Para ser honesto e não buscar vantagens indevidas.

Para não odiar quem semeia desgraças e violências.

Para cumprir o próprio dever sem titubear, independentemente do que fazem os outros.

É preciso muita fibra moral para seguir os exemplos do Cristo.

Em meio às dificuldades inerentes ao viver cristão, surgem consoladoras as palavras do Messias Divino: Pedi e recebereis.

A quem se esforçar com sinceridade para vencer as tentações mundanas, não faltará auxílio.

Ciente disso, faça a sua parte.

Esforce-se sinceramente em ser puro, trabalhador, honrado e generoso.

E conte com o auxílio Divino para vencer todas as tentações.

14 junho 2008

Seguir Adiante - Momento Espírita

SEGUIR ADIANTE

É natural: quando uma grande dor se abate sobre nós, a tendência é ficar paralisado, encolhido.

Parece que tudo pára. O ar fica pesado e a melancolia, em toda parte, faz os ponteiros dos relógios se arrastarem. No coração, solidão, medo, angústia, sofrimento.

Nessa hora, a maioria de nós tem vontade de deixar todas as coisas de lado, de dormir, esquecer, desaparecer.

Mas a vida prossegue. E reclama de nós uma atitude: é preciso continuar.

O estômago pede comida, o corpo se revela com sede, a família precisa ser sustentada. Tudo segue normalmente.

Mas, como prosseguir quando nada parece ter sentido? Se um enorme vazio toma conta de todas as coisas?

Antes de tudo é preciso ter consciência de que há outras pessoas que dependem de nós, seja fisicamente ou emocionalmente.

Filhos, mulher, marido, pais, irmãos, amigos. Toda essa multidão sofre junto conosco. E, por amor a eles, é preciso lutar para superar o que nos magoa.

Se um filho morre, há outros que ficam. E esses aguardam gestos de amor, cuidados, sorrisos.

E, se não há outros filhos, há outros parentes, há amigos que nos querem bem.

Se perdemos algo, mesmo que seja muito importante, mesmo que seja o trabalho de toda uma vida, é a hora de buscar novos horizontes, novas oportunidades, novos olhares.

O mundo está cheio de descobertas à nossa espera.

Mas, para isso é preciso estar aberto ao mundo, com os braços prontos para abraçar as belezas que a vida oferece.

É preciso saber que não somos solitários no sofrimento. A dor que nos fere também vitima milhões de outras pessoas.

Cada um carrega a sua dor. Muitas vezes em segredo. Muitas vezes sem ninguém com quem compartilhar.

Apesar da dor, o Mundo continua a girar, tudo segue seu ritmo normal. E de nada adianta desejar que tudo pare para nos assistir chorar. Ou para nos consolar.

Temos dentro de nós uma força imensa para resistir a tudo, para suportar todas as provas. É algo que vem de Deus.

Jesus nos ensinou que Deus não dá provas superiores às nossas forças. Sim, pois Deus pôs em nosso coração a fortaleza que nos reergue.

É o espírito de luta que surge quando estamos abatidos. É a força que, de repente, toma conta da alma e nos faz sorrir de novo.

É um presente de Deus. Aproveite. Essa energia está viva na sua alma. Agita-se como um pássaro e espera que você a liberte.

Como alcançá-la em nossa intimidade e despertá-la?

Não há segredo e todos, sem exceção, podem conseguir. Chama-se oração.

Deixe seu coração falar com Deus. Abra-Lhe sua intimidade. Confesse-Lhe suas amarguras, ansiedades, tristezas.

E tenha certeza. Ele, o amor infinito e a misericórdia plena, não vai deixá-lo sem respostas.

A afirmativa é de Jesus, ao dizer que o Pai não dá pedras ao filho que pede pão.

Confie. Dê-se essa oportunidade de fé, com ela buscando fortalecer suas esperanças, renovar seu ânimo para o bem, consolidar sua coragem para retomar a caminhada, conquistar forças para prosseguir com destemor.

Faça isso por você, mas, principalmente pelos seus afetos. Eles precisam muito de você.

Lembre-se que Jesus cantou o hino da esperança e do consolo para a Humanidade, com seus ditos e feitos, e avisou-nos, afirmando: Eu sou o caminho, a verdade e a vida.

Venham a mim todos os que estão cansados pelas lutas do mundo e eu os aliviarei. 

Pense nisso.

13 junho 2008

Contra a Corrente - Momento Espírita

CONTRA A CORRENTE

Lá vai o homem descendo o rio caudaloso.

Nenhum esforço faz para seguir à frente.

As águas o levam no influxo impetuoso, poupando-o das pedras e outros obstáculos.

Com facilidade, ele avança sempre, impelido rapidamente pelo bojo da massa líquida.

Força, situação e movimento a seu favor.

Nada lhe é contrário.

No entanto, outro homem vai subindo o rio.

Em luta constante, movimenta os braços.

Bate os pés.

Respira fundo.

Desgasta-se agoniado.

Esforça-se para não afundar.

Fadiga-se para sobreviver.

E avança contra o impulso das águas e os obstáculos.

Com dificuldade, ele nada, nada sempre, varando, pouco a pouco, a torrente poderosa.

Tudo lhe é contrário.

* * *

Esta é a vida do homem na Terra.

Descer a favor da corrente do mundo é sempre fácil. É só deixar-se levar.

Acumpliciando-se sistematicamente com as ações da maioria.

Jamais se dispondo contra o erro, o equívoco.

Só dizendo sim para tudo e para todos. Seguindo despreocupadamente, sem o exame dos próprios atos.

Boiando sempre, em menor esforço.

Mas, subir contra a corrente do mundo, é mais difícil.

É preciso valor para enfrentar a adversidade. 

É necessário paciência para fugir aos erros de tradição.

É indispensável ser forte para tornar-se exceção no esforço maior.

* * *

Pense nisso!

Antes da reencarnação, necessária ao progresso, a alma roga a porta estreita das dificuldades, como oportunidade gloriosa nos círculos carnais.

Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício que redime. Exalta o obstáculo que ensina.

Compreende a dificuldade que enriquece a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida.

E, graças à misericórdia Divina, obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o serviço de retificação e aperfeiçoamento.

Reconquistando, porém, a oportunidade da existência terrestre, volta a procurar as portas largas por onde transitam as multidões.

Fugindo das dificuldades, empenha-se no menor esforço.

Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal.

Longe de servir aos semelhantes, reclama os serviços dos outros para si.

Lembremo-nos de que, como cristãos, em muitas ocasiões devemos estar contra a corrente dos preconceitos e prejuízos das convenções.

E que, conforme ensinou o Cristo, devemos nos esforçar por entrar pela porta estreita, a porta que dará acesso à felicidade almejada por todos nós.

O caminho normal é viver com todos. No entanto, vez por outra é imperioso nadar em sentido contrário...

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 39 do livro Bem-aventurados os simples, pelo Espírito Valerium, psicografia de Waldo Vieira, ed. Feb e no cap. 20 do livro Vinha de luz, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.

12 junho 2008

Velhas Recordações, Velhas Doenças - Hammed

Velhas Recordações, Velhas Doenças

"Quantas vezes perdoarei a meu irmão? Perdoar-lhe-eis não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes..." "... Escutai, pois, essa resposta de Jesus e, como Pedro, aplicai-a a vós mesmos; perdoai, usai de indulgência, sede caridosos, generosos, pródigos mesmo de vosso amor..." (Cap. X, item 14.)
Trazemos múltiplos clichês mentais arquivados no inconsciente profundo de nós mesmos, resultado de velhas recordações danosas herdadas das mais variadas épocas, seja na atualidade, seja em outras existências no passado distante.

Essas fontes emitem, através de mecanismos psíquicos, energias que não nos deixam sair com facilidade do fluxo desses eventos desagradáveis, registrados pelas retinas da alma, mantendo-nos retidos em antigas mágoas e feridas morais entre os fardos da culpa e da vergonha.

Por não recordarmos que o perdão a nós mesmos e aos outros é um poderoso instrumento de cura para todos os males, é que impedimos o passado de fluir, não dando ensejo à renovação, e sim a enfermidade e desalentos.

Tentamos viver alienados dos nossos ressentimentos e velhas amarguras, distraindo-nos com jogos e diversões, ou mesmo buscando alívio no trabalho ininterrupto, mas apenas estamos adiando a solução futura da dor, porque essas medidas são temporárias.

É mais fácil dizer que se tem uma úlcera gástrica do que admitir um descontentamento conjugal; é mais fácil também consentir-se portador de uma freqüente cólica intestinal do que aceitar-se como indivíduo colérico e inflexível.

Muitas moléstias antes consideradas como orgânicas estão sendo reconhecidas agora como "psicossomáticas", porque se encontram fatores psicológicos expressivos em sua origem.

As insanidades físicas são quase sempre traduzidas como somatizações das recordações doentias de ódio e vingança que, mantidas a longo prazo, resultam em doenças crônicas.

Dessa forma, compreenderás que a gravidade e a duração dos teus sintomas de prostração e abatimento orgânico são diretamente proporcionais à persistência em manteres abertas tuas velhas chagas do passado.

As predisposições físicas das pessoas às enfermidades nada mais são do que as tendências morais da alma, que podem modificar as qualidades do sangue, dando-lhe maior ou menor atividade, provocar secreções ácidas ou hormonais mais ou menos abundantes, ou mesmo perturbar as multiplicações celulares, comprometendo a saúde como um todo. Portanto, as causas das doenças somos nós sobre nós mesmos, e, para que tenhamos equilíbrio fisiológico, é preciso cuidar de nossas atitudes íntimas, conservando a harmonia na alma.

Indulgência se define como sendo a facilidade que se tem para perdoar.
Muitos de nós ficamos constantemente tentando provar que sempre estivemos certos e que tínhamos toda a razão; outros ficam repisando os erros e as faltas alheias. Mas, se quisermos saúde e paz, libertemo-nos desses fardos pesados, que nos impedem de voar mais alto, para as possibilidades do perdão incondicional.

Perdoar não significa esquecer as marcas profundas que nos deixaram, ou mesmo fechar os olhos para a maldade alheia. Perdoar é desenvolver um sentimento profundo de compreensão, por saber que nós e os outros ainda estamos distantes de agir corretamente. Por não estarmos, momentaneamente, em completo contato com a intimidade de nossa criação divina, é que todos nós temos, em várias ocasiões, gestos de irreflexão e ações inadequadas.

Das velhas doenças nos libertaremos quando as velhas recordações do "não-perdão" deixarem de comandar o leme de nossas vidas.

Livro: Renovando Atitudes
Hammed e Francisco do Espírito Santo Neto

11 junho 2008

Punir e Educar - Momento Espírita

Punir e Educar

Quando o telefone tocou Santiago não poderia imaginar a notícia quelhe seria dada.
"Senhor Santiago?" - perguntou uma voz severa.
"Sim." - respondeu apreensivo.
"Sou o delegado Lima.
Seu filho Fábio foi preso em flagrante, minutos atrás, quando furtava um CD de uma loja em um Shopping." Embora o delegado continuasse falando, nada mais foi registrado por Santiago.
O choque da notícia atingiu-o como um violento soco.
Ficou calado, segurando o telefone mesmo depois do término da ligação.
Não podia crer naquilo.
"Por quê?" - perguntava a si mesmo.

