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22 dezembro 2012

Na Área Social - Batuíra


NA  ÁREA  SOCIAL

Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome e o que crê em mim nunca mais terá sede. JOÃO 6:35.
 
A assistência social é um meio, não o objetivo principal a que se propõe a tarefa espírita.
 
Necessária e valiosa é a comida e a vestimenta para acalmar os sentidos fisiológicos; no entanto, magnífico e excelso é o suprimento que atende às necessidades do espírito imortal.
 
Muitos advogam que a criação e a manutenção de obras sociais compete unicamente ao Estado. 

Outros acreditam, de forma radical, que os objetivos do movimento espírita devam assentar-se na assistência social, esquecendo que a Doutrina proclama como primordial a educação das almas, e não apenas simplesmente a sustentação do corpo, que é perecível. 

Para este o prato de sopa é muito bem-vindo, sem dúvida, mas a alma aspira ao verdadeiro pão da vida.
 
A seara do Bem envolve diversos trabalhos em benefício dos carentes do corpo e da alma. Pode parecer, no entanto, que as necessidades essenciais e imediatas residam no corpo denso, mas, na realidade, se encontram no íntimo das criaturas.
 
Não basta construirmos lares ou abrigos que fazem do prato nutriente, da perpetuação da espécie e da maneira simplória de ver a vida as únicas razões da existência humana. 

Urge, sim, estabelecermos noções de valores imortais e bases educacionais para preparar as almas para a grandeza espiritual a que estão destinadas.
 
Toda congregação espírita na Terra tem como finalidade maior esclarecer pelo estudo, promover o amadurecimento emocional pelo trabalho e desenvolver as virtudes em potencial. Eis a atividade prudente e prioritária dos aprendizes do Evangelho.
 
A ação caritativa e a boa vontade do Movimento Espírita prestam inestimáveis serviços à sociedade e ao Estado, conquanto não devam assumir de maneira simplista e com espírito salvacionista as funções do serviço social, que cabe à administração pública.
 
A solidariedade pode surgir como anseio da alma, acompanhada das seguintes características:

a.. Responsabilidades abandonadas em existências passadas;
b.. Despertamento devido a uma nova visão do mundo e das pessoas;
c.. Terapia salutar para superar problemas e conflitos;
d.. Problemas de consciência por estar vivendo no fausto e na ociosidade;
e.. Felicidade em servir voluntariamente.

O companheiro interessado em ingressar no celeiro do alimento celeste deve buscar, antes de tudo, a sua iniciação espiritual.

Por iniciação, devemos entender o início da experiência da verdade sobre si mesmo. Ao buscarmos o alimento invisível em nossas potencialidades divinas, poderemos produzir por nós mesmos o pão da vida e reparti-lo com nossos companheiros de jornada.
 
Somente uma criatura iniciada poderá realmente induzir os outros à busca ou produção do próprio alimento.
 
Não devemos esperar que as organizações governamentais venham realizar a tarefa que compete ao Espiritismo, ou seja, levar a toda humanidade a mensagem de Jesus Cristo, através de Kardec, a fim de que nunca mais as almas tenham fome ou sede.
 
Todavia, enquanto o poder público não conseguir eliminar os horrores da miséria, é justo que cooperemos com o pão material em nossos empreendimentos assistenciais.
 
Tomemos o cuidado, porém, de não manter nossos assistidos tão dependentes e retrógrados quanto no primeiro dia em que puseram os pés no grupo de auxílio. Sem estudar, sem progredir, sem alargar a visão diante da vida e da sociedade. E nada fazendo para aprender a buscar por si mesmos a completa saciedade: a pérola no fundo do mar (Mateus 13: 45 e 46), o tesouro oculto no campo (Mateus 13:44), o grão de mostarda (Mateus 13:31 e 32) - o reino de Deus.
Batuíra
Texto psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto. Extraído do livro "Conviver e Melhorar".


10 dezembro 2011

Companheiros Hipócritas - Batuíra


COMPANHEIROS HIPÓCRITAS

"E ficaram de espreita. Enviaram espiões que se fingiram de justos, para surpreendê-lo em alguma palavra sua..." (Lucas, 20:20)

Diz um antigo provérbio: "Não há nada de nobre em ser superior a outro homem. A verdadeira nobreza está em ser superior ao que eras anteriormente".

Na realidade, a maioria das pessoas bem-sucedidas na organização da Casa Espírita não pensam em competição, mas constantemente se perguntam: "Estou mais próximo de minha meta hoje do que estava ontem? Estou melhorando? Como posso me aproximar de meus objetivos?"