Enquanto dirigia-se para a delegacia onde estava detido o filho, pensava nos sacrifícios que fizera ao longo dos anos para oferecer à família conforto e bem-estar.
Longas e extenuantes jornadas de trabalho.
Anos e anos sem férias.
Economias e empréstimos bancários para garantir aos filhos tudo que lhes era essencial e necessário para crescerem fortes e felizes.
Não podia lhes dar tudo o que queriam, mas fazia o possível para oferecer-lhes tudo o que precisavam.
Priorizava a saúde e a educação dos pequenos.
Tratava-os com amor e com atenção, mesmo quando chegava tarde do trabalho e os encontrava às turras e fazendo manhas.
Sabia que não era um pai perfeito.
Reconhecia em si mesmo defeitos e vícios, mas não conseguia encontrar justificativa para a atitude do filho.
Por que Fábio teria feito aquilo?
Sentia-se mortificado de vergonha.
Seu filho, um ladrão!
Onde teriam ido parar os ensinamentos e os valores que acreditara ter incutido na cabeça daquele menino?
A dor inicial foi cedendo lugar à ira, e quando Santiago chegou à delegacia e foi levado à presença do filho não se conteve.
Sem dizer nenhuma palavra esbofeteou a face do rapaz na frente dos policiais que ali estavam.
Fábio não reagiu, nem disse nada.
Lágrimas escorreram pelo seu rosto.
Depois dos procedimentos burocráticos inevitáveis, o rapaz foi liberado e eles partiram silenciosos para casa.
Durante o trajeto nada foi dito.
Na realidade, Santiago estava arrependido pela sua reação brutal, mas não conseguia encontrar uma forma de contornar a situação.
Fábio, por sua vez, estava envergonhado e sentia-se a última das criaturas.
Acreditava não ser merecedor nem mesmo do perdão do pai pelo seu gesto impensado.
Quando chegou em casa, Fábio trancou-se no quarto.
Santiago largou seu corpo no sofá, pesadamente.

Levou alguns instantes para dar-se conta da urgente necessidade de conversar com o filho.
Tomado por um impulso, correu até o quarto de Fábio e, como ele não respondia aos seus chamados, arrombou a porta.

Graças à providência divina, chegou a tempo de evitar uma tragédia ainda maior.
A severa punição que infligira publicamente ao filho, e que agora atormentava a sua própria consciência, estimulara o desequilibrado rapaz a buscar a fuga da vida pelas vias equivocadas do suicídio.

* * *

Jamais puna quando estiver irado.
Nos momentos de raiva somos capazes de ferir até mesmo as pessoas que amamos.
A melhor forma de educar é fazer com que crianças e jovens repensem suas atitudes e aprendam com os próprios erros.

Baseado no Livro: Pais Brilhantes Professores Fascinantes, de Augusto Cury Equipe de Redação do Momento Espírita

10 junho 2008

Princípios Unificadores - Batuíra

 
PRINCÍPIOS UNIFICADORES

"Se dissermos que estamos em comunhão com ele e andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Mas se caminhamos na luz como ele está na luz, estamos em comunhão uns com os outros" - (1ª Epístola à João, capítulo 1º, versículos 6 e 7) 

Inumeráveis aprendizes da Boa Nova agarram-se às dificuldades de toda espécie na província nebulosa da desunião e da discórdia.

Os obstáculos no campo de serviço efetivamente são enormes e reclamam grande esforço dos beneficiários da Doutrina Espírita, os quais, para não perderem a oportunidade de trabalhar em favor da própria redenção, devem começar proporcionando um clima de harmonia e união na Casa Espírita da qual participam.

A cada discípulo cabe vigiar seu campo de ação, valorizando seu aprimoramento espiritual, não se esquecendo, porém, de cooperar para que a harmonia e os vínculos afetivos se fortaleçam entre os aprendizes do Evangelho.

Contudo, não somente quem dirige mas também os dirigidos devem elaborar normas de procedimento, que se expressarão por luz a guiar-lhes as metas no serviço esclarecedor.

Denominam-se normas de procedimento ou princípios unificadores as atitudes ou as maneiras de comportarmo-nos perante os conflitos grupais, ou critérios básicos que nos nortearão diante das
dissidências. Salvaguardam acima de tudo o movimento corporativo ao qual pertencemos.

Essas normas de união devem ser apreciadas e estudadas por todos, pois ensejam possibilidades importantíssimas para que o grupo aja nos momentos de crise com análise e raciocínio. Isso permitirá identificar com antecedência o resultado das próprias ações.

Nas grandes empresas econômicas, esses princípios abordam as questões da segurança no trabalho, admissão e readmissão de funcionários, produção/estoque, política salarial e tantas outras.

Obviamente, nas assembléias cristãs, as normas fundamentais estão inseridas no Evangelho do Cristo.

Não podemos fugir da chama do amor e do perdão, mas existem outras providências a ser tomadas que podem nos ser úteis e servir de base no campo de trabalho, desde que observemos os seguintes princípios unificadores e essenciais: Não reagir precipitadamente às críticas dos outros; ao contrário, analisá-las com calma, utilizando coerência de raciocínio e separando o que tem realmente valor daquilo que é apenas expressão destrutiva do personalismo; Exercitar o auto-controle para não se ofender e se ressentir com facilidade, evitando também trocar constantemente de grupo, porquanto tal comportamento pode ser fruto do orgulho ou de hostilidades inconscientes.

O homem inteligente, através do contato com seus semelhantes, retira experiências e ensinamentos valiosos para seu progresso espiritual;

Ser participativo nas relações com os companheiros; a comunicação espairece a casa mental, estabelecendo uma corrente de idéias que torna a criatura vivaz e atualizada;

Saber observar as experiências dos outros sem qualquer intenção de investigar a vida deles; mas retirar o máximo de entendimento com a vivência alheia, com o objetivo de abrir horizontes mais vastos no próprio mundo interior.

Aprender igualmente a não se enaltecer diante dos desacertos do próximo ou retrair-se perante o êxito ou sucesso alheio;

Estudar e ler habitualmente; aperfeiçoar o desenvolvimento intelectual, freqüentando cursos, palestras e seminários, propiciando um campo maior à lei de progresso que a todos anima; Cultivar a independência, mas aceitar a liderança da equipe, respeitando a hierarquia.

O fato de pensarmos livremente não deve anular a realidade de que estamos subordinados a um quadro de diretores na organização da Casa Espírita.