A melhoria da qualidade de uma instituição não está no espírito competitivo, mas na convicção e no desempenho dos associados e na qualidade de seus processos criativos.

Os companheiros que se fixam em si mesmos ou em seus próprios interesses acabam desprestigiando o grupo, por serem incapazes de ver além do seu proveito pessoal. Dessa forma, os projetos de ação no bem não transcendem o imediatismo egoístico da evidência individualista.

No serviço cristão, onde engrossamos as fileiras do bem, todos somos candidatos à renovação de nossas almas. Nesse labor iluminado, Jesus Cristo comanda nossos passos na evolução.

Entretanto, onde há trabalho há antagonismo, mas para que alguém avalie com certeza e critique produtivamente a respeito determinada empreitada, precisa relacionar a quantidade do tempo de serviço vivenciado dentro dela.

Na ânsia de comandar e dirigir, mas desgostosos por sua incapacidade para tal, muitos companheiros consolam-se atirando pedras para amenizar sua vaidade ferida.

Fomentam armadilhas sondando os insatisfeitos e inconformados, formam grupetos e, como os antigos hebreus, que escolhiam uma cabra do rebanho e sobre ela lançavam seus pecados para que os carregasse, assim também hoje em dia a artimanha do bode expiatório funciona de forma análoga em muitas circunstâncias na equipe de trabalho assistencial cristão.

Muitos se atiram contra os obreiros que não acatam seu comando particular, agridem os companheiros que não seguem seu catálogo pessoal e só cooperam do cume da montanha para a base.

Geralmente, a falsidade e a adversidade, a deserção e a amargura não nascem de nossos rivais conhecidos, mas justamente daqueles que durante anos se nutriram conosco do mesmo pão e nas mesmas fontes da existência.

Os maiores ataques não partem de meios estranhos, mas sim do ambiente mais íntimo, onde a crítica áspera e a inveja, a imprudência e a ingratidão invadem a mente daqueles que convivem conosco no cotidiano. O opositor mais pernicioso é sempre o amigo desajustado.

Lealdade é uma via de mão dupla. Se usarmos de engodo e astúcia para com nossos companheiros de ideal, certamente encontraremos dentro em breve tudo isso nos caminhos da vida.

Não devemos estranhar o assédio desses irmãos transviados, se planejamos, perseverantemente, servir na Seara do Cristo.

Investirão no trabalho, acusando-nos de repressores; criticarão nossas realizações, nomeando-nos de orgulhosos; censurarão nossas interpretações evangélicas, chamando-nos de fascinados; escutarão nossas palavras de afetividade, ironizando sempre.

Não hesitemos, porém, diante do serviço do bem. Mesmo entre vibrações antagônicas, continuemos a aperfeiçoar a qualidade do serviço, tomar iniciativa e estabelecer limites com responsabilidade. Lembremo-nos de que, ante desavenças e dissensões, o tempo sempre será o mais salutar dos remédios.

De “Conviver e Melhorar”
De Francisco do Espírito Santo Neto
Espírito Batuíra

05 junho 2011

Ante o Mundo Melhor - Batuíra


ANTE O MUNDO MELHOR


O trabalho será sempre o prodígio do Universo - a força que o entretém, a luz que o eleva.

Observemos junto de nós.

Tudo é trabalho para que a vida se nos transforme na bênção de cada dia.

Trabalha o sol e o mundo se equilibra. Trabalha o mundo e a natureza se renova para que os processos da evolução nos conduzam para o Mais Alto.

A fonte é bondade e a semente faz-se pão porque trabalha servindo.

Refutamos nisso para que o repouso inoportuno não se nos infiltre no espírito por ferrugem destruidora.

No trabalho é que surpreendemos todas as oportunidades de progresso e melhoria a que nos endereçamos.

Aquele a quem servimos é quem realmente nos servirá.

Damos e recebemos. Isso é tão natural quanto plantar e colher.

Por isso mesmo, seja qual seja a condição em que nos achemos, o trabalho é caminho para a ascensão à felicidade justa.

A hora de que dispomos, a pessoa da estrada, o companheiro em serviço, o amigo e o adversário, constituem talentos potenciais que é preciso aproveitar para o bem, a fim de que o bem nos enriqueça de paz.

Não vacileis.

Atendamos aos imperativos do servir e estaremos no clima do obter.

Não há outra via para alcançar os nossos objetivos de ordem superior, senão essa.

O descanso existe por pausa de refazimento e reformulação.

Nada mais.

Recordemos semelhante verdade para que não lhe desrespeitemos a fronteira, caindo na marginalização de nossas melhores forças.

Trabalhar, sim, e trabalhar sempre, porquanto, se tudo quanto existe agora de bom e de belo, aos nossos olhos na Terra, é fruto do esforço de quem agiu e construiu, o futuro, por reino de segurança e felicidade entre as criaturas, tão-somente surgirá por fruto de quem trabalha no presente, atendendo aos apelos do Cristo para que, em nos amando uns aos outros, nos façamos obreiros fiéis e devotados, no levantamento da Nova Era para um Mundo Melhor.

Pelo Espírito Batuíra
Do Livro: Seguindo Juntos
Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

09 maio 2011

Servir para Merecer - Batuíra


SERVIR PARA MERECER


Finalizando as nossas atividades na noite de 4 de agosto de 1955, tivemos a palavra do grande companheiro Antônio Gonçalves Batuíra, denodado pioneiro do Espiritismo no Estado de São Paulo, que, de modo vibrante, nos convocou ao valor moral para mais alto padrão de eficiência da nossa tarefa espírita.

Meus irmãos, que a divina bondade de Nosso Senhor Jesus - Cristo seja louvada.

Pedir é mais que natural, no entanto, é razoável saber o que pedimos.

Habitualmente trazemos para o Espiritismo a herança do menor esforço, haurida nas confissões religiosas que nos viciaram a mente no culto externo excessivo, necessitando, assim, porfiar energicamente para que a vocação do petitório sistemático ceda lugar ao espírito de luta com que nos cabe aceitar os desafios permanentes da vida.

No intercâmbio com as almas desencarnadas, procedentes da esfera que vos é mais próxima, sois surpreendidos por todos os tipos de queda espiritual.

Sob tempestades de ódio e lágrimas, desesperação e arrependimento, consciências culpadas ou entorpecidas vos oferecem o triste espetáculo da derrota interior a que foram atiradas pelo próprio desleixo.

É que, soldados da evolução, esqueceram as armas do valor moral e da vontade firme com que deveriam batalhar na Terra, na aquisição do próprio aprimoramento, passando à condição parasitária daqueles que recebem dos outros sem darem de si e acabando o estágio humano, à feição de fantasmas da hesitação e do medo, a se transferirem dos grilhões da preguiça e da pusilanimidade à escravidão àquelas Inteligências brutalizadas no crime que operam, conscientemente, nas sombras.

Levantemo-nos para viver como alunos dignos do educandário que nos recolhe!

Encarnados e desencarnados, unamo-nos no dinamismo do bem para situar, sempre mais alto, a nossa oportunidade de elevação.

É inútil transmitir a outrem o dever que nos compete, porque o tempo inflexível nos aguarda, exigindo-nos o tributo da experiência, sem o qual não nos será possível avançar no progresso justo.

Todos possuímos escabroso pretérito por ressarcir, e, dos quadros vivos desse passado delituoso, recolhemos compulsoriamente os reflexos de nossos laços inferiores que, à maneira de raízes do nosso destino, projetam sobre nós escuras reminiscências.

Todos temos aflições e dúvidas, inibições e dificuldades, e, sem elas, certamente estaríamos na posição da criatura simples, mas selvagem e primitivista, indefinidamente privada do benefício da escola.

Clareemos o cérebro no estudo renovador e limpemos o coração com o esmeril do trabalho, e, então, compreenderemos que o Senhor nos emprestou os preciosos dons que nos valorizam a existência, não para rendermos culto às facilidades sem substância, engrossando a larga fileira dos pedinchões e preguiçosos inveterados, mas sim para que sejamos dignos companheiros da luz, caminhando ao encontro de seu amor e de sua sabedoria, com os nossos próprios pés.
Saibamos, assim, aprender a servir para merecer.

Pelo Espírito Batuíra
Do livro: Vozes do Grande Além
Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

10 junho 2008

Princípios Unificadores - Batuíra

 
PRINCÍPIOS UNIFICADORES

"Se dissermos que estamos em comunhão com ele e andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Mas se caminhamos na luz como ele está na luz, estamos em comunhão uns com os outros" - (1ª Epístola à João, capítulo 1º, versículos 6 e 7) 

Inumeráveis aprendizes da Boa Nova agarram-se às dificuldades de toda espécie na província nebulosa da desunião e da discórdia.