Se caminhamos na luz como Ele está na luz, estamos em comunhão uns com os outros. Existe uma reciprocidade nos caminhos da revivificação em Cristo. Estar com Ele é estar na Luz, porque O Mestre é a Luz do Mundo e, conseqüentemente, estamos em comunhão e unidade com os outros, que, por sua vez, também se ajustaram na mesma claridade e sintonia.

Segundo o apóstolo João, somente acontece a comunhão entre os aprendizes sinceros quando se estabelece ligação profunda em torno dos ensinos cristãos.

Aperfeiçoar a compreensão é relacionar fatos e associar dados, reagrupando-os e coordenando-os de forma lógica, a fim de se tirarem as melhores observações das ocorrências.

Busquemos, pois, o equilíbrio no Modelo Divino e, nos servindo desses referidos princípios unificadores, permitiremos o aprimoramento de nossas conclusões no círculo de relação e de ação onde atuamos.

Livro: Conviver e Melhorar - 45 - Batuíra
Médium:Francisco do Espírito Santo Neto 

09 junho 2008

Saúde e Bem-Estar - Joanna de Ângelis

Saúde e Bem-Estar

O planejamento de qualquer projeto responde pela qualidade da futura realização. Previsões e detalhes, cálculos e referências, organograma e execução, constituem a base do labor, do qual decorrem os êxitos ou insucessos.

Da planificação até a concretização do empreendimento, quaisquer alterações têm que ser estudadas, a fim de serem introduzidas sem prejuízo para o conjunto ou excesso de gastos não previstos.

Na mesma linha de raciocínio, uma cuidadosa sementeira de cardos, com adubação freqüente, outra colheita não resultará, senão de espinhos e acúleos.

A criatura humana torna-se o que pensa, o que sustenta mentalmente e desenvolve até a fixação.

Lamentavelmente porém, expressiva maioria de indivíduos somente acalenta idéias negativas, lucubra pessimismo, agasalha mal-estares. Como resultado, enfraquecem-se-lhe as resistências morais, debilitam-se-lhe os valores espirituais e alimenta-se da própria insânia.

Há determinadas provações que são inevitáveis, por procederem de desmandos de outras existências. Podem, entretanto, através de construções mentais e humanas edificantes, ser alteradas, atenuadas e até liberadas, pois que atos saudáveis granjeiam mérito para superar aqueles que são danosos.

*

Não te atenhas aos atavismos infelizes, revivendo-os, comentando-os, reestruturando-os nos campos mental e verbal. Eles não te abandonarão, enquanto não os deixes.

Queixas-te de insucessos, dissabores, enfermidades, desamor; e, no entanto, aferras-te a eles de tal forma que perdes o senso de avaliação da realidade, rotulando-te como infeliz e estacionando aí, sem qualquer esforço de renovação.

Afirma a sabedoria popular com propriedade: Pedra que rola não cria limo, sugerindo alteração de rota, movimento, realização.

Esforça-te para desconsiderar as ocorrências desagradáveis, perturbadoras.

Planeja o teu presente, estabelece metas para o futuro e põe-te a trabalhar sem desfalecimento, sem autocomiseração, sem amargura.

Podes e deves alterar para melhor o clima que respiras, o ambiente no qual te encontras.

Não basta pedires a Deus ajuda, porém, deves fazer a tua parte, sem o que, pouco ou nada conseguirás. Saúde ou doença, bem ou mal-estar dependem de ti.

*

Narra-se que um sábio caminhava com os discípulos por uma via tortuosa, quando encontraram um homem piedoso que, ajoelhado, rogava a Deus o auxiliasse a tirar do atoleiro o carro em que seguia.

Todos olharam o devoto, sensibilizaram-se e prosseguiram.

À frente, alguns quilômetros vencidos, havia um outro homem, que tinha, igualmente, o carro atolado num lamaçal. Este, porém, esbravejava reclamando, mas tentava com todo empenho liberar o veículo.

Comovido, o sábio propôs aos discípulos ajudá-lo.

Reunidas todas as forças, logo o transporte foi retirado e, após agradecimentos, o viajante prosseguiu feliz.

Os aprendizes surpresos, indagaram ao mestre: - O primeiro homem orava, era piedoso e não o ajudamos. Este, que era rebelde e até vociferava, recebeu nosso apoio. Por que?

Sem perturbar-se, o nobre professor elucidou:

- O que orava, aguardava que Deus viesse fazer a tarefa que a ele competia. O outro, embora desesperado por ignorância, empenhava-se, merecendo auxílio.

Será, pois, ideal, que sem reclamar e pensando corretamente te disponhas a retirar do paul o carro da tua existência, a fim de seguires feliz adiante com saúde e bem-estar.

Médium: Divaldo Pereira Franco
Da obra: Momentos de Saúde
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL. 1992

08 junho 2008

Silêncio Necessário - Joanna de Ângelis

Silêncio Necessário

O silêncio faz grande falta na civilização contemporânea.

Fala-se em demasia, e, por conseguinte, fala-se do que se não deve, se não sabe, não convém, apenas pelo hábito de falar.

Na falta de um assunto edificante, ou com indiferença para com ele, utilizam-se de temas negativos, prejudiciais ou sórdidos, envilecendo a própria alma, enxovalhando o próximo e consumindo-se energias valiosas.

Há uma preocupação muito excessiva em falar, opinar, mesmo quando se desconhece a questão.

Parece de bom-tom a postura de referir-se a tudo, de tudo estar a par.

Aumenta, assim, a maledicência, confundem-se as opiniões, entorpecem-se os conteúdos morais das palavras.

Se cada pessoa falasse apenas o necessário e no momento oportuno, haveria um salutar silêncio na Terra.
*

Faze silêncio diante de observações pejorativas, de assuntos prejudiciais, matando, ao surgir, a informação malsã.

Quando te tragam opiniões infelizes, reclamações, queixas que põem mal diante de ti o ausente, seja ele quem for, não te deixes contaminar pelo morbo da palavra insensata.

Há pessoas que se autonomeiam fiscais do próximo e não se detêm a examinar a conduta, deste modo, reprochável.

Raramente, falam bem, referem-se ao lado bom das pessoas e dos acontecimentos.

*

Porque não era visível a antiga face oculta da lua, isto dava margem às mais variadas conjecturas, sempre exageradas, fantasistas.

Todas as pessoas possuem o seu lado oculto, certamente negativo em umas, quanto admirável noutras.

A observação sob alta dose de má vontade, apenas vê o que quer e fala o de que gosta.

*

Não opines mal a respeito de ninguém, mesmo que o outro mereça.

Tampouco, te deixes emaranhar pelos que falam mal do próximo. Eles terminarão por submeter-te à opinião que lhes apraz, armando-te contra aqueles com quem não simpatizam.

Falar bem ou mal é um hábito.

Quando as referências são acusadoras, levam a alma da vítima à morte, porém suicida-se também, aquele que sempre aponta o erro.

*

Usa o silêncio necessário.

Não a mudez caprichosa, vingadora. Mas a discreta atitude de quietação e respeito.

O silêncio faz bem àquele que o conserva.

Jesus calou muito mais do que falou. Os Seus silêncios sábios são o atestado mais expressivo do Seu amor pela humanidade.

Pensa nEle, quando chamado a falar intensamente e imita-O.

Médium: Divaldo Pereira Franco
Da obra: Momentos de Coragem
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL. 1988

07 junho 2008

Jussara, Parabéns!

Jussara,

As pessoas se tornam inesquecíveis
quando conseguem deixar naquelas
que conviveram, uma impressão tão
forte que nem mesmo o tempo é
capaz de apagar.

E você conseguiu!

Não só pelas coisas que você faz, mas
principalmente pela sensibilidade, que
faz de você, alguém muito Especial,
num mundo tão cheio de coisas
comuns.

Desejo que não só nesse dia, mas
sim em todos os dias da sua vida,
você seja muito, muito, muito
FELIZ!

Teoria e Prática - Joanna de Ângelis

Teoria e Prática

O conhecimento liberta da ignorância. Todavia, somente a sua aplicação liberta do sofrimento.

há uma expressiva diferença entre a teoria e a prática, em todos os segmentos da humanidade.

*

A teoria ensina. Porém, a prática afere-lhe o valor.

Não basta saber. É imprescindível utilizar o que se conhece.

O conhecimento, em verdade, amplia os horizontes do entendimento. Não obstante, a sua aplicação alarga as paisagens da vida.

A mente conhecedora deve movimentar as mãos no uso desses valiosos recursos.

*

O conhecimento de importância é aquele que pode mover essas conquistas em favor do bem do seu possuidor, assim como do meio social onde este se encontra.

Nula é a informação que não produz bênçãos, nem multiplica as disposições da pessoa para a ação útil.
*

Conhecendo saberás que a tua renúncia auxilia a comunidade, sem que esperes a abnegação dos outros a teu benefício.

O conhecimento superior estimula à imediata atividade.

Acumular informações sem finalidade prática, transforma-se em erudição egoísta que trabalha em benefício da presunção.
*

Tens a obrigação de conhecer para viver. Simultaneamente, deves viver praticando os salutares esclarecimentos que armazenas, contribuindo para uma existência realizadora, humana e feliz.

*

Quando leias, exercita a praticidade do contributo cultural que assimilas.

O tempo urge, e as oportunidades de aplicação constituem tuas chances de progresso como de paz.
*

Conta-se que célebre monge budista, estudando algumas suras, descobriu que se não devia utilizar da pele de animais para conforto pessoal.

De imediato, levantou-se do catre e dali retirou o couro de um urso que lhe servia de apoio macio sobre as ripas da enxerga áspera.

Prosseguindo a leitura, porém, encontrou assinalado que, no entanto, se poderia usar a pele dos animais, quando se estivesse enfermo, esquálido ou envelhecido, a fim de ter diminuídas as penas e dores.

Ato contínuo, tomou da mesma com respeito, colocou-a no lugar de onde a retirara, sentou-se sobre ela e continuou a ler...

Conhecimento que não transforma em utilidade, pode ser qual "sepulcro caiado por fora", ocultando vérmina e morte por dentro, responsável pelo bafio do orgulho e da ostentação.

Médium: Divaldo Pereira Franco 
Da obra: Momentos de Felicidade
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. 2 edição. Salvador, BA: LEAL. 1990

06 junho 2008

Testemunhos - Joanna de Ângelis

Testemunhos

Aspiras pela ascensão espiritual, que te parece difícil.

Contemplas as alturas libertadoras, e sentes vertigens.

Anelas pelos acumes, e lutas, repassando pela tela mental as dificuldades que tens enfrentado e os problemas que te afligem.

Sentes que o vale te asfixia, e a multidão que ali se movimenta te atormenta.

A medida, porém, que galgas as ásperas encostas, percebes que esse é um cometimento isolado, imolador.

Vês, à distância, os amigos que se candidataram a subir contigo e ficaram na retaguarda da comodidade.

Constatas que as energias se te exaurem e vês as feridas nas mãos, nos pés e as dilacerações nos sentimentos.

É natural que assim te aconteça.

A vida, para expressar-se, arrebenta os invólucros onde jaz adormecida.

Todo parto, que enseja a vida, proporciona dor.

A semente sofre, esmagada no solo, a fim de libertar a espécie que nela dorme.

Da mesma forma acontece com as tuas ânsias de evolução.

Atingirás o cume, não o duvides, porém, assinalado pelos testemunhos que a subida te exige.

*

Mede-se a grandeza de um ideal pela capacidade de sofrimento e de paz que demonstra aquele que o apresenta.

Os homens grandes são volumosos e de alta estatura, enquanto que os grandes homens são identificados pelos seus referenciais de amor, de abnegação, de sacrificio, de idealismo nobre.

É impossível abraçar um ideal, no mundo, passando incólume à agressão, a sevícia, à calúnia, à urdidura da infâmia.

Por enquanto, e ainda por muito tempo, os grandes homens ver-se-ão a sós, incompreendidos, fora do círculo dourado da ilusão.