Os obstáculos no campo de serviço efetivamente são enormes e reclamam grande esforço dos beneficiários da Doutrina Espírita, os quais, para não perderem a oportunidade de trabalhar em favor da própria redenção, devem começar proporcionando um clima de harmonia e união na Casa Espírita da qual participam.

A cada discípulo cabe vigiar seu campo de ação, valorizando seu aprimoramento espiritual, não se esquecendo, porém, de cooperar para que a harmonia e os vínculos afetivos se fortaleçam entre os aprendizes do Evangelho.

Contudo, não somente quem dirige mas também os dirigidos devem elaborar normas de procedimento, que se expressarão por luz a guiar-lhes as metas no serviço esclarecedor.

Denominam-se normas de procedimento ou princípios unificadores as atitudes ou as maneiras de comportarmo-nos perante os conflitos grupais, ou critérios básicos que nos nortearão diante das
dissidências. Salvaguardam acima de tudo o movimento corporativo ao qual pertencemos.

Essas normas de união devem ser apreciadas e estudadas por todos, pois ensejam possibilidades importantíssimas para que o grupo aja nos momentos de crise com análise e raciocínio. Isso permitirá identificar com antecedência o resultado das próprias ações.

Nas grandes empresas econômicas, esses princípios abordam as questões da segurança no trabalho, admissão e readmissão de funcionários, produção/estoque, política salarial e tantas outras.

Obviamente, nas assembléias cristãs, as normas fundamentais estão inseridas no Evangelho do Cristo.

Não podemos fugir da chama do amor e do perdão, mas existem outras providências a ser tomadas que podem nos ser úteis e servir de base no campo de trabalho, desde que observemos os seguintes princípios unificadores e essenciais: Não reagir precipitadamente às críticas dos outros; ao contrário, analisá-las com calma, utilizando coerência de raciocínio e separando o que tem realmente valor daquilo que é apenas expressão destrutiva do personalismo; Exercitar o auto-controle para não se ofender e se ressentir com facilidade, evitando também trocar constantemente de grupo, porquanto tal comportamento pode ser fruto do orgulho ou de hostilidades inconscientes.

O homem inteligente, através do contato com seus semelhantes, retira experiências e ensinamentos valiosos para seu progresso espiritual;

Ser participativo nas relações com os companheiros; a comunicação espairece a casa mental, estabelecendo uma corrente de idéias que torna a criatura vivaz e atualizada;

Saber observar as experiências dos outros sem qualquer intenção de investigar a vida deles; mas retirar o máximo de entendimento com a vivência alheia, com o objetivo de abrir horizontes mais vastos no próprio mundo interior.

Aprender igualmente a não se enaltecer diante dos desacertos do próximo ou retrair-se perante o êxito ou sucesso alheio;

Estudar e ler habitualmente; aperfeiçoar o desenvolvimento intelectual, freqüentando cursos, palestras e seminários, propiciando um campo maior à lei de progresso que a todos anima; Cultivar a independência, mas aceitar a liderança da equipe, respeitando a hierarquia.

O fato de pensarmos livremente não deve anular a realidade de que estamos subordinados a um quadro de diretores na organização da Casa Espírita.

Se caminhamos na luz como Ele está na luz, estamos em comunhão uns com os outros. Existe uma reciprocidade nos caminhos da revivificação em Cristo. Estar com Ele é estar na Luz, porque O Mestre é a Luz do Mundo e, conseqüentemente, estamos em comunhão e unidade com os outros, que, por sua vez, também se ajustaram na mesma claridade e sintonia.

Segundo o apóstolo João, somente acontece a comunhão entre os aprendizes sinceros quando se estabelece ligação profunda em torno dos ensinos cristãos.

Aperfeiçoar a compreensão é relacionar fatos e associar dados, reagrupando-os e coordenando-os de forma lógica, a fim de se tirarem as melhores observações das ocorrências.

Busquemos, pois, o equilíbrio no Modelo Divino e, nos servindo desses referidos princípios unificadores, permitiremos o aprimoramento de nossas conclusões no círculo de relação e de ação onde atuamos.

Livro: Conviver e Melhorar - 45 - Batuíra
Médium:Francisco do Espírito Santo Neto 

29 dezembro 2006

Cooperação Encadeada - Batuíra

 
COOPERAÇÃO ENCADEADA

No tema do aperfeiçoamento, imaginai a Terra na condição de grande pirâmide.

Os conhecimentos edificantes descem do ápice para a base, espalhando-se a benefício de todos.