Não estranhes, pois, o que te acontece nas paisagens íntimas: tristeza insatisfação, soledade.

Fosse diferente a ocorrência, e estarias a soldo da mentira, da corrupção, jamais dos ideais libertadores.
*

Quando te resolveste por crescer e alcançar as elevadas planuras, ansiavas pela felicidade.

Anotas que estás em solidão, porém essa é com Deus.

Testemunha a fertilidade do teu ideal cristão aos tíbios, a fim de que eles se estimulem, e se resolvam por ascender também.

Quando lograres a vitória, atraí-los-ás. Por enquanto, testemunha e insiste.

Jesus asseverou:

- ... E quando eu for erguido (na cruz) atrairei todos a mim. (João. 12-32)

Não reclames, nem receies.

Segue em paz!

Médium: Divaldo Pereira Franco
Da obra: Momentos Enriquecedores
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL. 1994

05 junho 2008

Conduta de Misericórdia - Joanna de Ângelis

Conduta de Misericórdia

Este cavalheiro insolente, agressivo, que parece dominador, e que, tomando o caminho, investe contra os teus direitos, encontra-se gravemente enfermo, não tendo dimensão do mal que o consome.

Aquela dama, frívola e irreverente, que parece desejar submeter o mundo aos pés, assinalada pelo excesso de jóias e tecidos caros, tem o coração dilacerado por terríveis frustrações, que não consegue superar.

Esse jovem rebelde, que desdenha as leis a assoma na tua senda com o cinismo afivelado à face, padece conflitos íntimos que o vesgastam e aos quais não pode fugir.

Estoutro senhor, de cenho carrancudo a aspecto amargo, que não logra dissimular a arrogância de que se vê objeto, tem medo de ser conhecido pelas fraquezas morais que carrega interiormente.

Esta moça, quase despida, que exibe o corpo e a alma ao comércio da luxúria, invejada por uns e por outros malsinada, viva ralada pela carência de um amor verdadeiro que a dulcifique e felicite.

O rapaz que expôe o corpo, para o jogo exaustivo dos prazeres fáceis, símbolo e modelo de beleza, vive aturdido na timidez que o neurotiza, obrigado a uma exterionização que o aniquila a pouco e pouco.
*

No festival dos sorrisos humanos, no banquete dos triunfos sociais a na passarela da fama as criaturas não são o que demonstram, mas, sim, um simulacro do que não conseguem tornar-se.

É certo que há exceções, como não poderia deixar de ser, o que mais afirma a regra geral.

A pobreza andrajosa, a polidez da face de bom comportamento, a voz melíflua, suave, certamente não significam personalidades humildes e resignadas, a um passo do triunfo sobre as vicissitudes.

Muitas provêm de incontida revolta, de sentimentos desesperados, de vidas em estiolamento pela mágoa e pela rebeldia.
*

Por isto, não julgues ninguém pela aparência, ou melhor, não te arvores a julgamento algum com desconhecimento da causa reta.

Torna-te tolerante, embora sem conivir.

O problema de cada um, a cada qual pertence.

Sê um momento de esperança para quem te busque, ou uma oportunidade de renovação para quem te perturbe ou desafie, mantendo-te em paz contigo mesmo em qualquer situação.
*

Da mesma forma que o teu exterior não te reflete a realidade interna, os passantes pelo teu caminho, igualmente, vivem essa dicotomia de comportamento.

Jesus, que identificava a causa das afliçöes humanas e penetrava o âmago dos corações, por isto mesmo não julgava, não condenava, não desconsiderava ninguém.

Seguindo-Lhe o exemplo e exercendo misericórdia para com o teu próximo, quando, por tua vez, necessites de apoio, não te faltarão o socorro da compreensão e da amizade que alguém te dispensará.

Médium: Divaldo Pereira Franco 
Da obra: Momentos de Coragem
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL. 1988

04 junho 2008

Caminho da Auto-iluminação - Joana de Ângelis

Caminho da Auto-iluminação

O homem atinge um alto nível de evolução quando consegue unir o sentimento e o conhecimento, utilizando-os com sabedoria. Nesse estágio é-lhe mais fácil desenvolver a paranormalidade, realizando o autodescobrimento e canalizando as energias anímicas e mediúnicas para o serviço de consolidação do bem em si mesmo e na sociedade.

O seu amadurecimento psicológico permite-lhe compreender toda a magnitude das faculdades parapsíquicas, superando os impedimentos que habitualmente se lhe antepões à educação.

Desse modo, a mediunidade põe-no em contato com o mundo espiritual de onde procede a vida e para a qual retorna, quando cessado o seu ciclo material, ensejando-lhe penetrar realidades que se demoram ignoradas, incursionando com destreza além das vibrações densas do corpo carnal.

O exercício das faculdades mediúnicas, no entanto, se reveste de critérios e cuidados, que somente quando levados em conta propiciam os resultados pelos quais se anelam.

A mediunidade é inerente a todos os indivíduos em graus de diferente intensidade. Como as demais, é uma faculdade amoral, manifestando-se em bons e maus, nobres e delinqüentes, pobres e ricos.

Pode expressar-se com alta potencialidade de recursos em pessoas inescrupulosas, e quase passar despercebida em outras, portadoras de elevadas virtudes.

Surge em criaturas ignorantes, enquanto não é registrada nas dotadas de cultura. É patrimônio da vida para crescimento do ser no rumo da sua destinação espiritual. O uso que se lhe dê, responderá por acontecimentos correspondentes no futuro do seu possuidor.

Uma correta educação da mediunidade tem início no estudo das suas potencialidades: causas, aplicações e objetivos. Adquirida a consciência mediúnica, o exercício sistemático, sem pressa, contribui para o equilíbrio das suas manifestações.

Uma conduta saudável calcada nos princípios evangélicos atrai os Bons Espíritos, que passam a cooperar em favor do medianeiro e da tarefa que ele abraça, objetivando os melhores resultados possíveis do empreendimento.

O direcionamento das forças mediúnicas para fins elevados propicia qualificação superior, resultando em investimento de sabor eterno.