Se já aceitastes a imortalidade da vida e se percebeis a Presença Divina, em todos os recantos da Natureza, propiciando-vos os ingredientes que se vos fazem necessários à evolução, sois chamados a disseminar os valores espirituais a que nos referimos.

Nomeados para auxiliar aos nossos companheiros que ainda se desorientam nas sombras da retaguarda, aceitai os vossos encargos com alegria.

Sendo nós, – amigos desencarnados, – os trabalhadores que recolhem do Mais Alto os ensinamentos que nos são confiados, sois naturalmente os intérpretes da nossa tarefa, com a obrigação de comunicar aos outros, especialmente aos irmãos que se demoram em cegueira espiritual, os conhecimentos que nos impulsionarão para os cimos da vida.

Somos filtros das idéias e lições dos missionários de revelações maiores, enquanto sois os filtros, ao nosso dispor, na obra do auxílio espiritual a milhões de criaturas.

Não vos surpreendais, nem vos assusteis, porque o servidor fiel será sempre digno da assistência que necessite receber.

Iniciai a vossa realização, alijando da própria alma os resquícios de quaisquer sentimentos que vos desunam, entendendo que a união ser-vos-á de harmonia e força.

Não se vos pede sacrifícios para os quais já se sabe que não sois capazes.

Sobretudo, compreendei e amai sempre, transmitindo os vossos recursos de amor a todos os seres da Criação.

Inútil esperar milagres que a lei de sequência não sanciona.

Tantos quanto nós, os companheiros desencarnados que vos assistem, estamos encarregados de abrir caminho para a sublimação, todos estais convocados para o serviço de auxílio aos irmãos que nos acompanham a trajetória à busca do conhecimento libertador.

Convencei-vos, quanto a isso e trabalhai amando, quanto puderdes, sabendo sempre que os anjos não virão ao mundo para servir em nosso lugar.

Livro: Escultores de almas - Batuíra 
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

11 novembro 2006

Saber Ouvir para Decidir Bem - Batuíra

 
SABER OUVIR PARA DECIDIR BEM

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz...” 
(Apocalipse, capítulo 3º, versículo 22)

Inúmeras criaturas que se aproximam dos operários leais do Senhor não passam de desequilibrados faladores. É essencial prudência e vigilância, para que não transformemos a mente em vaso de entulhos e ruínas.

Nas organizações espíritas convivemos, no curso de suas atividades diárias, com companheiros que nos trazem as mais diversificadas mensagens pessoais, obrigando-nos a refletir a respeito das solicitações que nos alcançam.

Necessário é saber guiar-nos com o coração amparado pelos Planos Maiores, ligados na realidade dos fatos, e não nos influenciar pelas fantasias e queixas enfermiças.

Ouvir com habilidade é perceber a atmosfera fluídica que envolve os outros.

Usemos todos os sentidos aliados à intuição. Prestemos atenção às palavras, ao volume e ao tom de voz da pessoa atendida. É preciso ir além da verbalização para compreender o conteúdo e a intenção do interlocutor. As vezes, o sentimento é muito mais explícito, e, por isso mesmo, muito mais enfático do que as próprias palavras.

A capacidade mais importante na comunicação é saber ouvir. É interessante notar que aprendemos a escrever, falar e ler, mas quase nunca nos ensinaram a ouvir corretamente as verdadeiras intenções que envolvem as palavras.

Quando utilizamos somente a estrutura da audição, desprezando as forças sutis da alma, nunca chegamos às profundezas da percepção do espírito.

Escutar é simplesmente manter um diálogo convencional, passageiro e corriqueiro; ouvir, porém, é embrenhar-se na troca de alma para alma, em que a essência realmente age com sintonia e inspiração.

Não podemos nos esquecer de que nosso objetivo é ouvir para que, obtendo uma noção clara do que a pessoa está dividindo conosco, possamos aconselhá-la o mais corretamente possível.

É fundamental que o orientador procure entender o que está sendo transmitido, evitando argumentar, recriminar, inquirir ou dar respostas apressadas e irrefletidas.

Quem orienta deve aprender a captar tanto visual como auditivamente, controlando suas emoções e a tendência de responder antes que a criatura termine sua exposição.

Para podermos induzir uma comunicação aberta entre companheiros que nos procuram, comecemos antes de tudo, por nós mesmos. Sejamos francos e acessíveis nos contatos pessoais. Se o dirigente se fechar ou mostrar-se reservado, certamente encontrará a mesma dificuldade no comportamento do outro.

A prece, aliada à inspiração dos bons espíritos, dará o significado e a verdadeira intenção do intercâmbio verbal.

Em nossas atividades evangélicas, o êxito do atendimento depende da atenção ao que foi dito ou feito, bem como da forma como agimos e auxiliamos diante do problema relatado.

O apóstolo João recomenda a necessidade de ouvir o que o Espírito diz.

Entendia que somente dessa forma é que se pode utilizar com sabedoria do silêncio ou da palavra, diferenciar com segurança a sombra da luz e separar com sensatez o joio do trigo.

A Luz do Mundo ouvia espiritualmente as situações; portanto, auxiliava sem ofender, esclarecia sem ferir, ensinava sem perturbar.

O Cristo Jesus instruía falando e exemplificando, Os homens que exclusivamente O escutavam não absorveram suas lições imorredouras; porém, todos aqueles que O ouviram em espírito e verdade impressionaram suas almas para a Eternidade e se converteram em plenitude.

Livro: Conviver e Melhorar - Batuíra
Psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto

10 novembro 2006

Aqueles que Desertam - Batuíra

AQUELES QUE DESERTAM


“De fato, é de perseverança que tendes necessidade, para cumprirdes a vontade de Deus...” (Hebreus, capítulo 10º, versículo 36)

Perseverança cristã abrange um estado de maturidade ou evolução vivenciados nos setores vitais da existência da alma: o social, o físico e o espiritual. Essa vivência permite-nos assumir as mais diversas responsabilidades diante da vida. A maturidade física seria apenas um setor, pois apenas se refere à integridade do organismo denso, porém não basta para traçarmos um verdadeiro perfil de maturidade evolutiva.

Companheiros inconstantes e vacilantes assemelham-se às ondas do mar: são arremessados pelos ventos da instabilidade e atirados de um lado para outro. Desenvolveram-se fisicamente, mas continuam ainda infantilizados quanto aos compromissos com a lide do Senhor. Não compreendem a importância da hora que passa e, sem firmeza, recuam ante os desafios do serviço. Não possuem fibra nem pulso forte.

Na Casa Espírita, se a maioria procura agir entre a perseverança e a responsabilidade, alguns se esquecem com facilidade de seus postos de trabalho, nos quais se comprometeram a servir.

O núcleo de trabalho em sua estrutura ideológica introduz nos seus adeptos um modelo de crescimento. Ele propõe basicamente três itens: - uma noção de onde nos encontramos; um ideal maior para onde deveremos ir; e um caminho de excelências que nos leva do primeiro para o segundo. Em todos os itens, a principal ocupação é a melhoria e o aprimoramento da nossa condição evolutiva. O crescimento dos obreiros consiste em sua autodeterminação, ou seja, sua permanência na senda que leva ao item final.

Certamente, em todas as áreas do serviço cristão, a troca freqüente de experiências é muito saudável. Mas o raciocínio baseado na concorrência pode se tornar bastante danoso e perturbador.

Sena razoável, portanto, que, antes de tomarmos qualquer decisão de retirar-nos da obra, consultássemos o grupo, ou o seu dirigente, visto que seria deselegante de nossa parte desistir sumariamente, sem dar qualquer satisfação. É compreensível a desistência, mas os bons modos são imprescindíveis.

Ninguém poderá se esquivar da parcela de empenho e vigor que lhe cabe na obra de aperfeiçoamento próprio. Quando Paulo recomendou a persistência, tornava claro o longo caminho dos que procuram as culminâncias da elevação espiritual.

Se dentro dessa campanha de fraternidade alguns deixam os encargos assumidos, outros passam a substituí-los. Se, no entanto, alguém se sentir sobrecarregado, não deverá esmorecer, pois em pouco tempo o Senhor encaminhará por certo outras criaturas para assumir as tarefas abandonadas.

A reciclagem na Casa Espírita é feita sempre sob os auspícios dos Benfeitores Maiores, que guiam a missão do Cristianismo Redivivo. O Pai dispõe de inúmeros recursos para manter o bem, não faltando nunca mãos dedicadas e braços valorosos na enxada da caridade.

Por imaturidade, muitos não valorizam os postos que lhes foram confiados para o próprio reerguimento espiritual, e desertam. Amadurecimento é conquista das criaturas que já elegeram o Mestre Nazareno como guia e modelo. Essas almas adultas herdarão o Reino dos Céus.