Se te sentes portador de mediunidade, encara-a com sincero equilíbrio e dispõe-te a aplicá-la bem.

O homem ditoso do futuro será um indivíduo PSI, um sensível e consciente instrumento dos Espíritos, ele próprio lúcido e responsável pelos acontecimentos da sua existência.

Desveste-te de quaisquer fantasias em torno dos fenômenos de que és objeto e encara-os com realismo, dispondo-te a sua plena utilização.

Amadurece reflexões em torno deles e resguarda-os das frivolidades, exibicionismos vãos, comercialização vil, recurso para a exaltação da personalidade ou das paixões inferiores.

Sê paciente com os resultados e perseverante nas realizações. Toda sementeira responde à medida que o tempo passa.

A educação da mediunidade requer tempo, experiência, ductibilidade do indivíduo, como sucede com as demais faculdades e tendências culturais, artísticas e mentais que exornam o homem.

Quem seja portador de cultura, de bondade e sinta a presença dos fenômenos paranormais, está a um passo da realização integral, a caminho próximo da auto-iluminação.

Médium: Divaldo Pereira Franco
Da obra: Momentos de Iluminação
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL.

03 junho 2008

Aquisição da Consciência - Joanna de Ângelis

Aquisição da Consciência

O momento da conscientização, isto é, o instante a partir do qual consegues discernir com acerto, usando como parâmetro o equilíbrio, alcanças o ponto elevado na condição de ser humano.

Efeito natural do processo evolutivo, essa conquista te permitirá avaliar fatores profundos como o bem e o mal, o certo e o errado, o dever e a irresponsabilidade, a honra e o desar, o nobre e o vulgar, o lícito e o irregular, a liberdade e a libertinagem.

Trabalhando dados não palpáveis, saberás selecionar os fenômenos existenciais e as ocorrências, tornando suas diretrizes de segurança aquelas que proporcionam bem-estar, harmonia, progresso moral, tranqüilidade.

Essa consciência não é de natureza intelectual, atividade dos mecanismos cerebrais. É a força que os propele, porque nascida nas experiências evolutivas, a exteriorizar-se em forma de ações.

Encontramo-la em pessoas incultas intelectualmente, e ausente em outras, portadoras de conhecimentos acadêmicos.

Se analisarmos a conduta de um especialista em problemas respiratórios, que conhece intelectualmente os danos provocados pelo tabagismo, pelo alcoolismo e por outras drogas aditivas, e que, apesar disso, usa ele próprio, qualquer um desses flagelos, eis que ainda não logrou a conquista da consciência. Os seus dados culturais são frágeis de tal forma, que não dispõem de valor para fomentar uma conduta saudável.

Por extensão, a pessoa a que se permite o crime do aborto, sob falsos argumentos legais ou de direitos que se faculta, assim como todos aqueles que o estimulam ou o executam, incidem na mesma ausência de consciência, comportando-se sob a ação do instinto e, às vezes, da astúcia, da acomodação, mascaradas de inteligência.

Outros indivíduos, não obstante sem conhecimento intelectual, possuem lucidez para agir diante dos desafios da existência, elegendo o comportamento não agressivo e digno, mesmo que a contributo de sacrifício.

A consciência pode ser treinada mediante o exercício dos valores morais elevados, que objetivam o bem do próximo, por conseqüência, o próprio bem.

O esforço para adquirir hábitos saudáveis conduz à conscientização dos deveres e às responsabilidades pertinentes à vida.

Herdeiro de si mesmo, das experiências transadas, o ser evolui por etapas, adquirindo novos recursos, corrigindo erros anteriores somando conquista. Jamais retrocede nesse processo, mesmo quando, aparentemente, reencarna dentro das paredes de enfermidades limitadoras, que bloqueiam o corpo, a mente ou a emoção, gerando tormentos. Os logros evolutivos permanecem adormecidos para futuros cometimentos, quando assomarão, lúcidos.

A aquisição da consciência é desafio da vida, que merece exame, consideração e trabalho.

Médium: Divaldo Pereira Franco
Da obra: Momentos de Consciência
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis

02 junho 2008

Uma Doce Face do Amor - Momento Espírita

Uma Doce Face do Amor

Quanto vale um amor de mãe? Será que tem preço? Poderá haver substituto ao laço que une mãe e filho?

Dizem alguns que amor materno é balela, piegas.

Contudo, ao dispor, na Terra, que o homem fosse concebido a partir do amor de dois seres que se unem e tivesse a gerá-lo o ventre materno, Deus estabeleceu bases seguras para que a criatura desenvolvesse a sua extraordinária capacidade de amar.

E uma das facetas do amor é o amor materno. Conseqüentemente, a necessidade que sente o filho de ser amado.

Certa vez, uma jovem esposa, depois de dez anos de consórcio, abandonou o lar. De algum tempo, a situação se fazia insustentável e ela decidiu começar vida nova.

Abandonou esposo e filho, garoto de seis anos.

Dois anos depois, já com um novo amor a lhe fazer bater o coração descompassado e um trabalho em Agência de Correios, foi surpreendida por um papel dobrado em quatro, que caiu dentre os tantos envelopes que ela separava para envio.

Era uma folha de caderno, sem envelope, destinada simplesmente a Jesus.

A curiosidade fez com que ela abrisse a folha e começasse a ler.

Jesus, dizia a carta escrita em letra infantil, eu estou muito doente. Tenho muita tosse.

Sei que papai cuida de mim, em todas as horas que não está no trabalho. Tia Margarida e tia Magda também.

Mas, Jesus, eu estou tão doente. E por isso eu escrevo esta carta para lhe pedir um presente. O meu aniversário está próximo.

Seria possível me trazer, no dia em que eu vou completar oito anos, a minha mãe de volta?

Não sei onde ela se encontra, mas o Senhor deve saber, com certeza. Se o Senhor puder, por favor, Jesus, traga minha mãe de volta.

Se ela voltar, a nossa casa vai se alegrar outra vez. Haverá flores nas janelas. E eu melhorarei. A minha tosse vai passar.