Livro: Conviver e Melhorar - Batuíra
Psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto

 

09 novembro 2006

Autoridade e Autoritarismo - Batuíra

 
AUTORIDADE E AUTORITARISMO

“... as multidões ficaram extasiadas com o seu ensinamento, porque as ensinava com autoridade e não como os seus escribas.” (Mateus, capítulo 7º, versículos 28 e 29)

As organizações cristãs e o apostolado que lhes diz respeito caracterizam-se pelo auxílio fraterno, sem golpes de autoritarismo, sem gestos de condenação. Combater a ignorância e acender as chamas da esperança nas almas deve ser a meta dos que dirigem e orientam.

Quando falamos, revelamos o nosso interior, não só pelas palavras que utilizamos mas também pelos gestos, pela inflexão ou entonação da voz. O olhar, a forma e o tom das expressões acentuam ou suavizam o sentido das frases, disseminando entendimento ou fomentando descontentamento.

Comunicando de forma impulsiva e apressada os avisos e as informações de caráter administrativo, os trabalhadores poderão desfigurar a importância de cada um deles, colocando objeções de forma oculta ou declarada.

Uma grande orquestra necessita, além da competência de seu maestro, da cooperação e capacitação técnica de todos os músicos, para que possa executar com perfeição acordes melodiosos descritos nas pautas musicais. O conjunto depende das partes.
Por mais que Mozart nos tenha legado todo o seu talento primoroso e por mais que todos se conduzam pelas mãos do regente, que se atém à partitura, se um único instrumentista desafinar, comprometerá a execução da obra musical.

Essa analogia tem a providencial utilidade de deixar-nos cientes quanto à nossa quota de participação para o êxito da tarefa na organização da Casa Espírita. Se ocorrer problemas por conta de nossa displicência, seremos nós mesmos os primeiros a não receber os benefícios da harmonia e da fraternidade, por termos saído da sintonia mental.

O coordenador do grupo deverá efetuar e regulamentar reuniões de esclarecimento e de ajuste quanto à organização dos serviços. É importante também que saiba motivar os operários do bem, através de estímulos externos: ambiente de trabalho agradável e arejado, adaptação aos usos e costumes modernos, por meio de recursos audiovisuais, por exemplo, que facilitam a concentração, preces e meditações. E, da mesma forma, que consiga provocar nos servidores, por prioritários e imprescindíveis, estímulos internos: vontade de progredir, pensamentos elevados, autoconfiança, comunhão fraternal e busca constante de inspiração na Videira de Luz.

O bom coordenador deve enfatizar os pontos positivos do grupo, sem ignorar suas limitações e sem deixar de lado a responsabilidade e encargos de sua ação disciplinar. Deve ter uma saudável filosofia de vida para poder ajudar com otimismo, sobrepor-se ao negativismo e partir da premissa de que a cortesia e a compreensão com respeito aos erros humanos é uma das maiores provas de caridade e amor cristão.

Havendo necessidade de repreender alguém, que procure fazê-lo de modo reservado e cordial, usando sempre de empatia, ou seja, colocando-se imaginariamente no lugar do outro e observando como gostaria de ser advertido se tivesse cometido a mesma falta.

A autoridade de Jesus Cristo, a que se refere Mateus nesses versículos, é o poder de quem já aprendeu a unir-se aos outros, sem exigir de maneira autoritária que os outros gravitem em torno de seus passos. E o comportamento de quem ensina respeitando os outros, a fim de atingir a unidade ou união fraternal.

Para bem aconselhar, é preciso escolher o momento oportuno, utilizar termos claros e exatos, demonstrando coerência entre a orientação e a atitude adotada.

Não é possível criar qualquer analogia entre imposição e aconselhamento. Seja qual for o setor de atividades e de relacionamentos da alma humana, a política administrativa deve estar sempre aliada à autoridade moral e à brandura de sentimentos.

Livro: Conviver e Melhorar - Batuíra - 
Psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto

16 outubro 2006

Médiuns e Mensageiros - Batuíra

 
MÉDIUNS E MENSAGEIROS

Em torno dos médiuns e dos encargos que lhes dizem respeito recorramos a imagens simples da vida para considerar a importância do burilamento mediúnico ante as manifestações espirituais:

o escritor mais emérito não comporá sequer uma página atirando a esmo as letras do alfabeto;

o navegador mais experiente não realizará a travessia do oceano numa embarcação de papel;

o professor mais sábio não conseguirá fornecer ao discípulo qualquer diploma, em determinado setor profissional, de uma semana para outra;

o engenheiro mais competente não erguerá construção sólida sobre areias movediças.