Jesus, eu queria tanto, no meu aniversário, abraçar minha mãe outra vez.

Sei que eu não sou um bom menino, mas eu peço assim mesmo porque quando minha mãe estava conosco ela sempre dizia que tudo o que se pedisse a Você, Você conseguiria.

Eu vou ficar esperando, Jesus, por favor, traga de volta minha mãe.

A assinatura não deixava dúvidas. Era do seu filho, o garoto que deixara aos seis anos, quando partira para sua nova vida.

Rita deixou o trabalho naquele dia e voltou para casa. Bateu à porta e surpresa, tia Margarida a viu entrar.

Passou pela sala e o marido, igualmente surpreendido, somente a olhou, sem nada dizer.

Foi ao quarto do filho, que tossia, deitado em sua cama.

Ao vê-la, o garoto sorriu, abriu os braços e exclamou:

Mãe, Jesus trouxe você!

* * *

Existem muitos corpos que não geraram outros corpos, no entanto, se fizeram mães da dedicação em nome do amor de nosso Pai.

São criaturas que sustentam vidas, que não murcharam porque elas tomaram para si a missão de ampará-las e socorrê-las.

Redação do Momento Espírita com base no cap. Oito horas, do livro Remotos cânticos de Belém, de Wallace Leal Rodrigues, ed. O clarim e do verbete Mãe, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco, ed. Leal..

01 junho 2008

Desvinculações - Emmanuel

DESVINCULAÇÕES

Pergunta - A algumas pessoas a doutrina da reencarnação se afigura destruidora dos laços de família, com o fazê-los anteriores à existência atual. Resposta - Ela os distende; não os destrói. Fundando-se o parentesco em afeições anteriores, menos precários são os laços existentes entre os membros de uma mesma família. Essa doutrina amplia os deveres da fraternidade, porquanto, no vosso vizinho, ou no vosso servo, pode achar-se um Espírito a quem tenhas estado presos pelos laços da consangüinidade. Item nº 205, de "O livro dos Espíritos".

A desvinculação entre os que se amam com a necessidade de sanar os enganos e erros do amor assume habitualmente o aspecto de dolorosa cirurgia psíquica.
Por semelhante razão, a Divina Sabedoria concede às criaturas tempo e condições renovadas na preparação gradual do acontecimento.

Essa desvinculação, via de regra, se verifica numa constante digna de nota - a posição de pais e filhos, incluindo-se nela os pais e filhos adotivos -, de vez que, no enternecimento do lar, todos os jogos da ternura são colocados na mesa do cotidiano, revestidos de encantamento construtivo. No fundo, porém, da personalidade paterna ou do maternal coração, descansam os remanescentes de grandes afeições, às vezes desequilibradas e menos felizes, trazidos de outras estâncias, nos domínios da reencarnação.

A libido ou o instinto sexual na forma de energia psíquica, tendente à conservação da vida, permanece, em muitos casos, na carícia dos pais, vestida em veludíneo manto de carinho e beleza, mas o amor é ainda, no adito do espírito, qual fogo de vida que se nutre do próprio lenho.
Por sua vez, nos entes queridos que retornam à estação da esperança doméstica, essa mesma afetividade reponta, insopitável e genuína, conquanto metamorfoseada nos brincos da infância.

Os pequeninos, porém, recém-vindos da amnésia natural que a reencarnação lhes impõe, não conseguem esconder as próprias disposições no campo das preferências. E surgem neles, de inopino quase sempre, as inclinações descontroladas, nos caprichos com que se mostram, exigindo especial atenção de pai ou mãe, a revelarem, de modo claro, para que rumo se lhes dirigem os laços mais fortes.

Geralmente, com muitas exceções, aliás, as filhas se voltam para os pais e os filhos para as mães, patenteando a natureza das ligações havidas em existências passadas e prenunciando a obra de desvinculação que se executará, inevitável, no futuro próximo.

Óbvio que nem todos os filhos aparecem no lar categorizados à conta da desvinculação afetiva, porquanto milhões de Espíritos no corpo da Humanidade tomam a estrutura física, no desempenho de encargos simples ou complexos, valendo-se da colaboração dos pais, à maneira de amigos que se entreajudam, nas faixas da confiança e da afinidade recíprocas.

Referimo-nos, porém, ao lar como pouso de desligamento, porque, na Terra, as relações entre pais e filhos e, conseqüentemente, as relações de ordem familiar constituem clima ideal para a libertação de quantos se jungiram entre si, de modo inconveniente, nos desregramentos emotivos em nome do amor.

É assim que a sabedoria da Natureza faculta o reencontro, sob as teias da parentela, de quantos se desvairaram, em outro tempo, nos desmandos de ordem sexual, reencontro esse que persiste em condições mais íntimas e mais profundas, até que os companheiros do pretérito, reencarnados na posição de filhos, atinjam a juventude, na existência nova, elegendo novos parceiros para a sua vida afetiva, ante a presença ou a supervisão dos pais ou de familiares outros, nem sempre satisfeitos ou tranqüilos com as escolhas que são obrigados a assistir ou a aprovar pela força das circunstâncias.

Pais que sofrem na entrega das jovens que o lar lhes confiou, aos companheiros que as requisitam para os misteres do casamento, quase sempre estão renunciando à companhia de antigas afeições que eles mesmos, no passado, mal conduziam, ao passo que as mães experimentam análogo fenômeno de dilaceração psíquica, em se separando de filhos que lhes recordam, embora inconscientemente, as ligações empolgantes ou menos felizes de tempos que já se foram.

E, através das lutas e adeuses em família, com a criação de núcleos diferentes na parentela, pela transferência habitual dos filhos, seja a noras e genros, ou a tarefas e experiências diversas das deles, os pais, sempre que respeitem as necessidades e resoluções dos seus rebentos, alcançam a vitória sobre si mesmos, no rumo da própria emancipação na imortalidade.

Emmanuel
Livro: Vida e Sexo - Páginas 65 a 68

Psicografia de Chico Xavier - Editora FEB.