Assim também na área dos Mensageiros da Vida Superior e dos medianeiros amigos encarnados na Terra.

Incentivaremos a descoberta e a formação de médiuns para enriquecer os sistemas de intercâmbio entre o Plano Espiritual e o Plano Físico, mas não nos esqueçamos de que, se os médiuns não estudam, melhorando as próprias condições de receptividade; se não adquirem fortaleza para suportarem valorosamente os golpes da crítica; se não entesouram paciência a fim de se adestrarem no serviço mediúnico, dia por dia, mês a mês e ano a ano; e se não largam o terreno falso da dúvida sem proveito é muito difícil a execução da tarefa de elevação a que foram chamados, de vez que sem recursos de trabalho e preparo, abnegação e aperfeiçoamento, a obra da educação em qualquer lugar se faz praticamente impossível.

Livro: “Mais Luz” - Batuíra 
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

07 julho 2006

Exigências Incoerentes - Batuíra

 
EXIGÊNCIAS INCOERENTES

"Realmente não consigo entender o que faço; pois não pratico que quero, mas faço o que detesto. Ora, se faço o que não quero, eu reconheço que a Lei é boa". (Romanos, 7:15)

Como todas as criaturas, também os trabalhadores do Evangelho, à maneira de Paulo de Tarso, trazem dentro de si grandes conflitos.

Cada um tem experiências, capacidades, qualidades, sentimentos próprios, defeitos e antigas fraquezas. É indubitável que a humanidade ainda vida entre atmosferas de sombras acumuladas há muitos e muitos séculos. Já conseguimos admitir que, juntamente com os valores espirituais, cada um de nós carrega também inúmeras deficiências e dificuldades a serem vencidas.

No entanto, se já conseguimos perceber que todos temos áreas problemáticas a vencer, respeitemos os conflitos de nossos companheiros de seara evangélica dispostos a cooperar, atribuindo-lhes tarefas condizentes com suas virtudes, para evitar que suas lutas interiores interfiram nas decisões organizacionais da Casa Espírita.

Ao verificarmos a observação de Paulo, é necessário socorrer a nós mesmos.

Os que fazem policiamento da vida do próximo descuidam de sua conquista espiritual, que lhes cabe exclusivamente realizar.

O problema da sublimação das almas, por isso mesmo, é difícil de ser resolvido, porque desviamos constantemente a atenção sobre nossas vidas para reparar e corrigir as dificuldades alheias.

O apóstolo quando proclama "não consigo entender o que faço; pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto", quer dizer: o que almeja é a jornada redentora da qual tem plena consciência, mas faz o que detesta, isto é, sente vibrações adversas que convertem o campo íntimo em zona de batalha.

Paulo conhecia a lei em profundidade, razão pela qual estava tão ciente da luta que se instalara em sua intimidade, sentindo as pelejas entre o "homem velho" e o "homem novo".

Se o Apóstolo dos Gentios enfrentava semelhantes conflitos, sofrendo o aguilhão da dor moral, que dizer da esmagadora maioria ainda iniciante na doutrina do Cristo?

Não cabe aos dirigentes espíritas fazer tribunal impiedoso de julgamento e crítica a vida dos outros. Antes, comete-lhes conceder a estes local, tempo e recursos para que possam desenvolver seus potenciais adormecidos e, conseqüentemente, realizar conquistas evolucionais, sem exigências incoerentes.

Se a Misericórdia Divina alcança a todos nós, por que haveremos então de reativar uma atmosfera inquisitorial em relação ao comportamento daqueles que nos cercam a existência?

Observação cuidadosa e investigação minuciosa, cumpre, sim, à criatura promover, mas unicamente em si mesma. Já os outros despertarão para suas necessidades de mudança ou transformação moral, assim que estiverem preparados.

Cabe aos orientadores ampliar a sua compreensão perante o grupo de obreiros espíritas com os quais trabalham e vivenciam o despertar da Vida Superior.

Lembremo-nos de que, em se tratando dos outros, poderemos cooperar, repassando-lhes o pouco que já acumulamos dos bens imortais e desejando-lhes somente muita paz sob as bênçãos de Deus. No momento aprazado, tomarão contato com a Sabedoria Divina, de onde saíram e para onde haverão de voltar um dia.

Do livro "Conviver e Melhorar" - Bautira
Psicografada por Francisco do Espírito Santo Neto